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Universidade Politécnica

A POLITÉCNICA

Escola Superior Aberta

GUIA DE ESTUDO
Direito Fiscal e Aduaneirode
Curso de Ciencias Juridicas
(2º Semestre)

Moçambique
FICHA TÉCNICA

Maputo Agosto 2011

© Série de Guias de Estudo para o Curso de Ciencias


Jurídicas (Ensino a Distância).

Todos os direitos reservados à Universidade Politécnica

Título: Guia de Estudo de Fiscalidade


Edição: 1ª

Organização e Edição
Escola Superior Aberta (ESA)

Elaboração
Arlindo da Costa Rosário (Conteudo)
Arlindo da Costa Rosario (Revisão Textual)
UNIDADES TEMÁTICAS

Tema Pag.

Actividade Financeira ...... 2


Direito e Fiscalidade ...... 5
Do imposto ...........................................................8
Principios Constitucionais do Direito Fiscal......................................14
Fontes do Direito Fiscal....................................................................20
Interpretação, Integração e Eficácia do Direito Fiscal........................22
A Relação Juridico-Fiscal..................................................................24
O sistema fiscal moçambicano, evolução e prespectivas....................30

O comercio Internacional . ...........................74

Conceito e natureza jurídica do Direito Aduaneiro ..79

Pressupostos para a existência do Direito Aduaneiro . 81

Chave de Cor 83
Ciencias Jurídicas Direito Fiscal e Aduaneiro Semestre 2

APRESENTAÇÃO

Caro(a) estudante
Está nas suas mãos o Guia de Estudo da disciplina de Direito Fiscal e
Aduaneiro que integra a grelha curricular do Curso de Licenciatura em
Ciencias Jurídicas oferecido pela Universidade Politécnica na modalidade de
Educação a Distância.

Este guia tem por finalidade orientar os seus estudos individuais neste
semestre do curso. Ao estudar a disciplina de Direito Fiscal e Aduaneiro, você
ira adquirir os conhecimentos técnicos-jurídicos que lhe permitirá interpretar e
aplicar as normas e principios que integram o sistema fiscal moçambicano.

Este Guia de Estudo contempla textos introdutórios para situar o assunto que
será estudado os objectivos específicos a serem alcançados ao término de
cada unidade temática, a indicação de leituras complementares isto é,
indicações de outros textos, livros e materiais relacionados ao tema em
estudo, para ampliar as suas possibilidades de reflectir, investigar e dialogar
sobre aspectos do seu interesse. Indicação de diversas actividades que
favorecem a compreensão dos textos lidos e a chave de correcção das
actividades que lhe permite verificar se você está a compreender o que está a
estudar.

Esta é a nossa proposta para o estudo de cada disciplina deste curso. Ao


recebê-la, sinta-se como um actor que se apropria de um texto para expressar
a sua inteligência, sensibilidade e emoção, pois você é também o(a) autor(a)
no processo da sua formação em Gestão de Recursos humanos. Os seus
estudos individuais, a partir destes guias, nos conduzirão a muitos diálogos e
a novos encontros.
A equipa de professores que se dedicou à elaboração, adaptação e
organização deste guia sente-se honrada em te-lo como interlocutor(a) em
constantes diálogos motivados por um interesse comum a educação de

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pessoas e a melhoria contínua dos negócios, base para o aumento do


emprego e renda no país.
Seja muito bemvindo(a) ao nosso convívio.
A Equipa da ESA

UNIDADE TEMÁTICA 1

ACTIVIDADE FINANCEIRA DO ESTADO


Elaborado por Arlindo da Costa Rosário

Objectivos

No fim desta unidade voce deverá ser capaz de:

Discutir os conceitos relacionados a actividade financeira,


Conhecer quais os seus objectivos ou finalidades bem como a sua estrutura.

1. Actividade Financeira do Estado

O Estado e os demais entes públicos necessitam de bens materiais e recursos


humanos para satisfazerem as necessidades colectivas que hoje resultam das
múltiplas e diversificadas funções que os actuais ordenamentos lhes atribuem. Para
esses recursos é necessária disponibilidade de dinheiro que há-de ser obtido, em
larga medida, junto dos agentes económicos privados. Nas necessidades colectivas
incluem-se a justiça, a educação, a saúde, o acesso a bens essenciais, as infra-
estruturas, entre tantas outras.

Esta obtenção de receitas para com elas satisfazer as despesas públicas origina um
conjunto de relações, disciplinadas por normas jurídicas, entre os agentes
económicos privados e os entes públicos, maxime o Estado. Assim, a actividade
financeira do Estado resulta da obtenção e gestão das receitas necessárias para a
satisfação das necessidades colectivas de forma a realizar as despesas
correctamente. É a este conjunto de normas jurídicas que disciplinam a actividade
financeira do Estado e dos demais entes públicos que atribuímos o nome de direito
financeiro público complexo de normas jurídicas que regulam a obtenção e
distribuição do dinheiro necessário ao funcionamento das instituições públicas com
vista à satisfação das necessidades colectivas.

O direito financeiro estende-se por três áreas:


Direito das receitas

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Direito das despesas


Direito da Administração ou gestão financeira

1.1 Direito das Receitas: receitas patrimoniais derivadas do património mobiliário


(carteira de títulos), do domínio rural e das explorações industriais e
comerciais de utilidade pública; direito do crédito público que regula o recurso
aos empréstimos (crédito) das entidades públicas e a gestão da dívida
pública; e o direito das receitas coactivas em que se destaca o direito fiscal
ou seja o direito relativo às receitas coactivas unilaterais ou impostos.

1.2 Direito das despesas: regula a utilização das receitas pelos diversos entes
públicos encarregados de satisfazer necessidades públicas, bem como a
intervenção económicosocial (ex. benefícios fiscais).

1.3 Direito da administração ou gestão financeira: rege a organização e


funcionamento da administração financeira e cuja face visível é o direito
orçamental ou direito da contabilidade pública.

Existindo esta grande diversidade de normas, tem a doutrina procurado identificar


dentro do direito financeiro um segmento homogéneo para tratamento científico,
havendo divergência entre o direito da generalidade das receitas coactivas (direito
tributário) e o direito das receitas coactivas unilaterais (direito fiscal). Por vezes
confunde-se o direito tributário com o direito fiscal ou vice-versa, sendo não raras
vezes o adjectivo tributário utilizado como sinónimo de fiscal (relação tributária,
obrigação tributária, substituição tributária, responsabilidade tributária, etc).

Leituras Complementares
Ribeiro, José Joaquim Teixeira; Lições de Finanças Públicas; 5ª Edição, Refundida
e Actualizada- Coimbra Editora, páginas 19-34.

Franco, António L.de Sousa; Finanças Públicas e Direito Financeiro; Vol.I e II; 4
Edição, Almedina Editora.

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Actividades
A seguir, estão as actividades correspondentes a esta primeira unidade. Resolva os
exercícios propostos e verifique se acertou, conferindo a sua resposta na Chave de
Correcção no final do presente Guia de Estudo.

Actividade 1

1. Diga o que entende por actividade financeira?


2. Que tipos de bens intervêm na satisfação de necessidades colectivas?
3. O que entende por Finanças Públicas?
4.
das necessidades públicas têm a designação de Receitas Públicas. As
receitas públicas são geralmente de natureza muito diversa com
classificações por vezes complexas, cuja sede própria de estudo é o Direito

Moçambique e especifique a proveniência de um tipo de receita pública a sua


escolha.

REFERÊNCIAS

Ribeiro, José Joaquim Teixeira; Lições de Finanças Públicas; 5ª Edição, Refundida


e Actualizada- Coimbra Editora, Ano 1997

Franco, António L.de Sousa; Finanças Públicas e Direito Financeiro; Vol.I e II; 4
Edição, Almedina Editora.

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UNIDADE TEMÁTICA 2

DIREITO E FISCALIDADE
Elaborado por Arlindo da Costa Rosário

Objectivos
No fim desta unidade voce deverá ser capaz de:

Distinguir Direito Fiscal e Fiscalidade, a Política Fiscal da Técnica Fiscal

2. Direito Fiscal e Fiscalidade

do
dos cidadãos, quer ao tesouro público, por recolher todas as receitas
provenientes de tributos. O que os romanos utilizavam para
os contribuintes depositarem os seus impostos.

A fiscalidade é uma expressão que hoje tem um sentido técnico amplo e que
corresponde aos anseios dos que querem apetrechar-se para uma vida
profissional com conhecimentos variados e práticos sobre as estruturas dos
órgãos da Administração Fiscal, actuação destes e dos contribuintes perante as
imposições legais, designadamente as acções necessárias ao lançamento,
liquidação e cobrança dos impostos.

Os impostos em Mocambique podem ser analisados de acordo com a seguinte


divisão:

impostos sobre o património (imposto municipal de SISA, contribuição


autárquica)

impostos sobre o rendimento (IRPS, IRPC)

impostos sobre a despesa ou o consumo (IVA, imposto automóvel,


impostos sobre os produtos petrolíferos, imposto sobre o tabaco).

Numa análise dicotómica, os impostos podem também ser divididos em directos


e indirectos.

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O sistema fiscal é composto pelo devedor do imposto (sujeito passivo ou
obrigado fiscal), pelo credor (sujeito activo), por um objecto (prestação do
imposto), por umacto tributário (formalismo de suporte legal à quantia a pagar) e,
ainda, um conjunto de garantias destinado a regular os direitos e deveres de
cada uma das entidades.

A par da expressão Direito Fiscal, o termo Fiscalidade, aliás de conteúdo mais


lato, pois inclui, para além do Direito Fiscal, o estudo da Técnica Fiscal e da
Política Fiscal. Por outro lado, da Ciência Fiscal, na medida em que esta
expressão implica a visão abstracta e científica daquelas matérias, ao passo que
o termo fiscalidade indica um tratamento predominante concreto e técnico.

No que tange a esta divisão da fiscalidade em técnica e ciência, não tem sido
Ciência Fiscal Hoje fiscalidade para substituir a
expressão algo pretensiosa de Ciência Fiscal. Embora este termo apareça em
livros da especialidade, revela-se inadequado agrupar, como sendo ciência
unitária.

O Direito Fiscal é o direito dos impostos, isto é, o ramo do Direito que se ocupa
do estudo das normas jurídicas relativas ao imposto.

2.1 Direito Fiscal, Técnica Fiscal e Política Fiscal

O direito fiscal é o direito dos impostos, isto é, o ramo do direito que se ocupa das
normas jurídicas relativas ao imposto. Cabe-lhe o estudo das normas reguladoras
das relações jurídicas emergentes da existência dos impostos, desde as normas da
soberania fiscal, a formulação da lei fiscal, as fontes, a interpretação e a aplicação da
lei fiscal até ao nascimento, o desenvolvimento e a extinção da obrigação fiscal e os
elementos da relação jurídico-fiscal: sujeitos do imposto, objecto, facto jurídico e
garantia.

A técnica fiscal é a parte da fiscalidade que se ocupa dos métodos e processos


aplicáveis para a obtenção dos resultados fiscais desejados. A ela cabe-lhe analisar
a lei fiscal através do exame dos processos de estabelecimento e execução da lei
fiscal sendo, assim, a imagem prática dos conhecimentos teóricos da matéria fiscal.

A política fiscal visa o estudo dos mecanismos fiscais a utilizar pelos governos para
atingir determinados objectivos. Na sua política fiscal o Estado pode visar só o
aumento de receitas públicas e pode optar entre criar um novo imposto, directo ou
indirecto, sobre o capital ou sobre o rendimento; ou aumentar a receita de um certo
imposto, aumentando a taxa, a base tributável, recorrendo a uma taxa progressiva
em vez da taxa proporcional vigente. O Estado pode desejar uma política anti-
inflacionista ou uma diferente repartição social da riqueza. Todas estas situações
pertencem ao domínio da Política Fiscal.

Leituras Complementares
Ibraimo, Ibraimo; O Direito e a Fiscalidade; ART C;2000. Pag.23

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Martinez, Pedro Soares; Manual de Direito de Fiscal, Edições Almedina, Ano 1998

Actividades
A seguir, estão as actividades correspondentes a esta primeira unidade. Resolva os
exercícios propostos e verifique se acertou, conferindo a sua resposta na Chave de
Correcção no final do presente Guia de Estudo.

Actividade 1

1.Refira-se à natureza jurídica do Direito Fiscal, justificando com base em 02 (dois)


critérios de distinção do Direito.

2. Relacione o Direito Fiscal com o Direito Internacional e com o Direito


Constitucional.

REFERÊNCIAS
Nabais, João Casalta; Direito Fiscal; Almedina; 2 Edição, Ano2005

Ibraimo, Ibraimo; O Direito e a Fiscalidade; ART C;2000

Martinez, Pedro Soares; Manual de Direito de Fiscal, Edições Almedina,Ano 1998

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UNIDADE TEMÁTICA 3

DO IMPOSTO
Elaborado por Arlindo da Costa Rosário

Objectivos
No fim desta unidade voce deverá ser capaz de:

Discutir o conceito de imposto,


Distinguir o imposto das suas figuras afins,
Classificar os impostos quanto a perspectiva económica e financeira, política
e financeira.

3. IMPOSTO E FIGURAS AFINS

3.1 Conceito de Imposto


O Imposto define-se com base em 3 elementos: objectivo, subjectivo e teleológico.
O elemento objectivo diz respeito ao objecto sobre o qual recai imposto, ou seja
sobre o quê, ex: lucro ou rendimento.
O elemento subjectivo recai sobre o sujeito, sobre aquele cujo qual o imposto irá
recair.
O elemento teleológico refere-se ao fim, ou seja a razão que leva o estado a criar os
impostos.

Elemento objectivo
- Prestação acto de prestar, pagar;
- Carácter pecuniário - associado ao dinheiro;
- Unilateralidade - quando se paga um imposto nada nos é dado em troca;
- Carácter definitivo - uma vez pago o imposto extingue-se a obrigação;
- Natureza coactiva não se paga o imposto por se ter cometido uma
infracção ou um crime, é uma obrigação legal.

Elemento subjectivo
- Dirigido a detentores de capacidade contributiva - pessoas singulares e
colectivas, que tenham condições de pagar o imposto;

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- A favor de entidades que exerçam funções públicas entidades que


satisfazem necessidades colectivas, ex: construção de estradas, pontes,
escolas, hospitais etc.

Elemento teleológico
- Exigido com vista à satisfação de necessidades públicas o imposto serve
para a melhoria das condições de vida das populações, ex: construção de
estradas, pontes, escolas, hospitais etc.;

- Enquanto não tenham o carácter de sanção o imposto é uma obrigação


legal, resulta da lei pagar e não se trata de uma sanção pelo cometimento de
uma infracção ou crime;

Prestação pecuniária, unilateral, definitiva, coactiva, exigida a detentores de


capacidade contributiva, a favor de entidades públicas, para a realização de fins
públicos, sem carácter de sanção.

No que respeita ao elemento objectivo, podemos assumir o imposto como:

Prestação: tem natureza obrigacional e não real. Pecuniária: concretizada em


dinheiro ou uma prestação de dare pecuniae. Distingue-se das prestações de
carácter pessoal ou de facere como o serviço militar ou o serviço cívico; e das
prestações de bens ou serviços exigidos aos particulares (requisição administrativa)
e da prestação (indemnização) na expropriação por utilidade pública. Unilateral: pelo
cumprimento da obrigação de imposto não corresponde ao contribuinte qualquer
contraprestação específica. Distingue-se aqui das taxas, dos preços públicos, da
expropriação por utilidade pública e dos tributos especiais. Definitiva: é uma
prestação que não dá lugar a qualquer reembolso, restituição ou indemnização.
Diferencia-se do empréstimo forçado.Coactiva: é uma prestação ex lege, i.e. que
tem por fonte a lei. É a lei que confere o poder de tributar. O poder de tributar funda-
se na lei que o Estado-legislador cria para o conceder ao Estado-administrador. Não
intervém aqui a manifestação de vontade do contribuinte, pois a obrigação do
imposto resulta da verificação dos pressupostos do facto tributário tipificados pela lei.
Nestes termos, o artigo 40 da Lei Geral Tributária refere que a relação jurídica
tributária constitui-se com o preenchimento dospressopostos da legislaçao tributária.

Quanto ao elemento subjectivo o imposto pode ser:


Exigida a detentores de capacidade contributiva: exigida pessoas individuais ou
colectivas que tenham capacidade contributiva, ou antes que tenham rendimento ou
capital, e na medida destes ou da sua utilização. Importa distinguir capacidade
contributiva de capacidade tributária. Capacidade contributiva - pode ser definida
como a força [ou disponibilidade] económica do indivíduo, idónea a concorrer com as
despesas públicas, à luz de exigências económicas e sociais fundamentais,
respeitando-se o mínimo vital para uma existência pessoal e familiar digna e livre.
Capacidade tributária - Capacidade tributária é a aptidão para figurar no pólo activo
(direito de cobrar) ou passivo (dever de pagar) de obrigações tributárias.

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A favor de entidades de direito público: não está limitada a titularidade activa dos
impostos às pessoas colectivas públicas, sendo admissível que as pessoas privadas
poderão exigir impostos desde que exerçam funções públicas. Exemplo desta
situação acontece nas empresas concessionárias de obras públicas, serviços
públicos ou bens do domínio público, desde que a lei lhes atribua a qualidade de
titulares activos das relações jurídicas fiscais. Para a realização dessas funções:
Finalidades dos impostos que continua a ser a arrecadação de receitas para a
realização de fins públicos. Aqui se distinguem os verdadeiros impostos ou impostos
fiscais, que têm por finalidade a obtenção de receitas, dos falsos impostos ou
impostos extra-fiscais que têm outras finalidades

Sem carácter sancionatório: Não se destina a punir actos ilícitos. Esta


característica distingue os impostos da multa (sanção pecuniária penal); da coima
(sanção pecuniária contra-ordenacional); do confisco (sanção penal que se traduz na
apreensão e perda a favor do Estado do produto obtido e dos instrumentos utilizados
para a prática desse acto ilícito); da indemnização (reparação do prejuízo ou dano
causado a alguém através de acto ilícito).

O Elemento teleológico: diz respeito ao fim para o qual o imposto é cobrado, assim,
o imposto é exigido para a concretização ou realização de funções públicas, com
vista à satisfação de necessidades colectivas, criação escolas, estradas, hospitais,
pontes, gerar empregos, distribuir riqueza etc.

3.2 Figuras a fins do imposto

Tendo compreendido o conceito de Imposto, vamos neste momento conhecer quais


são as figuras a este relacionadas. Porém, antes importa referir que existe uma
fronteira entre imposto e taxa. A fronteira entre imposto e taxa esta distinção tem
uma aplicação prática (ao contrário do que sucede com a distinção entre taxa e
preços); os impostos carecem de aprovação parlamentar. A taxa tem uma
contrapartida directa (bilateral). Quem mais cria taxas são os entes públicos
menores, ex: os municípios, serviços ou instituições públicas.

Na taxa há uma contrapartida específica; no imposto não há. Taxas são no fundo
preços que se pagam para serviços genuinamente públicos.

O montante da taxa não tem que ser correspondente ao custo do serviço ou à sua
utilidade. A taxa pode ter como objectivo restringir o consumo do serviço em questão
taxa moderadora.

As figuras afins do imposto são:

a) Taxas: prestações pecuniárias a favor do Estado e restantes sujeitos activos da


relação tributária às quais corresponde uma contraprestação específica a favor do
contribuinte ver (artº 4º nº 2 LGT).

As taxas podem ser pagas como contrapartida da prestação concreta de um serviço


público por exemplo propinas, taxa de justiça; da remoção de um limite jurídico à
actividade dos particulares; da utilização privativa dos bens de domínio público por
exemplo licenças.

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b) Receitas parafiscais: são tributos, administrados por organismos específicos com
fundos próprios. É o caso das contribuições para a segurança social e as quotas
para as associações públicas. Distinguem-se especialmente pelo sujeito activo da
prestação, que é diferente do Estado e dos entes territoriais.

c) Requisição administrativa: Consiste na exigência, por parte de um ente público,


de bens ou serviços para fazer face a circunstâncias excepcionais que acarretam
necessidades públicas urgentes, pressupondo o pagamento de justa indemnização
aos requisitados e a restituição dos bens utilizados ou equivalentes. Tem carácter
discricionário (e não vinculativo como o imposto). Não visa a obtenção de receitas
públicas. Não é uma prestação pecuniária, nem unilateral, nem definitiva.

d) Empréstimos Forçados: Estado obriga os cidadãos a subscrever títulos de dívida


pública. Estes não podem escolher se pretendem ou não subscrever os títulos nem o
montante que vão subscrever. O reembolso é obrigatório. É uma prestação
unilateral.Pode haver lugar ao pagamento de juros.

e) Expropriação por utilidade pública: não corresponde a uma prestação


pecuniária. Estado selecciona imóveis e opera a transmissão forçada da propriedade
desses imóveis recorrendo a um procedimento administrativo previsto em lei especial,
e pagando uma justa indemnização.

f) Multa: prestação pecuniária exigida a favor do Estado como sanção pela prática de
um crime.

g) Coima: prestação pecuniária exigida pelo Estado como sanção pela prática de
umacontra-ordenação.

3.3 Tipos de Impostos:

O imposto tem a sua base em normas jurídicas e pode ser distinguindo em diferentes
tipos:

Impostos sobre o rendimento - São os que tributam o rendimento, geralmente


numa perspectiva, rendimento acréscimo, incluindo as mais valias. Exemplo
Imposto sobre Rendimentos das Pessoas Singulares (IRPS) / Imposto
sobre o rendimentos das Pessoas Colectivas ( IRPC ) .

Impostos sobre o património - Quando incidem sobre o património imobiliário.


Exemplo Imposto de Selo/ Imposto Predial Autarquico.
Impostos sobre a despesa - Quando se tributa o consumo ou a despesa.
Exemplo Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) / Imposto sobre o
Consumo Especifico ( ICE) / Imposto de Selo.
Impostos fiscais - Os que integram o Direito fiscal. Por exemplo IRPS / IRPC /
IVA/ I. Selo / Imposto s. Veículos/ IVA / IEC's/ Direitos Aduaneiros,
Imposto de Reconstrução Nacional/ Imposto sobre as Sucessões e
Doacções/ SISA/ Imposto Especial Sobre o Jogo.
Impostos extra fiscais - São os que prosseguem objectivos de natureza
económica e social, não se lhe aplicando integralmente os Princípios da
Constituição Fiscal. Por exemplo Contribuições para a Segurança Social-
são as quantias monetárias despendidas pelos cidadãos nacionais,

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trabalhadores, para efeitos de reforma, pensão, velhice ou ainda acidentes de
trabalho.

3.4 Classificação dos Impostos:

Os impostos podem ser classificados por diferentes aspectos:

3.4.1 Perspectiva económica e financeira (Quanto ao objecto):

Impostos directos (rendimento, capital ou património)

Incidem sobre a matéria colectável, sobre manifestações directas ou imediatas da


capacidade contributiva, não constituindo custo de produção das empresas
(geralmente são periódicos).

Trata-se de impostos directos quando a norma jurídica tributária estabelece a


obrigação a cargo de determinada pessoa, sem conceder a esta a faculdade ou o
direito de se indemnizar a cargo de outra pessoa que não seja sujeito passivo. Ex:
IRPS / IRPC

Impostos indirectos (sobre o consumo ou despesa)

Incidem sobre manifestações indirectas ou mediatas da capacidade contributiva,


constituindo custo de produção das empresas (geralmente de obrigação única).

