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O Retorno de Bebês e Crianças para as unidades educacionais no pós-

pandemia – Apoio para o planejamento de retorno

Gama, Vanessa Brasileiro e Cruz, Luciana – 1ª Edição - São Paulo


– Ampliare Educacional

Bibliografia
ISBN 978-65-991449-0-5

1. Introdução/2. Retomando a Rotina/ 3. Protocolos para o


retorno/ 4. Acolhendo os Bebês/ 5. Acolhendo Crianças/ 6.
Acolhendo as Famílias/ 7. Considerações finais/ 8. Referência
Bibliográfica
AUTORAS
Luciana Cruz
Va n e s s a B ra s i l e i r o G a m a
ILUSTRAÇÃO
Maria Luiza Siqueira
Mariana Brasileiro Rocha

REVISÃO
Guilherme Nicolleti
1. Introdução 05

2. Retomando a rotina 07

3. Protocolos para o retorno 16

4. Acolhimento aos Bebês 26

5. Acolhimento às Crianças 28

6. Acolhimento às famílias 30

7. Considerações finais 31

8. Referências Bibliográficas 33
Esta publicação tem o objetivo de encontrar um lugar singelo
para apoiar gestores escolares, educadores e famílias na retomada das
atividades no pós-pandemia em função da COVID-19.

Viver esse período histórico, único e desafiador, nos trouxe


uma série de exigências e prospectar o retorno às unidades educacionais é
também parte desse processo que inclui esperançar e planejar. Os materiais
aqui contidos não têm a pretensão de direcionar a um único caminho, são
sugestões, por isso carecem de olhar cuidadoso e flexibilizações que
abarquem as necessidades de cada bebê, criança, família, professor, gestor.

Esperamos que essas ideias possam contribuir para o


acolhimento e para a retomada harmoniosa que a infância merece e tem
por direito.
Boa leitura!

05
FORMAÇÃO DAS
EQUIPES DOCENTES

COMUNICAÇÃO COM
AS FAMÍLIAS

PROTOCOLOS PARA O
RETORNO

RESGATE DAS
VIVÊNCIAS DO
PERÍODO DE
ISOLAMENTO SOCIAL
Até o momento da escrita desta publicação estamos há 90
dias longe das unidades educacionais e das pessoas que as compõem.
Sabemos que o retorno, embora esperado, trará inúmeros desafios e
que será preciso considerar como essa crise impactou as
peculiaridades que nos tornam humanos: a saúde mental, às relações
afetivas, os modos de lidar com medos, angústias, ansiedade. Esse
momento vai dar novos contornos ao acolhimento e convivência com
bebês, crianças e famílias e ao cotidiano das unidades escolares.

Considerar todos esses fatores e articular um trabalho


voltado para a retomada responsável é papel dos coletivos e aqui
reunimos algumas ações que podem ajudar neste movimento.

08
Defendemos que os maiores e mais potentes componentes
formativos advém das práticas cotidianas. As relações diárias e
permanentes revelam que essas práticas são objetos de conhecimento
sobre os quais o professor pode e deve pensar para avançar. Nesse
sentido, sugerimos que os Coordenadores Pedagógicos, principais
interlocutores na formação docente, projetem ações, primeiramente
relacionadas às prerrogativas de preservação à vida e, em segundo
plano, a um período de acolhimento dos profissionais com base na
consolidação de diálogos para a construção de memórias do grupo e
nas premissas que remontam o “projetar o futuro”.
Assim, vale tomarmos como referência o conceito
“progettazione”, da Pedagogia Italiana (EDWARDS; GANDINI; FORMAN,
2016), que aponta para a necessidade de a(o) professora(or) refinar
ainda mais o trabalho em relação ao que bebês e crianças: como se
expressam? Como descobrem coisas nas situações planejadas para
favorecer as experiências? Como interagem? Tão relevante quanto
pensar nessas perguntas é considerar como o professor incorpora em
seu planejamento as nuances compreendidas no trato com bebês e
crianças.

