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AULA 1 – NOÇÕES BÁSICAS DE LABORATÓRIO: SEGURANÇA, EQUIPAMENTOS, VIDRARIA E


PROCEDIMENTOS BÁSICOS

1 OBJETIVOS

 Apresentar as instalações do laboratório de Química Geral do curso de Química desta IES;


 Conhecer aspectos relacionados à segurança no laboratório, EPI’s e EPC’s (equipamentos de proteção
individual e coletiva), ações preventivas e providências em casos de acidente;
 Conhecer a vidraria mais comum, diferentes aplicações e os procedimentos corretos nos seus usos;
 Mostrar os equipamentos mais comumente empregados nos trabalhos experimentais e quais os
procedimentos nos usos desses equipamentos (balança, destilador, estufa, centrífuga etc.).

2 NOÇÕES ELEMENTARES DE SEGURANÇA EM LABORATÓRIO DE QUÍMICA

2.1 INTRODUÇÃO E ALGUNS CUIDADOS

O trabalho em laboratório envolve um certo grau de risco que está relacionado à manipulação de substâncias
perigosas, ao uso de aquecimento e de eletricidade. Portanto, exige atenção, responsabilidade e prevenção.
Um laboratório de química deveria e pode ser um lugar seguro no qual trabalhar. Entretanto, é frequente a
ocorrência de acidentes nos laboratório principalmente em virtude da pressa excessiva na obtenção de resultados, o que
leva ao descuido na manipulação de reagentes, montagem de sistemas e condução dos experimentos.
Toda atividade realizada no laboratório deve ocorrer com plena responsabilidade, evitando-se atitudes
impensadas, a falta de informação e a pressa, que podem acarretar acidentes e possíveis danos tanto para si como para os
demais. Deve-se prestar atenção à volta e prevenir-se contra perigos que possam surgir do trabalho de outros, assim como
do seu próprio.
O usuário de laboratório deve, portanto, adotar sempre uma atitude atenciosa, cuidadosa e metódica em tudo o
que faz. Deve, particularmente, concentrar-se no seu trabalho e não permitir qualquer distração enquanto trabalha. Da
mesma forma, não deve distrair os demais desnecessariamente.
Alguns cuidados podem ser tomados com o intuito de prevenir acidentes:

a) Cuidados Pessoais:
1o) Evite roupas que deixam parte do corpo desprotegido Tecidos de fibras sintéticas são mais inflamáveis
e devem, se possível, ser evitadas. Use calçados fechados e uma bata (ou jaleco) apropriada. Cabelos
longos devem ser atados.
o
2 ) Trabalhe com óculos de proteção. Lentes de contato não são permitidas, pois podem ser afetadas por
vapor de solventes orgânicos, por ácidos ou bases. Lentes porosas permitem que o vapor atinja a córnea
e podem reter este vapor entre a córnea e as próprias lentes.
o
3 ) Não leve as mãos à boca ou aos olhos quando estiver manuseando produtos químicos.
4o) Não fume no laboratório. De preferência, não fume em lugar algum!
5o) Alimentos não devem ser ingeridos durante sua permanência no laboratório.
6o) Lave as mãos ao finalizar seu trabalho no laboratório.

b) Cuidados com relação ao laboratório:


1o) Localize os extintores de incêndio e familiarize-se com o seu uso. Combata o fogo em equipamentos
elétricos somente com extintores de CO2.
2o) Certifique-se do bom funcionamento dos chuveiros de emergência.
3o) Não jogue nenhum material sólido dentro da pia ou nos ralos.
4o) Ao se retirar do laboratório, verifique se não há torneiras (água ou gás) abertas. Desligue todos os
aparelhos e deixe todo o equipamento limpo.

c) Cuidados em relação a procedimentos:


