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UniFieo

Prof. Luiz Rodolfo


Discliplina: Teoria dos direitos fundamentais
Mestrado em Direitos Fundamentais
Aluno Marcos Nunes dos Santos

RESUMO: Teoria dos direitos fundamentais


Autor: Robert Alexy (Tradução Virgilio Afonso da Silva).
Malheiros Editores, 2008, SP.
Capítulo 1 – Objeto e tarefa de uma teoria dos direitos fundamentais

I – Conceito de uma teoria jurídica geral dos direitos fundamentais da


constituição alemã: Sobre direitos fundamentais é possível formular teorias das
mais variadas espécies (pg 31).
A análise a ser aqui desenvolvida diz respeito a uma teoria jurídica geral dos
direitos fundamentais da Constituição alemã... ela é, em primeiro lugar, uma
teoria dos direitos fundamentais da Constituição alemã; em segundo lugar, uma
teoria jurídica; e, por fim, uma teoria geral (pg. 31).

1. Teoria dos direitos fundamentais da Constituição alemã: Uma teoria dos


direitos fundamentais da Constituição alemã é uma teoria acerca de
determinados direitos fundamentais positivos vigentes (pg. 32).

2. Teoria jurídica dos direitos fundamentais da Constituição alemã: O que


faz uma teoria ser dogmática e, em decorrência disso, jurídica é algo pouco claro.
É natural orientar-se, de início, por aquilo que de fato é praticado como Ciência
do Direito e designado como “dogmática jurídica” ou “ciência jurídica”, ou seja,
pela Ciência do Direito em sentido estrito e próprio (pg. 33).

...a dimensão analítica diz respeito à dissecção sistemático-conceitual do direito


vigente (pg. 33).

A dimensão empírica da dogmática pode ser compreendida a partir de dois


pontos de vista: primeiro, em relação à cognição do direito positivo válido e, em
segundo, em relação à aplicação de premissas empíricas na argumentação
jurídica, por exemplo, no âmbito de argumentos consequencialistas (pg. 34).

A terceira dimensão, a dimensão normativa, avança para além do simples


estabelecimento daquilo que, na dimensão empírica, pode ser elevado à condição
de direito positivo válido, e diz respeito à elucidação e à crítica da práxis jurídica,
sobretudo da práxis jurisprudencial. A questão central, nessa dimensão, é, a
partir do direito positivo válido, determinação qual a decisão correta em um caso
concreto (pgs. 35/36).

A dogmática jurídica é, em grande medida, uma tentativa de se dar uma resposta


racionalmente fundamentada a questões axiológicas que foram deixadas em
aberto pelo material normativo previamente determinado (pg. 36).

Em face das três dimensões, o caráter prático da Ciência do Direito revela-se


como um princípio unificador. Se a ciência jurídica quiser cumprir sua tarefa
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prática de forma racional, deve ela combinar essas três dimensões. Ela deve ser
uma disciplina integradora e multidimensional: combinar as três dimensões é
uma condição necessária da racionalidade da ciência jurídica como disciplina
prática (pg. 37).

3. Teoria jurídica geral dos direitos fundamentais da Constituição alemã:


...é uma teoria que se ocupa com problemas relacionados a todos os direitos
fundamentais, ou a todos os direitos fundamentais de uma determinada espécie,
como, por exemplo, a todos os direitos de liberdade, de igualdade ou a
prestações positivas (pg. 38).

II – Teoria dos direitos fundamentais e teorias dos direitos


fundamentais: A concepção de uma teoria jurídica geral dos direitos
fundamentais expressa um ideal teórico. Ela tem como objetivo uma teoria
integradora, a qual engloba, da forma mais ampla possível, os enunciados gerais,
verdadeiros ou corretos, passíveis de serem formulados no âmbito das três
dimensões e os combine de forma otimizada (pg. 39).

O conceito de uma teoria integrativa é uma idéia regulativa, da qual a teorização


sobre os direitos fundamentais pode se aproximar das mais variadas formas (pg.
39).

Para realizar da forma mais ampla possível a teoria dos direitos fundamentais (no
sentido de uma teoria ideal), é necessário reunir várias teorias verdadeiras ou
corretas sobre direitos fundamentais. Mas é claro que essas teorias devem ser
avaliadas na medida de sua contribuição à teoria ideal (pgs. 39/40).

III – Teoria dos direitos fundamentais como teoria estrutural: O caminho


para uma adequada teoria integrativa passa por uma teoria estrutural dos
direitos fundamentais. Enquanto parte integrante de uma teoria integrativa, uma
teoria estrutural é, primariamente, uma teoria analítica (pgs. 42/43).

A dogmática dos direitos fundamentais, enquanto disciplina prática, visa, em


última instância, a uma fundamentação racional de juízos concretos de dever-ser
no âmbito dos direitos fundamentais. A racionalidade da fundamentação exige
que o percurso entre as disposições de direitos fundamentais e os juízos de
dever-se seja acessível, na maior medida possível, a controles intersubjetivos
(pg. 43).

Assim como são procedentes as objeções contra uma redução da Ciência do


Direito à dimensão analítica e contra toda tentativa de fundamentar as decisões
jurídicas apenas com os meios da Lógica, é improcedente a clara subestimação
do analítico presente nas opiniões expostas. Sem uma compreensão sistemático-
conceitual a Ciência do Direito não é viável como uma disciplina racional. A
medida de racionalidade do direito depende em grande parte do nível alcançado
pela dimensão analítica (pg. 49).

Portanto, a despeito das falhas do “tratamento lógico”, não há como ignorar o


que nele há de correto e imprescindível para o direito. E há ainda menos motivos
para tanto quando se tem em mente que a moderna Lógica, a Teoria da Ciência e
a Filosofia Prática fornecem instrumentos que prometem uma desenvolvimento
frutífero da pesquisa jurídico-conceitual já existente, bem como sua incorporação
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a um modelo abrangente de uma teoria integrativa. Nesse sentido, a teoria
estrutural aqui pretendida pertence à grande tradição analítica da jurisprudência
dos conceitos (pg. 49).

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