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ANÁLISE DE CIRCUITOS ELÉTRICOS

Marcos Costa Hunold


,

1 INTRODUÇÃO AOS CIRCUITOS ELÉTRICOS

Caros alunos, neste bloco apresentaremos as grandezas físicas que calculamos nos
circuitos elétricos, os componentes utilizados em circuitos elétricos e sua simbologia,
as leis e teoremas utilizados para cálculo das grandezas, inicialmente trabalhamos com
tensões e correntes constantes, isto é, circuitos com tensão contínua ou corrente
contínua. Depois, esse conceito é estendido para circuitos alimentados com outros
tipos de sinais de entrada. Este momento fornece os conceitos básicos da engenharia
elétrica. A partir deles é desenvolvida toda a análise de circuitos da engenharia
elétrica. É fundamental que você, caro aluno, veja os exercícios resolvidos e faça os
exercícios propostos que estão no Material de Apoio a fim de compreender como é
feita a análise de circuitos elétricos. Quaisquer dúvidas que você tiver, consulte o tutor
ou o professor responsável pela disciplina.

1.1 Grandezas Físicas e Componentes de circuitos elétricos

Nos circuitos elétricos temos alguns componentes através dos quais são avaliadas as
grandezas elétricas. Esses componentes podem ser elementos passivos ou elementos
ativos. Um elemento ativo é capaz de gerar e fornecer energia para os elementos
passivos, que não geram energia, mas, eventualmente, dissipam ou absorvem energia
para fornecê-la posteriormente.

• Exemplos de elementos ativos: geradores, baterias, fontes de alimentação,


amplificadores operacionais etc.;

• Exemplos de elementos passivos: resistores, capacitores e indutores.

As principais grandezas estudas nos circuitos elétricos são a corrente, tensão, potência,
energia elétrica, resistência, capacitância e indutância. É comum ouvirmos as pessoas
se referindo à tensão como voltagem e à corrente como amperagem. Na verdade,

2
,

essas pessoas estão misturando os nomes das unidades com as grandezas físicas.
Vejamos a definição de casa uma delas.

Corrente elétrica

É definida como o movimento de elétrons ao longo de uma seção de um fio. Unidade:


Ampere (A). Como trata do movimento de elétrons, é associada às cargas elétricas que
circulam por um fio ao longo do tempo, ou seja, a corrente elétrica I será dada por:

I = Q/t

Q é a carga elétrica (C – coulombs) e t é o tempo (em segundos). Esta definição é


adequada quando a carga é constante. Se variar ao longo do tempo, trabalha-se com o
valor instantâneo.

Observações importantes:

• Lembrar que: 1 coulomb corresponde à carga associada a 6,242 x 1018 elétrons.


Assim, a carga de 1 elétron é 1,6 x 10-19 C;
• Medir corrente: o amperímetro deve ser inserido em série ao circuito ou ao
ramo do circuito no qual se deseja medir a corrente. Se a corrente entra no
terminal I do multímetro e sai no COM (comum), a indicação será positiva. Se
sair do terminal I e entrar no COM, a indicação será negativa;
• Notação: se nos referimos à corrente em um determinado instante utilizamos
i(t), quando trabalhamos em corrente contínua utilizamos a letra maiúscula I;
• A corrente só existe pois nos fios de cobre existe um elétron livre na última
camada de valência e existe a fonte de tensão (bateria, fontes de alimentação,
gerador CC, pilhas, células fotovoltaicas etc.) que gera um potencial positivo
(íons positivos) e um potencial negativo. Os elétrons caminham do negativo da
fonte para o positivo. No entanto, o SENTIDO CONVENCIONAL adotado é que a
corrente eletrônica é a das “cargas positivas”, ou seja, do positivo da fonte para

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,

o negativo. A figura 1.1 ilustra a corrente eletrônica para um circuito elétrico


com uma fonte de tensão contínua, a pilha, e um resistor;
• Se tratarmos da relação entre corrente e cargas que passam de forma
instantânea, isto é, i(t) e q(t), observaremos que a variação da carga ao longo
do tempo corresponde à corrente i(t), ou seja:
𝒅𝒒(𝒕)
𝒊(𝒕) =
𝒅𝒕

Figura 1.1 – Circuito elétrico com representação do movimento de elétrons

Tensão Elétrica

Por experimentação, existe uma diferença de potencial de 1 volt (unidade da tensão)


entre dois pontos, quando ocorre uma troca de energia de 1 Joule ao deslocarmos
uma carga de 1 coulomb entre esses dois pontos. Assim associa-se a tensão à energia
elétrica de forma direta e inversamente proporcional à carga, ou seja:

V = W/Q

W é a energia elétrica (J – joules) e Q é a carga elétrica (C – coulombs). Unidade: volts


(V).

Observações importantes:

• Na bateria, ou pilha, representada na figura 1.1, reações químicas internas


estabelecem o acúmulo de cargas negativas (elétrons) em um dos terminais e
cargas positivas (íons positivos) no outro terminal. Esse posicionamento de
cargas gera a diferença de potencial entre os terminais ou a TENSÃO;

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• Notação: E (para fontes de tensão) ou V (ou U) para quedas de tensão nos


demais bipolos. Aqui vale a mesma observação para a corrente, isto é,
utilizamos e(t) ou v(t) para a tensão instantânea da fonte e do bipolo,
respectivamente, ou a tensão em um determinado instante;
• Medir tensão: entre dois pontos (em PARALELO) o voltímetro deve ser
utilizado, seja para um bipolo resistivo ou para uma fonte. O circuito não deve
ser interrompido;
• Podemos determinar a tensão em um determinado instante (tensão
instantânea) e vale:
𝒅𝒘
𝒗(𝒕) =
𝒅𝒒

Potência Elétrica

Grandeza que mede quanto se absorve de energia em um determinado intervalo de


tempo. É dada por:

P = W/t

W é a energia elétrica (J - joules) e t é o tempo (em segundos). Fazendo as devidas


substituições de W (W=Q.V) e depois de Q (I=Q/t), temos:

P = V. I Unidade: watts (W)

Energia elétrica

W = P.t Unidade: Wh (watt.hora)

Note que a nossa conta de luz é dada normalmente em kWh, ou seja, cobra-se pela
energia elétrica que consumimos ao longo de um período, normalmente de um mês. O
“k” indica um múltiplo da unidade (1 kWh = 1000 Wh).

