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DARWIN X DARWIN

RAYOM RA
http://arcadeouro.blogspot.com
Sem dúvida que o darwinismo foi um maná da terra, pois a partir de
Charles Robert Darwin contando suas experiências nos cinco anos de
viagem a bordo do Beagle, e enviando amostras fossilizadas de
espécimes diversos e desconhecidos, a motivação sobre o assunto
aumentaria extraordinariamente. O que o passado teria deixado em
réstias indifusas a mostrar um estreito e curto caminho oposto à doutrina
religiosa e ao gnosticismo em geral, fora o legado de pensamentos
puramente filosóficos e oposições personalizadas de inquietos
racionalistas em perenes buscas de provas que jamais se bastavam. Não
haviam conseguido consagrar um roteiro que sustentasse com o
pensamento racional concreto as poucas provas materiais existentes, ou
vice versa, que encaminhasse as pesquisas para um rumo científico de
peso universal. Porém, Darwin, construiria exatamente o que eles
admitiam precisar, e nada mais apropriado provir de alguém nascido e
educado numa família religiosa.

Dos primeiros esboços do jovem Darwin, acerca de suas observações


em torno do mundo quando aos 30 anos, em 1839, publicaria “A Viagem
do Beagle”, que juntaria seus principais apontamentos do diário de
viagem e informações de suas cartas, até a publicação de “A Origem das
Espécies”, em 1859, portanto 20 anos depois, o alvoroço que tomaria
conta de biólogos, naturalistas, antropólogos, historiadores e de toda
uma gama de estudiosos, viria mais ainda notabilizar homens e obras.
Duas outras posteriores e marcantes obras, por Darwin, apareceriam mais
tarde, em l871, sobre “A Descendência do Homem” e “Seleção em
Relação ao Sexo”
O dogmatismo de Parmênides, Sócrates, Aristóteles e Platão, o caminho
da vontade divina pela geometria de Descartes, a fé incompreensível de
Spinoza, a separação entre os contrários - o abstrato e o racional do
matemático Leibnitz - o hinduísmo, o budismo, o gnosticismo, a vinda de
Cristo e tantas outras vozes e formas de demonstrar um só Ente Criador
ou Entes Criadores e Suas vontades superiores sobre todos os homens e
natureza, seriam agora sobremaneira revistas pelos aclamadores de uma
nova e nascente doutrina.

Essa mesma terra dogmática e misteriosa, cheia de absurdas mitologias,


de donos dos elementos e guardiões de segredos, de impérios do bem e
do mal, de poderes nunca vistos senão narrados por fábulas, de
inexistentes homens predestinados e enviados pelos donos do mundo,
agora perscrutada após milênios pela mente prospectiva e observadora
de um estudioso, mostraria, afinal, que os princípios da vida como
entendidos até aquela data, eram isto sim espontâneos e por si sós
competitivos, transformativos e evolucionários, começo, meio e fim deles
próprios sem qualquer intervenção divina. E tudo o que antes fora dito e
ensinado por pensadores, profetas e legisladores nada mais era,
definitivamente, que o produto de suas incríveis imaginações. Não
sobraria coisa alguma.

O passado longínquo fizera do homem um tolo genuflexo enganado por


ele mesmo diante de um falso pedestal, como falsa teria sido toda a sua
própria existência; mas aquelas histórias infantis e tacanhas tinham seus
dias contados, vindo finalmente ceder lugar a uma verdade muito mais
vigorosa e fértil, pois o homem nada mais fora nem nada mais era do que
um segmento, um fluxo natural e secundário das leis da natureza. Viera
de um ancestral comum. Todos os objetivos de sua peregrinação em
incontáveis e sacrificantes sagas de milênios, e suas esperanças numa
conquista pós vida terrena, neste justo e memorável instante para
entusiasmados céticos, materialistas e ateus, claro estava, se
desmantelavam.