São impostos indirectos aqueles em que a norma tributária concede a faculdade ou o


direito ao sujeito passivo do imposto de obter de outra pessoa o reembolso do
imposto pago ao sujeito activo. Por exemplo IVA / I. de Selo/ Imposto sobre
Consumo Especifico/ Direitos Aduaneiros

3.4.2 Perspectiva política e financeira:

Impostos estaduais - Quando o Estado é o titular activo dos impostos.

Impostos locais - A titularidade activa pertence às autarquias locais


Impostos reais e impostos pessoais
- Impostos reais - Quando incidem objectivamente sobre uma parte do
rendimento do capital ou do património do contribuinte. Por exemplo IRPS /
IRPC / IVA

- Impostos pessoais - Quando embora incidindo sobre bens ou


rendimentos, atendem à situação pessoal do contribuinte (estado civil,
agregado familiar), à sua situação económica. IRPS

Impostos periódicos ou de obrigação única:

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- Impostos periódicos - Quando a situação tributária se produz no tempo


ou se renova sucessivamente. São aqueles impostos cujo facto tributário é
duradouro e fraccionado pela lei. IRPS / IRPC / IMI

- Impostos instantâneos ou de obrigação única - Situação tributária


que se esgota num só momento, por se tratar de actos ou factos isolados.
Esgotam-se por sua própria natureza num certo período de tempo. IVA

Leituras Complementares
Ibraimo, Ibraimo; O Direito e a Fiscalidade; ART C; 2000

Martinez, Pedro Soares; Manual de Direito de Fiscal, Edições Almedina, ano 1998,
Pag.33-56

Nabais, João Casalta; Direito Fiscal; Almedina; 2 Edição, ano 2005, Pag.41-64

Actividades
A seguir, estão as actividades correspondentes a esta primeira unidade. Resolva os
exercícios propostos e verifique se acertou, conferindo a sua resposta na Chave de
Correcção no final do presente Guia de Estudo.

Actividade 1

Resolva as seguintes questões:

1. Conceitualize o imposto e caracterize 3 (três) elementos, a sua escolha, que o


compõem.
2. Aonde reside a distinção entre o imposto e as taxas, o imposto e emprestimos
públicos e impostos e preço.
3. Indique qual o tipo de classificação em referência: impostos directos/impostos
indirectos.

REFERÊNCIAS
Martinez, Pedro Soares; Manual de Direito de Fiscal, Edições Almedina, Ano 1998

Ibraimo, Ibraimo; O Direito e a Fiscalidade; ART C;2000

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UNIDADE TEMÁTICA 4

PRINCIPIOS CONSTITUCIONAIS DO DIREITO FISCAL

Elaborado por Arlindo da Costa Rosário

Objectivos
No fim desta unidade voce deverá ser capaz de:

identificar os principios constitucionais que integram o Direito Fiscal.,


nomeadamente: Principio da Legalidade, Principio da Igualdade, Principio da
reserva da lei formal, Principio da capacidade contributiva, outros principios.

4. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO DIREITO FISCAL

O Direito Fiscal é composto por vários princípios de entre os quais podemos destacar
os seguintes:

Legalidade

Igualdade

Princípios do
Direito Fiscal
reserva de lei formal

Capacidade
contributiva

Outros princípios

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4.1 O Princípio da Legalidade

Este princípio no direito fiscal está dirigido em torno da ideia do auto tributação.

A auto tributação pretende dar-nos a ideia de que os impostos devem ser aprovados
pelas pessoas que os têm de pagar, é como se as pessoas se auto tributassem.

Nos dias que correm os impostos são aprovados pela Assembleia da República e
são aprovados pelos deputados eleitos pelo povo, pois é o povo que elege os seus
representantes, daí é o povo que aprova os impostos.

Os impostos são aprovados anualmente com o Orçamento do Estado, isto porque


anualmente a A.R. tem competência exclusiva para legislar sobre impostos alínea o)
do nº. 2 do art.º 179, da Constituição da República de Moçambique (CRM).

Artigo 100º da CRM

lei1, que os fixa segundo os critérios de

4.1.1 Os impostos são criados por Lei

Esta Lei da criação dos impostos é uma lei formal da A.R. A esmagadora maioria dos
actos legislativos em matéria fiscal é elaborada pelo governo sob sob a forma de
Decreto-lei autorizado. Esta é uma reserva absoluta de lei formal, ou seja, só a lei
formal pode determinar estas matérias.

A alínea o) do nº. 2 do art.º 179, da CRM diz-nos que é a A.R. que cria impostos.

4.1.2 Incidência

Uma norma de incidência é uma norma que define os pressupostos de facto do


nascimento de obrigação de imposto.

A incidência divide-se em Incidência Real ou Objectiva e em Incidência Pessoal ou


Subjectiva. A primeira define o que está sujeito a imposto, isto é, define quais os
factos e os pressupostos da definição de imposto (ex: os rendimentos de trabalho
estão sujeitos a IRPS). A segunda incidência, são as normas que definem a quem,

1
Lei da Assembleia da República, feita e aprovada pela A.R

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ou seja, quem é que está sujeito a imposto (ex: quem adquirir um prédio a titulo
oneroso está sujeito a imposto de Sisa.

Outra coisa diferente é aquilo a que se chama de isenção fiscal. A isenção é uma
excepção à regra da incidência, ou seja, é algo que está dentro do campo da
incidência, mas só não é tributado porque um facto impede a aplicação da norma
fiscal. Por exemplo quem comprar uma casa para habitação, até certo montante,
beneficia de isenção.

Na verdade este facto está inserido dentro do âmbito da incidência, mas está
excepcionalmente de fora da tributação.

Pode estar isento, uma coisa, uma pessoa, ou ambas, mas qualquer norma que
determine a incidência, a isenção ou não incidência só pode ser determinada por lei
formal (Lei da A.R).

4.1.3 Taxas

Estas taxas são os factores de quantificação de imposto que podem ser um valor
percentual. O imposto não é obrigatoriamente quantificado percentualmente, o
imposto pode ser uma quantia fixa (ex. imposto de selo). Há taxas específicas, como
as taxas sobre as cervejas, mas as mais usuais são as taxas percentuais, estas
normalmente são taxas de dois tipos:

Taxas proporcionais, são taxas que aumentam à medida que aumenta a proporção

Exemplo: 100 10
1000 100

Taxas progressivas, são taxas que aumentam mais do que a proporção, ou seja o
imposto aumenta em progressão.

Exemplo: 100 10
1000 200
2000 600

A razão disto vem consagrado na Constituição da República de Moçambique, no art.


100º, ou seja, na diminuição da desigualdade, é o exemplo do IRPS.

4.1.4 Benefícios Fiscais

Consideram-se benefícios fiscais as medidas instituídas para tutela de interesses


públicos extra fiscais relevantes, superiores ao da própria tributação que impedem.

Os benefícios fiscais correspondem à diminuição da tributação, ou seja, do interesse


público, pois se a tributação existe em benefício do interesse público a sua redução e
eliminação só pode existir com base no interesse público, e este tem se ser relevante
e superior ao da própria tributação, se não fosse assim a existência do benefício

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Ciencias Jurídicas Direito Fiscal e Aduaneiro Semestre 2
fiscal corresponderia a uma violação do princípio da igualdade tributária e para evitar
isto a lei exige na atribuição do benefício certos requisitos:
1. Excepcionalidade
2. Há-de ter uma razão de ser que consiste na persecução do interesse
público.
3. O interesse público tem de ser relevante.
4. O interesse público tem de ser superior ao da própria tributação.

4.1.5 Garantias dos Contribuintes

Estas podem ser classificadas em garantias processuais e garantias gerais dos


contribuintes.

Garantias Gerais:

Correspondem a determinados direitos que são legalmente reforçados e que


permitem aos contribuintes uma tutela dos seus interesses legítimos e o acesso à
informação das leis fiscais sem terem necessidade de consultar um advogado. Outra
das garantias é o direito de fundamentação do acto tributário.

Garantias Processuais:

São os meios de defesa que a lei atribui aos sujeitos passivos em reacção a
determinado acto praticado pela administração fiscal. As garantias processuais
dividem-se em:

- Garantias Graciosas: Quando a lei permite ao contribuinte recorrer para


a administração fiscal directamente.

- Garantias Contenciosas: Quando a lei prevê que os contribuintes


possam recorrer aos Tribunais Fiscais pedindo a anulação de um acto
praticado pela administração fiscal.

4.2 Princípio da igualdade:

Integra 2 sub princípios:


Princípio da generalidade: Todos estão à partida sujeitos a impostos, não pode
haver discriminações.

Princípio da uniformidade: Todos estão sujeitos ao mesmo critério, critério


uniforme. Este sub princípio integra ainda duas vertentes:

A igualdade horizontal que integra o princípio do benefício (estariam


na mesma situação aqueles que tiverem os mesmos benefícios),
princípio da capacidade contributiva (estariam na mesma situação
aqueles que tivessem a mesma capacidade contributiva avaliada
através do rendimento obtido, acumulado ou gasto)

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Ciencias Jurídicas Direito Fiscal e Aduaneiro Semestre 2
A igualdade vertical integra o sistema proporcional (a mesma taxa é
aplicada independentemente do rendimento, tanto a 100 como a 1
000), progressivo (a taxa vai subindo à medida que o rendimento sobe)
ou regressivo.

4.3 Princípio da reserva de lei formal:

Os impostos são criados por Lei da Assembleia da República, segundo o artº 100º
CRM.

4.4 Princípio da capacidade contributiva:

Ninguém pode ser tributado se não tiver capacidade contributiva. O imposto deve
estar distribuído de acordo com a capacidade.

O artº 100º CRM consagra a justa repartição do rendimento e da riqueza. Quem tem
mais paga mais (justiça social).

4.5 Outros princípios:


- Princípio da liberdade;
- Princípio da certeza;
- Princípio da não retroactividade dos impostos;
- Princípio da segurança;
- Princípio da imparcialidade;
- Princípio da proporcionalidade;
- Princípio da participação;
- Princípio da boa-fé;
- Princípio da protecção da confiança;
- Direito à informação

Leituras Complementares

Martinez, Pedro Soares; Manual de Direito de Fiscal, Edições Almedina, Ano1998,


Pag.101-104

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Ciencias Jurídicas Direito Fiscal e Aduaneiro Semestre 2
Nabais, João Casalta; Direito Fiscal; Almedina; 2 Edição, Ano 2005

Actividades
A seguir, estão as actividades correspondentes a esta primeira unidade. Resolva os
exercícios propostos e verifique se acertou, conferindo a sua resposta na Chave de
Correcção no final do presente Guia de Estudo.

Actividade 1

1. Identifique, por escrito os princípios jurídicos constititucionais do Direito


Fiscal.

REFERÊNCIAS
Nabais, João Casalta; Direito Fiscal; Almedina; 2 Edição, Ano 2005
Martinez, Pedro Soares; Manual de Direito de Fiscal, Edições Almedina, Ano 1998

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Ciencias Jurídicas Direito Fiscal e Aduaneiro Semestre 2

UNIDADE TEMÁTICA 5

FONTES DE DIREITO FISCAL


Elaborado por Arlindo da Costa Rosário

Objectivos
No fim desta unidade voce deverá ser capaz de:

Dominar os conceito de fontes de direito;


Discutir as tipologias das fontes jurídico-fiscais.

5. FONTES DO DIREITO FISCAL ART.7 LGT

São as seguintes as fontes do Direito fiscal:

5.1 Constituição da República de Moçambique

A CRM é a fonte de Direito Fiscal de mais elevada hierarquia, contendo normas e


princípios que determinam os interesses e a estrutura do direito Fiscal.

A Constituição determina os princípios que disciplinam quem tributa (administração


tributária), como se tributa (através do processo de declaração líquida), quando se
tributa (por ocorrência de que factos geradores), o que se tributa
(rendimento/património) e quanto se tributa (na medida da capacidade tributária).

5.2 Leis e Decretos-Leis

O princípio da legalidade tributária (artº 4º LGT) leva a que as leis idóneas para criar
e regular os impostos sejam só as Leis da AR, Decretos-lei do Governo autorizado
pela AR, Decretos legislativos regionais.

A Lei Geral Tributária contém normas estruturantes do Direito Fiscal susceptíveis de


aplicação imediata e esgotando a relevância jurídica das situações que prevê.

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Ciencias Jurídicas Direito Fiscal e Aduaneiro Semestre 2

5.3 Decreto

Desenvolvimento de leis de bases. Ex: Decretos regulamentares do Governo.

5.4 Contratos

Previstos no artº 7 g) da LGT.

5.5 Jurisprudência e doutrina

Regra geral, cada caso é um caso e não existem paralelos entre casos. Exceptua-se
as decisões do Tribunal Constitucional com força obrigatória geral.

5.6 Convenções Internacionais

Poderemos aqui encontrar os diversos acordos para evitar a dupla tributação,


celebrados entre Moçambique e Mauricias, Portugal, Africa do Sul, Emiratos Àrabes
Unidos e Itália.

Leituras Complementares

Ibraimo, Ibraimo; O Direito e a Fiscalidade; ART C;2000, Pag.28-32

Nabais, João Casalta; Direito Fiscal; Almedina; 2 Edição, Ano 2000

Actividades
A seguir, estão as actividades correspondentes a esta primeira unidade. Resolva os
exercícios propostos em cada uma e verifique se acertou, conferindo a sua resposta
na Chave de Correcção no final do presente Guia de Estudo.

Actividade 1

1. Identifique as fontes de Direito Fiscal, as que são consideradas como


imediatas e as que são mediatas.

REFERÊNCIAS

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Ciencias Jurídicas Direito Fiscal e Aduaneiro Semestre 2
Nabais, João Casalta; Direito Fiscal; Almedina; 2 Edição, ano 2005

UNIDADE TEMÁTICA 6

INTERPRETAÇÃO, INTEGRAÇÃO E E FICÁCIA DO DIREITO FISCAL


Elaborado por Arlindo da Costa Rosário

Objectivos

No fim desta unidade voce deverá ser capaz de:

proceder a interpretação das normas jurídico-fiscais,


integrar as normas jurídico-fiscais,
aplicar as normas no tempo e no espaço.

6.INTERPRETAÇÃO DAS NORMAS FISCAIS - art.10 º Lei Geral Tributária

Na determinação do sentido das normas tributárias e na qualificação dos factos a


que as mesmas se aplicam são observadas as regras e princípios gerais de
interpretação e aplicação das leis;

Sempre que, nas normas tributárias, se empreguem termos próprios de outros


ramos de direito, devem os mesmos ser interpretados no mesmo sentido daquele
que aí têm, salvo se outro entendimento decorrer directamente da lei;

Persistindo a dúvida sobre o sentido das normas de incidência a aplicar, deve


atender-se à substância económica dos correspondentes factos tributários;

Em caso de simulação de acto ou negócio jurídico, a tributação recai sobre o acto


ou negócio jurídico real e não sobre o acto ou negócio simulado;

As lacunas resultantes de normas tributárias que devam obrigatoriamente constituir


matéria de lei não são susceptíveis de interpretação analógica;

As normas que determinam a incidência e as isenções, não são susceptíveis de


interpretaçãoextensiva nem analógica.

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6.1 Aplicação da Lei Tributária no Tempo e no Espaço: art.12 º L.G.T

As normas tributárias oneradoras do sujeito passivo aplicam-se somente aos factos


posteriores à sua entrada em vigor, não se considerando como oneradora do sujeito
passivo, para este efeito, a norma que:

Corrija imprecisões ou erros formais da lei;

Elimine dúvidas de interpretação da legislação vigente;

Altere legislação vigente que favoreça comportamentos de abuso fiscal;

No caso de infracção tributária, deixe de a qualificar como tal, bem como a que
determine um regime punitivo mais favorável do que o previsto na lei vigente ao
tempo da sua prática, e não tenha sido proferida sentença condenatória transitada
em julgado.

Sem prejuízo de tratados ou convenções internacionais de que Moçambique seja


parte e salvo disposição legal em sentido contrário, as normas tributárias aplicam-se
aos factos que ocorram no território nacional e aos rendimentos auferidos no
estrangeiro por residentes.

Leituras Complementares

Martinez, Pedro Soares; Manual de Direito de Fiscal, Edições Almedina, Ano 1998
Nabais, João Casalta; Direito Fiscal; Almedina; 2 Edição,Ano 2005, Pag.213-226

Actividades
A seguir, estão as actividades correspondentes a esta primeira unidade. Resolva os
exercícios propostos em cada uma e verifique se acertou, conferindo a sua resposta
na Chave de Correcção no final do presente Guia de Estudo.

Actividade 1

1. Resolva a seguinte hipotese: Consta do Código das Execuções Fiscais que o


prazo de prescrição é de 20 anos, no entanto a Lei Geral Tributária, aprovada
pela Lei n.2/2006, de 22 de Março, veio prever um prazo inferior, ou seja de 10
anos. João devedor de Irps do ano de 2000, tendo sido notificado naquele ano
para efectuar o pagamento do mesmo, nao o fez. Hoje, pretende o João saber se
ainda se encontra como devedor da Administração Fiscal.Quid juris?

2. Diga se as afirmações que se seguem são verdadeiras ou falsas, justificando a


sua resposta.

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Ciencias Jurídicas Direito Fiscal e Aduaneiro Semestre 2
a) Em Direito Fiscal admite-se em caso de lacuna a sua integração com recurso à
analogia.

b) A lei fiscal moçambicana só é aplicável a cidadãos de nacionalidade


moçambicana e vigora apenas nos limites territoriais da República de
Moçambique.

REFERÊNCIAS
Nabais, João Casalta; Direito Fiscal; Almedina; 2 Edição,Ano 2005
Martinez, Pedro Soares; Manual de Direito de Fiscal, Edições Almedina, Ano 1998
Lei n.2/2006, de 22 de Março.

UNIDADE TEMÁTICA 7

A RELAÇÃO JURÍDICO FISCAL


Elaborado por Arlindo da Costa Rosário

Objectivos
No fim desta unidade voce deverá ser capaz de:

definir o conceito de relação jurídico-fiscal,


identificar os elementos das relações jurídico fiscal.

7. A RELAÇÃO JURÍDICO-FISCAL

É a relação que se estabelece por força da lei. É uma relação complexa; não se
limita a indicar quais são os sujeitos activo e passivo, mas também indica as diversas
obrigações acessórias destinadas a preparar a obrigação principal e que giram em
volta desta, por exemplo a obrigação de apresentação das declarações em certos
prazos; a obrigação de inscrição nas Direcções de Áreas Fiscais quando se dá início
a uma actividade, etc.. Em alguns casos, essas obrigações acessórias custam mais
do que a obrigação principal.Veja-se o caso da empresa que não gera lucros, mas
que ainda assim tem de dar cumprimento a essas obrigações acessórias, exemplo
entrega do modelo A). Por outro lado, algumas dessas obrigações acessórias têm
punições mais severas do que a obrigação principal por exemplo se não se paga é
executada a penhora, mas o incumprimento de um prazo pode acarretar uma multa
elevada; motivo: é através do cumprimento desta obrigação acessória que a
Administração Fiscal determina o facto gerador do imposto e a sua base tributável). É
também a partir de obrigações acessórias que a Administração Fiscal controla o
imposto de terceiros por exemplo as entidades patronais declaram o que pagam a
terceiros por via da retenção na fonte.

Por todas estas razões se diz que a relação jurídico- fiscal é complexa. A sua
estrutura é composta pelos sujeitos, pelo objecto, pelo facto jurídico e pelas garantias.

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Ciencias Jurídicas Direito Fiscal e Aduaneiro Semestre 2
Os sujeitos activos são o Estado e os entes públicos. Os sujeitos passivos são as
pessoas singulares ou colectivas a que a lei fiscal impõe o dever de efectuar a
prestação do imposto ou outros deveres acessórios.

No âmbito dos sujeitos passivos há que distinguir duas realidades diferentes: 1) o


contribuinte: aquele que preenche os pressupostos de facto de uma norma fiscal, e,
consequentemente, paga o imposto, é o caso do titular de um rendimento, um
trabalhador, um comprador. 2) o devedor de imposto: em certos casos não há
coincidência entre o sujeito passivo e o contribuinte; isto é, a obrigação fiscal é
prestada por um terceiro (exemplo: o menor, o interdito e o caso mais flagrante do
trabalhador por conta de outrem); o devedor do imposto será, deste modo, a pessoa
que, por força da lei, está obrigada ao pagamento do imposto.

Em princípio quem tem capacidade jurídica em geral tem, também capacidade


jurídico- fiscal; mas há situações excepcionais: certas entidades têm capacidade
fiscal mas não possuem capacidade jurídica geral exemplo de um clandestino.

A questão mais relevante em torno desta dicotomia é a que se levanta a propósito


das chamadas sociedades irregulares. É que uma sociedade comercial apenas
adquire personalidade jurídica (e também capacidade) quando efectua o último
registo a que está sujeita.

Será que até efectuar o último pagamento não deve essa sociedade pagar impostos?

É claro que sim, podendo o fisco recorrer a uma de duas hipóteses: 1) ou tributa a
sociedade em qualquer situação que ela se encontre ou tributa cada um dos seus
sócios nas respectivas quotas-partes. Esta última hipótese seria favorável, na medida
em que tributar 1 000 de uma só vez ou tributar 250 de cada vez representam
resultados diferentes. Contudo, desde há alguns anos que a questão está resolvida:
as sociedades irregulares são tributadas como se estivessem totalmente

sociedades)veja-se o CIRPC.

7.1 Elementos da Relação Jurídica Fiscal

Os elementos da relação jurídico-fiscal são: sujeitos, objecto, facto jurídico e garantia.

Os sujeitos são os pontos terminais da relação jurídica o sujeito activo, que é o


titular do correspondente direito subjectivo e o sujeito passivo, que é sobre quem
recai o correspondente dever. Na obrigação fiscal, existe a particularidade, como se
verá, de o sujeito activo ser sempre uma entidade de direito público, que tem o direito
de exigir o cumprimento da obrigação (art. ° 13. ° da LGT). Por sua vez, o sujeito
passivo é a pessoa singular ou colectiva ou qualquer outra entidade (património ou
organização de facto ou de direito, diz a lei), que, nos termos legais, está vinculada
ao cumprimento da obrigação (art. ° 14. ° da LGT).

7.1.1 Contribuinte (art. ° 14. ° da LGT) é o sujeito passivo obrigado a pagar tributos
ou outros encargos legais a estes associados.

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7.1.2 Da Personalidade Tributária e da Representação (art.15.°, 16. °, 17. ° da
LGT):

A personalidade tributária consiste na susceptibilidade de ser sujeito de uma relação


jurídico-tributária;

A tributação do agregado familiar não implica a atribuição de personalidade tributária


ao mesmo, podendo qualquer dos cônjuges praticar todos os actos relativos à
situação tributária do agregado familiar e ainda os relativos aos bens ou interesses
do outro cônjuge, desde que este os conheça e não se lhes tenha expressamente
oposto;

A capacidade tributária de exercício é determinada nos termos da lei civil;

Os direitos e deveres tributários dos incapazes e das entidades sem personalidade


jurídica são exercidos, respectivamente, pelos seus representantes, designados de
acordo com a lei civil, e pelas pessoas que administrem, legalmente ou de facto, os
seus interesses, os quais devem pagar os tributos devidos pelos bens que
administram e cumprir todas as obrigações tributárias com eles relacionadas;

Os actos em matéria tributária praticados pelo representante legal em nome do


representado produzem efeitos na esfera jurídica deste, nos limites dos poderes de
representação que lhe forem conferidos;

O cumprimento dos deveres tributários pelos incapazes não implica a invalidade do


acto, sem prejuízo do direito de reclamação, recurso hierárquico ou recurso
contencioso do representante.

