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INTRODUÇÃO

Os Crimes conta a Organização do Trabalho, como seu


próprio nome de certa forma traduz, são crimes praticados no âmbito do
trabalho, ou decorrente deste, quando o sujeito que faz a ação por vontade
própria torna-se sujeito ativo e quando forçado passa assim a ser o sujeito
passivo do crime.

Veremos de forma mais detalhada e clara cada um tipo dos


crimes que fazem parte deste elenco, como base para acompanhamento
utilizamos os artigos 197 a 207 do Código Penal Brasileiro. Onde de forma
simples e prática apenas tipifica cada atitude tomada pelo sujeito passivo da
ação.

Para isso necessitamos de uma análise doutrinaria destes


artigos para uma melhor interpretação e aplicabilidade de cada artigo, para
assim aplicar as penas a quem realmente for de direito e não acabar
penalizando pessoas que as vezes estão sendo coagidas e são tratadas como
“manifestantes” em alguns casos.

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CRIMES CONTRA A ORGANIZAÇÃO DO
TRABALHO

Veremos vários tipos relacionados d Crimes Contra a


Organização do Trabalho nos quais os seguintes:

a) ATENTADO CONTRA A LIBERDADE DE TRABALHO;

b) ATENTADO CONTRA A LIBERDADE D CONTRATO DE TRABALHO E


BOICOTAGEM VIOLENTA;

c) ATENTADO CONTRA A LIBERDADE DE ASSOCIAÇÃO;

d) PARALISAÇÃO DE TRABALHO, SEGUIDA DE VIOLÊNCIA OU


PERTURBAÇÃO DA ORDEM;

e) PARALISAÇÃO DE TRABALHO DE INTERESSE COLETIVO;

f) INVASÃO DE ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL, COMERCIAL OU


AGRÍCOLA. SABOTAGEM;

g) FRUSTRAÇÃO DE DIREITO ASSEGURADO POR LEI TRABALHISTA;

h) FRUSTRAÇÃO DE LEI SOBRE A NACIONALIZAÇÃO DO TRABALHO;

i) EXERCÍCIO DE ATIVIDADE COM INFRAÇÃO DE DECISÃO


ADMINISTRATIVA;

j) ALICIAMENTO PARA O FIM DE EMIGRAÇÃO;

k) ALICIAMENTO DE TRABALHADORES DE UM LOCAL PARA OUTRO


DO TERRITÓRIO NACIONAL.

Veremos cada um destes apresentados anteriormente de


fora simples e notória, quem são as pessoas passiveis e as ativas de serem
tipificadas nestes artigos.

1) – ATENTADO CONTRA A LIBERDADE DE TRABALHO

O do atentado contra a liberdade de trabalho, encontra-se


previsto no art. 197 do Código Penal brasileiro, tendo como objetividade
jurídica a tutela da liberdade de trabalho.

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Este tem como sujeito ativo qualquer pessoa, no entanto o
sujeito passivo além de ser qualquer pessoa física também a pessoa jurídica,
onde se enquadram as empresas.

A conduta vem expressa pelo verbo constranger, que


significa obrigar, forçar, coagir, tolher a liberdade. Onde o constrangimento
deve, necessariamente, ser exercido mediante violência ou grave ameaça,
obrigando o sujeito passivo a exercer ou não arte, ofício, profissão ou indústria,
ou trabalhar ou não durante certo período ou em determinados dias. No caso
da pessoa jurídica abrir ou fechar o seu estabelecimento de trabalho, ou a
participar de parede ou paralisação de atividade econômica.

Para que o crime ocorra é requisito indispensável para a


tipificação o dolo, pois sem vontade não tem como fazer com que aconteça o
ato ilícito em questão.

A consumação ocorre quando o sujeito passivo age de


acordo com a pretensão do sujeito ativo, exercendo ou não a atividade, abrindo
ou não o seu estabelecimento dentre outras coisas. Assim também funciona a
greve, onde em uma passagem de um livro:

“Só é legitima a greve exercida pacificamente.


