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Sistemas e Unidades de Saúde no Brasil

Olivia Gomes Machado


Sistemas e Unidades de Saúde no Brasil

EMENTA
• Apresentação do sistema de saúde para profissionais de exatas.
• O SUS
• O Ministério da Saúde.
• Os tipos de unidades de saúde.
• O público e o privado. Hospitais próprios e hospitais de planos de
saúde.
• Fontes de receita.
• Modelos de organograma de um hospital. Relacionamento com
profissionais da área da saúde. Sugestões de como se relacionar.
• Noções de administração hospitalar.
• O custo de um leito(enfermaria/UTI) e/ou sala cirúrgica parada.
SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE - SUS

CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988

Art.196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas


sociais e econômicas que visem a redução do risco de doença e de outros agravos e ao
acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e
recuperação. (integralidade, equalidade, universalidade)

Art.197.São de relevância pública as ações e serviços de saúde, cabendo ao Poder


Público dispor, nos termos da lei, sobre sua regulamentação , fiscalização e controle,
devendo sua execução ser feita diretamente ou através de terceiros e também, por
pessoa física ou jurídica de direito privado.

Normatizada pela Lei de Saúde 8.080,de 19 de setembro de 1990


SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE – SUS

Lei 8.080 de 19 de setembro de 1990


30 anos

• Os serviços de saúde deixam de ser restritos e centralizados e passam a


ser universais e descentralizados.
• Nova noção de saúde: prevenção de agravos e promoção à saúde, que
passa a ser relacionada à qualidade de vida da população.
• Saúde = Alimentação, lazer, moradia, educação, saneamento básico, meio
ambiente, vigilância sanitária e farmacológica, entre outros.
SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE – SUS
Princípios
Universalidade: a saúde é um direito de cidadania de todas as pessoas e
cabe ao Estado assegurar este direito, sendo que o acesso às ações e
serviços deve ser garantido a todas as pessoas, independentemente de sexo,
raça, ocupação ou outras características sociais ou pessoais.

Equidade: diminuir desigualdades. Apesar de todas as pessoas possuírem


direito aos serviços, as pessoas não são iguais e, por isso, têm necessidades
distintas. Em outras palavras, equidade significa tratar desigualmente os
desiguais, investindo mais onde a carência é maior.

Integralidade: este princípio considera as pessoas como um todo,


https://br.pinterest.com/pin/88523948915215957/
atendendo a todas as suas necessidades. Para isso, é importante a
integração de ações, incluindo a promoção da saúde, a prevenção de
doenças, o tratamento e a reabilitação. Juntamente, o princípio de
integralidade pressupõe a articulação da saúde com outras políticas
públicas, para assegurar uma atuação intersetorial entre as diferentes áreas
que tenham repercussão na saúde e qualidade de vida dos indivíduos.
SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE – SUS
Responsabilidades

Gestores co-responsáveis os três níveis de governo, com recursos para


negociação e pactuação das políticas de saúde:

União – Ministério da Saúde: Formula, normatiza, fiscaliza, monitora e


avalia políticas e ações;
Estados – Secretarias Estaduais de Saúde: Participam da formulação das
políticas e ações de saúde, presta apoio aos municípios;
Municípios – Secretarias Municipais de Saúde: Planejam, organiza,
controla, avalia e executa as ações e serviços de saúde.
SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE – SUS

Comissão Intergestores Tripartite (CIT): Foro de negociação e pactuação


entre gestores federal (MS), estadual (Conselho Nacional de Secretários
Estaduais de Saúde – CONASS) e municipal (Conselho Nacional dos
Secretários Municipais de Saúde – CONASEMS).

Comissão Intergestores Bipartite (CIB): Foro de negociação e pactuação


entre gestores estadual (Representantes da SES) e municipais (Conselho
Estadual de Secretários Municipais de Saúde COSEMS)
SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE – SUS
Organização

• Regionalização e Hierarquização
A organização ocorre em níveis crescentes de complexidade, de acordo com a área geográfica. Ainda,
os serviços são planejados de acordo com critérios epidemiológicos e populacional.
Pela regionalização, articulação entre os serviços já existentes; os serviços são unificados dentro das
regiões. Isso impacta na distribuição dos recursos. Por sua vez, a hierarquização está ligada aos níveis
de atenção (primário, secundário, terciário) , com o objetivo de garantir acesso de todos aos serviços,
de acordo com a complexidade.

• Descentralização e Comando Único


A descentralização (distribuição de responsabilidades) tem como justificativa a manutenção da
qualidade, a garantia do controle e a facilitação da fiscalização. Ela ocorre entre a União, Estado e DF e
Municípios. Ainda assim, há a manutenção da autonomia dos Entes (Comando Único).

