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TRABALHO DE

FILOSOFIA DO DIREITO
E
METODOLOGIA JURÍDICA ll

EPISTEMOLOGIA
“Teoria do conhecimento”
Curso: Licenciatura em Direito
Unidade Curricular: Filosofia do Direito e Metodologia Jurídica ll

Índice

Índice……………………….……….……………………………….………..…..2

Introdução………………………………………………………………...….……3

Os epistemólogos e a Epistemologia ………………………….……......…..…… 4

O Contexto histórico das descobertas científicas……………………………..…. 5

O Contexto de aplicação e justificação das descobertas científicas....................…7

Epistemologia versus Filosofia……………………………………………..….…8

Os problemas filosóficos Gregos e Medievais sobre o conhecimento..................10

Razão versus Percepção …………………………………………………..…….12

A posição dos Autores face ao conhecimento …………………………………..14

A Epistemologia do último século……………….………….…………………..15

Teoria do conhecimento científico ……………..……..………………………. 16

Conclusão…………………………………..……………………………….…..17

Referências Bibliográficas …………………….…………….…………….…....19

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Trabalho realizado por: Carlos Jesus
Aluno nº20074920 Maio de 2011
Curso: Licenciatura em Direito
Unidade Curricular: Filosofia do Direito e Metodologia Jurídica ll

INTRODUÇÃO

Propomo-nos nesta modesta investigação fazer uma pequena abordagem à


temática da Epistemologia, enquanto teoria do conhecimento, no universo do
mundo dos saberes que será a filosofia.
Assim, começaremos por desmistificar um pouco o que é a Epistemologia,
ou seja, se é uma ciência? O que estuda? De que forma? E que respostas dá?
Abordaremos o contexto histórico em que são feitas as descobertas,
avaliando todas as circunstâncias que com essas descobertas se cruzam e a
influência ou não dessas mesmas circunstâncias, não deixando também de
justificar o porquê do surgimento dessas descobertas e a própria justificação do
seu surgimento.
Faremos um pequeno percurso pelos trilhos do conhecimento desde a
antiguidade clássica, enumerando historicamente através de alguns autores qual o
objecto de estudo da teoria do conhecimento em cada época ou corrente
filosófica, e apontaremos o caminho que o própria Epistemologia seguiu, ou seja,
a sua autonomização face à Filosofia.
Analisaremos superficialmente o pensamento de alguns do maiores
filósofos da história, apontando quais as teorias que defendem, principalmente
entre empiristas e racionalistas, que contrapõem a percepção à razão.
Por fim, e acompanhando as diversas escolas de pensamento, influenciadas
pelo franco desenvolvimento científico verificado no último século, apontaremos
os progressos significativos a que se assiste na construção de uma teoria do
conhecimento científico, que visa alcançar um sistema unitário de sabedoria e
conhecimento, que de certo modo acaba por afastar-se da tradicional teoria do
conhecimento geral e que até então sempre havia servido de guia para o estudo do
conhecimento.
Concluiremos, tecendo algumas considerações relativamente à matéria objecto de
estudo.

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Os epistemólogos e a Epistemologia

Frequentemente, quando lemos um qualquer livro ou artigo de opinião ou


científico, ou quando assistimos a uma notícia nos media, somos confrontados
com a terminologia epistemologia ou epistemólogo. Mas o que é a epistemologia
e o que faz um epistemólogo? Um epistemólogo faz epistemologia. Mas de que
forma? Quando tenta responder às questões relacionadas com os princípios, com
os métodos ou com os resultados que os cientistas e investigadores usam para
determinar e validar tudo o que nos rodeia. E que questões são essas?

• Questões referentes a princípios: Quais são os problemas de uma ciência? Quais


são as suas perguntas fundamentais? Sobre que aspectos da realidade deve
investigar? Por outras palavras, trata de definir o seu objecto formal e o seu
objecto material. O objecto material é aquele que uma ciência estuda, e o objecto
formal é o ponto de vista específico desde o qual o cientista o estuda.

• Questões relativas ao método: Quais são os passos que o cientista deve dar para
resolver os problemas identificados nos princípios? Quais são os processos
(intelectual e experimental) que o cientista privilegia?

Responder a estas perguntas é conhecer o próprio método científico de um


determinado conhecimento.

