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Universidade Católica de Moçambique

Instituto de Educação à Distãncia

Turma: B – Sala Virgem Mária

A Convivência Política entre os Homens

Nome.: Emilia Caetano Rafael – Código: 708204050

Curso: Licenciatura em Administração Pública


Disciplina: Introdução a Filosofia
Ano de frequência: 2º Ano

Docente: José Frederico

Quelimane, Julho de 2021


Índice

1. Introdução......................................................................................................................................3
1.2.1. Objectivo geral.......................................................................................................................4
1.2.2. Objectivos específicos............................................................................................................4
1.3. Metodologia...............................................................................................................................4
2. Revisão da Literatura......................................................................................................................5
Unidade 18: A Convivência Política entre os Homens...........................................................................5
2.1. Introdução à Filosofia Política: Noções Básicas..............................................................................5
2.1.1. A Relação Entre a Filosofia Política e a Política..........................................................................6
2.1.2. A Dimensão Sociopolítica do Homem..........................................................................................6
2.1.3. Relação Entre a Ética e Política....................................................................................................7
2.2. Estado/Nação...................................................................................................................................8
2.2.1. Elementos do Estado....................................................................................................................9
2.2.2. A Soberania Moçambicana: Símbolos e Órgãos Nacionais..........................................................9
2.2.3. Antigos Chefes do Estado Moçambicano...................................................................................10
2.3. Direitos Humanos e Justiça Social.................................................................................................10
2.3.1. A história da luta política pelos Direitos Humanos.....................................................................11
2.3.2. As quatro (4) características dos Direitos Humanos...................................................................11
2.3.3. O Empenho Ocidental Pelos Direitos Humanos
a) Aluta pelos Direitos Humanos na Inglaterra.....................................................................................12
2.3.4. Estado de Direito e Suas Funções...............................................................................................14
2.3.4.1. Funções do Estado...................................................................................................................14
2.3.5. A Participação Política dos Cidadãos.........................................................................................15
3. Conclusão.....................................................................................................................................17
4. Bibliografia...................................................................................................................................18

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1. Introdução

O presente trabalho surge no âmbito da filosofia política que tem como tema “política entre os
homens”, Termo de origem grega resultante da junção de duas palavras: "philos" e "sophia".
A primeira significa amigo, o que deseja ou procura. A segunda significa sabedoria, saber,
conhecimento. Neste sentido, a filosofia diz respeito à actividades própria daqueles que
amando ou desejando o saber, se envolvem na descoberta do conhecimento da realidade. Na
Grécia dava-se o nome de filosofia aos homens que, movidos por interesses intelectuais
desinteressados, procuravam compreender a realidade existente. O saber que iam adquirindo,
assim como a totalidade dos conhecimentos obtidos nas suas investigações recebia igualmente
a designação de filosofia.

A convivência política é um aspectos intrínseco à vida em sociedade, principalmente a partir


do momento em que as sociedades se desenvolveram. De acordo com a ótica filosófica, a
política diz respeito ao especto público apresentado, pois é a partir dela que, com ajuda da
comunicação, as pessoas construirão sua noção de realidade, cada uma com sua contribuição.
Desta forma, todo especto público apresentado pelo ser humano pode ser considerado
político.

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1.2. Objectivos

1.2.1. Objectivo geral


 Analisar investigação filosófica que se ocupa da política e das relações humanas
consideradas em seu sentido colectivo

1.2.2. Objectivos específicos


 politica e filosofia, a relação entre filosofia e política e ética política
 Definir o conceito de política e demonstrar a sua importância para a convivência entre
os homens; - Explicar a relação que existe entre o poder e a força;
 Explicar a variedade do conceito de legitimidade do poder;
 Identificar as características principais da democracia grega e contemporânea;
 Explicar o significado da personificação do poder;
 Identificar as principais características da democracia, bem como as suas fragilidades
(ou riscos);
 Explicar a relação que existe entre democracia e cidadania; - Identificar e explicar os
campos do exercício democrático;
 Identificar as principais formas de violência e a sua relação com a política;
 Demonstrar os benefícios da paz e os males da guerra como violência extrema;

