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AS TRÊS CRUZES

O TIBETANO
E
ALICE A. BAILEY

RAYOM RA
http://arcadeouro.blogspot.com
AS TRÊS CRUZES

Não poderei tratar detalhadamente o tema das três Cruzes zodiacais – as


Cruzes Mutável, Fixa e Cardinal – porque concernem às totalidades ou à
síntese da manifestação e à experiência unificada de uma entidade
encarnante, seja Deus ou o homem. Portanto somente pode compreendê-
lo quem possui consciência includente, ou seja: percepção iniciática.
Entretanto é possível fazermos alguns comentários gerais. As três cruzes
são, como bem sabem:

1. A Cruz do Cristo Oculto – a Cruz Mutável.

a. É a Cruz das quatro energias principais, que produzem as


circunstâncias e transformam o homem animal num aspirante.

b. É a Cruz da personalidade ou do ser humano, que se desenvolve de


forma constante, integrando-se finalmente. Isto tem lugar, primeiro, em
resposta às circunstâncias e logo à inclinação da alma.

c. É a troca de mudança temporal e temporária, da fluidez desses


ambientes que se alteram constantemente e impulsionam a alma, que
anima a forma, a ir de uma experiência extrema a outra, de modo que a
vida oscile entre os pares de opostos.

d. É a Cruz da forma que responde, nutre e desenvolve a vida de Cristo


que mora interiormente – a alma oculta ou o Senhor do Ser. Os quatro
braços desta Cruz são: Gêmeos-Virgem-Sagitário-Peixes. Algumas vezes
a denominam a Cruz Comum, pois condiciona o rebanho comum: a
massa humana.

2. A Cruz do Cristo Crucificado – A Cruz Fixa.

a. É a Cruz composta pelas quatro energias que condicionam a vida do


homem, que é antes de tudo um discípulo em provação; logo um
discípulo aceito e consagrado.

b. É, destacadamente, a Cruz da alma. O homem que se acha na Cruz


fixa está chegando a ser acrescentadamente consciente de sua
orientação e influência e não responde tão cegamente como o homem
que se acha na Cruz Mutável. Não “ascende” num sentido técnico a esta
“Cruz de Correta Orientação”, até que haja alcançado, em certa medida,
contato com a alma e haja recebido um toque de iluminação e de intuição
espiritual – não importando quão fugaz possa ter sido este lampejo.

c. É a Cruz da “visão fixa e dessa intenção imutável que impele ao


homem a ir de um ponto da luz até a brilhante luz solar”. O homem na
Cruz Fixa diz: Sou alma e aqui permaneço. Nada moverá meus pés fora do
estreito lugar no qual permaneço. Enfrento a luz. Sou a Luz, e nessa luz
verei a Luz”.
d. É a Cruz cujas quatro energias se mesclam com as energias do
próprio Sistema Solar e as transmitem. Isto pode o homem fazer porque
na Cruz Fixa está chegando a ser acrescentadamente consciente dos
acontecimentos mais importantes que ele, acontecimentos mais
absorventes que seus anteriores interesses concernentes à humanidade,
em sua relação com as forças solares, e não só com as forças
planetárias. Vai sendo cada vez mais sensível a um todo maior.

e. As energias desta cruz continuam evocando resposta até o momento


de receber a terceira iniciação. Os quatro braços desta Cruz são Touro-
Leão-Escorpião-Aquário. Se a denominam Cruz Fixa é porque o homem
está crucificado nela por direta escolha e intenção irremovível de sua
alma. Uma vez tomada esta decisão não pode mais retroceder.

3. A Cruz do Cristo Ressuscitado – A Cruz Cardeal

a. Nesta Cruz de acordo com o paradoxo ocultista e ao tempo e espaço,


o Espírito está crucificado. Suas quatro energias regem e dirigem a alma
quando avança no Sendeiro de Iniciação. Logicamente tratando-se de um
estado de consciência tão excelso, pouco posso dizer a respeito desta
Cruz, exceto fazer vagas generalizações.

b. Portanto é predominantemente a Cruz da Iniciação e dos começos.


Consiste fundamentalmente “ao começo do interminável Caminho da
Revelação” que se inicia quando se entra no Nirvana, para o qual todas as
etapas prévias ao Sendeiro de Evolução não tem sido mais do que
preparatórios.

As citações dadas em continuação podem trazer compreensão e ajuda a


fim de iluminar este tema tão difícil, indicando o significado desta Cruz
Cardeal como influência culminante e reveladora do que existe adiante,
para os que alcançam a categoria hierárquica.