• Questões sobre os resultados: Quais são as respostas ou as principais


conclusões da ciência até à data?; Qual é a estrutura que sustenta todo o
conhecimento sobre o qual assenta a ciência?; Através de que conceitos básicos
se sistematiza e estrutura o conhecimento?.

Neste sentido, é de grande importância, conhecer a história e a valoração


cultural da ciência, para entender quais são os seus conceitos básicos e a forma
como eles se sistematizam e se estruturam.

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O epistemólogo só por si, não está interessado no conteúdo de uma ciência,


mas sim sobre o modo e a forma de sistematizar e avaliar o conhecimento desse
mesmo conteúdo.

A reflexão epistemológica tem por objecto descobrir a forma peculiar que a


ciência usa para interpretar a realidade, a partir de que ângulo constrói o seu
saber, os princípios sobre os quais se estruturam uma série de conhecimentos
sistematicamente organizados.

À epistemologia interessa principalmente a forma como os cientistas


classificaram o seu conhecimento, como deram forma aos conteúdos da ciência.

Para os epistemólogos é importante observar os modos, os motivos, os fins


ou valores pelos quais os cientistas se regem, nomeadamente quais os que
escolhem, o que observam, o que elaboram, o que formulam, e a influência deste
ou daquele "facto" no começo da construção da sua teoria científica e os motivos
pelos quais desenvolvem e orientam os seus princípios, premissas, conceitos, leis,
interpretações ou ideias gerais que darão sentido à "teoria" da ciência.

É importante saber que procedimentos são utilizados quando se faz ciência,


e qual o valor, qual a amplitude e quais os limites que têm esses processos. Só
assim podemos saber o que sabemos. Um comprovado conhecimento científico
implica conhecer, não só o conteúdo de uma ciência, mas também, estar
consciente da forma e do valor científico da mesma.

O epistemólogo está interessado em saber, saber, ou seja, saber como se


conhece a ciência.

O contexto histórico da descoberta

À epistemologia compete estudar as condições de produção do


conhecimento científico.

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No contexto da descoberta ou produção de uma hipótese ou uma de uma


teoria, tudo importa avaliar para essa produção. Tudo pode ter-se relacionado,
nomeadamente as circunstâncias pessoais, psicológicas, sociológicas, as
tendências políticas, económicas e tecnológicas ou quaisquer outras que possam
influenciar a concepção da própria descoberta.

Estas circunstâncias afectam os métodos, motivos, metas ou valores que o


cientista escolhe, observa, desenvolve, projecta, bem como as ordens deste ou
daquele "facto" ou no início da construção da ciência, os princípios e
pressupostos que dão sentido a factos científicos e as formas e os motivos que
desenvolve e avalia, influenciando também a confirmação das suas hipóteses.

Faz com que a situação histórica e política, condicione de certa forma o


processo de produção do conhecimento científico.

A lógica de gestão ou de factos científicos depende das crenças,


suposições, persuasão, utilitários, etc., que rodeiam o cientista nesse determinado
momento ou local.

Quando questionados sobre o contexto da descoberta de uma teoria, segue-


se inevitavelmente uma resposta que visa compreender o mesmo que o efeito de
certas causas que estão no horizonte histórico que as tornou possíveis: as
circunstâncias sociais, políticas e económicas que influenciaram ou determinaram
o aparecimento ou a concepção de uma descoberta.

É também chamada de "história externa da ciência", que narra o


desenvolvimento das ideias científicas em relação às práticas sociais que a
tornaram possível. Dá-nos conta dos eventos científicos relacionados com as
vicissitudes do contexto da descoberta.

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Contexto de aplicação e justificação das descobertas científicas

A epistemologia estuda também as condições de aplicação tecnológica do


conhecimento científico, discutindo-se o contexto de aplicação do conhecimento
científico, a sua utilidade e o seu benefício ou não para a comunidade.

Só quem conhece, e sabe que conhece, conhece os limites do seu


conhecimento, e os cientistas podem criar novos factos, novas arriscadas
hipóteses que deverão ser confirmadas, novas ciências e novas tecnologias, num
mundo novo com uma elevada aceleração histórica e grande explosão
demográfica, que exige soluções que não foram pensadas nem exigidas no
passado.

O estudo dos resultados da investigação científica cabe também à


epistemologia, através da sua validação.

