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Nº98 | maio 2017

www.portugalglobal.pt

Portugalglobal

EXPORTAÇÕES
DE CERÂMICA E CRISTALARIA
COM FORTE CRESCIMENTO

ENTREVISTA // JOSÉ LUÍS SEQUEIRA - PRESIDENTE DA APICER


MERCADOS // FRANÇA
EMPRESAS // AFINOMAQ, TRISCA E WYGROUP
sumário
Portugalglobal nº98
maio 2017

Destaque [6] 6
Cerâmica e cristalaria portuguesas: exportações em
forte crescimento.

Entrevista [24]
José Luís Sequeira, presidente da APICER – Associação
Portuguesa da Indústria de Cerâmica e de Cristalaria.

Mercados [30] 24
Mercado de França em análise, com artigos da CCIFP e
da CCILF, e testemunhos das empresas Móveis Carlos
Alfredo, Delta, Frulact, Agriberia, CGD, Mecachrome,
Lauak e PSI Portugal.

Empresas [52]
AFINOMAQ, TRISCA e WYgroup.

Informação AICEP [58] 30


Factos & Tendências, pela Direção de Informação
da AICEP.

Notícias AICEP [60]

Análise de risco por país – COSEC [62]


Veja também a tabela classificativa de países.

52
Estatísticas [65]
Investimento e comércio externo.

AICEP Rede Externa [68]

Bookmarks [70]
4 EDITORIAL Portugalglobal nº98

Cerâmica e Cristalaria
Design e inovação “exportam”
em setores tradicionais

Antes de entrarmos no tema desta edição, que tem registado um aumento bastante
gostaria de destacar dois acontecimentos que significativo das exportações nos últimos anos.
tiveram um impacto muito positivo na imagem
de Portugal e que nos deixam, sem dúvida, A par da aposta no design e na inovação,
coletivamente felizes: a visita do Papa Francisco e a fatores decisivos para o aparecimento de
vitória no Festival da Eurovisão. Tivemos a Europa novos produtos de superior qualidade e
e o Mundo com os olhos postos em nós e isso para a modernização de outros, as empresas
vem dar uma ótima ajuda à AICEP na sua missão portuguesas devem também apostar em novos
de promover o nosso país a nível internacional. mercados e assim diversificar o destino das
suas exportações, sem descurar os mercados
Já a revista da AICEP analisa neste número ditos tradicionais, igualmente importantes.
a Cerâmica e Cristalaria portuguesa e a
importância do mercado francês para Portugal
Foi esse o motivo que nos levou a tratar o mercado
e para as empresas portuguesas.
francês neste número da Portugalglobal.

Caracterizada pela crescente aposta no design


Rui Paulo Almas, delegado da AICEP em França,
e na inovação, a indústria portuguesa da
Laurent Marionnet da Câmara de Comércio e da
cerâmica e cristalaria apresenta produtos de
Indústria Luso-Francesa, e Carlos Vinhas Pereira
alta qualidade e apraz-me testemunhar que a
da Câmara de Comércio e Indústria Franco-
diferenciação e o preço assumem vantagens
Portuguesa fazem uma apreciação detalhada
competitivas nos mercados externos. Como
ao mercado, realçando as potencialidades do
refere, em entrevista, o presidente da APICER,
José Luís Sequeira, o setor da cerâmica e da relacionamento económico bilateral. Também
cristalaria portuguesas distingue-se cada vez um conjunto de empresas dá o seu contributo
mais a nível internacional, sendo reconhecido sobre as respetivas experiências, tanto em
pelas excelentes capacidades tecnológicas, pela Portugal como em França.
qualidade e diversidade dos produtos e pela
crescente aposta na inovação e criatividade. Por tudo isto, convido a fazerem uma leitura
Portugal ocupa uma posição de relevo no atenta a este número da revista.
ranking das exportações mundiais de cerâmica
LUÍS CASTRO HENRIQUES
e cristalaria (14ª posição), sendo uma indústria Presidente do Conselho de Administração da AICEP

Revista Portugalglobal Conselho de Administração Fotografia e ilustração Colaboram neste número


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6 DESTAQUE Portugalglobal nº98

CERÂMICA E CRISTALARIA PORTUGUESAS


UM SETOR ALTAMENTE EXPORTADOR
Com Portugal a ocupar a 14ª posição no ranking das exportações mundiais
de cerâmica e cristalaria, esta indústria tem registado um aumento bastante
significativo das suas exportações nos últimos anos. Os principais mercados
de exportação deste setor são França, Espanha, Estados Unidos da América,
Alemanha, Reino Unido e Holanda.
maio 2017 DESTAQUE 7

A indústria portuguesa da cerâmi- valor das exportações da cristalaria os guesa, uma vez que se cifrou em 573
ca e cristalaria caracteriza-se pela 81,5 milhões de euros, aumentando milhões de euros e a taxa de cobertu-
antiguidade, tradição e fabrico ar- 12,1 por cento. ra das importações pelas exportações
tesanal. Inicialmente teve como ob- ascendeu a 547 por cento. Este foi
jetivo satisfazer as necessidades do O bom desempenho das exportações o terceiro melhor desempenho em
setor da construção. Contudo, com da cerâmica refletiu-se na contribui- termos globais e o sétimo melhor
a evolução tecnológica e o desen- ção para a balança comercial portu- desempenho em termos do saldo de
volvimento das funcionalidades da comércio internacional.
cerâmica e da cristalaria foi possível
identificar um potencial de aplicabi- “Caracterizada pela Por sua vez, o saldo da balança co-
lidade noutros setores de atividade crescente aposta no mercial da cristalaria foi de 40 milhões
industrial. de euros e a taxa de cobertura das im-
design e na inovação,
portações pelas exportações ascendeu
esta indústria apresenta aos 196 por cento.
Caracterizada pela crescente aposta
no design e na inovação, esta indús-
constantemente
tria apresenta constantemente pro- produtos de alta No ano passado, a cerâmica por-
dutos de alta qualidade. Assim, assu- qualidade. Assim, tuguesa chegou a cerca de 163
mercados internacionais, sendo os
me como vantagem competitiva nos assume como vantagem
mercados externos a diferenciação e o principais destinos França, Espanha,
competitiva nos Estados Unidos da América, Alema-
preço dos seus produtos.
mercados externos a nha e Reino Unido. Em relação à
A função e as especificidades de cada diferenciação e o preço cristalaria, os produtos portugueses
produto cerâmico permitem a sua ca- dos seus produtos.” chegaram a 118 mercados interna-
racterização num dos subsetores da cionais, principalmente a Espanha,
cerâmica, tais como a cerâmica estru-
tural, a cerâmica de pavimentos e re-
vestimentos, a cerâmica de louça sani- APICER LANÇA LIVRO
tária, a cerâmica utilitária e decorativa SOBRE CERÂMICA PORTUGUESA
e as cerâmicas especiais. Por sua vez, a
cristalaria abarca objetos de vidro com A APICER – Associação Portuguesa das Indústrias de Cerâmica e Cristalaria
diversas funções, inclusive vidro utili- lançou recentemente o projeto editorial “Cerâmica Portuguesa - Tradição e
tário e decorativo. Inovação”, que se assume como uma montra do melhor que Portugal tem
para oferecer no contexto do mercado internacional.
A indústria da cerâmica emprega
16.704 trabalhadores através de 175 Os desafios colocados à indústria da cerâmica europeia, face à constante
empresas (com 10 ou mais trabalha- ameaça de países terceiros, tornam fundamental a diferenciação e reinvenção
dores), sendo a cerâmica utilitária e do setor da cerâmica portuguesa.
decorativa o subsetor que emprega
um maior número de trabalhadores. Ao longo de seis vetores essenciais
Por outro lado, a indústria da crista- (tradição e modernidade; excelên-
laria é composta por 22 empresas cia; inovação e design; imagem
(igualmente com 10 ou mais colabo- global; responsabilidade social; e
radores), com 574 trabalhadores. ceramics lifestyle), o livro mos-
tra exemplos de excelência da
Com uma forte orientação para a indústria cerâmica nacional
internacionalização, o setor da cerâ- e um espólio fotográfico
mica e da cristalaria portuguesa tem que testemunha o incrí-
vindo a aumentar significativamente vel manancial de obras
as suas exportações ao longo dos úl- e peças que traduzem
timos anos. 2016 foi um ano verda- a identidade cultural e
deiramente histórico para o setor, com identitária de Portugal.
o valor das exportações da cerâmica
a ascender os 701 milhões de euros, Consulte a versão digital do livro aqui.
um crescimento de 6,3 por cento, e o
8 DESTAQUE Portugalglobal nº98

Holanda, Alemanha, França, Estados


EMPRESAS PORTUGUESAS Unidos da América e Reino Unido.
Desta forma, é visível que a Europa
NA CASA DÉCOR MADRID continua a ser o destino eleito dos
produtos deste setor.
A Casa Décor 2017, que assinala os 25 anos, realiza-se
entre 10 de maio e 19 de junho, em Madrid. Mais de metade da produção des-
A participação portuguesa, organizada pela AICEP, ta indústria destina-se aos mercados
engloba 19 empresas da fileira casa. externos, sendo que o subsetor da
cerâmica mais exportador é o de ce-
râmica utilitária e decorativa, seguido
As empresas participantes aliam a Em 2016, a participação de Portu- da cerâmica de pavimentos e revesti-
tradição ao design, disponibilizando gal, que contou com 120 produtos, mentos, cerâmica de louça sanitária,
o que de melhor se produz em Por- foi um sucesso, tendo o projeto cerâmica estrutural e por último, cerâ-
tugal neste domínio. Assim, apostam nacional arrecadado três prémios – micas especiais.
em peças de autor de alta qualidade, melhor projeto, melhor profissional
sem nunca perderem a funcionalida- e menção especial (prémio atribuído Desde 2008, tem-se verificado uma
de, entre mobiliário, têxtil-lar, teci- pelo público). quebra no investimento em maqui-
dos, iluminação, tapetes, pavimento naria e equipamentos, em particular
de madeira, cerâmica (azulejos e de- A fileira casa portuguesa, que inte- nos subsetores da cerâmica de pavi-
coração), ambientadores, papel de gra quase oito mil empresas e em- mentos e revestimentos e da cerâmica
parede, louças sanitárias e mármore. prega 56 mil trabalhadores, gera estrutural. No entanto, na cerâmica
um volume de negócios de três mil
O espaço de Portugal foi decorado milhões de euros, dos quais 2,7 mil
por Raúl Martins, conceituado de- milhões são provenientes da expor-
“Mais de metade
corador espanhol. tação de produtos para 172 países.
da produção desta
indústria destina-se
aos mercados externos,
sendo que o subsetor
da cerâmica mais
exportador é o de
cerâmica utilitária e
decorativa.”

utilitária e decorativa constatou-se um


aumento deste tipo de investimento
entre 2008 e 2014.

Por fim, importa referir que as princi-


pais oportunidades de negócio para
as empresas portuguesas desta indús-
tria são as feiras internacionais, que
aumentam a visibilidade das marcas;
a emergência de novos nichos de
mercado; a recuperação do setor da
construção; a utilização de energias
alternativas; a aposta em tecnologias
limpas; os programas de apoio ao em-
preendedorismo e à internacionaliza-
ção; e o aparecimento de novas técni-
cas e produtos construtivos.
maio 2017 DESTAQUE 9

CENCAL – CENTRO DE FORMAÇÃO


PROFISSIONAL PARA A INDÚSTRIA CERÂMICA
A IMPORTÂNCIA DA FORMAÇÃO
O CENCAL – Centro de Formação Profissional para a Indústria Cerâmica
foi fundado em 1981 por impulso inicial de um conjunto de industriais da cerâmica
de mesa e decorativa, que sentiram a necessidade de formarem, de forma
sustentada, a sua mão-de-obra e captarem para o setor novos trabalhadores
jovens, antecipando o crescimento que o setor viria a ter nas décadas seguintes.

As principais competências do CENCAL em 2008 havia criado uma delegação


são a promoção de atividades de for- em Alcobaça, para melhor apoiar as
mação profissional e reconhecimento empresas cerâmicas da região.
e também, a validação e certificação de
competências para valorização dos re- O CENCAL sempre deu especial relevo
cursos humanos do setor da cerâmica e ao apoio técnico e tecnológico, bem
cristalaria. Assim, centra a sua atividade como à área da certificação da qua-
na formação profissional, na consulto- lidade dos produtos e das matérias-
ria técnica, no apoio laboratorial e no -primas, sendo esta uma ferramenta
Centro Qualifica. fundamental para muitas empresas
>POR ANA MARIA BICA, exportadoras no que respeita à acre-
DIRETORA DO CENCAL ditação certificada segundo os parâ-
Em 1985, o CENCAL iniciou a sua ati-
vidade nas instalações atuais com três metros internacionais reconhecidos.
cursos base – modelação, técnico in- na cerâmica, constituindo-se como
dustrial e pintura/decoração – tendo uma das traves mestras para o setor Ao longo dos seus 35 anos de exis-
formado nos anos seguintes centenas no que diz respeito à qualificação dos tência o CENCAL ministrou formação
de especialistas nestas áreas, que ain- seus recursos humanos. a 55.960 formandos, quer nas suas
da hoje constituem um núcleo impor- instalações, quer em itinerâncias que
tante dos trabalhadores das empresas. Em 2011, por decisão governamen- ao longo do tempo desenvolvemos
tal, o CENCAL alargou a sua ação por todo o país, desde o Minho até
Nos anos seguintes diversificou as ao setor do vidro, com a integração ao Algarve.
suas áreas de formação com incidên- das instalações e valências do extinto
cia no design, tecnologia e qualidade CRISFORM, na Marinha Grande. Já www.cencal.pt
10 DESTAQUE Portugalglobal nº98

Presente em mais de 25
mercados internacionais,
a Cliper Cerâmica
dedica-se à conceção,
desenvolvimento,
fabrico e comercialização
de produtos de alta
qualidade em pavimentos
e revestimentos em grés
porcelânico.

Localizada no Parque Industrial da Fi-


gueira da Foz, com uma área de mais
de 100.000 metros quadrados, dos
quais 30.000 são cobertos, a empresa
aposta constantemente na formação
contínua dos seus colaboradores, com
o objetivo de aumentar o sentimento
de pertença dos mesmos.

O investimento permanente em novas


tecnologias garante um produto de
alta qualidade e um design inovador,
capazes de acompanhar as novas ten-
dências de cada mercado.

Desta forma, 70 por cento da sua pro-

CLIPER CERÂMICA dução destina-se à exportação, sendo


que a empresa está presente em mais

UMA EMPRESA de 25 mercados externos, como Fran-


ça, Espanha, Alemanha, Reino Unido,

COM UMA FORTE VERTENTE Holanda, Bélgica e Escandinávia, ga-


rantindo assim o crescimento de um

INTERNACIONAL projeto sólido e sustentável.

No mercado competitivo de hoje, a dife-


renciação e a qualidade do produto são
a base para o sucesso de qualquer em-
presa. Por reconhecer esta realidade, a
Cliper Cerâmicas empenhou-se em de-
monstrar a sua eficácia ao obter a cer-
tificação APCER Norma ISO901: 2002.

Atualmente com uma ampla gama


de produtos, produzidos com a mais
recente tecnologia digital, a empresa
oferece várias soluções para pisos em
grés porcelânico esmaltado, permitin-
do criar espaços personalizados, ele-
gantes e funcionais.

www.cliper.pt
maio 2017 DESTAQUE 11

DOMINÓ
PAVIMENTOS E REVESTIMENTOS CERÂMICOS
DE ALTA QUALIDADE

Com três unidades Localizada em Condeixa-a-Nova, Coim- a Coverings, nos Estados Unidos da
produtivas que contam bra, e fundada em setembro de 1988, a América, a Cevisama, em Espanha, e
Dominó começou por se dedicar à pro- a BAU, na Alemanha.
com cerca de 180
dução de pavimentos em grés de pas-
colaboradores, a Dominó A Dominó aposta constantemente na
ta branca. Posteriormente, em 1998,
está presente em mais complementou a sua atividade com a inovação e no design. Assim, ao criar
de 60 países nos cinco produção de azulejos para revestimen- pavimentos e revestimentos cerâmi-
continentes através de to e de pavimento em porcelanato. A cos distintos, com um elevado nível
uma sólida estrutura sua vasta gama de produtos vai desde de qualidade e estética, pretende de-
internacional, adaptada a monocozedura, em pastas brancas, sempenhar um papel importante nos
às necessidades de ao grés porcelânico esmaltado e ao grés projetos de arquitetura e design de in-
cada mercado. A porcelânico corado em massa. teriores de hoje e de amanhã.
empresa dispõe ainda
As exportações representam atualmen- O investimento constante nas mais
de uma forte rede de avançadas tecnologias e a formação
te mais de 50 por cento das vendas da
distribuidores a nível contínua da sua equipa tornam a
Dominó, sendo os principais mercados
nacional. de exportação Espanha, França, Ale- Dominó um forte parceiro de negó-
manha, Reino Unido, Estados Unidos cios. Desta forma, presta um serviço
da América, África do Sul e Rússia. direcionado às reais necessidades
dos mercados distribuidores de reta-
Ao longo de cada ano, a Dominó mar- lho, correspondendo às expectativas
ca sempre presença nos principais cer- de um consumidor final cada vez
tames internacionais do setor, nomea- mais exigente.
damente na CERSAIE, em Bolonha,
Itália, mas também em eventos como www.domino.pt
12 DESTAQUE Portugalglobal nº98

Os seus produtos encontram-se espa-


lhados por todo o mundo, tendo uma
taxa de exportação de 85 por cento.
A empresa aposta na internacionaliza-
ção de forma constante e sustentada,
tendo diversos parceiros locais nos
mais variados mercados externos.

A empresa participa anualmente em


várias feiras internacionais, em parti-
cular na Europa. Contudo, pretende
agora apostar na presença em feiras

FAVICRI fora do mercado europeu.

O CRESCIMENTO O investimento é uma das premissas


essenciais da Favicri, em particular o in-
INTERNACIONAL vestimento em mão-de-obra especiali-
zada e novas tecnologias, com a inten-
DE UMA EMPRESA FAMILIAR ção de fazer frente aos novos desafios.

Ciente das preocupações ecológicas e


Situada na região da Marinha Grande e Alcobaça, que ambientais, a empresa recicla 30 por
é conhecida pela sua tradição de mais de 250 anos cento do seu vidro, utilizando-o na sua
na área do vidro, a Favicri é uma empresa familiar do própria composição. Assim, produz vi-
dro ecológico, sem ser de cor verde.
setor da cristalaria. Atualmente, a empresa exporta
cerca de 85 por cento da sua produção. De referir ainda que estabeleceu re-
centemente uma parceria com o Ins-
Desde 1987, produz vidro manual, Aliando a tradição do soprado e ma- tituto Politécnico de Leiria sobre as
soprado, centrifugado, prensado e nual com as novas técnicas do au- técnicas de fabricação de vidro.
semiautomático, detendo uma ca- tomático, a Favicri tem criado novos
pacidade de produção de 15 tone- modelos, de modo a tornar-se mais
ladas de vidro branco por dia, uma competitiva a nível internacional. www.favicri.pt
elevada flexibilidade na sua produ-
ção e um fácil desenvolvimento de
produto e entregas.

Com um volume de vendas na ordem


dos três milhões e meio de euros, tem
sido alvo de um processo de reestru-
turação, com o objetivo de melhorar
os seus produtos. Assim, criou recen-
temente os departamentos de design,
qualidade e comercial.

As novas tecnologias e os novos mé-


todos de produção, aliados a uma co-
mercialização mais agressiva, permiti-
ram a criação de uma marca própria, a
Pinhal, que em apenas seis meses ven-
deu mais de um milhão de peças. No
final deste ano, a empresa irá ainda
apresentar uma nova marca própria,
criada para outro setor do mercado.
maio 2017 DESTAQUE 13

GRESTEL
UMA FORTE APOSTA NOS MERCADOS
INTERNACIONAIS
Fundada em 1998, a Grestel – Produtos Cerâmicos, S.A. dedica-se à produção de artigos
de mesa, forno e acessórios de servir em grés fino, num conceito original de qualidade,
durabilidade e design exclusivo. Cerca de 98 por cento da produção da empresa
destina-se aos mercados externos, especialmente ao norte-americano e europeu.

Utilizando como matéria-prima os sustentado e a expansão de uma para


melhores recursos naturais existentes “Na área de private três unidades fabris ao longo de quase
em Portugal, a Grestel combina o seu label produz 'à medida' duas décadas de atividade. O cresci-
know-how no fabrico cerâmico com as mento anual médio é de cerca de 13
para clientes de
mais recentes tecnologias para oferecer por cento, com uma faturação superior
aos seus clientes gamas completas de
prestígio como Ralph a 15 milhões de euros em 2016.
artigos de valor acrescentado, inovado- Lauren, Crate&Barrel,
res e com elevados padrões de qualida- Williams-Sonoma, A terceira unidade fabril – com uma
de. Os produtos em grés fino são fabri- John Lewis, El Corte área coberta de 11.000 metros quadra-
cados num sistema de monocozedura a Inglés, Zara Home, dos – arrancou no final de 2016 e vem
elevada temperatura (1180ºC), que dá ao encontro dos objetivos da Grestel no
Anthropologie, entre
origem a peças altamente resistentes a que respeita ao aumento da capacidade
choques térmicos e mecânicos. outros.” de produção necessária face aos novos
projetos em curso. É tecnologicamente
Voltada essencialmente para a inter- avançada do ponto de vista da produ-
nacionalização (representa cerca de (22 por cento), a empresa sediada em ção, segurança e eficiência energética e
98 por cento do volume de produção), Vagos tem importantes negócios e ex- a expectativa é que venha a permitir um
com destaque para os mercados norte- celentes relações com marcas de pres- aumento do volume de negócios supe-
-americano (67 por cento) e europeu tígio, o que permite um crescimento rior a 30 por cento já em 2017.
14 DESTAQUE Portugalglobal nº98

A empresa tem duas grandes áreas Presente em mais de 40 países em todo


de negócio: a área de private label, o mundo nas melhores lojas de decora-
onde produz “à medida”, maioritaria- ção e restaurantes, tem também uma
mente com design interno, para clien-
tes de prestígio como Ralph Lauren,
plataforma de vendas online direciona-
da ao consumidor final para Portugal
MATEUS
Crate&Barrel, Williams-Sonoma, John
Lewis, El Corte Inglés, Zara Home, An-
e Espanha. Lançada em 2005, a marca
distingue-se por apresentar coleções
LOUÇAS
thropologie, entre outros. intemporais e, simultaneamente, con- INOVADORAS
temporâneas, que refletem a herança
europeia na produção cerâmica e ce- CRIADAS
“Cerca de 98 por
NA SUÉCIA
lebram tudo o que é irresistivelmente
cento da produção da mediterrânico: o amor pela vida, famí-
lia, amigos e boa comida.
empresa destina-se aos
mercados externos, O sucesso alcançado pela Grestel nos
Criada em 1993 pela
especialmente ao últimos anos resulta de um posiciona-
portuguesa Teresa
norte-americano e mento estratégico assente numa base
de know-how, qualidade e constante
Mateus Lundahl,
europeu.” a viver em Estocolmo,
capacidade de inovação, com o objeti-
vo de oferecer produtos distintos e de na Suécia, a marca
E ainda para marcas próprias, uma for-
elevada qualidade aos seus clientes. Mateus resulta de uma
te aposta da empresa, que representa
Para tal, a empresa conta com uma conjugação da forma
atualmente cerca de 20 por cento do
equipa composta por mais de 500 tradicional de fazer
trabalhadores, motivada, qualificada e cerâmica em Portugal,
volume de negócios, tendo um ritmo
geradora de valor.
de crescimento superior à área de ne- com as tendências
gócio do private label. A Costa Nova é modernas do design
a principal marca própria da empresa. www.grestel.pt escandinavo. Fabricados
exclusivamente em
Portugal, os produtos
desta marca estão
presentes em diversos
mercados internacionais.

