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Sobreposição das posses

O usufrutuário detém a posse causal e em nome próprio quanto ao direito do usufruto,


mas tem a posse em nome alheio no que respeita ao direito da propriedade. Contudo
sendo, sendo lícito ao usufrutuário constituir uma servidão em favor do terceiro, com as
posses anteriores, e sobre a mesma coisa, vai agora coexistir a posse (causal) do título
do direito de servidão. Por um lado, da circunstância de, como já ficou demonstrado, a
passe não desenvolver necessariamente a pratica de actos materiais sobre a coisa
decorre a possibilidade de haver posse de certa pessoa e ser outra a ser quem tem a coisa
em seu poder.

Se o vendedor não fizer logo a entrega da coisa, continua a tê-la em suas mãos, sem por
isso a posse deixar de pertencer ao comprador. A este respeito distinguir-se a posse de
facto e de posse efectiva.

Quando assim não aconteça, torna-se naturalmente necessário fixar critérios para
determinação da posse prevalente, ou na linguagem da lei, da melhor posse, da
conjugação dos artigos, 1267, no 2 e 1278 nos 2 e 3 resultam os seguintes:

a) A posse tutelada prevalece sobre a não titulada;


b) Na falta do título, a mais antiga, prevalece sobre as mais modernas, a menos que
esta tenha duração superior a um ano;
c) Sendo igual a antiguidade, a posse actual prevalece sobre a posse anterior,

Conteúdo da posse

A posse enquanto direito real, atribui ao seu titular um conjunto de faculdade que
constituem o seu conteúdo. O código civil ocupa-se desta matéria, num seu capitulo
próprio, compreendendo os artigos 1268o a 1275o a epigrafe ( Efeitos da posse ).

Os preceitos citados identificam, como efeitos da posse, do lado activo, a presunção da


titularidade, os direitos aos frutos e a benfeitorias, e ao lado passivo, a obrigação de
responder pela perda da coisa e de suportar os seus encargos.

Direito de uso

O primeiro direito do possuidor è de usar a coisa, segundo o conteúdo do próprio do


direito possuído. Na verdade, projecta-se aqui a sombra do exercício a posse
corresponde: o possuidor a título de proprietário tem um poder de uso da coisa
significantemente diferente do possuidor de uma servidão. O uso da coisa pelo enquanto
se cinja ao conteúdo do direito possuído, não è, ilícito, logo não gera o dever de
indemnizar.
De qualquer modo, a licitude do uso apura-se, a contrario, do regime estatuído no artigo
1269, se mesmo o possuidor de má fé apenas responde, embora sem culpa, pela perda
de deterioração da coisa, tal significa que não é responsável pelo uso, se dele não
decorrem aquelas consequências. Por outro lado, o possuidor de boa fé só tem de
indemnizar aqueles danos se eles lhe forem imputáveis.

Direito de fruição

A lei reconhece, em certos casos, ao possuidor, a faculdade de fruir a coisa. Segundo o


no1 do arto. 1270o do cc o possuidor esta má fé logo que souber que a sua posse esta a
lesar o direito de outrem. Deste modo, se a posse for adquirida de boa fé, mas o
possuidor vier, mas tarde, a ter conhecimento de estar a lesar direito alheio, a partir
desse momento está de má fé quanto ao direito de fruição.

O direito de fruição não é reconhecido ao possuidor de má fé de acordo com artigo 1271


do cc . Mais do que isso, o possuidor não só deve, então, restituir os frutos produzidos
enquanto durou a sua posse, com responde pelo valor daqueles que um proprietário
diligente poderia ter obtido. Se a posse for de boa fé e enquanto for, domina, como
principio geral, o direito de possuidor adquiriu os frutos da coisa.

Direito a benfeitorias

Segundo o no 1 do arto 216o do CC, as benfeitorias são genericamente definidas como


despesas feitas com a conservação ou melhoria da coisa.

