Você está na página 1de 5

Polinizadores e visitantes florais de Lantana camara L.

(Verbenaceae)
ocorrente no Campus Universidade do Estado de Mato Grosso, Tangará da
Serra – MT.

1. Introdução
O transporte dos grãos de pólen da antera até o estigma das flores das
angiospermas é denominado polinização, este transporte se efetua através de
diversos agentes, como vento (anemofilia), insetos (entomofilia), pássaros
(ornitofilia), entre outros (Raven, Evert e Eichhorn, 2001).
Lantana camara L. (Verbenaceae), originária das Antilhas até o Brasil é uma
espécie arbustiva perene que atinge de 0,50 – 2,0 metros de altura, (Lorenzi e
Souza, 2001) seus ramos são eretos ou reclinados formando touceiras bem
delimitadas com folhas pilosas e ásperas (Barrros, Rico-Gray e Díaz-Castelazo,
2001). Apresenta inflorescências densas, com flores pequenas e mutáveis, podendo
ser amarelas, brancas, alaranjadas, púrpuras ou róseas que florescem praticamente
durante o ano todo, sendo que a frutificação também é contínua (Lorenzi e Souza,
2001).
Lantana camara é uma espécie entomófila, apresentando flores com cores
vivas, antese diurna, abundância de néctar, corola tubular e ereta estreita com
estames inclusos e odor agradável (Abreu e Vieira, 2004).
Quando cultivada, suas centenas de variedades, que podem pertencer à
espécie L. camara ou se tratarem de híbridos entre L. camara e L. montevidensis,
constituem-se plantas ornamentais vistosas adequadas para formação de maciços e
para bordaduras ao longo de muretas, paredes, muros e grades a pleno sol, sendo
que a espécie é muito resistente a podas e geadas (Lorenzi e Souza, 2001).
Este trabalho teve como objetivo registrar os potenciais polinizadores e
visitantes florais de Lantana camara L. na Universidade do Estado de Mato Grosso,
Campus de Tangará da Serra – MT.
2. Materiais e Métodos
O presente estudo foi realizado num canteiro de flores de 6 metros e 40
centímetros de diâmetro que continha indivíduos de Lantana camara L., localizado
na Universidade do Estado de Mato Grosso, UNEMAT, Campus de Tangará da
Serra.
A área de estudo se encontra no município de Tangará da Serra (14º 04' S e
57º 03' W) no estado de Mato Grosso, apresenta altitude média de 423 m e
caracteriza–se por apresentar clima tropical chuvoso quente e úmido, com dois
períodos bem definidos: chuvas entre setembro e abril, e estiagem entre maio e
agosto. A precipitação média anual é de 1.750 mm, ocorrendo maior precipitação no
período de janeiro a março e estiagem de junho a setembro, apresenta temperatura
média anual de 24°C, umidade relativa do ar com média de 80%. Os solos da região
são representados por areias quartzosas e pela classe de latossolo roxo, latossolo
vermelho e vermelho amarelo em sua maioria (Ferreira, 2001).
Para registrar os potenciais polinizadores e visitantes florais foram realizadas
8 horas de observaçãoes visuais diretas (Teixeira e Machado, 2000), no qual os
observadores ficaram posicionados próximos aos indivíduos de L. camara L.,
geralmente das 7:00 h ás 11:00 h e das 13:00 h ás 17:00 h, com intervalos de 30
minutos (Almeida e Alves, 2000; Fonseca, Almeida e Alves, 2008), onde foram
registrados a espécie visitante, permanência na flor e possibilidade de contato com
os órgãos reprodutivos das flores.
O conhecimento prévio de algumas espécies permitiu uma rápida
identificação. Porém nas eventuais dúvidas os espécimes foram capturados com o
auxílio de um puçá e conservados em álcool 70% para posterior identificação no
Laboratório de Zoologia do CPEDA (Centro de Pesquisa, Estudos em
Desenvolvimento Agroambientais).

