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30 de Março de 2021

A vingança através da Lei Maria da Penha

A Criminalização Masculina e a Denunciação Caluniosa.

Introdução:
A Lei 11.340/06, mais conhecida como Lei Maria da Penha, em
alusão a mulher que acabou paraplégica pelas agressões do ex-
marido, completa 10 anos de existência. É indiscutível a
importância da referida lei diante do grande número de mulheres
que são vítimas dos mais variados tipos de violência todos os dias
em nosso País. Como é sabido, boa parte das vezes essa violência
ocorre no ambiente doméstico familiar pelas mãos de seu
companheiro (marido, namorado, etc). Dessa forma, não há oque
se discutir acerca da importância dos mecanismos de proteção as
mulheres e da presença do Estado (Executivo, Legislativo e
Judiciário) tutelando os direitos da mulher para que esta não
permaneça em situação de risco iminente ou vulnerabilidade sem
o devido amparo legal. O que se discute aqui são os excessos
cometidos pelas próprias mulheres que, muitas vezes, através de
falsas denúncias, objetivam fazer valer suas vontades ou desejos
mesmo que inexistente qualquer delito por parte de seus
parceiros ou ex-parceiros.

Violência contra a Mulher x Violência


Doméstica:
Importante se faz definir que Violência contra a Mulher
caracteriza-se por qualquer ação que cause sofrimento físico ou
psicológico à mulher sendo motivado pela sua condição de
“mulher”. Já a Violência Doméstica é aquela ocorrida
exclusivamente no ambiente doméstico ou familiar, por ação de
algum membro da família ou ex-companheiro. Ou seja, deve
haver ou ter havido relação de parentesco entre agressor e
vítima. Dessa forma, um desconhecido que agride uma mulher no
mercado, no ônibus, na rua ou em qualquer outra situação
similar não incorre em “Violência Doméstica” e sim em “Violência
contra a Mulher”. Assim, conforme o exemplo mencionado, caso
seja iniciado o devido processo em face do agressor o mesmo não
responderá nos termos da Lei Maria da Penha e sim pelo crime de
lesão corporal disposto no Código Penal.

O Uso Distorcido da Lei Maria da


Penha:
O ponto principal da discussão é justamente o mau uso da Lei, ou
seja, mulheres que em momento algum foram vítimas de
quaisquer dos crimes previsto na legislação (ameaça, injúria,
lesão corporal, etc) buscam as delegacias especializadas de
atendimento à mulher objetivando saciar seus desejos, vontades,
coagir o homem a algo que o mesmo se recusa ou simplesmente
vingança baseada em alguma mágoa ou rancor deixado ao longo
do relacionamento. Assim percebe-se que a legislação criada para
a proteção das mulheres ante as conhecidas agressões masculinas
acabou por dar-lhes também uma arma contra seus
companheiros e ex-companheiros. A principal motivação que leva
essas mulheres a buscar as delegacias especializadas é justamente
a obtenção das medidas protetivas de urgência (MPU’s)
objetivando, entre outros, o afastamento do companheiro do lar,
o afastamento do companheiro dos filhos em comum, o
afastamento do ex-companheiro da própria denunciante mesmo
que aquele não tenha causado-lhe qualquer mal. Muitas vezes as
falsas denúncias são usadas como mecanismo de chantagem
especialmente quando há um processo de divórcio em trâmite
com discordâncias na divisão de bens, ou seja, leva-se para a
seara criminal oque em verdade deveria ser discutido nas Varas
de Família.

A Marginalização do Homem:
O processo de marginalização do homem se inicia com a falsa
denúncia registrada na delegacia onde, para o deferimento das
MPU’s, basta a palavra da suposta vítima, sem provas,
conseguindo assim a almejada medida cautelar que pode variar
desde a proibição de aproximação até o afastamento do lar ou a
prisão.

