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Disciplina: Elementos Mecânicos de

União

Elementos de fixação e união.


Aula Junções por meio de Solda

1
Introdução
Numerosos e variados são os casos em que podem-se
utilizar as junções por meio de solda.
Materiais como Aço, Aço fundido ou ferro fundido
Ligas de cobre, de Alumínio e magnésio, ao níquel, ao
zinco, ao chumbo.
Mais recentemente, materiais termoplásticos artificiais
podem-se aplicar soldas.
As estruturas de Aço (edifícios, pontes, guindantes)
soldadas têm peso 20% menor que as rebitadas.
Na construção de caldeiras e de reservatórios, a solda
permite juntar as chapas topo a topo, evitando assim, as
incômodas sobreposições de chapas nos pontos a serem
rebitados e proporcionando uma certa redução do peso
da construção. 2
Vantagens das uniões soldadas (Em relação à união
arrebitada).
➢Eliminação de prendedores múltiplos. (Rebite)
➢ Melhor distribuição da carga na união.
➢ Melhor hermeticidade.
Desvantagens.
➢Possíveis mudanças metalúrgicas no metal base.
➢Possível necessidade de tratamento térmico para reduzir
tensões residuais remanescentes. (Concentradores de
tensões)
➢Necessidade de pré-esquentar as peças de grandes
espessuras.
➢Necessidade do controle de qualidade da costura quando
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se requer elevada confiabilidade.
Em gerais as Juncoes por meio de
soldagem classifica-se em:

• Solda Elétrica (arco voltaico e por


resistência).

• Solda Autógena (oxigeno-acetileno, etc)

• Solda por pressão (fricção, calor e


pressão, etc)
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Especificação.
As soldas são normalmente especificadas pela resistência á tração do
material utilizado, seguida de detalhes construtivos e das dimensões.
Como exemplo, a especificação da Associação Americana de Soldagem
(AWS) é:

No Brasil, a Associação Brasileira de Normas Técnicas recomenda a


especificação de forma semelhante a da AWS.
Por exemplo, de acordo com a norma AWS A5.1, uma
classificação do tipo E 6010 indica um eletrodo capaz de
depositar material com um limite de resistência de 60.000psi
(413,6 MPa) e que possui um revestimento celulósico, com
ligante a base de silicato de sódio, indicado para soldagem
em todas as posições com corrente contínua e o eletrodo no
polo positivo.

Lembrando que 1 PSI = 0,00689475728 MPa

Para os aços carbono, os eletrodos podem ser separados em


diferentes tipos em função das características de seu
revestimento, destacando-se: 6
7
Geralidades
As uniões soldadas são uniões permanentes empregadas
para fixar elementos e em ocasiões para obter hermeticidad
ou com fins estéticos, entre outros usos.
Geralidades
União soldada.

Notar o cordão de solda e metal de contribuição no site de união


dos metais
9
Geralidades

A união soldada se executa pela união de duas


ou mais peças de metal com aplicação de:

•Pressão mútua (caldeamento)


•Fusão mútua (soldagem por fusão )

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Critérios de Cálculo de Uniões Soldadas.

Resistência. É o critério fundamental de projeto. Depende das dimensões,


tipo e caráter da carga e qualidade da solda.

Rigidez. Este critério depende dos elementos a unir.

Hermeticidade. É um procedimento normalizado e se avaliza por provas de


pressão nos recipientes soldados qualidade da solda.

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CÁLCULO DO UNIÕES SOLDADAS

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Classificação para o cálculo
União por solda angular
União por solda a
topo

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Considerações para o cálculo

1) A área resistiva da união a topo se considera com a


menor espesura das peças que se unem.

Area = Smin  L

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Considerações para o cálculo

2) Considera-se como seção mais perigosa na união


angular soldada a garganta do cordão “a”.

Força
Configuração real do cordão

Configuração assumida pelo cordão

Superfície de corte do cordão

Area =  ai Li =  0,7  k i  Li 15


Considerações para o cálculo

3) Na união angular soldada, o cálculo se realizará


no plano que contém a figura (cara plaina) que
formam os cordões de solda, atribuindo a cada
cordão o largo da garganta “a”.

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Considerações para o cálculo
3) Na união angular soldada, o cálculo se realizará no plano que contém a
figura (cara plaina) que formam os cordões de solda, atribuindo a cada
cordão o largo da garganta “a”.

Superficie plaina
Superficie
plaina
Superficie plaina

Superficie
plaina

Superficie plaina Superficie plaina

Superficie plaina
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Exemplos de supérficie plaina.
Considerações para o cálculo

4) Forças aplicadas no centroide da figura dos cordões


soldados se distribuem uniformemente.

