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Sexta-feira, 12 de Outubro de 2018 I SÉRIE —

­ Número 199

BOLETIM DA REPÚBLICA
   PUBLICAÇÃO OFICIAL DA REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE

IMPRENSA NACIONAL DE MOÇAMBIQUE, E. P. ARTIGO 2


(Objecto)
AVISO 1. O INPS tem por objecto a gestão do Sistema de Segurança
A matéria a publicar no «Boletim da República» deve ser remetida em Social Obrigatória dos Funcionários do Estado.
cópia devidamente autenticada, uma por cada assunto, donde conste, além 2. A actividade do INPS é extensiva aos agentes do Estado que
das indicações necessárias para esse efeito, o averbamento seguinte, assinado sofram descontos para efeitos de aposentação, nos termos da lei.
e autenticado: Para publicação no «Boletim da República».

ARTIGO 3
(Sede e Representações)

SUMÁRIO O INPS tem a sua sede na Cidade de Maputo e representações


em todas as províncias, podendo abrir outras representações
Conselho de Ministros: a nível nacional ou no estrangeiro, mediante autorização
do Ministro que superintende a área de finanças.
Decreto n.º 61/2018:
Concernente as normas de organização e funcionamento ARTIGO 4
do Instituto Nacional de Previdência Social, criado pelo (Atribuições)
Decreto n.º 8/2014, de 19 de Fevereiro.
O INPS tem as seguintes atribuições:
Resolução n.º 36 /2018: a) Organização e gestão do cadastro e sistema de previdência
Aprova a Política de Género e Estratégia da sua Implementação social dos funcionários e agentes do Estado, nos termos
e revoga a Resolução n.º 19/2007, de 15 de Maio. da legislação aplicável;
b) Organização e gestão do cadastro e sistema de segurança
social dos respectivos beneficiários, garantida
legalmente pelo Estado;
c) Organização e gestão do cadastro de contribuintes e
beneficiários da assistência social e de planos de saúde
CONSELHO DE MINISTROS dos funcionários do Estado no activo e aposentados;
d) Organização e gestão do fundo de pensões dos
Decreto n.º 61/2018 funcionários do Estado, do fundo de assistência social
e de planos de saúde dos funcionários do Estado, no
de 12 de Outubro activo e aposentados, e de outros fundos autónomos,
Havendo necessidade de rever as normas de organização incluindo os de pensões complementares, cuja gestão
lhe seja confiada nos termos da legislação aplicável
e funcionamento do Instituto Nacional de Previdência Social, ou contratualmente;
criado pelo Decreto n.º 8/2014, de 19 de Fevereiro, bem como e) Organização e gestão da tesouraria única e de contabilidade
o seu relacionamento com outros sujeitos de direito, o Conselho da previdência e segurança social garantidas pelo
de Ministros, ao abrigo do n.º 1 do artigo 82 da Lei n.º 7/2012, Estado e da assistência e planos de saúde, sob a gestão
de 8 de Fevereiro, o Conselho de Ministros decreta: do INPS.

ARTIGO 1 ARTIGO 5
(Competências)
(Natureza)
O INPS tem as seguintes competências:
1. O Instituto Nacional de Previdência Social, IP,
abreviadamente designado INPS, IP, é uma pessoa colectiva a) No âmbito da Gestão da Previdência Social:
de direito público, de regime especial, dotada de personalidade i) Organizar e gerir o cadastro dos contribuintes com
jurídica, autonomia administrativa, financeira e patrimonial. descontos de compensação para aposentação
dos funcionários e agentes do Estado;
2. O INPS pode, na sua actuação, praticar actos de gestão
ii) Analisar e fixar pensões, subsídios e outras
privada da Administração Indirecta do Estado na medida em prestações previstas na legislação aplicável, para
que seja indispensável à prossecução das suas atribuições com os funcionários do Estado que sejam contribuintes
a necessária eficiência económico-financeira e tempestividade. para sua aposentação;
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iii) Garantir o processamento e pagamento de pensões, d) No Âmbito da Gestão do Fundo de Pensões e Outros
subsídios e outras prestações devidas a funcionários Fundos Autónomos:
e agentes do Estado aposentados, nos termos i) Gerir as contribuições dos descontos de compensação
da legislação aplicável; para aposentação dos funcionários do Estado, no
iv) Elaborar e propor a estratégia e política de gestão respectivo Fundo de Pensões, bem como o controlo
financeira da previdência e segurança social da sua utilização e aplicações em operações
obrigatória dos funcionários e agentes do Estado financeiras e de investimentos;
e sua sustentabilidade; ii) Organizar e gerir, de forma prudente, sustentável e
v) Realizar estudos de avaliação, reavaliação e em regime de capitalização e eficiência económico-
actualização actuariais de responsabilidades financeira, o Fundo de Pensões dos Funcionários
vencidas e vincendas por serviços passados do Estado bem como a sua utilização e aplicação
prestados ao Estado pelos seus funcionários de seus recursos excedentários em operações
e agentes; financeiras e de investimentos;
vi) Assegurar o cumprimento das obrigações decorrentes iii) Gerir, com eficiência económico-financeira, a
de instrumentos internacionais relativos à carteira de operações financeiras e de investimentos
previdência e segurança obrigatória social sob rentáveis do Fundo de Pensões dos Funcionários
do Estado, podendo concessionar a gestão
sua gestão;
especializada de determinados investimentos;
vii) Assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes
iv) Gerir as contribuições para o Fundo de Assistência
da articulação dos Sistemas de Segurança Social
Social e Planos de Saúde e a sua utilização
Obrigatória; e aplicações em operações financeiras
viii) Assegurar e propor a definição da política e e de investimentos;
objectivos da previdência e segurança social v) Organizar e gerir, de forma prudente, sustentável e
obrigatória dos funcionários e agentes do Estado; em regime de capitalização e eficiência económico-
ix) Participar na concepção e formulação da política e financeira, o Fundo de Assistência Social e Planos
diplomas legais sobre a protecção social, no âmbito de Saúde para funcionários e agentes do Estado no
da previdência e segurança social obrigatória; activo e aposentados bem como a sua utilização
x) Assegurar a representação em organismos e aplicação de seus recursos excedentários em
internacionais especializados e participar na operações financeiras e de investimentos;
preparação e execução de medidas integradas na vi) Gerir, com eficiência económico-financeira,
cooperação internacional em matéria relativas à a carteira de operações financeiras e de investimentos
previdência e segurança social sob sua gestão nos rentáveis do Fundo de Assistência Social
termos da legislação aplicável. e Planos de Saúde, podendo concessionar a gestão
b) No âmbito da Gestão da Segurança Social: especializada de determinados investimentos;
vii) Gerir as contribuições para outros fundos autónomos
i) Organizar e gerir o cadastro dos beneficiários da similares, incluindo de pensões complementares,
segurança social garantida pelo Estado, nos termos cuja gestão lhe seja confiada nos termos da
da legislação aplicável; legislação aplicável ou contratualmente, bem
ii) Analisar e fixar pensões, subsídios e outras prestações como a sua utilização e aplicações em operações
previstas para os beneficiários da segurança social financeiras e de investimentos;
garantida legalmente pelo Estado; viii) Organizar e gerir, de forma prudente, sustentável e
iii) Garantir o processamento e pagamento de pensões, em regime de capitalização e eficiência económico-
subsídios e outras prestações devidas a beneficiários financeira, outros fundos autónomos, incluindo
da segurança social garantida pelo Estado nos de pensões complementares, cuja gestão lhe
termos da legislação aplicável; seja confiada por lei ou contratualmente, bem
iv) Realizar estudos de avaliação e actualização das como da sua utilização e aplicação de seus
responsabilidades do Estado no domínio de recursos excedentários em operações financeiras
pensões, subsídios e outras prestações devidas e de investimentos;
aos beneficiários da segurança social legalmente ix) Gerir, com eficiência económico-financeira, a
garantida pelo Estado. carteira de operações financeiras e de investimentos
c) No âmbito da Assistência Social e Planos de Saúde: rentáveis de outros fundos, incluindo de pensões
complementares, cuja gestão lhe seja confiada por
i) Organizar e gerir o cadastro de contribuintes e
lei ou contratualmente.
beneficiários da assistência social e de planos
de saúde dos funcionários do Estado no activo e) No âmbito da Organização e Gestão da Tesouraria
e aposentados; e Contabilidade:
ii) Elaborar e propor a estratégia e política de gestão i) Exercer as funções de tesouraria única da previdência
financeira da assistência social e planos de saúde social, da segurança social garantida pelo Estado
para funcionários e agentes do Estado no activo e da assistência e planos de saúde, sob gestão
e aposentados e sua sustentabilidade; do INPS;
iii) Realizar estudos de avaliação, reavaliação ii) Garantir o controlo da arrecadação de receitas e
e actualização actuariais de responsabilidades outros recursos e a realização da correspondente
vencidas e vincendas relativas à assistência social despesa de previdência social e de segurança social
e planos de saúde para funcionários e agentes garantidas pelo Estado bem como de assistência
do Estado no activo e aposentados. social e planos de saúde;
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iii) Organizar a escrituração contabilística de todas ARTIGO 8