“Toda beleza e bondade, tudo o que contribui para o desaparecimento


da dor e ignorância na Terra, deve ser dedicado à Grande Realização.
Então quando os Senhores de Compaixão hajam civilizado
espiritualmente a Terra e feito dela um Céu, estará revelado para o
peregrino o interminável Sendeiro que se estende até o Coração do
Universo. O homem que então já não será homem terá transcendido a
natureza, e impessoalmente, apesar de que em forma consciente, estará
unificado com todos os Seres Iluminados e ajudará cumprir a Lei da
Evolução, da qual o Nirvana não é mais que o princípio”. – Yoga Tibetana
e Doutrinas Secretas.

c. As energias da Cruz Cardeal fundem-se com essas energias as quais


somente podemos dar o nome de energia cósmica, ainda que esta não
signifique nada. Contém a qualidade Daquele de Quem Nada Se Pode
Dizer, estando “matizadas com a Luz dos Sete Sistemas Solares” dos
quais nosso Sistema Solar é um deles.
e. O alcance e o ciclo da influência na vida do iniciado são
absolutamente desconhecidos, incluindo nosso Logos Planetário, que
está crucificado sobre seus “braços abertos”.

A CRUZ DO CRISTO OCULTO

Falando de forma geral a Cruz Mutável rege, portanto, a forma ou a


natureza corpórea; controla todo o ciclo de vida da alma individual
através das etapas das experiências inferiores da humanidade, etapas
estritamente humanas, e os processos integrantes do desenvolvimento
da personalidade, até que o homem se transforme numa pessoa alinhada,
reorientando-se lentamente até uma visão superior, uma captação
horizontal e vertical mais ampla da realidade, e convertendo-se em
aspirante. Esta Cruz rege a triplicidade inferior em manifestação e aos
três mundos da evolução humana.

A Cruz Fixa rege a alma, que agora é consciente dentro da forma


humana e nos três mundos, porém controla todo o denominado “cinco
mundos da realização humana” – os três níveis de atividade estritamente
humanas e os dos super-humanos, ou seja: a trindade inferior e a
Trindade Espiritual. Concerne a toda a vida da experiência e a expressão
da alma, depois que a Cruz Mutável tem obrigado ao homem a passar
pelos sendeiros de purificação e do discipulado. Relaciona-se com a
integração da alma, da personalidade, e com sua total mescla ou fusão.

A Cruz Cardeal rege a manifestação da Mônada em toda a sua glória e


beleza, ciclo de influência que tem duas etapas: uma em que a Mônada se
expressa nos sete planos de manifestação, em “sabedoria, força e
beleza”, por intermédio da alma e personalidade integradas. Esta etapa é
relativamente breve. A outra em que – retirado e abstraído dessas formas
de Ser – “o Uno prossegue num Caminho Superior e passa a reinos
desconhecidos, até para os mais elevados Filhos de Deus em nossa
Terra”.

Poderia se dizer que a Cruz Mutável constitui a influência condicionante


desse grande centro planetário denominado humano; a Cruz Fixa
constitui eminentemente a principal série controladora de energias
regentes, transmitidas pelo centro denominado Hierarquia Planetária: a
Cruz Cardeal rege e condiciona (em forma desconhecida para os homens)
esse grande centro planetário denominado Shamballa.

Portanto verão quão grandioso é meu tema. Permitam-me repetir que só


quem pode pensar em termos de quaisquer das três Totalidades
mencionadas, saberá do que falo; as mentes menos capacitadas obterão
uma imagem ou visão de possibilidades transcendentais que as ajudarão
a obter uma expansão de consciência, porém o que exporei permanecerá
no nível do (momentaneamente) inalcançável.

Técnica e academicamente o tema se irá aclarar se pontualizo, que:


1. A Cruz Mutável é a Cruz do Espírito Santo, da Terceira Pessoa da
Trindade Cristã, pois organiza a substância e evoca a resposta sensível
da mesma substância.

2. A Cruz Fixa é a Cruz do Filho de Deus, da Segunda Pessoa da


Trindade, impelido pelo amor a encarnar na matéria e a ser
conscientemente crucificado na Cruz da matéria.

3. A Cruz Cardeal é a Cruz do Pai, o primeiro aspecto da Sagrada


Trindade, que enviou ao Espírito Santo (o Alento), porque a Mente de
Deus visualizou um destino para a matéria, que demorou muito tempo
para cumprir-se, e “já chegando o momento”, o Filho cumpriu a lei com a
colaboração do Espírito Santo: isto em resposta ao “faça-se” do Pai.