1o) Não execute operação perigosa enquanto estiver sentado.
2o) Pesquise as propriedades físicas e a toxidez das substâncias que serão utilizadas antes de iniciar o
experimento.
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3o) Mantenha sua bancada de trabalho limpa e organizada para evitar acidentes ou conclusões erradas
devido à contaminação dos produtos.
4o) Todos os frascos e recipientes devem permanecer tampados e arrolhados.
5o) Leia os rótulos cuidadosamente verificando a concentração das soluções.
6o) Evite contato de qualquer substância com a pele.
7o) Quando for testar um produto químico pelo odor, não coloque o frasco diretamente sob o nariz.
Desloque com a mão, para a sua direção os vapores que se desprendem do frasco.
8o) Nunca pipete líquidos com a boca, use para isso aparelhos apropriados como pêra e macrocontrolador
de pipetas (a única exceção é a água destilada).
9o) Nunca deixe frascos contendo solventes inflamáveis próximos à chama.
10o) Ao aquecer um tubo de ensaio contendo qualquer substância, não volte a extremidade aberta do mesmo
para si ou para uma pessoa próxima.
11o) Seja cuidadoso quando manusear substâncias corrosivas como ácidos e bases concentrados. Sempre
que proceder a diluição de um ácido concentrado, adicione-o lentamente, sob agitação, sobre a água e
não o contrário.
12o) Todas as experiências que envolvem a liberação de gases e/ou vapores tóxicos devem ser executadas na
câmara de exaustão (capela).
13o) Ao introduzir tubos de vidros em rolhas, umedeça-as e enrole a peça de vidro numa toalha para
proteger as mãos.
14o) Peça orientação ao professor em relação a como dispor dos produtos das reações utilizadas por você.
Nem todas podem ou devem ser descartadas na pia.

2.2 ACIDENTES MAIS COMUNS EM LABORATÓRIO E PRIMEIROS SOCORROS

a) Queimaduras:
1o) Queimaduras causadas por calor seco (chama e objetos aquecidos).
Lave com bastante água gelada ou na torneira. No caso de queimaduras leves, aplicar pomada de
picrato de butesina. No caso de queimaduras graves, elas devem ser cobertas com gaze esterilizada
umedecida com solução aquosa de bicarbonato de sódio a 5%.
2o) Queimaduras químicas.
Devem ser lavadas com grande quantidade de água fria por pelo menos 10 minutos. A água fria reduz a
velocidade da reação e dilui o reagente diminuindo o dano causado à pele. Na queimadura por ácido
lave com solução de bicarbonato de sódio e a seguir novamente com água. No caso de ingestão de
ácidos, bochechar vigorosamente com água dando-se a seguir água para beber e em casos mais severos,
leite de magnésia.
Na queimadura por álcalis, após lavagem abundante, tratar com solução de ácido acético 1% e
novamente com água. No caso de ingestão, além da lavagem inicial, dê água seguida de vinagre para
beber ou ainda grande quantidade de suco de lima. Procure orientação médica.

b) Respingo nos olhos:


Nos laboratórios devem existir lavadores de olhos. A lavagem deve ser feita com grandes quantidades
de água mantendo os olhos abertos com os dedos. Se o respingo por ácido, aplicar a seguir solução de
bicarbonato de sódio a 1% e se for básico, solução de ácido bórico a 1%.

c) Intoxicação por gases:


Remover a vítima para um ambiente arejado, deixando-a descansar.

d) Ingestão de substâncias tóxicas:


Administrar uma colher de sopa de “antídoto universal”, que é constituído de: duas partes de carvão
ativo, uma de óxido de magnésio e uma de ácido tânico.
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2.3 TERMOS IMPORTANTES, EPI’s E EPC’s

A seguir encontram-se as definições de alguns termos importantes muito empregados quando se trata de
segurança em laboratórios:

 Segurança no trabalho: é o conjunto de medidas técnicas, administrativas, educacionais, médicas e


psicológicas que são empregadas para prevenir acidentes, quer eliminando condições inseguras do ambiente,
quer instruindo ou convencendo pessoas na implantação de práticas preventivas.
 Risco: é o perigo a que determinado indivíduo está exposto ao entrar em contato com um agente tóxico ou
certa situação perigosa.
 Toxicidade: qualquer efeito nocivo que advém da interação de uma substância química com o organismo.
 Acidentes: são todas as ocorrências não programadas, estranhas ao andamento normal do trabalho, das quais
poderão resultar danos físicos ou funcionais e danos materiais e econômicos à instituição.
 Prevenção de acidentes: é o ato de se por em prática as regras e medidas de segurança, de maneira a se evitar
a ocorrência de acidentes.
 Equipamentos de segurança: são os instrumentos que têm por finalidade evitar ou amenizar riscos de
acidentes. Os equipamentos de segurança individuais (EPI`s) mais usados para a prevenção da integridade
física do indivíduo são: óculos, máscaras, luvas, aventais, gorros, etc. Existem também equipamentos tais
como capelas e blindagens plásticas que protegem a coletividade (EPC`s).

