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Danúbia Soares Pires

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Circuitos Elétricos: Conceitos e exercícios
Dr

São Luís – MA
2020
Lista de ilustrações

Figura 1 – Tensão elétrica de um elemento genérico. Fonte: Alexander,C.K.; Sadiku,


M. N. O., Fundamentos de Circuitos Elétricos, 2013. . . . . . . . . . . 7
Figura 2 – Tensão elétrica de um elemento genérico com outro ponto de referência
de polaridade. Fonte: Alexander,C.K.; Sadiku, M. N. O., Fundamentos
de Circuitos Elétricos, 2013. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
Figura 3 – Corrente elétrica percorrendo um condutor. Fonte: Alexander,C.K.;
Sadiku, M. N. O., Fundamentos de Circuitos Elétricos, 2013. . . . . . . 9

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Figura 4 – Corrente elétrica contínua e alternada, respectivamente. . . . . . . . . .
Figura 5 – Polaridade da tensão elétrica e sentido da corrente elétrica na definição
do sinal de potência. Fonte: Alexander,C.K.; Sadiku, M. N. O., Funda-
mentos de Circuitos Elétricos, 2013. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Figura 6 – Característica da resistência elétrica a partir das relações entre tensão
e corrente. Fonte: Marakov, S.N.; Ludwig R.; Bitar, S. J., Practical
Electrical Engineering, 2016. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Figura 7 – Definição de resistência elétrica a partir das leis de Ohm: (a) Primeira
lei de Ohm; (b)Segunda lei de Ohm. Fonte: Alexander,C.K.; Sadiku, M.
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N. O., Fundamentos de Circuitos Elétricos, 2013. . . . . . . . . . . . . 14


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Figura 8 – Transformação da resistência elétrica em curto-circuito e circuito aberto,
respectivamente. Fonte: Marakov, S.N.; Ludwig R.; Bitar, S. J., Practical
Electrical Engineering, 2016. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
Figura 9 – Resistor fixo de filme de carbono. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
Figura 10 – Resistor variável: potenciômetro. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
Figura 11 – Resistor 1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
Figura 12 – Resistor 2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
Figura 13 – Resistor 3 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
Figura 14 – Resistor 4 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
Figura 15 – Resistor 5 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
Figura 16 – Resistor 6 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
Figura 17 – Resistor 7 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
Figura 18 – Circuito para o exemplo 2. Fonte: Alexander,C.K.; Sadiku, M. N. O.,
Fundamentos de Circuitos Elétricos, 2013. . . . . . . . . . . . . . . . . 19
Figura 19 – Circuito para o exemplo 3. Fonte: Alexander,C.K.; Sadiku, M. N. O.,
Fundamentos de Circuitos Elétricos, 2013. . . . . . . . . . . . . . . . . 19
Figura 20 – Circuito elétrico genérico. Fonte: Marakov, S.N.; Ludwig R.; Bitar, S.
J., Practical Electrical Engineering, 2016. . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
Figura 21 – Ramos em um circuito elétrico. Fonte: Marakov, S.N.; Ludwig R.; Bitar,
S. J., Practical Electrical Engineering, 2016. . . . . . . . . . . . . . . . 21
Figura 22 – Malhas em um circuito elétrico. Fonte: Marakov, S.N.; Ludwig R.; Bitar,
S. J., Practical Electrical Engineering, 2016. . . . . . . . . . . . . . . . 22
Figura 23 – Circuito elétrico para análise da LKC. Fonte: Marakov, S.N.; Ludwig
R.; Bitar, S. J., Practical Electrical Engineering, 2016. . . . . . . . . . 23
Figura 24 – Circuito elétrico para análise da LKC. Fonte: Marakov, S.N.; Ludwig
R.; Bitar, S. J., Practical Electrical Engineering, 2016. . . . . . . . . . 24
Figura 25 – Circuito elétrico para análise da LKC. Fonte: Marakov, S.N.; Ludwig
R.; Bitar, S. J., Practical Electrical Engineering, 2016. . . . . . . . . . 24
Figura 26 – Circuito elétrico para análise da LKT. Fonte: Marakov, S.N.; Ludwig

