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ANÁLISES CLÍNICAS E MICROBIOLOGICA

ASSISTÊNCIA EM EXAMES LABORATÓRIAS


ASSISTÊNCIA EM EXAMES LABORATÓRIAS
Faculdade de Minas

Sumário
ASSISTÊNCIA EM EXAMES LABORATORIAIS ........................................................ 5

FISIOLÓGICA DO SISTEMA HEMATOLÓGICO...................................................... 15

ÓRGÃOS HEMOLÍTICOS - POÉTICOS ................................................................... 15


CÉLULAS SANGUÍNEAS PERIFÉRICAS ................................................................ 19
HEMOGRAMA .......................................................................................................... 24

ERITROGRAMA ....................................................................................................... 25

VOLUME CORPUSCULAR MÉDIO (VCM) .............................................................. 26

HEMOGLOBINA CORPUSCULAR MÉDIA (HCM) ................................................... 26


CONCENTRAÇÃO DE HEMOGLOBINA CORPUSCULAR MÉDIA (CHCM) ........... 27
RDW (RED CELL DISTRIBUITION WIDTH) ............................................................ 27
LEUCOGRAMA.............................................................................................. 27

LEUCÓCITOS ................................................................................................ 28

MONÓCITOS ................................................................................................. 28

LINFÓCITOS.................................................................................................. 28

EOSINÓFILOS ............................................................................................... 29

BASÓFILOS ................................................................................................... 29

NEUTRÓFILOS SEGMENTADO ................................................................... 29

SÉRIE PLAQUETÁRIA ............................................................................................. 30


ASSISTÊNCIA NA COLETA DO HEMOGRAMA...................................................... 31

COLETA DE SANGUE VENOSO ............................................................................. 32


Procedimento: ............................................................................................ 36
HEMOCULTURA ...................................................................................................... 46

COLETA DE MATERIAL PARA HEMOCULTURA E A ASSISTÊNCIA .................... 46


PRINCIPAIS CUIDADOS QUE O PROFISSIONAL DEVE MANTER NA COLETA DA
HEMOCULTURA ...................................................................................................... 47
PRINCIPAIS COMPLICAÇÕES RELACIONADAS À COLETA DO SANGUE
VENOSO .................................................................................................................. 50

GASOMETRIA ARTERIAL ....................................................................................... 52

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COLETA DE AMOSTRA PARA GASOMETRIA ARTERIAL ..................................... 52


ANATÔMICA E FISIOLÓGICA DO SISTEMA DIGESTÓRIO ................................... 55
EXAME DE FEZES ................................................................................................... 56

ANATÔMICA E FISIOLÓGICA DO SISTEMA URINÁRIO ........................................ 62

EXAME DE URINA ................................................................................................... 62

Coleta de amostra para o exame de urina.................................................. 70


REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS ......................................................................... 78

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FACUMINAS

A história do Instituto Facuminas, inicia com a realização do sonho de um


grupo de empresários, em atender a crescente demanda de alunos para cursos de
Graduação e Pós-Graduação.Com isso foi criado a Facuminas, como entidade
oferecendo serviços educacionais em nível superior.

A Facuminas tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de


conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação
no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua.
Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos
que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino,
de publicação ou outras normas de comunicação.

A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma


confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base
profissional e ética.Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições
modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica,
excelência no atendimento e valor do serviço oferecido.

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ASSISTÊNCIA EM EXAMES LABORATORIAIS


Os exames laboratoriais são responsáveis pelo fornecimento do estado de
saúde do paciente, auxiliam a avaliação de diagnósticos clínicos, fornecem o
monitoramento do tratamento que deve ser realizado e consequente prognóstico
(SILVA, 2004). Sannazzaro (1993) descreve que os exames laboratoriais surgiram
na metade do século XIX como resultado da modernização e progresso da medicina,
principalmente nas ciências da microbiologia, citologia e bioquímica, sendo que
estes exames aparecem como forma de auxiliar os diagnósticos médicos.
Os exames laboratoriais são realizados por laboratórios com alvará de
licenciamento e profissional responsável. Segundo a RDC nº 302 de 2005, o
Laboratório Clínico conceitua-se como um serviço destinado à análise de amostras
de pacientes, com o objetivo de oferecer apoio ao diagnóstico e ao tratamento; esta
resolução define os requisitos para o funcionamento dos laboratórios clínicos e
postos de coleta laboratoriais público ou privado, que realizam atividades na área de
análises clínicas, patologia clínica e citologia.
Os denominados Postos de Coleta laboratorial são conceituados como
unidades vinculadas a um laboratório clínico, que realizam atividades laboratoriais,
entretanto não analisam o exame (não participam da etapa analítica do processo),
exceto nos casos de exames presenciais, cujas realizações ocorram no ato da
coleta. A enfermagem, tanto hospitalar como ambulatorial e/ou domiciliar, está em
constante presença no tratamento do paciente acometido por uma patologia, ou
mesmo nas pessoas sadias que buscam o acompanhamento de sua saúde
regularmente.
Assim, torna-se importante ser conhecedor da assistência correta prestada ao
paciente no que diz respeito aos exames laboratoriais, uma vez que estes se
constituem em instrumento de avaliação, acompanhamento e prevenção no
tratamento dos indivíduos. São vários os tipos de exames laboratoriais existentes
atualmente, cada vez mais o emprego da tecnologia vem auxiliando na análise de
dados que possam garantir ao clínico um diagnóstico preciso do paciente. Neste
estudo serão citados alguns dos exames mais utilizados na prática clínica, buscando
enfatizar prioritariamente a assistência de enfermagem na busca por um resultado
fidedigno.

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Desde a requisição do exame ao paciente, realizada pelo médico, existem


vários fatores que podem induzir a um erro no resultado do exame. Ao contrário do
que se pensa, não é apenas a análise do material que está sujeita a erros, mas
também toda a fase do processo, ou seja, desde o momento da solicitação do
exame, preparo, coleta e até a busca pelo resultado.
Portanto, é possível considerar que a enfermagem ou o técnico laboratorial
estão envolvidos além da realização de técnicas, na questão informativa do
processo, por meio do fornecimento de informações precisas sobre a realização do
exame, locais de coleta, forma de coleta, cuidados antes do exame, retirada do
exame e encaminhamento do resultado ao médico, e até mesmo na interpretação
equivocada do resultado pelo próprio paciente.
Segundo Silva (2004) as atividades desenvolvidas pelo enfermeiro em
Laboratórios de Análises Clínicas, caracterizam-se pelo gerenciamento da
assistência de enfermagem e a organização da instituição; sendo necessária uma
visão ampla pelo profissional, englobando não somente os aspectos éticos e legais
dos serviços prestados, mas também o conhecimento acerca dos trabalhos da
enfermagem neste campo, não necessariamente executando-os.
O enfermeiro trabalha desde o planejamento e supervisão da assistência até
as avaliações e cuidados tanto do paciente como dos serviços. A assistência de
enfermagem aos pacientes, como por exemplo, coletas de sangue são direcionadas
aos profissionais de nível médio, (Auxiliares e Técnicos de Enfermagem).
Segundo Moura (1998) a coleta dos materiais biológicos é considerada a
parte mais importante do processo de análise clínica. Um material advindo de uma
coleta inadequada, ou seja, com falhas, nem mesmos os aparelhos mais modernos
conseguem validar a amostra, tornando-se assim de grande importância um
procedimento de coleta eficiente.
O Regulamento Técnico para Funcionamento de Laboratórios Clínicos
descrito pela RDC nº 302, de 13 de outubro de 2005, conceitua amostra do paciente
como parte do material biológico de origem humana utilizada para análise
laboratorial. E a amostra do paciente com restrição como fora das especificações,
mas que ainda pode ser utilizada para alguma análise laboratorial.
Este mesmo regulamento descreve as fases envolvidas no processo de
coleta, análise e resultado de exames laboratoriais, sendo especificadas como:

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Fase Pré-Analítica: inicia-se na solicitação da análise, coleta da amostra e


termina com o início da análise do material. Segundo as recomendações da
Sociedade Brasileira de Patologia Clínica Medicina Laboratorial para Coleta de
Sangue Venoso (2009), as principais condições da fase pré-analítica são: variações
cronológicas (alteração cíclica na concentração de um parâmetro em função do
tempo); gênero (concentração de alguns componentes sanguíneos e urinários
distintos entre homens e mulheres); idade (concentração dos componentes
distinta entre as diferentes idades); posição (mudança súbita de posição pode 9levar
a uma alteração nas concentrações dos valores bioquímicos como, por exemplo, da
posição supina para a ereta, nestes casos os níveis de albumina, colesterol,
triglicerídeos, hematócrito e hemoglobina podem ser superestimados em até 8 a
10% da concentração inicial); atividade física (o esforço físico pode provocar
aumento da atividade sérica de algumas enzimas, sendo que este aumento pode
persistir por 12 a 24 horas após a realização do exercício); jejum (evita-se a coleta
de sangue por jejum superior a 16 horas, o jejum para a coleta de sangue habitual é
de 8 horas, havendo a possibilidade de redução para 4 horas, situações especiais e
em crianças de baixa idade o jejum pode ser de uma a duas horas); dieta (mesmo
seguindo o jejum, a dieta pode interferir em alguns dados de resultado do exame,
principalmente no início de uma internação hospitalar quando ocorrem alterações
nas dietas habituais do paciente); uso de fármacos e drogas de abuso; outras
causas de variações (administração de contraste para exames de imagem,
realização de toque retal, eletromiografia, hemodiálise, diálise peritoneal, cirurgia,
transfusão de sangue e infusão de fármacos).
Fase Analítica: compreende a análise do material (amostra); é o conjunto de
operações utilizadas para a análise da amostra com descrição específica conforme o
método utilizado.
Fase Pós-Analítica: inicia com a emissão do resultado válido e termina com
a emissão do laudo para posterior interpretação pelo solicitante.
Silva (2004) descreve os principais itens a serem observados na coleta do
material para obtenção de uma amostra adequada, são eles:

 Fase de Orientação e Preparo do Exame;


 Horário e seleção anatômica do local de coleta;

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 A técnica de coleta propriamente dita;


 Os materiais e condições para transporte do
material até o laboratório e seu acondicionamento;
 Tempo entre a coleta e a análise do material.

Diante destes itens citados pelo autor e reportando-se à prática diária, é


importante que se faça referência às diferentes formas de intervenção do
laboratorista na coleta de exames laboratoriais, assim é possível acrescer aos itens
anteriores as seguintes considerações:
Fase de Orientação e Preparo do Exame: quando o paciente está
hospitalizado é de suma importância uma eficiente comunicação entre o laboratório
de análises clínicas e os profissionais que atendem ao paciente, uma vez que estes
últimos estão em constante contato com o paciente e são responsáveis pela
disseminação das informações. Muito depende da rotina estabelecida pela
instituição, ou seja, em alguns locais os próprios técnicos do laboratório visitam o
paciente no quarto e realizam a orientação, em outros locais quem orienta o
paciente é o técnico de enfermagem que o atende.
Em quaisquer umas das rotinas seguidas é necessário haver sempre a
comunicação entre ambos os técnicos da mesma informação para segurança do
paciente e da coleta; também os técnicos de enfermagem que atuam nas unidades
devem estar cientes da informação que irão repassar aos pacientes, evitando com
isso invalidação da amostra. Um caminho é a utilização de manuais de rotinas
dentro de cada unidade, onde o funcionário tenha acesso por intermédio de
fluxogramas dos preparos e informações cabíveis diante de cada exame solicitado.
Estar atento para a solicitação médica da análise é outro item importante a
ser considerado, uma vez que podem ocorrer situações em que o paciente está
internado, o médico solicita o exame e a enfermagem não encaminha a solicitação
ao laboratório, resultando em aumento do tempo para a realização da coleta e
consequentemente obtenção do resultado, o que pode acarretar uma ampliação na
permanência do paciente na instituição, aumento de custos, demora na
comprovação diagnóstica, insatisfação médica e angústia do paciente.

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Na situação de atendimento ambulatorial, em que na maioria das vezes o


paciente encaminha o exame ao laboratório, este deverá ser instruído quanto ao
preparo adequado; acredita-se que além da informação verbal é necessária a
informação por escrito sobre o preparo do exame para evitar o esquecimento do
paciente; na ida do paciente ao laboratório o mesmo deve igualmente ser
questionado sobre o uso de medicações contínuas, atividades físicas, entre
outros cuidados específicos conforme a peculiaridade de cada exame.
O item 6.1.1 do Regulamento para Funcionamento dos Laboratórios Clínicos
(2005) descreve a obrigatoriedade do laboratório clínico e posto de coleta
laboratorial em fornecer por escrito e/ou verbal instruções claras para o paciente
e/ou responsável sobre o preparo e a coleta de amostras. O item 6.1.2 do referido
Regulamento estipula a necessidade do laboratório em exigir documento do
paciente para cadastro de identificação, sendo que nos casos dos pacientes
internados ou em situações de urgência podem-se usar dados do prontuário do
paciente para realização do cadastro.
Também segundo este regulamento são necessárias as seguintes
informações no cadastro do paciente: número de registro de identificação do
paciente gerado pelo laboratório; nome do paciente; idade, sexo e procedência do
paciente; telefone e/ou endereço do paciente, quando aplicável; nome e contato do
responsável em caso de menor de idade ou incapacitado; nome do solicitante; data
e hora do atendimento; horário da coleta, quando aplicável; exames solicitados e
tipo de amostra; quando necessário: informações adicionais, em conformidade com
o exame (medicamento em uso, dados do ciclo menstrual, indicação/observação
clínica, dentre outros de relevância); data prevista para a entrega do laudo e
indicação de urgência, quando aplicável.
Torna-se necessário igualmente entregar um comprovante ao familiar e/ou
paciente do atendimento, número de registro, nome do paciente, data do
atendimento, data prevista de entrega do laudo, relação de exames solicitados e
dados para contato com o laboratório. A coleta de materiais enquanto o paciente
estiver internado pode ser registrada no prontuário do mesmo pelo técnico que a
realizou indicando o horário, data e assinatura.
Horário e Seleção Anatômica da coleta: o horário da obtenção da coleta é
de suma importância, pois a partir dele se pressupõe o preparo, como por exemplo,

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o tempo de jejum do paciente. Nesta questão cabe ter atenção para as rotinas
internas da instituição hospitalar quando o paciente estiver internado, uma vez que
algumas situações devem ser previstas para minimizar os atrasos e uma coleta em
horário impróprio.
Na ocasião do paciente ser ambulatorial, e o mesmo ter que comparecer ao
laboratório para a coleta, é imprescindível questionar o paciente sobre a
possibilidade de estar presente no horário determinado. Nos casos de coletas
domiciliares precede-se à comunicação do paciente sobre a visita do profissional
que irá realizar a coleta em comum acordo entre o técnico, a família e o paciente. A
seleção da área anatômica consiste no local onde será extraída a amostra. Neste
momento o profissional habilitado a realizar a inspeção e verificação do local da
coleta deve possuir conhecimento técnico e científico para tal.
A técnica da coleta: uma das principais amostras para a realização dos
exames laboratoriais é o sangue, que pode ser obtido por diferentes formas do
organismo do paciente. Na prática, a técnica mais utilizada é a punção com agulha
em veia periférica. A realização do procedimento de coleta eficiente pressupõe um
resultado de exame fidedigno, desta forma o profissional deve ser treinado para a
realização de uma técnica asséptica e livre de riscos. Este assunto será tratado em
específico posteriormente neste módulo.
Sobre a obtenção de amostra, o Regulamento para Funcionamento dos
Laboratórios Clínicos (2005) estipula que a mesma deve ser identificada no
momento da coleta ou quando o paciente entregá-la ao laboratório, identificando o
nome do paciente e do funcionário que realizou a coleta e/ou a recebeu; sendo que
o laboratório ou postos de coleta devem possuir por escrito rotinas de orientação
sobre o recebimento, coleta e identificação da amostra.
Os materiais e condições para transporte do material até o laboratório e
seu acondicionamento: o acondicionamento correto da amostra representa uma
amostra aprovada para a análise. É necessário manter constante contato com o
bioquímico para que se sigam as normas de temperatura e armazenamento. Nos
hospitais onde os laboratórios realizam a coleta geralmente as amostras de sangue
estão acondicionadas em caixas térmicas e logo após a coleta são encaminhadas
pelo técnico ao laboratório. Nos casos, é importante prever a distância entre o