O contexto de justificação aborda as questões da validação e da verdade.


Como saber se a descoberta é real ou não, se a crença é verdadeira ou falsa, se
uma teoria é justificada. É importante sabermos quais são os procedimentos
utilizados, qual o valor deles para conhecer as suas limitações e potencialidades.
Relacioná-los com o valor, com o alcance e com os limites procedimentais
utilizados na investigação da própria ciência.

Um conhecimento científico cabal, envolve conhecer não só o conteúdo de


uma ciência, mas também estar consciente da forma científica e do valor
científico desse mesmo conhecimento.

Compreender os elementos que fazem parte da validação de uma teoria.


Nele, podemos ver a estrutura lógica e a sua subsequente prova testada. É também
apelidada de "história interna" da ciência, que será a abstracção da realidade
social e que relata o desdobramento da mesma lógica das ideias científicas e dos
resultados das respostas obtidas, dos conceitos básicos de uma ciência em
particular. É uma espécie de reconstrução puramente racional da ciência.

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Abordam-se questões relacionadas com a estrutura lógica das teorias e seus


testes subsequentes. Interessa assim uma estreita correlação à verdade e à
hipótese ou à ideia que se está a tratar.

Espistemologia versus filosofia

Mas qual a relação da filosofia com a epistemologia. Como surgiram? São


independentes uma da outra? Para responder a estas questões temos que
individualiza-las primeiro, e em seguida descrever o caminho percorrido por
ambas.

Assim, e começando pela palavra filosofia, podemos referir que está


estruturada com duas palavras gregas: Philos (amor) e Sophia (sabedoria), de
modo que o originário significado da filosofia é “amor pela sabedoria”.

Nos tempos antigos, quando a ciência ainda não havia sido integrada de
forma independente como nós os conhecemos hoje, a filosofia incluía todos os
conhecimentos existentes.

Contudo, os diferentes campos do conhecimento cresceram e foram-se


constituindo em disciplinas autónomas, princípios próprios, com os próprios
métodos, etc., até se definirem como os conhecemos hoje.

A filosofia, por sua vez, não foi mais do que a concentração geral do
conhecimento existente e deu tratamento especial a cada realidade científica,
deixando para si o estudo de todos os indivíduos, na medida em que se ocupa de
estudar os princípios do ser.

No entanto, segundo alguns autores, existem várias definições de filosofia:

Por exemplo, a definição de filosofia que Platão e Aristóteles apresentavam como


ciência pura, era respectivamente, a procura da virtude ou da felicidade. Como
Dilthey diz: “ A primeira coisa a fazer é encontrar um objectivo comum que à
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primeira vista esteja presente em todos os pensamentos filosóficos". Estamos a


referir-nos aos pensamentos de Platão e Aristóteles, Descartes e Leibniz, Kant e
Hegel, já que em todos eles encontraremos uma abordagem à universalidade e
uma orientação sobre o objectivo geral, por exemplo: o ser, a essência, ou o
conhecimento.

Porém, no início da era moderna, voltámos aos caminhos da noção


aristotélica (cujo centro é uma ciência universal do ser). Os sistemas de
Descartes, Spinoza e Leibniz, têm a mesma orientação, caracterizada por
Aristóteles, pois todas elas tendem para o conhecimento do mundo objectivo.
Kant, por sua vez revive o estilo platónico. É verdade que Kant, na sua primeira
manifestação, surge com uma teoria do conhecimento que tem como base
fundamental a crítica do estudo científico. Mas não se deteve perante o nível
teórico e avançou inclusive formulando uma base crítica onde incluía todos os
conhecimentos científicos. Ao lado da Crítica da Razão Pura, surgiu a Crítica da
Razão Prática, que aborda a questão da valorização moral, e a crítica do juízo,
cujo objectivo são as investigações críticas aos valores estéticos.

Assim, a filosofia de Kant aparece como um reflexo universal do


pensamento sobre si mesmo, ou seja, como um reflexo estudioso sobre os valores
do seu próprio comportamento.

Esta posição intelectual provoca uma reacção que origina um novo


movimento no pensamento filosófico, que volta a inclinar-se para a matéria e a
finalidade, e que constituem uma renovação do carácter aristotélico.