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R.; Bitar, S. J., Practical Electrical Engineering, 2016. . . . . . . . . .
Figura 27 – Circuito elétrico para análise da LKT. Fonte: Marakov, S.N.; Ludwig
R.; Bitar, S. J., Practical Electrical Engineering, 2016. . . . . . . . . .
Figura 28 – Circuito elétrico para análise da LKT. Fonte: Marakov, S.N.; Ludwig
R.; Bitar, S. J., Practical Electrical Engineering, 2016. . . . . . . . . .
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Lista de tabelas

Tabela 1 – Código de cores. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17

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Sumário

1 Conceitos Básicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
1.1 Variáveis em Circuitos Elétricos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
1.1.1 Carga Elétrica: Revisão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
1.1.2 Tensão Elétrica: Revisão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
1.1.3 Corrente Elétrica: Revisão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
1.1.4 Potência e Energia: Revisão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
1.1.5 Elementos em circuitos elétricos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11

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1.1.6 Resistência elétrica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
1.1.6.1 Leis de Ohm . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
1.1.6.2 Relação da potência elétrica com a resistência elétrica
1.1.6.3 Resistores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
2 Métodos para Análise de Circuitos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
2.1 Leis de Kirchhoff . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
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12
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15
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1 Conceitos Básicos

Modelagem matemática é a área do conhecimento dedicada ao desenvolvimento


ou aprimoramento da representação matemática de um sistema dinâmico, apresentando
uma vasta aplicação na ciência, engenharia, economia, medicina, ecologia, biologia, entre
outras. Em engenharia, quer seja para fins acadêmicos e/ou práticos, muitos estudos têm
sido realizados a fim de desenvolver ferramentas analíticas precisas e efetivas, propor
metodologias, procedimentos computacionais e implementação de modelos matemáticos.
Em Eletricidade, um circuito elétrico descreve um modelo matemático que tem

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comportamento aproximado a um sistema elétrico real. Sendo assim, o termo circuito
elétrico geralmente refere-se a um sistema elétrico propriamente dito, bem como ao
modelo que representa.
Podemos observar a aplicação de circuitos elétricos em nosso cotidiano, tais como:
nas reações fisiológicas dos seres vivos; nas inovações tecnológicas (computadores, celulares,
tráfego de informações via internet); nos meios de transporte (em controle, sensores e
dispositivos eletrônicos integrados, também usados em testes antes de ser fabricado e
comercializado); em nossa casa com a gama de aparelhos eletroeletrônicos e eletrodomésticos
utilizados.
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Graças a natureza dos circuitos elétricos, uma descoberta importante no ramo
da Neurociência foi realizada por Guillaume-Benjamin-Amand Duchenne de Boulogne
(1806-1875). Este médico neurologista francês - considerado o pai da Eletroterapia (recurso
terapêutico utilizado por fisioterapeutas no tratamento, reabilitação e cura de diversas
doenças) devido seus estudos sobre os efeitos da eletricidade no ser humano - submeteu
um paciente com paralisia de Bell (doença que causa paralisia facial) a mais de 100
sessões com aplicação de eletrodos em várias partes do rosto, a fim de extrair uma gama
variada de emoções, as quais foram fotografadas. Duchenne provou que o estímulo dos
músculos provocava reações emocionais no indivíduo (ainda que a experiência cause espanto
para nós). Os resultados foram publicados no seu trabalho intitulado Mecanisme de la
Physionomie Humaine. A obra foi apreciada por muitos intelectuais da época, entre eles
Charles Darwin (cientista que decreveu a teoria da evolução pela seleção natural). Esses
estudos também representam um marco para a história da evolução fotográfica.
Na Engenharia Elétrica, a natureza dos circuitos elétricos representa um ponto em
comum no vasto e abrangente campo de estudo que esta engenharia possui. Na geração,
transmissão, distribuição e consumo de energia elétrica; codificação, decodificação, sinais de
sensores e atuadores para processamento de informações, entre outras aplicações, observa-se
a aplicação do modelo matemático de circuitos elétricos. Por conseguinte, para engenheiros
Capítulo 1. Conceitos Básicos 6

eletricistas e futuros profissionais, estudar circuitos elétricos é de suma importância, uma


vez que propicia a base para aprender detalhes de como operar e projetar sistemas. Além
disso, os modelos, técnicas matemáticas e linguagem, obtidas através do estudo de circuitos
elétricos, formam a estrutura intelectual destes profissionais.