E pouco mais tarde, uma nova tomada se reforçaria na mente científica,


retratada no simples esclarecimento de que os elos fundamentais do
homem começariam meramente numa bactéria, protozoário, ameba ou
organismo unicelular – autogerados – que por meiose ou cissiparidade,
manteriam a sua linha evolutiva viva, protegida por uma membrana
proteica, e após alguns milhões de anos, mais encorpada e estruturada
na organização pluricelular, já como anfíbio, daria a partida para a corrida
natural e evolucionista nas pistas agrestes de um planeta surgido do
nada. Este corpo celeste acéfalo, sem eira nem beira, que não se sabia
ainda exatamente como viera a existir, envolto e incorporado do
hidrogênio transformado em hélio, depois em carbono, dera ao homem a
sua primordial ancestralidade sem tutores, nem guias, sem um Pai ou
soberba inteligência divina sobreposta a tudo, a ele – antes gosma
gelatinosa - filho da orfandade, e parte indissociada de um processo
inconsciente, seletivo natural, emergente da água que também já existia.
Os princípios naturais apregoados por Darwin, longe de serem rejeitados
por todos, moldaram cada vez mais a obsessiva imaginação cética e de
religiosos sem fé que não percebiam ou não aceitavam no homem uma
alma criada no céu e manifestada na Terra pela vontade divina. Através de
Darwin, a ciência humana se consagrava e finalmente poderia provar que
a teoria formalizada por ele – diversa e oposta às de filósofos que
esgrimiam e se digladiavam com pujantes eloquências pelas supremacias
de seus pensamentos – era mais do que uma teoria abstrata e
inalcançável com pés e mãos. Pois ao contrário daquelas, esta era
tangível e sólida ao exceder-se das palavras, substanciando-se na lógica
concreta do raciocínio cerebral e na prova básica da existência de um
livro verdadeiro, cujas páginas seriam pouco a pouco reviradas da terra,
içadas das águas e laçadas do ar, para a luz de um maior conhecimento.

Com o darwinismo começava a era do ceticismo cientificamente correto,


mais organizado e apoiado sobre as ideias realistas da origem do homem
e das espécies. Darwin trouxera um tratado de ciências naturais que
avançava sobre a biologia, a zoologia, a geologia, a paleontologia e a
antropologia onde revelava um conhecimento detalhado das formas de
vidas e suas evoluções biogenéticas, modus vivendi e lutas pela
sobrevivência para a permanência como indivíduos, grupos, famílias e
espécies, e sem outro qualquer fator que não o instinto a gerar soluções
espontâneas.

Evidente que não se pode em nada desmerecer o árduo trabalho


investigativo de Darwin em suas viagens, nas observações pessoais,
conclusões nas pesquisas, e aproveitamento dos trabalhos realizados por
colegas dos diversos ramos da ciência. Ele cita com bastante frequência
os muitos autores de fontes de onde extraíra conhecimentos que lhe
permitiriam aditar conclusões e sentenças finais. Em certos momentos,
Darwin quase migra instantaneamente para a metafísica que não conhecia
ou evitava, mas se mantém fiel nos caminhos unicamente fisiológicos das
espécies.

Das ideias de Darwin, num tempo em que os estudos dos códigos


genéticos eram ainda embrionários, a ciência partiria sob nuvens de
novas descobertas e inevitáveis revoadas de enganos. Os achados de
numerosos fósseis municiariam paleontólogos para a remontagem da
origem do homem e a intenção de reafirmar que o ser humano descendia
indubitavelmente de um ancestral comum conforme rezava a cartilha
escrita e ilustrada por aquele talentoso pesquisador e seus companheiros
de revolucionária doutrina científica. Entretanto, o que se via na prática
eram as diversas voltas em torno da idéia original a se mostrarem com
um punhado de incertos e tortuosos rumos, cheios de armadilhas e
faltantes de um elo sequenciado. E ao invés de caminharem para adiante,
voltavam cada vez mais aos primórdios dos ciclos de um distante e
nebuloso passado sem jamais terem conseguido encontrar a verdade
conclusiva de absolutamente nada.