as operações financeiras, de investimentos e (Órgãos do INPS)
patrimoniais de gestão de cada fundo sob a
gestão do INPS e das operações financeiras, de 1. São órgãos do INPS:
investimentos e patrimoniais de gestão do próprio a) Conselho de Administração;
INPS. b) Conselho Fiscal;
c) Conselho de Direcção.
ARTIGO 6
2. O INPS integra, ainda, os seguintes órgãos de consulta:
(Tutela)
a) Conselho Consultivo;
1. A tutela sectorial e financeira do INPS é exercida b) Conselho Técnico.
pelo Ministro que superintende a área de finanças. 3. O Conselho de Administração do INPS integra as seguintes
2. No âmbito do exercício da tutela, compete ao Ministro que Comissões Especializadas, que são órgãos independentes que
superintende a área de finanças: asseguram, de entre outros, o cumprimento das boas práticas de
a) Aprovar as directrizes de investimentos de aplicação de gestão do INPS, em matérias de remunerações, auditoria, controlo
recursos dos fundos de previdência social; interno, conformidade e gestão do risco:
b) Aprovar o plano anual de actividades, o orçamento a) A Comissão de Auditoria, Gestão de Risco e Confor-
e os relatórios da sua execução; midade;
c) Aprovar a estratégia e planos de investimentos do INPS b) A Comissão de Investimentos;
e dos Fundos sob sua gestão; c) A Comissão de Remunerações.
d) Aprovar a contratação de empréstimos externos e internos
ARTIGO 9
de créditos correntes com a obrigação de reembolso
até dois anos; (Natureza e composição do Conselho de Administração)
e) Aprovar a alienação e oneração de bens de Fundos sob 1. O Conselho de Administração é o órgão não executivo
gestão do INPS, bem como de bens patrimoniais do INPS, ao qual incumbe o acompanhamento e supervisão
próprios, observando a legislação aplicável; das actividades do Instituto, bem como a deliberação sobre os
f) Propor o quadro do pessoal do INPS para aprovação pelo instrumentos de administração e gestão.
órgão Conselho de Ministros; 2. O Conselho de Administração é composto por cinco
g) Aprovar o Regulamento Interno do INPS; administradores, não executivos, incluindo o presidente, sendo:
h) Homologar o plano de desenvolvimento de recursos a) Um em representação do Ministério que superintende a
humanos do INPS; área de finanças;
i) Homologar, no âmbito de previdência social b) Um em representação do Ministério que superintende a
dos funcionários e agentes do Estado, os resultados área da Função Pública;
da avaliação, reavaliação e actualização actuariais c) Um em representação das associações sindicais da
do fundo de pensões e do fundo de assistência social Função Pública;
sob gestão do INPS; d) Um em representação das associações dos aposentados
j) Proceder ao controlo do desempenho, em especial quanto da função pública.
ao cumprimento dos fins e objectivos, bem como a 3. O Presidente do Conselho de Administração é nomeado pelo
utilização dos recursos postos à disposição do INPS; Conselho de Ministros, sob proposta do Ministro que superintende
k) Ordenar a realização de acções de inspecção, fiscalização, a área de finanças.
incluindo a financeira, e auditoria dos actos praticados 4. Os administradores são nomeados pelo Ministro que
pelos órgãos do INPS; superintende a área de finanças.
l) Ordenar inquéritos e sindicâncias aos serviços do INPS; 5. Os administradores representantes dos funcionários do
m) Propor ao Conselho de Ministros a adesão do INPS a Estado e da associação dos aposentados da função pública são
instituições sem fins lucrativos, sociedades e outro tipo propostos pelas organizações que representam, devendo os
de instituições, nacionais, regionais e internacionais; mesmos apresentar a carta mandadeira para o efeito.
n) Exercer poder disciplinar sobre os membros dos órgãos 6. O administrador que representa a área da Função Pública é
do INPS, à excepção do Presidente do Conselho proposto pelo ministro sectorial.
de Administração; ARTIGO 10
o) Suspender, revogar ou anular, nos termos da legislação
aplicável, os actos dos órgãos do INPS que violem a (Mandato do Conselho de Administração)
lei e outros instrumentos normativos e de gestão. 1. O mandato dos membros do Conselho de Administração é
de quatro anos, renovável uma vez.
ARTIGO 7 2. É permitida a indicação, para um novo mandato, de um
(Princípios Orientadores) membro do Conselho de Administração abrangido pelo número
anterior, desde que tenham decorrido, pelo menos, quatro anos
1. O INPS guia-se pelos princípios gerais da Administração após o fim do segundo mandato.
Pública e, em particular, pelos princípios de protecção social, de 3. Findo o mandato, o Conselho de Administração continua
eficiência económico-financeira, de eficácia dos resultados, de em exercício até à tomada de posse de novos membros.
tempestividade e de qualidade dos serviços prestados. 4. Quando se verifique uma vaga no Conselho de Administração,
2. Na gestão de fundos autónomos que lhe sejam legal em virtude da morte, demissão ou desistência do cargo de membro
ou contratualmente confiados, o INPS rege-se por princípios do Conselho de Administração, providencia-se a sua substituição,
do direito privado. designando-se um novo membro no prazo máximo de dois meses.
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5. O mandato do membro do Conselho de Administração ARTIGO 12