1.1 Variáveis em Circuitos Elétricos

1.1.1 Carga Elétrica: Revisão

A carga elétrica é uma propriedade elétrica das partículas atômicas que compõem a

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matéria. Constitui-se a base para descrever todos os fenômenos elétricos, sendo a quantidade
mais elementar em um circuito elétrico, medida em coulombs (C).
A carga elétrica existe em quantidades discretas, ou seja, múltiplos inteiros de
1, 6022 × 10−19 C (carga elétrica fundamental), tem como característica a bipolaridade
(pode ser positiva ou negativa). Efeitos elétricos são atribuídos tanto à separação entre
cargas quanto ao movimento das mesmas.
A Lei da conservação das cargas afirma que as cargas não podem ser criadas nem
destruídas, apenas transferidas, por consequência, a soma algébrica das cargas elétricas
em um sistema não se altera.
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1.1.2 Tensão Elétrica: Revisão

A tensão elétrica, diferença de potencial(ddp) ou força elétrica é a quantidade de


energia necessária para deslocar uma carga unitária. Matematicamente, tem-se:

dw
v=
dq

• v é a tensão elétrica (volt);

• dw corresponde à variação de energia (joule);

• dq corresponde à variação de carga elétrica (coulomb).

Na figura 1 observa-se uma tensão vab com os sinais positivo e negativo indicando a
polaridade desta tensão, ou seja, o sentido referencial. Neste caso, o ponto a se encontra em
um potencial mais alto que o ponto b. Na figura 2, o ponto b se encontra em um potencial
Capítulo 1. Conceitos Básicos 7

mais alto que o ponto a. Sendo assim, temos a seguinte relação matemática associada à
referência adotada em relação ao potencial elétrico:

vab = −vab (1.1)

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Figura 1 – Tensão elétrica de um elemento genérico. Fonte: Alexander,C.K.; Sadiku, M. N.
O., Fundamentos de Circuitos Elétricos, 2013.
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Figura 2 – Tensão elétrica de um elemento genérico com outro ponto de referência de


polaridade. Fonte: Alexander,C.K.; Sadiku, M. N. O., Fundamentos de Circuitos
Elétricos, 2013.

1.1.3 Corrente Elétrica: Revisão

É o fluxo ordenado de cargas elétricas. Representa a variação da quantidade de


carga elétrica, que percorre a secção transversal de um condutor, por unidade de tempo.
Capítulo 1. Conceitos Básicos 8

Essa relação é expressa matematicamente, como segue:

dq
I=
dt

• I é a corrente elétrica (ampére);

• dq corresponde à variação de carga elétrica (coulomb).

• dt corresponde à variação de tempo (segundo).

Quando uma ddp é aplicada a um condutor com área de secção transversal S, a


mesma cria um movimento ordenado de elétrons. Na natureza, toda partícula tende à