Inicialmente o objetivo da fundadora


da marca centrava-se em conseguir a
coexistência dos conceitos de criati-
vidade na produção e outsourcing na
gestão. Uma ideia que se tornou numa
empresa que exporta os seus produtos
para vários países do mundo.

A coleção de louças da Mateus, cons-


tituída por peças de cerâmica des-
tinadas à “mesa” e pintadas à mão,
combina a originalidade com o hu-
mor. Assim, a marca difunde o concei-
to de que a decoração de uma mesa
acompanha as mesmas tendências da
moda, fazendo o consumidor seguir
as tendências da decoração, tal como
segue as tendências da moda. As no-
vas cores e as novas formas, criadas
maio 2017 DESTAQUE 15

duas vezes por ano, são combináveis


com o resto da coleção, em qualquer
momento, em qualquer estação do
ano e em qualquer ambiente.

Atualmente, a Mateus conta com cer-


ca de 85 colaboradores, espalhados
pelas mais diversas partes do mundo
e assistidos pelo escritório em Estocol-
mo. Em 2018, a empresa prevê que
as suas vendas ultrapassem a barreira
dos 20 milhões de euros.

Os produtos Mateus, fabricados unica-


mente em Portugal com total exclusivi-
dade de padrões, formas e técnica de
pintura, marcam presença em diversas
feiras de decoração na Europa, Estados
Unidos da América, Japão e Austrália.

Presente em vários países do mundo,


como a Suécia, Finlândia, Noruega,
Suíça, Holanda, Bélgica, Estados Uni-
dos da América, Canadá, Dubai, Japão

“Os produtos Mateus,


fabricados unicamente
em Portugal com
total exclusividade
de padrões, formas
e técnica de pintura,
marcam presença
em diversas feiras de
decoração na Europa,
Estados Unidos da
América, Japão e
Austrália.”

e Austrália, os produtos da marca são com sensibilidade para tendências e Em 2018, em comemoração do seu
vendidos através do escritório central com um poder de compra médio-alto. 25º aniversário, a marca lançará uma
em Estocolmo para a Escandinávia ou nova colaboração com dois designers.
dos diversos distribuidores localizados Ao longo dos anos, a Mateus tem lan-
nos inúmeros mercados internacionais. çado coleções produzidas em parceria No futuro, a Mateus pretende reforçar
com reconhecidos designers interna- a sua aposta nos mercados externos,
A venda é feita exclusivamente através cionais, como a “Mateus meets Tord aumentar o número de pontos de ven-
de lojas de produtos de decoração de Bontje” e a “Mateus meets Marcus da e difundir o conceito da marca.
alta gama, sendo o mercado dos pro- Samuelsson”, permitindo o reforço da
dutos Mateus constituído por pessoas sua imagem nos diversos mercados. www.mateus.se
16 DESTAQUE Portugalglobal nº98

PORCEL maior relevância internacional para


o setor: a Maison & Objet em Paris

UM CASO DE SUCESSO (janeiro e setembro) e a Ambiente


em Frankfurt (fevereiro), que ao lon-

EM PORTUGAL E NO MUNDO go dos anos se têm revelado bastan-


te promissoras, apostando em novos
mercados e novas oportunidades
de expansão. Desta forma, são os
Fundada em 1987, a Porcel é uma prestigiada momentos escolhidos pela empresa
marca portuguesa de porcelana, que combina a para a apresentação das novas cole-
tradição manual com a inovação tecnológica no ções lançadas.
desenvolvimento e produção das suas soluções em
porcelana. As suas peças de alta qualidade, criativas e A sua estratégia de internacionaliza-
elegantes estão já presentes em cerca de 50 mercados ção tem impulsionado cada vez mais a
internacionais, como os Estados Unidos da América, a marca nos mais variados mercados ex-
ternos, sendo que as suas exportações
Escandinávia, o Médio Oriente e a Ásia.
representam atualmente 95 por cento

As décadas de experiência e o vasto larga oferta de produtos e investe das vendas. A Porcel está assim pre-
know-how definem a Porcel, bem como constantemente no desenvolvimento sente em 50 países diferentes, como
os seus métodos de produção, como de novas linhas e decorações, indo os Estados Unidos da América, o Mé-
sendo pormenorizados e apurados, ao encontro das tendências e exigên- dio Oriente, a Escandinávia e a Ásia.
numa procura constante pela perfeição. cias do mercado, como comprovam
Assim, usa as mais avançadas e especia- as novas coleções lançadas em dois A Porcel encontra-se ainda a desen-
lizadas técnicas de produção, aliadas ao momentos distintos do ano: janeiro/ volver diversos projetos de relevância
minucioso trabalho manual, conferindo fevereiro e setembro. com hotéis de luxo no Médio Oriente
um toque único a cada peça. e na Ásia.
Anualmente, e como parte da estra-
Especialista em porcelana doméstica tégia de internacionalização, a mar- O início de 2017, ano em que a em-
e decorativa, a Porcel apresenta uma ca está presente nos dois eventos de presa comemora 30 anos, foi marcado
maio 2017 DESTAQUE 17

pelo lançamento, nas feiras Maison &


Objet e Ambiente, de quatro decora-
ções de mesa: Violet, Olivia, Louise e
Dynasty. Estas coleções foram ainda
apresentadas ao mercado americano
na feira Tabletop, em Nova Iorque.

Violet, Olivia e Louise são três decora-


ções muito semelhantes entre si, mas
cada uma com distintas características
individuais, que neste caso se tradu-
zem nas diferentes cores com que se
apresentam (rosa, verde e azul). Cada
uma das três decorações combina pe-
ças de cor e peças texturadas enalteci-
das com detalhes a ouro. Para tal, foi
utilizado um processo manual desen-

REVIGRÉS
40 ANOS A CRIAR
ESPAÇOS VIVOS
Especializada na produção de revestimentos e
pavimentos cerâmicos, a Revigrés é uma referência
no mundo cerâmico. A nível internacional, está
presente em 50 países, como Espanha, Estados Unidos
da América, Canadá, Rússia, Polónia, Arábia Saudita,
Holanda e Inglaterra.

Constituída em 1977, em Barrô (Águe- de cerâmicas inovadoras e de design


da), por um grupo de empresários, con- exclusivo, que dão vida aos espaços,
tou, durante os seus primeiros 30 anos, com o selo de qualidade de uma em-
volvido pelo Studio Porcel, combinado com a presidência e o impulso do seu presa 100 por cento portuguesa.
com a aplicação de cor. fundador, o engenheiro Adolfo Roque.
Na sua oferta de produtos, destacam-
Dynasty, em contrapartida, é uma O edifício comercial, inaugurado em -se a coleção cromática, uma das cole-
coleção monocromática composta 1997, é um projeto do arquiteto Álva- ções em grés porcelânico mais comple-
por finas linhas pretas, que propor- ro Siza Vieira, o primeiro vencedor de tas a nível mundial, com 40 cores, 10
ciona uma opção elegante, mas que um Prémio Pritzker, em Portugal. Além formatos e três acabamentos; coleções
se adequa simultaneamente a roti- do showroom na sede, tem também de produtos com inúmeros efeitos es-
nas de micro-ondas e máquina de showroom em Lisboa (Saldanha). téticos, mármore, xisto, deck, madeira,
lavar louça. cimento, metálico, espelho, entre ou-
Em 2017, celebra 40 anos dedica- tros, e todas as vantagens da cerâmica:
www.porcel.com dos ao desenvolvimento de soluções elevada resistência ao desgaste, eleva-
18 DESTAQUE Portugalglobal nº98

da resistência a manchas e a químicos, das após a exposição solar. É indicado


fácil limpeza e manutenção; e coleções para áreas de circulação junto a pisci-
de autor, criadas por prestigiados ar- nas, varandas e terraços.
quitetos e artistas plásticos.
A nível internacional, a Revigrés está
A Revigrés desenvolve, em parceria presente em 50 países, em várias
com entidades do sistema científico e obras emblemáticas, com destaque
tecnológico, projetos criativos e mul- para a Basílica La Sagrada Família,
tifuncionais, que conjugam funções em Barcelona, com a coleção cromá-
estéticas e técnicas. O mais recente tica; o Harrod’s, em Inglaterra; várias
é o “Revifeel”, cerâmica com eleva- computer stores nos Estados Unidos
do conforto térmico, desenvolvido da América e no Canadá; aeroportos
em parceria com o CeNTI - Centro de internacionais na Rússia e na Polónia;
Nanotecnologia e Materiais Técnicos, e estações de metro em Espanha, na
Funcionais e Inteligentes. Arábia Saudita, Holanda e Inglaterra.

O “Revifeel Warmup”, disponível Os produtos Revigrés estão presentes


em várias coleções de revestimentos em espaços de reconhecidas marcas
e pavimentos cerâmicos, favorece a como Jo Malone, Victoria’s Secret,
concentração do calor e proporciona McDonald’s, Warner Lusomundo,
uma sensação de maior conforto ao Starbucks, Bentley, Rolls Royce, FNAC,
toque. Este efeito é conseguido atra- Vila Galé, entre outros.
vés da aplicação de materiais com bai-
xa condutividade térmica, produzidos Recentemente, a Revigrés conquistou
com recurso à nanotecnologia, sendo o “penta” dos prémios internacio-
indicado para salas e quartos. nais de design, com a obtenção dos
seguintes prémios: German Design
O “Revifeel Cooldown”, disponível na Award 2017; Red Dot Design Award
coleção “Cool Deck”, em deck cerâ- 2015; iF Design Award 2016; Good
mico, recorre à aplicação de compo- Design Award 2015; Prémio A’Design
nentes que refletem a radiação tér- Gold Award 2014.
mica e permitem que os pavimentos
não atinjam temperaturas tão eleva- www.revigres.com
maio 2017 DESTAQUE 19

tos não só em grandes cadeias inter-


SPAL nacionais, mas também em mercados
como Espanha, Bélgica, Noruega, Di-
CERÂMICAS PORTUGUESAS namarca, Áustria, entre outros.

RECONHECIDAS Relativamente a conquistas em novas


geografias, inclui-se a Coreia do Sul,
INTERNACIONALMENTE Índia, República Dominicana, entre ou-
tros países em franco crescimento eco-
nómico. A SPAL mantém uma equipa
comercial atenta às diferentes altera-
Presente em mais de 45 países, a SPAL exporta
ções de mercado e em busca de novos
cerca de 60 por cento do total da sua faturação.
clientes. África, América Latina e Ásia
Um percentual maioritariamente concentrado em são zonas do globo em prospeção.
mercados como os Estados Unidos, Espanha, Itália,
França, Reino Unido, Dinamarca e Bélgica. Apesar de um claro foco no mercado
externo, o mercado nacional mantém-
-se como uma importante aposta tan-
Desde a sua fundação, em 1965, a de cozedura rápida, prensa isostática,
to no segmento casa como no seg-
SPAL desenha, produz e comercializa enchimento sobre pressão e técnicas de mento de hotelaria e restauração.
peças para uso doméstico e para o decoração como sprays e vidrados reati-
segmento da hotelaria. Contudo, ao vos, tem trazido à empresa a moderni- Dada a recente reestruturação da
longo dos anos, tem tido a capaci- zação e capacidade de inovação neces- sua rede de lojas, a SPAL tem vindo
dade de adequar o seu desempenho sárias para responder a um exigente e a desenvolver parcerias estratégicas
comercial às flutuações do mercado. diversificado portfolio de clientes. no mercado nacional para colocação
dos seus produtos, nomeadamente
Composta por três unidades industriais, Reunindo competências internas para através de plataformas online – uma
uma delas exclusivamente dedicada à o desenvolvimento integral de qual- tendência crescente neste segmento
produção de decalque, reúne uma área quer projeto. Para além das unidades de produto, também no nosso país.
total de aproximadamente 64.000 me- industriais já mencionadas, a SPAL
tros quadrados, preparada para fornecer conta com o SPAL Studio, o gabinete O segmento de hotelaria, para além de
mais de 18 milhões de peças por ano, de design interno e o departamen- relevância comercial crescente, é ainda
com uma estrutura de 500 colaborado- to de modelação, através dos quais um importante veículo de visibilidade e
res. A adoção das mais recentes tecno- é possível reforçar a sua flexibilidade afirmação dos valores da marca, desig-
logias, nomeadamente fornos de ciclos face às exigências do mercado. nadamente a sua aposta no design e na
inovação. A marca orgulha-se de cons-
Conta, por esse motivo, com um sóli- tituir a escolha de locais como o Bairro
do vínculo comercial com algumas das Alto Hotel, Thema Hotels and Resorts,
mais prestigiadas insígnias internacio- Grupo Vila Galé, Quinta do Lorde, Porto
nais como Crate and Barrel, Mikasa, Bay Hotels and Resorts ou Pestana CR7
Zara Home, Ralph Lauren, Michael Funchal, entre muitos outros.
Aram, Rosendahl, Woolworths, Habi-
tat, Geneviève Lethu, El Corte Inglés, Com base nesta estratégia, a SPAL man-
Illy, Segafredo, entre muitas outras. tém um ambicioso e consistente plano
de crescimento, que forçosamente pas-
Ainda no âmbito da sua atuação in- sará pela implementação de um plano
ternacional, desenvolve parcerias es- de investimentos que permita aumentar
tratégicas com distribuidores locais, a sua capacidade de resposta, possibili-
particularmente no segmento da ho- tando assim cumprir o objetivo de fatu-
telaria e restauração. A confiança e a ração definido para o ano em curso, de
credibilização que a atual carteira de mais de 15 milhões de euros.
clientes representa, funciona como
um facilitador deste trabalho. Desta
forma, tem colocado os seus produ- www.spal.pt
20 DESTAQUE Portugalglobal nº98

VASICOL
UMA EMPRESA NASCIDA PARA EXPORTAR
Com mais de 150 trabalhadores, a Vasicol dedica-se à produção de vasos e artigos
utilitários de mesa. Cerca de 99 por cento da sua produção é exportada para
diversos países dos cinco continentes, nomeadamente para os Estados Unidos
da América e Europa.

A operar na produção de cerâmica des- apresentados em diversas feiras inter- No ano de 2016, a Vasicol alcançou
de 1900, esta empresa familiar apenas nacionais, como a Maison et Object um volume de negócios de 4,4 mi-
foi fundada em 1988. Todos os seus Paris e a Interior Lifestyle Tokyo. Ainda lhões de euros, esperando para 2017
produtos são elaborados em terracota, durante este ano, a empresa irá parti- um aumento proporcional.
sendo na sua maioria pintados à mão, cipar na feira New York Now.
o que lhes dá personalidade e caracte- A nível nacional, registou igualmente um
rísticas únicas. Esta é assim uma mais- A Vasicol está presente em inúme- aumento das vendas, uma vez que as lo-
-valia que marca pela diferença. ros países, sendo os seus principais jas portuguesas procuram vender cada
mercados de exportação os Estados vez mais produtos nacionais. Contudo, a
Em 2005, criou a sua própria marca, Unidos da América, seguido de In- empresa procura impulsionar ainda mais
Maria Portugal Terracota. Esta marca glaterra, França, Alemanha e Sué- este crescimento, através de parcerias
conta com sete coleções, que incidem cia. Os seus produtos encontram-se com lojas em Lisboa e no Porto, bem da
na vertente tradicional e moderna. disponíveis em cadeias de grande criação de uma loja própria de venda ao
Desde então, tem apostado na expan- distribuição, garden centers e lojas público. No futuro, pretende ainda de-
são, empenhando-se na criação de de decoração. senvolver um website de venda online,
artigos diferenciadores e na utilização que permita dar a conhecer a marca a
de técnicas inovadoras. Nos últimos meses, a empresa foi sub-
todos os portugueses.
metida a diversos projetos de altera-
Os produtos da marca Maria Portugal ção e aumento da sua unidade fabril,
www.vasicol.com
Terracota estão presentes principal- sendo os apoios comunitários funda-
mente em Inglaterra e França, sendo mentais para este crescimento. www.mariaterracota.com
maio 2017 DESTAQUE 21

modernização de fábricas, alteração


de processos e criação de produtos
inovadores, para alcançar mais merca-
VISTA ALEGRE dos, através dos mais variados canais
de distribuição.
UMA MARCA COM ELEVADA As vendas consolidadas do Grupo Vista
NOTORIEDADE Alegre, no ano de 2016, representaram
75,4 milhões de euros, correspondendo
INTERNACIONAL a um crescimento de cinco por cento
face ao período homólogo. O resultado
líquido consolidado fechou de forma
A fábrica de porcelanas Vista Alegre foi fundada positiva (1,7 milhões de euros), inverten-
em 1824, em Ílhavo, distrito de Aveiro. Ao longo do do o ciclo negativo de resultados, repre-
seu percurso, a marca esteve sempre intimamente sentando as exportações 64 por cento
associada à história e à vida cultural portuguesa, do volume de negócios do grupo.

adquirindo uma notoriedade internacional ímpar.


Como perspetivas futuras, a Vista Ale-
gre irá manter a linha de inovação e
Em 2001, o Grupo Vista Alegre, de- presença global. O grupo aposta assim investigação e desenvolvimento tecno-
dicado ao fabrico de peças em porce- numa abordagem de marca de prestí- lógico da sua atividade, de modo a me-
lana, faiança e grés, fundiu-se com o gio e qualidade direcionada ao mercado lhorar a sua posição nos mercados in-
Grupo Atlantis, dedicado ao fabrico de de forma lata, abordando tanto o setor ternacionais, promovendo uma maior
peças de elevada qualidade em cristal HORECA, como clientes particulares, oferta de produtos, que fidelizem um
e vidro feitos à mão, dando origem a com peças únicas e de design criativo e maior número de clientes e permitam
um dos maiores grupos de tableware inovador, ao estabelecer parcerias com alcançar novas oportunidades de ne-
e giftware da Europa: o Grupo Vista entidades de renome e prestígio mun- gócios. Para além disso, o Grupo Vista
Alegre Atlantis. Em 2009, o grupo dial (Christian Lacroix, Álvaro Siza Vieira, Alegre pretende expandir e reforçar a
passou a integrar o portefólio de mar- Oscar De La Renta, Sam Baron, Joana sua marca através da aposta no mer-
cas do Grupo Visabeira, após a oferta Vasconcelos, entre muitos outros). cado internacional, participando nas
pública lançada com sucesso sobre as principais feiras internacionais do setor
ações da Vista Alegre Atlantis. A inovação e a aposta na investigação e ainda, abrindo novas empresas em
e desenvolvimento são outro foco de França, México e Índia.
Com mais de 1.400 colaboradores em estratégia da Vista Alegre, o que se re-
2016, com especial destaque para o flete nos investimentos e projetos de www.vistaalegre.com
reforço das equipas comerciais, a em-
presa tem marcado presença nas prin-
cipais feiras mundiais, para fortalecer
a notoriedade da sua marca e impul-
sionar o crescimento das vendas nos
mais diversos países.

Para além dos mercados de destino


tradicionais dos produtos Vista Alegre,
como Espanha, França, Alemanha,
Itália e Brasil, outros mercados têm
emergido, como a República Checa,
Colômbia, Marrocos e Índia.

A marca tem vindo a ser distinguida in-


ternacionalmente com diversas nomea-
ções e prémios em prestigiados con-
cursos internacionais, reforçando a sua
22 PUBLICIDADE Portugalglobal nº98

PORTUGAL ESTÁ NA MODA. E AGORA?


positiva de Portugal do que as que fraestruturas, ambiente de negócios
estão a pensar vir. Existe um gap de e outras considerações de execução
perceção que tem de ser ultrapassado tática – i.e. que parceiros de negó-
de forma a atrairmos o maior número cios locais, ambientes legais, fiscais
de oportunidades que existam. e regulatórios, análise de mercado
(obtenção de informação relevante,
Claro que uma marca se constrói guias de exportação, informações da
com reputação e esta reputação se indústria, dados comerciais e análise);
constrói com bons exemplos. Um
apoio no processo (como exportar:
>POR FLORBELA LIMA, processo de internacionalização deve
orientação na exportação, conside-
PARTNER, TRANSACTION ser entendido como uma decisão es-
ADVISORY SERVICES rações legais, logísticas e financeiras,
tratégica cautelosa, aprofundada e
preparação do produto) e apoio a ati-
aperfeiçoada, dado que o ambiente
vidades promocionais e de marketing
exterior à empresa é e será sempre
(conferências, pequenos almoços
As tendências de Globalização e Di- caracterizado pela incerteza e imper-
feições e por assimetrias de informa- empresariais, delegações comerciais
gitalização trouxeram à economia e
ção. Daqui resulta que um processo e visitas oficiais / estatais).
aos mercados um dinamismo dife-
rente: as empresas saíram da crise de internacionalização deve ser es-
económica e deparam-se com uma truturado e acompanhado. As em- É evidente que Portugal tem vários
realidade diferente da que anterior- presas que vêm para Portugal enfren- fatores de atratividade competitivos,
mente conheciam. Com a Era Digital tam vários desafios que podem ser o que explica que esteja na moda.
há, de facto, uma transferência de mais facilmente ultrapassados com É importante alterar a perceção das
“poder” das empresas para os seus o apoio de parceiros especializados empresas que ainda não conhecem o
clientes e muitos intermediários co- que conheçam bem a sua realidade e País, conseguindo cada vez mais que
meçam a ser obsoletos. Esta dinâmi- a realidade portuguesa. Portugal chegue a short lists de de-
ca é uma grande oportunidade para cisão de investimento. Mas é neces-
um país como Portugal, podendo Muitas empresas que procuram este sário também que as empresas que
mesmo ser a oportunidade pela qual apoio recorrem à EY procurando escolhem Portugal tenham o apoio
Portugal ansiava. As empresas estão uma estratégia de entrada no mer- necessário para que as suas opera-
abertas a novas oportunidades, o cado ou uma “market dilligence”. ções sejam bem sucedidas. Assim
ambiente político e económico obri- Nestes projetos, a nossa intervenção
como os ganhos potenciais de um
ga à mudança, os mercados muda- passa pelo levantamento de infor-
processo de internacionalização bem
ram e fatores como a qualidade de mação sobre quotas de mercado,
conduzido podem ser determinantes
vida, recursos humanos qualificados evolução de preços, evolução de es-
para o sucesso futuro da empresa,
e competitivos, infraestruturas, en- trutura competitiva (M&A), impacto
as perdas associadas a projetos sem
tre muitos outros, são cada vez mais da situação económica no setor/ne-
preparação prévia já foram em várias
fatores diferenciadores na promoção gócio e impacto das políticas públi-
cas no mercado. ocasiões determinantes no insucesso
de um país.
de empresas com negócios estáveis
A EY tem-se interessado por perce- Os nossos clientes em processos de no mercado interno. É preferível que
ber a atratividade e competitividade internacionalização procuram apoios o custo dessa preparação seja apenas
de Portugal e das suas regiões para em estratégia e planos de cresci- uma rubrica adicional num plano de
os investidores estrangeiros e há uma mento, identificando oportunidades investimento bem sucedido. A marca
mensagem clara: as empresas que cá específicas de mercado, locais, prio- Portugal ganhará, com certeza, com
estão têm uma perceção muito mais ridades, ambiente concorrencial, in- mais casos de sucesso.
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24 ENTREVISTA Portugalglobal nº98

JOSÉ LUÍS
SEQUEIRA
Presidente da APICER – Associação Portuguesa
da Indústria de Cerâmica e de Cristalaria

“Cerâmica portuguesa
cada vez mais reconhecida
internacionalmente”
maio 2017 ENTREVISTA 25

José Luís Sequeira assumiu, em novembro de 2015, a liderança


da APICER - Associação Portuguesa da Indústria de Cerâmica e de
Cristalaria. A sua ligação à cerâmica começou em 1976, quando
se tornou consultor jurídico da APICC - Associação Portuguesa
de Industriais da Cerâmica de Construção, tendo sido nomeado
secretário-geral em 1980. Vinte anos depois tornou-se vice-
presidente executivo da APICER, criada em 1996, e também
administrador do CENCAL - Centro de Formação Profissional
para a Indústria Cerâmica.
Em entrevista, José Luís Sequeira afirma que o setor da cerâmica
e da cristalaria portuguesas se distingue cada vez mais a nível
internacional, sendo reconhecido pelas excelentes capacidades
tecnológicas, pela qualidade e diversidade dos produtos e pela
crescente aposta na inovação e criatividade.
O presidente da APICER defende ainda a adoção, por parte
das empresas portuguesas, de uma estratégia única de
internacionalização e da promoção internacional da marca
nacional do setor, fundamentada na mensagem “Ceramics,
Portugal Does It Better”.

