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COLÉGIO DA POLÍCIA MILITAR DO PARANÁ

EFEITO FOTOELÉTRICO

CURITIBA
2008
TAWANA DE OLIVEIRA PONTES

EFEITO FOTOELÉTRICO

Trabalho apresentado como


requisito parcial de nota do 4°
bimestre, pela aluna do 2°ano D,
do Ensino Médio, para disciplina de
Física, professor Fernandes.

CURITIBA
2008
INTRODUÇÃO

Estudando a produção de descargas elétricas entre duas


superfícies de metal em potenciais diferentes, H. Hertz observou que
uma faísca proveniente de uma superfície gerava uma faísca secundária
na outra. Como esta era difícil de ser visualizada, Hertz construiu uma
proteção sobre o sistema para evitar a dispersão da luz. No entanto, isto
causou uma diminuição da faísca secundária.
Na seqüência dos seus experimentos ele constatou que o
fenômeno não era de natureza eletrostática, pois não havia diferença se
a proteção era feita de material condutor ou isolante. Após uma série de
experiências, Hertz, confirmou o seu palpite de que a luz poderia gerar
faíscas. Também chegou à conclusão que o fenômeno deveria ser devido
apenas à luz ultravioleta.
Em 1888, estimulado pelo trabalho de Hertz, Wilhelm Hallwachs
mostrou que corpos metálicos irradiados com luz ultravioleta adquiriam
carga positiva. Isto, antes da descoberta do elétron, que se deu em
1897.
Dois anos após a descoberta de Hertz, Thompson postulou que o
efeito fotoelétrico consistia na emissão de elétrons. Para prová-lo,
demonstrou experimentalmente que o valor de e/m das partículas
emitidas no efeito fotoelétrico era o mesmo que para os elétrons
associados aos raios catódicos. Também concluiu que esta carga é da
mesma ordem que a carga adquirida pelo átomo de hidrogênio na
eletrólise de soluções.
Em 1903, Lenard estudou o efeito fotoelétrico utilizando como
fonte luminosa um arco de carbono. Variando a intensidade da luz,
provou que a energia dos elétrons emitidos não apresentava a menor
dependência da intensidade da luz. Em 1904, Schweidler mostrou que a
energia do elétron era proporcional à freqüência da luz.
Enquanto Planck considerava a quantização da energia, na sua
teoria da radiação do corpo negro, como um artifício de cálculo, Einstein
enunciou a audaciosa hipótese da quantização da energia ser uma
propriedade fundamental da energia eletromagnética. Três anos mais
tarde, Einstein aplicou a idéia da quantização da energia às energias
moleculares para resolver outro enigma da física- A, discrepância entre
os calores específicos, calculados pelo teorema da equipartição da
energia, e os calores observados experimentalmente em temperaturas
baixas.
Depois, as idéias da quantização da energia foram aplicadas às
energias atômicas, por Niels Bohr, na primeira tentativa de explicar os
espectros atômicos. A hipótese de Einstein sugere que a luz, ao
atravessar o espaço, não se comporta como uma onda, mas sim com
uma partícula. Einstein usou estas idéias para explicar os resultados
experimentais no efeito fotoelétrico.
Na visão clássica, o aumento da taxa da energia luminosa
incidente sobre a superfície do catodo deveria aumentar a energia
absorvida pelos elétrons e deveria, por isso, aumentar a energia cinética
máxima dos elétrons emitidos. Aparentemente, não era o que acontecia.
Em 1905, Einstein demonstrou que este resultado experimental
poderia ser explicado se a energia luminosa não fosse distribuída
continuamente no espaço, mas se também fosse quantizada, como
pequenos pulsos denominados por fótons. A energia de cada fóton é y e
h a constante de Planck.
Um elétron ejetado de uma superfície metálica exposta à luz,
recebe a energia necessária de um único fóton. Quando a intensidade da
luz, de uma certa freqüência, for aumentada, maior será o número de
fótons que atingirão a superfície por unidade de tempo, porém, a
energia absorvida por um elétron ficará imutável. Se h for a energia
necessária para remover um elétron de uma superfície metálica, a
energia cinética máxima dos elétrons emitidos pela superfície será:

Esta equação é conhecida como a equação do efeito elétrico. A


grandeza y a função trabalho, característica do metal. Alguns elétrons
terão energias cinéticas menores que hy - o em virtude da perda de
energia que sofrem ao atravessar o metal. A partir da equação do efeito
fotoelétrico, podemos ver que o coeficiente angular da reta dá Vo contra
o deve ser igual a h/e.
Em resumo podemos ressaltar três pontos importantes da
hipótese de Einstein:
 A energia cinética de cada elétron não depende da intensidade da
luz. Isto significa que dobrando a intensidade da luz teremos mais
elétrons ejetados, mas as velocidades não serão modificadas.
 Quando a energia cinética de um elétron for igual a zero significa
que o elétron adquiriu energia suficiente apenas para ser
arrancado do metal.
 A ausência de um lapso de tempo entre a incidência da radiação e
a ejeção do fotoelétron.

A verificação experimental da teoria de Einstein era bastante difícil.


Experiências cuidadosas de Millikan, publicadas pela primeira vez em
1914, e depois com detalhamento em 1916, mostraram que a equação
de Einstein estava correta e que as medidas de h concordavam com o
valor encontrado por Planck.
Os fótons com as freqüências menores que o limiar fotoelétrico e
portanto, com comprimentos de onda maiores que o limiar fotoelétrico
em comprimento de onda, não têm energia suficiente para arrancar um
elétron de uma certa superfície metálica. O limiar fotoelétrico, e o
comprimento de onda correspondente podem ser relacionados à função
trabalho, igualando-se a zero a energia cinética máxima dos elétrons na
equação de Einstein.
A explicação de Einstein do efeito fotoelétrico foi somente o
começo de uma avalanche de descobertas que se tornou a Teoria
Quântica.
O efeito fotoelétrico

O efeito fotoelétrico é uma emissão de elétrons por uma superfície


devido à incidência de luz. O nome dado à observação de que quando
um pedaço de metal é iluminado com luz, uma pequena corrente
elétrica flui através do metal.
A luz passa sua energia aos elétrons nos átomos do metal
permitindo a eles se moverem dentro do mesmo, produzindo a corrente.
Contudo, nem todas as cores de luz afetam os metais dessa maneira.
Ondas grandes têm grandes quantidades de energias enquanto
ondas pequenas têm pouca.
Portanto, se a luz tem um caráter ondulatório, seu brilho afeta a
quantidade de energia no sentido de que quanto mais brilhante a luz
for, maior a onda e mais energia ela terá.
Dessa forma, as diferentes cores da luz são definidas pela
quantidade de energia que elas possuem.

Experimentalmente se verifica que:


 Quando a luz incide sobre a superfície de um metal, elétrons
podem ser emitidos por ela.
 Quando uma luz de certa freqüência (f) arranca elétrons do metal,
eles não saem todos com a mesma energia, ou seja, suas energias
distribuem-se entre um valor mínimo e um valor máximo. Dessa
forma, é necessária uma energia mínima para arrancar um elétron
de determinado metal, que é chamada FUNÇÃO TRABALHO (W).
 Para explicar o efeito fotoelétrico, observou-se que a taxa de
emissão de fotoelétrons é diretamente proporcional à intensidade
da luz incidente. Para que um elétron escape da superfície de um
metal deve-se fazer um trabalho contra as forças que o fixam aí,
ou seja, os fotoelétrons devem adquirir energia suficiente para
serem ejetados.
A energia absorvida em excesso aparece na forma de energia
cinética:
Ec=hf – W
Onde:
h=Constante de Planck
f=Freqüência
W=Função Trabalho

