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COLONIZAÇÃO DO SOLO ESPÍRITO SANTENSE

23 de maio de 1535
23 de maio de 2011
476 anos de aniversário da colonização.

Portugal após 30 anos do descobrimento do Brasil, tem início a


preocupação em colonizá-lo, pressionado pelo ataque pirata que vinham em
busca do pau-brasil. Então em 1531, autorizado pelo rei, D. João III, Martin
Afonso de Souza, comandando uma poderosa esquadra, chegou a
Pernambuco, com a tarefa de combater a pirataria e estabelecer núcleos de
povoamento. Sem recursos suficientes para patrocinar a colonização o rei
de Portugal aceitou a sugestão de dividir o Brasil em capitanias que
deveriam ser distribuídas a quem tivesse interesse e condições para
colonizá-las.
Voluntariamente apresentaram-se os 12 primeiros candidatos,
oriundos de famílias de guerreiros, navegantes, gente da corte, dispostos à
arrojada empreitada, e entre eles estava Vasco Fernandes Coutinho.
Em 1534 o rei D. João III decidiu dividir o Brasil em 15 capitanias
hereditárias assim chamadas porque seriam pedaços de terras governados
por capitães-mores e que passaria de pai para filho.
Assim, em 1º de junho do ano de 1534, o fidalgo Vasco Fernandes
Coutinho recebeu por Carta de Doação e Carta Foral a Capitania do
Espírito Santo. Após vender os seus bens, o donatário embarcou na
caravela Glória, juntamente com outros colonizadores portugueses, no
intuito de governar a capitania.
Eles não eram tão nobres. Eram fidalgos portugueses, mas nada de
tão poderosos. Como estavam sendo distribuídas as sesmarias, a do
Espírito Santo coube ao Vasco Fernandes Coutinho. Ele chega em 1535, a
bordo da caravela Glória e desembarca inicialmente aos pés do Monte do
Moreno.
No entanto, a chegada da nau no dia 23 de maio de 1535, na Prainha
em Vila Velha, foi marcada por um cenário de guerra e resistência por
parte dos nativos que ali viviam. Eram índios Aimorés, entre Botocudos e
Puris, conhecidos pela suas selvagerias e receberam os portugueses com
flechadas e só desistiram quando os colonizadores revidaram com tiros de
canhão e outras armas de fogo.
Passado o primeiro confronto, Vasco Fernandes Coutinho ergue o
Fortim do Espírito Santo, uma cerca feita de troncos de árvores, a fim de
proteger os colonizadores das tribos indígenas.
Dessa forma, surge o primeiro núcleo populacional da capitania,
denominada Vila do Espírito Santo.
A Vila povoada por aproximadamente 60 colonizadores, consistia em
quase 30 casas e uma igreja. O verde da região deu lugar à agricultura e à
pecuária, predominando a produção de milho. Porém os constantes ataques
indígenas deram fim à vila, o que levou os portugueses a abandoná-la. Mas
no dia 13 de junho de 1535, após explorar os arredores da ilha, os
colonizadores descobriram uma grande ilha (atual Ilha de Vitória) dando-
lhe o nome de Ilha de Santo Antonio, em comemoração ao dia do santo
católico.

Em 1537, Vasco Fernandes Coutinho doou a Ilha de Santo Antonio a


Duarte de Lemos, um dos homens de sua comitiva de colonizadores. Entre
os presenteados, Jorge de Menezes ficou com a primeira ilha junto a Barra
(Ilha do Boi) e Valentim Nunes com a atual Ilha do Frade.
Assim foi iniciada a povoação na Ilha de Vitória. Duarte de Lemos
instalou-se na parte alta da ilha, fazendo construir em sua fazenda, ao lado
da residência, uma igrejinha para cultuar Santa Luzia.
Porém com a partida do donatário para Portugal por volta de 1550, a
ilha de Santo Antonio ficou abandonada. As famílias de colonos, alojadas
na vila do Espírito Santo, fugindo dos ataques indígenas, passaram a
habitar a ilha de Duarte de Lemos, que lhes oferecia segurança e gurita
estratégica.

A ECONOMIA NA CAPITANIA

A primeira vila capixaba foi erguida por ordem de Vasco Fernandes


Coutinho, aos pés do Morro do Moreno. Na área foram construídas cabanas
simples e plantaram-se sementes trazidas de Portugal. Em 1550, devido a
acordos comerciais com Portugal e Angola foi aberto um armazém
alfandegado em Vila Velha, e daí começam os primeiros passos da
economia do Estado.
A economia capixaba surgiu com forte presença da agricultura item que
permanece como parte importante das divisas capixabas até os dias atuais.
No princípio do período colonial, nós temos gêneros como a cana de açúcar
sendo a que mais gera riquezas para Portugal e para o Brasil. Mas a
produção não é tão suficiente como era, por exemplo na capitania de
Pernambuco. Houve por isso, um deslocamento do eixo econômico para
outros produtos, como o café, que até hoje põe o nosso Estado em
evidência diante do Brasil.
A RELIGIÃO
O Cristianismo.
A primeira missão foi construir a Igreja do Rosário. A idéia de erguer
o símbolo do Cristianismo fazia parte de um convênio assinado pelos
portugueses com a Santa Sé para difundir o cristianismo no mundo. E foi
ao redor da Igreja do Rosário que a Vila do Espírito Santo foi sendo
construída. Foram por apenas 15 anos que a cidade ficou sendo a capital, já
que em 1550 a Ilha de Nossa Senhora da Vitória se tornou sede do Estado.
A mudança surgiu da necessidade de defender a sede do território dos
constantes ataques de índios, dos franceses e dos holandeses. Outro
problema enfrentado pelos portugueses na vila do Espírito Santo era o
abastecimento de água potável, e a presença da Fonte Grande em Vitória
foi um dos fatores decisivos para a mudança de sede do governo.
Depois da morte do donatário, em 1561, a colonização do solo Espírito
Santense acompanhou a extensão do litoral por aproximadamente 300 anos.
A ocupação do interior aconteceu do sul para o norte, sendo ocupado por
parte da população do norte do Estado do Rio de Janeiro e do sul do
Espírito Santo, deixando traços marcantes na economia até os dias atuais.
E ainda tivemos a contribuição dos imigrantes europeus e seus
descendentes no período pós guerra, sendo que o grande exemplo que
podemos citar é com relação a ocupação da nossa região serrana que
praticamente foi desbravada pelos europeus e seus descendentes, como
aconteceu nos municípios de Domingos Martins, Marechal Floriano,
Santa Leopoldina, Santa Maria do Jetibá, Santa Tereza e outros, que
contribuem com a lavoura cafeeira, hortaliças e outras espécies tais como
cereais e frutas.