3 VIDRARIA E EQUIPAMENTOS EM GERAL

Boa parte do material de um laboratório de ciências naturais é de vidro em função da transparência e demais
propriedades desse material, que variam conforme o tipo de vidro do qual é feito:

 Vidro comum – não podem ser aquecidos, pois não resistem a variações bruscas de temperatura.
Possuem baixa resistência química e mecânica. São os que apresentam o menor custo.
 Vidro Pirex – é resistente ao choque térmico (tem baixo coeficiente de dilatação). Possui boa resistência
química, suportando ácidos fortes, cloro, bromo e solventes orgânicos como benzeno e fenol. É atacado
pelos ácidos fluorídrico e fosfórico concentrado e a quente e por soluções de bases fortes como soda
cáustica e potassa cáustica. São os mais utilizados em laboratório, apesar do custo elevado.
 Vidro de quartzo fundido – muito resistente a variações bruscas de temperatura. Dificilmente fusível.
Não apresenta desgaste químico. Somente é atacado por ácidos fluorídrico e fosfórico concentrado e a
quente e por bases fortes em fusão. São translúcidos ou transparentes e os que apresentam maior custo.

São inúmeras as atividades realizadas em um laboratório, dentre as quais podem ser citadas a pesagem de
amostras sólidas e a dissolução destas, na preparação de soluções, a medição de volumes de líquidos, tais como ácidos
e mesmo água na diluição e preparação de uma solução etc. Para cada caso, há a vidraria adequada. O conhecimento
do uso de cada vidraria garantirá o sucesso na realização do trabalho experimental.

A seguir estão ilustradas inúmeras vidrarias e outros instrumentos de laboratório, com respectivas funções.

A B
Baquetas ou bastões
de vidro balões de fundo chato (A)
erlenmeyer e redondo (B)
Béquer tubos de ensaio
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Béquer:
Recipiente com ou sem graduação. Usado para dissolver amostras sólidas, que nele também poderão ser pesadas,
com auxilio de uma balança. Também se destina ao aquecimento de líquidos, recristalização e realização de
reações entre soluções etc.

Baquetas ou bastões de vidro:


Empregados para ajudar a dissolver sólidos na preparação de soluções. Quando um líquido é transferido de um
recipiente para outro de boca pequena, os bastões de vidro também podem ser usados para auxiliar na
transferência, colocando-se a ponta do bastão na entrada do recipiente que receberá o líquido e inclinando o outro
recipiente sobre o bastão, tocando-o, de modo que o líquido escoa pelo bastão.

Erlenmeyer:
Frasco utilizado nas titulações (volumetrias). A titulação é uma técnica de análise química que visa descobrir a
concentração (desconhecida) de uma solução problema (titulado), usando uma solução de concentração
conhecida (o titulante), contendo uma substância que reaja rapidamente com aquela presente na solução
problema. Também pode ser usado para coletar frações obtidas a partir da cromatografia em fase líquida ou para
aquecer líquidos.

Balões:
Podem ser de fundo chato ou redondo. São usados para acondicionar soluções que serão submetidas a destilação
ou para reações. Os balões de fundo redondo são adequados para encaixe em mantas aquecedoras, se o
aquecimento for necessário, enquanto os de fundo chato vão para chapas aquecedoras (que são planas) ou bico de
Bunsen, neste último caso, sendo posicionados sobre uma tela de amianto (que também é plana).

Tudos de ensaio:
Destina-se, principalmente, à realização de reações em pequena escala, onde a observação do fenômeno é o
principal objetivo.
Pipeta
volumétrica

Bureta

Pipeta
graduada funil de
balão volumétrico separação provetas

Bureta:
Instrumento calibrado para medida precisa de volume de líquidos. Permite o escoamento de líquidos de forma
controlada e é empregada nas titulações (análise volumétrica), juntamente com o erlenmeyer.

Ao se proceder a titulação, a solução titulante é, geralmente, transferida para a bureta e, no erlenmeyer, fica a
solução a ser titulada (denominada, simplesmente, titulado), juntamente com um indicador (substância que muda
de cor com o término da reação, permitindo ao analista saber quando foi atingido o ponto final ou ponto de
equivalência).

