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Então, ao contrário do que fizeram comigo, me apresentaram Foucault em um texto só, sem falar dele

mais do que a biografia disponível na internet. O texto era sobre o modelo Panóptico de Benthan, uma
parte da obra dele que vamos falar também, mas é um texto que, se descolado de todo o restante do que
ele coloca, como fizeram, é, por sinal, bem complexo e cansativo pelo excesso de descrição.

Para entender tanto esse texto como a relação entre Foucault e a Educação, como pretendemos, a minha
leitura é de que precisamos começar pensando o que constitui nossa ideia de sujeito, ou seja, o que nos
torna sujeito de nossas histórias e vidas. Quem é o sujeito proposto no pensamento de Foucault? Existe ‘o
sujeito’ ou estamos falando em ‘sujeitos’ sempre no plural quando pensamos a humanidade?

O referido texto sobre o panóptico, bem como a ideia de filosofia da educação relacionada ao Foucault,
só adquire sentido, ou seja, só é um discurso com significado compreensível, se o possível leitor considerar
o que esse autor coloca como um todo em relação à Sociedade, e se inserir nesse debate quanto aos
sentidos da educação.

E como estamos falando de Educação, vamos nos dispor a pensar o que seria, e também o que pode ser a
educação, e principalmente, se existiria ‘a educação’ no sentido geral e universal de um conceito quanto
ao(s) processo(s) de formação humana?
Se considerarmos a pluralidade dos processos humanos podemos mesmo pensar em uma educação, em
um conhecimento legítimo, um sujeito, uma verdade, uma história da humanidade, uma pedagogia?

Qual seria o fundamento de uma análise foucaultiana do campo da educação?

1. Uma abordagem foucaultiana

Eu poderia começar usando essa ideia de uma abordagem foucaultiana para justificar minha falta de
linearidade na forma de apresentar o autor inserido no debate filosófico da Educação.

Nesse sentido, essas questões colocadas são uma forma de nos inserirmos no que o próprio autor coloca à
Educação, críticas quanto ao que ele aponta como verdade objetiva da escolarização, especificamente na
obra Vigiar e Punir, em que ele trata mais especificamente do que ele chama de poder disciplinar e o
relaciona ao que denomina como dispositivo escolar de subjetivação.

Essa verdade objetiva seria o verdadeiro sentido da introdução de uma escolarização universal, comum,
acessível e/ou obrigatória para todos.

2. Seguindo a linha de abordagem proposta, estamos nos inserindo no pensamento de Foucault a


partir de problematizações que ele mesmo evidencia em relação ao nosso campo de atuação, o
campo da Educação.

E, em uma leitura minha dos propósitos do autor, proponho que consideremos o fato de ele não teorizar a
educação em separado, como campo separado de análise, como evidência prática na sua própria escrita de
que ele, enquanto produtor intelectual, não a via em separado, ou seja, ela coloca a educação em sua obra
enquanto parte de uma análise sobre um modelo de institucionalização da vida, que se expande e
acentua no período tido como modernidade.

Quando ele nos fala da inserção de algo que chama de dispositivo escolar, ele o faz em relação aos outros
dispositivos de subjetivação que permitem sistematizar normas de comportamentos aceitos e distinções
socioculturais, ou seja, dizer e treinar quem pode/deve fazer o quê e onde em nossa sociedade.

Ele fala de um educação escolar que é parte dos processos de subjetivação humana como um todo.
O Sujeito se forma na educação, mas também em tantas outras esferas sociais da vida.

3. Foucault vai falar de escolarização em relação ao momento em que várias instituições são
organizadas em prol de produzir uma experiência humana que a torne útil de forma padronizada
ao sistema de produção econômico, que reforce a ideia, em uma lógica das práticas de obediência
e sujeição, de que há uma verdade e uma ordem social a ser conservada.

“A fábrica não exclui os indivíduos; liga-os a um aparelho de produção. A escola não exclui os
indivíduos; mesmo fechando-os; ela os fixa a um aparelho de transmissão do saber. O hospital
psiquiátrico não exclui os indivíduos; liga-os a um aparelho de correção, a um aparelho de
normalização dos indivíduos. O mesmo acontece com a casa de correção ou com a prisão. Mesmo
se os efeitos dessas instituições são a exclusão do indivíduo, elas têm como finalidade primeira
fixar os indivíduos em um aparelho de normalização [...]”

Ou seja, ele vai mostrar que não há uma verdade e uma ordem naturalmente estabelecidas, ele faz isso ao
demonstrar historicamente como nossas instituições e os saberes, incluindo escolas e saberes
pedagógicos, são parte de uma grande invenção para manutenção de um modelo pretensamente universal
de ser humano atrelado o mundo do trabalho, fabril, capitalista.