Estas três Cruzes na sua total manifestação se relacionam com as três


energias básicas que trouxeram à existência o Sistema Solar; constituem-
se nas três expressões principais e sintéticas da Vontade suprema,
motivadas pelo amor e expressadas pela atividade. Nestas Cruzes a
capacidade de ver o Todo, propósito-móvel-expressão, vida-qualidade-
aparência, se transforma e muda. Na Cruz Mutável, o homem crucificado
não vê nada. Sofre, agoniza, deseja, luta e é vítima aparente das
circunstâncias, caracterizando-se pela visão velada e anseios incipientes,
que gradualmente tomam forma até que alcança a etapa de aquiescência
e aspiração.

Logo, na Cruz Fixa , começa a compreender a totalidade do propósito da


experiência na Cruz Mutável (no que concerne à humanidade); que há um
propósito hierárquico que pode ser captado somente pelo homem que
está disposto a ser crucificado nessa Cruz. Alcança a etapa da
responsabilidade, da auto percepção e da correta direção. Sua orientação
é agora, “espiritualmente vertical, o que implica a includente horizontal”.
Nesta etapa o Plano do Logos vai adquirindo forma em sua consciência.

Na Cruz Cardeal, o propósito e a culminância unificada das duas


crucificações anteriores evidenciam em forma quase ofuscante; aparece
com toda clareza a visão da intenção unificada das Três Pessoas da
Trindade subjacente – cada uma em Sua Própria Cruz.

Quisera que a simplicidade dos três símbolos que se darão a continuar


possam servir para aclarar o que tenho tratado de comunicar.

A Cruz Mutável de mudança material e movimento constante pode ser


representada pela suástica. O Homem é inconsciente da natureza das
quatro energias entrantes e pouco pode interpretar em termos de alma.
As energias produzem impacto sobre ele e o impulsionam para
atividades materiais. A Cruz da personalidade faz com que o homem
crucificado nela dedique-se às coisas materiais para oportunamente
poder emprega-las divinamente. Os nazistas exaltaram desta Cruz o
aspecto inferior do símbolo, expressando assim o final do ciclo material
da existência humana – o falso e maligno emprego da matéria cujo
fundamento é a separatividade, a crueldade e o egoísmo. O mau uso da
substância e a prostituição da matéria e da forma para fins malignos
constituem o pecado contra o Espírito Santo. É possível dizer-se que a
suástica “leva a um terrível perigo e a errôneos caminhos àqueles cuja
ambição é grande e não veem a beleza da Cruz que alvorece nem sentem
amor pelas vidas humanas”. Aqueles que não respondem aos aspectos e
efeitos inferiores da Cruz que gira (segundo assim se referem, às vezes),
“a suástica os lança longe e fora de si mesma até que se detenham na
“eleita” Cruz da crucificação” – a Cruz Fixa do discípulo consagrado.

O símbolo da Cruz Fixa (no que se refere à humanidade) pode ser


expressa assim. Esta é a Cruz da Humanidade.

Nela o homem obtém a iluminação e é consciente dos efeitos do ciclo


completo (indicado pelo círculo) das quatro energias, às quais se
encontrava submetido na Cruz Mutável. O símbolo da Cruz Cardeal é mais
complicado e pode ser representado assim:
E aqui o triângulo da Mônada [com outra versão] manifestada, mais os
três ciclos de quatro energias, enfocadas e mescladas em uma unidade, e
também a linha da evolução (da consciência) descendo profundamente,
incluindo a matéria e, ao mesmo tempo, se estendendo aos “Espaços da
Divindade”.

Muito do que se pode dizer sobre as três Cruzes já se tem exposto de


forma diversa, quando cada uma foi abordada separadamente dentre os
doze signos do zodíaco, sendo desnecessário repeti-lo. Este tratado tal
como A Doutrina Secreta que se destina a estimular a investigação e tem
o poder de desvendar e buscar, uma vez que o processo produz um efeito
definido sobre as células do cérebro, conduz ao necessário estímulo. No
estudo das Cruzes o verdadeiro significado de suas influências somente
aparecerá quando comecem a pensar em termos de síntese ou na relação
com as quatro correntes de energia que fluem de forma unida sobre e
através de qualquer tipo de manifestação divina.