Pipetas: Instrumentos calibrados para medidas precisas de volume. Usadas para a transferência de pequenas quantidades
de líquidos. As pipetas volumétricas têm volume fixo enquanto que as graduadas permitem a transferência de
volumes diferentes, que se mede através da escala existente em seu corpo.

Balão volumétrico:
Recipiente calibrado de precisão, utilizado no preparo de soluções de concentrações definidas.

Ao se preparar uma solução aquosa, o sólido, previamente pesado, é dissolvido em um béquer, e essa solução
inicial é transferida ao balão volumétrico. Depois disso, adiciona-se água até completar o volume do balão, que é
feito observando-se a posição do menisco da água na linha de aferição do balão (figura abaixo).
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A aferição é feita observando-se


o posicionamento do menisco
que deve ficar sobre a linha de
aferição do balão (marca que
delimita o volume do balão e está
presente em seu gargalo).

Funil de separação:
Usado para separar líquidos imiscíveis entre si, tais como água e clorofórmio, hexano e metanol, éter de petróleo
e etanol etc. Uma aplicação seria a extração de substâncias pelo método da partição. Imaginemos que um líquido
bastante polar, digamos a água, contenha algumas substâncias nela dissolvidas, sendo que uma destas substâncias
apresenta mais afinidade por solventes apolares do que por polares. Mistura-se à água hexano (um solvente
apolar). Como a substância de interesse tem maior afinidade por solventes apolares, ela será extraída pelo
hexano. Para otimizar o processo, agita-se a mistura contida no funil de separação e, em seguida, ela deverá ser
deixada em repouso por um pouco de tempo para ocorrer a decantação. Depois é só separar as fases, através da
torneira.

Proveta:
É usada para fazer medidas aproximadas de volumes. Não é adequada para preparar soluções quando o valor
definido da concentração for um fator importante.

funil simples funil de Büchner


(porcelana) balão de
kitassato destilação
suporte universal
condensadores

Funil simples:
Usado para separar sólido insolúvel de líquidos, pela força da gravidade. Dentro do funil é encaixado um
pequeno papel de filtro adequado, sobre o qual a amostra será despejada.

Funil de Büchner e Kitassato:


Se a mistura heterogênea contiver um sólido finamente
dividido, talvez a filtração torne-se muito demorada, tão
demorada que leve, quem sabe, um dia ou mais. Isso
tornaria o trabalho inexeqüível. Para acelerar a filtração, Vácuo gerado por
pode ser usado um sistema formado por um funil de bomba de vácuo ou
trompa d’água.
Büchner posicionado sobre um kitassato (figura ao lado),
e este ligado a uma bomba de vácuo. O vácuo forçará a
passagem do líquido pelo papel de filtro, tornando a
filtração mais rápida.
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Condensadores:
Destina-se à condensação dos vapores formados no aquecimento de líquidos, nas destilações ou nas reações
conduzidas com refluxo (refluxar é fazer o solvente retornar ao meio reacional continuamente).

Balão de destilação:
Usado para acondicionar a mistura líquida que deverá ser
submetida a uma destilação simples.

Há dois tipos de destilação, a simples e a fracionada. A


destilação será simples quando estiver presente apenas um
líquido volátil ou, no caso de mistura de líquidos voláteis,
quando não interessar a separação dos líquidos nessa mistura,
mas apenas o sólido. Uma destilação fracionada é útil quando
houver mais de um líquido volátil e esses líquidos precisarem
ser separados. A figura ao lado ilustra um sistema de
destilação fracionada.

Suporte universal:
Tem como finalidade fixar vidrarias, conexões, colunas de condensação e demais material que precisam ser bem
fixados em diferentes alturas e posições.

garra para suporte Cápsula de porcelana


cadinho espátula placa de Petri pisseta
universal

Garra:
Prendedor da vidraria no suporte universal.

Cadinho:
É empregado para levar amostras sólidas que serão calcinadas (queimadas em fornos do tipo mufla, em altas
temperaturas).

Espátula:
Destina-se à transferência de sólidos dos seus frascos, para pesagem e preparação de soluções.

Placa de Petri:
Empregada para a realização de pequenas reações e muito usada para cultivo de bactérias, fungos e outras células
nos estudos de microbiologia.

Pisseta:
Também denominado frasco lavador. É um dispositivo prático para auxiliar na limpeza de instrumentos ou
vidraria em geral durante o seu uso na bancada, ou para completar volumes quando na aferição destes.