09
O conceito de progettazione pode ser traduzido da
seguinte forma:

“ O currículo é visto como decorrente das


observações dos professores sobre ideias e os
interesses das crianças, mas também é
elaborado conforme o que os professores
pensam que poderá contribuir para o
crescimento delas. Portanto, os professores e
crianças constroem juntos um plano flexível.
Progettazione é, assim, um processo dinâmico
baseado na comunicação que gera
documentação e é reciclado por ela. (GANDINI;


EDWARDS, 2002, p. 154).

10
Planejar pautas flexíveis que permitam aos professores falar
sobre suas angústias, medos e expectativas para o retorno às
unidades educacionais, de modo que assim consigam revelar
e valer-se do “poder” desses momentos, poderá trazer
elementos para planejar as formações dos professores. Ao
mesmo tempo, essas pautas podem prever projeções do
planejamento do trabalho junto a bebês, crianças e famílias.

P A U TA S U G E R I D A

Objetivos gerais:

- Discutir estratégias para o retorno às unidades educacionais pós-covid;


- Refletir sobre o papel do professor nesse retorno;
- Encaminhar decisões coletivas com a comunidade educativa.

Público: Professores da Educação Infantil

Tempo: 50 minutos

Modalidade: Virtual ou presencial

Materiais: Texto de leitura inicial, Aplicativo Meetoo (para reunião


virtual), Painel e tarjeta (para reunião presencial),

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S U G E S TÃ O D E P A U TA

Leitura Inicial Proposta 3: Semeando ideias


5 min 20 min
Objetivo: Sensibilizar o grupo, abrindo espaços para Objetivo: Levantar necessidades para o retorno das
tecerem comentários e construírem significados para o atividades presenciais.
texto lido.
Dividir os participantes em grupos e cada um vai
Proposta 1: Entendendo o contexto levantar ações para as frentes elencadas abaixo:
10 min
- Acolhimento dos bebês e crianças;
- Acolhimento às famílias;
Objetivo: Levantar, com o coletivo, ações que podem
- Cuidados no retorno;
potencializar o processo de retomada das atividades
- Reorganização das rotinas dos bebês e crianças.
presenciais.
Apresentar três questões para os participantes
Se você está fazendo sua reunião on-line, proponha
responderem:
que os grupos discutam por vídeo-chamada ou
- Quais minhas angústias/inseguranças para o
chamada coletiva em áudio. Para isso já divida os
retorno das atividades escolares?
professores e antes da reunião crie esses grupos
- Quais minhas esperanças para o ano de 2020?
temporariamente.
- O que eu aprendi com o distanciamento social?
Cada grupo deve eleger um orador/redator, que ao
Se você está fazendo a reunião presencialmente, peça
final da discussão vai explicar as ações que pensaram e
que os participantes escrevam uma resposta em cada
se responsabilizar pelo registro escrito.
tarjeta e cole no mural abaixo de cada pergunta ( não
precisa se identificar).
Ao final de todas as apresentações, cada grupo ficará
Se a sua reunião está acontecendo on-line, você pode
responsável por sistematizar e/ou desenvolver as
utilizar o aplicativo MeeToo, que permite a interação
orientações para as ações pensadas, e apresentar na
dos participantes em tempo real. Neste caso cada
próxima reunião coletiva de formação.
pergunta deve ser lançada de cada vez e o formador
deve direcionar um tempo para resposta. Você
também pode anotar as respostas para comentá-las de
maneira mais simples
Proposta 4: Avaliação
Proposta 2: Socializando as respostas 5 min
10 min
Atividade 4: Avaliação – Tempo 5´
Objetivo: Acolher, refletir, apoiar e buscar soluções Objetivo: Fazer com que os participantes avaliem o
conjuntas diante das expectativas e angústias dos momento formativo
participantes. Desenvolvimento: A avaliação pode ser feita por meio
de enquete ou verbalmente, faça de 4 a cinco
Leia as respostas dos participantes e vá comentando de perguntas objetivas sobre as impressões dos
forma tranquila e imparcial os posicionamentos. Neste participantes relacionadas ao encontro.
momento o formador pode utilizar frases que encorajem
os participantes na retomada das atividades, com os
devidos cuidados, evite frases como: “Esse medo é
infundado , “não há o que se fazer, vamos ter que voltar”.
Frases, como: “Dará tudo certo”, “estamos juntos com
vocês para apoiá-los”, “as crianças precisam de vocês
fortalecidos emocionalmente”, confortam e aproximam
os participantes neste momento de incertezas. 12
As Cem Linguagens da Criança: Reggio Emilia Carolyn
Edwards, Lella Gandini e George Forman.
Oferece importantes reflexões as aprendizagens das crianças baseadas
nas relações, no contexto social e cultural.

