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A alegria da comunhão

1 Alegrei-me quando me disseram: Vamos à Casa do SENHOR. 2 Pararam os


nossos pés junto às tuas portas, ó Jerusalém! 3 Jerusalém, que estás construída
como cidade compacta, 4 para onde sobem as tribos, as tribos do SENHOR, como
convém a Israel, para renderem graças ao nome do SENHOR. 5 Lá estão os tronos
de justiça, os tronos da casa de Davi. 6 Orai pela paz de Jerusalém! Sejam
prósperos os que te amam. 7 Reine paz dentro de teus muros e prosperidade nos
teus palácios. 8 Por amor dos meus irmãos e amigos, eu peço: haja paz em ti! 9
Por amor da Casa do SENHOR, nosso Deus, buscarei o teu bem.

Kevin DeYoung criou uma palavra interessante, para não dizer apavorante, para
descrever a atual tendência que existe na igreja: decorporação. Todos nós
conhecemos o significado de decapitação – cortar fora a cabeça. Bem,
decorporação dá ênfase ao outro lado da equação – retirar o corpo da cabeça.
DeYoung usa esta palavra para descrever os crentes professos que alegam
pertencer à cabeça – Cristo – ao mesmo tempo que rejeitam, ou, no mínimo,
negligenciam em alto grau o corpo – a igreja.

Essas pessoas alegam ser seguidores de Cristo, mas não veem necessidade de
procurar, cultivar ou manter qualquer conexão ou envolvimento em alguma igreja
local. Podemos descrever seu nível de comprometimento unicamente como
casual. Acredito que você conheça algumas pessoas que se enquadram nessa
categoria. Qual a razão desta crescente tendência?

Essa é uma Boa pergunta. Pessoalmente, creio que uma grande parte do
problema esteja na crescente superficialidade da nossa sociedade, o que acabou
afetando a igreja. Essa falta de profundidade é resultado de vários fatores – não
teríamos como citar todos aqui, mas posso pelo menos dar-lhe um exemplo.

Para começar, nossa sociedade é fascinada por tecnologia. Começou com a


televisão, floresceu com o computador, desenvolveu-se rapidamente com a
internet, e explodiu com a comunicação sem fio. Não me entenda mal – não
estou dizendo que haja qualquer coisa errada per se com qualquer dessas coisas.
Na maioria das vezes, a tecnologia é moralmente neutra; ela pode ser boa ou
ruim dependendo de como é usada. O problema é que hoje a maioria das pessoas
está conectada 24/7.

Em decorrência disso, lentamente estão se desengajando do mundo real e usando


a tecnologia de tal forma que estão fisicamente presentes, mas mentalmente
ausentes. A maioria das pessoas aceita, sem nem mesmo questionar, a ideia de
que estamos progredindo. A encantadora velocidade da inovação tecnológica nos
últimos anos contribuiu em grande parte para essa percepção, porque as pessoas
tendem a considerar a tecnologia e o progresso como sendo a mesma coisa.

Isso tem servido para reforçar a convicção de nossa sociedade de que estávamos
presos à tradição e à superstição no passado, em uma era vagamente definida
como Idade das Trevas, mas agora estamos vendo a luz. Por essa razão, a maioria
das pessoas não se vê como administradores do passado. E por que deveriam,
quando não pensam que o passado possa oferecer qualquer coisa digna de
proteção ou preservação? Seu interesse limita-se ao próximo upgrade. Essa
tendência resultou numa medida histórica de desconexão. Nossa sociedade
também aprecia a igualdade. “Somos todos iguais.” Essa é uma frase sugestiva e
com certeza é o mantra de muita gente. Mas o que pretendemos dizer com ela?
Se queremos dizer que somos todos iguais em dignidade ou valor à vista de Deus,
então esta frase diz a verdade; mas, se queremos dizer que somos todos iguais
em dons naturais, habilidades e capacidades, então a frase está errada. Mas o
significado mais comum é este último, e isso tem contribuído para uma crescente
cultura dos direitos. Algumas pessoas pensam que têm direito àquilo que os
outros possuem. Alguns pensam que têm direito a certo salário, posição, ou modo
de vida. Ainda outros pensam que têm direito de asseverar a respeito de qualquer
assunto que seja – afinal, sua opinião é tão justa e válida e valiosa quanto a de
qualquer outra pessoa, sem levar em consideração sua aptidão acadêmica ou
capacidade intelectual.

