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CARTÃO PONTO - HORÁRIO DE TRABALHO E JORNADA DE TRABALHO

 
De acordo com o
art. 58 da CLT, a duração normal do trabalho, para os empregados em qualquer atividade privada,
não excederá de 8 horas diárias, desde que não seja
fixado expressamente outro limite.
 
Já o
art. 59 da CLT (alterado pela
Lei 13.467/2017) estabelece que a duração diária do trabalho poderá ser acrescida de
horas extras, em número não excedente de duas, por acordo individual, convenção coletiva ou acordo coletivo de
trabalho.
 
Dos citados artigos, é possível extrair dois conceitos quanto à duração diária do trabalho sendo, o horário de trabalho e
a jornada de trabalho.
 
Embora pareçam iguais, o horário de trabalho não se confunde com a jornada de trabalho, conforme abaixo:

Horário de trabalho: é a determinação de início e final da jornada de trabalho, computando-se os períodos de


descanso em que o empregado não esteja a disposição do empregador. O horário de trabalho é o período normal
estabelecido em contrato em que o empregado deverá prestar o serviço em contrapartida ao salário estabelecido.
O horário de trabalho compreende a jornada normal estabelecida no ato do contrato.
Jornada de trabalho: é o período em que o empregado fica à disposição do empregador, computando-se apenas
as horas realmente prestadas, ou seja, é o período total de horas efetivamente trabalhadas. O horário de descanso
para almoço, por exemplo, não é computado na totalização da jornada diária, já que o empregado não está à
disposição do empregador.

Portanto, a jornada de trabalho pode ser inferior, igual ou superior ao horário de trabalho do empregado, e destas
situações podem ocorrer:

Jornada inferior ao horário de trabalho: sempre que a jornada de trabalho for inferior ao horário de
trabalho, ocorrerá o que chamamos de
atrasos ou faltas, já que o
tempo que o empregado ficou à disposição do empregador foi
menor que o horário contratado.
Jornada superior ao horário de trabalho: sempre que a jornada de trabalho for superior ao horário de
trabalho, ocorrerá o que chamamos de
horas extras, horas
extraordinárias ou sobrejornada, já que o tempo que o empregado
ficou à disposição do empregador foi maior que o horário
contratado;
Jornada igual ao horário de trabalho: neste caso não haverá nem atrasos/faltas e nem horas
extras/sobrejornada, já que o tempo que o empregado ficou à disposição
do empregador foi igual ao horário contratado.

OBRIGATORIEDADE DO CARTÃO
PONTO
- LEI DA LIBERDADE ECONÔMICA
 
Nos termos do
art. 74, § 2º da CLT (alterado pela Lei 13.874/2019
- Lei da Liberdade Econômica), para os
estabelecimentos de mais de 20 trabalhadores
será obrigatória a anotação da hora de entrada e de saída, em registro
manual,
mecânico ou eletrônico, conforme instruções a serem expedidas pela Secretaria Especial de Previdência e
Trabalho do Ministério da Economia, permitida a pré-assinalação do período de repouso.
 
Antes de citada lei, o art. 74, § 2º da CLT estabelecia que a obrigatoriedade da anotação de entrada e saída era para os
estabelecimentos com mais de 10 trabalhadores.
 
Entretanto, a partir da Lei da Liberdade Econômica criada pela
Medida Provisória 881/2019 (convertida na  Lei
13.874/2019), a partir de 20/09/2019 (data da publicação da lei), a obrigatoriedade da marcação do ponto passou para
as empresas que tem mais de 20 empregados.
 
POSICIONAMENTO
DO TST - NECESSIDADE DE REVISÃO
 
O
Tribunal Superior do Trabalho, através do Enunciado I da Súmula 338, adiante transcrito,
fixava a obrigatoriedade
do cartão ponto para que tal registro faça prova contrária
às alegações numa reclamatória trabalhista:
 
"É ônus do empregador que conta com mais de 10 (dez) empregados o registro da jornada de trabalho na forma do
art. 74, § 2º, da CLT. A não apresentação injustificada dos controles de frequência gera presunção relativa de
veracidade da jornada de trabalho, a qual pode ser elidida por prova em contrário."
 
Vale ressaltar que a referida súmula traz a interpretação dada ao antigo texto do art. 74, § 2º da CLT, já que a partir de
20/09/2019 (citado acima), a obrigatoriedade da marcação do ponto passou para as empresas com mais de 20
empregados.
 