1.3. Metodologia

Tendo em conta os principais objectivos definidos para a investigação, pode-se considerar a


presente pesquisa como sendo a pesquisa bibliográfica foi feita a partir do levantamento de
referências teóricas já analisadas, e publicadas por meios escritos e eletrônicos, como livros,
artigos científicos, páginas de web sites

A pesquisa bibliográfica utiliza fontes constituídas por material já elaborado, constituído


basicamente por livros e artigos científicos localizados em bibliotecas. A pesquisa documental
recorre a fontes mais diversificadas e dispersas, sem tratamento analítico, tais como: tabelas
estatísticas, jornais, revistas, relatórios, documentos oficiais, cartas, filmes, fotografias,
pinturas, tapeçarias, relatórios de empresas, vídeos de programas de televisão, etc. (Fonseca,
2002, p. 32).

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2. Revisão da Literatura

Unidade 18: A Convivência Política entre os Homens

2.1. Introdução à Filosofia Política: Noções Básicas


O conceito da “Política” tem a sua origem na palavra grega “Polis” que significa “Cidade”.
Assim etimologicamente a política é “a arte de governar a cidade.” Na Antiga Grécia,
“Política” traduzia-se normalmente, por República – para designar a organização, o regime
político, a constituição de uma cidade soberana, de uma comunidade ou Estado com
individualidade e autonomia própria.

Para Aristóteles (384 – 322 a.C.) todo o Homem é político. Para, ele a política – é a arte de
governar, ou seja, é ciência do governo.

Assim, a Política pode-se definir como o conjunto de acções levadas a efeito por indivíduos,
grupos e governantes com vista a resolver os problemas com que depara uma colectividade.

O conceito da política está ligado ao conceito de poder. Tradicionalmente segundo Thomas


Hobbes (1588 -1679), o poder “são os meios adequados a obtenção de qualquer vantagem.”
Para Bertrand Russel, o poder é “o conjunto dos meios que permitem alcançar os efeitos
desejados.”

Além do domínio da Natureza, o poder é usado no domínio sobre os outros homens, sendo
assim, não é um fim em si mesmo, mas um meio para obter vantagens, é a posse dos meios. O
poder usa a força, a coerção.

O poder também pode ser definido como uma relação entre dois sujeitos, em que um impõe
ao outro a sua própria vontade e lhe determina o comportamento.

Segundo Norberto Bobbio, existem três (3) formas de poder: poder económico – assenta nos
bens; o poder ideológico – determina o comportamento do individuo através dos sacerdotes,
pastores, líderes, etc.; e o poder político – que constitui e institui órgãos que exercem a
governação de um território.

Ciência Política – é a análise sobre factos políticos relacionados com o acesso a titularidade,
o exercício e o controlo do poder político.

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2.1.1. A Relação Entre a Filosofia Política e a Política
Filosofia Política – é o ramo da Filosofia que visa a fundamentação da ideia de organização
dos homens que vive em sociedade. É a actividade racional e critica à razão política.

A relação existente entre a Filosofia Política e a Política é que a primeira ocupa-se dos
problemas de origem de Estado, a sua organização, a sua forma ideal, a sua função e o seu fim
específico, os princípios gerais e a natureza da acção política e as suas relações com a moral, a
forma do exercício político em cada época histórica. A Filosofia procura compreender,
iluminar e esclarecer os conceitos de justiça, de bem comum, de Estado, de tolerância, de
sociedade e até o próprio conceito de política.

Desde modo, as decisões políticas devem ser sempre objecto de investigação filosófica antes
de serem implementadas. Desde a tradição clássica, a Política é uma ciência que exerce o seu
domínio do conhecimento pratico e é de natureza normativa, estabelecendo os critérios de
justiça e de bem governar e examinar as condições sociais as quais o homem pode atingir a
felicidade (o bem-estar) colectiva ou na sociedade.