Afinal, O Que Os Bebês Fazem no Berçário? – Comunicação,


autonomia saber-fazer de bebês em um contexto de vida
coletiva - Paulo Fochi.
A obra fala sobre quais ações dos bebês emergiam de suas experiências
em contextos de vida coletiva e que impactos as mesmas criam nas
práticas docentes dos adultos responsáveis.

O Dia a Dia das Creches e Pré-Escolas – Crônicas brasileiras


Ana Maria Mello.
Práticas pedagógicas realizadas em diferentes creches e pré-escolas
brasileiras podem servir de modelo afirmativo para aqueles
estudantes que ainda desvalorizam o trabalho com a primeira
infância. Fácil de ler, mas profundos por dar a voz a outros
professores.

Educação infantil: Saberes e fazeres da formação de


professores - Luciana Esmeralda Ostetto.
Esse livro discute os saberes e fazeres de educadoras em formação. Em
seu contato com o cotidiano das creches, elas analisam as propostas de
trabalho com diferentes grupos etários, abordam suas experiências e
refletem sobre o processo que estão vivendo, sempre em diálogo com
profissionais, crianças e famílias.

13
A perspectiva do professor:

Sempre foi relevante considerar os processos das experiências,


das interações e dos projetos pedagógicos que circundam bebês e crianças.
Sabemos que é por meio de uma gama de ofertas que os pequenos podem
levantar hipóteses, expressar pensamentos e formular perguntas. Logo, é
possível afirmar que nesse período pós isolamento social será ainda mais
imprescindível que os professores estejam atentos às gestualidades,
expressões, comportamentos além, é claro, dos depoimentos orais, pois
esse é o “lugar” de valiosos indícios para o planejamento das ofertas.

Observar e registrar - usando diferentes meios serão fazeres


primordiais desse período. Será preciso buscar um planejamento que
envolva a escuta, a observação, a pesquisa e os registros que evidenciem os
interesses dos bebês, das crianças e das (os) professoras (es), para alimentar
as escolhas feitas diariamente, ao mesmo tempo que são alimentadas pelas
relações que vão se estabelecer na prática.

14
Buscar meios para favorecer os registros, deixando os
professores livres para pensar na “forma” pode colaborar para que os
fatores observados possam incidir nos planejamentos futuros. Abaixo é
possível ver um exemplo de possibilidade de registro:
Quadro 1: Sugestão de protocolo de registros

PROTOCOLO DE REGISTRO

Turma: Data:

Possibilidades de
O que ofereci e
Bebê/Criança O que observei? usar o que observei
como?
em projeções futuras

“Vou oferecer
prendedores para
Pega os blocos e facilitar a junção das
tenta juntá-los peças. Colocarei em
Blocos cilíndricos
para seguir sua mesa livros com
enfileirados sobre
construindo imagens de torres
a mesa.
bases para as para que ela analise
Maria Luiza
torres, mas formatos e bases
Consigna: Montar
desiste porque para a construção.
com um colega
eles se soltam e Sugerir que trabalhe
uma torre.
ela não consegue com Anselmo que já
juntá-los. usa diferentes
estratégias para
juntar as peças”

Encaminhamentos:

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OS TEMPOS
◼ Será necessário flexibilizar os horários e trabalhar em esquema de
rodízios? Como fazer isso de maneira harmônica internamente? Quais
elementos considerar: horários de alimentação, banho, brincadeiras,
uso dos espaços da Unidade que antes eram compartilhados?

