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Aula 03

Direito Tributário p/ AFRFB - 2016 (com videoaulas)


Professor: Fábio Dutra
Direito Tributário para AFRFB - 2016
Curso de Teoria e Questões
Prof. Fábio Dutra- Aula 03

1 – COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA

Na aula passada, chegamos a estudar que a imunidade pode ser


considerada uma incompetência tributária, pois a CF/88, de um lado previu a
competência para criar tributos, de outro estabeleceu algumas limitações a
esta competência, entre as quais estão as imunidades.

A essa competência para criar ou instituir tributos denominamos


competência tributária.

Como é decorrência do princípio da legalidade (estudado em aula


anterior), que preceitua que a instituição de tributos deve ser feita sempre por
intermédio de lei formal, a competência tributária pressupõe a
competência legislativa para instituir o tributo. Portanto, os tributos só
podem ser instituídos por leis ordinárias, medidas provisórias e leis
complementares (em alguns casos).

Neste momento, deve ter pairado alguma dúvida sobre quem poderia
instituir tributos. A princípio, você deve entender que apenas os entes
federados (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) possuem
autonomia para instituição, extinção, majoração ou redução de
tributos.

Até aqui, você já deve estar ter percebido que a Constituição Federal de
1988 não criou nenhum tributo, mas unicamente definiu a competência
tributária de cada ente para que este institua os tributos.

Além da competência tributária, a CF/88 determinou que também deve


haver também a competência para legislar sobre direito tributário. Isso
não se confunde com a competência tributária, pois aqui o objetivo é
traçar regras sobre o exercício da competência tributária. Assim,
embora ambas decorram de lei, possuem objetivos diferentes, ok?

Por exemplo, compete à União legislar sobre direito tributário, como será
visto a seguir, mas isso não torna este ente competente para instituir o IPTU
ou o ISS, já que se trata de imposto de competência municipal e distrital.

Memorize:

 A CF não cria tributo, apenas estabelece a


competência tributária dos entes políticos.
 A competência para legislar sobre direito tributário
não se confunde com a competência tributária.

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Vejamos a resposta:

Art. 146. Cabe à lei complementar:

III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação


tributária, especialmente sobre:

(...)

Percebe-se, pois, que a referida lei deve ser complementar!

Na aula inicial do nosso curso, você aprendeu que o Código Tributário


Nacional – CTN - foi recepcionado pela CF/88 com status de lei complementar,
correto?

Na realidade, o CTN possui força de lei complementar desde a CF


pretérita – CF/1967. Isso significa que não foi apenas com a CF/88 que
esta norma adquiriu o status de lei complementar.

É de se destacar também que o CTN continua sendo uma lei ordinária,


mas com status de lei complementar, pois o conteúdo nele tratado foi
reservado à lei complementar pela nossa CF/88. Essas regras são mais
detalhadas no estudo do Direito Constitucional, disciplina que você já deve
estar estudando ou ainda irá estudar com o Prof. Ricardo Vale.

Nós veremos nos próximos tópicos algumas disposições do CTN acerca


da competência tributária, bem como suas características e outros conceitos
relativos ao tema.

1.3 - Características da Competência Tributária

A competência tributária possui algumas características a ela inerentes,


quais sejam: indelegável, imprescritível, inalterável, irrenunciável, e
facultativa. Vamos explicar separadamente cada uma de suas características.

1. A competência tributária é indelegável

A competência tributária é indelegável, não sendo possível que um ente


delegue a sua competência para instituir determinado imposto, por exemplo, a
outro. Vejamos o que diz o caput art. 7º do CTN:

Art. 7º A competência tributária é indelegável, salvo atribuição


das funções de arrecadar ou fiscalizar tributos, ou de executar
leis, serviços, atos ou decisões administrativas em matéria
tributária, conferida por uma pessoa jurídica de direito público a
outra, nos termos do § 3º do artigo 18 da Constituição (referência a
outra CF).

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O que se extrai do art. 7º do CTN é que a competência tributária é


realmente indelegável, contudo, as atribuições administrativas
decorrentes do exercício da competência tributária são delegáveis a
outra pessoa jurídica de direito público.

A delegação da função de arrecadar e fiscalizar os


tributos instituídos, bem como as demais atribuições
administrativas citadas no art. 7º do CTN denomina-se
capacidade tributária ativa.

Assim, a União, por exemplo, ao fazer uso de sua competência tributária


prevista no art. 149, caput, da CF/88, pode instituir uma contribuição para o
custeio dos conselhos de fiscalização e regulamentação de categorias
profissionais (contribuições corporativas), e delegar a atribuição de
arrecadação do tributo ao próprio conselho - CRM ou CRA, por exemplo.

No mesmo sentido, o art. 153, § 4º, III, da CF/88 permite que os


Municípios fiscalizem e cobrem o Imposto Territorial Rural (ITR). A união
detém a competência para instituir o referido imposto (vamos estudar esse
imposto ainda nessa aula), mas pode repassar, mediante lei, a capacidade
ativa para os Municípios que assim optarem.

Podemos dizer então que a capacidade tributária ativa é a aptidão


para que a pessoa jurídica seja inserida no pólo ativo (ou sujeito ativo)
da relação jurídica constituída com a ocorrência do fato gerador. Em
outras palavras, trata-se do poder de exigir o tributo. Tal atribuição, nos
termos do art. 119 CTN, só pode ser realizada por pessoa jurídica de direito
público.

Alguns autores dissertam de modo contrário, no sentido da possibilidade


de que a capacidade tributária ativa pode ser delegada a pessoas jurídicas de
direito privado. É temerário adotar essa posição em provas de concurso, pois a
tendência das bancas é adotar o que foi estabelecido no CTN!

Apenas atente para uma possível cobrança literal da seguinte súmula do


STJ:

Súmula STJ 396 - A Confederação Nacional da Agricultura tem legitimidade


ativa para a cobrança da contribuição sindical rural.

Não vamos desperdiçar nosso tempo divagando sobre o assunto. O que


importa é marcar o “X” no lugar certo!

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Essas prerrogativas são também repassadas à pessoa jurídica responsável pela


cobrança dos tributos.