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,

Observações importantes:

• Novamente aqui pode ser feito o cálculo da potência em um determinado


instante de tempo (potência instantânea) e deduz-se que:
𝒅𝒘(𝒕) 𝒅𝒘(𝒕) 𝒅𝒒(𝒕)
𝒑(𝒕) = = . = 𝒗(𝒕). 𝒊(𝒕)
𝒅𝒕 𝒅𝒒(𝒕) 𝒅𝒊(𝒕)

• Quanto ao sinal da potência com relação aos bipolos, deve-se obedecer ao fato
de que existem duas convenções: uma do sinal ativo e outra do sinal passivo.
Na convenção de sinal passivo, quando a corrente entra pelo terminal positivo
(potencial positivo) de um elemento, define-se que a potência p = +vi e
dizemos que o bipolo está absorvendo a potência. Se a corrente sai pelo
terminal positivo, p = –vi, dizemos que o bipolo está fornecendo a potência;
• Na convenção de sinal ativo quando a corrente sai do terminal positivo, p=+vi
e o bipolo fornece a potência. Quando a corrente entra no terminal positivo,
p=-vi e o bipolo absorve a potência em questão.

Resistência, resistores e as Leis de Ohm

A resistência é a oposição à passagem dos elétrons em um material, resultante das


colisões entre elétrons e átomos do material, que converte energia elétrica em outra
forma de energia (energia térmica, por exemplo no caso dos resistores, lâmpadas etc.).
A segunda lei de ohm estabelece quais grandezas físicas estão relacionadas com a
resistência de um condutor elétrico. Essa lei define a seguinte relação:

R = ρ. L/A

ρ é a resistividade do material, L é o comprimento e A é a área de seção transversal do


condutor. A unidade da resistência é o ohm (Ω), daí podemos deduzir a unidade da
resistividade. Note que a resistividade representa a oposição que um material oferece
ao fluxo de cargas elétricas ou simplesmente à passagem da corrente.

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,

Existem bipolos que tem um comportamento linear entre a tensão e a corrente que
passa. Esses elementos são chamados de bipolos ôhmicos, pois seguem a primeira lei
de ohm. Daí resultam as relações:

I = V/R ou V = R .I ou R = V/I

R é a resistência do bipolo ôhmico, que é constante, V é a tensão e I é a corrente


elétrica. Essa lei vale para sinais de tensão e corrente constantes ou para sinais
variáveis no tempo.

Observações importantes:

1) Normalmente, pode-se estabelecer a relação entre potência e resistência.


Substituindo na fórmula da potência, temos que: P = R . I 2 ou P = V 2 / R;
2) Existem bipolos não-ôhmicos, que possuem um valor de resistência variável. A
determinação de correntes e tensões em circuitos com bipolos ôhmicos e não-
ôhmicos é feita com métodos gráficos ou com a simplificação do
comportamento do bipolo não-ôhmico. Isso será estudado mais adiante;
3) Além da grandeza resistência, trabalha-se também com a Condutância (G), que
representa o quanto um bipolo conduz de corrente elétrica. Sua unidade é o
siemens (S) no S.I. ou o mho (℧), e é calculada por:

𝟏 𝑰
𝑮= =
𝑹 𝑽

Os resistores são bipolos que seguem as leis de ohm. São feitos para suportarem uma
determinada potência (resistores de 1/8 W, por exemplo, trabalham no máximo com a
potência de 0,125W). Em circuitos elétricos, normalmente, apresentam-se os tipos de
resistores, o código de cores e como se faz a medida de resistência: em paralelo ao
resistor com ele desconectado do circuito. Isso já foi visto em Física Experimental II,
inclusive foram vistos circuitos série e paralelo com resistores e fontes de tensão
contínuas, e como calculam-se as correntes e tensões nestes circuitos utilizando o
conceito de resistência equivalente. Faremos aqui uma breve revisão sobre esses
circuitos através de exercícios.

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,

Simbologia para representação de resistores em esquemas elétricos:

RESISTOR FÍSICO (exemplo) SIMBOLOGIA NO ESQUEMA


ELÉTRICO

ou R

Capacitância e capacitores

Os capacitores são bipolos elétricos que possuem, de forma simplificada, duas placas
metálicas separadas por um material dielétrico (isolante) de constante k e que
armazenam cargas elétricas proporcionalmente à tensão que é aplicada. Existem, por
exemplo, capacitores de placas paralelas e os cilíndricos. A relação de
proporcionalidade está ligada a capacitância, cuja unidade é o Faraday (F). Ela
depende da geometria do capacitor, ou seja, da distância entre as placas do capacitor,
da área das placas e da constante dielétrica do material entre as placas.

Por exemplo, um capacitor de 1 F, acumula, por exemplo, 1C quando sujeito a uma


tensão de 1V. Isto não ocorre de forma instantânea, existe uma dinâmica, e isso pode
ser compreendido em função da relação constitutiva do capacitor, que relaciona a
tensão com a corrente, que é dada a seguir.