O possuidor, tendo em geral, o gozo da coisa, cabe, como é natural, a faculdade de nela
fazer benfeitorias. Interferem significativamente nesta matéria a boa fé ou a má fé do
possuidor e a modalidades das benfeitorias, devendo, por isso, ter-se presentes as
correspondentes noções. A relevância do primeiro aspecto é manifesta, traduzindo-se,
como em relação aos frutos, num pior tratamento do possuidor de má fé.

Estando em causa benfeitorias necessárias ou úteis, se tiver em conta a


indispensabilidade das primeiras para a conservação da coisa e o aumento do valor
desta, que as segundas implicam, logo se compreende que a lei atenue, em face de tais
resultados, a relevância primeiramente atribuível a boa fé do possuidor. Em relação as
benfeitorias necessárias, o possuidor de boa fé ou má fé têm o direito de ser
indemnizado do seu valor (numero 1, primeira parte, do artigo 1273 do CC).

Obrigações do possuidor

As obrigações do possuidor desenvolvem-se em dois planos, respeitando um deles aos


encargos com a própria coisa, como contrapartida natural do direito aos frutos, e outro a
danos sofridos pelo titular do direito.

Se o possuidor houver adquirido a sua posse por esbulho, fica também constituído na
obrigação de indemnizar o anterior possuidor esbulhado, seja ele ou não.
O efectivo titular do correspondente direito, para alem de ter de suportar os encargos
com restituição da posse segundo o arto 1284.

Pelo que o primeiro ponto se refere, a divisão dos encargos com a coisa faz-se entre o
possuidor e o titular do direito, segundo um critério de equivalência ao que preside a
divisão dos frutos. Deste modo, como resulta do art. 1272 do CC, os encargos são
repartidos, relação ao período a que respeitam, na mesma medida dos direitos do
possuidores e do titular do direito sobre os frutos.

Nas relações específicas entre o possuidor e o titular do direito e na fixação das


obrigações que sobre aquele impede estão em causa, como logo se compreende, para
além da perda da coisa, as deteriorações que ela sofra no decurso da posse.

Vicissitudes da posse

Generalidades

Na exposição do regime das vicissitudes da posse, vai ser seguido um esquema diferente
dos direitos reais, em geral, pois são tratadas na sua manifestação subjectiva: aquisição,
modificação, compreendendo transmissão e perda. Desde logo, adopta-se, assim, o
próprio esquema legal que nos artos 1263o a 1267o do CC estabelece o regime da
aquisição e da perda da posse.

Aquisição

A aquisição da posse pode revestir as duas modalidades deste fenómeno das vicissitudes
dos direitos subjectivos, ou seja, ser originária ou derivada.

Por estas duas modalidades se repartem os casos dai aquisição enumerados no artigo
1263 do CC que, contudo, não esgota a matéria. Assim são formas de aquisição
originaria o apossamento artg 1263 do CC a) e a inversão do titulo da posse art.
1263al,d); há aquisição derivada na tradição art. 1263, al.b), no constitulo possessórios
arto1236 al.d) e na sucessão regulada no arto1255 do CC.

Aquisição originária: apossamento e inversão do titulo da posse

O tipo de aquisição originária da posse é o apossamento. Consiste este, como se ve da


alinha a) do arto 1263o, na apropriação material de uma coisa, mediante a pratica, sobre
ela, de actos matérias correspondes ao exercício de certo direito.

A invenção do título vem prevista na d) do arto1263 completada pelo regime contido no


arto 1265. Nesta forma de aquisição da posse dá-se transformação de uma situação mera
detenção em verdadeira posse, neste sentido o titulo por que se exerciam certos poderes
sobre a coisa muda e dai a designação do instituto.

A inversão do título pode resultar do acto próprio detentor ou de acto de terceiro, como
expressamente descreve no arto 1265o. O detentor, continuando, porventura, a praticar
sobre a coisa actos análogos aos que já vinha praticando, passa, porem, a faze-lo como
se fosse o verdadeiro titular do sujeito a cujo exercício eles correspondem e não com
quem actua em nome de outrem.