O § 2º, por seu turno, estabelece que a capacidade ativa pode ser
revogada a qualquer tempo por ato unilateral do ente tributante. Ou
seja, se há discricionariedade na delegação de tais atribuições, também haverá
para a respectiva revogação.

Por último, o § 3º esclarece que não se confunde com capacidade ativa o


cometimento a pessoas jurídicas de direito privado o encargo ou função de
arrecadar tributos. Entenda-se, neste caso, o mero recebimento do valor e
o seu posterior repasse ao ente instituidor.

Para ficar claro, tomemos como exemplo os bancos: são instituições


financeiras que podem celebrar contrato com o poder público (União, por
exemplo) para receber os tributos e repassá-los posteriormente aos cofres
públicos.

Diferentemente, a capacidade tributária ativa inclui o poder de


fiscalização do cumprimento das obrigações tributárias e cobrança dos tributos
devidos.

Pessoa jurídica de direito privado pode receber os


tributos, não se confundindo com a capacidade
tributária.

Para o completo entendimento do assunto, é importante que você tenha


em mente a delegação das atividades de fiscalização e cobrança
(capacidade ativa) não confere necessariamente à pessoa jurídica
delegatária a disponibilidade dos recursos arrecadados. Ou seja, via de
regra, deve-se arrecadar os tributos e repassá-los ao ente competente.

Quando, por outro lado, lei que instituiu o tributo nomeia outra pessoa
jurídica para ser sujeito ativo (capaz de cobrar os tributos) e destina-lhe os
recursos arrecadados, estamos diante do fenômeno da parafiscalidade.

Entendido?

2. A competência tributária é imprescritível

O não exercício da competência tributária, nos termos do art. 8º do CTN,


não a defere a pessoa jurídica de direito público diversa daquela a que a
Constituição a tenha atribuído.

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Nesse sentido, a imprescritibilidade (ou incaducabilidade, como alguns


denominam) traduz-se no fato de que a competência tributária pode ser
exercida a qualquer tempo pelo ente que a detém.

Ainda que não seja exercida, não há possibilidade de que outra pessoa
política institua tal tributo.

3. A competência tributária é inalterável

Essa característica representa a inalterabilidade da competência


tributária pelo ente federado.

Nesse sentido, os Municípios, por exemplo, encontram-se impedidos de


aumentar a sua competência tributária, prevendo, por meio de lei
infraconstitucional, um novo imposto.

DICA DE PROVA: Não caia em “pegadinhas” de prova, dizendo que é possível


alterar competência tributária, por meio de reforma à Lei Orgânica do
Município ou mesmo por alteração na Constituição Estadual. Apenas reforma
à CF/88 torna possível alteração de competência tributária.

Sobre a dica acima, lembre-se de que uma das cláusulas pétreas


(prevista no art. 60, § 4º, I, da CF/88) é a proteção do pacto federativo.
Portanto, não seria possível nem mesmo uma reforma constitucional, caso seja
tendente a abolir a autonomia financeira de algum ente federado.

Nada impede que haja reforma constitucional (por meio


de emenda à Constituição), alterando a competência
tributária dos entes federados.

4. A competência tributária é irrenunciável

Do mesmo modo que a competência tributária é inalterável pelo ente


federado, pode-se dizer que também é irrenunciável, pois o ente federado não
pode renunciar algo que foi previsto na Constituição Federal.

Em que pese essa característica, o exercício da competência tributária é


facultativo, como se passa a demonstrar no tópico subsequente.

5. A competência tributária é facultativa

A doutrina majoritária considera o exercício da competência tributária


uma facultatividade de cada ente federado. Ou seja, a CF/88 prevê a
competência tributária, e os entes decidem, por critérios de conveniência
política, se será ou não instituído o tributo.

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Uma vez instituído o tributo, sua cobrança é vinculada


e obrigatória, pois isso compõe o próprio conceito de
tributo, visto na aula inicial do nosso curso!

Nesse contexto, vejamos o que diz o art. 11 da Lei de Responsabilidade


Fiscal (LC 101/99):

Art. 11. Constituem requisitos essenciais da responsabilidade na


gestão fiscal a instituição, previsão e efetiva arrecadação de
todos os tributos da competência constitucional do ente da
Federação.

Parágrafo único. É vedada a realização de transferências


voluntárias para o ente que não observe o disposto no caput, no
que se refere aos impostos.

Repare, na leitura do parágrafo único, que a norma prevê uma sanção


aos entes que não instituírem todos os impostos de sua competência, previstos
na CF/88.

O dispositivo da LRF foi inserido em nossa aula apenas para que você
tenha conhecimento de que ele existe e pode vir a ser cobrado em prova.
Sendo assim, grave que a sanção só existe se não forem instituídos todos os
IMPOSTOS.

Ainda assim, caso uma questão mencione que a competência tributária é


facultativa, sem citar a LRF, você deve marcar “correto”! Tudo bem?

A título de exemplo sobre a facultatividade do exercício da competência


tributária, citemos o Imposto sobre Grandes Fortunas – IGF – previsto no
art. 153, VII, que até hoje não foi instituído.

1.2 - Classificação da Competência Tributária

Aprendemos que a competência tributária é o poder conferido pela


Constituição Federal aos entes federados para instituir tributos, sempre por
meio de lei.

Vimos também algumas características inerentes ao conceito de


competência tributária, e que o seu exercício é facultativo, haja vista que a CF
apenas estipula quais tributos podem ser instituídos, mas a edição da lei
instituidora é critério político do ente.

Nesse momento, portanto, a pergunta que se faz é: “Quais tributos


podem ser instituídos pela União ou pelos Municípios, por exemplo? E quais
tributos os Estados e o DF são competentes para instituir?”

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Estudaremos, nos tópicos a seguir que a competência tributária pode ser


classificada em: privativa, comum, cumulativa, residual e extraordinária.

1.2.1 – Competência Privativa

Primeiramente, cabe ressaltar que a competência tributária privativa diz


respeito àqueles tributos cuja instituição somente pode ser feita por
determinado ente político. Por exemplo, o Imposto sobre Produtos
Industrializados, como será visto ainda nesta aula, pode ser instituído apenas
pela União.

No Direito Constitucional, você aprende que a


competência privativa pode ser delegada, ao contrário da
exclusiva. Contudo, em Direito Tributário, a
competência tributária privativa é indelegável
(como vimos, é característica intrínseca da competência
tributária a indelegabilidade).