designado nos termos do número anterior termina na data em (Conselho de Direcção)
que expiraria o mandato do membro substituído.
6. É declarado demissionário pelo Ministro que superintende a
área de finanças, após informação do Conselho de Administração, 1. O Conselho de Direcção é o órgão executivo de coordenação
o membro do Conselho de Administração que, sem justificação, e gestão da actividade do INPS.
faltar a três sessões consecutivas ou cinco interpoladas deste 2. O Conselho de Direcção tem a seguinte composição:
órgão. a) Director-Geral;
b) Director-Geral Adjunto;
ARTIGO 11 c) Directores de Serviços.
Competências do Conselho de Administração 3. São funções do Conselho de Direcção, na prossecução
do objecto e das atribuições do INPS:
O Conselho de Administração tem as seguintes competências:
a) Garantir a organização, gestão e funcionamento do INPS;
a) Acompanhar, monitorar e exercer o poder de supervisão b) Providenciar a organização, gestão e funcionamento do
interna sobre as actividades de administração e gestão, sistema de previdência social e da segurança social de
em geral, do INPS; outros pensionistas do Estado, nos termos da legislação
b) Emitir parecer sobre as políticas, legislação aplicável;
e regulamentação a submeter ao Ministro que c) Executar as deliberações do Conselho de Administração;
superintende a área de finanças; d) Elaborar o plano de actividades e orçamento anual;
c) Emitir parecer sobre as propostas de Regulamento e) Assegurar a fixação de pensões e outras prestações nos
Interno, Qualificador de Carreiras Profissionais, termos da legislação aplicável;
Quadro de Pessoal e Regime Remuneratório do INPS, f) Garantir o pagamento de pensões e outras prestações nos
a submeter à aprovação das entidades competentes; termos da legislação aplicável;
d) Emitir parecer sobre a proposta de contrato-programa g) Diligenciar a organização do cadastro e a inscrição dos
do INPS; funcionários e agentes do Estado contribuintes de
e) Deliberar sobre a proposta do plano anual de actividades, descontos de compensação para sua aposentação;
o plano financeiro, o orçamento, o plano e estratégia h) Garantir o controlo e fiscalização da entrega e colecta
de investimentos do INPS; de contribuições de descontos de compensação para
f) Deliberar sobre a proposta do plano de desenvolvimento aposentação;
i) Assegurar a organização e gestão, na óptica empresarial e
dos recursos humanos;
em regime de capitalização com eficiência económico-
g) Deliberar sobre a proposta de remunerações do pessoal
financeira, dos fundos de pensões e de assistência
do INPS nos termos do estatuto remuneratório
social e outros fundos cuja gestão seja ao INPS nos
e da legislação aplicável; termos da lei ou contratualmente;
h) Deliberar sobre o relatório anual de actividades j) Garantir a organização e gestão, na óptica empresarial
e as contas anuais do INPS; e com eficiência económico-financeira, da carteira
i) Deliberar sobre outros planos e estratégias do INPS; de investimentos rentáveis dos Fundos de pensões e
j) Deliberar sobre a proposta do Regulamento Interno de assistência social e outros fundos sob sua gestão,
e o Quadro de Pessoal do INPS e submeter ao Ministro incluindo os investimentos concessionados à gestão
que superintende a área de finanças; especializada;
k) Deliberar sobre a proposta do Código de Conduta k) Providenciar a organização e prestação dos serviços de
do INPS e submeter à homologação do Ministro planos de assistência social e de planos de saúde, em
que superintende a área de finanças; articulação com as entidades supervisoras competentes
l) Deliberar sobre a proposta da estratégia de comunicação e as entidades provedoras de tais serviços;
e imagem do INPS; l) Garantir o controlo e fiscalização da entrega e colecta de
m) Deliberar, no âmbito das atribuições do INPS, sobre as contribuições para assistência social e planos de saúde
normas técnicas necessárias à correcta implementação bem como o pagamento de encargos de prestação dos
da legislação aplicável à Segurança Social Obrigatória respectivos serviços;
dos Funcionários do Estado; m) Assegurar a aquisição, concepção, desenvolvimento e
n) Deliberar sobre as medidas de assistência social ao manutenção dos sistemas de informação e comunicação;
pessoal do INPS e seus dependentes, nos termos da lei; n) Ordenar a instauração dos processos por transgressões e
o) Deliberar sobre a proposta da aquisição e a venda de bens de execução das obrigações contributivas;
móveis e imóveis, bem como a constituição e cessação o) Assegurar a aquisição de bens e serviços para o
funcionamento, nos termos da legislação aplicável;
de direitos reais imobiliários, nos termos da lei;
p) Assegurar a inventariação do património e/ou a sua
p) Deliberar sobre a proposta de aplicações financeiras
alienação, nos termos da legislação aplicável;
e quaisquer outros investimentos;
q) Organizar a correcta gestão dos recursos humanos,
q) Deliberar sobre a proposta da aceitação de legados financeiros e património do INPS;
e heranças; r) Garantir a elaboração de carreiras profissionais e tabela
r) Deliberar sobre a proposta do estudo actuarial de de remunerações do pessoal do INPS;
responsabilidade s vencidas e vincendas por serviços s) Propôr e participar na elaboração de propostas de
prestados ao Estado; políticas, legislação, regulamentação e outros diplomas
s) Deliberar sobre a proposta de participação do INPS em legais relativos à previdência e à segurança social
sociedades nacionais e estrangeiras. obrigatória dos funcionários e agentes do Estado;
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t) Assegurar o cumprimento das normas sobre a segurança ARTIGO 14


social obrigatória dos funcionários e agentes do (Conselho Fiscal)
Estado;
u) Realizar a despesa de investimento no limite definido 1. O Conselho Fiscal é o órgão de fiscalização do INPS,
pelo Conselho de Administração; composto por três membros, dentre os quais um Presidente e dois
v) Exercer as demais atribuições do INPS. vogais, em representação da tutela, do Ministério que superintende
a área da função pública e das associações sindicais da Função
4. O mandato do Director-Geral e do Director-Geral Adjunto Pública.
do INPS é de cinco anos, renovável uma única vez. 2. O Presidente do Conselho Fiscal representa o Ministério
5. O Director-Geral e o Director-Geral Adjunto do INPS são de tutela financeira do INPS.
nomeados por Despacho do Primeiro-Ministro, sob proposta 3. Os membros do Conselho Fiscal são nomeados por despacho
do Ministro que superintende a área das finanças. dos Ministros que superintendem as áreas de finanças e da função
pública, por um mandato de três anos, renovável uma vez.
ARTIGO 13 4. Compete ao Conselho Fiscal, designadamente:
(Competências do Director-Geral) a) Acompanhar e fiscalizar o cumprimento das leis
e regulamentos aplicáveis;
Compete ao Director-Geral do INPS:
b) Acompanhar a execução orçamental e a situação
a) Dirigir e garantir o funcionamento do INPS; económica, financeira e patrimonial do INPS;
b) Presidir as reuniões do Conselho de Direcção e assegurar c) Examinar periodicamente a contabilidade do INPS;
o funcionamento regular do INPS; d) Analisar o relatório e contas e emitir parecer sobre os
c) Executar as deliberações do Conselho de Administração; mesmos;
d) Executar e fazer cumprir a lei, as resoluções e) Emitir parecer sobre propostas orçamentais do INPS
e as deliberações do Conselho de Administração; e respectivas revisões e alterações, incluindo o plano
e) Coordenar a elaboração do plano anual de actividade de actividade e sua cobertura orçamental;
e orçamento do INPS; f) Emitir parecer sobre o relatório de gestão de exercício
f) Nomear os Directores de Serviços, Chefes e conta de gerência;
de Departamentos, Chefes de Repartições e Delegados g) Emitir parecer sobre a contratação de empréstimos;
do INPS; h) Pronunciar-se sobre o grau de cumprimento dos planos
de actividade;
g) Exercer os poderes de direcção, gestão e disciplina
i) Exercer as demais competências fixadas na legislação
do pessoal; aplicável.
h) Representar o INPS em juízo ou fora dele, nos termos
da legislação aplicável; ARTIGO 15
i) Elaborar a proposta do plano de carreiras e remunerações (Conselho Consultivo)
do pessoal do INPS;
j) Gerir os recursos humanos, financeiros e patrimoniais 1. O Conselho Consultivo é o órgão alargado de consulta
do INPS em matérias diversas sobre a administração e gestão
do INPS;
do INPS.
k) Garantir a recolha dos descontos para a aposentação; 2. O Conselho Consultivo é convocado e presidido pelo
l) Garantir a inscrição dos funcionários e agentes Presidente do Conselho de Administração.
do Estado no cadastro de contribuintes e controlar 3. O Conselho Consultivo é composto por membros dos órgãos
os seus descontos; do INPS e outros convidados pelo Presidente do órgão.
m) Assegurar a fiscalização da entrega ao Fundo
de descontos para aposentação; ARTIGO 16
n) Assegurar a aquisição, concepção, desenvolvimento e (Conselho Técnico)
manutenção dos sistemas de informação e comunicação; 1. O Conselho Técnico é o órgão de consulta do INPS em
o) Ordenar a instauração dos processos por transgressões e matérias relativas à organização, funcionamento, situação
de execução das obrigações contributivas; financeira e outros aspectos de natureza técnica inerentes ao
p) Conceder e garantir o pagamento de pensões e outras Instituto.
prestações legais; 2. O Conselho Técnico é convocado e presidido pelo Director-
q) Controlar a arrecadação de receitas do INPS; Geral Adjunto do INPS.
r) Assegurar a aquisição de bens e serviços para o 3. A composição e funcionamento constam do Estatuto
Orgânico do INPS.
funcionamento do INPS bem como a inventariação
do património e/ou a sua alienação, nos termos da ARTIGO 17
legislação específica; (Remunerações dos Membros dos Órgãos do INPS)
s) Elaborar propostas de diplomas legais relativos
à Segurança Social Obrigatória dos Funcionários 1. As remunerações dos membros do Conselho de Administração
assumem a natureza de senhas de presença e são fixadas por
do Estado;
despacho conjunto dos Ministros que superintendem as áreas de
t) Assegurar o cumprimento das normas sobre a Segurança finanças e da função pública, tendo em conta o número de sessões
Social Obrigatória dos Funcionários do Estado; ordinárias e extraordinárias realizadas pelo órgão.
u) Realizar outras actividades que lhe sejam acometidas 2. As remunerações, direitos e regalias dos membros
por lei, pelo presente Decreto e pelo estatuto orgânico. do Conselho de Direcção são fixados por despacho conjunto
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dos Ministros que superintendem as áreas de finanças e da h) Encargos de auditoria e consultoria inerentes ao seu
função pública, com observância dos critérios estabelecidos objecto e atribuições;
pelo Conselho de Ministros. i) Outras despesas legalmente previstas ou permitidas.
3. Os membros do Conselho Fiscal têm direito a senha de
presença por cada sessão em que estejam presentes, fixada por ARTIGO 22
despacho conjunto dos Ministros que superintendem as áreas de
finanças e da função pública. (Património)