Nesta breve revisão de todo o desenvolvimento histórico do pensamento


filosófico, podemos definir dois elementos essenciais do conceito de filosofia. O
primeiro é conhecido pela "concepção do eu"; o segundo é chamado de "
concepção do Universo". A filosofia em ambos os casos, é uma concepção de si
mesma e uma concepção do Universo.

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A filosofia consistirá, numa tendência para a concepção unificada dos


diversos aspectos do mundo e da vida e uma síntese da explicação racional do
universo.

Assim, podemos afirmar que os problemas decorrentes da presente


presunção, concentra--se em três categorias:

• O Ser, de cujo estudo se ocupa a ontologia.

• O valor, do qual se ocupa a axiologia.

• O Conhecer, categoria que constitui o objecto de estudo da


gnoseología/epistemología.
Alguns argumentam que os termos da epistemologia e da gnoseología são
sinónimos, havendo ainda uma maioria dos autores que reservam o uso da
gnoseologia para designar a teoria geral do conhecimento, enquanto que à
epistemologia usam-na para se referirem à teoria do conhecimento científico ou
mesmo teoria da ciência.

A palavra ou a terminologia epistemologia e "teoria do conhecimento", são


mais utilizados por autores alemães e italianos, enquanto que o termo técnico
"gnoseologia" é utilizado mais frequentemente por autores franceses. No entanto,
nos últimos anos, a epistemologia é também conhecida como "filosofia da
ciência."

É esta a definição da teoria do conhecimento dentro desse contexto mais


abrangente que é a filosofia.

Os problemas filosóficos Gregos e Medievais sobre o conhecimento

No século V a.C., os gregos sofistas questionaram a possibilidade de


efectivamente estarem na posse de um conhecimento seguro e objectivo. Nesse
sentido, um dos principais sofistas da época, Górgias, afirmou que nada pode
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existir na realidade, e se algo existe não pode ser conhecido, e que se fosse
possível o seu conhecimento, ele não seria comunicável.

Outro importante sofista, Protágoras, defendeu que nenhuma opinião de


uma pessoa é mais correcta do que da outra, porque cada indivíduo é o único juiz
de sua própria experiência.

Platão, seguindo o seu ilustre professor Sócrates, tentou contrariar a


opinião dos sofistas, através da existência de um mundo de formas ou ideias,
imutável e invisível, em que é possível adquirir um conhecimento preciso e
exacto. Ele defendeu que as coisas que uma pessoa vê e sente, são cópias
imperfeitas das formas puras estudadas em matemática e filosofia. Portanto,
somente o raciocínio abstracto destas disciplinas fornece um conhecimento
verdadeiro, enquanto a percepção fornece um parecer vago e inconsistente.
Concluiu que a contemplação filosófica do mundo invisível das ideias é condição
maior para a existência do próprio homem.

Aristóteles seguiu o pensamento de Platão, e considerou o conhecimento


abstracto superior a qualquer outro. Mas discordou da opinião sobre o método
adequado para alcançá-lo. Aristóteles afirmava que quase todos os conhecimentos
derivam da experiência. O conhecimento é adquirido seja por via directa, com a
abstracção das características que definem uma espécie, ou indirectamente através
da dedução de novos dados daqueles já conhecidos, de acordo com as regras da
lógica. A observação cuidadosa e a adesão às regras da lógica, que pela primeira
vez foram expostas de forma sistemática por Aristóteles, ajudariam a superar as
teorias armadilhadas defendidas pelos sofistas.

As escolas Estóicas e Epicuristas concordaram com os pensamentos


defendidos por Aristóteles, em que o conhecimento surge a partir da percepção,
mas, ao contrário de Aristóteles e Platão, consideravam que a filosofia deveria ser
considerada como um guia prático para a vida e não como um fim em si mesmo.

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Depois de vários séculos de declínio do interesse pelo conhecimento


racional e científico, o filósofo escolástico São Tomás de Aquino, ajudou a
restaurar a confiança na razão e na experiência, combinando os métodos racionais
com a fé, com um sistema unificado de crenças. São Tomás concordou com
Aristóteles, considerando a percepção e a lógica como ponto de partida,
juntamente com o processo intelectual para chegar ao conhecimento da natureza,
mas acreditava que a fé na autoridade Bíblica seria a principal fonte da crença
religiosa.