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domicílio do paciente e o laboratório e juntamente o tempo que a amostra irá


permanecer armazenada e local adequado para manutenção.
Todos os laboratórios e os postos de coletas laboratoriais devem possuir por
escrito rotinas referentes ao transporte da amostra, contendo os prazos
estabelecidos, condições de temperatura e padrões técnicos que garantam a
estabilidade e integridade da mesma. Segundo o Regulamento para Funcionamento
dos Laboratórios Clínicos (2005), a amostra do paciente deverá ser transportada em
recipiente isotérmico, higienizável e impermeável, que permita a estabilidade da
amostra desde a coleta até a análise do material.
As Recomendações da SBPC/ML para Coleta de Sangue Venoso (2009)
descrevem que, no geral, os tempos referidos de armazenagem das amostras
primárias consideram os limites para temperatura como: temperatura ambiente 18 a
25ºC, refrigeradas de 4 a 8°C e congeladas abaixo de 20ºC negativos. Quando não
há orientação específica sobre acondicionamento e transporte de um material,
poderá o material ser deslocado para postos ou outras unidades em caixa de isopor
com gelo reciclável, calçado por flocos de isopor ou papel jornal; não podendo as
amostras ficar em contato direto com o gelo para evitar a hemólise.
Na ocasião de congelamento para transporte é recomendado o uso do gelo
seco, nestes casos há a necessidade de tomar precauções com o recipiente que
contém gelo seco para que permita a saída do dióxido de carbono,
consequentemente evitando a formação de pressão excessiva.
Tempo entre a coleta e a análise do material: existem particularidades
sobre o tempo de coleta e a análise da amostra diante de cada tipo de exame
realizado; o profissional de enfermagem deve ser conhecedor destas questões, pois
participa do processo, desta forma é imprescindível o cuidado no encaminhamento
das amostras, obedecendo ao tempo estipulado.
A orientação da SBPC/ML para Coleta de Sangue Venoso (2009) orienta que
o tempo entre a coleta do sangue e a centrifugação (2° etapa de análise da amostra)
não exceda uma hora, sendo que as amostras colhidas com anticoagulantes, nas
quais o material será o sangue total, devem ser mantidas até o procedimento em
temperatura de 4ºC a 8ºC.
Outras questões que englobam a fase analítica e pós-analítica no processo
de análise de material biológico e que se tornam importantes para o conhecimento

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do profissional de enfermagem baseadas no Regulamento para Funcionamento de


Laboratórios Clínicos (2005) são descritas abaixo:
Os laboratórios clínicos devem possuir lista descrita dos exames realizados
em sua unidade, em outras ou laboratórios terceirizados; manter descrito um fluxo
de rotina quando o resultado do exame precisa ser comunicado ao médico e/ou
paciente para uma decisão imediata; devem possuir rotina por escrito sobre a
emissão de laudos, contemplando situações de rotina, urgência e plantões; o laudo
emitido pelo laboratório deve ser legível, sem rasuras, em língua portuguesa, datado
e assinado pelo profissional (grau superior) habilitado; nos casos em que o
laboratório optar pela transcrição do laudo emitido por outro laboratório de apoio, é
necessário garantir que na técnica da transcrição a legitimidade do laudo não seja
alterada; as cópias dos laudos devem ser arquivadas por período de cinco anos;
todas as retificações necessárias após a emissão de um laudo devem ser feitas a
partir da emissão de novo laudo; quando o resultado dos exames advém de uma
amostra com restrição, esta informação deve conter no laudo.
O laudo deve conter no mínimo os seguintes itens: identificação do
laboratório; endereço e telefone; identificação do Responsável Técnico (RT); número
de registro do RT no respectivo conselho de classe profissional; identificação do
profissional que liberou o exame; número de registro do profissional que liberou o
exame no respectivo conselho de classe do profissional; número de registro do
laboratório clínico no respectivo conselho de classe profissional; nome e registro de
identificação do cliente no laboratório; data da coleta da amostra; data de emissão
do laudo; nome do exame, tipo de amostra e método analítico; resultado do exame e
unidade de medição; valores de referência, limitações técnicas da metodologia e
dados para interpretação; observações pertinentes.
O Centro de Vigilância Sanitária (CVS) é quem assegura a assistência de
enfermagem nos laboratórios de análises clínicas, principalmente sobre a coleta de
exames. A Portaria CVS - 13, de 4 de novembro de 2005, aprova norma técnica que
trata das condições de funcionamento dos laboratórios de Análises Clínicas e
Pesquisa Clínica, Patologias Clínicas e Congêneres. Em seu item 4.44 descreve os
profissionais habilitados para a coleta de material humano:
De nível superior: médicos e enfermeiros; farmacêuticos e biomédicos e,
ainda, biólogos e químicos que no curso de graduação e/ou em caráter

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extracurricular frequentaram disciplinas que confiram capacitação para a execução


das atividades de coleta.
De nível técnico: técnicos de enfermagem, assim como técnicos de
laboratório, técnicos em patologia clínica e profissionais legalmente habilitados que
concluíram curso em nível de ensino de 2° grau, que, no curso de graduação e/ou
em caráter extracurricular, frequentaram disciplinas que confiram capacitação para a
execução das atividades de coleta.
Os profissionais de que trata o subitem anterior poderão executar todas as
atividades técnicas relacionadas às etapas de tratamento pré-analítico, mediante
prévio treinamento.
É dispensável prévio treinamento para técnicos de laboratório e técnicos em
patologia clínica.
De nível intermediário (médio): auxiliares de enfermagem, assim como
profissionais legalmente habilitados que concluíram curso em nível de ensino de 1°
grau, que, no curso de graduação e/ou em caráter extracurricular, frequentaram
disciplinas que confiram capacitação para a execução das atividades de coleta.
Os profissionais de que trata o subitem anterior poderão executar todas as
atividades auxiliares relacionadas às etapas de tratamento pré-analítico, mediante
prévio treinamento. Diante desta portaria é possível identificar que o técnico de
enfermagem participa do processo de coleta do material humano na fase pré-
analítica, ou seja, desde a solicitação da análise pelo médico, coleta da amostra e
encaminhamento da amostra para análise; sendo que a coleta do material deve ser
analisada mediante a complexidade do procedimento e as atribuições específicas do
técnico de enfermagem para desenvolvê-la ou não.
Na Resolução COFEN -195, de 18 de fevereiro de 1997, é conferido ao
enfermeiro atuante na saúde pública, a autonomia para a solicitação de exames de
rotinas e complementares preconizados pelos programas do Ministério da Saúde.
Além disso, a Resolução COFEN – 146, de 1 de junho de 2002, atribui a
responsabilidade e a presença de um enfermeiro nos locais em que estejam sendo
realizadas assistências de enfermagem.
Diante da atuação da enfermagem no campo de análise clínica cabe aos
profissionais o aperfeiçoamento tanto técnico como científico, com o
desenvolvimento de projetos a fim de qualificar sua assistência e tornar-se

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necessário para o mercado (SILVA, 2004). Tanto nos hospitais como nos próprios
laboratórios de análises clínicas é importante que o enfermeiro no gerenciamento da
equipe de enfermagem formule manuais de normas e rotinas objetivando esclarecer
a todos os envolvidos sobre a operacionalização dos itens que compõem a fase pré-
analítica na análise de exames laboratoriais.
Motta (2008) descreve a rotina do laboratorista em hospitais e laboratórios
para Coleta de Exames Laboratoriais de Rotina como:

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 Conferência da solicitação do exame na prescrição médica;
 Recebimento do pedido de solicitação do exame
devidamente preenchido e carimbado pela equipe
médica;
 Aguardo da enfermagem para a coleta realizada
pelo setor de laboratório, conforme o horário
estabelecido pela instituição hospitalar como rotina;
 Conferência juntamente com o laboratório dos
exames colhidos de acordo com os pedidos;
 Colocação dos resultados no prontuário médico do paciente.

Observação:

 Os exames realizados durante o plantão, sendo ou


não casos de emergência, devem ser colhidos pela
enfermagem da unidade e encaminhados ao
laboratório;
 Aos domingos e feriados os exames devem ser
colhidos pela enfermagem e encaminhados ao
laboratório, nos casos em que não houver plantão
de coleta;
 Caso os valores estejam alterados, deverá haver a
comunicação imediata ao médico assistente.
No item de observação descrito acima por Motta (2008) cabe enquadrar-se a
realidade de cada hospital, como também de cada laboratório. Abaixo serão

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descritos os principais exames laboratoriais realizados na prática clínica e formas de


coleta, apresentando uma breve revisão da fisiologia como forma de complementar o
estudo.

FISIOLÓGICA DO SISTEMA HEMATOLÓGICO


O sangue é uma porção líquida encontrada no meio intersticial, que circula
pelos vasos sanguíneos em um sistema fechado denominado Sistema Circulatório; é
composto por propriedades químicas e físicas que tornam as células funcionais,
também ocorre a formação do plasma sanguíneo por meio da ingesta de água e das
trocas líquidas entre os outros compartimentos do organismo.
As origens das células do sangue são múltiplas, por exemplo, as hemácias,
plaquetas e leucócitos granulócitos tem sua origem na medula óssea, já os linfócitos
e monócitos originam- se no sistema reticuloendotelial, que é formado pelos
linfonodos e baço, órgãos do sistema hematopoiético.
O sistema hemolítico-poético mantém os elementos morfológicos do sangue
em condições normais devido à sua grande extensão e função hemolítica ou de
destruição das células do sangue. Este sistema é constituído por funções diferentes:

1. Órgãos hematopoiéticos específicos (função formadora dos


glóbulos): tendo a Medula Óssea como principal órgão, dando
origem aos eritrócitos, leucócitos granulócitos e aos trombócitos
ou plaquetas; e as formações linfáticas, originando a produção
de linfócitos na circulação.

2. Sistema Reticuloendotelial ou hemoistioblástico: Este sistema


origina os monócitos (por meio da função hematopoiética), além
de integrar todo o organismo, principalmente o fígado e baço, ele
exerce função hemolítica conservando a capacidade
hematopoiética que adquirimos na vida embrionária.

ÓRGÃOS HEMOLÍTICOS - POÉTICOS


Medula Óssea

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É o órgão mais importante do sistema Hematopoiético (elaboração do


sangue), situada no canal medular dos ossos longos, no tecido esponjoso. Tem
envolvimento na formação, maturação e libertação dos eritrócitos, granulócitos e
das plaquetas. Segundo Lima et al. (2001), macroscopicamente a medula se
distingue em dois tipos fundamentais: a medula vermelha ou fetal, diferenciada pela
rica vascularização e pela atividade hematopoiética, e a amarela ou adiposa, pouca
vascularizada e consequentemente inativa, porém torna-se ativa caso seja exigido
pelo sistema.

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Baço

Órgão mais importante do sistema reticuloendotelial pela sua capacidade de


distensão e contração, devido às cápsulas ricas em fibras conjuntivas elásticas e
musculares. Destacam-se como funções do órgão a hematopoiética, hemocaterética
e a função de depósito de sangue. Na função hematopoiética incluiu a função erito e
leucopoética durante a vida fetal sendo a mais importante. Após o nascimento esta
função desaparece e o baço atua na regeneração sanguínea como órgão
linfopoético.
A função hemocaterética é a atuação do baço na desintegração e
metabolização das células sanguíneas, tendo como principais elementos os
eritrócitos e a hemoglobina. A função de depósito de sangue apresenta grande
importância em determinadas patologias, uma vez que

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o baço contém um acúmulo de eritrócitos, ou seja, uma reserva que é acionada
em casos de hemorragias intensas, ambientes pobres em oxigênio, etc., entrando na
circulação periférica e suprindo as necessidades do momento

Linfonodos ou Gânglios Linfáticos

Fazem parte do sistema linfático. Este sistema é responsável pelo transporte


da linfa (fluído linfático) para o sistema circulatório, porém, antes dessa passagem,
cabe aos linfonodos filtrarem essa linfa, que pode ter a presença de microrganismos
capazes de desenvolver um dano. A linfa chega até a circulação sanguínea livre de
qualquer invasão. Assim, o sistema linfático torna-se um importante componente do
sistema imunológico, pois colabora junto com os glóbulos brancos na defesa do
organismo contra agentes invasores.

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CÉLULAS SANGUÍNEAS PERIFÉRICAS

Eritrócitos

Compreendem as hemácias, têm por principal função o transporte de oxigênio


para os tecidos e do gás carbônico para os pulmões. A grande parte desta troca é
realizada pela proteína Hemoglobulina A (HbA), principal hemoglobina nos adultos,
sendo dois terços sintetizadas nos eritroblastos e o restante no reticulócito. A vida
média de uma hemácia é de 120 dias, após esse período são destruídas no
compartimento extravascular pelos macrófagos do sistema retículo endotelial.

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Neutrófilos

Exercem um papel importante na inflamação, sendo responsáveis pela defesa


do organismo contra microrganismos. Sua produção ocorre na medula óssea em um
período de 6 a 10 dias. Parte destes neutrófilos fica armazenada na medula como
uma “reserva’’ do sistema. Os demais, quando liberados, permanecem na circulação
por até 12 horas e após encaminham-se para os tecidos desempenhando então a
função fagocitária. O tempo médio de vida dos neutrófilos nos tecidos é de dois a
quatro dias, passando este período morrem pela sua ação defensiva.

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Eosinófilos

Embora o mecanismo não seja muito conhecido, presume-se que tenha


particularidade com o mecanismo dos neutrófilos. Além de apresentarem como
função a fagocitose, os eosinófilos têm um papel importante nas alergias e em
doenças parasitárias.

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Basófilos e Mastócitos

São células que contém heparina e mediadores farmacológicos nos seus


grânulos que são liberadas, após um processo alérgeno, à superfície celular por meio
de receptores. Além dos mastócitos participarem na defesa contra microrganismos
são responsáveis por alguns sintomas adversos das manifestações alérgicas.

Monócitos

São fagócitos ativos que permanecem na circulação de 20 a 40 horas, após


passam para os tecidos, amadurecendo e desempenhando funções, podendo ter uma
vida média de meses ou até anos. Os monócitos dividem-se em macrófagos
fagocitários que tem a principal função de apresentar o antígeno para os linfócitos do
organismo.

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Linfócitos

Os linfócitos auxiliam os fagócitos no processo de defesa do organismo,


prevenindo infecções e invasão de agentes estranhos. São divididos em dois
importantes grupos, os linfócitos T, que são produzidos inicialmente no timo e os
linfócitos B. Os linfócitos T maduros compreendem 65 a 80% dos linfócitos circulantes
e os linfócitos B 5 a 15%.