ARTIGO 18 O património do INPS é constituído pelos bens e direitos


recebidos e adquiridos no exercício da sua actividade.
(Contabilidade)

1. O INPS adopta o sistema de contabilidade pública ARTIGO 23


e a contabilidade baseada nas Normas Internacionais
(Relatório e Contas e Demonstrações Financeiras)
de Relato Financeiro, sem prejuízo do previsto na legislação fiscal.
2. A contabilidade do INPS deve registar separadamente 1. O INPS, com referência a 31 de Dezembro de cada ano,
os elementos respeitantes ao INPS e dos relativos aos Fundos deve elaborar:
sob sua gestão.
a) O relatório e contas;
ARTIGO 19 b) Balanço e demonstração de resultados;
(Auditoria) c) Discriminação das participações no capital de sociedades
e dos financiamentos contratados a médio e a longo
1. O INPS deve possuir um auditor interno.
prazos;
2. As contas do INPS, bem como dos fundos sob sua gestão,
devem ser obrigatoriamente objecto de auditoria externa, por d) Mapa de fluxo de caixa.
auditor independente, contratado nos termos da legislação 2. Os documentos referidos no n.º 1 do presente artigo devem
aplicável. ser aprovados pelo Ministro que superintende a área das finanças,
ARTIGO 20 com base no parecer do Conselho Fiscal e do auditor externo.
3. O relatório anual, o balanço, a demonstração de resultados,
(Receitas)
bem como os pareceres do Conselho Fiscal e dos auditores
1. São receitas do INPS, as decorrentes da comissão de externos são obrigatoriamente publicados num dos jornais de
remuneração pelos serviços de gestão de Fundos por ele prestados, maior circulação no País e no boletim ou página da internet
cujo valor não pode, em caso algum, exceder o correspondente a do INPS.
0,25 % (zero vírgula vinte e cinco porcento) do valor do Fundo de
Pensões dos Funcionários e Agentes do Estado e a 1% do valor ARTIGO 24
de outros fundos sob gestão autónoma do INPS.
2. Constituem também receitas do INPS as decorrentes de: (Prestação de Contas e Supervisão)

a) Remuneração por serviços prestados a alguma entidade, 1. O INPS presta contas ao Ministro que superintende a área
pública ou privada, nos termos do respectivo contrato; de finanças e sujeita-se à fiscalização do Tribunal Administrativo,
b) Rendimentos obtidos em aplicações e investimentos de
nos termos da legislação aplicável.
seus activos e recursos;
c) Transferências do Estado e de outras entidades públicas 2. O INPS também presta contas aos contribuintes
ou privadas; e beneficiários da previdência e segurança social e da assistência
d) Transferências de organismos estrangeiros; e planos de saúde, através de órgãos de consulta e da publicação
e) Donativos, legados ou heranças; periódica regular de relatórios de actividades e demonstrações
f) Quaisquer outros rendimentos ou valores que, por lei financeiras de cada Fundos sob sua gestão e do próprio INPS.
ou contrato, lhe forem atribuídos.
3. O INPS sujeita-se à supervisão de entidades reguladoras
ARTIGO 21 e supervisoras competentes, nos termos da legislação aplicável.
(Despesas do INPS) ARTIGO 25
São despesas do INPS, as decorrentes de:
(Reclamações e Recursos)
a) Encargos resultantes do funcionamento e do exercício das
atribuições e competências a ele acometidas; As decisões dos órgãos do INPS são objecto de reclamação,
b) Custos de aquisição, manutenção e conservação dos sem prejuízo do recurso tutelar e/ou contencioso ao Tribunal
bens, equipamentos e serviços que utilize ou tenha Administrativo, nos termos da legislação aplicável.
de utilizar;
c) Encargos em aplicações e investimentos de seus activos ARTIGO 26
e recursos;
d) Encargos decorrentes de empréstimos contraídos (Regime de Pessoal)
mediante a prévia autorização da entidade competente;
Ao pessoal do INPS aplica-se o regime jurídico da função
e) Remunerações do pessoal em serviço no INPS;
f) Remunerações dos membros e dos titulares dos órgãos pública, sendo, porém, aplicável o regime geral quando pratique
do INPS; actos de gestão privada e admissível a celebração de contratos de
g) Encargos com formação, estudos e investigação relativos trabalho ao abrigo do regime geral, sempre que isso for compatível
ao seu objecto e atribuições; com a natureza das funções a desempenhar.
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ARTIGO 27 a igualdade de direitos e oportunidades entre homens e mulheres