 A energia cinética dos fotoelétrons é independente da intensidade


da luz incidente.
 A primeira figura mostra a corrente em função da ddp (V) para
dois valores diferentes da intensidade da luz incidente aplicada
sobre o catodo. Quando V for positivo, todos os elétrons emitidos
atingem o anodo e a corrente tem o seu valor máximo.
 Observa-se, experimentalmente, que um aumento extra de V não
afeta a corrente.
 A corrente máxima era proporcional à intensidade da luz.
 Quando V for negativo, os elétrons são repelidos pelo anodo.
 Somente os elétrons que têm as energias cinéticas iniciais maiores
que |eV| podem atingir o anodo.
 Se V for menor que Vo, nenhum elétron consegue chegar ao
anodo.
 O potencial Vo é o potencial frenador e está relacionado com a
energia cinética máxima dos elétrons emitidos pela superfície.
O resultado experimental, da independência de Vo em relação à
intensidade da luz incidente, era surpreendente.
Utilizações

Nos dias atuais, cem anos depois, essa contribuição tem dado à
sociedade uma vida cheia de conforto como, por exemplo, telefones
celulares e computadores, CD - players, palmtops, localizadores GPS,
nanodispositivos, nanosensores para exames médicos e quem sabe em
um futuro não tão distante, o computador quântico e o tele - transporte
de objetos.
Mais exemplos de utilização desse efeito fotoelétrico são as portas
de elevadores, alarmes de segurança de bancos, segurança de peças de
valores em exposições e museus.
Foi descoberto mais tarde que mesmo os elétrons não são apenas
partículas (dentro de um tubo de televisão),mas são também ondas
(nos chips de computador e de celulares).
Graças ao efeito fotoelétrico tornou-se possível o cinema falado ,
assim como a transmissão de imagens animadas (televisão). O emprego
de aparelhos fotoelétricos permitiu construir maquinaria capaz de
produzir peças sem intervenção alguma do homem. Os aparelhos cujo
funcionamento assenta no aproveitamento do efeito fotoelétrico
controlam o tamanho das peças melhor do que o pode fazer qualquer
operário, permitem acender e desligar automaticamente a iluminação de
ruas, os faróis, etc.
Tudo isto se tornou possível devido à invenção de aparelhos
especiais, chamados células fotoelétricas, em que a energia da luz
controla a energia da corrente elétrica ou se transforma em corrente
elétrica.
Uma célula fotoelétrica moderna consta de um balão de vidro cuja
superfície interna está revestida, em parte, de uma camada fina de
metal com pequeno trabalho de arranque. É o cátodo. Através da parte
transparente do balão, dita "janelinha", a luz penetra no interior dela.
No centro da bola há uma chapa metálica que é o ânodo e serve para
captar elétrons fotoelétricos. O ânodo liga-se ao pólo positivo de uma
pilha. As células fotoelétricas modernas reagem à luz visível e até aos
raios infravermelhos.
Nas empresas industriais uma célula fotoelétrica faz parar quase
instantaneamente uma prensa potente e de grande porte se, digamos, o
braço dum operário se encontrar, por casualidade, na zona de perigo.
Uma célula fotoelétrica permite reconstituir os sons registrados
nas películas do cinematógrafo.
Além do efeito fotoelétrico, dito efeito fotoelétrico externo, existe
também o chamado efeito fotoelétrico interno, próprio dos
semicondutores, muito utilizado, por exemplo, nas resistências
fotoelétricas, isto é, aparelhos elétricos cuja resistência depende da
intensidade da iluminação. Aplicam-se igualmente nos aparelhos
fotoelétricos semicondutores que transformam, de forma direta, a
energia luminosa em energia elétrica. Tais aparelhos podem servir de
fonte de corrente elétrica, permitindo avaliar a intensidade da
iluminação, por exemplo, em fotômetros. No mesmo princípio assenta o
funcionamento das pilhas solares, de que estão munidas todas as naves
cósmicas.
Normas do efeito fotoelétrico