Anthony Selvaggio resume esse crescente senso de direitos da seguinte maneira:


“Estamos criando uma geração de crianças que tem sido enganada pela mentira
de que todos nós merecemos um troféu”. Por último, nossa sociedade é devotada
à prosperidade. Muita gente hoje considera o consumismo como se fosse uma
virtude moral. Nós conversamos a respeito do índice do consumidor, que mede a
confiança do consumidor. Essa paixão cega por comprar e acumular indica um
sistema de valores seriamente pervertido. Como Carl Trueman corretamente
explica: “O consumismo se baseia na ideia de que a vida pode ser satisfatória ao
adquir-se no futuro alguma coisa que a pessoa não tem no presente”. Isso
significa que nossa sociedade dirigida em função do consumidor é edificada sobre
a noção de que a chave para a felicidade se encontra na aquisição do próximo
produto – seja lá o que for. O mundo da propaganda existe para nos convencer do
seguinte: “As coisas que temos agora não são suficiente para nossa felicidade”.

A questão da necessidade não entra nunca na equação. O sistema todo se baseia


na ambição – e numa noção distorcida de contentamento. Juntamente com
outros fatores, essas forças culturais estão produzindo uma superficialidade cada
vez mais ampla. Agora, não devemos esquecer o seguinte: como povo de Deus
não deixamos de sofrer estas influências culturais. Seremos extremamente
ingênuos se pensarmos de outra forma. Nosso caso de amor com a tecnologia,
novidade, igualdade e prosperidade modela, agora, muito do evangelicalismo
moderno. Damos maior importância à representação do que à realidade,
preferimos as imagens às palavras, gostamos mais da emoção do que da reflexão.
Estamos enamorados com a técnica, razão por que a mensagem e a música se
tornaram parte de uma apresentação, um pacote, um produto. O alvo principal
desse produto é atrair a maior audiência possível. Em decorrência disso, a
audiência (atrevo-me a dizer o consumidor) se tornou soberana.

Eu acredito que essa mudança dramática em nossa maneira de pensar é em


parte responsável pela atual tendência de decorporação. Muitos de nós
consideram a igreja como um produto. Nosso compromisso para com qualquer
produto só se estende até onde o vemos como proveitoso para nós mesmos.
Assim, aproximamo-nos da igreja com sistemas mentais preconceituosos,
tomando por certo que ela existe em função do nosso bem-estar – para satisfazer
nossas necessidades e satisfazer nossas exigências. Quando ela não faz isso, nós
simplesmente vamos embora. Se, de alguma forma, quisermos reverter esta
tendência, precisamos reavaliar nossa maneira de lidar com as forças culturais
mencionadas acima. (Este tópico está muito além do alvo deste capítulo.)
De igual importância, precisamos redescobrir a centralidade da igreja no plano
eterno de Deus. E isso nos conduz ao Salmo 122. Aqui, Davi enlouquece à vista da
cidade de Jerusalém – quase literalmente. O salmo parece uma carta de amor –
uma troca íntima de informações entre marido e mulher, como Davi expressa seu
sincero amor, estima e desejo por Jerusalém. O amor de Davi por Jerusalém (v. 1)
“Alegrei-me quando me disseram: Vamos à Casa do SENHOR.”

Quando Davi escreveu estas palavras, o templo ainda não existia. Ele só foi
construído nos dias de seu filho Salomão. Assim, a que Davi se refere, então,
quando fala da “Casa do SENHOR”? Ele se refere à tenda que erigiu em Jerusalém
para abrigar a Arca da Aliança (1Cr 16.1). Essa tenda era a morada de Deus entre
seu povo. Davi expressa sua alegria à medida que antecipa sua visita a esse lugar.
Ela é o objeto do seu desejo – ele se alegra na expectativa de estar ali. Esse
também é o objeto do seu contentamento – ele gosta de estar ali. Ele sonha com
isso, canta a respeito disso, e (obviamente) faz poesias a esse respeito. Para Davi,
Jerusalém é o lugar onde Deus coloca seu nome – o lugar em que ele faz sua
morada (Dt 12.5). Naturalmente, ele anela estar onde Deus é glorificado e
magnificado.