Sabemos que:

𝒒(𝒕) = 𝑪. 𝒗(𝒕) e

𝒅𝒒(𝒕)
𝒊(𝒕) =
𝒅𝒕

Derivando a primeira equação e substituindo o valor de i(t), chega-se na relação


constitutiva do capacitor, que vale:

𝒅𝒗(𝒕)
𝒊(𝒕) = 𝑪
𝒅𝒕

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,

A partir dessa relação podemos estudar o comportamento do capacitor quando


associado a um circuito com outros componentes. Nos primeiros instantes de
funcionamento, o capacitor se comporta como um “curto”, pois sua tensão é
praticamente nula e a corrente é elevada. Com o passar do tempo, a corrente começa
a cair e a tensão aumenta até o instante em que o capacitor fica totalmente carregado,
e então sua corrente é nula e a tensão é máxima. Nesse instante, o capacitor se
comporta como um “circuito aberto”.

Simbologia para representação de capacitores em esquemas elétricos:

CAPACITOR FÍSICO (exemplo) SIMBOLOGIA NO ESQUEMA ELÉTRICO

Indutância e indutores

Os indutores são bipolos que armazenam energia em seu campo magnético. Trata-se
de uma bobina de fio condutor, conforme apresentado na figura a seguir, que mostra
um indutor do tipo solenoide. O indutor, quando ocorre uma variação de corrente em
seus terminais, produz uma força eletromotriz ou tensão para que a corrente
permaneça a mesma. Essa tensão é diretamente proporcional à taxa de variação de
corrente, que é igual a:

𝒅𝒊(𝒕)
𝒗𝑳 (𝒕) = 𝑳
𝒅𝒕

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,

Como se observa na equação, a indutância, L, é a constante de proporcionalidade e é a


propriedade que representa a oposição à mudança do fluxo de corrente através do
indutor. Sua unidade é o henry (H) e, no caso de um solenoide, ela depende do
número de espiras (N), da permeabilidade magnética do núcleo (µ), da área da seção
transversal do fio (A) e do seu comprimento (l), conforme a equação:

𝑵𝟐 𝝁𝑨
𝑳=
𝒍

Simbologia para representação de indutores em esquemas elétricos:

INDUTOR FÍSICO (exemplo) SIMBOLOGIA NO ESQUEMA ELÉTRICO

A partir da relação constitutiva do indutor, verifica-se que quando é aplicada uma


tensão no indutor, o campo magnético gera uma tensão de mesmo valor ao da fonte,
de forma a manter a corrente igual a zero. Desta forma, nos instantes iniciais, o
indutor se comporta como um “circuito aberto” e, com o passar do tempo, vai
reduzindo sua tensão e elevando a corrente que flui, até não apresentar mais o efeito
magnético. Neste instante, o indutor se comporta como um fio, ou seja, um “curto
circuito”.

Fontes de alimentação

As fontes de alimentação podem ser fontes de tensão ou fontes de corrente


independentes ou dependentes. Na análise de circuitos podemos trabalhar com fontes
de alimentação ideais ou reais. A seguir, ilustra-se os dois tipos de fontes e são

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,

fornecidas as curvas características destes componentes (curvas que relacionam a


tensão e a corrente dos terminais das fontes), bem como a conversão entre elas. Além
disso, apresentam-se as fontes dependentes (ou controladas) ideais que são um
elemento ativo no qual a quantidade de energia é controlada por outra tensão ou
corrente. Aqui, são apresentadas as fontes de alimentação com tensão contínua ou
simplesmente CC.

Fontes de tensão CC independentes

• Fontes de Tensão Ideais


Nesta fonte a tensão é mantida constante com o valor E, mesmo com a
variação da corrente. Os símbolos utilizados dependem do tipo de tensão
gerada. Se ela for constante no tempo (fonte de tensão CC) trabalha-se com a
seguinte simbologia e curva característica:

Simbologia Curva característica

U
I
E
+
E U RL
_

Observações importantes:

• A curva característica é um gráfico que relaciona a tensão com a


variação da corrente no bipolo ou o valor da corrente com a variação da
tensão, isso depende do tipo de bipolo que se trabalha, no caso, do tipo
de fonte de alimentação, isto é, fonte de tensão ou fonte de corrente;

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,

• A representação da fonte é feita com dois traços paralelos. O maior


traço indica o terminal positivo e o menor o terminal negativo. No caso
da fonte ideal, a tensão nos terminais da fonte, U é igual a tensão E;
• Na eletrônica é muito comum trabalhar com a tensão da fonte igual a
Vcc e representar parcialmente o circuito da figura acima. Define-se
uma referência do circuito que em geral é o terminal negativo da fonte,
e todas as tensões podem ser dadas com relação a essa referência. Se a
fonte for simétrica, isto é, possui tensão positiva e negativa de mesma
intensidade, a referência é o terminal entre as duas tensões, que é
chamado de 0V. A figura abaixo representa o circuito na representação
de malha fechada e simplificada. Devemos tomar o cuidado de não
confundir a referência com o terra de um circuito, que tem por função
proteger de choque um indivíduo que manipula um equipamento;

E ou +Vcc
I Esquema
+
elétrico
E RL RL
simplificado
_

Esquemas elétricos
Símbolo de
equivalentes
referência do
circuito

• Existe a possibilidade de trabalhar com um segundo símbolo para uma


fonte de tensão CC que está representado a seguir;

I
+
E U RL
_

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,

• Fontes de Tensão Reais


Aqui a tensão varia com o aumento da corrente. Utiliza-se uma equação
matemática para representar este tipo de fonte com uma resistência interna
(ri) em série com a tensão constante da fonte, conforme a simbologia dada a
seguir.

Simbologia Curva característica


U
_
I
ri Vri
U RL
+
E

Equação da tensão nos terminais da fonte: 𝑼 = 𝑬 − 𝒓𝒊. 𝑰

A dedução da fórmula acima vem da análise das tensões existentes no modelo


da fonte. Temos a tensão total U que é dada pela soma de E com –Vri. Note que
o sentido da tensão Vri é o contrário ao sentido das tensões E e U e ele é
definido assim, pois o potencial positivo do bipolo é no terminal onde a
corrente I entra.

