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A recuperação da informação e o conceito de informação: o Bruno César Rodrigues; Giulia Crippa

que é relevante em mediação cultural?

A recuperação da informação e o
conceito de informação: o que é
relevante em mediação cultural?

Bruno César Rodrigues

Mestrando em Ciência da Informação pela Escola


de Comunicações e Artes da Universidade de São
Paulo

Giulia Crippa

Profa. Dra. Da Faculdade de Filosofia, Ciências e


Letras de Ribeirão Preto, da Universidade de São
Paulo

Apresenta e discute questões como informatividade,


oferta de sentidos e recuperação da informação, além de
elencar definições de informação e mediação. Com base
nos assuntos apresentados, busca discutir os possíveis
problemas enfrentados pelo profissional da informação,
enquanto mediador cultural no âmbito dos museus de
arte.

Palavras-chave: Recuperação da informação; Ciência da


informação; Informação; Mediação cultural.

Information retrieval and the concept


of information: what is relevant in
cultural mediation?

The article presents and discusses issues such as


informativeness, offering of directions and information
retrieval, and also lists definitions of information and
mediation. Based on the topics presented, the possible
problems faced by information professionals are discussed
while cultural mediators in the context of art museums.

Keywords: Information retrieval; Information science;


Information; Cultural mediation.

Recebido em 13.12.2009 Aceito em 10.01.2011

Perspectivas em Ciência da Informação, v.16, n.1, p.45-64, jan./mar. 2011 45


A recuperação da informação e o conceito de informação: o Bruno César Rodrigues; Giulia Crippa
que é relevante em mediação cultural?

1 Introdução
No decorrer de sua história, a Ciência da Informação (CI) tem se
deparado com problemas de difícil tratamento, sendo alguns deles: O que
é informação? O que é relevante para o usuário? Quem é o usuário final?
A mesma tem se empenhado na busca de soluções para tais problemas,
configurando-se, para tanto, como um campo multi, inter e mesmo
transdisciplinar (SARACEVIC, 1992; 1995; PINHEIRO, 2006). Dessa
forma, utiliza-se dos conhecimentos desenvolvidos em outras ciências
para realização de suas atividades. Algumas das áreas que se relacionam
com a CI são: ciência da computação, ciência cognitiva, biblioteconomia,
comunicação, entre outras (SARACEVIC, 1992; 1995).
Um dos objetivos da CI é facilitar o acesso rápido e eficaz, para os
usuários de Sistemas de Recuperação da Informação (SRI), às
informações que tais sujeitos julguem ser relevantes. No entanto, as
subjetividades que envolvem a definição de informação e o conceito de
relevância dificultam a realização plena desse objetivo. Outro aspecto que
prejudica a solução do problema observado por Mooers (1951 apud
SARACEVIC, 1992), a Recuperação da Informação (RI), é a dificuldade em
definir quem é o usuário do SRI.
Sabe-se que cada indivíduo é constituído por características sociais,
históricas, políticas e ideológicas distintas. Dessa forma, e em uma
sociedade na qual este mesmo indivíduo possui formações diferenciadas
de seus iguais, como definir o que é informação relevante para o mesmo?
Como tratar estas diferenças em um sistema, comumente, rígido,
fechado? Há, atualmente, o conceito de indexação livre, folksonomia, que
dá mais liberdade para que o usuário determine o que lhe é importante
em termos de informação. No entanto, há críticas que apontam falhas
nesse sistema de classificação, referentes a um "caos" informativo
(CATARINO; BAPTISTA, 2007).
Quanto às subjetividades que envolvem a definição do termo
informação, tem-se observado diversas abordagens que buscam
estabelecer um conceito do mesmo, e o termo conhecimento é
comumente utilizado como sinônimo daquele. Nesse ínterim, informação
tem sido considerada como tangível e conhecimento como intangível.
Todavia, ao ser determinado como informação aquilo que é informativo e
relevante para o usuário de um SRI, torna-se difícil estabelecer um ponto
fixo que determine se informação é tangível ou intangível, pois, para o
usuário, isso pode ser distinto.
Sendo a CI um campo multi, inter e mesmo transdisciplinar, é
possível observá-la, através dos mais variados contextos profissionais.
Assim sendo, busca-se analisá-la, a partir dos museus de arte. Ou seja,
relaciona-se o conceito de informação com o processo de mediação em
tais museus e, dessa forma, percebe-se um aumento das dificuldades
enfrentadas pelo profissional da informação no que tange à definição do

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que seja informação relevante aos usuários desse ambiente, devido às