O Filósofo Político – é alguém que analisa criticamente a sociedade (aspectos positivos e


negativos) e aponta soluções filosóficas, por isso, em algumas sociedades, não são bem vistos
os filósofos pelos governantes, pois são considerados como perturbador da sociedade.

Em suma, a relação entre a Filosofia Política e a Política é análoga a da Ética e da moral,


sendo a primeira é uma reflexão sobre a segunda.

2.1.2. A Dimensão Sociopolítica do Homem


O Homem enquanto ser sociocultural integrado na comunidade (família, clã, etnia,
associação, e, neste caso, comunidade política), não se pode realizar como individuo
isolado dos outros Homens. Ele precisa viver em sociedade e é o único que pode criar regras
do grupo pela via da violência ou não, para a ordem estabelecida.

A sociedade surge para o Homem como um todo, já organizado e estruturado na qual ele se
integra e se realiza. No entanto, a dimensão social identifica-se com a dimensão política,
mas entre elas distinguem-se em: a existência social (dimensão social) - é mais rica e mais
abrangente do que a dimensão política, pois envolve muitas outras formas (dimensões) de
existência humana, incluindo a dimensão política. É a dimensão social, que nos seus múltiplos
aspectos explica, cria, contesta, transforma o poder político (dimensão política) gerando
mecanismos de fuga e de libertação.
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A dimensão política - é uma das formas históricas que assumiu a existência social organizada
em varias dimensões da vida social deixando-se absorver pela lógica da dominação e os seus
mecanismos de muitas desinteligências, muitas arbitrariedades, muito abuso de poder. Neste
contexto, resulta a tensão entre a dimensão social e a política que exige da Filosofia, reflexões
sobre a Ética da Política.

Portanto, a dimensão social é constituída por tudo aquilo que torna a vida de uma
comunidade uma relação real entre os seus membros. A dimensão política, pelo contrário, é o
âmbito das relações formais mediadas pelas instituições, vazias de vida e exteriores aos
indivíduos. O político, é a forma alienada da existência social. Surge assim a imperiosa
necessidade de juízos éticos-morais nas decisões políticas.

Toda a actividade política deve ser questionada, por exemplo: Seria eticamente numa
situação de crise a política ignorassem a moral e o direito? Que tipo de equilíbrio deverá
existir entre a autoridade política e a liberdade individual dos cidadãos? Que tipo de relação
pode existir entre a autoridade e a tolerância?

2.1.3. Relação Entre a Ética e Política


A Ética Política – é uma disciplina da Filosofia que reflecte, procura construir e iluminar as
decisões ou acções políticas com base nos princípios da moralidade com vista ao bem comum
em função da dignidade humana.

O vínculo entre a Política e a Ética significa que as qualidades das leis e do poder depende das
qualidades morais dos cidadãos e vice-versa, isto é, a acção política de basear-se em
princípios morais, ou melhor da Ética.

A dimensão política radica na natureza social do Homem, do seu “ser-com-os-outros”. O


individuo tem necessidade da comunidade, das normas e das instituições que as asseguram e
asseguram a vida e a convivência entre todos.

Assim surge a Política como necessidade social do Homem para estabelecimento da ordem,
assegurar a paz, a tranquilidade, a justiça, o bem comum onde a Política é um agir que
dispõe de meios em relação aos fins e pensa nos fins em relação aos meios. Numa decisão o
individuo pode escolher entre varias possibilidades de comportamento ou de acção porque é
na articulação entre os meios e os fins que o político pratica desinteligências e arbitrariedades.

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É aqui onde o Político entra em conflito com o individuo e o social, surgindo assim, o apelo à
dimensão Ética. A Ética é o fundamento da Política, pois os deveres do Estado são os
direitos dos cidadãos. O verdadeiro fim da Ética é procurar iluminar as decisões e as acções
políticas para que possam ser moralmente correctas com base no princípio de moralidade.