As controvérsias são a tônica de todo o edifício darwiniano sobre a


teoria da evolução espontânea das espécies e linha atávica do homem
moderno, em que pese os arrebatados pelos métodos científicos
afirmarem que a ciência esteja avançando sempre para o
recrudescimento de seus postulados acerca da origem material da vida.
No entanto, as outras correntes do cientificismo aberto, com pés mais
calcados no chão e com lógica consensual, comprovam, contrariamente,
os gritantes erros e comédicos desacertos de seus colegas. E nada sai do
campo da insossa teoria evolucionista legada por Darwin em relação ao
enigma do homem, opostamente ao que de início esperavam encontrar
em breve futuro os estonteados homens de ciência. Como resultado,
muito se discute de evidências que não se evidenciam, muito se fraudam
de montagens que não montam, e muito se afastam de postulados que
não postulam (ver A História Secreta da Raça Humana – Michael A. Cremo
e Richard I. Thompson onde dentre tantos desacertos, os autores também
se referem às desonestas juntadas híbridas de ossos macacóides com
ossos hominídeos para provar o que jamais existiu).

Sem a menor dúvida Charles Darwin foi um homem especial. A


dedicação e férrea vontade com que se meteu nessa longa e espinhosa
empreitada de uma vida inteira, para descobrir segredos dos reinos e
espécies e, principalmente, do homem, são dignas dos maiores
reconhecimentos e elogios. Poucos pesquisadores até então haviam se
lançado com tamanha coragem e desprendimento neste ingrato e
laborioso trabalho como faria Charles Robert Darwin com peculiar
energia.

Conforme conta sua biografia, Charles Darwin, o quinto descendente de


uma família de seis irmãos, nascera a 12 de fevereiro de 1809 em
Shrewsbury-Shrospshire, na Inglaterra. Filho de um médico, Robert
Darwin, e Susannah Darwin, Charles tivera a sorte de vir ao mundo numa
família de posses e com folgada situação econômica, tendo sido educado
dentro dos preceitos da religião anglicana que os familiares abraçavam.
Seu pai atendia aos pobres e num daqueles verões quando Darwin o
auxiliava foi mandado para a universidade de Edimburgo a fim de estudar
medicina, que afinal abandonaria por se revoltar contra os métodos
drásticos de tratamentos e cirurgias sem anestesias. Mais adiante, Darwin
se interessaria por botânica e mais tarde faria um curso de geologia.
Como seu pai achasse que ele poderia ser um pastor-clérigo, o mandou
estudar teologia. No entanto, para sua vida profissional aquilo não lhe
serviria para nada, e talvez animado pelas lições de botânica e estimulado
na imaginação pelo seu professor de taxidermia (*) Josiah Wedgwood, um
ex-escravo negro, que lhe passava muitas histórias cativantes sobre as
florestas da América do Sul - e também, possivelmente, embora ele
negasse, pela herança genética que traria de seu avô paterno na vocação
e vontade de aprender sempre mais sobre a vida natural, uma vez que
Erasmus Darwin, 1731 – 1802, médico, poeta e filósofo publicaria antes
um tratado sobre ciências naturais, em que esboçava a teoria da evolução
das espécies, segundo os caracteres observados - Darwin, aos 22 anos,
partiria numa viagem a bordo do Beagle, em que conheceria meio mundo,
incluindo em seu roteiro, claro, as Américas.
(*) (termo grego que significa "dar forma à pele"; é a arte de montar ou
reproduzir animais para exibição ou estudo. É a técnica de preservação
da forma da pele, planos e tamanho dos animais – wikipédia).

Conforme já nos referimos, na sua volta da viagem, mediante seus


achados fósseis que os enviava regularmente para a Inglaterra e cartas
que escrevia relatando o que pesquisava e aprendia, Darwin se tornou
figura famosa. No entanto, apesar de suas originais experiências “in loco”
durante sua longa viagem e pelas pesquisas que desenvolveria
posteriormente, Charles receberia muitas outras influências de amigos da
academia e de livres pesquisadores que gravitavam em torno de seu ciclo
de atividades, bem como se impressionaria com aqueles de quem lia e
relia as suas obras. Aquelas influências, ao longo de sua vida, sem
dúvida o ajudariam a direcionar o pensamento e o levariam finalmente a
apresentar publicamente suas conclusões que mais tarde o notabilizariam
como reformulador dos conceitos naturalistas das espécies e do homem.