◼ Quanto tempo haverá para cada uma das ações e como podemos
achar brechas para não interromper as construções infantis?
Sugestão: Ex. é possível criar bancadas nos espaços para que os
projetos pessoais das crianças possam ter continuidade em diferentes
momentos? Ao trabalhar com massinha, blocos, pinturas, elas podem
repousar as produções nessas bancadas e assim retomá-las quando e
se desejarem;

◼ Outra maneira de romper as imposições do tempo é a oferta de


uma multiplicidade de contextos para que bebês e crianças sigam
escolhendo a que se dedicar e decidindo seus próprios tempos em
cada uma das ações. Considerar que, do ponto de vista do
protagonismo, nem todas as crianças precisam fazer as mesmas coisas
ao mesmo tempo;

◼ Anunciar para bebês e crianças que em breve a vivência se


encerrará para que se organizem com relativa calma, ao invés de
aguardar o término do tempo destinado à ação para fazer esse
anúncio – não raras vezes observamos turmas de pequenos sendo
surpreendidas nos espaços com a chegada de novas turmas, novos
colegas que chegam para iniciar suas jornada de exploração no
parque, por exemplo;
17
ESPAÇOS FÍSICOS

◼ Em função do uso que as crianças fazem dos bebedouros, por vezes


encostando a boca nas saídas de água, sugerimos interditar o uso desse
aparelho. A unidade educacional pode fornecer copos descartáveis ou
solicitar que cada criança traga seu copo e a água pode ser servida em jarras
devidamente higienizadas. As garrafinhas nesse período também são pouco
recomendadas, visto que as crianças podem emprestar para o colega.

◼ Será essencial a aquisição de sabonete líquido e/ou álcool em gel (70%),


para a correta higienização das mãos.

◼ Será igualmente importante criar protocolos para a limpeza e desinfecção


das superfícies das salas e demais espaços (cadeiras, mesas, maçanetas,
corrimãos, aparelhos e equipamentos de educação física) após cada uso.

◼ Atenção: será preciso organizar momentos para lavar regularmente todos


brinquedos usados por bebês e crianças com água e sabão;

◼ Considerar como condição essencial: Manter os ambientes arejados por


ventilação natural – portas e janelas sempre abertas

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CUIDADOS PESSOAIS E COLETIVOS
HIGIENIZAÇÃO DOS AMBIENTES
◼ Os calçados são veículos de contaminação. Como organizar um espaço
para guardar os calçados vindos da rua? Nas salas as crianças podem
circular com suas meias, a depender do piso, podem se deslocar descalças
ou ainda seria viável outro par de sapatos (higienizados) para usar apenas
no ambiente interno da sala;

◼ Para as unidades educacionais cujos bebês e crianças utilizam


uniformes, será importante orientar as famílias da necessidade de lavar a
cada uso, flexibilizando, talvez, a obrigatoriedade, visto que as famílias
precisarão de mais tempo para lavar e secar as peças;

◼ Roupas de cama utilizadas na escola também deverão ser enviadas


diariamente para as famílias higienizarem;

◼ Como garantir o distanciamento de 1 metro entre uma pessoa e outra?


É possível fazer marcações no chão nas áreas de espera e convivência;

◼ Será necessário distribuir pela unidade educacional kits com materiais


para a higienização: álcool em gel, desinfetante e lenços – como organizar
esse kit, garantindo a segurança dos pequenos?

