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EBSERH - NACIONAL

Técnico em Enfermagem

1. Código de Ética em Enfermagem. ................................................................................... 1


2. Lei no 7.498, de 25 de junho de 1986 ............................................................................ 12
3. Decreto no 94.406, de 8 de junho de 1987 .................................................................... 19
4. Enfermagem no centro cirúrgico. 4.1. Recuperação da anestesia. 4.2. Central de material
e esterilização. 4.3. Atuação nos períodos pré‐operatório, trans‐operatório e pós‐operatório.
4.4. Atuação durante os procedimentos cirúrgico‐anestésicos. 4.5. Materiais e equipamentos
básicos que compõem as salas de cirurgia e recuperação anestésica. 4.6. Rotinas de limpeza
da sala de cirurgia. 4.7. Uso de material estéril. 4.8. Manuseio de equipamentos: autoclaves;
seladora térmica e lavadora automática ultrassônica. ............................................................ 25
5. Noções de controle de infecção hospitalar. .................................................................... 77
6. Procedimentos de enfermagem. .................................................................................... 94
6.1. Verificação de sinais vitais, oxigenoterapia, aerossolterapia e curativos. .................. 116
6.2. Administração de medicamentos. ............................................................................. 144
6.3. Coleta de materiais para exames. ............................................................................. 158
7. Enfermagem nas situações de urgência e emergência. 7.1 Conceitos de emergência e
urgência. 7.2. Estrutura e organização do pronto socorro. 7.3. Atuação do técnico de
enfermagem em situações de choque, parada cardiorrespiratória, politrauma, afogamento,
queimadura, intoxicação, envenenamento e picada de animais peçonhentos. ..................... 175
8. Enfermagem em saúde pública. 8.1. Política Nacional de Imunização. ........................ 198
8.2. Controle de doenças transmissíveis, não transmissíveis e sexualmente transmissíveis.
8.3. Atendimento aos pacientes com hipertensão arterial, diabetes, doenças cardiovasculares,
obesidade, doença renal crônica, hanseníase, tuberculose, dengue e doenças de notificações
compulsórias. ....................................................................................................................... 220
8.4. Programa de assistência integrada a saúde da criança, mulher, homem, adolescente e
idoso. ................................................................................................................................... 279
9. Conduta ética dos profissionais da área de saúde. ...................................................... 416
10. Princípios gerais de segurança no trabalho. 10.1. Prevenção e causas dos acidentes do
trabalho. 10.2. Princípios de ergonomia no trabalho. 10.3. Códigos e símbolos específicos de
Saúde e Segurança no Trabalho. ......................................................................................... 429

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1. Código de Ética em Enfermagem

Resolução COFEN n.º 564/2017

Aprova o novo1 Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem

O Conselho Federal de Enfermagem - Cofen, no uso das atribuições que lhe são conferidas pela Lei
nº 5.905, de 12 de julho de 1973, e pelo Regimento da Autarquia, aprovado pela Resolução Cofen nº 421,
de 15 de fevereiro de 2012, e
CONSIDERANDO que nos termos do inciso III do artigo 8º da Lei 5.905, de 12 de julho de 1973,
compete ao Cofen elaborar o Código de Deontologia de Enfermagem e alterá-lo, quando necessário,
ouvidos os Conselhos Regionais;
CONSIDERANDO que o Código de Deontologia de Enfermagem deve submeter-se aos dispositivos
constitucionais vigentes;
CONSIDERANDO a Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada pela Assembleia Geral
das Nações Unidas (1948) e adotada pela Convenção de Genebra (1949), cujos postulados estão
contidos no Código de Ética do Conselho Internacional de Enfermeiras (1953, revisado em 2012);
CONSIDERANDO a Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos (2005);
CONSIDERANDO o Código de Deontologia de Enfermagem do Conselho Federal de Enfermagem
(1976), o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem (1993, reformulado em 2000 e 2007), as
normas nacionais de pesquisa (Resolução do Conselho Nacional de Saúde - CNS nº 196/1996), revisadas
pela Resolução nº 466/2012, e as normas internacionais sobre pesquisa envolvendo seres humanos;
CONSIDERANDO a proposta de Reformulação do Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem,
consolidada na 1ª Conferência Nacional de Ética na Enfermagem - 1ª CONEENF, ocorrida no período de
07 a 09 de junho de 2017, em Brasília - DF, realizada pelo Conselho Federal de Enfermagem e
Coordenada pela Comissão Nacional de Reformulação do Código de Ética dos Profissionais de
Enfermagem, instituída pela Portaria Cofen nº 1.351/2016;
CONSIDERANDO a Lei nº 11.340, de 07 de agosto de 2006 (Lei Maria da Penha) que cria mecanismos
para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do § 8º do art. 226 da Constituição
Federal e a Lei nº 10.778, de 24 de novembro de 2003, que estabelece a notificação compulsória, no
território nacional, nos casos de violência contra a mulher que for atendida em serviços de saúde públicos
e privados;
CONSIDERANDO a Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990, que dispõe sobre o Estatuto da Criança e
do Adolescente;
CONSIDERANDO a Lei nº. 10.741, de 01 de outubro de 2003, que dispõe sobre o Estatuto do Idoso;
CONSIDERANDO a Lei nº. 10.216, de 06 de abril de 2001, que dispõe sobre a proteção e os direitos
das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental;
CONSIDERANDO a Lei 8.080, de 19 de setembro de 1990, que dispõe sobre as condições para a
promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços
correspondentes;
CONSIDERANDO as sugestões apresentadas na Assembleia Extraordinária de Presidentes dos
Conselhos Regionais de Enfermagem, ocorrida na sede do Cofen, em Brasília, Distrito Federal, no dia 18
de julho de 2017, e
CONSIDERANDO a deliberação do Plenário do Conselho Federal de Enfermagem em sua 491ª
Reunião Ordinária,

RESOLVE:

Art. 1º Aprovar o novo Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem, conforme o anexo desta
Resolução, para observância e respeito dos profissionais de Enfermagem, que poderá ser consultado
através do sítio de internet do Cofen (www.cofen.gov.br).

Art. 2º Este Código aplica-se aos Enfermeiros, Técnicos de Enfermagem, Auxiliares de Enfermagem,
Obstetrizes e Parteiras, bem como aos atendentes de Enfermagem.

1
http://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen-no-5642017_59145.html - Acesso em 05/11/2019.

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Art. 3º Os casos omissos serão resolvidos pelo Conselho Federal de Enfermagem.

Art. 4º Este Código poderá ser alterado pelo Conselho Federal de Enfermagem, por proposta de 2/3
dos Conselheiros Efetivos do Conselho Federal ou mediante proposta de 2/3 dos Conselhos Regionais.
Parágrafo Único. A alteração referida deve ser precedida de ampla discussão com a categoria,
coordenada pelos Conselhos Regionais, sob a coordenação geral do Conselho Federal de Enfermagem,
em formato de Conferência Nacional, precedida de Conferências Regionais.

Art. 5º A presente Resolução entrará em vigor 120 (cento e vinte) dias a partir da data de sua
publicação no Diário Oficial da União, revogando-se as disposições em contrário, em especial a
Resolução Cofen nº 311/2007, de 08 de fevereiro de 2007.

Brasília, 6 de novembro de 2017.


MANOEL CARLOS N. DA SILVA
COREN-RO Nº 63592
Presidente
MARIA R. F. B. SAMPAIO
COREN-PI Nº 19084
Primeira-Secretária

ANEXO DA RESOLUÇÃO COFEN Nº 0564/2017

PREÂMBULO
O Conselho Federal de Enfermagem, ao revisar o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem -
CEPE, norteou-se por princípios fundamentais, que representam imperativos para a conduta profissional
e consideram que a Enfermagem é uma ciência, arte e uma prática social, indispensável à organização
e ao funcionamento dos serviços de saúde; tem como responsabilidades a promoção e a restauração da
saúde, a prevenção de agravos e doenças e o alívio do sofrimento; proporciona cuidados à pessoa, à
família e à coletividade; organiza suas ações e intervenções de modo autônomo, ou em colaboração com
outros profissionais da área; tem direito a remuneração justa e a condições adequadas de trabalho, que
possibilitem um cuidado profissional seguro e livre de danos. Sobretudo, esses princípios fundamentais
reafirmam que o respeito aos direitos humanos é inerente ao exercício da profissão, o que inclui os direitos
da pessoa à vida, à saúde, à liberdade, à igualdade, à segurança pessoal, à livre escolha, à dignidade e
a ser tratada sem distinção de classe social, geração, etnia, cor, crença religiosa, cultura, incapacidade,
deficiência, doença, identidade de gênero, orientação sexual, nacionalidade, convicção política, raça ou
condição social.
Inspirado nesse conjunto de princípios é que o Conselho Federal de Enfermagem, no uso das
atribuições que lhe são conferidas pelo Art. 8º, inciso III, da Lei nº 5.905, de 12 de julho de 1973, aprova
e edita esta nova revisão do CEPE, exortando os profissionais de Enfermagem à sua fiel observância e
cumprimento.

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS
A Enfermagem é comprometida com a produção e gestão do cuidado prestado nos diferentes
contextos socioambientais e culturais em resposta às necessidades da pessoa, família e coletividade.
O profissional de Enfermagem atua com autonomia e em consonância com os preceitos éticos e legais,
técnico-científico e teórico-filosófico; exerce suas atividades com competência para promoção do ser
humano na sua integralidade, de acordo com os Princípios da Ética e da Bioética, e participa como
integrante da equipe de Enfermagem e de saúde na defesa das Políticas Públicas, com ênfase nas
políticas de saúde que garantam a universalidade de acesso, integralidade da assistência, resolutividade,
preservação da autonomia das pessoas, participação da comunidade, hierarquização e descentralização
político-administrativa dos serviços de saúde.
O cuidado da Enfermagem se fundamenta no conhecimento próprio da profissão e nas ciências
humanas, sociais e aplicadas e é executado pelos profissionais na prática social e cotidiana de assistir,
gerenciar, ensinar, educar e pesquisar.

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CAPÍTULO I
DOS DIREITOS

Art. 1º Exercer a Enfermagem com liberdade, segurança técnica, científica e ambiental, autonomia, e
ser tratado sem discriminação de qualquer natureza, segundo os princípios e pressupostos legais, éticos
e dos direitos humanos.

Art. 2º Exercer atividades em locais de trabalho livre de riscos e danos e violências física e psicológica
à saúde do trabalhador, em respeito à dignidade humana e à proteção dos direitos dos profissionais de
enfermagem.

Art. 3º Apoiar e/ou participar de movimentos de defesa da dignidade profissional, do exercício da


cidadania e das reivindicações por melhores condições de assistência, trabalho e remuneração,
observados os parâmetros e limites da legislação vigente.

Art. 4º Participar da prática multiprofissional, interdisciplinar e transdisciplinar com responsabilidade,


autonomia e liberdade, observando os preceitos éticos e legais da profissão.

Art. 5º Associar-se, exercer cargos e participar de Organizações da Categoria e Órgãos de


Fiscalização do Exercício Profissional, atendidos os requisitos legais.

Art. 6º Aprimorar seus conhecimentos técnico-científicos, ético-políticos, socioeducativos, históricos e


culturais que dão sustentação à prática profissional.

Art. 7º Ter acesso às informações relacionadas à pessoa, família e coletividade, necessárias ao


exercício profissional.

Art. 8º Requerer ao Conselho Regional de Enfermagem, de forma fundamentada, medidas cabíveis


para obtenção de desagravo público em decorrência de ofensa sofrida no exercício profissional ou que
atinja a profissão.

Art. 9º Recorrer ao Conselho Regional de Enfermagem, de forma fundamentada, quando impedido de


cumprir o presente Código, a Legislação do Exercício Profissional e as Resoluções, Decisões e Pareceres
Normativos emanados pelo Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem.

Art. 10 Ter acesso, pelos meios de informação disponíveis, às diretrizes políticas, normativas e
protocolos institucionais, bem como participar de sua elaboração.

Art. 11 Formar e participar da Comissão de Ética de Enfermagem, bem como de comissões


interdisciplinares da instituição em que trabalha.

Art. 12 Abster-se de revelar informações confidenciais de que tenha conhecimento em razão de seu
exercício profissional.

Art. 13 Suspender as atividades, individuais ou coletivas, quando o local de trabalho não oferecer
condições seguras para o exercício profissional e/ou desrespeitar a legislação vigente, ressalvadas as
situações de urgência e emergência, devendo formalizar imediatamente sua decisão por escrito e/ou por
meio de correio eletrônico à instituição e ao Conselho Regional de Enfermagem.

Art. 14 Aplicar o processo de Enfermagem como instrumento metodológico para planejar, implementar,
avaliar e documentar o cuidado à pessoa, família e coletividade.

Art. 15 Exercer cargos de direção, gestão e coordenação, no âmbito da saúde ou de qualquer área
direta ou indiretamente relacionada ao exercício profissional da Enfermagem.

Art. 16 Conhecer as atividades de ensino, pesquisa e extensão que envolvam pessoas e/ou local de
trabalho sob sua responsabilidade profissional.

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Art. 17 Realizar e participar de atividades de ensino, pesquisa e extensão, respeitando a legislação
vigente.

Art. 18 Ter reconhecida sua autoria ou participação em pesquisa, extensão e produção técnico-
científica.

Art. 19 Utilizar-se de veículos de comunicação, mídias sociais e meios eletrônicos para conceder
entrevistas, ministrar cursos, palestras, conferências, sobre assuntos de sua competência e/ou divulgar
eventos com finalidade educativa e de interesse social.

Art. 20 Anunciar a prestação de serviços para os quais detenha habilidades e competências técnico-
científicas e legais.

Art. 21 Negar-se a ser filmado, fotografado e exposto em mídias sociais durante o desempenho de
suas atividades profissionais.

Art. 22 Recusar-se a executar atividades que não sejam de sua competência técnica, científica, ética
e legal ou que não ofereçam segurança ao profissional, à pessoa, à família e à coletividade.

Art. 23 Requerer junto ao gestor a quebra de vínculo da relação profissional/usuários quando houver
risco à sua integridade física e moral, comunicando ao Coren e assegurando a continuidade da
assistência de Enfermagem.

CAPÍTULO II
DOS DEVERES

Art. 24 Exercer a profissão com justiça, compromisso, equidade, resolutividade, dignidade,


competência, responsabilidade, honestidade e lealdade.

Art. 25 Fundamentar suas relações no direito, na prudência, no respeito, na solidariedade e na


diversidade de opinião e posição ideológica.

Art. 26 Conhecer, cumprir e fazer cumprir o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem e
demais normativos do Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem.

Art. 27 Incentivar e apoiar a participação dos profissionais de Enfermagem no desempenho de


atividades em organizações da categoria.

Art. 28 Comunicar formalmente ao Conselho Regional de Enfermagem e aos órgãos competentes


fatos que infrinjam dispositivos éticos-legais e que possam prejudicar o exercício profissional e a
segurança à saúde da pessoa, família e coletividade.

Art. 29 Comunicar formalmente, ao Conselho Regional de Enfermagem, fatos que envolvam recusa
e/ou demissão de cargo, função ou emprego, motivado pela necessidade do profissional em cumprir o
presente Código e a legislação do exercício profissional.

Art. 30 Cumprir, no prazo estabelecido, determinações, notificações, citações, convocações e


intimações do Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem.

Art. 31 Colaborar com o processo de fiscalização do exercício profissional e prestar informações


fidedignas, permitindo o acesso a documentos e a área física institucional.

Art. 32 Manter inscrição no Conselho Regional de Enfermagem, com jurisdição na área onde ocorrer
o exercício profissional.

Art. 33 Manter os dados cadastrais atualizados junto ao Conselho Regional de Enfermagem de sua
jurisdição.

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Art. 34 Manter regularizadas as obrigações financeiras junto ao Conselho Regional de Enfermagem
de sua jurisdição.

Art. 35 Apor nome completo e/ou nome social, ambos legíveis, número e categoria de inscrição no
Conselho Regional de Enfermagem, assinatura ou rubrica nos documentos, quando no exercício
profissional.
§ 1º É facultado o uso do carimbo, com nome completo, número e categoria de inscrição no Coren,
devendo constar a assinatura ou rubrica do profissional.
§ 2º Quando se tratar de prontuário eletrônico, a assinatura deverá ser certificada, conforme legislação
vigente.

Art. 36 Registrar no prontuário e em outros documentos as informações inerentes e indispensáveis ao


processo de cuidar de forma clara, objetiva, cronológica, legível, completa e sem rasuras.

Art. 37 Documentar formalmente as etapas do processo de Enfermagem, em consonância com sua


competência legal.

Art. 38 Prestar informações escritas e/ou verbais, completas e fidedignas, necessárias à continuidade
da assistência e segurança do paciente.

Art. 39 Esclarecer à pessoa, família e coletividade, a respeito dos direitos, riscos, benefícios e
intercorrências acerca da assistência de Enfermagem.

Art. 40 Orientar à pessoa e família sobre preparo, benefícios, riscos e consequências decorrentes de
exames e de outros procedimentos, respeitando o direito de recusa da pessoa ou de seu representante
legal.

Art. 41 Prestar assistência de Enfermagem sem discriminação de qualquer natureza.

Art. 42 Respeitar o direito do exercício da autonomia da pessoa ou de seu representante legal na


tomada de decisão, livre e esclarecida, sobre sua saúde, segurança, tratamento, conforto, bem-estar,
realizando ações necessárias, de acordo com os princípios éticos e legais.
Parágrafo único. Respeitar as diretivas antecipadas da pessoa no que concerne às decisões sobre
cuidados e tratamentos que deseja ou não receber no momento em que estiver incapacitado de
expressar, livre e autonomamente, suas vontades.

Art. 43 Respeitar o pudor, a privacidade e a intimidade da pessoa, em todo seu ciclo vital e nas
situações de morte e pós-morte.

Art. 44 Prestar assistência de Enfermagem em condições que ofereçam segurança, mesmo em caso
de suspensão das atividades profissionais decorrentes de movimentos reivindicatórios da categoria.
Parágrafo único. Será respeitado o direito de greve e, nos casos de movimentos reivindicatórios da
categoria, deverão ser prestados os cuidados mínimos que garantam uma assistência segura, conforme
a complexidade do paciente.

Art. 45 Prestar assistência de Enfermagem livre de danos decorrentes de imperícia, negligência ou


imprudência.

Art. 46 Recusar-se a executar prescrição de Enfermagem e Médica na qual não constem assinatura e
número de registro do profissional prescritor, exceto em situação de urgência e emergência.
§ 1º O profissional de Enfermagem deverá recusar-se a executar prescrição de Enfermagem e Médica
em caso de identificação de erro e/ou ilegibilidade da mesma, devendo esclarecer com o prescritor ou
outro profissional, registrando no prontuário.
§ 2º É vedado ao profissional de Enfermagem o cumprimento de prescrição à distância, exceto em
casos de urgência e emergência e regulação, conforme Resolução vigente.

Art. 47 Posicionar-se contra, e denunciar aos órgãos competentes, ações e procedimentos de


membros da equipe de saúde, quando houver risco de danos decorrentes de imperícia, negligência e
imprudência ao paciente, visando a proteção da pessoa, família e coletividade.

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Art. 48 Prestar assistência de Enfermagem promovendo a qualidade de vida à pessoa e família no
processo do nascer, viver, morrer e luto.
Parágrafo único. Nos casos de doenças graves incuráveis e terminais com risco iminente de morte,
em consonância com a equipe multiprofissional, oferecer todos os cuidados paliativos disponíveis para
assegurar o conforto físico, psíquico, social e espiritual, respeitada a vontade da pessoa ou de seu
representante legal.

Art. 49 Disponibilizar assistência de Enfermagem à coletividade em casos de emergência, epidemia,


catástrofe e desastre, sem pleitear vantagens pessoais, quando convocado.

Art. 50 Assegurar a prática profissional mediante consentimento prévio do paciente, representante ou


responsável legal, ou decisão judicial.
Parágrafo único. Ficam resguardados os casos em que não haja capacidade de decisão por parte da
pessoa, ou na ausência do representante ou responsável legal.

Art. 51 Responsabilizar-se por falta cometida em suas atividades profissionais, independentemente de


ter sido praticada individual ou em equipe, por imperícia, imprudência ou negligência, desde que tenha
participação e/ou conhecimento prévio do fato.
Parágrafo único. Quando a falta for praticada em equipe, a responsabilidade será atribuída na medida
do(s) ato(s) praticado(s) individualmente.

Art. 52 Manter sigilo sobre fato de que tenha conhecimento em razão da atividade profissional, exceto
nos casos previstos na legislação ou por determinação judicial, ou com o consentimento escrito da pessoa
envolvida ou de seu representante ou responsável legal.
§ 1º Permanece o dever mesmo quando o fato seja de conhecimento público e em caso de falecimento
da pessoa envolvida.
§ 2º O fato sigiloso deverá ser revelado em situações de ameaça à vida e à dignidade, na defesa
própria ou em atividade multiprofissional, quando necessário à prestação da assistência.
§ 3º O profissional de Enfermagem intimado como testemunha deverá comparecer perante a
autoridade e, se for o caso, declarar suas razões éticas para manutenção do sigilo profissional.
§ 4º É obrigatória a comunicação externa, para os órgãos de responsabilização criminal,
independentemente de autorização, de casos de violência contra: crianças e adolescentes; idosos; e
pessoas incapacitadas ou sem condições de firmar consentimento.
§ 5º A comunicação externa para os órgãos de responsabilização criminal em casos de violência
doméstica e familiar contra mulher adulta e capaz será devida, independentemente de autorização, em
caso de risco à comunidade ou à vítima, a juízo do profissional e com conhecimento prévio da vítima ou
do seu responsável.

Art. 53 Resguardar os preceitos éticos e legais da profissão quanto ao conteúdo e imagem veiculados
nos diferentes meios de comunicação e publicidade.

Art. 54 Estimular e apoiar a qualificação e o aperfeiçoamento técnico-científico, ético-político,


socioeducativo e cultural dos profissionais de Enfermagem sob sua supervisão e coordenação.

Art. 55 Aprimorar os conhecimentos técnico-científicos, ético-políticos, socioeducativos e culturais, em


benefício da pessoa, família e coletividade e do desenvolvimento da profissão.

Art. 56 Estimular, apoiar, colaborar e promover o desenvolvimento de atividades de ensino, pesquisa


e extensão, devidamente aprovados nas instâncias deliberativas.

Art. 57 Cumprir a legislação vigente para a pesquisa envolvendo seres humanos.

Art. 58 Respeitar os princípios éticos e os direitos autorais no processo de pesquisa, em todas as


etapas.

Art. 59 Somente aceitar encargos ou atribuições quando se julgar técnica, científica e legalmente apto
para o desempenho seguro para si e para outrem.

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Art. 60 Respeitar, no exercício da profissão, a legislação vigente relativa à preservação do meio
ambiente no gerenciamento de resíduos de serviços de saúde.

CAPÍTULO III
DAS PROIBIÇÕES

Art. 61 Executar e/ou determinar atos contrários ao Código de Ética e à legislação que disciplina o
exercício da Enfermagem.

Art. 62 Executar atividades que não sejam de sua competência técnica, científica, ética e legal ou que
não ofereçam segurança ao profissional, à pessoa, à família e à coletividade.

Art. 63 Colaborar ou acumpliciar-se com pessoas físicas ou jurídicas que desrespeitem a legislação e
princípios que disciplinam o exercício profissional de Enfermagem.

Art. 64 Provocar, cooperar, ser conivente ou omisso diante de qualquer forma ou tipo de violência
contra a pessoa, família e coletividade, quando no exercício da profissão.

Art. 65 Aceitar cargo, função ou emprego vago em decorrência de fatos que envolvam recusa ou
demissão motivada pela necessidade do profissional em cumprir o presente código e a legislação do
exercício profissional; bem como pleitear cargo, função ou emprego ocupado por colega, utilizando-se de
concorrência desleal.

Art. 66 Permitir que seu nome conste no quadro de pessoal de qualquer instituição ou estabelecimento
congênere, quando, nestas, não exercer funções de enfermagem estabelecidas na legislação.

Art. 67 Receber vantagens de instituição, empresa, pessoa, família e coletividade, além do que lhe é
devido, como forma de garantir assistência de Enfermagem diferenciada ou benefícios de qualquer
natureza para si ou para outrem.

Art. 68 Valer-se, quando no exercício da profissão, de mecanismos de coação, omissão ou suborno,


com pessoas físicas ou jurídicas, para conseguir qualquer tipo de vantagem.

Art. 69 Utilizar o poder que lhe confere a posição ou cargo, para impor ou induzir ordens, opiniões,
ideologias políticas ou qualquer tipo de conceito ou preconceito que atentem contra a dignidade da pessoa
humana, bem como dificultar o exercício profissional.

Art. 70 Utilizar dos conhecimentos de enfermagem para praticar atos tipificados como crime ou
contravenção penal, tanto em ambientes onde exerça a profissão, quanto naqueles em que não a exerça,
ou qualquer ato que infrinja os postulados éticos e legais.

Art. 71 Promover ou ser conivente com injúria, calúnia e difamação de pessoa e família, membros das
equipes de Enfermagem e de saúde, organizações da Enfermagem, trabalhadores de outras áreas e
instituições em que exerce sua atividade profissional.

Art. 72 Praticar ou ser conivente com crime, contravenção penal ou qualquer outro ato que infrinja
postulados éticos e legais, no exercício profissional.

Art. 73 Provocar aborto, ou cooperar em prática destinada a interromper a gestação, exceto nos casos
permitidos pela legislação vigente.
Parágrafo único. Nos casos permitidos pela legislação, o profissional deverá decidir de acordo com a
sua consciência sobre sua participação, desde que seja garantida a continuidade da assistência.

Art. 74 Promover ou participar de prática destinada a antecipar a morte da pessoa.

Art. 75 Praticar ato cirúrgico, exceto nas situações de emergência ou naquelas expressamente
autorizadas na legislação, desde que possua competência técnica-científica necessária.

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Art. 76 Negar assistência de enfermagem em situações de urgência, emergência, epidemia, desastre
e catástrofe, desde que não ofereça risco a integridade física do profissional.

Art. 77 Executar procedimentos ou participar da assistência à saúde sem o consentimento formal da


pessoa ou de seu representante ou responsável legal, exceto em iminente risco de morte.

Art. 78 Administrar medicamentos sem conhecer indicação, ação da droga, via de administração e
potenciais riscos, respeitados os graus de formação do profissional.

Art. 79 Prescrever medicamentos que não estejam estabelecidos em programas de saúde pública e/ou
em rotina aprovada em instituição de saúde, exceto em situações de emergência.

Art. 80 Executar prescrições e procedimentos de qualquer natureza que comprometam a segurança


da pessoa.

Art. 81 Prestar serviços que, por sua natureza, competem a outro profissional, exceto em caso de
emergência, ou que estiverem expressamente autorizados na legislação vigente.

Art. 82 Colaborar, direta ou indiretamente, com outros profissionais de saúde ou áreas vinculadas, no
descumprimento da legislação referente aos transplantes de órgãos, tecidos, esterilização humana,
reprodução assistida ou manipulação genética.

Art. 83 Praticar, individual ou coletivamente, quando no exercício profissional, assédio moral, sexual
ou de qualquer natureza, contra pessoa, família, coletividade ou qualquer membro da equipe de saúde,
seja por meio de atos ou expressões que tenham por consequência atingir a dignidade ou criar condições
humilhantes e constrangedoras.

Art. 84 Anunciar formação profissional, qualificação e título que não possa comprovar.

Art. 85 Realizar ou facilitar ações que causem prejuízo ao patrimônio das organizações da categoria.

Art. 86 Produzir, inserir ou divulgar informação inverídica ou de conteúdo duvidoso sobre assunto de
sua área profissional.
Parágrafo único. Fazer referência a casos, situações ou fatos, e inserir imagens que possam
identificar pessoas ou instituições sem prévia autorização, em qualquer meio de comunicação.

Art. 87 Registrar informações incompletas, imprecisas ou inverídicas sobre a assistência de


Enfermagem prestada à pessoa, família ou coletividade.

Art. 88 Registrar e assinar as ações de Enfermagem que não executou, bem como permitir que suas
ações sejam assinadas por outro profissional.

Art. 89 Disponibilizar o acesso a informações e documentos a terceiros que não estão diretamente
envolvidos na prestação da assistência de saúde ao paciente, exceto quando autorizado pelo paciente,
representante legal ou responsável legal, por determinação judicial.

Art. 90 Negar, omitir informações ou emitir falsas declarações sobre o exercício profissional quando
solicitado pelo Conselho Regional de Enfermagem e/ou Comissão de Ética de Enfermagem.

Art. 91 Delegar atividades privativas do(a) Enfermeiro(a) a outro membro da equipe de Enfermagem,
exceto nos casos de emergência.
Parágrafo único. Fica proibido delegar atividades privativas a outros membros da equipe de saúde.

Art. 92 Delegar atribuições dos(as) profissionais de enfermagem, previstas na legislação, para


acompanhantes e/ou responsáveis pelo paciente.
Parágrafo único. O dispositivo no caput não se aplica nos casos da atenção domiciliar para o
autocuidado apoiado.

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Art. 93 Eximir-se da responsabilidade legal da assistência prestada aos pacientes sob seus cuidados
realizados por alunos e/ou estagiários sob sua supervisão e/ou orientação.

Art. 94 Apropriar-se de dinheiro, valor, bem móvel ou imóvel, público ou particular, que esteja sob sua
responsabilidade em razão do cargo ou do exercício profissional, bem como desviá-lo em proveito próprio
ou de outrem.

Art. 95 Realizar ou participar de atividades de ensino, pesquisa e extensão, em que os direitos


inalienáveis da pessoa, família e coletividade sejam desrespeitados ou ofereçam quaisquer tipos de riscos
ou danos previsíveis aos envolvidos.

Art. 96 Sobrepor o interesse da ciência ao interesse e segurança da pessoa, família e coletividade.

Art. 97 Falsificar ou manipular resultados de pesquisa, bem como usá-los para fins diferentes dos
objetivos previamente estabelecidos.

Art. 98 Publicar resultados de pesquisas que identifiquem o participante do estudo e/ou instituição
envolvida, sem a autorização prévia.

Art. 99 Divulgar ou publicar, em seu nome, produção técnico-científica ou instrumento de organização


formal do qual não tenha participado ou omitir nomes de coautores e colaboradores.

Art. 100 Utilizar dados, informações, ou opiniões ainda não publicadas, sem referência do autor ou
sem a sua autorização.

Art. 101 Apropriar-se ou utilizar produções técnico-científicas, das quais tenha ou não participado
como autor, sem concordância ou concessão dos demais partícipes.

Art. 102 Aproveitar-se de posição hierárquica para fazer constar seu nome como autor ou coautor em
obra técnico-científica.

CAPÍTULO IV
DAS INFRAÇÕES E PENALIDADES

Art. 103 A caracterização das infrações éticas e disciplinares, bem como a aplicação das respectivas
penalidades regem-se por este Código, sem prejuízo das sanções previstas em outros dispositivos legais.

Art. 104 Considera-se infração ética e disciplinar a ação, omissão ou conivência que implique em
desobediência e/ou inobservância às disposições do Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem,
bem como a inobservância das normas do Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem.

Art. 105 O(a) Profissional de Enfermagem responde pela infração ética e/ou disciplinar, que cometer
ou contribuir para sua prática, e, quando cometida(s) por outrem, dela(s) obtiver benefício.

Art. 106 A gravidade da infração é caracterizada por meio da análise do(s) fato(s), do(s) ato(s)
praticado(s) ou ato(s) omissivo(s), e do(s) resultado(s).

Art. 107 A infração é apurada em processo instaurado e conduzido nos termos do Código de Processo
Ético-Disciplinar vigente, aprovado pelo Conselho Federal de Enfermagem.

Art. 108 As penalidades a serem impostas pelo Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem,
conforme o que determina o art. 18, da Lei n° 5.905, de 12 de julho de 1973, são as seguintes:
I - Advertência verbal;
II - Multa;
III - Censura;
IV - Suspensão do Exercício Profissional;
V - Cassação do direito ao Exercício Profissional.
§ 1º A advertência verbal consiste na admoestação ao infrator, de forma reservada, que será registrada
no prontuário do mesmo, na presença de duas testemunhas.

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§ 2º A multa consiste na obrigatoriedade de pagamento de 01 (um) a 10 (dez) vezes o valor da
anuidade da categoria profissional à qual pertence o infrator, em vigor no ato do pagamento.
§ 3º A censura consiste em repreensão que será divulgada nas publicações oficiais do Sistema
Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem e em jornais de grande circulação.
§ 4º A suspensão consiste na proibição do exercício profissional da Enfermagem por um período de
até 90 (noventa) dias e será divulgada nas publicações oficiais do Sistema Cofen/Conselhos Regionais
de Enfermagem, jornais de grande circulação e comunicada aos órgãos empregadores.
§ 5º A cassação consiste na perda do direito ao exercício da Enfermagem por um período de até 30
anos e será divulgada nas publicações do Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem e em
jornais de grande circulação.
§ 6º As penalidades aplicadas deverão ser registradas no prontuário do infrator.
§ 7º Nas penalidades de suspensão e cassação, o profissional terá sua carteira retida no ato da
notificação, em todas as categorias em que for inscrito, sendo devolvida após o cumprimento da pena e,
no caso da cassação, após o processo de reabilitação.

Art. 109 As penalidades, referentes à advertência verbal, multa, censura e suspensão do exercício
profissional, são da responsabilidade do Conselho Regional de Enfermagem, serão registradas no
prontuário do profissional de Enfermagem; a pena de cassação do direito ao exercício profissional é de
competência do Conselho Federal de Enfermagem, conforme o disposto no art. 18, parágrafo primeiro,
da Lei n° 5.905/73.
Parágrafo único. Na situação em que o processo tiver origem no Conselho Federal de Enfermagem
e nos casos de cassação do exercício profissional, terá como instância superior a Assembleia de
Presidentes dos Conselhos de Enfermagem.

Art. 110 Para a graduação da penalidade e respectiva imposição consideram-se:


I - A gravidade da infração;
II - As circunstâncias agravantes e atenuantes da infração;
III - O dano causado e o resultado;
IV - Os antecedentes do infrator.

Art. 111 As infrações serão consideradas leves, moderadas, graves ou gravíssimas, segundo a
natureza do ato e a circunstância de cada caso.
§ 1º São consideradas infrações leves as que ofendam a integridade física, mental ou moral de
qualquer pessoa, sem causar debilidade ou aquelas que venham a difamar organizações da categoria ou
instituições ou ainda que causem danos patrimoniais ou financeiros.
§ 2º São consideradas infrações moderadas as que provoquem debilidade temporária de membro,
sentido ou função na pessoa ou ainda as que causem danos mentais, morais, patrimoniais ou financeiros.
§ 3º São consideradas infrações graves as que provoquem perigo de morte, debilidade permanente
de membro, sentido ou função, dano moral irremediável na pessoa ou ainda as que causem danos
mentais, morais, patrimoniais ou financeiros.
§ 4º São consideradas infrações gravíssimas as que provoquem a morte, debilidade permanente de
membro, sentido ou função, dano moral irremediável na pessoa.

Art. 112 São consideradas circunstâncias atenuantes:


I - Ter o infrator procurado, logo após a infração, por sua espontânea vontade e com eficiência, evitar
ou minorar as consequências do seu ato;
II - Ter bons antecedentes profissionais;
III - Realizar atos sob coação e/ou intimidação ou grave ameaça;
IV - Realizar atos sob emprego real de força física;
V - Ter confessado espontaneamente a autoria da infração;
VI - Ter colaborado espontaneamente com a elucidação dos fatos.

Art. 113 São consideradas circunstâncias agravantes:


I - Ser reincidente;
II - Causar danos irreparáveis;
III - Cometer infração dolosamente;
IV - Cometer a infração por motivo fútil ou torpe;
V - Facilitar ou assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou a vantagem de outra infração;
VI - Aproveitar-se da fragilidade da vítima;

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VII - Cometer a infração com abuso de autoridade ou violação do dever inerente ao cargo ou função
ou exercício profissional;
VIII - Ter maus antecedentes profissionais;
IX - Alterar ou falsificar prova, ou concorrer para a desconstrução de fato que se relacione com o
apurado na denúncia durante a condução do processo ético.

CAPÍTULO V
DA APLICAÇÃO DAS PENALIDADES

Art. 114 As penalidades previstas neste Código somente poderão ser aplicadas, cumulativamente,
quando houver infração a mais de um artigo.

Art. 115 A pena de Advertência verbal é aplicável nos casos de infrações ao que está estabelecido
nos artigos:, 26, 28, 29, 30, 31, 32, 33, 35, 36, 37, 38, 39, 40, 41, 42, 43, 46, 48, 47, 49, 50, 51, 52, 53,
54, 55, 56, 57,58, 59, 60, 61, 62, 65, 66, 67, 69, 76, 77, 78, 79, 81, 82, 83, 84, 85, 86, 87, 88, 89, 90, 91,
92, 93, 94, 95, 98, 99, 100, 101 e 102.

Art. 116 A pena de Multa é aplicável nos casos de infrações ao que está estabelecido nos artigos: 28,
29, 30, 31, 32, 35, 36, 38, 39, 41, 42, 43, 44, 45, 50, 51, 52, 57, 58, 59, 61, 62, 63, 64, 65, 66, 67, 68, 69,
70, 71, 72, 73, 74, 75, 76, 77, 78, 79, 80, 81, 82, 83, 84, 85, 86, 87, 88, 89, 90, 91, 92, 93, 94, 95, 96, 97,
98, 99, 100, 101 e 102.

Art. 117 A pena de Censura é aplicável nos casos de infrações ao que está estabelecido nos artigos:
31, 41, 42, 43, 44, 45, 50, 51, 52, 57, 58, 59, 61, 62, 63, 64, 65, 66, 67,68, 69, 70, 71, 73, 74, 75, 76, 77,
78, 79, 80, 81, 82, 83, 84, 85, 86, 88, 90, 91, 92, 93, 94, 95, 97, 99, 100, 101 e 102.

Art. 118 A pena de Suspensão do Exercício Profissional é aplicável nos casos de infrações ao que
está estabelecido nos artigos: 32, 41, 42, 43, 44, 45, 50, 51, 52, 59, 61, 62, 63, 64, 68, 69, 70, 71, 72, 73,
74, 75, 76, 77, 78,79, 80, 81, 82, 83, 85, 87, 89, 90, 91, 92, 93, 94 e 95.

Art. 119 A pena de Cassação do Direito ao Exercício Profissional é aplicável nos casos de infrações
ao que está estabelecido nos artigos: 45, 64, 70, 72, 73, 74, 80, 82, 83, 94, 96 e 97.

Questões

01. (UFG - Enfermeiro - CS/UFG/2018) De acordo com a nova Resolução COFEN n. 564/2017, que
aprovou o novo Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem,
(A) é um dos deveres dos profissionais de enfermagem exercer atividades em locais de trabalho livre
de riscos e danos de violências física e psicológica à saúde do trabalhador, em respeito à dignidade
humana e à proteção dos direitos dos profissionais de enfermagem.
(B) é classificada como infração grave aquela que provocar no paciente debilidade temporária de
membro, sentido ou função ou ainda a que causar danos mentais, morais, patrimoniais ou financeiros.
(C) é um direito dos profissionais, de acordo com a sua consciência, a decisão sobre a sua participação
ou não em prática destinada a antecipar a morte de pessoa em estado terminal, podendo suspender a
continuidade da assistência.
(D) constitui um direito dos profissionais a suspensão das atividades, individuais ou coletivas, quando
o local de trabalho não oferecer condições seguras para o exercício profissional e/ou desrespeitar a
legislação vigente, ressalvadas as situações de urgência e emergência, devendo formalizar
imediatamente a decisão por escrito e/ou por meio de correio eletrônico à instituição e ao Conselho
Regional de Enfermagem.

02. (SETRABES - Agente Sócio Geriátrico - UERR/2018) O novo Código de Ética (Resolução
COFEN Nº 564/2017) possui V capítulos. O I descreve os direitos e o II os deveres. Marque a alternativa
abaixo que descreve sobre os Direitos.
(A) Abster-se de revelar informações confidenciais de que tenha conhecimento em razão de seu
exercício profissional.
(B) Fundamentar suas relações no direito, na prudência, no respeito, na solidariedade e na diversidade
de opinião e posição ideológica.

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(C) Apor nome completo e/ou nome social, ambos legíveis, número e categoria de inscrição no
Conselho Regional de Enfermagem, assinatura ou rubrica nos documentos, quando no exercício
profissional.
(D) Recusar-se a executar prescrição de Enfermagem e Médica na qual não constem assinatura e
número de registro do profissional prescritor, exceto em situação de urgência e emergência.
(E) Conhecer, cumprir e fazer cumprir o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem e demais
normativos do Sistema COFEN/Conselhos Regionais de Enfermagem.

Gabarito

01.D / 02.A

Comentários

01. Resposta: D
Art. 13 Suspender as atividades, individuais ou coletivas, quando o local de trabalho não oferecer
condições seguras para o exercício profissional e/ou desrespeitar a legislação vigente, ressalvadas as
situações de urgência e emergência, devendo formalizar imediatamente sua decisão por escrito e/ou por
meio de correio eletrônico à instituição e ao Conselho Regional de Enfermagem.

02. Resposta: A
CAPÍTULO I
DOS DIREITOS
...
Art. 12 Abster-se de revelar informações confidenciais de que tenha conhecimento em razão de seu
exercício profissional.

2. Lei no 7.498, de 25 de junho de 1986

LEI Nº 7.498, DE 25 DE JUNHO DE 19862

Dispõe sobre a regulamentação do exercício da enfermagem, e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a


seguinte lei:

Art. 1º É livre o exercício da enfermagem em todo o território nacional, observadas as disposições


desta lei.

Art. 2º A enfermagem e suas atividades auxiliares somente podem ser exercidas por pessoas
legalmente habilitadas e inscritas no Conselho Regional de Enfermagem com jurisdição na área onde
ocorre o exercício.
Parágrafo único. A enfermagem é exercida privativamente pelo Enfermeiro, pelo Técnico de
Enfermagem, pelo Auxiliar de Enfermagem e pela Parteira, respeitados os respectivos graus de
habilitação.

Art. 3º O planejamento e a programação das instituições e serviços de saúde incluem planejamento e


programação de enfermagem.

Art. 4º A programação de enfermagem inclui a prescrição da assistência de enfermagem.

Art. 5º (VETADO).

2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L7498.htm - Acesso em 05/11/2019.

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Art. 6º São enfermeiros:
I - o titular do diploma de Enfermeiro conferido por instituição de ensino, nos termos da lei;
II - o titular do diploma ou certificado de Obstetriz ou de Enfermeira Obstétrica, conferido nos termos
da lei;
III - o titular do diploma ou certificado de Enfermeira e a titular do diploma ou certificado de Enfermeira
Obstétrica ou de Obstetriz, ou equivalente, conferido por escola estrangeira segundo as leis do país,
registrado em virtude de acordo de intercâmbio cultural ou revalidado no Brasil como diploma de
Enfermeiro, de Enfermeira Obstétrica ou de Obstetriz;
IV - aqueles que, não abrangidos pelos incisos anteriores, obtiverem título de Enfermeiro conforme o
disposto na alínea d do art. 3º do Decreto nº 50.387, de 28 de março de 1961.

Art. 7º São Técnicos de Enfermagem:


I - o titular do diploma ou do certificado de Técnico de Enfermagem, expedido de acordo com a
legislação e registrado pelo órgão competente;
II - o titular do diploma ou do certificado legalmente conferido por escola ou curso estrangeiro,
registrado em virtude de acordo de intercâmbio cultural ou revalidado no Brasil como diploma de Técnico
de Enfermagem.

Art. 8º São Auxiliares de Enfermagem:


I - o titular de certificado de Auxiliar de Enfermagem conferido por instituição de ensino, nos termos da
lei e registrado no órgão competente;
II - o titular de diploma a que se refere a Lei nº 2.822, de 14 de junho de 1956;
III - o titular do diploma ou certificado a que se refere o inciso III do art. 2º da Lei nº 2.604, de 17 de
setembro de 1955, expedido até a publicação da Lei nº 4.024, de 20 de dezembro de 1961;
IV - o titular de certificado de Enfermeiro Prático ou Prático de Enfermagem, expedido até 1964 pelo
Serviço Nacional de Fiscalização da Medicina e Farmácia, do Ministério da Saúde, ou por órgão
congênere da Secretaria de Saúde nas Unidades da Federação, nos termos do Decreto-lei nº 23.774, de
22 de janeiro de 1934, do Decreto-lei nº 8.778, de 22 de janeiro de 1946, e da Lei nº 3.640, de 10 de
outubro de 1959;
V - o pessoal enquadrado como Auxiliar de Enfermagem, nos termos do Decreto-lei nº 299, de 28 de
fevereiro de 1967;
VI - o titular do diploma ou certificado conferido por escola ou curso estrangeiro, segundo as leis do
país, registrado em virtude de acordo de intercâmbio cultural ou revalidado no Brasil como certificado de
Auxiliar de Enfermagem.

Art. 9º São Parteiras:


I - a titular do certificado previsto no art. 1º do Decreto-lei nº 8.778, de 22 de janeiro de 1946, observado
o disposto na Lei nº 3.640, de 10 de outubro de 1959;
II - a titular do diploma ou certificado de Parteira, ou equivalente, conferido por escola ou curso
estrangeiro, segundo as leis do país, registrado em virtude de intercâmbio cultural ou revalidado no Brasil,
até 2 (dois) anos após a publicação desta lei, como certificado de Parteira.

Art. 10. (VETADO).

Art. 11. O Enfermeiro exerce todas as atividades de enfermagem, cabendo-lhe:


I - privativamente:
a) direção do órgão de enfermagem integrante da estrutura básica da instituição de saúde, pública e
privada, e chefia de serviço e de unidade de enfermagem;
b) organização e direção dos serviços de enfermagem e de suas atividades técnicas e auxiliares nas
empresas prestadoras desses serviços;
c) planejamento, organização, coordenação, execução e avaliação dos serviços da assistência de
enfermagem;
d) (VETADO);
e) (VETADO);
f) (VETADO);
g) (VETADO);
h) consultoria, auditoria e emissão de parecer sobre matéria de enfermagem;
i) consulta de enfermagem;
j) prescrição da assistência de enfermagem;

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13
l) cuidados diretos de enfermagem a pacientes graves com risco de vida;
m) cuidados de enfermagem de maior complexidade técnica e que exijam conhecimentos de base
científica e capacidade de tomar decisões imediatas;
II - como integrante da equipe de saúde:
a) participação no planejamento, execução e avaliação da programação de saúde;
b) participação na elaboração, execução e avaliação dos planos assistenciais de saúde;
c) prescrição de medicamentos estabelecidos em programas de saúde pública e em rotina aprovada
pela instituição de saúde;
d) participação em projetos de construção ou reforma de unidades de internação;
e) prevenção e controle sistemático da infecção hospitalar e de doenças transmissíveis em geral;
f) prevenção e controle sistemático de danos que possam ser causados à clientela durante a
assistência de enfermagem;
g) assistência de enfermagem à gestante, parturiente e puérpera;
h) acompanhamento da evolução e do trabalho de parto;
i) execução do parto sem distocia;
j) educação visando à melhoria de saúde da população.
Parágrafo único. As profissionais referidas no inciso II do art. 6º desta lei incumbe, ainda:
a) assistência à parturiente e ao parto normal;
b) identificação das distocias obstétricas e tomada de providências até a chegada do médico;
c) realização de episiotomia e episiorrafia e aplicação de anestesia local, quando necessária.

Art. 12. O Técnico de Enfermagem exerce atividade de nível médio, envolvendo orientação e
acompanhamento do trabalho de enfermagem em grau auxiliar, e participação no planejamento da
assistência de enfermagem, cabendo-lhe especialmente:
a) participar da programação da assistência de enfermagem;
b) executar ações assistenciais de enfermagem, exceto as privativas do Enfermeiro, observado o
disposto no parágrafo único do art. 11 desta lei;
c) participar da orientação e supervisão do trabalho de enfermagem em grau auxiliar;
d) participar da equipe de saúde.

Art. 13. O Auxiliar de Enfermagem exerce atividades de nível médio, de natureza repetitiva, envolvendo
serviços auxiliares de enfermagem sob supervisão, bem como a participação em nível de execução
simples, em processos de tratamento, cabendo-lhe especialmente:
a) observar, reconhecer e descrever sinais e sintomas;
b) executar ações de tratamento simples;
c) prestar cuidados de higiene e conforto ao paciente;
d) participar da equipe de saúde.

Art. 14. (VETADO).

Art. 15. As atividades referidas nos arts. 12 e 13 desta lei, quando exercidas em instituições de saúde,
públicas e privadas, e em programas de saúde, somente podem ser desempenhadas sob orientação e
supervisão de Enfermeiro.

Art. 16. (VETADO).

Art. 17. (VETADO).

Art. 18. (VETADO).

Art. 19. (VETADO).

Art. 20. Os órgãos de pessoal da administração pública direta e indireta, federal, estadual, municipal,
do Distrito Federal e dos Territórios observarão, no provimento de cargos e funções e na contratação de
pessoal de enfermagem, de todos os graus, os preceitos desta lei.
Parágrafo único. Os órgãos a que se refere este artigo promoverão as medidas necessárias à
harmonização das situações já existentes com as disposições desta lei, respeitados os direitos adquiridos
quanto a vencimentos e salários.

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14
Art. 21. (VETADO).

Art. 22. (VETADO).

Art. 23. O pessoal que se encontra executando tarefas de enfermagem, em virtude de carência de
recursos humanos de nível médio nessa área, sem possuir formação específica regulada em lei, será
autorizado, pelo Conselho Federal de Enfermagem, a exercer atividades elementares de enfermagem,
observado o disposto no art. 15 desta lei.
Parágrafo único. É assegurado aos atendentes de enfermagem, admitidos antes da vigência desta lei,
o exercício das atividades elementares da enfermagem, observado o disposto em seu artigo 15. (Redação
dada pela Lei nº 8.967, de 1994)

Art. 24. (VETADO).

Art. 25. O Poder Executivo regulamentará esta lei no prazo de 120 (cento e vinte) dias a contar da data
de sua publicação.

Art. 26. Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 27. Revogam-se (VETADO) as demais disposições em contrário.

Brasília, 25 de junho de 1986; 165º da Independência e 98º da República.

JOSÉ SARNEY
Almir Pazzianotto Pinto

Questões

01. (HUB - Multiprofissional em Atenção Básica – CESPE/2017) Com base na lei do exercício
profissional de enfermagem, julgue os itens que se seguem. Cuidados diretos de enfermagem de
pacientes graves com risco de vida são atividades privativas do enfermeiro.
( ) Certo ( )Errado

02. (BA UFSB/BA – Enfermeiro – 2017) Sobre a Lei do Exercício Profissional, é correto afirmar:
(A) O profissional de Enfermagem deve responsabilizar-se por falta cometida em suas atividades
profissionais, independente de ter sido praticada individualmente ou em equipe.
(B) É facultado ao profissional de Enfermagem permitir que suas ações sejam assinadas por outrem.
(C) É vedado ao profissional de Enfermagem executar prescrição medicamentosa e terapêutica onde
não conste a assinatura do médico, mesmo em situações de emergência.
(D) É vedado ao profissional de Enfermagem provocar aborto ou cooperar em prática destinada a
interromper a gestação em qualquer circunstância.

03. (EBSERH- HUJB-UFCG/PB – Enfermeiro – AOCP/2017) Segundo a Lei do Exercício Profissional


de Enfermagem nº 7.498/1986, Regulamentada pelo Decreto 94.406/1987, é considerada uma atividade
privativa do enfermeiro
(A) a prescrição de medicamentos estabelecidos em programas de saúde pública.
(B) a execução de parto com distocia.
(C) a participação na programação da assistência de Enfermagem.
(D) a realização de episiotomia e episiorrafia e aplicação de anestesia local, quando necessária.
(E) a organização e direção dos serviços de enfermagem.

04. (EBSERH- HUGG-UNIRIO/RJ – Enfermeiro – IBFC/2017) A lei nº 7498/86 dispõe sobre a


regulamentação do exercício de enfermagem e dá outras providências. Leia as afirmativas abaixo e
assinale a alternativa correta.
I. A Enfermagem e suas atividades Auxiliares somente podem ser exercidas por pessoas legalmente
habilitadas e inscritas no Conselho Regional de Enfermagem com jurisdição na área onde ocorre o
exercício.
II. A direção do órgão de enfermagem integrante da estrutura básica da instituição de saúde, pública
ou privada, e chefia de serviço e de unidade de enfermagem são atividades privativas do enfermeiro.

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III. Toda a equipe de enfermagem deve cumprir e fazer cumprir o Código de Deontologia da
Enfermagem e, quando for o caso, anotar no prontuário do paciente as atividades da assistência de
enfermagem, para fins estatísticos.
IV. Cuidados de enfermagem de maior complexidade técnica e que exijam conhecimentos científicos
adequados e capacidade de tomar decisões imediatas são atividades de toda equipe de enfermagem
(A) Somente as afirmativas I, II e IV estão corretas
(B) Somente as afirmativas II e III estão corretas
(C) Somente as afirmativas I, II e III estão corretas
(D) Somente as afirmativas I, III e IV estão corretas
(E) Somente as afirmativas III e IV estão corretas

05. (IF-PE – Enfermeiro – IF-PE/2016) A Lei 7.498/86 dispõe sobre o exercício profissional da
Enfermagem. O enfermeiro(a) exerce todas as atividades de enfermagem, destacando-se que algumas
delas são privativas somente desse profissional. Assinale a alternativa que apresenta tais atividades.
(A) participação na elaboração, execução e avaliação dos planos assistenciais de saúde.
(B) prescrição de medicamentos estabelecidos em programas de saúde pública e em rotina aprovada
pela instituição de saúde.
(C) execução do parto sem distócia.
(D) participação na equipe de saúde.
(E) cuidados diretos de Enfermagem a pacientes graves com risco de vida.

06. (TJ/DF e Território - Enfermagem – CESPE) A atuação dos técnicos em enfermagem está
fundamentada em um conjunto de práticas sociais, éticas e políticas, tendo por base leis e códigos que
regem as condutas desses profissionais. Acerca desse assunto, julgue os próximos itens. A enfermagem
é exercida privativamente pelo enfermeiro, pelo técnico de enfermagem, pelo auxiliar de enfermagem e
pela parteira, respeitados os respectivos graus de habilitação segundo a Lei n.º 7.498/1986, a qual dispõe
sobre a regulamentação do exercício da enfermagem e dá outras providências.
( ) Certo ( )Errado

07. (UFPEL - Auxiliar de Enfermagem - UFPel-CES) A respeito da lei nº 7.498/86, que regulamenta
o exercício profissional na enfermagem, é permitido ao auxiliar de enfermagem
(A) realizar consulta de enfermagem.
(B) prestar cuidados diretos a pacientes com risco de vida.
(C) participar de projetos de construção e de reforma de unidades de internação.
(D) executar ações de tratamento simples.
(E) realizar auditoria de enfermagem.

08. (Prefeitura de São José dos Campos/SP - Enfermeiro – VUNESP) De acordo com a Lei n°
7.498/86, que dispõe sobre a regulamentação do exercício de enfermagem, emissão de parecer sobre
matéria de enfermagem é
(A) privativa do enfermeiro.
(B) compartilhada entre enfermeiros e técnicos de enfermagem.
(C) livre para todos os profissionais de enfermagem.
(D) privativa do enfermeiro ocupante de cargo de chefia.
(E) livre entre os profissionais responsáveis técnicos de enfermagem.

09. (TJDFT/DF) A enfermagem é exercida privativamente pelo enfermeiro, pelo técnico de


enfermagem, pelo auxiliar de enfermagem e pela parteira, respeitados os respectivos graus de habilitação
segundo a Lei n.º 7.498/1986, a qual dispõe sobre a regulamentação do exercício da enfermagem e dá
outras providências.
( ) Certo ( )Errado

10. (UFC – Enfermeiro – Instituto AOCP) Segundo a Lei n° 7.498/1986 ao enfermeiro incumbe,
privativamente,
(A) organização e direção dos serviços de higiene e de suas atividades técnicas e auxiliares nas
empresas prestadoras desses serviços.
(B) consultoria, auditoria e emissão de parecer sobre matéria bioquímica
(C) prescrição da assistência médica

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(D) cuidados diretos de Enfermagem a pacientes graves com risco de vida com prescrição de
medicações.
(E) cuidados de Enfermagem de maior complexidade técnica e que exijam conhecimentos científicos
adequados e capacidade de tomar decisões imediatas.

11. (UNIRIO - Auxiliar de Enfermagem – UNIRIO) O artigo 13 da Lei n. 7.498/86 assegura como
atividades do Auxiliar de Enfermagem
(A) assistir a parturiente e o parto normal.
(B) participar de projetos de construção ou reforma de unidades de saúde.
(C) controlar sistematicamente a infecção hospitalar.
(D) observar, sinais e sintomas, reconhecê-los e descrevê-los.
(E) elaborar prescrição de enfermagem.

12. (TRE/RN - Técnico Judiciário – Enfermagem) Segundo a Lei n° 7.498/86 que trata do exercício
de enfermagem, ao assistir o enfermeiro, cabe ao técnico de enfermagem a
(A) prevenção e controle sistemático de danos físicos que possam ser causados a pacientes durante
a assistência à saúde.
(B) realização de episiotomia e episiorrafia durante o parto com aplicação de anestesia local quando
necessária.
(C) prescrição de medicamentos previamente estabelecidos em programas de saúde pública e em
rotina aprovada pela instituição de saúde.
(D) consultoria, auditoria e emissão de parecer sobre matéria de Enfermagem.
(E) planejamento, organização, coordenação, execução e avaliação dos serviços da assistência de
enfermagem.

13. (IFC-SC – Enfermeiro - IFC) De acordo com a Lei nº 7.498/86, de 25 de junho de 1986, que dispõe
sobre a Regulamentação do Exercício da Enfermagem, cabe ao enfermeiro, privativamente:
(A) Execução do parto sem distocia.
(B) Participação na elaboração, execução e avaliação dos planos assistenciais de saúde.
(C) Participação no planejamento, execução e avaliação da programação de saúde.
(D) Cuidados diretos de enfermagem a pacientes graves com risco de vida.
(E) Prescrição de medicamentos estabelecidos em programas de saúde pública e em rotina aprovada
pela instituição de saúde.

14. (UFPR - Auxiliar de Enfermagem - NC-UFPR) A lei nº 7.498/86, de 25 de junho de 1986, dispõe
sobre a regulamentação do exercício da enfermagem e define, no Art. 13, que o auxiliar de enfermagem
exerce atividades de nível médio, cabendo-lhe especialmente:

1. Participar da programação da assistência de enfermagem.


2. Observar, reconhecer e descrever sinais e sintomas.
3. Executar ações de tratamento simples.
4. Prestar cuidados de higiene e conforto ao paciente.
5. Participar da orientação e supervisão do trabalho de enfermagem em grau auxiliar.
6. Participar da equipe de saúde.

Correspondem ao estabelecido na mencionada lei as ações descritas nos itens:


(A) 1, 3, 5 e 6 apenas.
(B) 2, 3, 4 e 6 apenas.
(C) 1, 2, 4 e 5 apenas.
(D) 3, 4, 5 e 6 apenas.
(E) 1, 2, 3, 4, 5 e 6.

15. (PC-MG – Enfermagem - FUMARC) De acordo com a Lei 7.498/86, que dispõe sobre a
Regulamentação do Exercício da Enfermagem e dá outras providências, o enfermeiro exerce todas as
atividades de enfermagem, cabendo-lhe privativamente:
I – Organização e direção de serviços de enfermagem e de suas atividades técnicas e auxiliares nas
empresas prestadoras desses serviços.
II – Planejamento, organização, coordenação, execução e avaliação dos serviços de assistência de
enfermagem.

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III – Cuidados indiretos de enfermagem a pacientes graves com risco de vida.
IV – Consulta de enfermagem.

Estão CORRETOS os itens:


(A) I, II e IV, apenas.
(B) II, III e IV, apenas.
(C) II e IV, apenas.
(D) I, II, III e IV.

Gabarito

01.Certo / 02.A / 03.E / 04.C / 05.E / 06.Certo / 07.D / 08.A / 09.Certo / 10.E / 11.D / 12.A / 13.D /
14.B / 15.A

Comentários

01. Resposta Certo.


Art. 11. O Enfermeiro exerce todas as atividades de enfermagem, cabendo-lhe:
I - privativamente:
l) cuidados diretos de enfermagem a pacientes graves com risco de vida;

02. Resposta: A.
Complementando e corrigindo as demais alternativas:
b) É proibido ao profissional de enfermagem assinar ações que não executou, bem como permitir
que suas ações sejam assinadas por outro profissional (Das relações com os trabalhadores de
enfermagem, saúde e outros).
c) É um direito recursar-se a executar prescrição onde não conste a assinatura e o número de
registro do profissional, erro ou ilegibilidade, exceto em situações de urgência e emergência (Das
relações com os trabalhadores de enfermagem, saúde e outros).
d) PROIBIÇÃO: Art. 28 – Provocar aborto, ou cooperar em prática destinada a interromper a
gestação.

03. Resposta: E.
Art. 11. O Enfermeiro exerce todas as atividades de enfermagem, cabendo-lhe:
I - privativamente:
b) organização e direção dos serviços de enfermagem [...]

04. Resposta: C.
Art. 11. O Enfermeiro exerce todas as atividades de enfermagem, cabendo-lhe:
I - privativamente:
m) cuidados de enfermagem de maior complexidade técnica e que exijam conhecimentos de base
científica e capacidade de tomar decisões imediatas;

05. Resposta: E.
Art. 11. O Enfermeiro exerce todas as atividades de enfermagem, cabendo-lhe:
I - privativamente:
l) cuidados diretos de enfermagem a pacientes graves com risco de vida;
As demais alternativas estão como parte integrante da equipe de saúde.

06. Resposta: Certo.


Art. 2º A enfermagem e suas atividades auxiliares somente podem ser exercidas por pessoas
legalmente habilitadas [...]
Parágrafo único. A enfermagem é exercida privativamente pelo Enfermeiro, pelo Técnico de
Enfermagem, pelo Auxiliar de Enfermagem e pela Parteira, respeitados os respectivos graus de
habilitação.

07. Reposta: D.
Art. 13. O Auxiliar de Enfermagem exerce atividades [...]
b) executar ações de tratamento simples;

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08. Resposta: A.
Art. 11. O Enfermeiro exerce todas as atividades de enfermagem, cabendo-lhe:
I - privativamente:
h) consultoria, auditoria e emissão de parecer sobre matéria de enfermagem;

09. Resposta Certa.


Art. 2º
Parágrafo único. A enfermagem é exercida privativamente pelo Enfermeiro, pelo Técnico de
Enfermagem, pelo Auxiliar de Enfermagem e pela Parteira, respeitados os respectivos graus de
habilitação.

10. Resposta: E.
Art. 11. O Enfermeiro exerce todas as atividades [...]
I - privativamente:
m) cuidados de enfermagem de maior complexidade técnica e que exijam conhecimentos de base
científica e capacidade de tomar decisões imediatas;

11. Resposta: D.
Art. 13. O Auxiliar de Enfermagem exerce atividades [...]
a) observar, reconhecer e descrever sinais e sintomas;

12. Resposta: A.
No Art. 11. O Enfermeiro exerce todas as atividades de enfermagem, cabendo-lhe:
II - como integrante da equipe de saúde:
f) prevenção e controle sistemático de danos que possam ser causados à clientela durante a
assistência de enfermagem;
As demais alternativas são privativas do Enfermeiro.

13. Resposta: D.
Art. 11. O Enfermeiro exerce todas as atividades de enfermagem, cabendo-lhe:
I - privativamente:
l) cuidados diretos de enfermagem a pacientes graves com risco de vida;

14. Resposta: B.
Art. 12. O Técnico de Enfermagem exerce atividade de nível médio, envolvendo orientação e
acompanhamento do trabalho de enfermagem em grau auxiliar, e participação no planejamento da
assistência de enfermagem, cabendo-lhe especialmente:
a) participar da programação da assistência de enfermagem;
b) executar ações assistenciais de enfermagem, exceto as privativas do Enfermeiro, observado o
disposto no parágrafo único do art. 11 desta lei;
c) participar da orientação e supervisão do trabalho de enfermagem em grau auxiliar;
d) participar da equipe de saúde.

15. Resposta: A.
Art. 11. O Enfermeiro exerce [...]
I - privativamente:
l) Cuidados diretos de enfermagem a pacientes graves com risco de vida.

3. Decreto no 94.406, de 8 de junho de 1987

Decreto nº 94.406/873

Regulamenta a Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986, que dispõe sobre o exercício da Enfermagem, e
dá outras providências

3
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1980-1989/D94406.htm - Acesso em 05.11.2019.

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O Presidente da República, usando das atribuições que lhe confere o Art. 81, item III, da Constituição,
e tendo em vista o disposto no Art. 25 da Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986,

Decreta:

Art. 1º – O exercício da atividade de Enfermagem, observadas as disposições da Lei nº 7.498, de 25


de junho de 1986, e respeitados os graus de habilitação, é privativo de Enfermeiro, Técnico de
Enfermagem, Auxiliar de Enfermagem e Parteiro e só será permitido ao profissional inscrito no Conselho
Regional de Enfermagem da respectiva região.

Art. 2º – As instituições e serviços de saúde incluirão a atividade de Enfermagem no seu planejamento


e programação.

Art. 3º – A prescrição da assistência de Enfermagem é parte integrante do programa de Enfermagem.

Art. 4º – São Enfermeiros:


I – o titular do diploma de Enfermeiro conferido por instituição de ensino, nos termos da lei;
II – o titular do diploma ou certificado de Obstetriz ou de Enfermeira Obstétrica, conferidos nos termos
da lei;
III – o titular do diploma ou certificado de Enfermeira e a titular do diploma ou certificado de Enfermeira
Obstétrica ou de Obstetriz, ou equivalente, conferido por escola estrangeira segundo as respectivas leis,
registrado em virtude de acordo de intercâmbio cultural ou revalidado no Brasil como diploma de
Enfermeiro, de Enfermeira Obstétrica ou de Obstetriz;
IV – aqueles que, não abrangidos pelos incisos anteriores, obtiveram título de Enfermeira conforme o
disposto na letra “d” do Art. 3º. do Decreto-lei Decreto nº 50.387, de 28 de março de 1961.

Art. 5º. São técnicos de Enfermagem:


I – o titular do diploma ou do certificado de técnico de Enfermagem, expedido de acordo com a
legislação e registrado no órgão competente;
II – o titular do diploma ou do certificado legalmente conferido por escola ou curso estrangeiro,
registrado em virtude de acordo de intercâmbio cultural ou revalidado no Brasil como diploma de técnico
de Enfermagem.

Art. 6º São Auxiliares de Enfermagem:


I – o titular do certificado de Auxiliar de Enfermagem conferido por instituição de ensino, nos termos da
Lei e registrado no órgão competente;
II – o titular do diploma a que se refere a Lei nº 2.822, de 14 de junho de 1956;
III – o titular do diploma ou certificado a que se refere o item III do Art. 2º. da Lei nº 2.604, de 17 de
setembro de 1955, expedido até a publicação da Lei nº 4.024, de 20 de dezembro de 1961;
IV – o titular de certificado de Enfermeiro Prático ou Prático de Enfermagem, expedido até 1964 pelo
Serviço Nacional de Fiscalização da Medicina e Farmácia, do Ministério da Saúde, ou por órgão
congênere da Secretaria de Saúde nas Unidades da Federação, nos termos do Decreto-lei nº 23.774, de
22 de janeiro de 1934, do Decreto-lei nº 8.778, de 22 de janeiro de 1946, e da Lei nº 3.640, de 10 de
outubro de 1959;

V – o pessoal enquadrado como Auxiliar de Enfermagem, nos termos do Decreto-lei nº 299, de 28 de


fevereiro de 1967;
VI – o titular do diploma ou certificado conferido por escola ou curso estrangeiro, segundo as leis do
país, registrado em virtude de acordo de intercâmbio cultural ou revalidado no Brasil como certificado de
Auxiliar de Enfermagem.

Art. 7º – São Parteiros:


I – o titular de certificado previsto no Art. 1º do nº 8.778, de 22 de janeiro de 1946, observado o disposto
na Lei nº 3.640, de 10 de outubro de 1959;
II – o titular do diploma ou certificado de Parteiro, ou equivalente, conferido por escola ou curso
estrangeiro, segundo as respectivas leis, registrado em virtude de intercâmbio cultural ou revalidado no
Brasil, até 26 de junho de 1988, como certificado de Parteiro.

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Art. 8º – Ao enfermeiro incumbe:
I – privativamente:
a) direção do órgão de Enfermagem integrante da estrutura básica da instituição de saúde, pública ou
privada, e chefia de serviço e de unidade de Enfermagem;
b) organização e direção dos serviços de Enfermagem e de suas atividades técnicas e auxiliares nas
empresas prestadoras desses serviços;
c) planejamento, organização, coordenação, execução e avaliação dos serviços da assistência de
Enfermagem;
d) consultoria, auditoria e emissão de parecer sobre matéria de Enfermagem;
e) consulta de Enfermagem;
f) prescrição da assistência de Enfermagem;
g) cuidados diretos de Enfermagem a pacientes graves com risco de vida;
h) cuidados de Enfermagem de maior complexidade técnica e que exijam conhecimentos científicos
adequados e capacidade de tomar decisões imediatas;
II – como integrante da equipe de saúde:
a) participação no planejamento, execução e avaliação da programação de saúde;
b) participação na elaboração, execução e avaliação dos planos assistenciais de saúde;
c) prescrição de medicamentos previamente estabelecidos em programas de saúde pública e em rotina
aprovada pela instituição de saúde;
d) participação em projetos de construção ou reforma de unidades de internação;
e) prevenção e controle sistemático da infecção hospitalar, inclusive como membro das respectivas
comissões;
f) participação na elaboração de medidas de prevenção e controle sistemático de danos que possam
ser causados aos pacientes durante a assistência de Enfermagem;
g) participação na prevenção e controle das doenças transmissíveis em geral e nos programas de
vigilância epidemiológica;
h) prestação de assistência de enfermagem à gestante, parturiente, puérpera e ao recém-nascido;
i) participação nos programas e nas atividades de assistência integral à saúde individual e de grupos
específicos, particularmente daqueles prioritários e de alto risco;
j) acompanhamento da evolução e do trabalho de parto;
l) execução e assistência
- obstétrica em situação de emergência e execução do parto sem distocia;
m) participação em programas e atividades de educação sanitária, visando à melhoria de saúde do
indivíduo, da família e da população em geral;
n) participação nos programas de treinamento e aprimoramento de pessoal de saúde, particularmente
nos programas de educação continuada;
o) participação nos programas de higiene e segurança do trabalho e de prevenção de acidentes e de
doenças profissionais e do trabalho;
p) participação na elaboração e na operacionalização do sistema de referência e contrarreferência do
paciente nos diferentes níveis de atenção à saúde;
q) participação no desenvolvimento de tecnologia apropriada à assistência de saúde;
r) participação em bancas examinadoras, em matérias específicas de Enfermagem, nos concursos
para provimento de cargo ou contratação de Enfermeiro ou pessoal Técnico e Auxiliar de Enfermagem.

Art. 9º – Às profissionais titulares de diploma ou certificados de Obstetriz ou de Enfermeira Obstétrica,


além das atividades de que trata o artigo precedente, incumbe:
I – prestação de assistência à parturiente e ao parto normal;
II – identificação das distócias obstétricas e tomada de providências até a chegada do médico;
III – realização de episiotomia e episiorrafia com aplicação de anestesia local, quando necessária.

Art. 10 – O Técnico de Enfermagem exerce as atividades auxiliares, de nível médio técnico, atribuídas
à equipe de Enfermagem, cabendo-lhe:
I – assistir ao Enfermeiro:
a) no planejamento, programação, orientação e supervisão das atividades de assistência de
Enfermagem;
b) na prestação de cuidados diretos de Enfermagem a pacientes em estado grave;
c) na prevenção e controle das doenças transmissíveis em geral em programas de vigilância
epidemiológica;
d) na prevenção e controle sistemático da infecção hospitalar;

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e) na prevenção e controle sistemático de danos físicos que possam ser causados a pacientes durante
a assistência de saúde;
f) na execução dos programas referidos nas letras “”i”” e “”o”” do item II do Art. 8º.
II – executar atividades de assistência de Enfermagem, excetuadas as privativas do Enfermeiro e as
referidas no Art. 9º deste Decreto:
III – integrar a equipe de saúde.

Art. 11 – O Auxiliar de Enfermagem executa as atividades auxiliares, de nível médio atribuídas à equipe
de Enfermagem, cabendo-lhe:
I – preparar o paciente para consultas, exames e tratamentos;
II – observar, reconhecer e descrever sinais e sintomas, ao nível de sua qualificação;
III – executar tratamentos especificamente prescritos, ou de rotina, além de outras atividades de
Enfermagem, tais como:
- ministrar medicamentos por via oral e parenteral;
- realizar controle hídrico;
- fazer curativos;
d) aplicar oxigenoterapia, nebulização, enteroclisma, enema e calor ou frio;
e) executar tarefas referentes à conservação e aplicação de vacinas;
f) efetuar o controle de pacientes e de comunicantes em doenças transmissíveis;
g) realizar testes e proceder à sua leitura, para subsídio de diagnóstico;
h) colher material para exames laboratoriais;
i) prestar cuidados de Enfermagem pré e pós-operatórios;
j) circular em sala de cirurgia e, se necessário, instrumentar;
l) executar atividades de desinfecção e esterilização;
IV – prestar cuidados de higiene e conforto ao paciente e zelar por sua segurança, inclusive:
a) alimentá-lo ou auxiliá-lo a alimentar-se;
b) zelar pela limpeza e ordem do material, de equipamentos e de dependência de unidades de saúde;
V – integrar a equipe de saúde;
VI – participar de atividades de educação em saúde, inclusive:
a) orientar os pacientes na pós-consulta, quanto ao cumprimento das prescrições de Enfermagem e
médicas;
b) auxiliar o Enfermeiro e o Técnico de Enfermagem na execução dos programas de educação para a
saúde;
VII – executar os trabalhos de rotina vinculados à alta de pacientes:
VIII – participar dos procedimentos pós-morte.

Art. 12 – Ao Parteiro incumbe:


I – prestar cuidados à gestante e à parturiente;
II – assistir ao parto normal, inclusive em domicílio; e
III – cuidar da puérpera e do recém-nascido.
Parágrafo único – As atividades de que trata este artigo são exercidas sob supervisão de Enfermeiro
Obstetra, quando realizadas em instituições de saúde, e, sempre que possível, sob controle e supervisão
de unidade de saúde, quando realizadas em domicílio ou onde se fizerem necessárias.

Art. 13 – As atividades relacionadas nos arts. 10 e 11 somente poderão ser exercidas sob supervisão,
orientação e direção de Enfermeiro.

Art. 14 – Incumbe a todo o pessoal de Enfermagem:


I – cumprir e fazer cumprir o Código de Deontologia da Enfermagem;
II – quando for o caso, anotar no prontuário do paciente as atividades da assistência de Enfermagem,
para fins estatísticos;

Art. 15 – Na administração pública direta e indireta, federal, estadual, municipal, do Distrito Federal e
dos Territórios será exigida como condição essencial para provimento de cargos e funções e contratação
de pessoal de Enfermagem, de todos os graus, a prova de inscrição no Conselho Regional de
Enfermagem da respectiva região.
Parágrafo único – Os órgãos e entidades compreendidos neste artigo promoverão, em articulação com
o Conselho Federal de Enfermagem, as medidas necessárias à adaptação das situações já existentes
com as disposições deste Decreto, respeitados os direitos adquiridos quanto a vencimentos e salários.

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Art. 16 – Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 17 – Revogam-se as disposições em contrário.

Questões

01. (Prefeitura do Rio de Janeiro/RJ - Enfermeiro - Prefeitura do Rio de Janeiro/RJ/2019) Segundo


o Decreto nº 94.406/87, que regulamenta a Lei nº 7.498/86, que dispõe sobre o exercício da enfermagem
e dá providências, ao enfermeiro, incumbe privativamente:
(A) participação no planejamento, execução e avaliação da programação de saúde
(B) planejamento, organização, coordenação, execução e avaliação dos serviços da assistência de
enfermagem
(C) prescrição de medicamentos previamente estabelecidos em programas de saúde pública e em
rotina aprovada pela instituição de saúde
(D) prevenção e controle sistemático da infecção hospitalar, inclusive como membro das respectivas
comissões

02. (Instituto AOCP - Enfermeiro - EBSERH) De acordo com o decreto 94.406/1987, que
regulamenta a lei 7498/86, são atribuições do enfermeiro obstétrico, EXCETO
(A) prescrição da assistência de enfermagem.
(B) realização de parto com distocia.
(C) participação em projetos de construção ou reforma de unidades de internação.
(D) consultoria, auditoria e emissão de parecer sobre a matéria de Enfermagem.
(E) realização de episiorrafia com aplicação de anestesia local quando necessário

03. (FUNRIO - IF-PA) Segundo o Decreto nº 94.406, de 8 de junho de 1987 que Regulamenta a Lei nº
7.498, de 25 de junho de 1986, que dispõe sobre o exercício da enfermagem, e dá outras providências,
o Auxiliar de Enfermagem executa as atividades auxiliares, de nível médio, atribuídas à equipe de
enfermagem, cabendo-lhe as discriminadas abaixo, EXCETO:
(A) ministrar medicamentos por via oral e parenteral.
(B) fazer curativos.
(C) circular em sala de cirurgia e, se necessário, instrumentar.
(D) executar consulta de enfermagem.
(E) realizar testes e proceder à sua leitura, para subsídio de diagnóstico.

04. (Prefeitura de Fortaleza – CE Técnico de Enfermagem) É atividade privativa do técnico de


enfermagem:
(A) acompanhar a evolução do trabalho de parto.
(B) executar ações assistenciais de enfermagem, exceto as privativas do enfermeiro.
(C) participar em projetos de construção ou reforma de unidades de internação.
(D) atuar na elaboração, execução e avaliação dos planos assistenciais de saúde.

05. (FAUEL Técnico de Enfermagem CISMEPAR PR) Os profissionais técnicos em enfermagem são
pessoas qualificadas que desenvolvem ações de promoção, prevenção, recuperação e reabilitação da
saúde. Colaboram com o atendimento das necessidades de saúde dos pacientes e comunidade, em todas
as faixas etárias. De acordo com o Decreto 94.406/87, que regulamenta o exercício da enfermagem, cabe
ao técnico de enfermagem as seguintes tarefas, EXCETO:
(A) Executar atividades de assistência de Enfermagem, excetuadas as privativas do Enfermeiro e as
referidas no artigo 9º deste Decreto.
(B) Assistir ao Enfermeiro na prestação de cuidados diretos de Enfermagem a pacientes em estado
grave.
(C) Cuidados de enfermagem de maior complexidade técnica e que exijam conhecimentos científicos
adequados e capacidade de tomar decisões imediatas.
(D) Como integrante da equipe de saúde cabe a participação nos programas de higiene e segurança
do trabalho e de prevenção de acidentes e de doenças profissionais e do trabalho.

Gabarito

01.B / 02.B / 03.D / 04.B / 05.C

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Comentários

01. Resposta: B
Art. 8º – Ao enfermeiro incumbe:
I – privativamente:
a) direção do órgão de Enfermagem integrante da estrutura básica da instituição de saúde, pública ou
privada, e chefia de serviço e de unidade de Enfermagem;
b) organização e direção dos serviços de Enfermagem e de suas atividades técnicas e auxiliares nas
empresas prestadoras desses serviços;
c) planejamento, organização, coordenação, execução e avaliação dos serviços da assistência de
Enfermagem;
d) consultoria, auditoria e emissão de parecer sobre matéria de Enfermagem;
e) consulta de Enfermagem;
f) prescrição da assistência de Enfermagem;
g) cuidados diretos de Enfermagem a pacientes graves com risco de vida;
h) cuidados de Enfermagem de maior complexidade técnica e que exijam conhecimentos científicos
adequados e capacidade de tomar decisões imediatas;
II – como integrante da equipe de saúde:
a) participação no planejamento, execução e avaliação da programação de saúde;
b) participação na elaboração, execução e avaliação dos planos assistenciais de saúde;
c) prescrição de medicamentos previamente estabelecidos em programas de saúde pública e em rotina
aprovada pela instituição de saúde;
d) participação em projetos de construção ou reforma de unidades de internação;
e) prevenção e controle sistemático da infecção hospitalar, inclusive como membro das respectivas
comissões;
f) participação na elaboração de medidas de prevenção e controle sistemático de danos que possam
ser causados aos pacientes durante a assistência de Enfermagem;
g) participação na prevenção e controle das doenças transmissíveis em geral e nos programas de
vigilância epidemiológica;
h) prestação de assistência de enfermagem à gestante, parturiente, puérpera e ao recém-nascido;
i) participação nos programas e nas atividades de assistência integral à saúde individual e de grupos
específicos, particularmente daqueles prioritários e de alto risco;
j) acompanhamento da evolução e do trabalho de parto;
l) execução e assistência
- obstétrica em situação de emergência e execução do parto sem distocia;
m) participação em programas e atividades de educação sanitária, visando à melhoria de saúde do
indivíduo, da família e da população em geral;
n) participação nos programas de treinamento e aprimoramento de pessoal de saúde, particularmente
nos programas de educação continuada;
o) participação nos programas de higiene e segurança do trabalho e de prevenção de acidentes e de
doenças profissionais e do trabalho;
p) participação na elaboração e na operacionalização do sistema de referência e contrarreferência do
paciente nos diferentes níveis de atenção à saúde;
q) participação no desenvolvimento de tecnologia apropriada à assistência de saúde;
r) participação em bancas examinadoras, em matérias específicas de Enfermagem, nos concursos
para provimento de cargo ou contratação de Enfermeiro ou pessoal Técnico e Auxiliar de Enfermagem.

02. Resposta: B
A- Correta. Art. 3º A prescrição da assistência de enfermagem é parte integrante do programa de
enfermagem.
B- Incorreta. O parto que o enfermeiro obstetra está autorizado a executar e assistir é o sem distocia.
Portanto, a alternativa ao afirmar que o enfermeiro estaria apto a executar parto com distocia está em
desacordo com o disposto no Decreto.
Art. 8º, II, l) execução e assistência obstétrica em situação de emergência e execução do parto sem
distocia;
C- Correta. Art. 8º, I, d) participação em projetos de construção ou reforma de unidades de internação;
D- Correta. Art. 9º, III - realização de episiotomia e episiorrafia, com aplicação de anestesia local,
quando necessária.

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03. Resposta: D
Decreto 94.406/87,
Art. 11. O Auxiliar de Enfermagem executa as atividades auxiliares, de nível médio, atribuídas à equipe
de enfermagem, cabendo-lhe:
I - preparar o paciente para consultas, exames e tratamentos;
II - observar, reconhecer e descrever sinais e sintomas, ao nível de sua qualificação;
III - executar tratamentos especificamente prescritos, ou de rotina, além de outras atividades de
enfermagem, tais como:
a) ministrar medicamentos por via oral e parenteral;
b) realizar controle hídrico;
c) fazer curativos;
d) aplicar oxigenoterapia, nebulização, enteroclisma, enema e calor ou frio;
e) executar tarefas referentes à conservação e aplicação de vacinas;
f) efetuar o controle de pacientes e de comunicantes em doenças transmissíveis;
g) realizar testes e proceder à sua leitura, para subsídio de diagnóstico;
h) colher material para exames laboratoriais;
i) prestar cuidados de enfermagem pré e pós-operatórios;
j) circular em sala de cirurgia e, se necessário, instrumentar;
l) executar atividades de desinfecção e esterilização;
IV - prestar cuidados de higiene e conforto ao paciente e zelar por sua segurança, inclusive:
a) alimentá-lo ou auxiliá-lo a alimentar-se;
b) zelar pela limpeza e ordem do material, de equipamentos e de dependências de unidades de saúde;
V - integrar a equipe de saúde;
VI - participar de atividades de educação em saúde, inclusive:
a) orientar os pacientes na pós-consulta, quanto ao cumprimento das prescrições de enfermagem e
médicas;
b) auxiliar o Enfermeiro e o Técnico de Enfermagem na execução dos programas de educação para a
saúde;
VII - executar os trabalhos de rotina vinculados à alta de pacientes;
VIII - participar dos procedimentos pós-morte.

04. Resposta: B.
Art. 10, II - executar atividades de assistência de enfermagem, excetuadas as privativas do enfermeiro
e as referidas no art. 9º deste Decreto;

05. Resposta: C
A atribuição descrita na alternativa “C” é do Enfermeiro.
Art. 8º, I, h) cuidados de enfermagem de maior complexidade técnica e que exijam conhecimentos
científicos adequados e capacidade de tomar decisões imediatas;

4. Enfermagem no centro cirúrgico. 4.1. Recuperação da anestesia. 4.2. Central


de material e esterilização. 4.3. Atuação nos períodos pré‐operatório, trans‐
operatório e pós‐operatório. 4.4. Atuação durante os procedimentos cirúrgico‐
anestésicos. 4.5. Materiais e equipamentos básicos que compõem as salas de
cirurgia e recuperação anestésica. 4.6. Rotinas de limpeza da sala de cirurgia.
4.7. Uso de material estéril. 4.8. Manuseio de equipamentos: autoclaves;
seladora térmica e lavadora automática ultrassônica

ENFERMAGEM EM CENTRO CIRÚRGICO

Unidade Cirúrgica

Cirurgia ou operação é o tratamento de doença, lesão ou deformidade externa e/ou interna com o
objetivo de reparar, corrigir ou aliviar um problema físico. É realizada na sala de cirurgia do hospital e em
ambulatório ou consultório, quando o procedimento for considerado simples.
Dependendo do risco de vida, a cirurgia pode ser de emergência, urgência, programada ou
opcional. Como por exemplo:

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- Nos casos de hemorragia interna, a cirurgia é sempre de emergência pois deve ser realizada sem
demora;
- No abdome agudo, o tratamento cirúrgico é de urgência, por requerer pronta atenção, podendo-se,
entretanto, aguardar algumas horas para melhor avaliação do cliente;
- As cirurgias programadas ou eletivas, como no caso de varizes de membros inferiores, são realizadas
com data pré-fixada, enquanto que a maioria das cirurgias plásticas são optativas por serem de
preferência pessoal do cliente.

A cirurgia também é classificada de acordo com a finalidade:


- Diagnóstica ou exploratória: quando utilizada para se visualizar as partes internas e/ou realizar
biópsias (laparotomia exploradora);
- Curativa: quando se corrige alterações orgânicas (retirada da amígdala inflamada);
- Reparadora: quando da reparação de múltiplos ferimentos (enxerto de pele);
- Reconstrutora ou cosmética: quando se processa uma reconstituição (plástica para modelar o
nariz, por exemplo); e
- Paliativa: quando se necessita corrigir algum problema, aliviando os sintomas da enfermidade, não
havendo cura (abertura de orifício artificial para a saída de fezes sem ressecção do tumor intestinal, por
exemplo).

As cirurgias provocam alterações estruturais e funcionais no organismo do cliente, que precisará de


algum tempo para se adaptar às mesmas. É comum o tratamento cirúrgico trazer benefícios à qualidade
de vida da pessoa, mas é importante compreendermos que o tratamento cirúrgico sempre traz um impacto
(positivo ou negativo) tanto no aspecto físico como nos aspectos psicoemocionais e sociais.
Com esta compreensão, temos maior chance de realizar uma comunicação interpessoal mais
individualizada e prestar ao cliente orientações mais adequadas.
As reações emocionais guardam relação direta com o “significado” que o cliente e familiares atribuem
à cirurgia, sendo a ansiedade pré-operatória a mais frequente. Por isso, a cirurgia e os procedimentos
diagnósticos podem representar uma invasão física, emocional e psicológica - e em algumas cirurgias
(amputação da perna) uma invasão social, obrigando mudanças no estilo de vida.
A aceitação ao tratamento cirúrgico, apesar do medo da anestesia, da dor, da morte, do desconhecido
e da alteração da imagem corporal, está geralmente relacionada à confiança que o cliente deposita na
equipe profissional e na estrutura hospitalar, daí a importância de estarmos atentos ao tipo de relação
interpessoal que especificamente temos com este cliente.
O atendimento do cliente cirúrgico é feito por um conjunto de setores interligados, como o pronto-
socorro, ambulatório, enfermaria clínica ou cirúrgica, centro cirúrgico (CC) e a recuperação pós-
anestésica (RPA). Todos estes setores devem ter um objetivo comum: proporcionar uma experiência
menos traumática possível e promover uma recuperação rápida e segura ao cliente.
O ambulatório ou pronto-socorro realiza a anamnese, o exame físico, a prescrição do tratamento clínico
ou cirúrgico e os exames diagnósticos. A decisão pela cirurgia, muitas vezes, é tomada quando o
tratamento clínico não surtiu o efeito desejado.
O cliente pode ser internado um ou dois dias antes da cirurgia, ou no mesmo dia, dependendo do tipo
de preparo que a mesma requer. O cliente do pronto-socorro é diretamente encaminhado ao centro
cirúrgico, devido ao caráter, geralmente, de emergência do ato cirúrgico.

Cirurgia Segura
Relaciona-se com as medidas tomadas para que sejam reduzidos os riscos de eventos alheios aos
que possam ocorrer antes, durante e depois das cirurgias. São incidentes que acarretam danos aos
pacientes.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) firmou um programa que garanta a segurança em cirurgias,
voltado na verificação de itens referentes ao procedimento cirúrgico. Tem como objetivo garantir que a
cirurgia seja realizada conforme o planejado, atendendo a alguns requisitos básicos: paciente,
procedimento, lateralidade (lado a ser operado), posicionamento e equipamentos.