Sendo assim, a Ética, é a ciência básica sobre a qual a Política se ergue enquanto garante
jurídico-institucional dos princípios éticos da liberdade, da igualdade, da justiça e da
dignidade humana.

Segundo Aristóteles o que une a Ética e a Política é o conceito de justiça. A Ética e a


Política são dois aspectos da mesma acção. Para Aristóteles, “a acção do político deve visar,
como supremo objectivo, não apenas assegurar o funcionamento da cidade ou da
comunidade, mas, para além disso, garantir a felicidade e o bem-estar efectivo dos cidadãos.
Em última instância, a política deve orientar-se por critérios racionais de acordo com a
natureza dos Homens. O funcionamento da vida social não pode estar em desacordo com a
natureza da alma humana; o bem comum não pode contradizer aquele bem que é próprio da
existência humana racional; o bem propriamente humano, o bem moral.”

Em suma, a Ética e a Política encontram-se e referenciam-se mutuamente na busca comum do


bem: na Ética, do “mais alto bem”, e na Política, do bem comum da justiça.

2.2. Estado/Nação
a) Estado – é o organismo político-administrativo de uma nação. É dirigido por um governo
próprio e constitui-se como uma pessoa jurídica de direito público internacionalmente
reconhecido. O Estado é o conjunto de todos os elementos que envolvem uma sociedade
organizada: a população, território, governantes, a constituição, a soberania.

b) Nação – é a comunidade natural de homens reunidos no mesmo território com mesma


origem, os costumes e a língua (no sentido clássico).

c) Sociedade – é o Estado ou a união dos homens ou dos animais que vivem sob as mesmas
leis, ou pela mesma origem para atingir os mesmos fins.

d) Soberania – é uma autoridade superior que não pode ser limitada por nenhum poder, e o
poder absoluto e perfeito de um a república que goza de liberdade e poder para atingir o bem
comum.

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2.2.1. Elementos do Estado
A política implica o poder e este poder é exercido numa sociedade ou Estado com toda sua
complexidade.

a) População – é o número de pessoas que habitam num determinado território. É designado


de povo, no sentido natural – a massa popular, multidão; e no sentido político – é a
população de um Estado que obedece as mesmas leis.

b) Governo – é a acção de dirigir um Estado. É o conjunto de pessoas com cargos oficiais no


Estado. Aí encontramos os governantes e os governados.

b.1. Governante – é qualquer funcionário publico que assume cargos de direcção que dirige
uma instituição pública. Segundo Pedro A. Neves (1977), “os governantes são aqueles que
definem a política e linhas de orientação, impõe normalmente a sua vontade como
mandatários legitimados pelo sufrágio universal.”

b.2. Governados - são todos aqueles que são dirigidos, que obedecem as leis traçadas,
normas e lutam para atingir o mesmo fim.

c) Constituição – é a Lei Magna (Lei mãe) de onde derivam as leis particulares de um país, a
lei fundamental de um Estado. É a estrutura de uma comunidade política organizada, é a
ordem necessária que deriva do poder soberano e dos órgãos que o exercem.

d) Território – é o espaço geográfico no qual o Estado exerce seu poder de governo. Um


território é constituído por espaço aéreo, mar territorial, superfície terrestre e pelo subsolo.

2.2.2. A Soberania Moçambicana: Símbolos e Órgãos Nacionais


A República de Moçambique é um Estado independente reconhecido internacionalmente à 25
de Junho de 1975, livre do regime colonial português.