O uso da violência ou grave ameaça a
desnatura e transforma em atividade delituosa.
No entanto contra a liberdade de trabalho os
meios executivos são a violência e a grave
ameaça. O emprego de outra constitui a retio
da discriminação”(TACRIM – TR, 726/672)

Este ato delituoso também admite o concurso material com


outros crimes previsto no Código Penal Brasileiro, onde cada crime cometido,
como exemplo da lesão corporal.

O tipo de ação cabível nestes casos é a Ação Pública


Incondicionada, de competência da Justiça Estadual, entendimento este que
mantido no STJ, muito embora quando a Ação versar sobre uma categoria de
trabalhadores, esta será competência da Justiça Federal.

2 –CRIMES CONTRA A LIBERDADE DE CONTRATO DE TRABALHO E


BOICOTAGEM VIOLENTA

Este ato ilícito esta tipificado no art. 198 do Código Penal


Brasileiro, o atentando contra a liberdade de trabalho e boicotagem violenta
tem como objetividade jurídica a tutela da liberdade de trabalho.

Tem como sujeito ativo qualquer pessoa, sendo o sujeito


passivo qualquer pessoa que sofre este tipo de coação ou constrangimentos.

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São os tipos de atitudes tomadas pelo sujeito ativo:

a) Celebrar contrato de trabalho (crime de atentado contra a liberdade


de trabalho);
b) Não fornecer a outrem ou não adquirir de outrem matéria-prima ou
produto industrial ou agrícola (crime de boicotagem violenta.

Trata-se de crimes dolosos, onde a consumação ocorre


quando no atentado contra a liberdade de trabalho, com a efetiva celebração
do contrato de trabalho e quanto a boicotagem violenta, com o não
fornecimento ou com a não aquisição da matéria-prima ou produto industrial ou
agrícola.

Também cabe concorrência com outros crimes, onde a


competência para julgamento é da justiça estadual através de ação pública
incondicionada.

3 – ATENTADO CONTRA A LIBERDADE DE ASSOCIAÇÃO

O Crime de Atentado Contra a Liberdade de Associação


encontrasse tipificado no art. 199 do Código Penal tendo como objetivo jurídico
a liberdade de associação prevista na Constituição Federal.

Onde os sujeitos ativos e passivos neste caso podem ser


qualquer pessoa, física e jurídica. Onde para isto se faz necessários a coação
para que o sujeito passivo participe de determinado sindicato ou associação
profissional ou então participar de determinado sindicato ou associação
profissional.

Vejamos a seguinte passagem:

“Atentado contra a liberdade de associação –


Delito não caracterizado – Dissolução de uma
reunião de trabalhadores – Assembléia que
não visava, contudo, a obtenção de qualquer
direito trabalhista e, sim, a constituição de uma
associação profissional – Absolvição mantida –
Inteligência dos art. 199 e 203 do CP – Os arts.
199 e 203 do CP pressupõem a existência
legal de um sindicato ou associação
profissional e que a reunião frustrada visasse,
efetivamente. A pretensão de um direito
assegurado em lei trabalhista” (TACrim – RT,
333/268).

Sua consumação se faz quando a vítima participa ou deixa


de participar de determinado sindicato ou associação profissional, este contra

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sua vontade, como os outros tipos havendo certas formas de violências haverá
assim um concurso com outros crimes.

A ação é pública incondicionada, sendo atingido apenas o


interesse individual, a competência é da Justiça Estadual, se afetar o interesse
coletivo dos trabalhadores, a competência será da Justiça Federal.

4 – PARALISAÇÃO DE TRABALHO, SEGUIDA DE VIOLÊNCIA OU


PERTURBAÇÃO DA ORDEM

O delito de paralisação de trabalho, seguida de violência ou


perturbação da ordem encontra-se descrito no art. 200 do Código Penal
Brasileiro, tendo com objetividade jurídica a tutela da liberdade de trabalho.
Sendo o direito de greve disciplinado pela Lei 7.783, de 28 de junho de 1989.

Os integrantes deste ato são o sujeito ativo onde pode ser


o empregado, o empregador ou outra pessoa. No caso de empregados, para
que se considere coletivo o abandono de trabalho, é indispensável o concurso
de, pelo menos três pessoas , previsto no parágrafo único.

Já o sujeito passivo pode ser qualquer pessoa jurídica.

