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FACULDADE ESTADUAL DE FILOSOFIA, CIÊNCIAS E LETRAS

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COLEGIADO DE QUÍMICA

BREIDI ALBACH
KAMILLA BORILLE
MARIANE ROBLOWISKI

RELATÓRIO – ESTUDO DE CATÁLISE: DECOMPOSIÇÃO CATALITICA


DE PERÓXIDO DE HIDROGENIO

UNIÃO DA VITÓRIA 2010


BREIDI ALBACH
KAMILLA BORILLE
MARIANE ROBLOWISKI

RELATÓRIO – ESTUDO DE CATÁLISE: DECOMPOSIÇÃO CATALITICA


DE PERÓXIDO DE HIDROGENIO

Relatório apresentado como requisito


parcial para obtenção de nota na disciplina
de Química Inorgânica Experimental no
Curso de Licenciatura em Química, pela
Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências
e Letras de União da Vitória – FAFIUV.

Prof. Sandra

União da Vitória, Março de 2010.


Introdução

A velocidade de muitas reações químicas aumenta na presença de um


catalisador, substancia que sem ser consumida durante a reação, aumenta a
sua velocidade. Catalisadores são espécies químicas que possuem a
propriedade de aumentar a velocidade de uma reação sem que esta sofra
alterações permanentes, tanto no que diz respeito à composição química
como à quantidade. Catálise é o nome dado a estas reações que acontecem
na presença de catalisadores. [1]
O catalisador é uma substancia usada numa etapa do mecanismo da
reação e é regenerada na etapa posterior, pois agem provocando um novo
caminho reacional, no qual tem uma menor energia de ativação.
Ao contrário do que se possa imaginar, a temperatura não funciona
como catalisador, apesar de, o aumento desta acelerar a reação. Porém,
entende-se por catalisador, aquele composto que acelera a reação e diminui a
energia de ativação da mesma, o que não ocorre com a elevação da
temperatura, que propicia um aumento da energia do meio reacional e não
uma diminuição da energia de ativação.
Alguns catalisadores, por exemplo, ácidos e bases, exibem efeito
catalítico sobre uma grande diversidade de reações químicas. Os mais
apreciados, entretanto são os catalisadores específicos, que aceleram apenas
uma determinada reação, sem afetar as outras. Na presença de um
catalisador, uma reação química pode ocorrer ate um milhão de vezes mais
rápidas e reações extremamente lentas tornam-se viáveis, podendo ser
obtidos altos rendimentos dos produtos em curto tempo. Geralmente, basta
adicionar uma pequena quantidade de um catalisador ao sistema reacional
para obter um efeito significativo.
Portanto, nesses casos, os catalisadores não participam
estequiometricamente nas reações químicas catalisadas.
De um modo geral, o catalisador forma uma espécie intermediaria
ativada com a molécula de um dos reagentes, aumentando a sua reatividade,
e após a formação do produto final, o catalisador após ser regenerado pode
atuar novamente com outras moléculas do reagente:
Reação normal: A+B→C (lenta)
Reação catalisada: A + cat → cat. A*
Cat.A* + B → C + cat (rápida)

Onde A e B são reagentes; C o produto; Cat catalisador; cat.A* espécie


ativada. [2]
A figura 1.1 compara o caminho de uma reação não-catalisada com o
da catalisada. Observe que o ∆H da reação é independente do mecanismo
da reação e depende somente da identidade dos reagentes e produtos.
Entretanto a energia de ativação da reação catalisada é menor do que a da
não-catalisada, ou seja, numa dada temperatura, um maior numero de
moléculas reagentes possui a energia de ativação necessária para a reação
catalisada do que para a não-catalisada, assim o mecanismo catalisado
predomina, pois mais moléculas seguirão o novo mecanismo. [3]

Figura 1. Diminuição de energia de ativação pelo catalisador.

Existem dois tipos de catalise: a homogênea, na qual o catalisador e


os reagentes estão presentes na mesma fase. Muitas vezes este mecanismo
catalítico homogêneo envolve a formação de um composto intermediário
definido que se rompe.
Enquanto a catalise heterogênea, as reações ocorrem geralmente na
superfície do catalisador sólido (metais de transição, óxidos de metais de
transição e outros).
Os mecanismos são bastante complexos e de difícil compreensão,
sendo de um modo geral, a catalise heterogênea ocorre por intermédio da
adsorção e ativação das moléculas de um reagente em determinados sítios
ativos na superfície do catalisador, facilitando assim a reação com outro
reagente. A eficiência da catalise heterogênea depende, entre outros fatores,
da área superficial e do numero de sítios ativos existentes na superfície do
catalisador.
A figura 1.1 abaixo é um modelo esquemático de como ocorre a catalise
heterogênea, que tem, por exemplo, a reação de formação de 2 SO3.