Qual o papel da APICER no setor da cerâ- Qual a importância do setor no quadro da


mica e cristalaria portuguesa? economia portuguesa?
O papel da APICER nos setores da cerâmica e A indústria de cerâmica abrange os seguintes
cristalaria é, como não podia deixar de ser, o subsetores: cerâmica estrutural (telhas, tijolos
que consta como sendo a sua missão estatutá- e abobadilhas); pavimentos e revestimentos;
ria: representar os associados da indústria ce- louça sanitária; cerâmica utilitária e decorativa
râmica nacional e defender os seus interesses (louça em porcelana, faiança, grés e barro co-
empresariais, de forma a promover o aumento mum) e cerâmicas especiais (isoladores, cerâ-
da competitividade do setor, assegurando um mica para usos técnicos e produtos refratários).
desenvolvimento sustentável e o fortalecimento
da cooperação interempresarial e intersetorial.
“Nestes setores, as vendas são
Esta referência aos estatutos é importante, realizadas fundamentalmente
uma vez que a nossa missão foi suficientemen- nos mercados internacionais.
te maturada na altura da sua redação e é nela
Assim, os valores de
que nos revemos e cingimos quando está em
causa fazer ou não alguma iniciativa. exportação atingidos em 2016
correspondem aos máximos
A este sentido de compromisso estão subjacentes históricos de que há registo.”
três atitudes de princípio: ouvir os empresários,
informar com competência e comunicar com
amplitude interna e externa, nomeadamente Segundo o INE (dados de 2015), a indústria
nos setores representados, mas também ao nível da cerâmica é composta por 175 empresas,
dos mercados externos, usando com eficiência se considerarmos apenas aquelas que têm ao
os meios de comunicação disponíveis. Tudo isto seu serviço 10 ou mais trabalhadores. O em-
orientado para a resolução de problemas. prego gerado por esta indústria correspon-
26 ENTREVISTA Portugalglobal nº98

de a 16.704 trabalhadores, o que representa Como funciona o universo criativo e inova-


2,5 por cento dos trabalhadores da indústria dor da cerâmica e cristalaria?
transformadora nacional. O volume de negó- Como referi, ao nível da criatividade estamos um
cios obtido na indústria de cerâmica é de 1.013 pouco acima da nossa concorrência. E a criati-
milhões de euros e o valor acrescentado bruto vidade é uma das características mais singulares
(VAB) de 373 milhões de euros. da cerâmica portuguesa, caraterística essa que se
apreende com mais nitidez no subsetor de cerâ-
Por seu lado e igualmente de acordo com os mica utilitária e decorativa, porque é aí que so-
dados de 2015 publicados pelo INE, a indústria bressai a criatividade associada à nossa tradição.
nacional da cristalaria é composta por 22 em-
presas, com 574 trabalhadores, um volume de Diria ainda que, em cerâmica, somos capazes
negócios de 63 milhões de euros e um VAB de de fazer tudo e fazê-lo muito bem! Acompa-
nhamos as exigências da moda, apostamos no
17 milhões de euros.
design e desenvolvemos métodos e processos
que nos tornam capazes de satisfazer, não só o
Nestes setores, as vendas são realizadas fun- gosto dos clientes, mas até as suas extravagân-
damentalmente nos mercados internacionais. cias. Assim, o setor é cada vez mais reconheci-
Assim, os valores de exportação atingidos em do a nível internacional.
2016 correspondem aos máximos históricos de
que há registo. Contribuem também de forma A inovação existe também ao nível da própria
muito positiva para a balança comercial por- tecnologia, dando lugar a empresas portugue-
tuguesa, com taxas de cobertura das importa- sas que desenvolvem máquinas e equipamen-
ções pelas exportações que, em 2016, ascen- tos de raiz, adaptados às necessidades especí-
deram e 547 por cento e 196 por cento, respe- ficas dos produtores.
tivamente no caso da cerâmica e da cristalaria.
Em conjunto, estes dois subsetores geraram Por sua vez, as empresas não fazem todas o
um saldo de comércio externo positivo de 613 mesmo. A loiça de Barcelos é diferente da loiça
milhões de euros no ano de 2016. de Alcobaça, Leiria, Aveiro ou Caldas da Rainha,
que são os centros cerâmicos mais fortes. Cada
uma tem o seu cunho próprio e inconfundível,
Como avalia a evolução do setor em Portugal?
associado à cultura e à tradição regionais.
O setor tem tido uma evolução muito positiva,
sobretudo se tivermos em consideração que teve
(e continua a ter) de se movimentar rapidamente
“O país tem que investir mais
num quadro de solicitações variadas e exigentes,
como são as regras ambientais, a racionalização
na Marca Portugal, juntando
dos consumos energéticos, a evolução tecnológi- o que existe ao nível dos
ca e a inovação nas suas mais variadas vertentes. vários setores da indústria,
da agricultura e do turismo,
Mas não foi apenas na produção que se tornou para mostrar ao mercado
necessário investir e estar atento. Tratando-se internacional a excelência
de um setor fortemente exportador, foi necessá-
dos nossos produtos.”
rio investir em determinados mercados, quando
tal se mostrou oportuno, e desinvestir noutros,
quando as condições económicas ou políticas Na inovação de produtos, o setor tem evoluído
desses mercados assim o aconselharam. substancialmente na sua multifuncionalidade,
satisfazendo não só as necessidades tradicionais
No plano tecnológico estamos ao melhor nível da construção e decoração, mas aliando outros
internacional, sendo que temos algumas das me- requisitos em termos de durabilidade, conforto,
lhores fábricas do mundo. Ao nível da qualidade decoração e design, sem esquecer que tem sido
dos produtos estamos igualmente equiparados à preocupação das empresas desenvolver novos
nossa concorrência. Já no que toca à criatividade produtos capazes de responder melhor às exi-
e ao know-how estamos até um pouco acima do gências do mercado da reabilitação. Estas exi-
que conhecemos a nível internacional. gências são muito específicas e obrigam a uma
maio 2017 ENTREVISTA 27

Já no que toca aos subsetores de mão-de-obra


mais intensiva, por natureza menos exigentes
em termos de tecnologia pura, é igualmente
difícil recrutar pessoas empenhadas e mobili-
zadas para os maiores desafios da criatividade.

Em matéria de formação profissional, e apesar


de termos o elevado contributo de um Cen-
tro de Formação Profissional e de um Centro
Tecnológico específicos para os setores que re-
presentamos, sediados nas Caldas da Rainha e
em Coimbra, respetivamente, as empresas têm
que ser os principais agentes da formação. Não
só pela sua própria localização geográfica, mas
atendendo também às especificidades de cada
uma, a formação na própria empresa é um im-
perativo que não é fácil transferir para outrem.

Mas, repito, estamos perante um desafio mui-


to sério, e não escondemos a preocupação que
o tema da formação profissional nos provoca
já no presente, mas ainda mais no futuro.

A cerâmica e cristalaria têm uma presen-


ça forte nos mercados externos? Quais
são os principais mercados externos de
exportação?
reinvenção dos produtos e das suas caracterís-
ticas, até para substituição de outros materiais. O valor das exportações portuguesas de produtos
cerâmicos ascendeu a 701 milhões de euros no
Cabe aqui referir ainda os desafios a que o setor ano de 2016, o que representa uma variação de
tem respondido ao nível das propostas para uma 6,3 por cento face a 2015. Este indicador com-
economia circular, não só interagindo com ou- para com a média de um por cento obtida para
tros setores industriais como dador e recebedor o conjunto das exportações nacionais de bens.
de resíduos para matérias-primas secundárias,
No ano de 2016, a cerâmica portuguesa chegou
como apostando em programas de melhoria am-
a 163 mercados internacionais. Para o conjunto
biental, como o “resíduo zero” ou o reaproveita-
de produtos cerâmicos (onde se inclui a cerâmica
mento das matérias-primas que utiliza e conver-
utilitária e decorativa, pavimentos e revestimen-
te. Tudo isto está relacionado com a inovação.
tos, louça sanitária, telhas e outros), França é o
principal mercado de destino, seguindo-se Espa-
Qual é a importância da formação neste setor?
nha, Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido.
A formação é fundamental neste setor e aí reside
seguramente uma das maiores preocupações das Em termos de áreas de destino, 70,2 por cento
empresas. É muito difícil o recrutamento de recur- do valor total exportado em 2016 corresponde
sos humanos qualificados para as várias funções ao mercado intracomunitário e 29,8 por cento
em que se torna necessário dominar as novas ao mercado extracomunitário.
tecnologias e intervir nos processos com um ele-
vado grau de sofisticação. Nestes casos, é aparen- Relativamente à cristalaria, as exportações por-
temente mais desafiante trabalhar nas áreas das tuguesas atingiram os 81,5 milhões de euros
novas tecnologias, mais em abstrato. No entanto, no ano de 2016, o que representa uma varia-
e para quem se deixa seduzir pela aplicação des- ção de 12,1 por cento face ao período homó-
sas tecnologias, aplicando-as ao concreto de um logo anterior (ano de 2015).
processo produtivo rigoroso e exigente, não será
menos aliciante, nem terá seguramente menos No ano de 2016, as nossas exportações de cris-
futuro em termos profissionais. talaria chegaram a 118 mercados internacio-
28 ENTREVISTA Portugalglobal nº98

Neste aspeto, e sendo certo que algumas


empresas têm uma comunicação muito forte
para os mercados de destino, a maioria não
tem capacidade de atingir o patamar de efi-
ciência necessária.

O setor tem assim que unir esforços para que


os produtos que fabrica tenham o valor acres-
centado que justificam, sob pena de mesmo
sendo os melhores, não sermos os mais fortes.

Para além desta aposta estratégica, é bom referir


que a volatilidade dos mercados, que acontece
pelas mais variadas razões em todos os conti-
nentes, obriga a uma maior diversificação desses
mercados e dos clientes. Para conseguir esse ob-
nais, dos quais os principais foram, por ordem jetivo, é essencial deter informação muito fiável
de importância, Espanha, Países Baixos, Alema- e atualizada sobre cada destino, nomeadamente
nha, França, Estados Unidos e Reino Unido. em termos estatísticos, de modo a evitar o míni-
mo de erros de avaliação. Por outro lado, é ain-
Por áreas de destino, 75,2 por cento do valor da fundamental ter presente que para contrariar
total exportado diz respeito ao mercado in-
tracomunitário e 24,8 por cento ao mercado
extracomunitário.

Qual a estratégia de internacionalização


que deve ser seguida pelas empresas?
Quanto à estratégia de internacionalização
das empresas, importa salientar que o setor é
muito heterogéneo quanto à sua dimensão e
quanto à natureza dos produtos que fabrica.
Recordo que alguns subsetores passaram por
processos de fusão tendentes a redimensionar
as empresas para as tornar mais competitivas,
enquanto noutros não será aplicável a mesma
receita por residir na sua menor dimensão a
sua maior flexibilidade. Por isso, cada empresa
terá de desenhar a estratégia à sua medida.

No entanto, julgo que há uma perspetiva estra- esta volatilidade, temos que estar predispostos a
tégica, que sendo transversal a todas as empre- ajustar permanentemente a estratégia traçada,
sas e aos vários subsetores, tem todo o sentido adaptando-a ao momento e às circunstâncias.
no atual contexto de globalização. É que, sendo
escasso o número de empresas dada a dimen- Investir num mercado é muito caro e tem sempre
são do nosso país, e sendo tão vastos e tão di- riscos associados, que serão tanto maiores quan-
versificados os mercados de destino, é funda- to maior for a dependência de fatores que não
mental uma estratégia ao nível do próprio sub- dominamos. Sendo esta a moldura económica e
setor, a funcionar em paralelo com a de cada política que temos, é fundamental prever e pre-
empresa. É por isso essencial que o setor tenha venir, com base na melhor informação disponível.
uma comunicação eficaz com os mercados, e
que se possa unir em torno de uma mensagem As feiras e a promoção são relevantes
concertada. Foi este o objetivo de criação de neste setor?
uma marca para o setor, alicerçada na mensa- Se as feiras são relevantes para este setor, a
gem “Ceramics, Portugal Does It Better”. promoção internacional é relevantíssima!
maio 2017 ENTREVISTA 29

De uma forma geral os empresários participam e internacionalização do setor passa por am-
seletivamente nas feiras internacionais de refe- pliar a imagem daquilo que a nossa indústria é
rência, até porque é nelas que apresentam as capaz de produzir, valorizando a qualidade, a
suas coleções e se mostram aos clientes. inovação e o design dos produtos portugueses
de cerâmica e cristalaria.
Muitas vezes a preocupação em vendermos o
que produzimos faz esquecer o preço, uma vez À APICER caberá procurar os contributos possí-
veis que levem, por um lado à melhor identifi-
cação dos mercados alvo, e por outro organizar
“A aposta estratégica as ações que se mostrem adequadas a esses
para o desenvolvimento mercados, nos quais teremos que nos impor e
e internacionalização do intervir por via da comunicação e do marketing
que fizermos. Para os serviços de comunicação
setor passa por ampliar a
e marketing, recorremos a empresas da espe-
imagem daquilo que a nossa
cialidade com experiência reconhecida.
indústria é capaz de produzir,
valorizando a qualidade, Para identificar estes mercados, recorremos não
a inovação e o design dos só aos estudos e análises feitas por entidades ex-
produtos portugueses de ternas, mas assentamos também as nossas deci-
cerâmica e cristalaria.” sões na auscultação que fazemos junto dos nos-
sos associados, nomeadamente através de co-
missões que constituímos especificamente para
que podíamos vender os mesmos produtos a esse efeito, quando tal se mostre conveniente.
partir de uma promoção mais eficaz, alavancada
numa marca mais forte do próprio país. Há assim Em torno da mensagem transmitida, “Ceramics,
um valor acrescentado que se perde, ou melhor, Portugal Does It Better”, apostamos em mercados
que se desperdiça por falta de promoção. selecionados, com uma representação institucio-
nal, a que associamos a presença de arquitetos e
Cabe aqui dizer que há um trabalho de fundo designers portugueses de renome internacional.
que seria importante desenvolver e que será Subjacente a estas participações está sobretudo
muito da responsabilidade da tutela ou das vá- o interesse em comunicar com esses mercados, a
rias tutelas, em colaboração com as empresas. partir da presença de personalidades com prestí-
gio reconhecido. Foi assim na Suécia, no Canadá
O país tem que investir mais na Marca Portu-
e em Marrocos em anos anteriores, e será assim
gal, juntando o que existe ao nível dos vários
em 2017 nos Estados Unidos, no Reino Unido e
setores da indústria, da agricultura e do turis-
no Dubai, nos quais contaremos com a presença
mo, para mostrar ao mercado internacional a
do arquiteto Luis Pedro Silva, reconhecido pela
excelência dos nossos produtos.
nobreza do projeto que assinou para o novo Ter-
Nas participações em eventos ou feiras interna- minal de Passageiros de Leixões, obra a que a ce-
cionais, as empresas aparecem normalmente com râmica está indissociavelmente ligada.
os seus catálogos próprios. Ainda assim, falta um
catálogo nacional português, que dê uma dimen- Também neste domínio não deixamos de refletir
são alargada ao próprio setor ali representado. sobre as questões estratégicas associadas à lo-
Desta forma, e para além da presença física das gística, tema que nos preocupa por assentarmos
empresas, estariam também representados o pró- demasiado as nossas exportações no transporte
prio setor nacional e a imagem externa de Portu- rodoviário, esquecendo que já hoje, e cada vez
gal. Aparecendo desgarrados e desenquadrados, mais no futuro, o transporte ferroviário será de-
perde alguma força a presença de cada um. terminante para o melhor escoamento dos nos-
sos produtos. É uma mensagem que deixamos
Qual a aposta estratégica para o desenvol- aos nossos governantes, porque nela se contém
vimento e internacionalização do setor? uma preocupação das empresas exportadoras,
A aposta estratégica para o desenvolvimento sobretudo para o mercado europeu.
30 MERCADOS Portugalglobal nº98

FRANÇA
Parceiro económico de grande relevância para Portugal, a França é o segundo
maior cliente de bens e serviços portugueses e um dos principais investidores
estrangeiros no nosso país. No turismo, é de realçar o forte crescimento da procura
do destino Portugal por parte dos franceses, com o consequente aumento de
dormidas e de receitas.
Também França tem sido o mercado escolhido por muitas empresas portuguesas
no âmbito dos seus processos de internacionalização, além da existência de uma
rede de empresas lideradas por membros da comunidade portuguesa emigrada
naquele país, assim promovendo a marca Portugal.
A forte expansão do relacionamento económico bilateral que se vive atualmente
permite antever algum otimismo em relação ao futuro, como defende Rui Paulo
Almas, delegado da AICEP em França, na sua análise ao mercado.
Destaque igualmente, neste dossier, para os artigos dos responsáveis da Câmara
de Comércio e Indústria Franco-Portuguesa, Carlos Vinhas Pereira, e da Câmara de
Comércio e Indústria Luso-Francesa, Laurent Marionnet, e de Jean-Pierre Pinheiro,
responsável pela equipa do Turismo de Portugal em Paris, bem como para os
testemunhos de empresas que apostaram quer em França, quer no nosso país para
desenvolverem os seus negócios.
maio 2017 MERCADOS 31

UM MERCADO INCONTORNÁVEL
PARA A ECONOMIA E PARA AS EMPRESAS
PORTUGUESAS
A França é o 2º país com maior população da União Europeia (66 milhões de
habitantes); a 6ª maior economia mundial (a 3ª da União Europeia), em termos de PIB
(Banco Mundial); o 6º exportador mundial de bens e serviços; o 14º emissor mundial de
investimento direto estrangeiro; o 5º maior mercado mundial emissor de turistas e o 1º
destino turístico do mundo (cerca de 83 milhões de turistas, em 2016). Possui, depois
dos EUA e da China, a maior rede diplomática mundial, um conjunto de empresas
multinacionais com presença global e posições de liderança mundiais em áreas como a
moda, serviços, distribuição, logística, energia, agroalimentar, automóvel, aeronáutica,
entre outras. Como ainda recentemente referia o MEDEF, principal associação patronal
francesa, a França dispõe de um savoir faire reconhecido internacionalmente e de
um conjunto de vantagens competitivas que deverão ser mais valorizadas, como a
existência de empresas inovadoras e dinâmicas, fileiras económicas de excelência, um
território bastante atrativo e uma reputação cultural mundialmente reconhecida.

É num país com uma ambição e uma As exportações portuguesas para


presença à escala global, fortemente França são constituídas por uma vas-
competitivo, exigente e concorrencial, ta e diversificada gama de produtos
e com a vontade, e também a neces- e serviços, com destaque para os que
sidade, de melhorar a sua competi- são transacionados por empresas dos
tividade económica e a forma como setores automóvel, mobiliário, agroa-
se insere num mundo cada vez mais limentar, máquinas, material elétrico,
globalizado, que as empresas e as vestuário, calçado, materiais de cons-
instituições portuguesas têm vindo a trução, viagens e turismo e transpor-
intervir de uma forma eficaz, susten- tes, constituindo o mercado francês o
tada e com ganhos bastante relevan- >POR RUI PAULO ALMAS, primeiro destino de exportação para
tes. Ou seja, a França tem constituído DIRETOR DA AICEP EM FRANÇA alguns destes setores.
um mercado aberto, dinâmico e com
oportunidades de negócios para pra- Igualmente, é de destacar o número
ticamente todos os setores da oferta a 2015, e atingiram 10.117 milhões crescente de empresas exportadoras
portuguesa de bens e serviços. de euros, enquanto as importações de bens para o mercado francês e a
totalizaram 6.010 milhões de euros quantidade e a variedade de iniciati-
A França é atualmente um dos prin- (8,4 por cento do total), o que repre- vas de promoção empresarial realiza-
cipais parceiros comerciais de Portu- sentou um crescimento de 6,7 por das neste mercado por associações
gal. Em 2016, foi o 2º cliente e o 3º cento face ao ano anterior. Nesse empresariais, câmaras de e comércio
fornecedor de bens e serviços, com ano, o saldo da balança comercial e outros atores públicos e privados,
uma quota de 13,4 por cento nas de bens e serviços continuou a ser e também a importância de um con-
nossas exportações e 7,9 por cen- favorável a Portugal com um valor junto de feiras e exposições interna-
to das importações. As exportações de 4.107 milhões de euros, sendo o cionais de projeção mundial que se
nacionais de bens e serviços para maior superavit da balança comer- realizam em Paris e que têm consti-
França cresceram 7,8 por cento face cial portuguesa. tuído um instrumento privilegiado
32 MERCADOS Portugalglobal nº98

de internacionalização das empresas a 5ª posição em termos de stock de Renault, GMD e Hutchinson; no ae-
portuguesas. Referimo-nos a certa- investimento, e de acordo com o prin- ronáutico é de mencionar a presença
mes como o SIAL (alimentar), Maison cipio direcional, com investimentos no de empresas como a Lauak e Meca-
& Objet (casa e decoração), Première valor de 5.384 milhões de euros, e que chrome; nos centros de serviços parti-
Vision (moda), Midest (subcontrata- representam dois por cento do total do lhados, cada vez de maior valor acres-
investimento direto estrangeiro capta- centado, merecem especial referência
do por Portugal. Atualmente, estima- as operações do BNP Paribas, Altran,
“A França tem -se que estejam instaladas em Portugal Europcar, Webhelp, Armatis, Tele-
constituído um mercado cerca de 750 empresas com capitais performance, Génération Verlingue,
franceses, das quais 600 são filiais de Euronext e Natixis; e claro, os investi-
aberto, dinâmico e
empresas francesas (37 dos 40 grupos mentos realizados por empresas como
com oportunidades franceses do CAC 40 estão presentes
de negócios para em Portugal), que geram um volume de
praticamente todos negócios anual de 14,3 mil milhões de
“Destaca-se o número
os setores da oferta euros, que asseguram perto de 62.000
crescente de empresas
postos de trabalho (fonte: Câmara de
portuguesa de bens e exportadoras de
Comércio e Industria Luso-Francesa) e
serviços.” bens para o mercado
que têm um peso muito relevante nas
exportações portuguesas. francês e a quantidade
ção), Who’s Next (moda) que, junta- e a variedade de
Dos setores mais tradicionais aos mais
mente com outras feiras de menor di- iniciativas de promoção
tecnológicos, como o aeronáutico e o
mensão, mobilizaram, em 2016, mais
automóvel, passando pelas startups,
empresarial realizadas
de 750 empresas nacionais, tendo-se neste mercado.”
Portugal tem assistido a um crescen-
ultrapassado o número alcançado em
te investimento francês em quase to-
2015 (cerca de 700 empresas).
das as áreas da atividade económica.
Destacamos apenas alguns exemplos a Vinci, Altice, Ardian, Voltalia e Engie
Em termos de investimento, as empre-
de empresas francesas que decidiram nas áreas das infraestruturas, energia
sas multinacionais francesas (excluin-
instalar-se ou expandir a sua opera- e telecomunicações, ou Auchan, In-
do o setor bancário) controlavam, em
ção em Portugal nos últimos anos: termarché, Decathlon e FNAC na área
2014, 37.000 filiais no estrangeiro em
no setor automóvel a Faurecia, PSA, da distribuição.
mais de 190 países, de acordo com um
estudo recentemente publicado pelo
INSEE – Instituto Nacional de Estatística
e de Estudos Económicos (França). Es-
tas filiais no estrangeiro empregavam
5,5 milhões de trabalhadores, ou seja
56 por cento do efetivo total dos respe-
tivos grupos, e realizavam um volume
de negócios consolidado de 1.248 mil
milhões de euros que representava 54
por cento do volume de negócios total
das empresas. Em termos de distribui-
ção geográfica, os países da União Eu-
ropeia (excluindo França), constituíam
a primeira zona de implantação das
empresas multinacionais francesas re-
presentando 38 por cento do total dos
efetivos no estrangeiro e 2,1 milhões
de trabalhadores.