Razão versus percepção

Desde o século XVII até finais do século XIX, a principal questão na


epistemologia contrastou a razão contra a percepção dos sentidos como meio de
aquisição de conhecimento.

Para os racionalistas, entre os mais proeminentes o francês René Descartes,


o holandês Baruch Spinoza, e o alemão, Gottfried Wilhelm Leibniz, a principal
fonte e prova final de conhecimentos foi o raciocínio dedutivo, baseado em
princípios claros ou axiomas.

Para os empiristas, começando com os filósofos Ingleses Francis Bacon e


John Locke, a fonte primária e prova última do conhecimento era a percepção.

Locke criticou a crença racionalista de que os princípios do conhecimento


são intuitivamente evidentes, e argumentou que todo o conhecimento vem da
experiência, do mundo externo, que imprime sensações na mente. Ele alegou que
o conhecimento humano dos objectos físicos exteriores está sempre sujeito aos
erros dos sentidos, e concluiu que não se pode ter um conhecimento exacto do
mundo físico que seja absoluto.

O filósofo irlandês George Berkeley concordou com Locke, de que o


conhecimento é adquirido através das ideias, mas rejeitou a crença de Locke de
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que é possível distinguir entre ideias e objectos. O filósofo escocês David Hume
continuou a tradição empirista, mas recusou a conclusão de Berkeley, de que o
conhecimento era apenas ideias. Dividiu todo o conhecimento em dois tipos: o
conhecimento da relação de ideias, ou seja, os conhecimentos encontrados em
matemática e lógica, que é correcto e preciso, mas não tem informação sobre o
mundo nem conhecimento da realidade - isto é, deriva da percepção. Hume
afirmou que a maior parte do conhecimento da realidade está na causa-efeito, e
como não havia nenhuma ligação lógica entre uma determinada causa e efeito,
não se pode esperar conhecer qualquer realidade futura. Assim, as leis da ciência
mais acertada podiam não continuar a ser fieis.

O filósofo alemão Immanuel Kant tentou resolver a crise causada por


Locke e levadas ao seu ponto mais alto as teorias de Hume, propôs uma solução
que combina elementos do racionalismo com algumas teses ao empirismo.

Durante o século XIX, o filósofo alemão Georg Wilhelm Friedrich Hegel


assumiu a alegação racionalista de que o conhecimento preciso da realidade pode
ser obtido com carácter absoluto, equiparando os processos de pensamento, da
natureza e da história. Hegel despertou um interesse pela abordagem histórica do
conhecimento que foi mais tarde reforçado por Herbert Spencer na Grã-Bretanha
e da escola alemã do historicismo. Spencer e o filósofo francês Auguste Comte
chamaram a atenção para a importância da sociologia como um ramo do
conhecimento e ambos aplicaram os princípios do empirismo para o estudo da
sociedade.

A escola americana do pragmatismo, fundada pelo filósofo Charles


Sanders Peirce, William James e John Dewey, no início do século XX, levaram o
empirismo mais longe ao afirmar que o conhecimento é uma ferramenta de acção
e que todas as crenças têm que ser julgadas pela sua utilidade como regra para
preceder as experiências.

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A posição dos autores face ao conhecimento

Para alguns autores, o fundamento da possibilidade do conhecimento é a


realidade, para uns a sensível (empiristas) e para outros a inteligível
(racionalistas).

O primeiro grande filósofo que assumiu o estudo do conhecimento foi o


francês René Descartes, no século XVII. Considerado por muitos como o pai da
filosofia moderna, Descartes tentou encontrar um fundamento do conhecimento
que fosse independente de limites e suposições, e com isso colocou as questões
epistemológicas no centro dessa disciplina. Para ele, o conhecer é partir de um
proposição evidente, que se apoia numa intuição primária. Descartes fez essa
proposta na sua famosa afirmação: “cogito ergo sun” - Eu penso, logo existo.

Kant negou que a realidade pudesse ser explicada só mediante conceitos e


propôs-se conseguir o mesmo objectivo, mas tentando determinar os limites e as
capacidades da razão. Embora a priori existam de facto juízos sintéticos, que são
a condição necessária para qualquer compreensão da natureza (transcendental), o
âmbito do conhecimento limita-se sem dúvidas no pensamento de Kant, quanto
ao domínio da experiência.