Como a Unidade Educacional


vai informar as medidas de
segurança que serão adotadas?
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ALIMENTAÇÃO

◼ Bebês e crianças vão se alimentar em turnos? Usarão o refeitório ou


poderão ser distribuídos em outros espaços da escola para evitar as
aglomerações?
◼ Como as famílias serão informadas dos protocolos específicos da
alimentação?
◼ Como os alimentos serão preparados e como será feita a higienização
dos espaços e esterilização de talheres, pratos, copos?

INTERAÇÃO
◼ Quais ações serão implementadas para ensinar as crianças a viver e
conviver com as novas regras e procedimentos?

CHEGADA E SAÍDA DA UNIDADE


EDUCACIONAL
◼ Como acolher as crianças que utilizam o transporte escolar e que não
terão as famílias presentes no momento de entrada e saída?
◼ É possível medir a temperatura de todos na entrada e na saída? Quem
fará isso e com qual frequência?
◼ É possível agendar horários diferentes para a entrada e saída de bebês
e crianças, evitando aglomerações?

20
PROFESSORES E COLABORADORES
TAMBÉM PRECISAM DE CUIDADOS

Todos os protocolos aqui citados servirão


aos bebês e crianças e também aos adultos que
circulam pelas unidades educacionais.

Muitos profissionais tiveram suas vidas


afetadas, seja pela perda de um familiar ou ainda
pelo impacto financeiro trazido pela crise sanitária.
Por isso, é importante que vivam procedimentos
que evidenciem a preocupação com a saúde de
todos e não só de uma parcela de pessoas. Nesse
sentido, oferecer máscaras, materiais de higiene,
copos descartáveis, termômetro, mais trocas de
uniformes – quando forem obrigatórios -, entre
outros, podem ser ações simples, mas capazes de
trazer aos profissionais a possibilidade de lidar com
essas situações sentindo-se contemplados não só
como profissionais, mas como pessoas.

21
É importante que a comunicação com as famílias seja planejada de
maneira cuidadosa. Devemos evitar que a comunicação com os responsáveis
neste momento seja meramente informativa. Por isso, projete ações para o
retorno e comunique como tudo vai funcionar, separamos algumas dicas:

1 Planeje reuniões antes do retorno: ouça os pais e procure


responder com segurança as perguntas que trarão.
Certamente haverá muitas dúvidas e angústias, por isso é
importante ter um plano de ação previamente discutido
com o coletivo.

2 Faça uma pesquisa por meio de questionário para


entender a realidade de cada bebê/criança/família
(disponibilizamos uma sugestão no Capitulo 4 deste e-
book);

3 Busque parcerias com profissionais que possam apoiar


este retorno (médicos, psicólogos, agentes de saúde,
assistente social, nutricionistas entre outros);

Para que a unidade educacional não tenha uma


demanda excessiva de ligações por parte das famílias,

4
combine que farão um boletim diário. Este boletim pode
ser disponibilizado via rede social oficial da instituição
ou Whatsapp, sempre cuidando em falar no coletivo,
não citar o nome das crianças e as particularidades
tratar individualmente.

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Diálogo escola-família: Parceria para a
aprendizagem e o desenvolvimento integral de
crianças, adolescentes e jovens
Organização: Tereza Perez
Pensado para auxiliar diretores de escolas a
promover o diálogo e a reflexão sobre como a
escola pode aprimorar sua relação com as famílias.

Qualidade do Ensino: a contribuição dos Pais


Vitor Henrique Paro

a escola não pode deixar de fazer a sua parte. Isso


inclui - além de um ensino efetivamente agradável -
o acolhimento dos pais, o cumprimento do dever de
atender a seus interesses educativos e o
oferecimento de uma escola da qual todos possam
gostar.