Fontes de corrente CC independentes

• Fontes de corrente CC ideais


Neste tipo de fonte, a corrente é mantida constante mesmo com a variação da
tensão. A seguir representa-se a fonte associada a uma carga e a curva
característica da fonte de corrente.

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,

Simbologia Curva característica

I
I
I
I U RL

• Fontes de corrente CC Reais


Aqui a corrente varia com a variação da tensão. Utiliza-se um modelo
matemático para representar este tipo de fonte com uma resistência interna
(ri) em paralelo com a corrente constante da fonte, conforme a simbologia
dada a seguir.

Simbologia Curva característica


IS
IS
I
I ri U RL

Observação: na fonte de corrente ideal a tensão é definida pelo circuito e a


corrente nos terminais da fonte sempre será o valor I. Já na fonte de corrente
real, parte da corrente é desviada para a resistência interna. A fonte de
corrente ideal tem sua resistência interna infinita. Vale a seguinte equação para
esta fonte:

𝒓𝒊
𝑰𝑺 = 𝑰
𝑹𝑳 + 𝒓𝒊

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,

Conversão entre fontes de corrente e fontes de tensão

A fonte de tensão é convertida na fonte de corrente

ri
RL I=E/ri RL
ri
E

A conversão pode ser feita como demonstrado na figura acima, mas também pode ser
feita no sentido contrário, ou seja, parte-se da fonte de corrente e determina-se a
fonte de tensão em que:

𝑬 = 𝑰. 𝒓𝒊

Fontes dependentes ideais

Fontes dependentes ideais são aquelas cujo controle da fonte depende de uma tensão
ou corrente de algum outro elemento do circuito e a fonte pode ser de tensão ou de
corrente. Assim, existem quatro tipos possíveis de fontes dependentes:

1. Fonte de tensão controlada por tensão (FTCT*);


2. Fonte de corrente controlada por tensão (FCCT);
3. Fonte de corrente controlada por corrente (FCCC);
4. Fonte de tensão controlada por corrente (FTCC).

Fontes dependentes são úteis no modelamento matemático do comportamento de


elementos como transistores, amplificadores operacionais e circuitos integrados
diversos. No próximo item abordaremos exercícios com este tipo fonte e as demais
fontes descritas.
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,

1.2 Circuitos elétricos: cálculo de tensões e correntes em associação série, paralela,


mista, divisores de tensão e divisores de corrente

Uma vez conhecidas as grandezas físicas principais e os componentes utilizados,


propõe-se aqui uma diversidade de exercícios sobre circuitos elétricos com tensões e
correntes constantes ou simplesmente tensão e corrente CC. Nesta análise
trabalhamos com circuitos com uma fonte e resistores em associação série, paralela e
mista, com os conceitos de resistência equivalente, fontes ideais e reais, fontes
controladas, divisores de tensão e conversão entre fontes de tensão e de corrente.

• Circuito básico: é dada a tensão da fonte CC ideal e o valor da resistência do


resistor

I
+
+
E VR R
_
_

Valem as relações do circuito utilizando a primeira lei de ohm e com isso


determina-se a corrente no circuito:

𝑬
𝑰= 𝒆 𝑽𝑹 = 𝑬 = 𝑹. 𝑰
𝑹

Note a polaridade positiva (+), na qual a corrente entra no resistor, e a seta neste
terminal. A corrente sempre entra no terminal positivo de um resistor.

• Associação série de resistores:


Podemos determinar o circuito equivalente de uma única resistência já que
nesta associação a corrente é a mesma e a tensão da fonte é dividida entre
cada resistor em função do valor das suas resistências.

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VR1
I
Equivale a:
R1 I
+
+
E R2 VR2 E VReq Req
_
_
R3

VR3

Pela lei de ohm : VR1 = R1.I ; VR 2 = R 2.I e VR 3 = R3.I


Vale : E = VR1 + VR 2 + VR 3
Daí : E = ( R1 + R 2 + R3).I e E = Req .I

Conclusão: Generalizando, Req = R1 + R 2 + ... + Rn . No circuito série a resistência

equivalente é a soma das resistências dos resistores.

Observação importante: a relação da tensão da fonte com as tensões nas resistências


é dada pela lei das malhas de Kirchhoff que será apresentada mais adiante;

• Associação paralela de resistores


Nesta associação a corrente que sai da fonte é dividida em cada ramo no qual
estão os resistores (fato determinado pela lei dos nós de Kirchhoff). Observa-se
que a tensão em cada ramo é igual a tensão das fontes. O circuito a seguir
ilustra essa associação e, em seguida, deduz-se como calcular a resistência
equivalente.

I I1 I2 I3

VR1 VR2
E R1 R2 R3 VR3

Ramos

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,

VR1 V V
Como : E = VR1 = VR 2 = VR 3 então : I1 = ; I 2 = R 2 e I 3 = R3
R1 R2 R3
V V V  1 1 1 
Vale que I = I1 + I 2 + I 3  I = R1 + R 2 + R 3 = E. + + 
R1 R 2 R3  R1 R 2 R3 
1 I  1 1 1 
Assim : = = + + 
Req E  R1 R 2 R3 

Conclusão: generalizando, temos:

1  1 1 1 
= + + ... + 
Req  R1 R 2 Rn 

• Associação mista de resistores


Nestes circuitos, calcular a tensão ou corrente é um problema complexo que
envolve a simplificação dos circuitos utilizando as resistências equivalentes
parciais de cada parte do circuito. A solução não é trivial e exige bastante
atenção por parte do aluno. A seguir, exemplifica-se uma solução de uma
associação mista na qual se deseja calcular a potência de um resistor.

Exemplo 1.1: Dado o circuito da figura a seguir, determine a potência no resistor de


10Ω sabendo que a tensão da fonte é igual as 12V.

I I2

20 I1 20
70
E 10

40

Solução: devemos sempre calcular a resistência equivalente total para então


determinar a corrente que sai da fonte e a partir daí, calcular as demais correntes e
tensões nos circuitos das simplificações intermediárias para então determinar a tensão

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ou corrente no bipolo desejado (o que for mais conveniente), no caso, o resistor de


10Ω.