Classificação da Cirurgia por Potencial de Contaminação


O número de microrganismos presentes no tecido a ser operado determinará o potencial de
contaminação da ferida cirúrgica. De acordo com a Portaria nº 2.616/98, de 12/5/98, do Ministério da
Saúde, as cirurgias são classificadas em:

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- Limpas: realizadas em tecidos estéreis ou de fácil descontaminação, na ausência de processo
infeccioso local, sem penetração nos tratos digestório, respiratório ou urinário, em condições ideais de
sala de cirurgia. Exemplo: cirurgia de ovário;
- Potencialmente contaminadas: realizadas em tecidos de difícil descontaminação, na ausência de
supuração local, com penetração nos tratos digestório, respiratório ou urinário sem contaminação
significativa. Exemplo: redução de fratura exposta;
- Contaminadas: realizadas em tecidos recentemente traumatizados e abertos, de difícil
descontaminação, com processo inflamatório mas sem supuração. Exemplo: apendicite supurada;
- Infectadas: realizadas em tecido com supuração local, tecido necrótico, feridas traumáticas sujas.
Exemplo: cirurgia do reto e ânus com pus.

Estrutura do Centro Cirúrgico (CC)


A unidade de centro cirúrgico destina-se às atividades cirúrgicas e de recuperação anestésica, sendo
considerada área crítica no hospital por ser um ambiente onde se realizam procedimentos de risco e que
possui clientes com sistema de defesa deficiente e maior risco de infecção.
A equipe do CC é composta por diversos profissionais: anestesistas, cirurgiões, instrumentador
cirúrgico, enfermeiro, técnico e auxiliar de enfermagem, podendo ou não integrar a equipe o
instrumentador cirúrgico e o auxiliar administrativo.
Para prevenir a infecção e propiciar conforto e segurança ao cliente e equipe cirúrgica, a planta física
e a dinâmica de funcionamento possuem características especiais. Assim, o CC deve estar localizado em
área livre de trânsito de pessoas e de materiais.

Devido ao seu risco, esta unidade é dividida em áreas:


- Não restrita: as áreas de circulação livre são consideradas áreas não restritas e compreendem os
vestiários, corredor de entrada para os clientes e funcionários e sala de espera de acompanhantes. O
vestiário, localizado na entrada do CC, é a área onde todos devem colocar o uniforme privativo: calça
comprida, túnica, gorro, máscara e propés.
- Semi-Restritas: nestas áreas pode haver circulação tanto do pessoal como de equipamentos, sem,
contudo, provocarem interferência nas rotinas de controle e manutenção da assepsia. Como exemplos
temos as salas de guarda de material, administrativa, de estar para os funcionários, copa e expurgo. A
área de expurgo pode ser a mesma da Central de Material Esterilizado, e destina-se a receber e lavar os
materiais utilizados na cirurgia.
- Restrita: o corredor interno, as áreas de escovação das mãos e a sala de operação (SO) são
consideradas áreas restritas dentro do CC; para evitar infecção operatória, limita-se a circulação de
pessoal, equipamentos e materiais.

A sala de cirurgia ou operação deve ter cantos arredondados para facilitar a limpeza; as paredes, o
piso e as portas devem ser laváveis e de cor neutra e fosca. O piso, particularmente, deve ser de material
condutivo, ou seja, de proteção contra descarga de eletricidade estática; as tomadas devem possuir
sistema de aterramento para prevenir choque elétrico e estar situadas a 1,5m do piso.
As portas devem ter visor e tamanho que permita a passagem de macas, camas e equipamentos
cirúrgicos. As janelas devem ser de vidro fosco, teladas e fechadas quando houver sistema de ar
condicionado. A iluminação do campo operatório ocorre através do foco central ou fixo e, quando
necessário, também pelo foco móvel auxiliar.
O lavabo localiza-se em uma área ao lado da SO e é o local onde a equipe cirúrgica faz a degermação4
das mãos e antebraços com o uso de substâncias degermantes antissépticas, com a ação mecânica da
escovação.
As torneiras do lavabo devem abrir e fechar automaticamente ou através do uso de pedais, para evitar
o contato das mãos já degermadas. Acima do lavabo localizam-se os recipientes contendo a solução
degermante e um outro, contendo escova esterilizada.
Após a passagem pelo SO, o cliente é encaminhado à sala de RPA (Recuperação Pós-Anestésica)
a qual deve estar localizada de modo a facilitar o transporte do cliente sob efeito anestésico da SO para
a RPA, e desta para a SO, na necessidade de uma reintervenção cirúrgica; deve possibilitar, ainda, o fácil
acesso dos componentes da equipe que operou o cliente.
Considerando-se a necessidade de se ter materiais em condições para pronto uso bem como evitar a
circulação desnecessária de pessoal e equipamentos dentro e fora da área do CC, recomenda-se a

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Ato de redução ou remoção parcial dos microrganismos da pele, ou outros tecidos por métodos quimio-mecânicos. É o que se faz quando é realizada a
higienização das mãos usando água, sabão e escova.

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existência de salas específicas para a guarda de medicamentos, materiais descartáveis, esterilizados, de
anestesia e de limpeza, aparelhos e equipamentos e roupa privativa.
Dependendo do tamanho do CC, é também recomendável que haja uma sala administrativa, sala de
espera para familiares e/ou acompanhantes, sala de estar para funcionários e copa.

Montagem da Sala Cirúrgica


O auxiliar de enfermagem desempenha a função de circulante da sala cirúrgica, que também pode ser
exercida pelo técnico em enfermagem, quando necessário.
Ao receber a lista de cirurgia, o circulante da sala verifica os materiais, aparelhos ou solicitações
especiais à cirurgia. Para prevenir a contaminação e infecção cirúrgica, é importante manter a sala em
boas condições de limpeza, observar se o lavabo está equipado para uso e lavar as mãos. Portanto, antes
de equipar a sala, o circulante limpa os equipamentos com álcool etílico a 70% ou outro desinfetante
recomendado, deixando-os prontos para a recepção do cliente e equipe cirúrgica.
Para evitar problemas durante o ato operatório, o circulante deve testar o funcionamento dos aparelhos
sob sua responsabilidade, verificando suas perfeitas condições de uso, bem como revisar o material
esterilizado e providenciar os materiais específicos em quantidade suficiente para a cirurgia, dispondo-os
de forma a facilitar o uso.
Com o anestesista, checar a necessidade de material para o carrinho de anestesia.
Deve-se também preparar a infusão endovenosa e a bandeja de antissepsia, e dispor os pacotes de
aventais, campos, luvas e a caixa de instrumentais em local limpo e acessível.
Quanto ao processo de abertura do pacote, tomar o cuidado de manusear somente a parte externa do
campo, evitando contaminar sua parte interna. Se o pacote for grande, deve ser aberto sobre uma
superfície; se pequeno, pode ser aberto afastado do corpo e seu conteúdo oferecido ao profissional que
dele fará uso.

Tipos de Anestesia
A anestesia é um estado de relaxamento, perda da sensibilidade e dos reflexos, de forma parcial ou
total, provocada pela ação de drogas anestésicas. Seu objetivo é evitar a dor e facilitar o ato operatório
pela equipe cirúrgica. Na anestesia geral ocorre, também, um estado de inconsciência.
O anestesista é o médico responsável por avaliar o cliente no pré-operatório, prescrever a medicação
pré-anestésica, administrar a anestesia, controlar as condições do cliente durante a cirurgia e assistir o
cliente na sala de recuperação pós-anestésica.
As drogas anestésicas podem produzir anestesia em todo o corpo (anestesia geral) ou em partes dele
(anestesias local, raquiana e peridural).
Na anestesia geral, administra-se o anestésico por via inalatória, endovenosa - ou combinado
(inalatória e endovenosa), com o objetivo de promover um estado reversível de ausência de sensibilidade,
relaxamento muscular, perda de reflexos e inconsciência devido à ação de uma ou mais drogas no
sistema nervoso.
A raquianestesia é indicada para as cirurgias na região abdominal e membros inferiores, porque o
anestésico é depositado no espaço subaracnoide da região lombar, produzindo insensibilidade aos
estímulos dolorosos por bloqueio da condução nervosa.
Na anestesia peridural, o anestésico é depositado no espaço peridural, ou seja, o anestesista não
perfura a dura-máter. O anestésico se difunde nesse espaço, fixa-se no tecido nervoso e bloqueia as
raízes nervosas.
Na anestesia local, infiltra-se o anestésico nos tecidos próximos ao local da incisão cirúrgica. Utilizam-
-se anestésicos associados com a adrenalina, com o objetivo de aumentar a ação do bloqueio por
vasoconstrição e prevenir sua rápida absorção pela corrente circulatória.
A anestesia tópica está indicada para alívio da dor da pele lesada por feridas, úlceras e traumatismos,
ou de mucosas das vias aéreas e sistema geniturinário.

O ato anestésico requer atenção do circulante de sala, especialmente no momento de posicionamento


do cliente, transmitindo-lhe conforto e segurança, bem como facilitando o procedimento para a equipe
cirúrgica. O posicionamento do cliente está relacionado com o tipo de anestesia a ser aplicada:
- Durante a anestesia peridural ou raquianestesia, o circulante auxilia na colocação e manutenção do
cliente em posição especial, com o objetivo de facilitar a punção com a abertura máxima dos espaços
intervertebrais. Uma dessas posições é o decúbito lateral fetal, com os joelhos próximos do abdome e o
queixo encostado no tórax. O circulante da sala mantém o cliente nessa posição, colocando uma das
mãos na região cervical e a outra na dobra posterior do joelho. Durante a punção, outra posição é o cliente
sentado com as pernas pendendo lateralmente para fora da mesa cirúrgica e o queixo apoiado no tórax.

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Para mantê-lo assim imobilizado, o circulante de sala deve se colocar à frente, com as mãos na nuca do
cliente.
- Durante a anestesia geral, o cliente deve ser posto em decúbito dorsal: deitado de costas, pernas
estendidas ou ligeiramente flexionadas, um dos braços estendido ao longo do corpo e o outro apoiado no
suporte de braço. Para facilitar a visualização das vias aéreas no momento da intubação, é necessário
hiperestender o seu pescoço.
Atualmente, muitas instituições possuem o Serviço de Apoio Técnico à Anestesiologia, com pessoal
treinado e com conhecimento de preparo e montagem de aparelhos utilizados em anestesia. Também é
função desse serviço promover a limpeza e esterilização dos componentes dos monitores, bem como
repor os materiais de consumo, encaminhar para reparo os aparelhos danificados e fazer a manutenção
preventiva dos mesmos.

Fluxo do Cliente no Centro Cirúrgico


Na recepção, é importante atender o cliente com cordialidade, transmitindo-lhe tranquilidade e
confiança, bem como proporcionar-lhe privacidade física e conforto. Sendo fundamental:
- Identificá-lo, chamando-o pelo nome, checando a pulseira de identificação ou conferindo seus dados
com quem o transportou;
- Verificar se o prontuário está completo, se os cuidados pré-operatórios foram realizados, se há
anotações sobre problemas alérgicos e condições físicas e emocionais - estes cuidados são
absolutamente necessários para evitar erros, ou realização de cirurgias em clientes inadequadamente
preparados;
- Fazer a tricotomia, se esta for a rotina do hospital, e encaminhar o cliente para a sala de operação.

Através do corredor interno do CC, o cliente é transportado em maca - sempre as grades levantadas
para evitar quedas acidentais - até a sala de cirurgia.
Na sala de operação, o circulante deve receber o cliente tentando diminuir a ansiedade deste,
procurando transmitir-lhe confiança, segurança e tranquilidade. Para evitar erros, repete os mesmos
cuidados de conferência de dados prévios à entrada no CC.
Após conferir os dados do prontuário, o cliente deve ser transferido da maca para a mesa cirúrgica,
tendo-se o cuidado de posicionar corretamente os frascos de solução, drenos e sondas, caso existam.
Ao posicionar o suporte de braço (para a infusão endovenosa) sob o colchonete da mesa cirúrgica,
deve-se ter o cuidado de colocar o braço do cliente num ângulo inferior a 90o em relação ao corpo, para
evitar dores musculares e articulares no pós-operatório.
Em razão da probabilidade de ocorrer hipotensão arterial provocada pela anestesia e/ou perdas
sanguíneas durante o ato operatório, é necessário controlar a pressão arterial pelo monitor ou aparelho
de pressão arterial.
O cliente pode apresentar hipotermia devido à baixa temperatura da SO, administração de líquidos
gelados, feridas ou cavidades abertas e diminuição da atividade muscular. Para corrigir essa
intercorrência, administrar soluções mornas e trocar os campos molhados por outros secos, já que os
tecidos molhados promovem a perda de calor.
Como o cliente está anestesiado e, portanto, incapacitado para se defender de qualquer tipo de
agressão física, é dever da equipe médica e de enfermagem assegurar-lhe um ato operatório seguro,
prestando alguns cuidados específicos, entre outros: anestésico administrado na dosagem certa para
evitar a dor; manter os olhos do cliente ocluídos, para evitar úlceras de córnea; atentar para o
posicionamento do cliente, de modo a evitar escaras e dor no pós-operatório; evitar extravasamento de
solução para fora da veia.
O circulante, além de auxiliar o anestesista no posicionamento do cliente, também auxilia - quando
necessário - no suprimento de material - e durante a cirurgia comunica e registra as alterações do que
observou.
Compete ao cirurgião - ou assistente - posicionar corretamente o cliente para o ato cirúrgico, cabendo
ao circulante da sala auxiliá-los no procedimento ou realizá-lo sob orientação médica. O cliente deve estar
posicionado de forma anatômica, possibilitando boas condições de respiração e evitando distensões
musculares, compressão de vasos, nervos e saliências ósseas.
Também é atribuição do circulante ajudar os integrantes da equipe cirúrgica a se paramentarem. Para
tanto, no momento de vestir o avental, o circulante deve se posicionar de frente para as costas do membro
da equipe que está se paramentando, introduzir as mãos nas mangas do avental - pela parte interna - e
puxar até que os punhos cheguem aos pulsos; amarrar as tiras ou amarilhos do decote do avental, receber
os cintos pela ponta e amarrar; posteriormente, apresentar as luvas.

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Após auxiliar a equipe a se paramentar, deve abrir o pacote com o impermeável sobre a mesa do
instrumentador e a caixa de instrumentais sobre a mesa auxiliar, fornecer ao instrumentador os materiais
esterilizados (gaze, compressas, fios, cúpulas, etc.) e oferecer ao cirurgião a bandeja de material para
antissepsia. Auxiliar o anestesista a ajustar o arco de narcose e o suporte de soro de cada lado da mesa
cirúrgica, fixar as pontas dos campos esterilizados - recebidos do assistente - no arco e suportes,
formando uma tenda de separação entre o campo operatório e o anestesista.
Posteriormente, aproximar da equipe cirúrgica o hamper coberto com campo esterilizado e o balde de
lixo; conectar a extremidade de borracha recebida do assistente ou instrumentador ao aspirador, e ligá-
lo.
Se for utilizado o bisturi elétrico, faz-se necessário aplicar gel condutor na placa neutra, para neutralizar
a carga elétrica durante o contato da placa com o corpo do cliente, conforme orientação do fabricante. A
seguir, colocá-la sob a panturrilha ou outra região de grande massa muscular, evitando áreas que
dificultem o seu contato com o corpo do cliente, como saliências ósseas, pele escarificada, áreas de
grande pilosidade, pele úmida.
Ao movimentar o cliente, observar se ocorre deslocamento da placa, reposicionando-a se necessário.
Qualquer que seja a posição escolhida para colocar a placa, ela deve permitir o funcionamento correto
dos eletrodos dos aparelhos, equipos de solução e de sangue, drenos, sondas e cateteres.
Jamais se deve deixar qualquer parte do corpo do cliente em contato com a superfície metálica da
mesa cirúrgica, pois isto, além de desconfortável, pode ocasionar queimaduras, devido ao uso do bisturi
elétrico.
Quando não for mais utilizado material estéril dos pacotes, os mesmos devem estar sempre cobertos
para possibilitar o seu eventual uso durante a cirurgia, com segurança.

Cuidados Necessários no Transcorrer da Cirurgia


- Ajustar o foco de luz sempre que solicitado, de forma a proporcionar iluminação adequada no campo
cirúrgico, sem projeção de sombras e reflexos;
- Observar o gotejamento dos soros e sangue, líquidos drenados e sinais de intercorrências;
- Controlar a quantidade e peso das compressas cirúrgicas e gazes, para evitar esquecimento acidental
desses materiais no campo operatório;
- Avaliar a perda sanguínea e de líquidos pelas sondas e do sangue aspirado no frasco do aspirador.

Quando for necessário mudar a posição do cliente durante a cirurgia, deve-se evitar movimentos
rápidos e bruscos, porque a mudança repentina de posição pode ocasionar hipotensão arterial.
Os registros são feitos em impresso próprio, anotando-se os medicamentos, soluções, sangue,
equipamentos usados, intercorrências com o cliente, nome da operação e da equipe cirúrgica, bem como
início e término da cirurgia. Ao final desta, desliga-se o foco e aparelhos, afastam-se os equipamentos e
aparelhos da mesa cirúrgica, removem-se os campos, pinças e outros materiais que estiverem sobre o
cliente. Até que este seja transportado para a recuperação pós-anestésica ou unidade cirúrgica, não pode
ser deixado sozinho, devido ao risco de quedas acidentais ou intercorrências pós-cirúrgicas.
Durante a transferência da SO para a RPA, UTI ou unidade de internação, deve-se ser cuidadoso com
a mudança do cliente da mesa cirúrgica para a maca, observando a necessidade de agasalhá-lo, a
manutenção do gotejamento das infusões venosas, as condições do curativo e o funcionamento de
sondas e drenos.
O encaminhamento do cliente à RPA, normalmente, é feito pelo circulante da sala, junto com o
anestesista.
Antes de providenciar a limpeza da sala cirúrgica, o circulante deve separar a roupa usada na cirurgia
e encaminhá-la ao expurgo, após verificar se não há instrumentais misturados. Os materiais de vidro,
borracha, cortantes, instrumentais e outros devem ser separados e encaminhados para limpeza e
esterilização, ou jogados no saco de lixo, encaminhando-os, lacrados, para o devido setor, sempre
respeitando as medidas de prevenção de acidentes com perfuro-cortantes.
Com relação a impressos, ampolas ou frascos vazios de medicamentos controlados, os mesmos
devem ser encaminhados para os setores determinados.
Ao final da cirurgia, normalmente, o cirurgião ou outro profissional que tenha participado de sua
realização informa os familiares sobre o ato cirúrgico e o estado geral do cliente.

Materiais e Equipamentos da Sala de Operação (SO)


Para que o processo cirúrgico transcorra sem intercorrências e de forma planejada, as salas cirúrgicas
são equipadas com foco central, negatoscópio, sistema de canalização de ar e gases, prateleiras (podem
estar ou não presentes), mesa cirúrgica manual ou automática com colchonete de espuma, perneiras

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metálicas, suporte de ombros e braços, arco para narcose, coxins e talas para auxiliar no posicionamento
do cliente.
Para controlar os dados fisiológicos do cliente e evitar complicações anestésicas, a sala de cirurgia
deve ser equipada com esfigmomanômetro, monitor de eletrocardiograma, material para entubação
traqueal, equipamentos para ventilação e oxigenação, aspirador de secreções, oxímetro de pulso e outros
aparelhos especializados.
Os equipamentos auxiliares são aqueles que podem ser movimentados pela sala, de acordo com a
necessidade: suporte de hamper e bacia, mesas auxiliares, bisturi elétrico, foco auxiliar, banco giratório,
escada, estrado, balde inoxidável com rodinhas ou rodízios, carros ou prateleiras para materiais estéreis,
de consumo e soluções antissépticas.
Também são necessários diversos pacotes esterilizados contendo aventais, “opa” (avental com
abertura para a frente), luvas de diferentes tamanhos, campos duplos, campos simples, compressas
grandes e pequenas, gazes, impermeável (para forrar a mesa do instrumentador), cúpulas grandes e
pequenas, cuba rim, bacia, sondas e drenos diversos, cabo com borracha para aspirador e cabo de bisturi
elétrico (pode vir acondicionado em caixas).
Outros materiais esterilizados são as caixas de instrumentais, o estojo de material cortante (pode estar
acondicionado dentro da caixa de instrumentais), bandeja de material para anestesia e fios de sutura de
diferentes números e tipos.
Como materiais complementares: a balança para pesar compressas e gazes, as soluções
antissépticas, esparadrapo, ataduras, pomada anestésica, medicamentos anestésicos e de emergência,
soluções endovenosas do tipo glicosada, fisiológica, bicarbonato de sódio, solução de álcool hexa-hídrico
(Manitol®), de Ringer® e de Ringer Lactato®.
Como no CC existem materiais inflamáveis e explosivos, a equipe do CC deve tomar todas as
precauções contra acidentes que possam gerar explosões e incêndio. Para preveni-los, recomenda-se
evitar que alguns agentes anestésicos (óxido nitroso) e soluções como éter e/ou benzina entrem em
contato com descargas elétricas; dar preferência ao uso de tecidos de algodão ao invés de sintéticos, que
acumulam carga elétrica; e testar diariamente todos os equipamentos elétricos, bem como conferir a
aterragem dos aparelhos elétricos através de fio-terra.

Material Cirúrgico, Procedimento Cirúrgico e Instrumentação (Tempos Cirúrgicos)


Material cirúrgico é todo o conjunto de objetos, instrumentos e equipamentos que entram em contato
direto ou indireto com a região operatória, utilizados para a execução de determinado procedimento
cirúrgico. Sua classificação é de acordo com a sua função ou uso principal, visto que muitos equipamentos
têm mais de uma utilidade.
Porém basicamente, um procedimento cirúrgico segue 4 etapas principais ou tempos básicos e
fundamentais: diérese, hemostasia, exérese e síntese. Inicia-se pela diérese, que significa dividir,
separar ou cortar os tecidos através do bisturi, bisturi elétrico, tesoura, serra ou laser; em seguida, faz-se
a hemostasia, através de compressão direta com os dedos, uso de pinças, bisturi elétrico (termo cautério)
ou sutura para prevenir, deter ou impedir o sangramento. Ao se atingir a área comprometida, faz-se a
exérese, que é a cirurgia propriamente dita. A etapa final é a síntese cirúrgica, com a aproximação das
bordas da ferida operatória através de sutura, adesivos e/ou ataduras.

A classificação do material cirúrgico segue, portanto esse mesmo caminho: diérese, preensão,
hemostasia, exposição, especial e síntese.
CLASSIFICAÇÃO DO MATERIAL CIRÚRGICO
TIPO FUNÇÃO EXEMPLOS
Diérese Corte, divulsão Bisturi, tesoura
Preensão Apanhar estruturas Pinça anatômica e dentes de rato
Hemostasia Pinçamento de vasos Pinças hemostáticas (Halsted, Kelly Tc)
Exposição Afastamento de tecidos Afastadores (Farabeuf, Gosset etc.)
Pinça de Abadie - cirurgia gástrica
Especial Própria
Pinça de Potts - cirurgia vascular
Síntese União de tecidos Porta-agulhas, agulhas

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Diérese: os principais instrumentos agrupados na diérese são o bisturi e as tesouras em seus vários
tamanhos e modalidades:
- Bisturi: instrumental de corte, que existe em vários tamanhos e formas de lâminas diferentes. Os
cabos são classificados em nº3 e nº4 sendo o primeiro receptor de lâminas em geral menores e
destinados a atos cirúrgicos delicados. O segundo apresentam um encaixe maior para lâmina e destina-
se a ato cirúrgico gerais. Cada cabo ainda apresenta variedade no seu tamanho (3L e 4L), destinada a
operar na profundidade. As lâminas para bisturi, podem ser classificadas quanto seu formato e
aplicabilidade.
Deve-se segurar o bisturi como se segura um lápis, ao escrever. A incisão deve ser feita inicialmente
em um ângulo de 90o e, então, pode-se baixar mais a lâmina. A lâmina do bisturi pode ainda ser usada
desacoplada ao cabo, como em um procedimento cuja profundidade ou largura são predeterminadas, em
que pode-se fazer uma montagem com a lâmina e uma pinça hemostática, servido essa com a limitante
da secção.
- Tesoura: usada para cortar tecidos orgânicos e materiais cirúrgicos, além de promover a dissecção
e divulsão dos tecidos. A tesoura de ponta curva é a mais usada pelo cirurgião, pois dá maior visibilidade
em regiões profundas. A tesoura reta é muito usada na superfície, para corte de fios. É empunhada pelos
dedos polegar e anular (falanges distais) introduzidos em seus anéis. Pode-se ainda "guardá-la" na palma
da mão, entre períodos de uso frequente, liberando 3 dedos para executar outras funções.

Preensão: agrupam-se todos aqueles destinados a prender e segurar vísceras ou órgãos, como as
pinças “Babcock”, “Allis”, “Collin”, “Duval”, etc.
- Pinças de dissecção: são instrumentos destinados a agarrar tecidos. Ferramentas auxiliares que
geralmente são usadas pela mão esquerda, empunhadas como se fossem um lápis. O modelo "dentes
de rato" é usado para procedimentos na pele ou para agarrar materiais como campo e borrachas. O outro
modelo, anatômico, possui estrias transversais nas faces internas das pontas, e é usado em
procedimentos diversos.
As pinças de coprostase são pinças longas, de haste maleável usadas para contenção dos fluídos
intestinais.
As pinças de “Foerster” e “Cheron” são longas, usadas como transportadoras de gases para curativos
em profundidade. O “Cheron” é muito usada na antissepsia da pele do doente.

Pinça Cheron Cheron Reta

As pinças de “Foerster” são úteis para a etapa de antissepsia do paciente.

Reta Curva

As pinças como “Abadie” utilizado nas gastrectomias, pinças de “Randall” para extração de cálculos
das vias biliares, etc.

Pinça Abadie Pinça de Randall

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Hemostasia: os instrumentos de hemostasia são as pinças hemostáticas, destinadas ao pinçamento
de pequenos vasos sangrantes de ligadura e também para pinçar fios de sutura e tecidos orgânicos como
aponeurose etc. São empunhados da mesma maneira que as tesouras e fecham-se em vários graus de
pressão. Têm algumas variações, no tamanho do cabo e da ponta, na forma da ponta (curva/reta) etc.
As pinças hemostáticas não devem realizar trações em estruturas duras para se evitar que estas
sofram deformações. O aço pode trincar e se deformar quando aquecidas a altas temperaturas, logo,
deve-se evitar a utilização destas pinças para outros fins a não ser para o pinçamento de tecidos de pouca
consistência.
As pinças do tipo “Kelly” e “Halsted”, sendo estas curvas por proporcionar maior facilidade de
manuseio. “Halsteds” delicados e menores (9,5cm) são chamadas de “pinças mosquito”, são usadas em
cirurgias infantil. Quando o pinçamento envolve estruturas mais grosseiras, a “Rochester”, essa em geral
indicada por ser uma pinça mais robusta. A “Kocher” reta, inicialmente descrita como hemostática, é hoje
mais usada como pegadora e suspensora de aponeuroses, aproveitando a segurança que lhe confere
seus “dentes-de-rato”.
Em ocasiões que são necessárias hemostasias profundas usam-se a “Mixter”, a “Moynihan” e a
“Crafoord”. As duas primeiras são usadas como pinça para trabalhar pedículos como o hepático, o renal
e o pulmonar.

Exposição: compõem-se de instrumentos afastadores, elementos mecânicos para afastar os


tecidos seccionados ou separados. Facilita, portanto, a operação. Compreendem dois tipos principais:
dinâmicos e auto estáticos. O afastador de “Gosset” é usado para manter aberta a cavidade abdominal,
e o “Finochietto” para a cavidade torácica. Para facilitar o ato operatório o auxiliar deverá utilizar também
os afastadores dinâmicos com o “Farabeuf” que é usado durante a abertura e fechamento da parede
abdominal. O afastador de “Doyen” (estático) é usado durante as manobras intra-abdominais, afastando
o baço, por exemplo.
- Espátulas: que também são chamadas de “sapatas” são lâminas rígidas ou maleáveis também
usadas como afastadores.
- Separação: no grupo dos instrumentos de separação encontram-se todos os tipos de afastadores
como “Gosset”, “Finochietto”, “Farabeuf”, etc.
- Ruginas: são usadas para separar a musculatura intercostal das costelas, muito utilizada em
cirurgias torácicas.
- Costótomo: muito utilizado em cirurgias torácicas e tem a função de seccionar as costelas.

Afastador Gosset Afastador Finochietto Afastador de Farabeuf

Síntese: são os instrumentos destinados a fazer a reunião dos tecidos. São compostos basicamente
de porta-agulhas e agulhas. O primeiro apresenta uma ponta destinada à apreensão da agulha e um cabo
que gradua o fechamento do instrumento. Pode ter ponta reta, curva ou angulada. A agulha cirúrgica é

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uma pequena e fina haste de aço polido, aguçada numa das extremidades e com um orifício por onde se
enfia ou se fixa o fio de sutura.

CLASSIFICAÇÃO GERAL DAS AGULHAS


Cilíndrica
Secção geométrica
Prismática
Normal
Resistência Forte
Delicada
Traumática
Olho
Atraumática
Reta
Forma e comprimento Curva 3 a 75mm
Mista

A agulha de corpo circular e ponta cônica é chamada comumente de agulha cilíndrica - usada e
aplicada em quase todos os tecidos. Quando a agulha tem que atravessar estruturas endurecidas, usa-
se então a agulha de corpo cilíndrico e ponta triangular. A agulha de corpo de secção triangular é chamada
de agulha cortante e geralmente associada também uma ponta prismática triangular. Penetra facilmente
nos tecidos, sendo mais traumática que a cilíndrica. Olho da agulha é o furo transversal da agulha para
passagem do fio. As agulhas que possuem olho são chamadas de traumáticas; as que não o possuem
são as atraumáticas. Podem ser retas e curvas. O seu tamanho é ditado pela dimensão do campo
operatório e pelo tipo de tecido que vai ser suturado.
Os porta-agulha são utilizados para manusear agulhas e fios na síntese dos tecidos. Os dois tipos
básicos são o “Hegar” e o “Mathieu”. As pinças de campo como “Backhaus”.

Fios Cirúrgicos

Os fios cirúrgicos se apresentam com ou sem agulhas, e sua numeração varia de 1 a 5 e de 0-0 a 12-
0 (doze-zero). São classificados em absorvíveis e não absorvíveis.
- Fios absorvíveis: como o próprio nome indica, são absorvidos pelo organismo após determinado
período. O catgut é de origem animal (do intestino delgado dos bovinos), podendo ser simples ou
cromado. O catgut simples é indicado para os tecidos de rápida cicatrização, com absorção total em 2 a
3 semanas; o catgut cromado devido à impregnação com sais de ácido crômico, é totalmente absorvido
em 6 meses.
- Fios não absorvíveis: permanecem encapsulados (envolvidos por tecido fibroso) nas estruturas
internas e nas suturas de pele; devendo ser removidos entre o 7° e o 10° dia pós-operatório. Podem ser
de origem animal, como a seda; de origem vegetal, como o algodão e linho; de origem sintética, como o
nylon, perlon, poliéster; ou de origem mineral, como o fio de aço.
Para suturar as estruturas internas (tecidos internos e órgãos), utilizam-se os fios absorvíveis, sendo
que o algodão está indicado para ligar vasos sanguíneos e aponeurose, o fio de aço para suturar ossos
e os de origem sintética para a sutura de pele. A seda é geralmente utilizada nas pessoas que,
provavelmente, terão dificuldade no processo de cicatrização (obesos, desnutridos, diabéticos ou aqueles
com abdome volumoso), casos em que a sutura é realizada com pontos subtotais.
O sangramento de capilares pode ser estancado pela aplicação de substância hemostática no local.
Podemos citar, como exemplo, a cera para osso - utilizada para estancar o sangramento ósseo nas
cirurgias ortopédicas e neurocirurgias.
Outro recurso é o bisturi elétrico, que pode ser utilizado com a função de coagulação e secção (corte)
dos tecidos, através da aplicação local de descargas elétricas.

Organização da Mesa

A montagem da mesa cirúrgica tem o objetivo de facilitar e organizar o trabalho do cirurgião. É uma
forma de racionalizar o ato cirúrgico tornando-o mais eficiente.

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A capacitação do trabalho do instrumentador é de grande importância para que ele possa atender às
necessidades do cirurgião e de seus ou seus auxiliares.
Para a montagem da mesa, o auxiliar e a instrumentadora, já paramentados, deverão escolher o local
da sala menos movimentado iniciando sistematicamente a organização da mesa cirúrgica.
As mesas auxiliares devem ser protegidas com uma folha de borracha que, ao mesmo tempo em que
amortece o choque dos instrumentos com o tampo metálico, impermeabilizando a cobertura da mesa que,
se molhada inadvertidamente por soro ou secreções, perderia seu poder de barreira antibacteriana, com
possibilidade de contaminação dos objetos sobre ela colocados.
Sobre folhas de borracha são colocados campos protetores esterilizados, após o que o circulante
deverá aproximar a caixa dos instrumentos sobre uma outra mesinha menor.
Dependendo da posição do cirurgião perante o paciente, a mesa será montada.
A mesa, caso o cirurgião esteja do lado esquerdo do paciente, deverá ser posicionada do lado direito
do paciente, ou seja, em cirurgias realizadas no andar inframesocólico em que o cirurgião deve se
posicionar ao lado esquerdo do paciente, a mesa deve ser arrumada da direita para a esquerda conforme
será descrito posteriormente.
Da mesma forma, caso a intervenção cirúrgica seja realizada no andar supramesocólico, o cirurgião
irá ocupar o lado direito do paciente, a mesa do lado esquerdo e sua organização é feita da esquerda
para a direita.
Uma posição comum encontrada em alguns centros cirúrgicos é a mesa do instrumentador sob o
paciente, eliminando-se assim a figura da instrumentadora (descrita adiante). A mesa poderá também
estar posicionada em 90º à mesa cirúrgica ou na extremidade inferior desta, ou então do lado do cirurgião
também eliminando o instrumentador.

Organização da mesa da direita para esquerda dividindo-se a mesa cirúrgica em doze partes ou
áreas:

Na área 1, coloca-se o bisturi com a lâmina para baixo a esquerda. Certas operações requerem tipos
especiais de bisturis.
Na área 2, são colocadas as tesouras curvas delicadas (“Metzenbaum”) e forte (“Mayo”) com as
pontas viradas para a instrumentadora e curvatura para baixo, contra a mesa.

Tesoura Metzenbaum Tesoura Mayo Stille Curva

Na área 3, são colocadas as pinças hemostáticas tipo “Kelly” do mesmo modo que as tesouras. De
preferência curavas e no mínimo de seis a oito. Como o sentido de tomada é da direita para a esquerda
por questão de economia de espaço acham-se sobrepostas, estando a da direita superiormente colocada
em relação às outras e assim sucessivamente.

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Pinça Kelly Reta Pinça Kelly Curva

A área 4, também denominada de área de uso versátil; colocam-se instrumentos do tipo “Mixter” (2
a 4), “Moynihan” (2 a 4), e outros do tipo hemostático, de acordo com a cirurgia.

Pinça Mixter Moynihan Reta Moynihan Curva

Na área 5 será colocada a “Kocher” reta (4).

Na área 6 serão colocadas pinças com e sem dentes.


Na área 7 são dispostos os porta-agulhas (2), sendo a única exceção na mesa da instrumentadora,
que se coloca com os anéis para baixo. No caso, já segurando agulhas montadas. Note-se que a ponta
da agulha aponta para cima a fim de não furar o plano da mesa e não se contaminar.

Na área 8, colocam-se pinças de preensão de tipo “Babcock” (4), “Allis” (4) e “Duval” (2 a 4), ou outros
instrumentos complementares do mesmo tipo, ditados pelas necessidades da intervenção cirúrgica em
causa.

Pinça Babcock Pinça Allis Pinça Duval

Na área 9 coloca-se as pinças de campo “Backhaus”, no mínimo 4.

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Na área 10 colocam-se pinças, tesouras e porta-agulhas, longos.
Na área 11 serão colocadas compressas dobradas, que seguram fios pré-cortados como seda ou
algodão, e sobre ela ou outros tipos de fios e agulhas.
A área 12 é de uso versátil, neste caso apresentando agrafes.
Uma Segunda mesa que também poderá ser montada é a mesa do assistente. Esta é dividida em seis
partes sendo montada da esquerda para a direita ou da direita para a esquerda dependendo da posição
do cirurgião no campo cirúrgico. Nesta mesa os cabos dos instrumentos são voltados para o auxiliar, pois
estes instrumentos são para uso próprio.

Instrumentador Cirúrgico5

O instrumentador é elemento fundamental na equipe cirúrgica.


Tem-se verificado que a mulher se adapta psicologicamente melhor do que o homem a esse tipo de
função. Por esse motivo, será ela o elemento central e mais enfatizado neste trabalho, o que não significa,
que isto não se aplica aos cirurgiões, auxiliares, entre outros.
Sua função primordial é fornecer o instrumental cirúrgico ao cirurgião e ao auxiliar, sendo possível
realizar as funções de segundo auxiliar quando o primeiro estiver ocupado.
A instrumentadora capacitada e bem treinada é peça fundamental no bom transcorrer do ato
operatório.
Deve ser agradável, gentil e amável e acatar as ordens do cirurgião e de seu auxiliar. Em ordem, ela
irá atender primeiramente ao cirurgião e posteriormente ao auxiliar.
É obrigação da instrumentadora e de todos os componentes da equipe cirúrgica denunciar qualquer
contaminação que possa ocorrer transgredindo as leis de assepsia.
Deverá conhecer a técnica empregada no ato operatório a fim de antecipar às ordens do cirurgião
quando solicitar um instrumento cirúrgico. Antes da cirurgia, juntamente com o auxiliar, deve certificar-se
que tudo está em ordem, desde os fios e agulhas, até os instrumentos especiais.
Não deve se distrair em nenhum momento do transcorrer da cirurgia, pois a antecipação às requisições
do cirurgião depende disso.

Em resumo, as atribuições principais de uma boa instrumentador são:


- Conhecer os instrumentos por seus nomes e colocá-los sobre as mesas auxiliares;
- Ser responsável pela assepsia, limpeza e acomodação ordenada e metódica dos instrumentos,
mantendo a mesa organizada mesmo no transcorrer da cirurgia;
- Entregar o instrumento com presteza ao sinal ou pedido verbal do cirurgião, colocando-o em sua mão
de forma precisa e exata para uso imediato;
- Intervir eventualmente, no campo operatório, como segundo auxiliar;
- Requerer às circulantes da sala o material necessário;
- Sincronizar tempos e ações manuais.

Como qualquer dos outros elementos da equipe, a instrumentadora deverá reger-se por normas de
conduta pertinente à sua posição, bem como guardar sigilo profissional.

Instrumentação6
O bloco cirúrgico é composto pelo cirurgião, anestesista, enfermeiro e, finalmente, pelo instrumentador.
É uma área de pouco trânsito no hospital, longe da área de contaminação e é onde todo o trabalho
cirúrgico do hospital deve concentrar-se. Ë importante criar uma rotina de trabalho nesse local, o que
minimiza o risco de erro. No bloco, deve haver um local com o material previamente solicitado pelo
cirurgião, separado pela enfermeira de sala. A estrutura do bloco é direcionada para o indivíduo destro.
Há a enfermeira circulante, encarregada de buscar materiais e exercer tarefas por todo o bloco
cirúrgico. Pode então deslocar-se por toda a sala. O 1o auxiliar tem a função de expor o campo
cirúrgico/operatório ao cirurgião, ficando do lado oposto a ele. Pode ainda realizar algum ato cirúrgico.
Cirurgias maiores necessitam de maior número de auxiliares. O anestesista deve ficar na cabeceira da
mesa de operação, monitorando o paciente anestesiado.
A mesa, antes de receber os instrumentos cirúrgicos, deve ser forrada por uma camada de borracha
e um campo duplo sobre essa lâmina. A colocação dos instrumentos na mesa de instrumentação dos
mesmos: diérese, preensão, hemostasia, exposição, especial e síntese.
5
http://www.acervosaber.com.br
6
MAGALHÃES, H. P. Técnica cirúrgica e cirurgia experimental. São Paulo: Ed. Sarvier, 1993.

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Muitas vezes, como em cirurgias grandes, coloca-se uma mesa auxiliar, que irá conter os instrumentos
de uso mais frequente. Uma mesa auxiliar muito usada é a mesa de Mayo.
Os instrumentos cirúrgicos vêm acondicionados em uma caixa metálica, de tamanho variado. A caixa
é aberta pela enfermeira circulante para que o instrumentador possa retirar o material.

SÍNTESE ESPECIAL EXPOSIÇÃO


DIÉRESE PREENSÃO HEMOSTASIA

Equipe Cirúrgica: As pessoas separadamente ao entrar na sala de cirurgia caso algumas deixa a sala
condição estéril será perdida, para que volte a sala deverá usar capote, vestir e calçar as luvas;
Circulante: é profissional de enfermagem que deverá ficar de apoio na cirurgia, porém ficara uma
distância segura dos campos estéreis;
Colocação do Campo: devem ser presos a superfície coberta e cobrir ambos os lados:
- Os campos esterilizados são mantidos na posição com o uso de pinças ou de material aderente, e
não devem ser movimentados durante a cirurgia;
- Material estéril, os pacotes devem serem abertos com facilidade, os braços de circulantes não devem
esbarrar em campos esterilizados;
- Soluções devem ficar na altura que não encostem nas luvas do cirurgião.
Posicionamento na mesa Cirúrgica: dependerá do procedimento a ser feito, bem como do estado
físico do paciente:
- Permanecer em uma posição confortável;
- A área cirúrgica deverá ficar exposta;
- Não deverá haver pressão sobre os vasos;
- Os suportes dos ombros devem ser acolchoados para evitarem a lesão do nervo, especialmente na
posição de Trendelemburg;
- Precauções de segurança devem ser observadas em pacientes: idosos, obesos ou magros;
- O paciente necessita de contenção gentil antes da indução e em caso de agitação também.

Posições Cirúrgicas:
1. Decúbito Dorsal: Braço ao lado da mesa com a palma da mão voltada para baixo, o outro é
cuidadosamente posicionado sobre um suporte para infusão venosa;
2. Posição de Trendelemburg: A posição é geralmente utilizada para cirurgias do abdômen inferior e
da pelve, pois promove a boa exposição da área deslocando os intestinos para o abdômen superior.
Nesta posição a cabeça e o corpo são rebaixados e os joelhos fletidos.
3. Posição de Litotomia: Deitado de costas e colchas flexionados em ângulo reto a posição é mantida
os pés nos estribos;
4. Cirurgias Renais: O paciente é colocado sobre o lado não operatório, na posição de Sims, com o
travesseiro de ar de 12,5 a 15cm.

Terminologias Cirúrgicas
Os principais objetivos da terminologia cirúrgica são:
- Fornecer, por meio da forma verbal ou escrita uma definição do termo cirúrgico;
- Descrever os tipos de cirurgia;
- Preparar os instrumentais e equipamentos cirúrgicos de forma apropriada para cada tipo de cirurgia.

Na terminologia cirúrgica, os termos são formados por um prefixo, que designa a parte do corpo
relacionada com a cirurgia, e por um sufixo, que indica o ato cirúrgico realizado, deste modo seguem
algumas raízes:

Prefixos + Sufixos
Oto - ouvido
Oftalmo - olho
Rino - nariz
Bléfaro - pálpebra
Adeno - glândula
Traqueo - traqueia

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Cárdia - esfíncter esofagogástrico
Gastro - estômago
Êntero - intestino delgado
Cólon - intestino grosso
Hepato - fígado
Cole - vias biliares
Procto - reto e ânus
Espleno - baço
Laparo - parede abdominal
Nefro - rim
Pielo - pelve renal
Cisto - bexiga
Hístero - útero
Salpingo - tuba uterina
Colpo - vagina
Oóforo - ovário
Orquio - testículo
Ósteo - osso
Angio - vasos sanguíneos
Flebo - veia
Otomia - Abertura de um órgão com ou sem dreno.
Stomia - Fazer cirurgicamente uma nova boca.
Ectomia - Remover um órgão.
Ráfia - Suturar ou reparar.
Pexia - Fixação de um órgão.
Scopia - Olhar o interior.
Litíase - Cálculo.

Tipos de Cirurgias Terminadas em ECTOMIA


Apendicectomia - Retirada cirúrgica do apêndice vermiforme.
Cistectomia - Retirada da bexiga.
Colecistectomia - Remoção cirúrgica da vesícula biliar.
Craniectomia - Operação para retirar parte do crânio.
Esplenectomia - Retirada do baço.
Fistulectomia - Retirada da fístula.
Gastrectomia - Retirada total ou parcial do estômago.
Hemorroidectomia - Remoção das hemorroidas.
Histerectomia - Extirpação do útero.
Laringectomia - Extirpação da laringe.
Mastectomia - Retirada da mama.
Orquidectomia - Retirada dos testículos.
Pneumectomia - Remoção dos pulmões.
Prostatectomia - Remoção da próstata.
Retossigmoidectomia - Remoção do intestino reto e sigmoide.
Simpatectomia - Remoção cirúrgica de uma parte ou de um ramo do sistema nervoso simpático.
Tireoidectomia - Remoção da tireoide.

Tipos de Cirurgias Terminadas em RAFIA


Colporrafia - Sutura da vagina.
Gastrorrafia - Sutura do estômago.
Herniorrafia - Sutura da hérnia.
Palatorrafia ou estafilorrafia - Sutura da fenda palatina.
Osteorrafia - Sutura do osso ou colocação de fio metálico em osso.
Perineorrafia - Sutura do períneo.
Tenorrafia - Sutura do tendão.

Tipos de Cirurgias Terminadas em PEXIA


Hisperopexia - Fixação do útero na parede abdominal ou na vagina.

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Nefropexia - Fixação do rim na parede abdominal posterior.
Orquidopexia - Fixação do testículo no escroto.

Tipos de Cirurgias Terminadas em SCOPIA


Broncoscopia - Exame com visão direta dos brônquios.
Cistoscopia - Exame com visão direta da bexiga.
Colposcopia - Exame com visão direta da vagina.
Esofagoscopia - Exame com visão direta do esôfago.
Gastroscopia - Exame com visão direta do estômago.
Laringoscopia - Exame com visão direta da laringe.
Laparoscopia - Exame com visão direta dos órgãos abdominais.
Uretoscopia - Exame com visão direta da uretra.
Sigmoidoscopia - Exame com visão direta do sigmoide.

Tipos de Cirurgias Terminadas em OTOMIA


Artrotomia - Abertura cirúrgica de articulação.
Cardotomia - Operação de cortar a cárdia, em casos de estenose do esôfago.
Coledocotomia - Exploração e drenagem do ducto biliar.
Coledocolitotomia - Incisão do colédoco para retirar cálculo.
Hepatotomia - Incisão cirúrgica no fígado.
Flebotomia - Abertura da veia para colocação de Intracath.
Laparotomia - Abertura da cavidade abdominal.
Litotomia - Incisão de um órgão para retirar cálculo.
Osteotomia - Secção cirúrgica parcial, superficial ou profunda de osso, com objetivo terapêutico.
Pielotomia - Incisão do bacinete renal.
Toracotomia - Abertura do tórax.

Tipos de Cirurgias Terminadas em OSTOMIA


Cistostomia - Abertura da bexiga para drenagem de urina.
Colecistostomia - Incisão da vesícula biliar para drenagem.
Colostomia - Operação para formar abertura artificial no cólon.
Gastrostomia - Formação cirúrgica de fístula gástrica na parede abdominal para introduzir alimentos.
Ileostomia - Formação de abertura artificial no íleo.
Jejunostomia - Formação de abertura artificial no jejuno.

Tipos de Cirurgias Terminadas em PLASTIA


Artroplastia - Reconstrução da articulação com a finalidade de restaurar o movimento e a função da
mesma.
Queiloplastia - Repara os defeitos dos lábios.
Rinoplastia - Cirurgia plástica do nariz.
Toracoplastia - Cirurgia plástica do tórax.
Salpingolplastia - Operação plástica na trompa de falópio.

Terminologias Diversas
Enxerto - Transplante de órgãos ou tecidos.
Amputação - Operação para eliminar membro ou segmento de corpo necrosado.
Anastomose - Formação de comunicação entre órgãos ou entre vasos.
Artrodese - Fixação cirúrgica de articulação para fundir as superfícies.

O instrumentador cirúrgico deve saber a terminologia cirúrgica, pois o desempenho do seu trabalho
diário depende do conhecimento desta terminologia. A troca de um prefixo ou um sufixo poderá acarretar
erros graves no preparo do material.

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Centro Obstétrico7

A equipe deverá contar com um médico obstetra, enfermeira obstetra, médico anestesista,
neonatologista e técnica de enfermagem. Cada especialista possui um papel específico no Centro
Obstétrico:
Médico obstetra: responsável pela coordenação da equipe que atenderá a paciente. Avalia o
processo, orienta a gestante sobre o que deve ser feito realiza o parto normal e cesárea e presta
assistência nos dias seguintes ao parto.
Médico anestesista: é responsável por realizar a analgesia e/ou anestesia e assistir a paciente
durante todo o período do parto e pós-parto.
Médico neonatologista/pediatra: é quem recepciona o bebê no momento do nascimento. Ele é
responsável pelos primeiros cuidados e acompanha a evolução do recém-nascido durante os dias de
internação.
Enfermeira obstetra: responsável por receber a paciente no momento de sua internação, seja
cesárea ou parto normal. Ela avalia a gestante e entra em contato com o médico responsável, para
informá-lo sobre as condições clínicas e obstétricas e receber orientações. A enfermeira obstetra, junto
com o neonatologista, recepciona o bebê após o parto e participa dos primeiros cuidados. Também auxilia
na amamentação na primeira hora de vida, ainda no Centro Obstétrico.
Técnica de enfermagem: seu papel é o de acolher a gestante na sua chegada e realizar cuidados
prescritos pela equipe médica e pela enfermeira obstetra. No Centro Obstétrico é responsável pelo
preparo e organização dos materiais necessários para a realização do parto.

Questões

01. (Pref. Angra dos Reis/RJ - Auxiliar de Enfermagem - FEC/UFF) Os instrumentos cirúrgicos são
classificados de acordo com sua função. Assim, a pinça Kocher, o afastador Farabeuf, o trépano e a
agulha de sutura são chamados respectivamente de instrumentais:
(A) de dissecção, de exérese, de diérese e de sutura.
(B) de apoio, especiais, de síntese cirúrgica e de diérese.
(C) hemostáticos, auxiliares, de diérese e de síntese cirúrgica.
(D) especiais, auxiliares, de síntese cirúrgica e de bainha.
(E) de sutura, de dissecção, anatômicos e de exérese.

02. (ISGH/HRN - Enfermeiro - INSTITUTO CIDADES) A pinça Halstead pertence ao grupo de


instrumental:
(A) Hemostático.
(B) Diérese.
(C) Síntese.
(D) Exérese.

03. (SSA-HMDCC - Enfermeiro - IBFC) Assinale a alternativa que contemple o nome do instrumental
representado na figura abaixo.

(A) Pinça de Balfour.


(B) Pinça de Backhaus.
(C) Pinça de Weitlaner.
(D) Pinça de Foerster.

04. (SSA-HMDCC - Enfermeiro - IBFC) Para que os profissionais de saúde possam comunicar-se
entre si, de maneira mais fácil, foi criada uma terminologia específica. Assinale a alternativa que
contemple o significado correto do primeiro elemento da composição das palavras: adeno; blefaro;
colecisto; ooforo.

7
https://bitty.ch/nm478

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(A) Adenóide; Baço; Cólon; Osso.
(B) Glândula; Pálpebra; Vesícula; Ovário.
(C) Vaso; Artérias; Útero; Ouvido.
(D) Rim; Meninges; Reto; Trompa.

05. (SSA-HMDCC - Enfermeiro - IBFC) Considerando os tempos cirúrgicos, a fase que constitui a
secção tecidual e propicia o campo operatório ou libera estruturas anatômicas é a:
(A) Diérese.
(B) Síntese.
(C) Exérese.
(D) Hemostasia.

Gabarito

01.C / 02.A / 03.D / 04.B / 05.A

Comentários

01. Resposta: C
Os instrumentais cirúrgicos são classificados de acordo com sua função:
- Diérese - utilizados para cortar, tais como o bisturi, tesouras, trépano;
- Hemostáticos - auxiliam a estancar o sangramento, tais como as pinças de Kelly, Kocher, Rochester;
- Síntese cirúrgica - geralmente utilizado para fechamento de cavidades e incisões, sendo o mais
comum a agulha de sutura presa no porta-agulha;
- Apoio ou auxiliares - destinam-se a auxiliar o uso de outros grupos de instrumentais, destacando-
se o afastador Farabeuf - afasta os tecidos e permite uma melhor visualização do campo operatório - e a
pinça anatômica, que auxilia na dissecção do tecido;
- Especiais - aqueles específicos para cada tipo de cirurgia, como, por exemplo, a pinça gêmea de
Abadie, utilizada nas cirurgias do trato digestivo.

02. Resposta: A
Nos hemostáticos agrupam-se todos aqueles destinados ao pinçamento de vasos sangrentos, como o
“Halsted”, “Kelly”, “Rochester”, “Moynihan” e outros.

03. D. As pinças de “Foerster” são úteis para a etapa de antissepsia do paciente.

Reta Curva

04. Resposta: B
PREFIXOS E SUFIXOS: Adeno - glândula, Oóforo - ovário, Bléfaro - pálpebra

05. Resposta: A
Tempo cirúrgico abrange, de modo geral, a sequência dos quatro procedimentos realizados pelo
cirurgião durante o ato operatório. Inicia-se pela diérese, que significa dividir, separar ou cortar os tecidos
através do bisturi, bisturi elétrico, tesoura, serra ou laser.

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CENTRAL DE MATERIAL ESTERILIZADO (CME)

Definição89101112

A Central de Esterilização deve ser uma unidade de produção autônoma e independente do Centro
Cirúrgico, considerando-se uma atividade intermediária, pois possui vários clientes e fornecedores.

As principais finalidades da Central de Material Esterilizado (CME) são:


- Centralizar o material, esterilizado ou não, tornando mais fácil seu processamento, conservação,
manutenção e distribuição para as unidades de serviço;
- Executar técnicas de limpeza, preparo, empacotamento e esterilização, assegurando economia de
pessoal, material e tempo;
- Treinar pessoal para as atividades específicas do setor, conferindo-lhe maior produtividade;
- Facilitar o controle do consumo, qualidade do material e das técnicas de esterilização, aumentando
a segurança do uso;
- Oferecer subsídios para o ensino e o desenvolvimento de pesquisas;
- Manter reserva de material para o pronto atendimento das necessidades das unidades de serviço.

Na Central de Material Esterilizado (CME) é realizado o preparo de todo o material estéril a ser utilizado
no hospital. Para tanto, é composta pelas áreas de recepção, limpeza, preparo, esterilização, guarda e
distribuição dos materiais esterilizados utilizados pela equipe de saúde no atendimento ao cliente,
apresentando a vantagem de padronização das técnicas de processamento de material estéril,
contribuindo para a qualidade, favorecendo a economia de pessoal, material e tempo.
Na estrutura do estabelecimento de saúde, a CME é uma unidade importante porque oferece à equipe
de saúde materiais estéreis em condições adequadas ao seu desempenho técnico, bem como
proporciona ao cliente um atendimento com segurança e contribui para que a instituição proporcione uma
assistência com efetiva qualidade.
Alguns estabelecimentos de saúde preparam e acondicionam os materiais que cada unidade utiliza de
forma descentralizada; outros, centralizam todo o seu material para preparo na Central de Material que,
geralmente, constitui-se no método mais comumente encontrado, uma outra tendência é a terceirização
da esterilização de materiais, sendo utilizado principalmente o óxido de etileno, haja vista a necessidade
de condições de segurança especiais para sua instalação e manuseio.
Idealmente, a CME deve ter sua estrutura física projetada de forma a permitir o fluxo de materiais da
área de recepção à de distribuição, evitando o cruzamento de material limpo com o contaminado. Esses
cuidados na estrutura e fluxo proporcionam condições adequadas de trabalho à equipe de saúde,
diminuindo o risco de preparo inadequado do material, com presença de sujidade ou campos com cabelo,
linhas, agulhas de sutura e outras falhas.
Também em relação ao ambiente é importante que as paredes e o piso sejam de cor clara e fácil
limpeza e as janelas amplas, de forma a proporcionar uma iluminação que possibilite o bom trabalho na
unidade.
Quanto à localização, este serviço deve estar situado o mais próximo possível das unidades que mais
utilizam os seus materiais como o centro cirúrgico e obstétrico, o pronto-socorro e a terapia intensiva, o
que facilita a circulação dos mesmos. A distribuição do material estéril para o centro cirúrgico pode ser
realizada por monta-cargas ou carrinhos que propiciem a proteção do material estéril.
A adoção deste cuidado diminui, sobremaneira, a possibilidade de contaminação durante o trajeto
como os riscos de infecção que, além de outras complicações, acarretam sofrimento ao cliente, assim
como um tempo maior de internação.
Atualmente, em decorrência do avanço tecnológico, grande parte dos materiais hospitalares estão
sendo substituídos por materiais descartáveis, que apresentam as vantagens de estarem prontos para
uso, diminuindo a incidência de infecção hospitalar, com baixo custo para a instituição, e proporcionando
segurança e conforto tanto ao cliente como aos profissionais de saúde.

8
https://www.ebah.com.br/content/ABAAAf7hsAL/enfermagem-centro-cirurgico-enfermagem-cc04
9
http://www.ebah.com.br/content/ABAAABhUwAE/manuseio-material-esteril
10
MANGANARO, M. M. et al. Enfermagem na Saúde do Adulto. In: MURTA, G. F.. Saberes e Práticas: guia para ensino e aprendizado de enfermagem. 3. ed rev. E
amp. São Caetano do Sul, SP: Difusão Editora, 2007.
11
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/profae/pae_cad3.pdf
12
https://bitty.ch/31zjp

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Áreas

A Central de Material Esterilizado (CME) compreende as seguintes áreas: Expurgo, Preparo de


materiais, Esterilização, Armazenamento e distribuição.

Expurgo
Área onde é feita a recepção, limpeza e desinfecção de todo o material contaminado e sujo da Unidade
de Saúde, logo após o seu recebimento e nos horários preconizados na rotina do serviço de saúde.
A padronização de horários no recebimento do material é importante para organizar a dinâmica do
trabalho e favorecer o funcionário no desenvolvimento das rotinas técnicas. É fundamental o uso de
Equipamento de Proteção Individual (EPI) durante todas as etapas do preparo dos artigos para o processo
de esterilização.

Preparo de Materiais
Área onde é feita a revisão, seleção, preparo e acondicionamento do material utilizado em toda
Unidade de Saúde. As rotinas devem ser realizadas utilizando EPI.
Deve possuir amplitude suficiente para abrigar a quantidade e a diversidade dos materiais da Unidade
de Saúde. A iluminação deve ser adequada para permitir a perfeita triagem, revisão e seleção do material,
combinando luz natural com luz artificial, evitando sombras e reflexos.
A escolha da embalagem deve ser realizada de acordo com o tamanho, forma e utilização do material,
sempre levando em conta o padronizado pela Comissão de Controle de Infecção-CCI-SMS. O conteúdo
das embalagens é padronizado por tipo de procedimento.
É imprescindível fazer o levantamento do uso diário de material pelas unidades de serviço, e elaborar
o controle interno de material a ser esterilizado. Serão encaminhados à área de esterilização os pacotes
necessários à reposição do estoque da área de distribuição, evitando-se o acúmulo de materiais
esterilizados nesta área.
Cada pacote a ser esterilizado deve ser identificado durante o preparo com nome do funcionário, tipo
de artigo e data do preparo.

Esterilização
Área onde estão localizados os equipamentos de esterilização, principalmente autoclaves e estufas,
as quais deverão ser em número suficiente para atender a demanda dos materiais necessários à Unidade
de Saúde e em condições adequadas de limpeza interna e externa.
Deve ter espaço suficiente para instalação dos equipamentos e para a colocação e retirada de carga
de material. Devido ao risco de queimaduras pelo contato com o equipamento e materiais quentes,
recomenda-se o uso de luvas antitérmicas de cano longo para proteção de mãos e braços.

Armazenamento e Distribuição
Área que centraliza todo o material processado e esterilizado, para posterior distribuição às unidades
consumidoras. Para o material conservar sua condição estéril, o ambiente deve oferecer condições
adequadas de armazenamento que evitem riscos de recontaminação. Área restrita aos funcionários que
aí trabalham, diminuindo a circulação de pessoas e consequentemente a contaminação do ambiente.
Sendo importante estabelecer uma rotina de entrega ou distribuição dos artigos processados.

Fluxo do Processamento de Material Esterilizado

Os materiais das diferentes unidades chegam ao CME através da área de recepção. De acordo com
a rotina da instituição, os materiais recebidos são anotados em um caderno ou ficha de controle pertinente
a cada unidade. Os que estiverem limpos são encaminhados para a área de acondicionamento, onde
serão preparados; os sujos, ficam no expurgo, para lavagem.
No expurgo ocorre o processo de lavagem do material sujo encaminhado ao CME. A atuação do
expurgo é muito importante, pois se o material não for lavado de forma correta, a esterilização não se
processa adequadamente; consequentemente, permanecerá contaminado, oferecendo riscos ao cliente.
Os materiais sujos de matéria orgânica (sangue, pus e outras secreções corpóreas) devem ficar
imersos em detergentes enzimáticos por cerca de 3 a 5 minutos (ver recomendação do fabricante), tempo
necessário para desagregar a matéria orgânica. Devem ser colocados abertos ou desconectados em
recipiente não-metálico, tendo-se o cuidado de evitar que materiais diferentes (borracha, instrumentais,
vidros) sejam postos no mesmo recipiente.

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Após esta etapa, a limpeza do material pode ser feita com água, sabão e escova de cerdas, ou através
de máquinas de limpeza, já que os abrasivos como esponja de aço ou saponáceo danificam o material.
Para cada tipo de material existe uma técnica de lavagem que assegurará que o mesmo chegue à área
de preparo em perfeitas condições de limpeza.
Durante a lavagem, devem-se escovar as ranhuras, articulações e dentes de cada pinça, bem como
injetar as soluções no interior das cânulas e sondas.
Após o enxague, em que todo o sabão deve ser retirado, os materiais devem ser secos com pano,
máquina secadora ou ar-comprimido e, posteriormente, encaminhados para a área de preparo.
Nesta área, é indispensável o uso de equipamento de proteção individual (EPI) constituído por luvas
grossas de cano longo, óculos de proteção, máscara e avental impermeável longo; além disso, deve-se
proteger o calçado com algum tipo de capa, ou utilizar botas de borracha, o que favorece a proteção dos
pés.
Esses cuidados são absolutamente necessários pelo fato de que o material a ser lavado é considerado
contaminado; assim, devem-se tomar todas as precauções para evitar a contaminação do funcionário.
Os funcionários da área de preparo de material são responsáveis pela inspeção da limpeza, condições
de conservação dos materiais e funcionalidade dos instrumentais, bem como o acondicionamento e
identificação dos pacotes, caixas e bandejas. Entre suas atividades, cabe separar os materiais
danificados, para posterior substituição.
Durante o desempenho de suas funções, é recomendável que os mesmos utilizem gorro ou touca
descartável, para evitar a queda de fios de cabelo nos materiais; além disso, devem sempre manipular o
material com as mãos limpas.
Na área de preparo os materiais são, preferencialmente, agrupados por tipo de material: vidros, tecido
(roupas e campos), instrumental e borrachas.
Os aventais ou capotes, bem como os campos cirúrgicos e fenestrados, são recebidos da lavanderia
e encaminhados diretamente ao setor de preparo para serem inspecionados, dobrados e acondicionados.
Na inspeção, devem ser observadas sujidades, rasgos e ausência de cadarços ou amarrilhos.
Os campos cirúrgicos e fenestrados são dobrados ao meio, no comprimento; depois, transversalmente
(de cima para baixo). O processo deve ser finalizado dobrando-se a ponta superior externa duas vezes
na diagonal - as aberturas devem estar voltadas para o lado oposto ao do executante, e as dobras para
cima.
Os aventais são dobrados de forma que as mangas fiquem ao longo do corpo do avental; a abertura
das costas, para o lado externo e a ponta da gola, com os amarrilhos, para cima.
Os campos de algodão devem ser duplos e, quando novos, lavados para a retirada do amido (goma).
Os invólucros de papel não devem ser reaproveitados devido ao perigo de se rasgarem.
O pacote deve ser feito de forma a envolver todo o material - evitando-se deixá-lo frouxo - para que
este, quando esterilizado, não se contamine ao entrar em contato com o meio ambiente. O peso do pacote
deve se situar em torno de 5 quilos e seu tamanho não deve exceder as medidas de 50x30x30cm.
Os instrumentais cirúrgicos, após verificação de sua limpeza, conservação e funcionamento, serão
acondicionados em caixa metálica perfurada ou bandeja de aço inoxidável, empacotada em campo de
algodão.
Para evitar perfurações durante o manuseio destes materiais, bem como conservar a sua integridade,
as tesouras e pinças mais delicadas devem ser protegidas com gaze ou compressa pequena e postas na
parte superior da caixa ou bandeja. Por sua vez, as agulhas, porta-agulhas, pinças de campo e pinças
para antissepsia devem ser organizadas de acordo com o tipo de cirurgia.
As agulhas metálicas, utilizadas em alguns procedimentos especializados, são acondicionadas em
tubo de ensaio com uma bola de algodão no fundo - para proteger suas pontas - e outra na boca do tubo
- para fechá-lo.
Os materiais de borracha e cânulas siliconizadas de baixa pressão são acondicionados,
individualmente, em envelope de poliamida ou papel grau cirúrgico. As extensões de borracha devem
estar enroladas e presas com uma tira de gaze e acondicionadas em campo de algodão ou em envelope
de poliamida ou papel grau cirúrgico.
Em algumas instituições, os materiais de corte e as agulhas são acondicionados, separadamente, em
bandeja ou caixa.

Ao empacotar os materiais, o invólucro utilizado deve possibilitar tanto a penetração do agente


esterilizante como mantê-los protegidos até o momento do uso; portanto, faz-se necessário verificar a
adequação do tipo de invólucro com o processo de esterilização:

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- Na autoclave - são utilizados campos de tecido de algodão, papéis (grau cirúrgico e kraft), filme
poliamida transparente e caixa metálica perfurada embalada em campo, para permitir a livre circulação
do vapor;
- Na estufa - são utilizadas lâminas de alumínio, recipiente de vidro refratário e caixa metálica fechada;
- No esterilizador de óxido de etileno - são utilizados filme poliamida transparente e papel grau
cirúrgico.

O fechamento do pacote, bandeja ou caixa depende do invólucro e do processo de esterilização a que


será submetido. Nos pacotes embalados com filme poliamida e papel grau cirúrgico o fechamento é feito
por seladora; nos demais, com fita crepe simples, evitando-se deixar aberturas - esta mesma fita é
utilizada para identificar o pacote e colocar a assinatura do responsável pelo fechamento.
Existe uma outra fita crepe especial que deve ser colocada no pacote - a qual apresenta listras que,
quando submetidas à ação do calor, ficam escuras, identificando que o material foi submetido a processo
de esterilização.
A área de esterilização, como o próprio nome diz, é o local destinado à esterilização dos materiais,
pois nela se encontram instalados os equipamentos necessários a este processo. Aos funcionários que
trabalham nesta área é recomendado o uso de roupa privativa ao setor, bem como luva de amianto para
manuseio do equipamento e material - quando os mesmos estiverem quentes, para evitar queimaduras.

Meios de Esterilização

Físico: calor seco (Estufa, Flambagem e Fulguração); Calor úmido (Fervura e Autoclave); Radiações
(Raios alfa, Raios gama e Raios x).
Químico: desinfetantes - Para conseguir-se a esterilização, há vários fatores importantes: Das
características dos microrganismos, o grau de resistência das formas vegetativas; a resistência das
bactérias produtoras de esporos e o número de microrganismos e da característica do agente empregado
para a esterilização.
Esterilização pelo calor: a susceptibilidade dos organismos ao calor é muito variável e dependem de
alguns fatores, e dentre eles citamos:
- Variação individual de resistência;
- Capacidade de formação de esporos;
- Quantidade de água do meio;
- ph do meio;
- Composição do meio.

As principais formas de esterilização são:


- Por vapor saturado sob pressão: o aparelho utilizado para este processo é a autoclave, composta
por uma câmara - na qual se acondiciona o material, por uma válvula na porta - que mantém a pressão
interna mediante instrumentos que medem a pressão e a temperatura. Seu funcionamento combina a
ação do calor, pressão e umidade na destruição de microrganismos, por agirem na estrutura genética da
célula.
A autoclave funciona sob pressão de 1 a 18 atmosferas, dependendo do equipamento. O tempo de
exposição do material ao vapor varia de acordo com o seu tipo, temperatura e pressão atmosférica.
De forma geral, para o material de superfície, o tempo necessário é de 30 minutos em temperatura de
121ºC ou 15 minutos em temperatura de 134ºC; para o material de densidade, 30 minutos em temperatura
de 121ºC ou 25 minutos em temperatura de 134ºC.
Este tipo de esterilização está indicado para todo material resistente ao calor úmido, como tecidos
(aventais, campos cirúrgicos, campos fenestrados), materiais de borracha e de metal. É contraindicada
para materiais termossensíveis, como cateteres e materiais de terapia respiratória.
Após o material ser colocado na autoclave, inicia-se a drenagem do ar dentro da câmara e do ar
residual dentro dos pacotes, para que o vapor possa entrar em contato com os materiais neles contidos.

Para assegurar a correta esterilização dos materiais, faz-se necessária a adoção de alguns cuidados
que facilitam a circulação e penetração do vapor no material, tais como:
- Utilizar somente 80% da capacidade de armazenamento da câmara, com materiais que requeiram o
mesmo tempo de esterilização;
- Evitar que os pacotes encostem nas paredes do aparelho e entre eles;
- Colocar os pacotes maiores na parte inferior e os menores na parte superior do aparelho, dispondo
os jarros, bacias e frascos com a boca para baixo, para facilitar a remoção do ar e do vapor.

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Para se verificar se a esterilização dos materiais está realmente ocorrendo, deve-se observar se a
pressão e a temperatura estão nos níveis programados, durante todo o ciclo. Caso isto não ocorra, o
processo deve ser interrompido e a manutenção do aparelho deve ser solicitada.
Ao término do ciclo deve-se entreabrir a porta do aparelho por um período de 5 a 10 minutos, para a
completa secagem dos pacotes e materiais pelo calor das paredes da câmara.
Finalmente, os pacotes devem ser retirados e só colocados em superfícies frias após perderem
completamente o calor, para evitar a formação de umidade ao contato. Complementando o processo, os
pacotes devem ser datados e encaminhados para a sala de armazenamento.

Importante:
- Observar a disposição dos pacotes dentro da câmara, de modo que o vapor possa circular entre
todos eles;
- Respeitar espaçamento de 2 cm entre os pacotes e destes para as paredes da câmara;
- A carga não deve ultrapassar 80% da capacidade total da câmara da autoclave;
- Não retirar da câmara os pacotes molhados;
- Os pacotes quentes não devem ser tocados ou colocados em superfícies frias;
- Método mais recomendado.

- Por calor seco: este processo é realizado através de um aparelho denominado estufa, no qual o
calor seco é irradiado das paredes laterais e de sua base para destruir os microrganismos.
A estufa possui uma câmara, para acondicionamento do material, e equipamentos para medirem a
temperatura e controlarem o tempo. Seu uso é limitado, porque o calor seco não é tão penetrante como
o calor úmido e a sua distribuição dentro da câmara não se realiza de modo uniforme.
Como existem várias controvérsias em relação ao tempo necessário e a eficácia deste método, o seu
uso é recomendado apenas para pós, óleos e graxas (vaselina líquida ou gaze vaselinada).
Na impossibilidade de proceder à esterilização pelo método de vapor saturado sob pressão, o uso do
calor seco (estufa) pode ser uma possibilidade - atentando para os cuidados específicos. A temperatura
pode variar de 120oC a 200°C, dependendo do material a ser esterilizado e tempo de exposição.

Para garantir a eficácia da esterilização e integridade dos materiais, recomenda-se:


- Colocar pequena quantidade de instrumental nas caixas e utilizar apenas 80% da capacidade da
estufa, com materiais que requeiram o mesmo tempo de exposição;
- As caixas maiores devem ser colocadas sobre as menores, o que melhora a condução do calor.
Jamais se deve encostar as caixas nas paredes da estufa ou dispor os materiais no centro da mesma -
por ser um local de concentração de pontos frios -, bem como abrir a estufa durante o processo de
esterilização.

Decorrido o tempo programado para a esterilização, o aparelho deve ser desligado e o material esfriado
com a estufa fechada. Após, deve ser retirado e as bordas das caixas e vidros vedadas com fita adesiva.
Finda a última esterilização do dia, limpar com pano úmido a câmara interna da autoclave e estufa e
enxugar, repetindo o mesmo procedimento na superfície externa.

Importante:
- Requer longos períodos de exposição e temperatura mais elevada;
- As caixas metálicas devem conter poucos artigos e devem estar dispostas lado a lado sem encostar
umas nas outras;
- Não se recomenda utilizar o centro da estufa porque a distribuição do calor é lento, não é uniforme e
não alcança os pontos frios;
- A capacidade total não deve ultrapassar a 2/3 da câmara;
- Utilizar termômetro de bulbo com ponta localizada centralmente na câmara (ponto frio), para
monitorar o alcance da temperatura indicada no termostato;
- Método de esterilização não recomendado.

- Esterilização por óxido de etileno: os materiais indicados para este tipo de esterilização são os
termossensíveis, como os marca-passos, próteses, instrumentais de hemodinâmica, acessórios de
respiradores, materiais com fibras óticas, cânulas siliconizadas de baixa pressão e materiais de borracha.
O ciclo de esterilização compreende o vácuo inicial, a pré-umidificação, a entrada do gás na câmara,
o tempo de exposição, a exaustão do gás e a aeração mecânica, que tem por objetivo remover os resíduos
de gás através da circulação de ar filtrado por todo o material esterilizado.

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Os materiais a serem esterilizados devem estar totalmente secos e dispostos de forma que mantenham
um espaço entre si. Após fechar o aparelho, aguarda-se até que o mesmo atinja os valores adequados
de concentração do gás, temperatura e umidade; somente então se inicia a contagem do tempo de
exposição. Complementando o processo, ajusta-se o tempo de aeração de acordo com as orientações
do fabricante.
Como o óxido de etileno é um gás tóxico e carcinogênico, o operador responsável pela remoção do
material da câmara deve, obrigatoriamente, fazer uso de avental, gorro, máscara e luvas de proteção - o
que o protegerá do contato com o gás.

- Esterilização por plasma de peróxido de hidrogênio: geralmente, o plasma de peróxido de


hidrogênio é utilizado em clínicas de pequeno porte, em vista de sua fácil instalação, ter um tempo de
esterilização de 1 hora e ocupar menor área física.
O aparelho realiza a esterilização em 5 fases consecutivas: vácuo, injeção, difusão, plasma e exaustão.
O cassete de peróxido de hidrogênio é introduzido no aparelho e, após o término do processo, é
automaticamente descartado em recipiente próprio.
Os materiais esterilizados por este processo são os metais, vidros, acrílicos, borrachas e plásticos,
que devem estar acondicionados em embalagem isenta de compostos de celulose.

- Esterilização por agentes químicos líquidos: esta esterilização é recomendada apenas na


impossibilidade de uso dos demais métodos, pois estes produtos exigem um tempo de exposição muito
longo, enxague em solução estéril (água destila estéril), secagem em campos estéreis e uso imediato.
Durante o processo, a manipulação exige técnica asséptica.
O material precisa estar limpo e seco para evitar alteração na concentração da solução, a qual deve
ser renovada sempre que houver alteração da coloração, presença de depósito ou vencimento da
validade da diluição do produto, conforme as especificações do fabricante.
Recomenda-se, também, evitar colocar no mesmo recipiente materiais de composição diferente, em
vista da possibilidade de corrosão.
Este método de esterilização requer alguns cuidados simples, que mesmo assim, muitas vezes, não
são seguidos. É importante que seja selecionado um recipiente de vidro ou plástico com tampa e de
tamanho adequado à quantidade de material; em seguida, após a colocação do material para
esterilização, o recipiente deve ser tampado e iniciada a contagem do tempo de exposição, conforme as
especificações do fabricante.
Ao término do processo, retirar os materiais da solução com técnica asséptica e enxaguá-los
abundantemente, inclusive o interior dos tubos e cateteres; complementando o processo, enxugar com
compressas esterilizadas, acondicionar os materiais em invólucros estéreis e encaminhá-los para uso
imediato.
Ao término de todos os processos de esterilização, com exceção do efetuado por agentes químicos
líquidos, os materiais vão para a sala de armazenagem e distribuição. Dependendo da estrutura da
instituição, ficam estocados na CME, sendo distribuídos de acordo com a solicitação, ou nas próprias
unidades de internação.
A sala de armazenagem e distribuição se destina, obviamente, apenas para o armazenamento e
distribuição de material esterilizado; portanto, deve-se ter o cuidado de, em nenhum momento, receber
material contaminado nesta área.
É importante que a mesma esteja equipada com armários fechados para guardarem os materiais de
maior permanência, e suportes com cestos ou prateleiras para os de distribuição diária. Os que possuem
prazo de validade mais próximo do vencimento devem ficar colocados na parte de cima ou na frente, a
fim de que se promova a rotatividade dos pacotes, evitando-se a armazenagem de material com prazo
de validade vencido.
Quando a esterilização é realizada por autoclave e estufa, o prazo de validade dos materiais
esterilizados é de 7 dias; por óxido de etileno, de 1 ano. Estes prazos variam conforme as condições de
guarda do material, observando-se alterações da integridade do invólucro (rasgo, não presença da fita de
identificação de esterilização, presença de umidade, violação do lacre). Nestas condições e/ou vencido o
prazo de validade, os materiais são retirados da embalagem e novamente acondicionados e esterilizados.

Qualificação do Processo de Esterilização

O processo de esterilização, qualquer que seja o método empregado, é de importância fundamental


para a qualidade da assistência oferecida. Embora as técnicas empregadas sejam de fácil aprendizado e
execução, a responsabilidade da equipe técnica de saúde sobre o processo em todas as suas fases é

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inequívoca. A liberação de um artigo para o uso deve estar aliada à certeza da segurança para o usuário
(pacientes e profissionais da área de saúde).

A qualificação utiliza:
- Indicadores mecânicos: tratam-se dos manômetros, manovacuômetros e termômetros instalados
no painel do equipamento;
- Indicadores químicos: indicadores da exposição do artigo ao processo de esterilização.
O Teste Bowie & Dick (folha impregnada com tinta termoquímica) é utilizada para autoclave pré-vácuo;
a fita termossensível (fita zebrada) muda de cor quando exposta à temperatura elevada, sendo utilizada
em todos os pacotes com tamanho mínimo de 5cm.
- Indicadores biológicos: únicos que asseguram a qualidade efetiva da esterilização (Ex.: Attest);
realizado semanalmente.
Os equipamentos devem ser qualificados para cada novo ciclo e novo tipo de carga a ser esterilizado.

Limpeza, Descontaminação, Desinfecção e Esterilização de Artigos Hospitalares

Limpeza13
É o processo mecânico de remoção de sujidade, mediante o uso de água, sabão e detergente neutro
ou detergente enzimático para manter em estado de asseio os artigos e superfícies.
A limpeza constitui, ainda, o primeiro passo nos procedimentos técnicos de desinfecção e esterilização,
considerando que a presença de matéria orgânica protege os microrganismos do contato com agentes
desinfetantes e esterilizantes.

Descontaminação
É o processo de eliminação total ou parcial da carga microbiana de artigos e superfícies, tornando-os
aptos para o manuseio seguro.

Desinfecção
É o processo físico ou químico de destruição de microrganismos, exceto os esporulados. É realizada
por meio físico - através da água quente (60 a 90ºC) ou em ebulição - e pelo meio químico, com produtos
denominados desinfetantes.

Esterilização
É o processo de destruição de todos os microrganismos, inclusive esporulados, a tal ponto que não
seja mais possível detectá-los através de testes microbiológicos padrão.
A probabilidade de sobrevida do microrganismo no item submetido ao processo de esterilização é
menor que uma em um milhão (10/6).
A esterilização é realizada pelo calor, germicidas químicos, óxido de etileno, radiação e outros.

Artigos
São os instrumentos, objetos de natureza diversa, utensílios (talheres, louças, comadres, papagaios e
outros), acessórios de equipamentos e outros.

Superfícies
Os mobiliários, pisos, paredes, portas, tetos, janelas, equipamentos e demais instalações.

Limpeza de Superfícies14

Para que haja um controle e diminuição da infecção hospitalar, higiene é a primeira maneira de tratar
os micro-organismos, impedindo, dessa forma, a sua proliferação.

Objetivos:
- Promover a remoção de sujidade;
- Reduzir a população microbiana;
- Diminuir o risco de contaminação no ambiente hospitalar.

13
Conteúdo extraído de BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Assistência à Saúde. Coordenação Geral das Unidades Hospitalares Próprias do Rio de
Janeiro. Orientações gerais para Central de Esterilização. Brasília: Ministério da Saúde, 2001.
14
Conteúdo extraído de ZORZE, Cleide Maria Ferreira da Silva; Karagulian, Patrícia Partamian. Biossegurança em Enfermagem. In: MURTA, Genilda Ferreira.
Saberes e Práticas: Guia para ensino e aprendizado de enfermagem. 3. ed. rev. e amp. São Caetano do Sul, SP: Difusão, 2007. v. 1.

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Classificação
- Limpeza Concorrente: realizada diariamente com água e sabão para remover poeira e sujidades
acumuladas ao longo do dia em superfícies horizontais do mobiliário e em materiais;
- Limpeza Terminal: realizada com desinfetante quando o leito é desocupado em razão de alta, óbito
ou transferência do paciente, ou no caso de internação prolongada.

Classificação e Processamento de Artigos

Os artigos hospitalares são definidos de acordo com o grau de risco de aquisição de infecções nas
seguintes categorias: críticos, semicríticos e não críticos. Esta classificação norteará a escolha do
processo de desinfecção ou esterilização a ser utilizado.

Artigos Críticos: possuem alto risco de infecção se estiverem contaminados com quaisquer
microrganismos ou esporos (forma de resistência). São artigos que entram em contato direto com tecidos
ou tratos estéreis (penetram nos tecidos subepiteliais, no sistema vascular e em outros órgãos isentos de
flora microbiana própria, bem como aqueles diretamente conectados com eles): agulhas; roupas;
instrumentos cirúrgicos; soluções injetáveis. Devem ser submetidos ao processo de esterilização.

Artigos Semicríticos: entram em contato com a pele não íntegra e membranas mucosas:
equipamentos de anestesia gasosa; endoscópios. Devem ser submetidos, no mínimo, à desinfecção. Em
algumas circunstâncias, a esterilização é desejável devido ao risco do artigo tornar-se crítico, como em
lesões acidentais de mucosas. Dificuldades técnicas e riscos inerentes ao processo de desinfecção
química também concorrem para a indicação da esterilização.

Artigos não críticos: Aqueles que entram em contato com pele íntegra: termômetro clínico;
incubadoras; artigos de higiene. Requerem apenas limpeza com água e sabão (por limpeza entende-se
a completa remoção da sujidade presente nos artigos, utilizando água, detergente e ação mecânica -
utilizando água morna e detergente enzimático potencializa-se a efetividade da limpeza) complementada
opcionalmente com desinfecção de baixo nível (elimina a maioria das bactérias, alguns vírus e fungos,
mas não elimina microbactérias). Ex.: desinfetante de nível intermediário: álcool a 70%
Esta medida tem por objetivo bloquear a transmissão de microrganismos.

Observações: considerar todo artigo como contaminado e manusear com equipamentos de proteção
individual (EPI).

Tabela 1. Exemplos de Artigos com a Respectiva Classificação:

CRÍTICOS SEMICRÍTICOS NÃO CRÍTICOS


Inaladores, máscaras de
Metais sem/fio de corte;
nebulização, extensores
Metais sem/motor; Termômetro.
plásticos, ambu, cânula de
Instrumental cirúrgico.
Guedel, acronebulização.
Válvulas de ambu com
Tecido para procedimento Esfigmomanômetro coberto por
componentes metálicos,
cirúrgico (ex.: enxerto vascular) plástico.
máscara de ambu.
Circuitos de respiradores, Esfigmomanômetro coberto por
PVC, nylon, plástico
máscaras de ambu. brim.
Lâmina de Laringoscópio (sem
Tubos de látex, Acrílico,
lâmpada), Lâmpada do Cabo de Laringoscópio.
Silicone, teflon.
Laringoscópio.
Vidraria e borracha para Espéculos vaginais, nasais,
Comadres e patinhos.
aspiração. otológicos (metálicos).
Endoscópios do trato digestivo e
Peças de mão dos motores. Bacias, cubas, jarros e baldes.
respiratório.
Mamadeira, bicos de
Fibra óptica: endoscópios, Recipientes para guardar
mamadeira, utensílios plásticos
artroscópios, laparoscópios, mamadeiras e bicos já
para preparo das mamadeiras,
aparelho de citoscopia. processados e embalados.
copos e talheres.

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Processamento de Artigos Hospitalares

Todo processo de desinfecção ou esterilização deve ser precedido pela limpeza e secagem rigorosas
dos artigos, devendo todo artigo sujo com sangue ou secreções ser considerado contaminado.
A imersão de artigos sujos em soluções germicidas possui limitações; o nível de proteção oferecido
por este processo é desconhecido, uma vez que todas estas soluções sofrem redução de atividade, em
maior ou menor grau, em presença de matéria orgânica.
Além desta, outras desvantagens podem ser citadas, como: o alto custo envolvido, a impregnação da
matéria orgânica nos artigos, a toxicidade dos produtos e o aporte de grandes volumes de desinfetantes
na rede de esgoto, acarretando possíveis danos ambientais.
Falhas na limpeza dos artigos impedem a esterilização, pois sujeira e gordura atuam como fatores de
proteção para os microrganismos, agindo como barreira para contato com agentes esterilizantes
químicos, físicos ou físico-químicos.
A limpeza de artigos deve ser feita, preferencialmente, por equipamentos que utilizem processos
físicos, como lavadoras termodesinfectadoras, pois promovem limpeza e descontaminação simultâneas,
reduzindo a manipulação do material contaminado.
Detergentes enzimáticos facilitam a ação mecânica, reduzindo, potencialmente, os riscos
ocupacionais. Agem removendo a matéria orgânica, são atóxicos e biodegradáveis.
Na ausência do detergente enzimático, os instrumentais deverão sofrer exposição à água morna e
corrente. Estes artigos deverão estar, preferencialmente, em cestos aramados para minimizar a
manipulação do material contaminado e reduzir a produção excessiva de aerossóis.
Além das lavadoras que utilizam jatos de água quente, existem lavadoras ultrassônicas, nas quais a
ação desincrustante do detergente enzimático é potencializado pelo ultrassom.
Na impossibilidade de tais processos, efetuar lavagem manual por fricção, auxiliada por escova ou
esponja. Este método deve ser utilizado após a imersão do artigo em desincrustante, preferencialmente,
enzimáticos.
O enxágue deverá ser feito em água corrente.
A água que abastece as Centrais de Esterilização deve ter qualidade diferenciada. Para este setor,
não basta obedecer aos padrões de potabilidade, pois, muitas vezes, a água em uso é potável, porém
está impregnada de metais pesados e cloro, o que acelera a corrosão dos metais.

Produtos Utilizados para Limpeza

Detergente enzimático: são detergentes compostos por enzimas, geralmente proteases, lipases e
amilases, que promovem, simultaneamente, a dispersão, solubilização e emulsificação, removendo
substâncias orgânicas das superfícies dos artigos. São biodegradáveis, neutros concentrados, não
oxidantes, com ação bacteriostática e, portanto, não promovem desinfecção.

Detergente não enzimático (Desincrustante): detergente de baixa alcalinidade à base de


tensoativos aniônico ou em associação de tensoativos aniônicos e não iônicos (nonilfenóis), cuja
formulação coadjuvante é à base de polifosfato, agente alcalinizante e agentes antioxidantes.

Descontaminação
- Baseada na natureza do artigo e na disponibilidade de recursos;
- Fricção com esponja, pano ou escova embebida em solução desinfetante;
- Imersão em solução desinfetante;
- Pressão de jatos d’água quente (temperatura entre 60 a 90ºC por 15 minutos).

Enxágue
- Água potável e corrente.

Secagem
- Pano limpo e seco;
- Estufa (regulada para este fim);
- Ar-comprimido;
- Secadora de ar quente/frio.

Armazenagem
- Armário limpo, seco e fechado.

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Desinfecção

Meio Físico
Água em ebulição (desinfecção de alto nível)
- Tempo: 30 minutos;
- Artigos termo resistentes;
- Ferver a água durante 10 minutos sem a presença do artigo;
- Imergir o artigo quando a água estiver em ebulição;
- Usar pinças desinfetadas para retirar os artigos;
- Usar luvas de amianto de cano longo.

Meio Químico
- Imergir o artigo em solução desinfetante (fricção, se não puder emergir);
- Usar EPI;
- Preencher o interior dos tubos e reentrâncias;
- Observar tempo de exposição, de acordo com o fabricante;
- Manter os recipientes tampados;
- Observar a validade do produto;
- Enxaguar com água potável (múltiplos enxágues);
- Secar e acondicionar.

Níveis e Tipos de Desinfecção

Conforme Spaulding, os desinfetantes são classificados em 3 (três) níveis de ação: alto, médio e baixo,
baseado na susceptibilidade dos microrganismos.

Desinfecção de Alto Nível


Procedimento eficaz contra todas as formas vegetativas, destruindo também uma parte dos esporos,
quando utilizamos entre 10 e 30 minutos.
Os desinfetantes de alto nível, em um tempo relativamente longo - 6 a 10 horas - são capazes de
realizar esterilização.
Destrói todas as bactérias vegetativas - mas não, necessariamente, todos os esporos bacterianos, as
microbactérias, os fungos e os vírus.