Cápsula de porcelana:
Usada no auxílio da evaporação de líquidos com fins de separar destes sólidos existentes.
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almofariz (ou gral) e bombas manuais (pêras)


pistilo
balança analítica estufa de secagem

Almofariz e pistilo:
Conjunto de peças de porcelana destinado à maceração de sólidos, a fim de torná-los finamente divididos.

4 APLICAÇÕES E PROCEDIMENTOS CORRETOS NO USO DA VIDRARIA

Como visto no item anterior, a vidraria para uso em laboratório é diversificada em função dos diferentes usos e
aplicações requeridas nas atividades experimentais. Para cada ação no laboratório há o instrumento ou o frasco mais
apropriado e o procedimento correto.
Algumas ações corriqueiras realizadas em laboratório são:
 Ensaios químicos, nos quais se observa a reação química;
 Pesagem de sólidos;
 Dissolução de sólidos;
 Transferência de líquidos;
 Preparação de soluções com concentração definida;
 Separação de misturas heterogêneas sólido-líquido;
 Separação de misturas de líquidos imiscíveis;
 Análise volumétrica (quantitativa);
 Medidas de volume de líquidos em geral.

4.1 ENSAIOS QUÍMICOS E TUBOS DE ENSAIO

Muitos ensaios químicos em pequena escala e de natureza qualitativa são realizados em tubos de ensaio. Em
muitos casos, o analista necessita saber se uma determinada reação química ocorrerá ou não. Para isso, ele põe uma
pequena quantidade de amostra em um tubo de ensaio e sobre ela adiciona o reagente para, em seguida, observar a
ocorrência de reação. A verificação da ocorrência de reação é feita visualmente ou através da percepção de aquecimento
do tubo de ensaio. Mudança de cor, formação de precipitado ou produção de gás são fenômenos visuais que evidenciam a
ocorrência de reações químicas. O aquecimento do tubo é decorrente da liberação de calor de reações exotérmicas.

4.2 PESAGEM DE SÓLIDOS

Basicamente, três coisas são necessárias para se pesar um sólido: espátula, para a retirada do sólido de dentro do
frasco, um recipiente sobre o qual o sólido será pesado (vidro de relógio, béquer, papel manteiga) e a balança analítica.
Normalmente, os sólidos pesados são reagentes que deverão ser empregados em ensaios (análises) ou como
material de partida para a obtenção de outras substâncias e, geralmente, esses sólidos serão dissolvidos em água ou outro
solvente qualquer. Por exemplo, se quisermos preparar uma solução de cloreto de sódio, podemos retirar o sal com o
auxílio de uma espátula, pesar em um béquer para, depois, dissolvê-lo com água no mesmo béquer em que foi pesado. Se a
quantidade de sólido é muito pequena e este precisa ser transferido para outro recipiente, seria interessante então pesá-lo
em vidro de relógio ou em um pedaço de papel manteiga.
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O uso da balança deve ser feito com muito cuidado, porque se


trata de um equipamento sensível e caro; deve-se evitar derramar
material sobre sua superfície. Em caso de derramamento de material
sólido, deve-se usar pincel com cerdas suaves para a sua remoção.
Para pesar, fazemos o seguinte: (1) colocamos sobre o prato da
balança o recipiente no qual será pesado o material, (2) fechamos as
portinholas de vidro e, em seguida, (3) apertamos a tecla TARA (tarar a
balança). Feito isso, a balança irá zerar e acusar no display apenas o
peso do material que iremos pesar. Então, (4) colocamos no recipiente o
material que queremos pesar e lemos o peso no display.
Devem-se evitar quaisquer perturbações nas proximidades da
balança como, por exemplo, encostar-se na bancada onde ela se
encontra, fazer movimentos que gerem vibrações nas imediações e,
inclusive, dependendo do caso, é interessante desligar os ventiladores.
Quaisquer movimentos podem causar erros na pesagem em
balanças digitais de precisão.

4.3 DISSOLUÇÃO DE SÓLIDOS

Sólidos são dissolvidos, geralmente, durante o preparo de soluções. Esse procedimento é melhor realizado
usando-se béquer e com o auxílio de um bastão de vidro. Se o processo é muito exotérmico (libera muito calor), como é o
caso da dissolução de hidróxido de sódio ou hidróxido de potássio, recomenda-se colocar o béquer dentro de uma tigela
contendo água e gelo.