Isso não é fácil realizar, pois a capacidade de pensar através de síntese


somente veio aparecendo recentemente nas mentes mais destacadas da
raça, e isso analiticamente (o que sempre nega a síntese) afirmando, no
que respeita a Cruz Mutável, que, por exemplo, na síntese da evolução,
seu problema e sua meta, aparecem como se estivessem unidos numa só
presença, quando as influências são observadas como:

1. Gêmeos – a apresentação da dualidade.

2. Virgem – a apresentação da vida e da forma amalgamadas.

3. Sagitário – a apresentação da energia focada.

4. Peixes – a apresentação de uma radiação amalgamada.

Esta radiação culminante é o resultado do enfoque da vida, a intenção e


a energia num “ponto de poder radiante”. Tem-se dito que em conexão
com a Cruz Mutável, o signo de Peixes atualmente é o mais poderoso e,
quando o trabalho da Cruz Mutável tenha sido realizado, o discípulo
passivo passa para a Cruz Fixa e se prepara para as provas e
experiências da iniciação. Isto se encontra expressado em O Antigo
Comentário em sua simbologia oculta, desta maneira:

“A Luz brilha porque a luz maior e a luz menor aproximam-se e se


invocam mutuamente. Suas luzes misturadas ainda que não sejam um sol
radiante, estão se mesclando rapidamente. Essas luzes mescladas
revelam o Caminho Iluminado.
O homem vê a si mesmo seguindo outro Caminho, o das totalidades
iluminadas, as quais conduzem desde a forma à alma, desde a
obscuridade à luz, e assim, em torno da Roda. Retrocedendo seus passos
e vindo mais atrás em seu Caminho (a roda revertida do zodíaco A.A.B.),
avança.
Penetra uma nova luz. As sete irmãs desempenham sua parte (as
Plêiades em Touro são o primeiro signo da Cruz Fixa), então brilham três
luzes. E assim aparece um radiante sol”.

O tema das três cruzes é fusão e integração. A fusão da personalidade


num todo funcionante: a fusão consciente da alma com a personalidade;
a fusão da tríplice expressão da divindade – Mônada, ego e personalidade
– a fim de que apareçam as energias amalgamadas. A nota chave de suas
influências é o poder de incluir e a plena expressão em forma simultânea
de vida vertical e horizontal em tempo e espaço.

Deveria observar-se que há sete formas de luz, relacionadas com a


substância dos sete planos, os quais são estimulados e realizados pelas
doze formas de luz das Hierarquias Criadoras, cada uma por sua vez
realizada com qualquer dos doze signos do zodíaco. Não posso estender-
me sobre isso, pois se relaciona com os mistérios das iniciações
superiores. As enuncio simplesmente para que possam apreciar uma
realidade oculta que ainda não podem comprovar.

Uma afirmação paralela seria que a luz dos sete centros no homem
(quando estão realizados pela luz dos sete centros planetários) e os cinco
reinos da natureza (7 + 5 = 12), além das doze luzes do zodíaco,
culminariam na efetividade da luz que possibilita a expressão da
totalidade, e isto por meio da humanidade. Esta afirmação fundamental
tem muito pouco significado para vocês e, contudo, constituirá – no
próximo ciclo – um pensamento semente, o “som chave” para a próxima
revelação da Sabedoria Eterna.

Ainda que o significado das três Cruzes não seja compreendido em


forma mais plena e sintetizada pelos astrólogos e investigadores da
astrologia, é quase impossível falar as palavras necessárias para
transmitir com clareza o significado designado. Até agora não tem havido
uma real tentativa por parte dos astrólogos (mesmo dos mais avançados),
para se chegar a uma compreensão geral ou sintetizada do efeito que as
Cruzes produzem sobre a humanidade.

Tudo o que até agora se tem transmitido é o efeito que exerce um braço
da Cruz sobre a pessoa nascida num signo particular. Entretanto há uma
fusão de energia que se deve observar quando, falando esotericamente, o
homem “permanece num ponto médio onde se unem as quatro energias”.
O homem cujo signo do Sol está em Gêmeos, por exemplo, fica sujeito às
forças que afluem através de toda Cruz – a menos que seja um ser
humano de grau muito inferior – será sensível a influência dos outros três
signos quando entram a exercer poder, à medida que o zodíaco menor do
ano desempenha sua parte. Mais tarde quando o valor prático da
astrologia esotérica seja mais bem compreendido, os homens
aproveitarão as três energias dos outros três signos da Cruz em que está
localizado o signo do Sol.

