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CENTRO UNIVERSITÁRIO JORGE AMADO

LICENCIATURA EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS

ALEX SANTOS, ELIZETE ALVES, MARIANE BARROS, KARINE DÓREA,


RENATA TOSTA E RODRIGO COPQUE

IMPORTÂNCIA DA PRESERVAÇÃO DOS ECOSSISTEMAS DE


MANGUEZAL.

SALVADOR
2011
ALEX SANTOS, ELIZETE ALVES, MARIANE BARROS, KARINE DÓREA,
RENATA TOSTA E RODRIGO COPQUE

IMPORTÂNCIA DA PRESERVAÇÃO DOS ECOSSISTEMAS DE


MANGUEZAL.

Relatório técnico de visita ao Manguezal de


Guaibim- Valença(BA) apresentado como
requisito para contagem de carga horária
para os Cursos de Licenciatura e
Bacharelado em Ciências Biológicas do
Centro Universitário Jorge Amado.

SALVADOR
2011
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO 03

2. METODOLOGIA 04
2.1. ÁREA DE ESTUDO 04
2.2. PROCEDIMENTOS DE CAMPO 05

3. RESULTADOS E CONCLUSÃO 05
4. REFERÊNCIAS 11
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1. INTRODUÇÃO

O Manguezal é um ecossistema costeiro tropical localizado entre terrenos


baixos na Foz de rios e estuarios, com solos inundados pela ação das marés e tendo
grande variação de salinidade (CORREIA; SOVIERZOSKI 2005). O Brasil tem uma
das maiores extensões de manguezais do mundo. Visto que trata-se de um
ambiente de transição da Mata Atlântica.
A fauna encontrada nos manguezais é composta por várias espécies de
invertebrados e vertebrados, dentre as quais muitas possuem um valor nutritivo e
econômico significante para o ser humano, a exemplo de alguns crustáceos,
moluscos e peixes (MACIEL; ALVES 2009). O manguezal é considerado o 'berçário
do mar', pois diversas espécies de aves comedoras de peixes e de invertebrados
marinhos fazem seus ninhos nas árvores do manguezal, alimentando-se
especialmente na maré baixa, quando os fundos lodosos são expostos. Embora não
sejam muito ricos em espécies, destacam-se pela grande abundância das
populações que neles vivem. (SANTOS, 2011). Por isso podem ser considerados
uns dos mais produtivos ambientes naturais do Brasil.
Devido sua grande exuberância, diversidade biológica, cultural, social e
paisagística despontam como áreas naturais de beleza impar e grande potencial
ecoturístico, a indústria turística, como todo e intervenção antrópica, traz consigo
benefícios (desenvolvimento regional, melhoria na infra-estrutura e qualidade de
vida) e prejuízos (causa ou agrava danos sócio-ambientais através do aumento no
fluxo de embarcações, de pressão sobre espécies de interesse sócio-econômico; de
tensores poluidores, efluentes doméstico-comerciais, óleo combustível e resíduos
sólidos, abertura de trilhas, conflitos de uso, violência, drogas, etc) (COSTA et al.
2006).
Sendo assim, ao explorarmos este ambiente de forma indiscriminada
estamos interferindo no ciclo de vida de milhares de espécies podendo levá-las a
extinção demasiada.
A Bahia, por sua vez, possui maior litoral dentre todos os estados brasileiros
sendo este também maior possuidor deste ecossistema. Por este motivo, faz-se
necessários estudos que viabilizem e denunciem o estado de conservação deste
ambiente.
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Neste contexto o presente relatório tem como objetivo apresentar


observações feitas pelos discentes de ciências biológicas em visita ao manguezal de
Guaibim distrito de Valença/Bahia. Considerando a importância deste ecossistema e
o estado atual de preservação deste, nesta localidade.

2. METODOLOGIA

2.1. ÁREA DE ESTUDO


Valença é formada por cinco distritos: Sede da cidade, Maricoabo, Guerém,
Serra Grande e Guaibim, além de inúmeras localidades rurais (Fig.1). Está
localizada no Baixo sul do estado da Bahia, seus acessos são pelas rodovias BA-
001, BA-542 (BR-101). Possui 84.931 habitantes de acordo com o censo 2007. Sua
vegetação primitivamente é coberta por floresta Perenifólia - Mata Atlântica, Floresta
ombrófila, restinga, herbácea, mangues e arbórea. Seus período chuvoso é de abril
a Julho e suas temperaturas variam de 21°C a 31°C aproximadamente.(Site
prefeitura de Valença-ba, acesso:26/05/2011)
A praia de Guaibim está Situada a 17 km da cidade, é uma antiga colônia de
pescadores, transformada em ponto de moda no verão, com muitas casas de
veraneio, hotéis, pousadas, bares, restaurantes e barracas. Possui águas limpas e
calmas, areia clara e fina. É contornada por belos coqueirais e trechos da Mata
Atlântica. (Site prefeitura de Valença-BA, acesso: 26/05/2011)

Fig.1- Localização da cidade de Valença(BA). Fonte: Geobahia.