A conduta típica se faz necessário o verbo participar, onde


a participação pode ser pela suspensão da coletiva de trabalho, feita por
empregadores, denominada Lockout, como também o abandono coletivo de
trabalho, feita por empregados, denominada greve, sendo imperiosa a
presença do fator violência contra a pessoa ou contra a coisa.

Em trecho escrito vemos:

“O simples porte de armas brancas pelos


‘piquetes’ de greve no sentido de impedir o
trabalho de outros companheiros, ocasionando
a pralisação ads atividades da empregadora,
não constitui a violência contra pessoa ou
contra a coisa a que alude o art. 200 do CP”
(TACrim – RT, 363/206.)

A consumação ocorre com a pratica de violência, contra a


pessoa ou contra a coisa, durante a greve ou lockout. Admitindo a tentativa.
Em caso do emprego de violência, a pena desta será aplicada
cumulativamente com a pena do crime analisado.

A ação penal é de caráter público incondicionada, sendo


competência para julgar da justiça estadual, neste sentido:

“As ações ilícitas decorrentes de greve não


podem ser enquadradas como crimes contra a

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organização do trabalho se não ofendem
órgãos ou instituições destinadas a preservar
coletivamente o trabalho, mas pessoas
isoladamente de acordo com o art. 109, VI da
CF” (TACrim – RT, 729/555)

5 – PARALISAÇÃO DE TRABALHO DE INTERESSE COLETIVO

O crime de paralisação de trabalho de interesse coletivo


vem previsto no art. 201 do Código Penal, tendo como objetividade jurídica a
tutela do interesse coletivo.

É um desdobramento do tipo penal anteriormente


analisado. A paralisação condenada, aqui, é a que provoca intencionalmente a
interrupção efetiva de obra pública ou serviço de interesse coletivo. Este artigo
deve ser cotejado com o exame da Constituição Federal (art. 9º, § 1º) e da Lei
de Greve n° 7.783/89. Pois, sendo a greve um direito, quando justa, o
dispositivo atualmente só deve alcançar os casos de efetivo abuso ou descaso
a obra ou ao serviço de interesse coletivo. O sujeito ativo pode ser empregado
ou empregador. O sujeito passivo é a coletividade. Consuma-se com a efetiva
paralisação. Admite-se tentativa. Ação penal: pública incondicionada, com
competência da Justiça Federal, pois trata-se de paralisação de interesse
coletivo.

As participações podem será suspensão coletiva de


trabalho, feita por empregadores, denominada lockout e o abandono coletivo
do trabalho feita por empregados, denominada greve. Assim a participação em
greve ou lockout deve provocar a interrupção de obra pública ou serviço de
interesse coletivo.

6 – INVASÃO DE ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL, COMERCIAL OU


AGRÍCOLA. SABOTAGEM

O crime de invasão de estabelecimento industria, comercial


ou agrícola vem previsto no art. 202 do Código Penal e tem como objetivo
jurídico a tutela da organização do trabalho.

Incrimina a invasão de estabelecimentos e a sabotagem. O


sujeito ativo pode ser qualquer pessoa, inclusive terceiro que não seja
empregado. O sujeito passivo é o proprietário do estabelecimento invadido,
ocupado ou sabotado, bem como a coletividade. Crime doloso com elemento
subjetivo do tipo concernente em impedir ou embaraçar o curso normal do
trabalho. É necessário que a violência contra a coisa adquira certa conotação
de generalidade, ainda que uma só coisa seja atingida.

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É crime doloso, formal e consuma-se já com a invasão ou
com o dano contra o estabelecimento ou coisas nele existentes, ou a
disposição das mesmas mediante venda, doação, apropriação ou outros atos
semelhantes, independentemente de alcançar ou não o resultado visado que
deve ser impedir ou embaraçar o trabalho. Sendo admitido a tentativa.

Se as condutas são praticadas sem o especial fim de agir


(impedir ou embaraçar o trabalho) pode-se configurar a violação de domicílio
(art.150) ou o esbulho possessório (art. 161 § 1º, II – CP.

São duas modalidades de sabotagem previstas


alternativamente:

a) danificar estabelecimento: seria a danificação ou disposição do prédio ou


das coisas nele existentes, independentemente d o efetivo impedinmento ou
embaraço do curso formal do trabalho;

b) invasão: com a simples invasão do estabelecimento, esta já se caracteriza


um crime tipificado, havendo sues agravantes em determinadas situações.