está plasmada nos vários instrumentos internacionais que o
(Regime Remuneratório)
País ratificou na área de género, nomeadamente: a Convenção
O INPS goza de um regime remuneratório próprio fixado por das Nações Unidas sobre todas as Formas de Discriminação
diploma conjunto dos Ministros que superintendem as áreas das contra a Mulher (CEDAW), os Objectivos de Desenvolvimento
finanças e da Função Publica. Sustentável, a Agenda 2030 das Nações Unidas e o Protocolo da
SADC sobre Género e Desenvolvimento.
ARTIGO 28 Para consubstanciar os instrumentos e garantir a sua
(Estatuto Orgânico) operacionalização, o Governo aprovou através da Resolução nº
19/2007, de 15 de Maio, do Conselho de Ministros, a Política de
Compete ao Ministro que superintende a área das Finanças Género e Estratégia da sua Implementação a qual estabelece um
submeter, no prazo de sessenta dias a contar da data da publicação de linhas de orientação com vista a permitir a tomada de decisões
do presente Decreto, a proposta do Estatuto Orgânico do INPS e identificação de acções para a elevação do estatuto da mulher
para aprovação pelo órgão competente. e da igualdade de género.
Após 10 anos de vigência, a avaliação revelou avanços,
ARTIGO 29 destacando-se o aumento da proporção de mulheres nos órgãos
(Norma Revogatória) de tomada de decisões, a reforma da legislação sobre os direitos
da mulher, o incremento do ingresso e retenção da rapariga na
Com excepção do artigo 1, relativo à criação do INPS, são escola, a melhoria do acesso à saúde e o atendimento às vítimas
revogados os restantes artigos do Decreto n.º 8/2014, de 19 de da violência baseada no género.
Fevereiro. A avaliação também revelou lacunas na implementação da
legislação e na participação de mulheres nos órgãos de decisão
ARTIGO 30
ao nível dos Conselhos Consultivos Distritais e de Localidade,
(Entrada em vigor) Presidência de Municípios e Assembleias Municipais.
O presente Decreto entra em vigor na data da sua publicação. No âmbito da educação registam-se desafios na retenção e
conclusão dos estudos pelas raparigas nos nívelis secundário. Na
Aprovado pelo Conselho de Ministros, aos 4 de Setembro área da Saúde, as taxas de mortalidade materna ainda são elevadas,
de 2018. entre outras fragilidades. Persistem desafios no empoderamento
Publique-se. económico das mulheres, no que se refere a formação, acesso aos
meios produtivos e ao financiamento.
O Primeiro-Ministro, Carlos Agostinho do Rosário.
A avaliação também mostrou que os recursos disponíveis,
os mecanismos institucionais e os instrumentos de planificação
e monitoria usados para implementar a Política de Género
poderiam ser desenvolvidos para maior eficiência por forma a
Resolução n.º 36/2018 melhor contribuir para o processo de desenvolvimento, tendo
de 12 de Outubro como horizonte a transformação de Moçambique num País com
índice de desenvolvimento humano médio.
Havendo necessidade de rever as linhas gerais e a estratégia do A presente Política de Género e Estratégia da sua Implementação
Estado no âmbito da promoção da igualdade de género no País, contribui para o reforço das acções para a igualdade de direitos
nos termos da alínea f) do n.º 1 do artigo 203 da Constituição e oportunidades entre homens e mulheres, é transversal, define
da República, o Conselho de Ministros, determina: os princípios e objectivos para cada eixo estratégico cuja
Artigo 1. É aprovada a Política de Género e Estratégia da sua implementação é de responsabilidade do Governo, mas também
Implementação, em anexo, que é parte integrante da presente da sociedade civil e do sector privado.
Resolução.
1.1. Contexto e Desafios na Promoção da Igualdade
Art. 2. É revogada a Resolução n.º 19/2007, de 15 de Maio.
de Género
Art. 3. A presente Resolução entra em vigor na data da sua
publicação. A necessidade de actualizar a Política de Género prende-se
Aprovado pelo Conselho de Ministros, aos 11 de Setembro com o reconhecimento de que muitas mudanças aconteceram
de 2018. desde a sua aprovação, em 2006, tanto ao nível nacional, regional
como global. Ao nível nacional, destaca-se o desenvolvimento
Publique-se.
recente do sector extractivo, como consequência da descoberta
O Primeiro-Ministro, Carlos Agostinho do Rosário. dos recursos naturais, apresentando riscos particularmente às
mulheres, mas também potenciais oportunidades na forma de
recursos adicionais para o Estado, que podem ser orientados para
o benefício tanto de mulheres como de homens.
Política de Género e Estratégia da sua Ao nível global, regional e em Moçambique têm-se
manifestado os efeitos das mudanças climáticas. Uma outra
Implementação tendência mundial é o crescente conservadorismo nas políticas
e nos sistemas de valores, que limita os direitos das mulheres e
I. Política de Género diminui o espaço da sua participação. Estes fenómenos foram
1. Introdução tomados em consideração na elaboração das estratégias desta
Política.
A Constituição da República de Moçambique reconhece, desde Para além das mudanças no contexto nacional e internacional, a
1975, a igualdade entre homens e mulheres em todos os domínios actualização da Política de Género foi motivada pela necessidade
da vida política, económica, social e cultural. Do mesmo modo, acelerar as acções tendentes ao alcance do equilíbrio do género.
2586 I SÉRIE — NÚMERO 199

A elaboração da presente Política de Género foi baseada na 4.2. Missão


avaliação feita sobre os resultados atingidos na primeira Política Promover atitudes e práticas favoráveis à igualdade e equidade
de Género, operacionalizada pelos sucessivos Planos Nacionais de género.
de Acção para o Avanço da Mulher. Durante a sua vigência,
foi referida a necessidade da transversalidade na abordagem de 5. Princípios
género nos Programas Quinquenais do Governo e vários sectores Os princípios que se apresentam em seguida estão intimamente
elaboraram as suas estratégias de género, reflectindo o aumento ligados e consagrados nos instrumentos internacionais de defesa
da consciência sobre a importância deste objectivo nas lideranças dos direitos humanos das mulheres, uma vez que a Política
do país. A maior sensibilidade às questões de género é também de Género visa a promoção dos mesmos.
resultado da influência do trabalho persistente da sociedade civil
e das contribuições dos parceiros de cooperação internacional. 5.1. Princípio de Unidade
2. Enquadramento da Política de Género A Política assenta na convicção de que o espírito da unidade
A presente Política de Género baseia-se na análise da situação deve reinar dentro da diversidade de opinião, expressão, direitos,
actual em Moçambique e alinha-se com os conteúdos e a estrutura liberdades e garantias emanadas da Constituição da República
do Protocolo da SADC sobre Género e Desenvolvimento. de Moçambique e das demais convenções internacionais,
Define a visão, a missão, os princípios gerais, o objectivo geral encorajando e dando valor a uma cultura de paz, baseada na
e os objectivos estratégicos nos vários eixos para alcançar a justiça dentro das nossas comunidades, por forma a promover a
igualdade de género, assim como as medidas a tomar para tolerância e permitir o progresso.
melhorar a eficiência dos mecanismos e instrumentos para a sua
5.2. Princípio da igualdade e equidade de género
implementação. Tal como o Protocolo da SADC, esta Politica
aborda a necessidade de assegurar os recursos financeiros e Na implementação de acções de promoção da igualdade de
humanos adequados, sustentáveis e previsíveis para garantir género, os actores devem levar em consideração que os homens e
a divulgação, a coordenação, a capacitação e a orientação dos as mulheres devem contribuir de igual modo, em todas as esferas
sectores, que são necessários para o seu cumprimento. da vida económica, social, política e cultural do país, tendo em
atenção a sua natureza, as suas situações e características.
3. Conceitos fundamentais da Política de Género
Igualdade de género - refere-se à ausência de discriminação 5.3. Princípio da transversalidade
com base no sexo. Homens e mulheres são tratados de forma Os direitos das mulheres são transversais e devem ser
igual, gozam dos mesmos direitos e oportunidades. entendidos como parte dos direitos humanos no geral.
Equidade de Género - reconhece que os indivíduos são
diferentes entre si e, portanto, merecem tratamento diferenciado, 5.4. Princípio da participação
mas que elimine ou reduza a desigualdade. A equidade de género Os indivíduos, grupos e comunidades em geral devem estar
implica uma série de acções que procura dar um tratamento justo envolvidos em todas etapas da implementação das actividades
para mulheres e homens. Apesar de a equidade poder ser um meio de promoção da igualdade de género.
para alcançar a igualdade, estes conceitos não são sinónimos.
Masculinidades – constituem os atributos, comportamentos 5.5. Princípio da justiça social
e papéis associados aos rapazes e homens. A masculinidade é Na implementação de acções de promoção da igualdade de
definida socialmente e, embora possa estar também associada género deve-se observar critérios de equidade, assegurando assim
a uma determinante biológica, é distinta da definição do sexo a prevenção e correcção de desequilíbrios e desigualdades sociais.
masculino biológico.
Transversalidade de género - constitui um imperativo para o 5.6. Princípio da coerência
processo de desenvolvimento. Focaliza nos sistemas, processos e Na implementação da política do género pretende-se que haja
normas que geram desigualdades. A transversalidade de género coerência com as outras políticas do governo, pois o aumento da
baseia-se na ideia de que todas as esferas, sistemas, instituições e igualdade de género contribui para o alcance dos objectivos de
normas devam ser revistos, de modo a garantir que os princípios desenvolvimento sustentável.
da igualdade de género se reflictam nele, independentemente das
5.7. Princípio de compromisso, responsabilização
pessoas envolvidas nas instituições.
Planificação e Orçamentação na Óptica de Género (POOG) e prestação de contas
- consiste na integração da perspectiva de género na planificação Na implementação das estratégias da política deve haver
e na orçamentação, o que significa ter em conta de forma compromisso e responsabilização de cada actor, prestação de
racional as necessidades de mulheres e homens na formulação, contas sobre os resultados e cumprimento dos compromissos
implementação, monitoria e avaliação dos planos e programas assumidos.
em todas as etapas de planificação e esferas política, económica
e social. Significa analisar o orçamento e incorporar uma 5.8. Princípio da cooperação
perspectiva de género a todos os níveis do processo orçamental, de Na implementação de acções para a promoção da igualdade
forma a promover a equidade de género, sem criar um orçamento de género todos os actores devem coordenar as suas acções para
separado nem alocar recursos adicionais a um plano ou sector. alcançar sinergias e um maior impacto.
4. Visão e Missão da Política de Género 6. Objectivos da Politica de Género
4.1. Visão 6.1. Objectivo Geral
Uma sociedade em que mulheres e homens usufruam de Orientar de forma integrada as principais linhas de actuação
direitos e oportunidades iguais, contribuam e se beneficiem dos da promoção da igualdade de género e o respeito pelos direitos
processos de desenvolvimento. humanos.
12 DE OUTUBRO DE 2018 2587