Os tributos que possuem, por excelência, competência privativa são os


impostos. Nesse contexto, a CF/88 definiu quais seriam os impostos federais,
estaduais e distritais e municipais.

O art. 153 da CF/88 determina quais são impostos que ficaram sob a
competência da União, quais sejam:

 Imposto sobre importação de produtos estrangeiros (II);


 Imposto sobre exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou
nacionalizados (IE);
 Imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza (IR);
 Imposto sobre produtos industrializados (IPI);
 Imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos
ou valores mobiliários (IOF);
 Imposto sobre propriedade territorial rural (ITR);
 Imposto sobre grandes fortunas (IGF).

Aos Estados e Distrito Federal, a competência relativa aos impostos foi


prevista no art. 155, sendo eles os seguintes:

 Imposto sobre transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou


direitos (ITCMD);
 Imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre
prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de
comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior
(ICMS);
 Imposto sobre propriedade de veículos automotores (IPVA).

Por último, cabe aos Municípios e ao Distrito Federal instituir, com base
nos preceitos do art. 156 da CF/88 os seguintes impostos:

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 Imposto sobre propriedade predial e territorial urbana (IPTU);


 Imposto sobre transmissão "inter vivos", a qualquer título, por ato oneroso,
de bens imóveis, por natureza ou acessão física, e de direitos reais sobre
imóveis, exceto os de garantia, bem como cessão de direitos a sua
aquisição (ITBI);
 Imposto sobre serviços de qualquer natureza (ISS).

Antes que você me pergunte, já adianto: não é somente a espécie


tributária “impostos” que está submetida à competência privativa. Cabe
privativamente à União a instituição dos empréstimos compulsórios.

Ademais, em regra, as contribuições especiais (art. 149, caput, da


CF/88) também são de competência privativa da União.

Alguns autores classificam a competência para instituir


empréstimos compulsórios e contribuições especiais
como competência especial!

Repare que eu fiz questão de grifar “em regra”, pois há exceções!

Ao interpretar o § 1º do art. 149, da CF, percebe-se que apesar de a


regra ser a instituição de contribuições especiais pela União, os Estados, o
Distrito Federal e os Municípios possuem competência privativa para instituir
as contribuições sociais para custeio do Sistema de Previdência e
Assistência Social de seus próprios servidores.

Há que se destacar que a competência é privativa no âmbito de


cada ente. Assim, o Estado de Minas Gerais tem competência privativa para
instituir as contribuições sociais para o custeio do seu Sistema de Previdência.
Contudo, não o tem para instituir contribuições sociais para a Previdência do
Município de Pouso Alegre, por exemplo, sendo esta privativa desse Município.

Além da competência acima citada, o Distrito Federal e os Municípios (os


Estados não estão incluídos nesse rol!) possuem competência privativa
para instituir a Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública
(COSIP), com base no art. 149-A, da CF/88.

Em síntese, a competência privativa, em regra, diz respeito aos


impostos. Contudo, devemos nos lembrar que a competência para instituir
empréstimos compulsórios (E.C.) e contribuições especiais é da União,
ressalvada, no último caso, a possibilidade de os Estados, DF e Municípios
instituírem seu regime próprio de previdência bem como a competência
privativa do DF e Municípios para instituir a COSIP. Entendido?

1.2.2 – Competência Comum

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A competência comum diz respeito aos tributos vinculados, que, como já


estudamos, são tributos cujo fato gerador é uma atividade estatal relativa ao
contribuinte. Você se lembra de quais tributos estamos nos referindo? É isso
mesmo: taxas e contribuições de melhoria.

Denomina-se competência comum, pois todos os entes federados podem


instituir tais tributos, respeitadas, por óbvio, as atribuições de cada ente,
definidas na Constituição Federal. Para uma prova de Direito Tributário, você
não precisa saber nada mais do que isso!

Nesse rumo, caso o Estado do Rio de Janeiro preste serviço público


específico e divisível, é possível instituir uma taxa estadual para custear o
referido serviço público. Do mesmo modo, se o Município de Juiz de Fora
realizar uma obra pública da qual decorra valorização imobiliária, torna-se
possível a instituição de uma contribuição de melhoria municipal.

1.2.3 – Competência Cumulativa

A competência cumulativa foi prevista no art. 147 da CF/88, nos


seguintes termos:

Art. 147. Competem à União, em Território Federal, os impostos


estaduais e, se o Território não for dividido em Municípios,
cumulativamente, os impostos municipais; ao Distrito Federal
cabem os impostos municipais.

Cabe destacar que os territórios federais não são entes federados, sendo
considerados apenas descentralizações administrativo-territoriais pertencentes
à União. Sendo assim, não dispõem de autonomia política e,
consequentemente, não possuem competência tributária própria.

Contudo, conforme preceitua o § 1º do art. 33, da CF/88, os territórios


federais podem ou não ser divididos em Municípios, gozando estes de
autonomia política.

A referida divisão em Municípios reflete sobre a competência tributária


da União, isto é, se os territórios federais não forem divididos em Municípios,
compete à União os impostos estaduais e municipais. Havendo, por outro lado,
a citada divisão, competirá à União apenas os impostos estaduais, já que os
Municípios deterão a competência para instituir os seus próprios impostos
municipais.

Embora o texto constitucional mencione apenas


“impostos”, guarde que tal disposição diz respeito
também aos demais tributos.

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Tal competência está prevista no art. 154, II, da CF/88, cuja redação é a
seguinte:

Art. 154. A União poderá instituir:

II - na iminência ou no caso de guerra externa, impostos


extraordinários, compreendidos ou não em sua competência
tributária, os quais serão suprimidos, gradativamente, cessadas
as causas de sua criação.

Trata-se, portanto, da competência que a União possui para instituir o


Imposto Extraordinário de Guerra – IEG.

Cabe fazer algumas observações acerca do exercício de tal competência.


Inicialmente, você deve saber que tal imposto pode ser instituído por lei
ordinária ou mesmo por medida provisória, pois não foi feita nenhuma
reserva à lei complementar.

Na dicção do CTN (art. 76), o IEG é temporário, devendo ser


suprimido em até 5 anos, contados da celebração da paz.