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Considerações para o cálculo

Fz
z =
A
Fx
x =
A
Fy
y =
A
19
Considerações para o cálculo
5) Os momentos carregam à união proporcionalmente à
distância aos eixos (fletor) ou centroide (torçor).

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Considerações para o cálculo

Mz
 xy Mz = ·
Io
My
 z My = ·x
Iy

Mx
 z Mx = ·y
Ix
21
Considerações para o cálculo

6) Um esforço geral () toma em consideração os esforços


normais e esforços tangenciais.

 = Z + X + Y
2 2 2

22
Considerações para o cálculo

7) Os esforços admisíveis [] são determinados em função do


metal aporte e um coeficiente de resistência da união.

Para uniões angulares:  = 0,6  RT  

Para uniões a topo cálculo a  = 0,9  RT  


tração:

Para uniões a topo cálculo a  = RT  


compressão: 23
Considerações para o cálculo
O coeficiente de resistência (V ) da união se avalia segundo:
1
= 1
(0,6·k   0,2) − (0,6·k   0,2)·r
Para cargas constantes: =1
1
=
Para cargas intermitentes: (0,6·k   0,2)
1
Para cargas alternativas simétricas: =
1,2  k 
Onde
K : Coeficiente de concentração de tensões.
r : Razão de ciclo ( r = min /max)
É usual K = 1,2 ..1,9 para uniões de tôpo e K = 2…4,5 para uniões angulares.
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Os maiores valores para aços ligados e os menores valores para aços ao carbono.
Considerações para o cálculo

Coeficiente de concentração de tensões (K).


Elementos Figura Aço ao Aço ligado
Carbono
Zona de transição de 1,5 1,9
uma junta a topo
Zona de transição de 2,7 3,3
uma junta normal
Zona de transição de 3,5 4,5
uma junta lateral
Zona de transição de 1,2 1,4
uma junta de tôpo
com penetração total
Juntas frontales em T 2,0 2,0

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Caso Geral

 = Z + X + Y
2 2 2

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Organização do cálculo
1. Definir a superficie plaina.

2. Determinar o centroide da superficie plaina.

3. Transladar as cargas ao centroide da superficie plaina.

4. Analisar a orientação dos esforços nos cordões para


predizer os pontos mais carregados.

5. Calcular os esforços.

6. Definir os de maiores esforços.

7. Determinar o esforço resultante e comprovar. 27


Cordão

28
Cordão

29
Cordão

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Modelos para união soldada de peças.

As principais configurações para a união de


peças metálicas por solda são apresentadas a
seguir.

Diversas outras configurações podem ser


encontradas na prática, mas as mostradas
permitem a análise de praticamente todas por
similaridade.
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Solda topo:
E a configuração mais simples para a soldagem de elementos metálicos.
E utilizado para unir as extremidades de dois elementos, como pinos, chapas
etc.
A figura mostra quatro arranjos para
esse tipo de soldagem.

Em (a) representa a pior configuração


possível, tanto em termos de
concentração de tensões como em
termos da mistura dos materiais,
levando a uma solda de características
Fig. 1. Solda a topo de resistência bem diferentes daquelas
das peças originais.
O arranjo mostrado em (b) serve para aumentar a área de contato entre a
solda e as peças, diminuir as tenções e é utilizado principalmente para a
soldagem em peças em um só dos lados.
Em (c) mostra a melhor configuração e é utilizado quando os passes de solda
podem ser dados de ambos os lados, o que uniformiza a solda quanto a
flexão e permite uma distribuição melhor da rigidez do conjunto.

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O arranjo em (d) é uma variação mais econômica do arranjo em (b).
Soldas paralela e transversal.

As figuras 2 e 3 mostram filetes de solda em dois arranjos diferentes:


paralelo e transversal, respectivamente. Na figura 2, os filetes de solda têm
sue eixo axial na mesma direção da aplicação da força. Já na figura 3, o eixo
das soldas é perpendicular a direção de aplicação da força. Daí vêm os
nomes de filetes paralelos e filetes transversais.

Fig. 2. Filetes de solda paralelos Fig. 3. Filetes de solda


para a união de chapas. transversais para a união de
chapas.