Aquisição derivada: tradição, sucessão e constituto possessório

Na aquisição derivada, não levantam particulares dificuldades a tradição e a sucessão.

Na tradição, como a próprio alínea b) do artigo 1263 do CC, especifica, há um acto do


possuidor antigo, material ou simbolicamente, envolve a atribuição da posse ao novo
possuidor, pela transmissão da situação de facto, que o habilita a exercer sobre a coisa
actos correspondentes ao exercício possuído.

Na sucessão, regulada no arto1255 do CC, há um fenómeno de aquisição mortes causa.


Os sucessores do antigo possuidor, que aceitem a herança ou o alegado adquirem, por
esse simples actos, a posse que pertencia ao falecido.

O fenómeno que caracteriza o constituto possessório pode dar-se o caso de, na alienação
de um direito real +elo seu titula, não se verifica imediatamente a transferência da posse
da coisa. Para o efeito, tanto faz que essa posse pertença ao próprio alienador o que
exista detenção por terceiros nos1e 2 do arto 1264o. Se a coisa continua na detenção do
alienante ou de terceiro, nem por isso deixa de ser como verificada aquisição da posse
pelo adquirente do direito alienado.

Acessão da posse

Da aquisição derivada da posse deve manter-se distinta a acessão na posse, regulada no


arto1256o. A acessão só existe quando o título aquisitivo da posse não seja a morte
anterior do possuidor. Houve, pois, uma transmissão da posse por acto intervivo, por
exemplo uma compra e venda, neste caso, ao actual possuidor é reconhecida a faculdade
de juntar a sua posse a do antecessor, para afeito da contagem do período da duração.

A acessão tem, porem, um limite, estatuto no no 2 arto 1256 se as posses forem de


natureza diferente, a acessão só se da nos limites de menos valiosa, de menor âmbito
segundo a lei. Assim se a posse anterior era de ma fé e a do adquirente é de boa fé,
verificada a acessão, a posse deste, toda posse, portanto passa a ser de ma fé.

Modificação

Generalidade

A modificação da posse pode, tal como nas restantes situações jurídicas, ser Objectiva

Quando a primeira modalidade, não justifica tratamento autónomo a relativa ao objecto,


uma vez que valem aqui, em Regra, as observações feitas a respeito de igual Fenómeno
mos direitos reais em geral.

Subponto de vistas subjectivo as modificações quanto aos sujeitos interessa sobretudo a


relativa a transmissão da posse.
Modificação Objectiva

Os fenómenos da modificação objectiva que interferem com conteúdo da posse estão


ligados aos critérios da sua própria modificação nas várias modalidades antes apontadas.

Os critérios Distintivos das modalidades da posse referem-se, em regra, ao momento da


sua constituição. Podem porem, ocorrer factos supervenientes a que a lei atribui
relevância, em termos de se alterarem as características da posse, com influência em
relevantes aspectos do seu regime.

Assim, se cessar a violência, a posse passa a valer como pacifica. Do mesmo modo, a
posse oculta Vale como publica, quando o seu exercício passa a ser feito em termo de
poder ser conhecido do interessado. A Modificação da posse, nos dois primeiros casos,
interferem, com o seu tempo ficou exposto, com o regime da Usucapião arto 1297 e
1300, No 1, e releva em situações de conflito por suposição de posse arto 1267, NO 2. A
última projecta-se no regime de aquisição de frutos arto 1271 ou nos direitos do
possuidor em matéria de benfeitorias arto 1273 do CC.

Transmissão

A transmissão da posse envolve uma perda relativa e a consequente aquisição derivada.


Deste modo, os casos de aquisição derivada constituto possessório e, em certo
entendimento desse fenómeno jurídico, na sucessão.