Produtos utilizados:
- Glutaraldeído;
- Solução de Peróxido de Hidrogênio;
- Hipoclorito de sódio (1000ppm);
- Cloro e compostos clorados;
- Ácido peracético;
- Orthophtalaldeído;
- Água superoxidada;
- Pasteurização 75o C a 30 minutos.

Obs.: tempo de exposição > ou = 20 minutos

Desinfecção de Nível Intermediário (Médio)


Procedimento que destrói os microrganismos na forma vegetativa, incluindo o Mycobacterium
tuberculosis, todos os fungos e a maioria dos vírus.
Além dos microrganismos destruídos na desinfecção de baixo nível, são atingidos o Mycobacterium
tuberculosis, a maioria dos vírus (inclusive o HBV) e a maioria dos fungos. Ainda sobrevivem os
Mycobacterium intracelular, os esporos bacterianos e os vírus lentos.

Produtos utilizados:
- Álcool etílico e isopropílico (70 a 90%);
- Fenólicos;
- Iodóforos;
- Hipoclorito de Sódio (100ppm);
- Pasteurização 75o C a 30 minutos;

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Obs.: depende da concentração e/ou período de exposição.

Desinfecção de Baixo Nível


Procedimento que destrói a maioria das bactérias na forma vegetativa, exceto Mycobacterium
tuberculosis, alguns fungos e alguns vírus.
São destruídas as bactérias em forma vegetativa, alguns vírus e alguns fungos. O Mycobacterium
tuberculosis, os esporos bacterianos, o vírus da Hepatite B (HBV) e os vírus lentos sobrevivem.

Produtos utilizados:
- Álcool etílico e isopropílico;
- Hipoclorito de Sódio (100ppm);
- Fenólicos;
- Iodóforos;
- Quaternário de amônia.

Obs.: tempo de exposição ≤ a 10 minutos

Não definido: o nível de desinfecção dependerá das variáveis como temperatura e/ou concentração
de germicidas adicionados no processo.
- Calor seco (passar a ferro);
- Fervura em água por 30min;
- Pastilhas de formaldeído;
- Termodesinfectadoras;
- Sanitizadoras.

Classificação de Superfícies Segundo o Risco Potencial de Transmissão de Infecções

Áreas Críticas
São aquelas com risco aumentado de transmissão de infecção e presença de pacientes com
depressão da resistência anti-infecciosa, além da presença de matéria orgânica (sangue, pus e outras):
salas de cirurgia, de curativo, de expurgo, laboratório e outros.

Áreas Semicríticas
São todas as áreas ocupadas por pacientes de:
- Doenças não infecciosas;
- Doenças infecciosas de baixa transmissibilidade.
Exemplos: consultórios médicos e de enfermagem.

Áreas não Críticas


São todas as áreas das Unidades de Saúde não ocupadas por pacientes, ou cujo acesso lhes seja
vedado: copa, secretaria, etc.

Observações: as áreas críticas e semicríticas requerem limpeza e desinfecção diárias, e as áreas não
críticas apenas limpeza.

Transmissão de Infecções
- Fatores inerentes ao próprio paciente;
- Agressões diagnóstico-terapêuticas;
- Ambiente e superfícies fixas (pisos, paredes, tetos, portas, janelas) não apresentam riscos
significativos.

Passos do Processamento de Superfície

Desinfecção em local com respingos ou deposição de matéria orgânica (sangue, secreções,


excretas e exsudato)
Passos:
- Utilizar luvas de autoproteção (látex);
- Retirar o excesso da matéria orgânica em papel absorvente;
- Desprezar o papel em saco de lixo;

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- Aplicar o desinfetante e deixar o tempo necessário - 10min;
- Remover o desinfetante com pano molhado;
- Proceder à limpeza com água e sabão.

Descontaminação
Passos:
- Utilizar luvas de autoproteção (látex);
- Aplicar o produto sobre a matéria orgânica;
- Aguardar o tempo de ação - 10min;
- Remover o conteúdo descontaminado com papel absorvente;
- Desprezar o lixo;
- Proceder à limpeza usual com água e sabão.

No final de cada processo: lavar luvas, avental plástico, pano de chão, escovas e baldes.

Produtos Químicos

- Desinfetante de alto-nível
Glutaraldeído a 2% por 30min.

- Desinfetante de nível intermediário


Álcool etílico a 70% - 03 aplicações consecutivas com fricção rigorosa e secagem natural. Indicado
para desinfecção em metais, vidros e mármores;
Hipoclorito de Sódio a 1% - imersão por 30 min em vasilhame opaco, com tampa e posterior enxágue
em água potável ou corrente (troca da solução a cada 12 horas). Indicado para desinfecção em plásticos,
borrachas e acrílicos.

- Solução descontaminante
Detergente enzimático - Ação sobre matéria orgânica, especialmente sobre as grandes estruturas,
decompondo-as; ação instantânea: 2 a 3 minutos para desprender a matéria orgânica; alta penetração;
atóxico, não corrosivo, pH neutro, não iônico; remoção com enxágue rigoroso.

Soluções Cloradas

Dentre os produtos clorados, os hipocloritos são os mais utilizados para desinfecção e podem ser
líquidos (hipoclorito de sódio) ou sólidos (hipoclorito de cálcio). Classificado como de nível intermediário,
porém há controvérsias, pois preenche todos os requisitos para ser considerado como de alto nível.
Possui ação bactericida, virucida, fungicida, microbactericida e esporicida para algumas espécies.

Mecanismo de Ação
Ocorre pela combinação de diversos fatores: oxidação de enzimas e aminoácidos, perda de
componentes celulares, inibição da síntese proteica, quebra do DNA e diminuição na absorção de
nutrientes e de oxigênio.

Indicação
- Desinfecção de artigos de Lactário e cozinha: 200ppm por 60 minutos;
- Artigos de Inaloterapia e Oxigenoterapia: 1.000ppm (0,1%) por 30 minutos ou 200ppm por 60 minutos.

Considerações
- Corrosivo para metais, incompatível com detergentes, ação descolorante, odor forte e irritante para
mucosas do trato respiratório;
- Baixo custo, ação rápida, baixa toxidade e ampla atividade microbicida;
- Após diluição, o hipoclorito deve ser utilizado em, no máximo, 24 horas;
Dependendo do uso, pode ser necessário troca mais frequente em decorrência de saturação por
matéria orgânica ou hiperdiluição;
- Não se recomenda uso de água sanitária de uso doméstico para instituições de saúde.

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Lavadoras Ultrassônica

A limpeza automatizada passou a ser uma exigência para o processamento de alguns materiais
médicos, e especifica a lavadora ultrassônica como obrigatória para a limpeza de produtos para a saúde
com conformações complexas.
A limpeza através da lavadora ultrassônica, traz, além do benefício de padronizar os ciclos, e garantir
a ação mecânica em espaços de difícil acesso, dá condição de parametrizar o processo, garantir e
documentar a efetividade da limpeza.
As Lavadoras Ultrassônicas altamente eficazes e automatizadas que atendem a RDC15/2012, para
facilitar o processamento dos materiais, otimizar e registrar todo o processo limpeza.
O processo de limpeza por ultrassom é superior ao processo manual por se tratar de um processo de
limpeza refinado. A ação mecânica ocorre por meio da formação de bolhas geradas por oscilação de
natureza acústica (som).
A implosão dessas bolhas gera minúsculas áreas de vácuo que provocam o deslocamento da sujidade
das superfícies internas e externas dos materiais. Esse fenômeno é conhecido como cavitação, que
associada à ação do calor e do detergente enzimático, facilita a remoção da sujidade, inclusive em de
locais de difícil acesso, garantindo a uniformidade das ações para obtenção da limpeza com efetividade.
O sistema de enxágue por spray diminui o volume de água utilizado para retirar os resíduos dos
materiais e injeta água diretamente nos lumens de forma controlada.

Rotinas de Limpeza da Sala Cirúrgica

Ao receber a lista de cirurgia, o circulante da sala verifica os materiais, aparelhos ou solicitações


especiais à cirurgia. Para prevenir a contaminação e infecção cirúrgica, é importante manter a sala em
boas condições de limpeza, observar se o lavabo está equipado para uso e lavar as mãos. Portanto, antes
de equipar a sala, o circulante limpa os equipamentos com álcool etílico a 70% ou outro desinfetante
recomendado, deixando-os prontos para a recepção do cliente e equipe cirúrgica.

Mesa Cirúrgica
Utilizar a Técnica de Limpeza e/ou Desinfecção:
- Retirar excesso de secreções com papel toalha ou pano velho;
- Acondicionar no lixo conforme Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos de Serviços-PGRSS;
- Realizar a limpeza com água e sabão ou detergente;
- Enxaguar e secar;
- Friccionar parte metálica e o colchão com álcool a 70% ou utilizar outro desinfetante definido pelo
Serviço de Controle de Infecção Hospitalar-SCIH.

Uso de Material Estéril

O grande número de pacientes que contem infecções durante sua permanência hospitalar é
extremamente preocupante para os profissionais da saúde. Segundo o Ministério da Saúde, assepsia é
o processo de eliminação dos microrganismos patogênicos de determinados locais ou objetos. Para
diminuir o risco de uma infecção é fundamental a aplicação das técnicas de assepsia médica e cirúrgica
por todos que atuam no ambiente hospitalar.

Assepsia cirúrgica
Consiste no processo e no manuseio do material de modo de evitar o contato do paciente com qualquer
organismo vivo. Na assepsia cirúrgica o material deverá ser esterilizado. O material cirúrgico é estéril,
isento de microrganismos, devemos tomar os seguintes cuidados em seu manuseio:

Seguintes Cuidados:
1.Lavar as mãos antes de pega-lo;
2.Não falar, tossir ou espirrar próximo a ele;
3.Examinar com cuidado se o pacote apresenta buracos, manchas ou umidade: Se houver qualquer
dúvida quanto a integridade do material, despreze-o;
4.Verificar a data da esterilização e a data da validade;
5.Guardar os pacotes em armários próprios, limpos longe de poeira e insetos;
6.Abrir os pacotes usando a técnica correta;
8.Trabalhar sempre na frente para o campo esterilizado;

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9.Manter o material sempre acima do nível da cintura ou nível da mesa;
10.Não atravessar nada por cima do campo esterilizado, nem fazer movimentos bruscos ao redor dele;
11.Nunca tocar em um material ou campo esterilizado com objetos que não estão.

Assepsia Médica
Consiste na utilização de técnicas que visam à redução de microrganismos patogênicos e à diminuição
do risco de transmissão de pessoa a pessoa. É utilizada em qualquer atividade que envolva o paciente e
o meio ambiente, por meio de procedimentos como: Lavar as mãos frequentemente. Limpar as superfícies
com desinfetantes, para reduzir o número de microrganismos.

Técnica para Abrir um Pacote Estéril


1- Lavar as mãos;
2- Colocar o pacote sobre a superfície limpa e seca;
3- Posicionar o pacote de modo que a dobra de cima do invólucro fique de frente para você. Retire a
fita adesiva para autoclave termo sensível;
4 - Puxar a dobra de cima do pacote, abrindo de modo que a ponta se abra. Mantenha seu braço fora
das bordas externas do pacote aberto;
5- Abrir as dobras laterais uma de cada vez;
6- Abrir a dobra mais próxima de você por último;
7- O interior do invólucro é considerado estéril, podendo ser usado com base de campo esterilizado.

Técnica para Abertura de Material


1-Lavar as mãos;
2-Segurar o pacote afastado do campo, solte as pontas fixadas com adesivo;
3-Afastar as pontas do invólucro, próximo ao conteúdo do pacote;
4-Abrir as duas faces das pontas com as duas mãos, tendo o cuidado de não contaminar a face interna
do invólucro.

Precauções Universal ou Precauções Padrão


Pela natureza de suas funções, o profissional de saúde corre mais riscos de contrair doenças
infecciosas, chamado risco profissional. As doenças mais graves são as transmitidas pelo sangue e por
fluidos orgânicos. São elas: hepatite B, hepatite C e infecção por HIV.
Para reduzir os riscos profissionais, é necessário o uso de precauções ou medidas que proporcionam
maior segurança no manuseio de sangue e de outros fluidos orgânicos.
As precauções universais determinadas pelo Ministério da saúde são:
- Lavagem das mãos, antes e após qualquer contato com secreções do doente e após a remoção das
luvas;
- Uso de luvas para contatos com líquido corporais, mucosas, pele não integra e para venopunção;
- Uso de aventais, mascaras e óculos de proteção para procedimentos em que sangue ou líquido
corporais possam ser espirrados;
- Agulhas e instrumentos cortantes devem ser colocados em recipientes sólidos e resistentes;
- Não reencapar, dobrar ou quebrar as agulhas utilizadas;
- Não remover as agulhas das seringas;
- Evitar deixar o material contaminado exposto no meio no meio ambiente;
- Amostras para laboratório devem ser enviadas dentro de sacos plásticos transparentes. Sangue e
fluidos derramados no ambiente devem ser limpos com hipoclorito de sódio a 1%;
- Se a higiene do paciente for precária ou se houver possibilidade de contaminação do ambiente com
sangue ou secreção deve-se colocá-lo em quarto privativo;
- Os equipamentos reutilizáveis não devem ser usados em outros pacientes antes de serem limpos,
desinfetados e esterilizados.

Como descartar o material perfurante:


- Nunca reencapar a agulha após o uso;
- Nunca separar a agulha da seringa;
- Nunca jogar seringas no lixo comum;
- Matérias cortantes (agulhas, escalpes, laminas) devem ser descartados em recipientes adequado,
rígido, resistente e impermeável;

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- Uma das técnicas fundamentais para evitar a propagação de microrganismos patogênicos de um
indivíduo para outro é a técnica de lavagem das mãos, atividade que deve tornar-se um habito para o
profissional de enfermagem.

Recursos Humanos em Enfermagem

O serviço de Enfermagem em Central de Material acredita na segurança da Esterilização como


garantia de bom atendimento aos pacientes.
O enfermeiro possui papel fundamental no gerenciamento do setor e coordenação das atividades, pois
é o profissional que detém o conhecimento de todas as técnicas e princípios de Enfermagem, atuando na
conscientização da equipe no desenvolvimento das normas e rotinas, e alertando quanto à importância
na execução das técnicas corretas em todas as atividades, à assistência prestada ao cliente.
A equipe de enfermagem que trabalha nesta unidade presta uma assistência indireta ao paciente, tão
importante quanto à assistência direta, que é realizada pela equipe de enfermagem que atende ao
paciente.
O quadro de pessoal de uma CME deve ser composto por enfermeiros, técnicos de enfermagem,
auxiliares de enfermagem e auxiliares administrativos, cujas funções estão descritas nas práticas
recomendadas da SOBECC, cujas funções estão descritas abaixo:

Enfermeiro supervisor
É responsável por atuar na coordenação do setor, suas atribuições são:
- Prever os materiais necessários para prover as unidades consumidoras;
- Elaborar relatórios mensais estatísticos, tanto de custo quanto de produtividade;
- Planejar e fazer anualmente o orçamento do CME com antecedência de 04 a 6 meses;
- Elaborar e manter atualizado o manual de normas, rotinas e procedimentos do CME, que deve estar
disponível para a consulta dos colaboradores;
- Desenvolver pesquisas e trabalhos científicos que contribuam para o crescimento e as boas práticas
de Enfermagem, participando de tais projetos e colaborando com seu andamento;
- Manter-se atualizado acerca das tendências técnicas e científicas relacionadas com o controle de
infecção hospitalar e com o uso de tecnologias avançadas nos procedimentos que englobem artigos
processados pelo CME;
- Participar de comissões institucionais que interfiram na dinâmica de trabalho do CME.

Técnico administrativo
Gerenciar o serviço de Enfermagem da unidade:
- Planejar, coordenar e desenvolver rotinas para o controle dos processos de limpeza, preparo,
esterilização, armazenagem e distribuição dos artigos;
- Desenvolve processo de avaliação dos serviços prestados ao cliente interno e/ou esterno;
Estabelecer rotinas para a manutenção preventiva dos equipamentos existentes no CME;
- Realizar os testes necessários e emitir pareceres técnicos antes da aquisição de novos artigos e
equipamentos;
- Verificar os relatórios de manutenção de artigos e equipamentos e aprova-los mediantes as
evidências do serviço prestado;
- Controlar o recebimento, o uso e a devolução dos artigos consignados;
- Fazer relatório diário com informações dobre as atividades desenvolvidas e pendentes e outros fatos
importantes ocorridos durante a jornada de trabalho;
- Tomar parte da passagem de plantão;
- Manter atualizado o inventário do instrumental cirúrgico dos artigos e dos equipamentos do CME;
- Participar ativamente dos processos de aquisição de materiais, instrumental cirúrgico e
equipamentos.

Técnico de enfermagem
- Fazer a leitura dos indicadores biológicos, de acordo com as rotinas da instituição;
- Receber, conferir e preparar os artigos consignados;
- Realizar a limpeza, o preparo, a esterilização, a guarda e a distribuição de artigos, de acordo com
solicitação;
- Preparar os carros para cirurgias;
- Preparar as caixas cirúrgicas;
- Realizar cuidados com artigos endoscópicos em geral;

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- Monitorar afetiva e continuamente cada lote ou carga nos processos de esterilização;
- Revisar a listagem de caixas cirúrgicas, bem como proceder à sua reposição;
- Fazer listagem e encaminhamento de artigos e instrumental cirúrgico para conserto.

Auxiliar de enfermagem
- Receber e limpar os artigos;
- Receber e preparar roupas limpas;
- Preparar e esterilizar os artigos e instrumentais cirúrgicos;
- Guardar e distribuir todos os artigos esterilizados.

Questões

01. (UFU-MG - Técnico de Laboratório/2017) Qual dos seguintes processos é necessariamente um


esporicida?
(A) Esterilização
(B) Desinfecção
(C) Antissepsia
(D) Saneamento

02. (TRE-SP - Enfermagem - FCC/2017) O profissional de enfermagem deve saber que o produto
para saúde semicrítico utilizado na assistência de inaloterapia, antes da utilização em outro paciente,
deve ser submetido à
(A) limpeza e, no mínimo, à desinfecção de nível intermediário, com produtos saneantes, ou por
termodesinfecção.
(B) pré-limpeza e limpeza, sendo optativo o processo de desinfecção e esterilização.
(C) esterilização em autoclave gravitacional.
(D) desinfecção por métodos de imersão química líquida com a utilização de saneantes a base de
aldeídos.
(E) desinfecção de alto nível em estufa.

03. (TRF-2ª REGIÃO - Enfermagem - CONSULPLAN/2017) Sabendo que os artigos utilizados nos
serviços de saúde recebem uma classificação quanto ao risco de transmitir infecções para os pacientes,
para o processamento dos artigos de assistência ventilatória, anestesia e os utilizados na inaloterapia,
que são classificados como semicríticos, após a limpeza, devem ser submetidos no mínimo ao processo
de:
(A) Esterilização.
(B) Desinfecção de alto nível.
(C) Desinfecção de baixo nível.
(D) Desinfecção de nível intermediário.

04. (SES-PR - Inspetor de Saneamento - IBFC) Sobre os diferentes processos existentes que tem
como objetivo destruir, inibir ou eliminar microrganismos presentes em objetos e superfícies, o
procedimento que se caracteriza como o processo físico ou químico pelo qual são destruídas todas as
formas microbianas, inclusive os esporos bacterianos, denomina-se:
(A) Limpeza.
(B) Esterilização.
(C) Desinfecção.
(D) Detoxificação.

05. (TRT-20ª REGIÃO(SE) - Enfermagem - FCC) No centro de material e esterilização − CME o


profissional de enfermagem está sujeito a temperaturas extremas e fontes de calor provenientes de
autoclaves. De acordo com a Norma Regulamentadora 9, do Ministério do Trabalho e Emprego,
temperatura extrema é considerada um risco ambiental classificada como agente
(A) químico.
(B) físico.
(C) biológico.
(D) ergonômico.
(E) epidemiológico.

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06. (EBSERH - Enfermeiro - IBFC) Sobre Centro de Material e Esterilização (CME), analise as
afirmativas abaixo, dê valores Verdadeiro (V) ou Falso (F) e assinale a alternativa que apresenta a
sequência correta de cima para baixo.
( ) É um conjunto de áreas destinadas à recepção, limpeza, secagem, preparo, desinfecção ou
esterilização, guarda e distribuição do material para as unidades do estabelecimento de saúde.
( ) Independentemente do seu tamanho, o CME deve estar separado em duas partes: a “suja” e a
“limpa”.
( ) A sala de depósito de material de limpeza pode ser comum às áreas “sujas” e “limpas”, se o acesso
a ele for interno.
( ) Em todas as áreas do CME devem estar disponíveis, além de pias para lavagem das mãos,
dispensadores de solução alcoólica em gel a 70%.

(A) F,V,F,V
(B) V,V,V,V
(C) V,F,V,F
(D) V,V,F,V
(E) F,V,V,V

07. (SSA-HMDCC - Enfermeiro - Centro Cirúrgico - IBFC) Os produtos para a saúde utilizados em
procedimentos invasivos com penetração de pele e mucosas adjacentes, tecidos subepteliais, e sistema
vascular, incluindo também todos os produtos para saúde que estejam diretamente conectados com
esses sistemas, recebem o nome de produtos ________. Assinale a alternativa que completa
corretamente a lacuna.
(A) Não críticos.
(B) Semicríticos.
(C) Críticos.
(D) Passíveis de processamento.

08. (Pref. Rio Grande da Serra/SP - Enfermeiro - CAIPIMES) O método de esterilização compatível
com as embalagens de tecido de algodão é:
(A) calor seco.
(B) óxido de etileno.
(C) raios gama.
(D) vapor sob pressão.

09. (IPSA - Auxiliar de Enfermagem - CAIPIMES) Existem falhas no processo de esterilização que
podem acontecer em razão de erros humanos ou mecânicos. A partir disso, leia as frases abaixo e a
seguir assinale a alternativa que corresponde à resposta correta.
I- Os erros podem acontecer devido à utilização de embalagens incompatíveis com o processo de
esterilização a vapor.
II- Os erros podem acontecer devido à guarda de pacotes demasiadamente frios nas prateleiras, pois
o contato do pacote frio com a superfície fria da prateleira dos armários pode permitir a condensação de
vapor, favorecendo a sua contaminação pelo meio externo.
III- Os erros podem acontecer devido à má qualidade da água gerando vapor com resíduos de
componentes químicos.
IV- Os erros podem acontecer devido às tubulações de vapor estarem desobstruídas.

(A) Apenas as frases I e III estão corretas.


(B) Todas as frases estão corretas.
(C) Apenas as frases III e IV estão corretas.
(D) Apenas as frases I, II e III estão corretas.

10. (UNIRIO - Auxiliar de Enfermagem - COSEA/UNIRIO) A limpeza da unidade do paciente garante


conforto e diminui o risco de infecção. Na alta hospitalar, deve-se proceder à limpeza
(A) concomitante.
(B) terminal.
(C) diária.
(D) concorrente.
(E) esterilizante.

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11. (AHM - Técnico em Saúde - Enfermagem - CAIPIMES) Os artigos hospitalares são definidos de
acordo com o grau de risco de aquisição de infecção, nas seguintes categorias:
(A) Auto critico, semicrítico, não critico.
(B) Críticos, semicríticos, não críticos.
(C) Bem critico, semicrítico, critico.
(D) Não critico, moderadamente critico, critico.

12. (Pref. Botucatu/SP - Auxiliar de Enfermagem - CAIPIMES) Em relação aos cuidados com os
materiais necessários aos diversos procedimentos de enfermagem, leia as assertivas abaixo, assinale
(V) para as verdadeiras ou (F) para as falsas, e assinale a alternativa que apresenta a sequência correta
das respostas.
( ) Todo material de inalação utilizado num paciente deve sofrer limpeza com água e sabão e ser
emerso em uma solução desinfetante para ser novamente utilizado em outro paciente. A esse tipo de
reprocessamento damos o nome de assepsia.
( ) A assepsia cirúrgica se relaciona com a ausência total de microrganismos através da esterilização
e manuseio rigoroso do material estéril.
( ) Não falar ao manipular o material esterilizado é uma medida correta para evitar contaminação.
( ) Na realização de um cateterismo de alívio o cateter utilizado é a sonda de Foley com balão de 5 ml.

(A) V, V, V, F.
(B) V, V, F, F.
(C) F, V, F, F.
(D) F, V, V, F.

13. (UFU - Auxiliar em Enfermagem - UFU) Os artigos e as áreas hospitalares são classificados de
acordo com o risco de infecção que possam oferecer aos pacientes. Associe o tipo de artigo ou área
hospitalar da coluna da esquerda com sua definição ou exemplo da coluna da direita.
I. Artigos críticos
II. Artigos semicríticos
III. Área semicrítica
IV. Área não crítica

( ) São áreas ocupadas por pacientes que não necessitam de cuidados intensivos ou de isolamento.
( ) Materiais com elevado potencial de risco de provocar infecção, porque são introduzidos diretamente
em tecidos normalmente estéreis.
( ) Áreas administrativas; almoxarifado.
( ) Equipamentos de anestesia e endoscópios.

Assinale a alternativa que apresenta a numeração correta da coluna, de cima para baixo.
(A) III - II - I - IV.
(B) III - I - IV - II.
(C) IV - I - III - II.
(D) II - IV - III - I.

14. (ISGH/HRN - Enfermeiro - INSTITUTO CIDADES) A autoclave é o aparelho que esteriliza:


(A) À seco.
(B) Por umidade.
(C) Por radiação.
(D) Com desinfetante.

15. (ISGH/HRN - Enfermeiro - INSTITUTO CIDADES) Material estéril é considerado:


(A) Desinfetado.
(B) Desinfestado.
(C) Asséptico.
(D) Antisséptico.

Gabarito

01. A/02. A/03. D/04. B/05. B/06. D/07. C/08. D/09. A/10. B/11. B/12. D/13. B/14. B/15. C

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Comentários

01.Resposta: A
Esporocida ou esporicida é um agente capaz de matar os esporos, sendo assim esterilizantes.

02. Resposta: A
Entram em contato com a pele não íntegra e membranas mucosas: equipamentos de anestesia
gasosa; endoscópios. Devem ser submetidos, no mínimo, à desinfecção.

03. Resposta: D
Produtos para saúde semicríticos utilizados na assistência ventilatória, anestesia e inaloterapia
devem ser submetidos à limpeza e, no mínimo, à desinfecção de nível intermediário, antes da utilização
em outro paciente.

04. Resposta: B
Esterilização é processo de destruição de todos os microrganismos, inclusive esporulados, a tal ponto
que não seja mais possível detectá-los através de testes microbiológicos padrão. A esterilização é
realizada pelo calor, germicidas químicos, óxido de etileno, radiação e outros.

05. Resposta: B
Temperaturas extremas é considerada como risco físico.

06. Resposta: D
O DML (Depósito de Material de Limpeza) pode ser comum para as áreas "suja e limpa", desde que
seu acesso seja externo a essas. NÃO INTERNO.

07. Resposta: C
São artigos que entram em contato direto com tecidos ou tratos estéreis (penetram nos tecidos
subepiteliais, no sistema vascular e em outros órgãos isentos de flora microbiana própria, bem como
aqueles diretamente conectados com eles): agulhas; roupas; instrumentos cirúrgicos; soluções injetáveis.
Devem ser submetidos ao processo de esterilização.

08. D
O tecido de algodão é uma embalagem compatível com o método de esterilização de vapor sob
pressão.

09. A
Verdadeiro: Os erros podem acontecer devido à utilização de embalagens incompatíveis com o
processo de esterilização a vapor.
Falso: Os erros podem acontecer devido à guarda de pacotes demasiadamente frios nas prateleiras,
pois o contato do pacote quente com a superfície fria da prateleira dos armários pode permitir a
condensação de vapor, favorecendo a sua contaminação pelo meio externo.
Verdadeira: Os erros podem acontecer devido à má qualidade da água gerando vapor com resíduos
de componentes químicos.

10. B
Limpeza Terminal: realizada com desinfetante quando o leito é desocupado em razão de alta, óbito
ou transferência do paciente, ou no caso de internação prolongada.

11. B/
Os artigos hospitalares são definidos de acordo com o grau de risco de aquisição de infecções nas
seguintes categorias: críticos, semicríticos e não críticos. Esta classificação norteará a escolha do
processo de desinfecção ou esterilização a ser utilizado.

12. D
Falso: Todo material de inalação utilizado num paciente deve sofrer limpeza com água e sabão e ser
emerso em uma solução desinfetante para ser novamente utilizado em outro paciente. A esse tipo de
reprocessamento damos o nome de assepsia.

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Correta: A assepsia cirúrgica se relaciona com a ausência total de microrganismos através da
esterilização e manuseio rigoroso do material estéril.
Correta: Não falar ao manipular o material esterilizado é uma medida correta para evitar contaminação.
Falso: Na realização de um cateterismo de alívio o cateter utilizado é a sonda uretral. A sonda Foley é
indicada para demora, quando há a necessidade de permanência da mesmo.

13. B
Área Semicrítica: São áreas ocupadas por pacientes que não necessitam de cuidados intensivos
ou de isolamento.
Artigo Crítico: Materiais com elevado potencial de risco de provocar infecção, porque são
introduzidos diretamente em tecidos normalmente estéreis.
Área não crítica: São todas as áreas das Unidades de Saúde não ocupadas por pacientes, ou cujo
acesso lhes seja vedado: Áreas administrativas; almoxarifado.
Artigos semicríticos: Equipamentos de anestesia e endoscópios. Entram em contato com a pele não
íntegra e membranas mucosas.

14. B
Na autoclave - são utilizados campos de tecido de algodão, papéis (grau cirúrgico e kraft), filme
poliamida transparente e caixa metálica perfurada embalada em campo, para permitir a livre circulação
do vapor.

15. C
Na assepsia cirúrgica o material deverá ser esterilizado. O material cirúrgico é estéril, isento de
microrganismos.

PRÉ PERIO E PÓS CIRÚRGICO

Assistência de Enfermagem no Perioperatório1516

O período perioperatório corresponde exatamente ao período próximo ao ato cirúrgico, ou seja, 24


horas antes e 48 horas após a cirurgia. Trata-se do período de tempo que envolve uma enorme variedade
de assistência cirúrgica prestada ao cliente pela equipe de Enfermagem.
Perioperatório é um termo abrangente que incorpora três fases da experiência cirúrgica, facilitando
uma assistência eficiente ao cliente cirúrgico. Este recebe assistência da enfermagem nos períodos pré,
trans e pós-operatório.
O período pré-operatório abrange desde o momento da decisão cirúrgica até a transferência do cliente
para a mesa cirúrgica; a partir daí, inicia-se o trans e intra-operatório, que termina com a saída do cliente
do centro cirúrgico; o pós-operatório vai desde o momento da recepção do cliente que retornou da cirurgia
até a alta médica.

Cuidadas da Enfermagem no Pré-Operatório

Pré-operatório: período que antecede as 24 horas da cirurgia até o momento em que o paciente é
levado para o centro cirúrgico. Nesse período, é desenvolvido um preparo que se inicia na internação do
cliente, ou em sua decisão pela intervenção cirúrgica; o término ocorre no momento de sua transferência
para a mesa cirúrgica.

O período pré-operatório divide-se em mediato e imediato


- No pré-operatório mediato: do momento da marcação até 24 horas antes da cirurgia. Neste período
é desenvolvido o preparo físico, psíquico-espiritual e de integração do cliente e seus familiares; o cliente
é submetido a exames que auxiliam na confirmação do diagnóstico e que auxiliarão o planejamento
cirúrgico, o tratamento clínico para diminuir os sintomas e as precauções necessárias para evitar
complicações pós-operatórias, ou seja, abrange o período desde a indicação para a cirurgia até o dia
anterior à mesma;

15
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/profae/pae_cad5.pdf
16
MANGANARO, M. M. et al. Enfermagem na Saúde do Adulto. In: MURTA, G. F.. Saberes e Práticas: guia para ensino e aprendizado de enfermagem. 3. ed
rev. E amp. São Caetano do Sul, SP: Difusão Editora, 2007.

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Finalidades:
- Proporcionar recuperação pós-operatória mais rápida, com redução das complicações cirúrgicas,
facilitando uma integração do cliente com seu meio social.
- Diminuir risco de infecções cirúrgicas, pois permanece menos tempo internado, como a unidade “dia”
o cliente fica em observação pós-operatório no máximo 24 horas.
- Proporcionar ao cliente apoio emocional, espiritual e psíquico, diminuindo, assim, suas ansiedades e
preocupações com a cirurgia, desenvolvendo seu entrosamento com o ambiente hospitalar e equipe de
Enfermagem.
- Oferecer ao cliente um conhecimento - como um todo - do processo cirúrgico; o mesmo é feito na
entrevista pré-operatória realizada pelo enfermeiro. Também de grande importância é o preenchimento
do impresso pré-anestésico, que facilita determinar possíveis complicações cirúrgicas. É importante que
os familiares participem da entrevista pré-anestésica.
- Orientar o cliente para que não ocorra uma cirurgia indesejada, pois isto poderia ocasionar ação
judicial do cliente contra o hospital e a equipe multiprofissional.
- Realizar exames pré-operatórios como: laboratoriais, fator Rh/ABO tipagem para possível transfusão
sanguínea e encaminhar ao banco de sangue com 12 horas de antecedência, radiografia, tomografia,
ressonância, auxiliam no diagnóstico médico e evidenciam a região cirúrgica, ECG e avaliação clínica
com o propósito de diagnosticar complicações no ato cirúrgico.
- Efetuar preparos na véspera da cirurgia, exceto tricotomia. Verificar e manter o cliente em jejum,
avaliar estado geral do cliente, remover esmalte, maquiagem, prótese e outros adornos, passagem de
cateter ou sondagem, quando solicitado. Vale ressaltar que, em alguns serviços, a sondagem vesical é
feita no centro cirúrgico. Confirmar no aviso de cirurgia o nome, número do leito, tipo de cirurgia proposta,
cirurgião, horário e material cirúrgico e higienização corporal (estes dados, em alguns hospitais, são
confirmados pelo pessoal de centro cirúrgico).
- Realizar atendimento dos familiares, explicando a cirurgia, o retorno do cliente do centro cirúrgico e
a importância do apoio familiar nesse período.
- Providenciar a assistência religiosa - quando solicitada -, podendo, também, transmitir ao cliente a
sensação de calma e confiança, estabelecida pelo diálogo e ouvindo com atenção seus problemas e
temores.
- Realizar SAE (Sistematização da Assistência de Enfermagem) seguida da anotação de Enfermagem,
a fim de obter dados relevantes para a elaboração dos diagnósticos e intervenções de Enfermagem, com
objetivo de prevenir complicações posteriores.
- Realizar exame físico atentando para condições que podem atuar negativamente: idade, outras
doenças de base e infecções.

- O período imediato: corresponde às 24 horas antecedentes à cirurgia e tem por objetivo preparar
o cliente para o ato cirúrgico mediante os seguintes procedimentos: jejum, limpeza intestinal,
esvaziamento vesical, preparo da pele e aplicação de medicação pré-anestésica.
O preparo pré-operatório, mediante utilização dos instrumentos de observação e avaliação das
necessidades individuais, objetiva identificar tanto as alterações físicas (hipertensão arterial, presença de
feridas infectadas, etc.) como as emocionais (ansiedade, expectativa da cirurgia, condições afetadas com
a internação etc.) do cliente, pois elas interferem nas condições para o ato cirúrgico, podendo
comprometer o bom êxito da cirurgia ou, até mesmo, provocar sua suspensão.
Os fatores físicos que aumentam o risco operatório são tabagismo, desnutrição, obesidade, faixa etária
elevada, hipertensão arterial e outras doenças concomitantes. Assim, durante a cirurgia, o cirurgião terá
maior dificuldade em conter o sangramento, após a diérese, de um cliente hipertenso; assim como o
cliente tabagista terá maior acúmulo de secreção pulmonar, com provável desenvolvimento de
broncopneumonia no pós-operatório.

Finalidades:
- Promover higiene ou pedir que o cliente a faça.
- Confirmar se os cuidados mediatos foram realizados.
- Manter prontuário em ordem, com todos os exames, radiografia e ficha pré-anestésica.
- Confirmar com centro cirúrgico: sala cirúrgica, cirurgia proposta, material cirúrgico, horário, equipe
cirúrgica, anestesia e cuidados específicos com o cliente.
- Realizar - uma hora antes - a administração de pré-anestésico, reduzindo a ansiedade do cliente e
facilitando o efeito do anestésico, conforme prescrição médica.
- Realizar ou confirmar se foram realizados procedimentos como: passagem de sonda nasogástrica e
vesical de demora (solicitada em caso de cirurgia para diagnóstico), lavagem intestinal (enteroclisma) ou

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até mesmo punção venosa com cateter periférico, todavia deverá ser feita conforme a rotina da instituição
de saúde. Sabe-se que, em alguns hospitais, é solicitado pela equipe cirúrgica que todo o procedimento
invasivo seja feito no centro cirúrgico, até mesmo a tricotomia (retirada de pelos) da região a ser operada.
- Realizar controle rigoroso de sinais vitais (pressão arterial, pulso, temperatura e respiração), em
alguns casos chega a ser de uma em uma hora.
- Realizar SAE seguida de anotações de enfermagem, a fim de obter dados relevantes para a
elaboração dos diagnósticos e intervenções de Enfermagem, com objetivo de prevenir complicações.
- Orientar sobre a necessidade de promover boa ventilação pulmonar com respiração profunda e tosse,
e sobre movimentação ativa e mudança de decúbito para reduzir dor.
- Remover grampos, joias, maquiagem, prótese dentária, óculos, relógio, identificá-los e guardá-los,
conforme rotina preestabelecida ou entregar à família (preferencialmente).

Portanto, sob o ponto de vista ético e técnico, todas as condutas de enfermagem devem proporcionar
conforto, segurança e o menor risco de infecção ao cliente, devendo o mesmo ser esclarecido sobre o
que está sendo realizado, porque o simples fato de não saber o que vai ser feito pode torná-lo inseguro,
inquieto e não cooperativo.
Quando o cliente tiver experiência cirúrgica anterior negativa, a enfermagem deve respeitar este fato,
estimulando-o a identificar aspectos que favoreçam a nova intervenção.
Mesmo após todas as orientações e apoio oferecidos pela enfermagem, o cliente pode se apresentar
receoso, recusar-se a fazer a cirurgia, indispor-se contra a equipe de saúde, familiares e outros clientes.
É importante que a equipe entenda este comportamento como, provavelmente, ocasionado pela
ansiedade pré-cirúrgica, e não como afronta à equipe.
Tanto o cliente quanto a família têm direitos à orientação clara e precisa sobre o diagnóstico clínico,
cirurgia proposta e possível prognóstico. Somente após o esclarecimento e o entendimento desses dados
o cliente ou responsável terá reais condições para assinar o termo de consentimento para a cirurgia (termo
de responsabilidade).

Humanizando o preparo do cliente para a cirurgia


Como o estado emocional pode interferir diretamente na evolução pós-operatória, é importante que o
cliente receba orientações sobre os exames, a cirurgia, como retornará da mesma e os procedimentos
do pós-operatório, bem como esclarecimentos sobre a importância de sua cooperação.
Para transmitir uma sensação de calma e confiança, a equipe de enfermagem deve manter uma
relação de empatia, ou seja, colocar-se na posição do outro, sem críticas ou julgamentos - o que, muitas
vezes, ajuda o cliente a compreender seus medos e inseguranças, possibilitando uma relação
interpessoal de respeito e não de autoridade.
Além disso, gera tranquilidade, favorecendo o entrosamento do cliente e família com o ambiente
hospitalar, o que interfere beneficamente nas suas condições para a cirurgia.
Com relação ao cliente, é importante lembrar que a comunicação não verbal (o olhar, a voz, a postura
do cliente) também comunica suas necessidades; portanto, ao buscarmos entender estes sinais, teremos
maiores condições de compreender o cliente.
Ao prestar orientações pré-operatórias, a equipe de enfermagem deve estar atenta ao fato de que as
necessidades de um cliente são diferentes das de outro. O momento mais adequado para o cliente e
família receberem as orientações e participarem do processo de aprendizagem é quando demonstram
interesse pelas informações, revelado, muitas vezes, através de perguntas ou busca da atenção da
equipe de enfermagem.
Quanto ao aspecto de fé, a equipe de enfermagem pode providenciar assistência religiosa, desde que
solicitada pelo cliente e/ou família.
Além disso, é possível conceder ao cliente a permissão para uso de figuras religiosas, por exemplo,
presas ao lençol da maca, sem que isso prejudique os cuidados durante o intra ou pós-operatório.

Atuando na prevenção de complicações no pré-operatório


O preparo físico do cliente é importante para o bom andamento do ato cirúrgico, bem como para evitar
complicações posteriores ao mesmo. Evitar estas complicações requer alguns cuidados de enfermagem
específicos relacionados com o preparo intestinal, vesical e da pele, além de uma avaliação da equipe,
do ambiente e do cliente, para prevenir a ocorrência de infecções.
O estresse cirúrgico provoca alterações neuroquímicas e o organismo responde a esse estresse
mobilizando suas defesas para manter homeostasia. Essa resposta é determinada pela idade, condição
física e duração do estresse (quanto maior o estresse, menor a capacidade de resposta).

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Resposta ao Estresse Cirúrgico:
- Vasoconstricção periférica com aumento da coagulabilidade.
- Taquicardia com aumento do débito cardíaco, pressão arterial e dilatação da coronária.
- Retenção de Sódio (Na) e Água (H2O), consequente aumento do hormônio antidiurético - HAD e
aldosterona.
- Aumento da acidez gástrica e diminuição do peristaltismo.
- Dilatação brônquica.
- Catabolismo proteico.
- Proliferação de tecidos de granulação e conjuntivo.
- Aumento da glicemia e mobilização das reservas de gorduras.
- Ansiedade - medo da morte, do ato cirúrgico, anestesia, gastos familiares, preocupações
profissionais.
- Comportamento - desnorteado, tendências ao exagero, aborrecido, confuso, melancólico, falha ao
executar ordens simples.

a) Esvaziamento Intestinal
O esvaziamento intestinal no pré-operatório diminui o risco de liberação do conteúdo intestinal durante
a cirurgia, provocado pelo efeito de medicamento relaxante muscular. Existem controvérsias quanto à
importância desse procedimento pré-operatório. Dependendo do cliente, da cirurgia e da equipe que o
assiste, o preparo intestinal pode ser realizado mediante a utilização de laxativos, lavagem intestinal ou
ambos. Geralmente, este preparo ocorre entre 8 e 12 horas antes do ato cirúrgico.
A solução pode vir pronta para uso individual (enemas) ou ser preparada pela enfermagem de acordo
com a prescrição médica, mas antes de ser aplicada no cliente deve ser aquecida, para ficar morna.
As soluções mais prescritas são a solução fisiológica ou água acrescida ou não de glicerina ou
vaselina, cloreto de potássio (para não ocorrer hipopotassemia nas lavagens frequentes) e neomicina. A
solução preparada pela enfermagem é colocada em um recipiente chamado irrigador.

- Realizando a lavagem intestinal


A numeração das sondas retais deve ser selecionada de acordo com a idade e sexo do cliente, sendo
de 14 a 20 para crianças e adolescentes, de 22 a 24 para as mulheres e 24 a 26 para os homens.
Caso a sonda apresente diâmetro maior do que o do ânus do cliente e/ou seja introduzida sem
lubrificante, poderá provocar dor e lesões durante a sua passagem. Os frascos com solução pronta para
uso dispensam a utilização da sonda retal, dependendo das orientações do fabricante.
O procedimento pode ser realizado no próprio quarto do cliente ou em sala apropriada, desde que
equipe de enfermagem mantenha a privacidade do cliente.
Antes de iniciar o procedimento, a cama deve ser forrada com impermeável e lençol móvel. Para
facilitar a entrada e o trajeto a ser percorrido pelo líquido do enteroclisma, ele deverá ser introduzido
seguindo os contornos anatômicos do intestino.
Por esse motivo, o cliente é deitado em decúbito lateral esquerdo, com o corpo ligeiramente inclinado
para a frente e apoiado sobre o tórax, tendo sua perna direita flexionada e apoiada ligeiramente na
esquerda (posição de SIMS).
Antes da introdução da sonda, o cliente deve ser orientado para relaxar a musculatura anal, inspirando
e prendendo a respiração.
Caso haja dificuldade para a introdução da sonda, deve-se verificar as prováveis causas: contração
retal involuntária perante a introdução de um corpo estranho, medo da dor, dobra da sonda e outras
intercorrências. Para que a lavagem intestinal tenha melhor efeito, recomenda-se que o cliente tente reter
o líquido da lavagem por cerca de 15 minutos.

b) Esvaziamento da Bexiga
Recomenda-se seu esvaziamento espontâneo antes do pré-anestésico. Nas cirurgias em que a bexiga
necessite ser mantida vazia, ou naquelas de longa duração, faz-se necessário passar a sonda vesical de
demora, o que é feito, geralmente, no centro cirúrgico.

c) Preparo da Pele
O banho e a rigorosa limpeza da região na qual será feita a incisão cirúrgica devem ser realizados para
diminuir a possibilidade de contaminação.
De acordo com o tipo de cirurgia, pode ser que o cliente necessite ser encaminhado à cirurgia sem
pelos na região operatória, sendo então necessária uma tricotomia da região.

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Existem controvérsias se a tricotomia aumenta ou diminui o potencial de infecção da ferida operatória.
Por esse motivo, recomenda-se que sua realização ocorra o mais próximo possível do momento da
cirurgia (no máximo 2 horas antes) ou no próprio centro cirúrgico, em menor área possível e com método
o menos agressivo.
Também há controvérsia em relação às áreas da tricotomia, que variam conforme as técnicas e
tecnologias usadas no processo cirúrgico. Entretanto, existem cirurgias nas quais a tricotomia é
absolutamente necessária, como as cranianas.

Para exemplificar, listamos as áreas de tricotomia segundo a região da cirurgia:


- Cirurgia craniana: raspa-se o couro cabeludo total ou parcialmente, e o pescoço. Nas cirurgias de
pescoço, deve-se incluir o colo e as axilas;
- Cirurgia torácica: raspam-se os pelos do tórax anterior e posterior até a cicatriz umbilical, podendo-
se estender tal processo até a axila e região inguinal;
- Cirurgia cardíaca: as áreas a serem raspadas são o tórax, metade do dorso, punhos, dobras dos
cotovelos e região inguinal, acrescentando-se a face interna das coxas quando das cirurgias de
revascularização do miocárdio;
- Cirurgia abdominal: recomenda-se a tricotomia da região mamária até a região pubiana anterior
(posterior no caso das cirurgias renais); nas cesáreas e cirurgia abdominal via baixa, raspa-se a região
pubiana;
- Cirurgia dos membros: raspa-se o membro a ser operado, acrescentando-se ou não as regiões
axilar e pubiana.

Realizando a Tricotomia
Antes de iniciar a tricotomia em áreas de grande pilosidade, recomenda-se cortar o excesso de pelo
com uma tesoura.
Quando realizada com barbeador, deve-se esticar a pele e realizar a raspagem dos pelos no sentido
do crescimento dos mesmos, tendo-se o cuidado de não provocar arranhaduras na pele.
O uso de depilatórios tem sido utilizado em algumas instituições, mas apresenta a desvantagem de,
em algumas pessoas, provocar reações alérgicas e deixar a pele avermelhada. A forma de utilização
varia de acordo com as orientações do fabricante.
Existem, ainda, aparelhos que, ao invés de rasparem os pelos, cortam-nos rente à pele, evitando
escoriações e diminuindo o risco de infecção.

- Prevenindo infecção
Em vista da maior incidência de infecções hospitalares nos clientes cirúrgicos, o pessoal de
enfermagem pode contribuir para a prevenção utilizando uniformes limpos e unhas curtas e limpas,
lavando as mãos antes e após cada procedimento, respeitando as técnicas assépticas na execução dos
cuidados, oferecendo ambiente limpo e observando os sinais iniciais de infecção.
A ocorrência ou não de infecção no pós-operatório depende de vários fatores, mas, principalmente, da
quantidade e virulência dos microrganismos e da capacidade de defesa do cliente.
O uso de esteroides, desnutrição, neoplasias com alterações imunológicas e clientes idosos ou
crianças pequenas são fatores de risco de infecção no pós-operatório devido à redução na capacidade
imunológica.
Outros fatores são o diabetes mellitus, que dificulta o processo de cicatrização; a obesidade, em vista
da menor irrigação sanguínea do tecido gorduroso; o período pré-operatório prolongado, que faz com que
o cliente entre em contato maior com a flora hospitalar; e infecções no local ou fora da região cirúrgica,
que podem causar contaminação da ferida operatória.
O risco de infecção cirúrgica pode ser diminuído quando se tratam ou compensam as doenças e os
agravos que favorecem a infecção, tais como a obesidade, focos infecciosos, presença de febre e outros.
Também no pré-operatório imediato alguns cuidados são implementados, tais como o banho com
antissépticos específicos (clorexidina ou solução de iodo PVPI) na noite anterior e no dia da cirurgia,
tricotomia, lavagem intestinal, retirada de objetos pessoais, próteses e outros.

- Prevenindo complicações anestésicas


A manutenção do jejum de 6 a 12 horas antes da cirurgia tem por objetivo evitar vômitos e aspiração
de resíduos alimentares por ocasião da anestesia. É importante que, tanto o cliente como seus familiares,
tenham conhecimento deste cuidado, para que possam entender o motivo e efetivamente cumpri-lo.
O medicamento pré-anestésico (MPA) é prescrito pelo anestesista com o intuito de reduzir a
ansiedade do cliente, facilitar a indução anestésica e a manutenção da anestesia, bem como diminuir

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tanto a dose dos agentes anestésicos como as secreções do trato respiratório, sempre lembrando a
necessidade de verificação da existência de alergia.
Na noite que antecede a cirurgia, visando evitar a insônia do cliente, pode ser administrado um
medicamento tranquilizante.
Administra-se o MPA cerca de 45 a 60 minutos antes do início da anestesia. Todos os cuidados pré-
operatórios devem ser realizados antes da administração do MPA, porque após o cliente permanecerá
na maca de transporte, devido ao estado de sonolência.

Os MPA mais comuns são os:


- Opiáceos - que provocam analgesia e sonolência, sendo normalmente prescritos para clientes que
apresentam dor antes da cirurgia. O principal medicamento é a meperidina (Dolantina, Demerol);
- Benzodiazepínicos - apresentam ação ansiolítica e tranquilizante, bem como efeitos sedativo,
miorelaxante e anticonvulsivante. Os principais medicamentos são o diazepam (Dienpax, Valium) e o
midazolan (Dormonid). O diazepam injetável não pode ser administrado com outros medicamentos em
vista da possibilidade de ocorrer precipitação;
- Hipnóticos - provocam sono ou sedação, porém sem ação analgésica, sendo os principais o
fenobarbital (Luminal, Gardenal) e o midazolan (Dormonid);
- Neurolépticos - diminuem a ansiedade, a agitação e a agressividade. Os principais medicamentos
são a clorpromazina (Amplictil) e a prometazina (Fenergan).
Os medicamentos hipnóticos, neurolépticos, benzodiazepínicos e opiáceos, utilizados como pré-
anestésicos, são de uso controlado, daí a necessidade de se guardar as ampolas vazias, para posterior
reposição pela farmácia.

Encaminhando o Cliente ao Centro Cirúrgico (CC)


No momento de encaminhar o cliente ao CC, deve-se observar e comunicar quaisquer anormalidades
em relação aos preparos prescritos no dia anterior, tais como manutenção do jejum, realização da higiene
oral e corporal e administração de medicação pré-anestésica. E, ainda, verificar e anotar os sinais vitais,
vestir-lhe a roupa hospitalar (avental, touca e propés), certificar-se da remoção de próteses dentárias
(visando evitar seu deslizamento para as vias aéreas inferiores durante a anestesia) e oculares (visando
evitar lesões na córnea), joias e adornos. Após essa sequência de preparos, o cliente deve ser deitado
na maca e encaminhado ao CC com a documentação completa: exames e prontuário.
O transporte do cliente é executado pelo pessoal da unidade de internação ou do CC, a critério de
cada instituição. O transporte pode ser realizado em maca ou cadeira de rodas, mas para prevenir
acidentes, como quedas, recomenda-se que para o cliente sonolento devido à ação de MPA e/ou após a
cirurgia não seja feito em cadeira de rodas.
O centro cirúrgico deve dispor de elevador privativo, o que diminui os riscos de contaminação e
infecção cirúrgica, agiliza o transporte e propicia conforto, segurança e privacidade ao cliente.

- Transportando o cliente
A maca ou cadeira de rodas deve estar forrada com lençol e situada próxima à cama, para facilitar a
transferência do cliente e evitar acidentes. Após deixá-lo confortável, deve ser coberto com lençol e
cobertor (nos dias frios).
Os responsáveis pelo transporte do cliente para o CC devem empurrar a maca ou cadeira de rodas
com cuidado, e estarem atentos para observar alguma anormalidade com o cliente (palidez, sudorese,
dificuldade respiratória, etc.), além disso, verificar se o soro, sondas, drenos e outros equipamentos que
se fizerem necessários estão livres de tração. É recomendável que o cliente seja transportado de modo
a visualizar o trajeto de frente, para evitar desconforto.
É importante observar o alinhamento correto das partes do corpo durante o transporte e, nos casos de
clientes com venóclise ou transfusão sanguínea, deve-se adaptar à maca ou à cadeira de rodas o suporte
apropriado, posicionando corretamente o frasco de solução venosa, cateteres, drenos e equipamentos.
Durante o trajeto, conversar e encorajar o cliente, ou respeitar o seu silêncio.

O Cuidado de Enfermagem no Transoperatório

O período transoperatório compreende o momento de recepção do cliente no CC e o intra-operatório


realizado na SO.
Nesse período, as ações de enfermagem devem assegurar a integridade física do cliente, tanto pelas
agressões do ato cirúrgico como pelos riscos que o ambiente do CC oferece ao mesmo, já submetido a

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um estresse físico e exposição dos órgãos e tecidos ao meio externo; daí a importância do uso de técnicas
assépticas rigorosas.

O Cuidado de Enfermagem no Pós-Operatório (PO)

Após a cirurgia, o paciente geralmente é transferido para recuperação pós-anestésica (RPA) com
hipotermia leve, com instabilidade dos sinais vitais, atividade motora e reflexos protetores diminuídos e
com alteração do nível de consciência, permanecendo nesta unidade até o retorno destas funções, o que
lhe garante a prevenção de possíveis complicações pós-operatórias.
Diversas complicações podem decorrer da hipotermia que persiste ao procedimento anestésico
cirúrgico em RPA como as metabólicas, respiratórias e cardiovasculares, principalmente quando
associada a fatores de risco e aos tremores compensatórios.
O pós-operatório se inicia a partir da saída do cliente da sala de operação e perdura até sua total
recuperação. Subdivide-se em pós-operatório imediato (POI) - até as 24 horas posteriores à cirurgia;
mediato - após as 24 horas e até 7 dias depois; e tardio - após 7 dias do recebimento da alta.
Nesta fase, os objetivos do atendimento ao cliente são identificar, prevenir e tratar os problemas
comuns aos procedimentos anestésicos e cirúrgicos - tais como dor, laringite pós-intubação traqueal,
náuseas, vômitos, retenção urinária, flebite pós-venóclise, e outros - com a finalidade de restabelecer o
seu equilíbrio.
Idealmente, todos os clientes em situação de POI devem ser encaminhados da SO para a recuperação
pós-anestésica - RPA - e sua transferência para a enfermaria ou para a UTI só deve ocorrer quando o
anestesista considerar sua condição clínica satisfatória.
A RPA é a área destinada à permanência preferencial do cliente imediatamente após o término do ato
cirúrgico e anestésico, na qual ficará por um período de uma a seis horas para prevenção ou tratamento
de possíveis complicações. Neste local, aliviará a dor pós-operatória e será assistido até a volta dos seus
reflexos, normalização dos sinais vitais e recuperação da consciência.
Considerando tais circunstâncias, este setor deve possuir equipamentos, medicamentos e materiais
que atendam a qualquer situação de emergência, tais como:
- Equipamentos básicos: cama/maca com grades laterais de segurança e encaixes para suporte de
solução, suporte de solução fixo ou móvel, duas saídas de oxigênio, uma de ar comprimido, aspirador a
vácuo, foco de luz, tomadas elétricas, monitor cardíaco, oxímetro de pulso, esfigmomanômetro,
ventiladores mecânicos, carrinho com material e medicamentos de emergência;
- Materiais diversos: máscaras e cateteres de oxigênio, sondas de aspiração, luvas esterilizadas, luvas
de procedimentos, medicamentos, frascos de solução, equipos de solução e de transfusão sanguínea,
equipos de PVC (pressão venosa central), material para sondagem vesical, pacote de curativo, bolsas
coletoras, termômetro, material de coleta para exames e outros porventura necessários.
A hipotermia não intencional é frequente em RPA, e geralmente não é uma situação impeditiva de alta
quando os parâmetros clínicos avaliados pelo Índice de Aldrete e Kroulik apontam para a transferência
do paciente para a unidade de origem, isto é, quando atingem o total de 8 a 10 pontos.
O Índice de Aldrete e Kroulik foi criado e validado em 1970. Em 1995 foi submetido a uma revisão
pelos próprios autores. É utilizado, desde sua criação, na avaliação e evolução dos pacientes no período
pós-anestésico pela análise da atividade muscular, da respiração, da circulação, da consciência e da
saturação de oxigênio. A pontuação varia de 0 a 2 pontos para cada parâmetro, na qual o zero (0) indica
condições de maior gravidade, a pontuação um (1) corresponde a um nível intermediário e, a dois (2)
representa as funções restabelecidas.

ÍNDICE DE ALDRETE E KROULIK

Movimenta os quatro membros 2


Atividade Muscular Movimenta dois membros 1
É incapaz de mover os membros voluntariamente ou sob comando 0
É capaz de respirar profundamente ou de tossir livremente 2
Respiração Apresenta dispneia ou limitação da respiração 1
Tem apneia 0
PA em 20% do nível pré-anestésico 2
PA em 20-49% do nível anestésico 1
Circulação
PA em 50% do nível pré-anestésico 0

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Está lúcido e orientado no tempo e espaço 2
Consciência Desperta, se solicitado 1
Não responde 0
É capaz de manter saturação de O2 maio que 92% respirando em ar
2
ambiente
Saturação de O2 Necessita de O2 para manter saturação maior que 90% 1
Apresenta saturação de O2 menor que 90%, mesmo com suplementação
0
de oxigênio
Índice de Aldrete e Kroulik. Fonte: SOBECC, 2007

Cuidados de Enfermagem no Pós-Operatório Imediato (POI)

Este período é considerado crítico, considerando-se que o cliente estará, inicialmente, sob efeito da
anestesia geral, raquianestesia, peridural ou local. Nessa circunstância, apresenta-se bastante vulnerável
às complicações.
Assim, é fundamental que a equipe de enfermagem atue de forma a restabelecer-lhe as funções vitais,
aliviar-lhe a dor e os desconfortos pós-operatório (náuseas, vômitos e distensão abdominal), manter-lhe
a integridade da pele e prevenir a ocorrência de infecções.
Ao receber o cliente na RPA, UTI ou enfermaria, a equipe deve tranquilizá-lo, informá-lo de onde se
encontra e perguntar-lhe se sente alguma anormalidade e/ou desconforto. Se o cliente estiver sonolento
ou aparentemente inconsciente, não devem ser feitos comentários indevidos, pois sua audição pode estar
presente.
Deve-se ler atentamente o seu prontuário, o qual deverá conter informações sobre o tipo de anestesia,
anestésico recebido, cirurgia realizada, intercorrências e recomendações especiais.
Os frascos de solução, sangue e derivados devem ser postos no suporte e realizado o controle de
gotejamento e dos líquidos infundidos e eliminados pelas sondas, drenos e cateteres - os quais deverão
estar conectados às extensões e fixados no leito ou outro local adequado.
Para os clientes submetidos à anestesia geral, recomenda-se o decúbito dorsal horizontal sem
travesseiro, com a cabeça lateralizada para evitar aspiração de vômito (caso ocorra). Para os clientes
com sonda nasogástrica (SNG), indica-se a posição semi-fowler, para prevenir a ocorrência de esofagite
de refluxo. Visando evitar a queda dos clientes sonolentos, confusos e/ou agitados devido à ação dos
anestésicos, as grades da cama devem ser mantidas elevadas.
Normalmente, o cliente se apresenta hipotérmico ao retornar da SO em vista da ação depressora do
sistema nervoso - provocada pelo anestésico. A primeira conduta é aquecê-lo com cobertores, fechar as
janelas, ligar o aquecedor de ambiente e controlar sua temperatura com maior frequência. É
absolutamente contraindicada a aplicação de bolsa de água quente, pelo risco de surgirem queimaduras
causadas pela diminuição da sensibilidade dolorosa.
Na RPA, na primeira hora, o controle dos sinais vitais é realizado de 15 em 15 minutos; se estiver
regular, de 30 em 30 minutos. Mantida a regularidade do quadro, o tempo de verificação do controle deve
ser espaçado para 1/1h, 2/2h, e assim por diante.
Nos cuidados com o curativo, observar se o mesmo está apertado demais ou provocando edema no
local; se está frouxo demais ou se desprendendo da pele; ou se se apresenta sujo de sangue - o que
indica sangramento ou hemorragia. Nestas situações, a equipe de enfermagem solicita avaliação médica
ou refaz o curativo, mantendo uma maior vigilância sobre o cliente que apresenta sangramento.
Quando o cliente está com os reflexos presentes, sinais vitais estabilizados, drenos e sondas
funcionando, recebe alta médica da RPA e é encaminhado para a unidade de internação.
No tocante à ansiedade e agitação apresentadas por alguns clientes, a equipe de enfermagem pode
diminuir seus receios dizendo-lhes onde se encontram, perguntando-lhes o que os está incomodando ou
tranquilizando-os mediante aplicação de analgésicos ou tranquilizantes.
Com relação aos clientes agitados, a contenção ou restrição mecânica dos mesmos ao leito só deve
ocorrer após terem sido realizadas várias tentativas para acalmá-los (orientação, mudança de
posicionamento, oferecer óculos e/ou aparelho de audição, dentre outras estratégias).
Durante o ato da contenção, alguns cuidados de enfermagem devem ser realizados visando evitar a
ocorrência de complicações circulatória e respiratória: evitar o garroteamento e proteger a área com
algodão em rama (ortopédico), camadas de algodão ou compressa; manter vigilância da área restrita;
massagear o local e refazer a restrição duas vezes ao dia e sempre que houver cianose e edema; além
disso, verificar queixas de dor ou formigamento.
A decisão pela restrição mecânica deve se basear na real necessidade do cliente, e não por ser a
medida que diminuirá o trabalho da equipe de enfermagem. Após a sua adoção, não se deve esquecer

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que o cliente sob restrição permanece sendo um ser humano que necessita ser confortado, tranquilizado
e receber os adequados cuidados de enfermagem, incluindo avaliação constante da necessidade de
manutenção da restrição.
Após os cuidados recebidos, devem ser registrados, pela enfermagem, dados como o tipo de
anestesia, a cirurgia realizada, o horário de chegada, as condições gerais do cliente, a presença de
drenos, soluções venosas, sondas, cateteres e a assistência prestada.

Anormalidades e Complicações do Pós-Operatório


A ocorrência de complicações no pós-operatório implica piora do quadro clínico do cliente, aumento
do período de recuperação cirúrgica e, em alguns casos, até mesmo o óbito. Por isso, é vital que a
prevenção, identificação e imediata intervenção sejam realizadas o mais precocemente possível.

Geralmente, as complicações mais comuns são:

- Alteração dos sinais vitais (TPR-PA): é importante que a temperatura corporal seja controlada com
maior frequência, bem como atentar para a instalação de quadro convulsivo, principalmente em crianças.
Como as alterações térmicas levam a alterações nos sistemas cardiovascular e respiratório, recomenda-
-se que os sinais vitais também recebam idêntica frequência de controle - o qual possibilita a identificação
precoce do choque, que é a intercorrência mais grave, muitas vezes fatal. Assim, estes controles devem
ser realizados até que o cliente estabilize suas condições físicas.
No tocante à respiração, esta pode estar alterada por efeito do anestésico - que deprime o sistema
nervoso - ou por obstrução das vias aéreas devido à aspiração de vômitos ou secreções.
A cirurgia provoca no cliente um período de instabilidade orgânica que pode se manifestar pela
alteração de temperatura (hipertermia ou hipotermia). Na hipertermia, a equipe de enfermagem pode
retirar os cobertores, resfriar o ambiente, aplicar compressas frias nas regiões da fronte, axilar e inguinal
e medicar antitérmico, de acordo com a prescrição; na hipotermia, o cliente deve ser agasalhado e sua
temperatura monitorada.
A diminuição da pressão arterial e pulso é ocasionada pela perda de sangue durante a cirurgia, efeito
do anestésico ou, mesmo, mudança brusca de posição. A hipotensão arterial é a complicação precoce
mais frequentemente encontrada nas pessoas submetidas à raquianestesia, devendo ser corrigida com
hidratação rigorosa pela via EV, mantendo-se o cliente na posição de Trendelemburg - para melhorar o
retorno venoso - e administrando-lhe oxigênio. A administração de medicamentos vasopressores está
indicada apenas quando outras medidas não conseguiram normalizaram a pressão arterial.

- Alterações neurológicas:
a) Dor
O estado neurológico do cliente pode ser afetado pela ação do anestésico, do ato cirúrgico ou de um
posicionamento inadequado na mesa cirúrgica. Por isso, a equipe de enfermagem deve observar o nível
de consciência e as funções motora e sensitiva.
Quando o cliente apresentar quadro de confusão mental ou agitação, pesquisar se isto não está sendo
provocado pela dor que surge à medida que a ação do anestésico vai sendo eliminada pelo organismo.
Confirmando-se a dor, medicá-lo conforme prescrição médica.
A dor mais comum é a que ocorre na região alvo da cirurgia, que diminui gradativamente com o passar
do tempo. Por ser a dor uma experiência subjetiva e pessoal, ou seja, só o cliente sabe identificá-la e
avaliar sua intensidade, não devemos menosprezá-la, mas, sim, providenciar o medicamento prescrito
para a analgesia de forma a não permitir que se torne mais intensa.
Muitas vezes, na prescrição médica há analgésicos que devem ser administrados a intervalos
regulares e sempre que necessário. Mesmo que o cliente não relate dor intensa, a administração da
medicação é importante para prevenir a sensação dolorosa mais intensa e contínua.
A dor pode variar quanto à localização, intensidade, duração e tipo (em pontadas, compressiva,
constante, intermitente) - características que podem ser obtidas pelas informações dadas pelo cliente.
Outras manobras/estratégias podem auxiliar no alívio da dor, tais como, respeitadas as devidas
contraindicações: afrouxar e/ou trocar os curativos, aliviar a retenção de urina e fezes, fazer a mudança
de decúbito, apoiar segmentos do corpo em coxins e aplicar compressas frias ou quentes, escurecer o
ambiente e diminuir os barulhos, estimulando o cliente a repousar e/ou proporcionar-lhe algo que o
distraia, por exemplo, televisão, música, revistas, etc.
As ações a serem implementadas devem considerar a necessidade e o tipo de cliente, bem como os
recursos disponíveis na unidade.

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Realizadas estas medidas, se a dor ainda persistir, deve-se verificar junto ao enfermeiro e/ou médico
a possibilidade de administrar outros medicamentos.
A equipe de enfermagem deve acompanhar a evolução da dor, pois só assim saberá se o medicamento
está fazendo efeito, comunicando à enfermeira ou médico a sua persistência, para reavaliação da causa
e/ou seu tratamento.
É importante lembrar que a analgesia precoce ajuda o cliente a se movimentar sem grandes restrições,
o que auxilia e agiliza sua efetiva recuperação.
Outra dor bastante comum é a cefaleia pós-raquianestesia, causada pela saída de líquor durante a
punção lombar realizada para a introdução do anestésico.
O cliente, ao elevar a cabeça, pode apresentar cefaleia intensa - o que também pode ocorrer mais
tardiamente, entre o 2° e 7° dias após a punção. Nessas circunstâncias, recomenda-se colocá-lo em
decúbito baixo, em posição supina, e dar-lhe hidratação adequada por VO e/ou EV, bem como os
analgésicos prescritos.

b) Sonolência
A sonolência é uma característica muito frequente no cliente cirúrgico. Assim, a certificação do seu
nível de consciência deve ser sempre verificada mediante alguns estímulos (perguntas, estímulo tátil) e
as alterações comunicadas o mais rapidamente possível, pois podem indicar complicações graves -
como, por exemplo, hemorragia interna.

c) Soluço
Os soluços são espasmos intermitentes do diafragma, provocados pela irritação do nervo frênico. No
pós-operatório, suas causas mais comuns são a distensão abdominal e a hipotermia.
Na maioria das vezes, os soluços terminam espontaneamente ou por condutas simples. Uma delas é
eliminar as causas pela aspiração ou lavagem gástrica (na distensão abdominal), deambulação,
aquecimento do cliente hipotérmico e mudança de decúbito.
Outras, orientar o cliente para inspirar e expirar em um saco de papel, porque o dióxido de carbono
diminui a irritação nervosa; ou administrar-lhe metoclopramida (Plasil®) de acordo com a prescrição
médica.

- Complicações pulmonares: são as complicações mais sérias e frequentes no pós-operatório,


principalmente nos clientes obesos, fumantes, idosos e naqueles com outros agravos clínicos.
As ações da equipe de enfermagem priorizam a prevenção das complicações pulmonares pelo
reconhecimento precoce dos sinais e sintomas (cianose, dispneia, tiragem intercostal, batimentos de asa
de nariz, agitação), movimentação e deambulação precoce, lateralização da cabeça do cliente com vômito
e não infusão de soluções endovenosas pelos membros inferiores - para evitar a formação de trombos e
embolia pulmonar.
Normalmente, a causa dessas complicações é o acúmulo de secreções brônquicas, cuja remoção
pode ser favorecida pela fluidificação.
A expectoração é o meio natural de expeli-las, o que ocorre pela tosse.
Assim, o cliente deve ser estimulado a hidratar-se, realizar os exercícios respiratórios e não inibir a
tosse. Ao tossir, o cliente pode referir medo e dor. Para minimizar esta sensação, deve ser orientado a
colocar as mãos, com os dedos entrelaçados, sobre a incisão cirúrgica; ou utilizar-se de um travesseiro,
abraçando-o e expectorando no lenço de papel.
A broncopneumonia (BCP) é a principal complicação e acontece devido à aspiração de vômitos ou
alimentos, estase pulmonar, infecção e irritação por produtos químicos. Além dessa, podem ocorrer a
atelectasia, que é o colabamento dos alvéolos pulmonares pela obstrução dos brônquios por tampão
mucoso, e a embolia pulmonar, que consiste na obstrução da artéria pulmonar ou de seus ramos por
êmbolos.
O cliente pode apresentar, ainda, hipertermia, alterações na frequência e profundidade da respiração,
dispneia e dor torácica.
Como algumas complicações instalam-se bruscamente, faz-se necessário que a equipe de
enfermagem mantenha material de oxigenação pronto para o uso emergencial: material de aspiração de
secreção, nebulizadores, cateter de oxigênio, balão auto inflável tipo ambu com intermediários, máscaras
de diversos tamanhos e material de intubação (laringoscópio, sondas endotraqueais de diversos calibres,
mandril).

- Complicações urinárias: as mais frequentes são a infecção urinária e a retenção urinária


(bexigoma). A infecção urinária é geralmente causada por falhas na técnica de sondagem vesical e refluxo

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da urina. Como sintomatologia, o cliente apresenta hipertermia, disúria e alterações nas características
da urina.
Visando minimizar a ocorrência de infecção urinária, deve-se manter a higiene íntima adequada do
cliente, bem como obedecer à técnica asséptica durante a passagem da sonda e sempre utilizar
extensões, conectores e coletores esterilizados com sistema fechado de drenagem.
No caso de retenção urinária, a equipe de enfermagem deve eliminar suas prováveis causas:
medicando o cliente contra a dor, promovendo sua privacidade, mudando-lhe de posição (se não houver
contraindicação) e avaliando a presença de dobraduras e grumos nas extensões das sondas e drenos
nas proximidades da bexiga.
Se essas medidas não surtirem efeito, realizar higiene íntima com água morna, aquecer e relaxar o
abdome pela aplicação de calor local e realizar estimulação pelo ruído de uma torneira aberta próxima ao
leito. Caso o cliente não consiga urinar após tentados estes métodos, deve-se comunicar tal fato à
enfermeira e/ou médico, e discutir a possibilidade da passagem de uma sonda de alívio.

- Complicações gastrintestinais:
a) Náuseas e vômito
Os efeitos colaterais dos anestésicos e a diminuição do peristaltismo ocasionam distensão abdominal,
acúmulo de líquidos e restos alimentares no trato digestório; em consequência, o cliente pode apresentar
náuseas e vômito.
Na presença de náuseas, os clientes sem sonda nasogástrica devem ser colocados em decúbito lateral
ou com a cabeça lateralizada para facilitar a drenagem do vômito pela boca. Nos clientes com sonda
nasogástrica, abrir a sonda e, mantendo-a aberta, proceder à aspiração para esvaziar a cavidade gástrica.
Para proporcionar conforto ao cliente, o vômito deve ser aparado em uma cuba-rim ou lençol/toalha; a
seguir, trocar as roupas de cama e proceder à higiene oral o mais rápido possível.
Geralmente, faz-se necessário medicá-lo com antieméticos, passar a sonda nasogástrica (mantendo-
a aberta) e aspirar mais frequentemente o conteúdo gástrico, de acordo com as orientações da enfermeira
e/ou médico. Posteriormente, anotar a intercorrência e as providências adotadas.
A dieta é introduzida de forma gradativa nos clientes, desde que não apresentem náuseas, vômitos ou
distensão abdominal, ou de acordo com as condições de aceitação. A equipe de enfermagem deve estar
atenta quanto à ingestão de líquidos, por ser esta uma das formas de reposição das perdas líquidas
ocorridas na cirurgia devido, principalmente, ao sangramento.

b) Constipação intestinal
A constipação intestinal ocorre quando há diminuição do peristaltismo provocada pelo efeito colateral
do anestésico, imobilidade prolongada no leito, quadro inflamatório, exposição e manipulação do intestino
durante as cirurgias abdominais e o medo da dor. Como resultado, ocorre retenção de fezes
acompanhada ou não de dor, desconforto abdominal e flatulência.
O objetivo principal do cuidado é facilitar a saída dos gases e fezes retidos, o que pode ser obtido
mediante movimentação no leito, deambulação precoce, ingestão de líquidos e aceitação de alimentos
ricos em celulose.
A nutricionista deve ser notificada para que possa rever a dieta. A aplicação de calor na região
abdominal e a orientação, ao cliente, para que degluta menos ar ao beber ou ingerir alimentos pode ajudar
no retorno do movimento peristáltico e diminuir o acúmulo de gases. Deve-se, preferencialmente,
promover sua privacidade para que possa eliminar os gases.
Nos casos em que o cliente não consegue evacuar de forma satisfatória, o médico pode prescrever
laxante no período noturno e/ou lavagem intestinal.

c) Sede
Provocada pela ação inibidora da atropina, perdas sanguíneas e de líquidos pela cavidade exposta
durante o ato operatório, sudorese e hipertermia.
A equipe de enfermagem deve observar a presença de sinais de desidratação (alteração no turgor da
pele e da PA e diminuição da diurese), manter a hidratação por via oral e, nos clientes impossibilitados
de hidratar-se por via oral, umidificar os lábios e a boca, realizar higiene oral e manter hidratação
endovenosa.

- Complicações vasculares: a permanência prolongada no leito, associada à imobilidade após a


cirurgia, provoca estase venosa, predispondo o aparecimento de trombose, tromboflebite e embolia.
Quando o cliente muda de decúbito, estimula sua circulação e a respiração mais profunda, aliviando-
-lhe também as áreas de pressão. Portanto, para melhorar a circulação dos membros inferiores (MMII) o

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cliente deve, sozinho ou com ajuda, deitar-se em decúbito dorsal, dobrar o joelho e levantar o pé; um
outro bom exercício é movimentar as articulações.
A mudança de decúbito a cada 2 ou 4 horas, com ou sem auxílio da equipe de enfermagem, bem como
a movimentação, realização de exercícios ativos no leito e início da deambulação o mais precocemente
possível são os cuidados recomendados para evitar a ocorrência de complicações vasculares.
Não havendo contraindicação, a partir do primeiro PO inicia-se a deambulação precoce. Para prevenir
a hipotensão postural, deve-se orientar o cliente para que não se levante bruscamente do leito.
Caso seja este seu desejo, deve, primeiramente, sentar-se com as pernas para baixo e, em seguida,
ficar em pé, sempre com o auxílio de outra pessoa. Deve, ainda, ser orientado para solicitar medicação
analgésica caso a dor lhe dificulte a movimentação, desestimulando-o a levantar-se do leito.

- Complicações na ferida operatória:


a) Hemorragia
A hemorragia pode ser externa, quando o sangramento é visível, ou interna, quando o sangramento
não é visível - circunstância mais difícil de imediata identificação. Acontece, frequentemente, nas
primeiras 24 horas após a cirurgia.
Dependendo da intensidade, o cliente apresentará sensação de desconforto, palidez intensa, mucosa
descorada, taquicardia, dispneia e choque hipovolêmico. No caso de hemorragia interna, pode também
referir dor.
As ações de enfermagem consistem em observar a presença de sangramento no curativo e/ou roupas
de cama. Qualquer sinal de aumento no sangramento deve ser comunicado com urgência à enfermeira
ou médico, para que sejam tomadas as devidas providências, pois, conforme o caso, o cliente deverá ser
preparado para uma possível revisão cirúrgica.
Na ocorrência de sangramento aumentado, a verificação dos sinais vitais é importante, pois pode
indicar possível choque hemorrágico.

b) Infecção da ferida cirúrgica


A infecção da ferida operatória se caracteriza pela presença de secreção purulenta que varia de clara
inodora a pus espesso com odor fétido, com a presença ou não de necrose nas bordas da ferida.
Quando ocorre um processo inflamatório, normalmente os sintomas se manifestam entre 36 e 48 horas
após a cirurgia, mas podem passar despercebidos devido à antibioticoterapia.
A equipe de enfermagem pode prevenir a infecção através de um preparo pré-operatório adequado,
utilização de técnicas assépticas, observação dos princípios da técnica de curativo e alerta aos sinais que
caracterizam a infecção.
Os clientes devem ser orientados quanto aos cuidados, durante o banho, com o curativo fechado. Nas
instituições que têm por rotina trocar o curativo somente após o 2o dia pós-operatório (DPO), o mesmo
deve ser coberto com plástico, como proteção à água do chuveiro - caso se molhe acidentalmente, isto
deve ser notificado. Nas instituições em que os curativos são trocados diariamente, estes podem ser
retirados antes do banho, para que o cliente possa lavar o local com água e sabão, sendo refeitos logo
após.

c) Deiscência
A deiscência é a abertura total ou parcial da incisão cirúrgica provocada por infecção, rompimento da
sutura, distensão abdominal, ascite e estado nutricional precário do cliente.
O tratamento da deiscência se realiza mediante lavagem ou irrigação do local com solução fisiológica,
podendo haver a necessidade de o cliente revisar os pontos cirúrgicos.
A troca do curativo pode ou não ser atribuição da equipe de enfermagem e o tempo de permanência
dos curativos fechados depende da rotina da instituição ou da equipe médica. Todos os curativos com
saída de secreções (purulenta, sanguinolenta) devem ser do tipo fechado; nos casos de sangramento,
indica-se o curativo compressivo.

- Choque: no quadro de choque ocorre suprimento inadequado de sangue para os tecidos, provocando
alterações nos órgãos essenciais.
Por ser uma ocorrência grave, o prognóstico dependerá da rapidez no atendimento.
No PO imediato o choque hipovolêmico é o mais comum, provocado pela perda sanguínea excessiva
ou reposição hídrica ou sanguínea inadequada durante ou após a cirurgia.
Outro tipo frequente é o choque séptico decorrente de cirurgias infectadas, infecções crônicas ou
adquiridas durante ou após o ato cirúrgico.

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Os sinais e sintomas mais frequentes são pulso taquicardíaco e filiforme, hipotensão arterial, dispneia,
palidez, sudorese fria, hipotermia, cianose de extremidades, agitação, oligúria ou anúria, valores de PVC
abaixo do normal.
Como o choque se instala rapidamente, é fundamental detectar e notificar precocemente seus sinais
indicativos e a variação no nível de consciência, bem como controlar frequentemente a pressão venosa
central, temperatura, pressão arterial e frequência respiratória, principalmente o pulso e a pressão arterial,
e observar focos hemorrágicos fazendo, se necessário, curativo compressivo.
Considerando os sinais e sintomas e a possibilidade de o cliente entrar em choque, recomenda-se a
punção de uma veia o mais precocemente possível, haja vista que, após a instalação do choque, haverá
dificuldade para a visualização da mesma. A venóclise deve ser mantida enquanto se aguarda a conduta
médica.
O material de emergência deve estar pronto para uso: tábua de massagem cardíaca, aspirador, sondas
de aspiração de diversos calibres, luvas esterilizadas, balão auto inflável tipo ambu com intermediário,
máscaras de diversos tamanhos, material de intubação (laringoscópio, sondas endotraqueais de diversos
calibres e mandril), cateter de oxigênio, nebulizador, cânulas de Guedel, medicamentos utilizados na
parada cardíaca e soluções diversas.

- Drenos: cuidados necessários


Algumas cirurgias exigem a necessidade da colocação de drenos para facilitar o esvaziamento do ar
e líquidos (sangue, secreções) acumulados na cavidade. Assim, para que exerça corretamente sua
função, o profissional deve ter a compreensão do que vem a ser dreno, bem como suas formas e
localizações.
Dreno pode ser definido como um objeto de forma variada, produzido em materiais diversos, cuja
finalidade é manter a saída de líquido de uma cavidade para o exterior.
De maneira geral, os cuidados de enfermagem são: manter a permeabilidade, visando garantir uma
drenagem eficiente; realizar o adequado posicionamento do dreno, evitando que ocorra tração e posterior
deslocamento; realizar o curativo conforme a necessidade e com o material determinado para a
prevenção de infecções; controlar a drenagem, atentando para a quantidade e aspecto da secreção
drenada, e registrar corretamente todos estes dados.
Para melhor entendimento, apresentaremos a seguir alguns tipos de drenos, seu posicionamento,
cuidados específicos e em que tipos de cirurgia podem ser utilizados.
O sistema para drenagem fechada de feridas realiza a drenagem com o auxílio de uma leve sucção
(vácuo), sendo composto por uma extensão em que uma extremidade fica instalada na cavidade e a outra
em uma bolsa com o aspecto de sanfona.
Seu manejo consiste em manter essa sanfona com a pressão necessária para que a drenagem ocorra
com mais facilidade. Este sistema é utilizado, principalmente, para a drenagem de secreção
sanguinolenta, sendo amplamente utilizado nas cirurgias de osteossíntese e drenagem de hematoma
craniano.
Outra forma de drenagem fechada são os drenos com reservatório de Jackson-Pratt (JP), que
funcionam com pressão negativa e diferenciam-se do anterior por possuir a forma de pera - sendo
comumente utilizados para cirurgias abdominais.
O principal cuidado com esse tipo de dreno é a correta manutenção do vácuo, obtida com a
compressão do reservatório. Caso contrário, a drenagem não será eficaz, podendo ocorrer acúmulo de
secreção - o que provocaria no cliente dor, desconforto e alterações dos seus sinais vitais, entre outras
intercorrências.
Existem também os sistemas de drenagem aberta, nos quais o dreno mais utilizado é o de Penrose,
constituído por um tubo macio de borracha, de largura variada, utilizado, principalmente, em cirurgias em
que haja presença de abcesso na cavidade, particularmente nas cirurgias abdominais - nas quais ele se
posiciona dentro da cavidade, sendo exteriorizado por um orifício próximo à incisão cirúrgica.
Com relação aos cuidados de enfermagem, por se tratar de um sistema aberto - que deverá estar
sempre protegido por um reservatório (bolsa) - a manipulação deve ser feita de maneira asséptica, pois
existe a comunicação do meio ambiente com a cavidade, o que possibilita a ocorrência de infecção - e o
profissional deve estar atento para a possibilidade de exteriorização, o que não é incomum.
Além dessas, existe uma outra forma de drenagem que pode ser realizada tanto no momento da
realização do ato cirúrgico como na presença de algum colapso: a drenagem de tórax - a qual, em vista
de suas particularidades, será detalhada a seguir.

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- Dreno de tórax
Sabemos que os pulmões estão envolvidos por um saco seroso, completamente fechado, chamado
pleura - que possui um espaço (cavidade pleural) com pequena quantidade de líquido. Nesta cavidade a
pressão é menor que a do ar atmosférico, o que possibilita a entrada de ar. Sempre que o pulmão perde
essa pressão negativa, seja por abertura do tórax devido à cirurgia, trauma ou por presença de ar, pus,
ou sangue no tórax, ocorrerá o colapso pulmonar.
Na presença desse colapso faz-se necessária a realização de drenagem torácica para a reexpansão
pulmonar através da restauração da pressão negativa. Para tal procedimento, faz-se necessária a
utilização de máscara, aventais e luvas estéreis, solução para a assepsia do local de punção, sistema de
drenagem montado, anestésico local e material para curativo.
Durante o procedimento, a equipe de enfermagem deve auxiliar a circulação dos materiais e promover
conforto e segurança ao cliente.
Em relação à manutenção do sistema fechado, a equipe de enfermagem deve observar e realizar
algumas ações específicas para impedir a entrada de ar no sistema, pois, caso isto ocorra, o ar pode
entrar nas pleuras (colabamento pulmonar) e comprimir os pulmões, provocando dispneia e desconforto
respiratório para o cliente.
Como precaução a esta eventualidade, o dreno deve estar corretamente fixado ao tórax do paciente
com fita adesiva - o que impede seu deslocamento.
Visando evitar o colabamento pulmonar, a equipe deve adotar os seguintes cuidados: certificar-se de
que as tampas e os intermediários do dreno estejam corretamente ajustados e sem presença de escape
de ar, o que prejudicaria a drenagem; manter o frasco coletor sempre abaixo do nível do tórax do cliente
- o qual, durante a deambulação, poderá utilizar uma sacola como suporte para o frasco coletor.
O cliente deve ser orientado para manter o frasco coletor sempre abaixo do nível de seu tórax, e atentar
para que não quebre - caso isto ocorra, deve imediatamente pinçar com os dedos a extensão entre o
dreno e o frasco, o que evitará a penetração de ar na cavidade pleural.
O dreno originário do tórax deve ser mantido mergulhado em solução estéril contida no frasco coletor
(selo de água) - no qual deve ser colocada uma fita adesiva em seu exterior, para marcar o volume de
solução depositada, possibilitando, assim, o efetivo controle da drenagem.
A intervalos regulares, o auxiliar de enfermagem deve checar o nível do líquido drenado, comunicando
à enfermeira e/ou médico as alterações (volume drenado, viscosidade e coloração).
Observar a oscilação da coluna de líquido no interior do frasco coletor - que deve estar de acordo com
os movimentos respiratórios do cliente. Caso haja a necessidade de seu transporte, o profissional deverá
pinçar a extensão apenas no momento da transferência da cama para a maca.
Nessa circunstância, o cliente deve ser orientado para não se deitar ou se sentar sobre a extensão, e
a equipe deve observar se não existem dobras, formação de alças e/ou obstrução da extensão, visando
evitar o aumento da pressão intrapleural, que pode provocar parada cardiorrespiratória.
A cada 24 horas, realizar a troca do frasco de drenagem, de maneira asséptica, cujo pinçamento de
sua extensão deve durar apenas alguns segundos (o momento da troca), observando-se e anotando-se,
nesse processo, a quantidade e aspecto da secreção desprezada.
Com relação aos clientes em posição pleural e com drenos, o controle da dor é de extrema importância,
pois lhes diminui a ansiedade e desconforto, além de evitar a infecção pulmonar - como sabemos, a
pessoa com dor não realiza corretamente a fisioterapia respiratória, o que aumenta o acúmulo de
secreção e, consequentemente, a possibilidade de infecção pulmonar.

Os Familiares, o Cliente e a Alta Hospitalar

A alta é um momento importante para o cliente e seus familiares, pois significa sua volta ao contexto
social. É uma fase de transição que causa muita ansiedade e preocupação para todos os envolvidos.
Para minimizar esses sentimentos, faz-se importante a correta orientação quanto aos cuidados a serem
tomados e as formas de adaptá-los no domicílio; bem como alertar o cliente sobre seu retorno ao serviço
de saúde, para avaliação da evolução.
Para que os familiares, efetivamente, compreendam a complexidade dos cuidados (técnicas
assépticas, manuseio dos curativos, grau de dependência, uso de medicações, etc.), as informações
devem ser passadas paulatinamente. Esta estratégia evita que o momento da saída seja conturbado por
conta de um acúmulo de informações para a continuidade do bem-estar do cliente.

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Questões

01. (EBSERH/ HC-UFMG - Técnico em Enfermagem - AOCP) São atribuições do técnico de


enfermagem no Centro Cirúrgico, EXCETO
(A) colher material para exame de laboratório de acordo com a solicitação médica em impresso próprio
e conforme regulamentação do exercício profissional da enfermagem.
(B) auxiliar o cirurgião e realizar a sutura da pele ao final da cirurgia, se solicitado pelo enfermeiro.
(C) dispor os instrumentos cirúrgicos sobre a mesa apropriada, com técnica asséptica.
(D) administrar a medicação prescrita, fazer curativos simples e controlar os sinais vitais de acordo
com os protocolos da unidade.
(E) exercer as atribuições de circulante de sala.

