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ATIVIDADE 6 - PARA APRENDIZAGEM REMOTA

ENSINO FUNDAMENTAL I

Atividades
LEIA o texto.
O CÃO SUSPEITO
(Parte 1)
1 Podem me chamar de Capim, detetive Capim. Todo dia, Mila, Tom e eu nos reunimos no
clubinho secreto aguardando que um novo caso surja para ser desvendado. Quando nada
acontece, passamos a tarde jogando Uno. Ultimamente, o Prédio Azul anda calmissíssimo,
como diria o Tom. Só que, depois da calmaria, sempre vem a tempestade, e esse silêncio todo
não me engana.
— Vocês acham que a síndica pode estar aprontando alguma? — perguntei aos meus
amigos, depois de mais uma rodada de Uno.
— Ainda não ouvi o grito-sirene dela chamando o Severino.
— Tem razão, Mila. Essa mulher anda mesmo quietissíssima — observou Tom.
5 — Vai ver arrumou algum trabalho para se ocupar. Tomara que se esqueça de vez da
gente — desejou Mila.
— Ela não vai esquecer a gente nunca! Pode ter certeza — afirmou Tom.
— Tem razão. Temos que continuar de olho — falei, já me aproximando da fechadura da
portinha para dar uma espiada.
Espiei para um lado e para o outro, sem ver nada de anormal. Quer dizer, ver, eu não vi.
Mas senti! Sim. Senti um cheiro de bolo tão bom que resolvi chamar os meus amigos para
perto:
— Tom! Mila! Estão sentindo esse cheirinho bom? Ai, que vontade de comer um bolo
bem quentinho! Quem será que está na cozinha?
10 — Se o bolo for da dona Leocádia, melhor manter distância, Capim! — disse Mila.
— Sério? Mas parece cheiro de bolo de chocolate!
— É bom você saber, Capim: nunca coma nada que venha das mãos da dona Leocádia,
ok?
— Mas por quê, Mila? É perigoso?
— Confie na gente, cara. Fique longe das comidinhas dela ou...
15 — Ou?
— O risco será todo seu! — afirmou Tom, com uma voz grave.
— Acham que ela pode querer envenenar a gente? — perguntei.
— Nós temos sérias suspeitas de que a dona Leocádia é quase... quase uma bruxa! —
sussurrou Mila.
Fiquei mudo. Aquilo era mesmo preocupante. Eu já tinha visto gente malvada, mas uma
quase... quase bruxa eu ainda não conhecia. Recuei para longe da porta, para não sentir mais o
cheiro daquele bolo delicioso e não ficar tentado ir lá pedir um pedacinho.
20 — Ei, Mila, qual é o seu maior sonho? — Tom perguntou, mudando de assunto.
— Meu sonho é ter um mascote aqui no clubinho — ela respondeu.
— Um mascote, tipo... um animal?
— Mais precisamente, um gato. Que tal? Um gato chamado Gorki! — falou Mila, já
desenhando o bichano no papel.
— Boa ideia, mas... vocês sabem quando a dona Leocádia vai deixar a gente ter um gato
no prédio dela? Nunca! — disse Tom, desanimado.
25 — Tudo bem, mas e se ela deixasse? Que bicho você gostaria de ter, Tom? — perguntei.
— Ah, Capim. Se ela deixasse, eu teria um papagaio chamado Compadre.
— Fala sério! — ponderou Mila — Um papagaio ficaria falando sem parar. Gatos são
muito mais quietos e espertos.
— Pois eu preferia ter um cachorro — falei. — Sempre sonhei ter um cão chamado Bóris.
— Bóris? — riu Tom. — Parece nome de espião russo!
30 — Por isso mesmo. — Seria perfeito para andar junto com os detetives do Prédio Azul,
não acham?
De repente, Mila, que fazia o seu turno espiando pela fechadura da porta do clubinho,
abriu o maior sorriso e me chamou:
— Venha ver isso, Capim. Acho que hoje é o seu dia de sorte! Seu
amigo Bóris acaba de entrar no prédio.
— Verdade!? — exclamei, já pulando para ver.
Tom e eu nos esprememos para olhar pelo buraco da fechadura: o
cachorro era um Golden Retriever grande, peludo, muito bonito. Talvez tivesse se perdido dos
donos. Ou, quem sabe, estava em busca de um novo lar e de um novo dono? Ficamos muito
animados e, sem que ninguém nos visse; saímos do clubinho atrás dele. Aquele cachorro tinha
que ser nosso!
35 O cão estava na portaria, fuçando o tapete da entrada, quando me aproximei dele,
chamando:
— Venha cá, Bóris, venha...
O cachorro atendeu na hora. Parecia ter gostado do nome. Aproximou-se de mim,