Segundo John Locke, representante moderado do empirismo, as impressões


da sensação, apenas formam a primeira base de conhecimento. Também o
britânico David Hume e alguns outros autores posteriores também neopositivistas,
consideraram pelo contrário que as noções das ciências formais não são empíricas
nem conceituais, mas sim formais e portanto, desprovidas de conhecimento.

De acordo com determinadas formas de empirismo, há outras experiências


para além do sensível, como a experiência histórica, a experiência intelectual, etc.
Estão nestas posições alguns autores - os alemães Friedrich Nietzsche e Wilhelm
Dilthey, que dificilmente podem ser considerados como empiristas. Os autores
mais representativos destas posições são o alemão Martin Heidegger e o francês
Jean-Paul Sartre, que defendiam posições existencialistas; os norte-americanos
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John Dewey e William James, de orientação pragmatista, e o espanhol José


Ortega y Gasset, que manteve uma postura a que chamou de raciovitalismo, na
qual a vida e a razão foram os dois pólos da sua cosmovisão.

A Epistemologia do último século

No início do século XX os problemas epistemológicos foram


profundamente discutidos e as subtis diferenças começaram a dividir as distintas
escolas de pensamento rivais. Foi dada especial atenção à relação entre o acto de
perceber algo, o objecto percebido directamente, e a coisa que se pode dizer que
se conhece como resultado da própria percepção. Os autores fenomenológicos
afirmaram que os objectos do conhecimento são os mesmos que os objectos
percebidos. Os neo-realistas alegaram que o que se tem são percepções directas
dos objectos físicos ou de parte deles, em vez dos estados mentais de cada pessoa.
Os realistas críticos, adoptaram uma posição intermédia, afirmando que embora
se tenha recebido apenas os dados sensoriais, tais como cores ou sons, estes
representam objectos físicos que nos fornecem o conhecimento.

Um método para resolver o problema de esclarecer a relação entre a


cognição e o objecto conhecido, foi desenvolvida pelo filósofo alemão Edmund
Husserl. Descreveu um processo elaborado, que chamou de fenomenologia,
através do qual se pode distinguir como são as coisas a partir da forma como você
acha que elas realmente são, alcançando assim um entendimento mais preciso dos
fundamentos conceituais do conhecimento.

Durante o segundo quarto do século XX, surgiram duas escolas de


pensamento, ambas influenciadas pelo filósofo austríaco Ludwig Wittgenstein.
Por um lado a escola do empirismo ou positivismo lógico originado em Viena,
mas que logo se espalhou por todo o mundo. Estes fizeram finca-pé que existia
apenas um tipo de conhecimento: o conhecimento científico, que todo o
conhecimento válido tem que ser verificável através da experiência; e portanto,
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pelo muito que tinha sido dado pela filosofia, não era nem verdadeiro nem falso,
mas apenas sem sentido. No final, seguindo Hume e Kant, fez-se uma clara
distinção entre juízos analíticos e sintéticos. O chamado critério de
verificabilidade do significado, sofreu mudanças como consequência da discussão
entre os próprios empiristas lógicos entre si, assim como com os seus críticos,
mas não foi descartado.

A última dessas recentes escolas de pensamento, englobadas no campo da


análise linguística ou na filosofia da linguagem ordinária, pareceu afastar-se da
epistemologia tradicional. Os analistas linguísticos propuseram estudar os termos
correctos do uso das chaves epistemológicas, o termo conhecimento, a percepção
e probabilidade, e tornar as regras definitivas para a sua utilização, com o
objectivo de evitar a confusão verbal. O filósofo britânico John Langshaw Austin,
afirmou que por exemplo, dizer que uma afirmação é verdadeira não acrescenta
nada a essa afirmação, excepto uma promessa por parte de quem falou ou
escreveu. Austin não considera a verdade como uma qualidade ou propriedade de
declarações ou afirmações.

Teoria do conhecimento científico

Enquanto a epistemologia era tradicionalmente entendida como uma teoria


do conhecimento em geral, os filósofos do século XX mostraram-se interessados
principalmente na construção de uma teoria do conhecimento científico,
assumindo que se se pudesse ter uma teoria adequada para explicar os
mecanismos do conhecimento, isso poderia fazer progressos significativos na
forma geral de resolver os problemas gnoseológicos.

