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27/04/2022

Saneamento I

Estações elevatórias de
água (EEA)
Prof. Dr. Rodrigo Braz Carneiro
rcarneiro@unicep.edu.br

Conteúdo programático da aula


 Definições, função, localização
 Exemplos de aplicação
 Classificação
 Tipos de bombas e poços
 Grandezas em sistemas elevatórios
 Curvas características de bombas e sistemas elevatórios
 Recomendações de projeto
 Dimensionamento
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Estação Elevatória de água (EEA)


 Todas as vezes que por algum motivo não seja possível, sob o ponto de vista técnico e
econômico, o escoamento da água pela ação da gravidade, é necessário o uso de instalações
que transmitam ao líquido energia suficiente parar garantir tal escoamento.

Figura 6 - Estação Elevatória de Água Consolação. Fonte: SABESP (2007).

Definição
• Definição no SAA  Unidade composta por conjunto de tubulações, acessórios e
conjuntos motor-bomba para transportar uma certa vazão de água de uma cota
inferior para uma cota superior
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Exemplos de EEA
• Sistema
Cantareira

Visita a ESI -
Elevatória Santa
Inês, Sistema
Cantareira - Sabesp
https://www.youtube.com/watch?v=AfgXPV0fCJ4&ab_channel=RodrigoV%C3%A9rdi

Partes constituintes
 Equipamento eletromecânico
 conjunto motor-bomba
 Tubulações
 Sucção
 Recalque
 Construção civil
 Poço de sucção
 Casa de bomba (automação)
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Classificação
 Quanto à capacidade ou vazão de recalque

 Pequena: < 50 L/s


 Média: 50 a 500 L/s
 Grande: > 500 L/s

 Quanto à altura manométrica

 Baixa: < 10 m
 Média: 10 a 20 m
 Alta: > 20 m

 Quanto à velocidade e comprimento de recalque

 Curta: < 10 m, Vr = 3 m/s


 Longa: > 10 m, Vr = 0,8 m/s

Classificação
Bomba pneumática
 Quanto ao tipo de sistema de bombeamento

 Com ejetor pneumático: Q < 0,038 m3/s


 Com bomba parafuso: Q < 6,0 m3/s
 Convencional com bomba centrífuga
 Pequena: Q = 0,02 a 0,09 m3/s
 Média: Q = 0,09 a 0,65 m3/s
 Grande: Q > 0,65 m3/s Bomba parafuso

Bomba centrífuga
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Classificação
 Quanto ao tipo de sistema de bombeamento
 Pré-moldada com bomba centrífuga
 Poço úmido
 Poço seco
Poço Seco

Poço Úmido

Tipos de poços
 As elevatórias convencionais de poço
seco têm o poço de sucção separado da
casa de bombas.
 Para as elevatórias de pequeno e médio
porte, é comum a utilização de
elevatórias de poço úmido, com pelo
menos uma bomba submersa.
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Bombas
centrífugas
 Composta por pás (rotor) e
carcaça
 As pás do rotor impulsionam o
líquido em direção da carcaça
proporcionando aumento de
velocidade e pressão

Bombas centrífugas
 Classificação segundo a trajetória do líquido no rotor
 De fluxo radial > Hman e < Q
 De fluxo misto < Hman e ~ Q
 De fluxo axial < Hman e > Q
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Grandezas utilizadas em sistemas elevatórios


 Altura geométrica ou estática de sucção (Hg,s)
 Desnível geométrico entre o nível d’água no
poço de sucção e a linha de centro da bomba

 Altura geométrica ou estática de recalque (Hg,r)


 Desnível geométrico entre a linha de centro da
bomba e o nível d’água onde chega a tubulação
de recalque

 Altura geométrica total (Hg)


 Desnível geométrico entre o nível d’água no
poço de sucção e o nível d’água onde chega a
tubulação de recalque

Grandezas utilizadas em sistemas elevatórios


 Carga de velocidade ou carga cinética
 Energia cinética contida no líquido
bombeado

𝑉
𝐶𝑎𝑟𝑔𝑎 𝑐𝑖𝑛é𝑡𝑖𝑐𝑎(𝑚) =
2𝑔

 Altura manométrica total (H)