7.1.3 Designação Obrigatória de Representante Tributário (art17. ° n.3 da LGT):

São obrigados a designar uma pessoa singular ou colectiva com residência em


território moçambicano, para os representar perante a administração tributária, nos
casos e nos termos da legislação aplicável:

Os não residentes, pessoas singulares ou pessoas colectivas, com ou sem


estabelecimento estável no País, que obtenham rendimentos ou tenham
bens localizados em território moçambicano;

Os sócios não residentes de pessoas colectivas, residentes ou não residentes,


com ou sem estabelecimento estável em território moçambicano, que
obtenham rendimentos ou tenham bens localizados neste território;

Os sujeitos passivos que, embora residentes neste território, se ausentem


deste por período superior a cento e oitenta dias.

Uma vez designado o representante, a revogação dos poderes de representação


tributária só produz efeitos para com a administração tributária quando lhe for
notificada.

7.1.4 Representação Orgânica: (art. 18. ° da LGT)

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Ciencias Jurídicas Direito Fiscal e Aduaneiro Semestre 2
Os direitos e deveres das pessoas colectivas são exercidos pelos seus
representantes, designados nos estatutos ou, na falta de disposição estatutária, pela
administração, de direito ou de facto, ou por quem a administração designar;

Os representantes das pessoas colectivas referidos no número anterior e os


representantes legais das entidades sem personalidade jurídica que sejam sujeitos
passivos de um tributo também podem conferir, nos termos da lei, procuração para o
exercício de actos de natureza processual tributária;

Os estabelecimentos estáveis de pessoas não residentes podem exercer os seus


direitos e obrigações tributárias, e intervir no procedimento administrativo mediante
autorização expressa da sede ou direcção efectiva e através de representante,
quando o facto tributário lhes respeitar;

A designação referida na alínea anterior é feita na declaração de início de


actividade, ou de alterações, devendo dela constar expressamente a sua aceitação
pelo representante.

7.1.5 Substituto Tributário (art.20.° da LGT):

O substituto tributário é o sujeito passivo que, por imposição da lei, está obrigado a
cumprir prestações materiais e formais da obrigação tributária em lugar do
contribuinte;

A substituição tributária é efectivada, especialmente, através do dever de retenção


na fonte do tributo devido pelo substituído, a título definitivo ou por conta, por ocasião
de um pagamento a outra pessoa, e do dever de entrega dos montantes retidos ao
tesouro público;

A entrega de tributo por parte do substituto tributário, sem ter existido a necessária
retenção do mesmo, confere direito de regresso por parte do substituto em relação
ao substituído, a exercer nos termos da lei civil;

O tributo retido e pago pelo substituto tributário, ainda que indevidamente, é


considerado como tendo sido pago em nome e por conta do substituído.

7.1.6 Responsável Tributário (art. 21. ° da LGT):

Responsável tributário é o sujeito passivo a quem é exigido o pagamento de uma


dívida tributária de outrem, que não foi atempadamente paga.

7.1.7 Responsabilidade dos Corpos Sociais (art. 29. ° da LGT):

Os administradores, directores, gerentes e outras pessoas que exerçam, ainda que


somente de facto, funções de administração nas sociedades de responsabilidade
limitada, cooperativas e empresas públicas são subsidiariamente responsáveis em
relação a estas, e solidariamente entre si, pelas dívidas tributárias da pessoa
colectiva nos casos de infracções tributárias por elas cometidas, nos termos,
condições e limites fixados na lei.

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Ciencias Jurídicas Direito Fiscal e Aduaneiro Semestre 2
Esta responsabilidade é extensiva aos membros dos órgãos de fiscalização nas
sociedades em que os houver, desde que se demonstre que as infracções cometidas
são resultantes de incumprimento doloso das suas funções de fiscalização.

7.1.8 Domicilio Fiscal e Número de Contribuinte (art. 35. °, 38. °da LGT):

Os sujeitos passivos residentes e seus representantes legais ou voluntários, e os


representantes dos sujeitos passivos não residentes, estão obrigados a fixar um
domicílio fiscal em Moçambique.

O domicílio fiscal é assim determinado:

Para as pessoas singulares, o local da sua residência habitual em território nacional;

Para as pessoas colectivas, o local da sua sede estatutária em território nacional ou


da direcção efectiva ou estabelecimento em que estiver centralizada a contabilidade,
se estes forem diferentes da sede;

No caso de estabelecimento estável de não residentes situados em território


nacional, o local da centralização da gestão administrativa e direcção de negócios.

Para os sujeitos passivos considerados grandes contribuintes pela administração


tributária ou em outros casos específicos, pode ser-lhes estabelecido um domicílio
fiscal diferente do determinado por aplicação destes critérios.

A cada contribuinte e aos substitutos é atribuído pela administração tributária um


número único de identificação tributária (NUIT).

Os contribuintes têm de incluir nas suas declarações, facturas, correspondência com


a administração tributária e outros documentos referidos na lei ou em outras normas
tributárias o número de identificação tributária assim atribuído.

7.2 O objecto (art.39.° da LGT) é aquilo sobre que incide o direito subjectivo, aquilo
a que tem direito o sujeito activo da relação jurídica. O objecto imediato é constituído
pela própria prestação em si mesmo considerada, pelo comportamento positivo
(acção) ou negativo (abstenção) a que está adstrito o devedor. Por sua vez, o
objecto mediato é constituído por aquilo sobre que versa a prestação. Sendo a
relação jurídico-fiscal uma relação complexa, são múltiplos os respectivos objectos
(art. ° 39. ° da LGT). No caso específico da obrigação fiscal, deriva da própria noção
de imposto que este se traduz numa prestação pecuniária, pelo que o objecto
daquela obrigação é esta prestação.

7.3 O facto jurídico, em termos doutrinais, é todo o facto da vida real que tem
consequências jurídicas, interessando aqui aquele que desencadeia relações
jurídicas novas e que se costuma designar por facto jurídico constitutivo. Em termos
de obrigação fiscal, este facto jurídico é o facto gerador do imposto ou pressuposto
de facto da obrigação de imposto, isto é a materialidade definida na lei que uma vez
verificada faz nascer a obrigação fiscal e que também se designa por facto tributário
(art. ° 40. ° da LGT).

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7.4 Finalmente, a garantia (art.161.° da LGT) é o conjunto de meios ao dispor do


credor para fazer valer o seu direito no caso de o devedor não cumprir
espontaneamente a obrigação a que está vinculado. No caso da obrigação fiscal, o
sujeito activo dispõe a este respeito de um regime particularmente favorável o da
execução fiscal.

Leituras Complementares

Martinez, Pedro Soares; Manual de Direito de Fiscal, Edições Almedina, Ano 1998
Lei n.2/2006, de 22 de Março
Nabais, João Casalta; Direito Fiscal; Almedina; 2 Edição, Ano 2005, Pag.235-283

Actividades
A seguir, estão as actividades correspondentes a esta primeira unidade. Resolva os
exercícios propostos em cada uma e verifique se acertou, conferindo a sua resposta
na Chave de Correcção no final do presente Guia de Estudo.

Actividade 1

1. O que entende por relação jurídica, relação jurídico-fiscal.


2. Diga dentre as hipoteses abaixo, qual será a relação juridico-fiscal:
a) B foi notificado pela Direcção de Área Fiscal aonde se encontra
inscrito para proceder ao pagamento de IRPS, referente ao ano de
2010.
b) C em virtude da necessidade de adquirir um imóvel, contraiu junto ao
BCI um crédito para o efeito.
c) H foi acusado pelo Ministério Público, em consequência da agressão
fisica perpretada contra J.
d) A requereu junto à Direcção de Reembolsos, o reembolso do IRPS,
referente ao ano transacto.
3. Carlos funcionário da Bantu, Lda, irá deslocar-se a Portugal para realizar uma
formação por 1ano. Partindo que é especialista em Direito Fiscal, Carlos
aproxima-se a si e pede o conselho, pois não sabe como se comportar
perante o fisco.
4. O sujeito passivo Pescas e Lazer, lda., foi notificado, pela DAF, do auto de
transgressão com fundamento na falta de retenção na fonte dos rendimentos
que coloca a disposição dos seus trabalhadores. Inconformado, reclamou

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Ciencias Jurídicas Direito Fiscal e Aduaneiro Semestre 2
para a DAF alegando que não entregou o imposto porque também não fez a
retenção na fonte, pelo que entende que é parte ilegitima, devendo assim a
DAF notificar os seus funcionários.

REFERÊNCIAS
Nabais, João Casalta; Direito Fiscal; Almedina; 2 Edição,Ano 2005
Martinez, Pedro Soares; Manual de Direito de Fiscal, Edições Almedina,Ano 1998
Lei n.2/2006, de 22 de Março.

UNIDADE TEMÁTICA 8

O SISTEMA FISCAL MOÇAMBICANO, EVOLUÇÃO E PRESPECTIVAS

Elaborado por Arlindo da Costa Rosário

Objectivos

No fim desta unidade voce deverá ser capaz de:

identificar os aspectos gerais da reforma fiscal posterior a 2002,


Identificar os tipos de impostos em vigor no ordenamento jurídico
moçambicano.

8. O sistema fiscal moçambicano, evolução e prespectivas

O sistema tributário actualmente em vigor é o produto da reforma iniciada em 1998, e


que tem como pilares principais os seguintes:

No âmbito da tributação indirecta (tributação da despesa), o IVA - Imposto sobre o


Valor Acrescentado, incidente à taxa geral de 17% sobre as transacções de bens e
serviços realizadas no País, incluindo a importação, substituiu o anterior imposto de
circulação criado em 1978, o
taxas diferenciadas nas diferentes fases de comercialização, respectivamente 5% no
produtor ou importador, 5% no grossista e 10% no retalhista.

No âmbito da tributação directa dos rendimentos, o IRPC - Imposto sobre o


Rendimento das Pessoas Colectivas e o IRPS - Imposto sobre o Rendimento das
Pessoas Singulares, os quais vieram substituir o anterior sistema de tributação do
rendimento instituído em 1968 e regulado pelo Código dos Impostos sobre o
Rendimento.

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O anterior sistema assentava na existência de um conjunto de impostos parcelares
ou cedulares, de taxa proporcional, incidentes sobre as diferentes espécies de
rendimento mais relevantes, complementado, no caso das pessoas singulares, por
um imposto de englobamento (imposto complementar), de taxa progressiva, aplicável
ao conjunto dos rendimentos do agregado familiar sujeitos aos diferentes impostos
parcelares.

Leituras Complementares

Ibraimo, Ibraimo; O Direito e a Fiscalidade; ART C; 2000,Pag.104-147

Actividades
A seguir, estão as actividades correspondentes a esta primeira unidade. Resolva os
exercícios propostos em cada uma e verifique se acertou, conferindo a sua resposta
na Chave de Correcção no final do presente Guia de Estudo.

Actividade 1

1.O Sistema Tributário moçambicano é composto por impostos de tributação directa


e indirecta. Indique quais são esses impostos e diga o porquê de se considerarem
impostos de tributação directa e indirecta.

REFERÊNCIAS
Ibraimo, Ibraimo; O Direito e a Fiscalidade; ART C;2000

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UNIDADE TEMÁTICA 9

IMPOSTO SOBRE OS RENDIMENTOS DAS PESSOAS COLECTIVAS (IRPC)

Elaborado por Arlindo da Costa Rosário

Objectivos

No fim desta unidade voce deverá ser capaz de:

Discutir o conceito de IRPC,


Saber quem está sujeito, o que está sujeito,
Indentificar em que circunstâncias se aplica o regime da transparência fiscal,
o modo de determinação da matéria colectável e as taxas de imposto.

9. Incidência

O IRPC é um imposto directo que incide sobre os rendimentos obtidos pelos sujeitos
passivos num determinado período de tributação, independentemente, da sua fonte
ou origem e mesmo que provenientes de actos ilícitos.

9.1 Incidência subjectiva Art. 2 do CIRPC

Os sujeitos passivos do IRPC podem agrupar-se segundo dois critérios, a saber:

A residência considerando-se residentes os sujeitos passivos com sede ou


direcção efectiva no território nacional;

A personalidade jurídica.

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Assim, de acordo com estes dois critérios, os sujeitos passivos são:

9.1.1 Residentes

Com personalidade jurídica

Sociedades comerciais;
Sociedades civis sob forma comercial;
Cooperativas
Empresas públicas;
Outras pessoas colectivas de direito público ou privado.

Sem personalidade jurídica

Aqueles cujos rendimentos não sejam tributáveis em IRPS ou IRPC


directamente na titularidades de pessoas singulares ou colectivas,
nomeadamente: Heranças jacentes, Pessoas colectivas declaradas inválidas,
Associações e sociedades civis sem personalidade jurídica; Sociedades
comerciais ou civis sob forma comercial antes do registo definitivo.

9.1.2 Não Residentes

Que obtenham em território moçambicano rendimentos não sujeitos a IRPS

9.2 Incidência real ou objectiva Art. 4 do CIRPC

A base do imposto varia consoante o sujeito passivo de acordo com os seguintes


critérios:
Residência (localização da sede ou direcção efectiva) e a existência de
estabelecimento estável;

Exercício a título principal ou não de uma actividade de natureza comercial,


industrial ou agrícola.

O que é um estabelecimento estável? Art. 3 do CIRPC

Qualquer instalação fixa através da qual seja exercida, total ou parcialmente, uma
actividade de natureza comercial, industrial ou agrícola, incluindo a prestação de
serviços.
um local ou um estaleiro de construção, de instalação ou de montagem,
quando a sua duração ou a duração da obra ou da actividade exceder 6
meses;

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as actividades de coordenação, fiscalização e supervisão em conexão com
os estabelecimentos acima referidos;
um estaleiro onde o sub-empreiteiro aí exerce a sua actividade por um
período mínimo de 6 meses;
um local de direcção, sucursal, escritório, fábrica, oficina, mina, poço de
petróleo ou de gás, pedreira ou qualquer outro local de extracção de recursos
naturais;
as instalações, plataformas ou barcos de perfuração utilizados para a
prospecção ou exploração de recursos naturais;
a actuação de um agente (não independente) em território moçambicano, por
conta de uma empresa, que tenha poderes de intermediação e conclusão de
contratos que vinculem a empresa.

Quais são os rendimentos considerados obtidos em Moçambique? Art. 5 do


CIRPC

Consideram-se obtidos em território moçambicano:

Rendimentos imputáveis a estabelecimento estável aí situado;

Rendimentos provenientes de:

- imóveis situados no território moçambicano (ex: rendas), incluindo as mais


valias resultantes da venda desses imóveis;

- ganhos resultantes da transmissão onerosa de partes de capital de


entidades com sede ou direcção efectiva em território moçambicano ou de
outros valores mobiliários emitidos por entidades residentes;

- partes de capital ou outros valores mobiliários emitidos por entidades não


residentes quando o pagamento dos respectivos rendimentos seja
imputável a estabelecimento estável situado em território moçambicano;

Rendimentos a seguir mencionados, cujo devedor seja residente em território


moçambicano ou cujo pagamento seja imputável a um estabelecimento
estável nele situado, excepto quando esses rendimentos constituam encargo
de um estabelecimento estável situado fora do território moçambicano:

- Rendimentos provenientes da propriedade intelectual ou industrial e


transmissão de know how adquirido no sector industrial, comercial ou
científico;

- Rendimentos derivados do uso ou da concessão do uso de equipamento


agrícola, industrial, comercial ou científico;

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- Outros rendimentos de aplicação de capitais;

- Remunerações auferidas na qualidade de membros de órgãos


estatutários de pessoas colectivas e outras entidades;

- Prémios de jogos de diversão social;

- Rendimentos provenientes da intermediação na celebração de quaisquer


contratos;

- Rendimentos de outras prestações de serviços realizados ou utilizados


em território moçambicano.

- Rendimentos derivados do exercício em território moçambicano da


actividade de profissionais de espectáculos ou desportistas, excepto
quando seja feita prova de que estes não controlam directa ou
indirectamente a entidade que obtém o rendimento.

9.3 Período de tributação Art. 7 do CIRPC

O período de tributação é o correspondente ao exercício económico, que regra geral


coincide com o ano civil.

Contudo, existem 3 excepções à regra, podendo o período de tributação, em


determinadas situações, ser:

Não coincidente com o ano civil;


Inferior a um ano;
Superior a um ano.

9.3.1 Período de tributação não coincidente com o ano civil

O período anual de imposto pode ser diferente do ano civil nas seguintes situações:
Por opção dos sujeitos passivos de IRPC, quando razões determinadas pelo
tipo de actividade o justifiquem e mediante requerimento e autorização por
despacho do Ministro das Finanças;

Por opção das pessoas colectivas não residentes que disponham de


estabelecimento estável em território moçambicano, mediante comunicação
expressa à Administração Tributária, a considerar a partir do fim do exercício
em que foi feita a comunicação

9.3.2 Período de tributação inferior ao ano civil

O período de tributação pode ser inferior a um ano nas seguintes circunstâncias:


No início de actividade ou de sujeição ao imposto: o período de tributação fica
compreendido entre o início de actividade/sujeição ao imposto e o fim do
exercício;

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Na cessação da actividade ou de fim de sujeição ao imposto: o período de
tributação fica compreendido entre o início do exercício e a data da cessação
da actividade/fim sujeição ao imposto;

Na adopção de período de tributação diferente do ano civil: o período de


tributação fica compreendido entre o início do ano civil e o dia imediatamente
anterior ao do início do novo período adoptado.

9.3.3 Período de tributação superior ao ano civil

No caso das sociedades em liquidação, o período de tributação pode ser superior a


um ano, tendo a duração correspondente à da liquidação, não podendo ultrapassar
três exercícios fiscais.

Contudo, este limite poderá ser prorrogado mediante pedido fundamentado dirigido à
Administração Tributária.

9.4 Facto Gerador Art. 8 do CIRPC

O facto gerador do imposto considera-se verificado no último dia do período de


tributação. No caso do período de tributação ser o ano civil, o facto gerador do
imposto ocorre a 31 de Dezembro relativamente aos rendimentos obtidos durante
todo o exercício económico. Contudo, o mesmo não se aplica aos seguintes
rendimentos, obtidos por entidades não residentes, que não sejam imputáveis a
estabelecimento estável situado em território moçambicano:

Mais valia resultantes da transmissão onerosa de imóveis, em que o facto


gerador se considera verificado na data da transmissão;
Mais valia resultantes da transmissão onerosa de partes do capital de
entidades residentes ou de outros valores mobiliários emitidos por entidades
residentes, em que o facto gerador se considera verificado na data da
transmissão;
Rendimentos objecto de retenção na fonte a título definitivo em que o facto
gerador se considera verificado na data em que ocorra a obrigação de
efectuar aquela.

9.5 Isenções Art. 9 a 14 do CIRPC

As isenções são excepções à regra de incidência, ou seja, só podem estar isentos os


rendimentos que integram as normas de sujeição e como tal assumem a natureza de
benefício fiscal. Regra geral, o efeito prático da não incidência e da isenção é o
mesmo, porque não há tributação, mas no caso dos rendimentos isentos, estes têm
que ser declarados.

Art. 9 a 14 do CIRPC

As isenções de IRPC podem classificar-se em:

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Pessoais ou subjectivas quando são concedidas em função da entidade
beneficiária;
Reais ou objectivas quando são concedidas em função da natureza dos
rendimentos.

9.6 Regime de Transparência Fiscal Art.6 do CIRPC

O regime de transparência fiscal consiste, genericamente na imputação aos sócios


dos rendimentos obtidos por determinadas sociedades residentes em território
moçambicano, independentemente de ter havido ou não distribuição de lucros.
As sociedades, abrangidas por este regime, apuram a matéria colectável de acordo
com as regras do Código do IRPC como qualquer outra sociedade, sendo essa
matéria colectável depois imputada a cada sócio, de acordo com a proporção que
resulta do acto constitutivo das sociedades, ou na falta desses elementos, em partes
iguais. Sendo os sócios na maior parte dos casos pessoas singulares, o montante a
imputar será englobado no rendimento global como rendimento líquido da 2ª
categoria para efeitos de tributação em IRPS.

Assim, a obrigação de pagamento do imposto deixa de ser das referidas sociedades,


recaindo sobre as pessoas singulares ou colectivas que as constituam.

Refira-
IRPC, excepto quanto ao pagamento especial por conta (PEC) e nas situações de
aplicação de tributação autónoma continuam a ter obrigações declarativas, na
medida em que é com base na declaração de rendimentos que é determinada a
matéria colectável que cabe a cada sócio.

O regime de transparência fiscal visa:

Eliminar a dupla tributação económica dos lucros distribuídos, na medida em


que os lucros incluídos na matéria colectável passam apenas a ser tributados
na esfera dos sócios, deixando de serem tributados pela sociedade que os
gerou;

Tributar os destinatários dos rendimentos independentemente da forma


jurídica adoptada;

Tributar os sócios na proporção da matéria colectável que lhes couber,


independentemente da política de distribuição de lucros da sociedade.

As sociedades abrangidas por este regime são:

Sociedades civis não constituídas sob forma comercial;

Sociedades de profissionais;

Sociedades de simples administração de bens, cuja maioria do capital social


pertença, directa ou indirectamente, durante mais de 180 dias do exercício
social, a um grupo familiar1 ou cujo capital social pertença, em qualquer dia
do exercício social, a um número de sócios não superior a cinco e nenhum
deles seja pessoa colectiva de direito público.

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9.6.1 Sociedades civis não constituídas sob forma comercial

Consideram-se sociedades civis não constituídas sob forma comercial, as


sociedades de pessoas que não visam a prática de actos de comércio e que estão
subordinadas à lei civil.

9.6.2 Sociedades de profissionais

Consideram-se sociedades de profissionais, as que cumulativamente reúnem estes 3


requisitos:
A actividade profissional exercida consta da lista da Classificação das
Actividades Económicas Moçambicanas por Ramos de Actividade (CAE);

Todos os sócios são profissionais dessa actividade;

Se os sócios fossem considerados individualmente, ficariam enquadrados na


segunda categoria de rendimentos para efeitos do IRPS.

9.6.3 Sociedades de simples administração de bens

Considera-se uma sociedade de simples administração de bens, a sociedade que


limita a sua actividade:

à administração de bens ou valores mantidos como reserva ou para fruição;


ou

à compra de prédios para habitação dos seus sócios.

Pode ainda a sociedade de simples administração de bens exercer conjuntamente


outras actividades desde que os proveitos relativos a esses bens, valores ou prédios
atinjam, na média dos últimos três anos, mais de 50% da média, durante o mesmo
período, da totalidade dos seus proveitos.

9.7 Determinação da Matéria Colectável

Métodos e regras de determinação da matéria colectável

Existem vários métodos de determinação da matéria colectável que se dividem em


métodos directos e indirectos, como a seguir se indicam:

Métodos directos:
- Regime de contabilidade organizada;
- Regime de escrituração simplificada;

Métodos indirectos:
- Regime simplificado de determinação do lucro tributável;
- Métodos indirectos de correcção

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A diferença entre os métodos directos e indirectos é que os métodos directos têm por
base uma contabilidade enquanto que os outros se baseiam em estimativas. Os
métodos indirectos de correcção são métodos de recurso residual, utilizados pela
Autoridade Tributária quando não seja possível aplicar os outros.