2 SO2(g) + 1 O2(g) → 2 SO3(g)

Figura 1.1 Modelo esquemático de uma Catalise Heterogênea.

E por outro lado existem as substancias chamadas de inibidoras que


muitas vezes são chamadas impropriamente de “catalisadores negativos”,
pois são substancias que ao adicionadas a uma mistura diminuem a
velocidade de reação, podendo agir de diversas maneiras.
Os catalisadores possuem um amplo emprego na indústria, por
exemplo, no processo de fabricação de ácidos (como acido sulfúrico e acido
nítrico),hidrogenação de óleos e de derivados do petróleo.
Todos os organismos vivos dependem de catalisadores complexos
chamados enzimas que regulam as reações bioquímicas.
Nesta experiência, investigaremos o efeito catalítico de diversas
substancias sobre a decomposição do peróxido de hidrogênio (H2O2).
2. OBJETIVOS

Observar o fenômeno de catalise (homogênea e heterogênea) e


verificar o efeito catalítico de diversas substancias sobre a decomposição do
peróxido de hidrogênio.

EXPERIMENTAL

3.1 Materiais e regentes

 Tubo de ensaio
 Estante para tubos
 Espátula
 Pipeta conta-gotas
 Dióxido de manganês (MnO2)
 Oxido de alumínio (Al2O3)
 Solução A: peróxido de Hidrogênio diluído (1:5)
 Solução B: 100,0 g.L-1 de Hidróxido de Sódio (NaOH)
 Solução C: solução de Ácido Sulfúrico diluído (1:10)
 Solução D: solução 50,0 g.L-1 de iodeto de Sódio (NaI)
 Solução E: solução 20,0 g.L-1 de permanganato de potássio
 Solução F: solução g.L-1 de dicromto de potássio (K2Cr2O7)
3.2 Procedimento

• Catálise Homogênea

Neste procedimento adicionamos em um tubo de ensaio 2 mL da


solução A (Peróxido de Hidrogênio diluído) e acrescentamos umas 7 gotas da
solução B (NaOH) e agitamos rapidamente o tubo, deixamos em repouso por
alguns minutos em seguida observamos e anotamos o ocorrido.
Repetimos este mesmo procedimento, embora ao invés de gotas da
solução B adicionamos gotas da soluções C, das soluções C + D, das
soluções C + E, e das soluções C + F.

• Catálise Heterogênea

Em um tubo de ensaio adicionamos alguns miligramas de Dióxido de


manganês (MnO2) juntamente com 2,0 mL da solução A e observamos o
ocorrido.
Repetimos este mesmo procedimento com o Oxido de alumínio (Al2O3).
3. RESULTADOS E DISCUSÕES

Tabela 1. Resultados do Procedimento da Catálise homogênea.


Soluções Reações observadas e obtidas
Reagentes
A+B Não houve reação
A+C Não houve reação
Houve desprendimento de gás e resultou em uma solução castanha
A+C+D com precipitado preto.
Houve um grande desprendimento de gás, observado através da
A+C+E efervescência, porém não houve mudança na coloração da solução,
o processo foi endotérmico.
Houve a primeiramente a formação de uma solução azul marinho
A+C+F com desprendimento de gás, porém passados alguns segundos
houve a formação de um complexo de coloração verde.

Nos experimentos realizados referente a catalise homogênea, nos dois


primeiros procedimentos não foi observada nenhuma mudança no sistema,
pois as substancias B e C não catalisam a decomposição do peróxido de
hidrogênio, ou seja, não aumentam a velocidade da reação, fazendo com que
ela ocorra naturalmente como se estas substancias não estivessem
presentes, a qual é uma reação lenta de aproximadamente 0,05 % por ano.
Entretanto nos procedimentos posteriores com as soluções D, E e F,
foram observado mudanças no sistema, pois as substancias D, E e F
catalisaram a reação, fazendo com que houvesse o aumento na velocidade
de reação, havendo a decomposição do peróxido de hidrogênio que resultou
na formação de água e oxigênio gasoso (observado através do
borbulhamento do gás), juntamente com a substancia catalítica e a solução C
(ácido sulfúrico diluído) que foi apenas um mero espectador da reação.
Podemos observar nos esquemas adotados abaixo, a figura 2 mostra uma
comparação desta reação com a presença de catalisadores e sem sua
presença, e na figura 2.1 um gráfico representando os mecanismos e a
rapidez da reação.