Assim, a citada súmula deverá ser revisada, tendo em vista que há lei infraconstitucional estabelecendo a nova regra.
 
MÉTODO DE CONTROLE
DO PONTO
 
Inexiste previsão
legal especifica no sentido de proibir a diversificação do controle de jornada
através dos métodos
eletrônico e manual dentro da mesma empresa. Assim, por
exemplo, é admissível que se controle a entrada dos
empregados da produção
por sistema eletrônico computadorizado e dos empregados da administração
mediante
anotação manual.
 
A grande dificuldade em se fazer o controle manual é a da apuração da jornada para verificação de horas extras,
atrasos ou faltas ao trabalho. Assim, considerando que o quadro de empregados da empresa seja numeroso, é
imprescindível que haja o controle eletrônico, para que a apuração da jornada seja mais rápida e eficiente, de modo
que se possa fazer o fechamento da folha de pagamento com maior rapidez.
 
ANOTAÇÃO
DO PONTO
 
A hora
de entrada e saída deve, obrigatoriamente, ser anotada pelo empregado. 
 
Sendo o sistema informatizado, o
intervalo para repouso ou alimentação pode ser apenas pré-assinalado, ou seja,
registrado automaticamente pelo sistema,
não sendo necessário, por conseguinte, ser anotado diariamente pelo
empregado. Sendo manual, cabe ao empregado fazer todas as anotações.
 
É importante que o horário de trabalho conste no corpo ou cabeçalho do cartão e esta
orientação é válida para os
intervalos:

de 15 minutos (jornada
de trabalho diária superior a 4 e inferior a 6 horas); e
de 1 a 2 horas (jornada diária superior a
6 horas), salvo acordo prevendo intervalo menor nos termos do
inciso
III do art. 611-A da CLT.

 
Exemplo 1
 
Exemplo de espelho de ponto (parcial) para um empregado que trabalha em horário administrativo de segunda a sexta-
feira, compensando o sábado:
 
ESPELHO DO PONTO - JULHO/2020
Empresa: ____________________________________________________
Empregado:  _________________________________________________    
Depto/Setor: ________________
Período: 01/07/2020 a 31/07/2020
Horário de trabalho: 08:00 às 12:00 - 13:00 às 17:48
Data Dia Entrada Intervalo Saída Hrs Ocorrências
05/07/2020 Dom-folga            
Hrs normais
06/07/2020 Seg-normal 07:56 12:0013:00 17:49 08:48
trabalhadas
Hrs normais
07/07/2020 Ter-normal 07:57 12:0013:00 17:49 08:48
trabalhadas
Hrs normais
08/07/2020 Qua-normal 07:59 12:0013:00 17:50 08:48
trabalhadas
Hrs normais
09/07/2020 Qui-normal 07:56 12:0013:00 17:49 08:48
trabalhadas
Hrs normais
10/07/2020 Sex-normal 07:58 12:0013:00 17:49 08:48
trabalhadas
Sab- Hrs normais
11/07/2020 07:59 12:0013:00 17:48 08:48
compensado trabalhadas
12/07/2020 Dom-folga            
Total Horas Trabalhadas na Semana 44:00 Hrs normais
trabalhadas
 
Nota: neste caso, o intervalo poderá ser pré-assinalado pelo próprio sistema eletrônico, dispensando o registro por
parte do empregado. Este procedimento será válido também para os intervalos de 15 (quinze) minutos, conforme prevê
o art. 74, § 2º da CLT.
 
Exemplo 2
 
Exemplo de  espelho de ponto (parcial) para um empregado que trabalha em horário administrativo de segunda a
sexta-feira, compensando o sábado e
com feriado durante a semana.
Como há um feriado durante a semana, a
jornada a ser cumprida será de 36h e não de 44h:
 
ESPELHO DO PONTO - NOVEMBRO/2020
Empresa: ____________________________________________________
Empregado:  _________________________________________________    
Depto/Setor: ________________
Período: 01/11/2020 a 30/11/2020
Horário de trabalho: 08:00 às 12:00 - 13:00 às 17:48
Data Dia Entrada Intervalo Saída Hrs Ocorrências
01/11/2020 Dom-folga            
02/11/2020 Seg-Feriado            
Hrs normais
03/11/2020 Ter-normal 07:57 12:0013:00 18:01 09:00
trabalhadas
Hrs normais
04/11/2020 Qua-normal 07:59 12:0013:00 18:02 09:00
trabalhadas
Hrs normais
05/11/2020 Qui-normal 07:56 12:0013:00 18:00 09:00
trabalhadas
Hrs normais
06/11/2020 Sex-normal 07:58 12:0013:00 18:03 09:00
trabalhadas
Sab-
07/11/2020            
compensado
08/11/2020 Dom-folga            
Hrs normais
Total Horas Trabalhadas na Semana 36:00
trabalhadas
 