4.4 TRANSFERÊNCIA DE LÍQUIDOS

Alguns reagentes são líquidos e vêm concentrados e em frascos apropriados. Dois exemplos são: ácido clorídrico
e ácido sulfúrico. Para preparar soluções com concentração conveniente (diluída), tomamos uma pequena quantidade do
líquido desejado e dissolvemos em água. Diferentemente dos sólidos, o procedimento não envolve a pesagem do líquido,
mas a transferência de um certo volume desse líquido, retirado do frasco de origem, para o recipiente apropriado (béquer,
balão volumétrico etc.).
Outras situações em que se realiza a transferência de líquidos são, por exemplo, o transporte de água destilada do
destilador ou pote reservatório para algum recipiente. Isso pode ser feito em béqueres, provetas, balões etc. dependendo da
precisão requerida na medida de volume. Por exemplo, ninguém vai medir o volume de água em um béquer, quando a
medida de volume deve ser muito precisa!
Num processo de separação, talvez seja necessário retirar o líquido de uma mistura heterogênea, ou mesmo
transferir um líquido de um frasco para outro. Nesses casos, costuma-se usar um bastão de vidro e sobre este o líquido é
derramado, para facilitar a transposição.
Orifício superior
O uso da pipeta

Para preparar uma solução diluída e de concentração definida, a partir de um líquido, devemos
usar a pipeta. Há dois tipos básicos de pipetas: volumétrica e graduada. Uma pipeta volumétrica é usada
para a transferência de um volume fixo de líquido, com precisão maior que as pipetas graduadas. Já a
pipeta volumétrica, apesar de menos precisa que as graduadas, permite a transferência de volumes
variáveis de líquido.
Para succionar o líquido e encher a pipeta, devemos usar uma bomba manual, também
conhecida como pêra. Nunca a boca! E não devemos pegar a pipeta de qualquer forma. O procedimento
correto é o seguinte: seguramos a pipeta, próximo do orifício superior, empregando para isso o polegar
e os três últimos dedos da mão (excluindo o indicador). Com o dedo indicador, fechamos o orifício
superior, a fim de segurar o líquido que estiver em seu interior e impedindo que ele escorra em qualquer
lugar. Se houver uma pêra conectada na pipeta, não será necessário fechar o orifício superior com o
dedo indicador. O que não se deve fazer é fechar esse orifício com o dedo polegar.
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A figura ao lado mostra a maneira adequada de segurar a pipeta e


manipular líquidos em seu interior.

4.5 PREPARAÇÃO DE SOLUÇÕES COM CONCENTRAÇÃO CONHECIDA

Com muita frequência são preparadas soluções em laboratório com concentração bem definida para diferentes
finalidades, como análises, meios reacionais etc. As soluções assim preparadas geralmente empregam a água como
solvente e o soluto pode ser outro líquido ou um sólido que será dissolvido.
Imagine que você necessita preparar 500 mL de uma solução com concentração de 1 mol por litro, do composto
NaCl. Qual será seu primeiro procedimento? Calcular a massa de NaCl que deverá ser pesada.
Se o soluto é um líquido, precisamos saber qual sua concentração no frasco de origem, uma vez que a maioria
dos reagentes líquidos são, na verdade, misturas homogêneas do soluto com água, ou seja, são soluções; todavia, essas
soluções apresentam concentração muito superior àquela requerida para as soluções necessárias no laboratório. Conhecida
a concentração de origem e sabendo qual será a concentração desejada e o volume final, podemos aplicar a fórmula:
C2 x V2 = C 1 x V 1
V2 é o volume final, no caso do exemplo acima, 500 mL. V1 é o volume do líquido que deverá ser retirado do frasco de
origem e transferido para um balão volumétrico, com o auxílio de uma pipeta.
A vidraria utilizada para medir o volume final é, obrigatoriamente, um balão volumétrico e o procedimento para
acertar o volume de líquido conforme as especificações encontra-se na página 6.