É importante lembrar também que não há restrição quanto à não


cumulatividade, ou seja, o IEG pode ser cumulativo.

Outro detalhe a ser ressaltado é o de que o fato gerador do IEG não


pode ser a guerra (não faz o menor sentido), mas sim um fato econômico
relacionado ao contribuinte. Sobre esse fato, o legislador constituinte conferiu
ampla discricionariedade para sua definição, conforme se nota na expressão
“compreendidos ou não em sua competência tributária”.

A instituição do IEG somente se faz possível em situação


de guerra externa ou sua iminência. Não há,
portanto, como instituir o imposto mediante uma guerra
interna (guerra civil).

Com efeito, a União poderia instituir o IEG, tendo o mesmo fato gerador
de outro imposto de sua competência ou mesmo da competência dos estados,
por exemplo.

Estamos, então, diante de uma permissão constitucional para que haja


bitributação ou bis in idem.

Muito provavelmente você deve ter ficado curioso para saber o


significado de tais conceitos, correto?

Veremos isso no tópico a seguir. Antes disso, vamos esquematizar em


uma tabela o que vimos até o momento:

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A bitributação, por outro lado, ocorre quando mais de um ente


federado tributa o mesmo fato gerador. Em regra, nesse caso, percebe-se
que há invasão de competência tributária, pois a CF/88 traçou os limites
da competência de cada ente.

Um exemplo claro de bitributação seria a instituição, por parte de um


município, de uma alíquota adicional sobre o IPVA, a ser cobrado dos veículos
registrados em sua circunscrição. Note, pois, que isso é vedado, já que a
competência para se instituir imposto sobre propriedade de veículos
automotores cabe apenas aos Estados e ao Distrito Federal.

Entretanto, existem situações excepcionais em que se permite haver


bitributação. É o caso do IEG, cuja própria redação constitucional permite que
o imposto criado seja compreendido ou não na competência tributária da
União.

Com base em tal autorização, é possível que a União crie o ICMS-


Extraordinário, a incidir sobre os mesmos fatos geradores do referido imposto
estadual. Sendo o ICMS tributo de competência originalmente estadual,
teríamos um caso típico de bitributação (tributação pela União e pelos
Estados).

Embora estejamos tratando, neste momento, do estudo da bitributação,


chama-nos a atenção o fato de que os impostos extraordinários de guerra
podem ser compreendidos ou não na competência tributária da União.
Quando não compreendidos em sua competência, teríamos um exemplo de
bitributação, conforme já explicado no parágrafo antecedente.

Todavia, se a União institui IEG utilizando fato gerador compreendido em


sua competência tributária, teríamos uma hipótese de bis in idem, e não
bitributação, você concorda? Ora, se a União institui o IR-Extraordinário,
teríamos duas incidências (IR comum e IR-Extraordinário) de tributos federais
sobre o mesmo fato gerador. Logo, a situação aventada se amoldaria no
conceito de bis in idem.

Instituição de IEG compreendido na competência da


União: bis in idem.

Instituição de IEG não compreendido na competência


da União: bitributação.

Outra situação em que a bitributação não é vedada é a dupla


tributação internacional da renda. Imagine a seguinte situação:
determinado cidadão residente no exterior aufere rendimentos de aluguéis de
imóveis situados no Brasil. Dessa forma, embora não seja residente no Brasil,
a fonte de seus rendimentos está localizada no território nacional.
Nesse caso, a legislação do IR impõe que tais rendimentos sejam tributados.

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2 – CONHECIMENTOS BÁSICOS PARA O ESTUDO DOS IMPOSTOS

Antes de entrarmos no estudo propriamente dito dos impostos, é


necessário que tenhamos algumas noções básicas para o completo
entendimento do assunto.

Você pode até já dominar o que vamos falar a seguir, mas sempre “vou
bater na tecla” com os conceitos básicos, para que o aluno consiga
acompanhar o ritmo do curso sem deixar “pendências”. Afinal de contas, você
está fazendo um curso – e um curso muito completo -, e não lendo um livro,
correto?

Portanto, iremos retornar com a mesma estória contada na Aula 1, com


alguns acréscimos. Vamos lá!

Quando uma lei institui um tributo, prevê-se na norma um fato que,


ocorrido, faz surgir o vínculo entre o contribuinte e o fisco. Essa previsão na
norma denomina-se hipótese de incidência. Ao fato ocorrido no mundo real,
chamamos de fato gerador. Por fim, é chamada de obrigação tributária a
relação jurídica constituída entre o fisco e o contribuinte, quando da ocorrência
do fato gerador.

Contudo, embora exista uma obrigação do contribuinte para com o fisco,


esta ainda não pode ser exigida, pois é imprescindível que haja um
procedimento oficial para definir, a grosso modo, o valor exato a ser pago e
por quem deverá ser pago. Esse procedimento é denominado lançamento. É
com o lançamento que se constitui o crédito tributário, em favor do
fisco.

O lançamento é realizado privativamente pela autoridade fiscal.


Contudo, a lei pode exigir, em alguns casos, a participação do contribuinte.
Quando o lançamento é realizado unicamente pela autoridade, denominamos
lançamento de ofício.

Há também situações em que o contribuinte fica obrigado a prestar


declarações que subsidiem a autoridade administrativa a realizar o
lançamento, hipótese que caracteriza o lançamento por declaração.

Por último, no lançamento por homologação, o contribuinte realiza


quase todas as atividades, inclusive realizando o pagamento antecipado,
cabendo à autoridade a posterior conferência, realizando a homologação.

Ante o exposto, repare que há três modalidades de lançamento


previstas no CTN. Por ora, é importante que você grave apenas isso, pois
será visto com maiores detalhes em outra aula. A título de complemento, leia o
art. 142 do CTN.

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da mercadoria em território nacional, ele apenas se aperfeiçoa com o


registro da Declaração de Importação no caso de regime comum e,
nos termos precisos do parágrafo único, do artigo 1º, do Decreto-Lei nº
37/66, "com a entrada no território nacional a mercadoria que contar como
tendo sido importada e cuja a falta seja apurada pela autoridade aduaneira".