Esse modelo se coloca para classificar e categorizar a população, distribuída e organizada nos espaços
literais institucionais, e espaços subjetivos, de poder e de não-poder, lugares do que constitui o mais
normal e o mais anormal são continuamente construídos, há sempre representações das possibilidades
de sermos humanos, em nossas práticas individuais homogeneizantes em termos comportamentais.

4. Nesse sentido, a questão para Foucault para a Educação está no sentido de entender que a
escolarização operou não apenas em relação à reprodução, mas em relação à produção e
manutenção ideológica institucional moderna; ele aponta um modo de funcionamento não da
escola, mas das relações de poder que caracterizam toda a sociedade moderna e também
atravessa a educação: a ideia de um poder que não apenas reprime, é negativo, mas que também
produz sentido, uma produção de significado por meio da disciplina e/ou poder disciplinar, e como
ele interfere na subjetividade humana, como esse poder diz, ou não diz, mas treina e condiciona
comportamentos em uma lógica das práticas, para determinar o que é certo e errado, aceito e não
aceito, normal e anormal.

Considerando o modelo socioeconômico capitalista e a institucionalização generalizada de nossa


sociedade, Foucault questiona o quanto a Educação exerceu e exerce poder objetivamente no controle da
subjetividade humana, reproduzindo conteúdos e práticas disciplinares/normativas em seus modos de
funcionamento.

É importante considerarmos que o poder aqui é pensado no âmbito das relações micro, como exercício
de trocas, institucionalizadas ou não.

Uma nova perspectiva do poder no âmbito micro, que ele mesmo define como microfísica do poder em
sua escrita, definindo-a em uma ideia de obediência, e hierarquia construída e/ou consentida, elaborando
uma concepção de poder enquanto exercício relacional; e é nessa perspectiva micro das relações de
poder em que se analisa a educação quanto às disciplinas.

Foucault nos fala de formas com que os sujeitos se relacionam enquanto representações de lugares de
poder; bem como as relações distintivas entre os saberes de determinados grupos, em determinados
lugares, para determinadas finalidades; relações hierarquizadas previamente poderiam ser exemplificadas
nas escolas pelas posições de professores e alunos, de professores em relação aos supervisores,
supervisores em relação aos diretores, dos alunos mais velhos em relação aos mais novos, etc.

5. como tais relações institucionais hierarquizadas são colocadas a partir de uma ideia de
disciplinarização e vigilância, para docilização e potencialização da utilização dos corpos em um
processo que deveria conduzir à subjetividade satisfatória ao modelo moderno de sujeito ideal.

Para buscarmos compreender criticamente a ideia de disciplina que Foucault apresenta precisamos
retomar a ideia de processos de subjetivação e dispositivos.

É importante saber que Foucault é um autor que transita entre várias áreas e não se quer atrelado a
nenhuma delas, estuda filosofia, história, direito, psicologia, sociologia, e pratica tudo isso em uma atuação
docente contínua em prol de evidenciar e compreender essas formas de produção de sentido de nossa
sociedade.

As formas de produção de sentido são parte constitutiva dos sujeitos, ou seja, Foucault se opõe a
perspectiva de que seja possível tratar da subjetividade humana no singular, ele aponta para a existência
de sujeitos e descarta a possibilidade do universal.

Nesse sentido, anterior a qualquer ponto que colocaremos sobre Foucault quanto à Educação, é preciso
que comecemos a pensar em um sentido geral de sua crítica ao apontar o dispositivo escolar como parte
de uma conjuntura de dispositivos de controle e vigilância humana, bem como de conformação coma
pretensão de universalizar de forma categorizante a experiência humana; ele aponta as formas de
imposição de um modelo universal para demonstrar seu caráter inventivo.

O que Foucault aponta em termos de exercício disciplinar no funcionamento da escola para docilização e
normatização impositiva dos corpos, de como esses corpos escolarizados devem se comportar, é a forma
como esse processo fica dissimulado nos ideais salvacionistas da educação, de transformação do sujeito
em seu melhor, nessa ideia de alcançarmos uma verdadeira razão e essência humana por meio do
conhecimento formal.
Foucault questiona esse sujeito universal exatamente no detalhamento do exercício das disciplinas e na
forma como interagem agentes da educação institucional igual às demais instituições de sequestro que
ele analisa – hospitais, prisões, fábricas – mostrando como o momento da produção de um saber
pedagógico, e esse modelo de escolarização em massa, atuam para legitimar construções históricas
impositivas como verdades universais.

