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INSTITUTO DO EMPREGO E FORMAÇÃO PROFISSIONAL

Delegação Regional do Norte


Centro de Emprego e Formação Profissional do Porto

CURSO: TÉCNICO/A DE AÇÃO EDUCATIVA


UFCD : 9633 - Enquadramento legal na proteção de crianças e jovens

25 Horas

Formadora: Elisabete Lopes


Objetivos:

• Identificar os requisitos legais associados à intervenção com


crianças e jovens.

• Utilizar os mecanismos de apoio e referenciação disponíveis no


sistema nacional de proteção de crianças e jovens em perigo.
Conteúdos:

• Enquadramento legal do sistema nacional de proteção de


crianças e jovens em perigo
• Princípios da intervenção
• Requisitos para a intervenção dos profissionais
• Funcionamento das comissões de proteção de crianças e
jovens e sua competência territorial
• Medidas de promoção e proteção de crianças e jovens
• Mecanismos de apoio, denúncia e referenciação de
situações de perigo
• Mecanismos de apoio e de referenciação
• Linhas telefónicas de ajuda e informação
• Forças de Segurança
• Centros de Saúde
• Núcleos de Apoio à Criança Maltratada e Família
• Comissões de Proteção de Crianças e Jovens

• Referenciação de situações em que a criança ou jovem


se encontra em perigo (como e quando)
Sistema de proteção de
crianças e jovens em perigo

 É um conjunto de respostas integradas de


cuidados e apoio social para crianças e jovens em
situação de perigo.
Objetivos:
 Promover os direitos e proteger as crianças e jovens em perigo
através de respostas vocacionadas:

- para o desenvolvimento pessoal e social da criança e do jovem num


ambiente seguro e familiar que lhes proporcione segurança, saúde,
formação, educação, bem-estar e desenvolvimento integral.
Princípios de Intervenção

Princípios orientadores da intervenção:


Artigo 4º

A intervenção para a promoção dos direitos e proteção da


criança e do jovem em perigo obedece aos seguintes
princípios:
a) Interesse superior da criança e do jovem
A intervenção deve atender prioritariamente aos interesses e
direitos da criança e do jovem, nomeadamente à continuidade
de relações de afeto de qualidade e significativas, sem prejuízo
da consideração que for devida a outros interesses legítimos no
âmbito da pluralidade dos interesses presentes no caso concreto;
b) Privacidade
A promoção dos direitos e proteção da criança e do jovem deve
ser efetuada no respeito pela intimidade, direito à imagem e
reserva da sua vida privada;
c) Intervenção precoce
A intervenção deve ser efetuada logo que a situação de perigo
seja conhecida;
d) Intervenção mínima
A intervenção deve ser exercida exclusivamente pelas
entidades e instituições cuja ação seja indispensável à efetiva
promoção dos direitos e à proteção da criança e do jovem em
perigo;
e) Proporcionalidade e atualidade
A intervenção deve ser a necessária e a adequada à situação
de perigo em que a criança ou o jovem se encontram no
momento em que a decisão é tomada e só pode interferir na
sua vida e na da sua família na medida do que for estritamente
necessário a essa finalidade;
f) Responsabilidade parental
A intervenção deve ser efetuada de modo que os pais
assumam os seus deveres para com a criança e o jovem;
g) Primado da continuidade das relações psicológicas
profundas
A intervenção deve respeitar o direito da criança à
preservação das relações afetivas estruturantes de grande
significado e de referência para o seu saudável e harmónico
desenvolvimento, devendo prevalecer as medidas que
garantem a continuidade de uma vinculação securizante;
h) Prevalência da família
Na promoção dos direitos e na proteção da criança e do
jovem deve ser dada prevalência às medidas que os integrem
em família, quer na sua família biológica, quer promovendo a
sua adoção ou outra forma de integração familiar estável;
i) Obrigatoriedade da informação
A criança e o jovem, os pais, o representante legal ou a
pessoa que tenha a sua guarda de facto têm direito a ser
informados dos seus direitos, dos motivos que determinaram
a intervenção e da forma como esta se processa;
j) Audição obrigatória e participação
A criança e o jovem, em separado ou na companhia dos
pais ou de pessoa por si escolhida, bem como os pais,
representante legal ou pessoa que tenha a sua guarda de
facto, têm direito a ser ouvidos e a participar nos atos e na
definição da medida de promoção dos direitos e de
proteção;
k) Subsidiariedade
A intervenção deve ser efetuada sucessivamente pelas
entidades com competência em matéria da infância e
juventude, pelas comissões de proteção de crianças e jovens
e, em última instância, pelos tribunais.
Artigo 9º
Consentimento