subjetividades que envolvem a definição de Arte.
Arte, em geral, é definida "como manifestações, técnica ou
habilidade proveniente de atividades humanas, geralmente ligadas à
ordem estética, através da expressão de idéias, percepções, sentimentos
etc., e provocam sentimentos na pessoa que a frui" (RODRIGUES;
CRIPPA, 2009, p. 3). Tradicionalmente, os produtos considerados Arte são
as esculturas e as pinturas. Já no contexto das Artes Contemporâneas, a
utilização de diversos materiais e mesmo tecnologias na constituição dos
produtos artísticos faz com que não seja possível estabelecer um "material
particular que desfrute do privilégio de ser imediatamente reconhecido
como material da arte" (ARCHER, 2001, p. 19). No entanto, o que torna
as informações subjetivas no contexto do museu de arte é o fato de que o
significado da obra emerge, em muitos casos, de seu contexto tanto social
quanto político e mesmo formal (ARCHER, 2001).
Outro aspecto a ser considerado também é que cada obra "é dotada
de características peculiares enquanto produtos artísticos produzidos, ou
escolhidos, por artistas que possuem suas individualidades" (RODRIGUES;
CRIPPA, 2009, p. 6). Assim sendo, é necessário ao profissional da
informação um conhecimento mais aprofundado de tais questões, para
tentar entender o que possa vir a ser relevante e informativo aos usuários
do museu de arte. Ainda assim, retorna-se a ideia de que cada indivíduo é
constituído por características sociais, históricas, políticas e ideológicas
distintas.
Tratar as informações técnicas de uma obra (nome de autor, data
da obra, dimensões, técnica utilizada etc.), para Umberto Eco (1981), é o
mesmo que falar da obra cientificamente e, para o autor, isso não basta.
As percepções provocadas por uma obra de arte devem ser consideradas
no momento de coleta das informações para a disponibilização ao usuário.
Portanto, para trabalhar o processo de mediação cultural de obras de arte,
é necessário definir quais são as informações artísticas, mas sem se
esquecer de quem é o usuário que acederá tal obra. Definidas essas
informações, deve-se atentar, também, para o que é e como se faz a
mediação das mesmas.
Quanto à mediação cultural, encontram-se na literatura muitas
citações do termo. Entretanto, aponta Almeida Júnior (2008), que se tem
observado pouca discussão que envolve a definição deste termo ou
mesmo sua aplicação como campo de trabalho, ou, ainda, quem é o
responsável por este processo: o homem e/ou os dispositivos técnicos?
Intenta-se, neste trabalho, apresentar algumas das discussões
empreendidas no âmbito da CI e as abordagens dos problemas por ela
estudados, bem como algumas das teorias voltadas à definição de
informação e mediação. Para tanto, serão levantados alguns dos aspectos
quanto à informatividade, oferta de sentido e RI em CI. Finaliza-se o
mesmo, observando alguns dos problemas enfrentados pelo profissional
da informação, quando este exerce a função de mediador no campo do
museu de arte, além de buscar estabelecer as relações entre a CI e o
campo artístico museológico através da mediação cultural.

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2 Ciência da Informação: informatividade, oferta de


sentidos e recuperação de informação
A CI, em sua definição clássica, é (ou busca ser) responsável pelo
que se relaciona "à produção, seleção, organização, interpretação,
armazenamento, recuperação, disseminação, transformação e uso da
informação" (GRIFFITH, 1980 apud CAPURRO, 2003, p. 4). Há diversas
discussões que se referem a cada um destes aspectos, como se observa
na literatura da área. No entanto, neste trabalho, busca-se dar um foco
maior às questões voltadas à Recuperação da Informação (RI). Pretende-
se apresentar alguns aspectos da RI e elencar alguns dos problemas
enfrentados por ela, bem como apresentar o que se tem discutido como
possíveis soluções, mas sem se esquecer de expor que estas também
possuem suas falhas.
Observa-se que as discussões referentes à RI estão intrinsecamente
ligadas à noção de relevância informacional, visto que em um SRI não se
indexa qualquer coisa, mas, sim, aquilo que é (pode ser) importante para
o usuário e, em consequência disso, será buscado posteriormente. Esta
observação implica outras abordagens, nesse caso, o que vem a ser
relevância informacional.
Ao realizar a leitura de um texto, por exemplo, cada leitor
busca/pesquisa as informações que podem ser importantes, que
respondem suas necessidades informacionais. Assim, a busca/pesquisa se
dá a partir daquilo que lhe é proeminente. O profissional da informação,
em sua função de facilitar o acesso às informações importantes aos
usuários, reduzindo seu tempo de pesquisa e gerando resultados mais
eficazes, tenta destacar o que se sobressai no texto, colocando, em
evidência, tais temas através de termos previamente estabelecidos pela
área.
Assim, parte-se do pressuposto de que o texto seja
inicialmente informativo e "O conceito de informatividade é
originalmente utilizado na literatura da Lingüística Textual que,
na sua versão contemporânea, destaca o fato de que a
compreensão de um texto depende do conhecimento de outros
textos […]" (LARA, 2008, p. 2). Neste caso, o que se encontra
em destaque é a ideia de intertextualidade. Conforme a
mesma autora aponta, o objeto informativo está vinculado "às
estruturas informacionais, terminológicas e de linguagem das
comunidades discursivas que, mesmo em situações onde não
são compartilhados pontos de vista, são determinantes para
definir os critérios de relevância que fazem com que algo seja
informativo" (LARA, 2008, p. 2-3).
Nesse ponto, é possível observar algum problema enfrentado pelo
profissional da informação, no que se refere a determinar o que seja
relevantemente informativo ao usuário: cada indivíduo é constituído por
características sociais, históricas, políticas e ideológicas distintas. O
próprio profissional da informação não consegue desvincular-se de sua

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formação para tentar determinar o que, de fato, seria realmente