Símbolos Nacionais da República de Moçambique (o Emblema, a Bandeira e o Hino


Nacional).

a) O Emblema Nacional - contém como elementos centrais: um livro, uma arma e uma
enxada dispostos em cima do mapa de Moçambique que representam: o livro (a educação); a
arma (a luta de resistência ao colonialismo, a Luta Armada de Libertação Nacional e a defesa
da Soberania); a enxada (o campesinato); o sol nascente (a nova vida em construção); a roda
dentada (a industria e o operariado); as plantas de milho e de cana-de-açúcar (a riqueza
agrícola) e a estrela (representa a solidariedade entre os povos).
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b) A Bandeira Nacional – tem cinco cores: Vermelha (representa a luta de resistência ao
colonialismo; a Luta Armada de Libertação Nacional e a defesa da soberania); a Preta (o
continente africano); Verde (a riqueza do solo); Amarela-dourada (a riqueza do subsolo) e a
Branca (a paz).

Junto a talha, encontra-se um triângulo isósceles de cor vermelha dentro do qual há uma
estrela, a arma AK-47, o livro e a enxada, com os mesmos significados da bandeira.

c) O Hino Nacional – chama-se “Pátria Amada”.

2.2.3. Antigos Chefes do Estado Moçambicano


a) Samora Moisés Machel – torna o primeiro Presidente da República Popular de
Moçambique independente desde 1975, e morre a 06/11/1986 em Mbuzine, na África do Sul,
num acidente de aviação.

b) Joaquim Alberto Chissano – ascendeu como segundo Presidente da República Popular


de Moçambique de 06/11/1986 à 2004. É de recordar que com a nova Constituição (a
segunda) de 1990, Moçambique torna um país multipartidário e democrático, e Joaquim
Chissano é eleito como primeiro Presidente da República de Moçambique democrático
(1994 - 2004).

c) Armando Emílio Guebuza – segundo Presidente da República de Moçambique


democrático (2005 - 2014).

d) Actualmente, Moçambique é governado pelo Presidente Felipe Jacinto Nyusi. Cada


presidente eleito tem pelo direito consagrado na Constituição de cinco (5) anos num mandato,
podendo fazer dez (10) anos.

2.3. Direitos Humanos e Justiça Social


a) Direito – é aquilo que é conforme a uma regra precisa, é o que é permitido ou autorizado
por lei.

b) Direitos Humanos – são conjuntos de princípios essenciais á existência humana condigna,


apela ao reconhecimento mútuo entre os homens enquanto seres de direito. É o conjunto de
regras ou normas ou relacionamento entre os homens.

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Do ponto de vista jurídico, distingue-se um direito positivo (que resulta das leis escritas) e o
direito natural (que resulta da natureza dos homens e das suas relações independentemente
de qualquer legislação).

O Homem possui direitos inalienáveis como o direito a vida, inviolabilidade física, liberdade
e justiça, inviolabilidade psicológica, etc.

A Declaração do Direitos Humanos foi adoptada pela ONU a 10 de Novembro de 1948, ela
foi elaborada por John Piter Humphre do Canadá mais com ajuda de outras pessoas do
mundo como: EUA, França, China, Líbano, etc.

Justiça Social – é a distribuição justa de rendimentos ou riqueza de acordo com as


necessidades e capacidades das pessoas (noção económica). A Justiça Social está ligada aos
Direitos Humanos porque onde não há justiça social não há direitos.

Segundo John Rawls na sua obra “Teoria de Justiça” diz que a justiça é a primeira virtude
das Instituições Sociais… e devem (as instituições e as leis) ser reformadas ou abolidas se
forem injustas. Rawls defende ainda que a liberdade individual deve ser preservada e não
deve haver restrições a esta quando está em causa o benefício de outros. Para Rawls, a justiça
social consiste na inviolabilidade da pessoa humana.

2.3.1. A história da luta política pelos Direitos Humanos


O que Locke desenvolveu como resultado da sua concepção do Contrato Social foi a teoria
do Estado de Direito, que se baseia no reconhecimento dos Direitos Humanos, na separação
de poderes e nas eleições livres como os três pilares fundamentais da democracia.

A actual compreensão dos Direitos Humanos, baseia-se nas concepções de natureza do


Homem e da sociedade humana provenientes do iluminismo. Os Direitos Humanos são,
segundo a doutrina do direito natural, inatos; pois eles não são uma dádiva de qualquer
organização ou instituição, visto que eles existem muito antes de o Homem estar ligado aos
conceitos de “sociedade”, de “economia”, de “Estado” e de “religião”.

