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EXCELENTÍSSIMO(a) SENHOR(a) DOUTOR(a) JUIZ(a) DA XXª VARA DO

TRABALHO DE MANAUS - AM

Processo n.º: XXXXXXX-XX.XXXX.X.XX.XXXX

MANAT EVENTOS LTDA, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ


05.500.050/0002-92, por seu advogado signatá rio, instrumento de mandato
incluso, com sede à XXXXXXXX, XXX – na cidade de MANAUS–AM, local onde recebe
notificaçõ es, comparece perante esse Meritíssimo Juízo para oferecer CONTES-
TAÇÃO à Reclamató ria Trabalhista que lhe move LORENA DAS CHAGAS AN-
DRADE, mediante as razõ es que passa a expor:

I – PRELIMINARMENTE

I - DA SÍNTESE DA DEMANDA
Por via da demanda trabalhista em epígrafe, alega a reclamante, resumidamente,
que se ativou na reclamada no período de 04.01.2016 a 31.07.2018, data que
ocorreu o desate contratual por iniciativa do empregador.

Assevera, que a Carteira Profissional de Trabalho somente foi anotada em


10.08.2018; que se ativou nas mesmas condiçõ es dos paradigmas que apontou;
que laborou em sobre jornada sem a devida contraprestaçã o pecuniá ria, etc.,
postulando a condenaçã o da instituiçã o reclamada nos consectá rios que discrimina
na inicia.

Contudo, a presente demanda trabalhista nã o tem a mais remota possibilidade de


encontrar provimento e a sua improcedência é medida de rigor, como adiante
restará cabalmente demonstrado.

II – NO MÉRITO
1. Do reconhecimento de vínculo - Prescrição
A reclamante alega que a sua Carteira Profissional de Trabalho somente foi
anotada em 10.08.2018, postulando pelo reconhecimento do vínculo empregatício
desde essa data. Entretanto, cabe salientar, primeiramente, que tal pretensã o está
irremediavelmente fulminada pelo Compromisso de Está gio foi firmado.

Por outro lado, no que se refere ao período declinado, a reclamante realmente se


ativou na condiçã o de estagiá ria e nã o exercia as mesmas atividades para as quais
foi posteriormente contratada e tampouco tinha responsabilidade sobre execuçã o
de tarefas, dada a natureza do serviço executado. Ainda pode ser observado no
contrato de está gio, na clá usula primeira, que a finalidade deste era proporcionar
experiência prá tica na linha de formaçã o do estagiá rio em complemento ao
processo ensino-aprendizado, nã o se podendo falar em configuraçã o de vínculo
empregatício.

Por isso, nã o há como ser albergado o pedido de reconhecimento de vínculo


empregatício no período declinado, além de ter ocorrido o Compromisso de
Está gio firmado, razã o pela qual deve ser indeferida a pretensã o.

2. Da alegação de equiparação salarial


É igualmente improcedente o pedido. Com efeito, a reclamante postula
equiparaçã o salarial com o paradigma JANDER SILVA, admitido em 01.08.20XX que
exercia a funçã o de ASSISTENTE ADMINISTRATIVO e LORENA DAS CHAGAS AN-
DRADE, admitida em 04.01.2017 e que tinha a funçã o de ESTÁ GIARIA e posterior-
mente apó s a admissã o assumiu a funçã o de ASSISTENTE ADMINISTRATIVO, no
entanto existe à diferença do tempo de serviço entre os empregados da mesma
funçã o superior a dois anos.

A reclamante possuía as mesma funçã o, no entanto o grau de aperfeiçoamento


técnico do que os modelos apontados, salientando-se, ainda, por oportuno, que as
atividades desenvolvidas pela reclamante ao longo da contratualidade estavam
abrangidas pelo contrato de trabalho da mesma e sã o elas:

Estagiaria - Setor de Informática:


- Atendimento ao cliente, resoluçã o de incidentes e dú vidas do software.
- Registro de chamados na ferramenta de gestã o da á rea.
- Controle e organizaçã o de filas de atendimento.
- Manutençã o de computadores mediante troca de peças e instalaçã o ou
reinstalaçã o de softwares.