(STJ, REsp 362.910/PR, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, Julgamento
em 16/04/2002)

Não caia em pegadinhas, dizendo que se aplica alíquota


de II vigente na data da celebração do contrato de
compra e venda de mercadoria ou na data de embarque
delas. O fato gerador é a entrada no território
nacional!

“Mas e as mercadorias importadas temporariamente”?

Na Legislação Aduaneira, há um regime aduaneiro especial denominado


admissão temporária que rege essa forma de importação. As mercadorias
entram temporariamente, amparadas por um regime aduaneiro que suspende
o pagamento dos tributos devidos, durante o período em que permanecem
no território nacional.

Um exemplo clássico da ocorrência desse regime é a importação de bens


para exposição temporária em eventos. A respeito dos efeitos tributários
sobre essa importação temporária, a ESAF, em 2009, já chegou a entender
que não ocorre fato gerador do II na entrada de mercadorias
temporariamente para exposições.

Para a ESAF, não ocorre fato gerador quando o bem


entra no território nacional, amparado por regime
suspensivo de tributação (regime aduaneiro especial de
admissão temporária).

Não faz sentido nos aprofundarmos mais do que isso nas hipóteses de
ocorrência do fato gerador, pois nosso curso é Direito Tributário, e não
Legislação Aduaneira, ok?

3.1.2 – Base de Cálculo e Alíquotas

No que se refere à base de cálculo do II, vejamos o que diz o art. 20 do CTN:

Art. 20. A base de cálculo do imposto é:

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I - quando a alíquota seja específica, a unidade de medida adotada


pela lei tributária;

II - quando a alíquota seja ad valorem, o preço normal que o produto,


ou seu similar, alcançaria, ao tempo da importação, em uma venda em
condições de livre concorrência, para entrega no porto ou lugar de
entrada do produto no País;

III - quando se trate de produto apreendido ou abandonado, levado a


leilão, o preço da arrematação.

Assim, quando a alíquota aplicável à mercadoria importada for


específica, a base de cálculo será a unidade de medida (Kg, ton, m³ etc.)
adotada pela lei tributária.

De outra banda, se a alíquota for ad valorem, a base de cálculo será o


preço normal, atualmente entendido como o valor aduaneiro (valor real,
e não o declarado pelo importador), apurado conforme as regras do Acordo
Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio – GATT (tratado internacional do
qual o Brasil é signatário).

Em se tratando de produto de produto apreendido ou abandonado,


levado a leilão, a base de cálculo do II é o preço da arrematação. Embora, na
prática, não haja incidência de II sobre tal hipótese (leilão), é o conceito
teórico que você tem de levar para a sua prova, colega concurseiro (a)!!!

A respeito das alíquotas do II, é importante saber que elas estão


fixadas na Tarifa Externa Comum (TEC), que é uma tabela que contém
milhares de produtos e mercadorias relacionadas ao seu respectivo código (de
oito dígitos) e associadas a uma determinada alíquota.

Portanto, quando o importador preenche sua Declaração de Importação


(documento base do despacho de importação), ele deve informar o código da
mercadoria que está trazendo para o País, seguindo regras específicas para
classificação. Novamente, eu alerto: você não precisa saber nada mais do
que isso para fazer uma prova de Direito Tributário.

Quando o CTN estabelece, em seu art. 21, que tanto a


base de cálculo como as alíquotas do II podem ser
alteradas sem necessidade de lei, entenda-se que
apenas as alíquotas possuem tal flexibilidade.

O mesmo raciocínio serve para o IE (art. 26) e IOF


(art. 65)!

Por fim, ressalte-se que a competência para alteração das alíquotas


tanto do II como do IE não são privativas do Presidente da República.
Ou seja, é possível outorgar essa competência à Câmara de Comércio

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Exterior (CAMEX). Trata-se de entendimento pacífico no âmbito do STF (RE


570.680/RS).

3.1.3 - Contribuintes

De acordo com a literalidade do art. 22 do CTN, os contribuintes do II


são os seguintes:

Art. 22. Contribuinte do imposto é:

I - o importador ou quem a lei a ele equiparar;

II - o arrematante de produtos apreendidos ou abandonados.

Quem seriam os equiparados ao importador? O Decreto-Lei 37/1966 nos


responde:

Art.31 - É contribuinte do imposto:

I - o importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a


entrada de mercadoria estrangeira no Território Nacional;

II - o destinatário de remessa postal internacional indicado pelo


respectivo remetente;

III - o adquirente de mercadoria entrepostada.

Conforme eu já havia dito, a arrematação não constitui, na prática, fato


gerador do imposto. Por esse motivo, o arrematante não foi eleito como
contribuinte do imposto no DL 37/66. Ok?

Em provas de Direito Tributário, normalmente as


questões cobram o disposto no CTN. Por isso, recomendo
memorizar o que consta em seus arts. 20 e 22!

3.1.4 - Lançamento

O lançamento do II ocorre por homologação. Conforme aprendemos,


trata-se de modalidade em que a participação do contribuinte é essencial para
a arrecadação do tributo.

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II - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os


acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior.

É importante que saibamos diferenciar a disponibilidade econômica e a


jurídica:

 Disponibilidade Jurídica: ocorre quando se tem direito a um crédito, não


sujeito a alguma condição, ou seja, um direito que seja certo.

 Disponibilidade Econômica: ocorre quando se obtém dinheiro em espécie


(ou crédito em conta) ou bens nele conversíveis.

Em qualquer uma das disponibilidades, tem-se por


ocorrido o fato gerador do Imposto de Renda, conforme
art. 43, caput, do CTN.

Além disso, precisamos também ter uma noção dos conceitos de renda e
proventos de qualquer natureza, já que esses são os dois pressupostos de
incidência do IR.

Nos dizeres do CTN, o conceito de renda pode ser entendido como


produto do capital, do trabalho ou da combinação do trabalho e do capital.
Vamos exemplificar:

Produto do capital  João é acionista de uma grande empresa e recebe


dividendos, decorrentes do lucro auferido por esta. Trata-se de produto do
capital, do dinheiro por ele investido na sociedade.

Produto do trabalho  José é empregado de um posto de gasolina. Ao final


do mês, recebe o produto do seu trabalho, ou seja, seu salário.