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estabilidade ou ao gasto de energia. Se uma energia é transferida a uma partícula, a mesma
irá realizar algum trabalho, explicação compreensível para o movimento dos elétrons, ou
seja, partirão de um nível de energia alta para um nível de energia baixa. No caso das
partículas de carga elétrica, as mesmas percorrerão o condutor na direção do potencial
elétrico de maior energia para o de menor energia, conferindo o sentido real da corrente
elétrica, potencial negativo para o potencial positivo (para fins de entendimento, deve-se
recordar que os elétrons são cargas elétricas negativas, portanto estão relacionadas ao
potencial negativo e precisam de energia para sair deste potencial em direção ao potencial
oposto). No entanto, para fins de cálculo, utiliza-se a direção contrária do fluxo dos elétrons,
conhecida como sentido convencional da corrente elétrica, ou seja, do potencial maior para
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o potencial menor, lembrando que o potencial está relacionado a referência da polaridade
da tensão elétrica, conforme visto na secção anterior. Na figura 3, observa-se o fluxo
ordenado de elétrons, após a aplicação de uma ddp (representada por uma bateria). A
corrente I indica o sentido convencional da corrente elétrica, do potencial maior em direção
ao potencial menor.
Em relação à forma da correte elétrica em relação ao tempo, a mesma pode
ser contínua (CC, corrente contínua), assumindo um único valor durante todo o tempo
analisado, ou pode ser alternada (CA, corrente alternada), quando os valores mudam
com o tempo. O gráfico desta última pode ser obtido através de várias formas de onda,
como cossenóides, dente de serra, quadrada, entre outras. Na figura 4, observam-se os dois
tipos de corrente elétrica: a contínua e a alternada, respectivamente. A corrente elétrica
alternada, neste caso, é representada por uma senóide.
Capítulo 1. Conceitos Básicos 9

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Figura 3 – Corrente elétrica percorrendo um condutor. Fonte: Alexander,C.K.; Sadiku, M.
N. O., Fundamentos de Circuitos Elétricos, 2013.
Dr Corrente (A)

10

-10
0 5 10 15 20 25
Tempo (s)
Corrente (A)

4
0 5 10 15 20 25
Tempo (s)

Figura 4 – Corrente elétrica contínua e alternada, respectivamente.


Capítulo 1. Conceitos Básicos 10

Matematicamente, a corrente elétrica está relacionada à carga elétrica, como segue:

Z t
Q= i dt (1.2)
t0

1.1.4 Potência e Energia: Revisão

Corresponde à variação de energia no tempo, a qual pode ser fornecida (gerador)


ou absorvida (motor) por um elemento do circuito elétrico.

dw
p= → 1 watt=1 joule/s

a ft dt

• p é a potência absorvida por ou fornecida a um elemento do circuito (watt);

• dw corresponde à variação de energia (joule);

• dt corresponde à variação de tempo (segundo).

Matematicamente, corresponde ao produto da tensão fornecida/absorvida por um


elemento de circuito pela corrente que circula por ele.

! !
dw dq
p= → p = v.i → 1 watt = 1volt.ampère
Dr
dq dt

• p é a potência absorvida por ou fornecida a um elemento do circuito (watt);

• v corresponde à tensão elétrica do circuito (volt);

• i corresponde à corrente elétrica do circuito (ampère).

Na figura 5, observam-se as polaridades de tensão elétrica e sentido de corrente


elétrica para a definição do sinal de potência.
O sinal algébrico de potência está relacionado à absorção ou fornecimento de energia
de um determinado elemento de circuito ao qual está interligado: se for positiva (isto é,
p > 0), o elemento está absorvendo potência; se a potência for negativa (isto é, p < 0), o
elemento está fornecendo potência. De forma clara, quando energia é fornecida por um
determinado tempo (utilizando a própria definição de potência), esse fornecimento gera
uma perda (matematicamente, toda perda é representada por um sinal negativo), em
contrapartida, quando absorvo energia por unidade de tempo, há um ganho de energia
observado (representado por um sinal positivo).
Capítulo 1. Conceitos Básicos 11

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Figura 5 – Polaridade da tensão elétrica e sentido da corrente elétrica na definição do
sinal de potência. Fonte: Alexander,C.K.; Sadiku, M. N. O., Fundamentos de
Circuitos Elétricos, 2013.
Dr
1.1.5 Elementos em circuitos elétricos

Os elementos de circuitos são modelos ideais hipotéticos simples. Cada elemento


do circuito é caracterizado pela dependência única de tensão/corrente. Esta dependência,
tal qual em um modelo matemático, reflete leis físicas gerais. Uma lista dos elementos do
circuito inclui:

1. Resistência;

2. Fonte de tensão (independente e dependente);

3. Fonte de corrente (independente e dependente);

4. Capacitância;

5. Indutância;

6. Transformador elétrico ideal;

7. interruptor ideal;

8. Diodo ideal;
Capítulo 1. Conceitos Básicos 12

9. Portas lógicas (NOT, AND, OR).

Ainda sobre elementos do circuito, os mesmos podem ser lineares (resistência) ou


não lineares (diodo ideal), passivos (resistência) ou ativos (fonte de tensão), estáticos
(resistência) ou dinâmicos (capacitância/indutância). Neste material de estudo, os ele-
mentos de circuito que iremos estudar são: resistência, fonte de tensão, fonte de corrente,
capacitância e indutância.
Um elemento básico de circuito possui três atributos:

• Possui apenas 2 terminais, os quais constituem-se em pontos de conexão com outros


componentes do circuito (bipolos);

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• Descrito matematicamente em termos de corrente elétrica e/ou tensão elétrica;

• Não pode ser subdividido em outros elementos.

Os componentes de circuitos são os equivalentes físicos dos elementos de circuito,


dentre os quais podemos incluir: resistor, bateria, capacitor, indutor, entre outros. Em
muitos casos, na prática, a modelagem de qualquer componente de um circuito físico simples
resulta de uma combinação de elementos de circuito bem conhecidos - uma bateria, por
exemplo, pode ser modelada como uma fonte de tensão ideal em série com uma (pequena)
resistência. O mesmo vale para estruturas mais complexas direcionadas a projetos elétricos,
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mecânicos ou biomédicos. Um exemplo é o corpo humano cuja resposta é modelada como
uma combinação de resistências e capacitâncias.

1.1.6 Resistência elétrica

A resistência elétrica é um elemento linear e passivo em um circuito elétrico. O


estudo deste elemento de circuito está relacionado a duas leis, a primeira e segunda leis
de Ohm, enunciadas pelo matemático e físico alemão Georg Simon Ohm (1789-1854), as
quais serão expostas a seguir.

1.1.6.1 Leis de Ohm

Primeira Lei de Ohm


Relaciona a tensão elétrica v através da resistência elétrica R e a corrente elétrica
I, a partir da expressão linear, conforme segue:

v = RI (1.3)
Capítulo 1. Conceitos Básicos 13

• R é a resistência elétrica (ohm);

• v corresponde à tensão elétrica (volt);

• I é corrente elétrica (ampére).

A expressão foi estabelecida por Ohm, em 1827, contudo, não foi bem recebida
pela comunidade científica na época. Somente 14 anos depois, o Royal Society de Londres
reconheceu este trabalho tão relevante.
A resistência elétrica, portanto, constitui-se em uma constante de proporcionalidade.
Na figura 6, observa-se a característica da resistência elétrica a partir das relações entre

a ft
tensão e corrente.
Dr
Figura 6 – Característica da resistência elétrica a partir das relações entre tensão e corrente.
Fonte: Marakov, S.N.; Ludwig R.; Bitar, S. J., Practical Electrical Engineering,
2016.

Segunda Lei de Ohm


Relaciona, as propriedades físicas de um corpo condutor uniforme, à resistência
elétrica do mesmo. Matematicamente, é expressa da seguinte forma:

l
R=ρ (1.4)
A

• R é a resistência elétrica (ohm);

• ρ corresponde à resistividade do material (ohm.metro);


Capítulo 1. Conceitos Básicos 14

• l corresponde ao comprimento do fio condutor (metro);

• A é a área de secção transversal do corpo condutor (metro).