Assistente Administrativo – Setor de Informática:


- Atendimento ao cliente, resoluçã o de incidentes e dú vidas do software.
- Registro de chamados na ferramenta de gestã o da á rea.
- Controle e organizaçã o de filas de atendimento.
- Manutençã o de computadores mediante troca de peças e instalaçã o ou
reinstalaçã o de softwares.
- Preparar inventá rio do hardware existente.
- Controlar os contratos de manutençã o e prazos de garantia.
- Treinar os usuá rios nos aplicativos disponíveis.
- Participar do processo de aná lise dos novos softwares.
- Efetuar a manutençã o e conservaçã o dos equipamentos.
- Efetuar os back-ups e outros procedimentos de segurança dos dados
armazenados.
- Criar e implantar procedimentos de restriçã o do acesso e utilizaçã o da rede.
- Auxiliar na recepçã o das atividades de formaçã o docente, seminá rio de
pedagogia universitá ria e todas as atividades relacionadas aos cursos de
graduaçã o
- Recebimento e envio de documentos por meio eletrô nico e físico
- Atualizaçã o dos endereços e contatos dos grupos de professores por curso
- Recebimento das ligaçõ es telefô nicas externas e internas, repasse de recado aos
coordenadores
- Organizaçã o das rotinas do setor, pastas, arquivos, documentos em geral que
estivessem sob responsabilidade do setor de informá tica.

Assim, diferentes eram as tarefas, nã o se podendo falar em equiparaçã o salarial,


ainda mais levando-se em consideraçã o que em relaçã o ao paradigma “JANDER
SILVA” há diferença de tempo superior a dois anos na contrataçã o.

Portanto, estã o ausentes os requisitos para configuraçã o da equiparaçã o salarial.


Do exame da lei ressaltam as seguintes exigências: tempo de serviço entre modelo
e equiparando nã o superior a dois anos; sejam idênticos os trabalhos, com igual
perfeiçã o técnica, que sejam os labores prestados ao mesmo empregador e no
mesmo local.

Sem o atendimento dos requisitos do artigo 461 e seu § 1° da CLT, nã o há como


reconhecer a pretendida equiparaçã o salarial. No que toca ao ô nus da prova,
tratando-se de fato constitutivo do direito à equiparaçã o salarial (exercício de
funçã o idêntica à do paradigma e e a diferença de tempo na funçã o nã o seja
superior a dois anos), cabe a reclamante prová -lo, conforme artigos 818, CLT e
333, I do Có digo de Processo Civil, como destaca-se da doutrina:

“Com esteio no art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), firmou-se a


jurisprudência no sentido de que o empregado pleiteante da
equiparação salarial cumpre provar o fato constitutivo, isto é, a
identidade de funções exercidas na mesma empresa, competindo a esta
provar qualquer dos fatos impeditivos a que nos referimos na analise
do art. 461 da CLT (Sussekind, Arnaldo. Instituições de Direito do
Trabalho. 19 ed. págs. 444/445)”.

Por isso, deve ser indeferido o pedido, pois ausentes os requisitos para
configuraçã o da equiparaçã o salarial.

4. Do FGTS
Conforme demonstrativo do trabalhador do recolhimento do FGTS rescisó rio e
guia de recolhimento rescisó rio do FGTS, documentos anexos, nã o há que se falar
em diferenças, pois todos os valores foram devidamente depositados conforme
salá rio de contribuiçã o e os possíveis valores em atraso, foram depositados no
momento da rescisã o para a devida homologaçã o perante o sindicato da categoria,
impondo-se, dessa forma, o indeferimento do pedido.
5. Das horas extras
É também totalmente improcedente aludido pedido vindicado pela autora porque
nã o houve trabalho em sobrejornada sem a devida compensaçã o ou
contraprestaçã o pecuniá ria. Cumpre ressaltar, que a reclamante cumpriu a jornada
estipulada de acordo com a previsão na Convenção Coletiva da categoria,
cláusula 33, sendo que a instituição implantou o “sistema de débitos e créditos
de horas trabalhadas – Banco de Horas”.

Conforme registrado nos cartõ es ponto em anexo, a reclamante eventualmente


realizava horas extraordiná rias, que integravam o Banco de Horas. As horas
trabalhadas a mais foram devidamente compensadas pela reclamante durante a
contratualidade. Inclusive a reclamante em vá rios momentos utilizou-se desta
ferramenta, conforme demonstram as justificativas e/ou solicitaçõ es de banco de
horas preenchidas pelo pró prio reclamante.

Referentemente a alegaçã o de controle paralelo conforme descrito na petiçã o


inicial, esta informaçã o nã o procede, pois a ú nica e exclusiva forma de controle dos
horá rios de todos os colaboradores é o cartã o ponto individual do colaborador,
reforçando ainda que toda atividade exercida dentro da instituiçã o é registrada no
cartã o ponto, nã o sendo assim cabível um controle paralelo nem tampouco
manipulaçã o de dados.