Combinação de produto do capital com produto do trabalho  Pedro


montou uma lanchonete, onde exerce a função de sócio e administrador. Ao
final do mês, ele recebe rendimentos decorrentes do seu trabalho e do seu
capital nela investido.

Acredito que com os exemplos acima, não restou dúvida nenhuma sobre
o conceito de renda. Entretanto, o que vem a ser provento?

Trata-se de acréscimo patrimonial que não esteja compreendido no


conceito de renda, que é o produto do trabalho ou capital. Imagino que você
queira mais um exemplo, certo? Vamos lá:

Se você ganhar na Mega-Sena, você vai receber um provento, pois não o


prêmio de loteria não decorre do produto do seu trabalho (você nem “suou”

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para consegui-lo, certo?) nem do produto do seu capital. Além disso,


podemos citar também os ganhos de capitais verificados na alienação
de bens, bem com os acréscimos patrimoniais cuja origem não pode
ser comprovada pelo sujeito passivo.

Finalizando o estudo do fato gerador do IR, o CTN assevera nos §§ 1º e


2º do art. 43 o seguinte:

§ 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou


do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da
fonte, da origem e da forma de percepção.

§ 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei


estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua
disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste
artigo.

Note a coerência desses dispositivos com os critérios da generalidade e


da universalidade. O objetivo do legislador foi exatamente incluir no
âmbito da incidência do IR as pessoas e os rendimentos que poderiam
“escapar” da tributação. É o caso, por exemplo, dos rendimentos auferidos
no exterior por pessoas domiciliadas no Brasil.

3.3.2 – Base de Cálculo

Em relação à base de cálculo do IR, o CTN prevê que “é o montante,


real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis”.

Nesse ponto, é válido destacar que o CTN apenas discriminou a base de


cálculo aplicável ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas. No entanto, como
é sabido, tal imposto incide também sobre os rendimentos auferidos pelas
pessoas físicas.

Como nossa aula não é sobre legislação tributária, você não vai precisar
guardar nada além do que foi exposto acima (real, arbitrado ou
presumido).

3.3.3 – Contribuintes

No tocante à sujeição passiva, segue a redação do art. 45 do CTN:

Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que


se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição
ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou
dos proventos tributáveis.

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Como temos feito com os demais impostos estudados, vejamos algumas


características de índole constitucional acerca do IPI, para depois estudarmos
especificamente os seus fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes, ok?

No que se refere aos princípios aplicáveis, não obstante seja exceção ao


princípio da anterioridade do exercício, sujeita-se ao princípio da noventena.
Ou seja, qualquer majoração do IPI somente produz efeitos 90 dias após a
publicação do decreto (lembre-se de que a majoração do IPI também constitui
exceção ao princípio da legalidade).

Além disso, a Carta Magna também estabeleceu no art. 153, § 3º, da


CF/88, os seguintes regramentos para o IPI:

§ 3º - O imposto previsto no inciso IV:

I - será seletivo, em função da essencialidade do produto;

II - será não-cumulativo, compensando-se o que for devido em


cada operação com o montante cobrado nas anteriores;

III - não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao


exterior.

IV - terá reduzido seu impacto sobre a aquisição de bens de


capital pelo contribuinte do imposto, na forma da lei.

Primeiramente, temos que saber que o IPI será necessariamente


seletivo. Ou seja, não há escolha por parte do legislador ordinário. Mas o que
vem a ser a seletividade?

A seletividade é a graduação das alíquotas do imposto conforme


a essencialidade dos produtos tributos. Ou seja, produtos essenciais
recebem tributação inferior aos produtos supérfluos. Logo, o arroz será
tributado com alíquota inferior aos brinquedos, por exemplo.

A não cumulatividade, por sua vez, diz respeito à possibilidade de se


compensar o imposto devido nas etapas anteriores de uma cadeia de produção
com o montante devido nas operações subseqüentes, constituindo o
mecanismo de débitos e créditos. Esse conceito já deve ser familiar, certo?
Imagino que sim, pois já o explicamos nesta aula.

O IPI deve ser seletivo e não cumulativo!

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Sobre o princípio da não cumulatividade, obrigatório ao IPI, o STF já


decidiu que não há o aproveitamento de crédito quando os insumos
sejam desonerados (isento, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis), na
fabricação de bens tributados:

"Ementa: (...) 2. O princípio da não-cumulatividade é alicerçado


especialmente sobre o direito à compensação, o que significa que o valor a
ser pago na operação posterior sofre a diminuição do que pago
anteriormente, pressupondo, portanto, dupla incidência tributária. Assim, se
nada foi pago na entrada do produto, nada há a ser compensado. 3. O
aproveitamento dos créditos do IPI não se caracteriza quando a
matéria-prima utilizada na fabricação de produtos tributados reste
desonerada, sejam os insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou
não tributáveis. Isso porque a compensação com o montante devido na
operação subsequente pressupõe, necessariamente, a existência de crédito
gerado na operação anterior, o que não ocorre nas hipóteses exoneratórias."

(STF, 592.917-AgR/RJ, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, Julgamento em


31/05/2011)

Se nada foi cobrado a título de IPI na entrada dos


insumos, não há direito a crédito de IPI, relativo a essa
aquisição. Guarde isso!

“Mas e quando as saídas que forem desoneradas, professor?” Excelente


pergunta! Vejamos o que diz o STF:

"CREDITAMENTO DO IPI. PRINCÍPIO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO


DE MATÉRIA-PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAL DE
EMBALAGEM DESTINADOS À INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS
OU SUJEITOS AO REGIME DE ALÍQUOTA ZERO. LEI 9.779/99. NOVEL
JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. O direito ao
crédito de IPI, fundado no princípio da não-cumulatividade, decorrente da
aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de
embalagem utilizados na fabricação de produtos isentos ou sujeitos
ao regime de alíquota zero, exsurgiu apenas com a vigência da Lei
9.779/99 (...)"

(STJ, REsp 860.369/PE, Primeira Seção, Min. Rel. Luiz Fux, Julgamento em
25/11/2009)

O direito ao crédito do IPI quando da industrialização de produtos


isentos ou sujeitos a alíquota zero somente passou a existir após a
vigência da Lei 9.779/99. Perceba que o STJ se posicionou na mesma linha

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III - a sua arrematação, quando apreendido ou abandonado e levado a


leilão.
Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considera-se
industrializado o produto que tenha sido submetido a qualquer
operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou o
aperfeiçoe para o consumo.

