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Sistema do Governo Moçambicano O SAMO

Introdução
Neste presente trabalho que tem como tema Sistema de Governo Moçambicano,
abordarei os conceitos básicos e fundamentais do tema em alusão, espelhando-me no sistema de
Moçambique, suas características, como são implementados os sistemas de governação, regras e
suas vantagens e desvantagens.
Objectivo
 O objectivo deste trabalho é de trazer conhecimentos teóricos e práticos relativos
ao tema em causa.
Metodologia
 Metodologias: Para que fosse possível a realização do presente trabalho, o grupo
teve como metodologia de trabalho a consulta bibliográfica.

Sistema do Governo Moçambicano


Na doutrina entre os sistemas de governo destacam-se em primeira linha dois: Os
sistemas de governo ditatoriais (monocráticos e autocráticos) e democráticos (directos,
semidirectos e representativos). Nos representativos notam-se os de concentração e de
separação de poderes Nos sistemas de governos democráticos de divisão de poderes
temos os chamados sistemas parlamentares, presidencialistas e semi-presidencialistas.
Assim que não restam dúvidas que o nosso sistema de governo é democrático
representativo de divisão de poderes.
O que nos interessa é saber se é democrático representativo de divisão de poderes
parlamentar, presidencialista ou semi-presidencilista.
Sobre isso muitos autores já se debruçaram tanto cá entre nós como fora.
Assim que alguns autores moçambicanos como Nhamissitane, Carrilho, Rui Baltasar,
Gilles Cistac afirmam que o nosso sistema é presidencial com rasgos presidencialistas.
Opostamente, Jorge Miranda define o nosso sistema como presidencialismo
democrático reforçado ou “ presidencial sui generis”.
Ainda Vitalino Canas chama-o simplesmente presidencialista. Alfredo Chambule
chama-o de misto pelo facto de comungar algumas características presidencialistas e
semi-presidencilistas.
É certo que categoricamente não se pode afirmar que o sistema de governo
moçambicano é Presidencialista pelo facto de que:
1. Nos sistemas presidencialistas (como nos EUA) o presidente não responde
politicamente perante a Assembleia da República nem esta perante o Presidente
da República. O responder politicamente aqui está no sentido de um órgão poder
ou não dissolver ou provocar a queda do outro.
2. Mas bem analisada a nossa Constituição nos artigos 159 e 188, vemos que o PR
pode dissolver a AR. Isto nos leva a concluir que o nosso sistema de governo
não é presidencialista. Mas também não podemos olvidar que nos sistemas
presidencialistas sobre o PR gravitam enormes poderes o que é incontestável que
acontece o mesmo com o nosso. Só que isto é insuficiente para concluirmos.
Do mesmo modo que não podemos também afirmar de viva voz que o nosso
sistema de governo é Parlamentar, por simples razões:
estes sistemas (o caso inglês, sistema parlamentarista de gabinete)) a figura do chefe
de Estado são quase apagados. Os seus poderes são limitados o que é diferente dos
presidencialistas e semi-presidencialistas.
O governo sai do parlamento, a sua estabilidade depende da confiança política que o
parlamento nele deposita, podendo assim o parlamento provocar a sua queda na falta
desta confiança.
Ainda assim, não podemos ainda afirmar que é semi-presidencialista (no caso típico, o
português) porque:
O governo da República de Moçambique é nomeado pelo chefe do Estado que se torna
então, chefe do governo. Isto não acontece nos sistemas semipresidencialistas. Quer
dizer que o governo é eleito ou seja é resultado dos resultados obtidos em eleições
legislativas.
No chefe do Estado continuam a gravitar poderes mas em dimensão reduzida que nos
presidencialistas. Deste modo, afirmamos que é boa e relaxante a doutrina que afirma
que o sistema de governo moçambicano é misto. Mas têm um sério inconveniente de
poder atrofiar os pensamentos de quem possa ser mais criativo. Além disso, segundo a
clássica divisão doutrinária dos sistemas de governo democráticos representativos de
divisão de poderes seria uma inovação. Talvez uma classificação sem enquadramento.
Não querendo ser conservadores nem demais progressistas diremos que esta
classificação em nada diz o que é o nosso sistema de governo.
De outra sorte dizer que ë simplesmente presidencialista seria limitar demais o âmbito
de que o nosso sistema de governo pode caber. Ele é mais do isso.
Assim concordamos com os ilustres autores Nhamissitane, Carrilho, Rui Baltasar, Gilles
Cistac na sua classificação de um sistema de governo presidencial com rasgos
presidencialistas. Isto porque:
1. Aceitamos que ele é presidencial, não só. Isto não basta,
2. Também confirmamos que tem também inclinações ao presidencialismo. Quer isto
dizer que no chefe do Estado gravitam poderes enormes e em princípio não existe uma
dependência entre este e o parlamento, mas por excepção, este pode dissolver o
parlamento se o programa do governo for rejeitado.