Quanto aos vestibulares, a situaçã o ocorria através de convite e nã o convocaçã o


como relata a inicial.

Destaca-se, que as horas trabalhadas nos vestibulares sã o pagas em folha de


pagamento do mês subsequente à realizaçã o do trabalho, através de rubrica
específica (vestibular) e atualmente através de rubrica HORAS EXTRAS. Conforme
listas de participaçã o dos colaboradores em anexo, quando a reclamante
participou dos vestibulares, foi remunerado na folha do mês seguinte, podendo
assim comprovar os pagamentos. Destaca-se, que as listas que nã o tem o nome da
reclamante, ou ainda nã o constam assinatura da mesma é porque nã o houve
participaçã o desta no referido vestibular.

Ainda no que diz respeito a trabalhar em outros campi, realmente a reclamante


nã o teria acesso ao reló gio ponto e desta forma é de responsabilidade da
reclamante apontar na justificativa os horá rios devidamente trabalhados.

Destaca-se, que todos os horá rios trabalhados em atividades externas sã o


informados em justificativas pelo colaborador.

A reclamante nã o trabalhou em eventos na piscina, uma vez que a reclamada


nunca fez tais eventos.

O saldo de banco de horas é repassado a chefia da reclamante a qual repassa aos


seus subordinados as informaçõ es, bem como organiza a concessã o das folgas
compensató rias do banco de horas.

Portanto, deve ser indeferido o pedido de condenaçã o em horas extras, reiterando-


se que nã o houve labor em sobrejornada sem a devida compensaçã o ou
contraprestaçã o pecuniá ria.

7. Alegação de intervalos intrajornadas não usufruídos


Também é improcedente aludido pedido. Isto porque, o reclamante sempre gozou
do intervalo legal, conforme pode ser verificado através do registro nos cartõ es
ponto e, por conseguinte, deve ser indeferido o pedido.

8. Horas extras – Interjornadas


Os registros de ponto anexos comprovam o regular descanso usufruído pelo
reclamante, razã o pela qual deve ser indeferido o pedido.

10. Da alegação de diferenças no seguro desemprego


Nã o há que se falar em diferenças a título de seguro desemprego, uma vez que
foram fornecidos todos os documentos necessá rios para o encaminhamento do
referido benefício.

11. Da alegação de pagamento a menor do 13º salário


No que se refere ao pagamento do 13º salá rio, para apurar o valor pago, devem ser
somados os campos 63 (12/13 avos) e 70 (1/12 avos), fechando o 13º salá rio com
aviso prévio indenizado de 13/12 avos no valor total de R$ 3.367,84.

Com isso, nã o há que se falar em pagamento a menor, razã o pela qual deve ser
indeferido o pedido.

12. Aviso prévio


Nã o há o que se falar em diferença do aviso prévio, uma vez que a data de
admissã o é 08.09.20XX e assim o pagamento foi feito corretamente e no prazo
legal.

13. Da justiça gratuita


Nã o se encontram preenchidos os requisitos legais para a concessã o do benefício
da justiça gratuita, nos termos do artigo 790, § 3º, da CLT.

Razã o pela qual, requer-se a apresentaçã o do ú ltimo imposto de renda.

Impugnado no aspecto.

14. Do novo regramento acerca dos honorários


A Lei que altera norma processual tem vigência imediata, inclusive para os
processos em curso, nos termos previsto no artigo 14 do CPC:

“Art. 14. A norma processual não retroagirá e será aplicável


imediatamente aos processos em curso, respeitados os atos processuais
praticados e as situações jurídicas consolidadas sob a vigência da
norma revogada.”
Sobre honorá rios sucumbencias, a regra processual vigente (art. 791-A da CLT)
prevê:

“Art. 791-A. Ao advogado, ainda que atue em causa própria, serão


devidos honorários de sucumbência, fixados entre o mínimo de 5%
(cinco por cento) e o máximo de 15% (quinze por cento) sobre o valor
que resultar da liquidação da sentença, do proveito econômico obtido
ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa.
§ 1º Os honorários são devidos também nas ações contra a Fazenda
Pública e nas ações em que a parte estiver assistida ou substituída pelo
sindicato de sua categoria.
§ 2º Ao fixar os honorários, o juízo observará:
I - o grau de zelo do profissional;
II - o lugar de prestação do serviço;
III - a natureza e a importância da causa;
IV - o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu
serviço.
§ 3º Na hipótese de procedência parcial, o juízo arbitrará honorários
de sucumbência recíproca, vedada a compensação entre os honorários.
§ 4º Vencido o beneficiário da justiça gratuita, desde que não tenha
obtido em juízo, ainda que em outro processo, créditos capazes de
suportar a despesa, as obrigações decorrentes de sua sucumbência
ficarão sob condição suspensiva de exigibilidade e somente poderão
ser executadas se, nos dois anos subsequentes ao trânsito em julgado
da decisão que as certificou, o credor demonstrar que deixou de existir
a situação de insuficiência de recursos que justificou a concessão de
gratuidade, extinguindo-se, passado esse prazo, tais obrigações do
beneficiário.
§ 5º São devidos honorários de sucumbência na reconvenção.”

Assim, sendo julgado improcedente ou extinto o processo, requer a condenaçã o da


parte adversa ao pagamento de honorá rios sucumbenciais em favor do Procurador
da reclamada no percentual de 15% do valor da causa, com base no respectivo
dispositivo legal, ou, sucessivamente, fixada a sucumbência parcial que trata o §3º
do artigo 791-A da CLT caso procedente a demanda em parte.

Por fim, no caso de provimento da açã o, requer sejam os honorá rios advocatícios
do procurador da parte adversa limitados ao percentual má ximo previsto de 15%,
sem prejuízo de fixaçã o de percentual inferior, conforme regramento do §2º do
artigo 791-A da CLT.

Improcedentes os pedidos correspondentes da inicial e requerimentos.

15. Da exibição de documentos


Por oportuno, frise-se que todos os documentos acostados aos autos sã o
suficientes para comprovar a inexistência de fundamento das alegaçõ es da
Reclamante, inclusive os ora juntados.

A despeito de a Reclamante nã o ter cumprido os requisitos elencados no artigo


356 do CPC, ressalta-se que o Reclamado, junta nesta oportunidade todos os
documentos necessá rios ao julgamento da lide.

Além disso, compete a Reclamante comprovar o alegado, conforme se argumenta


abaixo.

Requer, outrossim, seja permitido ao Reclamado juntar na fase de execuçã o os


documentos eventualmente necessá rios à liquidaçã o de sentença.

16. Impugnação aos documentos


Impugnam-se os documentos juntados pelo Reclamante, pois nã o sã o há beis a
provar as suas alegaçõ es. Tais documentos, ao contrá rio do pretendido pela parte
Reclamante, sã o inclusive suporte para a presente defesa.
Impugnam-se os subsídios jurisprudenciais juntados com a petiçã o inicial
porquanto as mesmas versam sobre suporte fá tico diverso do contido nos
presentes autos.

IV- DOS PEDIDOS


Requer seja a pretensã o da Reclamante julgada TOTALMENTE IMPROCEDENTE
no mérito em relaçã o a todos os pedidos constantes da inicial, principais,
sucessivos e acessó rios, pelos fatos e fundamentos jurídicos sustentados no
decorrer da presente peça processual, que deverã o ser considerados como aqui
transcritos a fim de alicerçar o presente pedido.

Por cautela, requer, na eventual procedência da açã o, sejam deferidos os


abatimentos/deduçõ es de eventuais valores já pagos ao Reclamante em relaçã o à s
verbas pleiteadas na inicial.

REQUER, ad argumentandum tantum, na hipó tese de eventual condenaçã o no


pagamento de qualquer item no pedido, o deferimento dos competentes descontos
para o Imposto de Renda e Previdência Social.

Requer que o Reclamante apresente a última declaração de imposto de renda


para fins de AJG.

Requer, finalmente, seja permitido ao Reclamado a possibilidade de demonstrar os


fatos alegados por meio de todas as provas em Direito admitidas, mormente a
testemunhal, documental e a pericial.

O advogado signatá rio declara serem autênticas as có pias dos documentos ora
juntadas aos autos, conforme art. 830 da CLT.

O Reclamado impugna na totalidade a documentaçã o juntada aos autos pelo


Reclamante, haja vista que imprestá vel para fazer prova da pretensã o contida na
presente Reclamató ria.
Termos em que pede e espera deferimento.

XXXXXXXXXX, XX de setembro de 2018.

XXXXXX XXXXXX
OAB/XX nº. XX.XXX

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