aceitou um carinho e se deitou aos meus pés. Tom foi buscar água, Mila sacou da capa
vermelha uma escova para pentear aquele belo pelo cor de caramelo, e eu tirei da minha capa
uma bola de tênis para treinar nosso mascote.
Atirei a bola com força, e nosso craque, Bóris, a abocanhou com um salto. Depois, pedi
que se sentasse e estendesse a pata. Ele sabia fazer tudo, até rolar pelo chão. Parecia um cão
bem treinado, educado, incrível.
— Esse cachorro tem dono, com certeza! Por que será que entrou aqui?
40 — Não sei, Capim. Vai ver ele fugiu de alguém que o tratava mal —
sugeriu Tom.
— Mas ele não tem nenhuma ferida! — observei.
— Tem razão — concordou Mila. — Ele está com a coleira e parece
ter sido muito bem-cuidado.
— Alguma coisa aconteceu com ele, Tom. E nós temos que descobrir o que foi — falei.
Enquanto Tom e eu pensávamos em interrogar os porteiros da rua buscando pistas
sobre a origem daquele belo Golden retriever, Mila continuava brincando com Bóris, sem pensar
em mais nada. Estava tão confiante que pegou a bola da minha mão e a arremessou com toda
a força:
45 — Corra, Bóris! Pegue essa!
Preciso contar um detalhe: Mila é uma garota linda, mas muito desastrada. E, assim que
ela atirou a bola, ouvimos um grito conhecido:
— Pestes, pulgas, pirralhos! Eu acabo com vocês!
A bola tinha acertado em cheio o braço de dona Leocádia, que urrava de dor. Isso é o
que eu chamo de falta de sorte!
Furibunda, dona Leocádia tirou o chinelo do pé, pronta para alguma maldade. Mas... que
erro! Na mesma hora, Bóris pulou na mão da síndica e abocanhou o chinelo, fugindo em
disparada.
50 — Socorro! Um monstro no MEU prédio! Ele me mordeu! Roubou meu chinelo. Eu acabo
com a sua raça!
Dona Leocádia saiu correndo atrás de Bóris, fazendo de tudo para alcançar nosso
mascote. Ao ver aquilo, tive uma única certeza: nossos problemas estavam apenas
começando...
Bóris atravessou o pátio latindo, e quando voltou para perto de nós... o chinelo havia
desaparecido. Dona Leocádia fazia ameaças assustadoras:
— Eu acabo com esta fera raivosa! Este ser perigoso engoliu o meu chinelinho chinês!
Minha preciosidade... Seus pivetes! Ou vocês devolvem o meu chinelo ainda hoje ou podem
dizer adeus a esse cão ladrão!
Dizendo isso, a síndica puxou Bóris pela coleira para dentro de sua casa:
55 — Este cachorro é um perigo para a humanidade! Está confiscado!
Era só o que faltava! Nosso mascote ser confiscado por aquela... quase bruxa! Só nos
restava uma saída: achar o chinelo e trocar pela liberdade de Bóris. Mas onde ele teria
escondido a tal "preciosidade chinesa"?
A missão foi até bem fácil para três detetives atentos como nós. Afinal, as pistas eram
muito evidentes: uma planta destruída, um bocado de terra mexida e, debaixo da terra, o
chinelo. O problema é que a alça estava arrebentada e dona Leocádia não iria gostar nadinha
de ver o seu amado chinelo naquele estado lastimável.
— Ah, não se preocupem. Um bom sapateiro pode resolver esse problema rapidinho
— disse Mila.
— Espero que a dona Leocádia concorde com você, Mila. Ou.. adeus Bóris! — falei,
desanimado.
60 — Nada de desânimo, Capim. Temos que agir rápido — decidiu Tom, já tocando a
campainha.
Quando a síndica abriu a porta, entregamos o chinelo e notamos que ela estava ainda
mais furiosa do que antes. Seria por causa da alça rasgada? Ou... o que mais teria acontecido?
— Esse cachorro é maluco! Rouba tudo, esconde tudo, morde tudo. No meu prédio ele
não pode ficar nem mais um minuto. Vou ligar agora mesmo para o abrigo de animais!
— Abrigo de animais? Nunca! — exclamei, apavorado.
— A carrocinha tem que levar esse monstro daqui.
65 — Mas nós já devolvemos o seu chinelo, dona Leocádia. Agora devolva o nosso
cachorro — implorei.
Uma coisa eu já devia ter aprendido: não é nada fácil negociar com uma mulher
autoritária. Parece que nós estamos sempre devendo algo, enquanto ela nunca cumpre o
prometido [...].