Este é um futuro desenvolvimento da ciência da astrologia esotérica. Em


termos mais simples e, portanto, limitando necessariamente o
significado, poderia se dizer que o homem quando está em Sagitário,
tratará de praticar a centralização sobre determinada linha; quando se
ache em Virgem, saberá que tem a oportunidade de por a forma sob a
influência do Cristo oculto e que, em Peixes, a sensibilidade à impressão
superior será seu direito e privilégio. Estas quatro possibilidades a que o
iniciado avançado se refere estão a nós belamente demonstradas na vida
de Jesus, o Mestre que pertence ao sexto raio.

O aspecto Gêmeos de Sua vida está demonstrado na fusão perfeita da


dualidade básica que reside na humanidade: o humano e o divino. O
aspecto Virgem veio à expressão em Seu décimo segundo ano, quando
disse: “Não sabeis que devo ocupar-me dos assuntos de meu Pai”,
indicando com isso a subordinação da vida da forma à vontade do Cristo
Interno; o que foi consumado quando “a divindade desceu sobre ele” no
Batismo.

A energia de Sagitário O capacitou para dizer, quando enfrentava com


pleno conhecimento o iminente sacrifício que teria de fazer: “devo ir a
Jerusalém”, e lemos que então ele “virou Seu rosto” e recorreu ao
Sendeiro do Salvador, que conduz a libertação da humanidade.

O “aspecto Peixes”, na sua expressão mais elevada, está demonstrado


por Sua sensibilidade ao contato imediato e ininterrupto com Seu “Pai
nos Céus”; Ele estava em comunicação constante com a Mônada,
provando assim ao mundo que ele havia sido iniciado nesses estados de
consciência, dos quais a terceira iniciação é só o começo.

Tudo isto comprova que as três Cruzes funcionaram simultaneamente


em Sua vida – algo até então desconhecido na perfeição que Ele
demonstrava – a perfeição da perfeita resposta e também a perfeita
demonstração do resultado, dando-nos uma manifestação e um exemplo
da fusão das doze energias numa só Personalidade Divina (expressando
a Individualidade) no plano físico. Completarei brevemente a
demonstração desta verdade – a verdade de que no iniciado de graus
superiores as doze energias zodiacais podem enfocar-se
simultaneamente e produzir uma total manifestação da divindade, que
está destinada oportunamente a expressar-se através da humanidade
neste planeta. Venho dando a forma em como se expressa a Cruz
Mutável. Consideraremos as outras duas em relação com o Cristo e o
Cristo Cósmico.

A CRUZ FIXA
Touro – ”O Cristo disse (como todos os Filhos de Deus que conheceram
o verdadeiro significado da Cruz Fixa): “Eu Sou a Luz do mundo”, e
completou: “Se teu olho fosse iluminado, todo teu corpo estaria pleno de
luz”. Touro é, como se tem ouvido dizer, a Mãe da Iluminação, e o “olho
do Touro” é o simbolismo do olho ao qual se referiu Cristo.

Leão – É o signo da identidade autoconsciente. Isto o testemunhou


Cristo nas palavras que pronunciou a seus discípulos: “de que serviria o
homem ganhar o mundo e perder a sua alma?”, o seu próprio centro de
autoconsciência – esse significativo ponto de realização que deve
preceder aos mais includentes estados de consciência.

Escorpião – O significado deste signo na vida de Cristo tem sido


eliminado do Novo Testamento, porém conservado para nós na antiga
lenda crística – que no berço mesmo – Cristo matou ou estrangulou as
duas serpentes, referindo-se aos pares de opostos, os quais já não
podiam controla-lo.

Aquário – A expressão desta influência tem sido belamente dada na


história da Última Ceia. Cristo enviou seus discípulos à cidade para que
buscassem o homem “que levava um cântaro de água” sobre seus
ombros. Este é o símbolo do signo de Aquário no qual a universalidade
da água da vida chegará a ser um fator na consciência humana: então
todos compartilharão oportunamente da comunhão do pão e do vinho.
Referiu-se indiretamente à mesma ideia quando disse que Ele era “a Água
da Vida” que mata a sede da humanidade. Por meio do emprego das
energias dos quatro signos da Cruz Fixa, Cristo demonstrou a perfeição.

A CRUZ CARDEAL

Nos quatro signos desta Cruz encontramos que Ele também manifestou
suas energias em sua forma mais elevada (do ângulo da compreensão
humana) ainda que mais por implicação que por enunciação direta.

Áries – O signo dos começos proporcionou o impulso da energia que O


capacitou para inaugurar a era cristã; iniciou por seu intermédio, a “era
do Amor”, que só agora está começando a tomar forma, e sua potência
está tão grande que tem atraído (em forma paradoxal) a atual separação
mundial.