a ft
Figura 7 – Definição de resistência elétrica a partir das leis de Ohm: (a) Primeira lei
de Ohm; (b)Segunda lei de Ohm. Fonte: Alexander,C.K.; Sadiku, M. N. O.,
Fundamentos de Circuitos Elétricos, 2013.
Dr
É importante observar algumas peculiaridades em relação às leis de Ohm. A primeira
lei somente é válida para resistores ôhmicos. Já a segunda lei, apesar de relacionar apenas
três propriedades físicas de um corpo condutor uniforme, conforme equação 1.4, considera
a temperatura ambiente, sendo um dado válido, uma vez que a temperatura também é
uma variável que influencia no valor da resistência elétrica e não consta na equação 1.4.
Ainda na segunda lei, tem-se o conceito de resistividade elétrica, a qual constitui-se uma
propriedade intrínseca ao material e, portanto, é tabelada.
Na figura 7, em (a) a resistência elétrica é representada pela simbologia do compo-
nente de circuito chamado resistor, o qual será detalhado na próxima subseção. A depender
do valor da resistência elétrica, a mesma pode representar um curto-circuito ou um circuito
aberto, conforme a figura 8.
Capítulo 1. Conceitos Básicos 15

1.1.6.2 Relação da potência elétrica com a resistência elétrica

A partir da primeira Lei de Ohm pode-se observar as relações da potência elétrica


com a resistência elétrica, como segue:

p = v ∗ i ⇒ v = R ∗ i ⇒ p = R ∗ i2 (1.5)

p = v ∗ i ⇒ i = v/R ⇒ p = v 2 /R (1.6)

a ft
Dr
Figura 8 – Transformação da resistência elétrica em curto-circuito e circuito aberto, respec-
tivamente. Fonte: Marakov, S.N.; Ludwig R.; Bitar, S. J., Practical Electrical
Engineering, 2016.

1.1.6.3 Resistores

A resistência elétrica, comumente, corresponde à representação do componente


resistor em um circuito real. Nas figuras 9 e 10 são observados exemplos de resistores
fixos e variáveis, respectivamente: na figura 9 tem-se um resistor fixo de filme de carbono
e observam-se faixas coloridas no corpo do componente (código de cores); na figura 10
tem-se um exemplo de resistor variável, denominado potenciômetro, cuja resistência varia
a partir do movimento da sua parte superior (espécie de haste na vertical).
O código de cores é um padrão tabelado (confira a tabela 1), utilizado para
representar o valor dos resistores. Para uma correta leitura, as faixas de cores devem ser
lidas na sequência correta, cuja primeira faixa corresponde à mais próxima da extremidade.
Capítulo 1. Conceitos Básicos 16

Tomando o resistor da figura 9 como exemplo, podemos encontrar seu valor através do
código de cores:

• Faixa 1 (Primeiro Dígito)- Vermelho - 2;

• Faixa 2 (Segundo Dígito)- Violeta - 7;

• Faixa 3 (Multiplicador) - Marrom - 1 - 10faixa 3 - 101 ;

• Faixa 4 (Tolerência) - Dourado - 5%.

Assim, o valor do resistor da figura 9 é:

a ft F aixa1 F aixa2 ∗ 10Faixa 3 = 2 7 ∗ 101 = 270 Ω (1.7)

Considerando a tolerância de 5%, o valor do resistor varia entre −5% e +5%, ou


seja, o valor do resistor está entre 256,50 Ω e 283,50 Ω.
Dr
Figura 9 – Resistor fixo de filme de carbono.
Capítulo 1. Conceitos Básicos 17

a ft Figura 10 – Resistor variável: potenciômetro.

Cor
Preto
Tabela 1 – Código de cores.

Marrom
Vermelho
Laranja
Valor
0
1
2
3
Tolerância

1%
2%

Amarelo 4
Verde 5
Dr
Azul 6
Violeta 7
Cinza 8
Branco 9
Dourado 5%
Prata 10%
Sem a quarta faixa 20%

Agora é com você :)


Exemplo 1: Encontre os valores dos resistores, a partir do código de cores, descreva ainda
a faixa de valores de cada um a partir da tolerência.