9.7.1 Quais são as regras de determinação da matéria colectável? Art.15 do


CIRPC

As regras de determinação da matéria colectável variam em função de:

local de residência da entidade;

exercício da actividade comercial, industrial ou agrícola, a título principal, ou


não;

existência de estabelecimento estável a que sejam imputáveis os rendimentos


para as entidades não residentes.

9.7.2 Determinação da matéria colectável de sujeitos passivos residentes que


exercem a título principal uma actividade de natureza comercial, industrial ou
agrícola

Com base na Declaração Periódica de Rendimentos, Declaração de Rendimentos


Modelo 22, determina-se a matéria colectável.

A matéria colectável dos sujeitos passivos residentes que exercem a título principal
uma actividade de natureza comercial, industrial ou agrícola é determinada de acordo
com o regime em que se inserem, que são três:

Regime de contabilidade organizada;

Regime de escrituração simplificada;

Regime simplificado de determinação do lucro tributável.

O regime de contabilidade organizada é de aplicação obrigatória para:

As sociedades comerciais ou civis sob forma comercial, incluindo as


cooperativas, cujo volume de negócios, relativo ao ano anterior seja igual ou
superior a 2.500.000 MT;

As empresas públicas, sociedades anónimas e em comandita por acções.

Os sujeitos passivos não enquadrados no regime de contabilidade organizada


podem optar pelo regime de escrituração simplificada ou pelo regime simplificado de
determinação do lucro tributável.

Assim, para o apuramento da matéria colectável, é necessário determinar o lucro


tributável que resulta do somatório do resultado do exercício e das variações

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patrimoniais positivas e negativas não reflectidas nesse, determinados com base na
contabilidade e eventualmente corrigidos nos termos do Código do IRPC.

O apuramento do resultado do exercício é feito com base: Art.17 do CIRPC

Para os sujeitos passivos com contabilidade organizada, com base no Plano


Geral de Contabilidade e outras disposições legais em vigor para o respectivo
sector de actividade, sem prejuízo da observância das disposições do CIRPC;

Para os sujeitos passivos com escrituração simplificada,


com base nos registos e regras estabelecidos para o regime escrituração
simplificada .

No caso das cooperativas, o resultado do exercício corresponde aos


excedentes líquidos.

9.7.3 Determinação da matéria colectável de sujeitos passivos residentes que


não exercem a título principal uma actividade de natureza comercial, industrial
ou agrícola Art. 42 e 43 CIRPC

Matéria colectável = rendimento global custos comuns e outros benefícios fiscais

Os sujeitos passivos residentes que não exercem a título principal uma actividade de
natureza comercial, industrial ou agrícola são, por exemplo, as associações e as
fundações cujo objectivo não visa a obtenção de lucros, mesmo que acessoriamente
obtenham rendimentos decorrentes de actividades sujeitas a IRPC.

Estes sujeitos passivos que tenham uma actividade acessória de natureza comercial,
industrial ou agrícola apuram a matéria colectável com base no rendimento global de
acordo com o Código do IRPS (soma dos rendimentos líquidos das várias
categorias), deduzido dos custos comuns e benefícios fiscais, caso aplicáveis.

Para efeitos de apuramento do rendimento global, deve-se ter em conta o seguinte:

As quotas pagas pelos associados em conformidade com os estatutos, bem


como os subsídios recebidos e destinados a financiar a realização dos fins
estatutários não são rendimentos sujeitos ao IRPC, logo não integram o
rendimento global;

Não podem ser imputados rendimentos a anos diferentes do da sua


percepção;

Os prejuízos fiscais decorrentes do exercício de actividades comerciais, industriais


ou agrícola, a título acessório, bem como as menos valias só podem ser deduzidos
aos rendimentos da 2ª e 3ª categoria, respectivamente, até ao quinto exercício
posterior.

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Relativamente aos custos comuns, que:

Forem comprovadamente indispensáveis à obtenção de rendimentos, mas

Não estejam especificamente ligados à obtenção dos rendimentos não


tributados, e

Não tenham sido considerados na determinação do rendimento global,


poderão ser deduzidos, total ou parcialmente ao rendimento global, de
acordo com as seguintes condições:

- se os custos estiverem apenas ligados à obtenção de rendimentos


tributados, são deduzidos na totalidade;

- se os custos estiverem ligados à obtenção de rendimentos tributados,


bem como a de rendimentos não tributados, só é deduzida a parte dos
custos que for imputável aos rendimentos tributados.

Os custos a imputar poderão ser repartidos em função da proporção dos


rendimentos brutos tributados face aos rendimentos totais, ou de acordo com
outro critério submetido e autorizado pela Administração Tributária, sendo que,
em qualquer dos casos, a repartição deverá evidenciar-se na declaração de
rendimentos.

Quanto aos benefícios fiscais aplicáveis, são os determinados no Código dos


Benefícios Fiscais que tenham a natureza de dedução à matéria colectável.

9.7.4 Determinação da matéria colectável de sujeitos passivos não


residentes com estabelecimento estável

Podemos colocar a fórmula desta maneira

(mc) =Matéria colectável


(liee) = lucro imputável ao estabelecimento estável
(pf)= prejuízos fiscais
(bf)=benefícios fiscais

mc liee pf bf
As sociedades e outras entidades não residentes que obtenham rendimentos em
Moçambique através de um estabelecimento estável são tributados sobre o lucro que
seja imputável a esse estabelecimento estável eventualmente corrigido pelos
prejuízos e benefícios fiscais.

O lucro tributável imputável ao estabelecimento estável é determinado de acordo


com as regras estabelecidas para os sujeitos passivos residentes que exerçam a
título principal uma actividade de natureza comercial, industrial ou agrícola e de
acordo com o seguinte:
Só podem ser deduzidos os encargos gerais de administração que sejam
imputáveis ao estabelecimento estável, de acordo com critérios de repartição

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aceites e dentro de limites tidos como razoáveis pela Administração
Tributária, e

Os critérios deverão ser uniformemente seguidos nos vários exercícios e


justificados na declaração de rendimentos.

Sempre que não seja possível efectuar uma imputação com base na utilização pelo
estabelecimento estável dos bens e serviços a que respeitam os encargos gerais, o

Código do IRPC prevê a aplicação dos seguintes critérios de repartição:


Volume de negócios;
Custos directos;
Imobilizado corpóreo.

Relativamente aos prejuízos fiscais, também se aplicam as mesmas regras


estabelecidas para os sujeitos passivos residentes que exerçam a título principal uma
actividade de natureza comercial, industrial ou agrícola.

Quanto aos benefícios fiscais aplicáveis, são os determinados no Código dos


Benefícios Fiscais que tenham a natureza de dedução à matéria colectável.

9.7.5 Determinação da matéria colectável de sujeitos passivos não


residentes sem estabelecimento estável

Matéria colectável = rendimentos das diversas categorias de IRPS

moçambicano obtidos por sociedades e outras entidades não residentes são


determinados de acordo com as regras estabelecidas para as categorias

A matéria colectável corresponde aos rendimentos individualizados das diferentes


categorias de IRPS.

9.7.6 Determinação do lucro tributável por métodos indirectos

Como já referido, existem dois tipos de métodos indirectos para determinar a matéria
colectável:

O regime simplificado de determinação do lucro tributável que pode em


determinadas condições ser aplicado pelo sujeito passivo e

Os métodos indirectos de correcção que são aplicados pela Administração


Tributária, sempre que haja falta de entrega da declaração de rendimentos
pelo contribuinte ou necessidade de corrigir a matéria colectável declarada
pelo mesmo, quando não seja possível recorrer-se aos elementos da
contabilidade.

Recorda-se que a matéria colectável, quando determinada por métodos indirectos é


igual ao lucro tributável, na medida em que não se aplicam os benefícios fiscais aos

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sujeitos passivos enquadrados nesta situação, tal como não são dedutíveis os
eventuais prejuízos fiscais.

9.7.6.1 Regime simplificado de determinação do lucro tributável

Enquadram-se no regime simplificado de determinação do lucro tributável os


sujeitos passivos residentes que exerçam, a título principal, uma actividade de
natureza comercial, industrial ou agrícola e reúnam estas condições:

Não ser obrigados a possuir contabilidade organizada;


Não apresentar um volume de negócios superior a 2.500.000 MT;
Não ter optado pelo regime simplificado de escrituração ou pelo regime de
contabilidade organizada.

9.7.6.2 Métodos indirectos de correcção

Art. 46 do CIRPC

Aplicam-se os métodos indirectos de correcção para determinar o lucro


tributável quando se verifique uma das seguintes situações:

Inexistência de contabilidade organizada ou dos livros de registo exigidos


no regime simplificado de escrituração, bem como a falta, atraso ou
irregularidade na sua execução, escrituração ou organização;

Recusa de exibição da contabilidade, dos livros de registo e demais


documentos de suporte legalmente exigidos e, bem assim, a sua
ocultação, destruição, inutilização, falsificação ou viciação;

Existência de diversas contabilidades ou grupos de livros com o propósito


de dissimular a realidade perante a Administração Tributária;

Erros ou inexactidões no registo das operações ou indícios fundados de


que a contabilidade ou os livros de registo não reflectem a exacta situação
patrimonial e o resultado efectivamente obtido.

9.7.6.3 Que consiste a aplicação dos métodos indirectos?

A determinação do lucro tributável por métodos indirectos baseia-se em todos


os elementos de que a Administração Tributária disponha, bem como nos
seguintes:

Margens médias das vendas e prestações de serviços ou compras e


fornecimentos e serviços de terceiros1;

Taxas médias de rendibilidade do capital investido, no sector;

Coeficientes técnicos de consumos ou utilização de matérias-primas e


outros custos directos1;

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Elementos e informações declarados à Administração Tributária, incluindo
os relativos a outros impostos, bem assim os relativos a empresas ou
entidades que tenham relações económicas com o sujeito passivo;

Localização e dimensão das unidades produtivas;

Custos médios em função das condições concretas do exercício da


actividade;

Matéria tributável do ano ou anos mais próximos que se encontre


determinada pela Administração Tributária.

9.7 TAXAS

As taxas aplicáveis são as seguintes: Art. 61 do CIRPC

Designação Taxas
Taxas aplicáveis sobre a Taxa Geral 32%
matéria colectável
Taxa reduzida, (aplicável à Agricultura e
Pecuária até 31 de Dezembro de 2010) 10%
Tributação autónoma, (aplicável a encargos
não devidamente documentados e a 35%
despesas confidenciais ou ilícitas)

No caso da taxa reduzida, os sujeitos passivos que desenvolvam outras actividades,


para além da agricultura e/ou pecuária, devem discriminar nas declarações os lucros
tributáveis das actividades sujeitas às diferentes taxas.

Na tributação autónoma, os encargos e despesas não são dedutíveis, para efeitos de


determinação do lucro tributável, mesmo quando contabilizados como custos ou
perdas do exercício. Art. 36 do Código de Imposto sobre Pessoas Singulares

9.7.1 Taxas de Retenção na Fonte

Art. 62, 67 e 68 do Código de Imposto sobre Pessoas Singulares

Alguns rendimentos estão sujeitos ao sistema de retenção na fonte, que consiste


numa dedução, ao rendimento pago ou posto à disposição do beneficiário, efectuada
pela entidade devedora desse rendimento cujo montante é resultante da aplicação
duma taxa sobre essa importância.

A retenção na fonte tem, regra geral, a natureza de imposto por conta o que
significa que é levado em consideração no apuramento final do imposto devido,
tratando-se na prática de um pagamento a título de adiantamento do imposto.

Existem, no entanto, excepções à regra geral, em que a retenção na fonte assume


a natureza de taxa liberatória, isto é, de imposto definitivo. As taxas liberatórias
aplicam-se sempre que o titular dos rendimentos seja uma entidade não residente e

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sem estabelecimento estável em Moçambique, ou, tendo estabelecimento estável,
não lhe sejam imputáveis os rendimentos, excepto no caso de se tratar de
rendimentos prediais.

9.8 LIQUIDAÇÃO

A liquidação do imposto consiste no cálculo do montante exacto do imposto a pagar.

9.8.1 A liquidação do IRPC compete:

Ao sujeito passivo, em regra, na Declaração Periódica de Rendimentos


ou na Declaração de Substituição;

À Administração Tributária, quando se verifique a falta de apresentação da


Declaração Periódica de Rendimentos, por parte do sujeito passivo.

9.8.2 O imposto é apurado com base:

Na Declaração Periódica de Rendimentos (M/22), apresentada pelo sujeito


passivo, anualmente, dentro do prazo legal, sem prejuízo de ser corrigida pela
Administração Tributária. A referida correcção poderá ocorrer até ao fim do
quinto ano seguinte ao da ocorrência do facto gerador;

Não sendo apresentada a Declaração Periódica de Rendimentos dentro


do prazo legal, o apuramento do imposto terá por base:
- A totalidade da matéria colectável do exercício mais próximo que se
encontre determinada ou, na falta desta,

- Nos elementos de que a Administração Tributária disponha.

9.8.3 Quais são os prazos para a liquidação?

Art. 39 do Regulamento do Código de Imposto sobre Pessoas Colectivas

A liquidação do IRPC deve ser apresentada até ao último dia útil do mês de Maio na
Declaração Periódica de Rendimentos Modelo 22 à Direcção da Área Fiscal da sede,
direcção efectiva ou estabelecimento estável em que estiver centralizada a
contabilidade.

Art. 24 do RIRPC

O direito à liquidação do IRPC caduca no final do quinto ano seguinte ao da


ocorrência do facto gerador do imposto.

9.8.4 Em que situações pode ocorrer a exigência de liquidação adicional?

Art. 22 do RIRPC

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A Administração Tributária procede à liquidação adicional, quando depois de
liquidado o imposto, seja devida, em consequência de:

Revisão do lucro tributável fixado por métodos indirectos;


Exame à contabilidade efectuado posteriormente à liquidação correctiva;
Improcedência, total ou parcial, do recurso hierárquico;
Erros de facto ou de direito ou omissões verificados em qualquer liquidação.

9.9 Obrigações do Sujeito Passivo

9.9.1 Obrigações de Pagamento

O procedimento de pagamento do IRPC assenta na seguinte regra geral:

Realização de pagamentos por conta, a título de adiantamento do imposto


devido a final;
Realização de pagamento final, pela diferença entre o montante total
entregue por conta e o imposto anual (total) liquidado com base na
declaração de rendimentos ou de substituição

De seguida analisam-se as várias formas de pagamento do imposto, ou seja, os


pagamentos a título de Adiantamento:

Retenção na fonte;
A retenção na fonte consiste numa dedução ao rendimento pago ou posto à
disposição do beneficiário, efectuada pela entidade devedora desse rendimento, cujo
montante é resultante da aplicação duma taxa sobre essa importância. Assim, a
entidade devedora assume o papel de substituto tributário ao efectuar a retenção
de uma importância e proceder à respectiva entrega nos cofres do Estado por conta
do titular dos rendimentos.

Pagamentos por conta (PC);


Os pagamentos por conta são considerados como adiantamentos de imposto, pois
são efectuados durante o exercício a que respeita o lucro tributável, antes do mesmo
ser apurado e do respectivo imposto ser liquidado.

São obrigados a efectuar pagamentos por conta os sujeitos passivos que exerçam a
título principal uma actividade de natureza comercial, industrial ou agrícola e os
não residentes com estabelecimento estável em território nacional.
O pagamento por conta é calculado com base no imposto liquidado relativamente ao
exercício imediatamente anterior àquele a que correspondem os rendimentos, líquido

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das retenções na fonte sendo correspondente a 80% desse valor repartido em três
pagamentos de igual valor, arredondados por excesso.
Os pagamentos por conta são efectuados durante os meses de Maio, Julho e
Setembro, excepto para os sujeitos passivos que adoptem um período de tributação
diferente do ano civil, caso em que deverão efectuar os seus pagamentos nos meses
5, 7 e 9 do respectivo período de tributação, através de guia de pagamento M/39.

Pagamento especial por conta (PEC),- na realidade o PEC reveste em


determinadas situações a natureza de um imposto mínimo e não um imposto
por conta, porque ele é devido independentemente do sujeito passivo
apresentar rendimentos.

É considerado um pagamento antecipado de imposto, a realizar durante o exercício a


que respeitam os rendimentos, devido pelos sujeitos passivos que exerçam a título
principal uma actividade de natureza comercial, industrial ou agrícola e aos não
residentes com estabelecimento estável em território nacional, sendo efectuado a
partir do segundo ano de actividade nas seguintes condições cumulativas:

Os sujeitos passivos possuírem contabilidade organizada ou estarem


enquadrados no regime simplificado de escrituração, e
Do cálculo do PEC (fórmula apresentada a seguir) resultar imposto a pagar,
isto é, a obtenção de um resultado >0.

O pagamento especial por conta é calculado tendo por base 0.5% do valor das
vendas e/ou dos serviços prestados, realizados durante o exercício anterior, com o
limite mínimo de 30.000 MT e o máximo de 100.000 MT, deduzido do montante dos
pagamentos por conta efectuados no ano anterior, podendo ser repartido em três
prestações de igual valor, arredondados por excesso.

O pagamento especial por conta pode ser pago de uma só vez ou repartido em três
pagamentos iguais a efectuar nos meses de Junho, Agosto e Outubro, excepto
para os sujeitos passivos que adoptem um período de tributação diferente do ano
civil, que deverão efectuar os seus pagamentos nos meses 6, 8 e 10 do respectivo
período de tributação.

Pagamento final do IRPC liquidado.

O montante do IRPC devido a final é constituído pela diferença, entre o IRPC


liquidado e as importâncias entregues por conta (importâncias retidas na fonte e
pagamentos por conta). Se essa diferença for positiva há lugar ao pagamento final
do IRPC deve ser efectuado nas Direcções de Áreas Fiscais do domicílio fiscal do
sujeito passivo nos seguintes prazos:

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Ciencias Jurídicas Direito Fiscal e Aduaneiro Semestre 2

- Até ao termo do prazo fixado para a apresentação da declaração de


rendimentos (M/22) conjuntamente com a guia de pagamento M/39; ou

- Até ao dia da apresentação da declaração de substituição (M/22)


conjuntamente com a guia de pagamento M/39.

Se esse montante for negativo há lugar a reembolso ao sujeito passivo1, devendo


este ser efectuado pelos serviços até ao fim do terceiro mês imediato ao da
apresentação do M/22, quando apresentada dentro do prazo.

9.10 Obrigações Declarativas

Modelos Oficiais Prazos


Declaração de Inscrição M/01 15 dias antes do início de actividade
Declaração de Alterações M/03 15 dias a contar da data da alteração
Declaração de Cessação M/04 30 dias a contar da data da cessação da
actividade
Declaração Periódica de M/22 ou Até ao último dia útil do mês de Maio
Rendimentos M/22A
Declaração Anual de Informação M/20 Até ao último dia útil do mês de Junho
Contabilística e Fiscal

FORMÚLA PARA O CÁLCULO DO IRPC

RLE ou Resultado Líquido de Exercício


+
Variações patrimoniais positivas não reflectidas no RLE
-
Variações patrimoniais negativas não reflectidas no RLE
+-
Correcções Fiscais = Lucro tributável - Prejuízos fiscais
-
Benefícios Fiscais
=
Matéria Colectável
*
Taxa
=
Colecta do IRPC
-
Deduções à colecta
=
IRPC liquidado

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Ciencias Jurídicas Direito Fiscal e Aduaneiro Semestre 2
-
Retenções na fontes e Pagamento por conta
=
IRPC a pagar ou a recuperar

Leituras Complementares
Código do IRPC, aprovado pela Lei nº 34/2007, de 31 de Dezembro;
Regulamento do Código do IRPC, aprovado pelo Decreto nº9/2008, de 16 de Abril;

Ibraimo, Ibraimo; O Direito e a Fiscalidade; ART C;2000, Pag.106-129

Actividades
A seguir, estão as actividades correspondentes a esta primeira unidade. Resolva os
exercícios propostos em cada uma e verifique se acertou, conferindo a sua resposta
na Chave de Correcção no final do presente Guia de Estudo.

Actividade 1

Resolva os presentes casos:


1. Em quais destas situações existe estabelecimento estável?
a) Uma pedreira explorada por entidade não residente;
b) Depósito de mercadorias de empresa não residente destinado a
armazenar e entregar mercadorias vendidas no estrangeiro;
c) Estaleiro de construção de um estrada durante 1 ano;
d) Fiscalização da construção da referida estrada por uma empresa não
residente.

2. Estarão sujeitos a IRPC os seguintes rendimentos auferidos por uma


sociedade nao residente sem estabelecimento estável em Moçambique?
a) Ganhos resultantes da venda de armazéns situados na Matola;
b) Rendimentos recebidos de uma sociedade residente em Moçambique
pelo transporte de mercadorias do território moçambicano para o
estrangeiro;
c) Lucros distribuidos por sociedade residente;
d) Rendimentos recebidos de sociedade pela utilização de patente.

3. Uma sociedade registou em 2006 um Resultado Liquido de Exercicio(RLE) de


500 milhões de MT, tendo contabilizado como custos:
a) O pagamento de multa de trânsito no valor de 10 milhões de MT;
b) E o pagamento de salários no montante de 400 milhões de MT.
Abstraindo de outras operações, qual o lucro tributável?

4. A sociedade JKL lda. enquadrada no regime simplificado de determinação do


lucro tributável obteve os seguintes proveitos:

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Ciencias Jurídicas Direito Fiscal e Aduaneiro Semestre 2
Vendas de mecardorrias= 1000 milhões MT
Prestações de serviços=10 milhões MT
Venda de viatura totalmene amortizada = 20 milhoes MT
Qual o lucro tributável?

UNIDADE TEMÁTICA 10

IMPOSTO SOBRE OS RENDIMENTOS DAS PESSOAS SINGULARES (IRPS)


Elaborado por Arlindo da Costa Rosário

Objectivos

No fim desta unidade voce deverá ser capaz de identificar os sujeitos passivos deste
imposto, as categorias de rendimento, as taxas de tributação e os mecanismos de
determinação da matéria colectável

10. Imposto sobre os Rendimentos das Pessoas Singulares (IRPS)

10.1 Incidência pessoal Art. 20 do CIRPS

O IRPS incide sobre os rendimentos das pessoas singulares:


Residentes no território moçambicano, incluindo os obtidos no estrangeiro;
Não residentes, obtidos em Moçambique.

Para efeitos fiscais consideram-se residentes em Moçambique as pessoas que, no


ano a que respeitem os rendimentos, preencham uma das seguintes condições: Art.
21 do CIRPS

Hajam nele permanecido mais de 180 dias, seguidos ou interpolados;


Tendo permanecido por menos tempo, aí disponham de habitação em
condições que façam supor a intenção de a manter e ocupar como residência
permanente;
Desempenhem no estrangeiro funções ou comissões de carácter público, ao
serviço da República de Moçambique;
Sejam tripulantes de navios ou aeronaves, desde que aqueles estejam ao
serviço de entidades com residência, sede ou direcção efectiva no território
moçambicano.

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Ciencias Jurídicas Direito Fiscal e Aduaneiro Semestre 2
As pessoas que constituem o agregado familiar serão sempre consideradas
como residentes em território moçambicano, desde que naquele resida
qualquer das pessoas a quem incumbe a direcção do agregado.

É obrigatória a comunicação da residência do sujeito passivo à Administração


Tributária.