importante ao usuário. Sendo assim, o profissional pode não conseguir
contemplar plenamente as expectativas do usuário.
De qualquer modo, é necessário ter em mente que o processo de
indexação visa dar destaque ao que vem a (ou possa) ser informação
relevante ao usuário, objetivando o que será armazenado e
posteriormente recuperado pelo mesmo. Esta relevância deve ser
observada através de questionamentos: Para quê? Para quem? Quando?
Como? Entre outros. É essencial saber quem é o usuário e quais as
(possíveis) necessidades do mesmo para que o processo seja eficaz.
Todavia, como prever quem é o usuário e quais suas necessidades,
considerando suas diferenças? Aqui se adentram outras discussões, o que
não se pretende no trabalho, mas sabe-se que estudos de usuários tanto
são possíveis quanto podem dar retornos positivos para o resultado final
do trabalho de armazenamento do que é informativo.
Novas técnicas têm sido desenvolvidas para tentar atender de forma
mais efetiva este problema: a relevância para o usuário. Há estudos
totalmente voltados a novos sistemas de classificação e indexação,
sempre buscando considerar o usuário dos SRIs. Estes estudos não têm
se restringido apenas aos bancos e bases de dados acadêmicos, mas,
também, à Internet como um todo. Como exemplo, tem-se a folksonomia:
sistema de indexação livre, em que o próprio usuário indexa, por meio de
tags, os materiais de acordo com seu porto de vista. Mesmo que essa
técnica possa dar a sensação de que as necessidades do usuário sejam
contempladas, há percepções de problemas nesse sistema, sendo um
deles o "caos" informativo (CATARINO; BAPTISTA, 2007). Isso se dá pelo
fato de que os usuários não utilizam termos, no sentido das linguagens
documentárias e nem uma normalização do uso das palavras, do senso
comum, escolhidas por eles. Estas palavras utilizadas deixam abertos os
espaços para a polissemia ou mesmo polifonia. Outro aspecto é que cada
usuário (pode) faz(er) uso de palavras diferentes para representarem o
mesmo assunto.
Cada documento apresenta uma "oferta de sentidos" (CAPURRO,
2003; LARA, 2008) e cada leitor faz sua seleção, baseada em sua
formação e influência social, histórica, ideológica, política etc. Os
profissionais da informação, como intermediários entre as informações e
os usuários, não são sujeitos neutros, e fazem a seleção das "ofertas de
sentido", com base em seus próprios conhecimentos de mundo. Eles
buscam disponibilizar aos usuários informações com graus de polissemia
reduzidos. No entanto, essa delimitação de sentidos acaba por
preestabelecerem rumos, muitas vezes, não desejados pelos usuários,
uma vez que nem sempre condizem com aquilo que os mesmos
consideram relevante. Entrementes, torna-se indefectível determinar o
que vem a ser informação. Esta é apresentada em diversos sentidos,
sendo ela uma constituição particular ou coletiva, tangível ou intangível,
entre outras perspectivas.
Dessa forma, busca-se apresentar, no próximo tópico, algumas
discussões referentes ao termo informação e suas definições. Apesar das

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tentativas de uma conceituação mais consensual, tem-se percebido que a


definição do mesmo se apresenta como subjetiva. Isto é, ela dependente
das capacidades e habilidades de interpretação de cada indivíduo
(CAPURRO; HJORLAND, 2007), o que dificulta o trabalho do profissional
da informação, no momento da indexação das informações, visto que sua
interpretação pode ser totalmente oposta à do usuário.

3 Informação: alguns conceitos


O que é informação? Para o quê serve informação? O que é estar
informado? Informação, documento e conhecimento são sinônimos? Estas
e outras questões permeiam o âmbito da CI, considerada a ciência que
estuda as informações e suas relações com o indivíduo, com os sistemas
informatizados e com a sociedade como um todo. Muitas discussões são
empreendidas na busca pela definição do termo informação. Cada
definição parte de perspectivas diferenciadas e, algumas vezes, mostram-
se opostas e complementares ao mesmo tempo. Neste trabalho,
pretende-se abordar algumas das teorias relacionadas à definição do
termo informação no âmbito da CI.
Um estudo amplamente divulgado e que também tem servido
como base para se discutir o termo informação é o texto
"Epistemologia e Ciência da Informação" de Rafael Capurro
(2003). Nesse trabalho, o autor aborda a definição do termo,
subdividindo as noções do mesmo em três categorias. A
primeira, bastante abordada em vários estudos, é a que se
denomina por paradigma físico. "Em essência esse paradigma
postula que há algo, um objeto físico, que um emissor
transmite a um receptor" (CAPURRO, 2003, p. 8). Nessa
acepção, o que ocorre é um processo de transferência de
informação ou, em outras palavras, troca de informação, na
qual esta é designada como um objeto concreto e que pode
ser mensurado.
Em linhas gerais, pode-se dizer que, além de ser mensurável, a
informação não necessariamente envolve significado semântico em seu
sentido físico. Esta noção está bastante ligada aos primeiros estudos que,
de certo modo, culminam nesta que se denomina CI, a qual visava
possibilitar o acesso às informações no contexto do boom (informacional
"explosão da informação" técnico-científica) do pós-guerra (a partir de
1945). Vannevar Bush (1945) foi quem observou a necessidade de se
estabelecer melhores formas de recuperação das informações, reduzindo
o tempo entre a busca e o resultado. A partir desta necessidade, intentou-
se desenvolver novas técnicas de arquivamento e recuperação da
informação, bem como a tentativa de determinar o que seria considerado
como informação.
Le Coadic (2004, p. 4) determina informação como:

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[…] uma medida da organização de sistema: medida da


organização de uma mensagem em um caso (Shannon,
Weaver), de organização de um ser vivo no outro caso (Von
Bertalanffy). E também a medida das moléculas em um
recipiente que contém um líquido ou um gás (Boltzman).