A CONTRIBUIÇÃO JESUÍTICA PARA A CAPITANIA

A Companhia de Jesus, em terras brasileiras, em 1549, sob o


comando do Padre Manuel da Nóbrega com o objetivo de difundir sua ação
missionária – a cristianização dos nativos apresenta-se em solo capixaba
por volta de 1551 com o Padre Afonso Brás. Ele fundou o Colégio São
Tiago, o primeiro da capitania (atualmente o Palácio Anchieta), Em 25 de
julho de 1551, Padre Afonso Brás foi substituído pelo Padre Brás
Lourenço, e no período foram fundadas as localidades de Serra, Nova
Almeida e Santa Cruz, Mas o Padre Brás Lourenço não obteve resultados
satisfatórios na catequese do gentio em sua permanência por cerca de dez
anos, sendo substituído pelo Padre Manuel de Paiva.

OS ÍCONES DA PRESENÇA JESUÍTICA


O Frei Pedro Palácios, foi o primeiro a difundir o evangelho para o gentio
da capitania do Espírito Santo e empreendeu a construção no alto do
rochedo, essa foi aprimorada e conhecida como a ermida da Penha, sendo
novamente reformada em 1637, tornando-se convento, vindo a adquirir a
forma atual do convento da Penha em fins do século XVIII.
O maior desafio jesuítico na capitania do Espírito Santo, gira em
torno da figura do Padre José de Anchieta, o grande referencial, visto que
ele esteve ligado diretamente as questões políticas da capitania, dentre
essas a sucessão do donatário após a morte do segundo Vasco Fernandes
Coutinho em 1589, na qual assumiu Luisa Grimaldi. Além de ter exercido
o papel de destaque na catequese dos índios, como fundação da Missão de
Reritiba em 1579, com uma população indígena estimada em 7000, além de
atividades literárias durante o tempo que passou no Espírito Santo, como a
elaboração de uma gramática da língua brasílica, produzindo em pouco
tempo, importante material para o ensino do Tupi-Guarani entre os jesuítas.
Os jesuítas também se dedicaram a exploração mineralógica, em busca de
pedras preciosas, principalmente esmeraldas, sendo que os seguidores do
Padre Inácio Siqueira tendo conseguido um alvará formaram uma
expedição entrando pelo sertão em 1636 e atingindo o atual Estado de
Minas Gerais que naquela época pertencia a capitania do Espírito Santo.

A COTRIBUIÇÃO DOS AFRICANOS

Um seguimento populacional de grande importância na formação do


capixaba, nota-se na presença do negro desde o século XVI, tendo como
áreas de concentração no norte: São Mateus, no centro: Vitória e no sul
Cachoeiro do Itapemirim. Estando a concentração no litoral concomitante
ao estabelecimento das fazendas e aldeias de jesuítas como centros de
abastecimento das demandas internas de gêneros alimentícios da capitania
e de catequese, ou seja, negros trabalhavam ao lado dos índios.

PERSONAGENS IMPORTANTES

Em todos países, estados, cidades, vilas, bairros e até avenidas e ruas


existem personagens que passam para a história pelos atos que praticaram.
E no Espírito Santo não poderia ser diferente, e podemos citar alguns, tais
como:
- Vasco Fernandes Coutinho – O primeiro donatário e iniciador do
povoamento do território, ao fundar a cidade de Vila Velha.
- Frei Pedro Palácios – Irmão leigo franciscano, fundador do convento da
Penha em Vila Velha.
- Araribóia – Cacique da tribo temiminó, que partiu de Vitória com 200
índios para ajudar a expulsas os franceses do Rio de Janeiro.
- Padre José de Anchieta – Missionário jesuíta, catequizador de índios,
poeta e escritor de peças teatrais que mais se destacou na sua época
- Maria Ortiz – Foi uma jovem capixaba, que aos 22 anos de idade, ajudou
a expulsar os holandeses que atacavam Vitória em 1625.
- Domingos José Martins – Personagem capixaba que se destacou pela
participação como líder na Revolução Pernambucana, em 1817 que já
pretendia a independência do Brasil. Foi fuzilado em Salvador em junho de
1817.
- Escravo Elisário – Que ficou famoso por chefiar a principal revolta de
escravos do Espírito Santo, a Insurreição de Queimados em 1849.
- Caboclo Bernardo – Pescador que ajudou a salvar a tripulação do navio
da Marinha de Guerra do Brasil, Imperial Marinheiro, que naufragou perto
da foz do Rio Doce, na madrugada de 7 de setembro de 1887, e tantos
outros anônimos.

FONTES DE PESQUISA

- História do Espírito Santo


- Historiadores:
- Flávia de Cássia Gonçalves
- Frei Jaboatão
- Celso Perota
- Leonor de Araújo Santana