10.1.1 Quem é o sujeito passivo em sede de IRPS? Art. 18 e 25 do CIRPS

São sujeitos passivos de IRPS aqueles cujos rendimentos estão sujeitos a IRPS, ou
seja, as pessoas singulares residentes e não residentes em território moçambicano
que aqui obtenham rendimentos.

As obrigações do sujeito passivo são, resumidamente:

Declarativas no que diz respeito aos rendimentos auferidos;


De pagamento do imposto.

Relativamente ao pagamento do imposto, o CIRPS prevê em determinadas situações


a substituição tributária, ou seja, é exigido o pagamento total ou parcial do imposto a
pessoa diversa do titular dos rendimentos como por exemplo à entidade pagadora
dos mesmos que deve reter na fonte o imposto e entregá-lo ao Estado.

10.1.2 Como é tributado o agregado familiar? Art. 18 do CIRPS

Art. 12 do RIRPS

Sempre que existe agregado familiar, o imposto é devido pelo conjunto dos
rendimentos das pessoas que o constituem, considerando-se os sujeitos passivos as
pessoas a quem incumbe a sua direcção, devendo ser apresentada uma única
declaração pelos dois cônjuges ou por um deles, se o outro for incapaz ou ausente.

Havendo separação de facto, cada um dos cônjuges pode apresentar declaração dos
seus próprios rendimentos e dos seus dependentes.

O agregado familiar é constituído por uma das seguintes formas:


Cônjuges não separados judicialmente de pessoas e bens e seus
dependentes;
Cada um dos cônjuges ou ex-cônjuges, respectivamente, nos casos de
separação judicial de pessoas e bens ou de declaração de nulidade, anulação
ou dissolução do casamento, e dos dependentes;
Pai ou mãe solteiros e os seus dependentes;
O adoptante solteiro e os seus dependentes.

10.2 Incidência real

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Ciencias Jurídicas Direito Fiscal e Aduaneiro Semestre 2
O IRPS é um imposto directo que incide sobre o valor global anual de rendimentos,
quer seja em dinheiro ou em espécie e independentemente da moeda ou forma
como se obtêm, incluindo os que provenham de actos ilícitos.

10.3 Categorias de rendimentos

Primeira Categoria-Rendimentos de trabalho dependente

Segunda Categoria-Rendimentos empresariais e profissionais

Terceira Categoria-Rendimentos de capitais e das mais valias

Quarta Categoria-Rendimentos prediais

Quinta Categoria-Outros rendimentos

10.3.1 Determinação do rendimento líquido de cada categoria

1. Primeira categoria Art. 2 do CIRPS

A primeira categoria de rendimentos compreende:


Rendimentos de trabalho dependente, ou
Rendimentos de natureza equiparável, e
Pensões ou rendas vitalícias.

Quais os rendimentos não sujeitos e isentos desta categoria?

Tanto os rendimentos não sujeitos como os isentos não constituem rendimento


tributável, não sendo assim englobados para efeitos de determinação do rendimento
colectável do IRPS. Contudo, ainda que não englobados para efeitos de tributação,
os rendimentos isentos são incluídos para efeitos de determinação da taxa a aplicar
aos restantes rendimentos.

Consideram-se não sujeitos a IRPS, os seguintes rendimentos:


Prestações efectuadas pelas entidades patronais para regimes obrigatórios
ou complementares de segurança social que garantam exclusivamente
benefícios em caso de reforma, invalidez ou sobrevivência;
Utilização e fruição de realizações de utilidade social e de lazer mantidas pela
entidade patronal, tais como:

- Creches, infantários jardins-de-infância, cantinas, bibliotecas, escolas,


prevenção e assistência médica e medicamentosa aos doentes
infectados com SIDA, desde que seja em benefício do pessoal da
empresa e seus familiares e de fruição geral e não individualizada;

- Seguros de doença, acidentes pessoais ou seguros de vida que


garantam exclusivamente os riscos de morte ou invalidez, desde que
atribuídos de acordo com um critério objectivo e idêntico a todos os

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Ciencias Jurídicas Direito Fiscal e Aduaneiro Semestre 2
trabalhadores permanentes da empresa e sejam celebrados contratos
de seguros com empresas de seguros residentes em Moçambique;

Prestações relacionadas exclusivamente com acções de formação


profissional dos trabalhadores, ministradas quer pela entidade patronal, quer
por organismos de direito público ou outra entidade reconhecida para tal
pelos Ministérios competentes;

Indemnizações por despedimento com justa causa recebidas pelo trabalhador,


decorrentes da rescisão do contrato de trabalho por iniciativa do empregador
ou do trabalhador.

Consideram-se rendimentos isentos do IRPS as pensões.

Como apurar o rendimento líquido da 1ª categoria?

Para determinação do rendimento líquido da 1ª categoria, são deduzidos aos


rendimentos brutos por cada titular que os tenha auferido, os seguintes montantes:

As quotizações sindicais;
As indemnizações pagas pelo trabalhador à sua entidade patronal por
rescisão unilateral do contrato individual de trabalho sem aviso prévio em
resultado de sentença judicial ou de acordo judicialmente homologado.

1. Segunda categoria

Consideram-se rendimentos da Segunda Categoria os decorrentes directa ou


indirectamente de Actividades empresariais e profissionais e outros de natureza
equiparável

Como apurar o rendimento líquido da 2ª categoria?

O rendimento líquido da 2ª categoria é apurado com base:


no regime de contabilidade organizada;
no regime de escrituração simplificada;
no regime simplificado de determinação do rendimento colectável;
nas regras dos rendimentos de trabalho dependente;
nas regras aplicáveis aos actos isolados;
nos métodos indirectos de determinação do lucro tributável.

Como se apura o rendimento líquido (ou lucro tributável)?

O lucro tributável é determinado de acordo com as regras estabelecidas para as


sociedades comerciais no Código do IRPC, sendo essa matéria objecto de estudo no
manual de IRPC.

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Ciencias Jurídicas Direito Fiscal e Aduaneiro Semestre 2
O lucro tributável do IRPS calcula-se com base no resultado líquido, apurado de
acordo com o Plano Geral de Contabilidade, e eventualmente corrigido por valores a
somar ou a deduzir. Ao lucro tributável, deduzem-se, caso aplicável, as perdas e
benefícios fiscais obtendo-se a matéria colectável.

Refira-se que, para além das correcções ao resultado líquido estabelecidas no


Código de IRPC, são acrescidas mais umas limitações e efectuadas umas
adaptações nomeadamente quanto aos encargos não dedutíveis para efeitos fiscais;
à dedução dos prejuízos fiscais;
à realização do capital social com entrada do património empresarial.

2. Terceira categoria

Integram-se nesta categoria os rendimentos de capitais e os provenientes das


mais-valias

Rendimentos de capitais

Consideram-se rendimentos de capitais todas as vantagens económicas, qualquer


que seja a sua natureza ou denominação, sejam pecuniários ou em espécie,
procedentes, directa ou indirectamente, de elementos patrimoniais, bens, direitos ou
situações jurídicas, de natureza mobiliária, bem como da respectiva modificação,
transmissão ou cessação, com excepção dos ganhos e outros rendimentos
tributados noutras categorias.

Como apurar o rendimento líquido de capitais?

O rendimento líquido de capitais é igual ao rendimento bruto na medida em que não


existem deduções.

Rendimentos provenientes de mais-valias

Alienação onerosa de direitos reais sobre bens imóveis e afectação dos bens
do património particular à actividade empresarial e profissional do empresário
em nome individual;
Alienação onerosa de partes sociais, incluindo a sua remição e amortização
com redução de capital e de outros valores mobiliários;
Alienação onerosa da propriedade intelectual ou industrial ou de experiência
adquirida no sector comercial, industrial ou científico, quando o transmitente
não seja o seu titular originário;
Cessão onerosa de posições contratuais ou outros direitos inerentes a
contratos relativos a bens imóveis;
Os rendimentos líquidos positivos, apurados em cada ano provenientes de
operações relativas a instrumentos financeiros derivados, com excepção dos
ganhos decorrentes de swaps.

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Consideram-se mais-valias os ganhos obtidos que, não sendo considerados
rendimentos comerciais, industriais, agrícolas, de capitais ou prediais, resultem de:

Rendimentos da terceira categoria Mais Valias

Art. 12 do CIRPS

Art. 39 do CIRPS

Como apurar o rendimento líquido das mais valias?

O valor dos rendimentos qualificados como mais-valias corresponde ao saldo


apurado entre as mais-valias e as menos valias realizadas no mesmo ano.

4. Quarta categoria

Como apurar o rendimento líquido da 4ª categoria?

as importâncias relativas à cedência do uso do prédio ou de parte dele e aos


serviços relacionados com aquela cedência (ex: serviços de segurança e
manutenção);
as importâncias relativas ao aluguer de máquinas e mobiliário instalados no
imóvel locado;
a diferença, auferida pelo sublocador, entre a renda recebida do
subarrendatário e a paga ao senhorio;
as importâncias relativas à cedência do uso, total ou parcial, de bens imóveis,
para publicidade ou outros fins especiais;
as importâncias relativas à cedência do uso de partes comuns de prédios em
regime de propriedade horizontal;
as importâncias relativas a constituição, à título oneroso, de direitos reais de
gozo temporários, ainda que vitalícios, sobre prédios rústicos ou urbanos.

Como apurar o rendimento líquido da 4ª categoria?

Aos rendimentos brutos deduz-se:


30% do rendimento a título de despesas de manutenção e de conservação ou
mais quando documentalmente provado pelo sujeito passivo;
os juros pagos a instituições de crédito moçambicanas, devidamente
documentados, resultantes de empréstimos para a construção de habitação
própria, até ao montante das rendas recebidas, quando englobadas no
rendimento total;
o imposto predial autárquico que incide sobre o valor dos prédios ou parte de
prédios cujo rendimento tenha sido englobado;
os encargos suportados obrigatoriamente e comprovados pelo condómino1
no caso de fracção autónoma de prédio em regime de propriedade horizontal.

3. Quinta categoria

O dinheiro ganho efectivamente ou postos à disposição, provenientes de


jogos de diversão social (ex: lotarias, rifas, apostas mútuas, loto, totoloto,
bingo, sorteios.);

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Ciencias Jurídicas Direito Fiscal e Aduaneiro Semestre 2
Os incrementos patrimoniais, desde que não considerados rendimentos de
outras categorias, nomeadamente:

o As indemnizações que visem a reparação de danos emergentes não


comprovados e de lucros cessantes, ou seja, as que se destinam a
ressarcir os benefícios líquidos deixados de obter em consequência da
lesão;

o As importâncias atribuídas em virtude da assunção de obrigações de


não concorrência, independentemente da respectiva fonte ou título;

o Acréscimos patrimoniais não justificados, que tenham sido


determinados de forma indirecta.

Como apurar o rendimento líquido da 5ª categoria?

O rendimento líquido da 5ª categoria é igual ao rendimento bruto na medida em que


não existem deduções.

10.4 APURAMENTO DO IRPS

O rendimento líquido total resulta do somatório dos rendimentos líquidos auferidos de


todas as categorias, tendo em conta as seguintes particularidades:

Nas situações de co-titularidade, cada co-titular engloba os rendimentos na


proporção das respectivas quotas;

Não são englobados para efeito da sua tributação:

- Os rendimentos sujeitos à taxa liberatória, sem prejuízo da opção pelo


englobamento;

Note-se que, sempre que o sujeito passivo opte pelo englobamento de rendimentos
sujeitos à taxa liberatória, deverá obrigatoriamente englobar todos os rendimentos
nessas condições. Refira-se ainda que o englobamento pode ser vantajoso quando a
taxa de IRPS a aplicar seja inferior à taxa liberatória.

- os rendimentos que beneficiam de isenção.

10.4.1 Abatimentos

Ao rendimento líquido total abatem-se os encargos com pensões a que o sujeito


passivo esteja obrigado por sentença judicial ou por acordo homologado nos termos
da lei civil desde que comprovadamente suportadas e não reembolsadas.

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10.4.2 Mínimo não tributável

Apurado o rendimento colectável (Rendimento líquido total Abatimentos) deduzir-


se-á por cada titular de rendimentos um quantitativo, definido como mínimo não
tributável, igual a:

Em 2008, o salário mínimo mais elevado foi de 2.139,50 MT1, pelo que o mínimo não
tributável é igual a 77.022,00 MT.

10.4.3 Coeficiente conjugal- Valor atribuído a casados

O coeficiente conjugal aplica-se ao rendimento colectável dos sujeitos passivos


casados e não separados judicialmente de pessoas e bens.

Assim, a taxa de IRPS aplicável será a que corresponde ao rendimento colectável


anual dividido por 2.

10.5 LIQUIDAÇÃO

A liquidação do IRPS compete:


À Administração Tributária;

Ao sujeito passivo, sendo que a autoliquidação é:

- Obrigatória, quando este seja titular de rendimentos da 2ª categoria, e


- Facultativa, nos restantes casos (pelo que não sendo exercida esta opção, a
liquidação compete à Administração Tributária).

10.5.1 Qual é a base para a liquidação do imposto?

O imposto é apurado com base:


Na declaração de rendimentos (modelo 10), quando apresentada dentro do
prazo legal, de forma obrigatória ou opcional, sem prejuízo de ser corrigida
pela Administração Tributária;
No rendimento colectável determinado com base nos elementos constantes
da declaração de rendimentos, apresentada dentro do prazo legal, sem que
se tenha procedido à autoliquidação, quer esta seja obrigatória ou facultativa.

Não sendo entregue a declaração de rendimentos dentro do prazo legal, o


apuramento do imposto terá por base:

Quando a autoliquidação é obrigatória:


- A totalidade do rendimento colectável do ano mais próximo em que tenham
sido incluídos rendimentos da 2ª categoria, caso não tenha sido declarada a
respectiva cessação de actividade; ou
- com base em declaração posteriormente apresentada, sempre que possível.

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Nos restantes casos: os elementos de que os serviços da Administração
Tributária disponham, ou os elementos constantes das declarações, ainda
que entregues fora do prazo legal.

10.5.2 Quais são os prazos para a liquidação?


A liquidação do IRPS deve ser efectuada pela Administração Tributária no ano
seguinte àquele a que os rendimentos respeitam, até aos dias:

30 de Abril, com base na declaração de rendimentos apresentada até 31 de


Março pelo sujeito passivo que aufere apenas rendimentos da 1ª categoria;
30 de Maio, com base na declaração de rendimentos apresentada até 30 de
Abril pelo sujeito passivo que aufere outros rendimentos para além dos da 1ª
categoria;
31 de Julho, na falta de apresentação da declaração dentro do prazo legal.

10.5.3 Em que situações é que ocorrem as correcções à liquidação do imposto?

A Administração Tributária procede à liquidação adicional sempre que, depois de


liquidado o imposto, se verifique ser de exigir imposto superior ao liquidado, em
consequência de:
Exame à contabilidade do sujeito passivo;
Erros ou omissões verificadas em qualquer liquidação, de que haja resultado
prejuízo para o Estado.

Sempre que, a Administração Tributária proceda a alguma correcção à matéria


colectável das entidades a que se aplique o regime de transparência fiscal de que
resulte alterações aos montantes imputados aos respectivos sócios ou membros, há
lugar à reforma da liquidação efectuada àqueles, cobrando-se ou anulando-se as
diferenças apuradas.

10.6 OBRIGAÇÕES DO SUJEITO PASSIVO

10.6.1 Obrigações de Pagamento

Nesta secção das obrigações de pagamento analisam-se as várias formas de


pagamento do imposto, ou seja, quando este é pago a título de:

Adiantamento, nomeadamente quando efectuados:


- Retenções na fonte, ou
- Pagamentos por conta;

Pagamento final, no caso de:


- Pagamento de taxas liberatórias sem opção pelo englobamento no
rendimento líquido total;
- Pagamento do IRPS anual liquidado com base na declaração de
rendimentos, ou na liquidação efectuada pelos Serviços da Administração
Tributária.

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Retenções na fonte

A retenção na fonte consiste numa dedução ao rendimento pago ou posto à


disposição do beneficiário, que é efectuada pela entidade devedora desse
rendimento. Assim, a entidade devedora assume o papel de substituto tributário ao
efectuar a retenção de uma importância (que resulta da aplicação de uma taxa) e
proceder a respectiva entrega nos cofres do Estado por conta do titular dos
rendimentos.

As retenções na fonte podem ser efectuadas a título de pagamento por conta do

depois deduzido ao imposto anual devido, calculado com base nos elementos da
Declaração de Rendimentos. No segundo caso, a retenção na fonte é efectuada de
acordo com taxas liberatórias, libertando o sujeito passivo das Mobrigações
declarativas ou de pagamento posterior por se tratar de uma tributação definitiva,
salvo casos em que a lei permite a opção pelo englobamento.

10.6.2 Quem deve efectuar a retenção na fonte e sobre que rendimentos?

A retenção na fonte deve ser efectuada obrigatoriamente pelas seguintes entidades:


Entidades devedoras de rendimentos de trabalho dependente, fixos ou
variáveis, com excepção dos rendimentos provenientes de:

- Pensões;

Subsídios de residência ou equivalentes à utilização de casa de habitação


fornecida pela entidade patronal, desde que não sejam certos e regulares;

- Utilização de viatura automóvel que gere encargos para a entidade patronal,


quando exista acordo escrito entre o trabalhador ou membro do órgão social e a
entidade patronal, sobre a imputação àquele da referida viatura automóvel, desde
que não sejam certos e regulares;

- Gratificações auferidas pela prestação ou em razão da prestação do trabalho,


quando não atribuídas pela respectiva entidade patronal.

As entidades que disponham ou devam dispor de contabilidade organizada e sejam


devedoras dos seguintes rendimentos de:

- Capitais;

- Prediais;

- Propriedade intelectual ou industrial ou da prestação de informações respeitantes a


uma experiência no sector industrial, comercial ou científico, auferidos por titulares
originários;

- Trabalho independente ou de comissões pela intermediação na celebração de


quaisquer contratos.

As entidades devedoras dos rendimentos sujeitos à taxa liberatória

Pagamentos por conta

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Os sujeitos passivos com rendimentos da 2ª categoria são obrigados a efectuar 3
pagamentos por conta do imposto devido a final. Os pagamentos por conta
representam na sua totalidade 80% do imposto pago no ano anterior proporcional ao
peso dos rendimentos da 2ª categoria no englobamento, conforme fórmula seguinte:

Os pagamentos por conta devem ser efectuados em montantes iguais.

Pagamento do IRPS anual liquidado

O IRPS deve ser pago até ao dia 31 de Maio, do ano seguinte àquele a que
respeitam os rendimentos, excepto nos seguintes casos:

Quando a liquidação seja efectuada até 30 de Maio, com base na declaração


de rendimentos (Modelo 10) apresentada até 30 de Abril pelo sujeito passivo
que aufere outros rendimentos para além da 1ª categoria, o imposto devido
deve ser pago até 30 de Junho;
Na falta de apresentação da declaração dentro do prazo legal, o imposto
liquidado deve ser pago até 31 de Agosto, acrescidos os juros
compensatórios que se mostrarem devidos.

10.7 Obrigações declarativas

10.7.1 Declaração de registo de pessoa singular

Todas as pessoas singulares com rendimentos sujeitos a qualquer imposto, ainda


que dele isentos, são obrigadas a inscrever-se na Direcção da Área Fiscal
competente apresentando em duplicado o Modelo 5 (M/05).

Do registo decorre a atribuição pela Administração Tributária de um NUIT Número


Único de Identificação Tributária - que deve ser usado pelas pessoas singulares para
todos os tributos.

Sempre que ocorra qualquer alteração relativa à situação pessoal ou familiar do


sujeito passivo de IRPS, deve esta ser comunicada:
Na declaração de rendimentos respeitante ao ano da verificação dos factos;
Em declaração de modelo oficial a apresentar durante o mês de Janeiro do
ano seguinte Nàquela verificação, caso o sujeito passivo não esteja obrigado
à apresentação da declaração de rendimentos.

O cancelamento do registo respeitante a não residentes é feito mediante a


declaração da cessação de actividade em território moçambicano ou uma declaração
de alienação das suas fontes de rendimento tributável nesse território, as quais
devem ser apresentadas até ao final do mês seguinte ao da verificação desses factos.

10.7.2 Declaração de rendimentos

Para efeitos de apuramento do IRPS, os sujeitos passivos devem anualmente


apresentar uma única declaração de rendimentos (Modelo 10 M/10) relativa aos
rendimentos auferidos no ano anterior, devendo ser-lhe juntos:
Os anexos e os documentos comprovativos dos rendimentos e das retenções
na fonte;
No caso de permutas de acções em que não haja lugar a tributação:

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Ciencias Jurídicas Direito Fiscal e Aduaneiro Semestre 2
- Declaração donde conste descrição da operação de permuta de acções,
data em que se realizou, identificação das entidades intervenientes, número,
valor nominal e valor de aquisição das acções entregues e das acções
recebidas, valor por que se encontravam registadas na contabilidade as
acções entregues, quantia em dinheiro eventualmente recebida, resultado que
seria integrado na base tributável se houvesse tributação e demonstração do
seu cálculo;

- Declaração da sociedade adquirente de como em resultado da operação de


permuta de acções ficou a deter a maioria dos direitos de voto da sociedade
adquirida.

A declaração de rendimentos e seus anexos deve ser entregue em duplicado ou


triplicado quando se trate de sujeitos passivos com rendimentos da 2ª Categoria.

10.7.3 As taxas do imposto são as constantes da tabela seguinte:

Rendimento Colectável Anual (MT) Taxas Parcela a abater(MT)


Até 42.000 10% -
De 42.001 a 168.000 15% 2.100
De 168.001 a 504.000 20% 10.500
De 504.001 a 1.512.000 25% 35.700
Além de 1.512.000 32% 141.540

Leituras Complementares
Código do IRPS aprovado pela Lei n.33/2007, de 31 de Dezembro;
Regulamento do Código de IRPC, aprovado pelo Decreto nº8/2008, de 16 de Abril;
Ibraimo, Ibraimo; O Direito e a Fiscalidade; ART C;2000, Pag.133-141

Actividades
A seguir, estão as actividades correspondentes a esta unidade. Resolva os
exercícios propostos em cada uma e verifique se acertou, conferindo a sua resposta
na Chave de Correcção no final do presente Guia de Estudo.

Actividade 1

Resolva a seguinte hipotese:

i. Um casal, sem dependentes, auferiu em 2003 os seguintes rendimentos:

Escola Superior Aberta/A Politécnica Ensino à Distância 61


Ciencias Jurídicas Direito Fiscal e Aduaneiro Semestre 2
Cônjugue A
600milhões MT de remuneração pelo cargo de vogal do Conselho de
Administração da sociedade X.
100milhõesMT de adiantamentos para deslocações ao estrangeiro, tendo sido
prestadas contas no exercício no montante de 80milhões.
50milhões de dividendos daquela sociedade.
10milhões de subsídio de residência.

Cônjugue B
400milhões de vencimento como médica do Hospital de Maputo.
800milhões de honorários pelo exercício da medicina por conta própria. O
volume de negócios é igual ao do ano anterior e não optou pela contabilidade
organizada.

A conjugue B descontou 9% de contribuições obrigatórias.

a) Qual o IRPS devido?

b) Quais as obrigações declarativas e de escrituração?

c) Quais as retenções a fazer pelas entidades pagadoras?