02. (Pref. Botucatu/SP - Auxiliar de Enfermagem - CAIPIMES) Em relação aos cuidados com a
criança com afecções cirúrgicas, a manutenção do jejum antes do ato operatório tem alguns objetivos.
Leia as sentenças abaixo e assinale a seguir a alternativa que apresenta a resposta correta para a
exigência do jejum.
I- Evitar vômitos e prevenir a aspiração de resíduos alimentares.
II- Aumentar o efeito das medicações pré-anestésicas e diminuir o risco de reações anafiláticas.
III- Acelerar a recuperação no período pós-anestésico.
IV- Facilitar o acesso em cirurgias abdominais.

(A) Somente a alternativa I é verdadeira.


(B) Somente as alternativas I, II, e III são verdadeiras.
(C) Somente as alternativas III e IV são verdadeiras.
(D) Somente as alternativas II e III são verdadeiras.

03. (SSA-HMDCC - Enfermeiro - Centro Cirúrgico - IBFC) Assinale a alternativa que contemple a
pontuação correta do índice de Aldrete e Kroulik para um paciente que apresenta movimentação nos
quatro membros; é capaz de respirar profundamente ou sob comando; sua pressão arterial apresenta
variação de 20 a 49% do nível pré-anestésico; desperta, se solicitado; e é capaz de manter saturação de
O2 maior do que 92%, respirando em ar ambiente.
(A) 7.
(B) 9.
(C) 10.
(D) 8.

Gabarito
01.B / 02.A / 03.D

Comentários
01. Resposta: B.
A coleta de material para exame de laboratório deverá ser realizada na fase pré-operatória com o
propósito de diagnosticar complicações no ato cirúrgico.

02. Resposta: A.
A manutenção do jejum de 6 a 12 horas antes da cirurgia tem por objetivo evitar vômitos e aspiração
de resíduos alimentares por ocasião da anestesia. É importante que, tanto o cliente como seus familiares,
tenham conhecimento deste cuidado, para que possam entender o motivo e efetivamente cumpri-lo.

03. Resposta: D.
A hipotermia não intencional é frequente em RPA, e geralmente não é uma situação impeditiva de alta
quando os parâmetros clínicos avaliados pelo Índice de Aldrete e Kroulik apontam para a transferência
do paciente para a unidade de origem, isto é, quando atingem o total de 8 a 10 pontos. O Índice de Aldrete
e Kroulik foi criado e validado em 1970. Em 1995 foi submetido a uma revisão pelos próprios autores. É
utilizado, desde sua criação, na avaliação e evolução dos pacientes no período pós-anestésico pela
análise da atividade muscular, da respiração, da circulação, da consciência e da saturação de oxigênio.
A pontuação varia de 0 a 2 pontos para cada parâmetro, na qual o zero (0) indica condições de maior
gravidade, a pontuação um (1) corresponde a um nível intermediário e, a dois (2) representa as funções
restabelecidas.

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5. Noções de controle de infecção hospitalar

INFECÇÃO HOSPITALAR

Qualquer tipo de infecção adquirida após a entrada do paciente em um hospital ou após a sua alta
quando essa infecção estiver diretamente relacionada com a internação ou procedimento hospitalar,
como, por exemplo, uma cirurgia.

O diagnóstico de infecção hospitalar envolve o uso de alguns critérios técnicos, previamente


estabelecidos:
- Observação direta do paciente ou análise de seu prontuário;
- Resultados de exames de laboratório;
- Quando não houver evidência clínica ou laboratorial de infecção no momento da internação no
hospital, convenciona-se infecção hospitalar toda manifestação clínica de infecção que se apresentar
após 72 horas da admissão no hospital;
- Também são convencionadas infecções hospitalares aquelas manifestadas antes de 72 horas da
internação, quando associadas a procedimentos médicos realizados durante esse período;
- Os pacientes transferidos de outro hospital são considerados portadores de infecção hospitalar do
seu hospital de origem;
- As infecções de recém-nascidos são hospitalares, com exceção das transmitidas pela placenta ou
das associadas a bolsa rota superior a 24 horas.

Qualquer pessoa que é obrigada a internar-se em ambiente hospitalar para tratamento médico está
sujeita a contrair uma infecção hospitalar, que está diretamente relacionada ao tempo de internação e
procedimento a ser realizado.
Em procedimentos cirúrgicos sempre existem mais riscos de contrair infecção do que em uma
internação sem procedimentos já que Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) ou Centros Cirúrgicos
são locais onde há muito mais chances de contrair infecção.

Sintomatologia

Os sintomas são relacionados ao local do procedimento ou envolvem algum sistema, como respiratório
ou urinário. Pacientes graves podem ter comprometimento de todo o organismo.

Tratamento

Após o diagnóstico de infecção hospitalar, o tratamento é feito sempre com antibióticos injetáveis e por
período de 14 a 30 dias.

Prevenção

A prevenção de infecções hospitalares por todo o mundo depende muito mais da instituição hospitalar
e de seus trabalhadores do que dos pacientes, já que ninguém se interna com intenção de contrair
doenças dentro do hospital.

Os cuidados para não ocorrer elevado número de infecções e sua prevenção e controle envolvem:
- Medidas de qualificação da assistência hospitalar;
- De vigilância sanitária e outras, tomadas no âmbito do município e estado.

Assepsia é o processo pelo qual são afastados os micro-organismos patogênicos de um local ou


objeto. Em um hospital, a assepsia é essencial para evitar as infecções. São exemplos de assepsia:
- O ato de lavar as mãos (impede a transferência de micro-organismos presentes na mão do agente
de saúde para o paciente);
- A esterilização dos materiais;
- Não tossir, espirrar, e nem mesmo falar sobre material esterilizado;
- Uso de papel toalha para as mãos;
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- Não sentar nas camas dos pacientes;
- Não colocar materiais no chão (comadre, bacia);
- Remoção das bactérias da pele (banho, limpeza).

Fica claro, portanto, que as medidas para a prevenção das infecções hospitalares são de
responsabilidade do hospital e de seus funcionários. A padronização das técnicas de assepsia é o meio
mais eficaz de evitar as infecções hospitalares.

Os hospitais devem contar com uma Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) para:
- Fazer o diagnóstico de casos de infecção hospitalar;
- Padronizar as técnicas de assepsia;
- Promover o treinamento de funcionários;
- Ajudar no planejamento do espaço físico do hospital;
- Controlar a utilização de antibióticos no trato das infecções (para impedir o uso abusivo), entre outras
atribuições.

Fonte de Infecção Relacionada ao Ambiente

O ar, a água e as superfícies inanimadas verticais e horizontais fazem parte do meio ambiente de uma
instituição de saúde. Particularmente no hospital, o ambiente pode tornar-se foco de infecção hospitalar,
embora estudos tenham demonstrado não ser esse o principal meio de transmissão.

Os cuidados com o ambiente estão centrados principalmente nas ações de limpeza realizadas pelo
Serviço de Higiene Hospitalar. Há uma estreita relação deste com o Serviço de Prevenção e Controle de
Infecção Hospitalar, cabendo-lhe as seguintes incumbências:
- Padronizar produtos a serem utilizados na limpeza;
- Normatizar ou indicar o uso de germicidas para as áreas críticas ou para as demais, quando
necessário;
- Participar de treinamentos e dar orientação técnica à equipe de limpeza;
- Participar da elaboração ou atualização de manuais a respeito do assunto.

Fonte de Infecção Relacionada à Equipe de Saúde

A equipe de saúde tem importante papel na cadeia de transmissão da infecção hospitalar ou domiciliar.
As práticas adotadas para sua prevenção visam controlar a propagação de microrganismos que habitam
o ambiente hospitalar e diminuir os riscos de o paciente vir a adquirir uma infecção.
Por outro lado, tanto as medidas gerais como as específicas de prevenção e controle de infecção
implantadas na instituição também se direcionam para proteger o próprio trabalhador que ali desempenha
sua função, quer seja prestando assistência direta ao paciente, como no caso do auxiliar de enfermagem
ou do enfermeiro, quer seja indiretamente, como o funcionário da higiene hospitalar, da lavanderia ou da
nutrição e dietética.
Toda a equipe de saúde tem responsabilidade com relação à prevenção da infecção hospitalar,
devendo fazer correto uso das técnicas assépticas, dos equipamentos de proteção individual (EPI) e ou
coletivo (EPC), quando necessário.
Por sua vez, o empregador tem a responsabilidade de disponibilizar os recursos necessários à
efetivação desses cuidados. A prevenção e o controle da infecção fundamentam-se nos princípios de
assepsia, mediante a utilização de medidas para impedir a penetração de microrganismos (contaminação)
em local onde não estejam presentes.
As técnicas de assepsia devem ser utilizadas por todos os profissionais de saúde em todos os
procedimentos, e são agrupadas sob a denominação de assepsia médica e cirúrgica. A assepsia médica,
refere-se às medidas adotadas para reduzir o número de microrganismos e evitar sua disseminação; e a
assepsia cirúrgica, para impedir a contaminação de uma área ou objeto estéril.
As medidas que visam reduzir e prevenir o crescimento de microrganismos em tecidos vivos são
denominadas antissepsia.

A adesão da equipe às medidas gerais de prevenção e controle de infecção ainda dependem da


conscientização e mudança de hábitos dos profissionais. Entretanto, sua adoção implica a realização de
atos simples e de fácil execução, tais como:

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- Lavar sempre as mãos antes de realizar qualquer procedimento - um dos mais importantes meios
para prevenir a infecção cruzada;
- Manter os cabelos longos presos durante o trabalho, pois quando soltos acumulam sujidades, poeira
e microrganismos, favorecendo a contaminação do paciente e do próprio profissional;
- Manter as unhas curtas e aparadas, pois as longas facilitam o acúmulo de sujidades e
microrganismos;
- Evitar o uso de joias e bijuterias, como anéis, pulseiras e demais adornos, que podem constituir-se
em possíveis fontes de infecção pela facilidade de albergarem microrganismos em seus sulcos e
reentrâncias, bem como na pele subjacente;
- Não encostar ou sentar-se em superfícies com potencial de contaminação, como macas e camas de
pacientes, pois isto favorece a disseminação de microrganismos.

Infecção

É a resposta inflamatória provocada pela invasão ou presença de micro-organismos em tecidos


orgânicos.

Infecção Comunitária

É a infecção constatada ou em incubação no ato da admissão hospitalar do paciente, desde que não
relacionada com internação anterior.

São também comunitárias:


- A infecção que está associada à complicação ou extensão da infecção já presente na admissão
hospitalar, a menos que haja troca de micro-organismos com sinais ou sintomas fortemente sugestivos
da aquisição de nova infecção;
- A infecção em recém-nascido, cuja aquisição por via transplacentária é reconhecida ou foi
comprovada e que se tornou evidente logo após o nascimento (exemplo: herpes simples, toxoplasmose,
rubéola, citomegalovirose, sífilis, Aids);
- As infecções de recém-nascidos associadas com bolsa rota superior a 24 horas (vinte e quatro horas).

Princípios
- Evidência clínica, derivada da observação direta do paciente ou da análise de seu prontuário;
- Resultados de exames de laboratório, ressaltando-se os exames microbiológicos, a pesquisa de
antígenos, anticorpos e métodos de visualização realizados;
- Evidências de estudos com métodos de imagem;
- Endoscopia;
- Biópsia e outros.

Critérios gerais
- Quando na mesma topografia em que foi diagnosticada infecção comunitária, for isolado um germe
diferente, seguido do agravamento das condições clínicas do paciente, o caso deverá ser considerado
infecção hospitalar;
- Quando se desconhecer o período de incubação do microrganismo e não houver evidência clínica e
ou dado laboratorial de infecção no momento da internação, convenciona-se como infecção hospitalar
toda manifestação clínica de infecção que se apresentar a partir de 72 (setenta e duas) horas após a
admissão;
- São também convencionadas infecções hospitalares aquelas manifestadas antes de 72 (setenta e
duas) horas da internação, quando associadas a procedimentos diagnósticos e ou terapêuticos,
realizados durante esse período;
- As infecções do recém-nascido são hospitalares, com exceção das transmitidas de forma
transplacentária e aquelas associadas à bolsa rota durante esse período;
- Pacientes provenientes de outro hospital que se internam com infecção, são considerados portadores
de infecção hospitalar do hospital de origem. Nestes casos, a Coordenação Estadual/Distrital/Municipal e
ou hospital de origem deverão ser informados para computar o episódio como infecção hospitalar naquele
hospital.

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Classificação das Cirurgias por Potencial de Contaminação da Incisão Cirúrgica

As infecções pós-cirúrgicas devem ser analisadas conforme o potencial de contaminação da ferida


cirúrgica, entendido como o número de microrganismos presentes no tecido a ser operado;
A classificação das cirurgias deverá ser feita no final do ato cirúrgico, pelo cirurgião, de acordo com as
seguintes indicações:

Cirurgias limpas
São aquelas realizadas em tecidos estéreis ou passíveis de descontaminação, na ausência de
processo infeccioso e inflamatório local ou falhas técnicas grosseiras, cirurgias eletivas com cicatrização
de primeira intenção e sem drenagem aberta. Cirurgias em que não ocorrem penetrações nos tratos
digestório ou urinário.
- Artroplastia de quadril;
- Cirurgias cardíacas;
- Herniorrafia;
- Neurocirurgia;
- Cirurgias ortopédicas eletivas;
- Anastomose porto cava;
- Anastomose esplenectomia;
- Mastectomia;
- Enxertos cutâneos;
- Vagotomia supra seletiva sem drenagem;
- Cirurgias vasculares;
- Cirurgias torácicas;
- Cirurgias sobre o trato respiratório intratorácico ou baixo.
- Cirurgias de peritônio: baço, fígado, pâncreas, músculos, ossos, articulações, ovários, trompas, pele,
tecido celular subcutâneo, próstata sem acesso uretral, bexiga sem acesso uretral, ureter, bacinetes.

Nota: o índice ideal máximo de infecção esperado neste tipo de cirurgia é de até 2%, porém, segundo
o Colégio Americano de Cirurgiões, pode atingir até 5%.

Cirurgias potencialmente contaminadas


São aquelas realizadas em tecidos colonizados por flora microbiana pouco numerosa ou em tecidos
de difícil descontaminação, na ausência de processo infeccioso e inflamatório e com falhas técnicas
discretas no transoperatório. Cirurgias com drenagem aberta enquadram-se nessa categoria. Ocorre
penetração nos tratos digestivo, respiratório ou urinário sem contaminação significativa.
- Histerectomia abdominal;
- Cirurgia eletiva de intestino delgado;
- Cirurgia de vias biliares;
- Cirurgia esofágica, gástrica, duodenal e de íleo;
- Feridas traumáticas limpas;
- Cirurgias de ouvido externo;
- Cirurgia de uretra;
- Cirurgia de útero cujo acesso não seja o vaginal;
- Quebra menor da técnica asséptica;
- Drenagem mecânica.

Nota: o índice ideal máximo de infecção esperado neste tipo de cirurgia é de até 10%.

Cirurgias contaminadas
São aquelas realizadas em tecidos colonizados por flora bacteriana abundante, cuja descontaminação
seja difícil ou impossível, bem como aquelas em que tenham ocorrido falhas técnicas grosseiras e na
ausência de supuração local.
- Apendicectomia sem supuração;
- Cirurgia de cólon, reto e ânus;
- Cirurgia de vulva e vagina;
- Cirurgia de vias biliares em presença de bile contaminada;
- Cirurgia intranasal;
- Cirurgia oral e dental;

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- Cirurgia de orofaringe;
- Fraturas expostas;
- Fraturas traumáticas recentes;
- Cirurgias com quebra da técnica asséptica (por exemplo: massagem cardíaca a céu aberto).

Nota: estes procedimentos apresentam um índice de infecção esperando elevado, entretanto não
superior a 15-20%.

Cirurgias infectadas
São todas as intervenções cirúrgicas realizadas em qualquer tecido ou órgão, em presença de
processo infeccioso (supuração local) e ou tecido necrótico.
- Cirurgia de reto e ânus com pus;
- Cirurgia abdominal em presença de conteúdo de cólon e pus;
- Nefrectomia com infecção;
- Feridas traumáticas abertas tardias (depois de 10 horas);
- Parto normal ou cesariana com bolsa rota há mais de 6 horas.

O índice de infecção esperando para estes procedimentos varia de 28 a 40%

Tipos de Infecções

Infecções preveníveis
São aquelas passíveis de serem controladas e reduzidas a níveis aceitáveis. Ex.: pacientes em uso de
cateteres vesicais, venosos etc.

Infecções não-preveníveis
São aquelas que dependem basicamente do hospedeiro (paciente) e sua imunidade e não tanto dos
fatores externos. Ex.: infecção em RN prematuros, pacientes terminais, idosos, imunodeprimidos etc.

Infecção cruzada
É a infecção transmitida de paciente para paciente, geralmente por intermédio de profissionais de
saúde e que também é considerada infecção hospitalar.

Colonização
É o aumento de um ou mais tipo de microrganismo sem causar uma reação patogênica.

Isolamento

Define-se como isolamento o conjunto de medidas adotadas para fazer uma barreira que impeça a
disseminação de agentes infecciosos de um paciente para outro, para os visitantes e ou para o meio
ambiente.
Está indicado nas doenças transmissíveis, em situações definidas e, apenas durante o período de
transmissibilidade das doenças. Portanto, essa recomendação sobre isolamento deve se completar com
o período de incubação e de transmissão das doenças.
Chama-se de isolamento, toda vez que for necessário quarto individual; nas precauções, o quarto será
individual apenas quando possível.

Normas gerais de isolamento


Para todo paciente que necessite de qualquer tipo de isolamento, deve-se:
- Orientar todos os familiares antes da admissão do paciente na área de isolamento quanto ao provável
tempo de internamento nessa área, cuidados e medidas de biossegurança;
- Proibir visitas aos pacientes isolados, principalmente de crianças;
- Os prontuários e papeletas não deverão ser levados para dentro da área de isolamento. As anotações
poderão ser em papel à parte e logo repassadas para o prontuário;
- A mobília do local de isolamento deverá ser mínima e os utensílios alimentares, descartáveis;
- O material para curativos deverá ser unitário e calculado de acordo com o número de curativos a
serem realizados;
- A roupa de cama e a do paciente deverão ser delicadamente trocadas e encaminhadas à lavanderia
em sacos duplos;

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- Objetos de uso pessoal deverão ser desinfetados.

Doenças que requerem isolamento total


São as doenças altamente contagiosas e com grande virulência, que podem ser transmitidas pelo ar
e pelo contato direto e ou indireto. Tais doenças requerem quarto privativo, ficando o paciente/doente
sozinho ou junto com outras pessoas com a mesma doença. A porta do quarto deverá estar sempre
fechada.

É obrigatório para se entrar no quarto de paciente em Isolamento Total o uso de:


- Precaução Universal ou Padrão (avental, máscara, luvas - ao manipular o paciente/doente -, óculos);
- A lavagem das mãos antes e após manuseio do paciente e ou procedimentos;
- Os aventais deverão ser individuais. E, antes de deixar o quarto, o profissional de saúde deve
dispensá-los em local apropriado. Deve-se calcular a quantidade de aventais para cada período de 24
horas de acordo com o número de funcionários que irão utilizá-los;
- Máscaras e luvas deverão ser de uso pessoal, utilizadas uma única vez, devendo ser colocadas em
área limpa e dispensadas em área contaminada. Nunca se deve deixar a máscara pendurada no pescoço,
e, ao utilizá-la deve cobrir a boca e o nariz.

IMPORTANTE:
A limpeza e desinfecção da área deverão ser feitas diariamente, e após alta ou óbito, conforme
normatização da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH).
Deverão ser normatizadas tanto as técnicas quanto os materiais de limpeza, os equipamentos de
proteção individual e as soluções a serem usadas (detergente neutro, desinfetantes).
Todo pessoal que trabalhe no setor quer administrativo, quer técnico, deverá ser sistematicamente
treinado e ou avaliado clinicamente e imunologicamente.

Doenças a Serem Isoladas

Isolamento respiratório
- Caxumba;
- Coqueluche;
- Estreptococo beta-hemolítico (amigdalite, escarlatina);
- Herpes zoster (contato com imunodeprimidos);
- Meningite por Haemophilus;
- Meningite meningocócica;
- Pneumonia estafilocócica;
- Rubéola;
- Sarampo;
- TB (escarro positivo);

Isolamento protetor
- Agranulocitose;
- Dermatite bolhosa, vesicular ou eczematosa extensa;
- Imunodeprimido grave;
- Queimadura extensa.

Medidas para a Prevenção e o Controle de Infecções17

Controle de infecção em serviços de saúde


O Programa de Controle de Infecção em Serviços de Saúde é sinônimo de controle de qualidade. Por
isso, essa atividade está sendo desenvolvida pela Anvisa com muito engajamento, em parceria com
Vigilâncias Sanitárias estaduais, municipais, hospitais públicos e privados, instituições de ensino e
profissionais de saúde.
A meta maior é divulgar ações que possam prevenir as infecções adquiridas nas unidades de saúde -
hospitais, clínicas e ambulatórios.

17
http://www.anvisa.gov.br

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82
Portaria nº 2.616, de 12 de maio de 199818

O Ministro de Estado da Saúde, Interino, no uso das suas atribuições que lhe confere o art. 87, inciso
II da Constituição, e
Considerando as infecções hospitalares constituem risco significativo à saúde dos usuários dos
hospitais, e sua prevenção e controle envolvem medidas de qualificação da assistência hospitalar, de
vigilância sanitária e outras, tomadas no âmbito do Estado, do Município e de cada hospital, atinentes ao
seu funcionamento;
Considerando que o Capítulo I art. 5º e inciso III da Lei nº 8.080 de 19 de setembro de 1990, estabelece
como objetivo e atribuição do Sistema Único de Saúde (SUS), “a assistência às pessoas por intermédio
de ações de promoção, proteção e recuperação da Saúde com a realização integrada das ações
assistenciais e das atividades preventivas”,
Considerando que no exercício da atividade fiscalizadora os órgãos estaduais de saúde deverão
observar, entre outros requisitos e condições, a adoção, pela instituição prestadora de serviços, de meios
de proteção capazes de evitar efeitos nocivos à saúde dos agentes, clientes, pacientes e dos
circunstantes (Decreto nº 77.052, de 19 de janeiro de 1976, art. 2º, inciso IV);
Considerando os avanços técnico-científicos, os resultados do Estudo Brasileiro da Magnitude das
Infecções hospitalares. Avaliação da Qualidade das Ações de Controle de Infecção Hospitalar, o
reconhecimento mundial destas ações como as que implementam a melhoria da qualidade da assistência
à Saúde, reduzem esforços, problemas, complicações e recursos;
Considerando a necessidade de informações e instrução oficialmente constituída para respaldar a
formação técnico-profissional, resolve:

Art. 1º Expedir, na forma dos anexos I, II, III, IV, e V, diretrizes e normas para a prevenção e o controle
das infecções hospitalares.

Art. 2º As ações mínimas necessárias, a serem desenvolvidas, deliberada e sistematicamente, com


vistas à redução máxima possível da incidência e da gravidade das infecções dos hospitais, compõem o
Programa de Controle de infecções Hospitalares.

Art. 3º A secretaria de Política de Saúde, do Ministério da Saúde, prestará cooperação técnica às


Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, a fim de orientá-las sobre o exato cumprimento e
interpretação das normas aprovadas por esta Portaria.

Art. 4º As Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde poderão adequar as normas conforme prevê
a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.

Art. 5º A inobservância ou o descumprimento das normas aprovadas por esta Portaria sujeitará o
infrator ao processo e às penalidades previstas na Lei nº 6.437, de 20 de agosto de 1977, ou outra que a
substitua, com encaminhamento dos casos ou ocorrências ao Ministério Público e órgãos de defesa do
consumidor para aplicação da legislação pertinente (Lei nº 8.078/90 ou outra que a substitua).

Art. 6º Este regulamento deve ser adotado em todo território nacional, pelas pessoas jurídicas e físicas,
de direito público e privado envolvidas nas atividades hospitalares de assistência à saúde.

Art. 7º Esta Portaria entrará em vigor na data de sua publicação.

Art. 8º Fica revogada a Portaria nº 930, de 27 de agosto de 1992.

Programa de Controle de Infecção Hospitalar

ANEXO I
ORGANIZAÇÃO

1. O Programa de Controle de Infecção Hospitalares (PCIH) é um conjunto de ações desenvolvidas


deliberada e sistematicamente, com vistas à redução máxima possível da incidência e da gravidade das
infecções hospitalares.

18
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/1998/prt2616_12_05_1998.html - Acesso em 05/11/2019.

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2. Para a adequada execução do PCIH, os hospitais deverão constituir Comissão de Controle de
Infecção Hospitalar (CCIH), órgão de assessoria à autoridade máxima da instituição e de execução das
ações de controle de infecção hospitalar.
2.1 A CCIH deverá ser composta por profissionais da área de saúde, de nível superior, formalmente
designados.
2.2 Os membros da CCIH serão de dois tipos: consultores e executores.
2.2.1 O presidente ou coordenador da CCIH será qualquer um dos membros da mesma, indicado pela
direção do hospital.
2.3 Os membros consultores serão representantes, dos seguintes serviços:
2.3.1 serviço médico;
2.3.2 serviço de enfermagem;
2.3.3 serviço de farmácia;
2.3.4 laboratório de microbiologia;
2.3.5 administração.
2.4 Os hospitais com número de leitos igual ou inferior a 70 (setenta) atendem os números 2.3.1 e
2.3.2.
2.5 Os membros executores da CCIH representam o Serviço de Controle de Infecção hospitalar e,
portanto, são encarregados da execução programada de controle de infecção hospitalar;
2.5.1. Os membros executores serão, no mínimo, 2 (dois) técnicos de nível superior da área de saúde
para cada 200 (duzentos) leitos ou fração deste número com carga horária diária, mínima, de 6 (seis)
horas para o enfermeiro e 4 (quatro) horas para os demais profissionais.
2.5.1.1. - Um dos membros executores deve ser, preferencialmente, um enfermeiro.
2.5.1.2. - A carga horária diária, dos membros executores, deverá ser calculada na base da
proporcionalidade de leitos indicado no número 2.5.1.
2.5.1.3. - Nos hospitais com leitos destinados a pacientes críticos, a CCIH deverá ser acrescida de
outros profissionais de nível superior da área de saúde. Os membros executores terão acrescidas 2 (duas)
horas semanais de trabalho para cada 10 (dez) leitos ou fração.
2.5.1.3.1. Para fins desta Portaria, consideram-se pacientes críticos:
2.5.1.3.1.1. pacientes de terapia intensiva (adulto, pediátrico e neonatal);
2.5.1.3.1.2. pacientes de berçário de alto risco;
2.5.1.3.1.3. pacientes queimados;
2.5.1.3.1.4. pacientes submetidos a transplantes de órgãos;
2.5.1.3.1.5. pacientes hemato-oncológicos;
2.5.1.3.1.6. pacientes com Síndrome da Imunodeficiência Adquirida.
2.5.1.4 - Admite-se, no caso do número 2.5.1.3., o aumento do número de profissionais executores na
CCIH, ou a relativa adequação de carga horária de trabalho da equipe original expressa no número 2.5.1;
2.5.1.5 - Em hospitais com regime exclusivo de internação tipo paciente-dia, deve-se atender aos
números 2.1, 2.2 e 2.3, e com relação ao número 2.5.1., a carga de trabalho dos profissionais será de 2
(duas) horas diárias para o enfermeiro e 1 (uma) hora para os demais profissionais, independente do
número de leitos da instituição.
2.5.1.6 - Os hospitais poderão consorciar-se no sentido da utilização recíproca de recursos técnicos,
materiais e humanos, com vistas à implantação e manutenção do Programa de Controle da infecção
Hospitalar.
2.5.1.7 - Os hospitais consorciados deverão constituir CCIH própria, conforme os números 2 e 2.1,
com relação aos membros consultores, e prover todos os recursos necessários à sua atuação.
2.5.1.8 - O consórcio deve ser formalizado entre os hospitais componentes. Os membros executores,
no consórcio, devem atender aos números 2.5.1, 2.5.1.1, 2.5.1.2, 2.5.1.3 e 2.5.1.4.

COMPETÊNCIAS

3. A CCIH do hospital deverá:


3.1 elaborar, implementar, manter e avaliar programa de controle de infecção hospitalar, adequado às
características e necessidades da instituição, contemplando no mínimo, ações relativas a:
3.1.1 implantação de um Sistema de Vigilância Epidemiológica das Infecções Hos-pitalares, de acordo
com o Anexo III;
3.1.2 adequação, implementação e supervisão das normas e rotinas técnico-operacionais, visando a
prevenção e controle das infecções hospitalares;
3.1.3 capacitação do quadro de funcionários e profissionais da instituição, no que diz respeito à
prevenção e controle das infecções hospitalares;

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3.1.4 uso racional de antimicrobianos, germicidas e materiais médico-hospitalares;
3.2 avaliar, periódica e sistematicamente, as informações providas pelo Sistema de Vigilância
Epidemiológica das infecções hospitalares e aprovar as medidas de controle propostas pelos membros
executores de CCIH;
3.3 realizar investigação epidemiológica de casos e surtos, sempre que indicado, e implantar medidas
imediatas de controle;
3.4 elaborar e divulgar, regularmente, relatórios e comunicar, periodicamente, à autoridade máxima de
instituição e às chefias de todos os setores do hospital, a situação do controle das infecções hospitalares,
promovendo seu amplo debate na comunidade hospitalar;
3.5 elaborar, implantar e supervisionar a aplicação de normas e rotinas técnico-operacionais, visando
limitar a disseminação de agentes presentes nas infecções em curso no hospital, por meio de medidas
de precaução e de isolamento;
3.6 adequar, implementar e supervisionar a aplicação de normas e rotinas técnico-operacionais,
visando à prevenção e ao tratamento das infecções hospitalares;
3.7 definir, em cooperação com a Comissão de Farmácia e Terapêutica, política de utilização de
antimicrobianos, germicidas e materiais médico-hospitalares para a instituição;
3.8 cooperar com o setor de treinamento ou responsabilizar-se pelo treinamento, com vistas a obter
capacitação adequada do quadro de funcionários e profissionais, no que diz respeito ao controle das
infecções hospitalares;
3.9 elaborar regimento interno para a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar;
3.10 cooperar com a ação do órgão de gestão do SUS, bem como fornecer, prontamente, as
informações epidemiológicas solicitadas pelas autoridades competentes;
3.11 notificar, na ausência de um núcleo de epidemiologia, ao organismo de gestão do SUS, os casos
diagnosticados ou suspeitos de outras doenças sob vigilância epidemiológica (notificação compulsória),
atendidos em qualquer dos serviços ou unidades do hospital, e atuar cooperativamente com os serviços
de saúde coletiva;
3.12 notificar ao Serviço de Vigilância Epidemiológica e Sanitária do organismo de gestão do SUS, os
casos e surtos diagnosticados ou suspeitos de infecção associadas à utilização de insumos e/ou produtos
industrializados.

4. Caberá à autoridade máxima da instituição:


4.1 constituir formalmente a CCIH;
4.2 nomear os componentes da CCIH por meio de ato próprio;
4.3 propiciar a infraestrutura necessária à correta operacionalização da CCIH;
4.4 aprovar e fazer respeitar o regimento interno da CCIH;
4.5 garantir a participação do Presidente da CCIH nos órgãos colegiados deliberativos e formuladores
de política da instituição, como, por exemplo, os conselhos técnicos, independente da natureza da
entidade mantenedora da instituição de saúde;
4.6 garantir o cumprimento das recomendações formuladas pela Coordenação Municipal,
Estadual/Distrital de Controle de Infecção Hospitalar;
4.7 Informar o órgão oficial municipal ou estadual quanto à composição da CCIH e às alterações que
venham a ocorrer;
4.8 fomentar a educação e o treinamento de todo o pessoal hospitalar.

5. À Coordenação de Controle de Infecção Hospitalar do Ministério da Saúde, compete:


5.1 definir diretrizes de ações de controle de infecção hospitalar;
5.2 apoiar a descentralização das ações de prevenção e controle de infecção hospitalar;
5.3 coordenar as ações nacionais de prevenção e controle de infecção hospitalar;
5.4 estabelecer normas gerais para a prevenção e controle das infecções hospitalares;
5.5 estabelecer critérios, parâmetros e métodos para o controle de infecção hospitalar;
5.6 promover a articulação com órgãos formadores, com vistas à difusão do conteúdo de conhecimento
do controle de infecção hospitalar;
5.7 cooperar com a capacitação dos profissionais de saúde para o controle de infecção hospitalar;
5.8 identificar serviços municipais, estaduais e hospitalares para o estabelecimento de padrões
técnicos de referência nacional;
5.9 prestar cooperação técnica, política e financeira aos Estados e aos Municípios, para
aperfeiçoamento da sua atuação em prevenção e controle de infecção hospitalar;
5.10 acompanhar e avaliar as ações implementadas, respeitadas as competências estaduais/distrital
e municipais de atuação, na prevenção e controle das infecções hospitalares;

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5.11 estabelecer sistema nacional de informações sobre infecção hospitalar na área de vigilância
epidemiológica;
5.12 estabelecer sistema de avaliação e divulgação nacional dos indicadores da magnitude e
gravidade das infecções hospitalares e da qualidade das ações de seu controle;
5.13 planejar ações estratégicas em cooperação técnica com os Estados, Distrito Federal e os
Municípios;
5.14 acompanhar, avaliar e divulgar os indicadores epidemiológicos de infecção hospitalar.

6. Às Coordenações Estaduais e Distrital de Controle de Infecção Hospitalar, compete:


6.1 definir diretrizes de ação estadual/distrital, baseadas na política nacional de controle de infecção
hospitalar;
6.2 estabelecer normas, em caráter suplementar, para a prevenção e controle de infecção hospitalar;
6.3 descentralizar as ações de prevenção e controle de infecção hospitalar dos Municípios;
6.4 prestar apoio técnico, financeiro e político aos municípios, executando, supletivamente, ações e
serviços de saúde, caso necessário;
6.5 coordenar, acompanhar, controlar e avaliar as ações de prevenção e controle de infecção
hospitalar do Estado e Distrito Federal;
6.6 acompanhar, avaliar e divulgar os indicadores epidemiológicos de infecção hospitalar;
6.7 informar, sistematicamente, à Coordenação de Controle de Infecção Hospitalar, do Ministério da
Saúde, a partir da rede distrital, municipal e hospitalar, os indicadores de infecção hospitalar
estabelecidos.

7. Às Coordenações Municipais de Controle de Infecção Hospitalar, compete:


7.1 coordenar as ações de prevenção e controle de infecção hospitalar na rede hospitalar do Município;
7.2 participar do planejamento, da programação e da organização da rede regionalizada e
hierarquizada do SUS, em articulação com a Coordenação Estadual de controle de infecção hospitalar;
7.3 colaborar e acompanhar os hospitais na execução das ações de controle de infecção hospitalar;
7.4 prestar apoio técnico às CCIH dos hospitais;
7.5 informar, sistematicamente, à Coordenação Estadual de controle de infecção hospitalar do seu
Estado, a partir da rede hospitalar, os indicadores de infecção hospitalar estabelecidos.

Programa de Controle de Infecção Hospitalar

ANEXO II

CONCEITOS E CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS DAS INFECÇÕES HOSPITALARES

1. Conceitos básicos.
1.1. Infecção comunitária (IC):
1.1.1 é aquela constatada ou em incubação no ato de admissão do paciente, desde que não
relacionada com internação anterior no mesmo hospital.
1.1.2 São também comunitárias:
1.1.2.1 a infecção que está associada com complicação ou extensão da infecção já presente na
admissão, a menos que haja troca de microrganismos com sinais ou sintomas fortemente sugestivos da
aquisição de nova infecção;
1.1.2.2 a infecção em recém-nascido, cuja aquisição por via transplacentária é conhecida ou foi
comprovada e que tornou-se evidente logo após o nascimento (exemplo: herpes simples, toxoplasmose,
rubéola, citomegalovirose, sífilis e AIDS);
1.1.2.3 As infecções de recém-nascidos associadas com bolsa superior e 24 (vinte e quatro) horas.
1.2. Infecção hospitalar (IH):
1.2.1 é aquela adquirida após a admissão do paciente e que se manifeste durante a internação ou
após a alta, quando puder ser relacionada com a internação ou procedimentos hospitalares.

2. Critérios para diagnóstico de infecção hospitalar, previamente estabelecidos e descritos.


2.1 Princípios:
2.1.1 o diagnóstico das infecções hospitalares deverá valorizar informações oriundas de:
2.1.1.1 evidência clínica, derivada da observação direta do paciente ou da análise de seu prontuário;
2.1.1.2 resultados de exames de laboratório, ressaltando-se os exames microbiológicos, a pesquisa
de antígenos, anticorpos e métodos de visualização realizados.

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2.1.1.3 evidências de estudos com métodos de imagem;
2.1.1.4 endoscopia;
2.1.1.5 biópsia e outros.
2.2 Critérios gerais:
2.2.1 quando, na mesma topografia em que foi diagnosticada infecção comunitária, foi isolado um
germe diferente, seguido do agravamento das condições clínicas do paciente, o caso deverá ser
considerado como infecção hospitalar;
2.2.2 quando se desconhecer o período de incubação do microrganismo e não houver evidência clínica
e/ou dado laboratorial de infecção no momento da internação, convenciona-se infecção hospitalar toda
manifestação clínica de infecção que se apresentar a partir de 72 (setenta e duas) horas após a admissão;
2.2.3 são também convencionadas infecções hospitalares aquelas manifestadas antes de 72 (setenta
e duas) horas da internação, quando associadas a procedimentos diagnósticos e/ou terapêuticos,
realizados durante este período;
2.2.4 as infecções recém-nascido são hospitalares, com exceção das transmitidas de forma
transplacentária e aquelas associadas a bolsa rota superior a 24 (vinte e quatro) horas;
2.2.5 os pacientes provenientes de outro hospital que se internam com infecção, são considerados
portadores de infecção hospitalar do hospital de origem infecção hospitalar. Nestes casos, a Coordenação
Estadual/Distrital/Municipal e/ou o hospital de origem deverão ser informados para computar o episódio
como infecção hospitalar naquele hospital.

3. Classificação das cirurgias por potencial de contaminação da incisão cirúrgica


3.1 as infecções pós-cirúrgicas devem ser analisadas conforme o potencial de contaminação da ferida
cirúrgica, entendido como o número de microrganismos presentes no tecido a ser operado;
3.2 a classificação das cirurgias deverá ser feita no final do ato cirúrgico, pelo cirurgião, de acordo com
as seguintes indicações;
3.2.1 Cirurgias Limpas - são aquelas realizadas em tecidos estéreis ou passíveis de descontaminação,
na ausência de processo infeccioso e inflamatório local ou falhas técnicas grosseiras, cirurgias eletivas
com cicatrização de primeira intenção e sem drenagem aberta. Cirurgias em que não ocorrem penetração
nos tratos digestivos, respiratório ou urinário;
3.2.2 Cirurgias Potencialmente Contaminadas - são aquelas realizadas em tecidos colonizados por
flora microbiana pouco numerosa ou em tecidos de difícil descontaminação, na ausência de processo
infeccioso e inflamatório e com falhas técnicas discretas no trans-operatório. Cirurgias com drenagem
aberta enquadram-se nesta categoria. Ocorre penetração nos tratos digestivos, respiratório ou urinário
sem contaminação significativa.
3.2.3 Cirurgias Contaminadas - são aquelas realizadas em tecidos recentemente traumatizados e
abertos, colonizados por flora bacteriana abundante, cuja descontaminação seja difícil ou impossível, bem
como todas aquelas em que tenham ocorrido falhas técnicas grosseiras, na ausência de supuração local.
Na presença de inflamação aguda na incisão e cicatrização de segunda intenção, ou grande
contaminação a partir do tubo digestivo. Obstrução biliar ou urinária também se incluem nesta categoria.
3.2.4 Cirurgias Infectadas - são todas as intervenções cirúrgicas realizadas em qualquer tecido ou
órgão, em presença de processo infeccioso (supuração local) e/ou tecido necrótico.

ANEXO III
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA E INDICADORES EPIDEMIOLÓGICOS DAS INFECÇÕES
HOSPITALARES

1. Vigilância Epidemiológica das infecções hospitalares é a observação ativa, sistemática e contínua


de sua ocorrência e de sua distribuição entre pacientes, hospitalizados ou não, e dos eventos e condições
que afetam o risco de sua ocorrência, com vistas à execução oportuna das ações de prevenção e controle.

2. A CCIH deverá escolher o método de Vigilância Epidemiológica mais adequado às características


do hospital, à estrutura de pessoal e à natureza do risco da assistência, com base em critérios de
magnitude, gravidade, redutibilidade das taxas ou custo;
2.1 São indicados os métodos prospectivos, retrospectivos e transversais, visando determinar taxas
de incidência ou prevalência.

3. São recomendados os métodos de busca ativos de coleta de dados para Vigilância Epidemiológica
das infecções hospitalares.

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4. Todas as alterações de comportamento epidemiológico deverão ser objeto de in-vestigação
epidemiológica específica.

5. Os indicadores mais importantes a serem obtidos e analisados periodicamente no hospital e,


especialmente, nos serviços de Berçário de Alto Risco, UTI (adulto/pediátrica/neonatal) Queimados, são;
5.1. Taxa de Infecção Hospitalar, calculada tomando como numerador o número de episódios de
infecção hospitalar no período considerado e como denominados o total de saídas (altas, óbitos e
transferências) ou entradas no mesmo período;
5.2. Taxa de Pacientes com Infecção Hospitalar, calculada tomando como numerador o número de
doentes que apresentam infecção hospitalar no período considerado, e como denominador o total de
saídas (altas, óbitos e transferências) ou entradas no período;
5.3. Distribuição Percentual das Infecções Hospitalares por localização topográfica no paciente,
calculada tendo como numerador o número de episódios de infecção hospitalar em cada topografia, no
período considerado e como denominador o número total de episódios de infecção hospitalar ocorridos
no período;
5.4. Taxa de Infecções Hospitalares por Procedimento, calculada tendo como numerador o número de
pacientes submetidos a um procedimento de risco que desenvolveram infecção hospitalar e como
denominador o total de pacientes submetidos a este tipo de procedimento.
Exemplos:
Taxa de infecção do sitio cirúrgico, de acordo com o potencial de contaminação.
Taxa de infecção urinária após cateterismo vesical.
Taxa de pneumonia após uso de respirador.
5.5 Recomenda-se que os indicadores epidemiológicos dos números 5.1 e 5.2 sejam calculados
utilizando-se no denominador o total de pacientes/dia, no período.
5.5.1. O número de pacientes/dia é obtido somando-se os dias totais de permanência de todos os
pacientes no período considerado.
5.6 Recomenda-se que o indicador do inúmero 5.4 pode ser calculado utilizando-se como denominador
o número total de procedimentos dia.
5.6.1. O número de pacientes/dia é obtido somando-se o total de dias de permanência do procedimento
realizado no período considerado.
5.7. Outros procedimentos de risco poderão ser avaliados, sempre que a ocorrência respectiva o
indicar, da mesma forma que é de utilidade o levantamento das taxas de infecção do sitio cirúrgico, por
cirurgião e por especialidade.
5.8. Frequência das Infecções Hospitalares por Microrganismos ou por etiologia, calculada tendo como
numerador o número de episódios de infecção hospitalar por microrganismo e como denominador o
número de episódios de infecções hospitalares que ocorreram no período considerado.
5.9. Coeficiente de Sensibilidade aos Antimicrobianos, calculado tendo como numerador o número de
cepas bacterianas de um determinado microrganismo sensível e determinado antimicrobiano e como
denominador o número total de cepas testadas do mesmo agente com antibiograma realizado a partir das
espécimes encontradas.
5.10. Indicadores de uso de antimicrobianos.
5.10.1 Percentual de pacientes que usaram antimicrobianos (uso profilático ou terapêutico) no período
considerado. Pode ser especificado por clínica de internação. É calculado tendo como numerador o total
de pacientes em uso de antimicrobiano e como denominador o número total de pacientes no período.
5.10.2 Frequência com que cada antimicrobiano é empregado em relação aos demais, É calculada
tendo como numerador o total de tratamentos iniciados com determinado antimicrobiano no período, e
como denominador o total de tratamentos com antimicrobianos iniciados no mesmo período.
5.11 Taxa de letalidade associada a infecção hospitalar, é calculada tendo como numerador o número
de óbitos ocorridos de pacientes com infecção hospitalar no período considerado, e como denominador
o número de pacientes que desenvolveram infecção hospitalar no período.
5.12 Consideram-se obrigatórias as informações relativas aos indicadores epidemiológicos 5.1, 5.2,
5.3 e 5.11, no mínimo com relação aos serviços de Berçário de alto risco, UTI (adulto/ pediátrica/neonatal)
e queimados.

6. Relatórios e Notificações
6.1 A CCIH deverá elaborar periodicamente um relatório com os indicadores epidemiológicos
interpretados e analisados. Esse relatório deverá ser divulgado a todos os serviços e à direção,
promovendo-se seu debate na comunidade hospitalar.

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6.2 O relatório deverá conter informações sobre o nível endêmico das infecções hospitalares sob
vigilância e as alterações de comportamento epidemiológico detectadas, bem como as medidas de
controle adotadas e os resultados obtidos.
6.3 É desejável que cada cirurgião receba, anualmente, relatório com as taxas de infecção em cirurgias
limpas referentes às suas atividades, e a taxa média de infecção de cirurgias limpas entre pacientes de
outros cirurgiões de mesma especialidade ou equivalente.
6.4 O relatório de vigilância epidemiológica e os relatórios de investigações epidemiológicas deverão
ser enviados às Coordenações Estaduais/ Distrital/Municipais e à Coordenação de Controle de Infecção
Hospitalar do Ministério da Saúde, conforme as normas específicas das referidas Coordenações.

Programa de Controle de Infecção Hospitalar

ANEXO IV
LAVAGEM DAS MÃOS

1. Lavagem das mãos é a fricção manual vigorosa de toda a superfície das mãos e punhos, utilizando-
se sabão/detergente, seguida de enxágue abundante em água corrente.

2. A lavagem das mãos é, isoladamente, a ação mais importante para a prevenção e controle das
infecções hospitalares.

3. O uso de luvas não dispensa a lavagem das mãos antes e após contatos que envolvam mucosas,
sangue ou outros fluidos corpóreos, secreções ou excreções.

4. A lavagem das mãos deve ser realizada tantas vezes quanto necessária, durante a assistência a
um único paciente, sempre que envolver contato com diversos sítios corporais, entre cada uma das
atividades.
4.1 A lavagem e antissepsia cirúrgica das mãos é realizada sempre antes dos procedimentos
cirúrgicos.

5. A decisão para a lavagem das mãos com uso de antisséptico deve considerar o tipo de contato, o
grau de contaminação, as condições do paciente e o procedimento a ser realizado.
5.1 A lavagem das mãos com antisséptico é recomendada em;
- realização de procedimentos invasivos;
- prestação de cuidados a pacientes críticos;
- contato direto com feridas e/ou dispositivos, tais como cateteres e drenos.

6. Devem ser empregadas medidas e recursos com o objetivo de incorporar a prática da lavagem das
mãos em todos os níveis de assistência hospitalar.
6.1 A distribuição e a localização de unidades ou pias para lavagem das mãos, de forma a atender à
necessidade nas diversas áreas hospitalares, além da presença dos produtos, é fundamental para a
obrigatoriedade da prática.

Programa de Controle de Infecção Hospitalar

ANEXO V
RECOMENDAÇÕES GERAIS.

1 A utilização dos antissépticos, desinfetantes e esterilizantes seguirá as determinações da Portaria nº


15, de 23 de agosto de 1988, da Secretaria de Vigilância Sanitária (SVS)/ do Ministério da Saúde e o
Processamento de Artigos e Superfícies em Estabelecimentos de Saúde/MS, 2ª edição, 1994, ou outras
que as complementem ou substituam.
1.1 Não são recomendadas, para a finalidade de antissepsia, as formulações contendo mercuriais
orgânicos, acetona, quaternário de amônio, líquido de Dakin, éter e clorofórmio.

2. As normas de limpeza, desinfecção e esterilização são aquelas definidas pela publicação do


Ministério da Saúde, Processamento de Artigos e Superfícies em Estabelecimentos de Saúde, 2ª edição,
1994 - princípios ativos liberados conforme os definidos pela Portaria nº 15, SVS, de 23 de agosto de
1988, ou outras que a complementem ou substituam.

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3. As normas de procedimentos na área de Microbiologia são aquelas definidas pela publicação do
Ministério da Saúde - Manual de Procedimentos Básicos em Microbiologia Clínica para o Controle de
Infecção Hospitalar, 1ª edição, 1991, ou outras que as complementem ou substituam.

4. As normas para lavanderia são aquelas definidas pela publicação do Ministério da Saúde - Manual
de Lavanderia Hospitalar, 1ª edição, 1986, ou outras que as complementem ou substituam.

5. A Farmácia Hospitalar seguirá as orientações contidas na publicação do Ministério da Saúde - Guia


Básico para a Farmácia Hospitalar, 1ª edição, 1994, ou outras que as complementem ou substituam. (Of.
nº 31/98)

2. Repercussões da Portaria MS 2.616 / 98 para o controle de infecções

A Portaria 2.616/98 representou a adequação da antiga regulamentação ministerial às novas


determinações da Lei Federal 9.431 de 06 de janeiro de 1997. A partir de um projeto de lei que
aperfeiçoava a Portaria MS 930/ 92, esta lei, aprovada pelo Congresso, foi vetada em vários de seus
artigos, causando um profundo impacto negativo, principalmente diante dos profissionais, que de alguma
forma atuavam no controle efetivo das infecções hospitalares. Apesar da controvérsia instalada, a referida
lei teve como aspecto positivo a destacar ter tornado obrigatória a existência de uma Comissão de
Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) e de um Programa de Controle de Infecções Hospitalares (PCIH),
definido como um conjunto de ações desenvolvidas deliberada e sistematicamente, tendo como objetivo
a redução máxima possível da incidência e gravidade das infecções nosocomiais.
Como as portarias anteriores, a 2.616/98 é composta por cinco anexos com as diretrizes e normas
para a prevenção e o controle das infecções hospitalares. O anexo I trata da organização e competências
do programa e da comissão de controle de infecção. No anexo II temos conceito e critérios diagnósticos
das infecções hospitalares; no anexo III temos orientações sobre a vigilância epidemiológica das
infecções hospitalares e seus indicadores; nos anexos IV e V observamos recomendações sobre a
lavagem das mãos e outros temas como uso de germicidas, microbiologia, lavanderia e farmácia, dando
ênfase à observância de publicações anteriores do Ministério da Saúde.
O anexo I mantém as definições da CCIH e PCIH da Lei Federal. Há uma melhor especificação da
composição da CCIH, que deverá ter seus membros formalmente designados pela direção do hospital,
incluindo seu presidente, que fará obrigatoriamente parte do conselho diretivo da instituição. Os membros
são divididos em consultores e executores, sendo estes últimos encarregados da execução do PCIH,
representando o ex- Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH). Uma importante novidade é que
a sua composição deve ser informada ao órgão oficial municipal ou estadual.
Na composição deste serviço observamos uma importante alteração, ao recomendar preferentemente
um enfermeiro e que o segundo profissional de nível superior não seja necessariamente um médico. À
carga horária recomendada anteriormente (6 horas diárias para o enfermeiro e 4 horas diárias para o
outro profissional, para cada 200 leitos) foram acrescidas duas horas adicionais de trabalho diário para
cada 10 leitos destinados aos pacientes críticos (terapia intensiva, berçário de alto risco, queimados,
transplante de órgãos, pacientes hemato-oncológicos ou com AIDS). Isto parte do princípio que a
vigilância e as medidas de controle nestas unidades requerem atenção diferenciada. Entretanto, esta
composição deve acompanhar a política de recursos humanos do hospital como um todo, particularmente
nas instituições com deficiências de pessoal em outras áreas essenciais do atendimento.
A competência da CCIH na Portaria 2616/98 é uma somatória do que foi atribuído à CCIH e ao SCIH
na recomendação anterior, acrescidas de novas e importantes determinações, de acordo com as
características e necessidades da instituição. Dentre estas se destacam: o uso racional de
antimicrobianos, germicidas e materiais médico-hospitalares. Além disso, em conjunto com a Comissão
de Farmácia e Terapêutica, deve definir uma política de utilização de antimicrobianos e na ausência de
um núcleo de epidemiologia deve informar às autoridades sanitárias, os casos diagnosticados ou
suspeitos de doenças de notificação compulsória, relatar as informações epidemiológicas solicitadas e os
casos suspeitos de estarem relacionados à utilização de insumos ou produtos industrializados. Estas
novas recomendações objetivam tornar mais atuante as ações de controle de infecção, integrando-as na
estrutura administrativa da instituição, substituindo seu papel eminentemente consultivo para participar
com maior profundidade dos processos decisórios. Além disso, aprimora a integração do controle de
infecção com as autoridades sanitárias.
Outro aspecto importante introduzido por esta nova portaria é a atribuição de competências específicas
ao Estado, seja a nível federal, estadual ou municipal. Para a Coordenação de Controle de Infecção
Hospitalar do Ministério da Saúde ficou a definição das diretrizes e sua coordenação geral, apoiando a

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descentralização das ações, estabelecendo as normas, critérios, parâmetros e métodos para o controle
de infecções. É deste nível a responsabilidade para promover a articulação com órgãos formadores, para
a difusão do conhecimento do controle de infecções, cooperando com a capacitação dos profissionais de
saúde, identificando serviços de referência. Destacamos que muitas destas atividades, mesmo sem estar
formalmente estabelecidas, já foram desenvolvidas pelo Ministério da Saúde, mas depois foram
inexplicavelmente abandonadas.
Além disto, o Ministério da Saúde, através da Secretaria de Política de Saúde e da Coordenação de
Controle de Infecção Hospitalar, deve cooperar técnica, política e financeiramente com as ações
desenvolvidas pelos Estados e Municípios, acompanhando e avaliando-as, procurando estabelecer um
sistema nacional sobre infecção hospitalar, divulgando indicadores da sua magnitude, gravidade e
qualidade das ações de controle. Assim os dados seriam coletados regionalmente e encaminhados ao
Ministério da Saúde para uma consolidação de caráter nacional. Logo, compete às coordenações
Estaduais e Municipais definir as normas locais, descentralizando efetivamente as ações, prestando apoio
técnico, financeiro e político aos municípios, acompanhando, avaliando e divulgando os indicadores
epidemiológicos de infecção hospitalar, além de informá-los periodicamente ao Ministério da Saúde. Para
os municípios cabe adicionalmente acompanhar os hospitais nas ações de controle de infecção,
prestando apoio técnico à sua execução.
De acordo com o que foi noticiado pela imprensa leiga, existe uma tendência a se tornar as infecções
hospitalares uma doença de notificação compulsória. Apesar da importância inquestionável de termos
dados nacionais a respeito deste problema de saúde pública, esta medida deve ser repensada, tendo em
vista o questionável valor prático de sua implantação nestes moldes e principalmente das possíveis
repercussões no atendimento à saúde, particularmente para os que são assistidos pela iniciativa privada,
onde muitas vezes as patologias de notificação compulsória não são cobertas pela preestabelecida
abrangência contratual de assistência. Assim tememos as sérias consequências para cada um destes
pacientes, que ficariam a mercê de seus próprios recursos, de eventuais demandas jurídicas contra os
hospitais ou seus convênios, ou estariam sobrecarregando o sistema público de atendimento, como já
acontece com a maioria das doenças que atualmente são de notificação compulsória. A nosso ver, seria
preferível que as instituições fossem efetivamente obrigadas a notificar periodicamente seus indicadores
epidemiológicos de infecção hospitalar e estes dados seriam consolidados em um sistema de vigilância
epidemiológica, como aliás está recomendado atualmente.
Os critérios diagnósticos de infecção hospitalar, discutidos no anexo II, sofreram uma importante
alteração no que refere à classificação das infecções em recém-nascidos. Assim, passaram a ser
consideradas comunitárias, além das transmitidas de forma transplacentária, aquelas associadas à bolsa
rota por período superior a 24 horas. Outro ponto enfatizado é a necessidade de se informar os casos de
IH adquiridas em outro hospital à Coordenação Estadual/Distrital/Municipal ou à instituição de origem.
Este mesmo anexo apresenta uma classificação das cirurgias por potencial de contaminação, que, de
acordo com sua recomendação, deverá ser feita pelo cirurgião, ao final do ato operatório. Basicamente,
o princípio que norteia estes critérios, coincide com o exposto no decorrer deste livro, ou seja, o
intraoperatório determina a classificação e não mais aquelas “famosas” listas de procedimentos, que o
classificavam arbitrária e previamente. Assim, as cirurgias limpas são as realizadas sem intercorrências
em tecidos estéreis. As operações potencialmente contaminadas ocorrem em tecidos colonizados com
flora pouco numerosa e em tecidos estéreis, mas com falhas técnicas discretas ou drenagem. Os
procedimentos contaminados são executados nos casos de tecidos recentemente traumatizados ou
abertos, falhas técnicas grosseiras, inflamação aguda, cicatrização em segundo intenção, ou em locais
com flora bacteriana abundante. Finalmente, as cirurgias infectadas são aquelas realizadas em presença
de supuração ou necrose.
No anexo III, o conceito de vigilância epidemiológica das infecções hospitalares determina a
observação ativa, sistemática e contínua da sua distribuição e dos eventos e condições que afetam sua
ocorrência. Inclui também a possibilidade de avaliar pacientes não hospitalizados, nos métodos de
vigilância pós alta e principalmente que as atividades devem ser realizadas “com vistas à execução
oportuna das ações de prevenção e controle”, ou seja, a consolidação e interpretação dos dados deve
ser ágil, indicando rapidamente as prioridades das ações de controle, possibilitando resultados práticos
desta atividade. Permanece a recomendação pelos métodos ativos de vigilância, que deverão ser
adequados às características do hospital. Foi introduzida também a possibilidade de realizar o método
apenas em determinados setores do hospital, de acordo com as opções desenvolvidas pelos
componentes da metodologia NNIS.
É obrigatório pelo menos o cálculo da taxa de infecção hospitalar; taxa de pacientes com infecção
hospitalar; distribuição percentual dos episódios de IH; e a taxa de letalidade associada a infecção
hospitalar. Os dois primeiros podem ser obtidos em relação ao total de diárias (pacientes-dia) e não

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apenas em relação às saídas, calculando-se assim a taxa de densidade, que melhor reflete a exposição
dos doentes a estes episódios. É recomendado que a frequência das infecções por microrganismos seja
calculada a partir do número de episódios de infecção hospitalar e não pelo total de agentes isolados,
caso em que obtemos a sua distribuição. É sugerido que o dimensionamento do consumo de antibióticos
seja feito através do cálculo do percentual de pacientes que utilizaram estas drogas e pela frequência
relativa do emprego de cada princípio ativo. Ressaltamos que o cálculo da Dose Diária Definida,
recomendada pelo Manual de Farmácia Hospitalar editado pelo próprio Ministério da Saúde, é um melhor
indicador da utilização destas drogas.
O anexo IV é dedicado especificamente à lavagem das mãos, identificada como a mais importante
ação para o controle das infecções hospitalares, devendo ser realizada após contatos que envolvam
mucosas, secreções, excretas e sangue ou outros fluídos corpóreos. Mesmo na assistência a um único
paciente ela deve ser realizada sempre que envolver a manipulação de outro sítio corporal.
Adicionalmente é recomendada a lavagem com antissépticos na realização de procedimentos invasivos,
prestação de cuidados a doentes críticos e no contato direto com feridas ou dispositivos invasivos como
cateteres e drenos. Por sua vez, o anexo V trás recomendações gerais sobre o uso de germicidas
(mantendo a proibição do emprego de vários antissépticos tradicionais), normas para limpeza,
desinfecção e esterilização, além de orientações para os procedimentos na área de microbiologia,
lavanderia e farmácia, sempre recomendando o seguimento das orientações definidas em portarias e
normas previamente elaboradas pelo Ministério da Saúde.

Questões

01.(Pref. Patos/PB - Enfermeiro - CPCON/2017) Uma Comissão de Controle de Infecção Hospitalar


deverá ser composta por
(A) qualquer profissional que trabalhe na instituição, desde que seja CLT.
(B) profissionais de diversas áreas não necessitando de formação superior.
(C) profissionais de diferentes formações podendo também ser técnicos administrativos que conheçam
os problemas hospitalares.
(D) apenas pessoal da enfermagem.
(E) profissionais da área de saúde, de nível superior, formalmente designados.

02. (EBSERH - Enfermeiro - IBFC) Para a adequada execução do Programa de Controle de Infecções
Hospitalares (PCIH), os hospitais deverão constituir Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH),
órgão de assessoria à autoridade máxima da instituição e de execução das ações de controle de infecção
hospitalar. Considerando a composição dos membros da CCIH, analise as afirmativas abaixo, dê valores
Verdadeiro (V) ou Falso (F) e assinale a alternativa que apresenta a sequência correta de cima para
baixo.
( ) A CCIH deverá ser composta por profissionais da área de saúde, de nível superior, formalmente
designados. Os membros da CCIH serão de dois tipos: consultores e executores.
( ) O presidente ou coordenador da CCIH será sempre um médico, indicado pela direção do hospital.
( ) Um dos membros executores deve ser, obrigatoriamente, um enfermeiro.
( ) Os membros executores serão, no mínimo, 2 (dois) técnicos de nível superior da área de saúde
para cada 200 (duzentos) leitos ou fração deste número com carga horária diária, mínima, de 6 (seis)
horas para o enfermeiro e 4 (quatro) horas para os demais profissionais.

(A) V,V,V,F;
(B) V,F,F,V;
(C) F,V,V,V;
(D) V,F,V,V;
(E) V,F,F,F.

03. (TRT 9ª Região - Técnico Judiciário - FCC) Na prevenção e controle de infecção hospitalar, o
técnico de enfermagem utiliza
(A) luvas de procedimento quando existir o risco de contato com sangue, durante o banho no leito.
(B) máscara na assistência de enfermagem ao paciente portador de erisipela.
(C) óculos ao assistir o paciente com tuberculose.
(D) máscara e luvas durante o transporte de todos os pacientes ao centro cirúrgico.
(E) avental de manga longa quando na presença de suor.

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04. (DEPEN - Enfermagem - CESPE) Julgue os itens seguintes, acerca do controle da infecção
hospitalar.
A infecção hospitalar é aquela adquirida após a admissão do paciente no hospital, manifestando-se
apenas durante a internação.
( ) Certo ( ) Errado

05. (CAISM PHILIPPE PINEL - Técnico de Enfermagem - CETRO) Quanto à realização correta do
procedimento da técnica de lavagem de mãos em ambiente hospitalar, é correto afirmar que é
(A) o método mais utilizado para o controle de infecção, apesar de não ser o mais eficaz.
(B) pouco relevante se o ambiente hospitalar for constantemente desinfetado.
(C) relevante em ambientes hospitalares com alto risco de infecção, mas pouco necessário em
atendimento ambulatorial.
(D) o método mais simples e mais indicado para o controle de infecções.

06. (DEPEN - Enfermagem - CESPE) Julgue os itens seguintes, acerca do controle da infecção
hospitalar.
A infecção comunitária é aquela constatada ou encubada no ato da admissão, desde que não esteja
relacionada com internação anterior no mesmo hospital.
( ) Certo ( ) Errado

Gabarito

01.E / 02.B / 03.A / 04.Errado / 05.D / 06.Certa

Comentários

01.Resposta: E
2.1 A CCIH deverá ser composta por profissionais da área de saúde, de nível superior, formalmente
designados.

02.Resposta: B
De acordo com a Portaria MS 2.616 / 98, que regulamenta as ações de controle de infecção hospitalar
no país.
(V) A CCIH deverá ser composta por profissionais da área de saúde, de nível superior, formalmente
designados. Os membros da CCIH serão de 2 tipos: consultores e executores.
(F) O presidente ou coordenador da CCIH será qualquer um dos membros da mesma, indicado pela
direção do hospital.
(F) Um dos membros executores deve ser, preferencialmente, um enfermeiro.
(V) Os membros executores serão, no mínimo, 2 (dois) técnicos de nível superior da área de saúde
para cada 200 (duzentos) leitos ou fração deste número com carga horária diária, mínima de 6 (seis)
horas para o enfermeiro e 4 (quatro) horas para os demais profissionais.

03.Resposta: A
Deve-se usar luvas de procedimentos para qualquer tipo de procedimento para segurança do
profissional e do paciente.

04. Resposta: Errado


1.2.1 é aquela adquirida após a admissão do paciente e que se manifeste durante a internação ou
após a alta, quando puder ser relacionada com a internação ou procedimentos hospitalares.

05. Resposta: D
Lavagem das mãos é essencial para medida de segurança para o profissional, quanto para o
paciente. Deve ser realizada no início e término de cada procedimento.

06. Resposta: Certa


1.1.1 é aquela constatada ou em incubação no ato de admissão do paciente, desde que não
relacionada com internação anterior no mesmo hospital.

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6. Procedimentos de enfermagem

PROCEDIMENTOS DE ENFERMAGEM

Prontuário do Paciente

O prontuário do paciente contém todas as informações sobre o cliente, relatadas ao serviço médico,
de enfermagem, de nutrição, laboratório, etc. Em geral, os prontuários são constituídos por:
- Folha de identificação e relatório médico;
- Prescrição médica e Sistematização da Assistência de Enfermagem;
- Relatórios de enfermagem;
- Evolução Clínica (Médica e Enfermeiro);
- Exames complementares.

As informações sobre o paciente devem se exatas, claras objetivas e legíveis (o costume de anotar
usando letra de forma facilita a leitura dos relatórios). Nunca usar borracha ou rabiscar. Em caso de erro,
colocar a parte errada entre parênteses e escrever “sem efeito” logo em seguida. As palavras devem ser
escritas por extenso, evitando interpretações erradas de palavras abreviadas.
Os cabeçalhos devem ser completos. Quando terminar uma folha, colocar outra preenchendo todos
os itens do cabeçalho outra vez. Toas as anotações devem ser assinadas e datadas.

Finalidades:
- Auxilia no diagnóstico e tratamento;
- Constitui valioso material para ensino;
- Oferece dados e informações para pesquisa e estatísticas;
- É documento legal para fins legais;
- Eficiência do atendimento médico e de enfermagem.

Admissão

O paciente deve ser recebido no hospital com toda cordialidade e atenção. A primeira impressão que
o paciente tem e sempre de grande importância para inspirar-lhe confiança no hospital e no tratamento
que ali vai receber. Este bom acolhimento influirá também nos familiares ou pessoas que o acompanham.

Técnica
- Lavar as mãos;
- Preencher todos os dados da ficha de identificação do paciente;
- Fazer a lista dos valores do paciente sob suas vistas ou alguém de sua família. Entregá-los ao
responsável para guarda-los no cofre do hospital ou conforme rotina da instituição;
- Levar o paciente até seu quarto e orientá-lo quanto as instalações sanitárias e demais dependências
da enfermaria;
- Deixar a campainha ao seu alcance;
- Providenciar para que o paciente conheça a equipe que lhe dará assistência. Mostrar-lhe o
regulamento do hospital quanto a visita, horas de repouso, de refeição, etc.;
- Encaminhar o paciente para o banho oferecendo o material;
- Arrumar a cama conforme técnica de arrumação de cama aberta;
- Acomodar o paciente e verificar os sinais vitais, fazer o exame físico conforme a técnica, lavando as
mãos antes e após os procedimentos;
- Anotar na folha de evolução de enfermagem o horário da admissão, sinais vitais, exame físico
completo, e se o paciente veio sozinho acompanhado, deambulando, em cadeira de rodas ou de maca;
- Comunicar o serviço de nutrição a dieta do paciente;
- Encaminhar pedidos de exames;
- Iniciar o tratamento propriamente dito.

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Alta Hospitalar

Técnica
- Verificar se a folha de alta está assinada e carimbada pelo médico;
- Reunir e entregar os pertences ao paciente;
- Verificar se existem valores do paciente guardados pelo hospital tais como: dinheiro, joias,
documentos etc;
- Se houver necessidade ajudar o paciente a vestir-se;
- Anotar no prontuário o horário e as condições em que o paciente está saindo, e as orientações feitas
no momento da alta;
- Esperar os familiares ou responsável;
- Acompanhar o paciente a portaria.

Obs.: em caso de alta por óbito, anotar no prontuário a hora, e o médico que constatou e atestou o
óbito.

Observação e anotação do estado do paciente sob ponto de vista anatômico, fisiológico e psicológico.
-Aspecto Geral: Quando ao estado geral do paciente, vamos observar se está magro, gordo, cianótico,
avermelhado, ictérico (amarelado), pálido, fraco, apático (indiferente), nervoso, cansado, grave, agitado.
Observamos todos esses aspectos. Na observação do aspecto geral deve-se anotar qualquer
anormalidade que ocorra com o paciente, como peles, olhos, nariz, ouvidos e etc.
-Estado Mental, observaremos o seguinte: O paciente está consciente, delirante, inconsciente, lúcido,
acuidade auditiva diminuída, deprimido, exaltado, ansioso, alegre, excitado, etc.
-Tipo de Tosse: Um dos sinais importantes para a observação de enfermagem. Observa-se o seguinte:
E frequente, mais comum a noite, ocasional, constante, estertorosa, rouca, seca, com ou sem
expectoração.
-Excreção e Eliminação - observaremos nas fezes: Cor, odor, qualidade, consistência. Quanto a
consistência: Liquidas, semilíquidas, pastosas. Se há detritos de alimentos, presença de muco, pus,
cálculos, sangue escuro (melena), etc.
- Expectoração, observa-se quantidade, cor, odor. A expectoração com raios de sangue vermelho vivo,
chama-se hemoptise.
-Urina- cor, odor, quantidade. Observa-se também se há incontinência, dor ao urinar, se há retenção,
ou presença de pus, sangue (hematúria), etc.
-Vômitos- cor, odor quantidade. Observa-se se há presença de restos alimentares. Quando há
presença de sangue, cor "borra de café", denomina-se de hematêmese.
-Extremidades- devemos dar grande importância a observação das extremidades cor e temperatura.
Observa-se se estão frias, cianóticas, avermelhadas, edema, presença de pulso pedial, etc.
-Dor- devemos observar atentamente o tipo de dor referida pelo paciente: Intensa, latejante, agudas,
espasmódicas, súbitas, perfurante, continua, irregular, curta ou longa duração. Não esquecer o lado ou
órgão em que o paciente sente a dor e se é intensificada pelo movimento, pela respiração, pela tosse,
pela ingestão de alimentos, etc.
-Pulso- ao verificarmos o pulso do paciente, observamos: Forte, fraco, lento, palpável, impalpável. No
que se refere ao ritmo, sentimos:
-Ritmo: Intermitente, regular, irregular, alternante, agitado, normal, lento, rápido, dicrotico (que
apresenta 2 vibrações na pulsação). Se apresentar digeminado (com 2 batimentos seguidos de uma
pausa), trigeminado (3 batimentos seguidos e uma pausa), em martelo d'agua ou pulso de Corrigan
(batimento violento, seguido de colapso súbito). A tensão, se está elevada, baixa, moderada, artérias
duras ou espessas, elásticas. A velocidade está normal, diminuídas (bradisfigmia), acelerada
(taquisfigmia).
-Respiração Nesta, se os movimentos são normais (eupneia), se são abdominais ou profundos, se há
parada respiratória (apneia), lentos, rápidos, do tipo Cheyne-Stokes (ciclo de movimentos cada vez mais
profundos e mais difíceis, seguidos de um período de apneia).

Nota: a observação de enfermagem não se resume somente nos itens citados acima, mas estes são
os principais sinais e sintomas verificados pela equipe de enfermagem na rotina hospitalar.

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Transferência

A transferência se processa como a alta. A unidade para onde o paciente vai deve ser avisada com
antecedência, para que esteja preparada para recebe-lo.
O prontuário deve ser entregue à chefe da outra unidade.
O paciente será transportado de acordo com seu estado geral.

Higienização das Mãos


Reconhecidamente, a prática da higienização19 das mãos reduz significativamente a transmissão de
microrganismos e consequentemente, diminui a incidência das infecções preveníveis, reduzindo a
morbimortalidade em serviços de saúde.
O procedimento da técnica de higienização das mãos se torna inadequado na prática diária, pelo
esquecimento de algumas etapas (passo a passo) deste procedimento havendo preocupação, por parte
dos profissionais de saúde, com a quantidade e não com a qualidade deste ato.
As principais falhas na técnica ocorrem, principalmente, pela não utilização de sabonete e não
observação das superfícies das mãos a serem friccionadas, dentre outros.
Devem higienizar as mãos todos os profissionais que trabalham em serviços de saúde, que mantém
contato direto ou indireto com os pacientes, que atuam na manipulação de medicamentos, alimentos e
material estéril ou contaminado. Ainda, recomenda-se que familiares, acompanhantes e visitantes
higienizem as mãos antes e após contato com o paciente, nos serviços de saúde.
As mãos dos profissionais que atuam em serviços de saúde podem ser higienizadas utilizando-se:
água e sabonete, preparação alcoólica e antisséptico degermante.

Indicação do Uso de Água e Sabonete

• Quando as mãos estiverem visivelmente sujas ou contaminadas com sangue e outros fluidos
corporais;
• Ao iniciar e terminar o turno de trabalho;
• Antes e após ir ao banheiro;
• Antes e depois das refeições;
• Antes de preparo de alimentos;
• Antes de preparo e manipulação de medicamentos;
• Antes e após contato com paciente colonizado ou infectado por C. difficile;
• Após várias aplicações consecutivas de produto alcoólico;
• Nas situações indicadas para o uso de preparações alcoólicas.

Indicação do Uso de Preparações Alcoólicas

• Antes de contato com o paciente;


• Após contato com o paciente;
• Antes de realizar procedimentos assistenciais e manipular dispositivos invasivos;
• Antes de calçar luvas para inserção de dispositivos invasivos que não requeiram preparo cirúrgico;
• Após risco de exposição a fluidos corporais;
• Ao mudar de um sítio corporal contaminado para outro, limpo, durante o cuidado ao paciente;
• Após contato com objetos inanimados e superfícies imediatamente próximas ao paciente;
• Antes e após remoção de luvas.

Indicação do Uso de Agentes Antissépticos

Estes produtos associam detergentes com antissépticos e se destinam à higienização antisséptica das
mãos e degermação da pele das mãos, descritas a seguir:

Higienização antisséptica das mãos


Os agentes antissépticos utilizados para higienização das mãos devem ter ação antimicrobiana
imediata e efeito residual ou persistente.

19
http://www.anvisa.gov.br/servicosaude/manuais/paciente_hig_maos.pdf

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• Nos casos de precaução de contato recomendados para pacientes portadores de microrganismos
multirresistentes;
• Nos casos de surtos.

Degermação da pele das mãos


Sabonete contendo um agente antisséptico em usa formulação; se destina à degermação da pele das
mãos (e.g., clorexidina degermante a 4%; PVPI a 10%).
• No pré-operatório, antes de qualquer procedimento cirúrgico (indicado para toda equipe cirúrgica);
• Antes da realização de procedimentos invasivos (e.g., inserção de cateter intravascular central,
punções, drenagens de cavidades, instalação de diálise, pequenas suturas, endoscopias e outros).

Técnica de Lavagem das Mãos

- Finalidades promover a remoção dos microrganismos da flora transitória e algumas vezes da flora
permanente;
- Remover células descamativas, pelos, suor, sujidades e oleosidades;
- Prevenir infecção hospitalar;
- Material;
- Sabão líquido;
- Papel toalha.

Técnica
- Abrir a torneira e deixar a água fluir;
- Molhar as mãos;
- Aplicar 3ml de sabão líquido (bactericida) na palma de uma das mãos;
- Fazer movimentos de fricção com a palma das mãos e após entrelaçar os dedos mantendo a fricção;
- Friccione a região da palma das mãos com as pontas dos dedos da mão oposta, fazendo o mesmo
com a ponta do polegar;
- Repetir o movimento com a outra mão;
- Friccione com a palma de uma das mãos, o dorso da mão oposta e a seguir entrelaçar os dedos
mantendo a fricção;
- Repetir o procedimento na mão oposta;
- Segurar o polegar de uma das mãos e fazer movimentos de fricção rotatória;
- Repetir o movimento anterior com o polegar da mão oposta;
- Friccionar com a palma de uma das mãos, o punho da mão oposta;
- Repetir o procedimento no punho oposto;
- Enxaguar completamente, da mão para o punho, com água corrente;
- Secar as mãos com papel toalha;
- Fechar a torneira com o próprio papel utilizado para secar as mãos, ou utilizar o cotovelo para fechar
caso haver dispositivo.

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Limpeza de Unidade

É a limpeza realizada na Unidade do Paciente, pode ser: Limpeza concorrente e Limpeza Terminal.

Limpeza Concorrente
É feita diariamente após o banho do paciente e arrumação do seu leito. Consiste na limpeza de parte
do mobiliário da unidade do paciente.

Limpeza Terminal
É a limpeza completa da unidade do paciente, após: Alta, óbito ou transferência.

Normas
- A limpeza terminal da unidade do paciente deve ser realizada pelo funcionário da enfermagem após
alta, transferência ou óbito;
- A limpeza concorrente da unidade do paciente deve ser realizada pelo funcionário da enfermagem
uma vez a cada plantão;
- O produto utilizado para a limpeza terminal da unidade deverá ser fenol sintético. No caso da limpeza
concorrente, usar álcool a 70%;
- A limpeza do carrinho de banho, carrinho de parada, carrinhos de medicação e de curativo, deverá
ser feita uma vez por plantão pela enfermagem, com fenol sintético;

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- Os panos de limpeza utilizados na limpeza terminal ou concorrente, deverão ser enxaguados quantas
vezes forem necessárias na bacia utilizada para este fim;
- Ao realizar a limpeza concorrente, limpar a unidade com agua e sabão, caso estiver suja de sangue
ou secreção;
- Utilizar movimentos simples e amplos em um só sentido;
- Observar a sequência da limpeza (do mais limpo para o mais contaminado, evitando sujar as áreas
limpas);
- Evitar molhar o chão.

Limpeza Terminal

Material:
- Solução desinfetante (fenol),
- 01 par de luvas de procedimento,
- Panos de limpeza,
- Hamper e sanito (saco plástico),
- Bacia.

Técnica:
- Lavar as mãos;
- Reunir o material;
- Colocar o material sobre a mesa de cabeceira;
- Calcar luvas;
- Desprender a roupa de cama e despreza-la no hamper, evitando movimentos bruscos;
- Recolher materiais e equipamentos (ambu, umidificador, aspirador, comadre, papagaio) e
encaminha-los ao expurgo;
- Afastar a cama da parede, deixando espaço suficiente para realização da limpeza;
- Iniciar a limpeza do leito pela parte superior do colchão, da cabeceira para o centro, inclusive as
laterais do colchão, sempre do mais distante para o mais próximo;
- Continuar a limpeza do colchão, do centro para os pés, inclusive as laterais do colchão, sempre do
mais distante para o mais próximo;
- Dobrar o colchão ao meio e limpar o estrado iniciando da cabeceira para o centro. Elevar o estrado
e limpar a parte inferior do mesmo, inclusive espaldar e pés;
- Limpar a parte posterior do colchão, da cabeceira para o centro, retorna-lo em cima do estrado;
- Dobrar o colchão para o lado contrário e limpar a outra metade do estrado, do centro para os pés
segundo a técnica, não se esquecendo da parte inferior do estrado;
- Realizar a limpeza da parte posterior do colchão iniciando do centro para os pés;
- Passar para o lado mais distante e limpar a lateral do leito, grade e pés do leito;
- Passar para o lado mais próximo e limpar a lateral do leito, grade e pés do leito;
- Limpar com a solução de fenol a mesa de cabeceira iniciando pela parte interna da mesma;
- Limpar com a solução de fenol a parte externa da mesa de cabeceira;
- Limpar com pano embebido na solução de fenol o suporte de soro (retirando fitas adesivas e
esparadrapos que porventura estiverem colados);
- Retirar as luvas;
- Arrumar o leito conforme técnica descrita anteriormente;
- Encaminhar material utilizado ao expurgo;
- Montar o painel de gases;
- Lavar a mãos.

Limpeza Concorrente

Material:
- Álcool a 70%,
- Agua e sabão se necessário,
- Panos de limpeza,
- Luvas de procedimento.

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Técnica:
- Lavar as mãos;
- Preparar o material;
- Encaminhar ao quarto do paciente;
- Explicar o procedimento ao paciente;
- Calcar luvas;
- Avaliar as condições de limpeza do leito do paciente;
- Embeber o pano de limpeza com álcool a 70%;
- Limpar as laterais do leito com pano sempre no sentido da cabeceira para os pés e do lado mais
distante para o mais próximo;
- Limpar a cabeceira e os pés do leito por último;
- Trocar o pano embebido em álcool e limpar a mesa de cabeceira iniciando pela parte interna e a
seguir a parte externa;
- Deixar a mesa de cabeceira em ordem;
- Desprezar os panos de limpeza no hamper;
- Desprezar as luvas;
- Lavar as mãos;
- Revisar o painel de gases se necessário;

Arrumação do Leito

Definição:
Cama aberta - quando está ocupada por paciente,
Cama fechada - quando o leito está vago,
Cama de operado - quando está aguardando o retorno do paciente do centro cirúrgico.

Normas
- O leito dever ser trocado quantas vezes forem necessárias durante o plantão;
- O leito dever ser preparado de acordo com a sua finalidade;
- Abrir portas e janelas antes de iniciar o trabalho;
- Utilizar lençóis limpos, secos e sem pregas;
- Caso os lençóis sejam reutilizados, não deixar migalhas, fios de cabelos;
- Observar o estado de conservação dos colchoes e travesseiros;
- Não sacudir as roupas de cama;
- Não arrastar as roupas de cama no chão.

Preparo do Leito sem o Paciente (cama fechada)

Material:
- Luvas de procedimento,
- 02 Lençóis,
- 01 Travesseiro,
- 01 Fronha,
- 01 Forro,
- 01 Cobertor, se necessário,
- Hamper.

Técnica:
- Lavar as mãos;
- Preparar o material;
- Colocar o material no carrinho de banho ou mesa de cabeceira;
- Retirar a roupa de cama suja e coloca-los no hamper próximo do leito;
- Desprezar as luvas;
- Estender o lençol sobre o leito, amarrando as pontas do lençol na cabeceira e nos pés;
- Estender o forro sobre o leito prendendo-o sob o lençol na parte mais próxima;
- Estender o viril e fazer uma meia dobra na cabeceira;
- Fazer o canto do viril nos pés da cama;
- Passar para o lado mais distante e proceder a arrumação do forro e virol;
- Colocar a fronha no travesseiro;

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- Colocar o travesseiro na cama;
- Recompor a unidade;
- Lavar as mãos.

Preparo do Leito com o Paciente (Cama Aberta)

Material:
- 01 travesseiro,
- 02 lençóis,
- 01 cobertor (se necessário),
- 01 fronha,
- 01 lençol para fralda,
- 01 rolo para costas (se necessário),
- Camisola ou pijama,
- 01 forro.

Técnica:
- Lavar as mãos;
- Colocar a roupa na mesa de cabeceira;
- Explicar o que se vai fazer ao paciente;
- Colocar o hamper próximo a cama;
- Desprender a roupa do leito, do lado do paciente e depois vir e ir soltando do outro lado;
- Colocar o travesseiro sem fronha na mesa de cabeceira;
- Colocar o paciente em decúbito dorsal protegido com o lençol de cima;
- Enrolar o forro e lençol de baixo separadamente, até o meio da cama e sob o corpo do paciente;
- Substituir o lençol de baixo, e o forro, pela roupa limpa;
- Virar o paciente para o lado pronto, nunca o expondo;
- Passar para o lado oposto;
- Retirar a roupa usada, retirar as luvas, e esticar os lençóis limpos, prendendo-os e fazendo os cantos;
- Colocar a fronha no travesseiro, acomodando o paciente;

Obs.: se o paciente for totalmente dependente, a troca de cama dever ser feita por duas pessoas.

Preparo do Leito de Operado

O leito do operado e igual ao leito fechado, mas com lençol dobrado em pregas, na cabeceira do leito
próximo ao lençol móvel. Esse leito terá as roupas soltas nos pés, exceto o lençol de baixo. O lençol de
cima, cobertor, e colcha deverão ser dobrados na parte da cabeceira e dos pés, deixando-os enrolados
lateralmente.
Após deitar o paciente operado cobri-lo e prender as peças da cama que estavam soltas fazendo os
cantos.

Higiene do Paciente

Normas
- A higiene do paciente fica a cargo da Equipe de Enfermagem;
- Explicar sempre ao paciente o que vai ser feito;
- Preferencialmente realizar a higiene oral do paciente, antes do banho e após as refeições, com
solução de Bicarbonato de Sódio, e quando se fizer necessário;
- Ao lidar com o paciente, de maneira direta, e imprescindível o uso de luvas para procedimentos;
- Cuidar durante o banho, para não expor, desnecessariamente, o paciente. A privacidade contribui
muito para o conforto mental do paciente;
- Secar bem toda a superfície do corpo do paciente, principalmente as dobras;
- As portas do banheiro não devem ser trancadas, durante o banho;
- Deve-se testar a temperatura da água, antes do banho do paciente. Geralmente se usa água morna.

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Higiene Oral

Definição
Consiste na limpeza dos dentes, gengivas, bochechas, língua e lábios. Condições patológicas que
predispõem a irritação e a lesão da mucosa oral: (estado de coma, hipertermia).

Finalidades
- Promover conforto ao paciente,
- Evitar halitose,
- Prevenir carie dentaria,
- Conservar a boca livre de resíduos alimentares.

Higiene Oral (em pacientes impossibilitados de cuidar de si)

Material:
- Solução antissépticas - solução bicarbonatada (para cada 1 colher de chá, 500 ml de agua);
- Espátula envoltas em gazes;
- Lubrificante (vaselina liquida);
- Toalha;
- Copo para colocar solução antissépticas;
- Luvas;
- Cuba rim.

Técnica:
- Lavar as mãos;
- Explicar ao paciente o que ser feito;
- Calcar luvas;
- Reunir o material na mesa de cabeceira;
- Colocar o paciente em posição confortável, com a cabeceira elevada. Em pacientes inconscientes,
coloca-los em decúbito lateral;
- Colocar a toalha na parte superior do tórax e pescoço do paciente, com forro plástico, se necessário;
- Proceder a limpeza de toda a boca do paciente usando as espátula envoltas em gazes, embebidas
em solução antissépticas diluído em agua;
- Utilizar cuba rim para o paciente "bochechar";
- Limpar a língua, para evitar que fique seborreica;
- Enxugar os lábios com a toalha;
- Lubrificar os lábios com vaselina liquida, para evitar rachaduras;
- Retirar luvas;
- Lavar as mãos;
- Recompor a unidade;
- Anotar no prontuário o que foi feito e anormalidades detectadas.

Obs.: em pacientes neurológicos com lesão cervical, usar a espátula com gaze, para retirar o excesso
de liquido da solução antissépticas, sem mobilizar a cabeça.

- Em pacientes conscientes, ele próprio deve escovar os dentes.

Higiene Oral (em paciente entubado)

Material:
- Solução antissépticas - solução bicarbonatada,
- Espátula envoltas em gazes,
- Lubrificante (vaselina liquida),
- Copo para colocar solução antissépticas,
- Seringa de 20 ml,
- Aspirador montado,
- Cânula de guedel (estéril), se necessário,
- Toalha,
- Luvas.

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Técnica
- Lavar as mãos;
- Explicar ao paciente o que ser feito;
- Calcar luvas;
- Reunir o material na mesa de cabeceira;
- Colocar o paciente em posição confortável, com a cabeceira elevada ou em decúbito lateral se estiver
inconsciente. Caso o paciente esteja com sonda nasogástrica, abri-la, para evitar náuseas e refluxo do
conteúdo gástrico para a boca;
- Colocar a toalha na parte superior do tórax e pescoço do paciente, com forro plástico, se necessário;
- Verificar se o cuff da cânula endotraqueal esta insuflado, para evitar que a solução antissépticas ou
salivação penetre na traqueia, durante a higienização;
- Instilar agua com auxílio da seringa, pelo orifício da cânula de guedel, e fazer aspiração ao mesmo
tempo;
- Retirar a cânula de guedel e lava-la em agua corrente na pia do quarto e recoloca-la, ou proceder a
sua troca por outra estéril, caso, seja necessário ou que conforme rotina, já tenha dado 24 horas após a
sua colocação;
- Proceder a limpeza de toda a boca do paciente, usando as espátula envoltas em gazes embebidas
em solução antisséptica. Limpar o palato superior e toda a arcada dentaria;
- Limpar a também a língua;
- Enxugar os lábios com a toalha e lubrifica-los com vaselina;
- Retirar luvas;
- Lavar as mãos;
- Recompor a unidade;
- Anotar no prontuário o que foi feito e anormalidades detectadas.

Obs.: a troca do cadarço da cânula endotraqueal, deve ser feita pelo Técnico/Auxiliar a cada 12 horas,
ou quando se fizer necessário, acompanhada do reposicionamento da cânula endotraqueal, que dever
ser feito pela Enfermeira da unidade.

- A higiene oral do paciente entubado dever ser feita 01 vez a cada plantão.

Higiene das Próteses Dentarias

Material:
- Copo com solução antissépticas bucal,
- Escova de dentes,
- Pasta dental ou sabão liquido,
- Cuba rim,
- 01 par de luvas,
- Toalhas de papel,
- Toalhas de Banho,
- Biombos.