Câncer – A potência deste signo está expressa nas palavras de Cristo,


comumente mal interpretadas; “Outros cordeiros tenho que não são
deste rebanho, e a esses também traí-los”. Refere-se à consciência
massiva, em oposição à consciência iniciática de Seus discípulos. Câncer
é o signo das massas.

Libra – Cristo permaneceu no ponto de equilíbrio da evolução humana;


permaneceu entre o velho mundo e o novo, entre Oriente e Ocidente. Na
era cristã se obtém um “ponto de equilíbrio” ou essas crises de equilíbrio
no reino humano.

Capricórnio – Este signo marca o ponto de concretude e cristalização


que traz oportunamente a morte da forma, e é o que está sucedendo
atualmente. Em Seu triunfo sobre a morte e Sua ressurreição para a vida,
Cristo indicou o profundo mistério de Capricórnio.

Um estudo destas poucas sugestões a respeito da vida de Cristo trará


luz e vida sobre o tema das três Cruzes. Desnecessário recordar-lhes
aqui, que no Monte Gólgota as três Cruzes estão representadas como:

1. A Cruz Mutável – o ladrão que não se arrepende. Humanidade.

2. A Cruz Fixa – o ladrão arrependido. Hierarquia.

3. A Cruz Cardeal – a Cruz de Cristo. Shamballa.

A CRUZ DE CRISTO CRUCIFICADO

Para os que leem este tratado, a Cruz de primordial importância é a Cruz


Fixa dos Céus. O número de aspirantes aos mistérios aumenta
constantemente na atualidade, e isto implica na sua reorientação até a
luz, sua reversão consciente na roda do zodíaco e sua compreensão com
respeito aos objetivos dos processos os quais se tenha dedicado na Cruz
Fixa.

Os discípulos tendem a pensar que pelo fato de ocupar seu lugar nesta
Cruz e demonstrar sua disposição para submeter-se às provas e
manifestar sua inalterável estabilidade, constitui-se no principal fator
implicado. Porém, na realidade não é assim. Cada uma destas Cruzes faz
sentir sua presença como uma quádrupla esfera de influência ou um
potente centro de energia, por intermédio de um “som invocador”.

Este som se eleva de cada uma das Cruzes e produz resultados e


resposta em alguma parte. Este novo dado a respeito das Cruzes é
importante e tratarei dele oportunamente. Somente quando a influência
dos quatro braços de cada Cruz haja produzido um efeito na pessoa, terá
lugar uma transição na consciência, de uma Cruz para outra – marcando
em cada transição um ponto de crise, tanto no indivíduo quanto no todo
maior. Então se iniciará um processo de invocação – a princípio
inconscientemente, e será neste caso algo assim como um informe
chamado e logo, conscientemente, quando adquire a forma de um
chamado objetivo.

Quando chega o momento da transição da Cruz Mutável para a Cruz


Fixa, três coisas se sucedem:

1. A influência das quatro energias da Cruz Mutável terá proporcionado à


forma uma vasta experiência da vida.
2. Atualmente existe uma gradual, crescente e profunda
desconformidade na consciência do homem que realiza a transição. Tem-
se esgotado em grande medida o desejo material; já não o atrai o
sendeiro que o leva à matéria; não lhe dominam as necessidades da
natureza física; ele teme os impulsos que emanam do plano astral
estando mentalmente desperto e ativo como uma personalidade
funcionante. Entretanto permanece insatisfeito e está penosamente
consciente disso.

3. Dedica-se a invocar. Este processo de invocação divide-se em duas


etapas:

a. A etapa da aspiração irregular e vaga, porém que gradualmente


adquire poder.

b. A etapa do misticismo misturando-se com o ocultismo (o estudo do


que está oculto). A dualidade está agora consciente e penosamente
reconhecida e se põe em contato com o caminho superior e a visão
espiritual. O desejo cede lugar aos impulsos vagos do que poderia
chamar-se amor. Este amor é a atividade produzida na personalidade por
este emergente aspecto divino, o qual ele trata de invocar. Quando é
adequadamente forte, então tem lugar a verdadeira evocação e o
discípulo (o homem é isso agora) ascende à Cruz Fixa.

O que antecede é aplicado ao discípulo individual e também à


humanidade inteira, e como tenho seguidamente dito, este processo de
invocação está tendo lugar na família humana, produzindo a terrível crise
atual. As duas etapas já descritas estão presentes hoje na humanidade de
uma forma geral e potente.