FORMÚLA PARA O CÁLCULO DO IRPS

Contribuintes casados:

Rendimento bruto de cada categoria (art.2 a 17)


-
Deduções ao rendimento (art.26 a 49)
=
Rendimento líquido de cada categoria
-
Deduções de perdas (art.50)
=
Rendimento líquido total
-
Abatimentos (art.51)
=
Rendimento colectável-Minímo não tributável (art.56)
/
Quociente conjugal (art.55 nº1)
*
Taxa-parcela abater (art.54)
*
2 (art.55 nº2)
=
Colecta
-
Deduções à colecta (art.59 a 60)
=

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IRPS devido
-
Retenções na fonte e pagamentos por conta (art.65 e 66)
=
IRPS a pagar ou a receber

FORMÚLA PARA O CÁLCULO DO IRPS

Contribuintes não casados:

Rendimento bruto de cada categoria (art.2 a 17)


-
Deduções ao rendimento (art.26 a 49)
=
Rendimento líquido de cada categoria
-
Deduções de perdas (art.50)
=
Rendimento líquido total
-
Abatimentos (art.51)
=
Rendimento colectável-Minímo não tributável (art.56)
*
Taxa-parcela abater (art.54)
=
Colecta
-
Deduções à colecta (art.59 a 60)
=

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IRPS devido
-
Retenções na fonte e pagamentos por conta (art.65 e 66)
=
IRPS a pagar ou a receber

UNIDADE TEMÁTICA 11
IMPOSTO SOBRE O V ALOR ACRESCENTADO (IVA)
Elaborado por Arlindo da Costa Rosário

Objectivos
No fim desta unidade voce deverá ser capaz de:

compreender a mecanica de tributação do IVA, olhando para as suas diversas


fases, desde a incidência e a liquidação ao pagamento do imposto.

11. O que é o IVA e como funciona?

O conceito base do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) é o de que se trata de


um imposto indirecto sobre a despesa. Este imposto recai sobre as transmissões de
bens e/ou prestações de serviços realizados no território nacional (incluindo as
importações), em todas as fases do circuito económico, desde a
produção/importação ou aquisição até à venda pelo retalhista sem efeitos
cumulativos, como o próprio nome indica, através do seu mecanismo particular de
apuramento.

De facto, cada um dos sujeitos passivos intervenientes no circuito, através do


mecanismo de apuramento, apenas entrega o imposto devido pelo valor que
acrescenta ao produto, correspondente a uma fracção do total do imposto a
arrecadar pelo Estado, sendo no fim do circuito, suportado pelo consumidor/utilizador
final.

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O mecanismo de apuramento considera por um lado, o direito que o sujeito passivo
tem em deduzir o imposto que suportou nas aquisições e, por outro, a obrigação de
liquidar o imposto sobre o valor das vendas realizadas no âmbito da sua actividade
económica, reportados a um determinado período de tributação.

Assim, na prática, cada sujeito passivo interveniente no circuito adquire uma posição
devedora perante o Estado pelo valor do imposto facturado nas vendas que realizou
(A) e credora pelo imposto que deduziu relativamente às aquisições que efectuou
(B), sendo o imposto apurado igual à diferença entre as duas posições, podendo
resultar num saldo devedor (A maior que B) ou credor (B maior que A) perante o
Estado:

IVA apuramento = A (Valor das Vendas x 17%) B (Valor das aquisições x17%)

O Código do IVA aprovado em 31 de Dezembro de 2007 e o respectivo


Regulamento aprovado em 26 de Fevereiro de 2008 prevêem os seguintes
regimes de tributação e regimes específicos para certos sectores de
actividade:
Regime Normal

Regimes Especiais:
- Regime de Isenção
- Regime de Tributação Simplificada

Regimes Específicos:
Estes regimes aplicam-se a actividades que têm características particulares:
Regime Aplicável às Agências de Viagem e Organizadores de Circuitos
Turísticos;
Regime Aplicável aos Bens em Segunda Mão;
Regime Aplicável aos Organizadores de Vendas em Sistema de Leilão;
Regime aplicável às Empreitadas e Subempreitadas de Obras Públicas.

11.1 Incidência

11.1.2 Qual é o âmbito de aplicação? Art. 1 do CIVA

As transmissões de bens e prestações de serviços efectuadas no território


nacional a título oneroso, por um sujeito passivo agindo como tal;
As importações de bens.

11.1.3 Quem é o sujeito passivo em sede de IVA? Art. 2 do CIVA

São sujeitos passivos de imposto todas as pessoas singulares ou colectivas que:

de modo independente e com carácter de habitualidade exerçam uma


actividade económica com ou sem fim lucrativo e sejam residentes;
de modo independente, residentes ou não, realizem qualquer operação
tributável em IRPC ou IRPS;
se enquadram nas alíneas anteriores e adquirem os seguintes serviços a
prestadores não residentes:

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- cessão ou autorização para utilização de direitos de autor, licenças, marcas
de fabrico e de comércio e outros direitos análogos;
- serviços de publicidade;
- serviços de telecomunicações;
- serviços de consultores, engenheiros, advogados, economistas e
contabilistas, gabinetes de estudo em todos os domínios,incluindo os de
organização, investigação e desenvolvimento;
- tratamento de dados e fornecimento de informações;
- operações bancárias, financeiras e de seguro e resseguro;
- colocação de pessoal à disposição;
- serviços de intermediários que intervenham em nome e por conta de outrem
no fornecimento serviços enumeradas nestes pontos;
- obrigação de não exercer, mesmo a título parcial, uma actividade
profissional ou um direito mencionado nestes pontos;
- locação de bens móveis corpóreos, bem como a locação financeira dos
mesmos bens;
- realizem importações de bens;
- mencionem indevidamente o IVA em factura ou documento equivalente.

11.1.4 Que operações são tributáveis no território nacional? Art. 6 do CIVA

Como já referido no âmbito de aplicação, as transmissões de bens e prestações de


serviços, bem como as importações estão sujeitas a IVA desde que efectuadas em
território nacional.

Assim, é necessário perceber onde são localizadas as operações por forma a


determinar se a operação é tributada ou se esta se encontra fora do campo de
aplicação do imposto.

11.2 Isenções

Qualquer situação de isenção constitui uma excepção às regras de incidência, o que


em sede de IVA, se consubstancia na não liquidação e consequente não entrega
de imposto por parte dos sujeitos passivos.

11.2.1 Classificação das isenções


As isenções podem ser classificadas por:

Tipo de operações:
Operações Internas;
Importações;
Exportações.

11.2.2 Efeito das isenções:


Isenções simples significa que não se liquida o imposto nas operações
activas (vendas) e não se deduz o imposto nas aquisições;
Isenções completas significa que não se liquida o imposto nas vendas e
deduz-se o imposto suportado nas aquisições, dando lugar a reembolso do
IVA.

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11.2.3 Quanto ao objectivo:


Isenções objectivas independentemente do sujeito passivo, aplicam-se
sobre determinados produtos finais nacionais ou importados;
Isenções não objectivas aplicam-se ao sujeito passivo, independentemente
dos seus produtos finais.

11.3 Valor tributável

Valor tributável nas operações internas regra geral Art. 15 do CIVA

11.3.1 Valor Tributável nas Operações Internas

Valor da Contra-Prestação obtida ou a obter do adquirente


inclui:
- Impostos, direitos, taxas e outras imposições com excepção do IVA;
- Despesas acessórias (comissões, embalagem, transporte, seguros por conta do
cliente).

exclui:
- Indemnizações declaradas judicialmente;
- Descontos, abatimentos e bónus concedidos;
- Pagamentos em nome e por conta do cliente (desde que sejam registados em conta
de terceiros);
- Valor das embalagens não transaccionadas (desde que indicadas em separado na
factura e com menção de que foi acordada a sua devolução).
Regra

11.3.2 Valor Tributável nas importações de bens Art. 16 do CIVA

Valor aduaneiro
inclui:
- Direitos de importação, impostos, taxas, com excepção do IVA;
- Despesas acessórias até ao primeiro lugar de destino (comissões,
embalagem,transporte, seguros).

exclui:
- Descontos por pronto pagamento;
- Outros descontos que figurarem separadamente na factura.

11.4 Taxas

A taxa de imposto é única de 17%

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11.5 Liquidação

Os sujeitos passivos são obrigados a proceder à liquidação do imposto mediante


aplicação de uma taxa ao valor tributável das operações sujeitas e não isentas.
No apuramento do imposto devido ao Estado relativo às vendas e serviços
prestados, podem os sujeitos passivos deduzir o imposto suportado nas aquisições
de bens e serviços necessários à actividade, entregando apenas a diferença.

11.5.1 Quais as condições para o direito à dedução?

Só é dedutível o IVA que tenha incidido sobre bens ou serviços adquiridos,


importados ou utilizados pelo sujeito passivo para a realização das seguintes
operações:
Transmissão de bens e prestações de serviços efectivamente tributadas;
Operações que beneficiem de isenção completa;

Operações efectuadas no estrangeiro que seriam tributáveis se fossem


efectuadas no território nacional (ex: prestações de serviços relacionados
com imóvel situado fora do território nacional).

11.5.2 Quais as exclusões do direito à dedução? Art. 19 do CIVA

Exclui-se do direito à dedução do imposto contido nas despesas respeitantes a:


aquisição, fabrico, importação, locação (incluindo a locação financeira),
utilização,transformação e reparação de viaturas de turismo, barcos de
recreio, helicópteros, aviões, motos e motociclos (excepto quando respeitem
a bens cuja venda ou exploração constitua objecto de actividade do sujeito
passivo);
combustíveis normalmente utilizáveis em viaturas automóveis (sem ser para
revenda), com excepção da aquisição de gasóleo, cujo imposto será dedutível
na proporção de 50%. Esta regra não se aplica aos bens a seguir indicados,
caso em que o imposto relativo aos consumos de gasóleo é totalmente
dedutível:
- veículos pesados de passageiros;
- veículos licenciados para transportes públicos de passageiros com
excepção dos rent a car;
- máquinas consumidoras de gasóleo, que não sejam veículos matriculados;
- tractores com emprego exclusivo ou predominante na realização de
operações de cultivo inerentes à actividade agrícola;
transportes e viagens do sujeito passivo e do seu pessoal;
alojamento, alimentação, bebidas e tabaco e despesas de recepção, incluindo
as relativas ao acolhimento de pessoas estranhas à empresa (excepto se as
despesas de alojamento e alimentação forem efectuadas por viajantes
comerciais, agindo por conta própria, no quadro da sua actividade
profissional);
comunicações telefónicas, excepto as relativas aos telefones fixos, em nome
do sujeito passivo;

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divertimento e luxo, sendo consideradas como tal as que, pela sua natureza
ou pelo seu montante, não constituam despesas normais de exploração.

11.5.3 Quando é que nasce o direito à dedução?


O direito à dedução do IVA nasce no momento em que o imposto dedutível se torna
exigível Art. 21 do CIVA

11.5.4 Quais são as modalidades de exercício do direito à dedução?Art.22 do


CIVA

Deduz-se o IVA atravéz dos seguintes métodos:


Imputação- Subtraindo o IVA dedutível ao IVA liquidado respeitante ao mesmo
período.
Reporte- Dedução nos períodos seguintes do crédito deimposto, caso o IVA
dedutível seja superior ao IVA liquidado.
Reembolso - Do crédito de imposto, caso o mesmo persista a favor do sujeito
passivo, este pode solicitá-lo ao Estado em determinadas condições.

11.5.5 Deduções parciais


No caso dos sujeitos passivos mistos, isto é, sujeitos passivos que pratiquem
simultaneamente operações que conferem o direito à dedução e outras não,
determina-se o montante do imposto dedutível através dos seguintes métodos:

Método da percentagem de dedução ou pro rata;


Método da afectação real.

Sempre que uma das actividades exercidas (que confere direito à dedução ou não)
constitua uma parte insignificante do total do volume de negócios, pode o sujeito
passivo requerer ao Ministro das Finanças a consideração dessa actividade como
inexistente.
Assim, no caso de tratar-se de uma actividade que não confere direito à dedução
passaria, mediante diferimento do Ministério das Finanças, a poder deduzir o IVA
integralmente, na medida em que a actividade principal confere direito à dedução.

11.5.6 Método da percentagem de dedução ou pro rata:


Este método é utilizado como regra geral sempre que os sujeitos passivos adquirem
bens ou serviços para efectuar, indistintamente, operações tributadas (com direito à
dedução) e operações isentas (isenções simples que não conferem direito à
dedução) ou não haja um suporte contabilístico que evidencie com transparência os
inputs e outputs relativamente a cada tipo de operações.

Com a aplicação deste método, o imposto suportado nas aquisições é dedutível


apenas em percentagem correspondente ao montante anual de operações que dêem
lugar à dedução.
Sendo que:
No denominador incluem-se as operações efectuadas fora do campo de
aplicação do imposto;
No numerador e no denominador não são incluídas as transmissões de bens
do activo imobilizado e as operações imobiliárias e financeiras de carácter
acessório;

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O pro rata é sempre arredondado por excesso à centésima (%).

A percentagem de dedução/pro rata a aplicar anualmente é calculada


provisoriamente com base no montante das operações efectuadas no ano anterior,
devendo o sujeito passivo proceder às regularizações das deduções efectuadas na
declaração do último período a que respeita.

No início da actividade ou quando hajam alterações substanciais à mesma, os


sujeitos passivos podem praticar a dedução do imposto com base numa
percentagem provisória estimada, a inscrever nas declarações de início de actividade
e de alterações.

11.5.7 Método da afectação real Art. 22 do CIVA

O método de afectação real é um método que pode ser adoptado:


por opção do sujeito passivo e, neste caso, deve o mesmo fazer a
comunicação à Direcção Geral dos Impostos, ou
por imposição por parte da Administração Tributária quando:
- o sujeito passivo exerça actividades económicas distintas;
- a aplicação do método pro rata conduza a distorções significativas na
tributação.

11.6 PROCEDIMENTOS APLICÁVEIS AOS REGIMES ESPECIAIS

11.6.1 Regime de Isenção Art. 35 e 36 do CIVA

O Regime de Isenção é um regime específico, muito simplificado em relação ao


regime normal e está direccionado para os sujeitos passivos que efectuem
actividades de pequena dimensão (volume de negócios inferior ou igual a 750.000
MT), na medida em que a aplicação do IVA e respectivas obrigações fiscais
associadas seriam de difícil aplicação.

Assim, neste regime os sujeito passivos que, embora enquadrados nas normas de
incidência do imposto, não aplicam o imposto nas suas operações activas (vendas e
prestações de serviços), como se de operações isentas se tratassem e suportam o
IVA nas operações passivas (aquisições e importações).

11.6.2 Pode o sujeito passivo enquadrado no regime de isenção optar pelo


regime normal? Art. 37 do CIVA

Sim, o sujeito passivo susceptível de beneficiar de isenção do imposto pode


renunciar a tal isenção e optar pela aplicação do imposto às suas operações
tributáveis.

11.6.3 Como exercer a opção pelo regime normal?

A opção pelo regime normal é exercida mediante a entrega na Direcção de Área


Fiscal competente da Declaração de Alterações (M/03) que produz efeitos a partir de
1 de Janeiro do ano civil seguinte, salvo se o sujeito passivo iniciar a sua actividade
no decurso do ano, caso em que a opção feita naquela declaração tem efeitos desde
o início da actividade.

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11.6.4 Pode o sujeito passivo mudar de regime sempre que desejar? Art. 37 e 38
do CIVA

Não. Tendo exercido o direito de opção pelo regime normal o sujeito passivo é
obrigado a permanecer no regime por que optou durante um período de, pelo menos,
cinco anos.

Se, findo tal prazo, desejar voltar ao regime de isenção, deverá informar a
Administração Tributária mediante a entrega, antes do fim daquele prazo, da
Declaração de Alterações (M/03), a qual produzirá efeitos a partir de 1 de Janeiro do
ano seguinte ao da conclusão do referido período.

O sujeito passivo pode, no entanto, encurtar o período dos 5 anos caso passe a
satisfazer as condições de aplicabilidade, nomeadamente ter no ano anterior um
volume de negócios inferior ou igual a 750.000 MT e apresentar uma Declaração de
Alterações com essa evidência.

A referida declaração deverá ser apresentada na Direcção da Área Fiscal


competente durante o mês de Janeiro, produzindo efeitos a partir de 1 de Janeiro do
ano da sua apresentação. No caso de apresentação fora de prazo, produzirá efeitos
apenas a partir de 1 de Janeiro do ano civil seguinte ao da apresentação.

A Direcção Geral de Impostos, em todos os casos de passagem do regime de


isenção para o regime de tributação normal, ou inversamente, tomará as medidas
necessárias no sentido de evitar que o sujeito passivo usufrua vantagens
injustificadas ou sofra prejuízos igualmente injustificados.

11.6.5 Regime de Tributação Simplificada Art. 42 do CIVA

O Regime de Tributação Simplificada é um regime intermédio entre o regime de


isenção e o regime normal, no qual se incluem determinados sujeitos passivos não
enquadrados no regime de isenção devido ao valor do volume de negócios, mas que
ao serem enquadrados no regime normal teriam dificuldades em comportar com a
estrutura administrativa necessária para o cumprimento das obrigações desse
regime.

Este regime é por um lado semelhante ao regime de isenção na medida em que os


sujeitos passivos não liquidam o imposto nas suas operações activas (vendas e
prestações de serviços), nem deduzem o IVA nas operações passivas (aquisições e
importações), mas difere no que diz respeito ao pagamento do imposto.

No regime de isenção não existe qualquer pagamento de IVA, enquanto que no


regime de tributação simplificada o sujeito passivo deve entregar imposto ao Estado
com base no seguinte cálculo: 5% x valor das vendas ou serviços realizados

11.6.6 Pode o sujeito passivo enquadrado no regime de tributação simplificada


optar pelo regime normal? Art. 43 do CIVA

Sim, o sujeito passivo susceptível de beneficiar do regime de tributação simplificada


pode renunciar a tal regime e optar pela aplicação normal do imposto às suas
operações tributáveis.

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11.6.7 Como exercer a opção pelo regime normal?

A opção pelo regime normal é exercida mediante a entrega na Direcção de Área


Fiscal competente da Declaração de Alterações (M/03) que produz efeitos a partir de
1 de Janeiro do ano civil seguinte, salvo se o sujeito passivo iniciar a sua actividade
no decurso do ano, caso em que a opção feita naquela declaração tem efeitos desde
o início da actividade.

11.6.8 Pode o sujeito passivo mudar de regime sempre que desejar? Art. 43 e 44
do CIVA

Não. Tendo exercido o direito de opção pelo regime normal o sujeito passivo é
obrigado a permanecer nesse regime durante um período de, pelo menos, cinco
anos.

Se, findo tal prazo, desejar voltar ao regime de tributação simplificada, deverá
informar a Administração Tributária, mediante a entrega, antes do fim daquele prazo,
da Declaração de Alterações (M/03), a qual produzirá efeitos a partir de 1 de Janeiro
do ano seguinte ao da conclusão do referido período.

O sujeito passivo pode, no entanto, encurtar o período dos 5 anos caso passe a
satisfazer as condições de aplicabilidade, nomeadamente ter no ano anterior um
volume de negócios superior a 750.000 MT e inferior ou igual a 2.500.000 MT e
apresentar uma Declaração de Alterações com essa evidência.

A referida Declaração deverá ser apresentada na Direcção da Área Fiscal


competente durante o mês de Janeiro, produzindo efeitos a partir de 1 de Janeiro do
ano da sua apresentação. No caso de apresentação fora de prazo, produzirá efeitos
apenas a partir de 1 de Janeiro do ano civil seguinte ao da apresentação.

A Direcção Geral de Impostos pode, em todos os casos de passagem do regime


normal para o regime de tributação simplificada, ou inversamente, tomar as medidas
necessárias no sentido de evitar que o sujeito passivo usufrua vantagens
injustificadas ou sofra prejuízos igualmente injustificados.

11.6.9 Quem deve liquidar e pagar o imposto devido?

A liquidação e o pagamento do imposto são da competência dos sujeitos passivos


ou dos seus representantes.
Na falta de nomeação de representante fiscal por parte dos sujeitos passivos não
residentes compete aos sujeitos passivos adquirentes dos bens e serviços por
aqueles transmitidos liquidar e pagar oimposto exigível.

Note-se que, na situação acima referida, se o sujeito passivo adquirente praticar


operações sujeitas com direito à dedução, a entrega do imposto por conta do
fornecedor de bens ou serviços não residente é meramente declarativa, na medida
em que ao deduzir o IVA dessas transacções o efeito é nulo, não havendo, assim,
imposto a entregar ao Estado.

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Contudo, o mesmo não se verifica quando se trata de um adquirente que pratique
operações isentas sem direito à dedução, devendo o imposto liquidado por conta do
fornecedor de bens ou serviços não residente ser entregue ao Estado.

11.7 Como deve ser efectuado o pagamento?

O pagamento do imposto deve ser acompanhado das seguintes declarações:


Modelo A - para sujeitos passivos enquadrados no regime normal;
Modelo B - caso se trata de substituir uma declaração Modelo A anteriormente
apresentada juntamente com o meio de pagamento de valor correspondente ao
imposto devido;
Modelo C - para sujeitos passivos enquadrados no regime de tributação simplificada;
Modelo E - nos casos em que o imposto é liquidado pelos serviços tributários e nas
situações de sujeitos passivos que pratiquem uma só operação tributável, ou quando
o imposto é indevidamente mencionado na factura.

Leituras Complementares

Lei nº 32/2007, de 31 de Dezembro


Aprova nova redacção do Código do IVA, revogando o Decreto nº 51/98, de 21 de
Setembro, e suas alterações, os Decretos nºs 78/98 e 79/98, ambos de 29 de
Dezembro, os Decretos nºs 34/99, 35/99 e 36/99, todos de 1 de Junho, e a demais
legislação complementar em contrário.

Decreto nº 7/2008, de 16 de Abril


Aprova o Regulamento do Código do Imposto sobre o Valor Acrescentado e revoga
toda a legislação em contrário.

Actividades
A seguir, estão as actividades correspondentes a esta unidade. Resolva os
exercícios propostos em cada uma e verifique se acertou, conferindo a sua resposta
na Chave de Correcção no final do presente Guia de Estudo.

Actividade 1

responda as questões que se seguem:

1. Um acto isolado está sujeito a IVA? Quais as obrigações declarativas dos


sujeitos passivos que pratiquem um acto isolado e dos que mencionam
indevidamente IVA?
2. As transmissões gratuitas de bens estão sujeitas a IVA?
3. A cedência de pessoal está sujeita a IVA?
4. A transmissão do activo imobilizado está sujeito a IVA?
5. Serviços efectuados por prestador com sede em Moçambique a um não
residente estão sujeitos a IVA?
6. O que é e qual a finalidade da Declaração de Início de Actividade?
7. O que é e qual a finalidade da Declaração Periódica.
8. Pode o IVA ser pago em prestações?

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9. Qual a diferença entre factura fiscal e uma outra factura qualquer?
10. Quais os procedimentos em caso de atraso na liquidação ou no pagamento
do imposto?
11. Quais os procedimentos em caso de erro na autoliquidação?

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UNIDADE TEMÁTICA 12

O COMÉRCIO INTERNACIONAL

Elaborado por Arlindo da Costa Rosário

Objectivos

No fim desta unidade voce deverá ser capaz de saber a acerca da evolução histórica
do Comercio Internacional e do surgimento do Direito Aduaneiro.

12.1 EVOLUÇÃO HISTÓRICA

Desde os tempos mais remotos que o sentimento egoístico do homem tem


direcionado sua vontade para a posse, despertando em si um sentimento de tomar
do próximo, se assim for necessário, o objeto de seu desejo.