Técnica
- Lavar as mãos;
- Explicar ao paciente o que vai fazer;
- Reunir o material na bandeja e colocar sobre a mesa de cabeceira do paciente;
- Proteger o leito com biombo;
- Colocar toalha sobre o tórax do paciente;
- Colocar o paciente em Fowler ou sentado quando for permitido;
- Calcar as luvas;
- Pedir ao paciente que remova a prótese com o uso da toalha de papel. Se o paciente não puder
remover as próteses sozinho, a enfermagem dever faze-lo em seu lugar, lenta e cuidadosamente;
- Colocar as próteses na cuba rim, forrada com toalha de papel. Levar ao banheiro;
- Colocar a pasta dental ou sabão líquido sobre a escova;
- Segurar as próteses na palma da mão e escova-la com movimentos firmes da base dos dentes para
as pontas;
- Escovar a área de acrílico em toda sua extensão;
- Lava-la sob jato de agua fria;

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- Desprezar o papel toalha da cuba rim e colocar outro;
- Colocar a prótese limpa na cuba rim;
- Lavar a escova com agua corrente e coloca-los na cuba rim;
- Lavar as mãos enluvadas;
- Oferecer copo com solução antissépticas bucal, para que o paciente enxague a boca;
- Entregar a prótese ao paciente ou coloque-a por ele, no caso de impossibilidade do mesmo;
- Colocar o paciente em posição confortável;
- Desprezar as luvas;
- Limpar e guardar todo o material;
- Lavar as mãos;
- Anotar no prontuário.

Obs.: quando o paciente retirar a prótese ou recoloca-la, a Enfermagem dever observar se há alguma
anormalidade em cavidade bucal. Se houver, relata-la no prontuário.

Banho no Leito (Paciente com dependência total)

Normas
- Trocar a agua do banho sempre que necessário;
- Quando houver colostomia e/ou drenos, esvaziar as bolsas coletoras antes do banho ou troca-la,
depois trocar as luvas e iniciar o banho;
- Quando o banho for dado em apenas uma pessoa, levando-se em consideração que o paciente ajuda,
seguir a mesma técnica, porém, sem esquecer de lavar as mãos enluvadas, antes de manipular a roupa
limpa;
- O uso de máscara para banho e opcional como rotina. Levar em consideração os pacientes altamente
infectados.

Material:
- Carro de banho ou mesa de cabeceira,
- Luva de banho,
- Toalha de banho (lençol protetor),
- Material para higiene oral,
- Material para higiene intima,
- Pente,
- Sabonete individualizado,
- Comadre e/ou papagaio do próprio paciente,
- Roupa para o paciente (pijama ou camisola),
- Roupa de cama (02 lençóis, 01 cobertor S/N, 01 toalha de banho, 01 para fralda S/N, 01 forro S/N).
- Luvas de procedimento,
- Luvas de banho,
- Hamper,
- 01 bacia,
- 01 balde,
- Fita adesiva,
- Biombos.

Técnica
- Lavar as mãos e calcar as luvas de procedimentos;
- Explicar ao paciente o que vai ser feito;
- Trazer o carro de banho e o hamper próximo ao leito;
- Fechar as portas e janelas;
- Proteger a unidade do paciente com biombos;
- Oferecer comadre ou papagaio ao paciente e procurar saber se tem clister prescrito. Se houver, faze-
lo em primeiro lugar;
- Desprender a roupa de cama, iniciando do lado oposto onde permanecer;
- Fazer higiene oral do paciente e lavar a cabeça, se necessário;
- Trocar a agua do banho, obrigatoriamente, após a lavagem da cabeça;
- Lavar os olhos, limpando o canto interno para o externo, usando gaze;
- Lavar, enxaguar e enxugar o rosto, orelhas e pescoço;

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- Remover a camisola ou camisa do pijama, mantendo o tórax protegido com o lençol, descansando
os braços sobre o mesmo;
- Lavar e enxugar os braços e mãos do lado oposto ao que se está trabalhando, depois o mais próximo,
com movimentos longos e firmes, do punho a axila;
- Trocar a agua;
- Lavar e enxugar o tórax e abdome, com movimentos circulares, ativando a circulação, observando
as condições da pele e mamas;
- Cobrir o tórax com lençol limpo, abaixando o lençol em uso, até a região genital;
- Lavar, enxaguar e enxugar as pernas e coxas, do tornozelo até a raiz da coxa, do lado oposto ao que
se está trabalhando, depois o mais próximo;
- Colocar bacia sob os pés e lava-la, principalmente nos interdígitos, observando as condições dos
mesmos e enxugar bem;
- Trocar a agua da bacia e a luva de pano, obrigatoriamente;
- Encaixar a comadre no paciente;
- Fazer higiene intima do paciente, de acordo com a técnica;
- Trocar, obrigatoriamente, a agua da bacia e a luva de banho, retirando a comadre, deixando-a ao
lado do leito;
- Virar o paciente em decúbito lateral, colocando a toalha sob as costas e nádegas, mantendo esta
posição com o auxílio de outra pessoa;
- Lavar e enxugar as costas, massageando-as, incluindo nádegas e cóccix do paciente;
- Deixar o paciente em decúbito lateral, empurrando a roupa úmida para o meio do leito, enxugando o
colchão;
- Trocar de luvas ou lavar as mãos enluvadas, para não contaminar a roupa limpa;
- Proceder a arrumação do leito, com o paciente em decúbito lateral;
- Virar o paciente sobre o lado pronto do leito;
- Retirar a roupa suja e despreza-la no hamper;
- Calcar outras luvas ou lavar as mãos enluvadas e terminar a arrumação do leito;
- Fazer os cantos da cama: cabeceira e pés;
- Vestir o paciente;
- Pentear os cabelos do paciente;
- Trocar a fronha;
- Utilizar travesseiros para ajeitar o paciente no decúbito mais adequado;
- Limpar balde, bacia, comadre com agua e sabão;
- Recompor a unidade do paciente, colocando tudo no lugar;
- Retirar as luvas e lavar as mãos;
- Anotar no prontuário o que foi feito e as anormalidades detectadas, se houver.

Banho de Aspersão (chuveiro)

Material:
- Roupa pessoal (pijama, camisola, shorts - fornecidos pelo Hospital),
- Toalha de banho,
- Sabonete (individual),
- Pente,
- Luva de banho (opcional).

Técnica
- Lavar as mãos;
- Explicar ao paciente o que vai ser feito;
- Reunir o material e levar ao banheiro;
- Encaminhar o paciente ao banheiro (portas e janelas fechadas);
- Abrir o chuveiro e regular a temperatura da agua e orientar o paciente sobre o manuseio da torneira;
- Ajudar o paciente a se despir, caso não consiga fazer sozinho;
- Iniciar o banho se a situação permitir, deixando o paciente sozinho;
- Enxugar ou ajudar o paciente a fazê-lo, observando as condições da pele e a reação do banho;
- Vestir e pentear o paciente caso não consiga faze-lo sozinho; cadeira;
- Arrumar o leito e deixar a unidade em ordem;
- Colocar tudo no lugar e chamar o pessoal da limpeza para proceder a limpeza do banheiro;
- Lavar as mãos;

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- Anotar no prontuário.

Obs.: sentar na cadeira embaixo do chuveiro e muito mais seguro para os pacientes idosos ou para
os pacientes que ainda estão muito fracos, facilitando para que lavem as pernas e pés, com menor
probabilidade de escorregarem.

- Durante o banho deve-se assegurar a privacidade ao paciente, mas pedir-lhe para não trancar a porta
e chamar se precisar de assistência. Manter-se perto do local.

Higiene Intima Feminina

Material:
- 01 balde,
- 01 jarra,
- Pacote de gazes,
- Comadre,
- Toalha de banho,
- Sabão líquido o P.V.P.I. degermante,
- Luvas para procedimento,
- Hamper,
- Pinça auxiliar (Cheron),
- Biombo,
- Forro e saco plástico.

Técnica
- Lavar as mãos;
- Explicar o procedimento ao paciente;
- Reunir o material e coloca-los sobre a mesa de cabeceira;
- Calcar as luvas;
- Trazer o hamper próximo ao leito;
- Proteger a unidade com biombos;
- Colocar o paciente em posição ginecológica, procurando expô-la o mínimo possível;
- Colocar o forro sobre o saco plástico, colocando-os sobre a região glútea;
- Colocar a comadre sob a região glútea da paciente, com ajuda da mesma;
- Irrigar monte pubiano e vulva com agua, despejando-a suavemente com o auxílio da jarra;
- Despejar pequena porção de sabão liquido ou P.V.P.I. degermante sobre o monte pubiano;
- Ensaboar a região pubiana com a pinça montada em gaze, de cima para baixo sem atingir o anus,
desprezando a gaze, após cada movimento vulva - anus;
- Afastar os grandes lábios e lava-la no sentido anteroposterior, primeiro de um lado, desprezando a
gaze e depois do outro lado;
- Lavar por último a região anal;
- Despejar a agua da jarra, sobre as regiões ensaboadas;
- Retirar a comadre;
- Enxugar a região lavada com a toalha de banho ou com o forro que está sob a região glútea do
paciente;
- Colocar a paciente em posição de conforto;
- Desprezar as roupas (toalha, forro) no hamper;
- Lavar a comadre no banheiro, juntamente com o balde e jarra e guarda-los;
- Retirar a luva;
- Lavar as mãos;
- Anotar no prontuário.

Obs.: se houver presença de secreção uretral e/ou vaginal, utilizar gazes montadas na pinça auxiliar
para retirar o excesso, antes de iniciar a limpeza com agua e sabão liquido ou P.V.P.I. degermante.

Higiene Intima Masculina

Material:
- 01 balde,

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106
- 01 jarra,
- Pacote de gazes,
- Comadre,
- Toalha de banho,
- Sabão líquido o P.V.P.I. degermante,
- Luvas para procedimento,
- Hamper,
- Pinça auxiliar (Cheron),
- Biombo,
- Forro e saco plástico.

Técnica
- Lavar as mãos;
- Explicar o procedimento ao paciente;
- Reunir o material e leva-lo a unidade do paciente;
- Proteger a unidade com biombos;
- Trazer o hamper próximo ao leito;
- Calcar as luvas de procedimentos;
- Posicionar o paciente expondo somente a área genital;
- Colocar o forro com plástico sob a região glútea do paciente;
- Colocar a comadre sob a região glútea em cima do forro com a ajuda do paciente;
- Irrigar com a jarra com agua, a região genital;
- Dobrar e pinçar gaze com a pinça auxiliar;
- Despejar pequena porção de sabão líquido ou P.V.P.I. degermante, sobre os genitais;
- Ensaboar os genitais com a pinça montada em gaze, desprezando a gaze, a cada etapa;
- Tracionar o prepúcio para trás, lavando-o em seguida, com movimentos únicos e circulares;
- Iniciar a higiene intima pelo meato urinário, prepúcio, glande, corpo do pênis, depois região escrotal
e por último a região anal;
- Despejar o conteúdo da jarra sobre a região pubiana, pregas inguinais, pênis e bolsa escrotal;
- Tracionar o escroto, enxaguando a face inferior no sentido escroto perineal;
- Retirar todo o sabão líquido ou P.V.P.I. degermante;
- Retirar a comadre;
- Enxugar a região lavada com a toalha de banho ou com o forro que está sob a região glútea do
paciente;
- Posicionar o prepúcio;
- Colocar a paciente em posição de conforto;
- Desprezar as roupas no hamper (toalha, forro);
- Lavar a comadre no banheiro, juntamente com o balde e jarra e guarda-los;
- Retirar a luva;
- Lavar as mãos;
- Anotar no prontuário.

Obs.: se houver presença de secreção purulenta na região uretral, limpa-la com gaze, antes de
proceder a limpeza com agua e sabão.

Lavagem dos Cabelos

Material:
- Shampoo,
- Balde,
- Bacia,
- Toalha de banho,
- Luvas para procedimento,
- Forro e saco plástico,
- Pente,
- Algodão em bola (02 unidades).

Técnica
- Explicar ao paciente o que ser feito;

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107
- Reunir o material no carro de banho e leva-lo próximo a cama do paciente;
- Lavar as mãos;
- Fechar portas e janelas;
- Abaixar a cabeceira do leito do paciente;
- Retirar o travesseiro;
- Colocar toalha de banho na cabeceira da cama, sob o forro com o plástico;
- Colocar sobre o forro com plástico, a bacia com agua morna;
- Colocar o paciente em posição diagonal, com a cabeça próxima ao funcionário;
- Proteger os ouvidos do paciente com algodão;
- Colocar outra toalha ao redor do pescoço do paciente, afrouxando a camisola, no caso de mulher, ou
retirando a camisa no caso de homem, cobrindo-o com o lençol;
- Sustentar a cabeça do paciente com uma das mãos, sobre a bacia com agua;
- Pentear os cabelos, inspecionando o couro cabeludo, cabelos e observando condições de
anormalidade;
- Umedecer os cabelos com um pouco de agua, aplicando o shampoo evitando que o liquido escorra
nos olhos;
- Massagear o couro cabeludo com as pontas dos dedos;
- Lavar os cabelos;
- Enxaguar os cabelos do paciente até sair toda espuma, com o auxílio de uma jarra;
- Despejar a agua da bacia, quantas vezes forem necessário;
- Elevar a cabeça do paciente e espremer os cabelos com cuidado, fazendo escorrer agua;
- Retirar a bacia que está sob a cabeça do paciente;
- Descansar e envolver a cabeça do paciente na toalha;
- Secar os cabelos com toalha de banho ou forro;
- Pentear os cabelos do paciente;
- Recolocar o travesseiro e voltar o paciente a posição inicial;
- Retirar a toalha, recompor o material no carro de banho, deixando paciente em posição confortável;
- Lavar as mãos;
- Anotar na prescrição do paciente.

Tratamento de Pediculose e Remoção de Lêndeas

Material:
- Solução indicada para pediculose,
- Luvas para procedimento,
- Atadura de crepe,
- Esparadrapo,
- Forro e saco plástico,
- Pente fino,
- Biombo,
- Vaselina Liquida.

Técnica
- Lavar as mãos;
- Trazer a bandeja com o material e coloca-los na mesa de cabeceira ou carro de banho;
- Explicar o procedimento ao paciente;
- Colocar biombo;
- Colocar o forro protegido com plástico sobre o travesseiro;
- Aplicar vaselina nas bordas do couro cabeludo, para evitar que a solução queime o rosto;
- Dividir os cabelos em partes, aplicando a solução com gaze, fazendo fricção no couro cabeludo e no
final embeber os cabelos;
- Prender o cabelo e colocar a faixa de crepe ao redor da cabeça, formando um gorro e fixando com
esparadrapo no final;
- Conservar o travesseiro com forro;
- Retirar as luvas;
- Lavar as mãos;
- Deixar o paciente confortável e a unidade em ordem;
- Levar a bandeja com o material para o local de origem;
- Fazer anotações no prontuário do paciente.

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Obs.: deixar a solução no cabelo por 03 a 06 horas pela manhã e lava-la a tarde, passando vinagre
apos e penteando.

- Repetir o procedimento durante 03 dias ou mais, se necessário.

Uso de Comadre e Papagaio

Indicado em pacientes acamados, ou quando houver necessidade de recolher material para exames
ou controle de diurese. Geralmente o paciente encontra dificuldade no seu uso, cabendo à enfermagem
atende-lo com compreensão e tato.
A privacidade é fundamental para evitar constrangimento. A colocação da comadre ou papagaio deve
ser feita com à exposição mínima do paciente, e de preferência por pessoal da enfermagem do mesmo
sexo.

Material:
- Comadre ou Papagaio (previamente aquecido e seco)
- Papel higiênico,
- Biombos,
- Bacia com agua morna
- Toalha de banho,
- Sabonete.

Técnica
- Lavar as mãos;
- Identificar o paciente;
- Cercar a cama com biombos;
- Explicar ao paciente o que vai ser feito;
- Reunir o material necessário junto a unidade;
- Colocar as luvas de procedimento;
- Aquecer a comadre (fazendo movimentos de fricção em sua superfície, com a extremidade sobre o
lençol ou colocando-a em contato com agua quente);
- Pedir ao paciente para levantar os quadris e se ele estiver impossibilitado, levantar por ele, com a
ajuda de outro funcionário da Enfermagem;
- Colocar a comadre sob os quadris;
- Se for papagaio, deve ser colocado entre os membros inferiores e o pênis dentro do recipiente. Pode
ser colocado em decúbito lateral, observando o conforto do paciente.
- Deixar o paciente sozinho, sempre que possível;
- Ficar por perto e voltar tão logo ele o chame; necessário, faca por ele;
- Pedir novamente ao paciente que levante o quadril ou, se necessário, levante por ele;
- Retirar a comadre ou papagaio;
- Fornecer bacia com agua para que o paciente lave as mãos;
- Fornecer toalha para que ele enxugue as mãos;
- Lavar o material;
- Colocar o material restante no lugar;
- Deixar o paciente em posição confortável;
- Desprezar as luvas e lavar as mãos;
- Anotar no prontuário.

Obs.: não deixar um paciente esperando pela comadre, por se tratar de um ato fisiológico e a espera
pode levar a angustia física e emocional, podendo ocorrer diminuição do tônus dos esfíncteres.

- Por se tratar de um momento íntimo, muitos pacientes tem que ficar sozinhos, pois sentem-se
inibidos, não conseguindo evacuar perto de outras pessoas.

Movimentação do Paciente

Normas
- E de responsabilidade da equipe de enfermagem a movimentação do paciente que não se movimenta
sozinho;

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- O paciente dever ser mudado de decúbito a cada duas horas e sempre que solicitado pelo mesmo;
- A movimentação e posição deve ser de acordo com o quadro do paciente;
- E de responsabilidade da enfermagem o transporte do paciente dentro da área hospitalar;

Técnica de Movimentar o Paciente para um dos Lados da Cama

Utilizando 02 pessoas:
- Lavar as mãos;
- Explicar ao paciente que ser feito;
- Ficar em pé ao lado da cama, de frente para o paciente, uma pessoa de cada lado da cama;
- A primeira pessoa segura o short ou fralda do paciente do lado esquerdo;
- A segunda pessoa segura o short ou fralda do paciente do lado direito;
- Trazer o paciente em movimento ritmados para o lado direito ou esquerdo;
- Lavar as mãos;
- Anotar no prontuário horário e posição o em que foi colocado o paciente;

Obs.: as pessoas que vão movimentar o paciente devem permanecer com uma das pernas frente a
outra, com os joelhos e quadris fletidos, trazendo o braço ao nível da cama;

- Pode utilizar o forro para fazer a mobilização do paciente.

Técnica de Movimentar o Paciente em Decúbito Lateral E/D

- Lavar as mãos;
- Explicar ao paciente que ser feito;
- Posicionar-se ao lado do qual se quer virar o paciente;
- Aproximar o paciente para a beira oposta da cama;
- Vira-lo para o lado D ou E com movimentos firmes e suaves;
- Apoiar o dorso com travesseiros ou rolo de cobertor;
- Colocar o travesseiro sob a cabeça e o pescoço;
- Flexionar o membro inferior que está por cima e apoia-lo sobre o travesseiro;
- Manter fletido o membro superior que está em contato com o colchão;
- Recompor a unidade;
- Lavar as mãos;
- Anotar no prontuário.

Técnica de Movimentar o Paciente Incapacitado mais para Cima na Cama

Utilizando 02 pessoas
- Lavar as mãos;
- Explicar ao paciente que ser feito;
- Deixar o paciente em posição horizontal;
- A primeira pessoa solta um dos lados do lençol móvel, a segunda pessoa solta o outro lado do lençol
móvel;
- As duas pessoas, uma de cada lado do leito, num movimento ritmado, movimentam o paciente para
a cabeceira;

Restrição do Paciente

Finalidade
- Nos casos de pacientes agitados, pós-operatórios, principalmente cirurgias de crânio;
- Em traumas e cirurgias em região ocular, quando o paciente não colaborar;
- Em doentes mentais, quando constituem um perigo para si e para os demais;
- Pacientes com infecção na pele, para evitar que se cocem;
- No caso de pacientes que não colaboram, para manutenção de sondas, cateteres e soros.

Meios Utilizados para Restrição Lençóis, faixas elásticas, coletes, cama com grade, saquinhos de
areia, atadura de crepe, traço;

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Normas
- Importante conversar sempre com o paciente durante o tratamento, para diminuir o desconforto da
restrição e a inquietude, explicando-lhe a finalidade da restrição;
- Retirar a restrição logo que terminar o tratamento ou o paciente se acalmar;
- Ha necessidade de uma boa observação devido a possibilidade de deficiência de circulação;
- Sempre anotar as causas das restrições no prontuário;
- Verificar com frequência o local da restrição; se o paciente ficar sob restrição durante muito tempo,
retira-la duas vezes ao dia, lavar o local com agua morna e sabonete ou sabão liquido, massageando o
local;
- Ter cuidado para não apertar demasiadamente; deve-se passar pelo menos 1 dedo entre a argola e
o local restrito;
- Não deixar de restringir os membros sem restringir também o abdome quando o paciente estiver
agitado;
- Quando colocar restrição sobre o abdome, evitar ajustar o lençol sobre a região epigástrica;
- Evitar fazer pressão sobre as artérias, fraturas, queimaduras e ferimentos;
- Deve-se usar a restrição, somente quando se tornar absolutamente necessária;

Restrição por Meio de Lençóis

Restrição dos Ombros

Técnica:
- Lavar as mãos;
- Explicar o procedimento e a finalidade ao paciente (se possível);
- Dobrar um lençol em diagonal, até formar uma faixa de 25 cm de largura;
- Colocar a faixa sob as costas do paciente, passando pelas axilas, cruzando sob o travesseiro e
amarrando na cabeceira da cama;
- Lavar as mãos;
- Anotar no prontuário.

Restrição do Abdome

Técnica:
- Lavar as mãos;
- Explicar o procedimento e a finalidade ao paciente (se possível);
- Dobrar 02 lençóis de forma longitudinal (ao comprido) ou diagonal cada um, até formar uma faixa de
25 cm de largura;
- Colocar uma faixa sobre o abdome do paciente e a outra sob a região lombar;
05 - Torcer juntas as pontas do lado direito dos dois lençóis, amarrando-as no estrado do leito;
- Repetir o mesmo procedimento para o lado esquerdo;
- Lavar as mãos;
- Anotar no prontuário.

Restrição dos Joelhos

Técnica:
- Lavar as mãos;
- Explicar o procedimento e a finalidade ao paciente (se possível);
- Dobrar 01 lençol em diagonal;
- Colocar sob os joelhos do paciente;
- Passar a ponta do lado direito do lençol sobre o joelho direito e por baixo do esquerdo;
- Passar a ponta do lado esquerdo do lençol sobre o joelho esquerdo e por baixo do joelho direito,
amarrando as extremidades livres no estrado do leito;
- Lavar as mãos;
- Anotar no prontuário.

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Restrição com Ataduras de Crepe

Técnica:
- Lavar as mãos;
- Explicar o procedimento e a finalidade ao paciente (se possível);
- Colocar o membro do paciente em posição anatômica;
- Adaptar a atadura de crepe no membro deixando sobrar uma ponta;
- Realizar o enfaixamento do membro, que terá duas finalidades:

a) Proteção do membro;

b) Restrição do membro;
- Amarrar as pontas das ataduras após o enfaixamento;
- Amarrar a ponta da atadura no estrado da cama;
- Lavar as mãos;
- Anotar no prontuário.

Como Sentar o Paciente em Poltrona ou Cadeira de Rodas

Semi Independente
- Material
- Cadeira,
- Lençóis e Cobertores,
- Travesseio.

Técnica:
- Lavar as mãos;
- Orientar o paciente quanto a necessidade de locomoção, local onde ir e como ser feito o transporte;
- Forrar a cadeira com lençol;
- Colocar a cadeira ao lado da cama, com as costas virada para o pé da cama (se for cadeira de rodas,
não se esquecer de trava-la);
05 - Virar o paciente de lado, colocando um dos braços sob os ombros do paciente e outro, na região
da escápula. O braço mais distante do paciente se apoia no ombro do funcionário, que com um impulso,
senta-o no leito; Observar as áreas do paciente;
- Calcar os chinelos;
- Fazer o paciente levantar, apoiando-se nos ombros do funcionário que o segura pela cintura;
- Virar e sentar o paciente na cadeira;
- Envolver o paciente com lençol ou cobertor (se necessário);
- Colocar travesseiro nas costas para apoio (se necessário);
- Passar uma faixa (lençol dobrado no sentido longitudinal) em volta da região abdominal do paciente,
amarrando as extremidades na parte de trás da cadeira (se necessário);
- Certificar-se do conforto e segurança do paciente;
- Anotar no prontuário: horário da saída e o destino, intercorrências durante o transporte.

Obs.: quando tratar-se de paciente totalmente incapacitado, colocar a cadeira paralela ao leito, com
as costas voltada para a cabeceira do leito;

- Proceder a passagem do leito para a cadeira sempre em 2 ou 3 pessoas: a primeira pessoa pega o
paciente passando os braços pela axila e a segunda e/ou terceira pega o paciente pelos quadris e pé,
colocando-o diretamente na cadeira.

Como Passar o Paciente do Leito Para a Maca com Auxílio de Lençol


Técnica:
- Lavar as mãos;
- Orientar o paciente quanto a necessidade de locomoção, local onde ir e como ser feito o transporte;
- Forrar a maca com lençol;
- Soltar o lençol de baixo;
- Colocar a maca paralela ao leito e trava-la;

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- Providenciar para que 2 pessoas permaneçam junto a maca com os pés afastados, do lado em que
o paciente ser locomovido, na seguinte ordem:
a) A primeira pessoa apoia a cabeça do paciente e segura na parte superior do lençol móvel. A segunda
pessoa segura a parte inferior do lençol, apoiando todo o tronco do paciente e as pernas;
b) A terceira e a quarta pessoa permanecem ao lado oposto a maca, ao lado da cama seguindo a
técnica anterior, para afirmar a cama e ajudar na locomoção do paciente;
c) Num movimento único, simultâneo e coordenado as pessoas passam o paciente para a maca;
- Envolver o paciente com um lençol;
- Levantar as grades da maca;
- Observar se o paciente está confortável.

Obs.: se necessário utilizar 4 ou 6 pessoas, conforme o tamanho do paciente.

Passagem do Paciente da Cama Para a Maca em Bloco


Finalidade
Usada em especial para pacientes politraumatizados. Utilizando 06 pessoas

Material:
- Lençol,
- Maca.

Técnica:
- Lavar as mãos;
- Preparar o material;
- Orientar o paciente quanto a necessidade do transporte;
- Forrar a maca com lençol;
- Colocar a maca ao lado da cama;
- Travar as rodas da maca;
- 03 Elementos devem se posicionar ao lado da cama e os outros 03 elementos do outro lado da maca,
posicionando da seguinte forma:
a) A primeira pessoa coloca um braço sob o pescoço e ombros e o outro sob as costas;
b) A segunda pessoa coloca um braço sob a cintura, e o outro sob os quadris;
c) A terceira pessoa que fica aos pés do paciente coloca um braço sob os quadris e o outro sob as
pernas;
d) Os outros 03 elementos ficam do lado oposto e seguram o paciente da mesma forma (um elemento
se firma no braço do outro);
- Ao dizer 3 (trás) o paciente levantado e colocado na maca;
- Cobrir o paciente com lençol;
- Certificar se o paciente está confortável;
- Levantar as grades da maca.

Técnica de Calçar Luva Estéreis

O procedimento de calçar um par de luvas estéril requer técnica correta, para evitar a contaminação
da luva, fato este que pode ocorrer com facilidade, por isso requer muita atenção.
As luvas estéreis devem ser utilizadas sempre que ocorrer a necessidade de manipulação de áreas
estéreis. Existem vários procedimentos que exigem a utilização de luvas estéreis, entre eles os
procedimentos cirúrgicos, aspiração endotraqueal, curativos extensos, que se tornam difíceis realizar
somente com o material de curativo.
Resumindo, em qualquer ocasião que for necessário o auxílio manual em locais estéreis ou em lesões,
usa-se as luvas esterilizadas.
Podem ser encontradas nos tamanhos P, M ou G, ou até mesmo em tamanhos numerados como 6.0,
6.5, 7.0 até 9.0. E pode variar de acordo com o fabricante.
Após realizar a lavagem correta das mãos, abra o pacote de luvas sobre uma superfície limpa, à altura
confortável para sua manipulação.
Observe que existem abas nas dobras internas da embalagem das luvas.
Elas existem para facilitar a abertura do papel, sem que ocorra o risco de tocar nas luvas e contaminá-
las. Então, segure nas abas abra os dois lados que revestem as luvas,

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As luvas estão dispostas corretamente a sua frente, onde: a luva da mão direita está a sua direita, e a
luva da mão esquerda, está a sua esquerda. Isso na maioria dos fabricantes. A maioria das luvas não
tem lado anatômico, mas ficam dispostas nesse sentido, devido a dobra existente do polegar.
- Agora, prepare-se para calçar a luva na mão dominante. Com sua mão não dominante, segure a luva
pela face interna da luva (que vem dobrada propositalmente).
- Lembre-se: enquanto você estiver sem luvas, segure apenas pela face onde a luva irá entrar em
contato com sua pele, ou seja, face interna.
- Agora, introduza os dedos da mão dominante, calmamente, procurando ajustar os dedos
internamente. Realize esta etapa da melhor maneira possível, mas não se preocupe se os dedos ficarem
mal posicionados dentro da luva. Continue o procedimento mesmo com os dedos posicionados de forma
errada (é muito arriscado tentar arrumar a posição dos dedos, você pode contaminá-la).
- Após esta etapa, introduza até que sua mão entre completamente na luva, sempre a segurando pela
face interna.
- Agora que você colocou a primeira luva estéril (na mão dominante), vamos colocar a luva na mão
esquerda (não-dominante). Lembre-se, que agora estamos com uma luva estéril na mão dominante, não
podemos tocar em lugares que não sejam estéreis, sejam eles a nossa pele, superfícies ou objetos ao
nosso redor. Com a mão dominante (enluvada), segure a outra luva pela face externa (ou seja, por dentro
da dobra existente). Esta dobra existente no punho da luva servirá de apoio para segurar a luva, sem que
ocorra o risco de contaminar a luva, mesmo que imperceptivelmente.
- Sempre segurando pela dobra do punho da luva, introduza calmamente sua mão esquerda (não-
dominante) na luva, semelhante ao realizado na primeira, mas agora, com a cautela de não tocar com a
luva na pele da mão esquerda ou em locais não-estéreis.
- Siga esta etapa, até introduzir toda a mão esquerda na luva.
- Agora, havendo a necessidade de posicionar os dedos corretamente, ou até mesmo melhorar o
calçamento da luva, faça com ambas as luvas, porém evite manipular a luva na região dos punhos, caso
esta não possua mais as dobras de segurança.

1- Quando se calça primeiro a luva direita, pega-se o punho pelo lado de dentro com a mão esquerda.
2- Introduz-se mão direita no interior da luva, a qual é então puxada para sua posição com a mão
esquerda (deixando a dobra da luva virada). Solta-se a luva.
3- Depois disso pode-se pegar a luva esquerda com a mão direito já enluvada, introduzindo os dedos
sob a dobra do punho (o lado externo é esterilizado).
4- Introduz-se a mão esquerda, e a luva é levada para a sua posição. Desdobra-se, então, o punho.

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Tricotomia

É a retirada dos pelos de uma determinada área com a finalidade do preparo da área para cirurgia ou
exames.

Material:
- Cuba rim;
- Sabão;
- Cuba redonda com água;
- Aparelho com gilete nova;
- Papel higiênico;
- Gazes;
- Luvas.

Técnica:
- Preparo orientação ao paciente;
- Preparo do ambiente e material;
- Descobrir a área indicada;
- Com auxílio de uma gaze, aplicar a solução de sabão na área a ser manuseada;
- Esticar a pele com a mão e com movimentos amplos e suaves, raspar os pelos na direção de
crescimento;
- Sempre que houver excesso de pelos no aparelho, retirar com auxílio do papel higiênico;
- Retirar o excesso de sabão com auxílio de gaze verificando se o campo está bem feito;
- Enviar o paciente ao banheiro;
- Anotar o que foi feito, limpar e colocar em ordem o material.

Lavagem Otológica

O tampão de cerume é uma causa comum de hipoacusia e certamente a de mais fácil resolução.
Quando se diagnostica o tampão de cerume, deve-se indicar ao indivíduo o uso prévio de um
ceruminolítico por 5 a 7 dias.
Devem ser pingadas 5 gotas na orelha afetada, 3 vezes ao dia, mantendo por 5 minutos o decúbito
lateral, com a orelha afetada para cima. No Brasil, a única opção comercial de ceruminolítico é o
Cerumin® (borato de 8-hidroxiquinolina 0,4mg + trolamina 140mg/mL).
O uso do ceruminolítico previamente à lavagem parece aumentar a sua taxa de sucesso. Quando a
lavagem não é bem-sucedida, pode ocorrer otalgia, causada pela distensão do conduto auditivo devido à
absorção de água pelo tampão ainda impactado.
Material a ser usado: seringa de 20mL, ou mais, sonda urinária de alívio, tesoura, cuba-rim, toalha ou
lençol e solução fisiológica (SF). Deve-se aquecer SF a uma temperatura próxima à corporal, pois isso
evita a ocorrência de nistagmo, náuseas e vertigem.
A sonda, já cortada para ficar com 2 ou 3cm de comprimento, deve ser conectada à seringa que vai
ser usada para irrigar o conduto auditivo com o jato direcionado para cima. Isso irá criar um efeito de
turbilhonamento que deslocará a rolha de cerume. Não se deve temer imprimir pressão ao jato por meio
do rápido movimento para fechamento do êmbolo da seringa. A cuba-rim, colocada junto ao pescoço,
logo abaixo da linha mandibular, servirá para coletar a água e o tampão que saem do conduto auditivo.

Questões

01. (Prefeitura de Macapá/AP - Técnico em Enfermagem - FCC/2018) De acordo com a Agência


Nacional de Vigilância Sanitária, os agentes antissépticos utilizados para a higienização das mãos dos
profissionais de saúde
(A) devem ter efeito plasmático degermante.
(B) não devem ter efeito residual.
(C) devem conter componente alergogênico para a pele.
(D) devem ter ação esterilizante.
(E) devem ter ação antimicrobiana imediata.

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02.(UNIRIO - Auxiliar de Enfermagem - UNIRIO) A limpeza da unidade do paciente garante conforto
e diminui o risco de infecção. Na alta hospitalar, deve-se proceder à limpeza
(A) concomitante.
(B) terminal.
(C) diária.
(D) concorrente.
(E) esterilizante.

03.(Prefeitura de Parnarama/MA - Enfermeiro - NUCEPE) O banho no leito além de proporcionar


conforto e bem estar ao paciente, ele é indicado para:
(A) Estimular a circulação
(B) Combater as úlceras
(C) Regular a respiração
(D) Regular a digestão
(E) Aumentar o apetite.
Gabarito

01.E / 02.B / 03.A

Comentários

01. Resposta: E
Os agentes antissépticos utilizados para higienização das mãos devem ter ação antimicrobiana
imediata e efeito residual ou persistente.

02.Resposta: B
Limpeza Terminal
É a limpeza completa da unidade do paciente, após: Alta, óbito ou transferência.

03. Resposta: A
O banho no leito do paciente é indicado para a ativação da circulação devido os movimentos circulares.

6.1. Verificação de sinais vitais, oxigenoterapia, aerossolterapia e curativos

VERIFICAÇÃO DE SINAIS VITAIS20

A medição de sinais vitais fornece dados para determinar o estado de saúde normal de um paciente,
por meio de dados de referência. Diversos fatores como a temperatura do ambiente, o esforço físico do
paciente e os efeitos da doença causam alterações dos sinais vitais.
A avaliação dos sinais vitais fornece dados para identificar diagnósticos em enfermagem, uma
alteração nos sinais vitais sinaliza uma mudança na função fisiológica e a necessidade de intervenção
médica ou de enfermagem.
Os sinais vitais (SSVV) refere-se a: temperatura (T), pulso ou batimentos cardíacos (P ou BC),
respiração (R) e pressão ou tensão arterial (PA ou TA), veremos a seguir cada um dos sinais vitais
detalhadamente e seus procedimentos de verificação.

Materiais
- Termômetro adequado;
- Estetoscópio;
- Relógio de pulso com visor digital;
- Esfingmomanômetro;
- Manguito de pressão;
- Tecidos moles ou algodão;

20
POTTER, P. A; STOCKERT, P. A; PERRY, A. G.; HAAL, A. M. Fundamentos de Enfermagem. 9ª Ed. Elsevier.

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- Algodão embebido com álcool;
- Lubrificante;
- Caneta, folha de fluxo de sinal vital ou registro ou prontuário eletrônico do paciente;
- Luvas de procedimentos.

Temperatura

A temperatura do corpo é a diferença entre a quantidade de calor produzido por processos corporais
e a quantidade perdida para o ambiente externo.
Os tecidos e células do corpo funcionam eficientemente dentro de um intervalo estreito de 36°C a
38°C, mas não há uma temperatura única que seja normal para todas as pessoas.
O local de medição de temperatura pode ser: oral, retal, membrana timpânica, artéria temporal,
esofágico, artéria pulmonar, axilar ou até mesmo bexiga.
Os mecanismos fisiológicos e comportamentais regulam o equilíbrio entre a perda de calor e o calor
produzido ou termo regulação. Para a temperatura do corpo ficar constante e dentro de uma faixa
aceitável, vários mecanismos mantêm a relação entre a produção e a perda de calor.

Terminologia Básica:
- Variação média de temperatura: 36 a 38°C
- Axilar: 36,5°C
Hipotermia
- Leve: 34 a 36°C
- Moderada: 30 a 34°C
- Severa: <30°C

Padrões de Febre
- Sustentada: uma temperatura corporal constante continuamente acima de 38°C.
- Intermitente: picos de febre intercalados com níveis de temperatura habituais.
- Remitente: picos e quedas de febre sem um retorno a níveis de temperatura aceitáveis.
- Reincidentes: períodos de episódios febris e períodos com valores de temperatura aceitáveis.

Procedimentos para verificação da Temperatura com Termômetro Eletrônico

Temperatura Axilar
- Feche a cortina em volta da cama ou feche a porta do quarto;
- Higienizar as mãos;
- Explicar ao paciente o procedimento a ser realizado;
- Verifique se o termômetro a ser utilizado possui capa de sonda descartável, caso contrário realize a
desinfecção do termômetro com o algodão embebido em álcool a 70%;
- Ajude o paciente a ficar em uma posição supina ou sentado. Movimente a roupa ou camisola para
longe do ombro e braço;
- Levante o braço do paciente para longe do torso. Verifique se há lesões de pele e transpiração
excessiva. Insira a sonda do termômetro no centro da axila. Abaixe o braço sobre a sonda e coloque o
braço sobre o peito do paciente;
- Uma vez posicionada, mantenha a sonda do termômetro no lugar até que o sinal sonoro indique a
conclusão e a temperatura do paciente apareça no visor digital. Remova a haste do termômetro da axila;
- Fale sobre os achados com o paciente e explique o significado;
- Realizar o registro da temperatura no local pertinente;
- Pressione o botão de ejeção na haste do termômetro para descartar a capa da sonda de plástico no
lugar apropriado, se o termômetro não possuir a capa da sonda descartável realizar a desinfecção do
termômetro em algodão embebido em álcool a 70%;
- Higienizar as mãos.

Temperatura Oral
- Higienizar as mãos;
- Explicar ao paciente o que vai ser feito;

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- Calce as luvas de procedimentos quando houver secreções respiratórias ou drenagem de ferida facial
ou bucal;
- Peça ao paciente para abrir a boca, coloque gentilmente a sonda do termômetro debaixo da língua,
na bolsa sublingual posterior lateral, ao centro da mandíbula;
- Peça ao paciente para segurar a sonda do termômetro com os lábios fechados;
- Deixe a sonda do termômetro em posição até que o sinal sonoro indique a conclusão, e a leitura da
temperatura apareça no visor digital, remova a sonda do termômetro que está sob a língua do paciente;
- Fale sobre os achados com o paciente e explique o significado;
- Realizar o registro da temperatura no local pertinente;
- Pressione o botão de ejeção na haste do termômetro para descartar a capa da sonda de plástico no
lugar apropriado, se o termômetro não possuir a capa da sonda descartável realizar a desinfecção do
termômetro em algodão embebido em álcool a 70%. O termômetro deve ser individual;
- Higienizar as mãos.

Temperatura Retal
- Feche a cortina em volta da cama ou feche a porta do quarto;
- Higienizar as mãos;
- Explicar ao paciente o procedimento a ser realizado;
- Verifique se o termômetro a ser utilizado possui capa de sonda descartável, caso contrário realize a
desinfecção do termômetro com o algodão embebido em álcool a 70%;
- Ajude o paciente a ficar na posição de Sims com a perna de cima flexionada. Movimente o lençol da
cama para o lado a fim de expor apenas a área anal. Mantenha a parte superior do corpo do paciente e
as extremidades inferiores cobertas com lençol ou cobertor;
- Calce as luvas de procedimentos. Limpe a região anal quando estiverem presentes fezes e/ou
secreções. Remova as luvas sujas e calce outro par de luvas de procedimentos;
- Esprema uma porção generosa de lubrificante sobre o tecido. Mergulhe a extremidade do termômetro
no lubrificante, cobrindo 2,5 a 3,5cm para adultos;
- Com a mão não dominante separe as nádegas do paciente para expor o ânus. Peça ao paciente para
respirar lentamente e relaxar;
- Insira com cuidado a sonda do termômetro no ânus na direção do umbigo 2,5 a 3,5cm para adultos.
Não force o termômetro;
- Uma vez posicionado, mantenha a sonda do termômetro no lugar até que o sinal sonoro indique a
conclusão e a temperatura do paciente apareça no visor digital, remova a sonda do termômetro do ânus;
- Pressione o botão de ejeção na haste do termômetro para descartar a capa da sonda de plástico no
lugar apropriado, se o termômetro não possuir a capa da sonda descartável realizar a desinfecção do
termômetro em algodão embebido em álcool a 70%;
- Limpe a área anal do paciente com tecido macio para remover o lubrificante ou fezes e descarte o
tecido. Ajude o paciente a assumir uma posição confortável;
- Retire e descarte as luvas no local apropriado;
- Higienizar as mãos;
- Fale sobre os achados com o paciente e explique o significado;
- Realizar o registro da temperatura no local pertinente;

Atenção: de acordo com a ANVISA está proibida a fabricação, importação e comercialização dos
termômetros e medidores de pressão que utilizam coluna de mercúrio para diagnóstico em saúde.

Pulso

O pulso é o limite palpável do fluxo sanguíneo em uma artéria periférica. O sangue flui através do corpo
num circuito contínuo. O pulso é um indicador indireto do estado circulatório.
O volume de sangue bombeado pelo coração durante um minuto é o débito cardíaco, o produto de
frequência cardíaca (FC) e o volume sistólico do ventrículo (VS). Em um adulto, o coração normalmente
bombeia 5.000ml de sangue por minuto.
Os fatores mecânicos, neurais e químicos regulam a força de contração ventricular e seu VS, porém,
quando esses fatores são incapazes de alterar o VS, uma variação em FC provoca uma alteração no
débito cardíaco, o que afeta a pressão arterial (PA).
Conforme a FC aumenta, há menos tempo para as câmaras ventriculares do coração encherem. E
conforme a FC aumenta sem uma mudança no VS, a PA diminui. Conforme a FC fica mais lenta, o tempo

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de enchimento é aumentado e a PA aumenta. A incapacidade da PA para responder a aumentos ou
diminuições em FC indica um possível problema de saúde.
Pode-se avaliar qualquer artéria para a frequência de pulso, mas normalmente se usa a artéria radial,
por que ela é fácil de palpar.

Técnica de Verificação
- Higienizar as mãos;
- Explicar ao paciente o que vai ser feito;
- Feche a cortina em torno da cama e/ou feche a porta;
- Pulso radial;
- Ajude o paciente a ficar em uma posição supina ou sentado;
- Se na posição supina, coloque o antebraço do paciente em linha reta ao lado do corpo ou na parte
inferior do tórax ou na parte superior do abdômen com punho estendido reto. Se sentado, incline o
cotovelo do paciente a 90° e apoie o braço inferior na cadeira ou no seu braço;
- Coloque as pontas dos primeiros dois ou três dedos médios da mão sobre o sulco ao longo do lado
radial ou polegar do pulso interno do paciente. Estenda ligeiramente ou flexione o punho com a palma
para baixo até que você observe o pulso mais forte;
- Comprima levemente o pulso contra o rádio, perdendo o pulso inicialmente, e depois relaxe a pressão
de modo que o pulso se torne facilmente palpável;
- Determine a intensidade do pulso. Observe se a pressão do vaso contra a ponta dos dedos é
latejante, cheia/forte, normal ou esperada, diminuída ou muito pouco palpável ou ausente;
- Depois de sentir um pulso regular, olhe para um relógio e comece a contar a frequência a partir da
primeira batida, então conte um, dois e assim por diante;
- Se o pulso for regular, conte a taxa por 30 segundos e multiplicar o total por 2;
- Se o pulso for irregular, conte a frequência por 1 minuto. Avalie frequência e padrão de irregularidade.
Compare os pulsos radiais bilateralmente;
- Fale sobre os achados com o paciente e explique o significado;
- Realizar o registro da temperatura no local pertinente;
- Higienizar as mãos.

Avalição do Ritmo
- Regular ou Rítmico: Batimentos uniformes;
- Irregular ou Arrítmico: Não são uniformes (ex. Dicrótico: sensação de ser dividida em dois.)

Tensão ou Volume
- Pulso Amplo e cheio: contrações cardíacas fortes;
- Pulso Filiforme: contrações cardíacas fracas – fino.

Valores de Referência
- 60 a 100 batimentos/minuto, forte e regular;
- Lactante: 120 a 160bpm;
- Criança em idade escolar: 75 a 100bpm;
- Adolescente: 60 a 90bpm;
- Adulto: 60 a 100bpm.

Terminologias Básicas
- Bradicardia: quando a FC estiver inferior a 60bpm;
- Taquicardia: quando a FC estiver superior a 100bpm;
- Taquisfigmia: aumento da frequência do pulso;
- Bradisfigmia: diminuição da frequência do pulso.

Respiração

A sobrevivência humana depende da capacidade do oxigênio (O2) alcançar as células do corpo e do


dióxido de carbono (CO2) ser removido das células. A respiração é o mecanismo que o organismo utiliza
para a troca de gases entre a atmosfera e o sangue, e entre o sangue e as células.

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A respiração envolve a ventilação (o movimento de gases para dentro e para fora dos pulmões), a
difusão (o movimento de oxigênio e dióxido de carbono entre os alvéolos e os eritrócitos) e a perfusão (a
distribuição de eritrócitos para e a partir dos capilares pulmonares).
Analisar a eficiência respiratória requer a integração de dados de avaliação de todos os três processos.
A avaliação da ventilação determina a frequência respiratória, a profundidade, o ritmo e o valor final da
expiração de dióxido de carbono.
A respiração é um processo passivo, o trabalho muscular está envolvido no movimento dos pulmões
e da parede torácica. A inspiração é um processo ativo.

Técnica de Verificação
- Higienizar as mãos;
- Explicar ao paciente o que vai ser feito;
- Feche a cortina em torno da cama e/ou feche a porta;
- Certifique-se de que o paciente está em posição confortável, de preferência sentado ou deitado com
a cabeça da cama elevada de 45 a 60°. Certifique-se de que o peito do paciente esteja visível. Se
necessário, movimente a roupa de cama ou a roupa do paciente;
- Coloque o braço do paciente em posição relaxada sobre o abdômen ou parte inferior do tórax ou
coloque a mão diretamente sobre a parte superior do abdômen do paciente;
- Observe o ciclo respiratório completo (uma inspiração e uma expiração);
- Depois de observar um ciclo, olhe para segunda mão do relógio e comece a contar a frequência,
quando a mão de contagem tocar o número no visor, comece a estrutura de tempo, contando um com o
primeiro ciclo respiratório completo;
- Se o ritmo for regular, conte o número de respirações em 30 segundos e multiplique por 2. Se o ritmo
for irregular, menos que 12 ou maior que 20, conte durante 1 minuto inteiro;
- Observe a profundidade de respirações subjetivamente com dados coletados pela observação do
grau de movimento da parede torácica durante a contagem de frequência. Também pode ser avaliada a
profundidade objetivamente pela palpação da excursão da parede torácica ou auscultando a parte
posterior do tórax após a frequência ter sido contada. Descreva a profundidade como superficial, normal
ou profunda;
- Observe o ritmo do ciclo ventilatório. A respiração normal é regular e ininterrupta. Não confundir o
suspiro com ritmo anormal;
- Observe qualquer aumento do esforço para inspirar e expirar. Peça ao paciente para descrever a
experiência subjetiva da respiração em comparação com o padrão de respiração normal.
- Fale sobre os achados com o paciente e explique o significado.
- Realizar o registro da temperatura no local pertinente;
- Higienizar as mãos.

Observações: não permitir que o paciente fale e não contar a respiração logo após esforços do
paciente.

Valores de Referência
- 12 a 20 respirações/minuto, profundas e regulares;
- Recém-nascido: 30 a 60 irpm;
- Lactante: 30 a 50 irpm;
- Criança: 20 a 30 irpm;
- Adolescente: 16 a 20 irpm;
- Adulto: 12 a 20 irpm.

Terminologia Básica
- Eupneia: frequência respiratória dentro da normalidade;
- Taquipneia ou polipneia: frequência respiratória acima da normalidade;
- Bradipneia: frequência respiratória abaixo da normalidade;
- Apneia: parada da respiração. Pode ser instantânea ou transitória, prolongada, intermitente ou
definitiva, podendo levar à uma parada respiratória;
- Ortopneia: respiração facilitada em posição vertical;
- Respiração ruidosa, estertorosa: respiração com ruídos semelhantes a "cachoeira";
- Respiração laboriosa: respiração difícil, envolve músculos acessórios;
- Respiração sibilante: com sons que se assemelham a assovios;

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- Respiração de Cheyne-Stokes: respiração em ciclos, que aumenta e diminui, com período de apneia;
- Respiração de Kussmaul: inspiração profunda, seguida de apneia e expiração suspirante.
Característica de acidose metabólica (diabética) e coma;
- Dispneia: dor ou dificuldade ao respirar (falta de ar).

Pressão Arterial

A pressão arterial (PA) é a força exercida sobre as paredes de uma artéria pelo sangue pulsando sob
pressão a partir do coração.
O sangue flui através do sistema circulatório por causa das alterações de pressão. Ele movimenta-se
a partir de uma área de alta pressão para uma de baixa pressão.
A contração do coração força o sangue sob alta pressão para a aorta. O pico de pressão máxima
quando a ejeção ocorre é a pressão sistólica. Quando os ventrículos relaxam, o sangue restante nas
artérias exerce uma pressão mínima ou pressão diastólica. A pressão diastólica é a pressão mínima
exercida contra as paredes arteriais em todos os movimentos.
A unidade-padrão para medir a PA é milímetros de mercúrio (mmHg). A medição indica a altura que a
PA sobe em uma coluna de mercúrio. Registre a PA com a leitura sistólica antes da leitura diastólica
(exemplo: 120/80). A diferença entre a pressão sistólica e diastólica é a pressão de pulso (exemplo: PA
120/80 a pressão de pulso é 40).

Técnica para Verificação


- Higienizar as mãos,
- Higienizar as olivas auriculares e o diafragma do estetoscópio com algodão embebido em álcool;
- Posicione o paciente;
- Braço: posicione o paciente sentado ou deitado, posicione o seu antebraço na altura do coração. Vire
a palma para cima. Se sentado instrua o paciente para manter os pés no chão, sem cruzar as pernas;
- Coxa: posicione o paciente deitado com a coxa reta. Deixar o joelho levemente flexionado;
- Exponha a extremidade (braço ou perna) totalmente removendo roupas apertadas. O manguito pode
ser colocado sobre a manga da camisa contanto que o estetoscópio descanse sobre a pele do espaço
ante cubital;
- Palpe a artéria braquial (braço) ou artéria poplítea (perna). Com o manguito totalmente esvaziado,
coloque a bexiga do manguito acima da artéria centralizando as setas marcadas no manguito sobre a
artéria. Se não houver setas centrais no manguito, estime o centro da bexiga e coloque-os sobre a artéria.
Posicione o manguito 2,5cm acima do local da pulsação. Enrole o manguito uniforme e confortavelmente
em torno de extremidade;
- Posicione o manômetro na vertical ao nível dos olhos e não mais que a 1m de distância;
- Meça a P.A.;
- Coloque as olivas auriculares do estetoscópio nos ouvidos e tenha certeza de que os sons são claros,
não abafados;
- Localize novamente a artéria braquial ou poplítea e coloque a campânula ou peça torácica do
diafragma do estetoscópio sobre ela. Não permita que a peça torácica toque o manguito ou as roupas;
- Feche a válvula de bulbo de pressão no sentido horário até ficar firme;
- Infle rapidamente o manguito a 30mmHg além da pressão sistólica normal do paciente;
- Solte lentamente a válvula do bulbo de pressão e permita que a agulha do manômetro caia a uma
velocidade de 2 a 3mmHg/s;
- Observe o ponto no manômetro quando você ouvir o primeiro som claro. O som aumenta lentamente
em intensidade;
- Continue a desinflar o manguito, observando o ponto no qual aparecem sons abafados ou
amortecidos;
- Enquanto se esvazia gradualmente o manguito, observe o ponto em que o som desaparece em
adultos. Ouça por 10 a 20mmHg após o último som e permita que o ar restante escape rapidamente;
- Remova o manguito de extremidade a menos que você precise repetir a medição. Se esta for a
primeira avaliação do paciente, repita a avaliação de PA na outra extremidade;
- Ajude o paciente a retornar à posição confortável e cubra a parte superior do braço se vestido
anteriormente;
- Fale sobre os achados com o paciente e explique o significado.
- Realizar o registro da temperatura no local pertinente;
- Higienizar as olivas auriculares e o diafragma do estetoscópio com algodão embebido em álcool;
- Higienizar as mãos.

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Valores Normais
- Sistólica: < 120mmHg;
- Diastólica: < 80mmHg;
- Pressão de pulso: 30 a 50mmHg;
- Recém-nascido (3000g): 40mmHg;
- 1 mês: 85/54mmHg;
- 1 ano: 95/65mmHg;
- 6 anos: 105/65mm Hg;
- 10 a 13 anos: 110/65mmHg;
- 14 a 17 anos: 119/75mmHg;
- A partir de 18 anos: < 120/<80mmHg.

Terminologia Básica
- Pré-Hipertensão: 120 a 139/80 a 89mmHg;
- Hipertensão Estágio 1: > 140/> 90mmHg;
- Hipertensão Estágio 2: > 160/> 90mmHg.

Questões

01. (Correios - Auxiliar de Enfermagem - IADES/2017) Ao aferir os sinais vitais de uma senhora de
70 anos de idade, o técnico em enfermagem constatou que a senhora apresentava-se normotensa.
Assinale a alternativa que confirma essa conclusão.
(A) PA 90 mmHg x 60 mmHg.
(B) PA 155 mmHg x 110 mmHg.
(C) PA 70 mmHg x 40 mmHg.
(D) PA 230 mmHg x 150 mmHg.
(E) PA 120 mmHg x 80 mmHg.

02. (CISSUL/MG - Condutor Socorrista - IBGP/2017) Para poder determinar em nível de primeiro
socorro, como leigo, o funcionamento satisfatório dos controles centrais dos mecanismos da vida, é
necessário compreender os sinais indicadores chamados de sinais vitais. (Manual Primeiros Socorros –
Fiocruz 2003) São sinais vitais que devem ser compreendidos e conhecidos para verificação do estado
geral da pessoa, EXCETO:
(A) Temperatura.
(B) Cor.
(C) Pulso.
(D) Respiração.

03. (Prefeitura de Anápolis/GO - Técnico em Enfermagem - FUNCAB) A medida dos sinais vitais
fornece dados para determinar o estado usual da saúde do paciente, sendo importante o técnico de
enfermagem conhecer os valores aceitáveis para os indivíduos de diferentes faixas etárias. Com relação
à frequência cardíaca é correto afirmar que em:
(A) lactente a variação de valores aceitáveis é de: 80 a 110 bpm.
(B) adultos, a variação de valores aceitáveis é de: 80 a 110 bpm
(C) criança em idade escolar a variação de valores aceitáveis é de: 75 a 100 bpm.
(D) adolescentes a variação de valores aceitáveis é de: 120 a 160 bpm.
(E) pré-escolar a variação de valores aceitáveis é de: 90 a 140 bpm.

Gabarito

01.E / 02.B / 03.C

Comentários

01. Resposta: A
Valores Normais: Sistólica < 120 mmHg e Diastólica < 80 mmHg são valores normotensos.

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02. Resposta: B
Os sinais vitais (SSVV) refere-se a: temperatura (T), pulso ou batimentos cardíacos (P ou BC),
respiração (R) e pressão ou tensão arterial (PA ou TA).

03. Resposta: C
O valor de referência da frequência cardíaca em criança em idade escolar: 75 a 100 bpm.

OXIGENOTERAPIA

Consiste na administração de oxigênio numa concentração de pressão superior à encontrada na


atmosfera ambiental para corrigir e atenuar deficiência de oxigênio ou hipóxia.
- O oxigênio é um gás inodoro, insípido, transparente e ligeiramente mais pesado do que o ar;
- O oxigênio alimenta a combustão;
- O oxigênio necessita de um fluxômetro e um regulador de pressão para ser liberado;
- A determinação de gases arteriais é o melhor método para averiguar a necessidade e a eficácia da
oxigenoterapia;
- Podem ou não existir outros sinais de hipóxia como a cianose.

Avaliação Clínica do Paciente

Sinais de hipóxia são:


- Sinais respiratórios: taquipneia, respiração laboriosa (retração intercostal, batimento de asa do nariz),
cianose progressiva;
- Sinais cardíacos: taquicardia (precoce), bradicardia, hipotensão e parada cardíaca (subsequentes ao
1°);
- Sinais neurológicos: inquietação, confusão, prostração, convulsão e coma;
- Outros: palidez.

Métodos de Administração de Oxigênio

Cânula Nasal - é empregado quando o paciente requer uma concentração média ou baixa de O2. É
relativamente simples e permite que o paciente converse, alimente, sem interrupção de O2.

Vantagens
- Conforto maior que no uso do cateter;
- Economia, não necessita ser removida;
- Convivência - pode comer, falar, sem obstáculos;
- Facilidade de manter em posição.

Desvantagens
- Não pode ser usada por pacientes com problemas nos condutos nasais;
- Concentração de O2 inspirada desconhecida;
- De pouca aceitação por crianças pequenas;
- Não permite nebulização.

Cateter Nasal - visa administrar concentrações baixas a moderadas de O2. É de fácil aplicação, mas
nem sempre é bem tolerada principalmente por crianças.

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Vantagens
- Método econômico e que utiliza dispositivos simples;
- Facilidade de aplicação.

Desvantagens
- Nem sempre é bem tolerado em função do desconforto produzido;
- A respiração bucal diminui a fração inspirada de O2;
- Irritabilidade tecidual da nasofaringe;
- Facilidade no deslocamento do cateter;
- Não permite nebulização;
- Necessidade de revezamento das narinas a cada 8 horas.

Máscara de Venturi - constitui o método mais seguro e exato para liberar a concentração necessária
de oxigênio, sem considerar a profundidade ou frequência da respiração.

Máscara de Aerossol, Tendas Faciais - são utilizadas com dispositivo de aerossol, que podem ser
ajustadas para concentrações que variam de 27% a 100%.

Máscara de Aerosol Tenda Facial

Efeitos Tóxicos e Colaterais na Administração de O2

- Em pacientes portadores de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica - DPOC, a administração de altas


concentrações de O2 eliminará o estímulo respiratório - apneia;
- Resseca a mucosa do sistema respiratório;
- Altas concentrações de O2 (acima de 50%) por tempo prolongado ocasionam alterações pulmonares
(atelectasias, hemorragia e outros);
- Altas concentrações de O2 (acima de 100%) há ação tóxica sobre os vasos da retina, determinando
a fibroplasia retrolenticular.

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Cuidados com o O2 e com sua administração
- Não o administras sem o redutor de pressão e o fluxômetro;
- Colocar umidificador com água destilada ou esterilizada até o nível indicado;
- Colocar aviso de "Não Fumar" na porta do quarto do paciente;
- Controlar a quantidade de litros por minutos;
- Observar se a máscara ou cateter estão bem adaptados e em bom funcionamento;
- Dar apoio psicológico ao paciente;
- Trocar diariamente a cânula, os umidificadores, o tubo e outros equipamentos expostos à umidade;
- Avaliar o funcionamento do aparelho constantemente observando o volume de água do umidificador
e a quantidade de litros por minuto;
- Explicar as condutas e as necessidades da oxigenoterapia ao paciente e acompanhantes e pedir
para não fumar;
- Observar e palpar o epigástrio para constatar o aparecimento de distensão;
- Fazer revezamento das narinas a cada 8 horas (cateter);
- Avaliar com frequência as condições do paciente, sinais de hipóxia e anotar e dar assistência
adequada;
- Manter vias aéreas desobstruídas;
- Manter os torpedos de O2 na vertical, longe de aparelhos elétricos e de fontes de calor;
- Controlar sinais vitais.

O oxigênio é responsável direto pela nutrição dos tecidos, o que traduz uma função importantíssima
paro todo o organismo. A utilização da oxigenoterapia deve ser feita de modo criterioso, considerando
seus efeitos fisiológicos e deletérios, assim como suas indicações e contraindicações. O principal objetivo
da oxigenoterapia é obter uma saturação de oxigênio (Sat02) superior a 90% de forma que a PaO2 esteja
acima de 60mmHg, afim de favorecer o metabolismo aeróbico.

Indicações da Oxigenoterapia

Tem como objetivo manter a pressão parcial de oxigênio no sangue arterial em valores normais ou
próximos ao normal. É importante lembrar que a indicação da oxigenoterapia deve ter metas, logo devem
ser definidos: o sistema de administração do O2, o tempo da aplicação da técnica e a porcentagem do
fluxo (O2) ofertado. A indicação da oxigenoterapia deve ser feita, primariamente, quando existir:
hipoxemia-PaO2 menor que 60mmHg e/ou SatO2 menor que 88-90% em ar ambiente (FiO2 21%).

Indicações
- Correção da Hipoxemia e melhorar a oferta de O2 aos tecidos;
- Melhorar a oxigenação tissular, no caso de deficiência do transporte de O2;
- Reduzir a sobrecarga cardíaca;
- Insuficiência respiratória (aguda ou crônica);
- Apneia obstrutiva do sono.

Pacientes retentores crônicos de CO2 podem apresentar hipercapnia durante a aplicação de O2 porque
o estímulo da respiração, no SNC, depende, basicamente, da hipoxemia e como ela é corrigida com a
aplicação da oxigenoterapia a tendência será reter mais CO2, podendo gerar desorientação, sudorese,
cefaleia, taquicardia.

Efeitos fisiológicos do O2
- Melhora da troca gasoso pulmonar- Vasodilatação arterial pulmonar;
- Diminuição da resistência arterial pulmonar;
- Diminuição da pressão arterial pulmonar;
- Melhora do débito cardíaco;
- Diminuição do trabalho da musculatura cardíaca;
- Vasoconstrição sistêmica.

Efeitos tóxicos do O2: o tempo e as concentrações de O2 dependendo da forma administrada, podem


levar a disfunções pulmonares devido a alterações no SNC, cardiovascular, pela liberação de radicais
livres e até mesmo por efeitos citotóxicos.

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Efeitos deletérios
- Depressão do sistema respiratório e aumento da PCO2;
- Atelectasia por absorção;
- Diminuição da capacidade vital, pela redução ao estímulo respiratório;
- Aumento do efeito shunt;
- Alteração da relação V/Q;
- Redução do surfactante;
- Desidratação das mucosas.

Toxidade do O2 em relação ao tempo de exposição (FiO2 100%) - Lesões agudas:


- 12 - 24 horas: traqueobronquite, tosse seca, redução da CV, dor subesternal, diminuição da atividade
mucociliar.
- 24 - 36 horas: parestesias, náuseas, vômitos, diminuição acentuada da CV, alteração da síntese
proteica nas células endoteliais.
- 36 - 48 horas: diminuição da complacência pulmonar, capacidade de difusão e aumento de diferença
artéria alveolar de O2
- 48 - 60 horas: inativação do surfactante, edema alveolar por aumento da permeabilidade
- Acima de 60 horas: sara e morte.

Formas de Administração de Oxigenoterapia

- Sistema de baixo fluxo: fornecem oxigênio por meio de um fluxo inferior à demanda do paciente.
Desta forma, ocorre diluição do O2 fornecido com o gás inspirado.

O sistema de baixo fluxo compreendem:


- O cateter nasal;
- Máscara facial simples e transtraqueal.

- Sistema do alto fluxo: suplantam a demanda inspiratória do paciente, podendo regular a FiO2 de
acordo com as necessidades terapêuticas. É importante que neste sistema, não é possível manter valor
fixo da FiO2 que vai variar em função do Volume minuto do paciente.

E é composto por:
- Máscara com sistema reservatório;
- Máscara com sistema de Venturi;
- Tenda facial (máscara de Hudson ou macronebulização);
- Máscara/colar para traqueostomia;
- Peça T (tubo T).

Oxigenoterapia no DPOC

Vantagens e Desvantagens
A desvantagem é que o paciente pode desenvolver um quadro de hipercapnia grave com necessidade
de ventilação mecânica.
A grande vantagem, porém, é que o benefício da correção da hipoxemia é maior que o risco de
desenvolvimento de hipercapnia. A hipoxemia acentuada leva o paciente a um risco imediato de vida. Se
ficarmos atentos à administração do oxigênio em baixos fluxos, ou seja, 2 a 3l/minuto, o que geralmente
é suficiente para corrigir a hipoxemia existente no paciente com DPOC agudizada, trazendo a saturação
de oxigênio para níveis entre 90 e 93% e a PaO2 para 60 a 70mmHg, minimizaremos em muito a
possibilidade do aparecimento de hipercapnia.
É muito difundida no meio médico a ideia de que se dermos oxigênio para um paciente respiratório
crônico, no qual a hipoxemia colabora para a manutenção da ventilação, estaremos suprimindo o estímulo
hipoxêmico do centro respiratório e levando o paciente à hipoventilação, com aparecimento de
hipercapnia ou acentuação de quadro preexistente.
Embora possa haver participação variável desse mecanismo acredita-se que a hipercapnia se
desenvolva principalmente em função de alterações da relação ventilação-perfusão, por redução do
estímulo vasoconstritor hipoxêmico levando a redução dessa relação que, quando intensa, é
funcionalmente equivalente a um aumento do espaço morto.

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Na realidade não ocorre redução significativa do comando respiratório nestes pacientes. Alguns
pacientes respondem ao aumento do espaço morto e do conteúdo de CO2 com aumento do volume
minuto. Outros, porém não são capazes de responder a este aumento da demanda respiratória e
desenvolvem um quadro de fadiga respiratória e de hipercapnia.
A maioria dos pacientes com DPOC agudizada que recebem oxigenoterapia em baixos fluxos não
desenvolve hipercapnia. Dentre os pacientes que evoluem com hipercapnia podemos observar dois
padrões evolutivos.
Um primeiro grupo de pacientes fica sonolento, após o uso do oxigênio, mas é facilmente acordado e
coopera com o tratamento. Nestes pacientes a PaCO2 geralmente sobe lentamente e no máximo 20
mmHg em relação ao nível pré-oxigênio, se estabilizando após 12 horas. A conduta é conservadora,
podendo ser usada a ventilação não-invasiva quando disponível.
Um segundo grupo, após a administração de oxigênio, fica rapidamente inconsciente, sem capacidade
de tossir e a PaCO2 sobe a uma taxa igual ou superior a 30mmHg por hora. Neste grupo está indicada a
intubação traqueal e início de ventilação mecânica. Nos dois grupos não está indicada a suspensão da
oxigenoterapia para evitar a hipercapnia.
Como uma orientação geral, clínica, podemos recomendar que o desenvolvimento de sonolência
acentuada após o início da oxigenoterapia é sinal de hipercapnia importante, que deve ser documentada
com gasometria arterial.

Atendimento Necessidade de Oxigenação

Respiração: troca de oxigênio e dióxido de carbono entre a atmosfera e as células do organismo. O


ar passa através das fossas nasais, faringe, laringe, traqueia brônquios, bronquíolos e alvéolos
pulmonares. Envolve os sistemas pulmonar e cardiovascular.

Fisiologia da Respiração

Ventilação: provisão de oxigênio da atmosfera; Mecanismos que regulam o processo respiratório -


centro respiratório, localizado no bulbo raquidiano;
Difusão: passagem do ar da atmosfera para os alvéolos pulmonares e dos alvéolos para a atmosfera
- ventilação; Difusão de oxigênio e de dióxido de carbono entre os alvéolos e o sangue e entre o sangue
e as células dos tecidos do organismo;
Perfusão: transporte de oxigênio para as células e o de dióxido de carbono para fora delas pela
corrente circulatória.

Fatores que Afetam o Funcionamento Respiratório

- Anemia;
- Inalante tóxico;
- Obstrução das vias aéreas;
- Altitude elevada;
- Febre;
- Diminuição do movimento da parede torácica;
- Hipovolemia;
- Aumento da taxa metabólica;
- Gestação;
- Obesidade;
- Anormalidades musculoesqueléticas;
- Alterações no Sistema Nervoso Central - SNC.

Fatores comportamentais: nutrição; exercício; tabagismo; ansiedade; abuso de substâncias.

Relacionados com a ventilação


- Obstrução;
- Atelectasia;
- Problemas físicos (tórax e pulmões);
- Relacionados com a difusão dos gases entre alvéolos e sangue;
- Hipoxemia;
- Hipercapnia;

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- Consolidação pulmonar (pneumonia, tumor, edema agudo de pulmão - EAP);
- Níveis elevados de O2 (hiperóxia);
- Relacionados com o transporte de gases;
- Relacionados com o sangue;
- Problemas cardíacos (bombeamento insuficiente);
- Problemas vasculares (coronariopatias, Acidente Vascular Cerebral - AVC);
- Relacionados com a regulação do suprimento O2;
- Problemas que comprometam o funcionamento do bulbo;
- Problemas de condução nervosa do coração.

Avaliação de Enfermagem

Subjetiva
- Queixas: dispneia, fadiga, tosse, espirro, sibilo, soluço, suspiro, desmaio, tontura, dor torácica;
- História familiar;
- Natureza e extensão do desconforto respiratório;
- Fatores desencadeantes e fatores que aliviam o desconforto;
- Uso de medicações;
- Estilo de vida: fumo;
- Ocupação: atividades no trabalho;
- Patologias associadas aos sistemas respiratório e cardiovascular.

Objetiva
- Padrão respiratório do paciente;
- Cor da pele e mucosas;
- Comportamento;
- Presença de dor, tosse, expectoração, sibilo ou ronco;
- Estado físico geral;
- Frequência, ritmo e profundidade da respiração.

Pesquisar
- Uso de músculos acessórios, dilatação das narinas, distensão das veias cervicais;
- Cianose de lábios, lóbulo das orelhas, parte inferior da língua, leito ungueal;
- Hemoptise: expectoração oral sanguinolenta;
- Inquietação, fadiga E ansiedade;
- Gráfico de sinais vitais: Tensão Arterial - TA e respiração;
- Comprometimento da função cerebral: falta de discernimento, confusão mental, desorientação,
vertigem, síncope e torpor.

Provas Diagnósticas e Exames


- Exame físico;
- Exames de bioimagem: RX, cintilografia;
- Exames laboratório: escarro e secreções;
- Toracocentese: aspiração de líquidos da cavidade pleural.

Problemas Comuns
- Dispneia: causada por:
- Obstrução das vias aéreas;
- Ventilação inadequada dos pulmões;
- Insuficiente teor de oxigênio na atmosfera;
- Eficiência circulatória alterada;
- Aumento das exigências de oxigênio no organismo;
- Pressão ou trauma do centro respiratório bulbar;
- Ansiedade - fortes emoções.
- Tosse: mecanismo pelo qual o organismo liberta o trato respiratório das irritações e obstrução das
vias respiratórias mediante expiração explosiva;
- Espirro: mecanismo similar, confinado ao nariz;
- Sibilo: indica que o ar nas vias aéreas passa através de luz estreita;

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- Soluço: contração espasmódica do diafragma, causada por irritação do sistema respiratório ou
digestivo;
- Suspiro: inspiração ou expiração demoradas;
- Bocejo: profunda e longa inspiração, causada pelo cansaço físico ou mental. Mecanismo pelo qual o
organismo tenta aumentar a quantidade de oxigênio captado pelos pulmões;
- Expectoração: produzida pela maior quantidade de secreções nos pulmões;
- Fadiga e fraqueza muscular: devidas à inadequada oxigenação do tecido muscular;
- Vertigem, desmaio, ou distúrbios dos processos mentais por causa da adequada oxigenação
cerebral;
- Dor torácica: causada por inflamação, compressão por tumores, excessiva atividade muscular na
respiração ou traumatismos.

Intervenção de Enfermagem

Manter vias aéreas desobstruídas


- Aspiração de secreções;
- Respiração artificial: intubação (cânula - faringe - traqueia). Introdução de cânula na garganta do
paciente para manter a língua para a frente, mantendo as vias aéreas abertas.

Aumentar a eficiência ventilatória


- Posicionamento adequado: posição supina, sem travesseiro e com a mandíbula projetada para frente
e para cima (evita a queda de língua e drenar líquidos da boca);
- Estimular respiração profunda;
- Alivio da dor ou desconforto associados à respiração;
- Administrar antitussígenos, conforme prescrição médica;
- Estimular movimentação ativa ou fazer passiva;
- Prevenir distensão abdominal: alimentação apropriada (leve e fracionada);
- Assegurar um adequado suprimento de oxigênio;
- Drenagem postural;
- Oxigenoterapia;
- Nebulização.

Reduzir as demandas de oxigênio do organismo


- Manter repouso relativo;
- Evitar esforços desnecessários;
- Minimizar a ansiedade do paciente.

Finalidades: reduzir o esforço ventilatório. Nas situações como a atelectasia que prejudica a difusão,
ou quando os volumes pulmonares estão diminuídos devido a hipoventilação alveolar, este procedimento
aumenta os níveis de oxigênio nos alvéolos. Alcançar o volume elevado de trabalho do miocárdio
conforme o coração tenta a compensação para a hipoxemia. Nas situações de infarto do miocárdio ou em
uma arritmia cardíaca, a administração de oxigênio é necessária para um paciente cujo miocárdio já está
comprometido.

Técnica: Administração de Oxigênio por Cateter

Materiais
- Fonte de oxigênio (unidade fixa na parede ou cilindro);
- Fluxômetro;
- Umidificador;
- Cateter nasal;
- Gaze;
- Éter ou tintura de benjoin;
- Esparadrapo;
- Extensão de oxigênio;
- Água destilada estéril ou SF a 0.9% (100ml).

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Técnica
- Avaliar o paciente observando a existência de sinais e sintomas de hipóxia ou presença de secreções
nas vias aéreas (1);
- Verificar a prescrição médica identificando o percentual de oxigênio a ser administrado (2);
- Reunir os materiais e equipamentos necessários, citados a cima (3);
- Explicar ao paciente e aos familiares o procedimento e a sua necessidade (4);
- Lavar as mãos (5);
- Instalar o fluxômetro na fonte de oxigênio e o frasco umidificador ao fluxômetro (6);
- Administrar soro fisiológico no umidificador de acordo com o nível indicado no frasco (7);
- Testar o funcionamento do sistema;
- Posicionar o cliente em posição de semi-fowler;
- Retirar a oleosidade da pele com gaze úmida com éter ou benjoim para fixação do cateter;
- Conectar o cateter nasal a extensão de oxigênio e a fonte de oxigênio umidificada;
- Mensurar a distância para introdução do cateter entre a ponta do nariz e o lóbulo inferior da orelha e
marcar com esparadrapo;
- Usar gaze para manipular o cateter;
- Introduzir o cateter em uma das narinas;
- Observar as reações do paciente;
- Regular o fluxômetro conforme o volume de oxigênio prescrito;
- Fixar o cateter na face lateralmente atentando para não lesar a narina do cliente;
- Registrar a data e o horário do procedimento;
- Verificar o cateter a cada 8 horas;
- Lavar as mãos;
- Inspecionar o paciente para verificar se os sintomas de hipóxia desapareceram;
- Manter o recipiente do umidificador sempre com água destilada ou SF - 0,9%;
- Observar as narinas quanto a laceração da pele;
- Registrar no prontuário: o método de administração de oxigênio, taxa do fluxo, permeabilidade do
cateter, reação do paciente e avaliação respiratória.

Observações: em clientes traqueostomizados usar materiais estéreis e técnica asséptica. O oxigênio


sobre a membrana mucosa do trato respiratório tem efeito irritante tornando-a seca se não umidificado.
O ar ambiente fornece 21% do oxigênio ao nível do mar, e o oxigênio canalizado distribuído pela
oxigenoterapia fornece 4% por litro de oxigênio.

Administração de Oxigênio por Máscara

Materiais
- Fonte de oxigênio (unidade fixa na parede ou cilindro);
- Fluxômetro;
- Umidificador ou adaptador de saída de oxigênio;
- Cateter nasal;
- Gaze;
- Extensão de oxigênio se necessário;
- Hidratante para os lábios.

Técnica
- Repetir as intervenções dos itens 1 ao 7 da técnica de administração de oxigênio por cateter;
- Testar o funcionamento do sistema;
- Conectar a extensão de oxigênio da máscara ao umidificador ou adaptador;
- Colocar a máscara na face do paciente ajustando a fita elástica na fronte até que a máscara esteja
perfeitamente adaptada e confortável;
- Observar as reações do paciente;
- Regular o fluxômetro conforme o volume de oxigênio prescrito;
- Registrar a data e o horário do procedimento;
- Verificar a máscara facial a cada 8 horas;
- Lavar as mãos;
- Inspecionar o paciente para verificar se os sintomas de hipóxia desapareceram;
- Observar a superfície superior de ambas cavidades auditivas quanto a laceração da pele e o
ressecamento da mucosa e lábios na cavidade oral;

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- Hidratar os lábios do paciente com chumaço de água com algodão ou hidratante para os lábios a
cada 4 horas;
- Registrar no prontuário: o método de administração de oxigênio, taxa do fluxo, reação do paciente e
avaliação respiratória.

Observações: a máscara de Venturi é utilizada quando há uma demanda de oxigênio elevada. Usa-
se o diluidor de acordo com o adaptador de código de cores ou o conector universal. O oxigênio é seco
na necessidade de máscara reinalatória, na situação de oferta de 100% de oxigênio.

Nebulização

Finalidades
- Ajudar na higiene brônquica através da restauração e manutenção da continuidade da cobertura
mucosa;
- Hidratar as secreções secas e retidas;
- Umidificar o oxigênio inspirado e possibilitando a administração de medicações.

Nebulização Contínua

Materiais
- Fluxômetro;
- Nebulizador;
- Extensão (traqueia);
- Soro fisiológico a 0,9% e / ou medicamentos prescritos.

Técnica
- Verificar a prescrição da nebulização no prontuário;
- Lavar as mãos;
- Organizar o material;
- Explicar o procedimento ao cliente;
- Instalar o fluxômetro na fonte de oxigênio;
- Preencher o copo do nebulizador com soro fisiológico ou outra medicação conforme prescrita médica;
- Conectar a extensão do nebulizador no fluxômetro;
- Testar o fluxômetro se borbulhar, está funcionando;
- Adaptar a máscara na face do cliente;
- Regular o fluxo e o tempo de nebulização segundo prescrição médica;
- Manter a unidade em ordem;
- Manter a unidade arrumada;
- Registrar o procedimento de enfermagem.

Nebulização de Horário

Materiais
- Fluxômetro;
- Rede de oxigênio ou ar comprimido;
- Micronebulizador estéril;
- Água destilada;
- Soro fisiológico 0,9% e /ou medicamento conforme prescrição médica.

Técnica
- Verificar a prescrição da nebulização no prontuário;
- Lavar as mãos;
- Organizar o material;
- Explicar o procedimento ao cliente;
- Instalar o fluxômetro na fonte de oxigênio;
- Preencher o copo do nebulizador com soro fisiológico ou outra medicação conforme prescrita médica;
- Conectar a extensão do nebulizador no fluxômetro;
- Conectar o micronebulizador na máscara;
- Testar o fluxômetro se houver névoa, o fluxômetro está funcionando;

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- Regular o fluxômetro em litros / minutos conforme prescrição médica;
- Colocar a máscara na face do cliente;
- Regular o fluxo e o tempo de nebulização segundo prescrição médica;
- Manter a unidade em ordem;
- Manter a unidade arrumada;
- Registrar o procedimento de enfermagem.

Aerossolterapia

A aerossolterapia consiste na administração de partículas de água nas vias respiratórias. Essas


partículas de água podem conter algum tipo de medicação ou não. Este processo ocorre através da
nebulização e por isso também é conhecido por esse nome. É muitas vezes usado em pessoas com
problemas respiratórios, como por exemplo, bronquite.
Este procedimento serve para hidratar as vias respiratórias ou para auxiliar na eliminação de excreções
viscosas ou em casos de inflamações.
No tratamento de aerossolterapia, podem ser aplicados medicamentos como: antibióticos (para
combater infeções), mucolíticos (para dissolver secreções), anti-inflamatórios e broncodilatadores
(ajudam a abrir os brônquios, facilitando a captação de oxigênio nos pulmões).

Aspiração de Secreções

Finalidades: a finalidade de empregar a técnica de aspiração consiste em eliminar as secreções do


paciente sempre que não conseguir eliminar as secreções das vias aéreas através da tosse.

Tipos
Existem três técnicas de aspiração de secreção quanto à localização da aspiração:
- Aspiração orofaríngea e nasofaríngea;
- Aspiração orotraqueal e nasotraqueal;
- Aspiração do tubo endotraqueal.

A ordem de aspiração
- Primeiro o tubo endotraqueal;
- Segundo a cavidade nasal;
- Terceiro a cavidade oral, quando se trata de utilizar a mesma sonda de aspiração.

Aspiração de orofaríngea e nasofaríngea


A aspiração da nasofaringe ou orofaringe é indicada no paciente que consegue tossir normalmente,
mas que não consegue eliminar as secreções por deglutição ou expectoração. A aspiração é realizada
após tosse do paciente.

Aspiração de orofaringe e nasofaringe


Aspiração de orofaringe e nasofaríngea é indicada no paciente que apresenta secreções pulmonares,
capacidade de tossir diminuída e ausência do tubo endotraqueal. A sonda é introduzida até a traqueia
pela cavidade oral ou, através da narina preferencialmente. Este procedimento não deve ultrapassar 15
segundos, pois os pulmões não recebem Oxigênio em quantidade adequada durante a aspiração.

Tubo Respiratório

O tubo respiratório pode ser oral ou traqueal. É indicado nos casos de diminuição do estado de
consciência, obstrução das vias aéreas, ventilação mecânica e remoção das secreções acumuladas na
traqueia.
O tubo oral (Cânula de Guedel) é o tipo de via aérea artificial mais simples. Indicado no paciente
inconsciente para impedir o deslocamento da língua para a orofaringe possibilite a obstrução das vias
aéreas. Bastante usado no pós-operatório de anestesia geral. Facilita a aspiração orotraqueal do paciente
inconsciente, tornando mais fácil o acesso da sonda á traqueia.
O tubo traqueal pode ser endotraqueal, nasotraqueal ou traqueal. Estes tubos permitem o acesso à
traqueia do paciente para a aspiração traqueal profunda. A retirada das secreções da traqueia precisa
ser asséptica, atraumática e eficaz. A secreção deve ser aspirada durante a saída da sonda de aspiração.

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Materiais
- Aspirador portátil ou de parede;
- Frasco grande para acondicionar secreções aspiradas;
- Duas extensões de aspiração de dois metros estéreis;
- Fluxômetro (com frasco menor adaptado);
- Sonda de aspiração estéril;
- Recipiente com água;
- Luva de procedimento estéril (para aspiração traqueal);
- Luva de procedimento não estéril;
- Toalha de papel;
- Sonda nasal ou oral (Cânula de Guedel), conforme a indicação;
- Xilocaína a 2% sem vasoconstrictor.

Técnica
- Observar a presença de sinais e sintomas demonstradores de secreção nas vias aéreas superiores,
respiração ruidosa, salivação, agitação;
- Explicar ao paciente que a aspiração de secreção o ajudará a desobstruir as vias aéreas;
- Explicar que é normal tossir, espirrar e sentir o reflexo do vômito durante a manobra;
- Preparar o equipamento e os materiais apropriados, citados acima;
- Adaptar as extensões no aparelho de aspiração portátil ou na parede ao fluxômetro. A extensão que
sai do fluxômetro deve ser colocada ao frasco maior e deste sai outra extensão para o acoplamento da
sonda de aspiração;
- Testar o aparelho, verificando que a pressão é de 110 a 150mmHg no adulto e na criança 95 a 110
a mmHg.

Posicionar o paciente adequadamente


- Para o paciente consciente com o reflexo de tosse presente deverá ser aspirado em posição de semi-
Fowler, com cabeça voltada para o lado;
- Para o paciente inconsciente, colocá-lo em decúbito lateral;
- Colocar um papel toalha sob um travesseiro e abaixo do queixo;
- Lavar as mãos;
- Colocar água no recipiente para após técnica aspirar a sonda;
- Calçar a mão dominante com luvas estéril;
- Ligar a conexão ao aspirador;
- Avaliar a distância entre o lóbulo da orelha do paciente e a ponta de seu nariz, colocar o polegar e
indicador da mão enluvada neste ponto;
- Umedecer 6 a 8cm da ponta da sonda com SF 0,9% ou com xilocaína;
- Ao aspirar a orofaringe, penetrar a sonda delicadamente no ângulo da cavidade oral e deslizá-la até
a orofaringe;
- Ao aspirar a nasofaringe introduzir a sonda delicadamente em uma das narinas. Penetrar a sonda
junto à linha mediana e próxima ao assoalho da cavidade nasal. Não forçar a sonda e uma das narinas
não estiver permeável, tentar a outra. Não se deve aspirar durante a penetração da sonda;
- Aspirar intermitentemente, fechando o orifício com o polegar. Ao retirar girar a sonda
cuidadosamente. A duração desta manobra não deve ultrapassar 15 segundos;
- Escovar a sonda com água;
- Desprezar a sonda enrolando-a sobre a mão calçada com a luva e puxar a luva sobre a sonda. Não
esquecer de proteger a extremidade da extensão de aspiração com outra sonda;
- Permitir o descanso do paciente entre aspirações por 20 a 30 segundos no mínimo;
- Se possível solicitar para o paciente tossir e respirar profundamente entre as aspirações;
- Aspirar as secreções acumuladas na cavidade oral depois de aspirar a orofaringe ou a nasofaringe;
- Lavar as mãos;
- Atentar se o paciente está livre das secreções das vias aéreas, se está agitado ou se aparecem
secreções na cavidade oral;
- Registrar o aspecto da secreção quanto a quantidade, odor, cor e consistência, além das reações do
paciente, a presença de tosse, o estado funcional do seu aparelho respiratório antes e após a aspiração.

Observações: é necessário que o frasco de aspiração seja trocado com todas as técnicas de
desinfecção de 24 em 24h ou sempre que estiver cheio. Todo o sistema de aspiração deve ser

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esterilizado. Dispõe-se no mercado de sistemas de aspiração de secreção descartável, o que possibilita
um melhor controle de infecções. Aplicando o Processo de Enfermagem na Prática.

Inalação

Inalação (também conhecida como inspiração) é o movimento do ar do ambiente externo, através das
vias respiratórias para dentro dos alvéolos pulmonares durante a respiração. Inalação inicia na contração
do diafragma, que resulta na expansão do espaço intrapleural e um aumento na pressão negativa de
acordo com a Lei de Boyle.
Esta pressão negativa provoca um fluxo de ar devido a diferença de pressão entre a atmosfera e os
alvéolos. O ar entra no organismo, inflando os pulmões, passando através do nariz e da boca, seguindo
pela faringe e traquéia e em fim entrando nos alvéolos.

Inaloterapia: é uma modalidade de tratamento na qual há a administração de medicações ou soluções


por via inalatória, isto é diretamente nas vias aéreas.

Material
- Fluxômetro; micronebulizador, com máscara e extensão; 10ml de SF ou água destilada esterilizada;
medicamento; etiqueta; gaze esterilizada; folha de anotações.

Procedimento
- Instalar o fluxômetro na rede de Oxigênio ou ar comprimido e testá-lo;
- Abrir a embalagem do micronebulizador e reservá-lo;
- Colocar o SF ou AD no copinho, acrescentar o medicamento, fechar e conectar ao fluxômetro;
- Conectar a máscara ao micronebulizador;
- Regular o fluxo de gás (produzir névoa 5L/min);
- Aproximar a máscara do rosto do paciente e ajustá-la, entre o nariz e a boca, solicitando que respire
com os lábios entreabertos;
- Manter o micronebulizador junto ao rosto do paciente, por 5 minutos, ou até terminar a solução
(quando possível orientá-lo a fazê-lo sozinho);
- Identificar com etiqueta (data, horário de instalação);
- Fechar o fluxômetro e retirar o micronebulizador;
- Secar com gaze, recolocá-lo na embalagem e mantê-lo na cabeceira do paciente.
- Trocar o nebulizador a cada 48 horas.

Descrição do Processo
É de responsabilidade do profissional da sala de inalação:
1. Organizar a sala;
2. Realizar limpeza concorrente (com água e sabão nas superfícies e após realizar desinfecção com
álcool a 70%) no início de cada plantão;
3. Solicitar ao zelador que realize diariamente limpeza concorrente e semanalmente limpeza terminal;
4. Checar o funcionamento do compressor, chamando a manutenção se necessário e comunicando o
enfermeiro; proceder a sangria do sistema ao final de cada dia;
5. Preparar material necessário para o plantão, trocar o soro fisiológico utilizado no procedimento a
cada 24 horas;
6. Executar os procedimentos conforme prescrição médica e/ ou do enfermeiro, anotando no verso na
própria receita com letra legível a data, horário, nome e COREN, preenchendo boletim de produção;
7. Lavar criteriosamente os inaladores logo após o uso com água e sabão os materiais, retirando os
resíduos, em seguida enxaguá-los em água corrente e colocá-los sobre um campo limpo;
8. Secar o material com pano limpo;
9. Observar durante a lavagem e secagem as condições de uso dos materiais e comunicar ao
enfermeiro necessidade de reposição;
10. Colocar o material seco em imersão no hipoclorito à 1% - em caixa fechada - por 30 minutos,
registrando em formulário o horário de início do processo;
11. Enxaguar o material em água corrente, secar e armazenar em local fechado e limpo;
12. Manter a sala limpa, organizada e abastecida, verificando diariamente a validade dos
medicamentos;

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13. Ao final do expediente retirar os extensores e proceder a limpeza e desinfecção conforme rotina
das máscaras de inalação, desprezar o hipoclorito de sódio e lavar a caixa;
14. Anotar a validade do hipoclorito.