6.2. Objectivos Específicos 1.1. Eixo 1: Legislação


• Contribuir para a eliminação das práticas nocivas que
violam os direitos das mulheres, homens, raparigas No âmbito do Reforço da Legislação
e rapazes; • Assegurar que os direitos de mulheres e homens não
• Promover e desenvolver acções que garantam igual são violados ou anulados por quaisquer disposições,
práticas culturais que afectam mulheres e homens de
representação e participação de mulheres e homens
forma diferenciada ou discriminatória;
em órgãos de tomada de decisão, a todos os níveis;
• Definir meios de sancionar a inobservância do legislado
• Promover a igualdade de direitos e oportunidades para
sobre igualdade de género.
raparigas e rapazes, bem como para mulheres e • Adoptar, disseminar e implementar legislação e medidas
homens, no acesso à educação, formação de qualidade para proteger mulheres e homens com deficiência e
e outros benefícios; idosos, tendo em atenção as suas vulnerabilidades
• Promover a igualdade de direitos e oportunidades para específicas;
mulheres e homens em relação à posse e controle de • Aplicar legislação e políticas públicas visando eliminar
recursos produtivos e seus rendimentos, assim como práticas sociais e culturais prejudiciais ao exercício dos
em relação ao emprego formal, informal e trabalho direitos humanos das mulheres, e torná-las objecto de
doméstico não remunerado; sanções apropriadas e dissuasoras.
• Promover e realizar acções que concorram para a
No âmbito da Igualdade de acesso à justiça
eliminação de todas as formas de violência baseada no
género, em particular contra as mulheres e raparigas, • Garantir igual acesso à justiça e protecção perante a Lei;
nas esferas públicas e privadas, numa parceria entre • Tomar medidas para assegurar a igualdade das queixosas
o governo, parceiros de cooperação, sector privado num sistema de justiça célere, de qualidade com custos
e a sociedade civil; acessíveis.
• Promover e apoiar programas e iniciativas que contribuam No âmbito dos Direitos da família
para o acesso universal à saúde sexual e reprodutiva e • Legislar para que nenhuma pessoa com idade inferior
os direitos reprodutivos; a 18 anos contraia casamento e que o casamento seja
• Desenvolver acções que assegurem igual participação celebrado com o livre e pleno consentimento de ambas
de mulheres e homens na prevenção, mediação de as partes;
conflitos e consolidação de paz; • Reforçar a legislação para que a instituição família seja
• Incentivar os órgãos de comunicação social a contribuírem respeitada e se assegurem os direitos de mulheres e
para a transformação de mentalidades promovendo homens.
uma representação balanceada e não estereotipada 1.2. Eixo 2: Governação
de mulheres e raparigas, e também alargar o acesso • Assegurar a capacitação das mulheres para uma
às tecnologias de informação e comunicação entre participação efectiva nos processos de tomada de
as mulheres e raparigas; decisão;
• Promover a igualdade de acesso e controle dos recursos • Fortalecer, através de quotas, a representatividade
naturais, das tecnologias de adaptação e mitigação das equitativa entre homens e mulheres em todos órgãos
mudanças climáticas, dos benefícios e oportunidades de tomada de decisão do Governo, particularmente
de desenvolvimento entre homens e mulheres, rapazes ao nível local;
e raparigas, usando de forma sustentável os recursos • Introduzir medidas legislativas que assegurem a inclusão
naturais no combate à pobreza. equitativa de mulheres nas listas eleitorais dos partidos
políticos ou grupos de cidadãos e nas instâncias
II. Estratégia de Implementação da Política de Género
de decisão;
A Estratégia de implementação estabelece 9 eixos de • Providenciar capacitação em matéria de género
intervenção, as respectivas acções estratégicas e recursos para se para todos os governantes homens e mulheres e
concretizar os objectivos da Politica, nomeadamente: oferecer acompanhamento tutorial para as mulheres
Eixo 1: Legislação governantes;
Eixo 2: Governação • Assegurar o aumento proporcional das mulheres nas
Eixo 3: Educação e formação posições de chefia na função pública a todos os níveis
Eixo 4: Saúde sexual e reprodutiva e direitos reprodutivos e nas empresas participadas pelo Estado;
Eixo 5: Recursos produtivos e emprego • Promover um ambiente politico inclusivo, reforçando
Eixo 6: Violência baseada no género a percepção da governação como actividade
independente do sexo;
Eixo 7: Mediação de conflitos e consolidação da paz
• Desenvolver acções para elevar o papel e responsabilidade
Eixo 8: Meios de comunicação social e tecnologias
dos homens no avanço da equidade de género nos
de informação
diferentes sectores, órgãos e níveis de governação.
Eixo 9: Meio ambiente e mudanças climáticas
1.3. Eixo 3: Educação e Formação
1. Accões Estratégicas
• Assegurar o acesso, a retenção e a conclusão com sucesso
As acções estratégicas apresentadas consubstanciam de Mulheres e Homens em todos os níveis de ensino,
linhas de orientação a ter em conta na elaboração de planos, eliminando o fosso de género;
programas e estratégias de desenvolvimento nacional, sectoriais • Rever os currículos para os tornar sensíveis ao género
e multissectoriais, das diversas instituições públicas, privadas e eliminar os estereótipos de género no ensino,
e da sociedade civil do País. envolvendo as comunidades na sua elaboração com
2588 I SÉRIE — NÚMERO 199