Em um estágio mais elevado da civilização, o homem substituiu este sentimento


animalesco pela racionalidade da troca para obter aquilo que desejava, rabiscando
os contornos da forma mais primitiva de comércio.

Conforme nos ensina Ênio Neves LABATUT, em sua brilhante obra Teoria e Prática
de Comércio Internacional, a história, baseada em achados nas sepulturas da
Escandinávia, mostrou que já há alguns milênios antes da era Cristã, chegaram ao
norte da Europa mercadorias que provieram do Chipre e do Egito. Daí, depreende-se
que estes objetos chegaram de mão em mão até o lugar onde foram encontrados.

Esse comércio de troca foi-se ampliando, bem como aumentando o número de


produtos mercantis em decorrência da expansão dos povos, o que culminou com a
organização da divisão do trabalho e a diversificação da atividade econômica.

Cabe salientar que durante a antiguidade e parte da idade média o comércio era
visto como uma atividade insignificante na vida econômica dos povos. Este comércio
limitava-se a artigos de luxo e pequenos objetos de fácil transporte.

É de vasto conhecimento histórico que os primeiros comerciantes que se tem


conhecimento foram os egípcios, impulsionados pela atividade agrícola nacional e
pela abundante fertilidade da lama do rio Nilo. A evolução agrícola provocou o
desenvolvimento da indústria, que obteve índices técnicos excelentes para a época.

Somente em torno de 600 a.C. foram abertos aos navegantes os portos do baixo
Nilo, que, aos poucos, foi-se tornando um dos principais pólos do comércio mundial
da antiguidade.

Grande expoente da indústria e comércio foram os Fenícios, que tiveram nestas


modalidades suas principais atividades. Este povo foi educado para a navegação e o
comércio marítimo. Habitavam uma estreita faixa litorânea da Síria, entre o mar e as
montanhas.

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Ciencias Jurídicas Direito Fiscal e Aduaneiro Semestre 2
Até a aparição dos gregos, na época helênica, os fenícios foram os únicos
intermediários das mercadorias mais procuradas naquele tempo. O que se destaca,
no estudo do comércio dos fenícios, é o fato de que eles, com notável perspicácia,
observavam as diferentes modas e costumes dos vários povos com os quais eles
mantinham contato, e, com grande rapidez, levavam aos mesmos aquilo de que
tivessem predileção e necessidade.

A hegemonia fenícia foi quebrada pelos gregos, seus herdeiros no comércio.

Do século XII ao VIII a.C. apenas uma economia vigorou na Grécia: a economia
doméstica. A partir daí, e durante os séculos V, IV e III a.C., expandiu-se um sistema
econômico de trocas mais amplas.

O desenvolvimento filosófico do povo grego imprimiu uma orientação geral ao


pensamento, relegando a segundo plano o estudo independente e aprofundado dos
problemas econômicos, devido à ideia de preponderância do geral sobre o particular,
da igualdade e do desprezo pela riqueza. Em dada época, houve uma mudança na
situação mundial e mercantil. A Grécia não mais estava no centro da política e do
tráfego. A vida comercial do povo grego se diversificou.

Os Etruscos acabaram por substituir os gregos; eles se tornaram grandes


navegadores e comerciantes e constituíam a terceira potência marítima da época,
atrás dos fenícios e gregos. A

Etrúria imperava sobre a península itálica até o ano de 600 a.C. quando, após o
enfraquecimento provocado por sucessivos ataques de inimigos externos, foi
dominada pelos romanos.

Os romanos, por sua vez, desenvolveram a economia com mais intensidade que os
gregos.

O governo romano cortou a Itália com excelentes estradas, que davam acesso a
todas as províncias, formando uma unidade econômica baseada nas suas vias de
comunicação.

A navegação no Mediterrâneo foi fator favorável à grande expansão do intercâmbio


de mercadorias que originou poderosas companhias mercantis e sociedades por
ações. A linha de pensamento dos romanos concentrava-se inteiramente no fato
político, e suas ideias foram, de maneira geral, tomadas de empréstimo aos gregos.

Facto marcante desta época ficou a cargo dos jurisconsultos romanos, que em seus
trabalhos notáveis assentaram as bases do direito e das obrigações, dotados de
acurado senso econômico.

Durante a hegemonia romana, todas as regiões litorâneas do mediterrâneo estavam


agrupadas em um núcleo político, constituindo uma área mercantil cerrada. O
Ocidente latino tinha como opositor o Oriente grego. Nasceu então, entre as duas
áreas, Constantinopla, que se tornou uma nova capital do comércio mundial.
Constantinopla absorveu o Direito romano, a arquitetura bizantina, a cultura dos
gregos e se desenvolveu nas artes industriais, tornando-se, por muitos séculos, a
rainha econômica e cultural do mundo.

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Neste prisma, começou a engatinhar o comércio no âmbito internacional.

12.2 DA EXISTÊNCIA DE UM DIREITO ADUANEIRO

Já desde longa data, em virtude das características, das normas e dos princípios
relativos ao comércio exterior, alguns autores gritam sobre a existência de um novo
ramo autônomo do Direito, especificamente o Direito Aduaneiro.

Nós, sob estes holofotes, coadunamos com aqueles que crêem na existência do
direito aduaneiro como um ramo autônomo.

Conforme comentado, não são poucos aqueles que aderem ao nosso pensamento e
lançam sementes que trepidam pelo seu reconhecimento.

No entender de José Lence CARLUCI, a existência do direito aduaneiro tem como


prenúncio: "O comércio internacional como seu antecedente e a relação aduaneira
como seu consequente, são os dois fatores condicionantes de um direito aduaneiro,
aliados à especificidade de princípios e normas."

Segue o grande mestre José Lence CARLUCI, em suas exposições:

Na esteira de Idelfonso Sánchez González podemos conceituar o Direito Aduaneiro


como o conjunto de normas e princípios que disciplinam juridicamente a política
aduaneira, entendida esta como a intervenção pública no intercâmbio internacional
de mercadorias e que constitui um sistema de controle e de limitações com fins
públicos.

No entendimento do ilustre Máximo Carvajal CONTRERAS, o direito aduaneiro se


define, da seguinte forma:

conjunto de normas jurídicas que regulan, por medio de un ente administrativo,


las actividades o funciones del estado en relación al comercio exterior de mercancías
que entren o salgan en sus diferentes regímenes al o del territorio de un país, así
como de los medios y tráficos en que se conduzcan y las personas que intervienen
en cualquier fase de la actividad o que violen las disposiciones jurídicas.

Para os defensores ferrenhos do direito aduaneiro, a abordagem deste braço do


direito seria disciplinar os controles de entradas e saídas de veículos, pessoas e
mercadorias, de acordo com os tratados internacionais, firmados pelo ordenamento
pátrio, e, ainda, ter o cuidado de atender aos interesses nacionais de intervenção na
política interna e externa de comércio exterior.

Sob a ótica jurídica, seria composto pelo conjunto de normas internas aplicáveis às
importações e exportações, assim como pelos tratados internacionais, devidamente
reconhecidos, sobre comércio exterior. Neste passo, apresenta uma ambivalência
entre normas internas e externas.

Ao comentar a o tema Roosevelt Baldomir SOSA, verbaliza:

Ademais sabemos ter a atividade aduaneira um caráter ambivalente, o que se


demonstra quando consideramos que a concretização de uma operação de

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Comércio Exterior é disciplinada no plano da legislação interna (que dita o modo de
realização), porém em atenção a normas internacionais pactuadas ou observadas
pelas nações envolvidas no ato de comércio.

Para aqueles incrédulos na existência do direito aduaneiro como ramo autônomo, e


que defendem a sua inserção no direito fiscal ou tributário, nos unimos ao
entendimento exarado por Roosevelt Baldomir SOSA, citando Eduardo Raposo de
MEDEIROS, litteris:

Uma questão está fora de dúvida; o Direito Aduaneiro não tem nada a ver com o
Direito Fiscal, quer pelo seu próprio contorno conceitual, quer pela especificidade da
ação em função dos regimes mais diversos devido a espaços econômicos, aos tipos
de acordos internacionais, a procedimentos normalizados ou simplificados de
facilitação do comércio externo, a suportes documentais de declaração das
mercadorias, etc. Por outras palavras, o Direito Aduaneiro tem particularidades
técnicas e econômicas susceptíveis de considerar os seus mecanismos jurídicos de
intervenção no comércio internacional, como um conjunto à parte, com uma técnica e
originalidades independentes do Direito Fiscal, e com uma terminologia própria. Daí
espraiar-se pela nomenclatura pautal em conexão com questões da taxação em
eventuais alternativas de aplicação dos regimes geral ou preferenciais, passando
pelos regimes suspensivos de conteúdo econômico das mercadorias e regime
aduaneiro dos meios de transporte, e terminando no contencioso aduaneiro.

Pelo lançado, é de total nitidez que os direitos exercidos por um país na política de
comércio exterior são, na maioria das vezes, direitos aduaneiros. É o caso, por
exemplo, dos direitos antidumping (taxação de mercadorias importadas para que seu
valor equipare-se a do mercado interno) e compensatório.

São vários os fatores que nos levam a crer na existência de um direito aduaneiro.
Nos dias atuais, com a evolução do comércio e a formação de novos blocos
econômicos, o volume de negociações internacionais cresce assustadoramente, o
que implica o surgimento de regramentos destinados às situações fáticas que
nascem no cotidiano do intercâmbio comercial.

É evidente que a abundância de legislações, tais como, Decretos-leis, Leis


Ordinárias, Leis Constitucionais, Instruções Normativas, Portarias, Resoluções, etc.,
que regulam as situações fáticas surgidas nas operações de comércio com o
estrangeiro, anuncia a existência de uma ciência aduaneira.

Toda a mercadoria que chega a uma zona primária ou uma zona secundária, seja ela
porto, aeroporto ou estação aduaneira, está sujeita a um emaranhado de normas que
regulam as suas relações de transportes, seguros, estiva, câmbio e outras, as quais
atraem dispositivos constitucionais, tributários, administrativos, entre outros.

Neste tópico de discussão acerca da existência do direito aduaneiro, não


conseguimos encontrar obras de doutrinadores que tivessem a preocupação de
abordar a quaestio de forma tão eloqüente como José Lence CARLUCI, e desta
preocupação exteriorizassem seu posicionamento de forma firme sobre a existência
ou não do direito aduaneiro.

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Ciencias Jurídicas Direito Fiscal e Aduaneiro Semestre 2
Neste giro, reitere-se, somos partidários de CARLUCI, e de forma inequívoca cremos
que a evidência do direito aduaneiro, como não poderia deixar de ser, é uma
conseqüência das relações comerciais internacionais.

Leituras Complementares
Guimarães, Abilio; Direito Aduaneiro e Fiscal e Procedimentos Técnicos Aduaneiros;
3ªEdição, Editora A, Guimarães, 2005.

Rosaldo, Trevisan; Direito Aduaneiro; editora LEX, São Paulo, 2008

Actividades
A seguir, estão as actividades correspondentes a esta primeira unidade. Resolva os
exercícios propostos e verifique se acertou, conferindo a sua resposta na Chave de
Correcção no final do presente Guia de Estudo.

Actividade 12

1. Debruce-se em torno da evolução histórica do Comêrcio Internacional.


2. Será o Direito Aduaneiro uma consequência do Comêrcio internacional?

REFERÊNCIAS

Guimarães, Abilio; Direito Aduaneiro e Fiscal e Procedimentos Técnicos Aduaneiros;


3ªEdição, Editora A, Guimarães, 2005.

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UNIDADE TEMÁTICA 13

CONCEITO E ATUREZA JURIDICA DO DIREITO ADUANEIRO

Elaborado por Arlindo da Costa Rosário

Objectivos

No fim desta unidade voce deverá ser capaz de saber o que é o Direito Aduaneiro,
bem como a sua natureza jurídica.

13.1 Conceito

O Direito Aduaneiro é um conjunto de normas e princípios que regulamentam


juridicamente a política aduaneira, com a intervenção pública no intercâmbio
internacional de mercadorias, formando um sistema que possibilita o controlo e a
criação de barreiras com finalidades públicas.

É um conjunto de normas porque suas regras advêm de Leis, Decretos-Leis,


Portarias, etc; é um conjunto de princípios porque na sua essência devemos
observar os princípios gerais do direito.

Os princípios são importantes em duas fases principais: na elaboração das leis e


na aplicação do Direito, pelo preenchimento das lacunas da lei. Para Paulo NADER:
"São os princípios que dão consistência ao edifício do Direito, enquanto que os
valores dão-lhe sentido."

As suas normas e seus princípios surgem para juridicamente regular a política


aduaneira, que é uma função pública.

Em Moçambique, por força do dispositivo constitucional sedimentado no artigo 179


n° 2, na sua alínea o) da Constituição de 2004, determina que a AR, é competente
para legislar em matéria que visam definir as bases da política de impostos e o
sistema fiscal mais concretamente matérias de comércio exterior, inequívoco é seu
interesse público.

A A.R, traz para si esta responsabilidade de legislar em matéria de comércio exterior,


considerando, por óbvio, que este setor é extremamente importante para regular a
entrada e saída de divisas do país. Havendo incentivo à exportação, aumenta-se a
entrada de capitais; por outro lado, baixando taxas de impostos de importação,
facilita-se o ingresso de mercadoria do exterior, e, embora saiam divisas, a política
aplicada consegue suprir o mercado através da oferta de produtos que estão em falta
e conseqüentemente com preços altos. Neste caminho, o poder público mantém o
preço baixo evitando efeitos inflacionários na economia interna.

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13.2 Natureza Juídica

O Direito Aduaneiro, quanto à sua natureza, em face da atividade aduaneira ser uma
atividade pública, é um ramo do direito público.

Segundo José CRETELLA JUNIOR " o direito público é o que disciplina relações
jurídicas em que preponderam imediatamente interesses públicos; direito privado é o
que disciplina relações jurídicas em que predominam imediatamente interesses de
ordem particular."

Nesta órbita, extirpamos a possibilidade de ser um ramo do direito privado, em face


da notória intervenção estatal na regulamentação da política de comércio exterior.
Consoante o ensinamento acima transcrito, notamos a preponderância do interesse
público sobre o privado.

Leituras Complementares
Guimarães, Abilio; Direito Aduaneiro e Fiscal e Procedimentos Técnicos Aduaneiros;
3ªEdição, Editora A,Guimarães, 2005.

Rosaldo, Trevisan; Direito Aduaneiro; editora LEX, São Paulo, 2008

Actividades
A seguir, estão as actividades correspondentes a esta primeira unidade. Resolva os
exercícios propostos e verifique se acertou, conferindo a sua resposta na Chave de
Correcção no final do presente Guia de Estudo.

Actividade 13

O que entende por Direito Aduaneiro. A que ramo do Direito pertence, e porquê?

REFERÊNCIAS

Guimarães, Abilio; Direito Aduaneiro e Fiscal e Procedimentos Técnicos Aduaneiros;


3ªEdição, Editora A, Guimarães, 2005.

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UNIDADE TEMÁTICA 14
PRESSUPOSTOS PARA EXISTÊNCIA DO DIREITO ADUANEIRO

Elaborado por Arlindo da Costa Rosário

Objectivos

No fim desta unidade voce deverá ser capaz de saber o quais os elementos que
compõe o Direito Aduaneiro, bem como saber explicar o que cada um deles significa.

14. PRESSUPOSTOS PARA EXISTÊNCIA DO DIREITO ADUANEIRO

Para que exista um direito aduaneiro devem co-existir os seus pressupostos. São
eles: o território aduaneiro, a mercadoria e as operações de exportação e
importação.

Passemos, então ao estudo de cada um dos elementos que condicionam o


aparecimento do Direito Aduaneiro.

14.1 Território aduaneiro

O território aduaneiro confunde-se com o território nacional devido as suas


semelhanças.

O território nacional, na acepção de Aderson de MENEZES, assim se define: "O


território não é apenas o solo, superficial e continuadamente considerado. Vai além,
para abranger a superfície da terra, o subsolo, os rios e lagos internos, as bacias,
golfos e portos, as chamadas águas territoriais e o espaço aéreo sobre a área
compreendida pelas fronteiras estatais."

Já o território aduaneiro, abrange:

a) Zona primária - São as faixas internas e externas de portos e aeroportos, recintos


alfandegados e locais habilitados nas fronteiras terrestres, bem como as que efetuam
operações de carga e descarga de mercadoria ou ainda embarque e desembarque
de passageiros provenientes ou em deslocamento para o estrangeiro.

b) Zona secundária - É o restante do território nacional, não compreendido na zona


primária.

Há um entendimento em separar os conceitos de zonas primárias e secundárias pelo


tipo de trabalho executado. Assim, na zona primária se realizaria o desembaraço das
mercadorias e na zona secundária a fiscalização dos estabelecimentos importadores
ou exportadores. Todavia, este critério para nós não é absoluto, posto que existem
casos em que mercadorias saem da zona primária e são transferidas através de
Declaração de Trânsito Aduaneiro para uma zona secundária, sem efetuar o

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desembaraço da mercadoria, sendo que o mesmo acaba ocorrendo na zona
secundária. Para a Secretaria da Receita Federal esta transferência possibilita uma
folga da zona primária, já que remove quase todos os procedimentos de fiscalização
para a zona secundária. Para o importador, possibilita a proximidade da mercadoria e
seus procedimentos com a sede de sua empresa.

14.2 Mercadoria

Mercadoria é tudo aquilo que é objeto do comércio.

A mercadoria é o objeto da relação aduaneira. Sobre ela serão aplicados os


mecanismos de controlo que o Estado tem a sua disposição. A aduana tem sua
atenção voltada para ao bem móvel corpóreo.

14.2.1 Bem móvel corpóreo

Ensina Aurélio Buarque de Holanda FERREIRA, em sua obra Novo Dicionário da


Língua Portuguesa, que a palavra corpórea provém do latim corporeu, que significa
corporal, que tem corpo.

Reza o Código Civil Brasileiro, em seu artigo 82, in verbis:

Art. 47. São móveis os bens suscetíveis de movimento próprio, ou de remoção por
força alheia, sem alteração da substancia.

"Os bens móveis são os que, sem deterioração na substância ou na forma, podem
ser transportados de um lugar para outro, por força própria (animais) ou estranha
(coisas inanimadas) " (Maria Helena DINIZ).

"São bens móveis os que, sem alteração da substância, podem ser removidos, por
movimento próprio, ou por força estranha, bem como os que têm essa qualidade
jurídica por disposição legal. GOMES).

Diante de tais ditames, concluímos que bem móvel corpóreo é aquele que possui
corpo e é móvel ou suscetível de movimento próprio, ou ainda de remoção por força
alheia.

As coisas móveis podem ser divididas em:

a)Genéricas e individuais são genéricas as coisas que se identificam pelos


caracteres comuns à espécie a que pertencem. Individuais, as que se distinguem por
seus caracteres próprios;

b)Fungíveis e não-fungíveis fungíveis são os bens suscetíveis de substituição por


outros da mesma espécie, qualidade e quantidade. Não-fungíveis, são os
insubstituíveis porque são analisadas as suas qualidades individuais;

c)Consumíveis e não-consumíveis São consumíveis os bens móveis cuja


existência termina com o primeiro uso. Não-consumíveis, por sua vez, são coisas
que suporta uso continuado, repetido;

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d)Divisíveis e indivisíveis - Dizem-se divisíveis as coisas que, sem modificação de
sua substância ou considerável desvalorização, podem dividir-se em partes
homogêneas e distintas, cada parte sem perder a forma de coisa autônoma. Dizem-
se indivisíveis as coisas que não se podem partir, sem alteração em sua substância
ou sacrifício de seu valor;

e)Singulares e coletivas Singulares são as coisas distintamente consideradas em


sua individualidade. Coletivas, as coisas singulares agrupadas que formam coisa
distinta em sua unidade.

Como vimos, as coisas corpóreas são geralmente designadas como mercadorias e,


neste caso, se inclui a moeda. Em geral, no comércio são vendidas em mais larga
escala as coisas fungíveis, mas podem ser vendidas, também, as coisas infungíveis,
como por exemplo: um quadro de Leonardo da Vinci.

Das modalidades de bem móvel corpóreo que transcrevemos acima, todas elas são
passíveis de controlo aduaneiro.

Em contra partida, um exemplo de bem que a aduana não controla é o resultante da


produção intelectual. Para melhor clarear o exemplo, tomaremos como base uma
importação de programas operacionais de computadores, que ingressam em
Mocambique contidos e gravados em um CD - Compact Disk, a aduana irá tributar a
mercadoria de acordo com os impostos incidentes sobre o CD, como bem corpóreo,
aquela produção intelectual (bem incorpóreo) não estará sujeito à tributação de
impostos ou regramentos com fins fiscais.

14.2.2 Classificação e Nomenclatura de Mercadorias

Cada mercadoria possui uma classificação. Portanto, classificá-la nas operações de


importação, exportação e operações no mercado interno é tarefa básica.

A classificação dos produtos ganha importância na seara do direito aduaneiro,


porque é através dela que podemos descobrir as taxas de impostos e outras
imposições que porventura estejam gravadas às mercadorias.

Todas as nomenclaturas existentes possuem um mesmo objetivo e finalidade que é


individualizar a mercadoria e, desta forma, traze-la ao encontro destas listas de
produtos que indicam em seu conteúdo as taxas que elas estarão sujeita.

A codificação das mercadorias traz um conjunto de códigos numéricos que é


baseada no Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias
(SH). O Sistema Harmonizado foi instituído na Convenção Internacional sobre o
Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, celebrado
em Bruxelas, em 14 de junho de 1983.

Através deste sistema, conseguimos classificar e verificar todos os impostos


incidentes sobre o produto objeto da transação comercial.

14.3 Exportações

O conceito de exportação é bastante amplo, podendo inclusive estender seu alcance


aos serviços secundários ligados a esse regime de venda de produtos.

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Ciencias Jurídicas Direito Fiscal e Aduaneiro Semestre 2
De acordo com RATTI: "Exportação vem a ser a remessa de bens de um país para
outro. Em sentido amplo poderá compreender, além dos bens propriamente ditos,
também os serviços ligados a essa exportação (fretes, seguros, serviços bancários,
etc.)."

14.4 Importações

A importação denomina-se importação a entrada de mercadorias em um país,


provenientes do exterior, conforme prescreve a alínea c) do art.1 das Instruções
Preliminares da Pauta-IPA, aprovado por Lei nº6/2009, de 10 de Março.

O importador, ao decidir realizar uma operação de importação deve determinar qual


o regime que deseja submeter a mercadoria estrangeira ao chegar em Moçambique.
A decisão cabe a ele. Em virtude de sua decisão é que surgirão os procedimentos
que ele deverá observar. Por exemplo, se quiser introduzir a mercadoria para ser
consumida ou fazer parte definitivamente da economia nacional, deverá observar os
procedimentos do regime aduaneiro geral de importação definitiva. Se desejar
introduzir a mercadoria temporariamente para fins de exposição em feiras e depois
reexportá-la ao exterior, deverá observar os procedimentos do regime aduaneiro
especial de admissão temporária.

Para nós, o conceito sintético de importação funda-se no fenômeno que ocorre


quando certa mercadoria dá entrada em determinado território aduaneiro.

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Guimarães, Abilio; Direito Aduaneiro e Fiscal e Procedimentos Técnicos Aduaneiros;
3ªEdição, Editora A,Guimarães, 2005.