O mesmo autor também afirma que documento vem a ser um termo


genérico utilizado para designar objetos que são portadores de
informação, assim, esta noção vem a ser o conhecimento registrado.
A ideia de "information-as-thing" 1, Buckland (1991), é considerada
sob a perspectiva desse paradigma, de forma que a um objeto é atribuído
uma capacidade informativa. Isto é, uma pedra possui a capacidade de
informar a um geólogo as condições do solo pesquisado e tal capacidade
informativa foi atribuída pelo geólogo.
Buckland (1991) também retoma o conceito de documento como
fonte de informação, através dos documentalistas franceses Pollard e
Briet. Neste caso, o autor observa que objetos não são necessariamente
documentos, mas que devem ser considerados como tal a partir do
momento em que são processados com essa finalidade. Isto é, a pedra só
será um documento, possuirá informações, se o geólogo, ou outro sujeito,
atribuir-lhe a capacidade informativa. Daí a noção de "informaton-as-
thing". Também a partir disso, observa-se que informação é aquilo que é
informativo a um indivíduo ou uma coletividade. Entrementes, Buckland
(1991) afirma que se tudo pode ser informativo e qualquer coisa pode ser
informação, esta se torna banal. Em contrapartida, ao ter em mente que a
informatividade pode ser determinada pelo indivíduo (no caso dos SRIs,
pelo usuário), o que é informação poderá divergir de um para o outro.
Logo, nem tudo seria informação para todos, não permitindo que a
mesma seja trivial, como afirma o autor.
Sob outra perspectiva, para Aldo Barreto (1994) e também Bruno
Latour (2000), informação é aquela que liga/sintoniza o mundo, sendo
necessária e participante da evolução do homem, referenciando-o e a seu
destino. Barreto (1994) julga que informação é importante na redução de
incertezas e organização de sistemas. Em contrapartida, percebe-se que
informação também aumenta a incerteza, distanciando ainda mais aquilo
que se busca. Pode-se dizer que aqui se apresenta a oposição entre
quantidade e informatividade. Isto é, a noção de que mais informado o
indivíduo está quanto maior for seu estoque de informação cai por terra.
Não adianta ter um grande conjunto de informações que não fazem
sentido. Vale mais possuir uma quantidade restrita de informações que
realmente são informativas, que realmente façam sentido a este sujeito.
Com o exposto, depreende-se que uma "coisa" não é e nem pode
ser informação por si só. Todavia, pode ser informativa, concretizando-se
como fonte de informação (documento). Ao mesmo tempo, informação
não deve ser considerada isoladamente. Junto a ela, estão atreladas as
1
Adota-se, aqui, os termos em seu original inglês por acreditar que haja inconsistências na tradução literal,
amplamente difundida na área.

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noções de documento e mídia (BUCKLAND, 1991). Mas, o que Capurro


(2003) busca dar destaque é o fato de que, no paradigma físico, os
usuários não são considerados. O papel ativo do usuário é excluído desse
paradigma e o mesmo é colocado na posição de receptor passivo daquilo
que se pretende informar.
Aldo Barreto (1994) também apresenta a informação como algo
pronto, já construído, e que possibilita, por sua vez, a constituição de
conhecimento. Isto é, em um primeiro momento, o autor determina
conhecimento como um mero conjunto de informações, que se relaciona
ao paradigma citado. Não obstante, em um segundo momento, Barreto
(1994) diz que informações não produzem conhecimento por si só. Elas
necessitam da intervenção do homem. Em outras palavras, não basta
construir estoques daquilo que se classificou como informação para a
constituição do conhecimento, mas tem que haver a
interação/comunicação entre esses estoques e os usuários, sendo estes os
principais responsáveis pela constituição do próprio conhecimento. Nesta
acepção, adentra-se ao segundo paradigma da informação, caracterizado
por Capurro (2003): o paradigma cognitivo.
Ao se definir que algo é informativo, que esta informação atende às
suas necessidades e que a mesma tem sentido considerável, o indivíduo
apropria-se dela, processa-a e constrói um novo conhecimento. Este
indivíduo utiliza esta nova informação para ligar os pontos soltos de seu
conhecimento, que se encontrava em estado anômalo (BELKIN, 1980
apud LE COADIC, 2004). "Essa teoria parte da premissa de que a busca
de informação tem sua origem na necessidade ("need"), que surge
quando existe o mencionado estado cognitivo anômalo, no qual o
conhecimento ao alcance do usuário, para resolver o problema, não é
suficiente" (CAPURRO, 2003, p. 10). Sob outro ponto de vista,
"informação é o que é informativo para uma determinada pessoa. O que é
informativo depende das necessidades interpretativas e habilidades do
indivíduo" (CAPURRO; HJØRLAND, 2007, p. 155). Isto significa que as
informações são construídas pelas pessoas conforme suas necessidades e
com base em suas capacidades, até mesmo cognitivas.
Estes autores defendem, também, que informação é tudo aquilo que
seja importante e responda uma questão feita pelo indivíduo. "Na prática,
contudo, informação deve ser definida em relação às necessidades dos
grupos-alvo servidos pelos especialistas em informação, não de modo
universal ou individualista, mas, em vez disso, de modo coletivo ou
particular" (CAPURRO; HJØRLAND, 2007, p. 187). Estes mesmos autores
destacam, também, que "a distinção mais importante é aquela entre
informação como objeto ou coisa (por exemplo, número de bits) e
informação como um conceito subjetivo, informação como signo; isto é,
como dependente da interpretação de um agente cognitivo" (CAPURRO;
HJØRLAND, 2007, p. 193). E complementam que é fácil determinar
quantas e quais palavras possuem um documento, bem como descrevê-lo.
No entanto, saber para quem este documento é relevante e quais as
questões que podem ser resolvidas através dele ainda é um problema
difícil de resolver.