intuito de alinhar os ensinamentos do foro doméstico • Fortalecer a participação dos homens e rapazes em
com os da escola; programas, serviços e processos de prevenção e
• Desenvolver acções tendentes a eliminar a violência combate ao HIV e SIDA, bem como de outras doenças
baseada no género nas escolas, introduzindo medidas relacionadas com a saúde sexual e reprodutiva
legislativas para acabar com a impunidade do abuso através da transformação das normas sociais de
sexual das raparigas nas escolas; masculinidades.
• Promover o acesso e a retenção da rapariga no Ensino 1.5. Eixo Estratégico 5: Recursos produtivos e emprego
Técnico Profissional e o aumento do número de
Empoderamento Económico
raparigas a optar por disciplinas de Ciências,
Tecnologia, Engenharia e Matemática, bem como • Promover igual acesso, controle, titularidade da terra
estender a oferta das novas tecnologias de informação pelas mulheres e expandir a assistência destas através
dos serviços de extensão, com vista a aumentar a sua
e comunicação (TIC) para todos os níveis de ensino
produtividade agrícola;
e todas as regiões geográficas;
• Assegurar a participação efectiva das mulheres nos órgãos
• Promover a formação e capacitação de adolescentes
de tomada de decisões sobre o acesso e controle da
e jovens visando o desenvolvimento de competências terra e outros recursos (floresta, fauna, água, pesca) ao
para a comunicação e tomada de decisão, sobretudo nível comunitário, propiciando a sua participação na
nas raparigas vulneráveis. gestão e usufruto das taxas concedidas às comunidades
pela exploração de recursos naturais;
1.4. Eixo Estratégico 4: Saúde e direitos sexuais • Tomar em consideração os interesses e as necessidades
e reprodutivos das mulheres na planificação, construção e gestão de
• Adoptar e implementar legislação, políticas e programas infra-estruturas, tais como fontes de água e de energia
para melhorar a prestação de cuidados contínuos de e vias de acesso;
saúde de qualidade, apropriados, acessíveis e sensíveis • Reconhecer e valorizar as múltiplas funções das mulheres,
ao género; contabilizando o trabalho doméstico não remunerado
• Desenvolver estratégias com vista a garantir o gozo nas estatísticas da economia nacional;
da saúde sexual e reprodutiva e direitos sexuais e • Incentivar mudanças de atitudes tendentes a promover a
reprodutivos equivalentes para homens e mulheres; responsabilidade partilhada dentro do lar;
• Promover o papel e responsabilidade dos homens e • Reconhecer o trabalho informal e doméstico não
rapazes nos assuntos de saúde sexual e reprodutiva, remunerado, por meio de provisão de serviços públicos
incluindo paternidade responsável e saúde preventiva e de infra-estruturas, e políticas de protecção social das
em geral; pessoas sem reforma laboral;
• Dar prioridade aos programas que permitem que mulheres, • Estipular quotas para de mulheres no Fundo de
homens e jovens de ambos os sexos adquiram Desenvolvimento Distrital e outros financiamentos
conhecimentos e tomem decisões responsáveis sobre e facilitar o acesso das mulheres simplificando os
a sua saúde, sexualidade e reprodução; requisitos e providenciando apoio técnico no desenho
dos seus projectos;
• Implementar programas adequados e divulgar informação
• Estimular aos actores privados para desenvolver produtos
sobre saúde sexual, direitos sexuais e reprodutivos de
e serviços financeiros para mulheres e facilitar o seu
adolescentes e jovens, mulheres e homens, pessoas
acesso a tecnologias modernas.
com deficiência, pessoas idosas reconhecendo as suas
necessidades específicas; Novas actividades industriais
• Continuar a tomar medidas para reduzir a mortalidade • Salvaguardar o equilíbrio de género e os interesses
materna e os abortos inseguros e fortalecer as acções das mulheres nas actividades do sector extractivo
para o envolvimento dos homens nos serviços de saúde e outras indústrias emergentes, incentivando a sua
da mulher e criança; empregabilidade e elegibilidade para contratos de
• Desenvolver estratégias de educação sobre saúde sexual negócios como fornecedoras locais de bens e serviços;
para transformar as atitudes preconceituosas em • Assegurar o cumprimento das leis pelas empresas
relação a fístulas, infertilidade e outras condições ligadas à indústria extractiva com vista a minimizar
de cariz reprodutivo. o impacto dos reassentamentos no que respeita a
integração social e restauração dos meios de vida,
Infecções de Transmissão Sexual com enfoque para nomeadamente o acesso à terra, mercados, transporte,
o HIV/SIDA água e rendimentos;
• Fortalecer as medidas para a prevenção, tratamento • Incentivar a responsabilidade social dos megaprojectos
universal e prestação de cuidados e apoio a mulheres, para promover a igualdade de género.
homens, raparigas e rapazes infectados;
• Desenvolver estratégias transformativas em relação ao Acesso a emprego
género, que tenham em conta o estatuto desigual e as • Implementar uma política de emprego sensível ao género,
vulnerabilidades das mulheres e raparigas, os factores com medidas específicas para aumentar a proporção
biológicos e as práticas nocivas que resultam em que das mulheres no mercado de trabalho, incluindo as
estas sejam mais infectadas e afectadas; mulheres com deficiência;
• Reconhecer os cuidados prestados pelas mulheres • Estimular mecanismos que aumentem a empregabilidade
e a respectiva afectação de recursos a estas e promover das mulheres;
o envolvimento dos homens na prestação de cuidados • Dar continuidade à implementação do Programa
e apoio às pessoas vivendo com HIV e SIDA; de Trabalho Digno, particularmente nas suas vertentes
12 DE OUTUBRO DE 2018 2589

de apoio ao empreendedorismo das mulheres, 1.8. Eixo Estratégico 8: Meios de comunicação social e
promoção dos direitos das trabalhadoras e capacitação tecnologias de informação
sobre género e emprego; • Integrar a perspectiva de género nos seus códigos de
• Continuar a assegurar e melhorar a igualdade de género conduta, nas suas políticas e nos seus procedimentos
no Sector público e privado, através da aplicação da nos meios de comunicação social;
legislação e sua fiscalização; • Encorajar o aumento da participação e do acesso
• Incentivar aos empregadores privados para melhorar a das mulheres na tomada de decisão nos meios de
igualdade de género no emprego. comunicação social;
1.6. Eixo Estratégico 6: Violência Baseada no Género • Promover a adopção de medidas para o maior acesso das
mulheres à participação e liberdade de expressão nos
Aspectos legais meios de comunicação social;
• Cumprir a legislação que proíbe e pune todas as formas • Expandir a formação, o acesso e uso das Tecnologias de
de violência baseada no género; Informação e Comunicação (TIC) pelas mulheres e
• Assegurar o acesso gratuito a justiça e assistência às raparigas nas regiões rurais.
vítimas e sobreviventes de violência baseada no género
com vista a sua dignidade e respeito; 1.9. Eixo Estratégico 9: Meio ambiente e mudanças
• Desenvolver e implementar estratégias para prevenir, climáticas
eliminar e transformar práticas sociais e culturais que • Contribuir para o empoderamento da mulher e das
legitimam e toleram a violência baseado no género comunidades locais, através do acesso a tecnologias
tais como o assédio sexual, a violação sexual, os e outras actividades para uso sustentável e racional
casamentos prematuros e a gravidez na adolescência; dos recursos naturais e para mitigação e adaptação às
• Aplicar com eficiência a legislação específica para mudanças climáticas;
prevenir e combater o tráfico de mulheres, raparigas • Assegurar a equidade de género no processo de tomada
e crianças e prestar apoio às vítimas e sobreviventes. de decisão, formação e capacitação ambiental;
• Assegurar que os planos, políticas, programas, estratégias
Serviços de Apoio e orçamentos promovam a equidade de género,
• Garantir serviços de atendimento integrado efectivos acesso aos recursos naturais e a medidas de mitigação
e céleres na tramitação dos processos e seguimento e adaptação às mudanças climáticas.
multissectorial eficaz dos casos de violência baseada
no género; 2. Implementação
• Divulgar informação sobre os serviços disponíveis A implementação da Política de Género e Estratégia da
e fortalecer os serviços de assistência jurídica, sua implementação , requer recursos financeiros, materiais e
psicossocial, protecção, aos sobreviventes da violência humanos adequados, compromisso das lideranças, mecanismos
baseada no género; institucionais, instrumentos de planificação e monitoria integrados
• Assegurar que os serviços sanitários realizem testes, nos sistemas existentes.
tratamento e cuidados abrangentes, como seja a Neste contexto, a implementação compreende:
contracepção de emergência e profilaxia pós-exposição
às sobreviventes de crimes sexuais; 2.1. Coordenação
• Promover acções de reeducação para agressores e A implementação é coordenada pelo sector que superintende a
promover educação em novas masculinidades a todos área de género e operacionalizada pelas entidades governamentais,
os níveis; da sociedade civil, do sector privado e dos parceiros de cooperação.
Garantir o cumprimento pelas instituições do Estado das 2.2. Actores Estratégicos
responsabilidades face à protecção das vítimas.
A responsabilidade da operacionalização da Política é
1.7. Eixo Estratégico 7: Mediação de conflitos e conso- partilhada entre os diversos actores da sociedade Moçambicana.
lidação da paz A implementação da Política requer uma forte ligação
• Garantir a inclusão, o acesso e a permanência de mulheres intersectorial e interdisciplinar, envolvendo e responsabilizando
nas Forças de Defesa e Segurança, a igualdade de vários intervenientes (a todos os níveis), tais como:
oportunidades na progressão na carreira e em escalões • Governo;
superiores; • Instituições do Estado;
• Incluir as mulheres em processos de paz e resolução • Instituições de Pesquisa;
de conflitos; • Sector Empresarial (Público e Privado);
• Garantir a protecção e o atendimento às necessidades de • Órgãos de comunicação social;
mulheres combatentes e civis durante e após conflitos • Organizações políticas, religiosas e comunitárias;
armados; • Organizações Não-Governamentais;
• Assegurar o acesso à justiça para mulheres e raparigas • Organizações Internacionais.
vítimas de conflitos armados e responsabilização 2.3. Planificação, monitoria e avaliação
criminal dos perpetradores, visando o fim
da impunidade; A operacionalização e monitoria da Política de Género serão
• Incentivar medidas e programas de prevenção de conflitos feitas através dos instrumentos de planificação e monitoria
e promoção que utilizam a perspectiva de género, do Governo alinhados ao preconizado na matriz de monitoria
incluindo educação em não- violência para homens do Protocolo da SADC.
e rapazes em diferentes níveis e sectores; A Política de Género é operacionalizada pelo Plano Nacional
• Estimular a inclusão das mulheres na prevenção para o Avanço da Mulher (PNAM) que define, as acções,
e mediação em caso de conflito. os resultados esperados, os indicadores e as metas a serem
2590 I SÉRIE — NÚMERO 199