Figura 11 – Resistor 1
Capítulo 1. Conceitos Básicos 18

Figura 12 – Resistor 2

a ft Figura 13 – Resistor 3

Figura 14 – Resistor 4
Dr
Figura 15 – Resistor 5

Figura 16 – Resistor 6

Figura 17 – Resistor 7
Capítulo 1. Conceitos Básicos 19

Exemplo 2: Encontre o valor Vab equivalente para cada circuito da figura 18.

a ft
Figura 18 – Circuito para o exemplo 2. Fonte: Alexander,C.K.; Sadiku, M. N. O., Funda-
mentos de Circuitos Elétricos, 2013.

Exemplo 3: Encontre o valor de i para o circuito da figura 19, para a chave na posição 1
Dr
e na posição 2.

Figura 19 – Circuito para o exemplo 3. Fonte: Alexander,C.K.; Sadiku, M. N. O., Funda-


mentos de Circuitos Elétricos, 2013.
20

2 Métodos para Análise de Circuitos

Neste capítulo serão abordados os métodos utilizados em Análise de Circuitos CC


(os mesmos podem ser estendidos para CA, porém aqui serão usados exemplos de corrente
contínua).
Importante! Método corresponde a um conjunto de procedimentos, técnicas e
meios para chegar a um determinar fim.
Para compreender estas análises, alguns conceitos devem ser inseridos, em relação

a ft
às partes que compõem um circuito elétrico. Na figura 20, observa-se um circuito elétrico
característico, no qual A, B, C e D, representam os elementos que o compõe. Os números
1, 2 e 3 representam nós no circuito - um nó é um ponto de conexão entre elementos de
um circuito.
Dr

Figura 20 – Circuito elétrico genérico. Fonte: Marakov, S.N.; Ludwig R.; Bitar, S. J.,
Practical Electrical Engineering, 2016.

Na figura 21, observam-se linhas escuras mais grossas, demonstrando o ramo no


Capítulo 2. Métodos para Análise de Circuitos 21

circuito considerado. Um ramo corresponde à uma parte do circuito entre dois terminais.
No circuito da figura 21 são observados os dois ramos em evidência, os quais correspondem
às partes do circuito entre os nós 12 e 13.

a ft
Dr
Figura 21 – Ramos em um circuito elétrico. Fonte: Marakov, S.N.; Ludwig R.; Bitar, S. J.,
Practical Electrical Engineering, 2016.

Na figura 22, observam-se três possibilidades de caminhos fechados no circuito


elétrico caraterístico da figura 20. Uma possibilidade de caminho fechado inicia-se no
elemento A, tomando o sentido horário passa pelos elementos B e C, fechando o caminho
novamente em A. A outra possibilidade é partir do elemento C, tomando o sentido horário
passa pelo elemento D e retorna para C, completando o laço. A terceira e última pos-
sibilidade é iniciar pelo elemento A e, novamente, no sentido horário passar por B e D,
retornando para o elemento A. Todas estas possibilidades de caminhos fechados são chama-
dos de malhas ou laços. Esses caminhos fechados são definidos como malhas ou laços dentro
de um circuito elétrico. Os caminhos fechados formados pelos elementos ABCA e CDC,
ou seja, pelos nós 1231 e 232, respectivamente, são denominados malhas independentes,
enquanto, ABDA (formado pelos nós 1231 ) constitui-se uma malha dependente.
Capítulo 2. Métodos para Análise de Circuitos 22

a ft
Figura 22 – Malhas em um circuito elétrico. Fonte: Marakov, S.N.; Ludwig R.; Bitar, S.
J., Practical Electrical Engineering, 2016.
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2.1 Leis de Kirchhoff

As leis de Kirchhoff constituem-se a base para os métodos e teoremas que iremos


aprender ao longo dos nossos estudos, uma vez que descrevem o comportamento dos
circuitos elétricos, a partir das relações, entre as tensões e correntes dos seus elementos,
por meio de equações matemáticas. Essas leis serão enunciadas a seguir.
Lei de Kirchhoff das Correntes ou Lei de Kirchhoff dos Nós - LKC: “A soma
algébrica de todas as correntes em qualquer nó de um circuito é igual a zero.”
Na figura 24, observam-se os nós 1, 2 e 3. Segundo a LKC, as correntes do circuito,
a saber, IA , IB , IC e ID podem ser relacionadas através da soma algébrica das mesmas,
isso deve-se ao fato de que um nó não representa um ponto de armazenamento de energia
no circuito.
Na equação 2.1, observam-se que as correntes IA e IB estão saindo do nó 1, portanto
serão somadas e igualadas a 0. Na equação 2.2, observa-se que a corrente IB está entrando
no nó 2, enquanto as correntes IC e ID estão saindo desse nó, a soma algébrica na LKC,
Capítulo 2. Métodos para Análise de Circuitos 23

