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EXCELENTÍSSIMO (A) SENHOR (A) DOUTOR (A) JUIZ DE DIREITO

DA 45ª ZONA ELEITORAL DA COMARCA DE RONDONÓPOLIS,


ESTADO DE MATO GROSSO.

Processo Nº : 4263-76.2010.6.11.0045

OLÍRIA AUGUSTA DA SILVA, já devidamente qualificada nos processo


supracitado, por intermédio do NUPRAJU- NÚCLEO DE PRÁTICA
JURÍDICA, por seu advogado e estagiária que esta subscreve vem à presença de
Vossa Excelência para apresentar:

DEFESA

pelos motivos de fato e de direito a seguir expostos:

Av. Ary Coelho, nº 829 –Cidade Salmen Fone: 0xx66 3411-7680


CEP: 78705-050 – Rondonópolis – Mato Grosso
1 -DA DENÚNCIA

O Ministério Público Eleitoral, por meio de seu representante no


exercício de suas atribuições legais, com fundamento no Artigo 355 do Código
Eleitoral, veio oferecer a presente denúncia em desfavor de OLÍRIA
AUGUSTA DA SILVA pelos fatos em seguida descritos:

1 - Em dia inexato , durante a campanha eleitoral de 2008 apurou-se


que a co-denunciada OLÍRIA AUGUSTA DA SILVA, cabo eleitoral da
candidata Mariúva Valentin Chaves, ofereceu à eleitora MARIA APARECIDA
DE SANTANA ARAÚJO a quantia correspondente a R$ 30,00 para que esta
votasse em na candidata Mariúva, recolhendo em seguida os dados pessoais
desta, como nome, endereço e título de eleitor.

2- Também, em dia inexato durante a campanha eleitoral de 2008 a


co-denunciada OLÍRIA AUGUSTA DA SILVA ofereceu mais uma vez uma
proposta indevida a um eleitor em benefício da candidata Mariúva tendo
recolhido dados pessoais e número do título de eleitor da eleitora CARLA
APARECIDA DE SANTANA MARTINS, dizendo desta feita apenas que a
candidata Mariúva pagaria um “agrado” àqueles eleitores que nela votassem, em
claro pedido de votos mediante contraprestação.

Por conta do acima exposto não restou outra alternativa ao Minitério


Público Eleitoral senão oferecimento da denúncia em desfavor de OLÍRIA
AUGUSTA DA SILVA como incursa nas sanções do Art. 299, caput, do Código
Eleitoral c/c artigos 29 e 62, I ambos do Código Penal.

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2 - DOS DEPOIMENTOS

Em seu primeiro depoimento OLÍRIA AUGUSTA DA SILVA


relatou o que segue:

Aos vinte e dois (22) dias do mês de outubro do ano de dois mil e oito,
(22/10/2008), nesta cidade de Rondonópolis na sede da Delegacia de Polícia
Federal, onde presente encontrava Rômulo Rodovalho Gomes, Delegado de
Polícia Federal, com escrivão de Polícia Federal, compareceu a Senhora
OLÍRIA AUGUSTA DA SILVA e sendo inquirido dos fatos pela Autoridade
respondeu: que cooptou, voluntariamente, alguns eleitores para sua prima, a
candidata Mariúva , que pedia o voto para os eleitores e aqueles que
confirmassem que votariam em tal candidata ela solicitava que fornecesse
nome, endereço e telefone para após a eleição receber visita de
agradecimento da candidata, que passava estes nomes para a pessoa
conhecida como Regina, que trabalhava para Mariúva, que não fornecia
nenhuma vantagem ou promessa em troca dos atos dos eleitores, que
entregava a folha com os dados dos eleitores principalmente de seus
parentes e entregava no Comitê da candidata Mariúva, que depois que
entregava os nomes no comitê não sabe qual era o procedimento adotado,
que não sabe se eram confeccionadas listas com nomes dos eleitores, que
conhece Miguel Milani de vista, que não sabe para qual candidato Miguel
Milani trabalhou nestas eleições que não ouviu qualquer comentário se
Miguel Milani estaria comprando votos na região, que confirma que a
pessoa que cooptou os nomes de Ângela Pereira de Brito (sobrinha), Edson
Machado de Souza(sobrinho), Rosa Alexandra da Silva (nora) Luzinete
Alexandra da Silva (vizinha e amiga), Marize Freitas Oliveira (amiga e
vizinha), João Cláudio Moraes (amigo e vizinho), Diná Bento da Silva Souza

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(sobrinha), dentre outros que constam na lista apreendida na casa de Miguel
Milani, onde aparece o nome da declarante a direita. Nada mais disse nem
lhe foi perguntado.

E ainda, como testemunha compromissada na forma da lei, em


audiência de Instrução e Julgamento , realizada dia 17 (dezessete ) de agosto de
2009 (dois e mil e nove) que ao ser inquirida respondeu:

Que não recebeu nenhuma vantagem para votar em algum


candidato, que uma polícia a levou na Promotoria, que diziam que era de
Cuiabá, que diziam ter-la levado para lugar onde não sabia, que estava
conversando lá e amenina foi batendo, que não fez declaração em cartório,
que não é alfabetizada, que não assina, que não assinou nome em lista,
mesmo porque não sabe assinar, que não tem nenhuma leitura, que não fez
nenhuma anotação com relação à Carla, que não anotou o nome de eleitor
em lista porque é analfabeta, que não ofereceu nenhuma vantagem para
pessoas votarem, que não chamou ninguém para trabalhar, que não chamou
nem Carla, nem para ninguém, que realmente pediu votos para Mariúva
para sua família por conta própria, que não cheguei a oferecer alguma
vantagem para votarem nos candidatos, que não pediu para ninguém anotar
o nome das pessoas, que não foi a nenhum cartório fazer declaração, que
não levaram nenhuma declaração para assinar na sua casa, que não pagou
ninguém para fazer declaração em cartório.