Questões

01.(EBSERH - Técnico em Enfermagem HUGG-UNIRIO - IBFC/2017) Considerando as intervenções


de enfermagem com oxigenoterapia, analise as afirmativas abaixo, dê valores Verdadeiro (V) ou Falso
(F) e assinale a alternativa que apresenta a sequência correta de cima para baixo.
( ) Oferecer oxigênio umedecido em volumes superiores a 3 L/minuto.
( ) Selecionar preferencialmente a máscara facial simples para a oferta de oxigênio em volumes
inferiores a 5 L/minuto.
( ) Trocar os dispositivos de oxigenação e todo o seu sistema (conexões, extensores, copo
umidificador) a cada 24 horas ou de acordo com protocolo institucional.
( ) Monitorar o nível de consciência, sinais vitais e coloração e integridade da pele e da mucosa.

(A) V,V,F,F
(B) V,V,V,V
(C) F,F,V,V
(D) V,F,V,V
(E) F,V,V,F

02. (Pref. Tanguá/RJ - Técnico de Enfermagem - CONCURSOS/2017) Em relação à oxigenoterapia,


são cuidados da equipe de enfermagem:
I - Observar sinais de complicações (distensão gástrica, obstrução nasal, lesão de septo).
II - Verificar sinais vitais antes e depois a oxigenoterapia.
III - Acomodar o paciente em posição Fowler.

Está(ão)correta(s):
(A) Apenas I.
(B) Apenas III.
(C) Apenas I e III.
(D) I, II e III.

03. (UEM - Técnico de Enfermagem/2017) Em relação aos cuidados de enfermagem em pacientes


com oxigenioterapia, assinale a alternativa correta.
(A) No uso da Máscara de Venturi 50%, não é necessário umidificar, pois a concentração de oxigênio
é muito alta.
(B) Não é necessário fluxômetro no uso de cateter nasal de oxigênio.
(C) Reanimador manual com reservatório (AMBU) não mantém 100% de oxigênio.
(D) Não é necessário frasco de umidificador aquecido nos respiradores mecânicos com filtro trocador
de calor e umidade (HMEF) acoplado no tubo orotraqueal.
(E) Usar somente soro fisiológico nos frascos umidificadores.

04. (Hemominas/MG - Técnico de Enfermagem - IBFC) Em relação à oxigenoterapia, assinale a


alternativa correta:
(A) Para administração de oxigênio utilizam-se os sistemas de baixo fluxo e de alto fluxo. As cânulas
nasais e os cateteres nasofaríngeos são considerados sistemas de alto fluxo e a máscara de Venturi é
considerada um sistema de baixo fluxo.
(B) A oxigenoterapia corrige a hipóxia, aumenta o trabalho respiratório e do miocárdio, podendo causar
taquipneia e palpitação.
(C) A inalação é um procedimento que deve ser realizado exclusivamente com oxigênio, não
necessitando de prescrição médica.
(D) A oxigenoterapia consiste na administração de oxigênio a uma concentração de pressão superior
à encontrada na atmosfera, ou seja, a fração de oxigênio inspirado superior a 21%.

Gabarito

01.D / 02.D / 03.D / 04.D

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Comentários

01. Resposta: D
De acordo com o artigo Oxigenoterapia e Ventilação Não Invasiva.
a) Correto.
b) Errado: A variação de entrada de ar de uma máscara simples é de 5 a 12 l/min para se obter uma
oxigenação satisfatória. Com fluxos inferiores a 5l/min, o volume da máscara atua como espaço morto e
provoca a reinalação do CO2.
c) Correto.
d) Correto.

02. Resposta: D
Todas as alternativas estão corretas para os cuidados de enfermagem em oxigenoterapia.
I - Observar sinais de complicações (distensão gástrica, obstrução nasal, lesão de septo).
Consequentemente, pode ocorrer complicações na administração de oxigênio, que as vezes não
esperamos.
II - Verificar sinais vitais antes e depois a oxigenoterapia, para verificar se houve melhora nos padrões
vitais.
III - Acomodar o paciente em posição Fowler, para melhor posição de respiração.

03. Resposta: D
a) Errada. No uso da Máscara de Venturi 50%, é necessário umidificar, pois a concentração de
oxigênio é muito alta. Quando o oxigênio é empregado em altas velocidades de fluxo, ele deve ser
umedecido ao fazê-lo atravessar um sistema de umidificação, para evitar que ele resseque as mucosas
do trato respiratório.
b) Errada. É necessário fluxômetro no uso de cateter nasal de oxigênio. O oxigênio é distribuído a
partir de um cilindro ou de um sistema de linha de parede. Um redutor de calibre é necessário para diminuir
a pressão até um nível de trabalho, e um fluxômetro regula o fluxo de oxigênio em l/min.
c) Errada. O North American Neonatal Resuscitation Program afirma que o RM pode fornecer ar
ambiente, quando nenhuma fonte de gás está conectada. Quando ligado à fonte de O2 a 100%,
recomenda-se que se utilize fluxo de 5 a 10L/min na entrada da bolsa. O RM fornece FiO2 de 80 a 100%
quando o reservatório está conectado e cerca de 40% de oxigênio, sem reservatório.
e) Errada. Nos frascos umificadores pode ser utilizado também água.

04. Resposta: D
A oxigenoterapia consiste na administração de oxigênio a uma concentração de pressão superior à
encontrada na atmosfera, ou seja, a fração de oxigênio inspirado superior a 21%. Na atmosfera
encontramos: 21% de Oxigênio, 78% de Nitrogênio e 1% outros gases.

FERIDAS E CURATIVOS21

A pele é o maior órgão do corpo humano, funciona como uma barreira protetora contra organismos
causadores de doenças, apresenta funções sensoriais para dor, temperatura e toque, e ainda sintetiza a
vitamina D em nosso organismo.
A pele tem duas camadas, a epiderme e a derme, que são unidas por uma membrana chamada de
junção dérmico-epidérmica. A epiderme, ou camada superior, tem várias camadas com diversas funções
como: descamação, proteção da desidratação devido a presença de queratina, combate a entrada de
certos agentes químicos, evaporação da água pela pele, absorção de certos medicamentos de uso tópico
entre outros.
A derme ou camada interna da pele, proporciona resistência à tração, suporte mecânico, e proteção
para os músculos, ossos e órgãos subjacentes. Nessa camada encontra-se o colágeno, os vasos
sanguíneos e os nervos.
Quando a pele é ferida a epiderme exerce a função de proteger a ferida e restaurar a barreira contra
organismos invasores e a derme responde para restaurar a integridade estrutural do tecido, junto as
propriedades físicas da pele.

21
POTTER, Patrícia A; STOCKERT, Patrícia A; PERRY, Anne Griffin; HAAL, Amy M. Fundamentos de Enfermagem. 9ª Ed. Elsevier, 2017.

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136
Uma ferida, pode ser reconhecida, como o rompimento da integridade e função dos tecidos do corpo.
E neste sentido, se faz necessário avaliar o tipo e aspecto (cor) do tecido na base da ferida, utilizando as
informações coletadas para planejar as intervenções necessárias.
O tecido de granulação, de aspecto vermelho e úmido, composto por novos vasos sanguíneos indica
o progresso rumo à cicatrização. O tecido de aspecto mole, amarelo ou branco de característica
esfarelada (substância fibrosa ligada ao leito da ferida) indica atenção para um acompanhamento. E o
tecido de aspecto preto, marrom, bege ou necrótico é reconhecido como escara, devendo ser removido
para uma cicatrização apropriada.
O acompanhamento do tamanho da ferida fornece informações a respeito das mudanças em relação
a sua dimensão, servindo como um indicador do processo de cicatrização. Por isso, se faz necessário
medir o comprimento, largura e profundidade do ferimento, para a devida observação de seu progresso.
Também é necessário observar o exsudato da ferida, por meio do acompanhamento da quantidade,
cor, consistência e odor da substância. Lembrando que exsudato em excesso indica a presença de uma
infecção.
Posto isso, veremos a seguir algumas considerações a respeito da classificação das feridas, processo
de cicatrização e curativos.

Classificação da Ferida

A classificação da ferida possibilita a compreensão dos riscos associados a ela e as implicações para
sua cicatrização.
Os sistemas de classificação descrevem: o status de integridade cutânea, a causa da ferida, a
gravidade ou extensão da lesão, ou dano tecidual, a limpeza da ferida e as descrições do tecido da ferida,
como a cor.
Há diversas maneiras de se classificar as feridas, que podem ser de forma:

Aguda
- Descrição: ferida que procede por meio de um processo reparador ordenado e oportuno que resulta
na restauração sustentada da integridade anatômica e funcional. As bordas da ferida são limpas e
intactas.
- Causas: trauma, incisão cirúrgica.

Crônica
- Descrição: ferida que não consegue prosseguir por meio de um processo ordenado e oportuno para
produzir a integridade anatômica e funcional. A exposição continuada ao insulto impede a cicatrização da
ferida.
- Causas: comprometimento vascular, inflamação crônica ou insultos repetitivos ao tecido.

Primeira Intenção
- Descrição: ferida que está fechada. A cicatrização ocorre por epitelização, cicatriza rapidamente com
formação mínima de cicatrizes.
- Causas: incisão cirúrgica, ferida que está suturada ou grampeada.

Segunda Intenção
- Descrição: as bordas não são aproximadas. A ferida cicatriza pela formação de tecido de granulação,
contração da ferida e epitelização.

Intenção Terciária
- Descrição: a ferida é deixada aberta por vários dias, em seguida, as bordas da ferida são
aproximadas. O fechamento da ferida é adiado até o risco de a infecção ser resolvida.
- Causas: feridas que estão contaminadas e exigem observação em busca de sinais de inflamação.

Processo de Cicatrização da Ferida

A cicatrização da ferida envolve processos fisiológicos integrados, as camadas de tecido envolvidas e


sua capacidade de regeneração determinam o processo de reparo da ferida.
As feridas de espessura parcial são superficiais, envolvendo a perda da epiderme e a possível perda
da derme. Esses tipos de feridas cicatrizam por regeneração, pois a epiderme regenera-se.

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As feridas de espessura total estendem-se até a derme e cicatrizam pela formação de cicatriz por que
as estruturas mais profundas não se regeneram.

Três componentes estão envolvidos no processo de cicatrização de uma ferida de espessura parcial:
- Resposta inflamatória;
- Proliferação epitelial e migração;
- Restabelecimento das camadas epidérmicas.

As quatro fases envolvidas no processo de cicatrização de uma ferida de espessura total são:
- Hemostasia;
- Inflamatória;
- Proliferativa;
- Maturação.

Complicações da Cicatrização de Feridas

Hemorragia
Hemorragia ou sangramento do local da ferida é normal durante e imediatamente após o trauma inicial,
podendo ser externa ou interna.
A hemorragia interna detectada pela distensão ou inchaço da parte do corpo afetada, uma mudança
no tipo e na quantidade de drenagem de um dreno cirúrgico, ou sinais de choque hipovolêmico.
A hemorragia externa é óbvia e pode ser observada através de curativos cobrindo uma ferida para a
drenagem de sangue. Se o sangramento for externso, o curativo logo se tornará saturado e
frequentemente drenará o sangue debaixo do curativo acumulando sob o paciente.

Atenção: um hematoma é uma coleção localizada de sangue sob os tecidos. Aparece como um
inchaco, mudança de cor, sensação ou calor que muitas vezes leva a uma descoloração azulada.

Infecção
Todas as ferida possui algum nível de carga bacteriana, poucas são infectadas. A infecção da ferida
está presente quando os microrganismos invadem os tecidos da ferida. O sinais clínicos locias de infeção
da ferida podem incluir eritema, aumento da quantidade de drenagem da ferida, mudança na aparência
da drenagem da ferida (espessa, mudança de cor, presença de odor), e calor, ou edema periférico.
Um paciente pode ter febre e aumento na contagem de leucócitos. As infecções bacterianas inibem a
cicatrização.

Deiscência
Quando uma incisão não cicatriza corretamente, as camadas da pele e do tecido se separam. A
deiscência é uma separação parcial ou total das camadas da ferida. Um paciente que está em risco de
má cicatrização de feridas corre risco de deiscência.

Evisceração
Com a separação total das camadas de ferida, a evisceração ocorre. A condição é considerada uma
emergência que requer intervenção cirúrgica. Quando a evisceração ocorre deverá colocar gaze estéril
embebida em soro fisiológico sobre os tecidos exsudados para reduzir as chances de invasão bacteriana
e secagem dos tecidos, observe os sinais e sintomas de choque e prepare o paciente para a cirurgia de
emergência.

Prevenção de lesões por pressão

Sempre que estiver em contato direto com um paciente observe a pele em relação a presença de
rachaduras ou integridade cutânea comprometida. A integridade cutânea comprometida ocorre a partir da
pressão prolongada, incontinência fecal ou urinária, e/ou imobilidade, levando assim ao desenvolvimento
de lesões por pressão.
Uma lesão por pressão é uma lesão localizada na pele e/ou no tecido subjacente. Inúmeros fatores
contribuem para o aparecimento da lesão por pressão.
A prevenção de lesões por pressão é uma prioridade no cuidado de pacientes e não está limitado
aqueles que apresentam restrições de mobilidade. A integridade cutânea comprometida geralmente não

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é um problema em indivíduos saudáveis e imobilizados, mas é um problema grave e potencialmente
devastador em pacientes doentes e/ou debilitados.
A integridade cutânea comprometida resulta em lesão por pressão é principalmente o resultado da
pressão. Portanto, fatores adicionais incluído força de cisalhamento, atrito, umidade, nutrição, perfusão
tecidual, infecção e idade aumentam o risco do paciente para o desenvolvimento de lesão por pressão e
de ferida mal cicatrizada.
A prevenção é o tópico mais importante no cuidado às Úlceras de Pressão - UP e visa principalmente
a reduzir ou eliminar os principais fatores que contribuem para o seu desenvolvimento.
Todos os indivíduos em risco devem ter uma inspeção sistemática da pele pelo menos 1 vez/dia,
prestando-se atenção particular às regiões de proeminências ósseas. O aumento da vascularização e da
nutrição dos tecidos é conseguido por meio de massagens, as quais devem ser realizadas regularmente,
evitando-se massagear as proeminências ósseas.
A mudança de decúbito tem como objetivo alternar os locais de apoio e deve ser efetuada a cada 2
horas, utilizando todos os decúbitos de acordo com o estado geral e a patologia do paciente. O decúbito
lateral a 30° distribui a pressão, não apoiando o peso corpóreo diretamente sobre o trocanter.
Existem colchões de espuma, ar, gel ou água e camas especiais que ajudam a prevenir as UP.
Pacientes de alto risco podem necessitar de suportes que ofereçam elevada redução da pressão, como
a cama de baixa perda de ar e a de ar fluidizado, que também apresentam efeitos benéficos na
cicatrização das UP, porém têm custo elevado.
Os pacientes que permanecem em cadeira devem ser orientados a reposicionar-se a cada 15 ou 20
min e utilizar almofadas especiais capazes de diminuir a pressão e de proporcionar estabilidade e
conforto. As almofadas em forma de anel devem ser evitadas, pois elas podem causar isquemia ao redor
da úlcera, intensificando-a. Medidas preventivas de fricção e cisalhamento incluem: manter a cabeceira
da cama elevada, no máximo, 30° para evitar que o paciente escorregue.
A desnutrição é um importante causador da UP, por isso é essencial que o estado nutricional do
paciente seja avaliado com o auxílio de um nutricionista. Medidas antropométricas e dados laboratoriais,
como nível de albumina sérica e contagem total de linfócitos, devem ser obtidos. Os pacientes necessitam
de uma dieta prescrita rica em proteínas e calorias, se não houver contraindicação. Se as necessidades
nutricionais do paciente não puderem ser atingidas por suplementação oral, métodos alternativos devem
ser considerados, como as dietas enterais ou parenterais.
A umidade excessiva da pele, causada por incontinência, sudorese e drenagem de feridas, predispõe
a sua maceração. A prevenção deve ser instituída por meio de higiene adequada, uso de cremes e
protetores de pele. No controle da incontinência urinária, utilizar coletor externo de urina, fraldas e
absorventes.
O envolvimento familiar e o apoio psicológico são fundamentais para o sucesso do tratamento e para
a prevenção de recidiva.

As medidas preventivas são:


• manter a pele sempre limpa;
• hidratar a pele com cremes ou óleos;
• evitar massagear as proeminências ósseas;
• acompanhar ingesta nutricional;
• mudar decúbito a cada 2 horas;
• colocar coxins entre os joelhos;
• colocar travesseiros em panturrilhas, elevando os calcanhares, eliminando a pressão local;
• utilizar decúbito lateral de 30°;
• utilizar colchões de espumas piramidais;
• utilizar almofadas em cadeiras para alívio da pressão no paciente sentado;
• não utilizar almofadas em forma de anel;
• orientar e envolver a equipe, familiares e o próprio paciente sobre a etiologia, os fatores de risco e a
prevenção das UP.

Histórico de Enfermagem
- Identificar o risco do paciente para o desenvolvimento de integridade cutânea comprometida ou
cicatrização ruim;
- Identificar os sinais e sintomas associados à integridade cutânea comprometida ou cicatrização ruim;
- Examinar a pele do paciente quanto ao comprometimento real na integridade cutânea.

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Durante o processo de histórico de enfermagem, faça uma avaliação cuidadosa de cada paciente e
analise criticamente os achados para garantir que será tomada decisões clínicas centradas no paciente,
necessárias para os cuidados de enfermagem seguros.
Concentra-se em elementos específicos com o nível de sensação, movimento e estado de continência
de um paciente, pois ajuda a orientar a avaliação da pele.

Tratamento das Lesões por Pressão


O tratamento de pacientes com lesões por pressão tem a necessidade da experiência de uma equipe
multidisciplinar. Além do enfermeiro, estão envolvidos o médico, enfermeiro especialista em cuidados de
feridas, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, nutricionista e farmacêutico.
O tratamento da lesão por pressão inclui o cuidado local da ferida e as medidas de suporte, como
nutrientes adequados e redistribuição de pressão.
A manutenção do ambiente fisiológico de uma ferida local é o objetivo do tratamento eficaz da ferida.
Para manter o ambiente de uma ferida saudável é preciso prevenir e tratar a infecção, limpar a ferida,
remover o tecido não viável, manter a ferida em um ambiente úmido, eliminar o espaço morto, controlar
o odor, eliminar ou minimizar a dor e proteger a ferida e a pele periferida.
Uma ferida não passa pelas fases de cicatrização se estiver infectada, por isso é necessário prevenir
a infecção da ferida que inclui limpar e remover o tecido não viável. Limpe as lesões por pressão apenas
com produtos de limpeza de feridas não citotóxicos, como soro fisiológico ou produtos de limpeza de
feridas comerciais.
A irrigação é um método comum de fornecer uma solução de limpeza para a ferida, e possui a intenção
de debridar o tecido necrótico com pressão que pode remover detritos do leito da ferida, sem afetar os
tecidos saudáveis.

Observação: de acordo com estudos não existe comprovação do tipo ideal de curativo para úlceras
de pressão.

Debridamento
É a remoção de tecido não viável e necrótico sendo necessária para livrar a ferida de uma fonte de
infecção, permitir a visualização do leito da ferida e fornece uma base limpa para a cicatrização.
O método de debridamento depende do que é mais apropriado para a condição do paciente. Planeje
administrar um analgésico solicitado 30 minutos antes do procedimento.

Os métodos de debridamento incluem: mecânico, autolítico, químico e afiado/cirúrgico.


- Debridamento autolítico: é a remoção do tecido morto por meio de lise de tecido necrótico por
leucócitos e enzimas naturais do corpo, para isso é necessário utilizar curativos que suportam a umidade
na superfície da ferida. Se a base da ferida estiver seca, use um curativo que permita adicionar umidade,
se houver exsudato excessivo use um curativo que absorva a umidade excessiva.
- Debridamento químico: é o uso de uma preparação enzimática tópica, solução de Dakin ou larvas
estéreis. As enzimas tópicas induzem alterações no substrato, assim resultando na ruptura do tecido
necrótico. Essas preparações exigem a solicitação de um médico. A solução de Dakin rompe e solta o
tecido morto da ferida é preciso embebedar a gaze com a solução e aplicar na ferida. Já as larvas estéreis
são usadas na ferida, pois acredita-se que elas ingerem o tecido morto.
- Debridamento cirúrgico: é a remoção de tecido desvitalizado com um bisturi, tesoura ou outro
instrumento. Médico e em algumas localidades enfermeiros treinados na prática avançada realizam o
procedimento. É o método mais rápido de debridamento sendo indicado quando o paciente tem sinais de
celulite ou sepse.
- Debridamento mecânico: são irrigação da ferida (irrigação de alta pressão e lavagem de alta pressão
pulsátil) e tratamentos de hidromassagem.

Curativos

Quanto mais extensa for uma ferida maior será a limpeza necessária. O tipo de curativo varia de acordo
com a avaliação da ferida e a fase de cicatrização.
Um curativo tem a finalidade de proteger uma ferida contra contaminação de microrganismos, de
auxiliar na hemostasia, de promover a cura absorvendo a drenagem e debridando uma ferida, de apoio
ou suporte do local de uma ferida, de promover isolamento térmico da superfície de uma ferida e de
fornecer um ambiente úmido.

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Em relação aos curativos de pressão é preciso ter a certeza de que não estão interferindo na circulação
em uma parte do corpo, por isso avalie a cor da pele, os pulsos nos membros distais, o conforto do
paciente e as alterações na sensação.
A principal função de um curativo em uma ferida em cicatrização é absorver a drenagem. A maioria
dos curativos de gaze cirúrgica tem três camadas: uma camada de contato ou primária, uma camada
absorvente e uma camada externa protetora ou secundária. Se um curativo de gaze grudar em uma
incisão cirúrgica, umedeça-a levemente com soro fisiológico com isso o curativo ficará saturado e soltará
da área incisional, assim evitando o trauma durante o processo de remoção.
A técnica do curativo possui variação, pois depende do objetivo do plano de tratamento para a ferida
em questão.

Tipos de Curativos
Os curativos variam de acordo com o tipo de material e o modo de aplicação (úmida ou seca). Precisam
ser fáceis de aplicar, confortáveis e feitos de materiais que promovam a cicatrização.
Esponjas de gaze são o tipo de curativo mais antigo e mais comum, são absorventes e especialmente
úteis em feridas para eliminar o exsudato. A gaze está disponível em diferentes texturas, comprimentos
e tamanhos. A gaze pode ser saturada com soluções e usado para limpar e cobrir uma ferida. Ao utilizar
uma gaze para cobrir uma ferida deverá saturar com uma solução geralmente o soro fisiológico torcer
logo em seguida deixando a gaze somente úmida, desdobrada e levemente cobrindo a ferida.

Outro tipo de curativo é um filme autoadesivo transparente que retém a umidade sobre a ferida,
assim proporcionando um ambiente úmido, esse curativo é ideal para pequenas feridas superficiais e
possui diversas vantagens como:
- Aderência à pele intacta;
- Serve como uma barreira para líquidos externos e bactérias, porém permite que a superfície da ferida
respire, pois o oxigênio atravessa ocrurativo transparente;
- Promoção de um ambiente úmido que acelera o crescimento de células epiteliais;
- Pode ser removido sem danificar os tecido subjacentes;
- Permite a visualização de uma ferida;
- Não exige um curativo secundário.

Curativos de hidrocoloide são curativos com formulações complexas de coloides e componentes


adesivos. A camada de contato da ferida desse curativo forma um gel à medida que o exsudato da ferida
é absorvido e mantém um ambiente cicatrizante úmido. Os hidrocoloides apoiam a cicatrização em feridas
granulantes limpas e debridam autoliticamente as feridas necróticas, possui disponibilidade de tamanhos
e formatos variados.

Esse tipois de curativos possuem as seguintes funções:


- Absorver a drenagem por meio do uso de absorventes de exsudato no curativo;
- Manter a ferida úmida;
- Liquefazer lentamente os detritos necróticos;
- É impermeável a bactérias e outros contaminantes;
- É autoadesivo e molda-se bem;
- Atua como um curativo preventivo para áreas de alto risco de atrito;
- Pode ser deixado no lugar durante 3 a 5 dias minimizando o trauma da pele e a interrupção da
cicatrização.

Os curativos de hidrogel são gaze ou curativos reutilizáveis impregnados com água ou gel amorfo à
base de glicerina. Esses curativos hidratam as feridas e absorve pequenas quantidades de exsudato. São
indicados para feridas de espessura parcial e de espessura total, feridas profundas com algum exsudato,
feridas necróticas, queimaduras e pele danificada pela radiação.
Podem ser úteis em feridas dolorosas, pois são muito calmantes para um paciente e não aderem ao
leito da ferida provocando assim pouco trauma durante a remoção. Possui uma desvantagem já que
alguns hidrogéis exigem um curativo secundário. Os hidrogéis estão disponíveis em um curativo em folha
ou em um tubo permitindo assim a capacidade de esquichar o gel diretamente dentro da base da ferida.

O hidrogel possui algumas vantangens:


- É calmante e pode reduzir a dor da ferida;
- Fornece um ambiente úmido;

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- Debrida o tecido necrótico;
- Não adere à base da ferida e é fácil sua remoção.

Existem outros tipos de curativos disponíveis. Os curativos de espuma e alginato são para feridas
com grande quantidade de exsudato. Os curativos de espuma são usados em torno dos tubos de
drenagem para absorvê-la. Os curativos de alginato de cálcio são confeccionados a partir de algas
marinhas e estão disponíveis em forma de folha e corda. O alginato forma um gel macio quando em
contato com o fluído da ferida, são altamente aborventes para feridas com uma quantidade excessiva de
drenagem e não causam trauma quando removidos da ferida. Não se deve utilizar esse tipo de curativo
em feridas secas, pois elas exigem um curativo secundário.

Procedimento para Substituição de Curativos


- Remova o esparadrapo afastando suavemente a pele do esparadrapo enquanto puxa o adesivo da
pele;
- Com a mão enluvada remova cuidadosamente os curativos de gaze, uma camada de cada vez, tome
o cuidado para não deslocar drenos ou sondas;
- Se o curativo grudar no curativo seco, umedeça com soro fisiológico em seguida remova-o;
- Observe a cor, edema, drenos e exsudados da ferida, assim como, a quantidade de drenagem no
curativo;
- Dobre os curativos com drenagem e remova as luvas de dentro para fora sobre o curativo. Descarte
as luvas e os curativos sujos. Higienize as mãos;
- Abra a bandeja de curativos estéreis ou os materiais estéreis embrulhados individualmente. Calce as
luvas limpas;
- Limpe a ferida com a solução. Usando uma gaze ou um esfregaço antisséptico, limpe a área menos
contaminada que é a incisão ou o centro da ferida, para a área mais contaminada, que é fora da incisão
e a pele circundante. Seque a área. Remova e descarte as luvas e higienize as mãos;
- Se a ferida tiver que ser irrigada: despeje a solução ordenada em um recipiente estéril de irrigação,
calce luvas limpas, óculos de proteção, máscara e vestimenta cirúrgica se necessário. Usando a seringa
permita que a solução flua sobre a ferida. Continue até que a irrigação crie um fluxo claro da solução.
Seque a pele circundante com gaze.
- Meça a ferida e em seguida remova e descarte as luvas. Higienize as mãos;
- Aplique o curativo;
- Curativo seco: calce as luvas de procedimento ou estéreis, inspecione a ferida quanto ao aspecto,
drenos, drenagem e integridade. Aplique um curativo de gaze de tecido frouxa e seca, cobrindo a ferida.
Aplique uma gaze adicional se necessário;
- Ou aplique o curativo de esponja se indicado;
- Curativo úmido e seco: calce as luvas de procedimento estéreis, avalie o aspecto da pele circundante
e procure por maceração. Umedeça a gaze com a solução prescrita, esprema delicadamente o excesso
da solução. Desdobre. Aplique a gaze como uma única camada diretamente sobre a superfície da ferida.
Se a ferida é profunda cubra suavemente sua base com o curativo usando a mão até que todas as
superfícies dela estejam em contato com a gaze. Se houver encapsulação use um aplicador com ponta
de algodão para colocar a gaze na área encapsular. Verifique se a gaze não está tocando na pele
circundante. Cubra com gaze seca estéril e curativo de esponja.
- Fixe o curativo. Aplique o esparadrapo não alérgico;
- Correias de Montgomery: abra expondo a superfície adesiva do esparadrapo na extremidade de cada
correia. Coloque as correias em lados opostos do curativo. Coloque o adesivo diretamente sobre a pele
ou aplique uma barreira cutânea sólida e fixe a extremidade do esparadrapo na barreira cutânea. Fixe o
curativo amarrando as correias através dele;
- Remova as luvas e descarte-as em local apropriado. Remova máscara, óculos ou vestimenta;
- Escrever à tinta a data e a hora que o curativo foi aplicado no esparadrapo que fixa o curativo;
- Descarte os materiais e higienize as mãos.

Cuidados com Suturas


Suturas são fios ou metais usados para costurar os tecidos do corpo, isso ocorre quando um cirurgião
fecha uma ferida ao unir as bordas dela o mais próximo possível para reduzir a formação de cicatriz. O
fechamento adequado da ferida envolve o mínimo de trauma e tensão aos tecidos com controle de
hemorragia.
As suturas estão disponíveis em uma variedade de materiais, como seda, aço, algodão, linho, arame,
nylon e Dacron. Elas vêm com ou sem agulhas cirúrgicas afixadas. Grampos de aço são um tipo comum

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de fechamento da pele exterior que traumatiza o tecido menos que as suturas enquanto fornece força
extra.
As políticas nas instituições costumam variar referente a aptidão na remoção das suturas. Se for
pertinente ao enfermeiro a remoção será necessária uma prescrição médica. Uma tesoura especial com
pontas de corte curvadas ou removedores de grampos especiais desliza sob os fechamentos da pele
para a remoção da sutura.
O médico normalmente especifica o número de suturas ou grampos necessários para a remoção. Se
a linha de sutura parecer estar cicatrizando melhor em certos locais que em outros alguns profissionais
resolvem pela remoção apenas de algumas suturas.
Para remover os grampos introduza as pontas do removedor de grampos sob cada grampo de arame,
enquanto fecha lentamente as extremidades do removedor de grampos, aperte o centro do grampo com
as pontas liberando-o da pele.
Antes de remover as suturas limpe a linha de sutura com soro fisiológico, aperte os materiais de sutura
o mais próximo possível da borda da pele de um lado e puxe a sutura do outro lado.

Bandagens e Ataduras
Um curativo de gaze simples muitas vezes não é suficiente para imobilizar ou dar apoio a uma ferida.
Ataduras e bandagens aplicados sobre ou em torno de curativos fornecem proteção extra e benefícios
terapêuticos.
As bandagens estão disponíveis em rolos de diferentes larguras e materiais, incluindo gaze, malha
elástica, tira elástica, flanela e musselina. As bandagens de gaze são leves e baratas, moldam facilmente
ao redor de contornos do corpo e permitem a circulação de ar para evitar a maceração da pele. As
bandagens elásticas adaptam-se bem às diversas partes do corpo, porém exercem pressão.
As ataduras são bandagens que são feitas de grandes pedaços de material para ajustar-se a uma
parte específica do corpo. A maioria é feita de elástico ou algodão.

Questões

01. (EBSERH - Enfermeiro - CESPE/2018) Acerca do uso de curativos na enfermagem, julgue o item
a seguir.
As coberturas de alginatos são um tipo de curativo indicado para feridas com pouca exsudação; por
isso, seu uso pode prolongar-se por até sete dias.
( ) Certo
( ) Errado

02. (FUNASG - Enfermeiro - FUNCAB) O hidrocoloide é uma cobertura muito utilizada em feridas e
pode se apresentar na forma de placa ou pasta. Sobre essa cobertura é correto afirmar:
(A) Em contato com exsudato, forma um gel hidrofílico que mantém um meio úmido.
(B) Requer troca a cada 12 h ou diária e curativo secundário.
(C) Promove uma temperatura abaixo da corporal e é indicada para queimaduras de 3° grau.
(D) É indicada para tratamento de feridas abertas infectadas.
(E) Retarda a angiogênese e é indicada para a prevenção de úlceras de pressão.

03. (TRT 23ª Região/MT - Enfermeiro - FCC) A grande variedade dos tipos de coberturas para
curativos possibilita melhor adequação e manejo das condições das feridas e a escolha do produto
depende, dentre vários aspectos, de
(A) avaliação pragmática.
(B) estudo eletrofisiológico.
(C) evolução do processo cicatricial.
(D) aplicação da escala de Hansen.
(E) abordagem única.

04. (UNIOESTE - Técnico em Enfermagem – UNIOESTE) As úlceras por pressão ocorrem quando a
pressão contínua aplicada à pele é maior que a pressão de fechamento capilar, aproximadamente 32
mmHg. Assinale os fatores de risco para o desenvolvimento de úlcera por pressão.
(A) Normotermia e eupneia.
(B) Imobilidade e atrito/fricção.
(C) Deambulação e normocardia.

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(D) Lúcidez e comunicação.
(E) Hidratação e higidez.

Gabarito

01.Errado / 02.A / 03.B / 04.B

Comentários

01. Resposta: Errado


Os curativos de espuma e alginato são para feridas com grande quantidade de exsudato. Os curativos
de espuma são usados em torno dos tubos de drenagem para absorvê-la. Os curativos de alginato de
cálcio são confeccionados a partir de algas marinhas e estão disponíveis em forma de folha e corda.

02. Resposta: A
Curativos de hidrocoloide são curativos com formulações complexas de coloides e componentes
adesivos. A camada de contato da ferida desse curativo forma um gel à medida que o exsudato da ferida
é absorvido e mantém um ambiente cicatrizante úmido.

03. Resposta: B
A cicatrização da ferida envolve processo fisiológicos integrados, as camadas de tecido envolvidas e
sua capacidade de regeneração determinam o processo de reparo da ferida.
As feridas de espessura parcial são superficiais, envolvendo a perda da epiderme e a possível perda
da derme. Esses tipos de feridas cicatrizam por regeneração, pois a epiderme regenera-se.

04. Resposta: B
Fatores adicionais incluído força de cisalhamento, atrito, umidade, nutrição, perfusão tecidual, infecção
e idade aumentam o risco do paciente para o desenvolvimento de lesão por pressão e de ferida mal
cicatrizada. A prevenção de lesões por pressão é uma prioridade no cuidado de pacientes e não está
limitado aqueles que apresentam restrições de mobilidade.

6.2. Administração de medicamentos

ADMINISTRAÇÃO DE MEDICAMENTOS

O medicamento é uma substância empregada no diagnóstico, tratamento, cura, alívio ou prevenção


das alterações da saúde.
O enfermeiro deve avaliar o efeito que os medicamentos têm na restauração ou manutenção da saúde,
e fornecer a educação contínua para o cliente, família ou pessoal de cuidado de saúde domiciliar sobre a
finalidade e os efeitos colaterais dos medicamentos.
A administração de medicamentos22,23,24 é um processo que envolve uma sequência de ações a serem
desenvolvidas pelo profissional de enfermagem, a fim de obter os melhores resultados junto ao paciente,
sem desperdício de recursos. Durante a fase de preparo o profissional de enfermagem deve ter muita
atenção para evitar erros, assegurando ao máximo que o paciente receba a medicação corretamente.

Formas de Apresentação do Medicamento

Cápsula: forma de dosagem sólida para uso oral; medicamento na forma de pó, líquido ou óleo, e
envolto por concha gelatinosa; a cápsula é colorida, a fim de auxiliar na identificação do produto.
Comprimido: forma de dosagem em pó comprimido em discos ou cilindros endurecidos; além do
medicamento primário, contém ligantes (adesivos, para possibilitar que o pó permaneça junto),
desintegrantes (para promover a dissolução do comprimido), lubrificantes (para facilitar a fabricação) e
expansores (para o tamanho conveniente do comprimido).
22
EBISUI, C.T.N. Procedimentos de Enfermagem. Reedição revisada e ampliada. São Paulo: Copidart, 2002.
23
https://www.slideshare.net/Andreadcss/9-certos-na-administrao-de-medicamentos
24
http://ba.corens.portalcofen.gov.br/parecer-coren-ba-0212013_8112.html

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Comprimido com proteção entérica: comprimido para uso oral revestido com materiais que não se
dissolvem no estômago; os revestimentos dissolvem-se no intestino, onde o medicamento é absorvido.
Disco intraocular: pequeno disco oval flexível que contém duas camadas externas macias e uma
camada média que contém o medicamento; quando umedecido pelo líquido ocular, libera o medicamento
por até uma semana.
Drágea: forma de dosagem sólida para uso oral; formato semelhante à cápsula e revestido, para
facilitar a deglutição.
Elixir: líquido claro que contém água e/ou álcool; destinado a uso oral; geralmente possui adoçante
adicionado.
Extrato: forma de medicamento concentrada, feita pela separação da porção ativa do medicamento
de seus outros componentes (por exemplo, o extrato líquido é o medicamento feito em solução de fonte
vegetal).
Glicerite: solução de medicamento, combinado à glicerina para uso externo, que contém pelo menos
50% de glicerina.
Linimento: preparação que comumente contém álcool, óleo ou emoliente saponáceo, aplicada à pele.
Loção: medicamento em suspensão líquida aplicado externamente, para proteger a pele.
Pasta: preparação semissólida, mais espessa e mais rígida que a pomada; é absorvida através da
pele com maior lentidão que a pomada.
Pastilha: forma de dosagem arredondada e achatada que contém medicamento, flavorizante, açúcar
e mucilagem; dissolve-se na boca, para liberar o medicamento.
Pílula: forma de dosagem sólida que contém um ou mais medicamentos, modelada em forma de
glóbulo, ovoides ou alongada; as pílulas verdadeiras raramente são utilizadas, porque foram substituídas
pelos comprimidos.
Placa ou disco transdérmico: medicamento contido dentro de placa ou disco com membrana
semipermeável, a qual permite que os medicamentos sejam absorvidos através da pele de forma lenta
durante um intervalo de tempo prolongado.
Pomada (unguento): preparação semissólida, aplicada externamente, que contém, em geral, um ou
mais medicamentos.
Solução: preparação líquida que pode ser utilizada por via oral, parenteral ou externa; também pode
ser instilada em órgão ou cavidade corporal (por exemplo, irrigações vesicais); contém água com um ou
mais compostos dissolvidos; deve ser estéril para uso parenteral.
Supositório: forma de dosagem sólida misturada com gelatina e moldada na forma de projétil para a
inserção em cavidade corporal (reto ou vagina); dissolve-se, quando alcança a temperatura corporal,
liberando o medicamento para a absorção.
Suspensão: partículas de medicamento finamente divididas dispersas em meio líquido; quando a
suspensão permanece parada, as partículas depositam-se no fundo do frasco; comumente, um
medicamento oral e não é administrada por via intravenosa.
Tintura: solução de medicamento em álcool ou água-álcool.
Xarope: medicamento dissolvido em solução concentrada de açúcar; pode conter flavorizantes, para
tornar o sabor do medicamento mais agradável.

Tipos de Ação de Medicamento

Os medicamentos variam consideravelmente no modo pelo qual atuam em seus tipos de ação. Os
fatores diferentes das características do medicamento também influenciam as ações dele.
Um cliente pode não responder da mesma maneira a cada dose sucessiva de um medicamento. Da
mesma forma, idêntica dosagem do medicamento pode provocar respostas muito diferentes em clientes
diversos.
Depois que um enfermeiro administra um medicamento, ele sofre absorção, distribuição, metabolismo
e excreção. Exceto quando administrados por via intravenosa, os medicamentos levam tempo para
penetrar na corrente sanguínea. A quantidade e a distribuição de um medicamento em diferentes
compartimentos corporais alteram-se constantemente.
Quando é prescrito um medicamento, o objetivo consiste em obter um nível sanguíneo constante
dentro de uma faixa terapêutica segura. As doses repetidas são necessárias para alcançar uma
concentração terapêutica constante de um medicamento, porque uma parcela do medicamento sempre
está sendo excretada.
A concentração sérica máxima (a concentração de pico) do medicamento geralmente ocorre
exatamente antes que o final do medicamento seja absorvido. Depois de atingir o máximo, a concentração

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sérica do medicamento cai progressivamente. Com as infusões intravenosas, a concentração máxima
ocorre rapidamente, mas o nível sérico também começa a cair imediatamente.
Todos os medicamentos possuem meia-vida sérica, o tempo que demoram para que os processos de
excreção diminuam a concentração sérica do medicamento pela metade. Para manter um platô
terapêutico, o cliente deve receber doses fixas regulares. Por exemplo, demonstrou-se que os
medicamentos para a dor são mais efetivos, quando fornecidos durante todo o dia, em vez de serem
administrados quando o cliente se queixa de maneira intermitente de dor. Desta maneira, um nível quase
constante do medicamento analgésico é mantido. Depois de uma dose inicial de medicamento, o cliente
recebe cada dose sucessiva, quando a dose anterior alcança sua meia-vida.
O cliente e o enfermeiro devem seguir a programação regular de dosagem bem como aderir às doses
e intervalos de doses prescritos. Os esquemas de sondagem são estabelecidos pela instituição em que
o enfermeiro está empregado. Quando informa os clientes a respeito dos esquemas de dosagem, o
enfermeiro deve utilizar linguagem familiar ao cliente. Por exemplo, ao orientar um cliente sobre um
medicamento que tem duas doses ao dia, o enfermeiro deve instruí-lo a tomar um medicamento pela
manhã e novamente à noite. O conhecimento dos intervalos de tempo da ação do medicamento também
ajuda o enfermeiro a prever o efeito de um medicamento. Com este conhecimento, ele pode instruir o
cliente sobre quando esperar uma resposta.

Efeitos Medicamentosos

É essencial que o enfermeiro compreenda todos os efeitos que os medicamentos podem ter, quando
são tomados ou administrados aos clientes:
Efeitos Terapêuticos: é a resposta fisiológica esperada ou previsível gerada por um medicamento.
Cada medicamento possui um efeito terapêutico desejado para o qual é prescrito. Por exemplo, a
nitroglicerina é utilizada para reduzir a carga de trabalho cardíaca e aumentar o aporte miocárdico de
oxigênio. Um único medicamento pode ter muitos efeitos terapêuticos. Por exemplo, a aspirina é
analgésica, antitérmica e anti-inflamatória, reduzindo a agregação plaquetária (agrupamento). É
importante que o enfermeiro conheça para qual efeito terapêutico um medicamento é prescrito, o que lhe
permite informar corretamente o cliente sobre o efeito pretendido do medicamento.
Efeitos Colaterais: são os efeitos secundários e não-pretendidos que um medicamento causa de
maneira previsível. Tais efeitos podem ser inócuos ou lesivos. Quando suficientemente graves para negar
os efeitos benéficos da ação terapêutica de um medicamento, o médico pode interromper o medicamento.
Com frequência, os clientes, param de tomar medicamentos por causa dos efeitos colaterais.
Efeitos Adversos: são geralmente considerados respostas graves ao medicamento. Por exemplo, um
cliente pode ficar comatoso, quando um medicamento é ingerido. Se ocorrem as respostas adversas ao
medicamento, o médico pode interromper o medicamento. Alguns efeitos adversos são efeitos
inesperados que não foram descobertos durante a experimentação do medicamento. Quando acontece
esta situação, os profissionais de saúde são obrigados a reportar o efeito adverso ao FDA.
Efeitos Tóxicos: podem-se desenvolver depois da ingesta prolongada de um medicamento ou quando
um medicamento se acumula no sangue por causa do metabolismo ou excreção comprometidos. As
quantidades excessivas de um medicamento dentro do corpo podem ter efeitos letais, dependendo da
ação do medicamento. Por exemplo, os níveis tóxicos de morfina podem provocar depressão respiratória
grave e morte. Os antídotos estão disponíveis para tratar tipos específicos de intoxicação medicamentosa.
Por exemplo, o Narcan é utilizado para reverter os efeitos da intoxicação por opióides.
Reações Idiossincrásicas: os medicamentos podem provocar efeitos imprevisíveis, como uma
reação idiossincrásica, na qual um cliente reage em excesso ou de forma deficiente a um medicamento
ou apresenta reação diferente do normal. Por exemplo, uma criança que recebe um anti-histamínico pode
ficar extremamente agitada ou excitada, em vez de sonolenta. É impossível avaliar os clientes para as
respostas idiossincrásicas.
Reações Alérgicas: constituem outra resposta imprevisível a um medicamento; elas constituem 5%
a 10% das reações medicamentosas. Um cliente pode tornar-se imunologicamente sensibilizado à dose
inicial de um medicamento. Com a administração repetida, o cliente desenvolve uma resposta alérgica ao
medicamento, a seus conservantes químicos ou a um metabólito. O medicamento, ou substância química,
atua como um antígeno, deflagrando a liberação de anticorpos. A alergia medicamentosa de um cliente
pode ser branda ou grave. Os sintomas alérgicos variam, dependendo do indivíduo e do medicamento.
Entre as diferentes classes de medicamentos, os antibióticos provocam uma alta incidência de reações
alérgicas. As reações brandas podem ser:
- Urticárias: erupções cutâneas elevadas, com formato irregular, com tamanhos e formas variados;
as erupções apresentam margens avermelhadas e centros pálidos.

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- Exantema: vesículas pequenas e elevadas, geralmente avermelhadas; frequentemente, distribuídas
sobre todo o corpo.
- Prurido: coceira na pele; acompanha a maioria dos exantemas.
- Rinite: inflamação das mucosas que revestem o nariz; provoca edema e secreção aquosa clara.

As reações anafiláticas ou graves caracterizam-se pela constrição súbita dos músculos bronquiolares,
edema da faringe e laringe, bem como sibilância e falta de ar graves. Os anti-histamínicos, epinefrina e
broncodilatadores podem ser usados para tratar as reações anafiláticas.
O cliente também pode tornar-se gravemente hipotenso, necessitando de medidas de reanimação de
emergência. Um cliente com história conhecida de alergia a medicamento deve evitar a reexposição e
usar um bracelete ou medalha de identificação, o que alerta os enfermeiros e os médicos para a alergia,
caso o cliente esteja inconsciente, quando receber o cuidado médico.

Interações Medicamentosas

Quando um medicamento modifica a ação de outro medicamento, ocorre uma interação


medicamentosa. As interações medicamentosas são comuns em indivíduos que tomam vários
medicamentos. Um medicamento pode potencializar ou diminuir a ação de outros medicamentos, e alterar
a maneira pela qual outro medicamento é absorvido, metabolizado ou eliminado do corpo.
Quando dois medicamentos possuem efeito sinérgico, ou agem de maneira sinérgica, o efeito dos dois
medicamentos combinados é maior que o dos medicamentos, se fornecidos em separado. Por exemplo,
o álcool é um depressor do sistema nervoso central que possui um efeito sinérgico com anti-histamínicos,
antidepressivos, barbitúricos e analgésicos narcóticos.
Uma interação medicamentosa nem sempre é indesejável. Com frequência, um médico combina
medicamentos, para criar uma interação que tenha efeito benéfico sobre a condição do cliente. Por
exemplo, um cliente com hipertensão (pressão arterial alta) que não pode ser controlada com
medicamento, recebe tipicamente vários medicamentos, como diuréticos e vasodilatadores, que atuam
em conjunto para controlar a pressão arterial.

Os “9 certos” para uma Administração Medicamentosa Segura

1. Paciente Certo: Certifica-se de que a medicação corresponde com o prontuário do paciente, e ao


administrar, certifica-se se realmente é o paciente. Ex. “Como é o nome do Sr (a)” Nunca podemos dizer:
“Seu Fulano olha seu remédio...” Sempre devemos perguntar o nome completo mesmo que conhecemos
o paciente. Erros podem acontecer.
2. Medicamento Certo: Certifica-se se o medicamento que foi dispensado da farmácia realmente
corresponde com a prescrição médica.
3. Dose Certa: Observar atentamente na prescrição médica a dose correta da medicação, e a forma
que veio apresentada da farmácia. Ex. Prescrição Médica: Benzetacil 800.000UI IM; E a apresentação da
medicação da Farmácia é Benzetacil 1.200.000UI IM.
4. Via Certa: Toda atenção é pouca. Observar e ler atentamente qual a via a ser administrada. Ex.:
(Via Oral-VO, Sublingual-SL, Intramuscular-IM, Endovenosa/Intravenosa-EV/IV).
5. Hora Certa: Atentar-se quanto ao horário correto para administração da medicação, evitando
atrasos e antecipações.
6. Tempo Certo: Na aplicação da medicação, respeitar o tempo previsto na prescrição, por exemplo,
se for em 30 minutos, ou em quatro horas, controlar adequadamente o gotejamento ou programar
corretamente as bombas de infusão contínua ou bombas de seringa, controlando, dessa forma, a infusão
conforme prescrição.
7. Validade Certa: Antes de preparar a medicação sempre conferir a data de validade, NUNCA aplicar
medicação vencida. Estabelecer uma rotina de verificação e controle de validade nos setores, em
parceria com a farmácia.
8. Abordagem Certa: Antes de administrar o medicamento deve-se esclarecer ao paciente qualquer
dúvida existente referente ao mesmo e deve-se levar em consideração o direito de recusa do
medicamento, pelo cliente. O primeiro passo sempre é dizer ao paciente qual medicação será
administrada, qual é a via, principal ação do medicamento e como será feita a administração,
sobretudo, medicações que hajam colaboração e ação do cliente como as sublinguais a explicação deve
ser dada.
9. Registro Certo: Após aplicar a medicação registrar no prontuário checando com rubrica e ainda
anotando queixas, suspensão ou não aceitação de medicação.

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Só para lembrar:

https://www.slideshare.net/Andreadcss/9-certos-na-administrao-de-medicamentos

Recomendações Gerais
- Todo medicamento a ser administrado no cliente deve ser prescrito pelo médico ou odontólogo;
- A prescrição deve ser escrita, assinada e carimbada. Somente em caso de emergência, a
Enfermagem pode atender prescrição verbal, que deve ser transcrita pelo médico logo que possível;
- Toda prescrição de medicamento deve conter: data, nome do cliente, registro, enfermaria, leito, idade,
nome do medicamento, dosagem, via de administração, frequência, assinatura e carimbo do médico;
- A prescrição do cliente ou cartão de medicamento deve ser mantido à vista do executante;
- Lavar as mãos antes de preparar e administrar o medicamento e, logo após o procedimento;
- Fazer a desinfecção concorrente da bandeja antes do preparo e depois da administração do
medicamento;
- Manter o local de preparo de medicação sempre em ordem e limpo, utilizando álcool a 70% para
desinfetar a bancada;
- Preparar o medicamento em ambiente com boa iluminação;
- Concentrar a atenção no trabalho, evitando atividades paralelas, distrações e interrupções, que
podem aumentar a chance de cometer erros;
- Ler e conferir o rótulo da medicação três vezes – quando pegar o medicamento, antes de colocar o
medicamento no recipiente próprio para administração, e ao colocar o recipiente na prateleira ou
desprezar o invólucro;
- Nunca administrar medicamento sem rótulo;
- Fazer desinfecção das ampolas e/ou dos frascos antes de quebrar e/ou aspirar a medicação;
- Preparar somente quando tiver certeza do medicamento prescrito, dosagem e via de administração;
- Proteger a seringa ou frasco com medicamento para evitar contaminação, podendo ser usado o
próprio invólucro se não contaminado;
- Observar o aspecto e as características da medicação antes de prepará-la; e antes de administrá-la
(sinais de decomposição, turvação, deterioração, precipitação, etc.);
- Devolver no final do plantão os medicamentos não utilizados e em hipótese alguma acumular
“sobras”;
- Manter a bandeja sempre a vista durante a administração, nunca deixando-a sozinha junto ao
paciente;
- Antes de administrar o medicamento, conferir cuidadosamente a identidade do paciente;
- Permanecer junto ao paciente até que tome o medicamento;
- A administração do medicamento deve ser feita pelo profissional que o preparou;
- Não se deve nunca esquecer de registrar o medicamento que o paciente tenha recebido (checar a
medicação);
- Anotar qualquer anormalidade após a administração do medicamento (vômito, diarreia, erupções,
urticária, etc.);
- Após a administração do medicamento, checar a prescrição imediatamente, evitando administração
dobrada;
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- Em caso de recusa do medicamento, o profissional de enfermagem deve relatar imediatamente o fato
ao(a) enfermeiro(a) e/ou médico e anotá-la no prontuário. Convencionalmente em nosso meio, quando o
medicamento não foi administrado por algum motivo, o horário correspondente é circundado, “bolado” à
caneta e a justificativa anotada no prontuário do paciente;
- Utilizar luvas de procedimentos para medicações via sonda gástrica ou nasogástrica, via retal e
parenteral;
- Utilizar técnica asséptica ao manusear material esterilizado;
- Nunca reencapar agulhas ou concitá-las da seringa para desprezar;
- As luvas de procedimentos e o algodão devem ser desprezados na lixeira com saco branco leitoso,
para lixo infectante, dentro da enfermaria do paciente, conforme Programa de Gerenciamento de
Resíduos da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH);
- Em caso de dúvida, nunca administrar o medicamento até que ela seja esclarecida.

Vias de Administração de Medicamentos

Vias oral, sublingual, gástrica e retal: administração de medicamento por via digestiva.
Os medicamentos via oral são fornecidos pela boca e deglutidos com líquidos, apresentam um início
de ação mais lento e um efeito mais prolongado que os medicamentos parenterais. Em geral, os clientes
preferem a via oral.
Via parenteral: administração de um agente terapêutico por outra via que não seja a do trato alimentar
(aparelho digestório).
Via vaginal: introdução e absorção de medicamentos no canal vaginal. O medicamento pode ser
introduzido sob a forma de: supositório, comprimido, óvulo, lavagem, irrigação, creme ou gel.
Via tópica ou cutânea: aplicação de medicamentos na pele. Sua ação pode ser local ou geral.
Exemplos: pomada, antisséptico, etc.
Via nasal: consiste em levar à mucosa nasal um medicamento líquido.
Via Respiratória: as passagens mais profundas do trato respiratório proporcionam grande área de
superfície para a absorção do medicamento. Os medicamentos podem ser administrados através das
vias nasais, via oral ou tubos colocados dentro da boca do cliente até a traqueia. Os medicamentos
administrados pela via de inalação são prontamente absorvidos e atuam rapidamente por causa da rica
rede vascular alveolocapilar presente no tecido pulmonar. Os medicamentos inalados podem ter efeitos
locais ou sistêmicos.
Via ocular: aplicação de colírio ou pomada na conjuntiva ocular (saco conjuntival inferior).
Há, também, o fornecimento intraocular de medicamento que envolve a inserção de medicamento
semelhante a uma lente de contato dentro do olho do cliente. O disco do medicamento ocular possui duas
camadas mais externas que contêm o medicamento. O disco é inserido dentro do olho do cliente de forma
muito parecida com uma lente de contato, podendo permanecer no olho dele por até uma semana. A
pilocarpina, um medicamento usado para tratar o glaucoma, é o disco de medicamento mais comum.
Via Auricular (otológica): introdução de medicamento no canal auditivo. Colocar o paciente em
posição que você consiga administrar, manter a cabeça do paciente ereta e pingar a solução puxando o
pavilhão auditivo para baixo e para frente.
Instilações na garganta: a garganta pode ser pulverizada ou embrocada pela aplicação de um
antisséptico ou anestésico.
Hipodermóclise ou Hidratação Subcutânea: administração de soluções de reidratação parenteral
na camada subcutânea.

Procedimentos de Administração

Via Oral
Material:
- 01 bandeja;
- 01 copinho;
- Medicamento prescrito.

Procedimento:
- Conferir a prescrição médica e medicação a ser administrada;
- Identificar os copinhos com o nome do paciente, nome da medicação, horário e número do leito;
- Lavar as mãos;
- Diluir o medicamento se necessário;

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- Conferir novamente a medicação e prescrição médica verificando data, paciente, hora, via de
administração e dose;
- Levar a bandeja de medicação junto ao leito do paciente;
- Perguntar o nome do paciente sem sugestionar;
- Oferecer o medicamento;
- Observar se o paciente ingeriu a medicação;
- Lavar as mãos;
- Checar na prescrição médica;

Cuidados importantes:
- Agitar o frasco de medicamento líquido antes de entorná-lo pelo lado oposto ao do rótulo, evitando
assim, que o líquido escorra sobre ele, tornando difícil a leitura;
- Os frascos multidoses deverão ser diluídos quando abertos;
- Frascos multidoses que ficam “estocados” no posto, verificar sempre a data de validade e condições
de armazenamento antes de administrá-lo ao paciente. Se necessário trocar o frasco na farmácia;
- Segurar o recipiente graduado (copinho) e vidro ao nível dos olhos para despejar o líquido até a altura
correspondente à dose, facilitando desse modo a colocação precisa do medicamento;
- Colocar comprimidos, drágeas ou cápsulas no recipiente sem tocá-las diretamente com a mão;
- Se houver dificuldade na identificação do medicamento, não administrá-lo. Devolva-o à farmácia e
solicite outro medicamento com identificação legível;
- Se um paciente recebe vários medicamentos simultaneamente, a prática mais segura é a de usar
recipientes separados, possibilitando a identificação segura dos medicamentos que efetivamente o
paciente recebeu. Em casos de aceitação parcial ou perdas acidentais de uma parte deles, será possível
registrar adequadamente o ocorrido e/ou repor a medicação perdida;
- Observar se o paciente não está com indicação de jejum, controle hídrico, além de fatores que
influenciam a administração, como sonda nasogástrica, condições relativas à deglutição, náuseas,
vômitos, entre outros;
- No caso de administração de medicação sublingual, observar a colocação do medicamento sob a
língua do paciente e orientá-lo para que deixe ali, sem mastigá-lo ou engoli-lo, até ser totalmente
dissolvido, não se devem oferecer líquidos com a medicação sublingual;
- No uso de medicação via Sonda Nasoenteral-SNE ou Sonda Nasogástrica-SNG: lavar (10 a 20ml
de água pela seringa sob pressão) logo após a administração da medicação, a fim de evitar obstrução da
mesma.

Importante: na ausência do copo graduado ou seringa utilizar as medidas abaixo como referência de
administração medicamentosa líquida.

Colher de café = 2,5ml


Colher de chá = 5ml
Colher de sobremesa = 10ml
Colher de sopa = 15ml

Via Retal
As formulações destinadas para uso retal podem ser sólidas ou líquidas.
Formulações sólidas: denominada supositório – possuem formato e consistência que facilita sua
aplicação, não devendo ser partido. Dissolve-se em contato com a temperatura corporal e é indicado
principalmente para a estimulação da peristalse para facilitar a defecação. Quando efetivo, os resultados
manifestam-se dentro de 15 a 30 minutos, mas podem tardar até uma hora.
Formulação líquida: pode ser em grande quantidade, denominada lavagem intestinal (de 1000 a
2000ml) ou em pequena quantidade, chamada de clister (150 a 500ml). Geralmente são usadas na
lavagem intestinal para a remoção das fezes em caso de “fecaloma” (fezes endurecidas), preparo para
procedimentos cirúrgicos ou exames (ex.: colonoscopia);

Material:
- 01 Frasco de Clister ou Fleet Enema (conforme prescrição médica);
- Papel higiênico;
- 01 comadre;

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- 01 par de luvas de procedimento;
- 01 sonda retal.

Procedimento:
- Explicar ao paciente o procedimento;
- Preparar o material;
- Mornar quando for solução glicerinada ou soro fisiológico;
- Lavar as mãos, calçar luvas de procedimentos;
- Colocar biombo, para não expor o paciente;
- Colocar o paciente em posição de Sims, (decúbito lateral esquerdo e perna direita fletida);
- Afastar a prega interglútea e instilar o líquido;
- Introduzir a sonda retal lubrificada (ex.: xilocaína gel ou óleo mineral) no ânus do paciente;
- Colocar o paciente na comadre, deixando o papel higiênico à mão, nos casos de pacientes
dependentes ou encaminhá-lo ao banheiro;
- Fazer a higiene íntima;
- Retirar o material usado;
- Limpar e organizar o material;
- Retirar as luvas de procedimentos;
- Lavar as mãos;
- Fazer anotação de enfermagem no prontuário;
Observação: No caso de irrigação gota a gota acrescentar um equipo ao material, procedendo a
mesma forma de instalação, deixando o sistema instalado até o final da solução.

Via Parenteral
Preparo da Medicação:
- Observar o prazo de validade, o aspecto da solução, bem como a integridade do frasco;
- Certificar que todo o medicamento está contido no corpo da ampola, pois o estreitamento do gargalo
faz com que uma parte do medicamento muitas vezes, fique na sua parte superior;
- O mesmo cuidado deve ser observado com o pó liofilizado no frasco da ampola;
- Lavar as mãos com água e sabão;
- Observar a integridade dos invólucros que protegem a seringa e a agulha;
- Monte a seringa com a agulha respeitando a técnica asséptica;
- Desinfetar toda a ampola com algodão embebido em álcool a 70% destacando o gargalo, no caso do
frasco ampola, levantar a tampa metálica e desinfetar a borracha;
- Proteger o gargalo da ampola com algodão na hora de quebrá-lo;
- Aspirar ao diluente (no caso de frasco ampola) introduzi-lo dentro do frasco e deixe que a força da
pressão interna do frasco, desloque o ar para o interior da seringa;
- Homogeneizar o diluente com o pó liofilizado sem sacudir;
- Introduzir o ar da seringa para o interior do frasco. Este procedimento visa aumentar a pressão dentro
do frasco, facilitando a retirada do medicamento, visto que os líquidos movem-se de uma área de maior
pressão para a de menor pressão;
- Manter o frasco invertido para baixo, enquanto aspira ao medicamento;
- Proteger a agulha com o protetor e o êmbolo da seringa com o próprio invólucro;
- Identificar o material com fita adesiva com o nome do paciente, número do leito, medicamento,
horário, dose e via de administração;

Via Intradérmica
É a introdução do medicamento na derme. É raramente usada para tratamento, porém incide na
disseminação de vacinas. Volumes máximos administrados – 0,5 ml.
Locais de aplicação: Face interna ou ventral do antebraço; Região escapular (parte superior das
costas); Parte inferior do deltoide direito (exclusivamente para a vacina BCG).

Material:
- 01 bandeja;
- 01 seringa de 3ml ou 5ml;
- 01 agulha para injeção 03X07;
- 01 bola de algodão;
- 05ml de álcool;
- Luvas de procedimentos;

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- Medicamento prescrito.

Procedimento:
- Lavar as mãos;
- Preparar a medicação fazendo a desinfecção da ampola e após a aspiração do medicamento, trocar
a agulha;
- Orientar o paciente quanto ao procedimento;
- Calçar luvas de procedimentos;
- Posicionar a agulha em ângulo de 15º em relação à superfície da pele;
- Introduzir a agulha com o bisel para cima para formar uma pápula;
- Checar na prescrição médica;

Observação: não fazer a antissepsia da região, o que causaria o desenvolvimento de reações falso-
positivas em testes de hipersensibilidade e a redução da atividade das vacinas administradas.

Via Subcutânea
É a introdução do medicamento na região subcutânea. Utilizada para drogas que não necessitem de
absorção imediata e sim quando se deseja uma absorção continua. Podem ocorrer lesões inflamatórias
locais, sendo de grande importância o rodízio da aplicação como um método profilático. Volume máximo
administrável – 2 ml.

Locais de aplicação: Parte superior externa dos braços; Face lateral externa e frontal das coxas;
Regiões glúteas, direita e esquerda; Região abdominal – hipocôndrios direito e esquerdo, exceto a região
periumbilical; Regiões supraescapular e infraescapular; Faces externas, anterior e posterior dos braços;
Região intermediária lateral das costas (próxima ao quadril direito e esquerdo).

Material:
- 01 bandeja;
- 01 seringa de 1ml;
- 01 agulha 13X25;
- Luvas de procedimentos;
- 02 Bolas de algodão;
- 05ml do álcool a 70%;
- Medicamento prescrito.

Procedimento:
- Lavar as mãos;
- Preparar a medicação fazendo a desinfecção da ampola e, após a aspiração do medicamento, trocar
a agulha;
- Orientar o paciente quanto ao procedimento;
- Calçar luvas de procedimentos;
- Fazer antissepsia da pele de cima para baixo;
- Posicionar a agulha em ângulo de 90º em relação à superfície da pele;
- Introduzir a agulha com bisel para baixo;
- Não friccionar o local após a aplicação;
- Retirar luvas e lavar mãos;
- Checar na prescrição medica.

Via Intramuscular
É aplicada no tecido muscular através da pele, tendo a desvantagem de ser dolorosa pela introdução
da agulha e absorção do medicamento. Sua ação sistêmica é relativamente rápida. O desconforto da
aplicação desse medicamento pode ser minimizado com os seguintes cuidados:
- Manter a técnica asséptica durante todo o procedimento;
- Ao escolher o local de aplicação, observe a condição do músculo;
- Assegure a privacidade do paciente, sem expô-lo desnecessariamente;
- Não hesitar em aplicar a injeção;
- Injetar lentamente as soluções;
- Fazer uma pressão no local administrado com a extremidade dos dedos, para auxiliar na absorção
da droga;

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- Checar na prescrição médica.

Volume máximo administrável – 5 ml.


Algumas bibliografias informam volume máximo de 4ml outras 5ml.

Locais para aplicação: Regiões deltoideanas; Região dorsoglútea; Região ventroglútea; Região
anterolateral da coxa (músculo vastolateral).
Quando há́ necessidade de administrar de 3 a 4 mL de medicamento, a região dorsoglútea é a mais
adequada, porém, em razão da presença do nervo isquiático, fundamental para a motricidade dos
membros inferiores, a região de inserção da agulha deve ser bem delimitada. É recomendado dividir a
região dorsoglútea em quatro quadrantes, delimitando o quadrante superior externo com um triângulo ou
subdividindo-a em quadrantes para possibilitar um adequado distanciamento do nervo isquiático.

Recomendações importantes:
- Não administrar medicamentos por via intramuscular na região dorsoglútea em crianças de 0 a 2
anos, adultos excessivamente magros ou com mais de 60 anos;
- Priorizar a região vastolateral da coxa em crianças menores de 1 ano;
- Não administrar diclofenaco de sódio e penicilina benzatina na região deltoide, em qualquer idade.
Nessas medicações só usar agulhas 30x8;
- Rodiziar o local de aplicação.

Material:
- 01 bandeja;
- 01 seringa de 3ml ou 5ml;
- 01 agulha 30X06, 30X07 ou 30X08;
- 02 bolas de algodão;
- 05ml do álcool a 70%;
- Luvas de procedimentos;
- Medicamento prescrito.

Procedimento:
- Lavar as mãos;
- Escolher a seringa de acordo com o volume a ser injetado;
- Preparar a medicação fazendo a desinfecção da ampola e, após a aspiração do medicamento, trocar
a agulha;
- Orientar o paciente quanto ao procedimento;
- Calçar luvas de procedimentos;
- Fazer antissepsia da pele de cima para baixo;
- Posicionar a agulha em ângulo de 90º em relação à superfície da pele;
- Introduzir a agulha com bisel para baixo;
- Aspirar antes de injetar o medicamento, verificando se algum vaso foi atingido;
- Injetar lentamente o líquido;
- Fazer uma leve compressão no local após a administração;
- Retirar luvas e lavar as mãos;
- Checar na prescrição médica;

Via Endovenosa
A via endovenosa é usada quando se deseja uma ação rápida do medicamento ou porque outras vias
não são propícias. Sua administração deve ser feita com muito cuidado, considerando-se que a
medicação entra direto na corrente sanguínea, podendo ocasionar sérias complicações ao paciente, caso
as recomendações preconizadas não sejam observadas. As soluções administradas por essa via
devem ser cristalinas, não oleosas e sem flocos em suspensão.
Alguns acidentes podem acorrer na administração de medicamentos endovenosos:
- Esclerose da veia: aplicação sucessiva no mesmo local;
- Abscessos: administração de medicamentos fora da veia, antissepsia inadequada no local da
punção e material contaminado;
- Hematoma: extravasamento de sangue da veia no espaço intersticial por transfixação da veia;
- Flebite: longa permanência de dispositivos endovenosos ou drogas irritantes;

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153
- Êmbolos: deslocamento de resíduos de medicamentos mal diluídos ou coágulos de sangue podem
agir como êmbolos;
- Infiltração: passagem do líquido para o tecido subcutâneo. Ocorre por deslocamento da agulha ou
pela sua penetração na parede do vaso.
- Choque: quando se aplica determinado medicamento, pode ocorrer o estado de choque,
vasodilatação geral, palidez, vertigem, agitação, cianose, ansiedade, tremores. Pode se tratar do choque
pirogênico que ocorre quando existe pirogênio no medicamento, ou seja, substância produzida por
bactéria, produzindo reações como febre e alergias; choque anafilático devido à hipersensibilidade do
paciente ao medicamento.

Locais de aplicação:
- Região cefálica (crianças);
- Região temporossuperficial e regiões epicranianas;
-Região dos membros superiores: braço (cefálica e basílica), antebraço (intermediária cefálica,
intermediária basílica, mediana e radial);
- Ulnar;
- Mão: rede do dorso da mão;.
- Região dos membros inferiores: perna (face posterior do joelho), safena magna e tibial anterior; pé
(rede do dorso do pé). Nesta região somente em casos extremos.

Observação: observar orientações adicionais na Rotina de Prevenção de Infecção de Corrente


Sanguínea da CCIH.

Material:
- Mesmo da injeção intramuscular;
- Acrescentando em caso de grande volume de medicação:
- 01 bandeja;
- 01 Equipo;
- 01 cateter intravenoso (abocath ou jelco);
- 01 pacote de gaze;
- 30 cm de esparadrapo ou micropore;
- Medicamento;
- Luvas de Procedimentos.

Procedimento:
- Lavar as mãos;
- Preparar a medicação fazendo a desinfecção da ampola e, após a aspiração do medicamento, trocar
a agulha;
- Posicionar o paciente deitado ou sentado;
- Orientar o paciente quanto ao procedimento;
- Calçar luvas de procedimentos;
- Inspecionar as condições da veia e selecionar a mais apropriada;
- Garrotear o braço aproximadamente 10 cm acima da veia escolhida. Para facilitar a visualização da
veia na mão e braço, convém o paciente cerrar o punho durante a inspeção e a punção venosa;
- Fazer antissepsia da pele de cima para baixo;
- Fixar a veia e fazer a punção;
- Inserir o cateter ou agulha em um ângulo de 15º a 30º graus mantendo a pele esticada com o bisel
voltado para cima, facilitando a introdução;
- Retirar o garrote;
- Administrar lentamente o medicamento, evitando assim reações adversas, já que muitos
medicamentos podem produzir efeitos indesejáveis de imediato. Nesses casos, interrompa a aplicação e
comunique o fato o(a) enfermeiro(a) ou médico;
- Retirar o cateter ou agulha e comprimir o local;
- Retirar luvas e lavar as mãos;
- Checar na prescrição médica.

Recomendações importantes:
- Seguir Rotina de Controle de Infecção para acesso vascular para a manutenção da punção;
- Evitar punção venosa de membros inferiores em pacientes adultos;

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- O local escolhido deve ser seguro, de fácil acesso, confortável ao paciente;
- O seguimento escolhido deve ser mais longo que a agulha;
- Evitar “tapinha” sobre o local a ser puncionado, pois permitem o rompimento da veia no momento da
punção;
- Não puncionar membros com fístula arteriovenosa para hemodiálise, paresia, paralisia ou membro
do mesmo lado em que foi feita uma mastectomia.

Venóclise
Administração endovenosa de regular quantidade de líquido através de gotejamento controlado, para
ser infundido num período de tempo pré-determinado. É indicada principalmente para repor perdas de
líquidos do organismo e administrar medicamentos. As soluções mais utilizadas são a glicosada 5%,
fisiológica 0,9% e ringer simples.

Recomendações importantes:
- Atentar para a identificação, registrando no rótulo: o nome do paciente, a solução a ser injetada, os
medicamentos e seus complementos do soro, caso houver, tempo em que a solução deverá ser infundida,
número de gotas por minuto, início e término, data e assinatura;
- Estabelecer a punção venosa em local longe de articulações e de fácil acesso, para facilitar
manutenção da via e oferecer conforto ao paciente;
- Não puncionar veias esclerosadas (são veias com paredes espessas e endurecidas), devido a
deficiência circulatória;
- Realizar a punção com técnica asséptica, mantendo todo o conjunto de punção limpo, inclusive sua
fixação, prevenindo infecção;
- Manter as conexões do sistema bem adaptadas evitando extravasamento de solução, contaminação,
refluxo sanguíneo e entrada de ar;
- Manter a observação constante no local, a fim de detectar precocemente a infiltração nos tecidos
adjacentes;
- Retirar o dispositivo da punção e providenciar outra via de acesso venoso, na presença de sinais de
flebite (edema e hiperemia local). Comunicar o caso o(a) enfermeiro(a);
- Garantir a infusão do volume e dosagem dentro do tempo estabelecido. Para isto, deve-se controlar
constantemente o gotejamento, que não deve ser alterado em casos de atraso, para evitar a sobrecarga
cardíaca;
- Orientar aos pacientes que deambulam manterem o frasco elevado para promover gotejamento
contínuo, evitando refluxo, coagulação sanguínea e obstrução do cateter;
- Orientar o paciente não abrir ou fechar o gotejamento;
- Registrar no local da punção data, hora e assinatura do profissional responsável;
- Administração de medicações de horário pela “borrachinha” do equipo: fazer desinfecção do local
antes da introdução da agulha;
- Não injetar medicamentos perfurando o frasco de soro ou deixar agulhar tipo “suspiro” para evitar
contaminação do sistema;
- Evitar excesso de polifix ou tree-wall.

Outras Vias Parenterais


- Epidural;
- Intratecal;
- Intraóssea;
- Intraperitoneal;
- Intrapleural;
- Intra-arterial.

Cálculos para Gotejamento


Ex.: SG 5%, 500ml em 8horas.

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155
Papel do Enfermeiro na Prescrição de Medicamentos na Atenção Primária à Saúde25

● Prescrever apenas medicamentos que estejam previamente definidos por protocolos;


● Avaliar, na consulta de enfermagem, se o paciente entendeu a receita prescrita pelo médico ou pelo
enfermeiro, esclarecendo possíveis dúvidas;
● Reforçar com o paciente, em uma linguagem simples, como tomar, quanto tomar e horários mais
adequados, armazenamento, manuseio e descarte das medicações;
● Sempre que perceber alguma dificuldade por parte do paciente, discutir o caso com os demais
membros da equipe para a adequação do tratamento;
● Utilizar as oportunidades de contato com o paciente para o trabalho de educação em saúde;
● Fomentar grupos de discussão e troca de experiência entre usuários de medicamentos contínuos.

Questões

01. (IF/PA – Técnico em Enfermagem – FUNRIO) O técnico de enfermagem precisa conhecer as


vias de administração de medicamentos para realizar uma técnica segura para evitar a ocorrência de
danos ao paciente. Assinale a opção correta no que se refere a administração de medicamentos.
(A) O volume máximo admitido na via intradérmica é de 0,5ml.
(B) Para administração de drogas por via intramuscular deve-se utilizar a agulha de calibre 13x4,5.
(C) A região vastolateral não é recomendada em adultos por possuir nervos importantes e muitos vasos
sanguíneos.
(D) A região dorsoglútea é escolha para administração de substâncias na via IM em bebês.
(E) Apesar da via subcutânea admitir pequenos volumes, é a via de escolha quando se necessita da
absorção rápida de medicamentos.

02. (UFRJ/RJ – Enfermeiro – UFRJ) O protocolo de segurança na prescrição, no uso e na


administração de medicamentos do Programa Nacional de Segurança do Paciente propõe a
implementação de práticas seguras quanto ao uso de medicamentos nos estabelecimentos de saúde. No
Brasil, muitos estudos demonstram a alta frequência de eventos adversos a medicamentos, sendo os
mais comuns relacionados a intoxicações, interações medicamentosas, falhas terapêuticas e erros de
medicação. A etapa de administração é a última barreira para se evitar um erro de medicação derivado
dos processos de prescrição e dispensação. Assinale a única alternativa que NÃO se refere ao preparo
e à administração segura de medicamentos.
(A) A retirada de estoques de bloqueadores neuromusculares e eletrólitos concentrados das unidades
de internação e a implementação da dupla checagem independente são recomendações para o manejo
seguro de medicamentos potencialmente perigosos.
(B) O enfermeiro deve utilizar, no mínimo, dois identificadores antes da realização do procedimento e
conferir se as informações contidas na pulseira do paciente correspondem à prescrição e à rotulagem do
medicamento.
(C) A administração de medicamento por ordem verbal deve ocorrer em caso de emergência; nesse
caso, utiliza-se o método de dupla checagem independente para administração e registra-se por escrito
a ordem verbal.
(D) As sobras de medicamentos não administrados devem ser mantidas na enfermaria para a
reposição do estoque de medicamentos e a utilização imediata nos casos de emergência, garantindo a
administração no horário correto.
(E) O enfermeiro deve informar ao paciente e à família sobre eventuais incidentes relacionados à
terapia medicamentosa, registrando-os em prontuário e notificando o ocorrido à gerência de riscos ou ao
núcleo de segurança do paciente.

03. (UFAL – Auxiliar de Enfermagem – UFAL) A administração de medicamentos é uma das


atribuições mais comuns de competência da equipe de enfermagem que requer conhecimento técnico e
científico. São consideradas vias de administração parenteral:
(A) retal, inalatória e tópica.
(B) intranasal, ocular e sublingual.
(C) oral, intradérmica e subcutânea.
(D) oral, intramuscular e intravenosa.
(E) intramuscular, intradérmica e endovenosa.

25
GUSSO, G.; LOPES, J. M. C.; DIAS, L. C. Tratado de Medicina de Família e Comunidade. Artmed, 2019.

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156
04. (UFMT – Técnico em Enfermagem – UFMT) Cada via de administração parenteral de
medicamentos se relaciona a um tipo de tecido no qual o medicamento será aplicado. Sobre as vias de
administração, é correto afirmar:
(A) A via subcutânea é ricamente suprida com sangue, sendo de absorção rápida.
(B) A via intramuscular fornece uma absorção mais rápida do medicamento que a subcutânea.
(C) Os locais de aplicação via intramuscular são as regiões vastolateral, ventroglútea, dorsoglútea e
escapular.
(D) A intradérmica é utilizada para testes cutâneos pela característica de a absorção ocorrer de forma
rápida.

05. (IF/PE – Técnico em Enfermagem – IF PE) Quanto às vias injetáveis de administração de


medicação, é CORRETO afirmar que
(A) a região abdominal é contraindicada para administração de medicação por via subcutânea.
(B) a via subcutânea é de absorção lenta, sendo utilizada para testes de sensibilidade e vacina.
(C) são locais para administrar por via intramuscular: vasto lateral da coxa, músculo glúteo e face
interna do antebraço.
(D) a veia basílica é indicada para punção venosa de longa duração e soluções oleosas.
(E) a aplicação intramuscular glútea é feita sempre no quadrante superior externo do glúteo.

06. (IF/BA – Técnico em Enfermagem – FUNRIO) Para administrarmos 1.000 ml de solução


fisiológica 0,9% em 12h, deve-se ajustar o gotejamento para quantas gotas por minuto?
(A) 7
(B) 14
(C) 28
(D) 16
(E) 21

Gabarito

01.A / 02.D / 03.E / 04.B / 05.E / 06.C

Comentários

01. Resposta: A
Via Intradérmica: é a introdução do medicamento na derme. É raramente usada para tratamento,
porém incide na disseminação de vacinas. Volumes máximos administrados – 0,5 ml.

02. Resposta: D
Faz parte das recomendações na segurança da administração de medicamentos devolver no final do
plantão os medicamentos não utilizados e em hipótese alguma acumular “sobras”;

03. Alternativa: E
Os medicamentos em via Parenterais são aqueles que o fármaco não passa pelo trato gastrointestinal.

04. Resposta: B
A via intramuscular possui ação sistêmica relativamente rápida já a via subcutânea é utilizada para
drogas que não necessitem de absorção imediata e sim quando se deseja uma absorção continua, por
isso a comparação está correta.

05. Resposta: E
Na via intramuscular quando há necessidade de administrar de 3 a 4 mL de medicamento, a região
dorsoglútea é a mais adequada, porém, em razão da presença do nervo isquiático, fundamental para a
motricidade dos membros inferiores, a região de inserção da agulha deve ser bem delimitada. É
recomendado dividir a região dorsoglútea em quatro quadrantes, delimitando o quadrante superior
externo com um triângulo ou subdividindo-a em quadrantes para possibilitar um adequado distanciamento
do nervo isquiático.

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06. Resposta: C
Volume: 1.000
Tempo: 12 horas
1.000 = 1.000 = 27,77
12 x3 36

6.3. Coleta de materiais para exames

COLETA DE MATERIAIS PARA EXAME DE LABORATÓRIO

Amostras Biológicas

São consideradas amostras biológicas de material humano para exames laboratoriais: sangue urina,
fezes, suor, lágrima, linfa (lóbulo do pavilhão auricular, muco nasal e lesão cutânea), escarro, esperma,
secreção vaginal, raspado de lesão epidérmico (esfregaço) mucoso oral, raspado de orofaringe, secreção
de mucosa nasal (esfregaço), conjuntiva tarsal superior (esfregaço), secreção mamilar (esfregaço),
secreção uretral (esfregaço), swab anal, raspados de bubão inguinal e anal/perianal, coleta por
escarificação de lesão seca/swab em lesão úmida e de pelos e de qualquer outro material humano
necessário para exame diagnóstico.
Atualmente a maioria dos procedimentos de coleta são realizados nas próprias Unidades Assistenciais
de Saúde da Rede Pública Municipal.

Laboratórios de Análises

São estabelecimentos destinados à coleta e ao processamento de material humano visando a


realização de exames e testes laboratoriais, que podem funcionar em sedes próprias independentes ou,
ainda, no interior ou anexadas a estabelecimentos assistenciais de saúde, cujos ambientes e áreas
específicas obrigatoriamente devem constituir conjuntos individualizados do ponto de vista físico e
funcional.

Procedimentos Técnicos Especiais


- A execução de procedimentos de coleta de material humano que exijam a prévia administração, por
via oral, de quaisquer substâncias ou medicamentos, deverá ser supervisionada, "in loco", por
profissionais de nível superior pertencentes aos quadros de recursos humanos dos estabelecimentos;
- Os procedimentos de que trata o item anterior, que sejam de longa duração e que exijam
monitoramento durante os processos de execução, deverão ser supervisionados, "in loco", por
profissionais médicos pertencentes aos quadros de recursos humanos dos estabelecimentos;
- O Setor de Coleta deverá ter acesso aos equipamentos de emergência visando propiciar o
atendimento de eventuais intercorrências clínicas;
- O emprego de técnicas de sondagem é permitido, mediante indicação médica, e somente para casos
em que seja realmente necessária, a adoção de tal conduta para viabilizar a coleta de amostras de
material dos usuários.

Coleta nas Unidades de Saúde: os procedimentos de coleta dos exames laboratoriais nos
ambulatórios são executados por profissionais médicos, assim como por profissionais de saúde
componentes de equipes multiprofissionais, com finalidades de investigação clínica e epidemiológica, de
diagnose ou apoio diagnóstico, de avaliação pré-operatória, terapêutica e de acompanhamento clínico.

Recursos Humanos:
O Setor de Coleta obrigatoriamente contará com pelo menos 01 (um) dos seguintes profissionais de
nível universitário: médico, enfermeiro, farmacêutico, biomédico ou biólogo que tenha capacitação para
execução das atividades de coleta. Os profissionais de nível universitário do Posto de Coleta deverão
estar presentes, diariamente, no interior de suas dependências durante o período de funcionamento da
coleta destes estabelecimentos.

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Os procedimentos de coleta de material humano poderão ser executados pelos seguintes profissionais
legalmente habilitados:
- De nível universitário: médicos, enfermeiros, farmacêuticos, biomédicos, biólogos e químicos que
no curso de graduação, e/ou em caráter extracurricular, frequentaram disciplinas que lhes conferiram
capacitação para execução das atividades de coleta;
- De nível técnico: técnicos de enfermagem, assim como técnicos de laboratório, técnicos em
patologia clínica e demais profissional legalmente habilitados que concluíram curso em nível de ensino
médio que no curso de graduação, e /ou em caráter extracurricular frequentaram disciplinas que lhes
conferiram capacitação para execução das atividades de coleta;
- De nível intermediário: auxiliares de enfermagem, assim como profissionais legalmente habilitados
que concluíram curso em nível de ensino de fundamental que no curso de graduação, e /ou em caráter
extracurricular, frequentaram disciplinas que lhes conferiram capacitação para a execução das atividades
de coleta.

Espaço Físico
Sala para coleta de material biológico: de uma forma geral, os estabelecimentos que são dotados
de um único ambiente de coleta deverão contar com sala específica e exclusiva no horário de coleta para
esta finalidade, com dimensão mínima de 3,6 metros quadrados, ter pia para lavagem das mãos, mesa,
bancada, etc. para apoiar o material para coleta e o material coletado. O ambiente deve ter janelas, ser
arejado, com local para deitar ou sentar o usuário, as superfícies devem ser laváveis.

De acordo com a RDC 50/2002 ANVISA/MS, as dimensões físicas e capacidade instalada são as
seguintes:
- Box de coleta = 1,5 metros. Caso haja apenas um ambiente de coleta, este deve ser do tipo sala,
com 3,6 metros quadrados;
- Um dos boxes deve ser destinado à maca e com dimensões para tal;
- Os estabelecimentos que contarem com 02 (dois) Boxes de Coleta, obrigatoriamente, possuirão no
mínimo, 01 (um) lavatório localizado o mais próximo possível dos ambientes de coleta;
- Área para registro dos usuários;
- Sanitários para usuários;
- Número necessário de braçadeiras para realização de coletas = 1 para 15 coletas/hora;
- Para revestir as paredes e pisos do box de coleta e técnica em geral, deve-se utilizar material de fácil
lavagem, manutenção e sem frestas;
- Insumos para coleta deverão estar disponibilizados em quantidade suficiente e de forma organizada.

Biossegurança: entende-se como incorporação do princípio da biossegurança, a adoção de um


conjunto de medidas voltadas para a prevenção, minimização ou eliminação de riscos inerentes às
atividades de prestação de serviços, produção, ensino, pesquisa e desenvolvimento tecnológico, que
possam comprometer a saúde do homem, o meio ambiente e, ainda, a qualidade dos trabalhos
desenvolvidos.
Os Equipamentos de Proteção Individual - EPI e Equipamento de Proteção Coletiva – EPC, destinam-
se a proteger os profissionais durante o exercício das suas atividades, minimizando o risco de contato
com sangue e fluidos corpóreos.
São EPI: óculos, gorros, máscaras, luvas, aventais impermeáveis e sapatos fechados.
São EPC: caixas para material perfuro cortante, placas ilustrativas, fitas antiderrapante, etc..
Os técnicos dos postos de coleta devem usar avental, luvas e outros EPI que devem ser removidos e
quando passiveis de esterilização, guardados em local apropriado antes de deixar a área de trabalho.
Deve-se usar luvas de procedimentos, adequadas ao trabalho em todas as atividades que possam
resultar em contato acidental direto com sangue e materiais biológicos. Depois de usadas as luvas devem
ser descartadas.

Atenção:
- Observar a integridade do material; quando alterada solicitar substituição;
- Manter cabelos presos e unhas curtas;
- Não usar adornos (pulseiras, anel, relógio, etc...);
- Observar a obrigatoriedade da lavagem das mãos.

Quando houver um acidente com material biológico envolvendo face, olhos e mucosas deve-se lavar
imediatamente todas as partes atingidas com água corrente.

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Fases que Envolvem a Realização dos Exames

Unidades de saúde
Fase pré-analítica do exame na unidade de saúde:
- Requisição do exame;
- Orientação e preparo para a coleta;
- Coleta;
- Identificação (Solicitar que o usuário realize a conferência dos seus dados): nome, idade, sexo);
- Preparação da amostra;
- Acondicionamento;
- Transporte.

Laboratório
Fase pré-analítica do exame no laboratório:
- Recepção;
- Triagem;
- Preparação da Amostra.

Fase analítica do exame no laboratório:


- Análise da Amostra.

Fase pós-analítica do exame no laboratório:


- Conferência;
- Emissão e Remessa de Laudo.

Unidades de Saúde
Fase pós-analítica do exame na unidade de saúde:
- Recepção dos Resultados;
- Conferência;
- Arquivamento dos Laudos.

Orientações ao Usuário Quanto ao Preparo e Realização do Exame: é importante esclarecer com


instruções simples e definidas, as recomendações gerais para o preparo dos usuários para a coleta de
exames laboratoriais, a fim de evitar o mascaramento de resultados laboratoriais.

Importante informar e fornecer:


- Dias e horário de coleta da unidade;
- Preparos necessários quanto à necessidade ou não de: jejum, dieta, abstinência sexual, atividade
física, medicamentos;
- Em casos de material colhido no domicilio a unidade deverá fornecer os frascos com identificação do
material a ser colhido;
- Certificar-se de que o usuário entendeu a orientação e anexá-la ao pedido de exame.