A França é, tradicionalmente, um dos


maiores investidores estrangeiros em
Portugal ocupando, no final de 2016,
maio 2017 MERCADOS 33

Portugal é um país aberto ao investi-


mento estrangeiro e a captação de in-
vestimento estruturante constitui uma
prioridade económica das autoridades
portuguesas. Em França, a AICEP tem
dado particular atenção às atividades
de promoção e de captação de in-
vestimento estrangeiro, muitas vezes
em estreita articulação com iniciativas
dinamizadas por outras empresas e
entidades, como a Câmara de Co-
mércio Luso-Francesa, beneficiando
do facto de Portugal dispor de instru-
mentos muito competitivos de apoio
à contratação e ao investimento e de
outros fatores muito relevantes nesta
área, como a sua integração no espa-
ço da União Europeia e na Zona Euro,
a proximidade geográfica, cultural e
“institucional”, a facilidade de comu-
nicação, a estabilidade política e eco-
nómica e a boa imagem que o país
goza (atualmente) em França.

Para além disso, o crescimento expo-


nencial do número de turistas france- timando-se que existam mais de 350 da Caixa Geral de Depósitos (aborda-
ses que nos visitam e que apreciam o empresas com investimentos diretos da nesta revista), muitas outras em-
país, a existência de algumas medidas neste país que empregam mais de presas, pequenas e médias, estão pre-
relacionadas com isenção de paga- 2.400 pessoas (fonte: Business Fran- sentes em setores tão diversos como a
mento de impostos sobre as reformas ce - Observatório Europa). Para além construção e obras públicas, equipa-
recebidas no estrangeiro, a relação mentos metálicos, bens alimentares e
qualidade preço do imobiliário em bebidas, vestuário, bijuteria, mobiliá-
Portugal e o trabalho desenvolvido “No turismo, há a rio ou restauração.
pelas empresas portuguesas e pela referir um aumento
Câmara de Comércio e Indústria Fran- No que se refere ao turismo (veja o
exponencial de turistas
co-Portuguesa, com a dinamização artigo de Jean-Pierre Pinheiro, coor-
franceses que visitaram denador da equipa do Turismo de
do Salão do Imobiliário e do Turismo
Português em França, têm levado vá-
Portugal, o elevado Portugal em França), há a referir um
rios milhares de franceses a adquirem número de ligações aumento exponencial, sobretudo nos
habitação em Portugal, sobretudo nas aéreas semanais a partir últimos quatro anos, de turistas fran-
regiões de Lisboa, Porto e Algarve. de aeroportos franceses ceses que visitaram Portugal (passa-
ram de cerca de 800 mil para mais de
e o facto de França ter
Quanto aos fluxos de investimento dois milhões de turistas), o elevado
constituído, em 2016, o número de ligações aéreas semanais
de Portugal para França, em termos
de stock de investimento, e de acor- 1º mercado gerador de a partir de aeroportos franceses (cerca
do com o princípio direcional, alcan- receitas para a hotelaria de 500 ligações semanais de 22 aero-
çaram, no final de 2016, cerca 988 global portuguesa.” portos franceses) e o facto de França
milhões de euros e 5,4 por cento do ter constituído, em 2016, o 1º merca-
total, o que colocou este país como do gerador de receitas para a hotelaria
o 10º mercado de destino do investi- de grandes grupos e empresas como global portuguesa (18 por cento do
mento direto português no exterior. o Grupo Amorim, Novadelta, Frulact, total e um valor 2.277,3 milhões de
É de assinalar que vem também au- Logoplaste, Inapa, Renova, Simoldes, euros), à frente do Reino Unido (17,9
mentando o número de empresas Visabeira, EDP Renováveis, ou a ban- por cento), Espanha (12,9 por cento)
portuguesas instaladas em França, es- ca, onde merece destaque a operação e Alemanha (11,7 por cento). Em
34 MERCADOS Portugalglobal nº98

termos de dormidas na hotelaria glo- lações e os contactos intraempresas por cento a 1,5 por cento em 2018.
bal, em 2016, o mercado de França, da diáspora, e entre estas e as suas Os dados de maio de 2017 do Baró-
ocupou a 3ª posição (10,3 por cento congéneres em Portugal, e também metro Corporate Investment & Cash
do total), depois do Reino Unido (23,9 promovendo o investimento de algu- Flow da Euler Hermes destacam ain-
por cento) e da Alemanha (13,7 por mas delas no nosso país. da que uma em cada três empresas
cento). Em parte graças a este dina- francesas tem planos de investimento
mismo do setor do turismo, a França para 2017 e que nove em cada 10
foi, em 2016, o 1º mercado para as “É de destacar o peso empresas esperam melhorar ou esta-
exportações portuguesas de serviços crescente das empresas bilizar o seu cash-flow em 2017.
(3.919 milhões de euros de exporta-
ligadas à diáspora
ções que representaram 14,9 por cen- Em síntese, podemos afirmar que se
to do total). portuguesa em França atravessa um momento de forte ex-
ou a luso-descendentes pansão das relações económicas e
Merece também especial destaque o que se estimam em comerciais entre Portugal e França e
peso crescente das empresas ligadas cerca de 45 mil firmas que existe um grande otimismo, em
à diáspora portuguesa em França ou termos gerais, em relação ao poten-
nos mais diversos setores
a luso-descendentes que se estimam cial e ao futuro destas relações. Na
em cerca de 45 mil firmas (fonte: Câ-
de atividade económica, área da promoção das exportações,
mara de Comércio e Indústria Franco- espalhadas por todo o do investimento direto, como na área
-Portuguesa), nos mais diversos seto- território francês.” do turismo, existem uma multiplici-
res de atividade económica, espalha- dade de oportunidades de negócios
das por todo o território francês, e ainda por explorar, ou por alargar,
que têm um papel muito relevante na Com as últimas eleições presidenciais pelo que as empresas e agentes
sustentabilidade e no reforço das re- francesas, ganhas por Emmanuel Ma- económicos dos dois países deverão
lações económicas bilaterais (veja-se cron, e de acordo com a Euler Hermes, continuar a desenvolver e a aprofun-
o caso da empresa Agriberia que des- verificou-se uma melhoria da confian- dar este relacionamento, cabendo à
tacamos nesta revista). A AICEP está ça dos agentes económicos franceses, AICEP um papel muito relevante no
a acompanhar e irá reforçar o acom- esperando-se um aumento do investi- estímulo e na promoção das relações
panhamento desta realidade econó- mento produtivo e alterações relevan- económicas e empresariais entre Por-
mica e empresarial, através de uma tes ao nível fiscal e laboral, para além tugal e França.
maior divulgação das características de um cenário de crescimento do PIB
destas empresas, estimulando as re- de 1,5 por cento em 2017, e de 1,3 aicep.paris@portugalglobal.pt
maio 2017 MERCADOS 35

TURISMO
Portugal é destino cada vez mais procurado
pelos franceses
Para fazer férias, viver depois da reforma, iniciar um novo negócio ou estudar,
Portugal acolhe anualmente um número crescente de franceses, para os quais o
nosso país é hoje um destino incontornável.
Os resultados deixam satisfeitas as autoridades portuguesas, designadamente as de
promoção turística, mas considera-se haver ainda um grande potencial a explorar
no mercado francês.
Jean-Pierre Pinheiro, responsável do Turismo de Portugal em Paris, analisa a
importância deste mercado para o turismo e a economia nacionais.

Portugal recebeu 11,4 milhões de 1,3 milhões de hóspedes em 2016 (mais


hóspedes em 2016, registando uma 11,7 por cento) e mais de 2 milhões em
progressão de 12,7 por cento face ao todos os meios de alojamento, os turis-
ano anterior. Os principais mercados tas franceses contribuíram com 2,28 mil
em destaque foram a Espanha, Ingla- milhões de euros nas receitas turísticas
terra, França e Alemanha. França con- de Portugal (mais 18 por cento), acima
tinua numa dinâmica muito positiva e da média nacional (12,6 mil milhões de
Portugal tornou-se um destino incon- euros, mais 10,7 por cento). Refira-se
tornável para os franceses. que no período de 2012 a 2016 as re-
ceitas dos turistas franceses em Portugal
>POR JEAN-PIERRE PINHEIRO, Desde 2013 que França é o terceiro aumentaram 10,4 por cento, enquanto
RESPONSÁVEL DO TURISMO mercado emissor para Portugal em ter- o número de dormidas na hotelaria glo-
DE PORTUGAL EM PARIS mos de Hóspedes na Hotelaria. Com bal cresceu 10,3 por cento.
36 MERCADOS Portugalglobal nº98

Estamos muito satisfeitos com os re- para Faro desde Lille, Nice, Toulouse, Meeting & Incentive, logo atrás de Es-
sultados mas sabemos que podemos Lyon e Nantes, fruto de um trabalho panha e França.
fazer ainda mais, dado que o mercado intenso do Turismo de Portugal, das Re-
francês está longe de atingir o máxi- giões de Turismo e dos aeroportos. Verifica-se também uma forte e notável
mo de seu potencial. apetência por Portugal a nível da impren-
Mantemos metas ambiciosas e conti- sa. Nunca se falou tanto sobre nosso
Portugal ganha cada vez mais quota nuamos a desenvolver esforços a nível país e de forma tão elogiosa. Em 2016,
de mercado em termos de operação e da comunicação, de investimentos em deslocaram-se 158 jornalistas franceses
de vendas dos operadores franceses. marketing, de ações B2B com os prin- para ao nosso país com o apoio desta
Em 2016, Portugal foi o destino que cipais parceiros franceses, operadores, delegação do Turismo e das Agências
mais cresceu em termos de vendas agências de viagem, companhias aéreas Regionais de Promoção Turística, resul-
nas agências de viagem em França. e agências online. Existem perspetivas tando destas visitas mais de 500 artigos
Segundo os dados da Les Entreprises interessantes em termos de novas pro- e reportagens na imprensa francesa que
du Voyage, a associação francesa das gramações, novas aberturas de hotéis chegaram a 197 milhões de pessoas.
agências de viagem, Portugal ocupava clubes operados por empresas france-
o quarto lugar neste domínio, atrás sas, e de diversificação de programações Mas mais de que um destino turístico, os
de Espanha, Itália e Grécia, mas alcan- temáticas e/ou em destinos regionais franceses veem em Portugal um destino
çou a primeira posição em termos de menos vendidos. de residência, seja para se reformar, seja
progressão face ao ano anterior, com para instalar a sua atividade profissional.
mais 21 por cento (a Espanha regis- O mercado de Meeting & Incentive Estima-se em mais de 50.000 os france-
tou mais 6 por cento e todos os ou- tem também reagido bem. Grandes ses reformados, residentes ativos, start-
tros principais destinos concorrentes marcas francesas, grandes empresas ups, etc., que escolheram Portugal para

registaram quebras entre menos 5 por ou laboratórios escolhem Portugal para viver. Já ninguém pode passar ao lado de
cento e menos 70 por cento). realizar os seus eventos. O trabalho fei- Portugal! Este é, alias, o tema central da
to pela equipa de captação de eventos nossa nova campanha de comunicação.
O mercado beneficia de excelentes liga- na sede do Turismo de Portugal, mas
ções aéreas entre os dois países. Temos também na equipa de turismo em Pa- Estamos muito otimistas e com gran-
mais de 500 voos por semana para e ris, vai dando resultados. Este ano, um des ambições com este mercado que
desde 22 aeroportos franceses e temos inquérito da Pro-Sky posiciona Portugal ainda muito tem para nos trazer.
conhecimento de novas rotas previstas como 3° destino mais procurado pelas
para o verão de 2017, nomeadamente empresas francesas no segmento de jean-pierre.pinheiro@turismodeportugal.pt
maio 2017 MERCADOS 37

RELACIONAMENTO PORTUGAL - FRANÇA


A França é o segundo maior cliente de bens e serviços portugueses e o nosso
terceiro fornecedor, com quotas, respetivamente, de 13,4 por cento e 8,4 por cento
do total em 2016. É também um importante investidor em Portugal.

Nos últimos cinco anos (2012-2016), como fornecedor de Portugal, com (15 por cento do total exportado),
a balança comercial de bens e serviços uma quota de 7,8 por cento. as máquinas e aparelhos (11,1 por
entre Portugal e a França foi sempre cento) e os metais comuns (9,5 por
favorável ao nosso país, com um cres- cento). Salientam-se os aumentos
cimento médio anual de 6,5 por cento “Os incentivos fiscais de 15,8 por cento das máquinas e
nesse período, enquanto as importa- e a flexibilidade aparelhos e de 10,4 por cento dos
ções portuguesas do mercado francês metais comuns face ao ano anterior.
introduzida na
aumentaram 7,9 por cento. Em valor, Plásticos e borracha, calçado, ves-
as exportações portuguesas de bens
legislação laboral são tuário, minerais e minérios, produtos
e serviços ultrapassaram os 10,11 mil muito apreciados pelas alimentares, madeira e cortiça, pro-
milhões de euros, contra cerca de 6 empresas e agentes dutos agrícolas, pastas celulósicas e
mil milhões de importações. económicos franceses.” papel e matérias têxteis são outros
grupos de produtos portugueses ex-
No relacionamento comercial bilate- portados para França.
ral, destaca-se o comércio de bens, No que respeita aos grupos de pro-
com França na 2ª posição no ranking dutos mais exportados para França, De referir que, em 2015, o INE re-
dos principais clientes, com uma quo- em 2016, destacaram-se: os veícu- gistou 4.418 empresas exportadoras
ta de 12,6 por cento, e a 3ª posição los e outro material de transporte portuguesas para o mercado fran-

BALANÇA COMERCIAL DE BENS DE PORTUGAL COM A FRANÇA

2012 2013 2014 2015 2016 Var % 16/12a 2016 jan/mar 2017 jan/mar Var % 17/16b
Exportações 5.351,3 5.496,8 5.658,6 6.034,1 6.333,2 4,3 1.599,0 1.756,6 9,9
Importações 3.711,9 3.834,7 4.180,8 4.468,6 4.757,4 6,4 1.161,2 1.290,6 11,1
Saldo 1.639,4 1.662,0 1.477,8 1.565,5 1.575,8 -- 437,8 466,1 --
Coef. Cob. 144,2 143,3 135,3 135,0 133,1 -- 137,7 136,1 --
Fonte: INE - Instituto Nacional de Estatística Unidade: Milhões de euros
Notas: (a) Média aritmética das taxas de crescimento anuais no período 2012-2016 (b) Taxa de variação homóloga 2016-2017
(2012 a 2015: resultados definitivos; 2016 e 2017: resultados preliminares)
38 MERCADOS Portugalglobal nº98

cês quando em 2011 tinham sido con-


tabilizadas 3.814 empresas.

A estrutura das importações é mais


concentrada do que a das exporta-
ções, sendo que os quatro principais
grupos de produtos comprados por
Portugal a França, em 2016 – veícu-
los e outro material de transporte,
máquinas e aparelhos, produtos quí-
micos e produtos agrícolas – concen-
traram 63 por cento do total impor-
tado por Portugal.

O mercado francês é igualmente mui-


to importante enquanto cliente dos
serviços portugueses, tendo sido o 2º
maior em 2016, com 14,9 por cento
do total exportado por Portugal. Em
termos de fornecedor de serviços, foi
o 3º mercado, representando 9,5 por
cento do total importado nesse ano.

rem mais na área industrial e produtiva estimando-se que existam mais de


No período de 2012-2016, a balan-
do que nos serviços, embora também 350 empresas com investimentos di-
ça comercial de serviços entre Portu-
nesta área se verifique uma presença retos neste país que empregam mais
gal e a França foi favorável ao nosso
em Portugal de grande dimensão. Para de 2.400 pessoas.
país, salientando-se um crescimento
além de grandes grupos e empresas de
médio anual das exportações, nesse
vários setores de atividade, existe um Segundo dados do Banco de Portugal,
período, de 9,7 por cento enquan-
conjunto de várias centenas de peque- no período 2012-2016, o investimento
to o das importações foi de 9,3 por
nas e médias empresas, algumas delas de França em Portugal (IDE), de acordo
cento. Em valor, as exportações de
criadas nos últimos anos, nestes e nou- com o Princípio Direcional, registou os
serviços para França atingiram, em
tros setores (como as TIC, aeronáutica, seus valores mais elevados em 2015 e
2016, 3,92 mil milhões de euros,
energia, ambiente ou turismo e restau- 2016 (respetivamente 443,7 milhões
contra 1,25 mil milhões em impor-
ração), que reforçam a sua presença
tações, de acordo com os dados do de euros e 257,1 milhões de euros, em
em Portugal.
Banco de Portugal. valores líquidos). Em termos de stock, o
investimento direto de França em Por-
Os incentivos fiscais e a flexibilida-
Os tipos de serviços que mais contri- tugal ascendia a 5.383,6 milhões de
de introduzida na legislação laboral
buíram para o saldo positivo da ba- euros no final de dezembro de 2016,
são muito apreciados pelas empre-
lança de serviços, entre Portugal e a representando 4,8 por cento do total
sas e agentes económicos france-
França, no último ano, foram: as via- captado por Portugal.
ses. Para além destas medidas, a
gens e turismo (58,1 por cento do to-
proximidade geográfica, a facilida-
tal dos serviços exportados, mais 13,5 No que respeita ao IDPE, em 2016,
de de comunicação, a estabilidade
por cento face ao ano anterior) e os os fluxos de investimento direto de
política e económica do país, o re-
transportes (20 por cento do total e Portugal em França, em termos líqui-
conhecimento e prestígio da comu-
mais 12,3 por cento). dos, foram de 86,5 milhões de eu-
nidade portuguesa em França são
alguns dos fatores que têm contri- ros, depois de menos 24,8 milhões
Investimento buído para este interesse das em- euros em 2015, de acordo com o
A França é, tradicionalmente, um dos presas francesas por Portugal. Princípio Direcional. Em termos acu-
maiores investidores estrangeiros em mulados, o investimento direto de
Portugal. Trata-se de investimentos que É de assinalar que vem também au- Portugal em França totalizava 988,2
têm vindo a implantar-se desde há dé- mentando o número de empresas milhões de euros no final de dezem-
cadas e com a característica de incidi- portuguesas instaladas em França, bro de 2016.
maio 2017 MERCADOS 39

PORTUGAL EM FRANÇA,
FRANÇA EM PORTUGAL
O momento que vivemos na relação económica, comercial e de investimento entre
França e Portugal é, de facto, único. As grandes dúvidas dos agentes envolvidos,
empreendedores e investidores em particular, são: quais as oportunidades ainda
existentes e quanto tempo durará a “moda Portugal” em França. Ninguém tem a
resposta exacta a estas questões. Nós, na Câmara de Comércio e Indústria Franco-
Portuguesa, mais do que procurar a resposta, estamos decididos a aproveitar ao
máximo o interesse em Portugal, estimá-lo para que se estenda o mais tempo
possível, e durante o mesmo procurar colocar em destaque a diversidade das
oportunidades existentes, para fazer chegar o investimento e as iniciativas
empresariais a sectores de actividade, concelhos e zonas do país mediaticamente
mais desfavorecidas.

Um exemplo, a última edição do Salão os vários municípios que a compõem,


do Imobiliário e do Turismo Português mas igualmente da margem sul de Lis-
em Paris, que levou 16.000 visitantes boa, da Madeira, Valpaços, Idanha-a-
ao encontro de 200 expositores imo- -Nova, Nazaré reflecte o esforço e a
biliários, construtores, arquitectos, de- vontade de dar a conhecer as oportu-
signers, financiadores, da saúde, con- nidades que estes oferecem e alargar
sultores, agentes de turismo. O Salão as possibilidades para o investimento
desde 2014 que atrai cada vez mais vindo de França. 350 milhões de eu-
investidores e empreendedores. Se ac- ros de investimento em Portugal é a
tualmente o tivéssemos de classificar, estimativa que fazemos em resultado
>POR CARLOS VINHAS
diríamos que é um salão de destino e desta última edição do Salão.
PEREIRA*, PRESIDENTE
DA CÂMARA DE COMÉRCIO de investimento para profissionais e
E INDÚSTRIA particulares. A presença da Comuni- Mas a nossa acção para a promoção do
FRANCO-PORTUGUESA dade Intermunicipal de Coimbra, com empreendedorismo e do investimen-
40 MERCADOS Portugalglobal nº98

to em Portugal não se esgota num só nizamos em Setembro acaba por levar


evento. Durante todo o ano promove- a outros pontos de França, como Lyon,
mos formações sobre como criar a sua Lille, Nantes e Bordéus, esta promoção
PME em Portugal. Em dois anos recebe- e informações.
mos cerca de 100 potenciais empreen-
dedores que aprenderam as grandes No capítulo do comércio entre os dois
A CCILF:
linhas da abertura de uma empresa em
Portugal, condições e obrigações so-
países, temos procurado reforçar o
interesse de grandes grupos france-
130 anos
ses pelas empresas portuguesas. Reu-
nimos já este ano com responsáveis
ao serviço
“350 milhões de euros de compras da Vinci Construções,
da Vinci Concessões, da Dior, da GL
das empresas
de investimento em
Events, e temos proposto sobre dife-
Portugal é a estimativa
rentes formatos reuniões com as em- Este ano, a Câmara de
que fazemos em presas nossas associadas.
resultado desta última Comércio e da Indústria
edição do Salão do Estamos actualmente a trabalhar em
Luso-Francesa comemora
130 anos da sua
Imobiliário e do Turismo estreita colaboração com o Conselho
da Região Ile-de-France para a iden- presença em Portugal.
Português em Paris.”
tificação de oportunidades de desen- Esta longevidade é
volvimento económico entre eles e testemunho das relações
ciais e fiscais, boas práticas, organismos
a região da Grande Lisboa, estando de longo prazo entre os
a contactar. A formação teve um papel
prevista uma visita técnica a Portugal nossos dois países.
brevemente.
determinante na fase de maturação dos
respectivos projectos, transmitindo as *O autor escreve de acordo com a antiga or-
informações necessárias para a fase em tografia.

que se encontravam, mas igualmente


transmitindo uma dose de confiança ao ccifp@ccifp.fr
empreendedor. O roadshow que orga- www.ccifp.fr

>POR LAURENT MARIONNET,


DIRETOR-GERAL DA CÂMARA
DE COMÉRCIO E INDÚSTRIA
LUSO-FRANCESA

Criada inicialmente como um clube de


negócios por empresários franceses
que pretendiam partilhar a sua expe-
riência, a atividade da CCILF evoluiu
ao longo do tempo para se adaptar
à evolução do mundo económico e
responder melhor às expectativas das
empresas francesas e portuguesas.