Moçambique caracteriza-se no sistema de governo presidencialista, o sistema em que o


Chefe de estado é um órgão decisivo, que exerce poderes importantes, e em que o
execute não responde politicamente perante o Parlamento, pelo menos no que respeita á
possibilidade de o parlamento demitir o Governo.
A democracia é o governo do povo. Implica, que a legitimação do poder político, em
palavras mais simples: o governo, deve sair do próprio povo. O número dos habitantes
em Moçambique não permite que todos possam estar presentes numa reunião. Por isso,
os cidadãos elegem representantes com a tarefa de exprimir a vontade do povo e, deste
modo, governar o país. A Constituição da República prevê que a população elege
deputados para a Assembleia da República, que são representantes do povo. Para a
escolha dos representantes, arts. 73º e 135º da Constituição da República exige eleições
transparentes, livres e justas, onde todos os cidadãos maiores de 18 anos têm o direito
de participar (arts. 147 n.º 1 e 170º n.º 1 da Constituição da República de Moçambique).
Eleições e sistemas eleitorais
A eleição dos deputados para a Assembleia da República, que exercem o poder político
em representação dos cidadãos, caracteriza a democracia em Moçambique como
democracia directa. Além disso, na Constituição da República consta um elemento da
democracia directa, que é o referendo (arts. 73º e 136º da Constituição da República de
Moçambique). O referendo é uma consulta feita aos cidadãos eleitores sobre uma
questão de relevante interesse nacional.
Organização do poder político em Moçambique
O Estado existe para facilitar a vida dos cidadãos que vivem dentro dele. Para executar a
vontade do povo dentro da democracia em Moçambique, o Estado precisa de órgãos,
que trabalham para ele e implementam aquilo que o povo através dos seus
representantes decidiu. Assim como o nosso corpo humano tem órgãos para lhe servir, o
Estado tem órgãos para interagir com terceiros, para actuar para fora. Portanto, são os
órgãos, que vão aos encontros e reuniões, escrevem e respondem cartas etc. Mas sempre
em coordenação com o "corpo", neste caso o povo moçambicano, porque os órgãos só
têm a sua legitimidade da sua existência para facilitar as actividades do Estado, que têm
como elemento mais importante o povo. Assim, os órgãos não podem ultrapassar os
limites da autorização deles.
Ao mesmo tempo, o povo deve admitir a responsabilidade de dar directivos e controlar
os órgãos, porque isto não é só direito, mas também dever. Se acontecer uma situação
ilegal, a pessoa responsável deve responder no tribunal. O poder político em
Moçambique está sendo organizado em órgãos de soberania e órgãos locais do Estado
(arts. 133º e 262º da Constituição da República). Os órgãos da soberania respondem ao
nível central, os órgãos locais ao nível local.
Órgãos de soberania
São órgãos da soberania o Presidente da República, a Assembleia da República, o
Governo, os Tribunais e o Conselho Constitucional (art. 133º da Constituição da
República de Moçambique).
Presidente da República
O Presidente da República é o chefe do Estado de Moçambique. Ele representa
Moçambique internamente e no estrangeiro. Ele tem a tarefa de controlar o
funcionamento correcto dos órgãos do Estado (art. 146º da Constituição da República de
Moçambique). O Presidente da República deve zelar que as garantias da constituição
serão cumpridas.
O Presidente da República é eleito pelo povo. A eleição deve ser directo, igual, secreto,
pessoal e periódico. Eleições têm lugar de cinco em cinco anos. O Presidente da
República só pode ser eleito de novo uma vez (art. 147º da Constituição da República
de Moçambique). Para as demais competências do Presidente da República veja 146º a
163º da Constituição da República.
Assembleia da República
A Assembleia da República é a assembleia representativa de todos os cidadãos
