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Introdução

Nesse trabalho, aprofundamos nosso olhar para as concepções de linguagem utilizadas


pelos professores em ações pedagógicas.
As concepções de linguagem usadas são: a linguagem como expressão do pensamento,
a linguagem como instrumento de comunicação e a linguagem como forma de inter-ação.
Dentro desse contexto, realizamos uma entrevista com professores do ensino
fundamental, médio e superior para compreender a concepção de linguagem a concepção
de linguagem em que estão inseridos, a forma como realizam suas propostas de
trabalhos, as escolhas bibliográficas, critérios avaliativos, etc.
Sendo assim, pretendemos refletir acerca da importância de compreender a
linguagem como interação em um mundo letrado como o nosso que precisa de
educadores críticos, e empenhados que contribua de uma maneira mais humana a
formação dos sujeitos.

Definição do tema

 Concepções de linguagem
 Ensino da língua materna

Pressupostos Teóricos

Como base teórica, nosso trabalho terá o suporte dos seguintes autores: Ghiraldelo
(2003), Geraldi (1984) e de Faraco (2005). Em seguida, destacamos alguns pontos das
ideias desses autores.
As discussões teóricas de Ghiraldelo (2003) nos levam a pensar acerca da
dificuldade da língua materna, e nos mostram ponto a ponto essas dificuldades. Essa
autora realizou uma pesquisa com a seguinte pergunta em várias regiões do Brasil: “Você
trocaria de língua materna? Se sim qual língua você escolheria? Por quê? E para
surpresa da teórica da mesma, a maioria dos entrevistados demonstrou interesse em
mudar de língua, ou, pelo menos, aprender uma nova língua.
A partir das informações coletadas nessa pesquisa, a pesquisadora nos mostra que
as dificuldades do português são por um lado negativa e por outro lado, positiva; negativa
porque o seu aprendizado torna-se árduo devido ao vasto campo de construções
sintáticas e ao grande emprego de regras (e algumas com exceções), e, positiva, porque
se o português é uma língua difícil, o indivíduo que a aprende e sabe da dificuldade de
sua língua, está mais bem preparado para aprender outras línguas.
O teórico Faraco (2005) praticamente dá liberdade à linguagem, e a concebe como
um conjunto aberto e múltiplo de práticas socializadas, orais ou escritas, desenvolvidas
pelos falantes da língua. Esse autor acredita que a linguagem é dominada pelo falante
através de práticas da fala e de escrita e que a escola deve amadurecer e ampliar o
ensino da linguagem para que o sujeito tenha domínio e qualidade no que se refere à
língua.
Já Geraldi (1984) tem um conceito semelhante ao de Faraco sobre a liberdade
lingüística e também defende que o grande papel da escola é encorajar e incentivar o
sujeito a aprender o modo correto de utilizar determinada expressão; melhorando, assim,
seu discurso socialmente. Esse autor nos mostra as diferenças das três concepções de
língua: linguagem como expressão do pensamento, como instrumento de comunicação e
a linguagem como meio de interação, e é esta última, ou seja, a 3ª concepção de
linguagem, que é mais contemporânea, e, conforme relatos, que já vimos de alguns
autores é a concepção mais correta e humanizada para as práticas de ensino-
aprendizagem socializadas.
Para Geraldi, através do uso da linguagem é que se valoriza sua real necessidade
e se procura estabelecer regras para uma melhor e ampla comunicação.

Objetivos e hipóteses

 Observar e analisar a concepção de linguagem que os professores entrevistados


concebem em suas práticas pedagógicas;
 Identificar a trajetória dos professores entrevistados;
 Analisar os dados coletados.

Procedimentos da pesquisa

Realizamos uma entrevista na busca de coletar dados acerca da concepção de


linguagem utilizada, em sala de aula, por professores de língua materna do 2º ao 5º ano,
do 6º ao 9º ano, do Ensino Médio e do Ensino Superior. A pergunta feita a esses
professores foi a seguinte:

Considerando a compreensão das concepções de linguagem estudadas durante sua


graduação e outros estudos, explique quais dessas concepções dava suporte a sua ação
pedagógica em sala de aula?E atualmente mantém a mesma concepção, ao longo da sua
trajetória como professor/a de língua materna ou a ressignificou (mudou, alterou)? Por
quê?