O desenvolvimento de uma epistemologia deste tipo foi dirigido


especificamente pelos autores do círculo de Viena, que foram a génese dos
movimentos do empirismo e do positivismo lógico. Estes filósofos trabalharam
para alcançar um sistema unitário de sabedoria e conhecimento, o que exigiu a
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unificação de linguagem e de metodologia das diversas ciências. Essa linguagem


deveria ser intersubjectiva, o que exigia o uso de formalismos e de uma semântica
comum e universal, ou seja, qualquer proposta deveria poder adaptar-se a ela.

A única coisa que poderia fazer-se era formular as hipóteses da existência


de uma realidade independente da nossa experiência e indicar critérios para a sua
contrapartida, na medida em que uma afirmação de existência implica
determinados enunciados perceptivos. Não há nenhuma possibilidade de decisão
absoluta sobre uma realidade ou idealismo. Este seria, nas palavras de Carnap,
um pseudo-problema. Todas as formas epistemológicas da tradição filosófica
inspiradas em posições metafísicas - o idealismo e o realismo filosófico, o
fenomenalísmo, etc …, cairíam assim fora da esfera do conhecimento empírico,
já que procuravam responder a perguntas impossíveis.

CONCLUSÃO

Como pudemos observar, desde que o homem se debruçou sobre a


necessidade de conhecer, a Epistemologia, ainda que inicialmente não estivesse
identificada como tal, sempre existiu associada à Filosofia e, apesar de só
recentemente se ter autonomizado face a esta, o objecto do seu estudo sempre
esteve estreitamente ligado a esta área do conhecimento humano.

Se a Epistemologia - o estudo do conhecimento é, por natureza, um dos


componentes essenciais da filosofia, a importância crescente da ciência e a
consequente necessidade de dotá-la de sólidos fundamentos teóricos, acrescentou
ainda mais interesse pela mesma ao actual pensamento filosófico.

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Conforme temos vindo a ver, em bom rigor não existe, uma só


Epistemologia ou uma só concepção que nos permita classificar a Epistemologia
como um facto estático. Além disso, têm-se desenvolvido diversas correntes
epistemológicas, que apontam em direcções diferentes na tentativa de
estabelecerem conceitos comuns sobre a ideia de Epistemologia que mais possa
convir à ciência.

A Epistemologia é uma actividade crítica que se envolve em todos os


campos científicos, e não aceita o conhecimento científico sem que previa e
objectivamente este conhecimento seja por ela examinado. É o estudo sistemático
dos princípios, métodos e resultados com que uma determinada comunidade
científica se identifica. Visa descobrir a forma peculiar usada por uma ciência
para interpretação da realidade, bem como o ângulo desde o qual constrói o seu
conhecimento, os princípios com que se estruturam uma série de conhecimentos
sistematicamente organizados.

A tendência actual aponta para uma unificação de conceitos através da


aceitação de uma linguagem comum (ou lógica) que funcione como fundamento
de entendimento e simultaneamente como elemento enquadrador metodológico.

Assim, compreender a estrutura de uma determinada ciência, é construir


um meta-saber, um conhecimento de outros conhecimentos.

A Epistemologia é uma reflexão sistemática e válida sobre o que é a


estrutura da própria ciência.

Nesse sentido consideramos que poderemos referimo-nos à Epistemologia


como uma meta-ciência, ou melhor, uma ciência das ciências.

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Referências Bibliográficas

 Collingwood, R.G. (1986) “Ciência e Filosofia – Ideia de Natureza” 5ª


edição, Editorial Presença.
 Costa Matos, Andityas Soares de Moura, (2006) “Filosofia do Direito e
Justiça” 2ª edição, Edições Del Rey.
 Descartes, René (1997) “Princípios da Filosofia” Edições 70.
 Goldmann, Lucien (1984) “Epistemologia e Filosofia Política” Editorial
Presença.
 Moraes, Roque (2008) “Construtivisvo e ensino de Ciências: reflexões
epistemologicas e metodológicas” 3ª edição, Edifucrs.
 Kant, Immanuel (1989) “Crítica da razão pura” 2ª edição, Fundação
Calouste Gulbenkian, Lisboa.

 Site http://www.spfil.pt
 site http://www.consciencia.org
 site http://criticanarede.com
 Site http://scholar.google.pt
 Site http://www.intelectu.com
 Site http://en.wikipedia.org

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