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Antônio Cândido faz um passeio sobre as diferentes acepções em que a palavra

literatura é tratada por cada idioma. Em português designa uma concepção diferente da

alemã, que por sua vez é semelhante à italiana: literatura é feita com base na criação de

um estilo que é finalidade de si mesmo. A palavra literatura em alemão se refere ao

conjunto de obras sobre determinado assunto, e não significa que essas obras sejam

necessariamente obras de criação. Há outra palavra para designar as obras de ficção em

alemão: Dichter. Em português usa-se a mesma palavra, escritor, para designar aquele

que escreve e, neste sentido, tanto Antônio Cândido quanto Drummond (sic) são

escritores – embora suas escritas sejam de naturezas diferentes. Ainda em alemão, a

palavra Dichter significa Poesia, fazendo crer que a distinção de “literatura” e Poesia

estão evidentes nesta língua. A palavra alemã Poesia engloba também a prosa, então seu

significado aproxima-se da acepção de Poesia dos gregos – “categoria privilegiada de

criação espiritual”. Não há distinção entre poesia e prosa, pois ambos se relacionam ao

conceito geral de literatura. Daí Antônio Cândido infere eminência do conceito de

poesia como suprema atividade criadora da palavra, cujo o trato

“apresenta certas dificuldades especiais, porque no universo prosaico o meio


de expressão nos parece mais próximo da linguagem quotidiana, e nós nos
familiarizamos mais rapidamente com ele [...] Por isso a atividade poética é
revestida de um caráter superior dentro da literatura, e a poesia é como a
pedra de toque para avaliarmos a importância e a capacidade criadora desta”.
(CÂNDIDO, 1996)

A poesia está, portanto, contida na prosa, já que não se confunde necessariamente

com o verso. A poesia é atividade criadora da palavra, e por assim dizer, pode haver

poesia em prosa e poesia metrificada ou em verso livre. Este último tem nome que lhe

distingue, poema. O curso de A.C. visa expor como a poesia se manifesta no poema,

com método analítico e não interpretativo. A interpretação do poema consiste na

consequência da análise, “partindo empiricamente de suas manifestações concretas”. A


análise-comentário é um preâmbulo, cuja necessidade varia conforme o tipo de poesia e

os problemas apresentados por cada poema:

O comentário é essencialmente o esclarecimento objetivo dos elementos


necessários ao entendimento adequado do poema [...] O verdadeiro fomentador
experimenta previamente todo o encanto do poema, para em seguida aplicar-
lhe os instrumentos de análise (CÂNDIDO, p.)

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