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UEM-DMI

Curso de Matemática
Trabalho em grupo
de
Analise Matemática 4

Alves Lampião Junior


Andre Raul Seth Langa
Danaldo Martins
Justino Mário Buanali

Conteúdo
1 Condições de existência das integrais de superfı́cie 2
1.1 Primeiro Tipo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2
1.2 Segundo Tipo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2

2 Indicação Práctica do cálculo das integrais de superfı́cie 3


2.1 Primeiro Tipo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3
2.1.1 Exemplos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
2.2 Segundo tipo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
2.2.1 Exemplo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7

3 Importancia das integrais de superfı́cie 8


3.1 Exemplos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9

4 Bibliografia 10

1
1 Condições de existência das integrais de superfı́cie
1.1 Primeiro Tipo
Seja f (x, y, z) uma função definida sobre a superficie S ⊂ R3 . A integral de
superficie do primeiro tipo representa o limite de soma integral
ZZ n
X
f (x, y, z)dS = lim f (xi , yi , zi )dSi (1)
S dSi → 0 i=1
n→∞

onde dSi é a área de um elemento i da superficie S, a que pertence o ponto


(xi , yi , zi ).

O valor desta integral não depende do lado da superficie S que se escolha


para integração.
O teorema que se segue, representa a condição de existência da integral deste
tipo (10 tipo):

Teorema 1.1.1 (Existência de integrais do 10 tipo) Se a função f (x, y, z)


é continua no domı́nio considerado, e as funções que exprimem a equação
da superfı́cie são contı́nuas e tem derivadas contı́nuas, então a integral de
superfı́cie do primeiro tipo existe.

1.2 Segundo Tipo


Chama-se integral de superfı́cie do segundo tipo
ZZ
f (x, y, z)dxdy, (2)
S

de uma função de três variaveis f (x, y, z) dada num dominio conexo, em


relação a projeção de uma superfı́cie orientável S (pertencente ao mesmo
dominio) sobre o plano xOy, ao numero que se obtém do mesmo modo que
a integral de superfı́cie do primeiro tipo, mas com a diferença de que: o valor
da função f (xi , yi , zi ) não se multiplaca pela área do elemento de superfı́cie
dSi mas sim pelo valor da projeção P rxy dSi deste elemento (orientado) sobre
o plano xOy (toma-se a projeção com sinal ” + ” ou ” − ”):
ZZ n
X
f (x, y, z)dxdy = lim f (xi , yi , zi )P rxy dSi . (3)
S dSi → 0 i=1
n→∞

2
de forma analoga, definem-se as integrais de superfı́cie do segundo tipo, em
relação as projeções da superfı́cie orientável S sobre o plano yOz e sobre o
plano zOx :
ZZ n
X
f (x, y, z)dydz = lim f (xi , yi , zi )P ryz dSi . (4)
S dSi → 0 i=1
n→∞
ZZ n
X
f (x, y, z)dzdx = lim f (xi , yi , zi )P rzx dSi . (5)
S dSi → 0 i=1
n→∞
Para as integrais de superfı́cie deste tipo, temos o seguinte teorema:

Teorema 1.2.1 (Existência de integrais do 2o tipo) As integrais de su-


perfı́cie do segundo tipo (3), (4), (5) existem, se a função f (x, y, z), assim
como as funções que exprimem a equação de superfı́cie, são contı́nuas e têm
derivadas contı́nuas.

Geralmente, em calculos envolvendo as integrais do segundo tipo, considera-


se a forma:
ZZ ZZ ZZ ZZ
P dydz + Qdzdx + Rdxdy = P dydz + Qdzdx + Rdxdy. (6)
S S S S

onde a integral a esquerda(geral), corresponde à soma das integrais do se-


gundo tipo em relação a todas as projeções e ainda P (x, y, z), Q(x, y, z),
R(x, y, z) são três funções dadas num dominio conexo.