alcançadas. O PNAM orienta os planos e estratégias sectoriais. locais e desde os funcionários dos órgãos centrais até aos distritais,
Cada sector é responsável por introduzir nos seus planos de acordo com o Plano de Capacitação para a Implementação
estratégicos e PES a dimensão de género, incluindo os objectivos, da Política de Género.
acções, indicadores e metas de género.
A monitoria do avanço dos objectivos da Politica é feita dentro 2.6. Responsabilidade
da monitoria normal dos sectores e reportada nos seus BdPES, A responsabilidade da implementação da Política de Género
usando dados desagregados por sexo e indicadores de género e Estratégia de sua Implementação é partilhada entre os diversos
específicos das estratégias sectoriais. actores da sociedade moçambicana, sob coordenação do Ministério
A avaliação da Política do Género e Estratégia da sua do Género, Criança e Acção Social. A responsabilização de
Implementação será assegurada através de análise de Planos, todos os sectores do Governo pela execução da Política de
Programas, Projectos, Estratégias e Actividades deles decorrentes, Género e Estratégia da sua Implementação deve ser fortalecida
estudos, pesquisas e avaliações específicas com a finalidade de pela introdução, nas avaliações de desempenho das lideranças
verificar o cumprimento dos princípios e metas. seleccionadas, para o alcance de resultados na promoção da
Ao nível do Conselho de Ministros, a monitoria será feita igualdade de género no seu pelouro.
através da apreciação do informe anual apresentado pelo 2.7. Divulgação
Presidente do Conselho Nacional para o Avanço da Mulher.
Ao nível do Conselho Nacional para o Avanço da Mulher, será A Política de Género necessita de ampla divulgação,
feita por via da apreciação dos relatórios semestrais relativos as tanto pelo Governo como pela Sociedade Civil e órgãos de
acções realizadas pelos vários intervenientes na implementação comunicação social para ser conhecida, propiciar e facilitar a sua
implementação. Com vista a aumentar o impacto a divulgação da
da Política.
Política, do seu plano operacional PNAM e de outras orientações
2.4. Financiamento para a sua execução é da responsabilidade do Governo. Este plano
O Financiamento com fontes sustentáveis é imprescindível contém mais instruções detalhadas para orientar que a Política
para executar as acções tendo em vista o alcance dos objectivos da de Género seja conhecida por toda a sociedade e aplicada pelos
Política de Género. É, também, uma das directivas do Protocolo vários sectores do Estado, sociedade civil e sector privado.
da SADC que os Estados Partes deverão mobilizar e afectar os 2.8. Mecanismos Institucionais
recursos financeiros necessários para a implementação efectiva A posição e a eficiência dos Pontos Focais de Género (PFG)
do Protocolo. Para complementar os fundos estatais, serão devem ser fortalecidas com várias medidas, a fim de melhor
estimuladas contribuições financeiras de outros intervenientes, corresponder às suas atribuições. Estas medidas incluem o
sejam parceiros internacionais ou nacionais, actores privados, cumprimento do estipulado sobre a sua participação no colectivo
públicos ou da sociedade civil. de direcção a todos níveis administrativos, a definição de
Neste sentido, as ferramentas de planificação e orçamentação requisitos mínimos de conhecimentos na área de género para a
serão desenvolvidas para melhor reflectir os objectivos da Política sua nomeação, assim como a inclusão da tarefa do PFG na sua
de Género e assim visualizar a responsabilidade de cada sector descrição de tarefas e na sua avaliação de desempenho.
pela alocação de fundos para os objectivos da igualdade de género. O Conselho Nacional para o Avanço da Mulher (CNAM)
Será introduzida, como parte da metodologia de orientação e os respectivos Conselhos Provinciais e Distritais (CPAM e
do PES, a matriz simplificada de assuntos de género, para facilitar CDAM) têm a importante função de coordenar a execução da
a inserção das acções de género e das suas respectivas alocações Política de Género.
orçamentais em cada sector. Igualmente, serão desenhadas Lista de Abreviaturas
orientações vinculativas para o uso da matriz simplificada e
de outras ferramentas, tais como o código programático para BdPES Balanço do Plano Económico e Social
a igualdade de género MAS16, que asseguram as alocações CDAM Conselho Distrital para o Avanço da Mulher
orçamentais pelos ministérios para o objectivo da igualdade CNAM Conselho Nacional para o Avanço da Mulher
CPAM Conselho Provincial para o Avanço da Mulher
de género e cujo cumprimento é monitorado pelo sector que
MAR Matriz de Monitoria, Avaliação e Resultados
superintende a área de Economia e Finanças.
MGCAS Ministério do Género, Criança e Acção Social
2.5. Capacitação PES Plano Económico e Social
Será implementado, em colaboração com os actores PFG Pontos Focais de Género
especialistas da Sociedade Civil, da Academia e dos Parceiros PNAM Plano Nacional para o Avanço da Mulher
Internacionais, um programa de capacitação institucional em POOG Planificação e Orçamentação na Óptica
de Género
matéria de género, abrangendo a função pública e membros dos
SADC Southern African Development Community
órgãos de tomada de decisões. Este programa visa responder
(Comunidade de Desenvolvimento da África
às diferentes necessidades dos vários intervenientes, desde os
Austral)
membros da Assembleia da República até aos dos conselhos TIC Tecnologias de Informação e Comunicação

Preço — 60,00 MT

IMPRENSA NACIONAL DE MOÇAMBIQUE, E.P.

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