4.6 SEPARAÇÃO DE MISTURA HETEROGÊNEA SÓLIDO- LÍQUIDO

Na maioria dos casos, um funil simples com papel de filtro resolve o problema.
Todavia, às vezes o sólido é tão fino que obstrui os microscópicos orifícios do papel de filtro
e você pode esperar um dia todo e o líquido não vai descer. Nesse caso, emprega-se funil de
Büchner e kitassato ligado a um sistema gerador de vácuo. O vácuo produzido facilita a
passagem da água no papel de filtro porque produz uma sucção forte e a filtração ocorre
rapidamente.
Há casos em que se deseja apenas uma decantação. Na decantação, um sólido fino
que está em suspensão num recipiente (espalhado pelo solvente) é deixado decantar e se
depositar no fundo durante algum tempo. No caso de haver pressa, usa-se uma centrífuga
(figura ao lado). Seu papel é acelerar o processo de decantação o que ocorre graças ao seu
movimento rotatório rápido com o qual surgirá uma força centrífuga atuando sobre os frascos
e seus conteúdos, simulando a força gravitacional, porém aumentada de muitas vezes.

4.7 SEPARAÇÃO DE MISTURAS DE LÍQUIDOS IMISCÍVEIS

Dois líquidos são considerados imiscíveis quando eles não formam uma mistura homogênea, como é o caso da
água com óleo, ou da água mais a gasolina. A separação desse tipo de mistura geralmente é feita com o emprego de funil
de separação, algumas vezes chamado inadequadamente de funil de decantação. Mas a questão é: como é que os dois
líquidos foram se misturar? Ou, para que alguém juntaria dois líquidos imiscíveis?
Muitas vezes podemos ter uma solução formada por alguns ou muitos solutos dissolvidos em água. Todavia, uns
solutos têm mais afinidade por um solvente apolar (hexano, clorofórmio, éter etílico etc.) do que por um solvente polar
(água). Esses solutos podem ser extraídos da água com o uso de um solvente apolar que não se miscibiliza com a água. É
aí que entra a mistura de água mais um solvente apolar e o uso do funil de separação.
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5 PRÉ-LABORATÓRIO

1. Qual recipiente você usaria para pesar 100 g de NaCl?


2. Para que serve a espátula?
3. Para que serve o bastão de vidro?
4. Para que servem as bombas manuais, também chamadas de pêras?
5. É possível medir volumes variados em pipetas volumétricas? Explique.
6. Você está trabalhando numa bancada e, de repente, um frasco cheio de líquido corrosivo vira sobre você. Você está
de jaleco. O que você faria?
7. O que é um EPI? Cite dois exemplos.
8. Você precisa preparar uma solução diluída de ácido sulfúrico e você dispõe de água destilada e ácido sulfúrico
concentrado. Como você faria para obter a solução diluída? Qual líquido você poria primeiro no recipiente e qual
você adicionaria depois?
9. Qual a finalidade da capela com exaustor?
10. Em qual desses três recipientes você prepararia uma solução de concentração definida? Béquer, erlenmeyer ou
balão volumétrico?
11. Qual dos seguintes frascos você não colocaria numa estufa para secar? Béquer, pipetas, erlenmeyer, balão
volumétrico, bastão de vidro. Justifique.
12. Você necessita de mais ou menos 100 mL de água para adicionar a um sistema em que está ocorrendo uma reação.
Esse volume aproximado de água servirá apenas para diluir a mistura reacional. Qual frasco você usaria para
acomodar e transferir essa quantidade de água?
13. Descreva, claro e sucintamente, os procedimentos para preparar 200 mL de uma solução 2,0 mol/L de NaOH.
Mostre os cálculos quando forem necessários.
14. Você precisa preparar 200 mL de uma solução de HCl 0,5 mol/L. Sabendo que o reagente encontra-se num frasco
P.A. à concentração de 12 mol/L, como você prepararia essa solução? Mostre os cálculos quando forem
necessários.

6 ATIVIDADES

Serão apresentadas as instalações do laboratório de química geral. Nas bancadas encontrar-se-ão alguns fracos e
instrumentos comumente usados nos laboratórios de química, que serão apresentados aos alunos.
Serão feitas perguntas aos alunos sobre os procedimentos e aplicações no uso desses materiais: como pesar
sólidos, como medir volumes, a finalidade de diferentes frascos, como se prepara uma solução. Essas perguntas serão
baseadas no pré-laboratório.
Serão discutidas também as questões relacionadas com a segurança e correto uso do laboratório de química.

7 PÓS LABORATÓRIO

Não serão solicitadas atividades para serem entregues após essa aula, relacionadas a ela.