6. Estabelece a relação direita entre saber e poder – em que determinados saberes tem poder de ser
considerados verdades.

E como isso está colocado institucionalmente na forma como determinados assuntos são tratados e
outros silenciados, como alguns comportamentos são aceitos e recompensados enquanto outros são
desaprovados e punidos.

Foucault se opõe aos pensadores que acreditavam em uma essência humana, e que acreditavam que a
educação é o processo humano de se fazer sujeito verdadeiro e universalmente concebido.

Crítica do Sujeito - Foucault nos fala da invenção de um sujeito e de discurso do universal que atravessa
a ideia de educação comum, e também a constituição do saber pedagógico.

Para compreender o que seria essa invenção do sujeito, ele nos apresenta o que seriam essas relações
institucionais entre sujeito e poder, poder e saber, educação e resistência.

7. Para Foucault não há sujeito e/ou subjetividade que esteja presente em qualquer época e em
qualquer lugar.

Não há o professor; não há o aluno. Existem professores, e existem alunos.


Ninguém está imune aos processos sociais e históricos a que está inserido.

O sujeito é fabricado nesses processos de subjetivação, ou seja, é fabricada uma identidade histórica – não
há essência do sujeito e/ou sujeito universal. O que indica que outras formas e concepções de sujeito
podem ser inventadas.

Outras formas e concepção de educação podem ser inventadas. Diferentes sujeitos em diferentes
momentos históricos são inventados.

Processos plurais de subjetivação e/ou de fabricação histórica dos diferentes sujeitos estão em oposição a
anterior universalização do sujeito e da educação.

8. Esses processos de subjetivação quanto ao que podemos e/ou devemos ser se dão a partir do que
Foucault denomina: dispositivos.

O que Foucault define por dispositivos poderiam ser espaços literais e subjetivos de produção de
significados de quem somos ou de quem acreditamos ser.

Para mim aparece como uma estratégia sem agente definido para nos dizer o que as coisas e as pessoas
são, e como devemos nos relacionar com elas.
[...] um conjunto decididamente heterogêneo que engloba discursos, instituições, organizações
arquitetônicas, decisões regulamentares, leis, medidas administrativas, enunciados científicos, proposições
filosóficas, morais, filantrópicas. Em suma, o dito e o não dito são os elementos do dispositivo. O dispositivo
é a rede que se pode estabelecer entre estes elementos... [e entre estes] existe um tipo de jogo, ou seja,
mudanças de posição, modificações de funções, que também podem ser muito diferentes, [cuja finalidade]
é responder a uma urgência. O dispositivo tem, portanto, uma função estratégica dominante (FOUCAULT,
1996, p.244-245)

QUAL A DIFERENÇA ENTRE DISPOSITIVO E COMPLÔ UNIVERSAL E ATEMPORAL DE UNS GRUPOS CONTRA
OUTROS? Nenhuma. O dispositivo opera se atualizando e se mantendo como uma engrenagem, não
depende de um vilão, não estabelece quem é vítima, todos o experimentam e se apropriam
diferentemente desses sentidos em acordo com o lugar que ocupam.

Exemplos de como nos remetemos aos dispositivos apontados por Foucault: quando reproduzimos
piadas ou criticamos a roupa curta de uma mulher, sem que saibamos estamos reforçando um
dispositivo de controle de quem somos, o dispositivo de sexualidade, um poder distintivo de gênero
opera na mídia, na literatura, na escola, e estamos submetidos a ele desde que nascemos.
Quando falamos que sofremos desilusão ortográfica amorosa, estamos dizendo que quem sabe escrever
certo ama melhor, o que não faz o menor sentido quanto ao amor, mas legitima que o conhecimento
escolar/formal é mais verdadeiro. Quando falamos em dar um diploma pra alguém como sinônimo de
que ele é realmente bom em algo estamos confirmando diplomas como atestado de qualidade, quando
damos notas para as pessoas com quem relacionamos estamos legitimando métodos de avaliações
quantitativos; estamos reproduzindo os sentidos constitutivos desses controles chamados de dispositivos
por FOUCAULT.

9. DISPOSITIVO ESCOLAR E PODER DISCIPLINAR NA PRODUÇÃO DO SUJEITO MODERNO

Sobre o dispositivo escolar, em vigiar e punir Foucault nos mostra como ele opera reproduzindo o
exercício de poder denominado que ele adjetiva como disciplinar em sua obra.

Para disseminação de um saber e uma educação pretensamente universal foi requerida uma metodologia
de homogeneização da massa diversa de indivíduos a serem escolarizados; o que para Foucault está muito
além de possibilitar uma organização pedagógica funcional para ensino e aprendizagem de conteúdos
específicos.