• Participação popular
A sociedade integra a organização, com participação ativa no sistema. Assim, são criados Conselhos e
Conferências de Saúde, a fim de formular estratégias, controlar e avaliar a execução da política de saúde.
SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE – SUS
Fonte de Receita

Art. 198, §1º da CF - O sistema único de saúde será financiado, nos termos do art. 195, com recursos do
orçamento da seguridade social, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, além de outras
fontes. Ex.: CSLL (Contribuição social sobre lucro líquido).

Art. 195, §10 da CF - A lei definirá os critérios de transferência de recursos para o sistema único de saúde e ações
de assistência social da União para os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, e dos Estados para os Municípios,
observada a respectiva contrapartida de recursos.

Lei nº 8.080/90, nos artigos 31 a 38 tratam especificamente sobre financiamento da saúde. Ex.: Traz como fonte de
recursos as rendas eventuais, inclusive comerciais e industriais.

Lei nº 8.142/90 – trata das transferências intergovernamentais de recursos financeiros na área da saúde. Ex.:
Recursos para cobertura das ações de serviços de saúde serão destinados para investimento na rede de serviços e
ações de saúde.
Unidades Assistências de Saúde

Unidades
básicas de saúde
Unidade de atenção
básica de saúde

Clínicas da família
Fixo
(UPA)
Unidades Pré-
Assistenciais Urgência e hospitalar
de Saúde Emergência Móvel
(SAMU)
Hospitalar

Hospitais
Especializados

Deslocamento do indivíduo por unidades de atenções variadas, intra e extra-hospitalar, de diferentes densidades
tecnológicas e padrões assistenciais.
O paciente transita por todas essas unidades/estações de cuidado por meio dos Sistemas
de Regulação vigentes.
UNIDADES ASSISTENCIAIS DE SAÚDE
Redes de Atenção à Saúde (RAS)

2014 - MS - Redes de Atenção à Saúde (RAS): conjunto de


ações e serviços de saúde articulados em níveis de complexidade
crescente, com a finalidade de garantir a integralidade da
assistência à saúde, fortalecendo a Atenção Básica, como porta
de entrada da RAS:
1. Rede Cegonha.
2. Rede de Atenção às Urgências e Emergências (RUE).
3. Rede de Atenção Psicossocial (Raps). PORTARIA Nº 2.436, DE 21 DE
4. Rede de Cuidado à Pessoa com Deficiência SETEMBRO DE 2017
5. Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças
Aprova a Política Nacional de
Crônicas.
Atenção Básica,
estabelecendo a revisão de
Atenção Básica diretrizes para a organização da
Atenção Básica, no âmbito do
Núcleos Ampliados de Saúde da Família Sistema Único de Saúde (SUS).
Estratégia Saúde da Família - ESF
Unidades Básicas de Saúde - UBS
Consultórios de rua
PORTARIA Nº 44, DE 10 DE JANEIRO DE 2001
HOSPITAL- DIA

Definir como Regime de Hospital Dia a assistência intermediária entre a internação e o


atendimento ambulatorial, para realização de procedimentos clínicos, cirúrgicos, diagnósticos e
terapêuticos, que requeiram a permanência do paciente na Unidade por um período máximo de
12 horas.

Art. 3º Estabelecer que para a realização de procedimentos em regime de Hospital Dia as


Unidades integrantes do Sistema Único de Saúde - SUS deverão cumprir os requisitos...

Requisitos gerais e específicos, de acordo com cada modalidade de Hospital-Dia, tais como:
Psiquiatria, AIDS, Geriatria.
UNIDADES ASSISTENCIAIS DE SAÚDE
Densidades Tecnológicas: leve, leve-dura e dura

“Tecnologia dura, leve-dura e leve é como Merhy (1997) classifica as


tecnologias envolvidas no trabalho em saúde. A leve refere-se às
tecnologias de relações do tipo produção de vínculo,
autonomização, acolhimento, gestão como uma forma de
governar processos de trabalho. A leve-dura diz respeito aos
saberes bem estruturados, que operam no processo de trabalho
em saúde, como a clínica médica, a clínica psicanalítica, a
epidemiologia, o taylorismo e o fayolismo. A dura é referente ao uso
de equipamentos tecnológicos do tipo máquinas, normas e
estruturas organizacionais.”

❑ As tecnologias leves são as das relações; as leve-duras


são as dos saberes estruturados, tais como as teorias, e
as duras são as dos recursos materiais.
UNIDADES ASSISTENCIAIS DE SAÚDE
ACREDITAÇÃO

A Acreditação é um método de avaliação e certificação que busca, por meio de


padrões e requisitos previamente definidos, promover a qualidade e a segurança da
assistência no setor de saúde.