Importante observar que a grande maioria das denúncias têm


como objeto os crimes de ameaça (art. 147 do Código Penal) ou
Injúria (art. 140 do Código Penal), crimes estes que não deixam
vestígios físicos não sendo cabível qualquer exame pericial para
sua averiguação, ou seja, apenas a palavra da mulher tem peso
para a instauração de inquérito policial e deferimento das
medidas protetivas de urgência. Certa vez tive acesso a um
processo em trâmite no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro onde
o suposto agressor foi condenado pelo crime de ameaça.
O processo foi para a 2a instância através de uma Apelação e tal
recurso foi julgado improcedente pelos desembargadores sob a
alegação de que: “Os crimes de ameaça costumam ocorrer dentro
do ambiante doméstico, entre quatro paredes, na intimidade do
casal, motivo pelo qual não deixam vestígios ou testemunhas
bastando a palavra da vítima como prova”. Percebe-se assim o
perigo e o estrago que a Lei Maria da Penha pode fazer nas mãos
de pessoas erradas que buscam por vingança.

Por estas razões que muitos estudiosos e criminalistas clamam


por melhores critérios para a aplicação da Lei Maria da Penha,
especialmente por não ter o (suposto) agressor o direito ao
contraditório e ampla defesa conforme estipula o tão importante
Princípio da Presunção de Inocência. Percebe-se que com o uso
distorcido da Lei Maria da Penha o (suposto) agressor na verdade
é a grande vítima onde, mesmo que não lhe seja aplicada
qualquer punição ao final do processo, o mesmo terá que
respondê-lo sujeitando-se a uma condição humilhante,
angustiante e desnecessária pelos meses ou anos subsequentes a
denúncia.

Falsa Denúncia Também é Crime:


Como já dito muitas mulheres procuram as delegacias
especializadas objetivando saciar seus desejos, caprichos ou
vingarem-se de seus ex-companheiros por mágoas passadas,
porém, muitas dessas mulheres, por desconhecimento da lei e dos
procedimentos judiciais adotados, não sabem a proporção que
esta falsa denúncia pode gerar.

Assim, ao verem-se diante de uma ação criminal, com


promotores, juízes, assistentes sociais e audiências onde, há a
grande possibilidade de a farsa ser descoberta, acabam por
retirar a denúncia no receio de sofrerem a devida sanção judicial.
O que muitas mulheres que se valem das delegacias de
atendimento à mulher não sabem é que o registro de ocorrência
baseado em falsas denúncias é crime com pena que pode variar
de 2 a 8 anos de reclusão.

Não é necessário que o homem sofra qualquer punição por parte


do juizado de violência doméstica ou que haja o deferimento de
qualquer medida protetiva de urgência, basta simplesmente que
contra ele seja instaurado inquérito policial (mesmo que o
processo não ocorra). Trata-se aqui do crime de Denunciação
Caluniosa previsto no art. 339 do Código Penal:

“Art. 339. Dar causa à instauração de investigação policial, de


processo judicial, instauração de investigação administrativa,
inquérito civil ou ação de improbidade administrativa contra
alguém, imputando-lhe crime de que o sabe inocente: Pena -
reclusão, de dois a oito anos, e multa.”

A importância do artigo 339 do Código Penal se dá justamente


para evitar falsas denúncias e assim evitar que policiais,
delegados, promotores, juízes e demais servidores da
administração pública tenham seu tempo e recursos tomados na
persecução de um crime que a denunciante sabe não ter ocorrido.

Motivo pelo qual o crime de Denunciação Caluniosa encontra-se


previsto no rol de crimes contra a administração pública.
Importante também se faz mencionar que o crime de
denunciação caluniosa é um crime de Ação Penal Pública
Incondicionada, ou seja, não necessita que a vítima, nesse caso o
suposto agressor, faça a denúncia, pois, a mesma é feita
diretamente pelo Ministério Público quando descoberta a farsa.

Conclusão:
Diante do atual quadro de reais violências domésticas contra as
mulheres e das muitas falsas denúncias o que se deve buscar,
efetivamente, não é o afastamento desta lei de suma importância
na atualidade e sim mecanismos de controle, averiguação da
veracidade da denúncia e punições exemplares quando tais
denúncias mostrarem-se falsas.

Dessa forma teremos as Delegacias Especializadas de


Atendimento à Mulher, o Ministérios Público e os Juizados
Especiais de Violência Doméstica voltados e centrados no
atendimento e amparo daquelas que realmente são ou foram
vítimas de violência doméstica e que realmente necessitam do
apoio do Estado.

Disponível em: https://thiagolicer.jusbrasil.com.br/artigos/390822236/a-vinganca-atraves-da-lei-


maria-da-penha

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