Com a sua sede em Lisboa e uma dele-


gação no Porto, a sua equipa de nove
pessoas bilingues propõe atualmente
um leque de prestações completo que
maio 2017 MERCADOS 41

permite acompanhar os projetos de de- o território francês e estamos em con- a CCILF dispõe atualmente de cerca de
senvolvimento das empresas entre os tacto direto com mais de três milhões 600 membros, que representam a pri-
dois países, entre o estudo de viabilida- de empresas. Além disso, desenvolve- meira rede francesa de negócios em
de e a sua implantação. Assim, temos a mos um conjunto de prestações para Portugal. Naturalmente, visamos desen-
capacidade de acompanhar as empre- efetuar um acompanhamento excelen- volver esta rede para que cada membro
sas francesas que pretendem vender te das diligências levadas a cabo pelas possa trocar e encontrar nela oportuni-
os seus produtos em Portugal, que os empresas portuguesas. dades de negócios. Para o efeito, orga-
subcontratantes ou parceiros procuram nizamos eventos de networking e semi-
e, finalmente, podemos auxiliá-los nas nários de negócios com vista a facilitar
suas diligências de implantação em Por- “Na qualidade o contacto entre as empresas portugue-
tugal. Logicamente, para sermos bem-
de Câmara de sas e francesas. Além disso, em 2016,
-sucedidos, trabalhamos em conjunto organizámos 45 eventos que reuniram
com vários parceiros e, em especial, a
Comércio bilateral,
1.911 participantes.
AICEP com quem temos relações estrei- temos igualmente
tas e regulares para facilitar o trajeto das a capacidade de
Com os seus parceiros: a Embaixada
empresas francesas em Portugal. acompanhar as de França, a Business France (a AICEP
empresas portuguesas francesa) e os Conselheiros do Comér-
Na qualidade de Câmara de Comércio
que pretendem cio Externo da França, a CCILF assu-
bilateral, temos igualmente a capacida-
de de acompanhar as empresas portu-
estender a sua atividade me, assim, uma posição de interface

guesas que pretendem estender a sua para França.” entre Portugal e França que contribui
integralmente para o crescimento das
atividade para França. Para o efeito,
relações económicas entre os nossos
estabelecemos contactos com a repre-
Com vista a concretizar o objetivo de dois países.
sentação da AICEP de Paris, mas recor-
remos igualmente à nossa rede parcei- desenvolvimento do comércio entre os
ra de Câmaras de Comércio e Indústria dois países, mantivemos a nossa ativida- info@ccilf.pt
que se encontram espalhadas em todo de de clube de negócios. Deste modo, www.ccilf.pt
42 MERCADOS Portugalglobal nº98

FRULACT
Uma referência no mercado francês
Empresa de cariz familiar fundada em 1987, a Frulact é uma das cinco maiores
empresas mundiais do setor dos preparados de fruta e está presente no mercado
francês há mais de 16 anos, primeiro através da exportação e, mais tarde, com
investimentos na área produtiva. Uma aposta ganha pela empresa portuguesa, que
tem hoje no mercado francês o seu principal cliente, representando 38 por cento do
volume de negócios do Grupo e 40 por cento das exportações a partir de Portugal.
João Miranda, CEO e cofundador da Frulact, fala, na primeira pessoa, deste
importante desafio.

“O Grupo Frulact definiu o mercado passou por trazermos para Portugal, tes mais pequenos e pulverizados ou
francês como alvo, no início da década para o nosso headquarter, quadros se pelos maiores e concentrados. Op-
de 2000. Este, tal como todos os merca- com skills que nos pudessem suportar támos pela via mais difícil e exigente,
dos maduros, são de alto risco. Porquê? nesta aposta. Serem elementos facili- a dos clientes maiores. Aqui, os ní-
Porque a concorrência mantém uma tadores na abordagem ao mercado, e veis de exigência, de diferenciação e
vigilância ativa sobre a movimentação competitividade estavam ao nível da
de todos os players, porque os clientes nossa ambição.
estão pouco recetivos a ‘experiências’
com novos fornecedores, e porque a Queríamos ganhar um espaço impor-
entrada num mercado desta dimensão tante no mercado mais exigente do
exige investimentos muito importantes, espaço europeu, e queríamos
seja em meios produtivos para garantir fazê-lo desafiando-os e desa-
oferta em qualidade e quantidade, seja fiando a nossa organização.
ainda para garantir o inevitável reforço
em capital humano adequado e conhe- Foi com este racional, e acre-
cedor do mercado e da cultura. ditando inequivocamente que
seriamos capazes, que inves-
JOÃO MIRANDA,
Falhar a ‘aterragem’ num mercado
CEO DA FRULACT
como o francês pode hipotecar um
projeto no seu todo, pois dificilmente
serem elementos ‘aculturadores’ da
haverá uma segunda oportunidade e os
nossa organização.
estilhaços espalhados na organização,
com impactos negativos em termos
Ao longo destes dois
motivacionais e em termos financeiros,
anos, fomos perceben-
dificilmente conseguirão ser revertidos.
do que, para entrar-
mos no mercado fran-
A Frulact preparou a sua entrada neste
cês deveríamos garantir
mercado durante dois anos. Para além
um forte conhecimento
dos tradicionais researches de merca-
dos consumidores, aportar
do, efetuámos um verdadeiro esforço
diferenciação e competitivida-
no recrutamento de inúmeros quadros
de, e termos dimensão.
com conhecimento da cultura e/ou
mercado francês. Desde luso-descen- Por outro lado, deveríamos de-
dentes a franceses, a estratégia de RH cidir se a entrada seria pelos clien-
maio 2017 MERCADOS 43

timos numa nova fábrica na Covilhã,


considerada ainda hoje como uma das
melhores em termos tecnológicos em
toda a Europa.

Com este investimento, que ficou con-


cluído em 2005, demonstrámos que
tínhamos capacidade produtiva e com-
petências técnicas e industriais para nos
batermos no mercado com os melhores.

Acrescentámos a este esforço investi-


mento focado em inovação ao nível dos
produtos. Inovação que fosse capaz de
surpreender e de fortalecer passo a pas-
so a imagem e a notoriedade do Grupo
Frulact junto das grandes multinacionais
dos setores onde atuamos.

Como reforço, comprámos ainda em


2005 um concorrente francês que nos
ajudou a aproximar mais ao mercado.
Em 2008, voltámos a comprar um ou-
tro concorrente no sul de França e fu-
sionámos as duas operações industriais,
passando a ter a Frulact uma operação
industrial de relevo neste importante
mercado que nos ajuda, ainda hoje, a
fortalecer a aproximação ao mesmo.
MÓVEIS CARLOS ALFREDO
Pode dizer-se que foi necessário pra-
ticamente uma década de esforço e
França é mercado estratégico
de investimento para entrar e conso-
lidar a nossa posição de player de re- A empresa Móveis Carlos Alfredo está presente no
ferência do nosso setor em França. O
mercado francês há mais de 40 anos, onde entrou
mercado francês é hoje o nosso maior
através da subcontratação, tendo conhecido uma
mercado, e representa 38 por cento
forte expansão que levou à criação de uma marca
do volume de negócios consolidado
de mobiliário própria em parceria com uma grande
para o Grupo Frulact e 40 por cento
das exportações a partir de Portugal.
empresa local. Em termos de futuro, o objetivo da
empresa de Paredes é criar uma estrutura em França e
Com foco, assunção de risco, muita vender diretamente aos clientes.
preparação e investimento direciona-
do conseguimos um objetivo que se
Fundada em 1964, em Rebordosa, mitindo assim iniciar exportações para
revelava como ambicioso e crítico há
Paredes, a Móveis Carlos Alfredo co- os mercados francês e espanhol.
quase 20 anos atrás, e que hoje é uma
meçou como uma pequena empresa
das âncoras da sustentabilidade e no-
familiar, especializada no fabrico de Graças à qualidade dos seus móveis,
toriedade do Grupo Frulact.”
móveis de madeira maciça, mas rapi- em 2003, 50 por cento da produção
damente cresceu graças ao contínuo da Móveis Carlos Alfredo foi subcon-
info@frulact.com investimento em inovação tecnológi- tratada pelo fabricante francês Meu-
www.frulact.pt ca e à mão-de-obra qualificada, per- bles Girardeau, empresa a quem se
44 MERCADOS Portugalglobal nº98

iria associar mais tarde para criar uma próprios, a que se sucedeu a já referida
nova sociedade e uma marca própria parceria com a Girardeau. Relativamen-
para aquele mercado, a Gicamob. te a projetos para o futuro, o objetivo

“A aposta no mercado francês acabou


principal é criar uma estrutura em Fran-
ça e vender diretamente no mercado.
DELTA CAFÉS
por ser uma aposta natural tendo em
conta que este era o melhor mercado, Atualmente o mercado francês re-
Aposta
a nível estratégico e a nível de proxi-
midade. Este mercado é trabalhado há
presenta 90 por cento do volume de bem-sucedida
vendas da Móveis Carlos Alfredo, cuja
mais de 40 anos e como tal a empresa faturação em França atinge já os 12 no mercado
Móveis Carlos Alfredo já está aí bem
francês
milhões de euros, o que faz da em-
consolidada”, relata Carlos Silva, sócio- presa portuguesa um dos fabricantes
-gerente da empresa. líderes do mercado francês.

Para Carlos Silva, as principais vanta- Nascida há 56 anos pela


“A expansão da gens do mercado francês assentam vontade empreendedora
Móveis Carlos Alfredo
no facto de se tratar de um mercado do seu fundador, Rui
passou pela venda
de grande dimensão, com uma “forte Nabeiro, a Delta Cafés
possibilidade de expansão”. É tam- lidera o setor dos cafés
direta em lojas, bém um mercado para o qual “o pro-
em Portugal, mas os
com departamentos cesso de logística é fácil e acessível”.
Por fim, “o mercado francês é um
seus produtos estão
comercial e de logística presentes em mais de 40
mercado que está habituado a traba-
próprios, a que se mercados externos, que
lhar com Portugal e com o produto, e
sucedeu a parceria gosta da qualidade nacional”, acres- representam mais de 30
com a Girardeau. centa a mesma fonte. por cento do total das
Relativamente a vendas da empresa de
projetos para o futuro, Por outro lado, o mercado francês “é Campo Maior. A aposta no
o objetivo principal bastante competitivo e exigente, o que mercado francês começou
acaba por ser uma desvantagem e uma
é criar uma estrutura em 2007, no âmbito da
dificuldade. Outra dificuldade sentida
em França e vender pela empresa Móveis Carlos Alfredo é
estratégia de expansão do
diretamente no relativa à fidelização do cliente, já que
Grupo, e os resultados são
mercado.” estando longe do mercado, este pro- muito positivos.
cesso torna-se mais complicado”, con-
clui o mesmo responsável.
Inovação e qualidade foram e são fatores
A expansão da Móveis Carlos Alfredo de sucesso da Delta Cafés na conquista
passou pela venda direta em lojas, com moveis@cabs.pt
dos consumidores. Em França, onde se
departamentos comercial e de logística www.cabs.pt encontra diretamente desde 2007, a
empresa portuguesa apostou de início
na comunidade emigrante portuguesa
em França, mas rapidamente alargou
a sua presença chegando também aos
consumidores franceses.

Como explica Rui Miguel Nabeiro,


administrador do Grupo Nabeiro - Delta
Cafés, a abordagem ao mercado francês
foi orientada, “numa primeira fase,
para as regiões com maior população
emigrante portuguesa, capitalizando a
forte notoriedade da marca junto deste
público. O negócio cresceu primeiro
maio 2017 MERCADOS 45

pela região de Paris, tendo alargado


posteriormente para Orleães, Bordéus,
Lyon, Nantes. Em simultâneo, e com a
aquisição da Azur Cafés, um distribuidor
na região da Côte d’Azur, entrámos
numa região onde a carteira de clientes
é francesa e cujo enfoque é o turismo”.

De acordo com o responsável, “os


resultados têm sido bastante bons,

RUI MIGUEL NABEIRO,


ADMINISTRADOR
DO GRUPO NABEIRO

“Os resultados em mercado horeca ‘português’ em novas como um elevado poder de compra,
França têm sido regiões e o horeca ‘francês’ nas regiões a recetividade para produtos que se
bastante bons, com existentes, assim como alargar a nossa diferenciem pela elevada qualidade e
presença na grande distribuição”, um forte dinamismo e inovação. “Com
o crescimento a dois
adianta Rui Miguel Nabeiro. estas vantagens surgem algumas das
dígitos a ser assente
dificuldades genéricas inerentes a
num alargamento do Sobre o mercado francês em si,
a Delta considera tratar-se de um este mercado, como a diferença de
portefólio de clientes
mercado apelativo para as marcas, em língua e cultura, a dimensão do país,
nas regiões existentes e a fortíssima concorrência e a exigência
geral, pela sua dimensão, com cerca
através da expansão a de 65 milhões de pessoas, e para de rapidez e flexibilidade às novas
novas regiões.” as portuguesas em particular pelo tendências de consumo, e outras
peso da comunidade portuguesa em mais particulares ao próprio país. Mas
França, com cerca de dois milhões de o maior desafio é a necessidade de
com o crescimento a dois dígitos a ser luso-descendentes. construção das marcas, pelo que as
assente num alargamento do portefólio
“Para marcas com forte notoriedade vantagens da dimensão e o poder de
de clientes nas regiões existentes e
em Portugal é um mercado que compra só poderão ser capitalizadas
através da expansão a novas regiões”.
tem imediatamente uma procura com uma estratégia focada no
interessante, sendo a comunidade consumidor francês”, conclui Rui
Relativamente ao futuro, os grandes
portuguesa fortemente consumidora Miguel Nabeiro.
desafios que se colocam à Delta são
e empreendedora”, afirma o
“a capacidade de adaptar o modelo
administrador da Delta.
organizacional ao forte crescimento do
negócio, crescimento este que deverá França apresenta ainda as vantagens info@delta-cafes.pt

passar por continuar a conquistar o comuns dos grandes mercados, www.delta-cafes.com


46 MERCADOS Portugalglobal nº98

AGRIBERIA
Conquistar os franceses com produtos
portugueses de qualidade
Paulo Pereira e Maria do Céu Gonçalves, empresários portugueses radicados em
França, começaram por importar produtos alimentares portugueses e espanhóis
para o mercado francês, fundando, em 1999, a empresa Agriberia. Anos mais
tarde investiram numa rede de supermercados onde 80 por cento dos produtos
vendidos são portugueses. Em Portugal, decidiram apostar no Douro, adquirindo a
Quinta da Pacheca num investimento que envolve as áreas da produção de vinhos,
hotelaria e restauração.

Em França, a jovem empresa de Paulo


Pereira e Maria do Céu Gonçalves tor-
nou-se, em poucos anos, num player in-
contornável na distribuição de produtos
agroalimentares dos quatro cantos do
mundo, incluindo, além dos portugue-
ses, produtos asiáticos, africanos e ame-
ricanos, entre outros. Como dizia Paulo
Pereira em entrevista ao jornal Mundo
Português, o objetivo foi sempre che-
gar ao consumidor francês, dando-lhe
a “provar” produtos portugueses de
qualidade, indo mais longe do que o
chamado “mercado da saudade”.

Apostando na grande distribuição, nos Panier du Monde, 80 por cento de na produção e exportação de vinho e na
inicialmente apenas através da impor- produtos portugueses de qualidade, os hotelaria e restauração através da aqui-
tação de produtos portugueses, espa- empresários conseguiram, através da sição da Quinta da Pacheca, no Douro
nhóis, italianos e brasileiros, e menos venda de produtos de outras origens, vinhateiro. O investimento envolveu
no retalho, Paulo Pereira e Maria do despertar a atenção dos franceses para também a construção do Wine House
Céu Gonçalves efetuaram uma análise os produtos portugueses. Hotel, vencedor dos prémios 2015 Best
da evolução dos produtos portugueses of Wine Tourism e Melhor Enoturismo
em França, naturalmente muito asso- Atualmente a Agriberia, sedeada em Boa Cama Boa Mesa do Expresso.
ciados à vasta comunidade portuguesa Fleury Les Aubrais, emprega 54 de pes-
residente em França, e decidiram abrir soas e opera em todo o território fran- O conjunto de empresas de Paulo Perei-
uma rede de supermercados próprios, a cês. A Panier du Monde é hoje uma ra e Maria do Céu Gonçalves em França
partir de 2005. rede de cinco lojas, localizadas no cen- e em Portugal tem atualmente um volu-
tro e no sul de França registando uma me de negócios de mais de 100 milhões
Para os supermercados Panier du Mon- procura crescente pelos produtos por- de euros e constitui um dos grupos
de montaram uma estrutura de impor- tugueses à venda (charcutaria, vinhos, empresariais mais dinâmicos ligados à
tação de produtos alimentares prove- padaria, bacalhau, entre muitos outros). comunidade portuguesa em França.
nientes de vários países (Ásia, África,
América, etc.) e que já eram conheci- Paralelamente a esta operação em Fran- agriberia.paulo@wanadoo.fr
dos do consumidor francês. Vendendo, ça, os empresários investiram também www.agriberia.fr/l-entreprise.html
maio 2017 MERCADOS 47

CGD FRANÇA
Parceiro de referência para os negócios
internacionais entre Portugal e França
Desde sempre, a Caixa Geral de Depósitos está presente principalmente onde se
encontram os portugueses residentes no estrangeiro, onde existem
maiores oportunidades de negócio para os nossos clientes empresas, mas também
países com os quais Portugal tem laços históricos, culturais e
económicos fortes.

Temos um historial de presença em Para definir o futuro da CGD em Fran-


França com mais de 80 anos, tendo ça, diria: consolidação, inovação e
em conta a fusão com a Banque Fran- crescimento. Fazemos parte intrínseca
co-Portugaise. da comunidade franco-portuguesa,
junto da qual queremos continuar a
Hoje com 48 agências e mais de 140 desenvolver e a aprofundar as rela-
mil clientes, somos a rede de agências ções de confiança estabelecidas.
portuguesas em França, com uma pre-
sença muito concentrada em Paris e Reforçamos as nossas competências
arredores, mas também em outros lo- de inovação tendo em vista potenciar
cais como em Lyon, Clermont-Ferrand, >POR RUI GONÇALVES o negócio dos nossos clientes e melho-
Grenoble, Beausoleil (perto do Móna- SOARES, DIRETOR-GERAL rar o nosso tempo de resposta às suas
co), Pau, Bordéus, Anglet e Tours. DA CGD FRANÇA necessidades, principalmente empre-
sas. Em conclusão, somos o parceiro
Num mercado onde as experiências de de confiança com os nossos clientes, de referência para os negócios dos
redes bancárias estrangeiras não fo- que sabem poder contar connosco e nossos clientes no mercado francês e
ram, em regra, muito bem-sucedidas, o nosso apoio para concretizarem os para aqueles que buscam oportunida-
a presença da CGD está intimamente seus projetos, desenvolver as suas re- des em mercados internacionais onde
relacionada com a dinâmica e o su- o Grupo CGD está presente e muito
cesso da comunidade portuguesa que especialmente com Portugal, onde a
soube progredir sem perder os traços “Fazemos parte CGD é líder de mercado.
da sua identidade, desenvolvendo-se
intrínseca da
social e economicamente. Essa melho- Existe, claro, o vínculo forte que é a
ria gradual da condição económica e comunidade franco- população de origem portuguesa em
social da comunidade conduziu a mais portuguesa, junto França que mantém uma relação es-
e melhores empresas e a particulares da qual queremos treita com Portugal. Mas o volume
mais reconhecidos na sociedade. continuar a desenvolver das trocas comerciais entre Portugal
e França, que tem crescido e atingiu
e a aprofundar as
Quanto ao desenvolvimento e resulta- níveis muito importantes é em si uma
dos da Caixa em França, estes são o
relações de confiança vantagem muito forte para ambos os
produto da aposta, com sucesso, no estabelecidas.” países. Criou-se deste modo uma di-
modelo de banca tradicional de rela- mensão e um conhecimento mútuo
ção e serviço que preservamos e fize- que facilitam o negócio entre empre-
mos evoluir com o que a tecnologia lações comerciais e internacionalizar o sas e a sua implementação quer em
nos traz de bom. São também o fru- seu negócio, nos países onde o Grupo França de empresas portuguesas, quer
to de um investimento numa relação CGD está presente. em Portugal de empresas francesas.
48 MERCADOS Portugalglobal nº98

Para as empresas portuguesas, França proporcionar encontros com empresas


representa um mercado de mais de 60 de diversos sectores, ajudar à melhor
milhões de consumidores; é o 2° merca- compreensão do mercado para garantir
do europeu e a sexta economia mundial. uma implementação nas melhores con-
dições e mais rápida. Dispomos de uma
É um país com dimensão, com ca- oferta global com produtos e serviços
pacidade de inovação, mão-de-obra na área de tesouraria e cambial, investi-
qualificada, espírito empreendedor, mento e “trade finance”, por exemplo.
capacidade de seduzir talentos com
infraestruturas adaptadas, um tecido Acolhemos as empresas nacionais que
industrial importante e que se tem es- vêm para França com o objetivo de ex- Investimento
forçado nos últimos tempos em atrair portar ou de investir aqui, apoiando- no setor aeronáutico
novos investimentos. E com um po- -as com informação do ponto de vista
tencial importante de crescimento. legal, fiscal, contabilístico e financeiro.
MECACHROME
Mas é um mercado maduro no qual a
penetração é mais difícil no sentido em
A nossa capacidade de aconselha-
mento ajustado à realidade e neces- Com nova
que se encontram mais facilmente con-
correntes. Isso faz com que as empresas
sidades de cada empresa, através de
interlocutores vocacionados para esse fábrica
portuguesas dinâmicas e inovadoras en- negócio apoia-se nomeadamente em
em Évora
A empresa francesa
Mecachrome deverá
inaugurar a sua nova
fábrica de componentes
metálicos para o setor
aeronáutico em Évora,
no segundo semestre
deste ano. Trata-se
de um investimento
estruturante que deverá
contrem em França um terreno propí- parcerias institucionais em que se in- rondar os 30 milhões de
cio. De um modo geral é indispensável cluem AICEP, associações empresariais euros e criar, numa fase
apoiar-se em estruturas locais existentes e câmaras de comércio. inicial, uma centena de
para abordar o mercado francês já bem postos de trabalho.
organizado e estruturado. No entanto, esta ligação é mais do que
bilateral, é multilateral por pertencermos
A CGD França participa no desen- a um grupo multinacional e porque as- Antes de avançar com este novo in-
volvimento das relações económicas sim podemos fazer beneficiar os nossos vestimento, a Mecachrome instalou-se
franco-portuguesas. Somos de forma clientes de sinergias de grupo, abrindo inicialmente em Setúbal, em 2014, no
crescente o banco das PME francesas novas oportunidades empresariais, e parque BlueBiz da aicep Global Parques,
detidas por empresários portugueses, efetuando o seu acompanhamento do onde se encontra também a fábrica do
das PME francesas com relação com início até à concretização do negócio. grupo francês Lauak, igualmente do se-
Portugal e o banco em França das PME tor da aeronáutica. Já em Évora, a nova
portuguesas em relação com França. O nosso conhecimento e experiência dos fábrica estará próxima das duas unida-
dois mercados, a compreensão das reali- des da brasileira Embraer, impulsionan-
Para estas empresas, criámos uma equi- dades e soluções a eventuais obstáculos, do, dessa forma, o crescimento do clus-
pa especializada que designamos de constituem uma verdadeira vantagem ter aeronáutico em Portugal, e em par-
negócio bilateral, apoiando as empresas competitiva que colocamos à disposição ticular naquela região, e promovendo a
tanto francesas como portuguesas na dos nossos parceiros empresariais. projeção da competitividade do país.
importação e exportação e no investi-
mento, para identificar oportunidades, www.cgd.fr A unidade industrial em Évora irá per-
maio 2017 MERCADOS 49

LAUAK
Há 14 anos em Portugal
mitir criar uma nova linha de produção Estabilidade política e social e um con- adquiriu e integrou uma empresa por-
e possibilitar o desenvolvimento de uma texto favorável ao investimento, refor- tuguesa (Manuel Pousada & Herdeiros,
série de produtos fabricados com um çado por uma cultura do setor aero- Lda.) especializada em maquinação de
novo processo produtivo criogénico. náutico através da presença da OGMA peças aeronáuticas, tendo, nesse mes-
e da TAP Manutenção & Engenharia, mo ano, começado a fazer a manu-
Este investimento foi objeto de um foram motivos que pesaram na decisão tenção estrutural de aeronaves de for-
contrato de incentivos com o Estado da escolha de Portugal para a instala- mação de pilotos civis e militares. Em
português, representado pela AICEP, ção de uma fábrica do grupo francês 2012 implementou um novo processo
e deverá ascender a 30 milhões de
LAUAK, em 2003, na região de Lisboa de tratamentos de superfície, o Tartaric
euros, devendo contar, até final deste
(primeiro em Palmela e, mais tarde, em Sulphuric Anodising (TSA), para fazer
ano, com uma centena de trabalhado-
2008, em Setúbal, no parque BlueBiz
res. Até final de 2019, a fábrica deve- face a um requisito da Airbus.
da aicep Global Parques).
rá já contar com cerca de 300 postos
de trabalho diretos, de acordo com o Em 14 anos, a LAUAK Portuguesa pas-
O investimento da LAUAK ocorreu
contrato celebrado com a AICEP. sou de 28 trabalhadores e um volume
numa altura em que não havia outros
de negócios de 1,4 milhões de euros,
Com uma área de quase 22 mil me- construtores do setor a operar em
para 418 pessoas e um volume de negó-
tros quadrados, a construção do pro- Portugal, mas a vinda, mais tarde, de
cios de 21,6 milhões de euros em 2016.
jeto compreende duas fases: a pri- empresas como a brasileira Embraer
meira, e atual, com 13.500 metros trouxe novas oportunidades aos in-
dustriais locais, entre os quais se en- A filial portuguesa do grupo francês
quadrados e uma segunda com 9.300
contra a empresa francesa. é liderada pelo português Armando
metros quadrados. A maior parte da
Gomes, diretor-geral, que foi, duran-
produção tem como destino a expor-
Com uma área de 18.000 metros qua- te muito tempo, um dos responsáveis
tação, designadamente para grandes
drados, a LAUAK Portuguesa é espe- de fábrica da Secan-Honeywell em
clientes como a Airbus e a Safran.
cializada no fabrico de componentes, Gennevilliers.
A Mecachrome Aeronáutica é detida subconjuntos e conjuntos estruturais
a 100 por cento pela Mecachrome para a indústria aeronáutica. Em 2009 www.groupe-lauak.com
France, importante grupo no mercado
francês e internacional, liderado pelo
português Júlio de Sousa e especia-
lizado na produção de peças de alta
precisão para as indústrias aeronáuti-
ca, espacial, automóvel e energia.

