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ULAULA

1144

MMÉÉTTOODDOO RRAACCIIOONNAALL

4 M M É É T T O O D D O O R R A
4 M M É É T T O O D D O O R R A

Estimativas do escoamento superficial através de dados de chuvas.

MÉTODO RACIONAL

Imagine a pequena área totalmente impermeável esquematizada na Fig. 1, onde o ponto D corresponde à seção de descarga de toda a água de chuva precipitada sobre a área, de acordo com a topografia do terreno. Supondo-se ainda uma chuva

uniformemente distribuída sobre tal área, é de esperar que a vazão observada no ponto

D cresça, à medida que a área de contribuição do escoamento do ponto D aumente, até

que toda a superfície esteja contribuindo com a vazão observada nesse ponto. Assim,

o comportamento esperado em termos da vazão em D pode ser visualizado no

hidrograma ( curva vazão x tempo) da Fig. 1(b), onde o tramo A da curva mostra exatamente esse acréscimo de vazão. Observa-se, entretanto, que, para que toda a área possa contribuir com vazão em D, é necessário que a duração da chuva seja pelo menos igual ao tempo de concentração dessa área (bacia de drenagem). A partir de então, se a chuva se mantiver, a vazão em D deve permanecer constante (parte B da curva). Cessada a chuva, ocorre uma diminuição gradual da vazão em D, característica da redução da área de contribuição (parte C da curva).

Área Drenada

DD

ØØ Q

(a)

120 100 80 60 40 20 0 0 1 2 3 4 5 6 t
120
100
80
60
40
20
0
0
1
2
3
4
5
6 t
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
c
Vazão - Q (m3/s)

Tempo - min

(b)

Fig.1. Esgotamento de uma pequena área de drenagem

Define-se tempo de concentração como sendo o maior tempo de percurso de uma partícula de água escoando sobre a superfície da bacia. As idéias expostas constituem as bases do método racional, que admite que a área possa não ser totalmente impermeável, através da expressão:

Q

=

C

i

m

A

p 3,6

sendo: Q p – pico de vazão em m 3 /s. i m – intensidade média de precipitação obtida da respectiva equação que

relaciona intensidade-duração-frequência, utilizando o período de retorno e a duração correspondente ao tempo de concentração da bacia, em mm/h.

A

C

– área de drenagem, em km 2 .

- coeficiente de deflúvio, que relaciona o pico de vazão por unidade de área com Vescoado

a intensidade média de chuva i m .e pode ser expresso como:

C =

Vprecipitado

A expressão

Q

p

=

c

i

m

A

traduz a concepção básica de que a máxima vazão,

provocada por uma chuva de intensidade uniforme, ocorre quando todas as partes da bacia passam a contribuir para a seção de drenagem. O tempo necessário para que isto aconteça, medido a partir do início da chuva, é o que se denomina de tempo de concentração da bacia. O tempo de duração da chuva deve ser igual ao tempo de concentração da bacia, ou seja, ao tempo necessário para que toda área de drenagem passe a contribuir para a vazão na seção estudada.

Quanto maior a área de drenagem maior a imprecisão do método, aplicável a áreas inferiores a 3 km 2 . Segundo Linsley e Franzini o método racional só deve ser aplicado para áreas

de drenagem menores que 5 Km 2 , pois quanto maior a área, maior a imprecisão do método. Se área for maior que 50 ha e menor que 500 ha;

Q = D . Ci . A ,onde

D

A – área em ha

D

= A -0.15

– coeficiente de distribuição de chuva

Coeficiente de Deflúvio C O coeficiente de deflúvio depende de fatores tais como tipo de solo, declividade da bacia e uso da terra e condições de cobertura. No método racional utiliza-se um coeficiente C, que, multiplicado pela intensidade de precipitação de projeto, fornece o pico de cheia considerada por unidade de área. Portanto não se trata de uma relação de volumes escoados e

precipitados, mas o coeficiente de deflúvio, neste caso, está indicando a relação entre

a máxima vazão escoada e a intensidade de precipitação.

C é variável de chuva para chuva, mas, se a precipitação e o deflúvio forem

considerados independentes, o valor de C permanece razoavelmente constante, para várias freqüências, quando for definido como a relação entre o pico de certa freqüência e a intensidade média da chuva de mesma freqüência.

Horner estabeleceu uma fórmula para a determinação d coeficiente C.

C = 0,364 log t

C + 0,0042 p - 0,145

p – Percentagem impermeabilizada da área; t C – Duração da chuva em min.

Resumo dos Valores de C baseados nas características gerais da bacia receptora:

1. Partes centrais, densamente construídas, com ruas e calçadas pavimentadas (0,70 a

0,90);

2. Partes adjacentes ao centro, de menor densidade de habitações, mas com ruas e

calçadas pavimentadas (0,70);

3. Zonas residenciais de construções cerradas, ruas pavimentadas (0,65);

4. Zonas residenciais mediamente habitadas (0,55 a 0,65);

5. Zonas residenciais de arrabaldes, pequena densidade de habitação (0,35 a 0,55);

6. Bairros com jardins e ruas macadamizadas (0,30);

7. Superfícies arborizadas, parques ajardinados, campos de esporte (0,10 a 0,20);

Resumo dos Valores de C baseados nas características detalhadas da superfície.