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Na concepção de Buckland (1991), "Information-as-process" vem a


ser o processo de transmitir uma informação que pode ser processada
pelo receptor, transformando seu conhecimento. A pedra transmitiu ao
geólogo as informações sobre o solo pesquisado; "Information-as-
knowledge" seria o conjunto de informações absorvidas e processadas
pelo indivíduo. O geólogo processou as informações transmitidas pela
pedra e teve seu conhecimento transformado, o que lhe permitiu
constituir um novo conhecimento.
Embora seja válido esse segundo paradigma da informação, o
mesmo não considera o indivíduo como elemento do contexto social. Em
outras palavras, é uma visão reducionista, a qual percebe o usuário como
um ser que vive em uma esfera, separado do mundo exterior, sem
contato social algum (CAPURRO, 2003). É, em contrapartida a essa idéia,
que Capurro (2003) define o paradigma social da informação, com base
em estudos de Hjørland quanto à análise de domínio (domain analysis)
(NASCIMENTO; MARTELETO, 2004). "Uma consequência prática desse
paradigma [o cognitivo] é o abandono da busca de uma linguagem ideal
para representar o conhecimento ou de um algoritmo ideal para modelar a
recuperação da informação a que aspiram o paradigma físico e o
cognitivo" (CAPURRO, 2003, p. 12). De modo geral, para este mesmo
autor, o paradigma social pode ser definido como uma junção das
perspectivas do paradigma cognitivo e um contexto social. Neste
contexto, não apenas o individuo, mas sim uma comunidade que
desenvolve seus critérios de seleção do que é relevante.
Em alguns momentos é perceptível, através das considerações
acima, que o conceito de informação flutua entre a materialidade e a
imaterialidade, entre o tangível e o intangível. Pode-se observar, também,
que, apesar das divergências entre teorias, há ponto de concordância
entre alguns dos autores que pesquisam o conceito de informação: esta é
aceita como aquela que transforma o estado atual de conhecimento de
uma pessoa ou coletividade. Também é perceptível a complexidade que é
definir informação bem como o que é (ou pode ser) relevante a um
indivíduo.
A noção de que a compreensão de algo se faz através de outras
leituras, formando a intertextualidade (LARA, 2008), dificulta a resolução
do problema da RI, estudado pela CI. Contudo, é sabido que o mesmo não
pode ser resolvido plenamente, pois o indivíduo e/ou a coletividade, está
em constante transformação. Sendo assim, os problemas apresentados
devem ser constantemente dialogados, sem desconsiderar nunca a
volatilidade social. Em outras palavras, a CI tem um trabalho árduo e sem
fim.
Percebe-se que, em geral, informação pode ser considerada tanto
como intangível quanto tangível e é passível de ser recuperada. Por outro
lado, conhecimento fica no nível da intangibilidade. O que é considerado
por um indivíduo como informação pode não ser para o outro. Ao realizar
uma busca por determinada informação, em um SRI, o que se recupera é
o registro físico (ou virtual/digital, porém, passível de fisicidade) desta
informação. Nesse mesmo registro não há uma única informação, mas um

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sem número de ofertas de sentidos que, com a devida interpretação,


caracterizar-se-á como informação.
Enfim, ao restringir essas questões de informatividade, oferta de
sentidos e recuperação de informação, e ao ampliar o campo de atuação
da CI para os museus de arte, surgem novos questionamentos: Quais os
problemas enfrentados pela mediação de informações culturais, no âmbito
dos museus de arte? A definição de mediação interfere no processo de
seleção do que é relevante, em termos de informação, em uma exposição,
seja física ou virtual/digital? Tem-se a consciência de que estas questões
não podem ser respondidas tão já ou em sua completude. No entanto,
busca-se ao menos colocá-las em evidência para, assim, contribuir com as
reflexões da área.

4 Abordagens quanto à mediação


Nota-se que, nos últimos tempos, questões envolvendo a mediação
têm sido discutidas cada vez com mais frequência e nos mais diversos
âmbitos do conhecimento e das práticas, tornando-a bastante complexa.
Tais discussões são realizadas tanto no plano das práticas – possibilidades
de aplicação ou as aplicações em si – quanto no plano teórico. A CI, a
museologia, a educação, a comunicação, a filosofia, a sociologia, enfim,
muitas são as áreas que se apropriam do termo e o estuda aplicado em
seu contexto, gerando, muitas vezes, resultados diversos. Apesar dos
diferentes e possíveis usos do termo mediação, tem-se o intuito de
observar seu uso no campo dos museus de arte em confluência com as
atividades da CI.
Enquanto há termos que se impõem à comunidade intelectual e
científica, devido a sua abrangência temática e acúmulo de discussões, as
quais se encontram envolvidos, há outros que são difíceis de serem
circunscritos, mas que, no entanto, circulam naturalmente no âmbito
acadêmico e o termo mediação caracteriza-se no segundo caso (ALMEIDA,
2008).
Almeida Júnior (2008) assegura que o termo mediação é muito
citado em CI, mas que, no entanto, as discussões empreendidas no
campo estão mais voltadas ao plano das práticas bibliotecárias que da
teoria. Isto é, discutem-se os processos de aplicação da mediação em vez
do que os define. Em muitos casos o conceito de mediação é assimilado,
apreendido e compreendido, afirma Almeida Júnior (2008). Contrário a
isto, o autor acredita que seja de grande importância definir o termo e
suas práticas de modo mais consistente.
A mediação no campo da CI, comumente está relacionada às
práticas do fazer profissional (ALMEIDA, 2008). Entretanto, estaria ela
ligada às práticas de atendimento direto ao usuário da unidade de
informação (mediação explícita) e não necessariamente relacionada aos
fazeres práticos do profissional da informação que envolve a busca,
seleção, aquisição, tratamento e organização dos documentos para
posterior recuperação (mediação implícita) (ALMEIDA JÚNIOR, 2008). Sob
esta perspectiva, o termo fica restrito à noção de que seja apenas a

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resposta a uma pergunta, a uma necessidade. Traçando um paralelo com


as discussões apresentadas quanto à informação, esta mediação estaria
relacionada ao paradigma cognitivo.
Tem-se no imaginário comum, até mesmo na área de CI, a
mediação como uma ponte que "permite a relação entre dois pontos que,
de alguma forma, estão impedidos de interagir por obstáculos e
empecilhos" (ALMEIDA JÚNIOR, 2008, p. 3). Em contrapartida, o mesmo
autor critica tal visão por torná-la estática.
Mediação da informação é toda ação de interferência –
realizada pelo profissional da informação –, direta ou indireta;
consciente ou inconsciente; individual ou coletiva; que propicia
a apropriação de informação que satisfaça, plena ou
parcialmente, uma necessidade informacional (ALMEIDA
JÚNIOR, 2006, p. 262).