3. Resultados e Discussão
Foram registrados 14 espécies de invertebrados e 2 de vertebrados visitando
as flores de Lantana camara (Tabela 1 e 2 ). As quatro espécies de Lepidoptera
apresentaram o maior número de indivíduos, realizando visitas legítimas, contatando
os estames e estigma das flores com a espirotromba, sendo, portanto consideradas
polinizadoras. Enquanto as duas espécies de Passariformes, e o Bombidae também
realizaram visitas legítimas, porém, foram menos frequentes e observados poucas
vezes.
As visitas foram rápidas, durando poucos segundos, sugerindo a possibilidade
de que o pólen era transportado nas imediações do bico. Tanto os lepidópteros com
os beija-flores percorriam muitas flores de uma mesma inflorescência e visitavam
mais de uma vez as mesmas flores.
A estrutura da inflorescência (pétalas, corola tubular) de L. camara oferece
campo de pouso aos lepidópteros, o que facilita a coleta de néctar.
As outras espécies de invertebrados foram considerados visitantes florais,
pois voaram ao redor da flor e quando pousaram não entraram em contato com o
estigma e antera das flores.

Tabela 1. Visitantes florais de Lantana camara observados no período Matutino.


Visitantes Horário
7:00-7:30 8:00-8:30 9:00-9:30 10:00-10:30
Diptera sp 1 X
Passeriformes sp 1 X
Passeriformes sp 2
Hymenoptera sp 1 X X
Hymenoptera sp 2 X
Hymenoptera sp 3 X
Diptera- Muscidae X
Hemíptera X
Lepidoptera sp 1 X X X
Lepidoptera sp 2 X X X X
Lepidoptera sp 3 X
Lepidoptera sp 4 X X
Mantidae
Coleoptera sp1
Coleoptera sp2 X
Bombidae X

Tabela 2. Visitantes florais de Lantana camara observados no período Vespertino.


Visitantes Horário
13:00-13:13 13:30-14:00 14:30-15:00 15:30-16:00 16:30-17:00
Diptera sp 1 X X
Passeriformes sp1
Passeriformes sp2 X
Hymenoptera sp 1
Hymenoptera sp 2 X
Hymenoptera sp 3
Diptera- Muscidae X X
Hemiptera X X
Lepidoptera sp 1 X X X X X
Lepidoptera sp 2 X X X X X
Lepidoptera sp 3 X
Lepidoptera sp 4 X X X X X
Mantidae X
Coleoptera sp1 X
Coleoptera sp2
Bombidae X

No período Matutino o maior número de visitas ocorreu no horário compreendido


entre ás 7:00-7:30, onde foram observadas nove espécies, algumas eram polinizadoras e
outras visitantes florais. Já no período Vespertino forma observados mais espécies das
13:30-14:00.
Os Passeriformes foram observados polinizando as flores de L. camara
Algumas vezes as observações foram interrompidas porque começou a
chover, sendo reiniciadas após a chuva.

6. Referências Bibliográficas
Abreu CRM e Vieira MF. 2004. Os beija-flores e seus recursos florais em um
fragmento florestal de Viçosa, sudeste brasileiro. Lundiana, 5: 129-134.
http:
Acesso em:

Almeida EM e Alves MAS. 2000. Fenologia de Psychotria nuda e P. brasiliensis


(Rubiaceae) em uma área de Floresta Atlântica no Sudeste do Brasil. Acta Botanica
Brasilica, 14: p. 335-346.

Barros MG, Rico-Gray V e Díaz-Castelazo C. 2001. Sincronia de floração entre


Lantana Camara L. (Verbenaceae) e Psittacanthus Calyculatus (DC.) G. DON
(Loranthaceae) ocorrentes nas Dunas de La Mancha, Veracruz, México. Acta
Botanica Mexicana, 57: 1-14.
http:
Acesso em:

Ferreira JCV. 2001. Mato Grosso e seus municípios. Cuiabá: Secretaria de Estado
da Educação. p. 633-634.

Fonseca LCN, Almeida EM e Alves MAS. 2008. Fenologia, morfologia floral e


visitantes de Psychotria brachypoda (Mull. Arg.) Britton (Rubiaceae) em uma área de
Floresta Atlântica, Sudeste do Brasil. Acta Botanica Brasilica, 22: 63-69.

Lorenzi H e Souza HM. 2001. Plantas ornamentais no Brasil: arbustivas, herbáceas


e trepadeiras. São Paulo: Instituto Plantarum, p. 1047.

Raven PH, Evert RF e Eichhorn SE. 2001. Evolução das Angiospermas. In: Biologia
Vegetal. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, p. 497-527.

Teixeira LAG e Machado IC. 2000. Sistema de polinização e reprodução de


Byrsonima sericea DC (Malpighiaceae). Acta Botanica Brasilica, 14: 347-357.