portanto, leva em consideração os sentidos das correntes, sendo assim, a Lei de Kirchhoff
dos nós também pode ser enunciada da seguinte forma: “a soma das correntes que entram
em um nó é igual a soma das correntes que saem deste mesmo nó”. Da mesma maneira, na
equação 2.3, observa-se a relação das correntes IA , IC e ID , que possuem o mesmo sentido
em relação ao nó 3.

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Figura 23 – Circuito elétrico para análise da LKC. Fonte: Marakov, S.N.; Ludwig R.; Bitar,
S. J., Practical Electrical Engineering, 2016.

IA + IB = 0 (2.1)

IB − IC − ID = 0
(2.2)
IB = IC + ID

IA + IC + ID = 0 (2.3)

Agora é com você :)


Exemplo 1: Encontre os valores das correntes IA , IC e ID , no circuito da figura 24.
Capítulo 2. Métodos para Análise de Circuitos 24

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Figura 24 – Circuito elétrico para análise da LKC. Fonte: Marakov, S.N.; Ludwig R.; Bitar,
S. J., Practical Electrical Engineering, 2016.

Exemplo 2: Encontre os valores das correntes IC , IH e IF , no circuito da figura 25.


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Figura 25 – Circuito elétrico para análise da LKC. Fonte: Marakov, S.N.; Ludwig R.; Bitar,
S. J., Practical Electrical Engineering, 2016.
Capítulo 2. Métodos para Análise de Circuitos 25

Lei de Kirchhoff das Tensões ou Lei de Kirchhoff das Malhas - LKT: “A soma
algébrica de todas as tensões ao longo de qualquer caminho fechado é igual a zero.”
Na figura 26, observam-se os nós 1, 2 e 3. Segundo a LKT, as tensões do circuito,
a saber, VA , VB , VC e VD podem ser relacionadas através da soma algébrica das mesmas
em determinada malha.
Observam-se que as tensões VA , VB e VC , presentes na malha dependente formada
pelos nós 1231, tomando o sentido horário para análise e considerando a soma algébrica,
ou seja, as polaridades das tensões, as mesmas serão somadas, conforme equação 2.4.
Considerando a malha independente formada pelos nós 232, e tomando o sentido horário
de análise, resulta na equação 2.5. Da mesma maneira, na equação 2.6, observa-se a relação

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das tensões VA , VB e VD , assumindo o sentido horário para a malha independente formada
pelos nós 1231.
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Figura 26 – Circuito elétrico para análise da LKT. Fonte: Marakov, S.N.; Ludwig R.; Bitar,
S. J., Practical Electrical Engineering, 2016.

VA − VB − VC = 0
(2.4)
VA = VB + VC
Capítulo 2. Métodos para Análise de Circuitos 26

VD − VC = 0
(2.5)
VD = VC

VA − VB − VD = 0
(2.6)
VA = VB + VD

Agora é com você :)


Exemplo 1: Encontre os valores das tensões VC e VE , no circuito da figura 27.

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Figura 27 – Circuito elétrico para análise da LKT. Fonte: Marakov, S.N.; Ludwig R.; Bitar,
S. J., Practical Electrical Engineering, 2016.

Exemplo 2: Encontre os valores das tensões VA , VB , VG e VH , no circuito da figura 28.


Capítulo 2. Métodos para Análise de Circuitos 27

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Figura 28 – Circuito elétrico para análise da LKT. Fonte: Marakov, S.N.; Ludwig R.; Bitar,
S. J., Practical Electrical Engineering, 2016.

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