A obra acabada teria o perfil e histórico de Darwin por aquilo que por
toda a vida vinha perseguindo e debatendo, mas foi igualmente notório o
fato de ter adicionado conclusões de outros pesquisadores, como de
Charles Spencer que consagrara antes de Darwin a expressão, a
sobrevivência do mais apto, em sua obra “Princípios da Biologia”, bem
como de Francis Galton seu primo, estudioso da natureza, que houvera
viajado para a África e observado algumas etnias negras. Galton
terminaria por escrever em 1869, a obra “Hereditary Genius”, e traria pela
primeira vez o termo eugenia, significando experiências nas relações
humanas para a melhoria física e mental das raças, que Darwin acabaria
por incorporar a idéia nos seus escritos, embora diluída e subtendida.

Sobre assuntos correlatos, temos aqui interessante artigo copiado da


Wikipédia:

“Alfred Russel Wallace, OM, FRS (Usk, País de Gales, 8 de janeiro de


1823 — Broadstone, Dorset, Inglaterra, 7 de novembro de 1913) foi um
naturalista, geógrafo, antropólogo e biólogo britânico.

Em fevereiro de 1858, durante uma jornada de pesquisa nas ilhas


Molucas, Indonésia, Wallace escreveu um ensaio no qual praticamente
definia as bases da teoria da evolução e enviou-o a Charles Darwin, com
quem mantinha correspondência, pedindo ao colega uma avaliação do
mérito de sua teoria, bem como o encaminhamento do manuscrito ao
geólogo Charles Lyell.[1]

Darwin, ao se dar conta de que o manuscrito de Wallace apresentava


uma teoria praticamente idêntica à sua - aquela em que vinha
trabalhando, com grande sigilo, ao longo de vinte anos - escreveu ao
amigo Charles Lyell: "Toda a minha originalidade será esmagada". Para
evitar que isso acontecesse, Lyell e o botânico Joseph Hooker - também
amigo de Darwin e também influente no meio científico - propuseram que
os trabalhos fossem apresentados simultaneamente à Linnean Society of
London, o mais importante centro de estudos de história natural da Grã-
Bretanha, o que aconteceu a 1º de julho de 1858. Em seguida, Darwin
decidiu terminar e publicar rapidamente sua teoria: A Origem das
Espécies foi publicada logo no ano seguinte.

Wallace foi o primeiro a propor uma "geografia" das espécies animais e,


como tal, é considerado um dos precursores da ecologia e da
biogeografia e, por vezes, chamado de "Pai da Biogeografia".

Este fato, entretanto, seria também contado de outra maneira, segundo a


qual Darwin teria copiado os mesmos argumentos de Wallace, pois a
correspondência de Wallace (algumas cartas) sumiu dos guardados de
Darwin que ele preservava com muito cuidado. Mais tarde, Don Ospavat,
um historiador, ao pesquisar documentos de Darwin na Universidade de
Cambridge, constataria que a idéia inicial de Darwin, em 1844, registrada
em seu pessoal rascunho, acerca da seleção natural, era bem diferente
daquela informada por Wallace, concluindo que Darwin a teria mudado
depois de ter conhecido a versão de Wallace.

Além das críticas da igreja contra suas ideias, Darwin teve de enfrentar
as oposições de alguns acadêmicos, a ira de leitores e as ironias e
deboches de cartunistas de jornais, que com frequência o ridicularizavam
apesar de a teoria da evolução não ter sido novidade e estar exposta na
obra de Jean Baptiste Lamarck, “A Fisiologia Biológica”, publicada em
1809.

Outra interessante história contada sobre Charles Darwin se refere aos


seus momentos de reclusão, que quando doente era visitado por uma
vizinha conhecida por Lady Hope, cujo nome seria Elizabeth Hope, que a
seguir reproduzimos segundo original em inglês da Wikipédia, com nossa
tradução:

John Collier's 1883 Portrait of Darwin (National Portrait Gallery) “A


história de Lady Hope, apareceria pela primeira vez num jornal americano
batista, o “Watchman Examiner” em 15 de agosto de 1915, precedida por
uma reportagem de quatro páginas sobre uma conferencia de verão,
acontecida em Northfield, que transcorreria de 30 de julho a 15 de agosto
naquele ano de 1915:

“Decorria uma daquelas gloriosas tardes do outono, que algumas vezes


nos deleitam na Inglaterra, quando fui convidada a entrar e sentar-me
com o conhecido professor Charles Darwin. Ele permaneceria quase
acamado por alguns meses até que lhe adviria à morte. Eu costumava
achar, sempre ao vê-lo, que sua altaneira figura ostentaria um grandioso
quadro em nossa Real Academia, mas nunca essa idéia pareceu tão nítida
como nessa particular ocasião.