Nota: neste caso, como há o feriado durante a semana, para poder compensar o sábado, a jornada de trabalho deverá
ser estendida em 1h por dia e não apenas 48min. O intervalo poderá ser pré-assinalado pelo próprio sistema
eletrônico, dispensando o registro por parte do empregado. Este procedimento será válido também para os
intervalos de 15 (quinze) minutos, conforme prevê o art. 74, § 2º da CLT.
 
ANOTAÇÃO DE ENTRADA E SAÍDA UNIFORMES
- HORÁRIO "BRITÂNICO"
 
As anotações de entrada e saída de forma "britânica" (uniformes) no cartão-ponto são consideradas inválidas como
meio de prova, conforme Enunciado III da Súmula 338 TST:
 
"Os cartões de ponto que demonstram horários de entrada e saída uniformes são inválidos como meio de prova,
invertendo-se o ônus da prova, relativo às horas extras, que passa a ser do empregador, prevalecendo a jornada da
inicial se dele não se desincumbir."
 
ALTERAÇÃO DE HORÁRIO DE TRABALHO - POSSIBILIDADE
 
O
art. 2º da CLT atribui ao empregador o poder de dirigir a prestação pessoal de serviços, ou seja, cabe ao empregador
estabelecer as regras sob a qual estará sujeito o empregado. Dentre as diversas regras estabelecidas pela empresa está o
horário de trabalho que o empregado deverá cumprir.
 
Assim, cabe ao empregador estabelecer o horário de trabalho do empregado, cuja jornada normal de trabalho terá uma
contrapartida, que é remuneração mensal. Se a jornada de trabalho ultrapassar a jornada normal, o empregador deverá
remunerar o empregado pelas horas extras prestadas.
 
Havendo a necessidade de o empregador alterar o horário de trabalho, o mesmo poderá impor tal alteração, desde que
não haja prejuízo ao empregado, nos termos do
art. 468 da CLT. Embora o referido artigo estabeleça o mútuo
consentimento, importante ressaltar que não havendo prejuízo, o empregado fica obrigado às condições estabelecidas
pelo empregador.
 
Nota: é importante ressaltar que a possibilidade de alteração de horário de trabalho esteja prevista em cláusula
contratual, acordo ou convenção coletiva de trabalho.
 
Neste sentido, o empregado que recusa a cumprir o horário de trabalho conforme determinado pelo empregador, sem
qualquer justificativa plausível, fica sujeito à
advertência e suspensão, bem como às penas estabelecidas no
art. 482 da
CLT.
 
Qualquer divergência entre as partes deverá ser pautada pelo bom senso, sob pena de qualquer litígio ser solucionado
por meio da Justiça do Trabalho.
 
Exemplo 1
 
Empregado é contratado para cumprir a jornada normal de trabalho de 6h diárias, cujo horário de trabalho será das 06h
às 12h (com 15 minutos de intervalo). Havendo previsão contratual e necessidade do empregador, o mesmo poderá
alterar o horário deste empregado para das 13h às 19h (com 15 minutos de intervalo).
 
Ainda que o se manifeste contrário à alteração, não poderá se recusar a cumprir as ordens do empregador, salvo se
houver justificativa de que tal alteração lhe causará prejuízo manifesto.
 
Exemplo 1
 
Empregado é contratado para cumprir a jornada normal de trabalho de 6h diárias, cujo horário de trabalho será das 00h
às 06h (com 15 minutos de intervalo). Havendo previsão contratual e necessidade do empregador, o mesmo poderá
alterar o horário deste empregado para das 14h às 20h (com 15 minutos de intervalo).
 
Ainda que o empregado justifique que tal alteração lhe causará prejuízo sob o ponto de vista financeiro (já que o
trabalho diurno não lhe dá direito ao adicional noturno), a Justiça do Trabalho entende que a alteração é válida, tendo
em vista que o empregador estará beneficiado o empregado, considerando que o trabalho noturno é mais prejudicial
que o trabalho diurno.
 