O reconhecimento dessas duas etapas na humanidade induz-me a dar


abaixo instruções da Hierarquia, como pontos amplamente separados no
tempo, duas estrofes de um grande mantra oculto. A primeira empregada
em 1936 se referia à vaga aspiração geral do conjunto de povos do
mundo, evidenciando hoje, mais que nunca, e enfocada cada vez mais até
o verdadeiro bem estar.

A GRANDE INVOCAÇÃO

Que as Forças da Luz iluminem a humanidade.


Que o Espírito de Paz se difunda pelo mundo.
Que o espírito de colaboração una aos homens de
boa vontade onde quer eles estejam.
Que o esquecimento das queixas por parte de todos os homens,
seja a tônica desta época.
Que o poder compartilhe com os esforços dos Grandes Seres.
Que assim seja e cumpramos nossa parte.
O emprego desta primeira estrofe obteve um êxito imediato e plena
resposta daquelas pessoas boas e bem intencionadas, cujo enfoque é
predominantemente astral e anelante, e cuja meta é paz e tranquilidade. A
paz e a tranquilidade proporcionam uma “zona de consciência” onde
pode florescer a aspiração, alcançar-se o bem estar físico e emocional e
possibilitar o reconhecimento da visão mística.

A segunda estrofe se deu logo e estava destinada a ser uma prova ou


“ponto decisivo em um momento de crise”.

Que surjam os Senhores da Libertação.


Que tragam ajuda aos filhos dos homens.
Que apareça o Ginete do Lugar Secreto,
E com sua vinda salve.
Vem, Ó, Todo-Poderoso.
Que as almas dos homens despertem à Luz,
E que permaneçam em conjunta intenção.
Que o Senhor pronuncie o Fiat:
A dor é chegada ao seu fim!
Vem, Ó, Todo-Poderoso.
A hora de servir é chegada para a Força Salvadora.
Que se difunda para o mundo, Ó, Todo-Poderoso,
Que a Luz, o Amor, o Poder e a Morte,
Cumpram o propósito Daquele que Vem.
A Vontade de salvar está presente,
O Amor para cumprir a tarefa está amplamente difundido.
A Ajuda Ativa de quem conhece a Verdade, também está presente.
Vem, Ó, Todo-Poderoso e combina os três!
Constrói a muralha protetora.
O império do mal deve terminar Agora!

Esta invocação foi dada às massas durante esta prova, porém estava
principalmente destinada a ser empregada por esses aspirantes e
discípulos que não são somente místicos senão que têm conseguido pelo
menos por um pequeno progresso em sua tentativa de trilhar o caminho
oculto; estão mentalmente enfocados e reconhecem o caminho superior;
têm tido a visão e já estão preparados para algo mais próximo e real.
Portanto a última estrofe está destinada, principalmente, aos que tenham
ascendido ou estejam em processo de ascensão para a Cruz Fixa.

Por isso foi relativamente limitado o emprego da segunda parte da


Grande Invocação, repudiada (às vezes quase violentamente) pelas
pessoas do tipo emocional que não podem ver mais além da beleza da
paz – expressão da meta no plano astral. Sua visão do todo maior e a
evocação da vontade ao bem (que não é vontade pela paz) estava
extremamente limitada, ainda que não por sua culpa. Simplesmente
indicava o lugar que ocupava na escala da evolução, e marcava um ponto
relativamente útil de serviço, porém em processo de ser transcendido. Os
povos do mundo já estão compreendendo (por meio do sofrimento e seu
conseguinte reflexo) que existe algo maior que a paz, que é o bem da
totalidade e não unicamente pacíficas condições individuais ou paz
nacional. Esta reorientação da consciência humana é criada pela atitude
determinada das almas dos homens em forma massiva e amalgamada,
organizada e enfocada pela visão do bem estar geral da humanidade.

Sem dúvida foi essencial que as diferenças nas atitudes aparecessem


com toda clareza e, portanto, demos as duas estrofes da Grande
Invocação de forma separada e em distintos momentos. Assim
aprenderam a apreciar a diferença entre as atitudes da massa de pessoas
bem intencionadas do mundo e as atitudes corretamente orientadas dos
aspirantes e discípulos inteligentes. Isso foi necessário antes que
pudesse ter lugar uma ação mais ampla.

Faço uma pausa aqui para recordar-lhes que ambos os grupos são
necessários; o primeiro – emocional e idealista – tem que desempenhar
sua parte para enfocar a massiva aspiração fluida, cuja responsabilidade
vai até o público em geral. O outro grupo de pensadores treinados e
pessoas que estão principalmente animadas pela vontade ao bem (que é
de maior importância nesse ciclo mundial que a vontade para a paz), tem
a função de evocar resposta hierárquica, contestando a aspiração do
primeiro grupo. Enfoca sua aspiração no plano mental, criando uma
forma mental que personifica o objetivo e projeta o “chamado” que pode
chegar aos ouvidos dos Senhores da Libertação.