Fatores que Podem Influenciar nos Resultados

Jejum
- Para a maioria dos exames um determinado tempo de jejum é necessário e pode variar de acordo
com o exame solicitado devendo - consultar o quadro: “Exames de sangue solicitados nas unidades de
saúde sms”;
- Vale lembrar também, que o jejum prolongado (mais que 12 horas para o adulto), pode levar às
alterações nos exames, além de ser prejudicial à saúde. Água pode ser tomada com moderação. O
excesso interfere nos exames de urina.

Dieta: alguns exames requerem a uma dieta especial antes da coleta de amostra (ex.: pesquisa de
sangue oculto), caso contrário os hábitos alimentares devem ser mantidos para que os resultados possam
refletir o estado do paciente no dia-a-dia.

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Atividades Físicas: não se deve praticar exercícios antes dos exames, exceto quando prescrito. Eles
alteram os resultados de muitas provas laboratoriais, principalmente provas enzimáticas e bioquímicas.
Por isso, recomenda-se repouso e o paciente deve ficar 15 minutos descansando antes da coleta.

Medicamentos: a Associação Americana de Química Clínica, além de alguns outros pesquisadores


brasileiros, mantém publicações completas em relação às interferências de medicamentos sobre os
exames. Por outro lado, alguns pacientes, não podem suspender as medicações devido a patologias
específicas.
O médico deverá orientar sobre a possibilidade, ou não, de suspensão temporária do medicamento. O
usuário nunca poderá interromper voluntariamente o uso de medicamentos. Informar sempre na
solicitação do exame ao laboratório todos os medicamentos que o usuário fez uso nos 10 dias que
antecederam a coleta.

Fumo: orientar o usuário a não fumar no dia da coleta. O tabagismo crônico altera vários exames
como: leucócitos no sangue, lipoproteínas, atividades de várias enzimas, hormônios, vitaminas,
marcadores tumorais e metais pesados.

Bebida Alcoólica: recomenda-se não ingerir bebidas alcoólicas durante pelo menos 3 (três) dias antes
dos exames. O álcool, entre outras alterações, afeta os teores de enzimas hepáticas, testes de
coagulação, lipídios e outros.

Data da menstruação ou tempo de gestação: devem ser informados na solicitação de exames ao


laboratório, pois, dependendo da fase do ciclo menstrual ou da gestação ocorrem variações fisiológicas
que alteram a concentração de várias substâncias no organismo, como os hormônios e algumas proteínas
séricas. Para a coleta de urina o ideal é realizá-la fora do período menstrual, mas se for urgente, a urina
poderá ser colhida, adotando-se dois cuidados: assepsia na hora do exame e o uso de tampão vaginal
para o sangue menstrual não se misturar à urina.

Relações Sexuais: para alguns exames como, por exemplo, espermograma e PSA, há necessidade
de determinados dias de abstinência sexual. Para outros exames, até mesmo urina, recomenda-se 24
horas de abstinência sexual.

Ansiedade e Stress: o paciente deverá relaxar antes da realização do exame. O stress afeta não só
a secreção de hormônio adrenal como de outros componentes do nosso organismo. A ansiedade conduz
à distúrbios no equilíbrio acidobásico, aumenta o lactato sérico e os ácidos gordurosos plasmáticos livres,
entre outras substâncias.

Observações Importantes:
- Quando possível as amostras devem ser coletadas entre 7 e 9 horas da manhã, pois a concentração
plasmática de várias substâncias tendem a flutuar no decorrer do dia. Por esta razão, os valores de
intervalos de referência, são normalmente obtidos entre estes horários. O ritmo biológico também pode
ser influenciado pelo ritmo individual, no que diz respeito à alimentação, exercícios e horas de sono;
- No monitoramento dos medicamentos considerar o pico antes a administração do medicamento e o
estágio da fase constante depois da próxima dose;
- Sempre anotar da coleta no pedido o exato momento.

Nota: a coleta da amostra feita no momento errado é pior do que a não coleta!

Rotina do Setor de Coleta de Exames Laboratoriais

É importante a padronização de uma rotina para a coleta dos exames laboratoriais, devendo todos os
profissionais envolvidos no processo estar cientes da rotina estabelecida. Basicamente os funcionários
da coleta devem estar orientados para:
- Atender os usuários com cortesia;
- Manter o box de atendimento dos pacientes sempre em ordem;
- Manter todos os materiais necessários para o atendimento de forma organizada;
- Trajar-se convenientemente (sem adornos pendurados e usar sapato), atendendo às normas de
biossegurança;
- Usar luvas e avental durante todo o processo de coleta.

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Requisição de Exame

Existem impressos próprios (anexá-los) que são definidos conforme o tipo de exame solicitado. O
impresso deverá estar totalmente preenchido com letra legível:
- Nome da unidade solicitante;
- Nome do usuário;
- Nº prontuário;
- Idade: muitos valores de referência variam conforme a idade;
- Sexo: muitos valores de referência variam conforme o sexo;
- Indicação clínica;
- Medicamentos em uso;
- Data da última menstruação (DUM), quando for o caso;
- Assinatura e carimbo do solicitante;
- Nome do responsável pela coleta;

A informação é fundamental para garantir a qualidade do resultado laboratorial. Devem ser utilizadas
para fins de análise de consistência do resultado laboratorial, e, portanto, necessitam ser repassadas aos
responsáveis pelas fases analítica e pós-analítica.

Procedimento de Coleta

- Conferir o nome do usuário com a requisição do exame;


- Indagar sobre o preparo seguido pelo usuário (jejum, dieta e medicação);
- Separar o material para a coleta conforme solicitação, quanto ao tipo de tubo e volume necessário;
- Os insumos para coleta deverão estar disponibilizados de forma organizada, em cada Box, no
momento da coleta;
- Preencher as etiquetas de identificação do material com nome, nº do registro. Com os tubos todos
identificados, proceder à coleta propriamente dita (os tubos com aditivos tipo gel ou anticoagulantes,
devem ser homogeneizados por inversão de 5 a 8 vezes). Sempre verificar a recomendação do fabricante
dos tubos;
- Profissional responsável pela coleta deve assinar o pedido e colocar a data da coleta.

Conferência das amostras colhidas: reservar os 15 minutos finais do período da coleta para verificar
se as amostras estão bem tampadas e estão corretamente identificadas. Conferir os pedidos com os
frascos. Realizar este procedimento sempre paramentado.

Preencher a folha de controle (ou planilha de encaminhamento) em duas vias: relacionar na


planilha os nomes de todos os usuários atendidos, o nº do registro e os exames solicitados. Não esquecer
de preencher a data da coleta e o nome da unidade. Uma via é encaminhada ao laboratório
acompanhando o material, os pedidos e a outra via fica na unidade para controle do retorno dos resultados
e relatório estatístico.

Acondicionamento do Material nas Caixas de Transporte


- A unidade deverá manter, no mínimo 2 jogos de caixas para transporte para facilitar a higienização e
trocas;
- Um jogo de caixa de transporte = 1 cx. para transportar sangue e 1 cx. para transportar
fezes/urina/escarro;
- Colocar os tubos nas grades seguindo a ordem de coleta e organizar as requisições também seguindo
o mesmo critério, para facilitar a conferência;
- Verificar se os frascos de urina, fezes e escarro estão com a tampa de rosca bem fechada;
- Colocar o sangue em caixas de transporte separadas, dos potes de urina/fezes/escarro;
- Certificar-se de que o material não tombará durante o transporte (colocar calço ou fixar com fita
adesiva);
- Todas as solicitações de exames devem ser devidamente acondicionadas em envelope plástico com
a identificação da unidade e fixadas na parte externa da caixa;
- Realizar os procedimentos acima sempre paramentados.

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Acondicionamento e Transporte de Material Biológico
Garantir o acondicionamento, conservação e transporte do material até a recepção pelo laboratório
executor dos exames. As amostras de sangue deverão ser acondicionadas em recipientes rígidos,
constituídos de materiais apropriados para tal finalidade, dotados de dispositivos pouco flexíveis e
impermeáveis para fechamento sob pressão.
O acondicionamento do material coletado deverá ser tecnicamente apropriado, segundo a natureza de
cada material a ser transportado, de forma a impedir a exposição dos profissionais da saúde, assim como
dos profissionais da frota que transportam o material.

- Estantes e grades são recipientes de suporte utilizados para acondicionar tubos e frascos coletores
contendo amostras biológicas; deverão ser rígidas e resistentes, não quebráveis, que permitam a fixação
em posição vertical, com a extremidade de fechamento (tampa) voltada para cima e que impeçam o
tombamento do material.
- Tubete ou Caixa são recipientes utilizados para acondicionamento de lâminas dotadas internamente
de dispositivo de separação (ranhura) e externamente de dispositivo de fechamento (tampa ou fecho).
- Caixas Térmicas são recipientes de segurança para transporte, destinados à acomodação das
estantes e grades com tubos, frascos e tubetes contendo as amostras biológicas.

Estas caixas térmicas devem obrigatoriamente ser rígidas, resistentes e impermeáveis, revestidas
internamente com material lisos, duráveis, impermeáveis, laváveis e resistentes às soluções desinfetantes
devendo ainda ser, dotadas externamente de dispositivos de fechamento externo.
Como medida de segurança na parte externa das Caixas Térmicas para transporte, deverá ser fixado
o símbolo de material infectante e inscrito, com destaque, o título de identificação: Material Infectante. Na
parte externa da Caixa Térmica, também deverá ser inscrito o desenho de seta indicativa vertical
apontada para cima, de maneira a caracterizar a disposição vertical, com as extremidades de fechamento
voltadas para cima.
Nas inscrições do símbolo de material infectante, do título de identificação e da frase de alerta, deverão
ser empregadas tecnologias ou recursos que possibilitem a higienização da parte externa destes
recipientes e garantam a legibilidade permanente das inscrições. É vedado, em qualquer hipótese,
transportar amostras de material humano, bem como recipientes contendo resíduos infectantes, no
compartimento dianteiro dos veículos automotores.

- É importante a perfeita sintonia entre remetente, transportadora e laboratório de destino, a fim de


garantir o transporte seguro do material e chegada do mesmo em tempo hábil e em boas condições;
- Quaisquer acidentes durante o transporte devem ser comunicados ao remetente, a fim de que
providências possam ser tomadas, com o objetivo de propiciar medidas de segurança aos diferentes
contactuantes. Nunca afixar qualquer guia ou formulário ao material biológico;
- Também não poderão ser transportados dentro da caixa térmica, devendo ser colocados em sacos,
pastas ou envelopes e fixados na parte superior externa da caixa;
- Os funcionários da unidade que conferem e acondicionam os materiais, devem verificar se os frascos
coletores, tubos, demais recipientes, estão firmemente fechados.

Laudos Técnicos

Os resultados dos exames e testes realizados, obrigatoriamente, serão emitidos em impressos


próprios para Laudos Técnicos que deverão conter os seguintes registros:
- Identificação clara, precisa e completa dos usuários e estabelecimentos responsáveis pelas análises
clínico-laboratoriais;
- Data da coleta ou do recebimento das amostras, data da emissão dos Laudos Técnicos e o nome
dos profissionais que os assinam e seus respectivos números de inscrições nos Conselhos Regionais de
Exercício Profissional do Estado de São Paulo ou do Estado pertinente;
- Nomes do material biológico analisado, do exame realizado e do método utilizado;
- Valores de referência normais e respectivas unidades.

Intervalo/Valores de Referência
Define 95% dos valores limites obtidos de uma população definida.
- Valores dos resultados dos exames ou testes laboratoriais e respectivas unidades;

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- Deverão ser devidamente assinados pelos seus Responsáveis Técnicos e/ou por profissionais
legalmente habilitados, de nível superior, pertencente aos quadros de recursos humanos destes
estabelecimentos;
- Deverão ser entregues diretamente aos usuários ou seus representantes legais, se for o caso, e,
ainda, indiretamente, através dos profissionais de estabelecimentos de saúde, no caso de Postos de
Coleta. Podem ainda ser entregues: utilizando-se equipamento de fax-modem e meios de comunicação
on line, quando autorizada por escrito pelos próprios usuários e/ou requerida pelos médicos ou cirurgiões-
dentistas solicitantes. No entanto, isto não eximirá os Responsáveis Técnicos pelos estabelecimentos de
garantir a guarda dos Laudos Técnicos originais;
- Os Responsáveis Técnicos pelos Laboratórios Clínicos deverão garantir a privacidade dos cidadãos,
através da implantação de medidas eficazes que confiram caráter confidencial a quaisquer resultados de
exames e testes laboratoriais.

Os Responsáveis Técnicos pelos Laboratórios Clínicos Autônomos e Unidades de Laboratórios


Clínicos que executem exames e testes microbiológicos e sorológicos informarão os resultados de
exames e testes laboratoriais sugestivos de doenças de notificação compulsória e de agravos à saúde,
em conformidade com as orientações específicas das autoridades sanitárias responsáveis pelo Sistema
de Vigilância.

Exames Laboratoriais

Coleta de Sangue em Crianças Maiores e Adultos


Posicionamento do braço: o braço do paciente deve ser posicionado em uma linha reta do ombro ao
punho, de maneira que as veias fiquem mais acessíveis e o paciente o mais confortável possível. O
cotovelo não deve estar dobrado e a palma da mão voltada para cima.

Garroteamento: o garrote é utilizado durante a coleta de sangue para facilitar a localização das veias,
tornando-as proeminentes. O garrote deve ser colocado no braço do paciente próximo ao local da punção
(4 a 5 dedos ou 10cm acima do local de punção), sendo que o fluxo arterial não poderá ser interrompido.
Para tal, basta verificar a pulsação do paciente.
Mesmo garroteado, o pulso deverá continuar palpável. O garrote não deve ser deixado no braço do
paciente por mais de um minuto. Deve-se retirar ou afrouxar o garrote logo após a venopunção, pois o
garroteamento prolongado pode acarretar alterações nas análises (por exemplo: cálcio).

Seleção da região de punção: a regra básica para uma punção bem-sucedida é examinar
cuidadosamente o braço do paciente. As características individuais de cada um poderão ser reconhecidas
através de exame visual e/ou apalpação das veias.
Deve-se sempre que for realizar uma venopunção, escolher as veias do braço para a mão, pois neste
sentido encontram-se as veias de maior calibre e em locais menos sensíveis a dor. As veias são tubos
nos quais o sangue circula, da periferia para o centro do sistema circulatório, que é o coração.
As veias podem ser classificadas em: veias de grande, médio e pequeno calibre, e vênulas.
De acordo com a sua localização, as veias podem ser superficiais ou profundas.
As veias superficiais são subcutâneas e com frequência visível por transparência da pele, sendo mais
calibrosas nos membros. Devido à sua situação subcutânea permitir visualização ou sensação táctil, são
nessas veias que se fazem normalmente à coleta de sangue.

As veias mais usuais para a coleta de sangue são:


- Veia Cefálica;
- Veia mediana cubital;
- Veia mediana cefálica;
- Veia longitudinal (ou antebraquial);
- Veia mediana basílica;
- Veia do dorso da mão;
- Veia marginal da mão;
- Veia basílica.

Escolher uma região de punção envolve algumas considerações:


- Selecionar uma veia que é facilmente palpável;
- Não selecionar um local no braço ao lado de uma mastectomia;

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- Não selecionar um local no braço onde o paciente foi submetido a uma infusão intravenosa;
- Não selecionar um local com hematoma, edema ou contusão;
- Não selecionar um local com múltiplas punções.

Tente isto, se tiver dificuldade em localizar uma veia:


- Recomenda-se utilizar uma bolsa de água quente por mais ou menos cinco minutos sobre o local da
punção e em seguida garrotear;
- Nos casos mais complicados, colocar o paciente deitado com o braço acomodado ao lado do corpo
e garrotear com o esfigmomanômetro (em P.A. média) por um minuto;
- Nunca aplicar tapinhas no local a ser puncionado, principalmente em idosos, pois se forem portadores
de ateroma poderá haver deslocamentos das placas acarretando sérias consequências.

Técnica para Coleta de Sangue a Vácuo

Antes de iniciar uma venopunção, certificar-se de que o material abaixo será de fácil acesso:
- Tubos necessários à coleta;
- Etiqueta para identificação do paciente;
- Luvas;
- Swabs ou mecha de algodão embebida em álcool etílico a 70%;
- Gaze seca e estéril;
- Agulhas múltiplas;
- Adaptador para coleta a vácuo;
- Garrote;
- Bandagem, esparadrapo;
- Descartador de agulhas.

Após o material estar preparado, iniciar a venopunção:


- Verificar quais os exames a serem realizados;
- Lavar e secar as mãos;
- Calçar luvas;
- Fazer antissepsia do local da punção com movimento circular do centro para fora;
- Nunca toque o local da punção após antissepsia, exceto com luvas estéreis;
- Conectá-la ao adaptador. Estar certo de que a agulha esteja firme para assegurar que não solte
durante o uso. Remover a capa superior da agulha múltipla, mantendo o bisel voltado para cima;
- Colocar o garrote;
- O sistema agulha-adaptador deve ser apoiado na palma da mão e seguro firmemente entre o
indicador e o polegar;
- No ato da punção, com o indicador ou polegar de uma das mãos esticar a pele do paciente firmando
a veia escolhida e com o sistema agulha-adaptador na outra mão, puncionar a veia com precisão e rapidez
(movimento único);
- O sistema agulha-adaptador deve estar em um ângulo de coleta de 15º em relação ao braço do
paciente;
- Segurando firmemente o sistema agulha adaptador com uma das mãos, com a outra pegar o tubo de
coleta a ser utilizado e conectá-lo ao adaptador. Sempre que possível, a mão que estiver puncionando
deverá controlar o sistema, pois durante a coleta, a mudança de mão poderá provocar alteração indevida
na posição da agulha;
- Com o tubo de coleta dentro do adaptador, pressione-o com o polegar, até que a tampa tenha sido
penetrada. Sempre manter o tubo pressionado pelo polegar assegurando um ótimo preenchimento;
- Tão logo o sangue flua para dentro do tubo coletor, o garrote deve ser retirado. Porém, se a veia for
muito fina o garrote poderá ser mantido;
- Quando o tubo estiver cheio e o fluxo sanguíneo cessar, remova-o do adaptador trocando-o pelo
seguinte;
- Acoplar o tubo subsequente em ordem específica a cada um dos exames solicitados, sempre
seguindo a sequência correta de coleta;
- À medida que forem preenchidos os tubos, homogeneizá-los gentilmente por inversão (5 a 8 vezes);

Nota: agitar vigorosamente pode causar espuma ou hemólise; não homogeneizar ou homogeneizar
insuficientemente os tubos de Sorologia pode resultar em uma demora na coagulação; Nos tubos com

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anticoagulante, homogeneização inadequada pode resultar em agregação plaquetária e/ou micro
coágulos.

- Tão logo termine a coleta do último tubo retirar à agulha;


- Com uma mecha de algodão exercer pressão sobre o local da punção, sem dobrar o braço, até parar
de sangrar;
- Uma vez estancado o sangramento aplicar uma bandagem;
- A agulha deve ser descartada em recipiente próprio para materiais infecto contaminantes.

Coleta de Sangue Infantil

Sala de espera: a sala de espera é um local próprio para que o paciente repouse, mantendo sua
fisiologia estável, enquanto aguarda ser chamado para o procedimento de coleta. Por essa razão, é
conveniente que a criança tenha um ambiente próprio de espera, ou seja, sala de espera infantil. Um
ambiente agradável com algum tipo de entretenimento (televisão, revistas, brinquedos) pode ser
providenciado, quando possível, de forma que a criança desvie a atenção da situação que a levou até lá.

Coleta em criança
A coleta de sangue em criança e neonato é frequentemente problemática e difícil, para o coletador,
acompanhante e criança.
No momento em que a criança é convocada para o procedimento de coleta, deve-se orientar o
acompanhante das situações que podem ocorrer:
- A criança pode se debater e ter que ser contida;
- A maioria das crianças choram muito;
- Em casos de crianças rebeldes e/ou de veias difíceis, há probabilidade de se ter que fazer mais de
uma punção;
- Probabilidade do retorno para uma segunda coleta por necessidade técnica ou diagnóstica.

A criança deve ser preparada psicologicamente para a coleta, cabendo ao coletador conseguir a
confiança da criança. Isto pode ser obtido observando o comportamento da criança na sala de espera,
verificando se ela traz algum brinquedo ou livro de estórias, e qual o nível de relacionamento com o
acompanhante. Caso a criança traga algum brinquedo, este deve ser mantido com ela sempre que
possível, mas sem que haja comprometimento da coleta. Sempre que possível evitar que a criança assista
à punção.

O posicionamento de coleta para crianças maiores do que um ano dependerá muito do nível de
entendimento que elas possam ter. Como regra básica sugere-se:
- Neonatos e bebês devem ser colocados deitados em maca própria, solicitando a ajuda de outro
profissional para garantir que a coleta aconteça sem dificuldades. Não é aconselhável que o
acompanhante participe da coleta, pois o mesmo está envolvido psicologicamente com a criança. O
auxiliar deve posicionar-se na cabeceira da maca no mesmo lado que o coletador, ficando um de frente
para o outro. Com uma das mãos conter o braço da criança segurando-a próximo ao pulso e com a outro
próximo ao garrote, apoiando o antebraço no peito ou ombro da criança. O coletador de frente para o
auxiliar faz a venopunção seguindo os mesmos passos utilizados para a punção em adultos;
- Crianças maiores, de forma geral, colaboram para que possa fazer uma venopunção sentada.
Existem duas maneiras confortáveis de se posicionar uma criança:

Uma delas é colocar a criança de lado, no colo do acompanhante, ficando de lado para o coletador.
Um dos braços da criança ficará abraçando o acompanhante e o outro posicionado para o coletador.
Dessa forma, o acompanhante desviará a atenção da criança para si segurando o rosto da mesma com
uma das mãos.
O auxiliar ficará posicionado ao lado do coletador onde com uma das mãos segurará o braço da criança
próximo ao garrote e com a outra mão próximo ao pulso. O coletador de frente para a criança faz a
venopunção seguindo os mesmos passos utilizados para a punção em adultos;
A outra, é colocar a criança no colo do acompanhante, de frente para ele com as pernas abertas e
entrelaçadas a seu corpo, na altura da cintura. O acompanhante estará abraçado a criança e de costas
ou de lado para o coletador.
O braço da criança ficará estendido na direção do coletador sob o braço do acompanhante. O auxiliar
ficará posicionado ao lado do coletador onde com uma das mãos segurará o braço da criança próximo ao

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garrote e com a outra mão próximo ao pulso. O coletador de frente para a criança faz a venopunção
seguindo os mesmos passos utilizados para a punção em adulto

Cuidados Básicos com o Paciente após a Coleta

- Pacientes idosos ou em uso de anticoagulantes, devem manter pressão sobre o local de punção por
cerca de 3 minutos ou até parar o sangramento;
- Orientar para não carregar peso imediatamente após a coleta;
- Observar se não está usando relógio, pulseira ou mesmo vestimenta que possa estar garroteando o
braço puncionado;
- Orientar para não massagear o local da punção enquanto pressiona o local;
- A compressão do local de punção é de responsabilidade do coletor. Se não puder executá-lo, deverá
estar atento à maneira do paciente fazê-lo.

Dificuldades na Coleta
Algumas dificuldades podem surgir pela inexperiência do uso do sistema a vácuo, sendo a mais
frequente a falta de fluxo sanguíneo para dentro do tubo.

Possíveis causas:
- A punção foi muito profunda e transfixou a veia. Solução: retrair a agulha;
- A agulha se localizou ao lado da veia, sem atingir a luz do vaso. Solução: apalpar a veia, localizar
sua trajetória e corrigir o posicionamento da agulha, aprofundando-a;
- Aderência do bisel na parede interna da veia. Solução: desconectar o tubo, girar suavemente o
adaptador, liberando o bisel e reiniciar a coleta;
- Colabamento da veia. Solução: diminuir a pressão do garrote.

Outras situações podem ser criadas no momento da coleta, dificultando-a:


- Agulha de calibre incompatível com a veia;
- Estase venosa devido a garroteamento prolongado;
- Bisel voltado para baixo.

Microcoleta de Sangue Capilar e Venoso para Neonatos e Bebês

A microcoleta é um processo de escolha para obtenção de sangue venoso ou periférico, especialmente


em pacientes pediátricos, quando o volume a ser coletado é menor que o obtido através de tubos a vácuo
convencionais. O sangue obtido de punção capilar é composto por uma mistura de sangue de arteríola e
vênulas além de fluidos intercelular e intersticial.
O sangue capilar pode ser assim obtido: punção digital - através de perfuração com lanceta na face
palmar interna da falange distal do dedo médio.
Punção de calcanhar - através de perfuração com lanceta na face lateral plantar do calcanhar. Há uma
relação linear entre o volume de sangue coletado e a profundidade da perfuração no local da punção.
Portanto, a lanceta, deverá ser selecionada de acordo com o local a ser puncionado e a quantidade de
sangue necessária.
Em neonatos e bebês, a profundidade da incisão é crítica, não devendo ultrapassar 2.4 mm. Caso
contrário, haverá a possibilidade de causar sérias lesões no osso calcâneo e falange. Isto pode ser evitado
usando lancetas de aproximadamente 2 - 2.25mm. de profundidade, com disparo semiautomático com
dispositivo de segurança;

Utilização do Método Microcoleta


A coleta de sangue em bebês e neonatos é frequentemente problemática e difícil, necessitando um
profissional experiente e capacitado. O sistema de microcoleta facilita muito o trabalho, contribuindo para
que a coleta possa ser mais fácil, segura e eficiente. Dessa forma é possível coletar sangue capilar e
venoso. Desde que o método tradicional para a coleta de sangue a vácuo não seja possível em neonatos
e bebês deve-se recorrer ao sistema de microcoleta.

A microcoleta pode ser realizada de várias formas:


- Amostra capilar com microtubos e funil;
- Amostra capilar com microtubos e tubo capilar;

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- Amostra venosa com escalpe (butterfly);
- Amostra venosa com cânula-Luer.

A Técnica para Microcoleta de Sangue Capilar


Antes de iniciar uma microcoleta, certificar-se de que o material abaixo será de fácil acesso:
- Microtubos necessários à coleta;
- Etiquetas para identificação do paciente;
- Luvas;
- Swabs de algodão embebida em álcool etílico a 70%;
- Gaze seca e estéril;
- Lancetas;
- Bandagem, esparadrapo;
- Descartador de material perfuro cortante.

Antes de iniciar a punção:


- Acoplar o microtubo ao tubo carregador ou de transporte;
- Manter o microtubo conectado ao tubo carregador numa estante de sustentação;
- Introduzir o funil ou tubo capilar através da tampa de borracha.

Após o material estar preparado, iniciar a punção:


- Verificar quais os exames a serem realizados;
- Aquecer a falange distal ou o calcanhar a ser puncionado usando uma bolsa de água-quente ou
friccionando o local da punção para estimular a vascularização;
- Lavar e secar as mãos;
- Calçar luvas;
- Fazer antissepsia do local com algodão embebido em álcool etílico a 70%;
- Secar o local da punção com uma gaze estéril;
- Selecionar a lanceta;
- Segurar firmemente o neonato ou bebê, para evitar movimentos imprevistos.

Punção digital: posicionar o dedo e introduzir a lanceta de forma perpendicular na face lateral interna
da falange.

Punção no calcanhar: posicionar o calcanhar entre o polegar e o indicador e introduzir a lanceta de


forma perpendicular na face lateral interna ou externa do calcanhar, evitando a região central. A punção
deve ser feita perpendicularmente à superfície da pele e não de outra forma, pois poderá causar
inflamações.

- Desprezar a primeira gota, por conter maior quantidade de fluidos celulares do que sangue. Colher a
amostra a partir da segunda gota. Nem sempre os neonatos sangram imediatamente; se a gota de sangue
não fluir livremente, efetuar uma massagem leve para se obter uma gota bem redonda (esta massagem
no local da punção não deve ser firme e nem causar pressão, pois pode ocorrer contaminação);
- As gotas de sangue são captadas pelo funil ou tubo-capilar;
- Quando o microtubo estiver com o seu volume completo, troque-o pelo subsequente, na sequência
correta de coleta. Atenção: ao coletar amostras com capilar, o tubo de EDTA sempre deve ser o primeiro
e em seguida o de sorologia (Esta sequência é oposta ao da coleta tradicional para sangue venoso, mas
minimiza o efeito de influência da coagulação nos resultados de análise);
- Após a coleta do último microtubo, o funil ou tubo-capilar deve ser removido e descartado. Agora o
microtubo pode ser gentilmente homogeneizado. Nota: Agitar vigorosamente pode causar espuma e
hemólise. Nos microtubos com anticoagulante, homogeneização inadequada pode resultar em agregação
plaquetária e/ou micro coágulos;
- Após a coleta, pressionar o local da punção com gaze seca estéril até parar o sangramento;
- Descartar todo o material utilizado na coleta nos descartadores apropriados.

Técnica para Microcoleta de Sangue Venoso


Os locais de punção em bebês e neonatos, geralmente são as veias na cabeça, dorso das mãos e dos
pés, e do braço. A área escolhida para ser puncionada deve ser mantida imobilizada onde a visualização
da veia pode ser melhorada aplicando um garroteamento por poucos segundos e/ou aquecendo ou
friccionando a área.

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- Antes de iniciar a punção: acoplar o microtubo ao tubo carregador ou de transporte. Introduzir o funil
através da tampa de borracha;
- Puncionar a veia utilizando um butterfly ou cânula luer;
- Deixar que o sangue goteje para dentro do microtubo até completar o volume;
- Remova a cânula ou butterfly, retire o funil e descarte todo o material utilizado na coleta no
descartador apropriado;
- Inverter os microtubos de 4-6 vezes, para uma homogeneização perfeita.

Como Coletar Urina (amostra ocasional)

Procedimento Básico:
Utilizar o kit fornecido pelo laboratório gratuitamente com instruções específicas.
- Fazer uma higiene íntima rigorosa em sua casa, usando sabonete e água; enxaguar bem com água
abundante e secar bem com uma toalha limpa;
- Coletar a primeira urina da manhã ou 2 horas após a última micção;
- Desprezar o primeiro jato da urina no vaso sanitário, coletar no copo descartável o jato do meio, mais
ou menos (até a metade do copo) desprezando o restante da micção no vaso sanitário;
- Imediatamente, passar a urina do copo para o tubo, até preencher totalmente, fechar e muito bem e
identificar com seu nome completo e ou etiquetar com etiqueta própria do laboratório.

Cuidados para realizar a coleta de Urina: jejum não é necessário. Retenção Urinária: pode ser a
primeira da manhã ou o tempo mínimo de 2 horas de retenção. Evite a ingestão excessiva de líquidos.
Para crianças muito pequenas: usar coletor infantil fornecido pelo laboratório coleta realizada de acordo
com o laboratório.

Tipos de exames de Urina: exame de Urina tipo I de material enviado (o procedimento básico de
urina deverá ser realizado no laboratório de acordo com a solicitação médica). Realizar o procedimento
básico de coleta em sua própria residência. Encaminhar ao laboratório até 2 horas após a coleta. Exame
de Urina tipo I com assepsia- Cultura de Urina. O procedimento básico de coleta de Urina deverá ser
realizado no laboratório, de acordo com a solicitação médica.

Crianças muito pequenas: a coleta pode ser realizada no laboratório, onde haverá troca de coletores
e assepsia a cada 30 minutos, realizada pela Equipe. Ou pode trazer a Urina colhida em casa, em
coletores fornecidos pelos laboratórios. Mas deve-se fazer uma higiene intima rigorosa na criança, antes
de colocar o coletor.

Como Coletar Fezes

Procedimento básico:
- Utilizar o kit fornecido pelo laboratório com instruções específicas;
- Colher fezes em recipiente limpo de boca larga, tomando cuidado de não contaminar as fezes com a
urina ou água do vaso sanitário. Usando uma pazinha, colher uma porção de fezes do tamanho de uma
noz e colocar no frasco coletor. Se for observado presença de muco ou sangue, colher também está
porção "feia" das fezes, sendo muito importante para análise. Tampar bem o frasco e identificar com seu
nome completo e encaminhar ao laboratório.

Tipos de Exames de Fezes


Exame parasitológico simples: pode ser colhida em qualquer horário do dia. Enviar ao laboratório
em até 2 horas após a coleta, se em temperatura ambiente, caso não seja possível, conservá-la em
geladeira no máximo 14 horas até a entrega ao laboratório.

Exame parasitológico com conservante: paciente irá receber um kit contendo 3 frascos coletores (2
com líquido conservante e 1 sem conservante ou 3 com líquido conservante). Seguir o procedimento
básico de coleta de fezes, porém a coleta deverá ser realizada em dias alternados, pelo menos 1 dia de
intervalo entre as coletas. Coletar uma amostra em cada frasco, fechar e agitar para dissolver as fezes
no líquido. Conservar em geladeira a medida em que forem sendo coletadas. A última amostra deve ser
colocada no frasco sem conservante. Tampar bem, identificar com nome completo e encaminhar ao
laboratório. Encaminhar ao laboratório em até 2 horas após a última coleta, se em temperatura ambiente,
ou no máximo 14 horas se refrigerada.

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Exame parasitológico seriado: você vai receber 3 frascos coletores sem conservante. Seguir o
procedimento básico de coleta de fezes. Colher as fezes em dias alternados. A cada coleta encaminhar
a amostra ao laboratório em até 2 horas em temperatura ambiente ou no máximo 14 horas se refrigerada.

Cultura de Fezes: seguir o procedimento básico de coleta de fezes. Após a coleta, encaminhar ao
laboratório em até 3 horas, se em temperatura ambiente ou em até 6 horas se refrigerada. Caso esteja
usando antibióticos, esperar 7 dias após o término do medicamento para colher as fezes. Caso seja
necessário o uso de laxantes, são permitidos apenas os à base de sulfato de magnésio. Consulte seu
médico.

Crianças muito pequenas: não utilizar as fezes da fralda quando estiverem diarreicas ou líquidas,
solicitar coletores infantis fornecidos. No caso de fezes consistentes, encaminhar condicionalmente para
o responsável do setor analisar se a quantidade é suficiente. Encaminhar ao laboratório em até 3 horas
se em temperatura ambiente ou em até 6 horas se refrigerada.

Coleta para pesquisa de sangue oculto:


Fazer dieta prévia de 3 dias e no dia da coleta do material;
Dieta deve ser com exclusão de: Carne (vermelha e branca); Vegetais (rabanete, nabo, couve-flor,
brócolis e beterraba); Leguminosas (soja, feijão, ervilha, lentilha, grão-de-bico e milho); Azeitona,
amendoim, nozes, avelã e castanha;
Não usar medicamentos irritantes da mucosa gástrica (Aspirina, anti-inflamatórios, corticoides...). Se
utilizar, informar ao Laboratório no momento da entrega do material; evitar sangramento gengival (com
escova de dente, palito...). Se ocorrer, informar ao Laboratório no momento da entrega do material. Manter
refrigerado por no máximo 14 horas.
Os exames complementares fornecem informações necessárias para a realização do diagnóstico de
uma determinada alteração ou doença. Vale ressaltar que a realização ou solicitação de um exame
complementar devem ser direcionar levando-se em consideração os dados obtidos através da anamnese
e exame físico, sabendo exatamente o que pretende-se obter e conhecendo corretamente o valor e
limitações do exame solicitado.

Instruções Para Coleta de Escarro

A amostra de escarro deve ser coletada, sempre que possível, antes do início do tratamento
(principalmente antibióticos).
O escarro ideal é obtido após tosse profunda, é aquele que vem do “fundo do peito”.
A amostra colhida pela manhã, ao acordar, é a mais concentrada e, portanto, a adequada para o
exame.
Deve-se ingerir bastante líquidos desde a noite anterior. A boa hidratação facilita a coleta.
Inalar vapor úmido, antes da coleta, pode ser útil (por ex., inalando o vapor do banho).
Caso não esteja eliminando escarro no dia da coleta, é preferível não efetuar a coleta. Não colha saliva
em lugar ou junto do escarro. Evite, também, colher secreção do nariz.
Caso o médico tenha solicitado mais de uma amostra, é preferível colher cada uma em um dia diferente

Passo A Passo Para A Coleta Do Escarro:


Antes de colher, escove os dentes e enxágue a boca com bastante água, para reduzir a contaminação
com a flora bucal. Não use pasta de dentes, nem enxágues com flúor (tipo listerine).
O escarro deve ser colhido em frasco estéril, fornecido pelo Laboratório. Abra o frasco, tirando a tampa
e colocando-a virada para cima.
Tussa profundamente e colete o escarro diretamente dentro do frasco. Não toque o frasco ou a tampa
por dentro. Procure não contaminar o lado de fora do recipiente com escarro.
Tampe bem o frasco, imediatamente após a coleta. Identifique o frasco, pelo lado de fora, com o seu
nome e data e hora da coleta.
Encaminhe o material coletado o mais rapidamente possível ao Laboratório.

Exames Laboratoriais

Exames Hematológicos
A maioria das doenças hematológicas determina o aparecimento de significativas manifestações
bucais. Muitas vezes estas são as primeiras manifestações clínicas da doença fazendo com que, em

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muitas ocasiões, o dentista seja o primeiro profissional a suspeitar ou mesmo diagnosticar graves doenças
sistêmicas de natureza hematológica.
Na anamnese, o dentista deve interrogar sobre a ocorrência de hemorragias, analisando fatores
importantes como: local, duração e a gravidade da perda de sangue, causa aparente de hemorragia,
aparecimento de hematoma e os antecedentes familiares de hemorragia. Ao suspeitar de condição
hemorrágica, o profissional deverá solicitar os exames adequados. Caso os exames revelem alterações
de normalidade, o paciente deve ser encaminhado ao hematologista para que o tratamento seja efetuado.
A nível odontológico, a verificação do tempo de coagulação (TC), tempo de sangramento (TS) e
realização do teste de fragilidade capilar (FC), são exames simples, realizáveis no próprio consultório, de
fácil interpretação e suficientes para verificar a presença de alterações significativas na hemostasia.
O hemograma é uma bateria de exames complementares. Consiste na contagem de glóbulos
vermelhos e brancos, dosagem de hemoglobina, determinação do valor globular médio, contagem
específica de leucócitos e, eventualmente, na contagem de plaquetas.
O hemograma está indicado nos processos infecciosos agudos, nos infecciosos supurativos ou não,
nos alérgicos específicos, nas moléstias leucopênicas e nas moléstias próprias do aparelho
hematopoiético. A interferência na série vermelha é pequena nestes processos. Entretanto, o hemograma
fornece informações precisas nos estados anêmicos, evidenciando o número, forma, tamanho e
coloração das hemácias, proporcionando melhor identificação das anemias.

Exame de Urina
A urina é o resultado da filtração de plasma pelo glomérulo e dos processos de reabsorção e excreção
exercidos pelos túbulos renais. O exame de urina é outro componente laboratorial valioso na rotina do
complexo pré-operatório. É um dos demonstradores das numerosas manifestações de doenças
sistêmicas. Os elementos de maior importância no exame de urina e que devem ser analisados são:
densidade, volume, cor, aspecto, pH, glicosúria, acetonúria, piúria, hematúria e bile.

Outros Exames
O dentista pode ainda solicitar outros tipos de exames laboratoriais como: reação do Machado-
Guerreiro, na doença de Chagas; reação de Montenegro, que é uma prova intradérmica, para diagnóstico
de Leishmaniose brasiliense; reação de Sabin e Feldman, na toxoplasmose; reação de Mantoux, na
tuberculose; reação de Mitsuda na hanseníase (lepra).
Além dos anteriormente mencionados, podem ter aplicação na clínica odontológica a taxa de glicemia
e exames sorológicos para lues. São bem conhecidos os problemas que podem aparecer no tratamento
odontológico de um paciente diabético. O dentista deve estar sempre atento, a fim de detectar sinais e
sintomas que possam sugerir a presença de tal afecção.
A dificuldade de cicatrização, hálito cetônico, xerostomia, história de poliúria e sede excessiva são
dados que indicam a requisição da determinação da taxa de glicemia. Se esta apresentar alta dosagem,
estará confirmada a hipótese clínica de diabetes e o paciente deve ser encaminhado ao médico para
tratamento.
A presença de úlceras e placas na mucosa bucal, o clínico deve pensar na possibilidade de etiologia
luética e requisitar, quando julgar necessário, os exames complementares específicos que irão ou não
confirmar tal suspeita.

Citologia Esfoliativa
É um método laboratorial que consiste basicamente na análise de células que descamam
fisiologicamente da superfície. Não é um método recente e sua utilização é anterior à metade do século
XIX. Deve-se a Papanicolau & Traut, em 1943, com a apresentação e valorização dos achados citológicos
em colpocitologia, a aceitação universal do método no diagnóstico do câncer da genitália feminina. Em
1951, Muller e col. utilizaram a citologia na mucosa bucal. Folson e col., em 1972, justificaram bem a
razão do método útil e válido:
- Sob condições normais, existe uma forte aderência entre as camadas mais profundas do epitélio, o
que dificulta a sua remoção;
- Nas lesões malignas e em alguns processos benignos, essa aderência ou coesão celular é bastante
frágil, o que permite facilmente sua remoção;
- Nos processos malignos, as células apresentam alterações características especiais que as
diferenciam das células normais, tais como: núcleos irregulares e grandes, bordas nucleares irregulares
e proeminentes, hipercromatismo celular, perda da relação núcleo- citoplasma, nucléolos proeminentes
e múltiplos, discrepância de maturação em conjunto de células, mitoses anormais e pleomorfismo celular;

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- Cerca de 90% dos tumores malignos de boca são de origem epitelial, o que vem favorecer o uso de
citologia esfoliativa.

A fidelidade da citologia esfoliativa na detecção do câncer bucal foi demonstrada em diversos


trabalhos. Entre eles, ressalta o resultado de um estudo citológico e histopatológico realizado com
118.194 indivíduos no programa “Oral Exfoliative Cytology Veteranis Administration Cooperative Study,
Washington, D.C.” publicados por Sandler em 1963. Em 592 lesões encontradas na amostra, os
resultados citológicos e histopatológicos foram semelhantes em 577 casos, o que conferiu à citologia uma
fidelidade de 97%.
Valor de citologia esfoliativa no diagnóstico de lesões benignas de boca, é revelado por sua aplicação
na confirmação de diagnóstico de outras entidades como pênfigos, herpes, paracoccidioidomicose,
candidose, lesões císticas por aspiração do conteúdo líquido e esfregaço do material obtido.

Vantagens
- Método simples e praticado sem anestesia;
- Rápida execução;
- Não leva paciente ao estado de ansiedade provocado, às vezes pela biópsia;
- Barato.

Limitações
- Evidencia apenas lesões superficiais;
- O diagnóstico geralmente não é fundamentado num resultado positivo para malignidade, pois neste
caso a biópsia será indispensável para confirmação definitiva;
- Em caso de malignidade sempre indica a necessidade de uma biópsia, e em caso de resultado
negativo pode permanecer a dúvida.

Indicações
- Infecções fúngicas (candidose, paracoccidioidomicose);
- Doenças autoimunes (pênfigo);
- Infecções virais (herpes primário, herpes recorrente).

Contraindicações
- Lesões profundas cobertas por mucosa normal;
- Lesões com necrose superficial;
- Lesões ceratóticas.

Procedimento
O exame fundamenta-se na raspagem das células superficiais de uma determinada lesão, confecção
do esfregaço sobre a lâmina de vidro, fixação, coloração e exame microscópico. O resultado da citologia
esfoliativa é fornecido de acordo com o código de classificação de esfregaço apresentado por Papanicolau
& Traut e modificado por Folson e col.
Classe 0 - material inadequado ou insuficiente para exame.
Classe I - células normais.
Classe II - células atípicas, mas sem evidências de malignidade.
Classe III - células sugestivas, mas não conclusivas de malignidade.
Classe IV - células fortemente sugestivas de malignidade.
Classe V - células indicando malignidade.

Sempre que o resultado estiver enquadrado nas classes III, IV e V se faz necessária a biópsia para
confirmar resultado. Atualmente os patologistas preferem descrever a alteração, isto é, presença ou
ausência de células malignas.
A citologia esfoliativa da mucosa bucal não teve um desenvolvimento acentuado, talvez em
decorrência do número de resultados falsos negativos que podem ocorrer, principalmente pela
deficiência, na coleta do material e de citopatologistas experientes.
Considera-se que a citologia esfoliativa não é um método que propicie o diagnóstico definitivo de uma
lesão, mas, é de grande valia para orientação diagnóstica, o que equivale a afirmar que deve ser feita,
mas nunca em detrimento da análise histopatológica.

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Biópsia
É um procedimento cirúrgico simples, rápido e seguro, em que parte da lesão ou toda a lesão de tecido
mole ou ósseo é removida, para estudo de suas características microscópicas. A biópsia permite fazer
uma correlação entre os achados clínicos e histopatológicos determinando, na grande maioria dos casos,
o diagnóstico definitivo.

Indicações
- Toda lesão cuja história e características clínicas não permitam elaboração do diagnóstico e que não
apresente evidência de cura dentro de um período não superior a duas semanas;
- Em tecidos retirados cirurgicamente, quando ainda não se tem um diagnóstico prévio;
- Lesões intraósseas que não possam ser positivamente identificadas através de exames de imagem.

Contraindicações
- Tumores encapsulados (para não provocar difusão para tecidos vizinhos). Ex.: Adenoma pleomórfico
em glândula parótida;
- Em lesões angiomatosas (Ex. hemangioma), a indicação de biópsia deve ser criteriosa e quando
realizada deve seguir normas de segurança evitando complicações, principalmente hemorragia.
A realização de biópsia em lesões pigmentadas da mucosa oral não necessita de margem de
segurança. Atualmente sabe-se que uma lesão pigmentada que foi biopsiada e diagnosticada como
melanoma não tem seu prognóstico alterado por ter sido biopsiada previamente à cirurgia.
Não biopsiar áreas de necrose porque não há detalhes celulares.

Tipos de Biópsia
Biópsia incisional: apenas parte da lesão é removida. É indicada em caso de lesões extensas ou de
localização de difícil acesso.
Biópsia excisional: toda a lesão é removida. É indicada em lesões pequenas e de fácil acesso.
A amostra deve ser enviada ao laboratório para exame histopatológico sempre acompanhada de um
relatório onde são discriminados os seguintes dados: data da biópsia, nome, idade e sexo do paciente,
nome do operador, local da biópsia, descrição breve dos aspectos clínicos da lesão e hipóteses
diagnósticas. Em caso de biópsia óssea enviar radiografia.

Sequência de biópsia:
- Infiltração da solução anestésica na periferia da lesão ou usar-se de anestesia regional;
- Incisão do tecido a ser biopsiado (bisturi ou punch);
- Preensão da peça com pinça “dente de rato”;
- Corte ou remoção da peça com tesoura ou mesmo bisturi;
- Colocação do tecido removido em vidro com formol 10%;
- Sutura da região quando necessário;
- Relatório do espécime e envio ao laboratório.

Principais causas de erros e falhas das biópsias:


- Falta de representatividade do material colhido;
- Manipulação inadequada da peça;
- Fixação inadequada;
- Introdução de anestésico sobre a lesão;
- Uso de substâncias antissépticas corantes;
- Informações deficientes;
- Troca de material pelo clínico ou pelo laboratório.

Biópsia Aspirativa com Agulha Fina


É um método utilizado para análise citológica de material obtido através da aspiração por agulha fina.
Exige preparação para a realização do procedimento e principalmente para a interpretação do material
colhido. A coleta do material é realizada a nível ambulatorial dispensando a internação do paciente, com
o mínimo de desconforto e sem a necessidade de anestesia em lesões superficiais.
Em lesões profundas pode ser realizada anestesia somente na área onde a agulha será introduzida.
A principal indicação é para diferenciar tumores benignos de malignos. No entanto, em várias situações
o diagnóstico final pode ser estabelecido.

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De acordo com estudos estatísticos, a punção é concordante com o diagnóstico final em 85 a 100%
das histologias, sendo utilizada em alguns casos como único recurso diagnóstico para planejamento do
tratamento.
A punção pode ser utilizada em praticamente todas as regiões do corpo. Entretanto, tem maior
indicação em locais de difícil acesso, onde a biópsia convencional provocaria maior dificuldade para
realização. A tireoide e a mama são os dois principais órgãos que mais são investigados pela técnica da
punção aspirativa, pois frequentemente apresentam tumorações com aumento de volume. Na região de
cabeça e pescoço, além da tireoide, é utilizada principalmente em massas cervicais e glândulas salivares
maiores.
Em algumas situações, lesões pequenas não palpáveis, são observadas apenas através de exames
de imagem como ultrassonografia, mamografia e tomografia computadorizada. Nestes casos, a biópsia
aspirativa dirigida por ultrassom ou tomografia é muito importante. Nos órgãos internos como pulmão,
fígado e próstata, a punção também pode ser guiada por exames de imagem, principalmente a
ultrassonografia e tomografia computadorizada.
Para a realização do exame utiliza-se o cito-aspirador, que é um aparelho onde acopla- se uma seringa
de l0ml com uma agulha de 2,0cm, calibre 24. Após a fixação do nódulo a agulha é introduzida e
movimentada rapidamente com pressão negativa. O material aspirado é colocado em laminas de vidro
que posteriormente serão examinadas.
O exame praticamente não provoca nenhum dano tecidual importante e as complicações são raras,
limitando-se a pequenos hematomas e discreta dor local que cessa em geral em algumas horas. Nos
casos de biópsia de lesões profundas em órgãos como fígado, pâncreas, pulmões, onde se utiliza agulha
mais longa e mais calibrosa, torna-se necessária observação médica e repouso.

Questões

01. A tireoide e a mama são os dois principais órgãos que mais são investigados pela técnica da
punção aspirativa.
( ) Certo ( ) Errado

02. Em relação aos tipos de biópsias, analise a afirmativa.


Biópsia incisional: apenas parte da lesão é removida. É indicada em lesões pequenas e de fácil
acesso.
( ) Certo ( ) Errado

03. Citologia Esfoliativa: É realizado durante o ato cirúrgico quando houver a necessidade de se
definir a natureza da lesão (benigna ou maligna) ou para avaliar se as margens de ressecção cirúrgica
estão livres ou comprometidas pela neoplasia.

04. Caso não esteja eliminando escarro no dia da coleta, é preferível colher saliva no lugar
( ) Certo ( ) Errado

05. Em relação à coleta de urina para amostra ocasional, é correto afirmar que:
“Coletar a primeira urina da manhã ou 2 horas após a última micção.- Desprezar o primeiro jato da
urina no vaso sanitário, coletar no copo descartável o jato do meio, mais ou menos ( até a metade do
copo) desprezando o restante da micção no vaso sanitário”.
( ) Certo ( ) Errado

Gabarito

01.Certo / 02.Errado / 03.Errado / 04.Errado / 05.Certo

Comentários

01. Resposta: Certo


Pois frequentemente apresentam tumorações com aumento de volume. Na região de cabeça e
pescoço, além da tireoide, é utilizada principalmente em massas cervicais e glândulas salivares maiores.

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02. Resposta: Errado
Biópsia incisional: apenas parte da lesão é removida. É indicada em caso de lesões extensas ou de
localização de difícil acesso.
Biópsia excisional: toda a lesão é removida. É indicada em lesões pequenas e de fácil acesso.

03. Resposta: Errado


Citologia Esfoliativa: É um método laboratorial que consiste basicamente na análise de células que
descamam fisiologicamente da superfície.

04. Resposta: Errado


Caso não esteja eliminando escarro no dia da coleta, é preferível não efetuar a coleta. Não colha saliva
em lugar ou junto do escarro.

05. Resposta: Certo


As orientações estão corretas em relação a coleta de urina ocasional sempre coletar a primeira urina
da manhã ou 2 horas após a última micção, desprezar o primeiro jato da urina no vaso sanitário, coletar
no copo descartável o jato do meio, mais ou menos (até a metade do copo) desprezando o restante da
micção no vaso sanitário.

7. Enfermagem nas situações de urgência e emergência. 7.1 Conceitos de


emergência e urgência. 7.2. Estrutura e organização do pronto socorro. 7.3.
Atuação do técnico de enfermagem em situações de choque, parada
cardiorrespiratória, politrauma, afogamento, queimadura, intoxicação,
envenenamento e picada de animais peçonhentos

ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM EM URGÊNCIAS E EMERGÊNCIAS

Com o objetivo26 de definir critérios e diretrizes para estruturação e funcionamento de sistemas


locorregionais de atenção às urgências, regulação médica, Atendimento Pré-Hospitalar (APH) fixo, APH
Móvel E Atendimento Hospitalar, o Ministério da Saúde implantou o Regulamento Técnico dos Sistemas
Estaduais de Urgência e Emergência, por meio da Portaria n. 2.048/2002.
Face à realidade, é fundamental que os envolvidos na atenção em urgência e emergência conheçam
as políticas públicas relacionadas ao tema e se articulem na proposição das mudanças necessárias,
considerando, obviamente, as diversidades locorregionais do panorama brasileiro.
Segundo a Resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) n. 1.451/95, entende-se por urgência
a condição “imprevista de agravo da saúde com ou sem risco potencial de vida”, com necessidade de
assistência de saúde imediata ou em até 24h, e emergência como a condição imprevista de agravo da
saúde, com “risco iminente de vida ou sofrimento intenso, exigindo, portanto, tratamento médico
imediato”.
O perfil do profissional e da equipe multiprofissional que atuam na atenção às urgências está
relacionado à característica de cada unidade. No entanto, são requisitos gerais indispensáveis: liderança,
agilidade, observação, competência, embasamento científico e habilidade técnica, além do
comprometimento com o trabalho e a equipe.
As ações com elevado grau de responsabilidade para realizar as atividades com atenção, senso de
planejamento e organização têm como objetivo comum somar os esforços para maximizar as chances de
prevenção de danos, recuperação da saúde e sobrevida do paciente.
A estrutura para atendimento em situações de urgência e emergência, fundamentada em políticas de
saúde e linhas estratégicas interligadas, também se relaciona à (re) organização das redes assistenciais,
humanização no atendimento e operacionalização da central de regulação médica de urgências.
Envolve, ainda, a formação continuada dos profissionais, a fim de contribuir para o acompanhamento
do desempenho, aprimoramento das competências, fortalecimento da tomada de decisão e habilidade
para trabalhar em equipe, na assistência segura amparada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa), por meio da Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) n. 36/2013 e pelo Ministério da Saúde, por
meio do Programa Nacional de Segurança do Paciente.

26
TOBASE, L.; TOMAZINI, E. A. S. Urgências e Emergências em Enfermagem. Guanabara Koogan, 2017.

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175
Na Rede de Atenção às Urgências, o componente hospitalar é constituído pelas Portas Hospitalares
de Urgência, pelas enfermarias de retaguarda, pelos leitos de cuidados intensivos, pelos serviços de
diagnóstico por imagem, laboratório e pelas linhas de cuidados prioritárias.
Quanto à estrutura e ao funcionamento, o serviço de emergência do pronto-socorro deve respeitar os
critérios e normas estabelecidas pela legislação em vigor e estar permanentemente preparado para
receber e atender adequadamente o cliente, em razão da demanda espontânea, sem agendamento
prévio. Geralmente, está localizado no andar térreo do prédio, em área de fácil acesso para pessoas e
veículos.
O dimensionamento da área física, com ambientes amplos, bem ventilados e iluminados, com portas
largas, pisos e revestimentos claros e laváveis, segue a legislação vigente, de acordo com o tamanho,
complexidade e perfil assistencial da unidade.
No ambiente hospitalar, o cliente em situação de urgência pode ser encaminhado à sala de triagem e
classificação de risco no pronto-socorro; ou, quando necessário, diretamente à Sala de Emergência ou
ao Centro Obstétrico.
Segundo o Ministério da Saúde, o sistema de classificação de prioridade é uma estratégia que contribui
para reduzir o tempo de espera e melhorar a qualidade da assistência.
No contexto da Política Nacional de Humanização, o termo triagem foi substituído por classificação de
risco, realizada por meio de instrumentos e escalas de seleção - como a canadense, a australiana, a
americana e o sistema de classificação de Manchester - para destinar a cada cliente os recursos e tempo
necessários ao atendimento, de acordo com cada grau de gravidade.
Ainda que a classificação de risco, por si só, não garanta a efetividade do serviço de urgência, a
ausência de critérios para o atendimento pode implicar prejuízos e piora do paciente.
No Sistema Manchester, a classificação é estabelecida segundo a prioridade, identificada por número,
nome, cor e tempo para atendimento.

Prioridade Cor Tempo (min.)


1: emergente Vermelho 0
2: muito urgente Laranja 10
3: urgente Amarelo 60
4: pouco urgente Verde 120
5: não urgente Azul 240

Com o sistema de cores, o Protocolo Manchester facilita o encaminhamento do paciente para a área
mais adequada às suas necessidades. Permite ao enfermeiro ou médico, em 1 a 3 min, identificar o grau
de urgência e ordenar o atendimento imediato das alterações, priorizando desde as que colocam a vida
em risco iminente até os casos menos graves, que podem aguardar um pouco mais pelo atendimento.
Esse método pode ser aplicado no cotidiano das unidades de emergência e em eventos com múltiplas
vítimas.

Atenção: o método não visa estabelecer diagnóstico médico. Segundo a Resolução Cofen n.
423/2012, em relação à equipe de enfermagem, a classificação de risco é atribuição do enfermeiro.

A assistência dentro dos princípios éticos e humanos na área da saúde e principalmente no


atendimento de emergência remete a reflexões importantes, como ser flexível, porque convivemos com
pessoas muito diferentes umas das outras. Portanto, faz-se necessário aprender a conviver e a trabalhar
em grupo, porque a diversidade de especialidades e a atuação das equipes multiprofissionais exigem
uma atuação conjunta.
O planejamento e a organização do trabalho coletivo são essenciais para um atendimento de
qualidade, ao cliente e à família. Para tanto, requer equipe multiprofissional permanentemente capacitada
para o desenvolvimento de suas competências, respeitando as atribuições de cada membro, no âmbito
da gestão de serviços e recursos, melhoria dos processos e métodos de trabalho e provisão de condições
e tecnologia - inclusive da informação.
Envolve também as habilidades de relacionamento interpessoal e comunicacional, uma vez que,
durante o atendimento, as informações essenciais comunicadas sobre a natureza da ocorrência ou
situação do paciente permitem que o profissional desenvolva raciocínio clínico assertivo e construa as
possíveis condições e os agravos relacionados, associando os recursos necessários para a assistência
qualificada.

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Previamente ao início da assistência, é necessário priorizar a segurança, ao avaliar a:
• Segurança da cena: verificar o ambiente e os fatores de riscos no local, relacionados à contaminação,
acidentes, queda e lesão corporal. No ambiente:
- Extra-hospitalar: fluxo de veículos em via pública, colisão, atropelamento, proximidade de fios
elétricos, desabamento, explosão e presença de animais;
- Hospitalar: piso escorregadio, mobiliário mal posicionado, iluminação e ventilação inadequada,
manutenção precária de equipamentos e heteroagressão.
• Segurança do profissional: certificar-se de que o local é seguro para o profissional e a equipe, para
não se tornar outra vítima, ao iniciar a assistência. Respeitar as normas de legislação, biossegurança e
de precauções padrão, mantendo a atenção ao realizar os procedimentos;
• Segurança do paciente: certificar-se da ausência de risco para o indivíduo, inclusive das pessoas que
estão próximas. Se estiver em situação perigosa, deverá ser colocado em segurança antes do início dos
primeiros atendimentos. Os princípios da prática e assistência segura ao paciente devem nortear as ações
da equipe multiprofissional.

Confirmada a segurança em todos os aspectos, na abordagem direta, é realizado o exame inicial para
estabelecer as prioridades no atendimento, a partir das avaliações primária e secundária.

Abordagem Primária Completa - ABCDE

Existe um método sequencial para avaliar a vítima, o ABCDE, em que são definidas as medidas
específicas de avaliação e as intervenções correspondentes a serem adotadas.

Técnica A, B, C, D, E:
A - Abrir vias aéreas: com proteção da coluna cervical;
B - Respiração: ver, ouvir, sentir;
C - Circulação: verificar pulso carotídeo por dez segundos e controlar hemorragias externas;
D - Avaliar estado neurológico: nível de consciência;
E - Exposição da vítima: retirar vestimentas, sempre que possível cortar na costura; controlar o
ambiente, evitando a hipotermia e utilizar manta aluminizada.

Durante toda a abordagem da vítima o controle cervical deve ser mantido, pois sempre se deve
suspeitar em toda vítima de trauma de lesão de coluna cervical. Somente deve passar para o próximo
item se completar o passo anterior, ou seja, só́ passar para o passo "B" após terminar o passo "A" e assim
por diante.

A - Abertura das vias aéreas


Se a vítima se comunica verbalmente é porque as vias aéreas estão permeáveis e a respiração
presente. Se a vítima não responde, o socorrista deve avaliar sinais de obstrução das vias aéreas como
corpos estranhos. Existem duas técnicas para abertura das vias aéreas:
- Jaw trust: consiste na anteriorização da mandíbula. Deve ser empregada em vítimas de trauma, pois
mantém a estabilidade da coluna cervical;
- Schint lift: hiperextensão do pescoço e elevação do mento. Deve ser empregada em vítimas de
emergências clínicas em que não há suspeita de lesão cervical.

B - Respiração
Após a abertura das vias aéreas, o socorrista deve verificar se a respiração da vítima está presente.
Deve soltar cintas e expor o abdômen da vítima, levantando ou abrindo a vestimenta, facilitando a
visualização da expansão abdominal; isso é o VER.
Para OUVIR o ruído da saída de ar o socorrista deve aproximar sua cabeça da face da vítima. Para
SENTIR se há́ saída de ar pela boca ou nariz, o socorrista deve colocar seu dedo indicador próximo à
narina da vítima, sentindo a saída do ar exalado.
Caso a vítima apresente respiração, deve-se verificar a frequência respiratória por intermédio do ritmo,
profundidade e som, refletindo o estado metabólico do corpo, a condição do diafragma e dos músculos
do tórax, fornecendo O2 ao trato respiratório e alvéolos.

O padrão de frequência respiratória em adultos é de 12 a 20 mov./min. Os tipos de respiração são os


seguintes:
- Apneia: é a ausência da respiração, quadro da parada cardiorrespiratória;

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- Dispneia: falta de ar, dificuldade em respirar.

Para verificar a respiração, basta contar o número de vezes que ocorre a expansão do abdômen em
um minuto.
Como a respiração, em certo grau, está sujeita ao controle involuntário, ela deve ser contada sem que
o paciente perceba. Coloque os dedos no pulso como se estivesse verificando o pulso e observe a
respiração. O socorrista deve certificar-se de que os passos "A" e "B" não sejam interrompidos e passar
para o passo "C".

C - Circulação
Após verificar a respiração, o socorrista deve verificar a presença de circulação por meio da pulsação
e perfusão distal. A presença de grandes hemorragias deve ser controlada nesta fase, realizando
compressão direta do ferimento.
Verificação do pulso: pulso é o nome que se dá́ à dilatação pequena e sensível das artérias, produzida
pela corrente circulatória. Toda vez que o sangue é lançado do ventrículo esquerdo do coração para a
artéria aorta, a pressão e o volume provocam oscilações ritmadas em toda a extensão da parede arterial,
evidenciadas quando se comprime moderadamente a artéria contra uma estrutura dura (os dedos).
Pode-se verificar o pulso sobre a artéria radial (pulso do braço). Num quadro de emergência o pulso
radial apresenta-se muito fino, tornando-se mais fácil a verificação em artérias mais calibrosas como a
carótida (pescoço) e femoral (virilha). Outras artérias, como a braquial, poplítea e a do dorso do pé́ (artéria
pediosa), podem também ser utilizadas para a verificação.
A frequência do pulso em adultos é de 60 a 100, em crianças de 75 a 100 e em recém-nascidos de
120 a 160. A regularidade do pulso pode ser rítmica, bate com regularidade, e arrítmica, bate sem
regularidade.
Para verificar o pulso basta pressionar de leve os dedos indicador e médio sobre o pulso e contar por
um minuto. Não deve ser utilizado o dedo polegar na verificação, pois pode confundir a sua pulsação com
a do paciente. Não fazer pressão forte sobre a artéria, pois isso pode impedir de sentir o batimento do
pulso.
Em vítimas conscientes verifica-se o pulso radial; em vítimas inconscientes deve ser sempre verificado
o pulso carotídeo (no pescoço) por dez segundos. Caso o pulso esteja ausente, deve-se iniciar as
manobras de reanimação cardiopulmonar (RCP).

Verificação da perfusão distal ou preenchimento capilar: a perfusão distal é avaliada pela técnica do
preenchimento capilar. É realizada fazendo uma pressão na base da unha de modo que a coloração
passe de rosada para pálida. Retirando-se a pressão a coloração rosada deve retomar num tempo inferior
a dois segundos. Se o tempo ultrapassar dois segundos, é sinal de que a perfusão distal está
comprometida, portanto, é necessário oxigenar a vítima por meio do cilindro de oxigênio medicinal.

D - Nível de consciência
Após a verificação dos passos ABC, o socorrista deve verificar o nível de consciência da vítima. As
vítimas que não apresentem alterações do nível de consciência inicial, mas depois passam a apresentar,
indicam uma situação grave comparada a outras vítimas que apresentavam alterações do nível de
consciência, porém permanecem estáveis. O nível de consciência deve ser medido junto com a avaliação
neurológica rápida e o exame das pupilas.

Avaliação neurológica rápida (AVPI)


A: vítima está alerta, olhos abertos;
V: vítima está adormecida e responde somente ao estímulo verbal;
P: vítima permanece com olhos fechados e só́ abre quando recebe estímulo doloroso;
I: vítima não tem nenhuma resposta a nenhum estímulo.

O estímulo doloroso pode ser feito com pressão dos dedos nas maçãs do rosto da vítima ou
friccionando o osso esterno ou apertando o músculo trapézio. Caso a vítima tenha trauma, deve ser
aplicada a avaliação do nível de consciência pela escala de Glasgow.

Exame das pupilas


Devem ser verificadas as pupilas com auxílio de uma lanterna pequena. As pupilas desiguais são
geralmente encontradas nas vítimas com lesões de crânio ou acidente vascular cerebral. Na morte, as
pupilas estão totalmente dilatadas e não respondem à luz.

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Deve-se observar a reatividade, igualdade e tamanho das pupilas como:
- Reação das pupilas à luz pode ser: reagente, ou seja, quando a luz é colocada sobre a pupila, ela
diminui de tamanho, ou não reagente, a qual não tem reação de contração ao estímulo da luz.
- Simetria entre as pupilas pode ser: isocórica, quando as duas pupilas são iguais (normal), ou
anisocórica, quando uma pupila está com tamanho diferente da outra (uma grande, outra pequena)
indicando lesão cerebral.
- Tamanho das pupilas pode ser: midriática (midríase), quando ambas as pupilas estão dilatadas
ocupando toda a íris dos olhos, sinal que indica danos cerebrais e é comum em vítimas de parada
cardiorrespiratória, ou miótica (miose), quando ambas as pupilas estão muito pequenas, do tamanho de
uma cabeça de alfinete, indicando principalmente o uso de substâncias como drogas, intoxicação.

As pupilas normais devem se apresentar isocóricas e reagentes.

E - Exposição da vítima
Após verificado o nível de consciência, deve-se expor a vítima para realizar a abordagem secundária.
Deve-se cortar as vestimentas com tesoura ponta romba. Não utilize tesoura de ponta fina, pois pode ferir
a vítima. Lembre-se de não expor desnecessariamente a vítima.

Abordagem Secundária - Exame Físico da Vítima

Deve-se iniciar o exame secundário após o término da abordagem primária completa. Na abordagem
secundária a finalidade e a estabilização das funções vitais.

O primeiro passo é colher a história clínica da vítima. Para isso emprega-se o método AMPLA:
A: perguntar à vítima sobre possíveis alergias;
M: perguntar sobre medicações que utiliza;
P: perguntar sobre doenças preexistentes como diabetes, hipertensão;
L: perguntar sobre alimentos e bebidas que ingeriu;
A: perguntar sobre o acidente, como ocorreu, observando o ambiente.

Após colher a história clínica deve-se iniciar o exame físico detalhado da cabeça aos pés. O socorrista
não pode esquecer-se de reavaliar o ABCD durante o exame secundário, principalmente em vítimas
inconscientes.

A avaliação da vítima deve obedecer sempre a uma ordem:


1. Cabeça: palpar o crânio com os polegares fixos na região frontal (testa) sem movimentar a cabeça.
Observar perda de líquor ou sangue pelas narinas (rinorragia) e pela orelha (otorragia). Observar
equimose periorbitária (olhos de guaxinim) que indica lesão cerebral de base do crânio. Retirar próteses
móveis;
2. Pescoço: observar o alinhamento da traqueia se desviada e sinal de trauma torácico. Palpar a coluna
cervical, verificando alinhamento ou rigidez muscular. Após o exame do pescoço colocar o colar cervical;
3. Tórax: observar presença de ferimentos e simetria anatômica, pois em traumas torácicos um lado
do peito fica mais alto em relação ao outro. Palpar as costelas e os ossos da clavícula, observando
crepitação que indica fratura das costelas;
4. Abdômen: inspecionar sinais de distensão e rigidez (abdômen em tábua) que indica hemorragia
interna (rompimento de baco);
5. Quadril: abrir e fechar as pernas devagar, avaliando mobilidade e queixa de dor. A movimentação
anormal indica fratura de quadril;
6. Membros inferiores: palpar com ambas as mãos da raiz das coxas até́ os pés, observando ferimento,
deformidade que indiquem fraturas. Retirar botinas e meias cortando-as. Testar sensibilidade passando
a ponta da caneta na sola dos pés e verificar a perfusão distal ou preenchimento capilar (ver item "C" da
abordagem primária);
7. Membros superiores: palpar com as mãos do ombro até́ as mãos, observando feri- mentos,
deformidades que indiquem fraturas, verificar preenchimento capilar;
8. Dorso ou costas: realizar a manobra de rolamento a 90° para examinar as costas. Observar
alinhamento da coluna vertebral e ferimentos. Após o exame rolar a vítima sobre a prancha e iniciar os
curativos dos ferimentos encontrados e imobilização das fraturas encontradas.

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179
Manobras de Reanimação Cardiopulmonar27

Para a restauração das funções cardíacas e respiratórias, é realizada a Reanimação Cardiopulmonar


(RCP), definida como um conjunto de ações aplicadas ao indivíduo em PCR para manter artificialmente
a circulação de sangue no encéfalo e em outros órgãos vitais, até o retorno da circulação espontânea
(RCE).

Essas manobras são baseadas na cadeia de sobrevivência da AHA, a fim de agilizar e sistematizar o
atendimento:
- Verifique a segurança do local;
- Verifique se a vítima responde avaliando a responsividade;
- Se estiver sozinho, sem acesso a um telefone celular, deixe a vítima e acione o serviço médico de
emergência;
- Avalie a respiração e o pulso simultaneamente por 10 segundos;
- Com as mãos sobre a metade inferior do esterno (região hipotenar), sem flexionar os cotovelos inicie
as compressões torácicas a uma frequência de 100 a 120/min;
- Comprimir a uma profundidade de pelo menos 2 polegadas (5cm a 6cm);
- Permitir o retorno total do tórax após cada compressão;
- Minimizar as interrupções nas compressões;
- Ventilar adequadamente (2 respirações após 30 compressões, cada respiração administrada em 1
segundo, provocando a elevação do tórax).

Abordagem Geral para o Atendimento do Trauma

1.Iniciar a abordagem posicionando-se na frente da pessoa, quando possível;


2.Promover a estabilização manual da cabeça, mantida alinhada em posição neutra;
3.Realizar a avaliação primária na sequência A, B, C, D, E, e avaliação secundária;
4.Selecionar e fixar o colar cervical adequado, mantendo a estabilização manual da cabeça;
5.Movimentar o indivíduo em bloco ou abordá-lo em pé e posicionar a prancha rígida;
6.Imobilizar a cabeça com protetores laterais, alinhada em posição neutra;
7.Fixar o tronco, braços e pernas na prancha rígida, imobilizando na altura do tórax, quadril e abaixo
dos joelhos;
8.Transportar a prancha de maneira segura; em quatro pessoas, se possível;
9.Manter reavaliação contínua.

Engasgo

O engasgo28 é uma manifestação do organismo para expelir alimento ou objeto que toma um “caminho
errado”, durante a deglutição (ato de engolir).
Na parte superior da laringe localiza-se a epiglote, uma estrutura composta de tecido cartilaginoso,
localizada atrás da língua. Funciona como uma válvula que permanece aberta para permitir a chegada
do ar aos pulmões e se fecha quando engolimos algo, isso para bloquear a passagem do alimento para
os pulmões e encaminhá-lo ao estômago.
O engasgo é considerado uma emergência, e em casos graves, pode levar a pessoa à morte por
asfixia ou deixá-la inconsciente por um tempo. Sendo assim, agir rapidamente evita complicações.

Como Agir em Caso de Engasgo por Corpo Estranho

Manobra de Heimlich
Posicione-se por trás e enlace a vítima com os braços ao redor do abdome (se for uma criança, ajoelhe-
se primeiro), caso ela esteja consciente. Uma das mãos permanece fechada sobre a chamada “boca do
estômago” (região epigástrica).
A outra mão comprime a primeira, ao mesmo tempo em que empurra a “boca do estômago” para dentro
e para cima, como se quisesse levantar a vítima do chão. Faça movimentos de compressão para dentro
e para cima (como uma letra "J"), até que a vítima elimine o corpo estranho.

27
TOBASE, L.; TOMAZINI, E. A. S. Urgências e Emergências em Enfermagem. Guanabara Koogan, 2017
28
http://bvsms.saude.gov.br/dicas-em-saude/2513-engasgo

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Como Agir em Caso de Engasgo em Bebês

- Coloque o bebê de bruços em cima do seu braço e faça cinco compressões entre as escápulas (no
meio das costas).
- Vire o bebê de barriga para cima em seu braço e efetue mais cinco compressões sobre o esterno
(osso que divide o peito ao meio), na altura dos mamilos.
- Tente visualizar o corpo estranho e retirá-lo da boca delicadamente. Se não conseguir, repita as
compressões até a chegada a um serviço de emergência (pronto socorro ou hospital). Esses
procedimentos são válidos somente se a criança ou o adulto engasgado estiverem conscientes. Vítimas
inconscientes precisam de atendimento hospitalar rapidamente. Os primeiros socorros para asfixia ou
engasgo devem ser tomados até que seja possível o atendimento especializado.

Assistência em Hemorragias29

- Verificar a Frequência Cardíaca (FC) e o pulso. A FC pode ser o primeiro sinal alterado no caso de
choque inicial. Os demais sinais, como Pressão Arterial (PA), serão secundários;
- Identificar a quantidade, o volume e a qualidade do sangue perdido inicialmente, no caso de
sangramentos externos, dará uma ideia quanto à gravidade da situação e será uma informação importante
e útil para o intra-hospitalar;
- Identificar o local exato da hemorragia. Devido ao sangue se espalhar, é possível que o atendimento
esteja sendo feito no local errado, por essa razão, é extremamente importante identificar o local e já
proceder com as ações de estancamento da hemorragia de forma adequada (hemorragia externa) ou
realizar o alinhamento anatômico de membro fraturado (possibilidade de sangramento interno) quando
possível;
- Pressionar com firmeza (curativo compressivo) o local do sangramento, tendo o cuidado de não
pressionar demais e, com isso, parar a circulação;
- Levantar o membro, se o sangramento for no braço ou na perna. No entanto, isto não deve ser feito
se houver suspeita de fraturas (deformidades);
- Não retirar o primeiro curativo compressivo, mesmo que o sangue continue saindo. Nesse caso, deve-
se colocar outro em cima, de modo a continuar a pressionar o local;
- Realizar avaliações do D (nível de consciência) várias vezes no atendimento, pois o rebaixamento do
sensório ou a agitação podem ser indicativos de perda sanguínea significativa;
- Avaliar a temperatura corporal e manter o calor são procedimentos importantes. O paciente deve ser
mantido aquecido para evitar hipotermia.

Queimaduras

- Retirar a roupa que cobre a área queimada. Se a roupa estiver grudada na área queimada, deve-se
lavar a região até que o tecido possa ser retirado delicadamente sem aumentar a lesão. Se continuar
aderido à pele, o tecido deve ser cortado ao redor do ferimento;
- Remover anéis, pulseiras e colares, pois o edema se desenvolve rapidamente;
- Colocar a área queimada debaixo da água fria (e não gelada) ou utilizar compressas limpas e frias
sobre a queimadura até que a dor desapareça. O resfriamento das lesões com água fria é o melhor
tratamento de urgência da queimadura. A água alivia a dor, limpa a lesão, impede o aprofundamento das
queimaduras e diminui o edema (inchação) subsequente;
- Não utilizar compressas úmidas por longo tempo em queimaduras extensas, pois podem ocasionar
hipotermia (a temperatura do corpo da vítima fica abaixo do normal);
- Envolver a vítima com lençol limpo e agasalhos e encaminhá-lo ao atendimento médico;
- Dar um analgésico para alívio da dor;
- Nas vítimas conscientes e colaborativas com pequenas áreas queimadas, a hidratação oral com água
e sucos de frutas pode ser iniciada;
- Nas queimaduras extensas, a perda de líquidos é muito grande e a reposição de líquidos e eletrólitos
por via venosa, o mais rápido possível, é fundamental para a sobrevivência do paciente;
- Não usar gelo nas queimaduras;
- Não furar as bolhas causadas pela queimadura30;

29
ZAVAGLIA, G. O. et al. Cuidados de Enfermagem em Emergência e Traumas. Sagah, 2019.
30
Segundo a National Association of Emergency Medical Technicians (2011), a retirada de bolhas deve ser feita por especialistas em ambiente hospitalar devido
ao risco de infecção.

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- Não passar nada na queimadura. Não devem ser usados pomadas ou produtos caseiros, tais como
clara de ovo, pó de café, banha de galinha, pasta de dente, pimenta, entre outros, pois, além de não trazer
benefícios, podem favorecer complicações infecciosas;
- Não oferecer bebida alcoólica ao paciente.

Intoxicação Exógena

- Realizar monitorização dos sinais vitais;


- Avaliar o nível de consciência por intermédio da Escala de Coma de Glasgow;
- Avaliar as pupilas (diâmetro e reatividade à luz);
- Identificar temperatura e umidade da pele;
- Instalar oximetria de pulso;
- Realizar medida de glicose capilar;
- Obter Eletrocardiograma (ECG) e manter monitorização eletrocardiográfica, se necessário;
- Obter acesso venoso calibroso (nesse momento, podem ser coletadas amostras para exames
toxicológicos);
- Procurar sinais de trauma, infecção, marcas de agulha ou edema nas extremidades;
- Administrar medicamentos de acordo com a prescrição médica;
- Buscar informações para uma anamnese mais completa acerca do histórico de doenças, uso de
medicações, tentativas de suicídio prévias, acesso à substância e uso de substâncias ilícitas;
- Obter informações com os familiares em relação à substância utilizada, se for o caso, a quantidade
e o tempo transcorrido entre a ingestão e a chegada ao hospital. Orientar que alguém busque as
embalagens no domicílio pode ajudar muito na sequência do tratamento de desintoxicação. O tempo de
exposição também auxilia na correta terapêutica;
- Questionar familiares sobre comportamentos que levariam à suspeita de tentativa de suicídio, como
cartas de despedida, eventos traumáticos recentes ou tentativas prévias;
- Observar, nos casos de indicação de lavagem gástrica, a drenagem do fluido para que a
administração máxima seja de 300ml de volume pela sonda. Se for necessário, repetir a operação até
que toda a substância tóxica seja eliminada.

Asfixia31

- Fazer uma rápida análise do que causou a asfixia;


- Se não conseguir retirar o que causou a asfixia, colocar a vítima em uma posição inclinada para
abaixo do peito e tentar retirar o objeto com os dedos;
- Não havendo sucesso, fazer a manobra de Heimlich;
- Verificar o estado da vítima após a expulsão do objeto que causou a asfixia. Ela pode desmaiar e
apresentar parada respiratória. Se isso ocorrer, fazer a respiração artificial;
- Procurar socorro médico.

Corpo Estranho

- Tentar descobrir que tipo de objeto foi introduzido e em que local;


- Inspecionar o local. Se o objeto puder ser retirado manualmente, fazê-ló com cuidado;
- Não tentar retirar o objeto introduzido com outros objetos pontiagudos, pois a situação pode se
complicar;
- Em caso de corpo estranho nos olhos, lavá-lós com água em abundância;
- Procurar orientação e socorro médico.

Mordedura de Cão

- Afastar o animal do local;


- Lavar a região do ferimento com água e sabão para remover a saliva;
- Avaliar o ferimento.;
- Procurar orientação médica, mesmo no caso de o ferimento ser leve;
- Observar o cão e seu comportamento por 10 dias, pois, nesse período, pode desenvolver a raiva.

31
SANTOS, N. C. M. Enfermagem em Pronto Atendimento Urgência e Emergência. Érica, 2014.

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182
Hipertensão Arterial (HAS)

Quando a pressão exercida sobre as artérias é maior do que a esperada, dá-se a hipertensão arterial.
A pressão considerada normal é variável entre 120 × 90mmHg e 120 × 80mmHg.
Sinais e sintomas: Cefaleia, sudorese fria, dor em região da “nuca” (mas sem rigidez), mal-estar geral
e ansiedade.
- Verificar e anotar os sinais vitais com atenção especial à PA;
- Verificar PA a cada 2 horas e anotar em impresso próprio;
- Manter o paciente em local tranquilo, evitando visitas que possam ser desagradáveis e interfiram no
controle da pressão;
- Verificar se a dieta está de acordo, ou seja, hipossódica, atentando-se ao que se consome entre uma
refeição e outra, muitas vezes por conta própria ou trazido por familiares;
- Orientar quanto ao repouso relativo no leito;
- Administrar medicamentos nos horários corretos, evitando atraso no seu ciclo de ação;
- Seguir o plano de cuidados elaborado pela (o) enfermeira (o) durante o período da hospitalização.

Ação medicamentosa sobre a HAS


- Nifedipina: via de administração - sublingual. Ação - age de forma rápida, causando hipofluxo
cerebral;
- Captopril: via de administração - sublingual ou oral. Ação - diminuir a pressão arterial gradativamente
sem causar danos cerebrais ao paciente;
- Hidralazina: via de administração - endovenosa ou oral. Ação - age na musculatura do vaso,
provocando vasodilatação de efeito imediato;
- Furosemida: via de administração - oral ou endovenosa. Ação - diurético de alta potência que auxilia
na diminuição da pressão;
- Ansiolíticos: via de administração - oral, intramuscular ou endovenosa. Ação - relaxante, diminuindo
a ansiedade quando a hipertensão está associada ao estresse.

Coma

- Colher as informações de quem socorreu primeiro a vítima e fazer uma rápida avaliação do caso.
Quando não se tratar de trauma, a dificuldade do socorrista em identificar a causa é maior;
- Verificar os sinais vitais;
- Observar o hálito da vítima - álcool, drogas, cetoacidose diabética. Qualquer um desses fatores possui
características próprias, que podem ser detectadas por qualquer um dos socorristas;
- Se houver trauma, verificar suas causas e seus aspectos;
- Fazer um rápido exame físico, observando sinais do trauma, pulso, pupilas, nível de respiração e
outros aspectos importantes para que a conduta tomada seja eficiente;
- Manter as vias aéreas livres;
- Procurar socorro médico o mais rápido possível.

Sincope ou Desmaio32

- Remova a vítima, se possível, para um ambiente arejado;


- Mantenha sempre as vias aéreas da vítima livres;
- Libere, desaperte e afrouxe as roupas da vítima, deixando-a confortável;
- Afaste os curiosos;
- Coloque a vítima deitada no chão com as costas para baixo, elevando suas pernas, para que elas
fiquem mais altas em comparação ao restante do corpo;
- Lateralize a cabeça da vítima para evitar o sufocamento se houver vômitos;
- Chame por socorro médico se o desmaio durar mais de dois minutos;
- Verifique se houve alguma lesão causada pela queda;
- Não ofereça nenhum tipo de bebida ou alimento, nem nada para cheirar;
- Não dê tapas, nem jogue água sobre a vítima;
- Mantenha a vítima deitada por mais cinco minutos assim que ela recuperar a consciência e não tenha
pressa em coloca-la de pé;
- Sente a vítima devagar, aos poucos, ajudando-a a ficar de pé, sempre amparando-a.

32
HAUBERT, M. Primeiros Socorros. Sagah, 2018.

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Crise Convulsiva

- Lembre-se de que crises generalizadas podem ser precedidas pelas parciais, por isso, se o paciente
estiver em pé ou sentado, o ideal é deitá-lo para evitar quedas e traumatismos decorrentes dela;
- Retire os óculos do rosto da vítima, se ela estiver usando-os;
- Procure afastar curiosos e pessoas que não poderão ajudar;
- Não dê tapas no rosto da vítima, nem mesmo jogue água para fazê-la retornar da crise mais rápido;
- Afaste objetos que possam servir de obstáculos que machucarão a vítima;
- Não tente imobilizar os membros se o paciente apresentar uma crise tônico-clônica e deixe que ele
se debata, buscando apenas proteger sua cabeça com uma almofada ou outro objeto macio, como um
casaco dobrado;
- Afrouxe as roupas da vítima e deixe-a se debater livremente;
- Nunca, de maneira alguma, coloque os dedos dentro da boca do paciente na tentativa de ajudá-lo,
se ele se sufocar com a própria língua. Os indivíduos em crise contraem a mandíbula com tanta força que
podem amputar seus dedos com uma mordida. Faça apenas a simples lateralização da cabeça para
qualquer lado, assim, a língua cairá sozinha, e ele terá as vias aéreas desobstruídas;
- Nunca coloque objetos, como colher, dentro da boca do paciente para segurar sua língua, essa
tentativa coloca sua integridade em risco, além de facilitar que ele machuque a boca ou quebre os dentes;
- Faça a lateralização da cabeça, pois ela impedirá que o paciente se afogue com a própria saliva;
- Chame ajuda médica se a crise durar mais do que cinco minutos;
- Deite o paciente confortavelmente de lado e deixe-o descansar ao terminar a crise, pois ele pode
permanecer desacordado por algum tempo;
- Nunca ofereça nada de beber ou de comer logo após a crise, pois o paciente pode não conseguir
engolir direito, ficando mais propenso ao risco de aspiração de alimentos ou de líquidos para o pulmão;
- Evite comentários sobre o atendimento de uma convulsão, tanto durante como após o socorro, pois
a pessoa já se encontra desconfortável o suficiente com a ocorrência da crise;
- Permaneça junto à vítima até que ela se recupere totalmente. Apresente-se a ela, demonstrando
atenção e cuidado com o caso, e informe-a de onde está e com quem, proporcionando segurança e
tranquilidade. Pode ser muito útil saber se a pessoa é portadora de epilepsia e se está em dia com suas
medicações;
- Faça uma inspeção geral no estado da vítima após a crise, a fim de verificar se ela está ferida ou
sangrando. Se apresentar alguma lesão, encaminhe para o atendimento médico.

Choque

- Deite a vítima em posição horizontal, preferencialmente de costas, e com as pernas a um nível cerca
de 25 a 30cm mais elevadas do que a cabeça;
- Eleve os membros inferiores em relação ao corpo, colocando-os sobre uma almofada, um cobertor
dobrado ou qualquer outro objeto. Esse procedimento deve ser feito apenas se não houver fraturas
desses membros e serve para melhorar o retorno sanguíneo e levar o máximo de oxigênio ao cérebro -
não os erguer a mais de 30cm do solo. No caso de ferimentos no tórax que dificultem a respiração ou na
cabeça, os membros inferiores não devem ser elevados;
- Afrouxe as roupas da vítima no pescoço, no peito e na cintura e, em seguida, verificar se há presença
de prótese dentária, objetos ou alimento na boca e os retirar;
- Deite a vítima na posição lateral de segurança para evitar asfixia, no caso de estar inconsciente, ou
se estiver consciente, mas sangrando pela boca ou pelo nariz;
- Verifique quase que simultaneamente se a vítima está respirando e esteja preparado para iniciar
manobras de ressuscitação cardiopulmonar se ela não estiver;
- Observe o pulso da vítima enquanto as providências já indicadas são executadas - no choque, ele
apresenta-se rápido e fraco;
- Cubra a vítima com uma manta, para evitar a perda de calor e o consequente arrefecimento corporal,
sem, porém, aquecê-la excessivamente;
- Não dê comida ou qualquer bebida à vítima caso ela esteja obnubilada, porque pode provocar a
passagem de alimentos para as vias respiratórias;
- Tranquilize a vítima, mantendo-a calma sem demonstrar apreensão quanto ao seu estado, se o
socorro médico estiver demorando. Permaneça junto a ela para dar-lhe segurança e monitorar alterações
em seu estado físico e de consciência.

