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09/05/22, 22:10 Ultrarromantismo – Wikipédia, a enciclopédia livre

Ultrarromantismo
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

O ultrarromantismo foi um movimento literário português e brasileiro que aconteceu na


segunda metade do século XIX.

Índice
Características gerais
Em Portugal
Origem e descrição
Maiores autores
No Brasil
Principais adeptos
Ver também
Referências

Características gerais
liberdade criativa do humano superior (o conteúdo é mais importante que a forma; são
comuns deslizes gramaticais);
versificação livre;
tédio constante, morbidez, sofrimento, pessimismo, negativismo, satanismo, masoquismo,
cinismo, autodegeneração;
fuga da realidade (escapismo, evasão);
desilusão adolescente;
idealização do amor e da mulher;
subjetivismo, egocentrismo;
saudosismo (saudade da infância e do passado);
consciência da solidão;
obsessão pela morte: fuga total e definitiva da vida, "solução para os sofrimentos"; sarcasmo,
ironia.

Em Portugal

Origem e descrição

O ultrarromantismo desenvolveu-se mormente em torno da cidade do Porto e de Coimbra por


escritores jovens, que viviam numa "geração perdida" que levara ao exagero as normas e ideais
preconizadas pelo romantismo, nomeadamente a exaltação da subjectividade, do individualismo,
do idealismo amoroso, da natureza e do mundo medieval.
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Os ultrarromânticos geram correntes literárias de qualidade muito


discutível, sendo algumas dela considerada como "romance de faca e
alguidar", dada a sucessão de crimes sangrentos que
invariavelmente descreviam e que os realistas vão caricaturar de
forma feroz.

Todavia, existe literatura ultrarromântica de qualidade


inquestionável. Além de João de Deus de Nogueira Ramos, são
também autores ultrarromânticos Camilo Castelo Branco, Soares de
Passos e Castilho. Em algumas obras de Almeida Garrett e de
Alexandre Herculano é já possível detectar alguns traços de ultra-
romantismo, apesar de serem dois dos introdutores do romantismo António Augusto Soares de
em Portugal. Passos

Por outro lado Soares de Passos, uma figura bastante caricaturada


pelos escritores realistas, considerado "um representante do
ultrarromantismo piegas", foi autor de "Noivado do Sepulcro"
(Poesias, 1855).[1]

Maiores autores
António Augusto Soares de Passos foi um poeta português que
nasceu no Porto em 1826 e morreu na mesma cidade, em 1860.
Os seus versos foram muito populares e caracterizavam-se por
um sentimentalismo e por uma melancolia exacerbados. A
poesia mais popular é "O Noivado do Sepulcro". Camilo Castelo Branco

António Feliciano de Castilho, escritor português de formação


neoclássica, acaba por se render às tendências do romantismo
realizando diversas obras dentro deste estilo literário .
Evidenciou-se essencialmente como figura de destaque na
segunda geração romântica representando uma espécie de
padrinho dos jovens poetas que iniciando a sua carreira
recorriam à sua influência na negociação com as editoras. Todo
o fundamento da Questão Coimbrã vai incidir precisamente na
confrontação de ideias entre Feliciano Castilho e alguns jovens
intelectuais como Antero de Quental e Eça de Queiroz que,
contestando os princípios defendidos na geração romântica ,
proclamam a vontade de expandir a literatura Portuguesa
tornando-a num instrumento de renovação que a partir da critica
aberta iria alertar o governo para as deficiências do país António Feliciano de
conduzindo-o à necessária evolução. Castilho

Camilo Castelo Branco foi um paradigma da cultura portuguesa


do século XIX. Homem multifacetado, considerado por alguns como o primeiro romancista da
península Ibérica, deixou uma obra vasta, produto das paixões e vicissitudes da vida. Uma
existência frustrada com um final trágico, com os louros da glória a aparecerem só alguns
anos depois da sua morte.[1]

No Brasil
A chamada "geração ultrarromântica" ou "segunda geração" mudaria os rumos do Romantismo no
Brasil. Valores como o nacionalismo e a valorização do índio como o herói nacional brasileiro, um
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tema constante na primeira geração romântica brasileira, estariam então quase, ou mesmo
totalmente, ausentes. Esta nova geração, fortemente influenciada pelo romantismo alemão e pelas
obras de Lord Byron e de Alfred de Musset, estaria enfocada em temas obscuros e macabros, tais
como o pessimismo, o sobrenatural, satanismo, a ânsia pela morte, o passado e a infância, além do
mal do século. O amor é fortemente idealizado, platônico e quase sempre não correspondido, além
da presença de um forte egocentrismo e um sentimentalismo exacerbado na poesia, são claramente
notados.[2]

Principais adeptos
Álvares de Azevedo (1831–1852)
Junqueira Freire (1832–1855)
Fagundes Varela (1841–1875)
Casimiro de Abreu (1839–1860)
Aureliano Lessa (1828–1861)
Pedro de Calasans (1837–1874)
Laurindo Rabelo (1826–1864)

Ver também
Romantismo
Mal do século
Romantismo sombrio

Referências
1. Abdala Júnior, Benjamin; Villibor Flory, Suely Fadul (2007). Literaturas de língua portuguesa:
marcos e marcas. Portugal. [S.l.]: Arte & Ciência. p. 177-178. ISBN 8574733369
2. «Segunda Geração Romântica: mal-do-século» (http://www.soliteratura.com.br/romantismo/ro
mantismo05.php). Só Literatura.

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