A invocação amalgamada e o chamado, unidos, elevarão uma poderosa


demanda desde os distintos níveis da consciência humana até os Centros
ocultos da “Força Salvadora”. Tal é chamado unido que deve agora
organizar. Assim a massa da humanidade será estimulada a passar da
Cruz Mutável para a Cruz Fixa e o novo ciclo mundial que começa em
Aquário (um braço da Cruz Fixa), será definitivamente inaugurado pela
própria humanidade.

Portanto se poderia dizer que a Grande Invocação, tal como foi dada na
primeira vez é para que a empreguem aqueles que estão crucificados na
Cruz Mutável, a Cruz de troca, ainda que a Segunda Invocação seja para
quem está crucificado na Cruz Fixa, a Cruz da correta orientação, e
também para que a empreguem esses homens e mulheres cuja finalidade
seja expressar a vontade ao bem e pensar em termos de serviço mundial,
uma vez que estão orientados para a luz – a luz do conhecimento, a luz da
sabedoria e da compreensão, e a luz da própria vida.

Na Cruz Fixa a influência unida de suas quatro correntes de energia,


quando se expressa plenamente por intermédio de um discípulo
individual e da Hierarquia, produz também três condições emergentes:

1. Há uma vasta experiência de vida, atividade e percepção grupais. O


homem autoconsciente em Leão se converte no homem consciente de
grupo em Aquário.
2. Surge na consciência do discípulo uma visão do “caminho
interminável, do qual o Nirvana não é mais que o princípio”.

3. Reconhece seu trabalho mediador, tarefa principal da Hierarquia, que


intermedia entre Shamballa e a Humanidade. Sabe que deve levar adiante
simultaneamente, a tarefa dual de invocação e evocação – a evocação
(por meio da correta invocação) da vontade ao bem dos pensadores e
aspirantes do mundo e, ademais, a vontade de salvar, dos Senhores de
Shamballa, por conduto da Hierarquia, pois ela está em posição de se
aproximar diretamente. Aceno grandes mistérios.

Portanto em princípio se desperta nele uma vaga determinação que cede


seu lugar, com o tempo, à evocação da vontade em si mesmo. Isto
oportunamente o relaciona com o aspecto vontade da Deidade quando
emana e desce reduzida, desde Shamballa, por conduto da Hierarquia, em
cuja organização espiritual está sendo gradualmente integrado, mediante
a experiência da Cruz Fixa. Aqui se deveria observar que:

1. A experiência na Cruz Mutável integra um homem ao centro


denominado Humanidade.

2. A experiência na Cruz Fixa integra o discípulo no segundo centro


planetário denominado a Hierarquia.

3. A experiência na Cruz Cardeal integra o iniciado no principal Centro


planetário que denominamos Shamballa.

Oportunamente se converte em um radiante centro de vontade espiritual


que afeta a humanidade e evoca sua vontade ao bem, amalgamando-a
com a da Hierarquia até onde possa, e por sua vez amalgama esta
vontade humana com a atividade hierárquica, em um esforço por evocar
resposta desde Shamballa.

A CRUZ DO CRISTO RESSUCITADO

Não posso estender-me mais sobre este tema nem será útil que o faça
com respeito às condições que emergem na consciência do iniciado na
Cruz Cardeal. Minhas palavras não terão significado. A maioria de vocês
se acha em estado de transição em que estão estabilizando a vontade
individual e tratando acrescentadamente de expressá-la como vontade ao
bem. Quisera que compreendessem profundamente que se estão
condicionados pela vontade para a paz, significa que ainda atuam em
níveis emocionais e deverão trabalhar com a primeira estrofe da Grande
Invocação e distribuí-la às massas. Se a vontade ao bem os influencia e
dirige, então para a tarefa do despertar da aspiração das massas devem
agregar a tarefa de evocar resposta à necessidade mundial pelos
pensadores e aspirantes, por meio da segunda estrofe, mesclando as
duas abordagens num esforço por evocar – por conduto da Hierarquia – a
vontade de salvar de Shamballa.
Fonte: Capítulo VI do Livro “Tratado Sobre Los Siete Rayos” – Tomo III
- por A.A. Bailey / Mestre D. K.

Tradução Espanhol / Português: Rayom Ra

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