2.3.2. As quatro (4) características dos Direitos Humanos


1ª. Eles são universais – dizem respeito a todos os indivíduos;

2ª. Eles são individuais – o individuo como homem livre é o seu portador, não o grupo,
associações ou corporações de sociedades estratificadas. O indivíduo não chega ao direito

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através da integração no seio da sua classe, categoria ou grupo social, mas possui, assim,
como indivíduo, como pessoa singular os seus direitos.

3ª. São anteriores ao Estado – pois resultam da natureza humana. O Estado só pode
reconhecer e não outorgá-lo. A Constituição apenas declara-os, mas não os cria.
. 4ª. Em função da sua origem e carácter
individual – são um direito de reivindicação perante o Estado a liberdade pessoal por ele
reconhecida e declarada.

Portanto, os Direitos Humanos não são endereçados ao próximo nem à sociedade, mas sim, ao
Estado: Direitos Humanos significam o dever de o Estado não usurpar ilegalmente as
liberdades do Homem.

2.3.3. O Empenho Ocidental Pelos Direitos Humanos


a) Aluta pelos Direitos Humanos na Inglaterra
A génese da ideia moderna dos Direito Humanos encontra-se na Magna Charta Libertatum
de 1215, na Inglaterra, quando os barões impuseram ao rei um julgamento legal depois de
uma detenção. O rei viu-se obrigado a não permitir a detenção ou a punição ilegal de
qualquer homem livre.

A Petition of Rights de 1628, a Habbeas Corpus Amendment Act de 1679 e a Bill of Rights
de 1689 deram continuidade a protecção do Homem contra a usurpação ilegal dos seus
direitos pelo Estado.

a.1. Na Petition of Rights, exigiram-se e instituíram-se:

- A abolição dos impostos arbitrários;

- A abolição das detenções arbitrárias;


- A abolição de tribunais militares excepcionais.

a.2. A Habbeas Corpus Act – concedeu a protecção das leis perante a subtracção da liberdade
do Homem e continha uma série de prescrições sobre procedimentos legais. O juiz tinha de se
decidir dentro de 48 horas sobre a duração de uma detenção.

a.3. Com a Bill of Rights promulgada pelo parlamento inglês, fundou-se na Inglaterra
soberania do parlamento.

O rei tinha de reconhecer os seguintes direitos:

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- Liberdade de opinião no parlamento (o parlamento gozava ainda de imunidade);

- Eleições livres dos membros do parlamento;

- Julgamento justo e público das pessoas acusadas de crime, por um corpo de jurados;
- Remetimento das petições ao rei, abolição dos castigos bárbaros e redução das multas
excessivamente altas.

a.4. Com a Settlement Act de 1700, foi concedida a independência judiciária, com a qual se
executava um largo passo em direcção ao Estado de Direito.

b) A luta pelos Direitos Humanos na América

As teorias de John Locke e o exemplo da Carta Inglesa dos Direitos, influenciaram o mundo
ocidental. Os ingleses que haviam emigrado para a América criaram a sua própria
democracia, baseadas nas ideias desenvolvidas na Inglaterra. Esses colonos ingleses
recorreram especialmente a filosofia de John Locke quando tiveram de se defender da tutela
do Parlamento de Londres. Eles consolidaram essas ideias na Bill of Rights do Estado de
Virgínia.

A Bill of Rights de Virgínia continha aspectos como os direitos inatos à vida, à liberdade e
à propriedade e determinações sobre a separação de poderes, eleições democráticas e
garantia de protecção legal dos cidadãos perante a privação da liberdade. No mesmo
documento, foram também garantidas a liberdade de imprensa, a liberdade religiosa e o
direito do povo à reforma da Constituição.

