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FAF/UERJ – MESTRADO EM CIÊNCIAS CONTÁBEIS

TEORIA DA CONTABILIDADE
RESUMO DO LIVRO TEORIA DA CONTABILIDADE

Leonardo Portugal Barcellos

CAPÍTULO 2 – QUATRO MIL ANOS DE CONTABILIDADE


O segundo capítulo da obra é introduzido pela afirmação de que a contabilidade, com
o emprego do Método das Partidas Dobradas, é produto do Renascimento Italiano, período de
acentuadas transformações em vários campos do conhecimento humano, inclusive nas
ciências, marcando a transição da Idade Média para a Idade Moderna.
1. RENASCENÇA
Não se sabe quem inventou a contabilidade, contudo, os primeiros registros de
escrituração por partidas dobradas surgiram nos séculos XIII e XIV. Por seu turno, a primeira
codificação da contabilidade data do fim do século XV, com a publicação do livro Summa em
1494 pelo frei franciscano Luca Pacioli, documento que, apesar de descrever com minúcias a
contabilidade por partidas dobradas, era em verdade um tratado sobre matemática.
Cumpre ressaltar que, na época de seu surgimento, a ciência contábil era empregada,
na maioria das vezes, para produzir informação para um único proprietário, sendo sigilosa por
medida de segurança e de estratégia. Além disso não costumava fazer distinção entre o
patrimônio da entidade e aquele de seu proprietário.
Também inexistiam os conceitos de exercício contábil, apuração de lucros periódicos e
depreciação, bem como a ausência de unidade monetária exigia que a escrituração fornecesse
minúcias sobre o que se registrava.
2. ANTECEDENTES DA CONTABILIDADE
Para que Luca Pacioli pudesse codificar pela primeira vez a contabilidade pelo método
das partidas dobradas, muitas civilizações antigas deram suas contribuições.
Sistemas contábeis sofisticados parecem ter existido na China por volta de 2000 a. C.
A civilização egípcia, que ergueu suas primeiras pirâmides há 4 mil anos atrás, também
possuía sofisticados métodos contábeis para registrar suas safras.
O império de Alexandre, o Grande, fundado em 332 a.C. também deixou vestígios de
registros contábeis, além do legado da fabulosa biblioteca fundada na cidade de Alexandria,
mais tarde destruída por invasores bárbaros.
Os vastos conhecimentos dos gregos pareciam ter se perdido com as invasões de
vândalos e godos ao Império Romano. Contudo, após a ascensão dos povos islâmicos, estes
vieram a descobrir cópias de manuscritos gregos preservados pelos nestorianos.
Foi estabelecido em Bagdá o maior centro de conhecimento do primeiro milênio. Os
árabes também absorveram da Índia o conceito de zero e a álgebra como um todo. A
evolução da álgebra na Índia deveu-se às incursões de Alexandre, onde o grande imperador
deixou boa parte dos conceitos gregos, que foram aperfeiçoados pelos indianos.
Os números arábicos se difundiram pela Europa, apesar da resistência da Igreja, que
considerava heresia o seu uso. Merece destaque a obra de Leonardo Fibonacci chamada Liber
Abacci.
O avanço e o aprimoramento técnico da ciência contábil estão intimamente
ligados ao progresso tecnológico e socioeconômico da humanidade. Ao passo que os
algarismos arábicos difundiam-se pela Europa, a navegação das grandes cruzadas
desenvolveu-se com a utilização da bússola Invenção chinesa) e com o invento da vela
triangular, latina.
A expansão do comércio tornou os negócios vultosos, impulsionando o surgimento das
primeiras sociedades por responsabilidade limitada e, posteriormente, as por ações. Ambas
exigiam prestações de contas, estimulando o desenvolvimento da contabilidade.
O livro Summa foi publicado 37 anos depois da invenção da imprensa, evento
impulsionado pelo aumento do custo de produção de manuscritos, visto que os literatos da
época também foram exterminados pelas pestes difundidas pelas grandes navegações.
3. A ERA DA ESTAGNAÇÃO
O descobrimento do Novo Mundo fez com que os centros comerciais da Europa se
deslocassem para Portugal e Espanha, espalhando o sistema italiano de partidas dobradas, o
qual, segundo alguns autores, sofreu poucas alterações entre 1494 e 1800.
A restrição, imposta pelas cidades italianas, para que o restante da Europa participasse
do comércio do Mediterrâneo impulsionou as navegações exploratórias. As expedições
demandavam vultosos investimentos, levando ao desenvolvimento das primeiras empresas de
capital conjunto, figura que alavancou a contabilidade e que fez surgir o papel do investidor,
principal usuário das demonstrações financeiras.
O período intitulado Era da Estagnação teve fim com o advento da Revolução
Industrial. A Europa com melhores condições de higiene, livre das pestes e com boas safras,
viu ampliada a demanda por alimentos e demais bens de consumo. Somam-se a isso os
pensamentos liberais e iluministas que tinham grande poder de influência.
A expansão da indústria, que teve início na Inglaterra e depois tomou boa parte do
mundo, transformou a contabilidade, visto que novos aspectos teóricos passaram a ser
explorados:
a) Os ativos utilizados na produção possuíam custo elevado, aumentando a
importância do conceito de depreciação;
b) Fazia-se necessário avaliar estoques e gerar informações gerenciais precisas,
tornando imprescindíveis os sistemas de contabilidade de custos;
c) A necessidade de financiamento em volumes elevados tornou ainda mais distintas
as figuras do proprietário, do investidor, do acionista e do administrador, o que
exigia demonstrativos financeiros que atendessem a todas as categorias;
d) Ampliaram-se as sociedades por ações e surgiram as auditorias obrigatórias.
4. SURGIMENTO DA PROFISSÃO
Além de transformar a contabilidade, conforme visto acima, a Revolução industrial
demandou o surgimento de especialistas na área. Na Grã-Betanha, havia apenas 50
profissionais registrados no início do século XIX, número que foi ampliado com o advento da
Lei das Companhias em 1844 e que culminou com a fundação do Instituto de Contadores
Registrados da Inglaterra e do País de Gale em 1880.
A industrialização dos EUA foi amplamente financiada por capitais estrangeiros, em
especial oriundos da Grã-Betanha, o que justifica o fluxo de contadores britânicos que
passaram a atuar como autitores na América, onde no fim do século XIX ainda haviam
poucos profissionais. Apesar do reduzido número, os contadores americanos em 1887
formaram a American Association of Public Accountants (AAPA).
Na mesma época, associações de contadores organizadas em âmbito estadual surgiram
em todo o País. Após amplos debates, as associações, substituindo o AAPA, reuniram-se no
American Institute of Accountants (AIA), que em 1957 transformou-se atual American
institute of Certified Public Accountants (AICPA).
Contadores de outras áreas também se organizaram, em 1919 foi criada a National
Association of Accountants (NAA), que tem patrocinado pesquisas no seguimento da
contabilidade de custos e publica a revista Management Accounting. Já a American
Accounting Association (AAA) surgiu em 1916 com o fim de pesquisar e desenvolver
princípios e padrões de contabilidade, suas publicações são o The Accounting Review e o
Accounting Horizons.

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