Com 80 anos de existência, o grupo


conta com 14 fábricas em cinco paí-
ses (França, Canadá, Tunísia, Marrocos
e Portugal), cerca de 3.000 postos de
trabalho e um volume de negócios
anual superior a 400 milhões de euros,
tendo como principais clientes grandes
empresas como a Airbus, Boeing, Em-
braer, Safran, Porsche, entre outros.

www.mecachrome.com
50 MERCADOS Portugalglobal nº98

Francesa SPI
negócios global de 40 milhões de euros
e empregando 600 colaboradores.

com novos projetos “A aquisição da ACOSiber esteve


intrinsecamente ligada ao objetivo
para a ex-ACOSiber do grupo SPI alargar a sua posição/
dimensão geográfica, apresentando
Portugal vários atrativos nesse sen-
Fundado em 1980, o grupo francês SPI opera nos tido, enquanto país europeu com
mão-de-obra qualificada, importantes
setores ferroviário, naval e de aeronáutica civil
ajudas/incentivos governamentais de
e militar. Recentemente adquiriu a ACOSiber em apoio ao crescimento e uma indústria
Portugal, uma empresa localizada no concelho de aeronáutica em pleno e forte desen-
Arcos de Valdevez, Viana do Castelo, especializada volvimento”, revela Pedro Castro, que
em soluções de acabamento para aeronáutica e já desempenhava as funções de dire-
indústria de alta tecnologia, e que era uma filial da tor-geral na anterior ACOSiber.
empresa francesa ACOS.
A SPI Portugal, bem como todo o gru-
po SPI, marcarão presença, enquanto
A ACOSiber está instalada em Por- aeronáutico, naval e ferroviário. O gru- expositores, no próximo Salão Inter-
tugal desde 2006, na área dos pro- po francês SPI foi fundado em 1980, nacional de Aeronáutica e Espaço, a
cessos especiais para o setor da aero- contando atualmente com mais de uma realizar-se em Paris do 19 ao 25 de
náutica e indústria de alta tecnologia, dezena de unidades de prestação de Junho deste ano.
perspetivando para 2017 um volume serviços em França, Marrocos e Portu-
de negócios de 2 milhões de euros gal, registando em 2016 um volume de www.spi-groupe.com
e empregando mais de 50 colabo-
radores. A empresa é, desde a sua
génese, certificada e qualificada para
operar no setor aeronáutico, e cerca
de 90 por cento da sua atividade é
efetuada para clientes finais localiza-
dos fora de Portugal.

Recentemente a empresa foi adquiri-


da pelo grupo francês SPI passando a
denominar-se SPI Portugal. Segundo
Pedro Castro, responsável da empre-
sa portuguesa, a SPI Portugal manterá
como serviços principais a decapagem
inovadora, tratamento de superfícies,
montagem mecânica, pintura aero-
náutica e industrial. O gestor adianta
igualmente que a SPI Portugal tem
previsto até 2020 um forte plano de
investimentos, ao nível tecnológico e
dos seus recursos humanos.

A SPI é um dos maiores grupos euro-


peus na área dos acabamentos de su-
perfície, sendo parceiro de grandes
players, maioritariamente nos setores
maio 2017 MERCADOS 51

França em ficha
Principais partidos políticos: La République en Marche (LREM); Parti
Socialiste (PS); Europe Ecologie Les Verts (EELV); Parti Radical de Gauche
(PRG); Les Républicains (LR); Union des démocrates et indépendants (UDI);
Parti de Gauche (PG); Mouvement Démocrate (MoDem); Parti Communiste
Français (PCF); Front National (FN). As próximas eleições legislativas para a
Assembleia Nacional estão previstas para 11 e 18 de junho de 2017. As
Paris eleições para o Senado estão previstas para 27 de setembro de 2017.

Capital: Paris - “Département 75”, 2,2 milhões de habitantes; região


Ile de France - 12 milhões de habitantes.

Outras cidades importantes: Lyon (2,2 milhões de hab.); Marselha


França – Aix-en-Provence (1,7 milhões de hab.); Toulouse (1,2 milhões hab.);
Lille (1,2 milhões hab.); Bordéus (1,1 milhões hab.); Nice (1,0 milhões
hab.); Nantes (884 mil hab.); Estrasburgo (764 mil hab.); Rennes (680
mil hab.); Grenoble (675 mil hab.); Rouen (655 mil hab.); e Toulon
(607 mil hab.).

Religião: Cerca de 95% da população pertence à Igreja Católica


Romana.

Língua: A língua oficial é o francês; dos numerosos dialetos


regionais, destacam-se o bretão e o basco.

Unidade monetária: Euro (EUR)


1 EUR = 1,08 USD (fim de novembro 2016)
Área: 543.965 km2 (excluindo os Territórios e Departamentos
1 EUR = 1,11 USD (média anual - 2015)
ultramarinos).
População: 66,6 milhões de habitantes (estimativa janeiro 2016, Risco País - A (AAA = risco menor; D = risco maior) -
inclui Mayotte - Insee); 64,5 milhões de habitantes (França Metrópole). EIU, novembro 2016

Densidade populacional: 117 hab./Km2 (França Metrópole). Risco Político - AA

Designação oficial: República Francesa Risco de Estrutura Económica - A

Chefe de Estado e de governo: Emmanuel Macron (eleito a 7 de Risco de crédito: País “não classificado” na tabela risco-país da
maio de 2017). OCDE. Não é aplicável o sistema de prémios mínimos.

Primeiro-ministro: Édouard Philippe (nomeado a 15 de maio de 2017).


Data da atual Constituição: 1958 Fontes: The Economist Intelligence Unit, COSEC.

Endereços úteis

Embaixada de França Delegação Business AICEP Paris


em Portugal - France Portugal Ambassade du Portugal
Chancelaria Rua Dom Pedro V, 132 3, Rue de Noisiel
Rua Santos-o-Velho, 5 1250-095 Lisboa 75116 Paris - France
1249-079 Lisboa Tel.: +351 213 814 050 Tel.: + 33 145054410
Tel.: +351 213 939 100 Fax: +351 213 814 060 Fax: +33 156883089
Fax: +351 213 939 151 lisbonne@businessfrance.fr aicep.paris@portugalglobal.pt
contact@ambafrance-pt.org
www.ambafrance-pt.org/
Embaixada de Portugal CCIFP – Chambre de Commerce
em França et d’Industrie Franco-Portugaise
Câmara de Comércio e Indústria 3, Rue de Noisiel 1-7, Avenue de la Porte de Vanves,
Luso-Francesa 75116 Paris - France 75014 Paris - France
Av. da Liberdade, 9, 7.º Tel.: +33 147273529 Tel.: +3) 179351000
1250-139 Lisboa Fax: +33 144059402 Fax: +33 145254837
Tel.: +351 213 241 990 embaixada.paris@mne.pt ccifp@ccifp.fr
Fax: +351 213 424 881 www.ccifp.fr
info@ccilf.pt
www.ccilf.pt
52 EMPRESAS Portugalglobal nº98

AFINOMAQ O fundador da empresa, Paulo Lino,


com a experiência adquirida nas mul-

25 ANOS A INOVAR E A CRIAR tinacionais por onde passou, decidiu


iniciar um novo projeto e lançar a sua

BENS DE EQUIPAMENTO própria empresa, a AFINOMAQ, que


incidia apenas na vertente da manu-

PARA O MUNDO tenção e assistência técnica, mas que


passou num curto espaço de tempo a
desenvolver e a construir equipamen-
tos introduzindo inovações e melho-
Em 1992 Paulo Lino fundou a AFINOMAQ, uma ramentos relativamente aos que exis-
empresa portuguesa de São João do Tojal, em tiam no mercado, destinados a vários
Loures, que desenvolvia e fabricava bens de setores de atividade.
equipamento constituintes de soluções industriais
Em 2009, iniciou a fase de interna-
personalizadas. Com um crescimento sustentado ao
cionalização através da exportação.
longo do tempo, a AFINOMAQ é hoje a “holding” de Atualmente as exportações represen-
um Grupo que cresceu nos últimos cinco anos, com tam em média 50-60 por cento do
uma faturação média de cinco milhões de euros ao volume anual de negócios.
ano. Os principais países de exportação são Angola,
Alemanha, Argélia, Espanha, França, Estados Unidos Em 2016, a empresa inaugurou uma
da América, Marrocos, Moçambique e Bahrein. nova área fabril que lhe permitirá ter
mais 30 por cento de capacidade de
produção. Possibilitará ainda a pene-
tração em novos mercados, indo além
da fase de exportação e procurando
implantar-se comercialmente em dife-
rentes zonas com prioridade para a Eu-
ropa do centro e norte, mas também o
norte de África e Médio Oriente.

Com 45 colaboradores (mais de 120


no grupo), a AFINOMAQ é a “hold-
ing” de um grupo, que através da
aquisição de participações em novas
empresas, permitiu acrescer a gama
de valor oferecida aos seus clientes
e começar a abrir novas fronteiras e
áreas de negócio.

Atualmente a AFINOMAQ é um grupo


fornecedor de soluções e sobretudo
um parceiro das empresas que preten-
dam desenvolver novos processos de
produção eficientes ou reconverter e
modernizar os seus equipamentos de
linhas enchimento, capsulagem, rotu-
lagem, transporte e manipulação de
embalagens rígidas.

As soluções oferecidas tipo “chave-


-na-mão” podem ser automatizadas
maio 2017 EMPRESAS 53

ou robotizadas sendo customizadas


consoante a necessidade do clien-
te e podem incluir não somente os
equipamentos, como o serviço asso-
ciado de gestão de ativos, quer seja
ao nível da gestão de produção da
linha, gestão da manutenção e ges-
tão de sobressalentes.

Os principais setores de atuação da


empresa são as indústrias alimentar,
farmacêutica, de detergentes, agro-
química e cosmética, para além de ou-
tras áreas de engenharia onde o vasto
know-how da empresa é aplicável.

A AFINOMAQ possui também uma


serviços que, em conjunto, permitam diz Paulo Lino que não esconde a am-
forte componente de projeto o que
criar maior valor acrescentado aos bição e potencial que o Grupo espelha.
permite, em conjunto com parceiros
seus parceiros.
de confiança, fornecer e instalar so-
Em 2016 a aposta na investigação e
luções completas de linhas automa-
Assenta o seu desenvolvimento prin- desenvolvimento e na internaciona-
tizadas e robotizadas de fabricação
cipalmente na sua forte capacidade lização foi reforçada. O desafio em
talhadas à medida das necessidades
de inovação, engenharia e qualidade curso é intensificar o esforço na ino-
específicas de cada cliente. Dispõe
do serviço prestado numa constante vação dos serviços e equipamentos
ainda de serviços de assistência téc- oferecidos, bem como diversificar o
procura para criar melhores produtos
nica e manutenção e ainda de retro- investimento a novas áreas de ativida-
e soluções avançadas que antecipem
fitting, isto é, realiza a reconversão e de e a novos mercados. Exemplo des-
e satisfaçam as necessidades de cada
atualização de equipamentos que se te objetivo estratégico da empresa é
cliente. É por esse motivo que o gru-
revelem antiquados. o investimento em startup com prova
po AFINOMAQ conquistou e fidelizou
de conceito realizada, forte potencial
A AFINOMAQ tem como principal múltiplos mercados em várias geogra-
de crescimento internacional e que
missão a satisfação plena dos seus fias completando, este ano, 25 anos
possam vir a impulsionar não só a ver-
clientes, apresentando sempre a so- de atividade.
tente de internacionalização da gama
lução mais adequada às necessida- de produtos tradicionais.
des e especificidades do seu negócio O fundador, Paulo Lino, afirma que
Aposta na qualidade, rigor, inovação “todos os dias são colocados no
A “Academia AFINOMAQ” é outro
da sua engenharia, sendo reconheci- mercado milhares de produtos que
novo e ambicioso projeto em desen-
da como uma empresa de referência usam, em algum ponto do seu fabri-
volvimento que permitirá fortalecer os
a nível nacional e internacional no for- co, os equipamentos por nós conce-
pilares de estabilidade da empresa reju-
necimento de soluções à medida do bidos e produzidos e isso é motivo
venescendo quadros e técnicos sempre
cliente que integrem o serviço de con- de orgulho, mas também uma enor-
com os olhos postos no futuro. Trata-
ceção, projeto, construção, instalação me responsabilidade”. -se de um contributo para o desen-
e gestão da manutenção das linhas de volvimento social da área geográfica
produção instaladas. O facto de a AFINOMAQ estar cons- em que se inserem – S. Julião do Tojal,
tantemente à procura de novos de- Loures – e assim desenvolver e reforçar
Dispõe de um Departamento de In- safios tem potenciado a criação e o laços com universidades, institutos de
vestigação e Desenvolvimento que desenvolvimento de novos produtos, investigação, centros de formação pro-
está focado no presente e no futuro mas ainda assim persiste a necessidade fissional e outras organizações.
dos clientes e da empresa e procura de criar algo disruptor que será a base
permanentemente inovar através da para novas soluções – “caminhamos
criação de novos sistemas, produtos e para ser um ‘player’ na indústria 4.0”, www.afinomaq.pt
54 EMPRESAS Portugalglobal nº98

TRISCA
Inovar na oferta para chegar a mais mercados
Consolidar a sua presença na Europa e alargar a sua produção aos segmentos
do mobiliário e decoração é o principal objetivo da TRISCA, uma microempresa
do Entroncamento especializada no fabrico de mobiliário em espuma e cortiça
destinado ao mercado escolar e infantil.

Com apenas nove colaboradores, a procura de qualidade e inovação mentos em espuma com revestimento
TRISCA – Material Didáctico, Lda. neste segmento. em tela, destinados ao mercado esco-
dedica-se, desde 2001, ao fabrico de lar e infantil, procurando sistematica-
mobiliário em espuma destinado, es- Com presença crescente no mercado
mente melhorar os processos de fabri-
europeu, em mercados como Espanha,
sencialmente, ao mercado escolar e co e as matérias-primas utilizadas.
França e Bélgica, a TRISCA iniciou re-
infantil, apostando atualmente tam-
bém na produção de uma nova linha À medida do cliente
de produtos na área do mobiliário e
decoração utilizando tecido de corti-
“Com presença Com vista à satisfação dos seus clien-
crescente no mercado tes, a TRISCA adotou o “sistema de
ça, numa estratégia de alargamento
escolha como quer”. Neste sentido,
da produção e de aumento das suas europeu, em mercados
fabrica artigos por medida e cabe ao
exportações. Com uma nova unidade como Espanha, França cliente escolher as combinações de
de produção, situada na Zona Indus- e Bélgica, a TRISCA cores que deseja (dentro das 15 cores
trial do Entroncamento, a TRISCA é
iniciou recentemente disponíveis). O foco é a maximização
líder de mercado em Portugal na sua
a sua atividade em da satisfação do cliente, tentando
área de produção.
Marrocos.” sempre suprir de forma rápida e eficaz
as suas necessidades.
Fundada em março de 1995, então
com o nome de Simões & Pereira, Lda.,
centemente a sua atividade em Marro-
a TRISCA iniciou a sua atividade no co-
cos. Na sua contínua procura de novos
mércio de produtos para escolas e in-
mercados, é agora um objetivo estra-
fantários, bem como para o público in-
tégico o posicionamento nos merca-
fantil. Cedo se verificou que a vocação
dos no centro e norte da Europa.
da empresa recaía sobre o setor produ-
tivo e não exclusivamente sobre a área A TRISCA tem por missão produzir
comercial, pelo que a TRISCA decidiu com rigor e qualidade equipa-
apostar na criação de produtos desti-
nados ao mercado pré-escolar, primeiro
com fantoches, teatros de fantoches e
material para dramatização.

Em 2001 criou a marca TRIS-


CA e especializou-se no fa-
brico de artigos em espuma
com revestimento em tela,
igualmente destinados ao
mercado escolar e infantil,
pautando-se pela constante
maio 2017 EMPRESAS 55

Já este ano, a TRISCA criou uma nova


linha de produtos na área do mobiliá-
rio e decoração utilizando tecido de
cortiça, alargando o mercado no qual
opera e reforçando o compromisso
com o ambiente criando produtos
com material ecológico, e tão portu-
guês, como a cortiça.

De referir que, em termos ambientais,


a TRISCA quase não produz resíduos,
aproveitando-os praticamente na sua
totalidade. A espuma residual é toda
reciclada e integrada na produção e as Alargado o setor de atividade, a TRIS-
sobras das telas são doadas a institui- “A construção da CA procura agora empresas de mobi-
ções de solidariedade social para traba- sua nova unidade de liário e decoração e centros de ioga.
lhos manuais e artes decorativas. produção, no início
Como aponta um responsável da em-
A construção da sua nova unidade de
de 2016, potenciou a
presa, “a grande imagem da marca
produção, no início de 2016, potenciou capacidade produtiva TRISCA é a excelência dos seus pro-
a capacidade produtiva da empresa, da empresa, com dutos, executados com grande rigor,
com uma aposta forte no mercado ex- uma aposta forte no com matérias-primas de alta qualida-
terno. Em fevereiro a TRISCA participou mercado externo.” de e um rigoroso controlo dos proces-
na TOY FAIR, a maior feira de brinque- sos de fabrico”.
dos do mundo que decorre em Nu-
remberga, na Alemanha, procurando Em termos de resultados, como mi-
Em termos de internacionalização, a
alargar a sua atividade exportadora aos croempresa, a TRISCA tem vindo a
estratégia da empresa assenta no esta-
mercados do centro e norte da Europa consolidar o seu crescimento, com um
belecimento de parcerias com agentes
e do norte de África. Com um protótipo volume de vendas superior a 400.000
distribuidores de produtos TRISCA que
de um sofá revestido em tecido de cor- euros em 2016.
operem nos mercados de equipamen-
tiça, a TRISCA destacou-se sendo solici-
to escolar para creches, infantários, es-
tada para lançar uma linha de produtos
colas e espaços lúdicos para crianças. http://trisca.pt
mais naturais e amigos do ambiente.

Após alguns meses de desenvolvi-


mento do produto, a TRISCA apresen-
ta três novos tipos de produtos feitos
em cortiça: mobiliário para adultos
com espreguiçadeiras, puffs, almofa-
das e assentos para grandes espaços
públicos; mobiliário para crianças com
sofás, almofadas, puffs, tapetes, um
cavalinho; e ainda uma linha de pro-
dutos para a prática do ioga, como
tapetes, almofadas, blocos, cilindros,
sacos de transporte, etc.

É com este novo olhar que a TRISCA


encara o ano de 2017 e os seguintes:
consolidar a sua presença na Europa e
alargar a sua produção aos mercados
do mobiliário e decoração.
56 EMPRESAS Portugalglobal nº98

WYGROUP
Um grupo que aposta no sucesso dos seus clientes
Fundado em 2001 por três empreendedores como uma startup, o WYgroup é
atualmente o terceiro maior grupo de comunicação e serviços digitais a operar
em Portugal e emprega 230 pessoas. Presente em Lisboa, Porto, Boston, Austin
e São Paulo, o grupo tem vindo a crescer de forma consolidada ano após
ano, o que se deve sobretudo, ao reconhecimento por parte dos clientes e às
competências das suas empresas.

O WYgroup é, atualmente, composto plementação de soluções na área da com a mais-valia de conseguirem ofe-
por nove agências independentes es- tecnologia, nomeadamente o desen- recer projetos globais com uma aborda-
pecializadas nas áreas de marketing, volvimento de aplicações mobile. gem integrada de comunicação, através
comunicação e tecnologia. O gru- de ações e estratégias desenvolvidas a
po conta hoje com 230 profissionais “Acreditamos que a tecnologia está a 360 graus, focadas no negócio do clien-
multidisciplinares, que trabalham em mudar todos os setores e é aqui que te e na sua satisfação. No fundo, esta
estreita parceria com os seus clientes nos diferenciamos da concorrência, já sinergia e flexibilidade entre as agências
para a comunicação das suas marcas que conseguimos inovar e acompa- permite que os projetos de uma marca
e transformação digital, contribuindo nhar os nossos clientes com base nas tenham uma estratégia de comunica-
para o sucesso dos mesmos. soluções tecnológicas que conhece- ção em todos os canais, tanto no mun-
mos e na forma como as aplicamos do online como offline, garantido assim
Neste sentido, o grupo abarca um nas áreas de ‘marketing’ e comunica- que todos os pontos de contacto de
alargado leque de competências des- ção digital”, afirma Pedro Janela, CEO uma marca são coerentes.
de a estratégia, desenvolvimento e do WYgroup.
comunicação de marca, branding e O WYgroup valoriza o talento e o espí-
design, ativação de media digital, per- As agências do grupo têm operações rito de empreendedorismo e, por isso,
formance marketing e a criação e im- sólidas, sustentadas e diversificadas, as agências do grupo estabelecem um
maio 2017 EMPRESAS 57

conjunto de princípios sustentados O grupo tem vindo a crescer de for- proporciona aos nossos trabalhadores
nos seus valores centrais, que repre- ma consolidada ano após ano, so- inúmeras oportunidades de aprendi-
sentam o pilar do capital humano da bretudo pela conquista de novos zagem e evolução profissional”, afir-
empresa: energia, talento, integridade clientes, quer a nível nacional quer ma Pedro Janela.
e capacidade de trabalho. Para o gru- internacional, e pela crescente apos-
po, estas bases são fundamentais para ta na criação de novas unidades de Atualmente, o WYgroup é o tercei-
a captação de talento, para o cresci- negócios. Assim, os atuais esforços ro maior grupo de capitais 100 por
mento profissional e pessoal de cada de recrutamento dos melhores pro- cento nacionais a atuar nas áreas do
trabalhador e para a sustentabilidade fissionais tencionam dar resposta a marketing digital, pela dimensão glo-
económica e social da empresa. este crescimento e consolidação da bal da operação, e o segundo maior
operação do WYgroup na oferta de grupo do ponto de vista dos recursos
A cultura do WYgroup está intrinse- serviços inovadores de comunicação, humanos, fruto do trabalho desen-
camente relacionada com a sua pro- marketing e tecnologia. volvido pelas agências que são lidera-
posta de valor para o mercado, visto das por equipas de profissionais com
que os resultados são o reflexo do seu grande senioridade e conhecimento
trabalho e das suas capacidades. O “O grupo tem vindo do mercado, que comungam da am-
objetivo último do grupo é criar, de- a crescer de forma bição de fazer a diferença em cada
senvolver e gerir talento criativo de
consolidada ano cliente e em cada projeto.
forma a ajudar os seus clientes e as
suas marcas a crescerem.
após ano, sobretudo
pela conquista de A internacionalização é um dos cami-
nhos estratégicos para o crescimento
A empresa também aposta em iniciati- novos clientes, quer
e consolidação do WYgroup e con-
vas de responsabilidade social corpora- a nível nacional quer tinuará a ser um dos objetivos para
tivas, tendo criado um programa inter- internacional, e pela os próximos anos. O grupo que quer
no chamado WYHelp, que desenvolve
crescente aposta exportar serviços de comunicação
ações socialmente responsáveis, com
impacto e que entreguem valor à so- na criação de novas digital e tecnológica para o mundo
unidades de negócios.” está, hoje, presente em Lisboa, Por-
ciedade. Para além destas iniciativas, o
to, Boston, Austin e São Paulo, sendo
grupo aposta em políticas inclusivas de
que tem como ambição continuar a
formação e partilha de conhecimentos
interagências, através de sessões aber- “Estamos empenhados em recrutar, apostar no reforço da operação nes-
tas intituladas WYtalks, que permitem reter e desenvolver talentos. Atuamos tas geografias.
trazer os conhecimentos e competên- em diferentes setores de negócio e
cias de profissionais de uma agência às de forma transversal na área da co- No vasto portefólio de clientes do gru-
restantes agências do grupo. municação e serviços digitais, o que po incluem-se a REN, EDP, Novo Ban-
co, Elsevier, Grupo DIA, Santogal, Pro-
cessware, Fidelidade, The Navigator
Company, MSD e Sonae Sierra.