1. Telhados

(0,70

a 0,95);

2. Pavimentos

(0,40

a 0,90);

3. Vias macadamizadas

(0,25

a 0,60);

4. Vias de passeios apedregulhados

(0,15

a 0,30);

5. Superfícies não pavimentadas, quintais e lotes vazios

(0,10

a 0,30);

6. Parques, jardins, gramados

(0,05

a 0,25);

Fórmulas Empíricas para o Cálculo do Tempo de Concentração

De uma maneira geral, o tempo de concentração de uma bacia qualquer

depende de parâmetros como: área da bacia; comprimento e declividade do canal mais

longo; forma da bacia; declividade média dos terrenos; rugosidade do canal; e

recobrimento vegetal. Diversas fórmulas empíricas vem sendo empregadas para

avaliação do tempo de concentração. Algumas delas são apresentadas a seguir.

a) Fórmula de Picking:

t C

= 5,3

Ê Á L

I

2

Á

Ë

ˆ

˜ ˜

¯

1/ 3

t C – Tempo de concentração em min;

L – Comprimento do talvegue em km;

I – Declividade média do talvegue em m/m.

b) Fórmula de Ven Te Chow:

t C

= 25,20

Ê

Á

Ë

L

ˆ

˜

b) Fórmula de Ven Te Chow: t C = 25,20 Ê Á Ë L ˆ ˜

I ¯

0,64

I – Declividade média do talvegue em %

c)

Fórmula do Califórnia Culvert Practice, Califórnia Highways and Public Works.

t C

=

57

3

Ê Á L

Á

Ë

H

ˆ

˜

˜

¯

0,385

H

em metros.

– Diferença de nível entre o ponto mais afastado da bacia e o ponto considerado,

d) Fórmula de George Ribeiro

t C

=

16 L

(

1,05

-

0,2

p

)

(

100

I

) 0,04

p – É a relação da área coberta de vegetação pela área total da bacia;

I – Declividade média do talvegue em m/m.

Aplicações do Método Racional

Diversos são os modelos já propostos para avaliação da descarga de pico,

dentre os quais destaca-se o método racional pela sua simplicidade. É conveniente

ressaltar que tal método é aplicável a áreas pequenas, homogêneas quando ao

coeficiente de runoff e de tempo de concentração também reduzido, para avaliar a

vazão de pico para durações de chuva de pelo menos o tempo de concentração da

bacia em questão.

O uso do método racional em circunstâncias diferente só é válido mediante algumas

hipóteses.

Em caso de área de drenagem heterogênea, pela ocupação diferenciada, com

coeficientes de deflúvio diferentes, pode-se adotar um valor médio ponderado em

relação às diversas sub-áreas, na forma:

C =

n

Â

i = 1

A C

i

i

n

Â

i = 1

A

i

sendo A i a área de coeficiente C i .

Alguns autores sugerem, por exemplo, a aproximação linear entre área de contribuição e duração da chuva. Dessa formar, viabiliza-se o traçado de hidrogramas, conforme exemplificados no exercício seguinte.

Exercício: Uma determinada bacia hidrográfica, situada na cidade de São Paulo, possui 150 hectares de área e um coeficiente de escoamento médio C = 0,40. Sabendo-se que o tempo de concentração até a seção de estudo é de 30min, determine os picos de vazão, para um período de retorno igual a 5anos, na seção considerada,

para chuvas de intensidades constantes e duração de 20, 30 e 60min. Trace o hidrograma das vazões para as três chuvas consideradas. Chuva B No caso da chuva B, a duração é de 30 min, igual ao tempo de concentração da bacia,

e a intensidade será, de acordo com a equação de chuva é i = 79,6 mm/h.

Nesse caso a vazão vai aumentando e atinge o seu máximo no instante em que toda a

bacia estiver contribuindo, até o fim da chuva, que no caso é coincidente com o tempo

de concentração. A vazão de pico será então:Q B = 13,33 m 3 /s

Cessada a chuva, a vazão diminuirá até zero.

Chuva C Para t = 60min e T = 5 anos, da equação de chuva da cidade de São Paulo obtém-se i

= 49,9 mm/h.

A vazão atingirá o máximo no instante coincidente com o tempo de concentração da

área e será de: Q C = 8,67 m 3 /s Embora a chuva continue a vazão permanecerá constante até a chuva cessar, após o que decrescerá até zero. Chuva A Para t = 20 min e T = 5 anos, a equação de chuva de São Paulo produz i A = 100 mm/h. Se a duração da chuva fosse pelo menos igual ao tempo de concentração, a vazão cresceria de zero, no início da chuva, o valor máximo de Q A = 16,6 m 3 /s, representativo da contribuição da bacia toda. Entretanto, como a duração da chuva foi inferior a esse tempo, da hipótese da linearidade entre área de contribuição e duração da chuva, conclui-se que apenas 20/30 dessa vazão passará pela seção ao final de 20 min. Portanto, Q A = 11,11 m 3 /s. Nos dez minutos seguintes não há precipitação mas a vazão permanecerá aproximadamente constante porque o restante da área estará contribuindo.

Após estes 10 min, a vazão começará a diminuir gradativamente até zero, sendo o tempo total gasto igual à duração da chuva mais o tempo de concentração.

14,0 12,0 10,0 chuva A chuva B 8,0 chuva C 6,0 4,0 2,0 0,0 0
14,0
12,0
10,0
chuva A
chuva B
8,0
chuva C
6,0
4,0
2,0
0,0
0
10
20
30
40
50
60
70
80
90
100
vazão - m 3 /s

tempo - min

Fig.2. hidrogamas resultantes de chuvas de diferentes durações.

A área sob a curva delineada pelo hidrograma, em cada caso, resulta na quantidade

total em m 3 de água escoada pelo curso d’água até a seção considerada. Deve-se notar que a verdadeira duração do período de esgotamento, após cessar a

chuva é maior do que o tempo de concentração porque a velocidade do escoamento, que não é constante, tende a diminuir.

O exemplo mostrou que a chuva cuja duração é igual ao tempo de concentração, ainda

que não tenha a maior intensidade, produzirá a maior vazão na seção considerada.