De modo sucinto, são três os fatos geradores do IPI: o desembaraço


aduaneiro, caso o produto seja de procedência estrangeira (I); a saída do
produto industrializado do estabelecimento industrial ou equiparado a
industrial (II); e a arrematação, quando apreendido ou abandonado e levado
a leilão (III).

De acordo com a legislação do IPI, o importador, ao revender os


produtos importados do exterior, se submete a duas incidências do imposto:
uma na importação, com o desembaraço aduaneiro; outra na revenda de tais
produtos, com a saída deles do estabelecimento do importador.

A lógica da segunda incidência consiste na equiparação do


estabelecimento importador a industrial, tornando-se contribuinte do IPI pela
segunda vez. Afinal, podem ser contribuintes do IPI não só o estabelecimento
industrial, mas também os que a lei a este equiparar. Desse modo, o STJ vinha
considerando tal incidência legítima.

Contudo, em junho de 2014, o STJ teve a oportunidade de apreciar


novamente o tema, resultando na seguinte ementa:

TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. SAÍDA DO


ESTABELECIMENTO IMPORTADOR.

A norma do parágrafo único constitui a essência do fato gerador do imposto


sobre produtos industrializados. A teor dela, o tributo não incide sobre o
acréscimo embutido em cada um dos estágios da circulação de produtos
industrializados. Recai apenas sobre o montante que, na operação
tributada, tenha resultado da industrialização, assim considerada
qualquer operação que importe na alteração da natureza,
funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto,
ressalvadas as exceções legais. De outro modo, coincidiriam os fatos
geradores do imposto sobre produtos industrializados e do imposto
sobre circulação de mercadorias.

Consequentemente, os incisos I e II do caput são excludentes, salvo se,


entre o desembaraço aduaneiro e a saída do estabelecimento do importador,
o produto tiver sido objeto de uma das formas de industrialização.

Embargos de divergência conhecidos e providos.

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3.5 - Imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou


relativas a títulos ou valores mobiliários (IOF)

O Imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a


títulos ou valores mobiliários, também conhecido por IOF, é mais um tributo
eminentemente extrafiscal, pelo fato de ser utilizado para como
instrumento de política monetária.

Além da incidência do imposto sobre as operações de crédito, câmbio e


seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários, o IOF também incide
sobre o ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou
instrumento cambial.

O art. 153, § 4º, da CF/88, estabelece que sobre o ouro


ativo financeiro sujeita-se a incidência exclusiva do
IOF.

Neste caso específico, o ouro somente se submete à incidência do IOF,


devido na operação de origem, e a alíquota, por seu turno, é de no
mínimo 1%.

Nessa esteira, o STF (RE 190.363) já entendeu inconstitucional o


dispositivo legal que previa a incidência do IOF sobre a “transmissão” do ouro
definido pela legislação como ativo financeiro, tendo em vista que a
incidência apenas pode se dar na operação de origem.

Ainda no que se refere à incidência do IOF sobre o ouro, é interessante


destacar os entes que receberão os recursos arrecadados:

 30% para o Estado, Distrito Federal ou o Território, conforme a origem.


 70% para o Município de origem.

Destaque-se que não há incidência do IOF sobre saques efetuados em


caderneta de poupança:

Súmula STF 664 - É inconstitucional o inciso V do art. 1º da Lei 8.033/90,


que instituiu a incidência do imposto nas operações de crédito, câmbio e
seguros - IOF sobre saques efetuados em caderneta de poupança.

Vejamos mais uma jurisprudência sobre o IOF:

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seguros - IOF sobre saques efetuados em caderneta de poupança.

3.5.2 – Base de Cálculo

Para cada fato gerador previsto no tópico acima, o legislador do CTN


previu uma base de cálculo específica. Senão, vejamos:

Art. 64. A base de cálculo do imposto é:

I - quanto às operações de crédito, o montante da obrigação,


compreendendo o principal e os juros;

II - quanto às operações de câmbio, o respectivo montante em


moeda nacional, recebido, entregue ou posto à disposição;

III - quanto às operações de seguro, o montante do prêmio;

IV - quanto às operações relativas a títulos e valores mobiliários:

a) na emissão, o valor nominal mais o ágio, se houver;

b) na transmissão, o preço ou o valor nominal, ou o valor da


cotação em Bolsa, como determinar a lei;

c) no pagamento ou resgate, o preço.

Como as operações de créditos podem ser entendidas, em resumo, como


financiamentos, o IOF incide sobre o valor total, ou seja, principal e os juros.
Nas operações de câmbio, é o valor recebido ou posto à disposição. No tocante
às operações de seguro, é o valor do prêmio.

Para finalizar, quando se tratar de operações relativas a títulos e valores


mobiliários, lembre-se de que na emissão pode haver ágio, sendo este incluído
na base de cálculo do IOF. Posteriormente, na transmissão dos títulos, o
imposto incide sobre o valor nominal ou cotação em bolsa, conforme a lei
determinar. Quando ao pagamento ou resgate, a base de cálculo será o
respectivo preço.

3.5.3 – Contribuintes

No caso específico do IOF, o CTN permitiu que a lei instituidora do


imposto previsse quem são os contribuintes, podendo ser qualquer das
partes na operação tributada:

Art. 66. Contribuinte do imposto é qualquer das partes na operação


tributada, como dispuser a lei.

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Por curiosidade, vou falar aqui o conceito que a lei definiu como pequena
gleba. Contudo, não será necessário memorizar isso, apenas ter ciência de
como foi feita tal delimitação.

Vejamos, então, o que diz o art. 2º da Lei 9.393/1996:

Art. 2º Nos termos do art. 153, § 4º, in fine, da Constituição, o imposto


não incide sobre pequenas glebas rurais, quando as explore, só ou com
sua família, o proprietário que não possua outro imóvel.

Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, pequenas glebas rurais são
os imóveis com área igual ou inferior a :

I - 100 ha, se localizado em município compreendido na Amazônia


Ocidental ou no Pantanal mato-grossense e sul-mato-grossense;

II - 50 ha, se localizado em município compreendido no Polígono das


Secas ou na Amazônia Oriental;

III - 30 ha, se localizado em qualquer outro município.