1- A intervenção das comissões de proteção das crianças e


jovens depende, nos termos da presente lei, do consentimento
expresso e prestado por escrito, dos pais, do representante legal
ou da pessoa que tenha a guarda de facto, consoante o caso.
Artigo 10º
Não oposição da criança e do jovem

1- A intervenção das entidades depende da não oposição da


criança ou do jovem com idade igual ou superior a 12 anos.
2- A oposição da criança com idade inferior a 12 anos é considerada
relevante de acordo com a sua capacidade para compreender o
sentido da intervenção.
Direitos e formas de intervenção:
Artigo 34º
Finalidade

As medidas de promoção dos direitos e de proteção das


crianças e dos jovens em perigo, adiante designadas por
medidas de promoção e proteção, visam:
a) Afastar o perigo em que estes se encontram;
b) Proporcionar-lhes as condições que permitam proteger e
promover a sua segurança, saúde, formação, educação, bem-
estar e desenvolvimento integral;
c) Garantir a recuperação física e psicológica das crianças e
jovens vítimas de qualquer forma de exploração ou abuso.
Artigo 35º
Medidas

1- As medidas de promoção e proteção são as seguintes:


a) Apoio junto dos pais;
b) Apoio junto de outro familiar;
c) Confiança a pessoa idónea;
d) Apoio para a autonomia de vida;
e) Acolhimento familiar;
f) Acolhimento residencial;
g) Confiança a pessoa selecionada para a adoção, a família de
acolhimento ou a instituição com vista à adoção.
CPCJ

 As Comissões de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ)


são instituições oficiais não judiciárias que protegem as
crianças e jovens em perigo, envolvendo os pais ou
representante legal, para evitar ou adiar a intervenção
dos Tribunais.

 As Comissões visam promover os direitos da criança e


prevenir ou pôr termo a situações que possam por em
perigo a sua segurança, saúde, formação, educação ou
desenvolvimento integral.
Existem 6 tipos de resposta:

 a) Centro de Apoio Familiar e Aconselhamento


Parental (CAFAP)
 b) Equipa de Rua de Apoio a Crianças e Jovens
 c) Acolhimento Familiar
 d) Centro de Acolhimento Temporário
 e) Lar de Infância e Juventude
 f) Apartamento de Autonomização.
Centro de Apoio Familiar e
Aconselhamento Parental
(CAFAP)
 Resposta desenvolvida através de um serviço de
apoio especializado às famílias com crianças e
jovens, vocacionado para a prevenção e reparação
de situações de risco psicossocial mediante o
desenvolvimento de competências parentais,
pessoais e sociais das famílias.
Equipa de Rua de Apoio a
Crianças e Jovens
 Crianças e jovens em rutura familiar e social e em
risco, que não estejam a receber qualquer apoio
institucional, assim como as suas famílias.
Acolhimento Familiar
 Crianças e jovens até aos 18 anos em situação de perigo, a quem a
Comissão de Proteção de Crianças e Jovens ou o Tribunal tenha
aplicado uma medida de promoção e proteção.