Primeira simplificação: O início é sempre a partir do ponto extremo ao da fonte.


Observa-se que o resistor de 10Ω está em série com o de 20Ω. Daí surge a primeira
simplificação:

Req1 = 10 + 20 = 30

I I2

20 I1
70 VReq2
E Req1=30

40

Segunda simplificação: agora temos a Req1 em paralelo com a resistência de 70Ω, para
então determinar a Req2:

1 1 1 1 1 3 + 7 10 210
= + = + = =  Req 2 =  Req 2 = 21
Req 2 70 Req1 70 30 210 210 10

20

VReq2 Req2=21
E

40

Terceira Simplificação (Final): ficamos com três resistores em série, obtendo a Reqtotal e
a corrente que sai da fonte.

Reqtotal = 20 + 21 + 40 = 81
E 12V
I= = = 0,148 A ou 148mA
Reqtotal 81

19
,

Reqtotal=81
E

A partir daí, devemos analisar a forma mais fácil de obter a corrente ou tensão no
resistor de 10Ω. Esta análise depende de experiência e capacidade de raciocinar para
obter uma destas variáveis.

Vejamos a seguinte linha de raciocínio:

Observa-se no circuito da segunda simplificação que a corrente que sai da fonte I,


permite determinar a tensão VReq2. Com essa tensão determina-se a corrente I2 no
Req1 do circuito da primeira simplificação, que nada mais é que a corrente no resistor
de 10Ω, pois trata-se de uma associação em série. Seguindo esta linha, determina-se a
potência no resistor, fazendo:

VRe q 2 = Req 2 .I = 21.148mA  VRe q 2 = 3,11V


VRe q 2 3,11V
I2 = = = 0,103 A ou 103,7mA
Req1 30
P10  = RI 22 = 10(103,7mA) 2  P10  = 0,107W

Finalmente, observa-se nos cálculos somente a utilização da lei de ohm e a fórmula da


potência utilizando a resistência e a corrente.

Finalmente, apresenta-se uma análise de um DIVISOR DE TENSÃO e de um DIVISOR DE


CORRENTE.

Divisor de tensão: um divisor de tensão é um circuito utilizado para reduzir uma


tensão utilizando resistores. Analisando o circuito abaixo, verifica-se que se quisermos,
a partir de uma tensão, reduzir seu valor, devemos utilizar dois resistores e trabalhar

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,

com a tensão em qualquer um deles, normalmente utiliza-se o resistor ligado ao


terminal negativo da fonte.

R1 VR1

E
R2 VR2

E E
Cálculo de I : I = I=
Req R1 + R 2
Cálculo de VR2 : VR 2 = R2 .I
E R2
Substituindo o valor da corrente : VR 2 = R2  VR 2 = E
R1 + R 2 R1 + R 2
Ri
Generalizando : VRi = E
R1 + R 2 + ... + Ri + ..... + Rn

Note que, no caso de dois resistores, calcula-se VR2 utilizando no numerador o resistor
R2, dividido pela soma das resistências. Um exemplo numérico é dado a seguir.

Exemplo 2.1: Determine os valores de R1 e R2 da figura acima se quisermos obter de


uma tensão de bateria de 12V, uma tensão de 5V, sem carga, ligada a resistência R2.

SOLUÇÃO: neste exercício foram dadas as tensões e estão sendo cobrados os valores
de R1 e R2. Isso gera uma relação entre R2 e R1, que possibilita escolher valores de
resistência que atendam esta relação.

R2
Da relação : VR 2 = E com os valores de E e VR2 , obtem - se :
R1 + R 2
R2 7
5 = 12  5( R1 + R 2) = 12 R 2  5 R1 = 7 R 2  R1 = R 2  R1 = 1,4 R 2
R1 + R 2 5
Se adotarmos R1 = 10k , vem que : R2 = 14k

21
,

Divisor de corrente: este circuito serve para reduzir o valor de uma corrente utilizando
resistores em ramos paralelos. A sua fórmula geral é obtida como vemos a seguir.

Valem as seguintes relações:

𝑉𝑅𝑖
𝐼 = 𝐼1 + 𝐼2 𝑒 𝐼𝑖 =
𝑅𝑖
𝑉𝑅1 𝑉𝑅2
𝐷𝑎í: 𝐼 = + 𝑚𝑎𝑠 𝑉𝑅1 = 𝑉𝑅2 = 𝐸
𝑅1 𝑅2
𝐸 𝐸 1 1 𝑅1 + 𝑅2 𝑅1. 𝑅2
𝐴𝑠𝑠𝑖𝑚: 𝐼 = + = 𝐸. ( + ) = 𝐸. ( ) ⟹ 𝐸 = 𝐼. ( )
𝑅1 𝑅2 𝑅1 𝑅2 𝑅1. 𝑅2 𝑅1 + 𝑅2
𝑅1. 𝑅2
𝑀𝑎𝑠: 𝐸 = 𝑉𝑅2 = 𝑅2. 𝐼2 𝑙𝑜𝑔𝑜 𝑅2. 𝐼2 = 𝐼. ( )
𝑅1 + 𝑅2
Simplificando, resulta em:

𝑹𝟏
𝑰𝟐 = 𝑰. ( )
𝑹𝟏 + 𝑹𝟐

Para três ou mais ramos criam-se mais termos no numerador, o que gera uma fórmula
mais complexa. Note que para calcular I2, utiliza-se o resistor R1 no numerador, que é
o resistor do outro ramo, dividido pela soma das resistências.

Agora você deve resolver os exercícios que se encontram no material de apoio da


disciplina e estão também na trilha de aprendizagem. Sugere-se utilizar as referências
como elemento de estudo, pois elas também fazem parte do material da disciplina.