Estava recostado na cama, vestido com um confortável roupão bordado,


de cor púrpura acentuada. Apoiado em travesseiros ele se perdia com
olhar distante nos longínquos cenários de árvores e campos de cereais
que refletiam a claridade de mais um daqueles maravilhosos pôr-do-sol
que são as belezas de Kent e Surrey. Sua face e suaves formas pareceram
emitir brilho de satisfação assim que entrei no quarto. Ele moveu a mão
em direção da janela apontando para adiante, enquanto com a outra
segurava uma bíblia aberta, que sempre estudava.

- O que está lendo agora? – perguntei-lhe enquanto me sentava próximo


à cabeceira da cama

- Hebreus – respondeu – ainda Hebreus. O Livro Real como o chamo.


Não é formidável? Colocando então o dedo em certas passagens, fez
comentários sobre elas.

Eu fiz algumas alusões das consistentes considerações de muitas


pessoas acerca da história da criação e sua grandiosidade, e os
comentários deles dos primeiros capítulos do Livro da Genesis.

Ele mostrou-se bastante consternado, seus dedos moveram-se


nervosamente, parecendo que uma agonia o tomara. Então disse:

- Eu era um jovem com ideias mal formadas. Lancei-me em inquirições,


sugestões, questionando-me todo o tempo sobre todas as coisas e para
meu espanto, as ideias se alastraram como fogo incontido. As pessoas
fizeram delas uma religião.

Ele fez pausa, e após umas poucas sentenças da “divindade de Deus” e


da “grandiosidade deste livro”, olhando a bíblia que a mantivera segura,
falou subitamente:

- Eu possuo uma casa de verão cercada por um jardim onde há espaço


para mais ou menos 30 pessoas. É para lá – apontou através da janela –
eu gostaria muito que você falasse. Eu sei que você lê a bíblia nas
aldeias. Amanhã à tarde eu gostaria que empregados das redondezas,
alguns locatários e vizinhos estivessem por lá. Você falará a eles?

- Sobre o que eu falaria?

- Cristo Jesus! – respondeu em voz clara e enfática, aditando em tom


baixo – e sua salvação. Não será o melhor tema? Então gostaria que
cantasse com eles alguns hinos. Você carrega seu pequeno instrumento,
não?

Jamais esquecerei o maravilhoso brilho e excitação que lhe tomaram o


rosto ao dizer-me isto, e acrescentou – se você se comprometer para as
três horas esta janela estará aberta e saberá que estarei junto nos
cânticos.

O quanto desejei pudesse retratar um quadro daquele fino homem e


coisas em redor naquele memorável dia!”

A família negou com veemência, inclusive se manifestando


publicamente, confirmando o agnosticismo de Darwin. Afirmavam que
Lady Hope jamais estivera com Darwin. Porém esta versão foi ajustada
para o fato de que em certa ocasião ela estivera no quarto com ele e sua
esposa, mas Darwin se encontrava sentado numa poltrona ao invés de na
cama, e nada disto fora conversado”.

Tudo é possível de ambos os lados. No entanto, Lady Hope inicia seu


relato dizendo que fora convidada a entrar no quarto de Darwin, não
mencionando por quem. Logo haveria outra pessoa no quarto ou fora o
próprio Charles Darwin, a sós, que a convidara?

E o que se poderia esperar do posicionamento da família? Imaginemos o


prejuízo que este fato não desmentido causasse a reputação de Darwin, à
sua família e à doutrina materialista por ele esposada. Portanto, o único
caminho, a plausibilidade líquida e certa por tudo o que envolveu a vida
científica de Darwin, seria sem dúvida o desmentido. A história, apesar de
tudo, espalhou-se, e o que se sabe é que em nada afetou a idolatria de
ardorosos céticos seguidores de suas ideias.

Rayom Ra

http://arcadeouro.blogspot.com.br

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