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HEMOGRAMA
O hemograma, segundo Failace (2003), é o exame complementar mais
utilizado em laboratórios de análises clínicas, tanto para fins diagnósticos como
para controle de algumas doenças de caráter infeccioso, doenças crônicas e
emergências médicas. O hemograma é o estudo do sangue que avalia cada elemento
presente na via hematológica, na forma quantitativa, por exemplo, a contagem dos
leucócitos, como na forma qualitativa, analisando a qualidade destes elementos.
Grotto (2009) descreve que as informações fornecidas pela análise do sangue
periférico têm como objetivo responder a duas questões principais, se a medula
óssea está produzindo número suficiente de células maduras de diferentes linhagens
e se os processos de proliferação, diferenciação e aquisição de funções de cada tipo
celular estão se desenvolvendo de maneira adequada em todas as linhagens
celulares.
O hemograma consiste em um exame que analisa as variações quantitativas e
morfológicas dos elementos figurados no sangue, geralmente é requisitado pelos
médicos para diagnosticar e/ou controlar a evolução de uma doença como anemia e
infecções de diversos tipos (PATRÍCIA, 2009). Segundo Neto (2004), o hemograma
consiste em um exame complementar que auxilia no diagnóstico de doenças
sistêmicas e também permite avaliar as condições gerais do paciente; embora sendo
inespecífico, o hemograma pode apresentar alterações que quando somadas a outros
dados clínicos e demais exames complementares permite hipóteses diagnósticas
sobre patologias e/ou avalia o risco para determinados procedimentos cirúrgicos e
exames ou administração de medicamentos.
O hemograma, mesmo possuindo um poder diagnóstico limitado nas mãos de
um clínico conhecedor das funções celulares e das bases fisiopatológicas das
doenças, torna-se uma ferramenta importante na avaliação de diferentes situações,
como nos diagnósticos de evolução de doenças hematológicas, detecção de quadros
infecciosos e no monitoramento terapêutico (GROTTO, 2009).
Geralmente a primeira parte de um hemograma constitui-se da Série Vermelha
(Eritrograma), sendo expressos principalmente os números de hemácias,

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concentração de hemoglobina e hematócrito; já a segunda parte do hemograma é
chamada de Série Branca (Leucograma), em que são expressos os valores dos
glóbulos brancos, avaliação do número de leucócitos e diferenciação celular e a
última parte do exame é expressa pela quantidade de plaquetas.
Este curso trata-se da assistência de técnicos laboratoristas na realização dos
exames tanto laboratoriais como diagnósticos, desta forma, o foco não está centrado
na interpretação dos resultados e sim na aprendizagem dos cuidados necessários
para uma adequada assistência na coleta da amostra, buscando um resultado que
condiz com a realidade do paciente. Mesmo assim, para que se compreendam as
especificidades dos exames serão citadas as descrições de cada item que engloba o
exame, bem como os valores referenciais.

ERITROGRAMA

HEMÁCIAS (ERITRÓCITOS)

Corresponde à contagem do número de glóbulos vermelhos no sangue por


mililitro cúbico. O aumento do número de eritrócitos é denominado de eritrocitose,
enquanto a diminuição do número de eritrócitos é denominada de eritropenia, sendo
que a primeira relaciona-se à policitemia (aumento da espessura do sangue,
reduzindo a velocidade de circulação), enquanto a segunda relaciona-se à anemia
propriamente dita. Valores de Referência para pacientes adultos: 4,5 a 6,10
(milhões/mm³).

HEMATÓCRITO (HCT)

Em uma amostra de sangue, expressa a porcentagem da massa dos eritrócitos,


ou seja, o volume da massa das hemácias. Segundo Failace (2003), com o avanço
tecnológico dos contadores atuais, a centrifugação do Hct tornou-se um método não
mais utilizado, pois a contagem e a medida do volume dos eritrócitos agora são exatas.

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Porém, na Hemoterapia (emprego terapêutico do sangue) o Hct ainda resiste devido à
avaliação das alterações volêmicas. Valores baixos de Hematócrito podem indicar uma
provável anemia e um valor alto pode estar relacionado à policitemia (aumenta a
espessura do sangue, reduzindo a sua velocidade de circulação). Valores de
Referência: Hematócrito (%): Homens: 47,0 Mulheres: 42,0.

HEMOGLOBINA (HGB)

A hemoglobina é o dado básico do eritrograma, pois além de ser o principal


componente dos eritrócitos com a função de transportar o oxigênio do sangue para os
tecidos, seus níveis abaixo da referência para os adultos sugerem anemia.
Os valores de referência da Hemoglobina (g/dl) para o homem são de 15,5 e
na mulher 13,6.

VOLUME CORPUSCULAR MÉDIO (VCM)

O VCM é a relação entre o volume do hematócrito e o número de eritrócitos, ou


seja, avalia a média do volume das hemácias, sendo que o resultado pode trazer
tamanho normal (chamadas normocíticas), diminuídas (microcíticas) ou aumentadas
(macrocíticas), sendo que a anisocitose refere-se ao achado de presença de
hemácias com volumes diferentes. Segundo Grotto (2009), o VCM ainda é o mais
utilizado para avaliação das anemias associado a alterações morfológicas das
hemácias. Valores de Referência na Normocitose: Adultos: 81 u³ (80 a 98,0 fl);
Crianças até 3 anos: 73 u³; Crianças de 04 a 14 anos: 73 u³.

HEMOGLOBINA CORPUSCULAR MÉDIA (HCM)

A HCM é dada a partir da relação entre o valor da hemoglobina obtida em gramas e a


contagem dos eritrócitos, pode estar elevada na presença da macrocitose ou diminuída na presença de
hemácias microcíticas. Valores de Referência para paciente Adulto: 27,0 a 34,0 pg.

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CONCENTRAÇÃO DE HEMOGLOBINA CORPUSCULAR MÉDIA


(CHCM)

A CHCM é calculada por meio da relação entre a hemoglobina obtida em


gramas e o volume globular. Refere-se à avaliação da hemoglobina encontrada em
100 ml de hemácias; indica o grau de saturação de hemoglobina encontrada nos
eritrócitos. Quando esta saturação é normal o resultado são hemácias
normocrômicas, quando está diminuída, hemácias hipocrômicas, e quando está
elevada, hemácias hipercrômicas. Valores de Referência para paciente Adulto: 31,0 a
35,0 g/dl

RDW (RED CELL DISTRIBUITION WIDTH)

Medida quantitativa da anisocitose, realizado por meio do histograma de


distribuição das hemácias de acordo com o volume das células. Seus valores são
obtidos em percentagem, sendo que os índices de normalidade encontram-se entre
11% e 16%; uma das principais utilidades é a diferenciação entre a anemia ferropriva
e a betatalassemia heterozigótica; o índice de anisocitose se altera rapidamente na
deficiência do ferro, mais rápido do que nos parâmetros de VCM e diminuição de
albumina.

LEUCOGRAMA

A análise da série branca no hemograma tem como principal objetivo fornecer


os valores globais e diferenciais de leucócitos, bem como suas alterações qualitativas
e quantitativas. Vale lembrar que os leucócitos (glóbulos brancos) são os
responsáveis pelo sistema de defesa do organismo e se encontram aumentados
principalmente em processos infecciosos bacterianos e parasitários, em algumas
doenças autoimunes, destruição tecidual por doenças degenerativas e diminuídas em
casos de infecção viral (NETO, 2004).
Os principais tipos de leucócitos são: os neutrófilos, linfócitos, monócitos,
eosinófilos e basófilos. Quando é solicitado um hemograma completo a diferenciação

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dos leucócitos é feita além do valor global. Estes valores em separado servem de
base para o clínico identificar processos patológicos mais específicos diante do
aumento ou diminuição de cada leucócito.

LEUCÓCITOS

Refere-se à contagem global dos glóbulos brancos, na maioria das vezes


encontra-se aumentado (leucocitose) em processos infecciosos agudos ou crônicos,
reações alérgicas, leucemias, etc. Valores de Referência em Adulto: 3.100 a 11.000
mm³. A diferenciação do tipo de leucócito é feita por meio dos itens abaixo
apresentados.

MONÓCITOS

São células que se caracterizam por se movimentarem durante alguns dias na


circulação sanguínea e depois a deixam, fixando-se nos tecidos, adquirindo aspecto
de macrófagos. Tem como principal função a fagocitose e defesa do organismo.
Apresentam-se em grande número nos processos infecciosos crônicos ou em fase
final das infecções. Valores de Referência em Adulto: 2 a 10 % e 72 a 1.100/mm³.

LINFÓCITOS

Os linfócitos estão presentes de 20 a 30% na circulação, a maioria apresenta


morfologia típica, por isso a denominação de linfócitos típicos. Quando
apresentam tamanho maior, com núcleo pouco menos maduro e granulações
citoplasmáticas, recebem o nome de linfócitos atípicos ou linfócitos leucocitoides.
Denomina-se de linfocitose quando existe o aumento do número de linfócitos
e linfopenia quando há carência do número de linfócitos, sendo que nesta última
situação o indivíduo está com sua imunidade prejudicada. Valores de Referência em
Adulto: 20 a 50% e 720 a 5.500 mm³. Não é considerado um hemograma normal a
indicação de existência de Linfócitos Atípicos.

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EOSINÓFILOS

Os eosinófilos correspondem a cerca de 2 a 4% dos leucócitos dos esfregaços.


Apresentam-se aumentados (eosinofilia) em processos infecciosos (parasitas),
doenças imunológicas e reações alérgicas ou de hipersensibilidade. Valores de
Referência em Adulto: 1 a 7% e 36 a 770/mm³.

BASÓFILOS
Os basófilos são células raras, correspondem a cerca de 0 a 1%. O aumento
dos basófilos (basofilia) ocorre principalmente em processos infecciosos e
imunológicos. Valores de Referência em Adulto: 0 a 3 % e 0 a 330/mm³.

NEUTRÓFILOS SEGMENTADO

São os leucócitos mais numerosos, cerca de 60 a 65%, se apresentam como


células diferenciadas, com seus núcleos em forma segmentada, por isso a
denominação de neutrófilos segmentados. Cerca de 2 a 5% das células têm núcleo
não segmentado, como bastão, por este motivo são denominados bastonetes. Têm a
função de realizar a fagocitose e encontram-se aumentados (neutrofilia) nos
processos infecciosos e inflamatórios e valores diminuídos indicam a neutropenia.
Valores de Referência em Adulto (Segmentados): 40 a 65% e 1.440 a 7.150/mm³.
Valores de Referência em Adulto (Bastões): 1 a 5% e 36 a 550/mm³.
É normal na corrente circulatória encontrar células maduras, entretanto,
quando há presença de células jovens, sejam de eritrócitos ou leucócitos, significa
que existe juntamente um processo agudo acontecendo. Na presença de leucócitos
jovens circulantes (mielócitos, pró- mielócitos, metamielócitos) há uma infecção aguda
ou enfermidades que acometem a medula óssea. Desta forma, quando temos células
jovens circulantes em número acima da referência denomina-se desvio à esquerda e
na presença de células maduras, desvio à direita (NETO, 2004).

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SÉRIE PLAQUETÁRIA
As plaquetas ou trombócitos constitui-se em elementos sanguíneos circulantes
que provêm do citoplasma megacariócito (VERRASTRO, 1998). São formadas no
sistema hematopoiético da medula óssea e a principal função é a participação
fundamental na fase inicial do processo fisiológico de hemostasia.
A hemostasia conceitua-se como um fenômeno fisiológico que procura manter
o sangue no interior dos vasos e impedir a sua saída para tecidos vizinhos. Ao
contrário do que muitos pensam este mecanismo não é composto apenas por
coágulos e, sim, por fatores como plaquetários, coagulantes, vasculares, fibrinolíticos,
anticoagulantes, etc.
Desta forma as plaquetas promovem a agregação das células e a adesão
delas com as células endoteliais que se encontram próximas da lesão. Neste
mecanismo da hemostasia as plaquetas funcionam como tampões e desencadeiam a
coagulação sanguínea.

As plaquetas são observadas de acordo com a quantidade e o seu tamanho, o


número considerado normal é de 150.000 a 400.000 por microlitro de sangue, já o
tamanho de uma plaqueta varia entre um a quatro micrometros (VERRASTRO, 1998).

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Pessoas que apresentam número de plaquetas dentro dos valores normais, com a
ausência de grânulos, têm sangramentos devido à dificuldade da agregação
plaquetária, assim como o valor das plaquetas diminuído induzem ao sangramento.
A principal causa da plaquetopenia ou trombocitopenia (diminuição do número
de plaquetas), segundo o autor, é a produção insuficiente das mesmas, podendo
ser vista em infiltrações leucêmicas na medula óssea, na aplasia de medula, uso de
alguns medicamentos, produtos químicos e infecções virais. A destruição aumentada
das plaquetas também pode desencadear a plaquetopenia, esta condição pode ser
vista em situações imunológicas por auto e aloanticorpos, na púrpura
trombocitopênica autoimune e na esplenomegalia.
E, por último, o consumo exagerado de plaquetas como em coagulações
intravasculares disseminadas e na púrpura trombocitopênica trombótica também
podem gerar a plaquetopenia. O aumento do número de plaquetas é denominado
plaquetose e pode ocorrer na anemia ferropriva, nas hemorragias agudas,
inflamações, infecções crônicas, anemias hemolíticas e leucemias.

ASSISTÊNCIA NA COLETA DO HEMOGRAMA


Considerando as fases que envolvem o processo da análise de material
biológico é possível englobar a assistência de enfermagem na coleta do hemograma
como: 36

 Encaminhamento do exame solicitado pelo médico ao laboratório responsável


pela coleta, quando o paciente está internado; instrução ao paciente do local
da coleta nos casos de pacientes ambulatoriais; instrução da possibilidade de
coleta domiciliar indicando serviço de referência ou o próprio laboratório.
 Preenchimento do Cadastro do Paciente: por intermédio do documento do
paciente realizar o cadastro do mesmo para o registro da coleta e/ou em casos
de urgência e pacientes internados buscar dados no prontuário do paciente.
 Instrução quanto ao preparo do exame: cabe à enfermagem realizar a
instrução do jejum conforme a solicitação do exame. Segundo a SBPC/ML
(2009) o jejum habitual para o exame de sangue de rotina é de 8 horas,
podendo ser reduzido a 4 horas na maioria dos exames e em situações
especiais (pacientes de baixa idade) pode ser de uma ou duas horas apenas.

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Importante salientar que a ingestão de água para a hidratação da pessoa não
interfere no jejum para coleta de exames, exceto uma ingestão elevada pode
alterar a realização do exame de urina. A maioria da bibliografia estudada
supõe que para a realização do hemograma não há necessidade de jejum, o
que ocorre na maioria das vezes é que junto à realização do hemograma
existem requisições de outras análises da amostra de sangue, desta forma a
instrução é de realização do jejum específico para cada exame.
 Coleta de Sangue: O hemograma é um exame que tem como material principal
o sangue periférico, isso quer dizer que é analisado o sangue periférico do
paciente após a coleta para então obter-se os resultados. São preconizados
inúmeros cuidados na coleta do sangue, estes devem ser seguidos em
qualquer coleta de sangue periférico, não somente para realização do
hemograma, mas demais análises que sejam requisitadas pelo médico
assistente do paciente.
 Segundo Failace (2003), a coleta de sangue para o hemograma pode ser
realizada a qualquer hora, porém deve-se evitar após refeições ricas em
gordura e após exercícios físicos de grande intensidade, sendo que estes
podem interferir significativamente no resultado, aumentando o número de
glóbulos brancos por volume de sangue circulante, ou seja, a leucocitose.
Para Lima et al. (2001), a punção deve ser rápida, assim como o manuseio
do garrote, pois este pode modificar a distribuição de alguns constituintes do sangue.
A instrução do paciente para abrir e fechar a mão momento antes da coleta para
tornar a veia mais túrgida não é aconselhável, pois pode aumentar em 2mEq na
dosagem do potássio.
Segundo Failace, (2003) após a coleta o sangue é transferido da seringa para
um tubo de ensaio rotulado com o nome do paciente e com tampa contendo de um a
dois mg de EDTA (Ácido etilenodiamino-tetracético) anticoagulante para hematologia
e em seguida encaminhado imediatamente para o laboratório para que não haja
coagulação incipiente ou total da amostra.

COLETA DE SANGUE VENOSO

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Como a maioria dos exames laboratoriais possui como amostra o sangue,
abaixo serão descritas as técnicas para a correta coleta do sangue observando todos
os itens que incluem um adequado procedimento realizado pelo técnico de
enfermagem capacitado para tal. A técnica de coleta de sangue descrita por Motta
(2008) instrui:

 Material Necessário: 1 par de luvas de procedimento, 1


scalp nº 21 ou 23, ou agulha 30x06 ou 30x07, uma seringa de 10
ml, 1 garrote, 2 bolas de algodão, 5 ml de álcool a 70% e tubos
para a coleta de acordo com o pedido do exame.