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2.2. PROCEDIMENTOS DE CAMPO

O grupo com 20 alunos aproximadamente, estudantes de Biologia do Centro


Universitário Jorge Amado, no dia 15/05/20111, às 9:30h com maré baixa
acompanhada de marisqueira fizemos única visita ao Manguezal munidos de
máquina fotográfica.
E através de indicações dadas pela professora Orientadora presente, foram
registradas e observados características do ecossitema em questão e poluentes.

3.RESULTADOS E CONCLUSÃO

O manguezal está associado às margens de baías, enseadas, reentrâncias


costeiras, onde haja encontro de águas de rio com a do mar, sendo dominado por
espécies vegetais e animais típicas.
Diante as observações voltadas para o objetivo desta visita, identificamos a
presença de algumas espécies típicas do ecossistema, bem como de alguns
impactos causados pelo homem, como a presença de materiais inorgânicos de lenta
decomposição.
Dentre os animais merece destaque o aratu-do-mangue, Goniopsis
cruentata, é a única que apresenta uma distribuição atlântica, ramificando-se ao
longo da costa leste americana entre a Florida e o Brasil. Este decápode habita os
manguezais, mostrando ser um animal semi-arborícola( Fig. 2), capaz de deslocar-
se rapidamente entre as raízes ou troncos de árvores, em sedimentos médios ou
pouco lamosos, e ativo durante a baixa-mar, quando se torna possível sua captura.
Considerado um animal onívoro, alimenta-se desde folhas de mangue a cadáveres
de crustáceos, incluindo-se os da própria espécie.( BOTELHO et al.2004)
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Figura 2- Espécime de Goniopsis cruentata presenciado no Manguezal de Guibim, Valença(BA)

Em apenas cinco anos, uma árvore de mangue fica adulta e reproduz,


podendo chegar a 20 metros de altura. Suas raízes são capazes de passar períodos
ficando cobertas pela água do mar e conseguir o oxigênio que não encontram no
solo (SANTOS, 2011).

Figura 3- Pneumatóforos observados no manguezal de Guaibim, Valença(BA).

É o caso das raízes chamadas 'pneumatóforos' (Fig.3), que deixam uma


ponta fora da lama, ajudando a planta a 'respirar' (SANTOS, 2011). Essas raízes
partem de outras existentes no solo e crescem verticalmente, emergindo da água.
São raízes típicas de locais alagadiços, como o mangue. A estrutura de poros na
epiderme do tecido destes auxilia nas trocas gasosas e na absorção de oxigênio.
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Figura 4- Cracas e Conchas de Ostras encrustados em pilastra de Ferro submerso quando em maré
alta, no Manguezal de Guaibim, Valença(BA).

Nos troncos submersos encontram-se vários animais filtradores, tais como


as ostras. Uma grande variedade de peixes penetra nos manguezais na maré alta.
Muitos dos peixes que constituem o estoque pesqueiro das águas costeiras
dependem das fontes alimentares do manguezal, pelo menos na fase jovem
(SANTOS, 2011).

Figura 5- Raízes ecoras de plantas de manguezal.

OS mangues apresentam raízes peculiares que garantem a sua


sobrevivência: raízes aéreas. No mangue preto e no mangue branco, raízes
chamadas pneumatóforos emergem de baixo do sedimento em direção ao ar, de
maneira que mesmo durante a maré cheia as extremidades das raízes ficam
expostas ao ar possibilitando as trocas gasosas por parte das plantas. Já o mangue
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vermelho apresenta expansões no caule principal contendo lenticelas, que são


buracos por onde são feitas as trocas gasosas. As raízes dos mangues são de
fundamental importância para segurar o sedimento junto à margem, impedindo a
erosão e um conseqüente assoreamento dos rios e canais os quais margeiam
(SANTOS, 2011).Como no caso das raízes escoras (Fig. 5), cuja função é dar
melhor sustentação e condições de fixação da planta ao solo.