A consideração de Davi para com Jerusalém (v. 2-5) “Pararam os nossos pés junto
às tuas portas, ó Jerusalém!” Podemos ver Davi parado no centro da cidade,
contemplando seus muros, torres e fortificações. À medida que absorve tudo isso,
ele fica maravilhado. Por quê? O que é que prende a sua atenção? Em primeiro
lugar, Jerusalém é o centro religioso da nação: “Jerusalém, que estás construída
como cidade compacta, para onde sobem as tribos, as tribos do SENHOR, como
convém a Israel, para renderem graças ao nome do SENHOR” (v. 3-4). O ponto de
Davi é que Deus indicou Jerusalém como o lugar onde os sacerdotes deveriam
ministrar e onde o povo se reuniria para adorar. Em segundo lugar, Jerusalém é o
centro político da nação: “Lá estão os tronos de justiça, os tronos da casa de Davi”
(v. 5). Aqui, Davi celebra o fato que Deus indicou Jerusalém como o lugar onde os
reis haveriam de reinar e o povo se reuniria para o juízo. Esses dois ofícios –
sacerdote e rei – estão unidos em Jerusalém. Essa é a principal causa do
entusiasmo de Davi. Ele não apenas estima a cidade por sua rica história, sua bela
arquitetura, seus jardins esplêndidos, ou sua requintada cultura, mas pelo lugar
que ela ocupa no plano de Deus. Para expressar isso de forma bem simples: Davi
estima Jerusalém pelo fato de Deus estimá-la. O anelo de Davi por Jerusalém (v.
6-9) “Orai pela paz de Jerusalém! Sejam prósperos os que te amam. Reine paz
dentro de teus muros e prosperidade nos teus palácios. Por amor dos meus
irmãos e amigos, eu peço: haja paz em ti! Por amor da Casa do SENHOR, nosso
Deus, buscarei o teu bem.”

Davi ora em favor da paz e da segurança de Jerusalém. Isso, sem dúvida, inclui
estabilidade política e prosperidade econômica. Mas, antes de tudo, Davi deseja
que os habitantes de Jerusalém desfrutem da plena bênção da presença de Deus
entre eles – shalom. Ele emprega seu tempo, esforço, força, recursos e
capacidades para alcançar isto. Por quê? Ele apresenta duas razões: primeiro, ele
busca o bem de Jerusalém em consideração para com seus “irmãos e amigos”;
segundo, ele busca o bem de Jerusalém em consideração pela “Casa do SENHOR”.
Em outras palavras, sua motivação é o amor pelo povo de Deus e pela glória de
Deus. Esses dois fatores inspiram a fervorosa oração e o diligente serviço de Davi.
Conclusão