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Afogamento

- Reconheça se a pessoa está se afogando, pois nem sempre ela se apresenta agitada e grita por
socorro. Tenha, ainda, muita atenção, porque um afogamento pode passar despercebido, e alguns
indivíduos parecem estar brincando na água. Na maioria dos casos, o banhista estará em posição vertical,
sem se deslocar;
- Chame imediatamente por socorro ao identificar um afogamento e, em seguida, tente ajudar, desde
que a ação de resgate não ofereça risco para sua integridade física;
- Use material flutuante, pois é de extrema importância para interromper o afogamento;
- Faça a remoção do afogado da água se for seguro para você. O ideal é tentar ajudar mantendo-se
fora da água;
- Entre na água somente se tiver absoluta segurança de não correr risco de ser um segundo afogado.
Se você decidiu fazer isso, leve consigo, sempre que possível, algum material de flutuação;
- Retire roupas e sapatos que possam pesar na água e dificultar seu deslocamento. É válida a tentativa
de transformar as calças em um flutuador;
- Sempre entre na água mantendo a visão na vítima;
- Pare a dois metros antes do afogado, lhe entregue o material de flutuação e sempre o mantenha
entre você e a vítima;
- Deixe que a vítima se acalme, antes de chegar muito perto;
- Peça ao afogado que flutue e, então, acene pedindo ajuda se você não estiver confiante em sua
natação. Não tente rebocá-lo para fora da água, pois poderá gastar suas últimas energias;
- Mantenha-se calmo durante o socorro e, acima de tudo, não se exponha a riscos desnecessários;
- Coloque o afogado com a cabeça e o tronco em linha horizontal assim que retirá-lo da água e, em
seguida, pergunte “você está me ouvindo, ” para confirmar se ele está consciente;
- Coloque a vítima em posição lateral de segurança e aguarde o socorro chegar se houver resposta
(fala, movimento ou qualquer outra resposta) ou se você verificar que ela está viva (respirando e com
coração batendo);
- Inicie imediatamente a abertura das vias aéreas se não identificar resposta da vítima ou sinais de
vida, levante o queixo dela com a mão direita, coloque a esquerda na testa e estenda o pescoço para
abrir as vias aéreas;
- Faça a respiração boca a boca se não houver sinais de vida, inclinando a cabeça para trás a fim de
que a língua não bloqueie o fluxo de ar e, em seguida, sopre na boca obstruindo o nariz com a mão. Faça
em torno de cinco insuflações com intervalo entre cada uma para permitir que o tórax se eleve;
- Utilize a barreira de proteção (máscara) se possível, mas a sua ausência não é um impedimento, pois
o risco, quando não há sangue na boca, torna-se desprezível para o socorrista;
- Encare que o coração está parado se não houver resposta da vítima por meio de movimentos ou
reação à ventilação;
- Inicie, então, as manobras de RPC, retire os dois dedos do queixo e passe-os pelo abdome,
localizando o encontro das duas últimas costelas, marque dois dedos, retire a mão da testa e coloque-a
no tórax, com a outra mão sobre a primeira, e inicie 30 compressões cardíacas externa. Cada compressão
deve garantir o afundamento de no mínimo cinco centímetros do tórax, garantindo seu retorno completo
antes de se iniciar uma nova compressão. Já sua velocidade deve ser de, no mínimo, 100 movimentos
em 60 segundos;
- Utilize apenas uma mão para a realização das compressões se a vítima for criança;
- Mantenha alternando duas ventilações e 30 compressões e não pare até que haja resposta e a
respiração e os batimentos cardíacos retornem. Depois, coloque a vítima de lado e aguarde o socorro
médico solicitado;
- Entregue o afogado a uma equipe médica, ou até você ficar exausto;
- Reavalie a ventilação e os sinais de circulação após os primeiros quatro ciclos completos de
compressão e ventilação. Se for ausente, prossiga com a RCP e interrompa-a para uma nova reavaliação
a cada dois minutos ou quatro ciclos;
- Fique atento e verifique periodicamente se o afogado está ou não respondendo durante a RCP, o
que será importante na decisão de parar ou prosseguir nas manobras;
- Realize a RCP com outro socorrista sempre que possível, alternado quem realiza as compressões
torácicas a cada dois minutos;
- Realize a RCP de preferência no local do afogamento, pois é onde a vítima terá maior chance de
sucesso. Nos casos de retorno das funções cardíaca e respiratória, acompanhe o afogado com muita
atenção, durante os primeiros 30 minutos, até a chegada da equipe médica, porque ele ainda não está
fora de risco de uma nova PCR;

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- Refaça a hiperextensão do pescoço e tente novamente nos casos em que não houver efetividade da
manobra de ventilação boca a boca;
- Retire as próteses dentárias somente se estiverem dificultando a ventilação boca a boca;
- Lembre-se que o ar atmosférico é uma mistura gasosa que apresenta cerca de 21% de oxigênio em
sua composição e, em cada movimento respiratório, gasta-se em torno de 4% desse total, restando 17%
de oxigênio no ar expirado pelo socorrista. Essa quantidade é suficiente para a ventilação boca a boca
ser considerada o método mais eficiente em ventilação artificial de emergência.

Acidentes com Animais Peçonhentos

Picadas de insetos
- Mantenha a calma;
- Observe os sinais e as funções vitais da vítima;
- Leve o acidentado rapidamente ao hospital, no caso de múltiplas picadas de abelhas;
- Leve, se possível, o animal para identificação;
- Utilize a técnica de raspagem do local, com uma lâmina limpa, para retirar ferrões de abelhas. Não
use pinça, pois provoca a compressão dos reservatórios de veneno, o que resulta na inoculação da
substância ainda existente no ferrão;
- Lave o local com água e sabão, após a remoção, para prevenir a ocorrência de infecção secundária;
- Aplique uma bolsa de gelo para controlar a dor;
- Lave a região atingida com água fria, aplique compressas frias, eleve o membro acometido e
encaminhe ao atendimento médico os indivíduos que apresentam ardor intenso, em acidentes com
lagartas;
- Não dê bebidas alcoólicas à vítima;
- Encaminhe a vítima ao atendimento especializado nos casos de dores intensas;
- Remova a vítima com maior urgência para o atendimento especializado, em caso de reação de
hipersensibilidade.
Picadas de cobras
- Acalme e conforte a vítima que, quase sempre, estará agitada;
- Mantenha a vítima em decúbito dorsal, em repouso, evitando deambular ou correr, caso contrário, a
absorção do veneno pode disseminar-se mais rápido;
- Lave o local da picada apenas com água ou água e sabão, fazendo a antissepsia, se possível;
- Mantenha o membro afetado elevado;
- Mantenha a vítima hidratada;
- Controle os sinais vitais e o volume urinário do acidentado;
- Transporte a vítima com urgência para o atendimento especializado de emergência;
- Não envolva com gelo, em nenhuma circunstância, a extremidade;
- Não faça qualquer medida local de primeiros socorros se já passaram mais de 30 minutos desde o
momento da picada. Mantenha os cuidados gerais de repouso e apoio psicológico: verificação dos sinais
vitais, prevenção de estado de choque e transporte da vítima, o mais rápido possível, ao serviço de
emergência médica;
- Localize, sempre que for possível, a cobra que picou a vítima e leve-a com segurança para o
reconhecimento, a fim de que seja ministrado o soro específico, mais eficiente do que o soro universal;
- Capture a cobra viva, levantando-a do chão com uma haste qualquer pelo meio do corpo, sem se
arriscar e, em seguida, coloque-a em uma caixa bem fechada, assim ela não consegue reagir, nem dar o
bote. Se não for possível levá-la viva, não hesite em matá-la e recolher o exemplar.

Emergência de Temperatura33

Intermação
- Estabeleça as vias aéreas e, quando possível, remova a vítima da fonte de calor;
- Remova o máximo possível de vestimentas da vítima, deixando apenas sua roupa íntima; em seguida,
utilize uma combinação dos seguintes métodos para resfriar a vítima até que seu estado mental retorne
ao normal:
● Despeje ou borrife água fria sobre o corpo da vítima, abane a vítima vigorosamente;
● Se a vítima começar a ter calafrios, diminua o método de resfriamento (os tremores de frio produzem
calor);

33
KARREN, K. J. et al. Primeiros Socorros para estudantes. Manole, 2013.

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186
● Nunca use álcool isopropílico para esfriar a pele; a pele absorve o álcool, o que pode ser tóxico.
- Nunca dê estimulantes ou bebidas quentes para a vítima;
- À medida que o corpo esfria, podem ocorrer crises convulsivas ou vômito. Posicione a vítima para
facilitar a drenagem;
- Monitore a temperatura da vítima enquanto espera a chegada da equipe de resgate. Se a temperatura
começar a subir, retome os procedimentos de resfriamento. (A temperatura deve cair para menos de
37,7°C e permanecer baixa até que o perigo tenha passado.)

Exaustão por Calor


- Leve a vítima para um local fresco, retire o máximo de roupas possível, aplique compressas frias
molhadas em sua pele e a abane de leve. Certifique-se de que a vítima não sente frio;
- Coloque a vítima deitada, levante seus pés de 20 a 30cm;
- Se a vítima estiver totalmente consciente, dê a ela água fria ou bebida esportiva para beber em um
ritmo de meio copo a cada 10 minutos durante 1 hora. Nunca dê sal para a vítima. Se a vítima vomitar,
pare de dar líquidos e acione imediatamente o Serviço de Regaste Médico (SRM);
- Se a vítima estiver inconsciente, ela pode estar progredindo para uma intermação; acione
imediatamente o SRM e cuide das vias aéreas e da ventilação;
- Meça a temperatura da vítima a cada 10 ou 15 minutos. Se estiver acima de 38°C ou subindo, ou se
a vítima estiver incapaz de ingerir líquidos ou vomitar após ingeri-los, ou se ela não melhorar em 30
minutos, acione o SRM.

Hipotermia
- Verifique os sinais vitais da vítima. Meça por 1 minuto completo, porque os sinais vitais diminuem em
casos de hipotermia (a vítima com hipotermia pode, por minuto, respirar apenas de três a quatro vezes e
ter pulso de apenas 5 a 10 batimentos). Se não houver pulso, desobstrua as vias aéreas e inicie a
Reanimação Cardiopulmonar (RCP). Se um desfibrilador estiver disponível, dê somente um choque. Se
o procedimento não corrigir o ritmo, continue a RCP e não dê novos choques;
- Manipule a vítima com muito cuidado. Não deixe a vítima caminhar ou se mover excessivamente por
conta própria;
- Mantenha a vítima em decúbito dorsal para evitar o choque e aumentar o fluxo sanguíneo no cérebro.
Não levante as pernas; ao fazê-lo, o sangue frio flui para o coração;
- Previna perda adicional de calor:
● Transfira a vítima para um local protegido e quente;
● Isole a cabeça e o corpo, principalmente a parte central;
● Não deixe a pele da vítima exposta a vento, ar frio ou respingos de água;
● Remova roupas molhadas, depois coloque roupas secas e cobertores sobre a vítima;
● Se a vítima estiver usando um casaco, coloque os braços dela próximos do corpo, e não dentro das
mangas;
● Isole a vítima do chão com cobertores, lençóis plásticos, jornais, plástico-bolha, material de
embalagem ou saco de dormir.
- Nunca esfregue ou manipule braços ou pernas; você pode forçar o sangue frio das veias para o
coração, causando ritmo cardíaco anormal ou parada cardíaca;
- Nunca dê tabaco, café ou álcool para a vítima. Dê líquidos apenas após a cessação dos calafrios e
quando a vítima estiver completamente consciente (a vítima deve ser capaz de engolir e tossir).

Ferimentos34

Nas hipóteses de ferimentos é necessário:


- Retirar os pelos em torno do ferimento com exceção das sobrancelhas;
- Limpar em torno da ferida com a solução indicada, pois limpando dentro a solução poderá ser nociva
caso haja exposição de tecidos;
- Ajudar o médico a limpar e desbridar o ferimento;
- Auxiliar o médico na sutura;
- Aplicar um curativo não aderente para proteger a ferida;
- Administrar tratamento bacteriano de ataque prescrito;
- Ministrar profilaxia contra tétano para proteger o paciente;

34
https://www.docsity.com/pt/enfermagem-em-urgencia-e-emergencia/4715045/

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187
- Orientar o paciente a contatar com o médico e procurar o serviço de saúde no caso de dor súbita
persistente, febre, hemorragia ou sinais de mau cheiro, secreção ou vermelhidão em torno da ferida.

Feridas Abdominais Penetrantes

Nas hipóteses de feridas abdominais penetrantes é necessário:


- Inspecionar o local para verificação de lesões penetrantes;
- Auscultar verificando ausência ou presença de traumatismo;
- Avaliar progressão da distensão abdominal, defesa reflexa, dor, rigidez muscular e hiperestesia de
rebote, hiperestesia, e diminuição do peristaltismo intestinal;
- Registrar todos os sinais físicos à medida que o paciente for examinado.

Cuidados Emergenciais

Nas hipóteses de cuidados emergenciais é necessário:


- Restaurar as vias aéreas;
- Manter o paciente na maca, já que o movimento pode causar fragmentação de um coágulo em um
grande vaso e produzir hemorragia maciça;
- Caso o paciente esteja comatoso, imobilizar o pescoço;
- Retirar a roupa de cima do ferimento;
- Contar o n° de ferimentos;
- Localizar a entrada e saída dos ferimentos;
- Avaliar a presença de hemorragias;
- Cobrir as vísceras exteriorizadas com curativos estéreis de soro fisiológico para prevenir o
ressecamento das vísceras;
- Controlar a hemorragia até que recupere e possa ser feita a cirurgia;
- Aspirar conteúdos gástricos pois previne complicações pulmonares;
- Introduzir cateter uretral para avaliar débito urinário e presença de hematúria;
- Suspender ingestão de líquidos pela boca, prevenindo o aumento da peristalse e vômitos, no caso
de ferimentos produzido por arma branca preparar para sinografia para detectar penetração peritoneal;
- Administrar profilaxia contra tétano;
- Administrar antibiótico de largo espectro prescrito;
- Preparar o paciente para procedimento cirúrgico caso ocorra, hemorragia, ar sobre o diafragma,
evisceração ou hematúria.

Limpeza de Ferimentos Superficiais

1. Lavar bem as mãos com água e sabão;


2. Lavar abundantemente a ferida com água limpa e sabão. Se possível lavar com água morna;
3. Se preciso realizar tricotomia (corte dos cabelos e pelos);
4. Cuidado ao retirar sujeira. Não esfregar os ferimentos para não piorar a solução de continuidade da
pele, e não remover possíveis coágulos existentes;
5. Cobrir com gaze estéril para secar, limpando a ferida no sentido de dentro para fora, para não levar
microrganismos para dentro;
6. Colocar compressas de gaze sobre a ferida. Não usar algodão, que se desmancha e prejudica a
cicatrização;
7. Não tentar retirar corpos estranhos, tais como: farpas ou pedaços de vidro ou metal, a não ser que
saiam facilmente;
8. Fazer uma atadura ou bandagem sobre o ferimento com curativo.

Contusão Abdominal

Em caso de contusão abdominal é necessário:


- Iniciar método de ressuscitação;
- Efetuar avaliação física constante;
- Observar a presença de presença de hiperestesia, rigidez, espasmos, observe o aumento da
distensão abdominal; ausculte ruídos peritoneais; monitorize frequente sinais vitais;
- Avaliar complicações imediatas: como hemorragias, choques e lesões associadas;
- Encaminhar solicitação de exames laboratoriais;

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188
- Encaminhar para exames radiográficos;
- Colocar sonda nasogástrica para prevenir vômitos e consequentes aspirações de secreção;

Esmagamentos

Em caso de esmagamentos o controle do choque sistêmico constitui prioridade de tratamento;


devendo-se:
- Controlar o choque;
- Observar a presença de comprometimento renal;
- Imobilizar os grandes esmagamentos de parte mole;
- Elevar as extremidades para aliviar a pressão dos líquidos extravasados;
- Administrar medicações para dor e ansiedade prescritas,
- Encaminhar a cirurgia, observar presença de choques;
- Monitorar os sinais vitais do paciente;
- Administrar plasma e sangue prescritos;

Traumatismos Múltiplos

Em caso de traumatismos múltiplos, deve-se:


- Efetuar um exame físico simplificado, para determinar sangramento, parada respiratória, ou choque;
- Iniciar ressuscitação;
- Observar aspecto e assimetria da movimentação da parede torácica e padrão da respiração;
- Ventilar o paciente prevenindo a hipóxia;
- Introduzir cânula evitando orofaríngea evitando oclusão pela língua;
- Avaliar a função cardíaca;
- Puncionar veia calibrosa e iniciar administração de sangue, derivados e eletrólitos;
- Controlar a hemorragia;
- Prevenir e tratar o choque hipovolêmico;
- Introduzir cateter uretral de demora, e monitorizar débito cardíaco;
- Avaliar presença de traumatismo de pescoço;
- Avaliar a presença de traumatismo de crânio;
- Imobilizar fraturas evitando traumatismo maior de partes moles;
- Preparar para laparotomia caso o paciente mostre sinais contínuos de hemorragias e piora;
- Mobilizar a cada hora o débito urinário;
- Administrar tratamento contra tétano.

Fraturas

Em caso de fraturas, deve-se:


- Dar imediata atenção ao estado geral do paciente;
- Avaliar presença de dificuldades respiratórias;
- Preparar para traqueostomia, caso necessário;
- Administrar sangue e hemoderivados e eletrólitos, prescrito;
- Manter controle de sinais vitais constantes;
- Avaliar déficits neurológicos;
- Administrar oxigenação prescrita;
- Aplicar curativo estéril em fratura exposta;
- Imobilizar antes de movimentar o paciente;
- Avaliar sinais de choque e hemorragias;
- Manusear a parte afetada o mínimo possível;
- Transportar o paciente com segurança;
- Administrar analgésicos prescritos.

Reação Anafilática

Se for na presença de edema glótico, deve-se:


- Fazer incisão na membrana cricotireoidea para liberar via aérea;
- Proceder respiração cardiorrespiratória;
- Administrar epinefrina prescrita;

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189
- Iniciar infusão e medicamento para reversão de efeito;
- Avaliar e monitorar sinais vitais;
- Administrar oxigênio;
- Caso o paciente esteja com convulsões administre medicamento anticonvulsivante.

Envenenamento

O que fazer neste caso:


- Controlar vias áreas;
- Avaliar a função cardiovascular;
- Administrar oxigenoterapia;
- Monitorar débito cardíaco;
- Procurar determinar qual o veneno para estabelecer antídoto;
- Monitorar estado neurológico;
- Obter amostra de sangue para dosar a concentração do veneno;
- Puncionar veia calibrosa;
- Administrar tratamento de suporte;
- Monitorizar equilíbrio hidroeletrolítico;
- Realizar uma lavagem gástrica para paciente obnubilado;
- Monitorar e tratar complicações.

Telefones públicos de emergência: prontos-socorros, polícias militar e civil, corpo de


bombeiros.

Listamos os principais números úteis e de emergência nacionais. Fique atento a finalidade de cada um
para não errar durante a ligação:

SAMU: 192
Serviço de Atendimento Móvel de Urgência - SAMU (pronto-socorro). O SAMU é o serviço médico
brasileiro utilizado em caso de emergências médicas. Para utilizá-lo, basta ligar para 192 e explicar o tipo
de emergência para acionar o serviço.

Policia Militar: 190


O 190 é um serviço de emergência da Polícia Militar que atende aos cidadãos em casos de riscos,
ameaças contra a vida, denúncias de roubos, atentados e proteção pública. Pode ser acionado de
telefones fixos e celulares.

Polícia Civil: 197


Para denúncias de porte de arma, drogas, tráfico, roubos, assaltos, assassinatos, sequestros, etc.

Corpo de Bombeiros: 193


As consequências da maioria dos acidentes domésticos ou na rua podem ser amenizadas com o
socorro imediato do Corpo de Bombeiros. O Disque Bombeiros atende a incêndios, acidentes com
animais, vazamentos de gás, produtos químico e causas naturais como alagamento e queimadas. Confira
aqui um caso de atuação do Corpo de Bombeiros em vistoria por Brasília.

Postos de Saúde e Hospitais:


O 192 é um serviço de atendimento pré-hospitalar de urgência e emergência. Você pode acionar o
serviço através de telefones sem utilizar fichas ou cartão.

O que você deve saber antes de ligar para o 192:


1 - O que aconteceu com o paciente;
2 - Endereço - rua, avenida, número, bairro e referência do local da ocorrência;
3 - Dados do paciente, como nome, idade e sexo;
4 - O número do telefone de onde você está ligando.

O 192 atende apenas situações de emergências médicas. Não dê trote! Você poderá retardar e
prejudicar seriamente outra pessoa que esteja em risco de vida.

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190
ATENÇÃO!
Chame o socorro pelo número 192.
Caso o paciente seja socorrido por outros meios, ligue cancelando o pedido.

Questões

01. (Prefeitura de Salvador/BA - Agente de Salvamento Aquático - FGV/2019) Para o socorro a


uma vítima de afogamento dentro da água, um procedimento adequado do socorrista é
(A) agarrar a vítima para nela colocar o colete salva vidas e, em seguida, transportá-la até a costa.
(B) entregar o material de flutuação à vítima, mantendo-a à distância, para evitar que ela o agarre.
(C) colocar a nadadeira na vítima, para que ela possa se conduzir até um local mais seguro.
(D) estar sempre em contato direto com a vítima, para conduzi-la em direção à prancha de salvamento
ou flutuador.
(E) tentar trazer a vítima ao máximo para a superfície, caso ela agarre o socorrista.

02. (Prefeitura de Natal/RN - Técnico em Enfermagem do Trabalho - COMPERVE/2018) Um


trabalhador de 42 anos de idade apresenta obstrução total de vias aéreas por corpo estranho, encontra-
se consciente, mas com sinais de asfixia, pois agarra o pescoço e demonstra estar incapaz de falar ou
tossir, apresentando cianose e esforço respiratório acentuado. A intervenção indicada no atendimento a
esse trabalhador é executar a manobra de
(A) Heimlich.
(B) Osler.
(C) Valsava.
(D) Epley.

03. (UFAM - Técnico de Enfermagem - COMVEST UFAM/2018) Uma das situações no atendimento
de urgência e emergência são as hemorragias, tendo como causa a perda maciça de sangue consequente
ao rompimento de vasos sanguíneos. O método mais eficaz de controlar as hemorragias é:
(A) avisar ao plantonista médico.
(B) a transfusão sanguínea como primeira ação.
(C) assegurar acesso venoso, mas só em casos graves.
(D) aferir os sinais vitais.
(E) a compressão direta do ponto onde está ocorrendo a hemorragia, por cerca de 6 a 8 minutos.

04. (SAS/SP - Técnico de Enfermagem - MS CONCURSOS/2018) Quando há uma situação que não
pode ser adiada, que deve ser resolvida rapidamente, pois se houver demora, corre-se o risco até mesmo
de morte; na enfermagem, esse é o conceito de:
(A) Trauma
(B) Emergência
(C) Urgência
(D) Síncope
(E) PCR

05. (SAS/SP - Técnico de Enfermagem - MS CONCURSOS/2018) Quando há uma situação que não
pode ser adiada, que deve ser resolvida rapidamente, pois se houver demora, corre-se o risco até mesmo
de morte; na enfermagem, esse é o conceito de:
(A) Trauma
(B) Emergência
(C) Urgência
(D) Síncope
(E) PCR

06. (EBSERH - Técnico de Enfermagem - CESPE/2018) Mariana, com setenta e seis anos de idade,
apresenta, em atendimento hospitalar de emergência, forte dor precordial, em aperto, contínua, com
irradiação para o pescoço, e leve tontura - segundo a paciente, há cerca de 30 min. Ela tem história de
hipertensão arterial crônica e vem sendo acompanhada regularmente por seu cardiologista. No exame,
Mariana encontra-se dispneica, agitada, com PA de 190 mmHg × 130 mmHg e oximetria de pulso em
92%.

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191
Acerca desse caso clínico, julgue o item a seguir.
O quadro apresentado por Mariana pode ser corretamente classificado como uma urgência
hipertensiva.
( ) Certo
( ) Errado

07. (TRE/SP - Técnico Judiciário - Enfermagem - FCC/2017) Considerando as manobras de


Reanimação Cardiopulmonar – RCP, as Diretrizes da American Heart Association – AHA 2015
recomenda
(A) manter a relação compressão-ventilação com via aérea avançada de 30:2 com uso de ventilador
pulmonar.
(B) avaliar a respiração e o pulso simultaneamente em até 30 segundos.
(C) aplicar compressões torácicas a uma frequência de 100 a 120/min.
(D) apoiar-se sobre o tórax do paciente entre as compressões.
(E) permitir o retorno parcial da parede do tórax após cada compressão.

08. (SES/SC - Técnico em Enfermagem - FEPESE/2017) Sabe-se que os engasgos são


intercorrências comuns que acontecem com recém-nascidos.
São ações corretas a serem realizadas diante de um engasgo em recém-nascido:
(A) O recém-nascido deve ser colocado deitado e feitas compressões torácicas.
(B) O recém-nascido deve ser levantado imediatamente e soprado seu rosto para ajudá-lo a respirar.
(C) O recém-nascido deve ser posicionado de cabeça para baixo, apoiando-o na coxa e devendo-se
bater com a parte mais saliente da mão aberta entre as escápulas.
(D) O recém-nascido deve ser posicionado com a cabeça para cima, devendo-se bater com a parte
mais saliente da mão aberta entre as escápulas.
(E) O recém-nascido deve ser levantado imediatamente e o adulto, com os dedos indicadores e médio,
deverá tentar retirar o corpo estranho, se for o caso.

09. (TRF-2ª Região - Analista Judiciário - Enfermagem - CONSUPLAN/2017) O Sistema de


Classificação de Pacientes é uma das ferramentas utilizadas pelo enfermeiro subsidiando-o nas suas
ações administrativas. O Sistema de Classificação de Pacientes pode ser melhor definido como:
(A) Método utilizado para determinar, monitorar e validar as necessidades de cuidado individualizado
do paciente.
(B) Sistema estabelecido pelo COFEN que determina horas de assistência de enfermagem por unidade
de internação.
(C) Método de classificar as queixas dos usuários que demandam os serviços de urgência/emergência,
visando identificar os que necessitam de atendimento médico mediato ou imediato.
(D) Sistema estabelecido pelo Ministério da Saúde baseado no caráter público ou privado da instituição
de saúde para o repasse de recursos para aperfeiçoamento profissional.

Gabarito

01.B / 02.A / 03.E / 04.C / 05.B / 06.Certo / 07.C / 08.C / 09.A

Comentários

01. Resposta: B
- Chame imediatamente por socorro ao identificar um afogamento e, em seguida, tente ajudar, desde
que a ação de resgate não ofereça risco para sua integridade física;
- Use material flutuante, pois é de extrema importância para interromper o afogamento;
- Faça a remoção do afogado da água se for seguro para você. O ideal é tentar ajudar mantendo-se
fora da água;
- Entre na água somente se tiver absoluta segurança de não correr risco de ser um segundo afogado.
Se você decidiu fazer isso, leve consigo, sempre que possível, algum material de flutuação.

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192
02. Resposta: A
Como Agir em Caso de Engasgo por Corpo Estranho
Manobra de Heimlich
Posicione-se por trás e enlace a vítima com os braços ao redor do abdome (se for uma criança, ajoelhe-
se primeiro), caso ela esteja consciente. Uma das mãos permanece fechada sobre a chamada “boca do
estômago” (região epigástrica).
A outra mão comprime a primeira, ao mesmo tempo em que empurra a “boca do estômago” para dentro
e para cima, como se quisesse levantar a vítima do chão. Faça movimentos de compressão para dentro
e para cima (como uma letra "J"), até que a vítima elimine o corpo estranho.

03. Resposta: E
- Identificar o local exato da hemorragia. Devido ao sangue se espalhar, é possível que o atendimento
esteja sendo feito no local errado, por essa razão, é extremamente importante identificar o local e já
proceder com as ações de estancamento da hemorragia de forma adequada (hemorragia externa) ou
realizar o alinhamento anatômico de membro fraturado (possibilidade de sangramento interno) quando
possível;
- Pressionar com firmeza (curativo compressivo) o local do sangramento, tendo o cuidado de não
pressionar demais e, com isso, parar a circulação.

04. Resposta: C
Segundo a Resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) n. 1.451/95, entende-se por urgência
a condição “imprevista de agravo da saúde com ou sem risco potencial de vida”, com necessidade de
assistência de saúde imediata ou em até 24h.

05. Resposta: B
Emergência como a condição imprevista de agravo da saúde, com “risco iminente de vida ou
sofrimento intenso, exigindo, portanto, tratamento médico imediato”.

06. Resposta: Certo


Quando a pressão exercida sobre as artérias é maior do que a esperada, dá-se a hipertensão arterial.
A pressão considerada normal é variável entre 120 ×90mmHg e 120 × 80mmHg.
Sinais e sintomas: Cefaleia, sudorese fria, dor em região da “nuca” (mas sem rigidez), mal-estar geral
e ansiedade.

07. Resposta: C
Com as mãos sobre a metade inferior do esterno (região hipotenar), sem flexionar os cotovelos inicie
as compressões torácicas a uma frequência de 100 a 120/min;

08. Resposta: C
Coloque o bebê de bruços em cima do seu braço e faça cinco compressões entre as escápulas (no
meio das costas).

09. Resposta: A
Segundo o Ministério da Saúde, o sistema de classificação de prioridade é uma estratégia que contribui
para reduzir o tempo de espera e melhorar a qualidade da assistência.
No contexto da Política Nacional de Humanização, o termo triagem foi substituído por classificação de
risco, realizada por meio de instrumentos e escalas de seleção - como a canadense, a australiana, a
americana e o sistema de classificação de Manchester - para destinar a cada cliente os recursos e tempo
necessários ao atendimento, de acordo com cada grau de gravidade.

ORGANIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO DA UNIDADE DE ENFERMAGEM EM CENÁRIOS


ASSISTENCIAIS DE SAÚDE35

A organização é de fundamental importância para que as unidades de enfermagem possam alcançar


seus objetivos, ou seja, a prestação integral da assistência de enfermagem aos pacientes.

35
http://portal.coren-sp.gov.br/sites/default/files/parecer_coren_sp_2011_30.pdf

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193
O serviço de enfermagem de um hospital é constituído pelas unidades de internação geral que
englobam:
- Clínica médica;
- Clínica cirúrgica;
- Unidade de obstetrícia;
- Unidade de berçário;
- Unidade de pediatria;
- Unidade de ortopedia;
- Emergência (Pronto Socorro);
- Centro de material e esterilização;
- Unidade de terapia intensiva;
- Unidade de ambulatório.

Se o serviço dispõe de todas essas especialidades, o hospital é de grande ou médio porte. O hospital
de pequeno porte tem suas unidades reduzidas e agrupadas.
As unidades de emergência são locais apropriados para o atendimento de pacientes com afecções
agudas específicas onde existe um trabalho de equipe especializado e podendo ser divididas em pronto
atendimento, pronto socorro e emergência.
Segundo a Resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) n° 1451/1995, os estabelecimentos de
pronto socorros, públicos e privados, devem ser estruturados para prestar atendimento a situações de
urgência-emergência, devendo garantir todas as manobras de sustentação da vida e com condições de
dar continuidade à assistência no local ou em outro nível de atendimento referenciado.
De acordo com a definição do Ministério da Saúde, pronto-socorro é o estabelecimento de saúde
destinado a prestar assistência a doentes, com ou sem risco de vida, cujo agravos à saúde necessitam
de atendimento imediato, sendo que seu funcionamento deve permanecer ininterrupto durante as 24
horas do dia e dispõe de leitos de observação.

Recursos Humanos

A equipe de enfermagem é constituída por enfermeiro, técnico de enfermagem e auxiliar de


enfermagem. Para atender ás necessidades das unidades torna-se necessário identificar as funções e
responsabilidades de cada membro da equipe.

Recursos Materiais, Equipamentos, Medicações e Roupas

As unidades de enfermagem devem estar equipadas com todos os materiais necessários para seu
eficiente funcionamento. Os avanços tecnológicos que vêm surgindo têm propiciado o surgimento de
novos produtos hospitalares que podem colaborar na melhora da assistência de enfermagem ao paciente.

Unidade de Emergência

É o conjunto de elementos para atendimento, diagnóstico e tratamento de pacientes acidentados ou


acometidos de mal súbito com ou sem risco de morte.
Localização: deve se localizar de modo a permitir facilidade de acesso ao público, entrada
independente.

Características Físicas
- Recepção e espera;
- Sanitário para o público;
- Sala de registros;
- Sala para primeiro atendimento;
- Sala de serviço social;
- Sala de hidratação;
- Sala de inalação;
- Sala para exames;
- Sala de gesso;
- Sala para pequena cirurgia;
- Sala de aplicação de medicação;
- Raio X;

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- Posto de enfermagem;
- Copa;
- Expurgo;
- Rouparia;
- Sala de observação de pacientes;
- Sala de isolamento;
- Sala para posto policial;

Observação: o posto de enfermagem deve ser próximo as salas de hidratação e de observação dos
pacientes.

Questões

01. Pode-se afirmar que o conjunto de elementos para atendimento, diagnóstico e tratamento de
pacientes acidentados é a unidade ambulatorial.
( ) Certo ( ) Errado

Gabarito

01. Errado

Comentários

01. Resposta: Errado


É a Unidade de emergência

Materiais e Equipamentos para Sala de Emergência

As salas de emergência dispõem de materiais e equipamentos básicos podendo variar com alguns
centros de especialidades, dentre os materiais básicos estão:
- Monitor cardíaco;
- Eletrocardiógrafo;
- Respirador mecânico;
- Bomba de infusão
- Cama fowler
- Carro de emergência;
- Material para intubação endotraqueal: Adulto/ infantil/ neonatal;
- Oxímetro de pulso;
- Conjunto de nebulização em máscara;

Conjunto padronizado de beira de leito:


- Termômetro;
- Esfigmomanômetro;
- Estetoscópio;
- Ambu com máscara.

Cilindros de oxigênio (transporte)


- Ventilador para transporte;
- Aspirador de secreções;
- Negatoscópio;
- Otoscópio;
- Máscara Venturi com diferentes concentrações de gases;

Pontos de oxigênio e ar comprimido medicinal com válvulas reguladoras de pressão e pontos de vácuo
para cada leito.
- Capacete para oxigenoterapia (pediátrico e neonatal);
- Incubadora para transporte Fototerapia.

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195
Bandejas para Procedimentos:
- Intracath;
- Drenagem de tórax;
- Pequena cirurgia;
- Curativos;
- Flebotomia;
- Punção lombar;
- Cateterismo vesical;
- Intubação endotraqueal: Adulto / infantil/ neonatal.

Carrinho de Emergência

Medicamentos:
- Adrenalina 1mg/ml;
- Amiodarona;
- Aminofilina;
- Atropina 0,5mg/ml;
- Bicarbonato de sódio 8,4%;
- Cedilanide;
- Dopamina 50mg;
- Glicose 50% (20ml);
- Glicose 25% (20ml);
- Gluconato de cálcio 10%;
- Furosemida 10mg/ml;
- Noradrenalina 1mg/ml;
- Solucortef 100 mg e 500 mg;
- Água destilada 10ml;
- Xylocaína 2% s/a;
- Solução fisiológica 0,9%;
- Solução glicosada 5%;
- Solução glicosada 10%.

Atropina36 - Ampola de 1ml com 0,5mg.


Ação: Parassimpaticolítico: aumenta a frequência cardíaca; Broncodilatação; Midríase; Redução de
salivação; Antídoto na intoxicação por organofosforados.
Dose máxima em adultos: 2mg/dose.
Administração intravenosa: Pode ser feita sem diluir e em bólus rápido.
Administração endotraqueal: diluir para 3 a 5ml em soro fisiológico.

Bicarbonato de sódio - Ampola de 10ml a 8,4%.


Indicação: Acidose metabólica; Hipercalemia; Hipermagnesemia; Intoxicações por antidepressivos
tricíclicos, cocaína ou bloqueadores dos canais de cálcio.
Na emergência: Diluir a ampola a 1:1 com ABD e administrar a dose em, no mínimo, 2 minutos, direto
na veia.
Fora das emergências: Correr em 1-2 horas em bomba de infusão.
Lavar o acesso venoso com 3 a 5ml de SF imediatamente antes e imediatamente depois da
administração em bólus.
Acesso venoso exclusivo.

Dopamina / Revivan - Ampola de 10ml com 50mg (5mg/ml).


Catecolamina endógena;
Ação: Inotrópica; vasoconstritora sistêmica (pressora em doses altas);
Vasodilatadora renal (em doses baixas).
Geralmente usada diluindo-se uma ampola de 10ml com 5mg/ml em 240ml de SGI.
Paciente de 60 kg: infusão de 60 gotas/minuto = 180 ml/hora.

36
https://souenfermagem.com.br/estudos/emergencia/quais-medicamentos-colocamos-no-carro-de-emergencia/

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196
Pode ser misturada na mesma solução com dobutamina, adrenalina, noradrenalina, lidocaína,
vecurônio ou atracúrio.
Não infundir junto com bicarbonato.

Epinefrina / Adrenalina - Ampola 1mg/1ml.


Ação: Inotrópico (aumenta a contratilidade miocárdica); Cronotrópico (aumenta a freqüência cardíaca);
aumenta a resistência vascular periférica; aumenta a PA (melhorando a perfusão coronariana). EV: 1
ampola por dose a cada 3 minutos.
Preferencialmente em veia central em acesso exclusivo;
Não associar com bicarbonato na mesma via.

Amiodarona / Ancoron - Ampola de 3ml com 150mg (50mg/ml).


Ação: Antiarrítmico.
EV: preferir fazer em bólus direto, lento (5 minutos), e evitar correr em equipo (devido a liberação de
substância tóxica em contato com plásticos).
Não misturar ou infundir no mesmo acesso:
Aminofilina, Bicarbonato de sódio, cefazolina, cloreto de sódio e heparina.

Furosemida / Lasix - Ampola de 2ml com 20mg (10mg/ml).


Diurético de alça.
Indicações: ICC; Hipertensão; Hipervolemia; Edema por insuficiência renal.
EV sem diluir ou diluída a 1mg/ml.
Não misturar com cálcio, cefalosporinas, dopamina, dobutamina, hidrocortisona, gentamicina,
midazolan, morfina.

Cedilanide / Lanatosídeo C - Ampola de 2ml (0,2mg/ml).


Digitálico de ação curta; Uso EV.

Gluconato de cálcio - Frasco-ampola com 10ml a 10% (100mg/ml).


Na parada cardiorrespiratória tem importância secundária e deve ser usado só nos casos com
hipocalcemia.
Uso EV por bólus: deve ser lenta no máximo de 0,5ml/min;
Não deve ser infundido ou diluído com bicarbonato, pois precipita. Lavar com soro fisiológico a via
antes e depois de se infundir;
Se infiltrar provoca esclerose da veia e necrose tecidual.

Glicose hipertônica - Ampola de 20ml a 50%.


A glicose é importante na reanimação e nas emergências como choque, parada cardíaca, coma e
insuficiência respiratória grave e durante convulsões;
É preferencial que seja realizada uma glicemia capilar antes de se administrar a glicose.
Uso EV por bólus: diluir a glicose em igual volume de ABD;
O uso de soluções acima de 25% em bólus ou de 12,5% em infusão contínua por tempo prolongado
pode levar a esclerose e trombose de veias.

Cloridrato de lidocaína / Xylocaína - Anestésico local.


Antiarrítmico.

Materiais:
- Seringas de 5ml,10ml e 20ml;
- Jelco números: 18,20,22 e 24;
- Equipos macrogotas e microgotas;
- Equipo polifix;
- Luvas de procedimentos;
- Luvas cirúrgicas;
- Micropore e esparadrapo;
- Scalp 19 e 21;
- Gazes;
- Tábua para massagem cardíaca;
- Laringoscópio e lâminas curvas e retas;

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- Pilhas novas;
- Xylocaína gel;
- Cateter de aspiração;
- Sondas endotraqueais 7,5; 8,0 ;8,5 e 9,0;
- Sondas endotraqueais infantis;
- Cadarço;
- Cânulas de guedel adultos e infantil;
- Ambu adulto e infantil;
- Eletrodos;
- Agulhas 40x12;
- Agulhas 25x7;
- Agulhas 25x8;
- Agulhas 13x4,5.

Observações:
É muito importante a conferência do carrinho de emergência em cada plantão.
Reponha imediatamente os materiais ou medicamentos que estiverem faltando.
Somente utilize esses materiais em casos de emergência.
Cada hospital deve se adequar conforme suas necessidades, essa é uma lista de materiais,
equipamentos e medicamentos básicos, podendo ser modificado seguindo as necessidades de cada
local.

Questões

01. (IF/PA - Técnico em Enfermagem - FUNRIO) Assinale a opção correta sobre a administração de
drogas utilizadas em uma emergência cardiorrespiratória:
(A) A adrenalina é um hipotensor deve ser administrada a cada 1 minuto na dose de 2mg.
(B) Atropina é um digitálico, deve ser administrada a cada 2 minutos na dose de 1mg até a dose
máxima de 3mg.
(C) Amiodarona indicada nas taquiarritmias associadas ou não à angina do peito.
(D) Sulfato de Magnésio tem ação vasodilatadora direta.
(E) Bicarbonato de Sódio indicada como vasodilatador que atua na musculatura lisa das arteríolas
periféricas.

Gabarito

01.C

Comentários

01. Resposta: C
Amiodarona / Ancoron - Ampola de 3ml com 150mg (50mg/ml).
Ação: Antiarrítmico.
EV: preferir fazer em bólus direto, lento (5 minutos), e evitar correr em equipo (devido a liberação de
substância tóxica em contato com plásticos).

8. Enfermagem em saúde pública. 8.1. Política Nacional de Imunização

CONCEITO E ABRANGÊNCIA DE SAÚDE PÚBLICA3738

A saúde pública é a disciplina que trata da proteção da saúde a nível populacional. Neste sentido,
procura melhorar as condições de saúde das comunidades através da promoção de estilos de vida
saudáveis, das campanhas de sensibilização, da educação e da investigação. Para tal, conta com a

37
http://www.microbioticos.com/saude-publica
38
https://www.infoescola.com/saude/saude-publica/

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participação de especialistas em medicina, biologia, enfermagem, sociologia, estatística, veterinária e
outras ciências e áreas.
O desenvolvimento da saúde pública depende dos governos, que elaboram diversos programas de
saúde para obedecer aos respectivos objetivos. Das várias funções da saúde pública, destacam-se a
prevenção epidemio-patológica (com vacinações massivas e gratuitas), a proteção sanitária (controlo do
meio ambiente e da contaminação), a promoção sanitária (através da educação) e a restauração sanitária
(para recuperar a saúde).
Os organismos de saúde pública devem avaliar as necessidades de saúde da população, investigar o
surgimento de riscos para a saúde e analisar os determinantes de tais riscos. De acordo com o que for
detectado, devem estabelecer as prioridades e desenvolver programas e planos que permitam responder
a essas necessidades.
A saúde pública também deve gerir os recursos para assegurar que os seus serviços cheguem à maior
quantidade de pessoas possível. A saúde pública não pode oferecer serviços de vanguarda para
determinadas pessoas e descuidar das condições de saúde das restantes, já que parte de um princípio
comunitário e não pessoal. Ao depender do Estado, a saúde pública não deve fazer quaisquer
descriminações entre os habitantes de uma mesma região.
O conceito clássico de Saúde Pública define o termo como a arte e a ciência de prevenir doenças,
prolongar a vida, possibilitar a saúde e a eficiência física e mental através do esforço organizado da
comunidade. Isto envolve uma série de medidas adequadas para o desenvolvimento de uma estrutura
social capaz de proporcionar a todos os indivíduos de uma sociedade a condição de saúde necessária.
Esta definição é utilizada também pela Organização Mundial de Saúde, o principal órgão internacional
que visa a manutenção do bem-estar físico, psíquico e social.
A ação do Estado é central na promoção da Saúde Pública. É ele que a organiza de acordo com suas
questões sociais e políticas fazendo aplicar os serviços médicos na organização do sistema de saúde. A
Saúde Pública visa combater os fatores condicionantes da propagação de doenças, ou seja, tenta manter
um controle das incidências nas populações por meio de ações de vigilância e de investigações
governamentais.
A Saúde Pública no Brasil passa por personagens importantes como Oswaldo Cruz e Carlos Chagas,
mas também por instituições de destaque como o Instituto Vital Brasil, Butantã ou Adolfo Lutz. Estas
entidades de pesquisa e aprimoramento do combate às doenças são referenciais no que se refere à
saúde no país.
São, por outro lado, exemplos isolados de atividade competente e meritória da Saúde Pública
brasileira. Já a grande máquina de atendimento populacional no combate e controle de doenças é
chamada de SUS, Sistema Único de Saúde, e é alvo de várias críticas em função da precariedade dos
serviços prestados, da escassez de mão-de-obra qualificada para atender a grande demanda
populacional e da demora na solução de problemas por causa de uma grande sobrecarga burocrática.

PROGRAMA NACIONAL DE IMUNIZAÇÕES (PIN)

A primeira campanha de vacinação3940414243 em massa no Brasil, idealizada por Osvaldo Cruz, ocorreu
há mais de 100 anos, com o objetivo de erradicar a varíola, cujo último caso nacional foi notificado em
1971.
Em 1973 foi formulado o Programa Nacional de Imunizações (PNI), por determinação do Ministério da
Saúde, com o objetivo de coordenar as ações de imunizações que se caracterizavam, até então, pela
descontinuidade, pelo caráter episódico e pela reduzida área de cobertura.
A proposta básica para o Programa, constante de documento elaborado por técnicos do Departamento
Nacional de Profilaxia e Controle de Doenças (Ministério da Saúde) e da Central de Medicamentos (CEME
- Presidência da República), foi aprovada em reunião realizada em Brasília, em 18 de setembro de 1973,
presidida pelo próprio Ministro Mário Machado Lemos e contou com a participação de renomados
sanitaristas e infectologistas, bem como de representantes de diversas instituições.
Em 1975 foi institucionalizado o PNI, resultante do somatório de fatores, de âmbito nacional e
internacional, que convergiam para estimular e expandir a utilização de agentes imunizantes, buscando
a integridade das ações de imunizações realizadas no país.

39
http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/vacinacao/vacine-se
40
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_procedimentos_vacinacao.pdf
41
GUSSO, G.; LOPES, J. M. C.; DIAS, L. C. Tratado de Medicina de Família e Comunidade. Artmed, 2019.
42
http://www.saude.sp.gov.br/resources/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica/areas-de-vigilancia/imunizacao/doc/2016_norma_imunizacao.pdf
43
https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2019/marco/22/Instrucao-Normativa-Calendario-Vacinacao-Site.pdf

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199
O PNI passou a coordenar, assim, as atividades de imunizações desenvolvidas rotineiramente na rede
de serviços e, para tanto, traçou diretrizes pautadas na experiência da Fundação de Serviços de Saúde
Pública (FSESP), com a prestação de serviços integrais de saúde através de sua rede própria.
A legislação específica sobre imunizações e vigilância epidemiológica (Lei 6.259 de 30-10-1975 e
Decreto 78.231 de 30-12-76) deu ênfase às atividades permanentes de vacinação e contribuiu para
fortalecer institucionalmente o Programa.
Em seguimento à erradicação da varíola, inicia-se em 1980 a 1ª Campanha Nacional De Vacinação
Contra A Poliomielite, com a meta de vacinar todas as crianças menores de 5 anos em um só dia. O
último caso de poliomielite no Brasil ocorreu na Paraíba em março de 1989.
Em setembro de 1994 o Brasil junto com os demais países da região das Américas, recebeu da
Comissão Internacional para a Certificação da Ausência de Circulação Autóctone do Poliovírus Selvagem
nas Américas, o Certificado que a doença e o vírus foram eliminados de nosso continente.
De 1990 a 2003, o PNI fez parte da Fundação Nacional de Saúde. A partir de 2003, passou a integrar
o DEVEP/SVS - Secretaria de Vigilância em Saúde, inserido na Coordenação Geral do Programa
Nacional de Imunizações (CGPNI). Ao longo do tempo, a atuação do PNI alcançou consideráveis avanços
ao consolidar a estratégia de vacinação nacional.
Programa Nacional de Imunizações (PNI), tem como missão organizar a Política Nacional de
Vacinação, contribuindo para o controle, a eliminação e/ou erradicação de doenças imunopreveníveis.
Está vinculado ao Sistema Único de Saúde, sendo coordenado pelo Ministério da Saúde de forma
compartilhada com as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde.
As metas mais recentes contemplam a eliminação do sarampo e do tétano neonatal. A essas, se soma
o controle de outras doenças imunopreveníveis como Difteria, Coqueluche e Tétano acidental, Hepatite
B, Meningites, Febre Amarela, formas graves da Tuberculose, Rubéola e Caxumba em alguns Estados,
bem como, a manutenção da erradicação da Poliomielite.
O PNI adquire, distribui e normatiza também o uso dos imunobiológicos especiais, indicados para
situações e grupos populacionais específicos que serão atendidos nos Centros de Referência para
Imunobiológicos Especiais (CRIE). É também de responsabilidade desta coordenação a implantação do
Sistema de Informação e a consolidação dos dados de cobertura vacinal em todo o país.
Destacamos que o objetivo principal do Programa é de oferecer todas as vacinas com qualidade a
todas as crianças que nascem anualmente em nosso país, tentando alcançar coberturas vacinais de
100% de forma homogênea em todos os municípios e em todos os bairros.
O PNI é, hoje, parte integrante do Programa da Organização Mundial da Saúde, com o apoio técnico,
operacional e financeiro da UNICEF e contribuições do Rotary Internacional e do Programa das Nações
Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
O Programa Nacional de Imunizações tem avançado ano a ano para proporcionar melhor qualidade
de vida à população com a prevenção de doenças. Tal como ocorre nos países desenvolvidos, o
Calendário Nacional de Vacinação do Brasil contempla não só as crianças, mas também adolescentes,
adultos, idosos, as gestantes e povos indígenas. Ao todo, são disponibilizadas na rotina de imunização
19 vacinas, cuja proteção inicia nos recém-nascidos, podendo se estender por toda a vida.
As vacinas são seguras e estimulam o sistema imunológico a proteger a pessoa contra doenças
transmissíveis. Quando adotada como estratégia de saúde pública, elas são consideradas um dos
melhores investimentos em saúde, considerando o custo-benefício.
O Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI) é alimentado pelas
vacinadoras do Sistema Único de Saúde (SUS) e tem o objetivo de possibilitar uma avaliação dinâmica,
pelos gestores do programa, da ocorrência de surtos ou epidemias a partir do registro dos imunobiológicos
aplicados e do número de pessoas vacinadas, agregadas por faixas etárias em determinado período de
tempo e por áreas geográficas.
O SI-PNI também permite controle de estoque das vacinas para organizações logísticas de aquisição
e distribuição.
A administração de imunobiológicos constitui uma importante medida na prevenção primária de
doenças. O conhecimento das características e potencialidades a seu respeito, assim como sua oferta
devem fazer parte da rotina das unidades de saúde e dos profissionais que nelas atuam, como preconiza
a abordagem centrada na pessoa e o enfoque comunitário.
Dado o constante fluxo de informações epidemiológicas integradas entre os países e coordenadas
pela OMS, assim como as mudanças evolutivas de ordem técnica resultantes da experiência do uso de
imunobiológicos, faz-se necessária uma atualização constante de todos os envolvidos com o tema,
principalmente dos profissionais atuantes na atenção primária à saúde.
Portanto abordaremos a seguir as bases imunológicas, assim como os procedimentos envolvidos na
aplicação da imunização (vacinação).

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200
Bases Imunológicas da Vacinação

A imunologia é o estudo da imunidade, ou seja, dos eventos moleculares e celulares que ocorrem
quando o organismo entra em contato com micro-organismos ou macromoléculas estranhas presentes
no ambiente.

Os seres humanos estão constantemente expostos a agentes infecciosos, como parasitas, bactérias,
vírus e fungos. Então, para se defender desses agentes, o sistema imune atua de duas maneiras:
1) Ele reage rapidamente (de minutos a horas) aos agentes infecciosos, como, por exemplo, a
fagocitose e outros mecanismos que já estão presentes no organismo antes da infecção. Essa é a
resposta natural, inata ou inespecífica.
2) Ele desenvolve mais lentamente (ao longo de dias ou semanas) uma resposta imune específica,
como, por exemplo, a produção de anticorpos específicos para o sarampo. Essa é a resposta adquirida,
adaptativa ou específica.

As células da resposta imunológica são produzidas na medula óssea. Os linfócitos T e os linfócitos B


são encontrados na medula óssea, no timo, nos gânglios linfáticos, no baço e nas placas de Peyer, no
intestino.

Imunidade Inespecífica (Natural ou Inata)

É constituída de mecanismos de defesa bioquímicos e celulares que já estão presentes no organismo


antes mesmo de se iniciar o processo infeccioso, respondendo, prontamente, à infecção.

Seus principais componentes são:


- Barreiras físicas: a pele e as mucosas;
- Barreiras fisiológicas: secreções das glândulas sudoríparas e sebáceas, das mucosas, atividades
ciliares do epitélio das vias respiratórias, saliva, acidez gástrica e urinária, ação mucolítica da bile,
peristaltismo intestinal, ação da lisozima (enzima que destrói a camada protetora de várias bactérias),
presente na lágrima, na saliva e nas secreções nasais;
- Fatores séricos e teciduais: complemento, interferon;
- Fagocitose.

A imunidade inespecífica não necessita de estímulos prévios e não tem período de latência. Esse tipo
de imunidade se opõe à colonização, à penetração, à multiplicação e à persistência do agente infeccioso
no organismo.
A imunidade inespecífica é a linha de frente da defesa do nosso organismo, capaz de impedir que a
doença se instale.

A grande maioria dos microrganismos é destruída em poucos minutos ou horas pela imunidade inata.

Os principais mecanismos são:


- Fagocitose: realizada por meio de leucócitos polimorfonucleares, monócitos e macrófagos teciduais.
Na fagocitose, a membrana plasmática envolve o material ou o micro-organismo a ser fagocitado,
formando-se grandes vesículas chamadas fagossomos. Estes se fundem com os lisossomos, que têm
enzimas digestivas, formando-se fagolisossomos. O objetivo é destruir os micro-organismos invasores
por digestão intracelular.
- Complemento: é um sistema composto de várias proteínas muito importantes na defesa contra
vários agentes infecciosos, entre eles o meningococo. Na ausência do complemento, que auxilia a
fagocitose e a lise dessa bactéria, as pessoas infectadas poderão desenvolver meningite e/ou doença
meningocócica. Por isso, para as pessoas com deficiência de complemento, a vacina conjugada
meningocócica C está indicada.
- Interferon: é uma substância de natureza proteica produzida pelas células de defesa do organismo
após uma infecção viral, com o objetivo de reduzir a replicação do vírus que desencadeou a infecção e
também para evitar a infecção por outros vírus. O interferon atua de modo inespecífico.
Por isso, as vacinas virais atenuadas (como a tríplice viral, tetra viral, as vacinas febre amarela e
varicela) não devem ser administradas simultaneamente. Recomenda-se aguardar um intervalo de 30
dias, salvo em situações especiais que impossibilitem manter o intervalo indicado.

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201
Na maioria das vezes, a resposta inata é suficiente para defender o organismo. No entanto, quando
isso não ocorre, entram em cena os componentes da imunidade específica.

Imunidade Específica (Adquirida ou Adaptativa)

A imunidade adquirida específica corresponde à proteção contra cada agente infeccioso ou antígeno.
A resposta específica inicia-se quando os agentes infecciosos são reconhecidos nos órgãos linfoides
pelos linfócitos T e B. Os linfócitos B iniciam a produção de anticorpos específicos (imunidade humoral)
contra o antígeno. Já os linfócitos T viabilizam a produção de células de memória (imunidade celular).

Respostas Primária e Secundária

Quando os mecanismos da resposta inespecífica não são suficientes para deter a infecção, a resposta
específica será desencadeada. Inicialmente, haverá um período indutivo, fase que corresponde à
procura do linfócito específico. Durante o período indutivo, não haverá a produção de anticorpos
específicos.
Após o reconhecimento do linfócito B específico, inicia-se a produção de anticorpos. A primeira classe
de imunoglobulina a ser produzida é a IgM e, posteriormente, a IgG (resposta primária).
A IgG ficará presente, na maioria das vezes, para o resto da vida. As imunoglobulinas específicas
contra esse antígeno serão produzidas todas as vezes em que o organismo entrar em contato com esse
agente etiológico (resposta secundária). Tal resposta é mais rápida, uma vez que não há período indutivo,
pois na resposta primária ocorreu a estimulação dos linfócitos T de memória.
Algumas vacinas necessitam da aplicação de mais de uma dose, para uma adequada proteção.
É importante respeitar o intervalo mínimo entre as doses, pois isso corresponde ao período da queda
de anticorpos produzidos pela dose anterior. As doses administradas no período inferior ao intervalo
mínimo deverão ser repetidas, com exceção da vacina rotavírus humano.
Nas situações em que o antígeno não estimula as células de memória (antígeno T-independente), a
persistência dos anticorpos poderá ser limitada. A vacina polissacarídica meningocócica A e C não
estimula as células de memória. Por isso, a duração da resposta imunológica é limitada a apenas 3 a 5
anos.
As primeiras vacinas contra o Haemophilus influenzae b (Hib) e a vacina pneumocócica 23-valente
não estimulam as células de memória. As vacinas constituídas apenas de polissacarídeo têm uma boa
proteção; no entanto, com duração limitada.
As vacinas virais e bacterianas, atenuadas ou inativadas, são eficazes e estimulam a produção de
células de memória (antígenos T-dependente). As vacinas que estimulam as células de memória têm uma
grande vantagem, pois - em situações de atraso no cumprimento do calendário vacinal - não haverá
necessidade de recomeçar o esquema vacinal.
No entanto, é importante salientar que, durante o período em que as pessoas não estiverem com o
esquema vacinal completo, elas não estarão protegidas.
É importante que o antígeno vacinal seja aplicado o mais precocemente possível, antes que a pessoa
entre em contato com o agente infeccioso. A vacina aplicada irá estimular a produção de anticorpos
específicos e a produção de células de memória (resposta primária).
Tais células permitirão a rápida produção de anticorpos específicos no momento da exposição ao
agente causador da doença (resposta secundária). Assim, na reexposição, a resposta será mais rápida
e mais potente, prevenindo a doença. A resposta imune que se deseja por intermédio da vacinação é
semelhante à resposta que ocorre quando há o contato com micro-organismo selvagem.

Imunidade Ativa e Passiva

A imunidade específica pode ser adquirida de modo ativo ou passivo.

- Imunidade Ativa:
A proteção adquirida de modo ativo é aquela obtida pela estimulação da resposta imunológica com a
produção de anticorpos específicos.
A infecção natural (com ou sem sintomas) confere imunidade ativa, natural e é duradoura, pois há
estimulação das células de memória. Após uma infecção por sarampo, rubéola ou varicela, por exemplo,
o indivíduo ficará protegido, não havendo mais o risco de adquirir a mesma doença novamente.
A imunidade ativa, adquirida de modo artificial, é obtida pela administração de vacinas, que estimulam
a resposta imunológica, para que esta produza anticorpos específicos.

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- Imunidade Passiva:
A imunidade adquirida passivamente é imediata, mas transitória. É conferida a um indivíduo mediante
a:
- Passagem de anticorpos maternos por via transplacentária, por intermédio da amamentação pelo
colostro e pelo leite materno (imunidade passiva natural);
- Administração parenteral de soro heterólogo/homólogo ou de imunoglobulina de origem humana
(imunidade passiva artificial) ou de anticorpos monoclonais. Exemplo: soro antitetânico, antidiftérico,
antibotrópico e as imunoglobulinas específicas contra a varicela, hepatite B e tétano, palivizumabe.

Neste tipo de imunidade, administram-se anticorpos prontos, que conferem a imunidade imediata.
Não há o reconhecimento do antígeno e, portanto, não ocorre a ativação de célula de memória.
Algumas semanas depois, o nível de anticorpos começa a diminuir, o que dá a esse tipo de imunidade
um caráter temporário. Utiliza-se a imunidade passiva quando há necessidade de uma resposta imediata
e não se pode aguardar o tempo para a produção de anticorpos em quantidade adequada.

Conceitos

Vacinação
Aplicação de um ou mais agentes (bactérias, vírus ou toxinas) para a estimulação do sistema imune.

Imunização
Estimulação da resposta imune do organismo por meio da administração de antígenos ou anticorpos.
Ela pode ser ativa ou passiva. A imunidade ativa necessita de estímulo prévio para se desenvolver,
podendo resultar da administração de antígenos (vacinas), que o organismo reconhece como substâncias
estranhas, procurando neutralizá-las ou eliminá-las.
Geralmente, proporciona uma proteção duradoura. Na imunidade passiva, o indivíduo recebe
anticorpos contidos nas Igs heterólogas (soros) e nas Igs humanas, administradas profilática ou
terapeuticamente, resultando em uma proteção temporária.

Agentes imunizantes
Natureza
A vacina é produto farmacêutico que contém um ou mais agentes imunizantes (vacina monovalente
ou combinada) em diversas formas biológicas, quais sejam: bactérias ou vírus vivos atenuados; vírus
inativados e bactérias mortas; componentes purificados e/ou modificados dos agentes causadores das
doenças contra as quais a vacina é dirigida.

Composição
O produto final elaborado pode conter, além do agente imunizante, proteínas ou outros componentes
originados dos meios de cultura ou da cultura de células utilizados no processo de produção da vacina,
bem como outros componentes, como liquido de suspensão, conservantes, antibióticos e outras
substâncias.

Líquido de suspensão
É constituído geralmente por água destilada ou solução salina fisiológica.

Conservantes e antibióticos
Representados por pequenas quantidades de substâncias necessárias para evitar o crescimento de
contaminantes (bactérias, fungos), como mercuriais (timerosal) e antibióticos (neomicina). São mais
utilizados em frascos de multidoses.

Estabilizantes
São substâncias que auxiliam a proteger as vacinas de condições adversas, como congelamento,
calor, alterações do pH (tampões) e para obtenção de isotonicidade (Cloreto de Sódio - NaCl).
Também são utilizados para formar volume, quando a vacina contém quantidades mínimas de
imunógenos como, por exemplo, a vacina Haemophilus influenzae b (conjugada), que contém apenas 10
microgramas do antígeno polissacáride purificado poliribosil-ribitol-fosfato - PRP.
Os estabilizantes mais utilizados são açúcares (sacarose e lactose), proteínas derivadas de animais
(gelatina porcina ou bovina) ou de humanos (soroalbumina humana), tampões (fosfato) e sais (NaCl). As

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203
proteínas de alto peso molecular, como gelatina parcialmente hidrolisada, apresentam maior risco de
desencadear reações de hipersensibilidade.

Adjuvantes
São substâncias que aumentam a resposta imune de vacinas que contêm microrganismos inativados
ou seus componentes (como, por exemplo, os toxoides tetânico e diftérico). Não são utilizados em vacinas
que contêm microrganismos vivos.
Os sais de alumínio são os adjuvantes mais utilizados para vacinas destinadas a uso humano e podem
ser utilizados de forma isolada (hidróxido de alumínio, fosfato de alumínio, sulfato potássico de alumínio)
ou mista. Os adjuvantes podem causar eventos adversos locais, como formação de granuloma.

Tipos de Vacinas

Vacina atenuada
Vírus ou bactérias vivas que, após cultivados em meios adversos, perderam sua virulência, mantendo
sua capacidade imunogênica. Exemplos: vacina oral da poliomielite (VOP), sarampo, rubéola, caxumba,
febre amarela (FA), rotavírus, varicela (VZ) e bacilo Calmette-Guérin (BCG).

Vacinas inativadas
Administração de micro-organismos mortos para induzir a resposta imunológica. Não conferem
imunidade duradoura, necessitando ser repetidas periodicamente durante toda a vida. Exemplos: vacina
inativada da poliomielite (VIP), hepatite A (HA), raiva e o componente pertussis (contra coqueluche) da
vacina tríplice bacteriana.

Vacinas conjugadas
Fabricadas com fração de micro-organismos purificados (sacarídeos) ligados a proteínas, com
capacidade de induzir memória imunológica. Exemplos: vacina contra Haemophilus influenzae tipo B
(Hib), conjugada, e Neisseria meningitidis tipo C, conjugada.

Vacina recombinante
Produzida com micro-organismos geneticamente modificados, pela inserção do fragmento de DNA do
antígeno em determinado micro-organismo para a produção de proteína imunogênica. Exemplo: vacina
da hepatite B (HB).

Vacina combinada
Resulta da agregação de diferentes antígenos para proteção contra diferentes doenças que são
administradas em uma mesma preparação. Exemplo: vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola
[SCR]). Uma nova classificação possível diferencia vacinas com intenção de bloqueio populacional das
vacinas, cujo objetivo é a proteção individual ou de os estudos ainda distantes de demonstrar bloqueio
populacional.
A vacina contra o sarampo, por exemplo, tem um claro objetivo de bloqueio populacional (além de
proteção individual), ao passo que a do papilomavírus humano (HPV) não tem esse benefício, e os
estudos sequer pretenderam testar.
Essa distinção é importante porque pode ser determinante tanto para o livre arbítrio quanto para as
eventuais penalidades: quando a vacina não tem o objetivo de bloqueio populacional, uma eventual
decisão pela não vacinação não prejudicaria outra pessoa. O histórico da vacina da gripe também
funciona no sentido de bloqueio apenas individual.

Vias de Administração

Os imunobiológicos são produtos seguros, eficazes e bastante custo-efetivos em saúde pública. Sua
eficácia e segurança, entretanto, estão fortemente relacionadas ao seu manuseio e à sua administração.
Portanto, cada imunobiológico demanda uma via específica para a sua administração, a fim de se
manter a sua eficácia plena.

Via oral
A via oral é utilizada para a administração de substâncias que são absorvidas no trato gastrintestinal
com mais facilidade. O volume e a dose dessas soluções são introduzidos pela boca e apresentados,
geralmente, em gotas.

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Via parenteral
A maior parte dos imunobiológicos ofertados pelo PNI é administrada por via parenteral. As vias de
administração parenterais diferem em relação ao tipo de tecido em que o imunobiológico será
administrado. Tais vias são as seguintes: intradérmica, subcutânea, intramuscular e endovenosa. Esta
última é exclusiva para a administração de determinados tipos de soros.

Via intradérmica (ID)


Na utilização da via intradérmica, a vacina é introduzida na derme, que é a camada superficial da pele.
Esta via proporciona uma lenta absorção das vacinas administradas. O volume máximo a ser administrado
por esta via é 0,5mL.
A vacina BCG e a vacina raiva humana em esquema de pré-exposição, por exemplo, são
administradas pela via intradérmica.
Para facilitar a identificação da cicatriz vacinal, recomenda-se no Brasil que a vacina BCG seja
administrada na inserção inferior do músculo deltoide direito. Na impossibilidade de se utilizar o deltoide
direito para tal procedimento, a referida vacina pode ser administrada no deltoide esquerdo.

Via subcutânea (SC)


Na utilização da via subcutânea, a vacina é introduzida na hipoderme, ou seja, na camada subcutânea
da pele. O volume máximo a ser administrado por esta via é 1,0mL.
São exemplos de vacinas administradas por essa via: vacina sarampo, caxumba e rubéola e vacina
febre amarela (atenuada).
Alguns locais são mais utilizados para a vacinação por via subcutânea: a região do deltoide no terço
proximal (a face superior externa do braço, a face anterior e externa da coxa ou a face anterior do
antebraço).

Via intramuscular (IM)


Na utilização da via intramuscular, o imunobiológico é introduzido no tecido muscular, sendo
apropriado para a administração o volume máximo até 5mL.
São exemplos de vacinas administradas por essa via: vacina adsorvida difteria, tétano, pertussis,
Haemophilus influenzae b (conjugada) e hepatite B (recombinante); vacina adsorvida difteria e tétano
adulto; vacina hepatite B (recombinante); vacina raiva (inativada); vacina pneumocócica 10 valente
(conjugada) e vacina poliomielite 1, 2 e 3 (inativada).
As regiões anatômicas selecionadas para a injeção intramuscular devem estar distantes dos grandes
nervos e de vasos sanguíneos, sendo que o músculo vasto lateral da coxa e o músculo deltoide são as
áreas mais utilizadas.

Via endovenosa (EV)


Na utilização da via endovenosa, o imunobiológico é introduzido diretamente na corrente sanguínea.
É uma via que permite a administração de grandes volumes de líquidos e, também, de soluções que,
por serem irritantes ou por sofrerem a ação dos sucos digestivos, são contraindicadas pelas demais vias
parenterais e pela via oral, respectivamente. São administrados por essa via imunobiológicos como os
soros antidiftérico, antibotulínico e os soros antiveneno.
Os locais mais utilizados para a administração de injeções endovenosas são as veias periféricas
superficiais.

Vacinas do Calendário Básico do Ministério da Saúde

Vacina da tuberculose (atenuada)


A vacina da tuberculose (TB) é uma vacina obtida por atenuação do Mycobacterium bovis e conhecida
como BCG. É indicada para prevenir as formas graves (miliar e meníngea) de TB em crianças menores
de 5 anos (principalmente no 1° ano, incluindo as indígenas).
Idade de aplicação: de preferência, nas primeiras 12 horas após o nascimento, ainda na maternidade,
ou na primeira visita à unidade de saúde, de preferência no 1° mês de vida. A vacina é disponibilizada
rotineiramente para crianças até 4 anos, 11 meses e 29 dias ainda não vacinadas.
Crianças filhas de mãe com vírus da imunodeficiência humana (HIV) positivo podem receber a vacina
o mais precocemente possível até os 18 meses de idade, se assintomáticas e sem sinais de
imunodeficiência. Crianças com idade entre 18 meses e 4 anos, 11 meses e 29 dias, não vacinadas,
podem receber a vacina BCG somente se sorologia negativa para HIV.

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Devem ser vacinados os contatos intradomiciliares de portadores de hanseníase. A vacina é
contraindicada a partir dos 5 anos de idade e em indivíduos portadores de HIV, mesmo que
assintomáticos e sem sinais de imunodeficiência.
Recomenda-se adiar a vacinação em crianças com peso inferior a 2.000 gramas ou com afecções
dermatológicas extensas. A via de administração é a ID, na inserção inferior do músculo deltoide,
preferencialmente no braço direito.
Evolução da reação vacinal (6-10 semanas): nódulo local, pústula, crosta, úlcera (com ou sem
secreção) e pequena cicatriz. Criança sem cicatriz vacinal não precisa revacinar contra tuberculose,
portanto mesmo que não apresentam cicatriz vacinal após 6 meses não haverá revacinação sendo assim
a vacinação apenas uma vez.

Nota: criança sem cicatriz vacinal não precisa revacinar contra tuberculose.

Vacina da hepatite B (recombinante)


A vacina para HB induz a produção de anticorpos anti-HBs, considerados protetores com níveis séricos
superiores a 10mUI/mL.
Devido à excelente imunogenicidade da vacina, não está indicado teste sorológico após a vacinação,
exceto para os grupos de risco, tais como: profissionais da saúde, pessoas em diálise e recém-nascidos
(RNs) de mães portadoras do antígeno de superfície da hepatite B (HBsAg). Nesses casos, a dosagem
de anticorpos anti-HBs deve ser realizada 1 a 2 meses depois de completado o esquema vacinal.
A vacina deve ser aplicada por via IM profunda: no vasto lateral da coxa nas crianças de até 2 anos
de idade e, nos maiores, no deltoide. A primeira dose da vacina deve ser aplicada de preferência nas
primeiras 12 horas após o nascimento (para evitar transmissão vertical) ou, quando não realizado, o mais
precocemente possível.
A vacina da HB pode ser aplicada em qualquer idade e simultaneamente com outras vacinas. Está
disponível para toda a população, independentemente da idade e da condição de vulnerabilidade. A
primeira dose é aplicada ao nascer, e o esquema subsequente se dá com a vacina pentavalente (HB
combinada com outros quatro antígenos) aos 2, 4 e 6 meses de idade.
Para crianças que iniciam esquema vacinal a partir de 1 mês de idade até 4 anos, 11 meses e 29 dias:
administrar três doses da vacina pentavalente com intervalo de 60 dias entre elas. Nas demais faixas
etárias, são realizadas três doses de vacina da HB isolada com intervalo de 0, 30 e 180 dias. Os eventos
adversos mais comuns são dor no local da injeção e febre baixa; cefaleia e fadiga.
Caso o esquema vacinal esteja incompleto não deverá ser reiniciado, apenas completá-lo conforme
situação encontrada.

Vacina adsorvida da difteria, tétano, pertússis, hepatite B (recombinante) e Haemophilus


influenzae tipo b (conjugada) - Pentavalente
Com o intuito de diminuir o número de injeções em um mesmo momento, foram desenvolvidas as
vacinas combinadas. São compostas por toxoides de difteria e tétano, suspensão celular inativada de
Bordetella pertussis (bactéria responsável pela coqueluche), HBsAg e oligossacarídeos conjugados de
Hib (bactéria causadora de doença invasiva, como meningite, pneumonia, epiglotite, celulite, artrite
séptica, osteomielite, pericardite e sepse em crianças na faixa etária menor de 5 anos).
A vacina pentavalente é indicada para crianças menores de 5 anos de idade como esquema básico. A
vacinação consiste na aplicação de três doses, administrada aos 2, 4 e 6 meses de idade, com intervalo
de 60 dias entre as doses. São necessárias duas doses de reforço com a vacina adsorvida difteria, tétano
e pertússis (DTP) aos 15 meses e aos 4 anos de idade.
A vacina é de aplicação IM e profunda no vasto lateral da coxa em menores de 2 anos e, nos maiores,
na região deltoide. A vacina não poderá ser administrada quando a criança apresentar quadro neurológico
em atividade ou quando, após dose anterior de vacina, ela registrar uma destas manifestações após a
sua administração: convulsão nas primeiras 72 horas, episódio hipotônico-hiporresponsivo (hipotonia,
sudorese fria e diminuição de resposta a estímulos) nas primeiras 48 horas, encefalopatia aguda grave
depois de 7 dias, história de choque anafilático posterior à aplicação anterior da vacina e púrpura
trombocitopênica pós-vacinal.
A vacina também é contraindicada a partir de 7 anos de idade. Nas situações de eventos adversos
graves devido a convulsões ou a colapso circulatório, solicitar DTPa. Nos casos de encefalopatia, está
contraindicada qualquer dose subsequente com componente pertússis (seja de tríplice bacteriana de
células inteiras, seja acelular) e, neste caso, continuar o esquema com a vacina dupla infantil (DT).

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A partir de 7 anos, é indicada a vacina dupla tipo adulto (dT), indicada para pessoas que têm passado
vacinal desconhecido ou que necessitam completar o esquema: três doses com 2 meses de intervalo (0,
2 e 4 meses) e reforços de 10 em 10 anos por toda a vida.
A diferença entre as vacinas DT (infantil) e dT (adulto) é a menor quantidade de toxoide diftérico na
última. Nos imunodeprimidos, deve-se realizar uma dose de reforço da vacina Hib dos 12 aos 15 meses
de idade, e crianças não imunizadas, com mais de 1 ano e menores de 19 anos, devem realizar duas
doses, com intervalo de 4 a 8 semanas, se imunodeprimidos, ou dose única, se imunocompetentes.

Vacina inativada da poliomielite


A VIP está indicada para a imunização ativa contra a poliomielite causada pelos três sorotipos (1, 2,
3). A via de administração é IM (em lactentes, é o músculo vasto-lateral da coxa direita), entretanto, a via
SC também pode ser usada, mas em situações especiais (p. ex., casos de discrasias sanguíneas).
A VIP deverá ser administrada aos 2, 4 e 6 meses de idade. Os reforços deverão ser realizados aos
15 meses e 4 anos de idade com a VOP, que contém dois tipos de poliovírus atenuados - cada dose é
composta por duas gotas. A preferência para a administração da VIP no esquema inicial tem a finalidade
de evitar o risco, raríssimo, de EAPV com a VOP (p. ex., paralisias flácidas).
A VIP induz imunidade de mucosa intestinal, porém em grau menor do que a VOP. Os seguintes casos
deverão receber reforço com a VIP: crianças imunodeprimidas (deficiência imunológica congênita ou
adquirida); crianças que estejam em contato domiciliar com imunodeficiente suscetível; pessoas
submetidas a transplante de órgãos sólidos ou de células-tronco hematopoiéticas (medula óssea); criança
filha de mãe HIV-positiva, mesmo antes da definição diagnóstica; lactentes e crianças internados em
unidade de terapia intensiva; crianças com história de paralisia flácida associada à vacina, após dose
anterior de VOP.
Indivíduos gravemente doentes na ocasião da vacinação devem, normalmente, esperar até se
recuperarem antes da vacinação.
O potencial risco de apneia e a necessidade de monitoramento da respiração de 24 a 72 horas devem
ser considerados após a administração da vacina VIP para imunização primária de bebês prematuros
(nascidos com menos de 28 semanas) e principalmente para aqueles com história de imaturidade
respiratória. Como os benefícios da vacina para esse grupo são muitos, a vacinação não deve ser adiada
e nem evitada.
Eventos neurológicos, como a síndrome de Guillain-Barré (SGB), não tiveram sua incidência
populacional aumentada devido a EAPVs. A contraindicação da VIP é reação alérgica grave ou anafilática
a qualquer componente da vacina (lembrar-se de que ela contém vestígios de estreptomicina, neomicina
e polimixina B).

Vacina oral do rotavírus humano (atenuada)


A vacina oral do rotavírus humano (VORH) é a vacina de vírus isolados de humanos e atenuados.
Esquema de vacinação em duas doses, seguindo rigorosamente os limites de faixa etária: a 1a dose aos
2 meses (de 1 mês e 15 dias a 3 meses e 15 dias), e a 2a dose aos 4 meses (3 meses e 15 dias a 7
meses e 29 dias); o intervalo ideal entre as doses é de 60 dias, com um mínimo de 30 dias.
A vacina não deve, de forma alguma, ser oferecida fora desses prazos, e nenhuma criança poderá
receber a segunda dose sem ter recebido a primeira. Não repetir a dose se a criança regurgitar, cuspir ou
vomitar após a vacinação.
Contraindicações: quadro agudo febril moderado a grave; crianças com imunodeficiência primária ou
secundária; crianças que fazem uso de fármacos imunossupressores e quimioterápicos; crianças com
história de doença gastrintestinal crônica ou malformação congênita do TGI ou história prévia de
invaginação intestinal.
A vacina deve ser adiada em crianças com quadro de gastrenterite com necessidade de hospitalização.
Não são contraindicações: quadro febril leve, diarreia leve sem desidratação, contactantes de portadores
de imunodeficiência; crianças filhas de mãe HIV-positivas podem ser vacinadas desde que não haja sinais
clínicos ou laboratoriais de imunodepressão.

Vacina pneumocócica 10-valente (conjugada)


A vacina pneumocócica 10-valente (conjugada) (PnC10) é constituída por 10 sorotipos de
Streptococcus pneumoniae. É indicada para imunização ativa de crianças de 2 meses a menores de 4
anos de idade contra doença invasiva (pneumonia, meningite, artrite e sepse) e otite média aguda (OMA)
causados pelo pneumococo.
Deve ser administrada por via IM no vasto lateral da coxa em menores de 2 anos e após no músculo
deltoide.

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O esquema de administração da vacina é determinado pela idade da criança no início da vacinação.
No primeiro semestre de vida: administrar duas doses, aos 2 e 4 meses de idade; o intervalo entre as
doses é de 60 dias (mínimo de 30 dias). Fazer um reforço entre 12 e 15 meses de idade,
preferencialmente com 12 meses, considerando o intervalo de 6 meses após a 2a dose. Crianças entre
12 meses a 4 anos não vacinadas devem receber dose única.
As reações adversas mais comuns foram sonolência, perda de apetite, irritabilidade, febre e dor, rubor
e edema no local da injeção. Pode ser administrada simultaneamente (ou com qualquer intervalo) com
outras vacinas do calendário nacional de vacinação.

Observação: a partir de 2 anos de idade, a vacina pneumocócica 23-valente (Pn23) é disponibilizada


pelos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIEs) para portadores de doenças
crônicas ou com imunodepressão e para pessoas com 60 anos ou mais que vivem em instituições
fechadas (casas geriátricas, hospitais, asilos, casas de repouso). A vacina 23-valente é administrada por
via IM em dose única, com uma revacinação após 5 anos.

Vacina meningocócica C (conjugada)


A Neisseria meningitidis (meningococo) é responsável por infecções invasivas graves, como a
meningite e a meningococcemia. O Brasil começou a disponibilizar a vacina contra o meningococo C para
crianças menores de 2 anos de idade em 2010. A vacina é constituída por polissacarídeos capsulares
purificados da Neisseria meningitidis do sorogrupo C.
A via de administração é IM e, de preferência, no vasto lateral da coxa direita da criança. Esquema
vacinal: primeira dose aos 3 meses, e segunda dose aos 5 meses de idade, com reforço único entre 12
e 15 meses. Em crianças entre 12 e 23 meses de idade sem comprovação vacinal ou com esquema
incompleto, administrar uma única dose.
No ano de 2018, a vacina meningocócica C começou a ser disponibilizada para a faixa etária de 11 e
14 anos de ambos os sexos, considerando um reforço ou dose única conforme a situação vacinal. Até
2020, a faixa etária será ampliada gradativamente a partir de 9 anos de idade.
Observou-se a ausência de títulos de anticorpos protetores poucos anos após a vacinação de lactentes
e crianças mais novas; nos adolescentes, as vacinas meningocócicas demonstram associar-se a uma
boa resposta imune, com persistência de títulos de anticorpos protetores por um período prolongado,
além de alcançar o efeito protetor de imunidade de rebanho, que estende a proteção a indivíduos não
vacinados.
Nas seguintes situações, crianças acima de 12 meses ou adultos devem receber duas doses com
intervalo de 8 a 12 semanas e revacinar após 5 anos: asplenia anatômica ou funcional e doenças
relacionadas; imunodeficiências congênitas e adquiridas; deficiência de complemento e frações; pessoas
com HIV/Aids.
Microbiologista rotineiramente exposto ao isolamento de Neisseria meningitidis deve receber dose
única e reforço em 5 anos. A vacina contra o meningococo C (MnCc) pode ser administrada
simultaneamente com qualquer outra vacina do calendário básico.
Deve ser adiada na vigência de quadro febril agudo grave. São eventos adversos da vacina: dor, rubor,
edema, endurecimento e hipersensibilidade locais, além de febre, choro, irritabilidade, sonolência ou
comprometimento do sono, anorexia, diarreia e vômitos.

Vacina da febre amarela (atenuada)


Ultimamente, a FA silvestre se apresenta com um padrão epizoótico-epidêmico, manifestando-se como
uma doença reemergente em novas áreas do território brasileiro, fora da área considerada endêmica
(região amazônica e centro-oeste e Estado do Maranhão).
A vacina da FA é constituída por vírus vivos atenuados cultivados em ovos embrionados de galinha. É
administrada por via SC em dose única, de acordo com as recomendações da Organização Mundial da
Saúde (OMS).
A dose de reforço não é mais recomendada, pois a imunidade protetora desenvolve-se em 30 dias
para 99% das pessoas que receberam uma dose da vacina. Não se recomenda a administração
simultânea da vacina da FA e da vacina tríplice ou tetraviral em crianças até 1 ano, 9 meses e 29 dias,
em virtude da redução da taxa de soroconversão em crianças vacinadas com intervalo inferior a 30 dias
entre as doses, portanto, esse tempo deverá ser o intervalo mínimo entre as aplicações. Essa
recomendação não se aplica às crianças com mais de 2 anos de idade.
A vacina é recomendada de rotina para todas as crianças com 9 meses de idade. Também deve ser
aplicada dos 9 meses aos 59 anos de idade somente para os residentes da área com recomendação de

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vacina (ACRV) e em viajantes que se deslocam para essas áreas ou países que exijam o Certificado
Internacional de Vacinação ou Profilaxia.
A vacinação de rotina para FA é ofertada nos estados do Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia,
Roraima, Tocantins, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Bahia, Maranhão, Piauí,
Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Além das áreas
com recomendação, neste momento, também está sendo vacinada a população do Espírito Santo.
Os residentes nas áreas sem recomendação para vacinação (ASRV), que irão se deslocar para as
áreas com recomendação para vacinação (ACRV), ou para outros países endêmicos. Ressalta-se que a
pessoa deverá receber a vacina, pelo menos, dez dias antes da viagem. Esse prazo não se aplica no
caso da revacinação.
A vacina pode causar eventos adversos graves se não forem avaliadas as suas precauções e
contraindicações.
Não deverão ser vacinadas: pessoas com imunossupressão por doença ou terapias
imunossupressoras; transplantados; paciente com história pregressa de doença do timo, lúpus, doença
de Addison, artrite reumatoide (AR); pacientes com doença hematológica com imunodeficiência (aplasia
de medula, anemia aplástica); adultos e adolescentes que vivem com HIV-aids com contagem de CD4+
< 200 células/mm3; pessoas com reação alérgica grave ao ovo; pessoas acima de 60 anos de idade com
uma das comorbidades citadas.
Um dos eventos adversos graves é a doença viscerotrópica aguda, podem também ocorrer eventos
neurológicos pós-vacinais, como encefalite, meningite, doenças do sistema autoimune com envolvimento
do sistema nervoso central (SNC) ou periférico (SNP).
Deve-se suspeitar desses eventos adversos graves quando os sintomas iniciarem até 30 dias da
administração da vacina da FA. Estão em andamento estudos de utilização de dose fracionada da vacina
da FA (com um quinto da dose padrão) com potencial identificado de proteção com duração de ao menos
8 anos. Essa modalidade de vacina pode ser útil para cobertura populacional de amplo espectro em áreas
de surto.

Em situações de evidência de circulação do vírus amarílico, como: casos humanos, epizootia


ou vetores infectados (área afetada)
Nestas situações a dose da vacina deve ser administrada em crianças, aos 9 (nove) meses de vida,
conforme o Calendário Nacional de Imunizações. Reforça-se que essa dose NÃO deve ser antecipada
para crianças de 6 a 8 meses de vida.
Pessoas a partir de 60 anos e mais, nunca vacinadas ou sem comprovante de vacinação: O serviço
de saúde deverá avaliar, caso a caso, se há contraindicação para vacinação, levando em consideração
o risco da doença e possíveis eventos adversos pós-vacinação.
Gestantes, independentemente da idade gestacional, não vacinadas ou sem comprovante de
vacinação: Embora a vacinação esteja contraindicada, deve-se considerar o risco de adquirir a doença
nestas situações. Dessa forma, o serviço de saúde deverá avaliar, caso a caso, o risco/benefício da
vacinação.
Mulheres que estejam amamentando crianças com até 6 (seis) meses de vida, não vacinadas ou sem
comprovante de vacinação: Embora a vacinação esteja contraindicada, deve-se considerar o risco de
adquirir a doença nestas situações. Dessa forma, o serviço de saúde deverá avaliar, caso a caso, o
risco/benefício da vacinação.
Caso seja indicada a vacinação, o aleitamento materno deverá ser suspenso por 10 dias após a
vacinação. Deve-se orientar a lactante a procurar um serviço de saúde para orientação e
acompanhamento, a fim de manter a produção do leite materno e garantir o retorno da lactação.

Vacina do sarampo, caxumba e rubéola (tríplice viral); vacina do sarampo, caxumba, rubéola e
varicela (tetraviral) (atenuadas) e vacina varicela (atenuada)
A vacina combinada dos vírus atenuados é administrada por via SC. O PNI prevê uma dose da vacina
do sarampo, caxumba e rubéola (SCR), tríplice viral, aos 12 meses, e uma dose da vacina do sarampo,
caxumba, rubéola e varicela (SCRV), tetraviral, aos 15 meses; caso a vacina da tríplice viral esteja em
atraso, deve-se administrar a tríplice viral e a tetraviral com intervalo de 30 dias entre as doses.
Em 2017, o Brasil passou a disponibilizar a segunda dose de reforço da vacina tríplice viral até os 29
anos ou uma dose dos 30 aos 49 anos de idade. Houve também ampliação da faixa etária para a vacina
tetraviral, que passa a ser disponibilizada em uma dose até 4 anos, 11 meses e 29 dias.
Em 2018, o Ministério da Saúde (MS) passou a disponibilizar a segunda dose da vacina varicela
(atenuada) para crianças de 4 até 6 anos de idade.

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Eventos adversos: exantema semelhante à varicela pode surgir entre 5 e 26 dias após aplicação da
vacina, febre e exantema semelhante ao sarampo por poucos dias (entre o 5° e 12° dia após a aplicação).
Há relatos de meningite, herpes-zóster grave, encefalite, ataxia, eritema multiforme, síndrome de
Stevens-Johnson, pneumonia, trombocitopenia, convulsões e SGB.
Contraindicações: gravidez; reação anafilática sistêmica imediata após ingestão de ovo ou com dose
prévia da vacina; crianças com imunidade alterada: tumores sólidos ou neoplasias hematológicas,
tratamento imunossupressor prolongado e infecção sintomática pelo HIV.
Precauções: doenças agudas febris moderadas ou graves (adiar até a resolução do quadro); pessoas
que receberam gamaglobulina, sangue total ou plasma devem aguardar 3 meses para receber a vacina
por possível prejuízo na resposta imunológica.

Nota: o Ministério da Saúde informa como medida de intensificar a vacinação contra o sarampo, nesse
público-alvo da doença, que é mais suscetível a casos graves e óbitos, a partir desta data (22/08/2019),
todas as crianças de seis meses a menores de 1 ano devem ser vacinadas contra o sarampo em todo o
país.

Vacina da hepatite A (inativada)


A vacina da hepatite A (HA) é recomendada em dose única para crianças dos 12 meses aos 4 anos
de idade. Aplicada em volume de 0,5mL (25U do antígeno) por via IM.
Hoje, é prevista no calendário vacinal aos 15 meses de idade. Pode ser aplicada junto com qualquer
outra vacina. É altamente eficaz e de baixa reatogenicidade, com taxas de soroconversão de 95% no
período de até 4 semanas da vacinação após uma dose. A experiência mostrou que a aplicação de
apenas uma dose no primeiro ano de vida foi de controle da incidência de HA, principalmente em creches
e instituições assemelhadas, mas com imunidade de rebanho para a população geral.

Vacina da influenza (fragmentada e inativada)


Existem três tipos de ortomixovírus responsáveis pelos quadros de influenza: A, B, C. Os vírus A e B
possuem maior importância clínica e sofrem frequentes mutações, sendo responsáveis pelas epidemias
sazonais, hospitalizações e morte por pneumonia naqueles com condições e fatores de risco.
O vírus C raramente causa doença grave. A OMS faz recomendações anuais da composição da vacina
com base em informações mundiais das cepas circulantes de influenza no ano anterior. A vacina usada
no Brasil é de vírus fracionados inativados e trivalente, obtida de ovos embrionados de galinha.
A vacina da influenza é aplicada anualmente, de preferência no outono, por via IM (vasto lateral da
coxa, deltoide ou ventroglútea) ou SC, a partir dos 6 meses de idade, seguindo o seguinte esquema de
aco