Ainda a favor de OLÍRIA AUGUSTA DA SILVA é possível


destacar as certidões de NADA CONSTA expedidas de acordo com as
requisições deste R. juízo, como por exemplo: as das 10ª e 46ª Zonas Eleitorais
(fls. 316 e 331 respectivamente), e a do cartório Distribuidor (fls. 335) que
desabonem sua conduta social, principalmente no que tange a justiça eleitoral.

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3 - A IMPROCEDÊNCIA DA DENÚNCIA

Com base nos depoimentos acima vistos nota-se ausência de provas


incontestáveis dos fatos descritos.

RE - Recurso Eleitoral nº 1168 - Campos de Júlio/MT


Acórdão nº 19271 de 02/08/2010
Relator(a) JORGE LUIZ TADEU RODRIGUES
Publicação: DEJE - Diário Eletrônico da Justiça Eleitoral,
Tomo 706, Data 05/08/2010, Página 1-2 Ementa:
RECURSO ELEITORAL. AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO
JUDICIAL. PROVAS. FRAGILIDADE.
INCONSISTÊNCIA. COMPRA DE VOTOS NÃO
COMPROVADA. INEXISTÊNCIA DE ABUSO. ART.
41-A DA LEI N. 9.504/97. NÃO CONFIGURAÇÃO.
DESPROVIMENTO. A compra de votos e caracterização
de outros abusos, em investigação judicial eleitoral, devem
restar plenamente comprovados, sob pena de ser julgada
improcedente. Recurso a que se nega provimento. Decisão:
Acordam os Excelentíssimos Senhores Juízes do Tribunal
Regional Eleitoral de Mato Grosso, em sessão do dia
02/08/2010, à unanimidade, rejeitar a preliminar suscitada
e, no mérito, por igual votação, negar provimento ao
recurso, nos termos das notas taquigráficas

Neste escopo o Tribunal Superior Eleitoral também decidiu:

AAG - AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE


INSTRUMENTO nº 7249 - Brasília/DF
Acórdão de 08/03/2007
Relator(a) Min. JOSÉ GERARDO GROSSI
Publicação: DJ - Diário de justiça, Data 11/04/2007, Página 200
EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE
INSTRUMENTO. RECURSO ESPECIAL. ALEGAÇÃO.
COMPRA DE VOTOS. ABUSO DO PODER

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ECONÔMICO. TRE. AUSÊNCIA. COMPROVAÇÃO.
RESPONSABILIDADE. PARTICIPAÇÃO DE
CANDIDATOS. CONTRADIÇÃO. DEPOIMENTOS.
FRAGILIDADE. PROVA TESTEMUNHAL.
CAPTAÇÃO ILEGAL DE SUFRÁGIO NÃO
COMPROVADA. FATOS. AUSÊNCIA.
POTENCIALIDADE. INFLUÊNCIA. RESULTADO.
PLEITO. PRETENSÃO. PARTE PROCESSUAL.
REEXAME. IMPOSSIBILIDADE. USURPAÇÃO.
COMPETÊNCIA. INEXISTÊNCIA. AUSÊNCIA.
OFENSA. LEI. FUNDAMENTOS NÃO INFIRMADOS.
A Corte regional concluiu que o acervo probatório não era
suficiente para a configuração de abuso do poder
econômico ou captação ilícita de sufrágio, afirmando a
fragilidade das provas testemunhais. Infirmar tal
posicionamento implicaria no reexame minucioso de toda a
matéria fático-probatória. Incidência dos Enunciados nos 7
e 279 das Súmulas do Superior Tribunal de Justiça e do
Supremo Tribunal Federal, respectivamente. Esta Corte
admite, com cautela, a revaloração de provas, na instância
especial, em casos excepcionais, quando há contrariedade a
uma regra jurídica ou princípio no campo probatório.
Ademais, tal revaloração não pode confundir-se com um
novo contraditório. Agravo regimental que não infirma os
fundamentos da decisão impugnada. Agravo regimental
desprovido. Decisão: O Tribunal, por unanimidade,
desproveu o agravo regimental, na forma do voto do
relator.
Fundamentado ainda nos princípios constitucionais que norteiam o
ordenamento jurídico brasileiro, principalmente os da Celeridade da Justiça e
também o da Economia Processual, não resta dúvida que a indiciada OLÍRIA
AUGUSTA DA SILVA trabalhou voluntariamente para a candidata Mariúva,
contudo não restaram provas incontestáveis de que a denunciada realmente
praticou os crimes de cunho eleitoral.

4. DOS PEDIDOS

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Ante ao exposto requer-se a IMPROCEDÊNCIA TOTAL DA
DENÚNCIA

Nestes Termos

Pede deferimento.

Rondonópolis, 02 de fevereiro de 2011.

SAMIR BADRA DIB JÚNIOR SÉRGIO MARIM


Advogado/Nupraju Advogado/Nupraju
OAB/ MT 5205 OAB/ MT 6295

Matrícula nº 2007123058

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