Rosaldo, Trevisan; Direito Aduaneiro; editora LEX, São Paulo, 2008

Actividades
A seguir, estão as actividades correspondentes a esta primeira unidade. Resolva os
exercícios propostos e verifique se acertou, conferindo a sua resposta na Chave de
Correcção no final do presente Guia de Estudo.

Actividade 14

Indique os pressupostos para a existência do Direito Aduaneiro e debruce-se em


torno dos mesmos.

REFERÊNCIAS

Guimarães, Abilio; Direito Aduaneiro e Fiscal e Procedimentos Técnicos Aduaneiros;


3ªEdição, Editora A, Guimarães, 2005.

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CHAVE DE CORRECÇÃO DAS ACTIVIDADES

UNIDADE TEMÁTICA 1 - ACTIVIDADE FINANCEIRA DO ESTADO

1. Actividade financeira traduz-se na arrecadação de receitas pelo Estado ou


ente de direito público, para alocar a cobertura de despesas, visando a
satisfação das necessidades colectivas.

2. Na satisfação das necessidades colectivas intervém bens públicos, semi-


públicos e privados.

3. Finanças Públicas querendo significar o conjunto dos órgãos do Estado ou de


outro ente público a quem compete gerir os meios económicos destinados à
satisfação de certas necessidades sociais. Objectivamente, Finanças
Públicas significa a actividade através da qual o Estado ou outro ente público
afecta bens económicos à satisfação de necessidades sociais. No sentido
subjectivo a expressão é empregue para referir a disciplina científica que
estuda a actividade do Estado e outras entidades públicas no sentido da
satisfação das necessidades públicas e as leis que regem essa actividade.

4. Receitas tributárias, patrimoniais e creditícias.

UNIDADE TEMÁTICA 2 - DIREITO E FISCALIDADE

1. Os 2 (dois) critérios de distinção do Direito:

Critério dos interesses: O imposto destina-se a fazer face a despesas


relacionadas com a satisfação de necessidades colectivas, assim as normas
do Direito Fiscal visam tutelar interesses da colectividade. (Direito Público)

Critério dos sujeitos da relação juridica: Numa relação juridico fiscal, temos
como sujeitos, por um lado o Estado ou ente público, por outro os cidadãos. O
Estado encontra-se num plano superior ao do outro sujeito, o cidadão. Na
verdade, o Estado actua revestido de poder especial, superior ao do cidadão,
o que lhe permite quando necessário, executar o património para a garantia
dos créditos tributários que não forem voluntariamente pagos, sem
necessidade prévia da declaração judicial, ou seja do Tribunal. Goza portanto
o Estado, do beneficio da execução prévia.

2. Relação entre o Direito Fiscal com o Direito Constitucional

A Constituição da República define algumas normas de natureza fiscal. Essas


normas definem garantias fundamentais dos cidadãos em matéria tributária e
orientam e limitam o legislador na sua competência fiscal.

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Relacione o Direito Fiscal com o Direito Internacional

Tem sido grande a cooperação internacional dando origem a convenções,


acordos e tratados no domínio do direito fiscal. Um exemplo são as convenções
cujo objectivo é evitar a dupla tributação internacional (tributação do mesmo facto
tributário em mais de um Estado) e as tendentes a evitar a evasão fiscal (fuga à
tributação de determinado facto tributário).

UNIDADE TEMÁTICA 3 - DO IMPOSTO

1. O imposto é uma prestação coactiva, pecuniária, unilateral, estabelecida pela lei a


favor do Estado ou de outro ente público, sem carácter de sanção, com vista à
cobertura das despesas públicas e ainda tendo em conta objectivos de ordem
económica e soci .
Prestação coactiva Os sujeitos activos do imposto a quem a lei confere o
direito de lançar e cobrar determinado imposto, exigem a prestação de todos
os sujeitos passivos que se encontrem nas condições previstas na lei.
Prestação pecuniária O imposto é uma prestação que se traduz em dar
dinheiro.
Prestação unilateral O sujeito activo do imposto recebe a prestação e nada
dá em troca, directa e imediatamente.
Prestação estabelecida pela lei A obrigação do imposto deriva de uma lei.
Prestação sem carácter de sanção O imposto distingue-se de outras
prestações pecuniárias e unilaterais impostas pelo Estado mas a título de
sanção como por exemplo as coimas.
Finalidades do imposto O Estado cobra alguns impostos apenas com o fim
de cobrir as despesas públicas, mas encontramos, impostos que são
instituídos com finalidades extra fiscais, de ordem económica e de ordem
social, como por exemplo os impostos alfandegários, criados para proteger
certas actividades nacionais da concorrência estrangeira.

2. Diferença entre o imposto e a taxa


Um imposto é um tributo pago pelos contribuintes à administração fiscal e que pode
ser exigido por esta coercivamente, caso não seja pago de forma voluntária. Os
impostos não correspondem a nenhuma actividade específica do Estado em relação
ao contribuinte que os paga e em geral não estão consignados a nenhum tipo de
utilização particular. Já as taxas tem a sua génese e fundamento numa
contraprestação do Estado, num serviço prestado (por exemplo a recolha do lixo), ou
na remoção dum obstáculo de natureza jurídica (licenças para diversas actividades).

Diferença entre o imposto e o preço


A caracterização estabelecida permite distinguir o imposto e o preço. O preço pode
ser devido a uma entidade pública que preste utilidades no plano do
comércio jurídico-privado.
Vendendo, p.ex., frutos das suas propriedades. E, em tal caso, o preço
integrar-se-á ,como objecto mediato, numa relação obrigacional que visa
a realização de uma receita pública. No entanto, essa relação obrigacional que

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tem por prestação um preço não será tributária, porque determina para o sujeito
activo um dever de prestar específico. O da entrega dos bens vendidos. O preço tem
origem num vínculo de carácter sinalagmático. E isso, só por si, distingui-o
nitidamente do imposto.Mais difícil será, em muitos casos, distinguir o preço da taxa.
Ainda que se possa estabelecer umcritério de separação na base dos regimes
de concorrência ou de exclusividade estabelecidas quanto à prestação de bens, ou
de serviços, por parte do estado e de outras entidades públicas.

Diferença entre o imposto e o empréstimo público


A figura do empréstimo público acha-se normalmente de tal modo distanciada do
imposto que poderá razoavelmente duvidar-se da necessidade de tentar uma
destrinça entre os dois conceitos. Importa t e r p r e s e n t e , p o r é m , q u e d u a s
figuras híbridas reúnem elementos de ambos, em termos de
t o r n a r aconselhável a separação. Referimo-nos ao imposto reembolsável e ao
empréstimo forçado.O hibridismo de tais figuras, só por si, justificará a destrinça,
além de uma tomada de posição quanto à natureza dessas mesmas figuras. Os
empréstimos públicos criam normalmente, para o Estado, o dever de reembolso, de
uma só v e z , o u a t r a v é s d e a m o r t i z a ç õ e s , e o d e p a g a r j u r o s .
O s m e s m o s d e v e r e s d e p r e s t a r d e c o r r e m d o s empréstimos forçados,
algumas vezes emitidos pelo Estado por não lhe parecer favorável o mercado
decapitais. Aos particulares não é reconhecida liberdade para subscrever ou não os
empréstimos forçados. Quanto ao chamado imposto reembolsável, quando o
reembolso resultasse da própria estruturada relação jurídica, tratar-se-ía, apesar da
designação, de um empréstimo público forçado. Naqueles caso sem que o
reembolso corresponde a uma mera faculdade do Estado, não há qualquer
dever de prestar específico e, consequentemente, pode incluir-se a figura na
noção de imposto. A t e n d ê n c i a é p a r a a p r o x i m a r d o i m p o s t o o
e m p r é s t i m o f o r ç a d o , b a s e a d a n u m c r i t é r i o voluntarista, que levará a
excluir do conceito de empréstimo relações cuja origem não é voluntária,
não parece justificar-se. Pela obrigação de reembolso e de pagamento de
juros, o empréstimo forçado não cabe nos quadros do imposto. Admite-se, no
entanto, que também não caiba no conceito de empréstimo público, devendo
constituir, por isso, uma categoria distinta também deste.

3. Impostos directos e indirectos


Impostos directos são os que tributam a riqueza.
Impostos indirectos são os que tributam o consumo.

UNIDADE TEMÁTICA 4 - PRINCIPIOS CONSTITUCIONAIS DO DIREITO FISCAL

Neste capítulo, procurara o estudante trazer, depois de lido o manual recomendado,


os princípios que norteam do direito fiscal, procurando entender a razão de cada um
no seio do ordenamento jurídico tributário.

UNIDADE TEMÁTICA 5 - FONTES DE DIREITO FISCAL

Fontes imediatas: CRM, Lei, Decreto, Convenções Internacionais.

Fontes mediatas: Doutrina e a jurisprudência.

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UNIDADE TEMÁTICA 6 - INTERPRETAÇÃO, INTEGRAÇÃO E EFICÁCIA DO DIREITO
FISCAL

1. Entende-se que a dívida do João já se encontre prescrita, atendendo ao que


dispõe o art. 48 nº2 da Lei nº2/2006, de 22 de Março, que o prazo de prescrição é de
dez anos, salvo lei especial. Ora, ainda que a referência final deste dispositivo nos
possa levar a crer que por se tratar de uma salvaguarda a lei especial, dever-se-á por
via disso aplicar o que dispõe no Código das Execuções Fiscais, deve-se fazer uma
interpretação no sentido de que a execepção ali prevista so poderá ocorrer quando
se tratar de diplomas com igual valor hierárquico.

2. Diga se as afirmações que se seguem são verdadeiras ou falsas, justificando a


sua resposta.

a) Falsa. Em Direito Fiscal não é permitido a integração por analogia, de acordo


com o preceituado no art.10 nº5 da LGT, Lei nº2/2006, de 22 de Março.

b) Falsa. A lei fiscal moçambicana não se aplica somente aos cidadãos


moçambicanos e também não vigora apenas nos limites territoriais da R. de
Moçambique, porquanto se pode compulsar a título de exemplo no art.20 CIRPS, que
os sujeitos passivos tidos como residentes, não interessa a nacionalidade, desde que
preencham os pressupotos da residência (art.21 do CIRPS) são tributados pela
renda mundial, ou seja pelos rendimentos auferidos por residentes, não só em
Moçambique bem como em outros Países. Ora, vislumbra-se daqui que o Direito
Fiscal aplicar-se-á também a cidadãos oriundos de outras nacionalidades, desde que
considerados residentes. Mais, em virtude dos tratados ou acordos internacionais
celebrados entre Moçambique e outros Países, estes permitem que a Lei
moçambicana possa vir a ser aplicada em outro país estrangeiro, de acordo com nº3
do art.12 da LGT, Lei nº2/2006, de 22 de Março.

UNIDADE TEMÁTICA 7- A RELAÇÃO JURÍDICO F ISCAL

1. Relação jurídica traduz-se em todas aquelas relações que tem relevância


para o Direito. Já as relações jurídico-fiscais, serão aqueles que tem e
produzem efeitos jurídico-ficais, no âmbito do Direito Fiscal.
2. a) e d).
3. Deverá nomear um representante legal, de acordo com o preceituado na
alínea a) do nº3 do art.17 da LGT.
4. Deverá o aluno ver a máteria relativa a reponsabilidade tributária,
nomeadamente os artigos 21 e seguintes da LGT.

UNIDADE TEMÁTICA 8 - O SISTEMA FISCAL MOÇAMBICANO, EVOLUÇÃO E


PRESPECTIVAS
Segundo a classifcação trazida pela Lei nº15/2002, de 26 de Junho, no seu art.56 e
segtes temos:
Tributação Directa: IRPS e IRPC
Tributação Indirecta: IVA, ICE e Direitos Aduaneiros

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UNIDADE TEMÁTICA 9 IMPOSTO SOBRE OS RENDIMENTOS DAS PESSOAS
COLECTIVAS (IRPC)

Resolva os presentes casos:


1. Em quais destas situações existe estabelecimento estável?
a) Constitui estabelecimento estável (art.nº3, nº1 e nº2 a) do CIRPC)
b) Não constitui estabelecimento estável (art.nº3, nº8 b) do CIRPC)
c) Constitui estabelecimento estável (art.nº3, nº1 e nº2 b) do CIRPC)
d) Constitui estabelecimento estável (art.nº3, nº1 e nº2 b) e nº4 do CIRPC)

2. Estão sujeitos a IRPC os seguintes rendimentos auferidos por uma


sociedade nao residente sem estabelecimento estável em Moçambique?
O titular dos rendimentos é uma sociedade não residente sem
estabelecimento estável em Moçambique. Por isso, é apenas sujeita pelos
rendimentos considerados aqui obtidos nos termos das alíneas do nº3 do
art.5.do CIRPC
a) Sujeitos a IRPC (art.5, nº3, a))
b) Não sujeitos a IRPC (art.5, nº3, c) vii)
c) Sujeitos a IRPC (art.5, nº3. c) iii)
d) Sujeitos a IRPC (art.5, nº3, c) i)

3. Uma sociedade registou em 2006 um Resultado Liquido de Exercicio


(RLE) de 500 milhões de MT, tendo contabilizado como custos:
c) O pagamento de multa de trânsito no valor de 10 milhões de MT;
d) E o pagamento de salários no montante de 400 milhões de MT.
Resposta: 500.000.000MT RLE
+ 10.000.000MT (Não é custo fiscal-art.43, nº1 c)
510.000.000MT (Lucro Tributável)

4. A sociedade JKL lda. enquadrada no regime simplificado de


determinação do lucro tributável obteve os seguintes proveitos:
Vendas de mecardorias= 1.000 milhões MT
Prestações de serviços=10 milhões MT
Venda de viatura totalmene amortizada = 20 milhoes MT
Qual o lucro tributável?
Resposta:
1000 Milhões MT*0,20=200milhões (Vendas de Mercadorias)
10 Milhões MT * 0.30= 3 milhões (Venda de serviços)
O lucro tributável =203 milhões MT

UNIDADE TEMÁTICA 10 IMPOSTO SOBRE OS RENDIMENTOS DAS PESSOAS


SINGULARES (IRPS)

CASO Nº1

Incidência pessoal

Agregado familiar: A+B (art.18 n.2 e nº3 a) do CIRPS)

Incidência real

1ªCategoria

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A=600.000.00MT (art.4 a)) +20 000.00MT (art.4 e)) +10.000, 00 (art.3 c)) =630.000,
00MT.

B= 400 000, 00 (art.2 nº2 a)) -36.000, 00 (art.28 a)) = 364.000, 00MT

O rendimento líquido da primeira categoria= 994.000,00MT

2ªCategoria

B=800.000,00*30%=240.000,00 (art.8 nº2 b) e art.33 nº3)

Rendimento líquido da 2ªcategoria=240.000,00MT

3ªCategoria

A= 50.000,00=Rendimento de capitais (art.10 nº2 a) e nº4 h)

Pressupondo que não foi exercida a opção de englobamento prevista no art.67 nº5 b),
não há que considerar qualquer rendimento desta categoria.

Rendimento Colectável=1.234.000.00MT 48.000,00 minimo não tributável a data


(art.66nº2) = 1.186 000.00 MT /2=593 000.00 (art.54) * 25% =148.250.00-35.700.00
(art.54) = 112.550.00MT*2 (art.55) =225.100.00 (colecta)

Deduções à colecta (art.59, 60)

1800*2=3600MT

a) IRPS devido=223.300.00MT.

b) Obrigações declarativas- O conjugue B deveria ter entregado entregue


uma declaração de início de actividade art.38 do RCIRPS e A+B deverão
entregar a declaração de rendimentos prevista no art.10 e art.12 RCIRPS.

c) Retenções na fonte- Os rendimentos da 1ª categoria, com a execpção do


subsídio de residência, art.30 nº1 a)RCIRPS, são sujeitos a retenção na fonte
nos termos do art.30RCIRPS. Os rendimentos de trabalho independente
(2ªcategoria), serão retidos à taxa de 20%, se pagos por entidade com
contabilidade organizada (art.32 nº1 a) RCIRPS).

UNIDADE TEMÁTICA 11 IMPOSTO SOBRE O VALOR ACRESCENTADO (IVA)


1. Sempre que uma pessoa singular ou colectiva que não exerça uma actividade
realize, de modo independente, qualquer operação tributável em IRPS ou de
IRPC, esta operação está sujeita IVA. Os sujeitos passivos que pratiquem
uma só operação tributável, bem como os sujeitos passivos que mencionam
indevidamente IVA nas facturas ou documentos equivalentes, devem
apresentar a declaração Modelo E para efeitos de apuramento do imposto
referente a essas operações.

2. As transmissões gratuitas de bens estão sujeitas a IVA quando, relativamente


a esses bens, tenha sido deduzido o IVA na aquisição.

3. A cedência de pessoal constituiu uma prestação de serviço. Assim, as


importâncias pagas pelo cessionário ao cedente, mesmo que estas

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correspondam apenas aos salários e encargos sociais suportados pelo
cedente, são tributadas em sede de IVA.
Regra geral, a transmissão do activo imobilizado está sujeita a IVA. Contudo,
está isenta a transmissão dos seguintes bens:
bens afectos exclusivamente a uma actividade isenta, quando não tenham
sido objecto de direito à dedução;
bens cuja aquisição tenha sido feita com exclusão do direito à dedução.

4. Apesar de se enquadrar no conceito de transmissão de bens, fica de fora da


incidência do IVA, a venda de bens que constituem parte ou a totalidade do
activo imobilizado e que seja susceptível de constituir um ramo de actividade
independente, quando o adquirente seja, ou venha a ser, pelo facto da
aquisição, um sujeito passivo do imposto que pratique apenas operações que
conferem direito à dedução.

5. Não são tributados os serviços efectuados por um prestador de serviços com


sede em Moçambique a um não residente sempre que:
- O adquirente seja um sujeito passivo do imposto e o serviço prestado seja
um dos previstos nas alineas abaixo:
a) Os serviços estejam relacionados com um imóvel sito no estrangeiro;
b) Os serviços sejam prestados fora do território nacional;
c) Se trate de um serviço de transporte, pela distância percorrida fora do
território nacional.

6. Esta declaração corresponde a um impresso de modelo oficial (M/01) que


deve ser preenchido pelo sujeito passivo, com o propósito de dar a conhecer
à Administração Tributária a sua actividade, devendo ser apresentada antes
do início de actividade, isto é, antes de serem praticadas quaisquer
operações abrangidas pelas regras de incidência do IVA. Esta declaração
permite a integração do sujeito passivo no regime do IVA que lhe corresponde
deharmonia com os elementos declarados Regime Normal, Regime de
Isenção ou Regime de Tributação Simplificado.Exceptuam-se desta
obrigatoriedade os sujeitos passivos que pratiquem uma só operação
tributável, considerada esta como um Acto Isolado.

7. Esta declaração corresponde a um impresso de modelo oficial, a ser


preenchida pelo sujeito passivo, relativa às operações efectuadas no
exercício da sua actividade respeitantes ao mês precedente, com base nos
elementos extraídos a sua contabilidade ou livros de registo, e entregue na
DAF competente juntamente com o meio de pagamento do imposto, se for
caso disso.
Para cumprimento desta obrigação deverão ser utilizados os seguintes
modelos:
Modelo A, quando se trate da primeira declaração de cada período de
imposto;
Modelo B, quando se pretenda substituir o Modelo A anteriormente
apresentado;
Modelo C, quando se trate de sujeitos passivos enquadrados no regime de
tributação simplificada.
8. a Lei n°2/2002 de 26 de Junho e n°2 do
artigo 148 da Lei n°2/2006, de 22 de Março, o pagamento em prestações não

pode ser pago em prestações

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Ciencias Jurídicas Direito Fiscal e Aduaneiro Semestre 2

9. Uma factura fiscal é um documento regulado pelo Código do IVA e outra


legislação adicional que habilita o sujeito passivo a deduzir o IVA nas suas
compras. Por isso, esta factura destina-se fundamentalmente a evidenciar a
existência de uma transacção tributável. Para tal, esta factura deve conter
determinados elementos sobre a transacção tributável, bem como sobre as
partes envolvidas na transacção. A palavra factura, vulgarmente usada,
designa um documento emitido pelo vendedor notificando o comprador de
uma obrigação de pagamento referente a uma transacção efectuada (não
necessariamente uma transacção tributável). O facto de se obter uma factura
de um fornecedor de bens ou serviços não significa que haja lugar à dedução
do IVA, estando esse descriminado ou não na factura.

10. Em caso de atraso na liquidação ou na entrega de parte ou totalidade do


imposto devido, acresce ao montante do imposto juros compensatórios à taxa
interbancária (MAIBOR 12 meses), acrescida de dois pontos percentuais em
vigor à data da entrega do imposto, sem prejuízo da multa aplicada ao
infractor. O juro é contado dia a dia, a partir do dia imediato ao do termo do
prazo em que o imposto deveria ter sido entregue nos cofres do Estado e até à
data em que vier a ser suprida ou corrigida a falta, sendo que a contagem tem
como limite a data da emissão da certidão de relaxe.

11. A correcção de erros materiais ou de cálculo no registo de contabilidade ou de


escrituração dos livros e nas declarações, é:
Obrigatória quando houver imposto entregue a menos e poderá ser efectuada
sem qualquer penalidade até ao final do período seguinte;
Facultativa se houver imposto entregue a mais, mas apenas pode ser
efectuada no prazo de um ano, que, no caso do exercício do direito a
dedução, é contado a partir do nascimento do respectivo direito.
Se o sujeito passivo não proceder a respectiva regularização pela forma e nos
prazos estabelecidos os serviços tributários:
Procederão à liquidação adicional do imposto devido notificando em
conformidade o sujeito passivo;
Consideram como não efectuadas quaisquer rectificações posteriores, sendo
a diferença entre a importância constante do meio de pagamento e a do
imposto apurado pelos serviços tributários.

UNIDADE TEMÁTICA 12 O DIREITO ADUANEIRO

1. A origem histórica do Direito Aduaneiro é um tanto contraditória, segundo os


diversos doutrinadores, visto que a história não registra factos visíveis e datas
precisas da actividade comercial no mundo, contudo ela esta associada ao advento
do mercantilismo.

2. O Direito Aduaneiro é sim consequência do Comêrcio Internacional, pois a sua


origem esta relacionada com a troca de mercadorias e bens, realizadas entre os
povos de diferentes países.

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UNIDADE TEMÁTICA 13 CONCEITO E N ATUREZA JURÍDICA

O Direito Aduaneiro caracteriza-se como um conjunto de normas legais criadas com


o intuito de regular e controlar as operações de comércio exterior, ou seja a
actividade económica. Quanto a sua natureza jurídica enquadra-se no ramo do
direito público, em virtude de se tratar de uma actividade pública.

UNIDADE TEMÁTICA 14 PRESSUPOSTOS PARA A EXISTÊNCIA DO DIREITO


ADUANEIRO
Os pressupostos para que exista Direito Aduaneiro são: Território, Mercadoria,
Importação e Exportação.

É considerado como território aduaneiro compreende todo o território nacional,


incluindo mar, água e ar. Divide-se em zona primária que compreende área terrestre
ou aquática, contínua ou descontínua, ocupada pelos portos alfandegados e também
a área adjacente dos pontos de fornteira alfandegados. A zona secundária
compreende as águas territoriais, espaço aéreo e áreas terrestres.

Mercadoria é todo bem móvel, corpóreo, sujeito ao comércio.

Importação é caracterizada como sendo a entrada de mercadorias do território


aduaneiro.

Exportação pode ser caracterizada como sendo a saída de mercadorias do território


aduaneiro.

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