“Não atua com dolo quem, com fins


preservacionistas posta-se em frente a casa
que está para ser demolida, perturbando as
obras de demolição.” (TJSP RJTJSP 89/442).
“Sem o motivo determinante de embaraçar ou
impedir o normal curso do trabalho, não incide
o art. 202 do CP, em qualquer de suas
modalidades (TRF, HC 4.894, DJU 19.3.81, p.
1979)

“A troca de fechadura da porta de acesso de


estabelecimento comercial alheio, impedindo o
curso normal do trabalho, configura, em tese, o
delito previsto no art. 202 do CP” (STJ, RT
757/508).

Trata-se de uma ação penal pública incondicionada, com


competência da Justiça Federal para julgar por se tratar de interesse coletivo
da situação.

7 – FRUSTRAÇÃO DE DIREITO ASSEGURADO POR LEI TRABALHISTA

O crime de frustração de direito assegurado por lei


trabalhista vem previsto no art. 203 do Código Penal, tendo como objetividade
jurídica a tutela dos direitos trabalhistas previstos em lei.

A conduta de frustrar, iludir, lograr, ludibriar, privar e outras


ações similares através de fraude, que pode ser executada mediante ardil,

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engodo, ou qualquer forma de artifício que leva o enganado à aparência falsa
da realidade ou mediante violência física, neste dispositivo ficou excluída a
ameaça, todos estes atos visando impedir a fruição de direito assegurado pela
CLT e demais leis trabalhistas complementares.

“A fraude tanto pode ser empregada pelo


patrão contra o operário e vice-versa, quanto
por ambos, conluiados, para iludir o texto legal,
devendo notar-se que o titular do direito
assegurado por lei trabalhista não pode
renunciá-lo quando correspondente a um dever
imperativamente determinado pela mesma lei
que é de ordem pública” Nelson Hungria
(Comentários ao Código Penal, 1959, v. VIII, p.
49).

Consuma-se com o impedimento do exercício do direito


trabalhista. Admite-se tentativa. A falta de registro na CTPS configura
infringência a este artigo do C. Penal.

Onde o sujeito ativo pode ser qualquer pessoa e o sujeito


passivo é aquele que tem o direito trabalhista frustrado. Tem obrigatoriamente
de conter a ameaça ou violência para se caracterizar.

Por tanto, não basta o mero inadimplemento da obrigação


trabalhista para a caracterização do delito, sendo indispensável a ocorrência de
fraude ou violência. Assim:

O delito de frustração do direito assegurado


por lei trabalhista não se integra como simples
inadimplemento de obrigação imposta ao
empregador pela legislação especifica. Assim,
a falta de pagamento de salário que se
entende devido, por si, não corporifica a
infração penal. Esta só se configura quando o
agente frustra o direito mediante fraude ou
violência” (RT, 372/174)

A lei 9.777 de 29 de dezembro de 1998, fez aparecer duas


novas figuras típicas, incluindo-as como assemelhadas ao §1º do art. Discutido.
A primeira delas refere-se à coação para compra de mercadorias, visando
impossibilitar o trabalhador de desligar-se do serviço em razão da dívida. A
segunda refere-se à coação e retenção de documentos pessoais ou contratuais
do trabalhador, impedindo-o de desligar-se do serviço de qualquer natureza.

Lembrando da igualdade com os demais artigos, quando


cometido este crime com violência incorre também o que provocou em um
concurso com os demais cometidos.

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Trata-se de uma ação publica incondicionada, onde a
competência e da Justiça Estadual quando o interesse ofendido é individual. Se
houver ofensa aos direitos dos trabalhadores considerados coletiva, a
competência será da Justiça Federal, seguindo orientação da Súmula 115 do já
extinto Tribunal Federal de Recursos.

8 – FRUSTRAÇÃO DE LEI SOBRE A NACIONALIZAÇÃO DO TRABALHO

O crime de frustração de lei sobre nacionalização do


trabalho vem previsto no at. 204 do Código Penal, tendo como objetividade
jurídica a tutela da nacionalização do trabalho.