Fonte: Flávia Lins e Silva. Os detetives do prédio azul: primeiros casos. 2013.

1. RELEIA.
“Tom foi buscar água, Mila sacou da capa vermelha uma escova para pentear aquele belo
pelo cor de caramelo, e eu tirei da minha capa uma bola de tênis para treinar nosso
mascote”. (37º parágrafo)

No trecho, a palavra destacada pode ser substituída, sem alteração de sentido, por
A) limpou.
B) pegou.
C) perfurou.
D) retirou.
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2. REESCREVA as frases, substituindo as palavras destacadas, por outros termos de mesmo


sentido.
a) “— Ainda não ouvi o grito-sirene dela chamando o Severino.” (3º parágrafo)
b) “— Mais precisamente, um gato. Que tal? Um gato chamado Gorki!” (23º parágrafo)
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3. RELEIA a frase do texto e COMPLETE o quadro.
“Espiei para um lado e para o outro, sem ver nada de anormal. Quer dizer, ver eu não vi.
Mas senti! Sim. Senti um cheiro de bolo tão bom que resolvi chamar os meus amigos para
perto”. (8º parágrafo)

Personagem a que se refere o


trecho.

Característica do personagem a
partir dessa ação.

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4. RELEIA.
“— Nós temos sérias suspeitas de que a dona Leocádia é quase... quase uma
bruxa! — sussurrou Mila.” (18º parágrafo)

EXPLIQUE o motivo de as crianças considerarem Dona Leocádia uma bruxa.


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5. RELEIA.
“— Esse cachorro tem dono, com certeza! Por que será que entrou aqui?”
(39º parágrafo)

Por que o personagem Capim afirma que o cachorro já tinha dono?


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6. ASSINALE a alternativa que apresenta o assunto principal do texto.
A) A escolha de um novo mascote para o clubinho.
B) O bolo de chocolate feito por dona Leocádia estar, possivelmente, envenenado.
C) O cachorro Bóris ter pegado o chinelo de Dona Leocádia e o destruído.
D) O cachorro Bóris ter sido levado para o abrigo de animais.

7. IDENTIFIQUE a que ou a quem os substantivos destacados estão se referindo.


a) “— Tem razão, Mila. Essa mulher anda mesmo quietissíssima — observou Tom.”
(4º parágrafo)
b) “[...] falou Mila, já desenhando o bichano no papel”. (23º parágrafo)
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8. RESPONDA:
a) EXPLIQUE o motivo de, na questão anterior, terem sido usados outros substantivos para
fazer referência a personagens do texto.
b) INDIQUE a flexão de gênero dos substantivos destacados na questão anterior.
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9. Nas frases a seguir, há a utilização de linguagem informal. REESCREVA as frases,
substituindo os trechos destacados, por expressões em linguagem formal.

a) “— Confie na gente, cara. Fique longe das comidinhas dela ou...” (14º parágrafo)
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b) “A bola tinha acertado em cheio o braço de dona Leocádia, que urrava de dor. Isso é o que
eu chamo de falta de sorte!” (48º parágrafo)
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c) “Vou ligar agora mesmo pro abrigo de animais!” (62º parágrafo)


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