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Fig. 2. Filetes de solda paralelos Fig. 3. Filetes de solda
para a união de chapas. transversais para a união de
chapas.
Em ambos os tipos de arranjo, os filetes suportam a carga F e têm a
mesma largura.
No entanto, a carga nos filetes transversais AD e BC é de tração na parte
da solda em contato com a chapa superior e inferior.
Já no contato da solda AB e CD com a chapa superior e inferior, as
tensões são sempre de cisalhamento.
Arranjos como estes dificultam a definição da forma de projetar a união
soldada.
Para resolver isso, os órgãos de normalização propõem um procedimento
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padrão para o projeto de soldas.
Filetes em ângulo

A figura 4 mostra um filete de solda em uma viga soldada tipo T invertido.


Nessa figura, o filete é mostrado em destaque, á direita. A forma correta de
soldar está mostrada nesse destaque. No destaque da solda a esquerda, a
solda não preenche toda a espessura “t”, que é utilizada no
dimensionamento, sendo considerada uma solda de baixa qualidade.

Fig. 4. Filetes de solda em viga T invertida e detalhes mostrando a forma


correta de soldagem (a direita) e a incorreta (a esquerda).
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A necessidade de preencher adequadamente toda a espessura “t” vem do
procedimento normalizado de cálculo.

Os filetes de solda devem ser projetados sempre considerando o


cisalhamento da área formada por essa espessura e o comprimento do filete.

Assim, soldas onde a espessura não é adequadamente preenchida podem


estar sub-dimensionadas.

A medida “h” mostrada na figura 4, chamada de dimensão lateral ou perna


da solda, é a que deve ser especificada nos desenhos e instruções de
soldagem.

A espessura “t” pode ser calculada a partir de “h” ou vice-versa, pela


relação: t = 0,707 h
Em qualquer um dos casos apresentados nas figuras 2 e 3, os filetes de
solda devem ser dimensionados comparando-se a tensão de cisalhamento
das soldas, seja essa por escoamento ou tração, conforme especificado no
projeto.
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Calculo das uniões soldadas.

Solda a Topo e Filete

A figura mostra uma solda em


chanfro V carregada com uma
força F. Para ambas tensões ou
carregamentos de compressão, a
tensão média normal é:

Solda em chanfro

Onde
“h” é a garganta da solda e
“L” é o comprimento das solda, como mostrado na figura.
Note que o valor de h não inclui o reforço.
O reforço é desejável para compensar os defeitos, mas ele varia um pouco e
produz concentrações de tensão no ponto A da figura.
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Se existirem cargas que causem fadiga, é bom usinar o reforço.
A figura 6. ilustra um típico filete transversal de solda.

Tentativas de solucionar a distribuição de tensões em tais soldas, usando


métodos da Teoria da Elasticidade, não foram muito bem sucedidos.
Práticas convencionais da engenharia de solda tem sempre existido para
basear o tamanho da solda, sobre a magnitude da tensão na área DB da
garganta.

Onde L é o comprimento da solda.

Assim a tensão X é:
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Esta tensão pode ser dividida em dois componentes, a tensão de
cisalhamento  e a tensão normal . São essas:

Essas tensões são colocadas dentro de um diagrama de círculo de Mohr. A


maior tensão principal é vista como sendo:

2 2
F  F   F  F
1 = +   +   = 1,618
2Lh 2 L h  L h hL

A tensão de cisalhamento máxima é:

2 2
 F   F  F
 max =   +   = 1,118
2 L h  L h hL
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Entretanto, para propósitos de desenvolvimento é de costume basear a tensão
de cisalhamento na área da garganta e omitir a tensão normal completamente.
Assim a equação para a tensão média é:

É normalmente usada no desenvolvimento de juntas com soldas de filete.

Note que isto gera uma tensão de cisalhamento de 1.414/1.118 = 1.26 vezes
maior que o valor dado pela equação anterior.

Existem alguns resultados experimentais e analíticos que ajudam na avaliação


da carregamento de soldas em filete

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Questionário Aula 3

1. Mencione as Vantagens das uniões


soldadas em relação à união
arrebitada.
2. Mencione as Desvantagens das
uniões soldadas em relação à união
arrebitada.
3. Para o Elétrodo E 7010 indique o
limite de resistência.
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4. Complete os quadrados em branco:
5. Complete os espações em branco na
seguinte afirmação: a união soldada se
executa pela união de duas ou mais peças
de metal com aplicação de:
__________________________________ e
__________________________________.
6. Explique os três critérios de cálculo
das uniões soldadas.

43
7. Complete:

44
8. Na união angular soldada, o cálculo se
realizará no plano que contém a figura
(cara plaina) que formam os cordões de
solda, atribuindo a cada cordão o largo
da garganta “a”. Complete:

45
9. Escreva os 7 passos para a organização
do cálculo das junções soldadas.