A metodologia disciplinar satisfaz uma necessidade atestada como parte de um momento histórico de
um regime de produção que requer ‘treinar’, condicionar, orientar continuamente a constituição de uma
subjetividade coletiva massificada, determinada e ordenada, formada por sujeitos capazes de obedecer,
de serem vigiados continuamente, de exercer retórica, de decorar, de respeitar hierarquias, horários,
registros, divisões, e de legitimar o conhecimento racional, formal/institucional como única verdade.

A escolarização moderna é parte de uma nova institucionalização da vida, fundamentada em um momento


histórico que requer condicionamento físico e psicológico para o regime de produção capitalista, através
de processos de disciplinarização e vigilância constante dos corpos.
10. “[...] uma descoberta do corpo como objeto e alvo de poder, ao corpo que se manipula, modela-
se, treina-se, que obedece, responde, torna-se hábil ou cujas forças se multiplicam. [...] uma
teoria geral do adestramento, no centro das quais reina a noção de “docilidade” que une ao corpo
analisável o corpo manipulável. É dócil um corpo que pode ser submetido, que pode ser utilizado,
que pode ser transformado e aperfeiçoado.”

“A disciplina é uma anatomia do detalhe. [...] todas as meticulosidades da educação cristã, da pedagogia
escolar ou militar, de todas as formas, finalmente, de treinamento. Para o homem disciplinado, como para
o verdadeiro crente, nenhum detalhe é indiferente.”

Eu gostaria que a gente se propusesse a lembrar de como as atividades na escola são passadas, de como a
gente dá detalhes de como cada coisa deve ser feita, quando passar traço, usar lápis ou caneta, quantas
linhas saltar, vamos pensar no que é docilizar corpos como algo atual, que vivemos, para que a gente se
veja exercendo poder desse lugar hierarquicamente concebido na figura do professor.

11. “A disciplina procede primeiro lugar à distribuição dos indivíduos no espaço.”

“Duas horas por dia, menos aos domingos e festas os alunos se reúnem na escola. É feita a
chamada, segundo uma lista afixada à parede; anotam-se as ausências num registro. A escola é
dividida em três classes. A primeira para os que não tem nenhuma noção de desenho; mandam-
nos copiar modelos, mais difíceis ou menos difíceis, segundo as aptidões de cada um. A segunda
“para o que já tem alguns princípios” ou que passaram pela primeira classe; devem reproduzir
quadros “à primeira vista e sem tomar-lhes o traço”, mas considerando só o desenho. Na terceira
classe aprendem cores, fazem pastel, iniciam-se na teoria e na prática do tingimento.
Regularmente, os alunos fazem deveres individuais: cada um desses exercícios marcado com o
nome do autor e a data da execução, é depositado nas mãos do professor; os melhores são
recompensados; reunidos no fim do ano e comparados entre eles, permitem estabelecer os
progressos, o valor atual, o lugar superior. Um livro geral mantido pelos professores e seus
adjuntos deve registrar dia por dia o comportamento dos alunos e tudo que se passa na escola; é
periodicamente submetido a um inspetor. [...] é apenas um exemplo de um fenômeno
importante, o desenvolvimento, [...] de uma nova técnica para a apropriação do tempo e das
existências singulares, para reger as relações do tempo, dos corpos e das forças [...] As disciplinas,
que analisam o espaço, que decompõem e recompõem as atividades, devem ser também
compreendidas como aparelhos para adicionar e capitalizar o tempo.”

Pensemos na escola como cada série, aula, funcionário, atividade, tudo tem um espaço, um
horário, uma durabilidade determinada. O que Foucault nos leva a observar é: qual o
sentido disso para a experiência humana? Que tipo de sujeito essa escolar disciplinada quer
formar? Para que tipo de sociedade?

A crítica dessa fabricação de um sujeito universal escolarizado está nessa evidente


conformação entre a produção de corpos escolarizados e a necessidade de corpos
disciplinados e úteis à sociedade.
Um sentido utilitarista que é projetado na ideia de educação e objetivado na disciplina com
que funcionam as instituições escolares.

O que Foucault nos coloca é um questionamento sobre o paradoxo entre a pretensa


construção de autonomia em relação ao adestramento presente nas políticas pedagógicas e
na didática escolar.

Para isso ele segue apresentando a relação da disciplina com a escola, do que ele chama de
disciplina.

