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EXPLICANDO O

SEDEVACANTISMO
Por Marcos Aurélio
PRÓLOGO
Dedico este artigo ao benemérito professor Paulo Airton, para que compreenda melhor a
posição teológica Sedevacantismo, e também o porquê de sua licitude e validez nos tempos
atuais.
Aqui vou me encarregar de provar também, ao senhor, que a Sé está vacante desde o
Concílio Vaticano II até agora.
Os assuntos tratados aqui, não sendo obrigatoriamente lineares no que tange a
organização são: Fundamentos do sedevacantismo e aplicações, Sua validez perante a
doutrina da igreja, e A crise pós Concílio Vaticano II.

FUNDAMENTOS DO SEDEVACANTISMO
O que é o Sedevacantismo?
O sedevacantismo é a percepção da natureza não-católica da religião do Vaticano II.
O que significa 'sedevacantismo'?
Tal termo vem da palavra 'sede' e 'vacante', e se refere ao período em que a Sé de Pedro
fica vacante, ou seja, sem legítimo papa, ocorrendo também após sua renúncia ou morte.
Qual a idéia desta posição teológica?
A idéia central do sedevacantismo é a de que um herege não pode ser papa de nenhuma
maneira e nem sob qualquer hipótese, assim como afirma a doutrina católica. E por este
mesmo motivo, declaramos que os supostos papas pós-conciliares tenham sido inválidos,
pois foram hereges. Eis aqui algumas de suas heresias:

1. Joseph Ratzinger (Bento XVI), Princípios de Teologia Católica, 1982,pág 381:


"O documento do Vaticano II, Gaudium et spes e os demais sobre a liberdade religiosa são
uma revisão do Syllabus, um Contra-Syllabus".
Assim revogando um documento papal (Syllabus) e caindo em heresia, pois o Sumo
Pontífice é infalível quando se trata de fé,moral e bons costumes. Ipso facto, não é
possível revogar. Logo, heresia.
2. Giuseppe Roncalli (João XXIII) Veja Luigi Accattoli, Quando um papa pede
perdão, Nova York: Alba House and Daughters of St. paul,1998, pp. 18-19;
Ênfase minha):
"Católicos e ortodoxos não são inimigos, mas irmãos. Temos a mesma fé; compartilhamos
os mesmos sacramentos, e principalmente a Eucaristia. Estamos divididos por algumas
divergências quanto à constituíção divina da Igreja de Jesus Cristo. As pessoas que
causaram essas divergências estão mortas há séculos. Abandonemos as velhas disputas e,
cada um em seu domínio, trabalhemos para tornar nossos irmãos bons, dando-lhes bom
exemplo. Mais tarde, embora viajando diferentes caminhos, alcançaremos a união entre as
igrejas para formarmos juntos a verdadeira e única Igreja de nosso Senhor Jesus Cristo"
Declaração ecumenista e herética explícita.
3. Giovanni Battista Montini (Paulo VI), Rádio Vaticano:
"Há 50 anos, o Papa Paulo VI encontrava e abraçava o Patriarca Atenágoras I, no Fanar do
Patriarcado Ecumênico de Constantinopla, em 25 de julho de 1967.