 Procedimento: orientar o paciente sobre a coleta,


identificar o tubo de coleta (nome, data, hora e RG), realizar a
antissepsia do local da punção após a palpação, colher o material,
colocar nos tubos previamente identificados, encaminhar junto
com o pedido ao laboratório. OBS: os tubos de coleta devem vir
identificados pelo laboratório quanto ao conteúdo, como por
exemplo, tubos cinzas: glicemia.

A Recomendação sobre a Coleta de Sangue Venoso pela SBPC/ML (2009)


descreve: Etapas que o profissional deve seguir na coleta de sangue venoso:
verificação da solicitação médica e cadastro do pedido; apresentação ao paciente;
explicação ao paciente ou ao familiar quanto ao procedimento que será realizado
obtendo o consentimento; realização da assepsia das mãos entre os atendimentos
dos pacientes; realização da identificação dos pacientes: conscientes (por meio da
comparação dos dados pessoais com os dados do pedido do exame), inconscientes,
muito jovens ou que não falam a língua do flebotomista (confirmação de dados com o
acompanhante ou equipe de enfermagem, registrando o nome da pessoa que
forneceu as informações, comparar os dados com os que constam no pedido).
OBS: as dúvidas referentes à identificação do paciente devem ser resolvidas
antes da coleta. Pacientes semiconscientes, comatosos ou dormindo (o paciente
deverá ser despertado antes da coleta, em pacientes internados, se não for possível
identificá-lo entrar em contato com o enfermeiro ou médico assistente, nos pacientes
em coma, deve-se ter cuidado adicional na prevenção de movimentos bruscos ou

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vibrações quando a agulha estiver sendo introduzida), pacientes não identificados em
sala de emergência (utilizar identificação provisória enquanto não se estabelece a
definitiva); verificação do cumprimento do preparo e jejum do exame e
questionamento sobre eventual alergia ao látex.
Local para punção venosa: o local de preferência para a coleta do sangue é
a fossa anticubital; mesmo sendo possível a coleta de sangue em qualquer veia dos
membros superiores as mais utilizadas são as veias cubital mediana e cefálica, sendo
a cefálica mais propensa a hematoma e dolorosa para punção. Em pacientes que
possuem acesso venoso difícil nesta região é recomendada a punção no dorso da
mão, e não recomendado puncionar as veias na parte inferior do punho; punções em
região de membros inferiores só podem ser realizadas mediante a autorização
médica.
De preferência não coletar sangue de membro que está recebendo terapias
endovenosas; evitar áreas de cicatrizes de queimaduras; somente puncionar o
mesmo membro pós-mastectomia após autorização médica; evitar coleta em locais
onde há o hematoma devido a propensão de alteração no resultado do exame e,
nos casos em que não há outra veia disponível, puncionar distalmente ao
hematoma; a coleta de sangue em fístulas arteriovenosas, enxertos ou cânulas
vasculares só pode ser feita mediante a autorização médica; é recomendado evitar a
coleta em veias trombosadas.

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Localização da Veia: a identificação da veia a ser puncionada para coleta


pode ser feita por meio da observação de uma veia calibrosa; da orientação ao
paciente para baixar o braço e abrir e fechar a mão; da realização da massagem

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suave no membro superior do paciente na direção do punho para o cotovelo, na
palpação da veia com o dedo indicador (evitando realizar palpação com o dedo
polegar), na fixação da veia com os dedos nos casos de flacidez e na utilização do
transluminador.
Está contraindicada a batida com os dedos sobre a veia do paciente para
localização, já que este procedimento provoca hemólise e consequente alteração do
resultado do exame. Na identificação da veia pode-se utilizar o torniquete, solicitando
ao paciente que abre e feche a mão, entretanto, aguardar dois minutos após a
retirada do torniquete para a realização da coleta.

Procedimento:
Verificar se o material está completo para a realização do procedimento. Abrir o
material para coleta na frente do paciente. Lavar as mãos

Calçar as luvas de procedimento: tendo o cuidado para que as mesmas não


sejam rasgadas; devem ser trocadas a cada coleta, e nos casos de pacientes
alérgicos ao látex ou mesmo quando o funcionário for alérgico substituir o uso por
luvas de outro material;
Posicionar o paciente corretamente: o paciente pode estar sentado para a
realização da coleta do sangue, sendo importante que a poltrona tenha encosto e
descanso para os membros superiores, a posição correta do braço do paciente
sentado para a punção é sobre o descanso da cadeira, inclinada para baixo e

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estendida, sendo que o cotovelo não pode estar dobrado; em pacientes deitados no
leito o uso de um travesseiro debaixo do braço pode ser necessário para chegar à
posição correta, com braço inclinado para baixo e estendido;

Realizar a assepsia do local da veia: a recomendação é que a assepsia seja


realizada com álcool isopropílico 70% ou álcool etílico, iodeto de povidona 1 a 10% ou
gluconato de Clorexidina para hemocultura; substâncias de limpeza não alcoólicas,
como Clorexidina e sabão neutro. Quando houver a solicitação de dosagem de álcool
no sangue utilizar uma substância livre de álcool para realizar a assepsia, que deve
ser feita com movimento circular do centro para fora, com a utilização do antisséptico
e uma gaze, deixando secar por 30 segundos (evita hemólise e reduz sensação de
ardência na punção); após a assepsia não abanar, nem soprar e não tocar mais no
local, a cada nova palpação realizar novamente a assepsia.
Colocar o torniquete com o braço voltado para cima. A recomendação é de que
o torniquete seja posicionado de 7,5 a 10 cm acima do local escolhido para punção;
que o material seja preferencialmente livre de látex (principalmente nos casos dos
pacientes que possuem alergia ao látex), evitando o uso de torniquetes feitos de
tecidos emborrachados com fechamento por grampos ou fivelas, sendo que o
torniquete deve ser substituído em casos de contaminação.
O uso do torniquete não deve exceder a um minuto, visto que o maior tempo
pode ter como consequência a mensuração de valores incorretos na análise do
exame. Em pacientes com lesão no local pretendido para colocação do torniquete,
utilizar outro local ou pôr o torniquete sobre a roupa do paciente. Ao garrotear o

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paciente não apertar excessivamente para evitar a interrupção do pulso arterial, os
pulsos devem estar palpáveis após o garroteamento.
Autilização do torniquete não está recomendada na coleta de sangue para
análise de testes de lactato ou cálcio, pois pode haver interferência no resultado.
Coleta de sangue a vácuo: constitui-se em um sistema de coleta de sangue
fechado que proporciona maior segurança ao profissional que realiza a coleta, pois o
mesmo não entra em contato com o sangue coletado e ao resultado do exame, já que
diminuindo a manipulação o risco de alterar o resultado do exame também diminui.
Este tipo de coleta é o mais recomendado. Ao puncionar a veia do paciente o
sangue flui continuamente para o tubo de coleta a vácuo, sendo que o tubo já está
preparado para o recebimento da quantidade específica de sangue e com os
anticoagulantes necessários.

Nas coletas de sangue a vácuo o bisel da agulha deve estar voltado para cima,
perfurando a veia com a agulha em ângulo de 30º ou menos, impedindo com isso que
o sangue se choque na parede do bisel e faça hemólise e evitando o refluxo do tubo
para a veia. Introduzir mais ou menos um centímetro da agulha na veia do paciente.
Após a penetração da agulha de coleta múltipla de sangue inserir o primeiro tubo a
vácuo, no momento em que o sangue começar a fluir para dentro do tubo, retirar o
garrote do paciente e solicitar para que o mesmo abra a mão; realizar a troca dos
tubos conforme a solicitação dos exames, sendo que após a retirada de cada tubo
de coleta com sangue realizar imediatamente a homegeinização pela inversão 5 a 10
vezes. Após a coleta de sangue no último tubo, retirar a agulha e descartá-la
conforme normas de descarte de perfurocortantes Coleta de sangue com seringa e
agulha: ainda é largamente utilizada principalmente pela disponibilidade do material,
entretanto traz riscos na manipulação do sangue pelo profissional, já que após a

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coleta o sangue deve ser transferido para o tubo de coleta; é considerado um sistema
aberto para coleta de sangue. É necessário que o profissional obedeça as normas de
descartes com materiais perfurocortantes. Institui-se que as seringas e agulhas
utilizadas possuam um dispositivo de segurança (NR32) e para coleta de sangue
adicionalmente um dispositivo de transferência, o que torna desnecessário a abertura
do tubo de coleta já que com o dispositivo o sangue é transferido diretamente da
seringa para o tubo.

Nas coletas de sangue com agulha e seringa o bisel da agulha deve estar
voltado para cima, perfurando a veia com a agulha em ângulo de 30º ou menos,
introduzir a agulha mais ou menos um centímetro na veia do paciente. Após a punção
no momento em que o sangue começar a fluir para a seringa, retirar o garrote do
paciente. Aspirar o sangue conforme a quantidade descrita nas etiquetas dos tubos.
Retirar a agulha da veia do paciente e, nas seringas com dispositivo de
segurança, ativá-lo.
Conectar a seringa ao dispositivo de transferência da amostra e introduzir os
tubos a vácuo aguardando fluir o sangue e realizando as trocas dos tubos conforme a
necessidade. Homogeneizar o conteúdo dos tubos imediatamente após a coleta de 5
a 10 vezes pela inversão. Descartar o dispositivo de transferência e a seringa. Na
coleta de sangue venoso com seringa e agulha realizar sempre a verificação se a
agulha e seringa estão bem adaptadas para evitar a formação de espuma; não puxar
o êmbolo com muita força.

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Após a coleta com seringa e agulha descartar a agulha e passar o sangue para
o tubo de coleta, tendo o cuidado para não encostar a seringa nos anticoagulantes,
deslizando o sangue na parede do tubo cuidadosamente. Não é recomendado
espetar a agulha nas borrachas dos tubos para transferência do sangue, pois a
pressão positiva pode ocasionar a hemólise e quebra do equipamento.
Coleta de sangue em cateter de infusão: não é recomendada a coleta de
sangue em cateteres de infusão pela probabilidade de erro no resultado do exame,
entretanto, quando não há alternativa é necessário que o profissional que realiza a
coleta mantenha os seguintes cuidados: comunicar ao médico assistente do paciente
a forma com que a coleta será realizada, notificar ao laboratório que a coleta foi feita
a partir do cateter de infusão, registrando qual a substância que o paciente está
recebendo no referido cateter, desprezar uma quantidade de amostra antes de
colocá-la no tubo de coleta.
Geralmente o volume a ser desprezado equivale a duas vezes o volume do
espaço morto do cateter (nos casos de cateteres preservados com heparina é
necessário desprezar 5,0 ml de sangue antes ou seis vezes o volume do cateter). No
momento da coleta ter certeza de que o fluxo de infusão está parado, fazer assepsia
rigorosa do cateter, lavá-lo com solução salina isotônica conforme o volume do
mesmo, desprezar os primeiros 5 ml de sangue (aspirando com seringa), conectar a
seringa ou adaptador de coleta a vácuo no cateter e proceder à coleta, ao término,
retirá-los e realizar a assepsia do cateter. O profissional habilitado deve reiniciar a
infusão; registrar o local onde a coleta foi feita.
Outras considerações sobre coleta de sangue: as fístulas arteriovenosas não
devem ser utilizadas para coleta de sangue e o membro que possui a fístula deve ser
preservado. Quando o paciente não possui acesso venoso é necessário que esteja
disponível a coleta de sangue capilar. Nos casos de pacientes recebendo transfusão
de sangue não é recomendada a coleta no braço que recebeu o sangue, devido à
probabilidade de erro na análise da amostra.
Pós-Coleta: imediatamente após as coletas de sangue homogeneizar o sangue
no tubo de coleta de 5 a 10 vezes, conforme a indicação do fabricante, por meio da
inversão (uma inversão equivale a virar o tubo todo para baixo e após retornar à
posição inicial), não chacoalhar o tubo. Não deixar o sangue em contato direto com o

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gelo quando a amostra exige refrigeração. Evitar sempre a transferência de um tubo
para outro.
Em ambos os casos, tanto na coleta de sangue a vácuo como na coleta com
seringa e agulha, após a retirada da agulha da veia realizar compressão com algodão
ou gaze seca por um a dois minutos e realizar curativo oclusivo no local da punção;
orientar ao paciente que não dobre o braço, não carregue peso ou bolsa no braço que
foi puncionado por pelo menos uma hora e não manter a manga da roupa dobrada.
Certificar-se das condições do paciente para locomover-se sozinho e entregar
comprovante para retirada do resultado. Colocar as amostras em local conforme a
rotina ou encaminhá-las para processamento imediato.
Como foi descrito anteriormente, a principal amostra para realização de
exames laboratoriais é o sangue. Contudo, após a coleta do sangue e dependendo
da requisição do solicitante a amostra pode ser analisada mediante o sangue total, o
plasma ou o soro. Segundo a SBPC/ML (2009), para obtenção do soro para análise é
necessário que após a coleta o sangue colhido seja colocado em tubo de coleta sem
anticoagulante e deixado coagular em temperatura ambiente num período de 30 a 60
minutos. Nos casos em que o tubo contenha gel separador com ativador de
coagulação a espera vai de 30 a 45 minutos, sendo que após este período a amostra
é centrifugada e há a separação do soro (parte líquida) para análise.
No caso do hemograma, a amostra para análise é do sangue total e o tubo
deve conter anticoagulante EDTA. Para dosagem de glicose utiliza-se o plasma no
tubo de coleta, além do que ao EDTA estará acrescido o fluoreto de sódio. O
profissional que realiza a coleta do sangue deve estar atento para os tubos de coleta
que estão identificados e são específicos para cada análise requerida, contendo
inclusive a quantidade específica de sangue a ser coletado.
Os tubos de coleta de sangue possuem em sua extremidade uma tampa
diferenciada pelas cores, estas cores indicam qual o anticoagulante que está dentro
do tubo e se há anticoagulante. Na coleta, quando o profissional verifica a requisição,
já deve estar ciente dos tubos que deverá utilizar para a colocação da amostra
(sangue). A tabela abaixo exemplifica esta questão:

TABELA 1 – CORES DOS TUBOS PARA COLOCAÇÃO DAS AMOSTRAS DE


SANGUE

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Além das cores das tampas dos frascos de coleta a vácuo citadas na tabela
acima e as respectivas substâncias em seu interior existem os tubos com tampa
preta, que contêm citrato trissódico, utilizados para coleta e transporte de sangue
venoso para testes de hemossedimentação (VHS). Os tubos com tampa amarela com
solução de ácido citrato dextrose
(ACD), utilizados para teste de tipagem sanguínea ou preservação celular,
tubos com tampa rosa para provas de compatibilidade cruzada em duas versões, com
ativador de coágulo (com soro) ou com EDAT (sangue total) e tubo com tampa royal
em três versões (sem aditivo, com heparina ou ativador de coágulo), utilizados para
testar traços de elementos metálicos.
Outra questão importante que deve ser observada pelo profissional que realiza
a coleta é a sequência de uso dos tubos de coleta nos casos de coleta de sangue a
vácuo. Como este sistema de coleta de sangue é fechado, após a realização da
punção o sangue vai fluindo para dentro dos tubos e o profissional deverá realizar as
trocas dos tubos de coleta conforme a solicitação dos exames, observando qual será
o tubo adequado segundo a presença do anticoagulante. Diante disso a SBPC/ML
(2009) instrui a seguinte sequência para coleta de sangue com tubos plásticos:

1. Frasco para Hemocultura;


2. Tubos com Citrato (tampa azul-claro);
3. Tubos para soro com ativador de coágulo, com ou
sem gel separador (tampa vermelha ou amarela);

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4. Tubos com Heparina com ou sem Gel Separador de Plasma
(tampa verde);
5. Tubos de EDTA (tampa roxa);
6. Tubos com Fluoreto (tampa cinza).