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,

1.3 Introdução às Leis de Kirchhoff

As leis de Kirchhoff são utilizadas para resolver diversos problemas de circuitos da


engenharia elétrica, tanto com os componentes aqui estudados, como para os
componentes da eletrônica, tais como, transistores, diodos, amplificadores
operacionais. No item anterior, nas associações série, paralelo e mista, foram
utilizadas as duas leis de Kirchhoff, quando são somadas as tensões em um circuito
série ou quando são somadas as correntes na associação paralela. Essas leis são muito
úteis na solução de problemas de circuitos elétricos com várias fontes de alimentação
e diversos ramos.

Trabalha-se com duas leis: a lei das malhas e a lei dos nós. As equações obtidas podem
ser dadas em função das correntes dos ramos ou das correntes das malhas. Aqui serão
apresentadas as duas formas de análise. No próximo bloco será apresentada a forma
matricial de se trabalhar com as duas leis de Kirchhoff.

Lei das Malhas

Para enunciar a lei das malhas primeiro deve ser explicado o que é uma malha. Trata-
se de um circuito fechado com os componentes aqui analisados. Um circuito série,
como o do divisor de tensão apresentado anteriormente, é uma malha fechada.

A lei das Malhas diz: “a somatória das tensões dos componentes de uma malha é
igual a zero”.

Isso implica que existem componentes com tensões positivas e outros com tensões
negativas. Como determinamos o sinal da tensão de cada componente, quem terá o
sinal positivo e negativo? Existem certas regras e convenções para estabelecer esse
fato. Vejamos a lei sendo aplicada no circuito dado a seguir.

23
,

Exemplo 3.1: Dado o circuito da figura a seguir, determine a tensão VA, sabendo que
R1=R2=100Ω.

I A

+ R1 R2

E1 = 4V VA E2 = 2 V
V
+

Solução: Trata-se de um único circuito fechado com duas fontes de tensão e dois
resistores, ou seja, uma única malha.

Procedimento: utilizar as correntes dos ramos.

1) Definir o sentido das correntes dos ramos. Devemos inicialmente definir o


sentido das correntes dos ramos. Nesse caso temos um único ramo e podemos
colocar qualquer sentido, durante a solução, é possível um resultado com valor
positivo ou negativo para corrente. No último caso, o negativo significa que o
sentido da corrente é o contrário do adotado (vide o sentido adotado na figura
acima);
2) Definir o sentido das tensões dos bipolos passivos. Utilizaremos o fato de que
a corrente entra no pólo positivo do bipolo. (vide o sentido das tensões nos
resistores da figura e a polaridade);

VR1 VR2
+ _ _
A +
I
+ R1 R2
_
E1 = 4V
V VA E2 = 2 V
_
Iα +

24
,

3) Montagem da equação da malha: devemos definir uma corrente de


circuitação, por exemplo, Iα, e definir o seu sentido de percurso. Por
convenção, neste material, adota-se que essa corrente roda no sentido anti-
horário, conforme esquematizado na figura. Quando a corrente de circuitação
entra no negativo do bipolo, a tensão adotada na equação será negativa e
quando ele entra no terminal positivo, a tensão será positiva.
Lei das malhas:

∑ 𝑉𝑖 = 0 ⇒ −𝐸1 + 𝑉𝑅1 + 𝑉𝑅2 − 𝐸2 = 0


𝑚𝑎𝑙ℎ𝑎 𝐼𝛼

Note o sentido negativo das tensões das fontes e o positivo das tensões dos
resistores na equação. A corrente Iα entrou no negativo das fontes e no
positivo dos resistores, daí o sinal selecionado.

Com a equação, determina-se a corrente I. Note que neste exercício a corrente


I é igual a corrente de circuitação Iα. Assim, teremos uma equação em termos
da corrente do ramo, que nesse caso é único.

−𝐸1 + 𝑅1. 𝐼 + 𝑅2. 𝐼 − 𝐸2 = 0 ⇒ −4 + 100𝐼 + 100𝐼 − 2 = 0 ⇒ 200𝐼 = 6

Finalmente: 𝐼 = 0,03𝐴 𝑜𝑢 30𝑚𝐴

Com o valor de I, podemos calcular VR1 e com VR1 e E1, o valor de VA:

VR1: 𝑉𝑅1 = 𝑅1. 𝐼 = 100.0,03 ⇒ 𝑉𝑅1 = 3𝑉

VA: 𝑉𝐴 = 𝐸1 − 𝑉𝑅1 = 4 − 3 ⇒ 𝑉𝐴 = 1𝑉

Na equação de VA, o valor de E1 é positivo pois está no mesmo sentido da


tensão, enquanto VR1 está no sentido oposto, daí o sinal negativo na equação. É
muito importante entender que, na verdade, estamos aplicando a lei das
malhas, sem necessariamente termos o circuito fechado. Adiante,
resolveremos um problema com mais malhas para entender melhor o processo
de cálculo.

25
,

Lei dos Nós

Um nó é o encontro de três ou mais ramos. Sabendo disso, a Lei dos Nós é enunciada
como: “A somatória das correntes em um nó é igual a zero”.

Podemos enunciar de uma outra forma a Lei dos Nós: “A somatória das correntes que
entram no Nó é igual a somatória das correntes que saem do Nó”.

O exemplo 4.1 demonstra o funcionamento da Lei dos Nós e da Lei das Malhas.
Inicialmente, faremos a análise com as correntes dos ramos e depois a análise com as
correntes de circuitação.

Exemplo 4.1: Dado o circuito da figura a seguir, utilizando a lei das malhas, determine
as tensões e correntes dos ramos, sabendo que R1=R2=10 Ω e R3=R4=20 Ω.