Lenta

0,05% por ano


2 H2O2(aq) 2 H2O(l) + O2(g)
2000 vezes mais
rápida

Com Catalisadores Rápida


NaI, MnO2, KMnO4, K2Cr2O7, Enzimas, etc

Figura 2. Reação de Decomposição do Peróxido de Hidrogênio sem e com a presença de


catalisadores.
E
(3) Reação lenta

Dois passos rápidos

(2)
(1)
IO–

Figura 2.1 Gráfico representativo da reação de Peróxido de hidrogênio sem e com a


presença de catalisadores.

Tabela 2. Resultados do procedimento da catálise heterogênea.


Reagentes Reações observadas e obtidas
Houve uma reação rápida com desprendimento de gás e
Solução A + MnO2 calor, resultando em um sobrenadante incolor e precipitado
preto.
Não houve uma reação aparente, pois não houve
Solução A + Al2O3 desprendimento de gás e nem de calor, obtivemos apenas
um sobrenadante incolor com um precipitado branco.

No primeiro procedimeno, no ensaio entre o H2O2 e MnO2, houve uma


reação rápida com desprendimento de gás e calor, resultando em um
sobrenadante incolor e um precipitado preto.
Entretanto o MnO2 não reage com o H2O2, pois o dióxido de manganês
(MnO2) não participa da reação ele é utilizado como catalisador, ele apenas
acelera a reação do peróxido de hidrogênio (H2O2), ao adicionamos o MnO2
no tubo contendo H2O2, nota-se facilmente a liberação de oxigênio pelas
borbulhas que a reação faz, e o tubo fica bem quente.
O que resta no tubo após a reação é apenas água resultante da
decomposição e MnO2 da mesma forma da qual foi adicionado no inicio, pois
se evaporamos essa água, e pesarmos apenas o precipitado, notaremos que
a massa MnO2 continua a mesma, portanto MnO2.
No ensaio seguinte entre o H2O2 e o Al2O3, não houve nenhuma reação
visivelmente, embora termos a consciência e sabermos que o Al2O3 é uma
substancia catalítica, (e que atua perfeitamente no aumento da velocidade de
reação de oxidação de alcanos), nesta ensaio não há ocorrência da reação,
justamente por ela não aumentar a velocidade de reação de decomposição do
peróxido, a qual ocorrera em seu tempo natural, onde a reação se processa
de maneira muito lenta.
Nos experimentos realizados, obtivemos resultados satisfatórios
coerentes com a metodologia e sem divergências significativas com as
descritas na literatura.
Reações Envolvidas

Entre H2O2 e NaI:


H2O2 + I– → IO– + H2O (1)
H2O2 + IO– → O2 + H2O + I– (2)
2 H2O2 → O2 + 2 H2O + NaI (3)

Entre H2O2 e KMnO4:

H2O2 + KMnO4 → O2 + 2 H2O + KMnO4

Entre H2O2 e K2Cr2O7

H2O2 + K2Cr2O7 → O2 + 2 H2O + K2Cr2O7

Entre H2O2 e MnO2

H2O2 + MnO2 → O2 + 2 H2O + MnO2


5. CONCLUSÃO

Abrangendo-se de uma forma geral os experimentos realizados foram


adequados às práticas, ocorreram da maneira esperada e os resultados
obtidos foram satisfatórios e coerentes com a metodologia, e praticamente
sem divergências significativas com os descritos na literatura.
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1] Portal mundo educação – acessado em 23-05-10 e disponível em:


(http://www.mundoeducacao.com.br/quimica/catalise.htm).

[2] Roteiro de Pratica n°9. Físico-Química Experimental.

[3] Russel, J.B. Química Geral. 2 ed, vol.2


RESPONDA A QUESTAO

a) Disserte sobre o consumo das substancias pela reação com o peróxido


de hidrogênio.

Em nossos experimentos realizados não houve consumo das


substancias pela reação com o peróxido de hidrogênio, pois realizamos
ensaios de decomposição do peróxido com o intuito de estudar a atuação de
substancias catalíticas, onde estas substancias ao catalisarem o peróxido de
hidrogênio apenas fazem com que haja uma diminuição da energia de
ativação e consequentemente facilita e acelera a reação de decomposição do
peróxido, e posteriormente a reação obtemos a mesma massa de substancia
catalítica adicionada no inicio da reação.

b) Quais as observações principais que distinguem uma reação catalisada


de outra não catalisada?

As principais características observadas entre uma reação catalisada e


outra sem é a diminuição da energia de ativação, que é a energia mínima
necessária para que os reagentes se transformem em produto, e quanto
maior for à energia de ativação, menor será a velocidade da reação.
Entretanto utilizando um catalisador na reação, faz com que diminua esta
energia de ativação e assim facilita a transformação de reagentes em
produtos.
E ao final da reação obtemos o produto esperado da reação proposta
juntamente com a substancia catalítica inalterada.