Além da sequência citada acima, a SBPC/ML (2009) instrui que na coleta com
escalpe em que o primeiro tubo for o de citrato (tampa azul claro) ou de demais tubos
menores com volumes de aspiração, é importante que se tenha um tubo de descarte,
uma vez que é necessário desprezar o sangue que vem do espaço do escalpe,
assegurando assim a proporção correta de sangue que irá para o tubo de coleta.

Ainda sobre a técnica de coleta do sangue no paciente, convêm enfatizar a


coleta de sangue capilar utilizada principalmente nos casos de pacientes com difícil
acesso venoso e/ou sem condições de acesso por punção venosa, pacientes
extremamente obesos, pacientes queimados, com disposição à trombose e
principalmente em pediatria, pois a punção venosa em crianças pode ser difícil e em
prematuros resultar em anemia.
A coleta de sangue capilar ou transcutânea é realizada pelo uso de uma
lanceta específica para este fim, devendo ser desconsiderado o uso de agulhas para
esta técnica uma vez que os locais anatômicos indicados estão próximos a ossos. O
sangue oriundo da coleta capilar é uma mistura entre sangue venoso e arterial, sendo
o arterial de maior proporção.

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A coleta de sangue capilar em prematuros e/ou crianças internadas em UTI
neonatal é uma opção que deve ser avaliada junto à equipe médica pelo risco X
benefício, já que em determinadas situações a punção capilar no calcâneo de
crianças nestas condições pode estar associada ao aumento do risco de infecção.
É necessário que o técnico que realize este tipo de coleta tenha conhecimento
frente aos locais anatômicos indicados, bem como a realização do procedimento.
Além das lancetas utilizadas para a coleta da amostra (sangue) existem os tubos
capilares e demais recipientes onde são colocados o sangue coletado. É importante
ter conhecimento dos locais de armazenamento da amostra conforme o material e
rotinas preconizadas pelo laboratório.

Técnica da coleta de sangue capilar baseada no Programa de Educação


Continuada do Labtest – Divulgada nos Informativos Técnicos:

 Verificar a requisição e identificar o paciente;


 Averiguar as restrições de dieta;
 Lavar as mãos e colocar as luvas de procedimento;
 Escolher o material para coleta (conforme rotina
estipulada pelo laboratório). Aquecer o local da punção (o
aquecimento do local a ser puncionado deve ser feito com a
colocação de toalhas úmidas pré-aquecidas em temperatura de
42°C, não mais que isso, para evitar queimaduras no paciente,
deixar as toalhas no local a ser puncionado cerca de três a cinco

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minutos);
Técnica da coleta de sangue capilar baseada no Programa de Educação
Continuada do Labtest – Divulgada nos Informativos Técnicos:

 Verificar a requisição e identificar o paciente;


 Averiguar as restrições de dieta;
 Lavar as mãos e colocar as luvas de procedimento;
 Escolher o material para coleta (conforme rotina
estipulada pelo laboratório). Aquecer o local da punção (o
aquecimento do local a ser puncionado deve ser feito com a
colocação de toalhas úmidas pré-aquecidas em temperatura de
42°C, não mais que isso, para evitar queimaduras no paciente,
deixar as toalhas no local a ser puncionado cerca de três a cinco
minutos);

Considerações importantes sobre a coleta de sangue capilar, conforme


documento elaborado pelo Programa de Educação Continuada do Labtest e
divulgado em Informativo Técnico:
É necessário atentar para os locais x idade onde não é indicada a realização
da coleta capilar de sangue. São eles: área central do calcanhar, dedos de crianças

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menores de2um ano de idade, locais edemaciados ou previamente puncionados,
dedos de um esmo lado de uma mastectomia.
Nas crianças menores de um ano a realização da punção capilar é contra
indicada na curvatura posterior do calcanhar, área central do pé, falange distal dos
dedos e lóbulos das orelhas.

HEMOCULTURA
Segundo Lima et al. (2001), a hemocultura é um importante meio de
investigação de vários tipos de moléstias infecciosas bacterianas, que estabelece
diagnóstico como a febre tifoide, septicemias estafilocócicas e estreptocócicas,
dentre outras infecções. Pode também direcionar certos tratamentos específicos e
influenciar nos prognósticos. As principais indicações para a realização da
hemocultura são: mudança repentina no pulso e temperatura corporal apresentando
ou não calafrios, prostração e hipotensão arterial; pacientes com história de febre
baixa, interrompida por períodos, porém persistente e interligando-se com a presença
de sopro cardíaco, e demais casos suspeitos conforme a avaliação clínica.
Em termos práticos a hemocultura é a análise de uma amostra de sangue
buscando identificar o crescimento de microrganismos. Geralmente é solicitada a
coleta da hemocultura no momento do pico febril do paciente ou um período antes da
febre a amostra é colocada em meio de cultura para verificar se há ou não o
crescimento de microrganismos.

COLETA DE MATERIAL PARA HEMOCULTURA E A


ASSISTÊNCIA
Na Hemocultura, o enfermeiro e sua equipe são os corresponsáveis pela
realização da coleta, assim como a validação desse exame. Para isso, deve-se seguir
alguns critérios que são essenciais para que a mesma seja útil, visando o tratamento
mais adequado para o paciente. Critérios estes que Lima et al. (2001) descreve como
questões importantes para a coleta, ou seja, realização da hemocultura durante um
pico febril.
O enfermeiro deve estar atento à prescrição do paciente quanto aos sinais
vitais, realizando em períodos menores do que os habituais, para então conseguir a
coleta durante a elevação da temperatura. Outras questões que merecem uma

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atenção do enfermeiro e sua equipe são os detalhes sobre o tratamento que o
paciente vem recebendo até o momento, e analisar a melhor forma para a realização
da hemocultura. Lima et al. (2001) considera que a equipe deve evitar ao máximo a
coleta do sangue de um paciente que está em uso de drogas bacteriostáticas ou
bactericidas, por exemplo, pois poderá implicar em uma alteração do exame.
Toda hemocultura positiva deve ser imediatamente comunicada ao médico do
paciente, assim como o encaminhamento do germe isolado para ser submetido ao
antibiograma e então programar o regime terapêutico (antibióticos).

PRINCIPAIS CUIDADOS QUE O PROFISSIONAL DEVE MANTER


NA COLETA DA HEMOCULTURA

Momento Adequado para coleta

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Verificar sempre a solicitação médica quanto ao pedido da hemocultura,
estando em constante contato com a equipe de enfermagem, principalmente nas
situações em que o solicitante indica o pico febril como momento da coleta, por
exemplo: “Coletar Hemocultura se Temperatura igual ou superior a 38ºC”.
Estar atento para os intervalos de coleta, ou seja, em alguns casos a coleta
de hemocultura é indicada em intervalos determinados como 30 a 60 minutos.
Em pacientes que possuem regularmente picos febris a recomendação da
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (2004) é de que a coleta da amostra para
hemocultura seja feita uma hora antes do início da febre do paciente. Nestes casos, a
enfermagem da unidade de internação deverá manter um acompanhamento dos
horários frequentes da febre do paciente, possibilitando uma previsão de horários
para a coleta pelo técnico do laboratório. A SBPC/ML (2009) descreve que as
bactérias entram na corrente circulatória uma hora antes do desenvolvimento da
febre.
Quantidade de Amostras da Hemocultura

Depende da investigação que o clínico está fazendo sobre o diagnóstico do


paciente. Geralmente são coletadas duas ou três amostras de hemocultura. É
importante ser conhecedor dos números de amostras a serem coletadas antes da
realização do procedimento.

Volume de Sangue

A coleta de sangue para hemocultura se faz com um volume maior de sangue


se comparado a uma coleta simples. Segundo a SBPC/ML (2009), a quantidade de
sangue recomendada para adultos é de 20 a 30 ml por amostra e para crianças 1%
do volume total de sangue calculado pelo peso da criança.

Material para Coleta 63

As garrafas para hemocultura são utilizadas para armazenar a amostra


(sangue), essas garrafas apresentam-se como aeróbicas ou anaeróbicas. As garrafas
possuem uma tampa de borracha onde deve ser colocado o adaptador (coleta em

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sistema fechado) para que o sangue seja transferido do escalpe para a garrafa. O
profissional deve ter conhecimento na identificação das garrafas para seguir as
rotinas adequadamente, conforme preconiza o laboratório.

Transporte das Amostras

Segundo a SBPC/ML (2009), as amostras devem chegar ao laboratório no


máximo em duas horas após a coleta e nunca devem ser refrigeradas ou congeladas;
a temperatura ambiente é usada para o transporte das amostras. Cuidados na Coleta
em Sistema Fechado da Hemocultura Segundo a SBPC/ML (2009).O sistema fechado
para coleta da hemocultura é o mais indicado e constitui-se de um escalpe e um
adaptador para coleta a vácuo. Primeiramente o profissional deve observar as
garrafas quanto a sua integridade. A assepsia é modificada se comparada a outras
coletas de sangue, por ser realizada com álcool 70% seguido de PVPI ou Clorexidina
(aguardar 30 segundos para ação).
A preparação das garrafas para receber a amostra é feita por meio da remoção
da tampa e assepsia com álcool 70% nas tampas de borracha, identificando as
garrafas com a identificação do paciente e indicando na garrafa o volume de sangue
(nível) a ser coletado.
Após, se une o escalpe estéril ao adaptador estéril, realiza-se a punção da veia
do paciente (conforme técnica já descrita), coloca-se primeiramente a garrafa
aeróbica ajustando o adaptador na tampa de borracha da garrafa e deixando fluir o
sangue necessário para dentro da garrafa e assim sucessivamente, até o fim da
coleta das amostras.
Ao término da coleta descartar materiais perfurocortantes, conforme rotina e
retirar o PVPI do braço do paciente com álcool 70%, antes de ocluir o local da punção
com curativo; quando a Clorexidina é utilizada não é necessária a remoção. Em
crianças com idade de dois meses ou mais é recomendado a Clorexidina para
assepsia, e crianças menores que dois meses recomenda-se para a assepsia o uso
do álcool isopropílico a 70%.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (2004) instrui as seguintes
recomendações na coleta da Hemocultura:

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 Não está recomendada a técnica de coleta de hemocultura


em cateteres ou cânulas, quando é possível a punção
venosa;
 Punções arteriais não trazem resultados eficientes na
hemocultura se comparadas com as punções venosas;

 Não é recomendada a troca de agulha entre a punção de


coleta e a colocação do sangue no frasco de hemocultura;
 Cabe a cada instituição ter a rotina sobre as coletas de acordo com o
sistema utilizado.
Nos locais onde se utilizam as coletas por sistema aberto, ou seja, com seringa
e agulha, após a punção com a agulha no paciente e aspiração do sangue, o
profissional deverá colocar a amostra no frasco de coleta para hemocultura sem a
necessidade de trocar a agulha para colocar o sangue no frasco, segundo as
recomendações citadas acima pela ANVISA (2004).

PRINCIPAIS COMPLICAÇÕES RELACIONADAS À


COLETA DO SANGUE VENOSO
Segundo Torres, Andrade & Santos (2005), a punção venosa periférica
constitui-se em uma das atividades mais frequentes realizadas pelos profissionais de
saúde, especialmente os profissionais da equipe de enfermagem, sendo que a
execução deste procedimento envolve conhecimentos advindos da anatomia,
fisiologia, farmacologia, psicologia, entre outros inclusive a destreza manual. É
considerada uma técnica invasiva visto que o cateter provoca o rompimento da
proteção natural e como consequência a comunicação entre o sistema venoso e o
meio externo.
A diminuição das complicações relacionadas à punção venosa para coleta de
sangue está diretamente relacionada ao correto manuseio dos materiais e
equipamentos utilizados para o procedimento, ao conhecimento do profissional que
realiza a coleta, ao uso dos equipamentos de proteção individual (luvas), assepsias
corretas (lavagem das mãos, assepsia antes da punção), descarte correto de
materiais perfuro cortantes e manutenção asséptica das salas de coleta.

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Desta forma é possível concluir que a operacionalização do processo de coleta
de sangue deve ser alvo de treinamento constante concedido ao pessoal de
enfermagem, incluindo normas e rotinas específicas e claras para o entendimento de
todos os envolvidos. As principais complicações relacionadas à punção para coleta
de sangue venoso descrito pela SBPL/ML (2009) são:
Hematomas: pode ocorrer durante ou após a realização da punção venosa.
Nos casos em que o hematoma é visualizado pelo profissional durante a coleta
indica-se retirar o torniquete e a agulha imediatamente e realizar compressão local
por um período de dois minutos, sendo indicado o uso de compressas frias para
atenuar a dor.
Punção em Artéria: acidentalmente, no momento em que está se
puncionando a veia pode ser puncionada uma artéria, a identificação de que esta
ocorreu, ao invés daquela, é feita pela visualização de um sangue vermelho vivo e em
forma de jato fluindo. Retira-se a agulha e o torniquete e recomenda-se a compressão
local por cinco minutos e uma eficiente oclusão no local da punção. Neste item cabe
ressaltar a importância da identificação da veia a ser puncionada antes da realização
do procedimento, como foi descrito anteriormente, uma vez que sendo esta
identificação correta o risco de se puncionar uma artéria é mais difícil. 67
Anemia Iatrogênica: diz respeito às quantidades (volume) de sangue para a
coleta, já que em alguns casos a retirada de volumes maiores e por mais vezes pode
ter como consequência uma anemia iatrogênica. É importante estar atento
principalmente nos casos dos pacientes pediátricos nos volumes mínimos a serem
coletados para a realização dos exames laboratoriais. Outro fator importante neste
item diz respeito a uma coleta eficiente, ou seja, a partir de uma coleta correta evita-
se o procedimento de recoleta por falhas.
Lesão nervosa: para evitar qualquer forma de lesão nervosa no procedimento
de punção para coleta de sangue venoso é recomendado evitar a inserção rápida e
muito profunda da agulha. Ao puncionar o paciente, se a veia não foi localizada, não
é orientada a busca pela localização da veia com a agulha dentro do paciente. O
correto é retirar a agulha por completo e realizar nova punção. A instrução ao
paciente deve ser de evitar movimentos bruscos.
Infecção: é rara, mas deve ser considerada. Os principais cuidados para evitar
o processo infeccioso no local da punção venosa é a correta assepsia do local a ser,

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a utilização do menor intervalo de tempo possível entre a retirada do protetor de
agulha e a punção, e a abertura do curativo para oclusão do local da punção somente
no momento da colocação e com permanência de pelo menos 15 minutos.
Dor: uma dor de pequena intensidade é normal mediante a punção venosa,
entretanto, nos casos em que se observa dor intensa, parestesias, irradiação da dor
pelo braço durante ou após a punção podem indicar comprometimento nervoso na
punção e deve ser investigado. A pele seca após a assepsia proporciona uma
sensação dolorosa, desta forma torna-se importante a recomendação de aguardar o
tempo mínimo para a secagem do antisséptico utilizado.

GASOMETRIA ARTERIAL

Segundo Brunner (2002), a gasometria sanguínea arterial é um exame


realizado a fim de avaliar a capacidade pulmonar de duas maneiras, quanto à
proporção adequada de oxigênio 6e a remoção do dióxido de carbono; também
avalia-se a capacidade dos rins do indivíduo, observando a reabsorção ou excreção
dos íons de bicarbonato para manter o pH corporal normal.