É bem verdade que poderíamos gastar muito mais tempo estudando alguns
detalhes deste salmo, mas acredito que conseguimos entender o seu significado.
A questão, agora, é a seguinte: O que tudo isso tem a ver conosco? Afinal, o zelo
de Davi pela “Casa do SENHOR” (como fica tão evidente neste salmo) parece
totalmente distante da nossa experiência. Para transpormos as diferenças entre
Davi e nós, precisamos reconhecer que o primeiro advento de Cristo assinalou
uma mudança dramática no plano da redenção de Deus; acabou-se a era de
preparação e chegou a era do cumprimento. Veja a dica de viagem n.o 2. Como
declaramos na introdução deste livro, o tema do Antigo Testamento é Cristo e seu
reino. No início do seu ministério público, Cristo afirmou: “O tempo está
cumprido, e o reino de Deus está próximo” (Mc 1.15). Na época dos patriarcas,
este reino foi prometido; na época dos juízes, ele foi prefigurado; na época dos
reis, ele foi apresentado em pré-estreia; e na época dos profetas, ele foi
profetizado. O Antigo Testamento em sua inteireza – como revelação progressiva
de Deus – aponta para Cristo e seu reino e faz as preparações necessárias para
sua manifestação. A implicação é que todos os eventos, rituais, tradições e
cerimônias do Antigo Testamento formam uma sombra, a qual fez preparação
para o corpo: Cristo (Cl 2.17). A sombra de alguém pode nos dar informações a
respeito do seu tamanho e altura e dar algumas indicações a respeito do tamanho
do seu cabelo e nariz. Ela pode mesmo mostrar o que a pessoa está vestindo –
shorts ou calças compridas, sapatos ou botas, etc. Mas é só isso. Se quisermos
saber qual é o verdadeiro aspecto dessa pessoa, precisamos ver-lhe a própria
face. Dessa mesma forma, o Antigo Testamento não é mais do que a sombra de
Cristo. Essa sombra inclui, entre outras coisas, a tenda terrena, o tabernáculo, e o
templo – aquilo que Davi chama de “a Casa do SENHOR”. Cristo, por outro lado, é
o corpo –“o verdadeiro tabernáculo” (Hb 8.2). Ele não é verdadeiro em oposição a
alguma coisa que seja falsa, mas verdadeiro em oposição ao que é típico,
simbólico. Assim como Deus habitou no tabernáculo terreno (Êx 29.45), ele agora
habita no tabernáculo verdadeiro (Cl 2.9). Assim como Deus manifestou sua glória
no tabernáculo terreno (Êx 40.34), ele agora manifesta sua glória no tabernáculo
verdadeiro (Jo 1.14). Quando Cristo subiu ao monte, ele foi “transfigurado” diante
de Pedro, Tiago e João (Mc 9.2). A palavra grega traduzida aqui como
transfigurado é a mesma palavra portuguesa metamorfose – uma mudança na
forma. Nós a usamos quando nos referimos a insetos e anfíbios que começam a
vida como larvas e depois se transformam em algo diferente. O exemplo mais
claro é a lagarta, que sofre metamorfose, transformando-se, assim, numa
borboleta. No monte, Cristo sofre uma transformação. Ele não é mudado em sua
essência nem são mudadas as características do seu corpo. Ele é mudado no
sentido que sua glória divina se torna visível. Deus habita em luz inacessível – a
resplendente glória da sua santidade (1Tm 6.16). Esta luz brilha através do véu da
humanidade de Cristo no momento da sua transfiguração. É por isso que, anos
depois, Pedro proclama: “nós mesmos fomos testemunhas oculares da sua
majestade” (2Pe 1.16). Além da luz, uma nuvem brilhante envolve a montanha. É
a (habitação da) glória da Shekinah. Por ocasião do Êxodo, Deus desceu numa
nuvem para guiar os israelitas até Canaã. A nuvem era uma manifestação visível
da sua habitação no meio deles. Mais tarde, ele desceu numa nuvem para encher
o Santo dos Santos no tabernáculo e no templo, que era, então, um tabernáculo
terreno. Outra vez, a nuvem era uma manifestação visível da habitação entre
eles. Agora, a nuvem envolve Cristo porque “nele, habita, corporalmente, toda a
plenitude da Divindade” (Cl 2.9). Cristo é o corpo – o tabernáculo verdadeiro – e,
por isso, o cumprimento da promessa de Deus de habitar entre o seu povo. Além
disso, aqui está uma verdade igualmente maravilhosa: Quando o Espírito Santo
nos une a Cristo, tornamo-nos “santuário dedicado ao Senhor... para habitação de
Deus no Espírito” (Ef 2.21-22). Ou seja, Deus faz de nós a sua habitação por meio
da nossa união com Cristo. Esse sempre foi o seu plano. Existe uma união eterna,
por meio da qual Deus o Pai estabelece seu amor sobre seu povo antes da
fundação do mundo. Existe, também, uma união histórica, por meio da qual Deus