10. Responda verdadeiro ou falso segundo


_____Um esforço geral () que
corresponda no caso do cálculo de uniões
soldadas:
em consideração os esfo
_______ Um esforço geral [] que toma em
normais e esforços
consideração os esforços tangenciais:
normais e
tangenciais:
 =  Z + X +Y
2 2 2

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_____Os esforços admissíveis [] são
determinados em função do metal aporte
e um coeficiente de resistência da união.
Para uniões angulares:   = 0,6  RT 
Para uniões a topo cálculo a tração:
  = 0,9  RT 
Para uniões a topo cálculo a
compressão:   =  RT 
47
Muito obrigado

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49
Tabela 1. Carregamento transversal e paralelo de soldas em filete ou ambos
tipos de carregamento.

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Torção nas Juntas Soldadas.

A figura 7 ilustra uma viga em balanço com


solda de comprimento L a uma coluna por 2
filetes de solda, força de cisalhamento V e um
momento M. A força cisalhante produz
cisalhamento primário nas soldas de valor:

Onde
A é a área da garganta de todas as soldas.

O momento no apoio produz cisalhamento secundário ou torção nas soldas e


esta tensão é dada pela equação:

Onde
r é a distância do centróide do grupo de soldas ao ponto da solda de interesse
J é o segundo momento polar de inércia do grupo de soldas em relação ao c.g.
do grupo.
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A figura mostra duas soldas em um grupo. Os retângulos representam a área
da garganta das soldas.
A solda I tem uma largura da garganta de b1 = 0,707.h1
e a solda II tem uma largura da garganta de b2 = 0,707.h2

A área da garganta das duas


soldas juntas é:

Esta é a área que é para ser usada na equação seguinte.

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Assim o segundo momento polar de área da solda I em relação a seu próprio
centróide é:

De uma maneira similar, o segundo momento polar de área da solda II em


relação ao seu centróide é:

Agora, usando o Teorema dos Eixos Paralelos, nós encontramos o segundo


momento polar de área do grupo de solda como sendo:

Esta é a quantidade a ser usada na equação seguinte.

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EXEMPLO: Uma carga de 50kN é transferida de um encaixe soldado a um
canal de aço de 200mm como ilustrado na figura. Calcule a tensão máxima
na solda.

(a) Indique os fins e cantos de cada solda com letras. Às vezes é desejável
indicar cada solda por um número. Veja a figura.

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(b) Calcule a tensão de cisalhamento primária ´. Como mostrado na figura,
cada parte é soldada ao canal por meio de três filetes de solda de 6mm. A
figura mostra que nós dividimos a carga pela metade e estamos
considerando somente uma parte. Do caso 4 da tabela 2 nós encontramos a
área da garganta sendo:

3
V 25 (10)
Então, a tensão de cisalhamento primária é: I = = = 19,5 MPa
A 1280
(c) Desenhe a ´, em escala, para cada canto ou fim marcado por letra. Veja
a figura.

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(d) Localize o centróide da solda do exemplo. Usando o caso 4 da tabela
2, nós achamos:

Isto é mostrado como o ponto O na


figura.
(e) Encontre as distâncias ri.

(f) Ache J. Usando o caso 4 da tabela 2 novamente, nós obtemos:

57
(g) Encontre M: M = F.L = 25 (100 + 10,4) = 2760 kN.mm

(h) Calcule a tensão de cisalhamento


secundária ´´ em cada fim ou canto com
letra.

(i) Desenhe ´, na escala, em cada canto e fim. Veja a figura 12. Note que este é o
diagrama de corpo livre de uma das partes laterais, e conseqüentemente ´ e ´´
representam o que o canal está fazendo com a parte (através das soldas) para
manter a parte em equilíbrio.

(j) Em cada letra, combine as duas componentes de tensão como vetores. Isso dá:
42,3MPa
45,4MPa

(k) Identifique o ponto que sofre maior tensão: 58


Esforços Normais
 Fz Mx
 z Fz =  zMx = ·y
y Fy A Ix
Mx My
Fx  zMy = ·x
Iy
Fz
Mz Esforços Tangenciais

My Fx
 x Fx =
A  Mz
x xyMz = ·
Fy Io
 y Fy =
A 59
xMz= xy.cosФ Esforços Tangenciais

Ф yMz= xy.senФ

Fy
Ф X = xMz + xFx
Fx

Mz

Y = yMz + yFy

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 Z =  zFz +  zMx +  zMy

Y = yMz + yFy

X = xMz + xFx

 = Z + X + Y
2 2 2

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