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Aluno: Pedro Costa Azevedo.

NEVES; Pessanha Delma. Desenvolvimento social e mediadores políticos.


In:________ (Org.) Construindo pontes conceituais. Pobreza urbana, segregação e
redes. Porto Alegre: Editora da UFRGS: Programa de Pós- Graduação em
Desemvolvimento Rural, 2008, p. 21-44.

Neves começa a sua explanação concedendo a pobreza um fenômeno


multidimensional, gerados por diversos processos sociais, inseridos no social e
econômico dos indivíduos. Partindo da trajetória de vida, que possibilita os indivíduos a
introdução e a estruturas diversas, a autora aspira aos atributos e as credenciais
(voltados a estratégias, práticas e eventos sociais cotidianos) como forma de analise. A
estrutura é colocada por Neves como a mediadora dos indivíduos no espaço urbano e
pelas redes sociais que os adicionam e, operacionalizadas por mecanismos diversos e
articulados. Contudo, o presente capitulo busca analisar, a partir das leituras do referido
tema, de que maneira a pobreza, os espaços e redes se integram dinamicamente.
A partir de um conjunto de elementos articulados as condições de vida, Neves
mostra que há uma gama de variáveis inseridas na analise da pobreza. Havendo um
estilo hegemônico, no debate brasileiro, para analisar esse fenômeno. Estilo este que
conserva a questão dos ativos na obtenção de rendimentos monetários, onde esse fator é
composto pelo capital físico (acesso a moradia, posse de bens duráveis e entre outros).
“Segundo essa visão, a pobreza seria gerada pela ausência de ativos (Moser, 1998),
sendo os locais geográficos da sua concentração marcados pelo que Wacquant
(1996,p.149) denominou criticamente “premissa da desorganização”” (p. 28; 3§).
Mesmo que a incorporação de atributos individuais, como por exemplo, a escolaridade,
é lançada, pela pobreza, uma “incapacidade individual de obter rendimentos de forma
atomizada no mercado” (p. 29; 1§). Deste modo, a analise não soluciona as demandas
do problema, no ponto em que a partida antológica da problemática é um fenômeno
produzido individualmente.
A idéia difundida nas ciências socias esta circunscrita na produção e reprodução
do bem-estar nas sociedades contemporâneas.Idéia subdividida em três aspectos;
mercados, Estado e comunidade/família, assim associadas a diferentes inserções
econômicas; trocas mercantis, retribuição e solidariedade. “Em cada caso, o bem-estar
seria produzido por uma combinação especifica e dinâmica dessas três instancias, e a
pobreza seria causada pelo provimento do bem-estar em quantidade ou qualidade
insuficiente ao conjunto dessas esferas, mediadas por estruturas de médio alcance, como
as instituições, o espaço, as redes sociais e as estratégias individuais” (p. 29; 4§). Por
esse meio a pobreza é considerada multidimensional, dirigidas por vários processos,
tanto supraindividuais e extraeconômicos, onde são convencionadas de acordo com
cada sociedade de diferentes formas.
No que Wacquant afirma, existe uma pobreza urbana, esta que não esta
estritamente relacionada ao desenvolvimento, mas ao dinamismo econômico do
capitalismo contemporâneo. No que diz a um novo fenômeno presente nas grandes
cidades, o hipergueto, vinculado ao crescimento das desigualdades, a dualização do
mercado de trabalho, a contração do estado do bem-estar, a aglutinação da pobreza e os
estigmas territoriais ligados a violência. Toda essa explanação é refutada, por Neves,
“na inexistência de dispositivos legais nas cidades brasileiras”, desta forma
desconsidera o termo de gueto nas periferias (mesmo que seja observados graus de
separação nesse território) (p. 32; 3§).
Outro ponto da problemática é a segregação social, que ocorre de maneiras
diferentes e em distintas escalas, ao passo que pode ser observada na macrosegregação,
na totalidade da cidade, como na microsegregação, difundida nos bairros e locais de
uma forma separada. Segregação que não pode ser vista apenas pelo fator de
acessibilidade desigual, mas também atenuar a desigualdade como característica de
especificar e reproduzir a segregação. Sendo assim, Neves elucida que a “melhor”
forma conceitual deste fenômeno é ostentar as especificidades de cada grupo e não a
separação de um determinado grupo em detrimento a outro.
A incorporação de dinâmicas sociais no presente estudo leva a uso do termo
capital social, desenvolvidos por autores como; Coleman (1988), Bourdieu (1986) e
Putnam (1996). Neves utiliza Bourdieu para esboçar e esclarecer comportamentos
específicas e características societais, através do conceito do capital social. Já Coleman
tenta incorporar elementos da estrutura social dentro do quadro conceitual da ação
racional, assim apontando o fato da desistência escola. E, por conseguinte Putnam que
pesquisa o comportamento cívico e o capital social de indivíduos situados em uma dada
região da Itália e, posteriormente na sociedade americana. O conceito advindo de
ambos os autores vêem definir um vasto conjunto de elementos de nível individual,
coletivo e societal no cerne de inúmeros outros autores - “o que inclui desde confiança e
associativismo na sociedade até confiança interpessoal e padrões de conexão entre
indivíduos, passando por comportamentos cívicos e confiança na escala do bairro e da
vizinhança, entre outros” (p. 38; 3§). Elementos que seriam oriundos de certas relações
sociais, que combinam atitudes de confiança com reciprocidade e cooperação, assim
“afetando” direcionamento na qualidade política e econômica (perpassados na
implementação de boas ou ruins políticas públicas).
Outro ponto que toca na questão do capital social são as redes e os seus recursos,
uma vez que, para muitos as redes são uma faceta da capital social. Redes que possuem
três elementos; as estratégias individuais, a construções de coesão no interior dos
contextos sociais e inserção desses contextos nas comunidades sociais mais amplas.
Reproduzidas pela obtenção de status, pois os indivíduos investem em recursos para
um fim ultimo, podendo ser pessoal como social e, baseada em “vínculos diretos ou
indiretos de suas redes de relação” (p.39; 3§) “ A realização de status ao longo do ciclo
de vida, portanto, evolvendo tanto o acesso a capital social entendido como o conjunto
de recursos acessados por um certo indivíduos pela sua origem e sua redes ( educação,
status inicial e da família e recursos relacionais iniciais) quanto a sua mobilização, que é
influenciada pela utilização das redes ( estruturas e força dos vínculos e o status do
contatos).” (p. 39; 3§)
No que Briggs abarca sobre a operacionalização do capital social com a rede,
podemos entendê-la em três ênfases: através dos contatos, proporcionados na rede,
obtendo o status pela melhoria de seus atributos individuais; já o segundo refere-se ao