Percebe-se, portanto, que o critério varia conforme a região do país


em que se encontra localizada a propriedade rural.

Antes de entrarmos no estudo do fato gerador do ITR, eu gostaria que


você também soubesse que o imposto pode ser fiscalizado e cobrado pelos
Municípios que assim optarem, na forma da lei, desde que não implique
redução do imposto ou qualquer outra forma de renúncia fiscal,
conforme previsão no art. 153, § 4º, III, da CF/88.

Opa! O que acontece nesse caso? Isso mesmo:


delegação da capacidade tributária ativa! Lembre-
se de que a competência tributária continue sendo
da União.

Caso os Municípios optem por fiscalizar e arrecadar o ITR,


receberão a totalidade do que foi arrecadado. Caso não optem por
assumir a sujeição ativa, recebem “apenas” 50% do montante
arrecadado, relativamente aos imóveis neles situados. Não se preocupe, pois
a repartição constitucional é assunto para outra aula.

3.6.1 – Fato Gerador

O fato gerador do ITR, nos termos do art. 29 do CTN, é o seguinte:

Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade


territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil

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ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil,


localização fora da zona urbana do Município.

Inicialmente, o conceito de “imóvel por natureza” traduz-se no solo nu e


o que lhe foi agregado pela própria natureza, como árvores e
vegetação, por exemplo.

Além disso, segundo o CTN, o ITR só vai incidir sobre tais imóveis,
quando localizados fora da zona urbana do Município. Como descobrir se o
imóvel está localizado na zona urbana ou rural?

O próprio CTN traz a definição no art. 32 (que se refere ao IPTU):

Art. 32. O imposto, de competência dos Municípios, sobre a propriedade


predial e territorial urbana tem como fato gerador a propriedade, o
domínio útil ou a posse de bem imóvel por natureza ou por acessão
física, como definido na lei civil, localizado na zona urbana do Município.

§ 1º Para os efeitos deste imposto, entende-se como zona urbana a


definida em lei municipal; observado o requisito mínimo da
existência de melhoramentos indicados em pelo menos 2 (dois)
dos incisos seguintes, construídos ou mantidos pelo Poder Público:

I - meio-fio ou calçamento, com canalização de águas pluviais;

II - abastecimento de água;

III - sistema de esgotos sanitários;

IV - rede de iluminação pública, com ou sem posteamento para


distribuição domiciliar;

V - escola primária ou posto de saúde a uma distância máxima de 3


(três) quilômetros do imóvel considerado.

§ 2º A lei municipal pode considerar urbanas as áreas urbanizáveis, ou


de expansão urbana, constantes de loteamentos aprovados pelos órgãos
competentes, destinados à habitação, à indústria ou ao comércio,
mesmo que localizados fora das zonas definidas nos termos do parágrafo
anterior.

Sendo assim, desde que estejam presentes pelo menos dois dos
requisitos estabelecidos nos incisos do art. 32 do CTN, o imóvel será
considerado urbano, não estando sujeito ao ITR.

A contrario sensu, se não estiverem presentes no mínimo 2 dois


requisitos previstos, incidirá o ITR.

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Um detalhe muito relevante sobre o ITR é a questão da sua


incidência, em vez do IPTU, quando o imóvel for utilizado em
exploração vegetal, agrícola, pecuária ou agroindustrial. Segue a
decisão do STJ:

TRIBUTÁRIO. IPTU. ITR. FATO GERADOR. IMÓVEL SITUADO NA ZONA


URBANA. LOCALIZAÇÃO. DESTINAÇÃO. CTN, ART. 32. DECRETO-LEI N.
57/66. VIGÊNCIA. 1. Ao ser promulgado, o Código Tributário Nacional valeu-
se do critério topográfico para delimitar o fato gerador do Imposto sobre a
Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) e o Imposto sobre a
Propriedade Territorial Rural (ITR): se o imóvel estivesse situado na zona
urbana, incidiria o IPTU; se na zona rural, incidiria o ITR. 2. Antes mesmo
da entrada em vigor do CTN, o Decreto-Lei nº 57/66 alterou esse
critério, estabelecendo estarem sujeitos à incidência do ITR os
imóveis situados na zona rural quando utilizados em exploração
vegetal, agrícola, pecuária ou agroindustrial. 3. A jurisprudência
reconheceu validade ao DL 57/66, o qual, assim como o CTN, passou a ter o
status de lei complementar em face da superveniente Constituição de 1967.
Assim, o critério topográfico previsto no art. 32 do CTN deve ser
analisado em face do comando do art. 15 do DL 57/66, de modo que
não incide o IPTU quando o imóvel situado na zona urbana receber
quaisquer das destinações previstas nesse diploma legal.

(STJ, REsp 492.869/PR, Primeira Turma, Min. Rel. Teori Albino Zavascki,
Julgamento em 15/02/2005)

De acordo com o STJ, se o imóvel tiver as


destinações especificadas no Decreto-lei 57/1966,
incide ITR, ainda que localizado em zona urbana do
município. Contudo, só adote isso na prova, se a
questão requisitar expressamente o entendimento
do STJ!!!

3.6.2 – Base de Cálculo e Alíquotas

O Código Tributário Nacional dispõe o seguinte acerca da base de cálculo


do ITR:

Art. 30. A base do cálculo do imposto é o valor fundiário.

Entende-se por valor fundiário o valor da terra nua. Por


conseguinte, as benfeitorias realizadas, como as construções, não compõem
a base de cálculo do ITR.

Relativamente às alíquotas do ITR, cabe destacar que são


progressivas, segundo o grau de utilização da área rural. Assim, quanto

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d) tiver sido apreendido ou abandonado.


e) for de origem estrangeira e tiver sido submetido ao devido desembaraço
aduaneiro.

Comentário: Um dos possíveis fatos geradores do IPI é a arrematação em


leilão dos produtos apreendidos ou abandonados. Portanto, a alternativa
correta é a Letra D.

Chegamos ao final de mais uma aula!

Um abraço e até a próxima,

Prof. Fábio Dutra


Email: fabiodutra08@gmail.com
Facebook: http://www.facebook.com/FabioDutraFS

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