Você está na página 1de 6

Universidade do Estado do Pará

Centro de Ciências Sociais e Educação


Departamento de Letras e Literatura
Curso de Bacharelado em Secretariado Executivo Trilíngüe

II Executive

Mini-curso: “Oratória: a arte de falar em público”

Ministrante: Profª. Jessiléia Eiró

20 a 22 de outubro de 2006
Belém-Pará
UNIVERSIDADE DO ESTADO DO PARÁ
CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E EDUCAÇÃO
CURSO DE SECRETARIADO TRILINGÜE
PROFª Ms. Jessiléia Guimarães Eiró
Minicurso: Oratória, a arte de falar ao público

1. INTRODUÇÃO

As relações estabelecidas entre o homem e seus pares e com a natureza caracterizam-se


por serem intrinsecamente simbólicas. É a linguagem, enquanto representação do mundo,
que permite essa relação homem-homem e homem-natureza.
A interação social, mediatizada pela língua, constitui-se num jogo em que tomam parte
pares iguais, que buscam comunicar idéias, convencer o outro e, segundo Koch ( 2002),
engajar-se, sobretudo na arte da argumentação, buscando influenciar o comportamento do
outro ou tentando fazê-lo compartilhar de suas próprias idéias.
Falar é, sobretudo, um ato que se dirige ao outro e tem nele a sua razão mesma de ser, o
que aponta para o fato de que todo ato linguageiro é, acima de tudo, um ato dialógico, que
pressupõe troca com o(s) outro(s).
Esses atos linguageiros são tão diversos quanto o são as relações humanas e as situações
reais de trocas verbais. São: a conversa informal face a face, ao telefone, a aula, a
conferência, a consulta, dentre tantos outros. Algumas situações são mais informais, mais
intensas, como a discussão sobre futebol ou política; outras mais formais e, por isso, mais
silenciosas, como uma comunicação num evento científico. Mas, sejam de que tipo for, as
relações mediatizadas pela língua se estabelecem pela necessidade inerente a todo ser
humano de se colocar em contato com o outro, na troca de idéias, de experiências, no
compartilhamento da vida, da existência enquanto ser social.
A oratória é um desses atos linguageiros e diz respeito a uma situação formal de
comunicação. De acordo com o dicionário Silveira Bueno (1983), oratória é “a arte de falar
ao público” (grifo meu). Mas, trataremos também de outra idéia, tal como, “ a arte de falar
em público” , com a qual começamos.

2. ORATÓRIA, A ARTE DE FALAR EM PÚBLICO

Em geral, as situações que requerem a exposição oral em público são situações formais, tais
como, conferências, apresentações de trabalhos acadêmicos, defesas de teses, etc. São
muitas as profissões que exigem de seus profissionais tal exercício: professor, advogado,
conferencista profissional, jornalista, assessor de comunicação, só para citar alguns. Que
postura e que habilidades são esperadas de tais profissionais? Quais são as dificuldades
enfrentadas? E o público alvo?

a) Postura e Habilidades:

• Desenvoltura: Diante de uma platéia, faz-se necessário apresentar uma postura


desenvolta, o que implica, por um lado, demonstrar segurança na ação a ser
desenvolvida; e por outro, dominar o medo ou o nervoso de enfrentar um auditório.
• Autenticidade: Ser autêntico significa não ser cópia propositada de ninguém, por
mais admirável que a pessoa seja. É necessário que cada um descubra o seu estilo,
aquilo que lhe cai mais naturalmente. Ainda que o modelo seja excepcional, as cópias
tendem a ser sofríveis e patéticas.
• Adequação: Isso tem a ver com a necessidade de adequar o discurso ao público
alvo e à situação real de comunicação.

• Domínio do tema: O tema a ser abordado precisa ser bem conhecido o que
pressupõe preparação anterior adequada. Estudar não quer dizer decorar. Ainda que
se saiba qual o público e as circunstâncias, muito do que vai acontecer só vai se
revelar no momento mesmo da entrega, portanto, decorar pode ser um caminho
certo para o fracasso. O melhor, então, a fazer é conhecer bem o tema e nos
momentos de ‘falha’, utilizar artifícios como encarar o público numa breve pausa, ou
ainda em pausa, voltar os olhos para as anotações.

• Fluência lingüística: conhecimento das variedades lingüísticas ( adequação


lingüística): Cada público exige um tipo de uso lingüístico. O objetivo é o de alcançar
os ouvintes, daí faz-se necessário conhecer que variedade se adequa à audiência.

• Simpatia e vivacidade: Ser simpático e vivaz não significa ser palhaço, mas mostrar
ao público que o que se tem a dizer vale ser ouvido. Significa lançar mão de artifícios
de contato com o público que os cative, que chame a atenção de forma positiva.

• Objetividade: Tem a ver com a necessidade de expor as idéias com clareza, indo ao
ponto a que se propôs. Há momentos em que os devaneios ou divagações são
necessários para esclarecer pontos obscuros, mas é preciso saber para onde voltar.
Hoje em dia, há tantos recursos disponíveis, tantas mídias, mas não se deve
desprestigiar uma ‘mídia’ bem antiga e simplória: as anotações objetivas e claras a
que se pode recorrer quando necessário.

• Outras

b) Dificuldades

• Nervosismo: É comum pessoas acostumadas a essa situação relatarem do nervoso


que experimentam antes de enfrentarem a audiência. O segredo está em controlar
esse nervoso e transformá-lo em um aliado, lembrando que esse é um meio natural
de preparo para os desafios, utilizando os sinais que o corpo manifesta para que se
entre em ação, ficando mais alerta, é possível pensar e agir com mais eficiência. O
nervoso tende a diminuir à medida que o discurso vai se configurando.