Educação escolar: políticas, estrutura e


João Ferreira de Oliveira

Este livro proporciona bases conceituais para uma


análise dos aspectos sociopolíticos, históricos,
legais, pedagógicos-curriculares e organizacionais
da educação escolar brasileira e da organização e
gestão da escola.

23
Que bom poder voltar!

Vale, na retomada, fazer uma caminhada por todos os


espaços para trazer à tona as memórias e observar se
houve alguma mudança física nos locais. Ouvir bebês
e crianças e estar atento a como vão se comportar
nesse momento é muito importante para o
planejamento do uso desses ambientes de
aprendizagem

24
No período de
distanciamento os bebês e
crianças permaneceram
aprendendo, este processo
pode ter sido registrado por
suas famílias, então vale
planejar momentos em que
possam compartilhar fotos,
registros e histórias das
crianças.
Como o isolamento foi vivido
por cada um neste período?

25
Acolher uma criança é também acolher o
mundo interno dela, as suas expectativas, os
seus planos, as suas hipóteses e as suas
ilusões. Significa não deixar passar, como se
fosse tempo inútil, o tempo que a criança
dedica às atividades simbólicas e lúdicas, ou o
tempo empregado para tecer relações
“escondidas” com outras crianças. STACCIOLI
(2013, pg.28)

Na retomada das atividades devemos considerar a chegada


desses bebês na creche, de modo que envolvam as similaridades entre si,
mas também divergências de ordem familiar e cognitiva. No período de
isolamento muitos bebês viveram uma rotina parental, acompanhando
horários, costumes e vínculos neste período. Este retorno não pode ser de
modo algum uma quebra brusca desse processo vivido.

Na sequência das ideias sobre a comunicação com as famílias, é


importante evidenciar a necessidade de criação e manutenção dos vínculos,
sobretudo porque essa relação dada de maneira saudável, favorece o trato
com os pequenos. Para colaborar com esse movimento, segue uma sugestão
de questionário que pode ser enviado às famílias antes do retorno das
atividades.
26
Nome do Bebê:

Professora: Turma:

Quais avanços você observou no seu (sua) filho (a) neste período?
 Não sentava, agora já senta
 Sentava, agora engatinha
 Segura objetos, como colheres, brinquedos, etc.
 Responde com olhares e expressões faciais à fala dos pais ou cuidadores
 Outros

Quais foram as modificações na rotina no período?

 O horário das refeições era flexível


 Mantive a rotina e horários de refeições
 Os horários e dormir eram flexíveis
 Outros
Quem cuidou do bebê neste período?
Quem cuidou do bebê neste período?

Quem cuidou do bebê neste período?


Espaço reservado para relatos que considerem importantes?

Quem cuidou do bebê neste período?

27
Neste retorno será natural que a (o) professora (o) se
depare com manifestações de desconforto por parte do bebê e/ou da
criança. Comportamentos como apatia, agitação, alterações no sono e
até recusa em alimentar-se podem surgir. Esses comportamentos
solicitam uma escuta atenta e a oferta redobrada de cuidados para o
poio emocional que deve ser estruturado com auxílio da família e
encarado de maneira natural pelos professores.
É importante que alguns dias antes do retorno, bebês e
crianças sejam preparados e que este assunto seja pauta entre família e
bebê/criança. Vale planejar também: como apoiar os responsáveis
nesta discussão?
Gostaríamos de sugerir o envio de um questionário para
que toda a equipe consiga entender aspectos da vida da criança que
têm relação com o período no qual estiveram em suas casas.

28
Nome:

Professora: Turma:

Quais avanços você observou no seu(sua) filho (a) neste período?

Quais foram as modificações na rotina no período?

 O horário das refeições era flexível


 Mantive a rotina e horários de refeições
 Os horários e dormir eram flexíveis
 Outros
Quem cuidou do bebê neste período?

Quem cuidou da criança neste período?

Quem cuidou do bebê neste período?