Ainda que ocorresse o contrário, ou seja, que o empregador alterasse o horário do empregado de diurno para noturno,
havendo previsão em contrato, acordo ou convenção coletiva, o empregador também poderia fazê-lo, sendo obrigado,
no entanto, a remunerar o empregado com o respectivo adicional (adicional noturno).
 
Entretanto, considerando que o empregado conseguisse comprovar que tal alteração poderia lhe causar algum prejuízo,
como o da segurança em se deslocar entre residência e trabalho e vice-versa, ou que comprometesse o atendimento e
amparo a familiar com doença grave, o mesmo poderia justificar a impossibilidade em cumprir a ordem do
empregador, considerando o bom senso de ambas as partes.
 
ASSINATURA
DO PONTO
 
Em relação à
assinatura nos registros de ponto, não há obrigatoriedade de que seja coletada do empregado.
 
Porém,
embora a legislação trabalhista vigente não exija expressamente a assinatura
do empregado no corpo do cartão
ponto, verifica-se que no âmbito judicial em
relação à validade do cartão ponto sem a assinatura do empregado é
matéria
controvertida. 

Várias decisões
judiciais, no sentido de não aceitar a veracidade do cartão ponto quando não
constar a assinatura de
seu titular, embasada no entendimento de que somente com
a concordância expressa do empregado seriam dadas como
válidas as anotações
nele contidas. Outras, dão como válido o cartão de ponto sem a assinatura do
empregado uma vez
que a lei não a exige.

Diante da divergência verificada, recomenda-se à empresa exigir a assinatura do empregado no cartão ou "espelho" de
ponto, visando, dessa forma, resguardar-se em eventuais questionamentos futuros ou demonstrar, mediante provas, de
que o empregado tinha total acesso às horas através de sistema eletrônico, não sendo necessário, portanto, a coleta de
assinatura.
 
TRABALHO FORA DO
ESTABELECIMENTO
 
De acordo com o § 3º do
art. 74 da CLT, se o trabalho for executado fora do estabelecimento, o horário dos
empregados constará do registro manual, mecânico ou eletrônico em seu poder.
 
ANOTAÇÃO DO HORÁRIO
DE TRABALHO
 
De acordo com o
art. 74 da CLT, o horário de trabalho será anotado em registro de
empregados.
 
DISPENSA DO PONTO

Estão dispensados da
marcação do ponto:

Empregados que
exercem atividade externa incompatível com a fixação de horário de
trabalho (art.
62, I da CLT), devendo tal condição ser anotada na ficha ou folha do Livro de
registro de empregados
(parte de "Observações"), bem como na
Carteira de Trabalho e Previdência Social - CTPS (parte de
"Anotações
Gerais")
Gerentes, assim
considerados os que exercem cargos de gestão (art. 62, II da CLT), aos quais se
equiparam, para
este efeito aos diretores e chefes de departamento ou filial, quando o salário
do cargo
de confiança, que compreendendo a gratificação de função, se
houver, não for inferior ao valor do
respectivo salário efetivo acrescido de
40% (quarenta por cento);
Os empregados em regime de teletrabalho (art. 62, III da CLT).

Para
maiores comentários sobre a questão da dispensa do controle de ponto, leia o
tópico Cargo
de Confiança -
Gerência.

 
EXCESSO DE
JORNADA DIÁRIA DE TRABALHO
 
De acordo com o artigo 59 da CLT, a
jornada normal de trabalho somente poderá ser acrescida de horas
suplementares, em número não excedente de duas, desde que não ultrapasse o
limite máximo de dez horas diárias,
computando-se a jornada normal e
extraordinária.
 
O artigo 61 da CLT estabelece que, ocorrendo necessidade imperiosa, poderá a duração do trabalho exceder do limite
legal ou convencionado, seja para fazer face a motivo de força maior, seja para atender à realização ou conclusão de
serviços inadiáveis ou cuja inexecução possa acarretar prejuízo manifesto, independentemente de convenção coletiva
ou acordo coletivo de trabalho.
 
INTERVALO
INTERJORNADA
 
De acordo com o artigo 66 da CLT, entre duas jornadas de trabalho haverá um período mínimo de 11 horas
consecutivas para descanso,
inclusive quando se tratar do descanso semanal remunerado. Para maiores detalhes sobre
este intervalo, acesse o subtópico "Descanso Semanal Remunerado nos Turnos Ininterruptos de Revezamento" no
tópico
Escala de Revezamento.
 