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Durante a sua Viagem Apostólica a Istambul, Éfeso e Esmirna, de 25 a 26 de julho de 1967,
Paulo VI escreveu uma Carta ao Patriarca Athenagoras I para a promoção e o
restabelecimento da unidade da Igreja do Ocidente com a Igreja do Oriente.
Dois anos antes da sua Viagem à Turquia, em 7 de dezembro de 1965, o Papa Paulo VI e o
Patriarca Atenágoras de Constantinopla assinaram uma “Declaração Conjunta” lida, em
francês, na Sessão pública Conciliar e, ao mesmo tempo, no Fanar do Patriarcado
Ecumênico de Constantinopla.
O Papa Paulo VI e o Patriarca Atenágoras I, com seu Sínodo estavam cientes de que este
gesto de justiça e perdão recíproco não seria suficiente para pôr fim às diferenças antigas
ou mais recentes entre a Igreja Católica Romana e a Igreja Ortodoxa de Constantinopla.
No entanto, com este gesto, expressavam sincero desejo comum de reconciliação e um
convite a prosseguir, com espírito de confiança, estima e caridade mútuas, o diálogo que,
com a ajuda de Deus, servia para o maior bem das almas, na plena comunhão de fé,
concórdia fraterna e vida sacramental".
Novamente temos aqui, explicitamente, ecumenismo religioso; aquilo que é a maior
traição para com a igreja de nosso senhor, que desde o início luta pela conversão das
almas para seu seio.
4. Albino Luciani (João Paulo I), Banco de dados biográfico profissional de
Luciani:
"A tese com a qual achei mais difícil conviver foi a da liberdade religiosa", disse ele mais
tarde. “Durante anos eu havia ensinado as teses de direito público do Cardeal [Alfredo]
Ottaviani , segundo as quais apenas a verdade [como sustentada pela Igreja Católica
Romana] tinha direitos. No final, me convenci de que estávamos errados".
5. Karol Wojtyla (João Paulo II) Encíclica Redemptor Hominis, L.6:
O que acabamos de dizer (sobre o ecumenismo com hereges) também deve ser aplicado –
ainda que de outra forma e com as devidas diferenças – à atividade de aproximação com os
representantes das religiões não-cristãs , atividade que se expressa através do diálogo,
contatos, oração em comum , investigação dos tesouros da espiritualidade humana, na
qual, como bem sabemos, também não faltam os membros dessas religiões.
Assim, não só João Paulo II ordenou a communicatio in sacris (oração
compartilhada) com não-católicos que professam ser seguidores de Cristo, mas
também com não-cristãos, isto é, judeus, muçulmanos, zoroastrianos, hindus, sikhs,
Budistas, xintoístas, etc.
6. Jorge Mário Bergoglio (Francisco I) Em entrevista ao jornal La Reppublica:
a) "Creio em Deus, não em um Deus católico, não existe um Deus católico, existe Deus e
acredito em Jesus Cristo, sua encarnação. Jesus é meu professor e meu pastor, mas Deus,
o Pai, Abba , é a luz e o Criador. Este é o meu Ser."
Discurso de Bergoglio, sala Paulo VI, aos funcionários da santa sé e do estado da
cidade do Vaticano por ocasião das felicitações de natal, 21 de dezembro de 2018:
b) "Então, quem está feliz no presépio? Nossa Senhora e São José estão cheios de júbilo:
olhampara o Menino Jesus e sentem-se felizes porque, depois de numerosas
preocupações, acolheram esta Prenda de Deus, com tanta fé e tanto amor. “Transbordam”
de santidade e por conseguintede alegria. E vós me direis: claro! São Nossa Senhora e São
José! Sim, mas não pensemos quefoi fácil para eles: não nascemos santos, tornamo-nos, e
isto é válido também para eles.
Eis aí uma dentre várias (de cada um deles) heresias cometidas com pura consciência,
Luciani mesmo confirmou isso sem querer quando disse ter tido dificuldade de lidar com o
ecumenismo, e depois assumiu que foi complacente às idéias heréticas.

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Os sedevacantistas são hereges e/ou cismáticos?
Não, pois não negamos o poder de jurisdição da sucessão de Pedro e também não
negamos nenhum artigo de fé.
ARGUMENTO CANÔNICO
Há base dentro da doutrina para sustentar esta posição?
A própria tradição canônica da igreja responde isto:
1. Um papa que cai em heresia como um indivíduo privado, automaticamente perde
sua autoridade papal pela Lei Divina.
De acordo com o Doutor e santo da Igreja Santo Afonso Liguori, "Se um papa, como
pessoa privada, caísse em heresia, ele cairia imediatamente do pontificado". (Ver Verita
della Fede, Parte III, Cap. VIII, 9-10).
De acordo com Wernz-Vidal, "Por heresia notória e abertamente divulgada, o Romano
Pontífice, se ele cair em heresia, por esse mesmo fato (ipso facto) é considerado privado do
poder de jurisdição mesmo antes de qualquer sentença declaratória da Igreja. Um papa que
caia em heresia pública deixaria ipso facto de ser um membro da Igreja, portanto, ele
também deixaria de ser o chefe da Igreja. (Ver Ius Canonicum. Rome: Gregorian [1943]
2:453 ).
2. Um herege é incapaz pela Lei Divina de alcançar o papado.
Segundo o teólogo Baldii, "excluídos como incapazes de ser validamente eleito [papa] são
os seguintes: mulheres, crianças que não atingiram a idade da razão, aqueles que sofrem
de insanidade habitual, os não batizados, hereges e cismáticos ..." (Ver Institutiones Iuris
Canonici (1921).
De acordo com o canonista Coronata, "III. Nomeação do ofício do Primado. 1. O que é
exigido pela lei divina para esta nomeação: ... Também é necessário para a validade que a
nomeação seja de um membro da Igreja. Hereges e apóstatas (ao menos públicos) são,
portanto, excluídos ." ( Instituições 1:312)
3. Se alguém tiver uma suspeita razoável quanto à eleição de um papa , ele pode ser
considerado um papa duvidoso e, portanto, nenhum papa na ordem prática.
De acordo com o teólogo Szal, "Também não há cisma se alguém simplesmente transgride
uma lei papal por considerá-la muito difícil, ou se recusa a obediência por suspeitar da
pessoa do papa ou da validade de sua eleição , ou se alguém resiste a ele como chefe civil
de um estado." (Ver The Communication of Catholics with Schismatics, CUA Press [1948],
pág. 2.
4. São Roberto Belarmino em seu tratado De Romani Pontificis conclui que: o papa
que fosse um herege manifesto cessa de ser papa e cabeça, assim como deixa de
ser cristão e membro da igreja. De Romani Pontificis. II.30
E fora suas diversas conclusões, ele e os teólogos e canonistas do século passado (XX)
descartaram a ideia da necessidade de um tribunal de julgamento sobre a questão do papa
herético.
5. Abp.Purcell (1903): Foi respondido que, a partir do momento em que ele se torna um
herege, ele não é a cabeça ou mesmo um membro da igreja… quando ele começa a
ensinar uma doutrina que a igreja sabe ser uma falsa doutrina ele cessa de ser
papa, sendo deposto pelo próprio Deus… se ele nega qualquer dogma da igreja
sustentado por todo verdadeiro fiel, ele já não mais papa do que eu e você. Inv Rev.
James J. McGovern, Vida e Obra de Leão XIII. Chicago: Allied Printing, 1903. 241.
A fé é um requisito para ser membro da igreja; e a heresia, a negação ou dúvida de um
artigo da fé, coloca-o para fora da igreja,e o mesmo vale para o romano pontífice.