2 Indicação Práctica do cálculo das integrais de


superfı́cie
2.1 Primeiro Tipo
O calculo da integral deste tipo se reduz ao calculo de uma integral dupla
sobre um dominio plano.
⇒ Se a equação da Superficie está dada na forma explicita

z = ϕ(x, y),

ZZ ZZ q
f (x, y, z)dS = f [x, y, ϕ(x, y)] 1 + ϕ02 02
x (x, y) + ϕy (x, y)dxdy (7)
S D

3
onde D é a projeção de S sobre o plano xOy.
⇒ se a equação da superficie está dada na forma paramétrica:

x = x(u, v), y = y(u, v), z = z(u, v),

ZZ ZZ p
f (x, y, z)dS = f [x(u, v), y(u, v), z(u, v)] EG − F 2 dudv (8)
S D

onde D é o dominio de variação dos argumentos u, v que corresponde à


superficie dada S;
p
EG − F 2 dudv = dS (elemento de superf icie);

µ ¶2 µ ¶2 µ ¶2 µ ¶2
∂r ∂x ∂y ∂z
E= r12 = = + + ;
∂u ∂u ∂u ∂u
∂x ∂x ∂y ∂y ∂z ∂z
F = r1 r2 = + + ;
∂u ∂v ∂u ∂v ∂u ∂v
µ ¶2 µ ¶2 µ ¶2 µ ¶2
∂r ∂x ∂y ∂z
G= r22 = = + +
∂v ∂v ∂v ∂v
e
r(u, v) = (x(u, v), y(u, v), z(u, v))
a representação vectorial de S. Ou ainda
ZZ ZZ ¯ ¯
¯ ∂r ∂r ¯¯
f (x, y, z)dS = ¯
f [x(u, v), y(u, v), z(u, v)] ¯ × dudv (9)
S D ∂u ∂v ¯

2.1.1 Exemplos
Exemplo 1. Calcular a integral de superfı́cie
ZZ
(x + y + z)dS,
S
onde S é a superfı́cie do cubo 0 ≤ x ≤ 1, 0 ≤ y ≤ 1, 0 ≤ z ≤ 1.
Resolução:
Calculamos a soma das integrais de superficies tomadas sobre a face superior
do cubo (z = 1) e sobre a face interior do mesmo (z = 0):
Z 1Z 1 Z 1Z 1 Z 1Z 1
(x + y + 1)dxdy + (x + y)dxdy = (2x + 2y + 1)dxdy + 3.
0 0 0 0 0 0

4
a integral de superficie procurada será três vezes maior e igual a
ZZ
(x + y + z)dS = 9.
S

Exemplo 2 Calcular ZZ
(x2 + y 2 )dS,
S
sendo S a parte da esfera x2 + + z 2 = R2 situada no 10 octante.
y2
Resolução
Podemos apartir da formula (9) resolver esta, Considere-se a representação
vectorial da superficie esférica


r (u, v) = R cos u sin v →

e 1 + R sin u sin v −

e 2 + R cos v →

e 3,

sendo R o raio, u o ângulo polar (sobre o plano Oxy) e v o ângulo formado


pelo raio vector −

r dum ponto genérico da esfera com eixo oz.
E o dominio D = {(u, v)|0 ≤ u ≤ 2π, 0 ≤ v ≤ π.}
Determinando a norma do produto vectorial patente na formula (9), teremos:
¯ ¯
¯ ∂r ∂r ¯¯ 2
¯
¯ ∂u × ∂v ¯ = R sin v

pois o produto vectorial apenas, é:


∂r ∂r
× = −R cos u sin2 v −

e 1 − R sin u sin2 v −

e 2 − R2 sin v cos v −

e3
∂u ∂v
fazendo a substituição de R cos u sin v, R sin u sin v, dS = R2 sin vdudv no
integral dado, teremos:
ZZ ZZ Z π Z π
2 2
(x2 +y 2 )dS = R2 sin2 v.R2 sin vdudv = R4 sin2 v. sin vdv du =
S D 0 0
Z π
π 2 π 4 cos3 v π π 1 π
= R4 (cos2 −1)d(cos v) = R ( −cos v)|02 = R4 (1− ) = R4 .
2 0 2 3 2 3 3

2.2 Segundo tipo


Reduz-se ao calculo de integrais duplas.

⇒ Se a equacao da superficie está dada na forma explicita z = ϕ(x, y),


então a integral (1) se calcula pela seguinte fórmula:
ZZ ZZ
f (x, y, z)dxdy = f (x, y, ϕ(x, y))Dxy , (10)
S+ Dxy

5
De uma forma analoga, calculam-se as integrais de superficie da função
f (x, y, z) em relação as projeçoes da superfı́cie orientáel S sobre outros
planos de coordenadas:
ZZ ZZ
f (x, y, z)dydz = f (ψ(y, z), y, z)Dyz , (11)
S+ Dyz

onde x = ψ(y, z) é a equação da superfı́cie S, resolvida em relação a x; e

ZZ ZZ
f (x, y, z)dzdx = f (x, χ(x, y), z)Dzx , (12)
S+ Dzx

onde y = χ(x, y) é a equação da superficie S, resolvida em relação a y.