TRABALHO NOS
DIAS DESTINADOS AO DESCANSO SEMANAL
 
De acordo com o Artigo 67 da CLT,
é assegurado a todo o trabalhador um descanso semanal de 24 horas
consecutivas,
mais 11 horas entre uma jornada e outra, perfazendo assim 35
horas, o qual, salvo por motivo de conveniência pública
ou necessidade
imperiosa do serviço, deverá coincidir com o domingo.
 
Para maiores detalhes (inclusive exemplo), acesse o tópico
Escala de Revezamento.
 
MARCAÇÃO COM
ANTECEDÊNCIA
 
Os referidos registros poderão ser
considerados, em eventuais reclamatórias trabalhistas, como tempo à disposição
da
empresa e, por conseguinte, exigido o pagamento das horas suplementares.
 
Não serão descontadas nem computadas como jornada extraordinária as variações de horário no registro de ponto não
excedentes de 5 (cinco) minutos, observado o limite máximo de dez minutos diários, salvo se ultrapassado este limite,
nos termos do
art. 58, § 1º da CLT.
 
Assim dispõe a Súmula 366 do TST:
 
"Não serão descontadas nem computadas como jornada extraordinária as variações de horário do registro de
ponto não excedentes de cinco minutos, observado o limite máximo de dez minutos diários. Se ultrapassado esse
limite, será considerada como extra a totalidade do tempo que exceder a jornada normal, pois configurado tempo
à disposição do empregador, não importando as atividades desenvolvidas pelo empregado ao longo do tempo
residual (troca de uniforme, lanche, higiene pessoal, etc)."
 
REGISTRO DE
PONTO COM RASURAS
 
Em reclamatória trabalhista,
o registro de ponto poderá ser desclassificado como prova a favor da empresa,
sob
alegação de ter sido rasurado ou não corresponder com a realidade.
 
Cabe à empresa orientar e fiscalizar para que o empregado não faça rasuras no registro de ponto. Uma vez ocorrendo e
comprovando a intenção do empregado em rasurar, este poderá sofrer as sanções previstas em lei (advertências,
punições e até demissão por justa causa).
 
CARACTERIZAÇÃO
DE TURNO ININTERRUPTO DE REVEZAMENTO
 
Empregados que trabalham em
jornadas de 8 horas ou em postos de trabalho de 24 horas ininterruptas, revezando
sistematicamente os horários de trabalho, poderão ser caracterizados como turno ininterrupto de revezamento.
 
Ocorrendo esta situação estes empregados poderão reivindicar, em
eventual reclamatória trabalhista, o pagamento de
jornada extraordinária das horas trabalhadas além da 6ª
hora diária.
 
Para maiores detalhes acesse o tópico
Escala de Revezamento.
 
COMPENSAÇÃO DE
ATRASOS E FALTAS COM JORNADAS EXTRAORDINÁRIAS
 
A marcação de jornada de
trabalho, em desacordo com a efetiva realidade, deverá ser
descontada, nos casos de faltas e
atrasos, e paga como horas suplementares, no
caso de horas excedentes.
 
Isto porque, em uma reclamatória trabalhista o empregado
poderá reivindicar as horas extras não remuneradas. Quanto
às faltas e atrasos, o empregador tem direito de efetuar o desconto do empregado, sendo que tais horas não poderão
ser
compensados com trabalho extraordinário.
 
BANCO DE HORAS
– COMPENSAÇÃO DE HORAS EXTRAS
 
O Artigo 59, § 2º, da CLT, com a nova redação dada pela Lei nº
9.601/98, e posteriores alterações, permite que seja
dispensado o acréscimo
de salário se, por força de acordo ou convenção coletiva de trabalho, o
excesso de horas em
um dia for compensado pela correspondente diminuição em
outro dia, de maneira que não exceda, no período máximo
de 1 (um) ano, a soma
das jornadas semanais de trabalho previstas, nem seja ultrapassado o limite de
10 horas diárias.
 
A compensação das horas
extras através do sistema “Banco de Horas”, deve ser feita mediante  acordo com os
empregados e homologado com o sindicato da classe.
 
Para maiores detalhes acesse o tópico Banco de Horas.
 