Onde o sujeito ativo pode ser o empregador ou os


empregados e o sujeito passivo é necessariamente o Estado.

Outra disposição penal em branco a ser complementada


através de normas administrativas ou trabalhistas (artigos 352 a 371 da CLT-
nacionalização do trabalho e proporção de empregados brasileiros). A
frustração pode ser por fraude ou violência física excluída a ameaça. O sujeito
ativo é qualquer um e o paciente é o Estado.

Consuma-se com o descumprimento da obrigação


trabalhista. Admite-se tentativa. Delito comum quanto ao sujeito, doloso,
material, tendo sua Ação penal: pública incondicionada.

A nacionalização do trabalhão é prevista pelo Decreto-Lei


nº 5.452, de 1º de maio de 1943 CLT, em seus artigos 352 a 371.
Nacionalização do trabalho nada mais é do que a fixação de um percentual de
trabalhadores nacionais para o desenvolvimento de determinados serviços.

Tradicionalmente, a nacionalização do trabalho tinha reízes


constitucionais, e, após a Carta Magna de 1988, apenas o art. 178, parágrafo
único, estabeleceu sua aplicação as embarcações nacionais. No mais, foram
equiparadas em direitos brasileiros e os estrangeiros residentes no País.

9 – EXERCÍCIO DE ATIVIDADE COM INFRAÇÃO DE DECISÃO


ADMINISTRATIVA

Crime este tipificado no art. 205 do Código Penal Brasileiro,


onde busca a objetividade jurídica a tutela do cumprimento das decisões
administrativas.

O artigo em foco incrimina o desempenho habitual de


trabalho ou profissão infringindo decisão administrativa do Ministério do
Trabalho ou outro órgão da Administração Pública. O objeto jurídico é a
organização do trabalho e as decisões administrativas concernentes. O sujeito

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é o que exerce atividade para a qual está impedido e o sujeito passivo é o
Estado. Delito próprio quanto ao sujeito, doloso e de conduta habitual. Admite-
se a tentativa.

Tratando-se de decisão judicial artigo 330 ou 359-CP;


função pública: art. 324-CP; medicina e dentária Art. 282-CP; geral: Art. 47-
LCP.

Ação penal: pública incondicionada. Exige habitualidade.


Não existe distinção entre empregado e trabalhador autônomo.

“O advogado que, após sofrer suspensão


disciplinar pela OAB, pratica o exercício da
profissão, não comete o crime previsto no art.
205-CP e sim a contravenção penal do artigo
47 do DL 3.688/41; a expressão ‘decisão
administrativa’ contida no art. 205 somente
pode ser entendida como emanada de órgão
da administração pública”.

“A conduta de médico que, após ter cancelada


a sua inscrição pelo Conselho Federal de
Medicina, continua a exercer a profissão,
incide no artigo 205 do CP, e não no art. 282”
(exercício ilegal da medicina) (STF, RE 86.986,
DJU 18.11.77.

10 – ALICIAMENTO PARA O FIM DE EMIGRAÇÃO

O crime de aliciamento pra fim de emigração vem previsto


no art. 206 do Código Penal, tendo como objetividade jurídica a proteção do
interesse estatal n a permanência de trabalhadores no território nacional.

A consumação ocorre com o recrutamento,


independentemente da efetiva emigração dos trabalhadores, onde o sujeito
ativo pode ser qualquer pessoa e o sujeito passivo torna-se o Estado.

11 – ALICIAMENTO DE TRABALHADORES DE UM LOCAL PARA OUTRO


DO TERRITÓRIO NACIONAL

O crime de aliciamento de trabalhadores de um local para


outros do território nacional está tipificado no art. 207 do CP, tendo como objeto
jurisdicional a tutela do interesse estatal na permanência dos trabalhadores no
local em que se encontram, no território nacional.

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O artigo 206 trata de reunir trabalhadores, mediante fraude,
para levá-los para o exterior. Já o artigo 207 a ação é semelhante (aliciar,
angariar, atrair), mas, independe de fraude, e tem o fim de levá-los a outro
ponto do próprio país, desde que distante da moradia dos mesmos. Pune-se
também o recrutamento mediante cobrança de qualquer quantia pecuniária do
trabalhador, ou, sem a segurança do retorno dos aliciados ao respectivo local
de origem. (Art.207, § 1º).