A acreditação avalia a qualidade nos serviços ofertados sob o ponto de vista de quem
aplica suas metodologias:

• Joint Commission International (JCI)


• Organização Nacional de Acreditação (ONA)
• Accreditation Canada Internacional (ACI)
• Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA)
• The International Society for Quality in Health Care (ISQUA)
ORAGANOGRAMA HOSPITALAR
ORAGANOGRAMA HOSPITALAR
Organização Físico Funcional
Atendimento Hospitalar
Apoio Logístico Apoio Técnico
• Manutenção Áreas Assistenciais • Enfermagem
• Central de materiais • Serviço médico de
esterilizados • Ambulatório diagnóstico e
• Zeladoria • Pronto atendimento tratamento
• Segurança • Unidades de internação • Serviço de nutrição e
• Higiene • Centro Cirúrgico dietética
• Lavanderia • Centro obstétrico • Serviço de fisioterapia
• Unidade de Terapia Intensiva
• Hospital dia

6. Apoio administrativo
• Administração financeira
• Administração de materiais Núcleos e Comissões
• Almoxarifado (NIR, NSP, CRO,
• Farmácia Comissões de Ética
• Administração de recursos humanos CVE,CRP, CINT)
• Administração de sistemas

Fonte: slide da Dra. Valeria Moll


Engenharia Clínica nas Unidades de Saúde

Conforme especificação do American College of Clinical Engineering (ACCE), o engenheiro


é responsável por relacionar e desenvolver os conhecimentos de Engenharia e de
gerenciamento às tecnologias da saúde, com o objetivo de melhoria nas condições e
cuidados aos pacientes.

O engenheiro clínico está presente desde a fase inicial de um projeto, este profissional cabe a
especificação, instalação, acompanhamento, utilização e manutenção de equipamentos médico-
hospitalares e do Parque Tecnológico. Ex.: Construção do laboratório para fabricação da vacina para a
COVID.

Ainda, atua no planejamento em uma Unidade de Saúde, incluindo o treinamento de outros


profissionais da área, auxiliando na aquisição de novos equipamentos, estabelecendo medidas de
segurança e de controle de qualidade no ambiente hospitalar. Ex.: Educação Permanente; Segurança do
Paciente; e Incorporação de Novas Tecnologias). Cabe também ao engenheiro clínico auxiliar nos
processos de informatização, na gestão e manutenção dos equipamentos hospitalares.

O profissional está ligado aos pacientes, aos médicos, aos enfermeiros, à administração do centro de
saúde e até mesmo às áreas mais específicas como da pesquisa clínica, e a profissionais como, por
exemplo, vendedores dos equipamentos e agentes reguladores (ANVISA).
CUSTO

https://auditasus.com.br/internacoes-

sus/custo/custo-medio-diaria-uti/custo-

medio-diaria-uti-por-especialidade
Iniciativa Privada na Saúde

Art. 199 da CF - A assistência à saúde é livre à iniciativa privada.


§ 1º. As instituições privadas poderão participar de forma complementar do sistema
único de saúde, segundo diretrizes deste, mediante contrato de direito público ou
convênio, tendo preferência as entidades filantrópicas e as sem fins lucrativos.
§ 2º. É vedada a destinação de recursos públicos para auxílios ou subvenções às
instituições privadas com fins lucrativos. PORTARIA N 1.034 DE 5 DE
§ 3º. É vedada a participação direta ou indireta de empresas ou capitais estrangeiros MAIO DE 2010.
na assistência à saúde no País, salvo nos casos previstos em lei.
Dispõe sobre a participação
§ 4º. A lei disporá sobre as condições e os requisitos que facilitem a remoção de complementar das
órgãos, tecidos e substâncias humanas para fins de transplante, pesquisa e instituições privadas com ou
tratamento, bem como a coleta, processamento e transfusão de sangue e seus sem fins lucrativos de
derivados, sendo vedado todo tipo de comercialização. assistência à saúde no âmbito
do Sistema Único de Saúde.
Iniciativa Privada na Saúde
Um hospital tem mais ou menos cerca 70% de custos fixos.

A taxa de ocupação de leitos dos hospitais associados, que entre 2017 e 2019 anos ficou acima de 75%, foi de apenas
67,7% em 2020. Esse resultado vem como consequência dos impactos da Covid-19, com redução das internações
derivadas de cirurgias e procedimentos eletivos nas demais comorbidades. (Leitos Ociosos);
Leitos bloqueados: por falta de RH ( absenteísmo) e/ou equipamentos (quebrados);

A diária hospitalar consiste na ocupação de um leito de internação por qualquer período de tempo, até no máximo de
24 horas. No valor das diárias está incluído: Utilização das camas com o enxoval; Ocupação do espaço físico;
Utilização dos móveis; Médico assistente; Atendimento de enfermagem (exceto para os procedimentos incluídos nos
serviços especiais)

A taxa de sala cirúrgica visa cobrir o custo com o espaço físico, equipamentos permanentes da sala, móveis,
esterilização, manutenção e esterilização do instrumental cirúrgico básico, não cobre os equipamentos e instrumentos
especiais.

Leitura sugerida: Nota técnica Observatório ANAHP – 5ª Edição


Faça como o velho marinheiro, que
durante o nevoeiro, leva o barco
devagar.

Paulinho da Viola

olivia.machado@gmail.com

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