QUADRO DE HORÁRIO
DE TRABALHO
- DISPENSA
 
De acordo com a
Lei 13.874/2019 (Lei da Liberdade Econômica) que alterou o
art. 74 da CLT e revogou o § 1º do
citado artigo, o horário de trabalho será anotado em registro de empregados, ficando dispensado a afixação de quadro
de horário de trabalho a partir de
 
JURISPRUDÊNCIAS 
 
"A) AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO PELA RECLAMANTE.
ACÓRDÃO REGIONAL PUBLICADO ANTES DA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.015/2014. 1. HORAS EXTRAS.
JORNADA EM REGIME 2X2. AUSÊNCIA DE PREVISÃO EM NORMA COLETIVA . PROVIMENTO. I. A Corte
Regional consignou que " a regulamentação da escala de trabalho dos servidores por meio da Portaria Normativa
129/2007 não suplanta a necessária autorização legal, no caso de ente público, para a adoção da escala 2x2, por se
tratar aludida norma de mera regulamentação interna, e não de lei em sentido estrito " e decidiu que " considerando a
ausência de formalidade legal para a implantação da chamada ' semana espanhola' , bem como a prestação habitual de
horas extras, faz jus a reclamante às diferenças de horas extras, observando-se o disposto na Súmula 85 do C. TST,
isto é, para aquelas horas destinadas à compensação até o limite semanal de 40 horas, é devido apenas o adicional de
50%, para as duas primeiras horas, e de 100%, para as demais (fl. 373-verso, não impugnando pela reclamada, fl. 392-
verso); e para aquelas horas excedentes da 40ª semanal, é devido o pagamento de horas extras mais os adicionais,
conforme o caso ". II. A jurisprudência atual e notória desta Corte Superior é no sentido de que a jornada de trabalho
no regime 2x2 (acima do limite constitucional fixado no art. 7º, XIII, da CF), deve ser estipulada via norma coletiva
ou mediante lei, de modo que a sua invalidação acarreta o pagamento de horas extras a partir da jornada máxima legal
ou contratual sendo inaplicável o entendimento da Súmula 85 do TST . III . Demonstrada violação do art. 7º, XIII, da
CF . IV . Agravo de instrumento de que se conhece e a que se dá provimento , para determinar o processamento do
recurso de revista, observando-se o disposto no ATO SEGJUD.GP Nº 202/2019 do TST. B) RECURSO DE REVISTA
INTERPOSTO PELA RECLAMANTE . (...). 6. INTERVALO INTRAJORNADA . NATUREZA JURÍDICA. NÃO
CONHECIMENTO. I. O Tribunal Regional decidiu que " é devida a quitação de uma hora diária a título de intervalo,
nos dias em que houve desrespeito à concessão dessa pausa, nos termos do § 4º do artigo 71 da CLT e da Súmula 437
do C. TST " e que " quanto à natureza salarial da parcela em questão, a matéria encontra-se pacificada através do
inciso III da citada Súmula ". II. A decisão recorrida está em conformidade com a jurisprudência atual e notória desta
Corte Superior, sedimentada na Súmula nº 437, III, do TST. III. Assim, uma vez uniformizada a jurisprudência pelo
Tribunal Superior do Trabalho, não há mais razão para o recebimento de novos recursos de revista sobre a matéria,
quer por divergência jurisprudencial, quer por violação de lei federal ou da Constituição da República, a teor do art.
896, § 7º, da CLT e da Súmula nº 333 do TST. IV. Recurso de revista de que não se conhece" (RR-1471-
44.2012.5.15.0113, 4ª Turma, Relator Ministro Alexandre Luiz Ramos, DEJT 31/01/2020).
 
"I. AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA DO RECLAMANTE. (...). 4. INTERVALO
INTRAJORNADA. CONCESSÃO IRREGULAR. EXTRAPOLAÇÃO HABITUAL DA JORNADA DE SEIS
HORAS DIÁRIAS. SÚMULA 437, IV, DO TST. Constatada a extrapolação habitual da jornada de seis horas diárias,
em face das horas extras realizadas, a decisão do Tribunal Regional no sentido de considerar devida a concessão do
intervalo intrajornada de uma hora, mostra-se consonante com a diretriz do item IV da Súmula 437/TST, que orienta: "
IV - Ultrapassada habitualmente a jornada de seis horas de trabalho, é devido o gozo do intervalo intrajornada mínimo
de uma hora, obrigando o empregador a remunerar o período para descanso e alimentação não usufruído como extra,
acrescido do respectivo adicional, na forma prevista no artigo 71, caput e § 4º da CLT. " Nesse contexto, afigura-se
inviável a admissibilidade da revista. (...). (ARR-20711-15.2014.5.04.0029, 5ª Turma, Relator Ministro Douglas
Alencar Rodrigues, DEJT 19/12/2019).
 