Figura 6- Fungos liquenizados

Fungos liquenizados (Fig-6) são aqueles que obrigatoriamente se associam


a fotobiontes (algas ou cianobactérias) formando estruturas tradicionalmente
conhecidas pela Botânica como liquens. Costumam desaparecer muito rapidamente
de regiões sob impacto ambiental, e a eventual reconstituição da comunidade,
quando possível, é extremamente lenta. Além de excelentes bioindicadores da
qualidade e das alterações ambientais, os fungos liquenizados são produtores de
uma grande quantidade de substâncias biologicamente ativas, que são restritas a
grupos taxonômicos e/ou áreas geográficas, e cujo estudo da estrutura e síntese em
laboratório deverá sem de grande importância no futuro próximo (MARCELLI,1997).
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Figura 7- Resíduos sólidos encontrados no Manguezal de Guaibim- Valença/BA: A)Saco plástico,


B)Cano de PVC, C)Garrafa de vidro, D)Pedaço de Plástico, E)Pedaço de plástico e F) Saco Plástico.

Todos os materiais poluentes inorgânicos (Fig-7) jogados nos manguezais


como pneu de borracha, garrafas de vidro e de plástico, lixo industrial, latas de
alumínio e utensílios domésticos (vaso sanitário, geladeiras, pias, camas, colchões,
espelhos) são de difícil decomposição.
De acordo com Oliveira e Souza (2002), os atores da situação-problema são
classificados em três: atores primários - os que moram às margens do rio; atores
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secundários - a população urbana, inclusive empresas; intermediários - os que


transitam pelo rio.
O manguezal pode ser tratado como um recurso renovável, porém finito,
quando se considera a produção natural de mel, ostras, caranguejos e outras
espécies, além de oportunidades recreacionais, científicas e educacionais. Pode ser
considerado não renovável quando o espaço é ocupado por construções
imobiliárias. A fauna e a flora das áreas dos manguezais são fonte de alimentos para
as populações humanas e os estoques de peixes e espécies similares constituem
excelentes fontes de proteína animal de alto valor nutricional, sendo os recursos
pesqueiros considerados indispensáveis à subsistência das populações (OLIVEIRA;
SOUZA, 2002).
Segundo Oliveira e Souza (2002), concordamos que a importância da
preservação desse ecossistema consiste no fato de que a sua destruição coloca em
risco todo o equilíbrio ambiental litorâneo, além de atingir direta e indiretamente a
população como um todo.
3. REFERÊNCIAS

BOTELHO, R.O.; ANDRADE, C.E.R.; SANTOS, M.C.F. Estudo da População de Aratu-do-


Mangue, Goniopsis cruentata (Latraille, 1803) (Crustacea, Decapoda, Grapsidae) no
Estuário do Rio Camaragibe (Alagoas - Brasil). Bol. Tec. Cient. CEPENE 12(1):91-98. 2004

CORREIA, M.D ; SORVIERZOSKI, H.H. Conversando sobre Ciências em Alagoas.


Ecossistemas marinhos:recifes Parais e Manguezais. Ed. Ufal. Maceio- Al. 2005

COSTA M. R. P.; ALCÂNTARA, E. H.; AMORIM, A. J. E.; MOCHEL, F. R. Avaliação das


potencialidades e fragilidades das áreas de manguezal para a implementação do ecoturismo
usando ferramentas de sensoriamento remoto em Cururupu - Ma, Brasil Caminhos de
Geografia 22(17) 237 - 243, Página 237, fev/2006.

MACIEL, D. C. ; ALVES, Â. G. C. Conhecimentos e práticas locais relacionados ao aratu


Goniopsis cruentata (Latreille, 1803) em Barra de Sirinhaém, litoral sul de Pernambuco,
Brasil. Biota Neotrop. [online]. vol.9, n.4, pp. 29-36. ISSN 1676-0603. 2009.

MARCELLI, M. P. Estudo da diversidade de espécies de fungos liquenizados do Estado de


São Paulo. Instituto de Botânica Seção de Micologia e Liquenologia Disponível em:
<http://www.biota.org.br/info/historico/workshop/revisoes/liquens.pdf.> Acesso
em:02/06/2011.

SANTOS,J. Manguezais. Disponível em :<


http://www.moisesneto.com.br/janainamanguezal.pdf>. Acesso em :26/05/2011.

SITE PREFEITURA DE VALENÇA- BA. Disponível em:


<http://www.valenca.ba.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=19&Itemid=3
1> Acesso em :26/05/2011.

OLIVEIRA , A.K. P.; SOUZA, C. S. DESPOLUIÇÃO DO MANGUEZAL: Sistematização de


um projeto de intervenção no estuário do rio Potengi R. FARN. Natal. v. 1, n.2, p. 27 – 36,
jan./jun. 2002.