Nó A
I1 I3
I2
+ R1 + R2

E1 = 4V E2 = 2 V
R3
V
R4 E3=1V
+

Ramo 1 Ramo2 Ramo 3

I) Solução utilizando as correntes dos ramos: Nesta figura observamos três ramos,
portanto temos três correntes de ramo: I1, I2 e I3. As três correntes podem ser
associadas através do Nó A. Utilizaremos um procedimento geral para resolver este
exercício, que é dado a seguir.
1) Definir o sentido das correntes dos ramos: isso é feito de forma arbitrária e
está representado na figura acima;
2) Aplicar a lei dos nós definindo a primeira equação do circuito. Por convenção
(escolha arbitrária), quando a corrente entra no nó ela terá sinal positivo na

26
,

equação do nó A. E quando ela sai do nó, terá sinal negativo. Assim, no


somatório, apenas I3 terá o sinal negativo, logo:

Pela Lei dos Nós: ∑𝑁ó 𝐴 𝐼𝑖 = 0 ⇒ +𝐼1 + 𝐼2 − 𝐼3 = 0

É importante observar que temos três incógnitas, logo, devemos ter três
equações: uma da lei dos nós e duas das equações das malhas;

3) Aplicação das leis das malhas. Neste exemplo, temos duas malhas com duas
correntes de circuitação: a malha Iα e a malha Iβ.
• Definir o sinal das tensões dos bipolos a partir das correntes dos ramos:

VR1 VR2
Nó A
_ _
+ I1 I3 +
I2 R2
+ R1 + +
E1 = 4V E2 =2V VR3
_ _ Iβ R3
V _ Iα
VR4 _
R4
_
+ +

E3=1V

Na figura acima podemos notar que a entrada da corrente I1 em R1, fornece o


sinal positivo de VR1, e o mesmo ocorre para VR2, VR3 e VR4;

• Com as correntes de circuitação definem-se os sinais das tensões nas equações


de malha para a corrente de circuitação Iα e Iβ.
Malha de Iα:

∑ 𝑉𝑖 = 0 ⇒ −𝐸1 + 𝑉𝑅1 + 𝐸2 − 𝑉𝑅4 = 0


𝑚𝑎𝑙ℎ𝑎 𝐼𝛼

27
,

Malha de Iβ:

∑ 𝑉𝑖 = 0 ⇒ −𝐸2 + 𝑉𝑅2 + 𝑉𝑅3 − 𝐸3 + 𝑉𝑅4 = 0


𝑚𝑎𝑙ℎ𝑎 𝐼𝛽

Substituindo os valores das resistências em VR=R.I e substituindo nas duas


equações de malha, temos que:

10𝐼1 − 20𝐼2 = 2

10𝐼3 + 20𝐼3 + 20𝐼2 = 3

Agrupando-se as três equações e resolvendo o sistema por substituição


teremos os valores das correntes. Assim:

𝐼1 + 𝐼2 − 𝐼3 = 0 (1)
{10𝐼1 − 20𝐼2 = 2 (2)
30𝐼3 + 20𝐼2 = 3 (3)

Isolando I1 em (1) e substituindo em (2), obtém-se um sistema de segunda


ordem dado por:

𝐼1 = −𝐼2 + 𝐼3 = 0

Em (2):

10(−𝐼2 + 𝐼3) − 20𝐼2 = 2 ⇒ −30𝐼2 + 10𝐼3 = 2

Sistema de duas equações:

−30𝐼2 + 10𝐼3 = 2 (4)


{
20𝐼2 + 30𝐼3 = 3 (5)

Podemos resolver este sistema pelo método da comparação. Multiplicando a


equação (4) por -3 e somando à equação (5), determina-se I2:

28
,

90𝐼2 − 30𝐼3 = −6 (4)


{
20𝐼2 + 30𝐼3 = 3 + (5)

110𝐼2 + 0𝐼3 = −3
Daí:

3
𝐼2 = − ⇒ 𝐼2 = −0,027𝐴
110

Indo em (5) com I2, resulta em:

20. (−0,027) + 30𝐼3 = 3 ⇒ 30𝐼3 = 3 + 0,545 ⇒ 𝐼3 = 3,545/30

𝐼3 = 0,118𝐴

Finalmente:

𝐼1 = −𝐼2 + 𝐼3 = −(−0,027) + 0118 ⇒ 𝐼1 = 0,145𝐴

Como a corrente I2 resultou em um valor negativo, isso significa que o sentido


de I2 é o oposto ao da figura acima. As tensões nos resistores são obtidas
diretamente pelo produto da corrente do ramo pela resistência do bipolo:

𝑉𝑅1 = 𝑅1. 𝐼1 = 10.0,145 ⇒ 𝑉𝑅1 = 1,45𝑉

𝑉𝑅2 = 𝑅2. 𝐼3 = 10.0,118 ⇒ 𝑉𝑅2 = 1,18𝑉

𝑉𝑅3 = 𝑅3. 𝐼3 = 20.0,118 ⇒ 𝑉𝑅3 = 2,36𝑉

𝑉𝑅4 = 𝑅4. 𝐼2 = 20. (−0,027) ⇒ 𝑉𝑅4 = −0,54𝑉

A tensão negativa em VR4 significa que o sentido da tensão ou a polaridade


indicada na figura é ao contrário, não se alterando nenhum valor no cálculo.

II) Solução utilizando as correntes das malhas: neste caso, trabalha-se com as
correntes Iα e Iβ para compor as equações das malhas, o que reduz o número de
incógnitas das equações para duas.

29
,

Posteriormente, determinam-se as correntes dos ramos a partir das seguintes


relações, obtidas pelo sentido das correntes de circuitação.

Cálculo das correntes dos ramos: determinam-se as equações observando o


circuito, dado o sentido das correntes de circuitação e das correntes dos ramos.

𝐼1 = 𝐼𝛼; 𝐼2 = 𝐼𝛽 − 𝐼𝛼 𝑒 𝐼3 = 𝐼𝛽

Observação importante: quando for aplicada a lei das malhas, considera-se que os
resistores do ramo 1 tem a sua tensão associada à corrente Iα; no ramo 2 à
corrente Iβ-Iα e no ramo 3 à corrente Iβ.