Objetivos Específicos:

 Proporcionar a integração da criança ou jovem


em meio familiar e a prestação de cuidados
adequados às suas necessidades e bem-estar e a
educação necessária ao seu desenvolvimento
integral.
Centro de Acolhimento
Temporário (CAT) e
Lar de Infância e Juventude
(LIJ)
 Crianças e jovens até aos 18 anos em situação de perigo, a quem a
Comissão de Proteção de Crianças e Jovens ou o Tribunal tenha
aplicado uma medida de promoção e proteção.
Apartamento de
Autonomização
 Jovens com idades compreendidas entre os 15 e os 21 anos em fase
de transição para a vida adulta e cuja medida de promoção e
proteção assim o determine

Os apartamentos de autonomização são espaços habitacionais


inseridos na comunidade para jovens que demonstrem
responsabilidade, competências e potencialidades para mobilizar os
recursos necessários que os habilitem a adquirir progressivamente
autonomia de vida.
Como proteger a criança
em risco?
 O conceito de risco de ocorrência de maus tratos em
crianças é mais amplo e abrangente do que o das
situações de perigo, tipificadas na Lei, podendo ser difícil
a demarcação entre ambas.

 As situações de risco implicam um perigo potencial para


a concretização dos direitos da criança (e.g.: as
situações de pobreza), embora não atingindo o elevado
grau de probabilidade de ocorrência que o conceito
legal de perigo encerra.
 Nem todas as situações de perigo decorrem, necessariamente, de
uma situação de risco prévia, podendo instalar-se perante uma
situação de crise (e.g.: morte, divórcio, separação).

É esta diferenciação entre situações de risco e de perigo que


determina os vários níveis de responsabilidade e legitimidade na
intervenção, no nosso Sistema de Promoção e Proteção da Infância
e Juventude.
Situações de risco
 Nas situações de risco, a intervenção circunscreve-se aos esforços

para superação do mesmo, tendo em vista a prevenção primária e

secundária das situações de perigo.


Situações de perigo

 Nas situações de perigo a intervenção visa remover o


perigo em que a criança se encontra,
nomeadamente, pela aplicação de uma medida de
promoção e proteção.,
A Lei de Proteção das Crianças e Jovens em Perigo
enumera algumas situações que se enquadram no
conceito de perigo:

 Estar abandonada ou viver entregue a si própria;

 Sofrer maus tratos físicos ou psíquicos;

 Ser vítima de abusos sexuais;

 Não receber os cuidados ou a afeição adequados à sua idade e


situação pessoal;
 - Ser obrigada a atividades ou trabalhos excessivos /inadequados à

sua idade, dignidade e situação pessoal ou prejudiciais à sua

formação ou desenvolvimento;

 - Estar sujeita, de forma direta ou indireta, a comportamentos que

afetam gravemente a sua saúde, segurança, formação, educação

ou desenvolvimento sem que os pais, o representante legal ou quem

tenha a guarda de facto se lhe oponham de modo adequado a

remover essa situação.


Comunicar uma situação de perigo

SINALIZE!

A sinalização de uma alegada situação de maus tratos que possa


por em risco a vida, a integridade física ou psíquica de uma criança
ou jovem é um exercício de cidadania e um dever cívico de
qualquer pessoa.
Onde fazer a sinalização?

 A sinalização pode ser feita junto da Comissão de Proteção de


Crianças e Jovens (CPCJ) da área de residência da criança ou
jovem

OU
 Serviço de saúde
 Escola
 Serviços de ação social
 PSP
 GNR
 Polícia Judiciária
 Ministério Público
 Tribunal
Como fazer a sinalização?
 Pode comunicar a alegada situação de maus tratos por escrito a
qualquer uma das instâncias identificadas ou dirigir-se pessoalmente à
Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) da área de
residência da criança ou jovem.

Os maus tratos em crianças e jovens são considerados crime público,


porque:

- Não há necessidade de apresentar uma queixa para que seja aberto um


Processo Crime.

 Basta a comunicação dos factos para que o MP abra o Processo Crime.

 Esta comunicação pode ser feita de forma anónima.

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