 Carga que deve ser vencida pela bomba, quando o líquido está sendo bombeado. Para sua
determinação são consideradas as alturas geométricas de sucção e recalque, as perdas de
carga e as cargas cinéticas.
𝑉
H(𝑚) = 𝐻 + Δ𝐻 + Δ𝐻 +
2𝑔

Somatória das perdas de carga distribuídas e


localizadas na sucção e no recalque em m
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Grandezas utilizadas em sistemas elevatórios


 Potência fornecida pela bomba
 Potência para elevar a vazão do líquido

𝑃 = 𝛾 .𝑄 .𝐻 Em que
- Pl é a potência líquida fornecida pela bomba em KW
- γ é o peso específico da água em N/m³
- Q é a vazão em m³/s
- H é a altura manométrica total em m

 Eficiência ou rendimento da bomba


 Relação entre a potência fornecida pela bomba e a potência consumida pela bomba

𝑃 𝛾 .𝑄 .𝐻 Em que
𝜂= =
𝑃 𝑃 - Pb é a potência consumida pela bomba em KW
- η é o rendimento ou eficiência da bomba

Grandezas utilizadas em sistemas elevatórios


 Potência do conjunto elevatório

𝛾 .𝑄 .𝐻 Em que
𝑃= - P é a potência em cv (ou praticamente HP)  1 cv = 0,986HP
75𝜂
- γ é o peso específico = 1000 kgf / m³
- Q é a vazão em m³/s
- H é a altura manométrica total em m
- η é o rendimento do conjunto = ηmotor . ηbomba
 Admitindo-se um rendimento médio de 67 % e exprimindo-se a vazão em L/s, tem-se
𝑄 .𝐻
𝑃=
50
 Na prática, a potência deve
sofrer os seguintes
acréscimos:
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Perdas de carga no conjunto elevatório


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Cálculo da perda de carga distribuída


 Método de Hazen-Willians – usualmente empregado em tubulações de água / esgoto
para diâmetro > 50 mm

∆𝐻 10,65 . 𝑄 , .
𝐽= =
𝐿 𝐶 , .𝐷 ,

 J é a perda de carga unitária em m/m


 L é o comprimento da tubulação em m
 Q é a vazão de m³/s
 D é o diâmetro em m
 C é o coeficiente de rugosidade da tubulação,
geralmente varia entre 70 e 140

Coeficientes C para equação de Hazen-Williams:


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Cálculo da perda de carga localizada


 Perda de carga localizada

𝑉
∆ℎ = 𝑘  K é o coeficiente de perda de carga característico do acessório
2𝑔

Esquema Hidráulico
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Curvas características das bombas centrífugas


 As bombas centrífugas podem trabalhar a mesma rotação, sob diferentes condições de Q e
Hman

 Porém existe uma interdependência entre esses valores , em conformidade com Q e H,


obtido através de ensaios
 Curvas características das
bombas  Curvas de Q contra H
(m), potência (KW ou HP), eficiência
da bomba, que variam em função
da rotação, geralmente fornecidos
pelo fabricante para diâmetros
específicos do rotor

 Cada bomba é projetada para elevar


uma determinada Q a uma H em
condições de máximo rendimento. A
medida que o par Q,H se afasta das
condições ótimas, o rendimento
tende a cair
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Curvas características das bombas centrífugas

Bomba KSB

Curva característica do sistema elevatório


 Relaciona a H total do sistema de elevação do líquido com a Q.

 Para o seu traçado é necessário definir os diâmetros das tubulações de sucção e recalque

 A interseção da curva da
bomba com a do sistema
representa o ponto de
funcionamento da bomba,
no qual são definidas Q e H
de operação do sistema
elevatório
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Tubulações
 Sucção
 A tubulação de sucção deve ser a mais curta possível,
evitando muitas conexões;
 O diâmetro mínimo deve ser um diâmetro comercial
acima da tubulação de recalque;

Tubulações
 Recalque

 A velocidade nas tubulações de recalque deve evitar


deposição de materiais sólidos: 0,6 a 3 m/s;

 O diâmetro é escolhido em função do menor custo (não


apenas da tubulação, mas do conjunto motor-bomba
relacionado) e mais facilidade de instalação e
manutenção das tubulações;
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Diâmetro da tubulação de recalque


1. FÓRMULA DE BRESSE
 Funcionamento contínuo (24 h/dia)

 K - Coeficiente econômico, é consequência


dos preços de eletricidade, materiais e
máquinas empregadas nas instalações

 Para tubulações longas tem-se usam-se


velocidade mais baixas (0,8 m/s), enquanto
tubulações mais curtas admitem velocidades
maiores (3,0 m/s).

