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Compostos químicos estão no cotidiano.

Analise-os em classe
Ter, 07 de Julho de 2009 19:17

Objetivos
Identificar substâncias químicas utilizadas no nosso cotidiano e estudar algumas de suas
reações.

Introdução
Quando vemos a fumaça de um cigarro não imaginamos que sua aparência homogênea
esconda quase 5.000 substâncias. Também pouco sabemos sobre as características dos
materiais e tintas que constituem as paredes das construções ou acerca dos ataques que
objetos metálicos e peças de joalheria podem sofrer pela ação de compostos químicos. Tudo
isso, que está acontecendo à nossa volta, encontra-se nas páginas de VEJA. Vale a pena
propor um exame mais amplo e investigativo sobre a Química do nosso dia-a-dia. Quem diria
que as nutritivas folhas de alface também contêm nicotina? Os temas podem render boas
experiências.

Após a leitura do texto, convide a turma a listar o maior número possível de substâncias
químicas presentes nos diversos locais da escola ou da casa de cada um. Para organizar as
respostas, faça uma análise inicial sobre materiais utilizados na construção civil. No cimento,
por exemplo, aparece como matéria-prima básica o calcáreo (fornecedor de CaO), além de
óxidos de magnésio, silício, alumínio e férrico. A relação deve incluir, obrigatoriamente, os
tubos de PVC, paredes coloridas, torneiras cromadas e um sem-número de outros itens.

Comente a composição descrita nas embalagens de tinta: dióxido de titânio, poliacetato de


vinila, acetato de etila, acrilato de etila e lacas de nitrocelulose, além de outros produtos que
dão o acabamento final. Lembre também que por dentro das paredes existem os fios de cobre
e cabos elétricos, revestidos de polímeros apropriados. Destaque a função dos ácidos crômico
e sulfúrico para garantir o brilho dos metais sanitários.

Encarregue os alunos de representar os óxidos mencionados por meio de fórmulas e


classificá-los quanto ao caráter básico ou ácido.

Atividades
Sugira a comprovação do meio básico do cimento. Para tanto, basta que os jovens misturem
um pouco desse material com água destilada e meçam o pH, ou usem um indicador químico
ácido-base.

Em seguida, relacione algumas das substâncias que se originam da combustão provocada


por um cigarro acesso ou uma queimada na mata. O cigarro sofre combustão graças às folhas
secas do tabaco. Esse produto, de origem vegetal, libera mais de 4.700 substâncias na
atmosfera enquanto queima — algumas delas no estado sólido (como o carbono), outras
líquidas (é o caso do alcatrão) e gasosas (gases misturados à fumaça, entre os quais o
monóxido de carbono). Proponha que os estudantes elaborem uma pesquisa para ampliar a
listagem das substâncias gasosas originadas durante a combustão do cigarro.

Depois, surpreenda os jovens: revele que a nicotina aparece também nas folhas de alface, na

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pele dos tomates e em outras plantas, embora em menor proporção que no tabaco. Líquido
incolor à temperatura ambiente e de aspecto oleoso, ela adquire a coloração marrom e odor
característico quando exposta ao ar ou à luz. Proponha uma experiência para constatar a
presença dessa substância nas folhas de alface. Pegue metade de uma folha do vegetal e
enxugue com papel-toalha. Pique e coloque num tubo de ensaio. Leve o conjunto ao fogo,
utilizando uma pinça de madeira, até queimar totalmente. Espere esfriar um pouco e aproxime
do nariz para sentir o odor de cigarro, causado pela nicotina.

Lembre algumas características dos metais usados na fabricação de jóias. A prata (Ag), por
exemplo, é mole se estiver pura. Por isso, costuma-se "misturá-la" com algum outro metal, de
modo a formar uma liga, que é utilizada na confecção das peças. O valor comercial da jóia
depende da quantidade de prata na liga. As jóias com alta porcentagem de prata pura também
podem oxidar. Isso ocorre pela ação de compostos de enxofre presentes no ar, como o H2S. O
"ataque" dessa substância acarreta a deposição, sobre a peça, de uma fina camada de sulfeto
de prata que a escurece. Acompanhe com a turma os passos do quadro abaixo e mostre como
retirar do metal esse sal inconveniente.

Para ir mais longe


Pergunte se os adolescentes sabem o que pode estar acontecendo na atmosfera naqueles
dias chuvosos em que os relâmpagos tomam conta do céu.
Das chaminés das indústrias e dos escapamentos dos automóveis são liberadas grandes
quantidades de compostos nitrogenados, além de substâncias com teores de enxofre. Os
relâmpagos fornecem energia suficiente para reações entre o nitrogênio e o oxigênio do ar,
produzindo o dióxido de nitrogênio. Em dias de chuva, esse gás reage com a água e forma um
dos compostos responsáveis pela chuva ácida, o ácido nítrico. Tal substância decompõe
materiais e peças à base de carbonatos, corrói metais e prejudica principalmente a vegetação.
E a vida nos rios e lagos, como fica se houver alteração dos valores de pH?

Há espécies marinhas que não sobrevivem em ambientes onde predominam valores baixos
de pH e correm, por isso, risco de extinção. Mas é preciso compreender que a chuva é
naturalmente ácida por causa do gás carbônico eliminado na respiração dos seres vivos. Esse
gás, combinado com a água, produz o ácido carbônico determinando o pH 5.5.

Discuta ainda com os alunos:


• Em períodos de alto índice de poluição, que valores de pH podem ser encontrados na água
da chuva?
• Quais os males causados por essa chuva à vegetação? Por que isso ocorre?

Encomende um levantamento sobre outros produtos químicos domésticos, presentes


principalmente nos materiais de limpeza e de uso pessoal.

Experiência

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Limpeza da prata

Material necessário:
• Peça de prata escurecida;
• Folha de papel alumínio;
• Bicarbonato de sódio;
• Um palito de dentes; e
• Um béquer grande.

Procedimento:
Prepare uma solução aquosa de bicarbonato de sódio. Para tanto, coloque no béquer duas
colheres de sopa de bicarbonato de sódio, desses comprados em farmácia. Complete com
água, de preferência destilada, até atingir o volume final de 1 litro total da solução. Peças muito
grandes exigem o preparo da solução em maior quantidade e, também, um recipiente capaz de
contê-las.

Agite o conjunto até a dissolução total do sal. Envolva todo o objeto de prata em uma folha de
papel alumínio. Com um palito de dentes, faça alguns pequenos furos no papel, para que a
solução de bicarbonato de sódio possa ter contato com o objeto. Aqueça a solução até um
ponto próximo à fervura.

Mergulhe nela a peça embrulhada no papel e deixe o sistema em repouso por


aproximadamente 10 minutos. Retire a folha de papel alumínio e verifique se a peça está livre
de manchas. Se necessário, repita o processo. Discuta as causas do escurecimento do papel
alumínio. Note que a peça ficou livre do sulfeto de prata e voltou a brilhar.

Equacione a reação química envolvida no processo e recorde a reação química de


deslocamento e reatividade química dos metais:
2Al(s) + 3Ag2S(s) —> Al2S3(s) + 6Ag(s)

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