Coletamos as informações de quatro professores: sendo dois professores do


ensino fundamental, um do ensino médio e um professor do ensino superior.
As informações sobre as concepções de cada professor foram registradas em uma
folha onde havíamos redigido a pergunta, e colhemos as respostas, também utilizamos o
e-mail como ferramenta de entrevista.
O 1° professor do ensino fundamental será aqui chamado a partir de agora de P1,
o 2º professor será chamado de P2, o professor do ensino médio será chamado de P3 e o
do Ensino superior de P4. .
Os dados coletados serão analisados na próxima seção.

Análise dos dados coletados

 1° professora do ensino fundamental (P1):

A análise do registro da P1, em certa medida, nos leva a crer que ela não entendeu
perfeitamente a pergunta realizada. A P1 relata que há dificuldades nas práticas de
ensino em sala de aula e que há necessidade de constantes mudanças e diferentes
métodos para um processo de ensino adequado.
A P1 registra que “precisamos buscar sempre novos métodos de ensino para que
possamos estar em sintonia com o processo de ensino-prendizagem”.
Na seqüência dessa análise, entendemos que a professora sabe das dificuldades
da relação entre o ensino-aprendizagem, mas acaba não nos informando sua concepção
de linguagem adotada para acabar com estas dificuldades, ou pelo menos diminuí-las.

 2º professora do ensino fundamental (P2):


Inicialmente, percebe-se que a professora trata do assunto se colocando em 3º
pessoa. Ou seja, parece generalizar a forma de concepção de linguagem nas práticas de
ensino. Mas, no decorrer da resposta, percebe-se que ela esta atualizada quando diz que
“que a linguagem é um processo produzido pela atividade, por meios de interações
sociais”, entende-se que a P2 compreende as mudanças lingüísticas, suas variações, e
os diferentes meios de socialização, e aceitação das novas formas de linguagem.
Outro ponto que merece destaque é quando a P2 registra que “a educação é um
movimento sempre em processo de ressignificação e que devemos nos adequar às novas
ações pedagógicas”.
Podemos, então, dizer que a P2 adota em suas práticas de ensino a linguagem
como meio interativo, múltiplo e aberto para diferentes trocas sociais.

 Professora do ensino médio (P3):

Os depoimentos de P3 mostram, em grande medida, que a mesma entendeu a


pergunta realizada, parecendo ter total domínio do assunto.
P3 demonstra conhecer as três concepções de linguagem e fala que, na maioria
das vezes, a relação ensino-aprendizagem se desenvolve quando há entendimento e,
pode se entender a prática das três concepções de linguagem nas ações pedagógicas.
Mas adiante, P3 registra um ponto interessante, onde ela ressalta que inicialmente
adotava a concepção de linguagem como instrumento de comunicação, mas que no
decorrer de sua formação constatou que a forma mais eficaz e humana para um amplo
aprendizado, seria o uso da linguagem como forma de interação.
Percebemos, dessa forma, que P3 nos leva a pensar que para uma boa troca
social entre o ensino-aprendizagem, é necessário primeiro se conhecer as três
concepções de linguagem e, depois, percebermos que terceira concepção torna-se mais
adequada para dar suporte às ações pedagógicas atuais.
Nesse sentido, observa-se que P3 registra outro ponto de grande importância e
relevância no ambiente de educação, ela diz que o ensino através da linguagem interativa
além de ser mais eficaz, desenvolve uma prática de educação mais humanizada e que
assim os alunos tornam-se sujeitos ativos e mais participantes nas trocas sociais.
Entende-se então que a P3 acredita que a socialização é o caminho mais fácil de
entendimento nas trocas sociais, onde o professor ensina e aprende porque os alunos
não são proibidos de expressar o que pensam e participam dos diálogos sem grandes
restrições.
Sendo assim, acreditamos, então, que P3 adota em suas práticas de ensino a
concepção como meio de interação e concordamos plenamente com sua atitude
pedagógica.

 Professor do ensino médio (P4):


(aguardando análise do Deivison)

 Professor do ensino superior (P5)


(aguardando analise do Deivison)