Na história das constituições, a ideia de que os Direitos Humanos resultam da natureza


humana foi pela primeira vez exprimida na Bill of Rights de Virgínia, com as seguintes
ideias: “Todos os homens são por natureza igualmente livres e independentes, e detentores
determinados direitos inerentes, dos quais, ao ingressarem na sociedade, não podem por
nenhum pacto despojas ou excluir a sua posterioridade, ou seja, o gozo da vida e da
liberdade, com os meios de aquisição e posse da propriedade, da busca e obtenção da
felicidade.”

*Moçambique tem uma experiência na matéria constitucional como o esforço da observância


e implementação dos Direitos Humanos, tais como: .
- A Constituição de 1975;
. - A Constituição de 1990; .
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- O Acordo Geral de Paz de 1992;
. - As primeiras
eleições multipartidárias de 1994; .
- Conselho Constitucional: a sua organização, a sua composição e as suas funções;
. - A constituição de 2004;
. -A
existência de muitos partidos políticos em Moçambique.

Portanto, desde a Independência, Moçambique teve três Constituições da República:


- As Constituições de 1975, de 1990 e de 2004

2.3.4. Estado de Direito e Suas Funções


Estado de Direito – é aquele em que o poder é exercido segundo a lei. Todos os membros
desta sociedade estão submetidos na mesma lei a respeito pela hierarquia das normas,
separação de poderes e pelos direitos fundamentais.

Segundo artigo 3 da Constituição da República de Moçambique (edição 2008) define “A


República de Moçambique é um Estado de direito, baseado no pluralismo de expressão, na
organização política democrática, no respeito e garantia dos direitos e liberdades
fundamentais do Homem.”

A Constituição moçambicana, no artigo 2 define ainda, para além de direitos e deveres, a


soberania e símbolos nacionais: .
“1. A soberania reside no povo. .
2. O povo moçambicano exerce a soberania segundo as formas fixadas na Constituição.
3. O Estado subordina-se a Constituição e funda-se na legalidade...”

Uma das garantis de Estado do Direito é a divisão do poder:

a) Poder legislativo – formula e aprova as leis, está ligado ao parlamento que é a expressão
da vontade do povo. .
b) Poder executivo ou administrativo – executa as leis. É exercido a partir do Presidente da
República, seus ministros, governadores até ao ultimo homem com o poder de direcção
reconhecida.

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c) Poder judiciário – os juristas aplicam as leis ocupando-se do Direito e da Justiça. Julgam
todos aqueles que não agirem em conformidade com as leis nos Tribunais através dos juízes
de direito ou singulares ou por magistrados.

*No Estado de Direito ninguém está acima da lei. A lei reina para todos os indivíduos.

2.3.4.1. Funções do Estado


O Estado tem o dever de cuidar os seus cidadãos e estes também têm suas obrigações para o
Estado. De modo geral, existem três (3) funções do Estado: a segurança, justiça e bem-estar
- condição física e psicológica que caracteriza o equilíbrio das actividades orgânicas e um
correto ajustamento do indivíduo ao seu meio ambiente (habitat).
A teoria de Duguit acolhe certo consenso no seio do Estado Moçambicano. Ele define três
(3) funções básicas para o Estado, nomeadamente:
. a) Função legislativa
– consiste na prática dos actos-regra ou regulamentação de toda a Filosofia da vida da
sociedade, e é exercida pelo Parlamento ou Assembleia Nacional em alguns países.
b) Função administrativa ou executiva – normalmente é exercida pelo governo, consiste em
assegurar o funcionamento dos serviços públicos.
c) Função jurisdicional – consiste na resolução pelo Estado de uma gestão de direito que lhe
é submetida e na decisão que assegura a eficácia dessa resolução.
As três funções não estabelecem uma fronteira rígida entre si no seu funcionamento, pois, o
artigo134 da Constituição de Moçambique (2008) dita o seguinte: “Os órgãos de soberania
assentam no princípio de separação e interdependência de poderes consagrados na
constituição e devem obediência à constituição e às leis”.
A finalidade última e a razão da existência do Estado é promover o bem comum (conjunto
de condições fornecidas pelo Estado para que as pessoas possam satisfazer seus desejos de
paz, justiça, segurança e solidariedade).
As funções do Estado podem ser analisadas a partir de duas perspectivas fundamentais:
a) Funções jurídicas ou – criação do Direito (função legislação - ) e função executiva.
b) Funções não Jurídicas – função política (escolha de meios para obtenção do bem
comum) e função técnica (produção de bens de prestação de serviços).