"I - AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. (...). II - RECURSO DE REVISTA. REGIDO
PELAS LEIS 13.015/2014 E 13.467/2017 . JORNADA 12X36. AUSÊNCIA DE NORMA COLETIVA.
DESCARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 444/TST. TRANSCENDÊNCIA POLÍTICA CARACTERIZADA. Caso em
que o Tribunal Regional concluiu que a jornada de trabalho 12x36 era válida durante o vínculo empregatício,
(janeiro/2012 a junho/2014), uma vez que, ajustada no contrato de trabalho do Reclamante, foi autorizada, em
2014,por convenção coletiva de trabalho. Consignou ainda que " a ré afirmou que a jornada de trabalho no sistema
12x36 foi estabelecida e regulamentada na convenção coletiva de trabalho de 2014." Tendo em vista que o pacto
laboral perdurou de 20/01/2012 a 11/06/2014 e que a jornada de trabalho 12x36 foi ajustada por convenção coletiva
somente em 2014, a decisão regional encontra-se em dissonância com a Súmula 444 do TST, quanto ao período
anterior à norma coletiva, restando, por consequência, divisada a transcendência política do debate proposto.
Precedentes. Recurso de revista conhecido e provido" (RR-4421-45.2014.5.02.0201, 5ª Turma, Relator Ministro
Douglas Alencar Rodrigues, DEJT 19/12/2019).
 
"AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA - VIGÊNCIA DA INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº
40 DO TST - HORAS EXTRAORDINÁRIAS - NÃO APRESENTAÇÃO DE CONTROLE DA JORNADA DE
TRABALHO - INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 338, I, DO TST . Na espécie, a Corte a quo , com fulcro nos fatos e
provas presentes nos autos , constatou que o reclamante realizou viagem para Suwon, na Coreia do Sul, para participar
de treinamento , por determinação da empregadora, alegando na inicial que no período de treinamento trabalhou além
da jornada. A reclamada, em contrapartida, não apresentou prova em contrário ao horário de trabalho consignado na
inicial . Considerando que não há notícias nos autos de que o reclamante estava inserido nas exceções contidas no art.
62 da CLT, a Corte a quo aplicou o entendimento consubstanciado na Súmula nº 338, I, do TST, deferindo o
pagamento das horas extraordinárias pleiteadas pelo trabalhador . Tendo em vista que a decisão regional está em
conformidade com a jurisprudência sumulada do TST, não tem consistência a alegação de violação dos arts. 818 da
CLT e 373, I, do CPC. Agravo de instrumento desprovido" (AIRR-1058-58.2015.5.11.0009, 7ª Turma, Relator
Ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, DEJT 15/06/2018).
 
ACÓRDÃO - CARTÕES DE PONTO - REGISTRO DE HORÁRIOS UNIFORMES E INFLEXÍVEIS - ÔNUS DA
PROVA - SÚMULA Nº 338 DO C. TST - APLICABILIDADE. São inválidos como meio de prova os cartões de
ponto em que constem horários de entrada e saída idênticos, invertendo-se, neste caso, o ônus da prova relativo às
horas extras, que passa a ser do empregador. No caso dos autos, os cartões de ponto foram impugnados pela
reclamante. Convém ressaltar, que a reclamada se defendeu argumentando que a reclamante realizava trabalho externo
e sem qualquer fiscalização de jornada. Tal argumento, porém, já foi corretamente rechaçado pela origem, em razão da
juntada, pela reclamada, dos cartões de ponto. Logo, não havendo qualquer outra prova quanto a jornada de trabalho, é
totalmente aplicável ao caso o item III da Súmula nº 338 do C. TST. PROCESSO TRT 15ª REGIÃO Nº 00384-2006-
153-15-00-6-RO. Relator JUIZ JOSÉ ANTONIO PANCOTTI. Decisão N° 012529/2007.
 