Teixeira Coelho (2004, p. 248), por sua vez, pensa a mediação


como "processos de diferente natureza cuja meta é promover a
aproximação entre indivíduos ou coletividades e obras de cultura e arte".
Esta perspectiva da "aproximação" remete às ideias de Bruno Latour
(2000), quanto aos centros de cálculos, onde os mediadores possibilitam
as relações entre os "centros" e as "periferias", promovendo uma melhor
compreensão do mundo.
De modo geral, Jean Davallon (2007) apresenta pontos de contato
com os dizeres de Teixeira Coelho (2004), quando pensa o processo de
mediação relacionado à aproximação, ao acesso do individuo ou
coletividade às obras ou saberes culturais. O autor ainda complementa
que tal processo, praticamente,
[…] não deixa de cobrir coisas tão diversas como a prática
profissional dos mediadores (de museu ou de património, por
exemplo); uma forma de acção cultural por oposição à
animação cultural; a construção de uma relação com a arte;
produtos destinados a apresentar ou a explicar a arte ao
público; etc. (DAVALLON, 2007, p. 4).

Sob outro ponto de vista, Rasse (2000) afirma que a definição do


termo, no contexto artístico cultural, perpassa tanto o saber teórico
quanto o prático do profissional mediador – que pode ser o bibliotecário, o
arquivista, o museólogo, o artista, entre outros – e que, até certo ponto,
tudo pode ser mediação. Isto a começar pela linguagem e o simbólico,
que asseguram ao longo do uso pelos sujeitos a apropriação singular dos
códigos coletivos, acrescentando-se, ainda, as formas de sociabilidade, as
estruturas da comunicação interpessoal e mediáticas, que ligam as
pessoas entre si e ao coletivo. Nesta acepção do autor, a mediação tem a
função de assumir a tensão entre o indivíduo e o coletivo. Assim sendo, a

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ideia de mediação desponta como um processo de comunicação que


envolve as trocas subjetivas entre os sujeitos transmissor e receptor.
Sob uma visão mais ampla de mediação, Rasse (2000) afirma que a
definição deste termo recobre a ideia de cultura em seu sentido
antropológico. Assim, a mediação seria aquela que liga o sensível e o
simbólico. Em contrapartida, o autor afirma que esta concepção repousa
sobre uma noção utópica do termo mediação, a qual recobre amplamente
as relações sociais. No contexto social, a mediação promove a
compreensão entre culturas distintas, enquanto que no contexto científico,
ela facilita o acesso ao conhecimento dos especialistas.
Enfim, o autor afirma que a mediação se esforça para acolher,
explicar, traduzir os processos, a partir do que cada indivíduo é, daquilo
que cada um conhece, de sua própria cultura, por entendê-lo como
estranho aos lugares e aos sujeitos culturais. A mediação reconhece que
cada indivíduo é único. Assim, busca criar espaços onde ele possa sentir-
se reconhecido e respeitado, observando suas diferenças. Em
contrapartida, Rasse (2000) afirma que esta visão de mediação é a ideal,
mas que ainda não há espaços próprios para que seja realizada. Por outro
lado, pelo que o autor apresenta, pode-se dizer que a mediação faz o que
é necessário a CI realizar: estudar o usuário para fornecer-lhe serviços
adequados às suas necessidades. E, também, estabelecendo outro
paralelo com definição de informação, esta noção de mediação equipararia
ao paradigma cognitivo, uma vez que considera todo o contexto social do
qual o indivíduo faz parte.
Da mesma forma em que mediação em bibliotecas era
habitualmente vista como o atendimento ao usuário (ALMEIDA JÚNIOR,
2008), a mediação em museu, especialmente o de arte, era algo agregado
apenas à exposição, conforme observa Cayo Honorato (2007). No
entanto, esta ideia tem mudado aos poucos, uma vez que a noção de
mediação tem sido abordada desde a concepção de projetos curatoriais
em algumas exposições, afirma o mesmo autor.
Para Honorato (2007, p. 117), mediação em arte tem se
apresentado como "um programa educativo cujo desafio é responder ao
visitante médio, interessado em arte, mas não necessariamente
profissional desse campo". Nesta fala, percebe-se haver mais de um tipo
de mediação: aquelas que assumem "corpos pedagógicos ou assistenciais"
e as voltadas àqueles que não apenas se interessam por arte como
também a compreendem bem, não necessitando, assim, de orientação.
Todavia, ao mesmo tempo em que seriam justificados pela função
de ampliar o uso social da produção cultural, através da partilha de um
tipo de experiência que a arte promove, esses programas tem tudo para
ser um instrumento de reprodução da lógica corporativa e das
exclusividades que ela determina (HONORATO, 2007).
A arte-educação, ou a mediação educacional, é pensada como uma
aproximação do público e a arte, sendo esta considerada como um
processo educativo e a educação, consequentemente, como uma atividade
artística e transformadora (HONORATO, 2007). No entanto, em alguns
momentos a mediação educacional é entendida como sendo um serviço ou