Espaço reservado para relatos que julguem importantes?

29
O vínculo e o diálogo transparente entre família e escola é a
ação mais potente neste processo. Convidar uma reunião de pais, mesmo
que virtual, pode ser um primeiro passo e nesta oportunidade a unidade
educacional poderá esclarecer quais cuidados e mudanças nos protocolos
foram inseridos para receber os bebês e crianças. Será um momento
oportuno para ouvir as expectativas das famílias em relação ao
desenvolvimento das crianças e em relação ao atendimento que receberão,
neste aspecto a escola deve prever na pauta as informações sobre os
processos do cotidiano que serão vividos na Unidade Educacional.
Nessa retomada as unidades dificilmente conseguirão seguir
com um único protocolo de acolhimento, pois seguramente as famílias
apresentarão cenários distintos de disponibilidade, dessa forma será muito
relevante preparar diferentes opções de tempo de permanência da criança
neste período, antecipando diversas possibilidades de cenários.
Preparar um retorno com auxílio multissetorial, (com o apoio
de profissionais de outras áreas: saúde, assistência social etc), dará às
famílias mais segurança, então articular ações junto à psicólogos, assistentes
sociais, médicos e agentes de saúde pode ser uma excelente estratégia para
a volta. Já existe essa parceria em sua Unidade? Se não tem como é possível
articular isso?

30
A oportunidade de retomada das atividades escolares
presenciais abre precedente para ações de aproximação entre todos os
envolvidos no processo educativo.
Um primeiro passo importante é organizar os atos de acolhimento,
atendendo a dimensão humana, objeto de cuidado da Educação
Infantil. A dimensão da escuta dos desafios vividos também pode ser a
tônica desse retorno.
O período de isolamento deixará marcas que poderão ser
amenizadas pelas instituições com ações simples e potentes como
abertura para o diálogo, trocas, encontros temáticos, rodas de
conversas, cadernos de relatos,
entre outros. O importante é que as instituições estejam abertas e
preparadas para acolher os anseios das famílias e compartilhar com
elas seus principais desafios.
É relevante ponderar que as famílias, professores, bebês e
crianças devem ser os principais interlocutores nas ações e, por isso,
possam participar ativamente das decisões tomadas pela escola. Abrir
canais de participação e consulta, como comitês representativos,
reuniões, votações, caixas de sugestões, murais informativos e de
trocas podem ser boas estratégias nesse período.

31
Como nos aponta Paro (2008, p. 13), não basta
permitir formalmente que os pais de alunos participem da
administração da escola, é preciso que haja condições
propiciadoras dessa participação”.
Sigamos confiantes e trabalhando de maneira
técnica, organizada, planejada e sistematizada para que o
retorno à rotina seja uma oportunidade valiosa de alargar as
experiências de participação, consolidando vínculos essenciais
para garantir os direito de bebês e crianças a um retorno
cuidadoso e responsável.

32
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil.
Brasília, DF: Senado, 1988.

GIANNINI, S. D.; FORTI, N.; DIAMENT, J. Educação na Primeira Infância. São


Paulo: Atheneu, 2000.

SÃO PAULO (Município). Secretaria Municipal de Educação. Coordenadoria


Pedagógica. Currículo da Cidade: Educação Infantil. São Paulo: SME/COPED,
2019.

SÃO PAULO (SP). Instrução Normativa SME n.2 de 6 de fevereiro de 2019. Aprova
a Orientação Normativa n.1 de 6 de fevereiro de 2019, que dispõe sobre os
Registros na Educação Infantil.

SÃO PAULO (SP). Secretaria Municipal de Educação. Diretoria de Orientação


Técnica. Indicadores de Qualidade da Educação Infantil Paulistana. – São
Paulo: SME / DOT, 2016.

STACCIOLI, Gianfranco. Diário do acolhimento na escola da infância.


Campinas, SP: Autores Associados, 2013.

33
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