ACÓRDÃO - RECURSO DE REVISTA. NÃO CONCESSÃO DO INTERVALO INTRAJORNADA - ÔNUS DA
PROVA. Alegada a concessão dos intervalos intrajornada, impõe-se ao empregador carrear tal prova aos autos, até
porque, detendo o controle dos meios de produção, dispõe de maior facilidade para a elucidação desse fato em juízo,
no âmbito do processo trabalhista. Na hipótese de apresentação dos cartões de ponto que não contêm a pré-assinalação
de intervalo, considera-se que a reclamada não comprovou a fruição do referido intervalo, não se desincumbindo do
ônus probatório que a ela cabia, sendo devido o intervalo intrajornada ao autor. Com efeito, verificando-se os controles
de horário juntados, constata-se que, normalmente, era de seis horas a jornada de trabalho, havendo, na maioria das
vezes, a pré-consignação do horário de descanso nas diferentes jornadas laboradas pelo recorrente, como faculta o
artigo 74, parágrafo 2º, da CLT. Em algumas outras, no entanto, há o acréscimo de quinze minutos ao final da jornada
ordinária de seis horas, sem a anotação de intervalo. Se incumbe à reclamada o ônus de comprovar a concessão do
intervalo intrajornada para repouso e alimentação, e se, na hipótese de ausência de impugnação do empregado, a
apresentação dos cartões de ponto com pré-assinalação do intervalo para repouso tem o efeito de provar a concessão
do referido intervalo, no caso dos cartões de ponto que não contêm a pré-assinalação de intervalo considera-se que a
reclamada não comprovou a fruição do referido intervalo, não se desincumbindo do ônus probatório que a ela cabia,
sendo devido o intervalo intrajornada ao autor. PROC. Nº TST-RR-54.579/2002-900-04-00.2. Ministro Relator
RENATO DE LACERDA PAIVA. Brasília, 08 de setembro de 2004.
 
ACÓRDÃO - EMENTA: HORAS EXTRAS. CONTAGEM MINUTO A MINUTO. DESCONSIDERAÇÃO DE
PERÍODOS. Com a inserção do parágrafo 1º no artigo 58 da CLT, por meio da Lei nº 10.243, de 19.06.2001
(publicada no D.ºU. em 20.06.2001), restou legalmente definido o período máximo de desconsideração de minutos na
marcação do ponto, no início e no final da jornada laboral, qual seja, de cinco minutos em cada registro, observado o
limite máximo de dez minutos diários. Assim, após 20.06.2001, não são válidas as cláusulas contidas em normas
coletivas que indiquem período de desconsideração superior a cinco minutos. Número do processo: 02159-2005-383-
04-00-1 (RO). Relatora ANA ROSA PEREIRA ZAGO SAGRILO. Porto Alegre, 14 de fevereiro de 2007.
 
ACÓRDÃO - HORAS EXTRAS – ÔNUS DA PROVA - DETERMINAÇÃO JUDICIAL DE JUNTADA DE
CARTÕES DE PONTO – JUNTADA APENAS PARCIAL – ART. 359 DO CPC - CONSEQUÊNCIAS. A recusa em
atender à determinação judicial, ou seu atendimento apenas parcial, sem prova convincente de que fato seja, acarreta a
aplicação subsidiária do art. 359, II, do CPC, porque os cartões de ponto ficam na posse da reclamada, sendo ela
responsável por sua guarda e conservação, pelo período que o documento possa ser requisitado, pelo juiz, como prova,
para esclarecer de fato controverso ocorrido na vigência do contrato de trabalho. Nessa linha: “HORAS EXTRAS -
JUNTADA PARCIAL DOS CARTÕES DE PONTO - PRESUNÇÃO DE VERACIDADE DA JORNADA INICIAL.
A juntada parcial dos cartões de ponto pelo reclamado importa a presunção de veracidade de toda a jornada extra
apontada na inicial. Recurso de Revista não conhecido. (TST – Acórdão nº 6310, decisão de 09-10-1996, RR nº
117401-94, 6ª Região, 4ª T., DJ de 14- 11-1996, pág.: 44741, Relator Ministro Milton de Moura França).” PROC.
TRT/CAMPINAS 15ª REGIÃO Nº 00480-2005-087-15-00-2 RO. Relator JOSÉ ANTONIO PANCOTTI. Decisão N°
039373/2006.
 
Base: art. 59, 61, 66 e 74 da CLT e os citados no texto.

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