• Timidez: A não ser nos casos patológicos, a timidez é algo que se pode superar com
alguns recursos bem simples. Por exemplo: se há dificuldade em encarar o auditório,
basta demarcar um ponto ligeiramente acima da cabeça das pessoas e a partir dele
traçar uma linha imaginária por onde o olhar vai se mover. As pessoas terão a
impressão de estarem sendo olhadas nos olhos.

• Falta de preparo anterior: Esse é um dos maiores motivos para a insegurança e o


nervosismo e, conseqüentemente, para experiências infelizes com o exercício de falar
em público. É preciso estudar o tema, treinar sozinho e também com alguém ou
com um grupo que possa fazer seus apartes, com sugestões e críticas.

• Outros
c) Público alvo

• Para quem falar: Todo discurso se constrói com base no outro a quem ele se destina,
daí a importância de se Ter um conhecimento do público alvo.

• Interesses: Da mesma forma é necessário conhecer quais são os interesses da


audiência, não só no sentido de satisfazê-los, mas também quanto a novos desafios a
serem propostos, por exemplo.
• Empatia: O orador precisa conquistar e cativar seu público e uma forma de fazê-lo é
demonstrando empatia com o público, que a capacidade de manifestar interesse por
aquilo que lhe é importante.
• Contato visual: Mesmo quando a entrega do discurso se dá pela leitura de anotações,
é imprescindível o contato visual com a audiência. Nunca se deve dar as costas ao
público assistente.

• Outros

3. ORATÓRIA, A ARTE DE FALAR AO PÚBLICO

Via de regra, no exercício de algumas profissões, se faz necessário o contato com um


público específico e não tão numeroso como o público referido acima. É um contato mais
intimista, que permite uma participação mais efetiva do(s) outro(s). Os gestores em geral
experimentam mais amiúde esse tipo de contato no seu dia a dia de trabalho, seja com seus
iguais, com seus superiores ou com a clientela a ser atendida. Mais uma vez, o discurso
será definido pelas circunstâncias, pelas relações que se estabelecem, pelos pares
constituídos e pelos objetivos a serem alcançados. Novamente, é necessário estabelecer de
que habilidades se deve lançar mão para ser bem sucedido e quais são as dificuldades
encontradas e como superá-las.

a) Os tipos de discurso:
• Formal: É aquele que se dá em situações que permitem muito pouco da participação
do outro ou que exigem uma linguagem mais formal. Em geral, quando há diferenças
hierárquicas, por exemplo.
• Informal: Dá-se no contato mais intimista, entre pares iguais.
• Preparado: O discurso escrito que vai ser transmitido via leitura: textos individuais,
transparências, data-show, posters, etc.
• Espontâneo: diz respeito à fala oral, à negociação.

b) Os pares

• Com os superiores
• Entre pares iguais
• Com os clientes

c) As habilidades

• Interesse: É preciso deixar claro ao outro o interesse que o mesmo desperta: olhando
nos olhos, dando-lhe oportunidade para expor suas idéias, respondendo
respeitosamente suas objeções, etc.

• Simpatia: Desenvolver a capacidade de relacionar-se com os outros de modo a


permitir-lhes sentir-se valorizados e considerados. Alguns são naturalmente
simpáticos, outros precisam exercitar-se.

• Capacidade de ouvir: Talvez mais importante do que saber falar seja a arte de saber
ouvir e considerar seriamente o que o outro está dizendo. Dependendo do tipo de
relação verbal, as trocas de turno são mais ou menos tranqüilas e automáticas.

• Auto-controle; Lidar com o público, com um chefe autoritário e não simpático, com
colegas intransigentes ou irresponsáveis, não é tarefa fácil. Mas, nas relações
humanas uma habilidade a ser desenvolvida é a do auto-controle, e cada pessoa
precisa descobrir seus limites e saber como lidar com eles e, mais ainda, saber o que
fazer quando perdê-lo.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estudo da Oratória remonta ao tempo dos gregos, que entendiam que a arte de falar em
público precisava ser bem desenvolvida, uma vez que prestavam imensa importância ao
discurso de convencimento e exposição de idéias. Mas, em todas as sociedades humanas a
arte de falar em público sempre teve um lugar privilegiado, principalmente quando essas
sociedades eram iminentemente orais. Mas é com os gregos que a Oratória se constitui uma
disciplina.
Ainda hoje, na pós-modernidade, com todas as mídias disponíveis, a ‘arte de falar em
público’ e ‘arte de falar ao público’ precisam ser consideradas porque ‘falar com o outro’ e
‘falar para o outro’, sejam quais forem as circunstâncias, são ações essenciais à condição
humana, quer nas relações familiares, quer nas relações de trabalho. Participar do jogo
verbal faz parte do próprio jogo da vida.
Nas relações instauradas no ambiente de trabalho, bem como na vida em geral, o que se faz
necessário é a ‘arte de saber falar e ouvir’ em e com o público.

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRAIT, Beth (org.). Bakhtin, dialogismo e construção do sentido. 2 ed. Campinas: Editora
Unicamp, 2005.

BRANDÃO, H. H. N. Introdução à Análise do Discurso. Campinas: Editora Unicamp, 2006.

CARNEGIE, Dale. Como Falar em Público e Influenciar Pessoas no Mundo dos Negócios. 11 ed.
Rio de Janeiro: Record.

KOCH, I. G. V. Argumentação e Linguagem. 8 ed. São Paulo: Cortez Editora, 2002.

ORLANDI, E. P. Língua e Conhecimento Lingüístico, para uma História das Idéias no Brasil. São
Paulo: Cortez Editora, 2002.