Para se obter uma idéia mais completa sobre o efeito fotoelétrico é


necessário determinar de que é que depende o número de elétrons (foto
elétrons) emitidos, sob a ação da luz, por uma superfície e a velocidade
ou energia cinética desses elétrons.
Com este objetivo foram levadas a cabo investigações
experimentais, que passamos a descrever. Colocam-se dois elétrodos
num balão de vidro do qual se retirou previamente o ar. Num dos
elétrodos, através de uma "janela" de quartzo, transparente não só para
a luz visível como também para a radiação ultravioleta, incidem os raios
de luz.
Com a ajuda de um aparelho faz-se variar a diferença de potencial
entre os elétrodos, medindo-a por meio de um voltímetro. O pólo
negativo da pilha liga-se ao elétrodo iluminado. Sob a ação da luz, este
elétrodo emite elétrons que, ao movimentarem-se no campo elétrico,
cria corrente elétrica. Quando o potencial é pequeno, nem todos os
elétrons atingem o outro elétrodo. Se aumentar a diferença de potencial
entre os elétrodos e não se alterar o feixe de luz, a intensidade da
corrente aumenta, atinge o valor máximo, depois do que deixa de
crescer. O valor máximo da intensidade da corrente chama-se corrente
de saturação. A corrente de saturação é determinada pelo número de
elétrons emitidos num segundo pelo eletrodo iluminado.
Mudando, nesta experiência, o feixe luminoso, determinou-se que
o número de elétrons emitidos pela superfície do metal num segundo é
diretamente proporcional à energia da onda de luz, absorvida durante o
mesmo intervalo de tempo. Neste fato não há nada de inesperado, já
que quanto maior é a energia do feixe de luz, mais eficaz se torna a sua
ação.
Passa-se agora à medição da energia cinético (ou velocidade) dos
elétrons. Vê-se que a intensidade da corrente fotoelétrica é diferente de
zero mesmo quando a diferença de potencial é nula. Isto significa que,
mesmo na ausência de diferença de potencial, uma parte dos elétrons
atinge o elétrodo direto. Se alterar a polaridade da bateria, a
intensidade da corrente diminui até se anular, quando o potencial de
polaridade inversa atinge o valor máximo. Isto significa que os elétrons
emitidos são detidos e forçados a valor para trás, sob a ação do campo
elétrico.
O potencial de paragem máxima depende do valor máximo da
energia cinética que os elétrons emitidos atingem sob a ação da luz. A
medição do potencial de paragem e o teorema da energia cinética
permitem calcular energia cinética máxima dos elétrons:

Verificou-se experimentalmente que o potencial de paragem não


depende da intensidade da luz (energia transmitida ao elétrodo por
unidade de tempo). Não muda, portanto, também a energia cinética dos
elétrons. Do ponto de vista da teoria ondulatória, este fato é
incompreensível já que, quanto maior for a intensidade da luz, maiores
são as forças que se exercem sobre os elétrons por parte do campo
eletromagnético da onda luminosa e, portanto, mais energia deveria ser
transmitida aos elétrons.
Verificou-se experimentalmente que a energia cinética dos elétrons
emitidos sob a ação da luz só depende da freqüência da luz. A energia
cinética máxima dos fotoelétrons é proporcional à freqüência da luz e
não depende da intensidade desta. O efeito fotoelétrico não se verifica
quando a freqüência da luz é menor do que um dado valor mínimo,
dependente do material do elétrodo.

Colaborações

O ano de 1905 é considerado o "annus mirabili" da vida científica


de Albert Einstein. Ao longo deste ano ele publicou cinco artigos, três
dos quais revolucionaram a física. Entre estes se encontra sua
abordagem ao problema do efeito fotoelétrico.
Einstein tem contribuições importantes em quase todas as áreas
da física, mas, sem qualquer dúvida, suas contribuições mais chocantes
foram aquelas relacionadas com a teoria da relatividade restrita e com a
teoria da relatividade geral. No entanto, ao receber o Prêmio Nobel de
1921, o Comitê Nobel para Física da Academia Real de Ciências da
Suécia deu mais importância ao trabalho sobre o efeito fotoelétrico.
Literalmente, o prêmio foi concedido a Albert Einstein com a seguinte
justificativa: “Pelas suas contribuições à Física Teórica, mas
especialmente pela sua descoberta da lei do efeito fotoelétrico.”