moçambicanos (art. 168º da Constituição da República de Moçambique). A Assembleia
da República é o mais alto órgão legislativo na República de Moçambique. Ela
determina as normas que regem o funcionamento do Estado e a vida económica e social
através de leis e deliberações (art. 169º da Constituição da República de Moçambique).
A Assembleia da República é constituída por 250 deputados. Esses são eleitos em
eleições directas, iguais, secretos, pessoais e periódicos (art. 170º da Constituição da
República de Moçambique)
Os deputados são os representantes do povo moçambicano. Eles devem exprimir a
vontade dos cidadãos nas deliberações da Assembleia da República. As leis aprovadas
pela Assembleia da República espelham aquilo que o povo quer. As leis são
implementadas pelo governo e pela administração pública. Pelo cumprimento das leis
velam os tribunais. Deste modo, a nossa constituição consta o controlo mútuo dos
poderes dos órgãos da soberania.
O Governo
O Governo de Moçambique é o Conselho de Ministros (art. 200º da Constituição da
República). Esse é composto pelo Presidente da República, Primeiro/a Ministro/a e
pelos Ministros (art. 201º da Constituição da República de Moçambique). Certamente já
ouvimos falar do Primeiro/a Ministro/a, do Ministro/a da Educação, da Agricultura, das
Obras Públicas e Habitação, do Trabalho, do Interior, da Justiça, e outros. Estes
compõem o governo de Moçambique chefiados pelo Presidente da República.
A função principal do Conselho de Ministros é assegurar a administração do país (veja
art. 203º da Constituição da República de Moçambique para mais funções). O Conselho
de Ministros observa as decisões do Presidente da República e as deliberações da
Assembleia da República (art. 202º da Constituição da República de Moçambique).
Sistema eleitoral de Moçambique
A constituição da República de Moçambique estipula um sistema presidencialista, no
qual o Presidente da República é o chefe de estado, chefe do governo presidindo o
Conselho de Ministros e comandante chefe das Forças Armadas (artig.146). O
presidente detém uma série de poderes como nomear, exonerar demitir o Primeiro-
Ministro e outros ministros, os governadores provinciais, o Procurador-Geral e o vice
Procurador-Geral da República, nomear o Presidente e o Vice-Presidente do Tribunal
Supremo e o Presidente do Conselho Constitucional. Em caso de impedimento ou
ausência, ou na necessidade de uma substituição interina, o Presidente da Assembleia da
República substitui o Presidente da República. O governo é representado a nível
provincial por governadores. O poder legislativo é desempenhado pela Assembleia da
República com 250 deputados. As Assembleias Provinciais são um órgão de
representação democrático competindo-lhes a função de aprovar o programa do governo
provincial e de supervisionar a sua implementação.
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A constituição da República de Moçambique estipula uma democracia multipartidária


fundada em eleições periódicas, com mandatos de cinco anos, através de sufrágio
universal, directo, igual e secreto. O presidente da República é eleito quando reúna mais
de metade dos votos expressos maioria absoluta, caso contrário, uma segunda volta das
eleições presidenciais é realizada dentro de 30 dias da data de declaração de resultados
pelo conselho constitucional, na qual participam os dois candidatos mais votados.
Conclusão
Com base no estudo o tema realizado conclui-se que O primeiro passo para a
democracia multipartidária deu-se com a elaboração da nova constituição em 1990 que
inaugura uma abertura para a liberdade de criação de partidos políticos e concorrer para
o poder político. O segundo passo deu-se com a materialização do estipulado na nova
constituição, quando em 1994 decorrem as primeiras eleições envolvendo vários
partidos.

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