É no talento, inovação e excelên-


cia na entrega de projetos que as
agências do grupo são reconheci-
das pelos seus clientes, tanto a nível
nacional como internacional, e que
impulsionam o registo dos seus cres-
cimentos sólidos, ano após ano. Em
2015, a faturação fixou-se nos 10,7
milhões de euros, sendo que em
2016, o grupo cresceu 5,6 por cento
para um total de faturação de 11,4
milhões de euros.

www.wygroup.net
58 INFORMAÇÃO AICEP Portugalglobal nº98

FACTOS & TENDÊNCIAS


“World Economic vador, Guatemala, Honduras, Nicará-
Situation and Prospects gua e Panamá – e centra-se em qua-
tro áreas prioritárias: gestão urbana,
2017”
habitação, resiliência a desastres na-
O mais recente relatório das Nações turais e competitividade através do
Unidas revela que o crescimento desenvolvimento económico local e
económico mundial tem vindo a ace- as oportunidades específicas para o
lerar nos últimos seis meses, sendo setor da construção.
expectável que o PIB cresça 2,7 por
CONSULTAR
cento em 2017 e 2,9 por cento em
2018. O sudeste asiático continua a
ser a região mais dinâmica, mas as
projeções para a América Latina e “PKF Worldwide
algumas zonas mais pobres foram and Electrification, que nos próximos
10 a 15 anos poderão vir a alterar o
Tax Guide 2017-18”
revistas em baixa.
panorama de desenvolvimento nesta A PKF International editou a versão
CONSULTAR
indústria, monitoriza um conjunto de 2017-18 do Guia Internacional dos
25 indicadores de disrupção em cada Impostos, publicação anual que dis-
um dos mercados mais importantes ponibiliza uma visão geral dos regimes
do mundo, permitindo identificar as de tributação nos principais países a
“Trade in Transition nível mundial. Com base numa aná-
tendências do setor automóvel em
in Europe lise individual por mercado, são abor-
cada um deles.
and Central Asia” dados os impostos mais relevantes do
CONSULTAR
O relatório do Grupo Banco Mun- ponto de vista das empresas.
dial releva o contributo do comércio CONSULTAR
durante o processo de transição de
muitos países da Europa e Ásia Cen- “Central America
tral para economias de mercado. No Urbanization Review:
futuro, o comércio voltará a ser crucial Making Cities Work Angola – Aprovado
à medida que os países se ajustem aos
for Central America” o pagamento
novos padrões de especialização, in- de impostos
Atualmente, 59 por cento da popula-
vestimento e mercado laboral. em Angola
ção na região da América Central vive
CONSULTAR
em áreas urbanas, perspetivando-se
em moeda estrangeira
que na próxima geração, sete em cada Segundo a MacauHub, o pagamento
10 pessoas vivam em cidades, levando de impostos em Angola vai passar a
a que a população urbana da América poder ser efetuado em moeda estran-
“Automotive geira, ao abrigo de uma alteração ao
Central duplique em 2050, com mais
Disruption Radar” de 25 milhões de novos habitantes. Código Geral Tributário aprovada na
Relatório elaborado pela consulto- especialidade pelos deputados da As-
ra Roland Berger que, identificando Este estudo do Banco Mundial mos- sembleia Nacional. Trata-se de uma
as quatro megatendências do setor tra as tendências e implicações da modificação pontual, com o objetivo
automóvel: MADE – Mobility, Au- urbanização em seis dos países da de angariar mais recursos em moeda
tomated Driving, Digital Experience América Central – Costa Rica, El Sal- externa. Esta proposta também vai
maio 2017 INFORMAÇÃO AICEP 59

Exportações externa dirigida por parte dos princi-


portuguesas de bens pais parceiros comerciais.

crescem 17,1 por cento CONSULTAR

De acordo com dados do INE, em


2017 (janeiro a março) o valor global
das exportações de bens (14 mil mi- Produto Interno Bruto
lhões de euros) aumentou 17,1 por aumentou 2,8
cento em termos homólogos (13,3
por cento em volume
por cento em janeiro/fevereiro). No
mesmo período, as importações to- De acordo com os resultados apura-
talizaram 16,6 mil milhões de euros e dos pelo INE, o crescimento real do PIB
aumentaram 15,3 por cento. Em re- foi de 2,8 por cento no primeiro tri-
permitir facilitar o processo de regula- sultado, registou-se um défice comer- mestre de 2017, em termos homólo-
rização de atrasados com as empresas cial de 2,6 mil milhões de euros, mais gos. Esta aceleração resultou do maior
credoras do Estado. 154 milhões de euros que em janeiro/ contributo da procura externa líquida,
CONSULTAR março de 2016. que passou de negativo para positivo,

CONSULTAR

Argélia –
“Export: Nouvelles
Restrictions à Comissão Europeia
l’importation pour 2017 “Spring Forecasts 2017”
(Le Moci, 3 Mai 2017)” As mais recentes projeções da Comis-
O Ministério do Comércio argelino são Europeia apontam para um au-
tem vindo a proceder a um alarga- mento do crescimento económico de
mento do dispositivo de licenças Portugal, que se deverá situar em 1,8
de importação a novos produtos, por cento em 2017 e 1,6 por cento
reforçando a política levada a cabo em 2018. As exportações de bens irão
pelo governo, desde julho de 2015, aumentar devido à elevada procura
no sentido de restringir as impor- refletindo a aceleração em volume
tações, como forma de desenvol- mais acentuada das exportações de
ver e promover a produção local, a bens e serviços que a das importações
formação de sociedades mistas de de bens e serviços.
direito argelino e a captação de in- CONSULTAR
vestimento estrangeiro.

Assim, determinados produtos agroa-


limentares, produtos cerâmicos, va- Direção de Informação
rões de aço para betão armado e ma- manuel.gaeiras@portugalglobal.pt
deira são alguns dos bens sujeitos a
licenciamento (quotas).
CONSULTAR
60 NOTÍCIAS AICEP Portugalglobal nº97

notícias
AICEP e esclarecer o tipo de candidaturas
e formas de acesso aos programas
de financiamento foi o objetivo da
AICEP com a realização do seminário
“Instrumentos Financeiros de Apoio
às Indústrias Culturais e Criativa”
em Lisboa, no dia 16 de maio. Este
evento contou com o apoio da Fun-
dação Calouste Gulbenkian e foi or-
ganizado em parceria com o IAPMEI,
Croácia: Networking com o Centro de Informação Europa
Acordo de Parceria com a Turquia Criativa, com a ADDICT-Agência para
o Desenvolvimento das Indústrias
O presidente da AICEP, Luís Castro No âmbito da deslocação a Portu-
Criativas e com a ADIST-Associação
Henriques, assinou a 18 de maio, gal de uma missão de empresários
para o Desenvolvimento do Instituto
em Zagreb, um acordo de parceria turcos decorreu, no dia 18 de maio,
Superior Técnico.
com a Câmara Económica da Croá- uma sessão de networking com em-
cia (HGK), para potenciar as trocas presas portuguesas nas instalações
comerciais bilaterais, na presença do da AICEP em Lisboa. A organização
Presidente da República português e EM FOCO Espanha:
da Presidente croata, Kolinda Grabar- Comércio eletrónico
-Kitarovic, por ocasião da visita de Es- internacional
tado realizada à Croácia.
Com o objetivo de promover uma boa
estratégia de exportação eletrónica,
desde a análise e o conhecimento
França: dos mercados digitais internacionais,
Distribuição alimentar às questões de logística, aspetos fi-
Foi promovida uma maior aproxima- nanceiros e legais e à utilização de
ção das empresas portuguesas ao ferramentas imprescindíveis no co-
mercado francês no setor da distribui- mércio eletrónico, a AICEP realizou a
ção alimentar no Seminário organiza- ação “EM FOCO Espanha – Comércio
do sobre esta temática pela AICEP no Eletrónico Internacional”, no Porto e
dia 18 de maio, no Porto, com o pa- esteve a cargo da DEIK - Foreign em Lisboa, em 16 e 17 de maio. Esta
trocínio do Millennium bcp. Estiveram Economic Relations Board of Turkey iniciativa teve o patrocínio do Banco
com o apoio da agência. Millennium bcp e a colaboração da
presentes o diretor da AICEP em Paris,
Rui Paulo Almas, e representantes do Consultoría Innova. Estiveram presen-
E. Leclerc e da Agriberia, que deram a tes especialistas internacionais da DHL
conhecer as principais características e Indústrias culturais Express Espanha, da Google Portugal
oportunidades para uma estratégia de e criativas e Espanha, da Amvos Digital e da Ali-
negócio bem-sucedida neste setor no Dar a conhecer os apoios disponí- baba Espanha, e ainda o diretor da
mercado francês. veis às indústrias culturais e criativas AICEP em Madrid, Luís Moura.
maio 2017 NOTÍCIAS AICEP 61

ABC mercado Suíça na Europa continental. De 1 a 14 de pescado, mariscos, e produtos trans-


maio a AICEP dinamizou a iniciativa formados de pescado.
A AICEP organizou, nos dias 10 e 11 de
Taste Portugal para mostrar a qualida-
maio, respetivamente em Lisboa e no Mais informações
de da oferta nacional e contribuir para
Porto, mais uma ação do “ABC Mer-
o aumento da procura destes produ-
cado”, desta vez dedicado à Suíça com
tos por parte dos consumidores locais.
a presença do diretor da agência em Tailândia:
Berna, Miguel Crespo. Foram apresen- Desenvolvimento
tadas, numa perspetiva multissetorial, do EEC
temáticas de interesse para as empresas Roadmap fiscal para
O “EEC – Eastern Economic Corri-
portuguesas que queiram iniciar, desen- a internacionalização
dor” é um programa de desenvolvi-
volver ou potenciar negócios com um Teve lugar no dia 3 de maio o seminá- mento regional do governo tailandês
mercado de oito milhões de consumi- rio “Roadmap fiscal para a internacio- localizado nas províncias de Chon-
dores com um poder de compra inigua- nalização das empresas portuguesas”, buri, Rayong e Chachoengsao que
lável e onde estão localizadas as sedes em Matosinhos. A organização esteve pretende tornar a Tailândia na região
a cargo da AICEP e da Morais Leitão, económica mais importante dos paí-
Galvão Teles e Soares da Silva, com o ses ASEAN. Trata-se de uma medida
apoio do Porto Business School. As governamental para impulsionar a
temáticas abordadas passaram, entre economia, a modernização do setor
outras, pela análise do modo, tipo e industrial e promover oportunidades
grau de presença local planeada por económicas e de investimento no
uma empresa e de que forma esta de- país. O projeto conta com a possibili-
cisão pode condicionar a sua presta- dade de estabelecimento de Parcerias
ção no arranque e na expansão, assim Público Privadas (PPP) em vários seto-
como uma abordagem aos incentivos res de atividade.
fiscais para empresas que se queiram
Mais informações
internacionalizam.

de inúmeras multinacionais que têm


vindo a incorporar, de forma crescente, Espanha:
Colômbia: Catálogo de
bens e serviços produzidos em Portugal.
Abertura do mercado equipamentos
Foi concedida autorização definiti- de desporto
va para que Portugal possa exportar
Taste Portugal A AICEP vai criar um site interativo,
para a Colômbia produtos de pesca
na Alemanha em língua espanhola, que permi-
Decorreu uma ação de promoção de te a compradores e importadores
vinhos, bebidas e produtos alimenta- procurar, entre um leque de forne-
res portugueses no mais prestigiado cedores e fabricantes em Portugal,
department store de Berlim - Kauf- potenciais fornecedores de artigos
haus des Westens (KaDeWe) e tam- de desporto. Procura reunir informa-
ção sobre empresas que produzam
bém considerado o maior armazém
artigos de vestuário específico para
desporto, calçado e outros artigos
e complementos utilizados na práti-
ca desportiva, designadamente nas
modalidades de fitness, ski, equita-
ção, futebol, ténis & padel e rugby,
bem como outras modalidades des-
e de aquacultura pelo INVIMA - Insti- portivas. As inscrições estão abertas
tuto Nacional de Vigilancia de Medi- até dia 1 de junho de 2017.
camentos y Alimentos. A Colômbia é
Mais informações
um mercado com 48 milhões de con-
sumidores, com oportunidades de
negócio para o setor das conservas,
62 ANÁLISE DE RISCO-PAÍS Portugalglobal nº98

COSEC Políticas de cobertura para mercados


de destino das exportações portuguesas

No âmbito de apólices individuais


África do Sul* China* Guiné Equatorial Lituânia
C Aberta sem condições restritivas. C Aberta sem condições restritivas. C Caso a caso, numa base restritiva. C Carta de crédito irrevogável.
M/L Garantia bancária (decisão M/L Garantia bancária. M/L Garantia bancária.
casuística). M/L 
Clientes públicos e soberanos:
Colômbia caso a caso, mediante análise das Macau
Angola C Carta de crédito irrevogável. garantias oferecidas, desig- C Aberta sem condições restritivas.
C Caso a caso. M/L Caso a caso, numa base restritiva. nadamente contrapartidas do M/L Não definida.
M/L Garantia soberana. Limite total de petróleo. Clientes privados: caso
Costa do Marfim
responsabilidades. a caso, numa base muito restri-
C Caso a caso, com eventual Malásia
tiva, condicionada a eventuais
Arábia Saudita exigência de garantia bancária ou C Aberta sem condições restritivas.
contrapartidas (garantia de banco
C Carta de crédito irrevogável garantia soberana. Extensão do prazo M/L Não definida.
comercial aceite pela COSEC ou
(decisão casuística). constitutivo de sinistro para 12 meses.
contrapartidas do petróleo).
M/L Exigência de garantia bancária
M/L Caso a caso. Malawi
ou garantia soberana. Extensão do
Hong-Kong
C Caso a caso, numa base restritiva.
prazo constitutivo de sinistro de 3
Argélia M/L Clientes públicos: fora de co-
para 12 meses. C Aberta sem condições restritivas.
C Sector público: aberta sem res- bertura, excepto para operações
M/L Não definida.
trições. Sector privado: eventual de interesse nacional. Clientes
exigência de carta de crédito Costa Rica privados: análise casuística, numa
irrevogável. C Aberta sem condições restritivas. Iémen
base muito restritiva.
M/L Não definida. C Caso a caso, numa base restritiva.
M/L Em princípio. exigência de garan-
M/L Caso a caso, numa base muito
tia bancária ou garantia soberana. Marrocos*
restritiva.
Cuba C Aberta sem condições restritivas.
Argentina C Limite total por operação (1M€)
Índia
M/L Garantia bancária ou garantia
T Caso a caso.
enquadrável na Linha de Seguro soberana.
de Créditos de Curto Prazo. Limite
C Aberta sem condições restritivas.
Barein M/L Garantia bancária.
total de responsabilidades (10M€).
C Aberta sem condições restritivas. Martinica
M/L Fora de cobertura.
M/L Garantia bancária. Indonésia
C Aberta sem condições restritivas.
C Caso a caso, com eventual
M/L Não definida.
Benim Egipto
exigência de carta de crédito irre-
C Caso a caso, numa base muito C Carta de crédito irrevogável.
vogável ou garantia bancária. México*
restritiva. M/L Caso a caso.
C Aberta sem restrições.
M/L  aso a caso, numa base muito
C
M/L  aso a caso, com eventual exi-
C M/L E m princípio aberta sem restrições.
Emirados Árabes Unidos gência de garantia bancária ou A eventual exigência de garantia
restritiva, e com exigência de
garantia soberana ou bancária. C Aberta sem condições restritivas. garantia soberana. bancária, para clientes privados,
M/L Garantia bancária (decisão será decidida casuisticamente.
Brasil* casuística). Irão
C Aberta sem condições restritivas. Sanções em vigor.
Moçambique
Para mais informações, contactar a
M/L  lientes soberanos: Aberta sem
C Etiópia C C
 aso a caso, numa base restritiva
COSEC.
condições restritivas. Outros Clien- C Carta de crédito irrevogável. (eventualmente com a exigência de
tes públicos e privados: Aberta, caso M/L Caso a caso numa base muito carta de crédito irrevogável, garan-
a caso, com eventual exigência de restritiva. Iraque
tia bancária emitida por um banco
garantia soberana ou bancária. T Fora de cobertura.
aceite pela COSEC e aumento do
Filipinas prazo constitutivo de sinistro).
Cabo Verde Jordânia
C Aberta sem condições restritivas.
C Aberta sem condições restritivas. C Caso a caso.
M/L Não definida.
M/L Caso a caso, numa base restritiva.
M/L Aumento do prazo constitutivo
M/L  ventual exigência de garantia
E de sinistro. Sector privado: caso a
bancária ou de garantia soberana Gana caso numa base muito restritiva.
(decisão casuística). Koweit
C Caso a caso numa base muito Operações relativas a projectos
C Aberta sem condições restritivas.
restritiva. geradores de divisas e/ou que
Camarões M/L Garantia bancária (decisão
admitam a afectação prioritária
T Caso a caso, numa base muito casuística).
M/L Fora de cobertura. de receitas ao pagamento dos
restritiva.
créditos garantidos, terão uma
Líbano ponderação positiva na análise do
Cazaquistão Geórgia C Clientes públicos: caso a caso
risco; sector público: caso a caso
Temporariamente fora de cobertura. C Caso a caso numa base restritiva,
numa base muito restritiva. numa base muito restritiva.
privilegiando-se operações de Clientes privados: carta de crédito
Chile pequeno montante. irrevogável ou garantia bancária.
C Aberta sem condições restritivas. Montenegro
M/L  aso a caso, numa base muito
C C Caso a caso, numa base restritiva.
M/L  lientes públicos: Aberta sem
C
M/L  lientes públicos: fora de cober-
C
restritiva e com a exigência de tura. Clientes privados: caso a privilegiando-se operações de
condições restritivas. pequeno montante.
contra garantias. caso numa base muito restritiva.
Clientes privados: Em princípio,
aberta sem condições restritivas. M/L Caso a caso, com exigência de ga-
Eventual exigência de garantia Guiné-Bissau Líbia rantia soberana ou bancária, para
bancária numa base casuística. T Fora de cobertura. T Fora de cobertura. operações de pequeno montante.
maio 2017 ANÁLISE DE RISCO-PAÍS 63

No âmbito de apólices globais


Nigéria Senegal Na apólice individual está em causa a cobertura de uma
C Caso a caso, numa base restritiva C Em princípio. exigência de
(designadamente em termos de garantia bancária emitida por única transação para um determinado mercado, enquanto
alargamento do prazo consti- um banco aceite pela COSEC e a apólice global cobre todas as transações em todos os
tutivo de sinistro e exigência de eventual alargamento do prazo países para onde o empresário exporta os seus produtos
garantia bancária). constitutivo de sinistro.
ou serviços.
M/L E ventual alargamento do prazo
M/L  aso a caso, numa base muito
C
constitutivo de sinistro. Setor
restritiva, condicionado a eventuais
garantias (bancárias ou contraparti-
público: caso a caso, com exigên- As apólices globais são aplicáveis às empresas que vendem
das do petróleo) e ao alargamento
cia de garantia de pagamento e bens de consumo e intermédio, cujas transações envolvem
transferência emitida pela Auto-
do prazo contitutivo de sinistro.
ridade Monetária (BCEAO); setor créditos de curto prazo (média 60-90 dias), não excedendo
privado: exigência de garantia um ano, e que se repetem com alguma frequência.
Oman bancária ou garantia emitida pela
C Aberta sem condições restritivas. Autoridade Monetária (preferência
M/L Garantia bancária (decisão ca- a projetos que permitam a aloca- Tendo em conta a dispersão do risco neste tipo de apólices.
-suística). ção prioritária dos cash-flows ao a política de cobertura é casuística e, em geral, mais
reembolso do crédito).
flexível do que a indicada para as transações no âmbito
Panamá
C Aberta sem condições restritivas.
Singapura das apólices individuais. Encontram-se também fora de
M/L Não definida.
C Aberta sem condições restritivas.
cobertura Cuba, Guiné-Bissau, Iraque e S. Tomé e Príncipe.
M/L Não definida.