COLETA DE AMOSTRA PARA GASOMETRIA ARTERIAL

A coleta da gasometria arterial é realizada por meio de uma punção arterial,


normalmente na artéria radial, braquial ou femoral. É uma técnica extremamente
asséptica, a fim de prevenir infecções, e deve ser realizada por profissional treinado.
Rogante (1994) destaca a importância da heparinização da seringa que será feita a
coleta, com a finalidade de facilitar a subida do êmbolo ao puncionar a artéria,
também enfatiza a utilização de apenas 0,1 ml de Heparina, pois maiores
quantidades alteram o PCO².
Após é realizada a escolha do local de melhor condição para a punção,
normalmente a artéria pediosa, radial, femoral e braquial. A amostra do sangue na
seringa heparinizada poderá permanecer em geladeira até 30 minutos antes de ser
encaminhada ao laboratório para análise. Esta técnica deve ser realizada por
enfermeiro ou membro de sua equipe treinado, pois consiste em uma punção

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diferenciada da convencional (punção venosa), envolve artéria com fluxo sanguíneo
aumentado, exigindo cuidados e técnicas diferenciadas.
A seleção do local para a realização da punção arterial é condição importante,
pois partirá desta a técnica a ser utilizada. Rogante (1994) destaca as técnicas para
cada artéria escolhida, ou seja, quando àquela de escolha for a pediosa ou radial, a
introdução da agulha deve ser com um ângulo de 30° (angulação oblíqua), o que irá
favorecer a compressão da artéria de uma forma natural para estancar o
sangramento pela diferença da abertura cutânea e da artéria.
Para a punção da artéria braquial é feita uma angulação também oblíqua,
porém com um ângulo de 45°, e por fim na artéria femoral é introduzida a agulha
com um ângulo de 90°.
Após a punção o profissional deve fazer compressão com movimento firme na
artéria por no mínimo cinco minutos ou até que tenha cessado completamente o
sangramento no local, a fim de evitar hematomas e traumas na artéria. A agulha
utilizada deve ser com calibre de 25 x 6 ou então a agulha utilizada para a
administração de insulina e seringas descartáveis.
Viegas (2002) descreve que o paciente que será submetido à coleta de
gasometria arterial deve estar no momento do procedimento sentado, com exceção
dos pacientes acamados, e em repouso de pelo menos 10 minutos antes da
realização da punção. Também é necessário registrar algumas informações
importantes no pedido do exame como: identificação do paciente, uso de
medicamentos (broncodilatadores e vasodilatadores) e o uso ou não da
oxigenoterapia, estes dados auxiliam na interpretação clínica do exame.
Segundo a SBPC/ML (2009), os principais cuidados a serem tomados na
realização da punção arterial para gasometria são:
Identificação: incluindo dados de identificação pessoal e leito onde o paciente
está internado; médico assistente que solicita o exame, data e horário da coleta;
fração de oxigênio inspirado; temperatura do paciente; frequência respiratória; modo
de ventilação do paciente; local da punção; posição e atividade (repouso ou após
exercício) e identificação do profissional que realizou a coleta.
Avaliação do Paciente: além das condições gerais já citadas para coletas de
amostras de sangue, recomenda-se que o paciente esteja em um padrão respiratório
estável pelo menos 20 a 30 minutos antes da realização da coleta nos casos de

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paciente com respiração espontânea e nos pacientes com ventilação mecânica ou em
uso de máscara de oxigênio recomenda-se aguardar 30 minutos de ventilação estável
para realização da coleta da gasometria.
Materiais utilizados: para a coleta de gasometria recomenda-se a utilização de
seringas de plástico já preparadas com heparina liofilizada. Este tipo de seringa após
a coleta da amostra deve ser mantido em temperatura ambiente por no máximo 30
minutos para análise. Nos casos em que a análise está prevista para um intervalo de
tempo superior é necessário realizar a coleta em seringa de vidro e conservá-la com
gelo e água até serem submetidas à análise.
Locais de Punção Arterial: artérias radial, braquial ou femoral, sendo que
emrecém-nascidos a coleta pode ser feita nas artérias do couro cabeludo ou do
cordão umbilical nas primeiras 24 a 48 horas de vida. Após a coleta é necessário que
a agulha da seringa seja retirada e seja colocado um oclusor na ponta da seringa
(similar a um plug de borracha), homogeneizando a seringa lentamente entre as
mãos; o ideal é que a amostra seja encaminhada ao laboratório em até 15 minutos
após a coleta.
Veigas (2002) descreve que o procedimento de punção para a coleta arterial
deve ser feito após a anestesia local por via subcutânea ao lado do local onde haverá
a punção, principalmente por evitar a dor causada pelo procedimento, diminuindo a
ansiedade do paciente e a hiperventilação. A realização da punção arterial é de
competência médica ou do enfermeiro treinado, cabe a toda equipe de enfermagem
ter ciência dos principais cuidados a serem realizados antes e após a punção no que
lhe compete, incluindo o preparo do material para realização da punção, uma vez que
nos casos de realização de anestesia local o material deverá estar preparado para a
utilização pelo médico que irá realizar a coleta e a anestesia.
Como a coleta da amostra é realizada em uma artéria, é importante a
enfermagem ter ciência do cuidado após a realização da punção. A indicação é de
que o local puncionado seja comprimido com força por aproximadamente cinco
minutos e em alguns pacientes a compressão poderá ser mais prolongada, evitando a
formação de hematoma (VEIGA, 2002).

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ANATÔMICA E FISIOLÓGICA DO SISTEMA DIGESTÓRIO


O Trato Gastrointestinal é uma via medindo aproximadamente cinco metros de
comprimento e se estende desde a boca até o ânus, atravessando esôfago,
estômago e intestinos. O esôfago está localizado na cavidade torácica, mais
exatamente no mediastino, tem cerca de 25 cm de comprimento e distende-se
quando o alimento passa por ali. O estômago localiza-se na parte superior do
abdome, tem uma capacidade de 1.500 ml, e divide-se em cárdia (entrada), o fundo,
o corpo e o piloro (saída); uma musculatura lisa e circular nas paredes do piloro forma
o esfíncter pilórico que tem como função o controle da abertura entre o estômago e o
intestino delgado.
O intestino delgado é o segmento mais longo do trato, atinge uma área de
superfície de aproximadamente 7.000 cm, pois tem a capacidade de se dobrar para
trás e para diante sobre si mesmo; esta área proporciona a secreção e absorção dos
nutrientes da corrente sanguínea por meio das paredes do intestino. O intestino
delgado é dividido em duodeno (parte superior), jejuno (parte média) e íleo (parte
inferior).
O intestino grosso é composto por três segmentos: o ascendente no lado
direito do abdome, o transverso que se estende desde o lado direito até a esquerda
na parte superior do abdome e o segmento descendente no lado esquerdo do
abdome. O cólon sigmoide e o reto constituem as porções terminais do intestino
grosso, sendo que o reto constitui continuidade do ânus e este é regulado por uma
série de músculos estriados formando os esfíncteres anais interno e externo.
As fezes são alimentos não digeridos, materiais inorgânicos, água e bactérias,
sendo que o material fecal é constituído 75% de líquidos e 25% de água. A coloração
acastanhada das fezes se dá pela clivagem da bile com bactérias intestinais, já as
substâncias químicas que são elaboradas pelas bactérias intestinais são
responsáveis pelo odor. O trato GI é composto de 150 ml de gases (metano, sulfeto
de hidrogênio, amônia etc.), sendo que parte destes é absorvida para dentro da
circulação e detoxificados pelo fígado ou expelidos pelo reto, denominado de
flatulência.

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EXAME DE FEZES

O exame de fezes tem diversas finalidades, entre elas o estudo das funções
digestivas, a dosagem de gordura, identificação de sangue oculto e parasito e a
coprocultura (LIMA et all, 2001). Brunner (2002) diz que o exame básico de fezes
inspeciona a amostra identificando a consistência, coloração e teste para sangue
oculto. Sendo que após a coleta da amostra podem ser realizados os testes de
consistência e coloração.
O exame é constituído em três partes: análise macroscópica, análise
microscópica e exame químico. A parte macroscópica inclui a consistência, peso,
forma, aspecto, cor, odor e viscosidade das fezes, e serão citadas abaixo conforme
Lima et all (2001).
Consistência
As fezes em condições normais apresentam-se sólidas e são compostas por
75% de água. Fatores como as diarreias e alimentação vegetariana podem ocasionar
fezes com até 95 a 100% de água.
Peso
Esta característica varia muito conforme a qualidade e quantidade de alimentos
ingeridos em um dia. Em média, um indivíduo normal elimina de 100 a 150 gramas
por dia, porém esta medida varia conforme a dieta e algum acometimento a nível
intestinal, como é o caso de pacientes portadores de fermentação intestinal intensa
ou de enterite, que chegam a eliminar cerca de 800 gramas ou mais. A presença de

56
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muco, sangue, pus e os resíduos da alimentação também influenciam no peso das
fezes.
Forma
A forma varia conforme a consistência. Nas diarreias, a massa fecal é amorfa e
na constipação intestinal é em forma de cibalas.
Aspecto
Está relacionado à consistência e à forma das fezes; geralmente, o aspecto
das fezes se apresenta como uma pasta fina e regular.
Cor
Normalmente, são acastanhadas devido à presença de estercobilina ou
hidrobilirrubina, que são pigmentos biliares. A cor das fezes varia muito conforme a
alimentação dos indivíduos e também pela associação de patologias.
As verduras ricas em clorofila originam uma cor esverdeada; a dieta láctea uma
cor amarelada; certos medicamentos, como os sais de ferro, apresentam uma
coloração preta- esverdeada. Em algumas patologias, a coloração esbranquiçada ou
descorada chamada de massa de vidraceiro indica a ausência de pigmentos biliares.
As fezes pretas, popular melena, caracterizam a presença de sangue digerido
e as avermelhadas resultam da presença de sangue não digerido proveniente das
partes inferiores do intestino.
Odor
O odor das fezes está interligado com vários fatores, entre eles, alimentares,
medicamentosos e patológicos. Em condições patológicas, como nos casos de
fermentação intestinal, apresentam-se com um cheiro butírico ou rançoso; nos de
intensa putrefação cheiro pútrido, e nos carcinomas do cólon e reto, cheiro pútrido
penetrante.
Viscosidade
O teor do muco existente que irá caracterizar a viscosidade das fezes. Na
fermentação intestinal, as fezes são pouco viscosas, semelhantes a uma massa
esponjosa, e quando em contato com a água, desagregam-se facilmente. As fezes de
portadores de colite e de putrefação intestinal, com a presença da água, dificilmente
se desfazem.
Elementos Anormais

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Os elementos anormais encontrados no exame macroscópico das fezes são
aqueles que podem ser identificados quase sempre a olho nu, após a diluição do
material, exceto na avaliação de presença de sangue, que é mais fácil a visualização
sem a diluição. Compreendem resíduos alimentares dos mais variados, incluindo
tecidos conjuntivos, fibras musculares, gordura, detritos vegetais, etc., e em casos
raros e excepcionais, a presença de cálculos intestinais, biliares ou pancreáticos, ou
até pólipos e fragmentos de neoplasmas.
O muco também compreende esses elementos e sugerem forte irritação ou
inflamação do trato intestinal que se dividem em pequenas estrias e filamentos
maiores. O sangue também pode ser encontrado nas fezes, e conforme sua
coloração e as partes do intestino que a originam, o sangramento é indicativo de
patologias; assim, na presença de sangue vivo é necessário que o paciente seja
submetido a um exame de retossigmoidoscopia devido à possibilidade de diagnóstico
de câncer de reto que tem cura quando na fase inicial.
Na presença de sangue em grande quantidade e evacuações frequentes é
recomendada a realização de colonoscopia a fins diagnósticos. A pesquisa de sangue
oculto nas fezes pode ser realizada por meio do Hemoccult, um teste rápido que
consiste em uma carteira fina de papel de filtro contendo resina de guáiaco, uma
substância que tem atividade antimicrobiana sobre bactérias Gram-positivas e Gram-
negativas. Com o auxílio de uma espátula, são espalhadas pequenas quantidades de
fezes sobre o papel e após é acrescentado algumas gotas de água oxigenada, se
neste momento o papel ganhar uma coloração azulada, é indicativo de sangue oculto
nas fezes. Ainda pode ser encontrado pus e parasitos nas amostras.

Segundo Lima et all (2001), o exame microscópico visa à identificação dos


sinais coprológicos e é realizado com partes da amostra estrategicamente escolhidas
por alguma característica suspeita.

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Coleta de Amostra para o Exame de Fezes


Para a coleta das fezes usa-se recipientes de boca larga, e rolha esmirilhada,
preferencialmente esterilizada. A coleta deve ser realizada na dejeção, de maneira
uniforme, tendo o cuidado de não contaminar a amostra com água, urina ou outros
elementos que possam vir a alterar o exame. Também devem ser respeitadas
algumas considerações em relação ao preparo do paciente, para que a coleta da
amostra possa ser validada.
Na prática, os principais tipos de exame de fezes realizados são: Exame de
Fezes Parasitológico Simples ou Comum, que é feito a partir de uma coleta de fezes
ao dia; o Exame Parasitológico com Conservantes (MIF) em que o laboratório fornece
ao paciente e/ou ao profissional que auxilia a coleta três frascos contendo
conservantes, desta forma a coleta será realizada em três dias; o Exame
Parasitológico Seriado, são igualmente três frascos para coleta, entretanto sem
conservantes; e a Cultura de Fezes.
A coleta de fezes é um procedimento que pode ser realizado em casa pelo
próprio paciente e/ou em ambiente hospitalar quando o paciente estiver internado.
Em qualquer forma de coleta a assistência de enfermagem deve ser baseada nas
corretas instruções ao paciente no que tange ao preparo e à coleta da amostra. Nos
pacientes incapacitados e/ou crianças, a enfermagem é responsável pela realização
do exame durante a hospitalização ou instrução ao familiar (cuidador) para que
realize em domicílio.
O frasco para a realização da coleta de fezes é fornecido pelo laboratório e as
instruções para coleta igualmente; é importante que o profissional de enfermagem
esteja atento a todas as orientações rotinizadas pelos laboratórios, pois pode haver
diferenças nas rotinas mediante a utilização dos materiais e substâncias
(conservantes). A seguir, serão citados os cuidados referentes à coleta de fezes em
adultos e crianças baseados na instrução do Laboratório São Lucas (2008) e no
Laboratório Hemovita (2006)
Coleta de fezes

Coletar as fezes no recipiente fornecido pelo laboratório, tendo o cuidado para


não contaminar com água do vaso sanitário ou urina; após a coleta tampar o frasco e
sempre identificá-lo.

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Exame parasitológico simples: defecar em recipiente apropriado fornecido pelo
laboratório ou em um papel toalha limpo e com uma espátula colocar a quantidade
necessária do
tamanho de uma noz no frasco, tendo a atenção para colocar no frasco partes
das fezes que 77
contenham sangue ou muco que são importantes para a análise. Nos casos
em que o paciente não apresente diarreia, colher as fezes a qualquer hora do dia.
Tampar o frasco, identificá-lo e enviar ao laboratório em até duas horas em
temperatura ambiente ou conservando em geladeira por no máximo 14 horas.
Exame parasitológico com conservantes (MIF): neste caso o paciente recebe
três frascos de coleta de fezes do laboratório sendo dois com conservantes e um sem
conservante. A coleta é feita da mesma forma que no exame parasitológico simples,
entretanto, o paciente deverá ser instruído a coletar em dias alternados cada amostra
de fezes, com pelo menos um dia de intervalo para coleta de cada amostra. Após a
colocação da amostra no frasco é importante fechá-lo e agitar o frasco para mistura
com os conservantes; a última coleta refere-se ao frasco sem conservante. Identificar
e manter na geladeira até o encaminhamento ao laboratório.
Exame parasitológico Seriado: são fornecidos três frascos para coleta, porém
sem adição de conservantes; a coleta é feita da mesma forma que o exame de fezes
comum, entretanto, tendo atenção para seguir os dias alternados para a realização da
coleta.
Cultura de fezes: a coleta é feita da mesma forma que o exame comum de
fezes, entretanto, cabe ressaltar alguns cuidados específicos que são a espera do
intervalo de até sete dias caso o paciente esteja recebendo antibioticoterapia para
após realizar a coleta; o uso de laxantes quando necessários somente são permitidos
mediante orientação médica (e quando utilizados devem ser à base de sulfato de
magnésio). A bibliografia discorda entre o tempo de armazenamento e transporte da
coleta para o laboratório, ou seja, alguns laboratórios utilizam a regra de não
refrigerar a amostra e encaminhá-la imediatamente para análise, enquanto outros
instruem que após a coleta o material pode ser conservado a temperatura ambiente
por até três horas e no máximo seis horas sob refrigeração.
Coleta de fezes em crianças: é realizada em recipiente próprio e está contra
indicado coletar a amostra das fraldas das crianças.