A aquisição da posse deu-se por um título. A acessão vem atribuir o novo possuidor a
faculdade de, em alternativa, atender somente a sua posse, ou juntar a esta o tempo de
duração da posse do anterior titular.

Perda da Posse

Generalidades

As modalidades de perda da posse vem contemplar no arto 1267.o do CC, e cujo


entendimento não e pacifico na doutrina, para alem de ser corrente assinalar que não
revestem todas a mesma natureza.

Perda absoluta da posse

A perda da posse nas alíneas a) e b) do arto1267o do CC usando, por comodidade,


quanto, a segunda, uma formulação genérica que pretende cobrir situações diversas.

Há abandono quando a perda da posse se da por efeito de acto de vontade do próprio


possuidor, que se demite da situação jurídica de que era titular. Também se perde a
posse, com a sua consequente extinção, no caso de a coisa, que a tem por objecto, se
perde ou se destruir.
Perda da posse por apossamento de terceiro

Nos termos da alínea d) do arto. 1267o, há perda da posse quando se constitua, mesmo
contra a vontade do possuidor, uma posse de outra pessoa. Trata-se, contudo, de um
caso particular, porquanto a perda da posse não se da imediatamente, mas apenas depois
de ter decorrido, sobre o esbulho, mais de um ano. Estão implicada neste regime varias
consequências:

Perda relativa da posse: a cedência; remissão

A perda da posse é meramente relativa quando o possuidor a cede a outrem, havendo


uma corresponde aquisição pelo cessionário. As relações entre esta forma de perda
relativa e as de aquisição derivada, com consequente transmissão da posse, permitem
fazer uma simples remissão para essas matérias.

Defesa da Posse

Generalidades: os meios possessórios

Na sua incidência processual, aos meios de defesa da posse correspondiam, processos


especiais, as chamadas acções possessórios e os embargos de terceiro.

As acções possessórias de prevenção, de manutenção e de restituição da posse são


acções declarativas de condenação que seguem o processo comum, com algumas
especialidades de que oportunamente se dará nota.

Os embargos de terceiro passaram a ser tratados como um incidente instância,


constituindo umas das modalidades da oposição. Os seus regimes particulares contem-
se agora nos arto351o a 359o, do CP civil.

A defesa judicial da posse admite o recurso a meios cautelares. Assim quando haja
esbulho valer-se de um procedimento cautelar específico, a restituição provisória da
posse.

Restituição Provisória de Posse

O possuidor é admitido a socorrer-se da restituição provisória, quando tenha havido


esbulho violento da sua posse. Assim dispõe o artigo 1279, confirmado pelo artigo 393
do CP civil.

Acção de Manutenção

A acção de manutenção é o meio processual a que o possuidor deve recorrer no caso de


haver perturbação da sua posse, sem que, contudo, chegue a haver esbulho, segundo o
no1 do arto1278 do CC. A acção de manutenção depende, porem, da natureza da posse
da qualidade das pessoas nela envolvida, uma vez que ela não pode proceder se a posse
perturbadora for melhor do que presidem a determinação da melhor posse foram já
analisado.

O pedido na acção de manutenção è, assim, o de condenação do perturbador no


reconhecimento da posse do autor e na cessação dos actos que a perturbam.

Acção de Restituição

A acção de restituição está reservada para os casos em que a violação da posse se traduz
na sua privação, ou seja, quando há esbulho, independentemente de este ser violento ou
não, como também resulta do artigo 1279 do CC.

Embargos de terceiros

Os embargos de terceiras da conjugação do artigo 1285 do CC, com o no1 do arto351o,


do código do processo civil resultam que os embargos de terceiros são meios que o
possuidor tem ao seu alcance para reagir contra diligências processuais que afectem a
sua posse. Estão em causa quaisquer actos judiciais de apreensão ou entrega de bens que
ofendam a posse ou qualquer direito incompatível com a diligência, de que seja titular
quem não é parte na causa.

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