Ao mudar a orientação da superficie, a integral em relação a projeção


muda de sinal.
⇒ Se a superficie esta dada na forma vectorial, então as integrais (3),(4),(5)
se calculam pelas fórmulas que se seguem:
ZZ ZZ
∂(x, y)
f (x, y, z)dxdy = f [x(u, v), y(u, v), z(u, v)] dudv, (13)
S+ D ∂(u, v)

ZZ ZZ
∂(y, z)
f (x, y, z)dydz = f [x(u, v), y(u, v), z(u, v)] dudv, (14)
S+ D ∂(u, v)

ZZ ZZ
∂(z, x)
f (x, y, z)dzdx = f [x(u, v), y(u, v), z(u, v)] dudv. (15)
S+ D ∂(u, v)
onde
¯ ¯
¯ ∂s ∂s ¯
∂(s, t) ¯ ∂u ∂v ¯
¯ ¯
=¯ ¯.
∂(u, v) ¯¯ ∂t ∂t ¯¯
∂u ∂v

⇒ Para o caso da representação geral, a integral de superficie represen-


tada por (6), pode se resolver atendendo a seguinte expressão correspon-
dente: ZZ ZZ
P dydz + Qdzdx + Rdxdy = −
→a−→
n dS. (16)
S S
em que →
−a = P−→
e1 + Q−→
e2 + R −

e3 , −

n = (cos α, cos β, cos γ)(escolhido de acordo
com o lado positivo da superficie S + ).

6
Ao passar para a outra face S − da superficie, esta integral muda seu
sinal para o sinal contrário.

Se a superficie S é dada de forma implicita, F (x, y, z) = 0, os cossenos


directores da normal desta superficie sao determinados pelas formulas
1 ∂F 1 ∂F 1 ∂F
cos α = , cos = , cos = (17)
D ∂x D ∂y D ∂z
onde sµ ¶ µ ¶ µ ¶
∂F 2 ∂F 2 ∂F 2
D=± + + , (18)
∂x ∂y ∂z
e a escolha do sinal a ser colocado antes do radical deve ser de acordo com
a face da superficie S que se tome.

Ainda para o tipo geral, pode-se resolver apartir da formula de Ostro-


gradsky, tambem chamada formula de Green, ou ainda formula de Gauss:
ZZ ZZZ
a(r)nds = divadxdydz. (19)
S+ V

2.2.1 Exemplo
p
Exemplo 1. Seja S + a face de do hemisferio z = 1 − x2 − y 2 correspon-
dente a normal unitaria exterior a S. Se −

a = x−

e 1 − y−

e 2 , calcular o integral
ZZ


a−→
n dS.
S+
Resolução
Tendo em conta a representação paramétrica do hemisfério


r (u, v) = R cos u sin v −

e 1 + R sin u sin v −

e 2 + R cos v −

e3
de raio 1 com centro na origem, e o dominio dado
D = {(u, v)|0 ≤ u ≤ 2π, 0 ≤ v ≤ π2 .};
Podemos calcular a integral apartir da igualdade (16), com auxilio das
formulas 13, 14, 15, neste caso

P (x, y, z) = x = R cos u sin v, Q(x, y, z) = −R sin u sin v R(x, y, z) = 0.


Os determinantes de Jacobi para as expressões (13),(14),(15) são respecti-
vamente
∂(x, y) ∂(y, z) ∂(z, x)
= 0, = − cos u sin2 v, = − sin u sin2 v
∂(u, v) ∂(u, v) ∂(u, v)

7
fazendo a substituição em (16), as formulas (13),(14),(15) e a recente dedução
feita apartir da integral dada, teremos:
ZZ ZZ Z π Z 2π


a−→
n dS = 3
sin v(− cos 2u)dvdu =
2
3
sin vdv cos 2udu = 0
S+ D 0 0
R 2π
pois 0 cos 2udu = 0.