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A CRISE
Tendo início em 1959 a partir de Roncalli (João XXIII), a crise (ou ruptura) foi o CVII
(Concílio Vaticano II) que basicamente foi uma reunião entre todos os bispos católicos.
Por que chamam o concílio de ‘crise’?
Porque o efeito a longo prazo desta convocação foi uma verdadeira revolução, desde o
culto católico, que deixou de ser solene e voltado à Santíssima Trindade na língua latina,
pelo sacerdote de costas para a assembléia, e passou a ser barulhento, com palmas,
cantigas alegres, e até mesmo bandas de animação; algo absurdo, nunca antes visto em
toda a história da Santíssima Instituição divina de Nosso senhor Jesus Cristo, a igreja
católica. Os leigos nunca foram tão ignorantes quanto agora, muitos deles desconhecem os
dogmas/princípios mais básicos do catolicismo, e mesmo assim, dessacralizando o altar,
podem subir no mesmo e até fazer uma manifestação ali.
E todas estas coisas são apenas algumas das modificações que se podem ver como fruto
do CVII, pois temos outras muito mais absurdas como o ecumênismo reliogioso, o diálogo
inter-religioso, liberdade religiosa, oração compartilhada (como se o todo poderoso ficasse
contente com religiões falsas), a noção de “direitos humanos”, posicionamentos contrários á
pena de morte, e tudo o que vai de oposição ao catolicismo romano (lembre-se, professor,
que estamos falando de 1.900 anos, e a igreja nunca promulgou tanta coisa contraditória, e
é por isso que não se pode considerar que o que é pregado pelo Vaticano II, até agora, seja
católico).
Já que o papa é herético, a igreja ensinou e continua ensinando heresias, e deixou de
ser católica, então porquê tudo isso já não foi derrubado? Pelo que entendi, as portas
do inferno prevaleceram sobre ela.
Responderei de forma linear.
Depois da morte de São Pio XII, os tão temidos modernistas ficaram, e como não havia
mais papa para impedi-los de continuar disseminando sua maldita ideologia, começaram
uma eleição e “coincidentemente” o eleito foi o já antes herege, e modernista, Cardeal
Roncalli, que recém eleito convocou o CVII (e o resto você já sabe).
Na conclave de 1958 os candidatos eram Cardeal Ottaviani (tradicionalista), Cardeal
Agagianian (simpatizante modernista), Lercaro (simpatizante modernista), e Siri
(anticomunista e antimodernista assim como Ottaviani). Mesmo com São Pio XII tendo
mantido um número baixo de cardeais para evitar uma futura manipulação nas eleições e
corrupção da igreja pelo modernismo, não houve jeito, o papa morreu, e os modernistas
aumentaram (principalmente porque já não havia mais papa).
Enfim, com a entrada de mais e mais modernistas no clérigo, fora os que já tinham, era
inevitável que a corrupção iria vir e uma futura correção dos erros se tornaria algo
impossível (devido à tanta infiltração).
A igreja não deixou de ser católica, pois bispos pelo mundo todo mantém a tradição e
reconhecem que o que se tem em Roma pós concílio é uma outra coisa, menos catolicismo.
E as portas do inferno não dominaram, pois a igreja não acabou, ela continua, mesmo que
em quantidade reduzida, pregando o mesmo catolicismo de 2.000 anos.
NOTAS
Se o senhor, como vejo ser bem educado, quiser continuar o tema e discutir infalibilidade,
podemos o fazer e discutir em um tempo disponível.

Com todo o respeito e boas intenções ao senhor Paulo Airton


Marcos Aurélio

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