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instrumento do marketing. Para esclarecer melhor, o mesmo autor afirma


que "a quantidade do público, aumentada pela oferta de programas
educativos, interess(a) aos patrocinadores, na medida em que pode ser
capitalizada pelas estatísticas" (HONORATO, 2007, p. 119). As empresas
investem na produção cultural, em detrimento de outras áreas, pelo
"ganho de imagem institucional, o valor agregado à marca da empresa e o
esforço de seu papel social [...] (além de) benefícios fiscais e retorno de
mídia" (HONORATO, 2007, p. 119).
Sob um ponto de vista mais empírico, Carmem Mörsch apresentou
sua percepção sobre mediação em museus e instituições culturais, em
debate realizado no auditório do Museu de Arte Moderna de São Paulo
(MAM), no ano de 2008. Esta percepção dividiu-se em quatro funções,
sendo: a primeira, "função afirmativa", vista como instrumento utilizado
pelo museu para se autoafirmar como sendo "maquina da verdade". Esta
função é abordada em visitas guiadas tradicionais e se atém aos textos
curatoriais (MÖRSCH, 2008). Isto é, uma mediação que visa transmitir,
apenas, os conhecimentos, as informações determinadas por seus
"superiores". Esta seria, de certo modo, uma mediação vertical, de cima
para baixo.
A segunda, "função reprodutiva", preocupa-se com a formação de
seu público futuro, preocupada com a concorrência que terá que fazer
com as novas ofertas de lazer. Neste caso, o museu preocupa-se em
apresentar maiores atrativos que possam, em certa medida, "fidelizar"
seu público.
Como a terceira do grupo apresenta-se a "função desconstrutiva".
Esta levanta questionamentos quanto ao museu e é influenciada pelo que
se tem denominado 'Nova Museologia' anglo-saxã, também pelas teorias
feministas do período da década de 1960 e pelos estudos pós-coloniais
(MÖRSCH, 2008). Seus questionamentos do museu se referem, por
exemplo, à função de selecionar para relembrar. Isto é, escolhem
artefatos/materiais, objetos que contam histórias que foram, em certa
medida, caladas/esquecidas. Lara Filho (2006) relembra que a
organização destes objetos é dada como instrumento de mediação,
porém, as formas de agrupamento e reagrupamento dos mesmos
representam culturas particulares.
Por fim, a "função transformativa". Ela é vista pela palestrante como
a mais difícil de ocorrer, visto que esta função busca "melhorar" e
"mudar" a vida das pessoas, suas condições sociais, combatendo a
desigualdade, além de tentar, de algum modo, redefinir ou ampliar as
funções que o museu tem (MÖRSCH, 2008).
Carmem Mörsch (2008) ainda ressalta, em sua fala, que estas
funções entrecruzam-se conforme as situações e que não se deve pensar
que uma é boa em detrimento da outra, apesar de haver conflitos entre
elas. No exemplo utilizado, Documenta 12, ocorrida em Kassel, Mörsch
(2008) diz que era de fundamental importância que os mediadores
questionassem a si mesmo sobre quais os fins de suas ações e o que
desejavam fazer (MÖRSCH, 2008). Isto significa que a mediação deve ser

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pensada evento a evento, pois em cada um a exigência para com os


mediadores, sua postura na realização de suas funções, será diferenciada.
Hoje em dia o museu:
[…] deve trabalhar com a busca do sentido, oferecendo a
possibilidade de, a partir de correlações que estabelece na
construção da informação, apresentar o objeto em seus
diferentes contextos e sugerir possibilidades de apropriação e
de participação efetiva das exposições (LARA FILHO, 2009, p.
168).

Mörsch (2008) busca refletir a mediação em geral, através do


conceito de "tradução cultural". Para ela, o processo de tradução resulta
em algo diferente do original, levantando questões relacionadas à
duplicidade de seu caráter, diferentemente dramático e potencial, na
medida em que pode reduzir ou produzir algo novo. Para Mörsch (2008),
mediação é um processo incompleto, em que os conhecimentos do
visitante e do mediador "se entrecruzam e se conflitam entre si".
Coforme aponta Honorato (2007), é necessário que a mediação
reflita seu próprio caráter, configurado eventualmente como opressor, e
deponha a ordem "explicadora" que distancia ainda mais a arte do
público. Sob outro ponto de vista, as mediações devem preocupar-se com
as diferenças étnicas, raciais, de gênero, idade, entre outras, e buscar
acolher os mais diversos públicos, mas sem caracterizá-lo como
conhecedor ou não conhecedor dos produtos culturais.
Em seus processos, as mediações não só podem ser realizadas por
indivíduos humanos, como, também, através dos dispositivos técnicos
(folders, vídeos, etiquetas etc.). Ao mesmo tempo, não apenas podem ser
realizadas no meio físico, como, também, nos meios digitais/virtuais. No
entanto, esta última adentra outro assunto que se relaciona aos museus
virtuais ou páginas de museus na Internet, os quais não se abordam neste
trabalho.
Como é demonstrado, o pouco que se adentra o assunto das
mediações percebe-se o quanto é complexo e que envolve muitas outras
noções, quais sejam informação, comunicação, tecnologia (dispositivo
técnico), dentre outras. Mediação, enquanto transmissão de informação,
pode tornar-se bastante subjetiva, pois a definição de informação fica a
cargo do usuário e não do transmissor. Sendo assim, volta-se a estaca
zero e refaz-se a pergunta: O que é mediação?
Não há uma única definição e nem linha de pensamento que
trabalhe as noções de mediação. As mais diversas áreas do conhecimento
apropriam-se dela e trabalham parte de seus possíveis sentidos. Ainda
assim, no senso comum, mediação é vista como a ação de servir de
intermediário, aquilo ou aquele que está no meio, entre dois pontos,
intermediando.
Ao ser pensado o processo de mediação no âmbito museológico, os
catálogos de exposição também podem ser considerados como