o Filho se tornou um com o povo de Deus em sua humanidade, cumprindo as
exigências da lei por meio da sua vida substitutiva e satisfazendo a penalidade da
lei por meio da sua morte substitutiva. E existe uma união mística, por meio da
qual Deus o Espírito une a Cristo o povo de Deus. Em virtude desta união, tudo o
que Cristo comprou para eles é a eles creditado. Pelo fato de estarmos unidos a
Cristo, estamos unidos uns com os outros, ou seja, somos a igreja – o corpo e a
noiva de Cristo. Você consegue ver aonde quero chegar com isso? Agora, leia
novamente o Salmo 122 com as lentes de Cristo e de sua igreja. Como Davi,
podemos contemplar maravilhados a “Casa do SENHOR” (v. 1-2). Contemplamos
os ofícios de sacerdote e rei juntos em Cristo (v. 3-5). Calvino diz: “Toda a nossa
salvação depende destes dois pontos: primeiro, que Cristo nos foi dado para ser
nosso sacerdote; e, segundo, que ele foi estabelecido como rei para nos
governar”.17 Como Davi, nossa oração em favor da igreja é que ela tenha
abundante “paz”– o conhecimento de Deus conosco, por nós e em nós (v. 6-7).
Como Davi, somos zelosos pela “Casa do SENHOR”, movidos por nosso amor pelo
povo de Deus e pelo prazer na glória de Deus (v. 8-9). Esta igreja se encontra no
centro do plano eterno de Deus. O Pai colocou seu amor sobre ela e a
predestinou para a glória. O Filho assumiu forma humana por causa dela; ele
suportou aflição e rejeição por ela; ele chorou, sangrou, suplicou e morreu em
favor dela; ele a comprou com seu próprio sangue. Como o expressa de forma tão
eloquente o hino de Samuel Stone: O único fundamento da igreja é Jesus Cristo,
seu Senhor; Ela é sua nova criação, pelo Espírito e pela Palavra: Do céu ele veio e
a procurou para ser sua santa noiva, Com seu próprio sangue ele a comprou, e
pela vida dela ele morreu.18 Quando vemos a igreja deste ponto de vista, logo
percebemos que é impossível separar a cabeça do corpo, a decorporação. Estar
unido com Cristo é estar unido com a igreja. Estar em comunhão com Cristo é
estar em comunhão com a igreja. Estar comprometido com Cristo é estar
comprometido com a igreja. Respeitar a Cristo é respeitar a igreja. Amar a Cristo é
amar a igreja. A igreja não é um produto. Ela não existe para satisfazer nossos
caprichos. Ela existe para a glória do Deus Trino. Em momento nenhum, alego que
a igreja seja perfeita – eu sei que ela se encontra infestada de um excesso de
problemas. Se você já gastou pelo menos um pouco de tempo em alguma igreja
local, você sabe isso em primeira mão. Essa realidade pode ser desanimadora e
intimidante. Quando Dorothy e seus amigos finalmente chegam à Cidade das
Esmeraldas, em O Mágico de Oz, o mágico mostra-se como uma cabeça
gigantesca feita de fogo e fumaça. Sua voz ressoa em seus ouvidos. Mas Totó (o
cachorro de Dorothy) afasta uma cortina para mostrar um velhinho de aparência
desprezível, falando num microfone. Ele está movendo alavancas e pressionando
botões, que produzem a imponente “imagem” do mágico. Ele vê Dorothy e os
outros olhando para ele, e rapidamente fala no microfone: “Não prestem atenção
no homem por trás da cortina!” Mas é tarde demais. O encanto foi quebrado.
Muitas vezes, é isso o que acontece na igreja. Nós temos certas expectativas a
respeito da maneira como as coisas deveriam ser na igreja. De repente, abre-se a
cortina, e vemos o que de fato está ali. A tentação que nos ocorre é tornarmo-nos
cínicos. Mas precisamos lembrar que esse ajuntamento imperfeito de pecadores
justificados é uma expressão local do corpo de Cristo, “a arena do amor
cristão”.19 Será que percebemos o que estamos fazendo quando negligenciamos
a igreja? Temo que muitos de nós não consigam ver isso. Em suma, é isto: a
maneira como tratamos a igreja é a maneira que tratamos a Cristo. Será que me
atrevo a dizer? Atrevo-me, sim. Aquilo que pensamos a respeito da igreja é, na
verdade, o que pensamos a respeito de Cristo. Os dois são inseparáveis: a cabeça
e o corpo. Cristo ama a sua noiva. Ele casou com a igreja, tornando-se uma só
carne com ela. Agora, ele a alimenta e a purifica; ele derrama dons maravilhosos
e bênçãos sobre ela; ele a guia e protege; e ele anela pelo dia em que vai
apresentá-la em esplendor – imaculada diante dele. À medida que viajamos para
casa, precisamos entender o lugar da igreja no plano eterno de Deus, e
precisamos empenhar-nos em amá-la, respeitá-la e estar com ela.

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