O interesse na permanência dos trabalhadores no país.


Sujeito ativo: qualquer pessoa. Sujeito passivo: O Estado e secundariamente,
os trabalhadores fraudulentamente recrutados. Para Damásio e Delmanto os
trabalhadores devem ser pelo menos dois. Para Magalhães Noronha são
necessários pelo menos três trabalhadores para a configuração desses delitos.

Se há promoção ou facilitação de saída de mulher que vá


exercer a prostituição no estrangeiro, art. 231-CP, agravado pela violência,
grave ameaça ou fraude (§ 2º). Se o fim é outro, pode restar tipificado o art.
171 do nosso Diploma Penal.

O § 1º do artigo 207 equipara à conduta do caput a do


agente que: a) recruta trabalhadores fora da localidade de execução do
trabalho, dentro do território nacional, mediante fraude ou cobrança de
qualquer quantia daqueles; b) não assegura o seu retorno ao local de origem.

§ 2º do artigo 207 trás causa especial de aumento da


pena: a) sendo a vítima menor de 18 anos; b) idosa; c) gestante; d) indígena;
ou, e) portadora de deficiência física ou mental, aumenta-se a pena de um
sexto a um terço.

“A figura delituosa do art. 206, ex vi da Lei


8.683/93, exige para sua configuração a
elementar da fraude no recrutamento; o crime
de plágio – redução à condição análoga à de
escravo – não absorve o do art. 206 do CP”
(TRF da 1ª R., JSTJ e TRF 79/425).

“Não se configura o delito do artigo 207,


quando não se consegue demonstrar a ofensa
à Organização do Trabalho ou o prejuízo para
a região onde se processa o aliciamento” (TRF,
Ap. 5.402,DJU 4.8.82).

A Lei nº 9.777/98, acrescentou, no §1º, a figura


assemelhada ao caput do art. 207 do CP, punindo com a mesma pena quem
recruta trabalhadores fora da localidade de execução do trabalho, dentro do
território nacional, mediante fraude ou cobrança de qualquer quantia do
trabalhador, ou, ainda, não assegurar condições do seu retorno ao local de
origem.

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Torna-se uma ação publica incondicionada, onde a
competência é da Justiça federal, pois a um interesse coletivo.

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CONCLUSÃO

Vemos que ao Crimes Contra a Organização do Trabalho,


que se encontra tipificado no Código Penal Brasileiro nos artigos 197 aos 207,
já previa mesmo antes da criação da Lei 5.452 de 1º de maio de 1943 que
instituiu a Consolidação das Leis Trabalhistas já existia uma previsão legal para
os crimes que eram cometidos contra os trabalhadores, empregados ou ate
mesmo o Estado.

Vemos também que muitos artigos trazem como costumam


chamar de “Lei branca”, pois o artigo por si só é muito vago deixando assim
brechas para interpretações favoráveis a quem cometes determinados atos
ilícitos, por tanto se fez necessário a criação de outras leis para uma melhor
tipificação destes.

Ainda o art. 204 do mesmo código trabalhado teve uma


melhor aplicabilidade com a instituição da CLT, onde em seus artigos 352 a
371 tratou da nacionalização do trabalho.

Por tanto vemos que da mesma maneira que existe a CLT


para defender os interesses dos trabalhadores, o Código Penal protege
também os empregadores que são vítimas de empregados com má fé,
mostrando mais uma vez que o Código Penal Brasileiro não destingue a quem
vai atingir, sendo igual para todos independentemente de seu status social ou a
que grupo pertença, atingindo tanto os humildes trabalhadores, quanto so
monopolistas donos de grandes empresas.

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REFERENCIAS BIBLIOGRAFIA

ANDREUCCI, Ricardo Antonio, Manual de direito penal: Volume 2, parte


especial (arts. 121 a 212) / Ricardo Antonio Andreucci – 3ª Ed. Atual. E aum. –
São Paulo: Saraiva 2004.

VADE MECUM RT – 5º ed. Ver. ampl. e atual. São Paulo: Editora Revista dos
Tribunais, 2010.

<http://www.loveira.adv.br/material/ccotrabalho.doc.>, disponível em
25/11/2010.

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