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dispositivos pertencentes a tais processos. No entanto, devido a seus


curtos prazos de confecção, comumente antes mesmo da preparação final
da exposição, percebe-se que os mesmos são dispositivos falhos,
transmitindo uma visão incompleta da exposição.
Outro problema que ocorre é a seleção daquilo que se configuraria
como informação para o usuário a partir das percepções do mediador.
Sendo o usuário quem determina o que é ou pode ser importante e,
então, informativo, tal seleção não dá muitas opções de sentido para o
mesmo, mas sim direciona seu saber, sua fruição. Muitas das vezes, é
possível afirmar que as informações descritas no processo de mediação do
museu são trabalhos meramente técnicos, sem preocupar-se com o
receptor da mesma. Por outro lado, há momentos em que fica um excesso
de preocupação em capacitar o público para apropriar-se dos produtos
artístico-culturais, mas utilizando-se de métodos que podem não ser
muito atrativos a um público mais adulto.
Para a mediação em museus, os autores Buckland, Gey e Larson
(2007) propõem uma busca e exposição à exaustividade das informações
relacionadas aos produtos culturais. Eles sugerem que todas as
informações, desde o local original da concepção do produto, os lugares
por onde passou, entre outras informações, sejam históricas ou técnicas,
fiquem disponíveis ao público e este, por seu turno, faz sua própria
seleção de relevância. Entretanto, este seria um falar cientificamente da
obra, nas concepções de Eco (1981). Ainda assim, fica aberta ao público a
possibilidade de "navegar" por entre as informações da maneira que
preferir, buscando saber aquilo que lhe falta para um processo de fruição
"completo".
Este falar cientificamente da obra tem fundamento no discurso
científico, que se baseia em dados de fatos controláveis, segundo Eco
(1981). Isto é, falar de ano de nascimento, de seus antecedentes ou dos
juízos feitos sobre a mesma. Para o autor, a obra de arte constitui um fato
comunicativo que necessita ser interpretado e, dessa forma, integrado ou
complementado pela contribuição daquele que a frui.
Pode-se concluir, enfim, que a cada autor e a cada contexto em que
o tema é empregado, o termo mediação adquire novas características
(ALMEIDA, 2008). Com o uso dos computadores ligados à rede de
Internet, os processos de mediação devem ser repensados, observando a
maior autonomia dos sujeitos quanto à escolha de rumos a serem
tomados diante dos produtos culturais. Entretanto, se as ofertas de
sentido forem limitadas, pré-selecionadas, esta nova mediação poderá ser
percebida do ponto de vista ideológico, conduzindo seu público pelos
caminhos já determinados, não deixando estes sujeitos escolherem a
forma de aquisição cultural.

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5 Considerações
Com o exposto, percebeu-se que, em muitos casos, a CI trabalha
com conceitos subjetivos e, por isso, tem dificuldades em estabelecer
rumos diretos e necessários para a solução de problemas, objetivando os
interesses do usuário. Tais problemas são perceptíveis nos mais variados
âmbitos os quais a CI pode vir a atuar – biblioteca, arquivo, centro de
documentação, museu, etc.
Na busca por amenizar tais problemas que, no caso abordado neste
trabalho, vem a se relacionar à RI, a CI tenta definir parâmetros para
identificar o que é informação para, a partir daí, realizar o processo de
tratamento e disponibilização da mesma para posterior recuperação. No
entanto, depara-se com diferentes perspectivas, as quais têm seu ponto
de referência ora no objeto, ora no indivíduo, ora na coletividade a qual
este indivíduo se insere.
Acredita-se que, quando observada a partir das atividades em um
museu de arte, a CI, ou melhor, o profissional da informação inserido
neste museu, passa a ter um elemento complicador a mais: o que se
define por arte? Quanto à mediação, pode-se classificá-la como o processo
de transmissão das informações culturais e artísticas contidas no museu,
ao usuário do mesmo e, assim como discutido no conceito de informação,
enfrenta a instabilidade do ponto de referência ao qual dar foco.
A definição de Arte, apesar de subjetiva, pode tornar-se um
problema menor se o profissional da informação partir da ideia de
institucionalização do objeto artístico: foi aceito no museu, é arte. Assim,
o profissional não precisaria preocupar-se em compreender os processos
de compreensão e determinação de tais objetos como arte, embora fosse,
de fato, útil compreendê-los. Mas, o problema maior a ser enfrentado por
tal profissional seria a determinação das informações a partir de uma obra
de arte. As Artes datadas anteriores ao século XIX, possuem, em geral,
um quadro de referência de representações já estabelecido. Dessa forma,
identificar as alegorias e seus significados seria, até certo ponto, mais
fácil. Acredita-se que o problema maior, talvez, viria com as artes
conceituais contemporâneas, cujas significações, exigiriam muito mais
daqueles que pretenderiam tratar suas possíveis informações. No entanto,
isso ocorreria a partir do momento em que se considerassem as ideias de
Eco (1981), de que apenas apresentar informações técnicas de uma obra
de arte não seja suficiente.
Ao buscar constituir um SRI para um museu de arte, o profissional
da informação daria entrada nos dados relacionados às características
técnicas da obra (ECO, 1981) e àquelas provenientes de interpretações
das obras. Para conseguir captar as ideias dos usuários do museu e tentar
tornar mais eficaz o processo de mediação das informações artístico-
cultural do museu de arte, acredita-se que poderia haver uma hibridização
entre os SRIs tradicionais, mais rígidos, e as novas formas de indexação
livre. Com a união de ambas, acredita-se ser possível dar importância ao
rigor técnico das atividades realizadas, bem como considerar os pontos de

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entrada apontados pelo usuário. Esta ideia, de certo modo, pode ser
implantada tanto no ambiente virtual/digital quanto no físico.

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