Paquistão Suazilândia
Temporariamente fora de cobertura. C Carta de crédito irrevogável.
M/L Garantia bancária ou garantia

Paraguai soberana.
Uruguai Advertência:
C Carta de crédito irrevogável.
Tailândia C  arta de crédito irrevogável
C
M/L Caso a caso, numa base restritiva. A lista e as políticas de cobertura são
C Carta de crédito irrevogável (decisão casuística). indicativas e podem ser alteradas
(decisão casuística). sempre que se justifique. Os países
Peru
M/L Não definida.
M/L Não definida. que constam da lista são os mais
C Aberta sem condições restritivas. Venezuela representativos em termos de consultas
M/L Clientes soberanos: aberta sem Taiwan e responsabilidades assumidas. Todas
C  lientes públicos: aberta caso
C
condições restritivas. Clientes C Aberta sem condições restritivas. as operações são objeto de análise e
a caso com eventual exigência
públicos e privados: aberta, caso M/L Não definida. decisão específicas.
de garantia de transferência ou
a caso, com eventual exigência de
soberana. Clientes privados: aberta
garantia soberana ou bancária. Tanzânia
caso a caso com eventual exigência
T Caso a caso, numa base muito Legenda:
Qatar de carta de crédito irrevogável e/ou
restritiva. C Curto Prazo
C Aberta sem condições restritivas. garantia de transferência.
M/L Garantia bancária (decisão Tunísia* M/L  berta caso a caso com exigência
A M/L Médio / Longo Prazo
casuística). C Aberta sem condições restritivas. de garantia soberana. T Todos os Prazos
M/L Garantia bancária.
Zâmbia
Quénia
Turquia C  aso a caso, numa base muito
C
C Carta de crédito irrevogável. * Mercado prioritário.
C Carta de crédito irrevogável.
M/L Caso a caso, numa base restritiva. restritiva.
M/L Garantia bancária ou garantia
soberana. M/L Fora de cobertura.
República Dominicana
C Aberta caso a caso, com eventual Ucrânia Zimbabwe
exigência de carta de crédito irrevo- C Clientes públicos: eventual C  aso a caso, numa base muito
C
gável ou garantia bancária emitida exigência de garantia soberana. restritiva.
por um banco aceite pela COSEC. Clientes privados: eventual M/L Fora de cobertura.
exigência de carta de crédito
M/L  berta caso a caso com exigência
A irrevogável.
de garantia soberana (emitida pela
Secretaria de Finanzas ou pelo Ban- M/L  lientes públicos: eventual
C COSEC
co Central) ou garantia bancária. exigência de garantia soberana. Companhia de Seguro
Clientes privados: eventual de Créditos. S. A.
exigência de garantia bancária. Direcção Internacional
Rússia
Para todas as operações, o prazo
Sanções em vigor. constitutivo de sinistro é definido Avenida da República. 58
Para mais informações, contactar a caso a caso. 1069-057 Lisboa
COSEC. Tel.: +351 217 913 832
Uganda
Fax: +351 217 913 839
C Caso a caso, numa base muito
S. Tomé e Príncipe internacional@cosec.pt
restritiva.
C  nálise caso a caso, numa base
A www.cosec.pt
muito restritiva. M/L Fora de cobertura.
64 TABELA CLASSIFICATIVA DE PAÍSES Portugalglobal nº98

COSEC
Tabela classificativa de países
Para efeitos de Seguro de Crédito à exportação
A Portugalglobal e a COSEC apresentam-lhe uma Tabela Clas- pondendo o grupo 1 à menor probabilidade de incumprimento
sificativa de Países com a graduação dos mercados em função e o grupo 7 à maior.
do seu risco de crédito, ou seja, consoante a probabilidade de As categorias de risco assim definidas são a base da avaliação do
cumprimento das suas obrigações externas, a curto, a médio e risco país, da definição das condições de cobertura e das taxas de
a longo prazos. Existem sete grupos de risco (de 1 a 7), corres- prémio aplicáveis.

Grupo 1 Grupo 2 Grupo 3 Grupo 4 Grupo 5 Grupo 6 Grupo 7

Hong-Kong Arábia Saudita Bahamas África do Sul • Azerbaijão Albânia Afeganistão Libéria
Singapura * Botswana Barbados Argélia Bangladesh Angola Ant. e Barbuda Líbia
Taiwan Brunei Bulgária Aruba Bolívia Argentina Belize Madagáscar
China • Costa Rica Barein Brasil • Arménia Bielorussia Malawi
EAUa Dep/ter Austr.b Colômbia Croácia Benim Bósnia e Herze- Mali
Gibraltar Dep/ter Din.c Guatemala Curaçau Butão govina Mauritânia
Koweit Dep/ter Esp.d Hungria Dominicana. Rep. Cabo Verde Burkina Faso Moçambique
Lituânia Dep/ter EUAe Namíbia El Salvador Camarões Burundi Moldávia
Macau Dep/ter Fra.f Rússia Gabão Camboja Cent. Af. Rep. Montenegro
Malásia Dep/ter N. Z.g Turquia Honduras Cazaquistão • Chade Myanmar
Dep/ter RUh Jordânia Comores Cisjordânia / Gaza Nicarágua
Filipinas Lesoto Congo Congo. Rep. Dem. Níger
Ilhas Marshall Macedónia C. do Marfim Coreia do Norte Paquistão •
Índia Paraguai Dominica Cuba Quirguistão
Indonésia S. Vic. e Gren. Egipto Djibuti S. Crist. e Nevis
Marrocos • Santa Lúcia Equador Eritreia S. Tomé e Príncipe
Maurícias Sérvia Fidji Etiópia Salomão
México • Tunísia • Gana Gâmbia Serra Leoa
Micronésia Vietname Geórgia Grenada Síria
Oman Guiana Guiné Equatorial Somália
Palau Irão Guiné. Rep. da Sudão
Panamá Kiribati Guiné-Bissau • Sudão do Sul
Peru Maldivas Haiti Tadzequistão
Qatar Mongólia Iemen Tonga
Roménia Nigéria Iraque • Ucrânia
Tailândia Nauru Jamaica Venezuela
Trind. e Tobago Nepal Kosovo Zimbabué
Uruguai Papua–Nova Guiné Laos
Quénia Líbano
Ruanda
Samoa Oc.
Seicheles
Senegal
Sri Lanka
Suazilândia
Suriname
Tanzânia
Timor-Leste
Togo
Turquemenistão
Tuvalu
Uganda
Uzbequistão
Vanuatu
Zâmbia

Fonte: COSEC - Companhia de Seguro de Créditos. S.A.


* País pertencente ao grupo 0 da classificação risco-país da OCDE. Não é aplicável o sistema de prémios mínimos.
• Mercado de diversificação de oportunidades • Fora de cobertura

NOTAS
a) Abu Dhabi, Dubai, Fujairah, Ras Al Khaimah, Sharjah, Um Al Quaiwain e Ajma f) Guiana Francesa, Guadalupe, Martinica, Reunião, S. Pedro e Miquelon, Polinésia
b) Ilhas Norfolk Francesa, Mayotte, Nova Caledónia, Wallis e Futuna
c) Ilhas Faroe e Gronelândia g) Ilhas Cook e Tokelau, Ilhas Nive
d) Ceuta e Melilha h) A nguilla, Bermudas, Ilhas Virgens, Cayman, Falkland, Pitcairn, Monserrat, Sta. Hel-
e) Samoa, Guam, Marianas, Ilhas Virgens e Porto Rico ena, Ascensão, Tristão da Cunha, Turks e Caicos
maio 2017 ESTATÍSTICAS 65

INVESTIMENTO
e COMÉRCIO EXTERNO
>PRINCIPAIS DADOS DE INVESTIMENTO (IDE E IDPE). EXPORTAÇÕES E IMPORTAÇÕES.

INVESTIMENTO DIRETO COM O EXTERIOR


2016 vh meur 16/15 2016 2017 vh meur vh meur 17/16 vc meur 17/17
POR PRINCÍPIO ATIVO / PASSIVO jan/dez jan/dez jan/mar jan/mar 17/16 jan/mar mar/mar mar/fev
Ativo 3.583 2.677 1.050 780 -270 -255 316
Passivo 7.634 5.604 2.663 3.055 392 -724 -892
Saldo -4.052 -2.927 -1.613 -2.275 -662 469 1.207

ATIVO POR INSTRUMENTO FINANCEIRO E TIPO DE RELAÇÃO ENTRE EMPRESAS 2016 jan/mar 2017 jan/mar vh meur 17/16

Títulos de participação no capital 156 262 106


De investidores diretos em empresas de investimento direto 158 260 102
De empresas de investimento directo em investidores diretos -1 2 3
Entre empresas irmãs -1 0 1
Instrumentos de dívida 894 518 -376
De investidores diretos em empresas de investimento direto 625 299 -326
De empresas de investimento direto em investidores diretos 14 -198 -212
Entre empresas irmãs 255 417 162

PASSIVO POR INSTRUMENTO FINANCEIRO E TIPO DE RELAÇÃO ENTRE EMPRESAS 2016 jan/mar 2017 jan/mar vh meur 17/16

Títulos de participação no capital 880 2.369 1.489


De investidores diretos em empresas de investimento direto 882 2.368 1.486
De empresas de investimento direto em investidores diretos -1 0 1
Entre empresas irmãs -1 1 2
Instrumentos de dívida 1.783 686 -1.097
De investidores diretos em empresas de investimento direto 1.453 129 -1.324
De empresas de investimento direto em investidores diretos 59 218 159
Entre empresas irmãs 271 339 68

vh meur 17/16 vh meur 17/16


ATIVO 2017 jan/mar
jan/mar
PASSIVO 2017 jan/mar
jan/mar
Alemanha 265 172 Luxemburgo 850 293
Espanha 238 131 Espanha 404 43
Reino Unido 71 -63 Estados Unidos 7 302
Países Baixos 67 -15 Angola 2 206
Luxemburgo 30 -259 França 76 95

União Europeia 28 748 -77 União Europeia 28 2.047 -32


Extra UE28 32 -193 Extra UE28 615 424

vh meur 16/15 vh meur 17/16 vh meur 17/16 vc meur 17/17


POR PRINCÍPIO DIRECIONAL 2016 jan/dez 2016 jan/mar 2017 jan/mar
mar/mar mar/fev
jan/dez jan/mar
ID de Portugal no Exterior (IDPE) 1.431 -3.695 632 73 -559 -241 -371
ID do Exterior em Portugal (IDE) 5.483 -768 2.245 2.348 103 -710 -1.578
Saldo -4.052 -2.927 -1.613 -2.275 -662 469 1.207
Unidade: Variações líquidas em Milhões de Euros

tvh 17/16
INVESTIMENTO DIRETO - STOCK (posição em fim de período) 2014 dez 2015 dez 2016 dez 2016 mar 2017 mar
mar/mar
Stock Ativo 73.988 76.511 80.378 77.436 82.069 6,0%
Stock Passivo 127.851 131.786 139.543 134.900 144.351 7,0%
Stock IDPE 45.125 52.110 52.981 52.696 53.980 2,4%
Stock IDE 98.988 107.384 112.146 110.161 116.262 5,5%
Unidade: Posição em fim de período em Milhões de Euros Fonte: Banco de Portugal
66 ESTATÍSTICAS Portugalglobal nº98

COMÉRCIO INTERNACIONAL
2016 2017 tvh 17/16 tvh 17/16 tvc 17/17
BENS (Exportação) 2016 tvh 2016/15
jan/mar jan/mar jan/mar mar/mar mar/fev
Exportações bens 50.314 1,0% 11.951 13.992 17,1% 23,9% 20,4%

Exportações bens UE 37.856 4,4% 9.269 10.422 12,4% 19,9% 18,0%

Exportações bens Extra UE 12.458 -8,1% 2.681 3.570 33,2% 36,2% 27,7%
Unidade: Milhões de euros

Exportações bens UE 75,2% -- 77,6% 74,5% -- -- --

Exportações bens Extra UE 24,8% -- 22,4% 25,5% -- -- --


Unidade: Milhões de euros

Exp. Bens - Clientes 2017 (jan/mar) % Total tvh 17/16 Exp. Bens - Var. Valor (17/16) Meur Cont. p. p.

Espanha 25,9% 14,7% Espanha 466 3,9

França 12,6% 9,9% EUA 262 2,2

Alemanha 11,3% 10,9% França 158 1,3

Reino Unido 6,7% 6,9% Alemanha 155 1,3

EUA 5,5% 51,6% Angola 146 1,2

Países Baixos 3,9% 12,2% Itália 94 0,8

Itália 3,6% 22,6% China 69 0,6

Exp. Bens - Produtos 2017 (jan/mar) % Total tvh 16/15 Exp. Bens - Var. Valor (17/16) Meur Cont. p. p.

Máquinas, Aparelhos 15,4% 18,9% Combustíveis Minerais 459 3,8

Veículos e Outro Material de Transporte 11,3% 11,7% Máquinas, Aparelhos 342 2,9

Metais Comuns 7,8% 25,1% Metais Comuns 219 1,8

Combustíveis Minerais 7,7% 74,8% Agrícolas 203 1,7

Plásticos, Borracha 7,5% 12,8% Veículos, Out. Mat. Transporte 165 1,4

2016 2017 tvh 17/16 tvh 17/16 tvc 17/17


 SERVIÇOS (Exportação) 2016 tvh 2016/15
jan/mar jan/mar jan/mar mar/mar mar/fev
Exportações totais de serviços 26.281 4,4% 5.144 5.709 11,0% 5,7% 14,8%

Exportações serviços UE 18.770 8,0% 3.559 3.961 11,3% 11,2% 14,7%

Exportações serviços extra UE 7.511 -3,6% 1.585 1.747 10,2% -5,5% 15,2%
Unidade: Milhões de euros

Exportações serviços UE 71,4% -- 69,2% 69,4% -- -- --

Exportações serviços extra UE 28,6% -- 30,8% 30,6% -- -- --


Unidade: % do total
maio 2017 ESTATÍSTICAS 67

2016 2017 tvh 17/16 tvh 17/16 tvc 17/17


BENS (Importação) 2016 tvh 2016/15
jan/mar jan/mar jan/mar mar/mar mar/fev
Importações bens 61.134 1,3% 14.390 16.585 15,3% 14,6% 17,9%

Importações bens UE 47.526 2,9% 11.253 12.654 12,5% 15,1% 19,4%

Importações bens Extra UE 13.607 -3,9% 3.137 3.931 25,3% 12,6% 12,9%
Unidade: Milhões de euros

Importações bens UE 77,7% -- 78,2% 76,3% -- -- --

Importações bens Extra UE 22,3% -- 21,8% 23,7% -- -- --


Unidade: % do total

Imp. Bens - Fornecedores 2017 (jan/mar) % Total tvh 17/16 Imp. Bens - Var. Valor (17/16) Meur Cont. p. p.

Espanha 31,5% 11,2% Espanha 528 3,7

Alemanha 13,9% 18,2% Rússia 453 3,1

França 7,8% 11,1% Alemanha 357 2,5

Itália 5,3% 9,4% Países Baixos 143 1,0

Países Baixos 5,3% 19,5% França 129 0,9

Rússia 3,1% 827,7% Guiné Equatorial 102 0,7

Reino Unido 2,9% 2,3% Angola -154 -1,1

Imp. Bens - Produtos 2017 (jan/mar) % Total tvh 17/16 Imp. Bens - Var. Valor (17/16) Meur Cont. p. p.

Máquinas, Aparelhos 16,5% 18,9% Combustíveis Minerais 700 4,9

Veículos e Outro Material de Transporte 13,8% 11,7% Máquinas, Aparelhos 435 3,0

Combustíveis Minerais 11,8% 56,1% Metais Comuns 259 1,8

Químicos 10,6% 9,5% Veículos, Out. Mat. Transporte 240 1,7

Agrícolas 10,3% 10,4% Agrícolas 162 1,1

2016 2017 tvh 17/16 tvh 17/16 tvc 17/17


 SERVIÇOS (Importação) 2016 tvh 2016/15
jan/mar jan/mar jan/mar mar/mar mar/fev
Importações totais de serviços 13.140 3,1% 3.013 3.414 13,3% 9,0% 7,1%

Importações serviços UE 8.877 4,5% 2.055 2.281 11,0% 8,1% 6,6%

Importações serviços extra UE 4.263 0,3% 958 1.134 18,4% 10,6% 8,2%
Unidade: Milhões de euros

Importações bens UE 67,6% -- 68,2% 66,8% -- -- --

Importações bens Extra UE 32,4% -- 31,8% 33,2% -- -- --


Unidade: % do total

PREVISÕES 2016 : 2017 (tvh real %) 2015 2016 FMI CE OCDE BP Min. Finanças

INE INE abril 17 maio 17 novembro 16 março 17 abril 17

PIB 1,6 1,4 1,7 : 1,5 1,8 : 1,6 1,2 : 1,3 1,8 : 1,7 1,8 : 1,9

Exportações Bens e Serviços 6,1 4,4 5,0 : 4,4 4,4 : 4,2 3,7 : 4,0 6,0 : 4,8 4,5 : 4,5
Unidade: Milhões de euros

Fontes: INE/Banco de Portugal


Notas e siglas: Meur - Milhões de euros Cont. - Contributo para o crescimento das exportações p.p. - Pontos percentuais tvh - Taxa de variação homóloga
tvc - Taxa de variação em cadeia
Pedro Macedo Leão
ALEMANHA
aicep.berlin@portugalglobal.pt

Miguel Porfírio
HOLANDA
aicep.thehague@portugalglobal.pt

Maria Manuel Branco


BÉLGICA
maria.manuel.branco@portugalglobal.pt

Inês Pacheco
FDI SCOUT EUROPA

REDE
ines.pacheco@portugalglobal.pt

Pedro Sousa
FDI SCOUT EUROPA
pedro.sousa@portugalglobal.pt

EXTERNA
Rui Almas
FRANÇA
aicep.paris@portugalglobal.pt

Oslo
Rui Boavista Marques
REINO UNIDO
aicep.london@portugalglobal.pt
Raul Travado Haia
CANADÁ Dublin
aicep.toronto@portugalglobal.pt Manuel Martinez Bruxelas
Londres
ESPANHA
aicep.barcelona@portugalglobal.pt
Paris Berna
Olga Benquerença Milão
FDI SCOUT EUA E CANADÁ Luís Moura
olga.benquerenca@portugalglobal.pt Toronto ESPANHA Barcelona
Nova Iorque aicep.madrid@portugalglobal.pt

Filipe Costa Madrid


EUA S. Francisco Argel
Tun
aicep.s.francisco@portugalglobal.pt
Rabat

Manuel Couto Miranda Jorge Salvador


EUA CABO VERDE Praia
aicep.newyork@portugalglobal.pt aicep.praia@portugalglobal.pt

Álvaro Cunha Rui Cordovil


MÉXICO MARROCOS
aicep.mexico@portugalglobal.pt Cidade do México aicep.rabat@portugalglobal.pt

Francisco Costa João Falardo


VENEZUELA ARGÉLIA
Caracas Bissau
francisco.s.costa@portugalglobal.pt aicep.argel@portugalglobal.pt
Panamá
Bogotá Tiago Bastos
Paulo Borges
GUINÉ BISSAU
COLÔMBIA
aicep.bissau@portugalglobal.pt
aicep.bogota@portugalglobal.pt São Tomé

António Aroso
Fernando Carvalho SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE
BRASIL aicep.saotome@portugalglobal.pt
aicep.s.paulo@portugalglobal.pt

Lima José Junqueiro


ANGOLA
aicep.luanda@portugalglobal.pt

Rio de Janeiro
São Paulo

Sérgio Espadas
Luís Sequeira Santiago do Chile ÁFRICA DO SUL
CHILE aicep.pretoria@portugalglobal.pt
luis.sequeira@portugalglobal.pt Montevideu
Buenos Aires
Ana Rosas
Rui Pereira MOÇAMBIQUE
ARGENTINA aicep.maputo@portugalglobal.pt
rui.pereira@portugalglobal.pt
Carlos Moura
SUÉCIA
aicep.stockholm@portugalglobal.pt

Joaquim Pimpão
HUNGRIA
aicep.budapest@portugalglobal.pt

Carlos Pinto
POLÓNIA
aicep.warsaw@portugalglobal.pt

Maria José Rézio


RÚSSIA
aicep.moscow@portugalglobal.pt

João Rodrigues
Miguel Crespo
ÍNDIA
SUIÇA
aicep.newdelhi@portugalglobal.pt
Helsínquia miguel.crespo@portugalglobal.pt

Estocolmo
Alexandra Ferreira Leite
CHINA
Moscovo aicep.beijin@portugalglobal.pt
Copenhaga

Berlim Patrícia Conceição


Varsóvia
FDI SCOUT CHINA
Praga
patricia.conceicao@portugalglobal.pt
Bratislava
Budapeste

Viena Miguel Garcia


Bucareste FDI SCOUT JAPÃO E COREIA DO SUL
Baku Celeste Mota miguel.garcia@portugalglobal.pt
Ancara TURQUIA Pequim
aicep.ankara@portugalglobal.pt
Teerão Seul José Joaquim Fernandes
nes Atenas
Tóquio JAPÃO
aicep.tokyo@portugalglobal.pt
Tripoli
Xangai
Koweit
Joana Neves
Doha Nova Deli COREIA DO SUL
Riade Guangzhou joana.neves@portugalglobal.pt
Macau Hong Kong
Eduardo Souto Moura Abu
Dhabi Myanmar
ITÁLIA Mário Quina
aicep.milan@portugalglobal.pt CHINA
mario.quina@portugalglobal.pt
Banguecoque
TUNISIA Nuno Várzea
IRÃO
Vietname Maria João Bonifácio
aicep.tunis@portugalglobal.pt
nuno.varzea@portugalglobal.pt CHINA
Kuala Lumpur aicep.macau@portugalglobal.pt

Afonso Duarte Laurent Armaos


ARÁBIA SAUDITA GRÉCIA Pedro Aires de Abreu
aicep.riyadh@portugalglobal.pt aicep.athens@portugalglobal.pt Singapura TAILÂNDIA
pedro.airesdeabreu@portugalglobal.pt
Nuno Lima Leite Daniel Pontes
EAU QATAR Jacarta
daniel.pontes@portugalglobal.pt
Isabel Maia e Silva
aicep.abudhabi@portugalglobal.pt
TIMOR-LESTE
Dili aicep.dili@portugalglobal.pt
Luanda

Mariana Oom
INDONÉSIA
aicep.jacarta@portugalglobal.pt

Windhoek
Pretória Carlos Pacheco
Gaborone AUSTRÁLIA
Maputo Maria João Liew carlos.pacheco@portugalglobal.pt
MALÁSIA
aicep.kuala_lumpur@portugalglobal.pt
Sydney

AO SERVIÇO
DAS EMPRESAS
70 BOOKMARKS Portugalglobal nº98

Políticas Sociais em Tempos de Crise

“Políticas Sociais em Tempos de compreensão da construção políti-


Crise – Perspetivas, Tendências ca do direito à saúde como direito
e Questões Críticas” surge num social fundamental.
contexto que exige a necessidade A obra é dirigida a investigadores,
de consolidar conhecimentos no estudantes e docentes de ciências
domínio do pensamento e apli- sociais, bem como a todos os por-
cação de políticas sociais, contri- tugueses interessados em com-
buindo de forma construtiva para preender em maior profundidade
a análise crítica sobre a atualidade as várias mudanças do modelo
da justiça social. existente de proteção social.
Englobando no seu conteúdo um Cristina Albuquerque é professo-
vasto conjunto de conhecimentos ra auxiliar na Faculdade de Psico-
e experiências de sete especialistas logia e de Ciências da Educação
Autor: Cristina Albuquerque
e Helena Amaro da Luz da área, esta obra aborda temas da Universidade de Coimbra e
Editora: Pactor tão pertinentes quanto inerentes, investigadora integrada do Cen-
Ano: 2016 destacando o equilíbrio da despesa tro de Estudos Interdisciplinares
Nº de páginas: 232 pp. social em contextos de austeridade, do Século XX, da Universidade de
Preço: 23,25€ a evolução das políticas sociais no Coimbra (CEIS20). Por sua vez,
contexto do estado providencial Helena Amaro da Luz é professo-
português, a situação portuguesa ra associada no Instituto Superior
nos últimos anos de convergência Bissaya Barreto (ISBB), investiga-
ou divergência com a Europa e a dora e autora.

Gestão Pessoal
A obra “Gestão Pessoal” tem distração e de interferências rui-
como objetivo reunir as melhoras dosas; e a aprender a delegar e a
descobertas sobre gestão pessoal, desenvolver o espirito de iniciativa
bem como as grandes ideias e dos seus colaboradores.
boas práticas nesta área, ajudan- Professor de administração na
do assim os leitores a gerirem-se Harvard Business School, Clayton
a si mesmos e aos seus negócios. M. Christense é mundialmente co-
Desta forma, este livro inspira os nhecido pelo seu estudo em inova-
leitores a manter o entusiamo ao ção dentro de grandes empresas.
longo da sua carreira; a utilizar Além disso, é ainda fundador da
os seus valores mais profundos; a Innosight, uma empresa de consul-
solicitar um feedback franco e ge- toria especializada em inovação.
nuíno; a repor a energia mental e Licenciado em economia pela
física; a equilibrar o trabalho, a fa- Brigham Young University e mes-
Autor: C
 layton M. Christensen mília, a vida social e as suas neces- tre em econometria aplicada pela
Editora: Actual Editora sidades pessoais; a recuperar em Oxford University, Clayton M.
Ano: 2017 tempos particularmente difíceis; a Christens é autor de vários livros e
Nº de páginas: 266 pp. emanar energia positiva para a sua artigos científicos, que foram pre-
Preço: 17,90€ organização, a diminuir o nível de miados internacionalmente.
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