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Swab anal: o swab anal é utilizado na investigação de parasitas que
permanecem na região perianal; esta técnica é realizada por meio da utilização de
um kit constituído por uma fita adesiva transparente, um tubo de ensaio, uma lâmina e
um porta-lâminas; a recomendação é de que a coleta do swab seja feita no período
entre as 21 e 24 horas, ou na primeira hora da manhã antes do banho. A técnica
consiste em colocar a fita adesiva na ponta do tubo de ensaio (parte colante para
fora) e posteriormente esfregar a extremidade do tubo na região perianal do
paciente, e após colocar a fita adesiva na lâmina cuidando para não encostar – a
parte colante fica fixada na lâmina (LABORATORIO BURIGO, 2009).

Coleta para pesquisa de sangue oculto nas fezes: a amostra para este fim
deve estar isenta de possíveis erros para a análise, desta forma é instruído o paciente
para que mantenha uma dieta adequada para a obtenção de uma amostra eficaz. A
dieta recomendada é de três dias antes da obtenção da amostra e também no dia da
coleta do material, sendo que constitui-se na exclusão de carne vermelha e branca,
vegetais como rabanete, nabo, couve-flor e beterraba, leguminosas como soja, feijão,
lentilha, grão de bico e milho e azeitonas, amendoim, nozes e castanha. O paciente
também deve ser orientado a não realizar a coleta em períodos menstruais, se estiver
com perda de sangue hemorroidário ou presença de sangue na urina; não utilizar
medicamentos irritantes da mucosa gástrica como aspirina, e não incentivar o
sangramento gengival na escovação, sendo que todos estes itens devem ser

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comunicados ao laboratório no momento da entrega da amostra caso estejam
presentes

ANATÔMICA E FISIOLÓGICA DO SISTEMA URINÁRIO


O sistema urinário é composto pelos rins, ureteres, bexiga e uretra. O sistema,
em conjunto com os rins, desempenha uma função excretora, reguladora e secretora.
Excreta os produtos de degradação, regula os eletrólitos, o equilíbrio ácido/básico e a
produção de eritrócitos; secreta as prostaglandinas e faz o controle da pressão
arterial. 80
Também desempenha a formação da urina por meio das unidades funcionais
dos rins, os néfrons, que irão formar um processo dividido em três etapas formando a
urina. A filtração glomerular é a primeira etapa, seguida da reabsorção tubular e a
secreção tubular.
A filtração do glomérulo ocorre pela entrada de sangue para dentro do
glomérulo a partir de uma arteríola aferente, a parte filtrada denominada de
ultrafiltrado, passa então pelos túbulos renais. Cerca de 1/5 do ultrafiltrado chega até
os néfrons constituindo aproximadamente 180 litros de filtrado diariamente. Do filtrado
produzido diariamente por meio dos rins, 99% são reabsorvidos pela corrente
sanguínea, totalizando de 1.000 a 1.500 ml de urina por dia.
A água, os eletrólitos (sódio, bicarbonato, cloro e potássio), a glicose, a
creatinina, a ureia e o ácido úrico são filtrados no glomérulo, reabsorvidos nos túbulos
renais e excretados na urina. A reabsorção tubular ocorre nos túbulos renais por meio
de uma substância com a capacidade de sair do filtrado e voltar para os capilares
peritubulares. A secreção tubular evidentemente ocorre nos túbulos renais e forma
um processo inverso da reabsorção, a substância sai dos capilares peritubulares e
consegue a penetração no filtrado.

EXAME DE URINA
O exame de urina gera informações clínicas muito importantes sobre a função
renal dos pacientes e é considerado que uma avaliação detalhada do exame é capaz
de diagnosticar doenças subjacentes, porém nos exames de urina rotineiros na
admissão de um paciente e na avaliação pré-operatória, os resultados apresentam-se

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geralmente controversos, pois não apontam achados fora da normalidade que tornem
necessário o tratamento (BRUNNER, 2002).
Para Lima et al (2001), o exame de urina é uma análise de rotina considerado
um dos mais antigos e o mais recorrido pelos médicos para apreciação, pela sua
sofisticação, simplicidade de técnicas, incluindo a obtenção fácil da amostra e o baixo
custo financeiro.
Paolucci (1977) destaca o exame de urina como um meio seguro na detecção
de patologias do sistema urinário que compreende uma avaliação qualitativa de
elementos químicos presentes na urina.
A análise do exame de urina é dividida em exame físico, exame químico que
inclui o qualitativo e o quantitativo, o exame microscópico, a identificação de cálculos
e o exame bacteriológico.
O exame físico da urina inclui o volume da amostra, a cor da urina, o aspecto,
o odor, a reação, o ph e a densidade. Especificando, baseado em Lima et al (2001):
Volume: o volume de uma amostra de um paciente em condições normais é
em média de 1.000 a 1.500 ml por dia, sendo o volume aumentado (poliúria) presente
em pacientes portadores de diabetes mellitus, e insípido, acometidos por afecções do
sistema nervoso e condições ambientais (frio). Percebe-se uma diminuição de volume
(oligúria) em casos de nefrite aguda, moléstias cardíacas e pulmonares, diarreia,
vômito, desidratação, entre outros.
Cor: a cor da urina é variável conforme a presença e concentração de
pigmentos urinários, a dieta habitual do paciente, o uso de medicamentos e
elementos patológicos que podem estar presentes. Abaixo é apresentada uma tabela
com as colorações que a urina pode assumir e a causa provável segundo Lima et al
(2001).
Coloração que a urina pode assumir em diversas condições.

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Aspecto: o aspecto da urina logo eliminada é límpido, porém a medida que o


tempo passa e ela encontra-se em repouso, inicia-se a turvação, pelo acúmulo de
leucócitos, células epiteliais e muco; esse processo chama-se de nubécula e é mais
frequente em mulheres. As substâncias mais encontradas na turvação da urina são
os fosfatos e uratos amorfos, o pus e os germes.
Cheiro: o cheiro característico logo após a eliminação da urina é devido aos
ácidos orgânicos voláteis encontrados nela. Entretanto, o uso de medicamentos
também é um fator que causa alteração, dando a urina um cheiro característico da

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medicação, assim como no envelhecimento ocorre a alteração do odor da urina para
amoniacal.
Reação: a reação da urina é evidenciada pelo papel de tornassol; a alteração
da coloração deste papel caracteriza a urina como: ácida, alcalina ou neutra. O papel
de tornassol de cor azul, na presença de urina ácida torna-se vermelho, e o tornassol
de cor vermelha na presença de urina alcalina torna-se azul. Quando as cores de
ambos não se alteram, indica uma urina neutra; agora quando ambos apresentam
alteração na coloração, denomina-se reação anfótera.

Ph: a urina é normalmente ácida visto que os elementos excretados pelos rins
também incluem substâncias ácidas. Os valores do Ph normal da urina variam entre
5,5 a 7,0. Os valores maiores que 7,0 podem indicar bactérias na urina, por outro
lado, valores inferiores a 5,5 sugerem acidose sanguínea elevada.

Densidade: a densidade da urina é um fator importante para a investigação


diagnóstica. A água pura possui uma densidade de 1.000; desta forma, o resultado da
urina mais próximo a 1.000 significa uma urina diluída enquanto que valores mais
afastados indicam uma urina mais concentrada. As referências da densidade da urina
para um adulto sadio oscilam entre 1, 001 a 1, 030 até 1.035.
A segunda parte do exame de urina consiste no exame químico qualitativo, que
mostra os elementos normais e anormais presentes na urina. Segundo Valada (1995),
os elementos normais que compõem a urina são as substâncias inorgânicas,
orgânicas (creatinina, ureia, aminoácidos, etc.), as substâncias nitrogenadas
(acetonas, fenóis), e o elemento geral que é a água.
Proteínas e albuminas: apenas uma pequena parte das proteínas consegue
ultrapassar a filtração glomerular e ter sua reabsorção no túbulo proximal. Um adulto

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sadio atinge uma eliminação proteica de 30 a 50 mg durante 24 horas, sendo que
destas, um terço constitui-se de albumina e o restante de globulinas alfa 1 e alfa 2. A
eliminação da proteinúria sofre alterações funcionais, denominada de proteinúria
funcional, pois pode ter seu aumento durante a prática de exercícios físicos, em
posição ereta e estado febril, como também é maior durante o dia do que a noite. Em
pessoas com metabolismo normal, o correto é a inexistência de proteína na urina,
visto que a excreção normal é tão baixa que na maioria das vezes não é detectada
pelos exames. Já em pessoas com algum tipo de alteração metabólica e/ou doença
renal, a proteína aparece na análise da urina.
Glicose (substância redutora): a glicosúria é determinada pela presença de
açúcares redutores na urina. Em um paciente em condições normais, é possível
encontrar glicose ou outras substâncias redutoras ao redor de 0,03 a 0,1 g% na
eliminação. Certas substâncias redutoras como o ácido úrico, creatinina e outros
medicamentos podem aumentar esses níveis de excreção, sendo importante
identificar se o paciente faz uso de algum medicamento. Pessoas com glicemia
sanguínea alterada (valores a partir de 180 a 200 mg/dl) ocasionam uma dificuldade
para a filtragem glomerular, o que acaba sendo evidenciado nos exames de urina
com resultados positivos para a glicosúria. Nas pessoas com metabolismo normal, o
correto é não haver detectação de glicose na urina.
Corpos cetônicos – cetonas: na urina de um paciente em condições normais
podem aparecer vestígios de acetona, ácido diacético e ácido beta-hidróxido-butírico.
Porém, em condições patológicas, os valores destas substâncias encontram-se acima
de 25 mg por dia, sendo que a acetona é a primeira substância a aparecer.
Síndromes respiratórias, infecções, pós-operatórios, desidratação, são algumas
condições em que se observam estados cetonúricos (acidósicos).
Pigmentos biliares – bilirrubina: o aparecimento de substâncias biliares na
urina é denominado de colúria e indica um estado patológico. Independente da causa
do paciente apresentar icterícia, ele irá eliminar por meio da urina os pigmentos
biliares, podendo aparecer de uma forma isolada ou em conjunto, dependendo do
que provocou icterícia. É pesquisado em conjunto com os pigmentos biliares um de
seus derivados, a urobilina, que normalmente apresenta- se na urina.

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Sais biliares: os sais biliares podem aparecer independente do aparecimento
de pigmentos biliares. São encontrados geralmente na eliminação de urina de
portadores de afecções hepáticas.
Proteína de Bence – Jones: a presença dessa proteína tem uma grande
importância clínica no diagnóstico de processos neoplásicos, podendo surgir no
mieloma, neoplasia de ossos, leucemias e nefrite crônica.
Albumoses e Proteoses: classificadas em proteoses primárias e proteoses
secundárias; podem ser encontradas em estados patológicos como tumores
cancerosos e cavidades purulentas que são decorrentes da autólise tecidual.
Lactose: a lactose diminuída é observada em condições patológicas como na
doença celíaca, colo irritável e pós-gastrectomia. A lactosúria pode ocorrer durante os
últimos meses de gestação e durante a amamentação devido à intolerância ou
deficiência.
Levulose (frutose): é uma interpretação extremamente rara, porém, quando
presente, pode ser facilmente confundida com a glicosúria.
Pentose: a pentosúria geralmente é rara, e apresenta um interesse devido seu
equívoco com a predisposição ao diabetes. É considerada uma doença benigna e
constituí-se como um erro no metabolismo, principalmente diagnosticada em judeus.
Galactose: na sua interpretação, pode aparecer uma denominação
“galactosemia”; esta é uma condição genética pela qual o organismo torna-se incapaz
de converter a galactose da alimentação em glicose devido a uma deficiência de
certas enzimas envolvidas. A suspeita da galactosemia ocorre quando na análise da
urina são identificados açúcares redutores que não reagem no sistema glicose
oxidase. Quando ocorre a excreção de galactose na urina denomina- se galactosúria.
Ácido Diacético: suas manifestações e alterações clínicas são semelhantes
ao estado cetonúrico.
Escatol – Indican (Acido Glucurônico): estes surgem na clínica indicando a
putrefação intestinal intensa e na decomposição bacteriana da proteína corpórea.
Também são evidenciados na obstrução intestinal, íleo paralítico, etc.
Substâncias Diazoicas: quando sua reação é positiva, podem indicar febre
tifoide, tuberculose, sarampo e outras doenças, analisando os dados clínicos do
paciente.

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Melanina: a urina que contém melanina escurece devido o processo de
oxidação quando em contato com o ar. A melanúria é presente em melossarcomas e
melanocarcinoma assim como nas desintegrações proteicas do indivíduo. Os
portadores de tumores melanócitos eliminam o precursor da melanina – o
melanogênio que torna a urina de coloração castanho- escura ao negro.
Ácido Fenilpirúvico: a fenilcetonúria é também denominada de oligofrenia
fenilpirúvica, doença de Folling e de imbecillitas pheniphiruvicas. É considerado um
defeito congênito do metabolismo que aparece nas primeiras semanas de vida e,
dentre outras,
caracteriza-se pelo acúmulo de ácido fenilpirúvico (produto de degradação da
fenilalanina) no sangue, podendo ser excretado na urina.
- Ácido Homogentísico: trata-se de uma aminoacidúria pouco frequente do
tipo metabólico. As aminoacidúrias do tipo renal são a síndrome de Fanconi, a
moléstia de Hartnup e a cistinose, que são congênitas.
- Alcaptona: é considerado um erro metabólico dos aminoácidos e aparece
em urinas que escurecem espontaneamente
O Exame Químico Quantitativo compreende a dosagem de alguns elementos
eliminados pela urina de 24 horas que, dependendo da concentração, podem
desencadear diferentes reações no organismo humano. As principais dosagens serão
citadas abaixo conforme Lima et al (2001):
Dosagem da ureia: a eliminação da ureia na urina de 24 horas, geralmente, é
de 10 a 20g; sua excreção aumentada é encontrada em dietas ricas em proteínas,
nas neoplasias e em condições febris. Quando a eliminação encontra-se abaixo do
valor de referência, pode ser característico de insuficiência renal, insuficiência
hepática grave e em dietas hipoproteicas.
Dosagem da Creatinina: o valor de referência da Creatinina eliminada na
urina de 24 horas é de 1 a 1,5 g. Este elemento é encontrado na urina de crianças,
gestantes e no puerpério em quantidade discreta. Quando diminuída, pode estar
associada a atrofias musculares e quando aumentada, em estado febril.

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Dosagem do Ácido Úrico: O ácido úrico é eliminado na urina por meio de


compostos purínicos por fatores exógenos originados através de nucleoproteínas da
alimentação e endógenos das nucleoproteínas do próprio metabolismo. A eliminação
aumentada pode ser observada em condições como leucemias, neoplasias,
pneumonia e na gota.

Dosagem da amônia: sua eliminação na urina de 24 horas é de 0,7 g. O


aumento da eliminação se dá pela acidose, tanto metabólica como respiratória, jejum
prolongado e dietas proteicas. A diminuição da dosagem de amônia na urina
geralmente é encontrada na alcalose metabólica ou respiratória, e em dietas
vegetarianas.

Dosagem de Cloretos (expresso em Nacl): um adulto normal, em urina de 24


horas, excreta de 8 a 15 g de cloretos. Em condições como dietas ricas em sal, uso
de diuréticos, nefropatias e necrose tubular aguda, ocorre uma excreção aumentada
de cloretos. Já nas perdas extrarrenais como vômito, diarreia, sudorese, no diabetes
insípidus e dietas hipossódicas, a excreção é diminuída.