12. “Tempo disciplinar que se impõe pouco a pouco à prática pedagógica – [...] determinando
programas que devem se desenrolar cada um em uma determinada fase, e que comportam
exercícios de dificuldade crescente; qualificando os indivíduos de acordo com a maneira como
percorrem essas séries [...] tempo disciplinar com suas séries múltiplas e progressivas [...] o
encaixamento espacial das vigilâncias hierarquizadas [...]”

“O Panóptico era um edifício em forma de anel, no meio do qual havia um pátio com uma torre no
centro. O anel se dividia em pequenas celas que davam tanto para o interior quanto para o exterior. Em
cada uma dessas pequenas celas, havia segundo o objetivo da instituição, uma criança aprendendo a
escrever, um operário trabalhando, um prisioneiro se corrigindo, um louco atualizando sua loucura, etc.
Na torre central havia um vigilante. Como cada cela dava ao mesmo tempo para o interior e para o
exterior, o olhar do vigilante podia atravessar toda a cela [...]”

Esse modelo Foucault apresenta em sua obra visto que é arquitetonicamente pensado para a perfeita
vigilância, para além da arquitetura, sua ideia era de uma vigilância que não precisava mais ser exercida
em tempo integral, bastava criar condições para que os vigiados acreditassem que ela poderia se exercer
a qualquer momento, bastava fazer com que se sentissem vigiados em tempo integral.

O modelo subjetivo do Panoptismo seria essa forma de vigilância individual e contínua que ocorre
institucionalmente, em forma de controle de punição e recompensa e em forma de correção, isto é, de
formação e transformação dos indivíduos em função de certas normas.

Vamos pensar como operam os exames? As notas? As confraternizações? As punições? Os registros de


diários? As avaliações com base em quem está mais perto ou mais distante de um ideal do que é ser
humano socialmente adequado?

Pensemos em toda essa construção violenta de uma ideia de normalidade vigiada ao utilizarmos a palavra
normal pra definir um aluno. Para nos pensarmos enquanto sujeitos, o quão dentro da norma estamos?

13. A escolarização criticada por Foucault se insere em meio ao poder disciplinar, e existe nessa ideia
de uma rede de dispositivos que liga os indivíduos aos aparelhos de produção, formação,
reformação ou correção da força de trabalho nessas instituições denominadas como instituições
de sequestro.
Foucault nomeia em sua obra organizações em forma de instituições que realizam uma espécie de
sequestro de nossas subjetividades em conformidade com o que constitui um determinado dispositivo de
controle. Nessa nomeação entram escolas, hospitais, instituições psiquiátricas, penitenciárias, etc. São
lugares que ao serem experimentados acarretam na inscrição corporal de determinados comportamentos
que compõe uma disciplina em prol da docilização dos sujeitos.

Podemos facilmente vislumbrar diferenciações entre um corpo docilmente escolarizado e o não


escolarizado.

Há uma disciplina contida na escolarização que caracteriza o sujeito que a experimenta para além do
espaço escolar, em seus modos de pensar e agir (no ato de ficar sentado por horas, no hábito da leitura,
retórica, cumprimento de horários, obediência, hierarquia, distinções).

Corpos escolarizados sempre responderão a sinos, apitos, ao ver um quadro, ao ver uma fila, ao
informarem quem são, a sua linguagem escrita, oral e corporal conterá os signos da disciplina que
regulamenta o funcionamento da escola.

O que Foucault coloca é que esse signo disciplinar não é algo forjado pela escola ou para a escola, mas para
a sociedade; esse novo exercício de poder que categoriza o sujeito moderno a partir de uma aproximação
ou distanciamento de um modelo, de uma norma, que apesar de inventada, é sempre colocado como
único lugar feliz.
EDUCAÇÃO COMO PRÁTICA DE LIBERDADE

(DES)CONSTRUÇÃO DO SUJEITO

VÍDEO!!

A normalização de nossas existências não é algo que possamos apontar como característico do período
moderno, esse em que essa sociedade disciplinar opera anterior às críticas, anterior as atuais realocações e
ampliações de sentidos, anterior às mudanças nas relações de forças que se fazem cada vez mais
diversificadas.

A normalização de nossas existências não pode ser pensada sem a produção de uma constante resistência.
Estamos sempre sendo submetidos aos padrões, e estamos sempre subvertendo padrões.

QUAIS SABERES SÃO POSSÍVEIS EM DETERMINADOS MOMENTOS E LUGARES? QUEM DETERMINA QUAIS
SABERES SÃO ESCOLARES, CIENTÍFICOS? QUEM TEM PODER DE DECIDIR O QUE É SABER?

SE A EDUCAÇÃO DISCIPLINAR É UMA INVENÇÃO, HÁ OUTRAS EDUCAÇÕES POSSÍVEIS?

Educação como prática de liberdade?

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