3 Importancia das integrais de superfı́cie


As ciências fornecem varios exeemplos de aplicações, mas, asseguir apresen-
tamos as que mais se destacam:
1. Área de Superficı́e S:

Quando S se representa pela equção vectorial −



r (u,v), tem-se
s
ZZ ¯ − ¯ ZZ
¯ ∂→
r ∂ −

r ¯ ∂(x, y) 2 ∂(y, z) 2 ∂(z, x)
As = ¯ × ¯ dudv = + + dudv.
¯ ∂v ¯
D ∂u D ∂(u, v) ∂(u, v) ∂(u, v)
(20)
Se a superfı́cie é dada na forma explicita, tomemos como exemplo Z=f(x,y)
( superficie S é projectada sobre o plano Oxy), temos:
s µ ¶2 µ ¶2
ZZ
∂f ∂f
AS = 1+ + dxdy (21)
D ∂x ∂y

2. Massa duma superfı́cie S:


ZZ
M= γ(x, y, z)dS, (22)
S

onde γ(x, y, z) é a densidade superficial de massa e o elemento de área dS


exprime-se em dependencia da representação de superfı́cie.

3. O centro de gravidade duma superfı́cie S:


ZZ ZZ
1 1
xc = x.γ(x, y, z)dS, yc = y.γ(x, y, z)dS,
M S M S
ZZ
1
zc = z.γ(x, y, z)dS. (23)
M S

8
4. O momento de inércia da superfı́cie em relação a um eixo l:
ZZ
Il = δ 2 (x, y, z)γ(x, y, z)dS. (24)
S

Onde δ(x, y, z) representa a distância dum ponto genérico (x, y, z) de su-


perfı́cie á recta l.
Particularmente em relação aos eixos coordenados:
ZZ ZZ
Ixx = (y 2 + z 2 )γ(x, y, z)dS, Iyy = (x2 + z 2 )γ(x, y, z)dS,
S S
ZZ
Izz = (x2 + y 2 )γ(x, y, z)dS, (25)
S

3.1 Exemplos
Exemplo 1. Determinar a massa da calote esférica pertencente

x2 + y 2 + z 2 = a2

situada acima de z = a2 , sabendo que a densidade γ é directamente propor-


cional à distância do ponto à origem.
Resolução :
q ZZ
γ=c x2 + y2 + z2, M= γ(x, y, z)dS
S
e representando a superficie na forma implicita, teremos:

S = x + y 2 + z 2 − a2
p
4x2 + 4y 2 + 4z 2 a a
dS = dxdy = dxdy = p 2 dxdy
2z z a − x2 − y 2
e γ(r(x, y)) = c.a

ZZ Z 2π Z 3
a 2 ρ
M= c.a p 2 dxdy = c.a2 dϕ p = c.a3 π.
D a − x2 − y 2 0 0 a2 − ρ2
Exemplo
√ 2. Achar o momento de inércia do hemisfério homogéneo y =
R2 − x2 − z 2 a respeito do eixo Oy.
Resolução:

determinando as derivadas da equação y = R2 − x2 − z 2

∂y −z ∂y −x
=√ , =√ ,
∂z 2 2
R −x −z 2 ∂x R − x2 − z 2
2

9
achamos
s
x2 + z 2 R
dS = 1+ 2 2 2
dxdz = √ dxdz
R −x −z R − x2 − z 2
2

temos por hipotese que a superficie é homogénea podemos fazer γ = 1. Pela


fórmula (25), teremos:
ZZ ZZ
2 2 R
Iyy = (x + z )dS = (x2 + z 2 ) √ dxdz
S Dxz R − x2 − z 2
2

em que que Dxz é o domı́nio da projecção desta superfı́cie sobre o plano


Oxy, passando às coordenadas polares, teremos
Z R Z 2π Z R q
ρ2 4
Iyy = p ρdρ dϕ = 2πR (R2 −R2 +ρ2 )d( R2 − ρ2 ) = πR4 .
0 R2 − ρ2 0 0 3

4 Bibliografia
• B. Demidovitch -Problemas e Exercicı́os de Análise Matemático.
Ed.MIR. Moscú. 1978.

• L. D. Kudriávtsev-Curso de Análisis Matemático. Ed. MIR. Moscú.


vol.2-1984

• Tom M. Apostol-CALCULUS. Wiley International Edition. SEC-


OND EDITION. New York. VOLUME II. 1969.

• I. Bronstein, K. Semendiaev-Matemática para Enghenheiros e Es-


tudantes. EDITORA MIR. MOSCOVO. 2a edição-1984.

• O. A. Mikitiouk-Integrais Curvilı́neos e de Superı́cie, Elementos da


Teoria do Campo. MAPUTO. 1986.

• Outros textos de conteúdo relacionado, extraidos da internet e ainda


da obra do docente desta Cadeira, Professor Doutor M. Rachide.

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