VR1 VR2
Nó A
_ _
+ Iα Iβ +
Iβ-Iα R2
+ R1 + +
E1 = 4V E2 =2V VR3
_ _ Iβ R3
V _ Iα
VR4 _
R4
_
+ +

E3=1V

Procedimento:

1) Definição do sentido das correntes de circuitação: já estão definidas na figura


acima;
2) Definição da polaridade das tensões nos resistores ou outros bipolos passivos:
não é necessário definir a polaridade das tensões utilizando as correntes dos
ramos, mas sim a partir das correntes de circuitação. Há uma situação especial
que ocorre quando o bipolo está entre as duas correntes, como no ramo 2, na
qual adotou-se a polaridade em função do sentido da corrente Iβ;
3) Aplicando a lei das malhas com as correntes de circuitação: valem as mesmas
regras de sinal que foram adotadas na primeira solução.

30
,

Malha de Iα:

∑ 𝑉𝑖 = 0 ⇒ −𝐸1 + 𝑉𝑅1 + 𝐸2 − 𝑉𝑅4 = 0


𝑚𝑎𝑙ℎ𝑎 𝐼𝛼

Malha de Iβ:

∑ 𝑉𝑖 = 0 ⇒ −𝐸2 + 𝑉𝑅2 + 𝑉𝑅3 − 𝐸3 + 𝑉𝑅4 = 0


𝑚𝑎𝑙ℎ𝑎 𝐼𝛽

Substituindo os valores das resistências em VR=R.I, em que I representa a


corrente de circuitação em cada ramo, conforme explicado anteriormente, e
substituindo nas duas equações de malha, temos que:

10𝐼𝛼 − 20(𝐼𝛽 − 𝐼𝛼) = 2 ⇒ 10𝐼𝛼 − 20𝐼𝛽 + 20𝐼𝛼 = 2

10𝐼𝛽 + 20𝐼𝛽 + 20(𝐼𝛽 − 𝐼𝛼) = 3 ⇒ 10𝐼𝛽 + 20𝐼𝛽 + 20𝐼𝛽 − 20𝐼𝛼 = 3

Trabalhando as equações, obtemos o seguinte sistema de equações:

30𝐼𝛼 − 20𝐼𝛽 = 2 (1)


{
−20𝐼𝛼 + 50𝐼𝛽 = 3 (2)

Resolvendo por substituição: isolamos Iβ na equação (1) e substituímos na


equação (2):

30𝐼𝛼 − 2
30𝐼𝛼 − 20𝐼𝛽 = 2 ⇒ −20𝐼𝛽 = 2 − 30𝐼𝛼 ⇒ 𝐼𝛽 = (3)
20

Substituindo em (2):

30𝐼𝛼 − 2 8
−20𝐼𝛼 + 50 ( ) = 3 ⇒ −20𝐼𝛼 + 75𝐼𝛼 − 5 = 3 ⇒ 55𝐼𝛼 = 8 ⇒ 𝐼𝛼 =
20 55

𝐼𝛼 = 0,145𝐴

31
,

Substituindo o valor de Iα na equação (3), determina-se Iβ:

30(0,145) − 2 4,36 − 2 2,36


𝐼𝛽 = ⇒ 𝐼𝛽 = ⇒ 𝐼𝛽 =
20 20 20

𝐼𝛽 = 0,118

Com as correntes de circuitação podemos calcular as tensões nos resistores:

𝑉𝑅1 = 𝑅1. 𝐼𝛼 = 10.0,145 ⇒ 𝑉𝑅1 = 1,45𝑉

𝑉𝑅2 = 𝑅2. 𝐼𝛽 = 10.0,118 ⇒ 𝑉𝑅2 = 1,18𝑉

𝑉𝑅3 = 𝑅3. 𝐼𝛽 = 20.0,118 ⇒ 𝑉𝑅3 = 2,36𝑉

𝑉𝑅4 = 𝑅4. (𝐼𝛽 − 𝐼𝛼) = 20. (0,118 − 0,145) = 20. (−0,027) ⇒

⇒ 𝑉𝑅4 = −0,54𝑉

Podemos calculas as correntes dos ramos:

𝐼1 = 𝐼𝛼 = 0,145𝐴

𝐼2 = 𝐼𝛽 − 𝐼𝛼 = 0,118 − 0,145 ⇒ 𝐼2 = −0,027𝐴

𝐼3 = 𝐼𝛽 = 0,145𝐴

Você encontrará mais exercícios sobre as leis de Kirchhoff no material de apoio, nos
quais são explorados circuitos com fontes de tensão e corrente e outros circuitos
elétricos.

Conclusão

Neste bloco, vimos as grandezas físicas e os componentes que são utilizados em


circuitos elétricos e como estabelecer os cálculos destas grandezas a partir das leis de
ohm e das Leis de Kirchhoff em corrente contínua. A análise feita aqui pode ser
estendida aos circuitos com outras fontes de alimentação. É importante que o aluno
leia as referências bibliográficas e recomenda-se que faça os exercícios do material de

32
,

apoio da trilha. Lembramos, que a trilha e este material são uma parte da disciplina. É
importante que o aluno faça todos os exercícios recomendados e que, ao perceber
dificuldades na solução, busque ajuda do tutor, do professor ou mesmo dos livros
recomendados em cada bloco deste elemento textual.

REFERÊNCIAS COMPLEMENTARES

BOYLESTAD, R. L. Introdução à Análise de Circuitos Elétricos. 12ª Ed., São Paulo:


Pearson Prentice Hall, 2012. (e-book Pearson).

ALEXANDER, C. K.; SADIKU, M. N. O. Fundamentos de circuitos elétricos. 5ª ed., Porto


Alegre: AMGH, 2013. (e-book Minha Biblioteca).

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