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Coleta de amostra para o exame de urina


A coleta de urina para a realização da análise pode ser feita de diferentes
formas, são elas: em frasco coletor (onde o próprio paciente pode ser instruído quanto
à coleta), por cateterismo vesical (aspiração de urina em cateter de drenagem),
punção suprapúbica ou por bolsa coletora esterilizada. Além disso, difere-se o método
de coleta, quando, por exemplo, é requisitada a urina de 24 horas, procedimento este
que visa a analisar a urina excretada pelo paciente durante o período de 24 horas.

Coleta de urina em frasco coletor e urina de 24 horas


Para a coleta da amostra de urina utiliza-se a urina do jato médio, atentando
sempre para a não contaminação da amostra e assepsia correta, principalmente em
pacientes do sexo feminino, em que o risco para contaminação é aumentado. Nos
casos em que o objetivo é a identificação de parasitas, eventualmente presentes na
uretra, e/ou após massagem prostática, o jato inicial da urina é colhido (Urina de Jato
Inicial).
A Enfermagem e o Técnico laboratorista desempenham um trabalho de
extrema importância na coleta de urina para a realização do exame, pois a equipe de
Enfermagem deve fornecer a explicação do método para o paciente, assim como a
realização do mesmo em pacientes incapacitados e para aqueles que se sentem
inseguros.
O procedimento da coleta consiste em uma técnica asséptica, em que qualquer
contaminação externa afeta o resultado do exame. Para isso a equipe deve estar
capacitada para obter eficácia na coleta. A higiene íntima do paciente no período da
manhã é um dos métodos que deve ser implementado durante a assistência, assim
como o cuidado de manter a amostra esterilizada e o recipiente em que a urina será
depositada.
Como citado anteriormente, a higiene íntima tem grande importância no que
diz respeito à validação da amostra, pois tem por finalidade prevenir a contaminação
da urina. A equipe de Enfermagem deve ter uma atenção maior principalmente em
mulheres, pois as condições ginecológicas podem favorecer a infiltração de bactérias
com maior facilidade.

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Segundo Motta (2009), a técnica de coleta de urina segue os seguintes
passos:
 Conferência do pedido do exame;
 Identificação do frasco de coleta com nome do paciente, hora e número do RG;
 Orientação do paciente quanto ao procedimento que será realizado
 Realização da assepsia com água e sabão;
 Coleta da urina desprezando o primeiro jato e coletando o jato intermediário,
preferencialmente realizado com a primeira urina da manhã;
 Encaminhamento ao laboratório
 É válido ressaltar que em determinados laboratórios alguns tipos de coleta de
urina(conforme a requisição do solicitante) são colhidos no próprio
laboratório, conforme a rotina implantada, como por exemplo, a solicitação de
exames de bacteroscopia, gram de gota, porfobiliniogênito, dentre outros.
(HEMOVITA, 2006).
Segundo Carvalhal, Rocha & Monti (2006), a coleta de urina para análise deve
ser realizada por orientação de profissional capacitado e preferencialmente ser
realizada no próprio laboratório, minimizando com isso as chances de contaminação e
diminuindo o tempo entre a coleta e a análise do material pelo laboratório.
A coleta de urina em frasco estéril fornecido pelo próprio laboratório ou
adquirido em farmácia é indicada nos casos de pacientes que possuem controle de
esfíncter. Em crianças menores de dois anos a utilização da bolsa coletora infantil é
necessária, já que a criança nesta idade geralmente não possui o controle do
esfíncter adequado para a captação da amostra com utilização do frasco.

A
maioria da bibliografia estudada enfatiza a preferência pela primeira urina da
manhã, entretanto, nos casos em que esta situação não é possível as referências

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consideram aceitável para amostra a urina retida na bexiga por pelo menos duas ou
quatro horas. Neste sentido, o profissional de Enfermagem deve estar ciente da rotina
preconizada pelo laboratório. Em qualquer um dos casos, tanto na coleta da primeira
urina da manhã como na micção seguinte a retenção, o laboratório deve ser
informado. Quando a enfermagem realiza este cuidado deve registrá-lo no próprio
frasco da amostra.
A realização da higiene íntima aparece como fator mais importante tanto no
caso dos homens como nas mulheres para se evitar um falso resultado. Sendo que
para os homens instrui-se a lavagem do pênis, incluindo em especial a lavagem do
prepúcio e glande (puxando a pele e lavando vigorosamente). A higiene íntima no
paciente hospitalizado para coleta de urina pode ser feita com água e sabão, visto
que esta é a instrução utilizada para a realização da coleta domiciliar. É importante
que após a lavagem com água e sabão a área seja completamente enxaguada e
seca com toalha limpa.
Após a assepsia íntima, a coleta de urina é realizada. Nos homens, no
momento da micção, instrui-se que puxem o prepúcio para trás e nas mulheres que
afastem os grandes lábios e mantenham os joelhos afastados, tentando com estas
medidas evitar ao máximo a contaminação da amostra. Ao iniciar a micção do
paciente, instruí-lo para desprezar o primeiro jato (no vaso sanitário quando possível)
e após coletar a urina referente ao jato médio colocando diretamente no frasco
coletor, fechando o frasco com a tampa, identificando e encaminhando ao laboratório.
Algumas situações podem necessitar dois frascos de coleta, dependendo da
rotina do laboratório, como por exemplo, quando há requisição do Exame de Urina
Tipo I e a Cultura; nestes casos os frascos são identificados como frasco 1 e frasco 2,
sendo o primeiro utilizado para o Exame de Urina Tipo I e o segundo para a Cultura –
a coleta procede da mesma maneira, utilizando-se o jato médio (HEMOVITA, 2006).
Demais cuidados na realização da coleta de urina são: o jejum é
desnecessário; o paciente deve ser instruído a evitar quantidades elevadas de
líquidos no dia que precede o exame e para as mulheres menstruadas ou em uso de
cremes vaginais evita-se a coleta, recomenda-se aguardar três dias após o término
para a realização da coleta da amostra ou conforme contato com o médico (SÃO
LUCAS LABORATÓRIO, 2008).

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Recomenda-se que a urina após a coleta seja imediatamente levada ao
laboratório por um tempo máximo de uma hora; nos casos em que esta situação não
é possível é instruído que o frasco de coleta seja mantido refrigerado em isopor com
gelo até a entrega no laboratório (HEMOVITA, 2006)
Para a coleta da urina de 24 horas, Lima et al (2001) descreve que deve ser
seguido um roteiro permanente, que inicia com o esvaziamento da bexiga do paciente
em determinada hora, normalmente no período da manhã e despreza-se esta
primeira micção. Após cada micção eliminada pelo paciente, é realizada a coleta
seguindo até o outro dia incluindo o horário da micção em que foi desprezada, então
se o paciente urinou a primeira vez às 8 horas da manhã, ele irá incluir a coleta das 8
horas do dia posterior.
O paciente que irá realizar o procedimento em casa deve ser instruído quanto
à utilização dos frascos, já que em alguns pedidos de urina de 24 horas são
necessários frascos com conservantes ou permanência em geladeira durante as 24
horas. É importante que o profissional de Enfermagem tenha conhecimento frente à
rotina estipulada pelo laboratório e igualmente sobre o armazenamento da amostra,
sendo em frascos com conservantes ou em geladeira até o encaminhamento.
Mesmo estando internado, o paciente que realiza a coleta de urina de 24 horas
deve participar do processo, sendo orientado enfaticamente sobre a necessidade de
coletar toda a urina em frasco próprio durante o período estipulado, já que torna-se
importante para avaliação do volume que nenhuma micção seja perdida.
A forma como é feita a coleta de urina de 24 horas é o cuidado mais essencial
para uma correta validação da amostra, desta forma é relevante ressaltar o
mecanismo utilizado para a realização deste procedimento. Ou seja:
Suponha-se que o paciente irá iniciar a coleta de urina para 24 horas às 8
horas da manhã do dia 20; a primeira micção (das 8 horas do dia 20) é desprezada e
a partir desta todas as demais são coletadas no frasco específico; às 8 horas do dia
21 será considerada a última coleta de urina independente de ser a primeira do dia.
Recomenda-se que os frascos de coleta de urina de 24 horas sejam
identificados com as seguintes informações: nome, peso, altura, datas e horários de
início e término da coleta. O encaminhamento ao laboratório deve ser imediato após o
término da coleta (HEMOVITA, 2006).

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Um dos exames que se utiliza na prática e que envolve a coleta de urina para
24 horas é o DCE – Depuração da Creatinina Endógena. A coleta de urina é realizada
como mencionado anteriormente e nestes casos a instrução é de que a amostra seja
mantida sob refrigeração até fechar o período de 24 horas e que no momento da
entrega da amostra ao laboratório seja realizado o exame de sangue, sendo que o
intervalo entre a coleta de urina e a coleta de sangue não deve ultrapassar 24 horas
(WEINMANN, 2008).
A coleta de urina para 24 horas também é realizada na requisição de V.M.A e
Catecolaminas, tendo os mesmo cuidados citados anteriormente, entretanto em
frascos específicos. A coleta da amostra para a urina neste tipo de exame precede a
realização de uma dieta específica três dias antes do início da coleta, onde o paciente
deve abster-se de comer carne vermelha, verduras com fibras, chocolate,
medicamentos que contenham ferro, aspirina ou vitamina C e intensificar cuidados na
escovação para evitar sangramentos. (LAC, 2003).

Coleta de Urina em Bolsa Esterilizada

Segundo Carvalhal, Rocha e Monti (2006), nas crianças pequenas e nos


pacientes neuropatas torna-se difícil ou quase impossível realizar a coleta da urina
por jato médio, já que nestes casos não há o controle do esfíncter; recomenda-se
então a coleta por saco coletor aderido à pele, cateterismo vesical ou punção
suprapúbica.

Lima et al (2001) cita que a coleta da urina em crianças pequenas é de difícil


manuseio, indicando então a coleta por meio de coletor plástico ou punção
suprapúbica, e alerta quanto aos riscos de um cateterismo vesical, pelo perigo de

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infecção urinária que pode se desencadear sem a utilização dos métodos profiláticos
(rigorosa assepsia etc.) durante o procedimento.
O uso da bolsa coletora em crianças que não controlam o esfíncter é um dos
métodos mais utilizados para a obtenção da amostra, entretanto existe uma grande
probabilidade de haver a contaminação da amostra. Diante disso recomenda-se que
a bolsa coletora seja trocada a cada 30 minutos até que a coleta da amostra seja
efetuada. Antes da colocação da bolsa coletora na criança é necessário realizar a
assepsia com água e sabão assim como nos momentos da trocas da bolsa. Não é
recomendada a utilização de cremes ou pomadas na criança no período que
antecede a coleta.
A assepsia íntima da criança pode ser realizada com água e sabão tendo o
cuidado para que o prepúcio dos meninos seja lavado adequadamente assim
como a glande, e nas meninas realizar a limpeza com movimentos sempre de cima
para baixo. O saco coletor de urina infantil possui em seu orifício partes adesivas que
se fixam a pele da criança. Após esta fixação, aguardar a criança urinar para
obtenção da amostra.
O resultado do exame de urocultura obtido por meio da coleta de urina por
saco coletor só deve ser utilizado quando o resultado for negativo, já que serve mais
como forma de exclusão de uma infecção do trato urinário do que para um
diagnóstico (CARVALHAL, ROCHA & MONTI, 2006).
Muitos laboratórios optam por realizar a coleta de urina em crianças nas sedes
do laboratório por profissionais capacitados objetivando minimizar a contaminação da
amostra. Nestes casos o responsável pela criança deve ser instruído quanto aos
horários da coleta e data para o comparecimento.
Coleta de Urina por Cateterismo Vesical
A realização do cateterismo vesical de alívio para a coleta de urina deve ser
amplamente discutida juntamente com o médico assistente, uma vez que a
probabilidade de entrada de germes através da sondagem é um risco considerável,
pois envolve a exposição do paciente ao desenvolvimento de uma infecção. Quando
realizada deve seguir todos os procedimentos assépticos necessários.
Carvalhal, Rocha e Monti (2006) descrevem que o cateterismo vesical para
obtenção de urina nos homens é geralmente desnecessário, pois a probabilidade de
contaminação da amostra por jato médio é diminuída; já nas mulheres, por vezes,

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esta técnica torna-se necessária; quando realizada instrui-se que o primeiro jato de
urina cateterizada (após a cateterização) seja desprezada e o próximo coletado para
amostra
Coleta de Urina em Paciente com Sonda Vesical

Outra questão que é vivenciada no cotidiano da atuação da Enfermagem diz


respeito à coleta de urina em pacientes com sonda vesical em sistema fechado.
Sobre esta técnica Motta (2009) descreve os principais princípios como: 94

Identificação do frasco de coleta da amostra;


Realização da assepsia com PVPI alcoólico no látex existente na porção
próxima a sonda vesical;
Realizar a punção no látex com agulha fina colocando a urina no frasco para
coleta identificado;
Encaminhar ao laboratório;
OBS: o correto é a utilização de bolsa coletora de urina que possua uma área
própria de silicone para a punção e coleta de urina.
A equipe de enfermagem deve seguir as orientações preconizadas pela
Comissão de Infecção Hospitalar da instituição para a realização deste procedimento,
bem como as orientações técnicas do laboratório quando a coleta é realizada a nível
ambulatorial.
Segundo a CCHI (2009) do Hospital de Caridade de Ijuí – RS, a realização da
coleta de urina por sonda vesical em sistema fechado é realizada segundo os
seguintes princípios:
Clampear a sonda do paciente 30 minutos antes da realização da coleta da
amostra;
Realizar assepsia com álcool 70% no local apropriado para punção do sistema
fechado de sondagem (silicone para coleta de urina);
Realizar punção com agulha 25x7 e seringa de 10 ml no silicone para coleta de
urina;
Aspirar cerca de 10 ml de diurese vinda de bexiga (não da bolsa);
Colocar amostra em frasco e identificar com o nome do paciente, data, horário,
forma de coleta e assinatura do profissional que realizou a obtenção da amostra;
Encaminhar ao laboratório.

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Obs: O profissional deve registrar no frasco de coleta, além da identificação do
paciente, a forma de coleta como: “Coleta de Urina em paciente com SVD” e deve
seguir os princípios de biossegurança como o uso de EPI’s (luvas de procedimento) e
descarte de perfurocortantes na realização do procedimento. Não está indicado
desconectar a sonda da bolsa coletora para a realização da coleta de urina, visto que
este procedimento aumenta a entrada de germes causadores das ITU’s,
proporcionando riscos adicionais ao paciente.

Coleta de urina por punção suprapúbica 95


A punção suprapúbica é realizada pelo médico por meio da introdução de uma
agulha de calibre variável (conforme a idade do paciente) e sob anestesia local. É
realizada para a obtenção de uma amostra de urina livre de contaminação, sendo que
esta técnica geralmente é realizada em crianças ou neonatos, visto que a amostra
coletada por bolsa coletora está altamente associada à contaminação e em pacientes
adultos imunossuprimidos, em que a colocação de um cateter para a coleta é
considerada um risco imediato para infecção.
Em quaisquer umas das indicações, quem faz a solicitação de coleta de urina
por punção suprapúbica é o médico do paciente. Cabe à Enfermagem o preparo do
material e paciente para a técnica. Segundo Carvalhal, Rocha e Monti (2006), alguns
dos cuidados prévios para a realização da punção suprapúbica são: a bexiga no
momento da punção deve estar repleta de líquido, isto pode ser obtido por meio do
estímulo à ingesta de líquidos, aumento da hidratação parenteral e algumas vezes
utilização de diuréticos.
A Enfermagem, neste sentido, deve estar atenta para o seguimento das
orientações médicas informando o paciente e administrando medicações conforme a
prescrição do médico. Após a coleta, o material deve ser identificado e encaminhado
para a análise sendo necessário o registro da forma de coleta para a obtenção da
amostra.

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