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2.3.5. A Participação Política dos Cidadãos
Péricles defende a participação política dos cidadãos nos assuntos políticos como membros
de uma comunidade organizada, pois para ele “o homem que não participa da política, não é
um cidadão tranquilo, ele é inútil.”

Segundo Pasquino, “a participação política é um conjunto de actos e de atitudes que


espiram a influenciar de forma mais ou menos legais as decisões dos detentores de poder ou
em organizações particulares com o propósito de manter ou modificar a estrutura do sistema
de interesses dominantes.”

O problema político é de toda sociedade, então o cidadão deve participar porque a vida é
condicionada pela política. A política é o mecanismo de resolução de conflitos.

Para Jurgen Habermas (1929), “o espaço político é o lugar onde o cidadão discute ideias
para o bom funcionamento da sociedade”. Outra forma de participação política é a formação
e participação cívica do cidadão através dos partidos políticos.

Partido Político – é um agrupamento de indivíduos unidos por ideias e actividades comuns


com vista a consecução de certos fins ou eleição de funcionários para o Estado.

Eleição – é a escolha por meio de sufrágio ou votos de partido ou de pessoas para ocupar um
cargo ou desempenhar certas funções. O partido eleito toma o poder e implementa o seu
programa legitimado pelo povo.

No cômputo geral, a forma mais tradicional de participação política do cidadão é através dos
pleitos eleitorais filiação nas associações de carácter político, religioso. Cultural e económica
como se indica nos artigos 52 e 74 da Constituição da República de Moçambique (edição de
2008).

O n.º 1do artigo 53 afirma “Todos os cidadãos gozam da liberdade de constituir ou


participar em partidos políticos.” E o seu no n.º 2 indica que “A adesão a um partido político
é voluntária e deriva da liberdade dos cidadãos de se associarem em torno dos mesmos
ideais políticos.” E o artigo 73, fixa o sufrágio universal como forma mais tradicional de
participação no exercício de poder político.

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3. Conclusão

A convivência política entre os homens ocorre de forma natural no dia a dia; a política


baseia-se nas relações de poder entre os indivíduos em todas as esferas, desde uma conversa e
decisão de um grupo de amigos até o parlamento de um país.

O tempo todo ocorre a convivência política, pois os homens buscam influenciar e são
influenciados uns pelos outros. O pilar básico da política trata-se das relações de poder.

Até mesmo na hora de decidir o destino de uma viagem entre familiares ou o tema de um
trabalho na escola as pessoas praticam a política; pois buscam convencer os outros sobre suas
ideias.

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4. Bibliografia

Bobbio, N. (2000). Teoria geral da política: a filosofia política e as lições dos clássicos.
Tradução de Daniela Beccaccia Versiani. 11. ed. Rio de Janeiro: Elsevier.

Feitosa, C. (2004). Explicando a Filosofia com Arte. Rio de Janeiro: Ediouro.

Lima Vaz, H. (2002). Escritos de Filosofia VII: Raízes da modernidade. São Paulo: Loyola.

Lima Vaz, H. (2014). A Convivencia Politica entre os Homens. São Paulo: Loyola.

Lima Vaz, H. C. (1988). Democracia e dignidade humana. Belo Horizonte: Revista Síntese.

Ribeiro, E. (2014). Filosofia para pensar e viver. Cultura e Fé . Revista de humanidades.

Vieira, L. V. (2006). A democracia com pés de barro: o diagnóstico de uma crise que mina
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