Diâmetro da tubulação de recalque


2. FÓRMULA DA ABNT

 Funcionamento intermitente
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Exemplo de cálculo
 Calcular a potência requerida de uma EEA para recalcar a água a uma vazão de
14 L/s
 Considerar velocidade no recalque de 1,5 m/s
 Funcionamento da EEA ininterrupto
 Comprimento sucção = 1 m
 Comprimento recalque = 25 m
 Tubulação de ferro fundido novo
 Acessórios sucção – 1 curva de 45º, 1 registro de gaveta, 1 redução gradual
 Acessórios recalque – 2 Tes de saída de lado, 3 curvas de 90º, 1 redução
gradual, 1 válvula de retenção, 1 registro de gaveta

 Curva da bomba
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Solução
 Calcular o diâmetro do recalque pela fórmula de Bresse

𝐾= = = 0,92
. . ,

𝐷 = 𝐾 𝑄 = 0,92 0,014 =0,10 m = 100 mm


 Diâmetro da sucção imediatamente superior Ds = 150 mm
 Perda de carga distribuída
∆𝐻 10,643 . 0,014 , . 0,005𝑚 ∆𝐻 10,643 . 0,014 , . 0,036𝑚
𝐽𝑠 = = = 𝐽𝑟 = = =
𝐿 130 , . 0,15 , 𝑚 𝐿 130 , . 0,1 , 𝑚
0,005𝑚 0,036𝑚
∆𝐻𝑠 = 1 = 0,005 𝑚 ∆𝐻𝑟 = 25 = 0,9𝑚
𝑚 𝑚
 Velocidade
,
𝑉𝑠 = = = 0,79 𝑚/s
. ² . , ²

Acessório sucção K Acessório K


Solução 1 curva de 45º 0,2
recalque
2 Tes de saída de 2,6
lado
 Perda de carga localizada
1 registro de 0,2 3 curvas de 90º 1,2
0,79 gaveta
∆ℎ𝑠 = 0,55 = 0,017𝑚 1 redução gradual 0,15 1 redução gradual 0,15
2𝑔
1 válvula de 2,5
1,5 retenção
∆ℎ𝑟 = 6,65 = 0,76𝑚
2𝑔 1 registro de 0,2
gaveta
 Perda de carga total Total 0,55 6,65

∆𝐻𝑡 = 0,005 + 0,9 + 0,017 + 0,76 𝑚 = 1,682𝑚


 Altura manométrica

𝐻𝑚 = 25 + 1 + 1,682 = 27,7 𝑚 = 𝑎𝑝𝑟𝑜𝑥 28 𝑚

 Estimar rendimento da bomba pela curva característica


𝐻𝑚 = 28 𝑚
𝜂 = 66%
𝑄 = 50 𝑚 /ℎ
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Solução
1000 . 0,014 . 28
𝑃= = 7,9𝑐𝑣
75 0,66

𝑃 = 7,9.1,2 = 9,5 cv

𝑃 = 10 𝑐𝑣 (𝑐𝑜𝑚𝑒𝑟𝑐𝑖𝑎𝑙)
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Poço de sucção
 Deve-se prever altura mínima de água no
poço para manter o conjunto motor-bomba
submerso, evitando a entrada de ar na
bomba.
 A estrutura deve ser construída com paredes
verticais, e laje de fundo com inclinação no
sentido da sucção das bombas, evitando a
deposição de materiais sólidos e facilitando a
limpeza.
 Para proteção das bombas devem ser
instalados cestos ou grades de proteção na
chegada do poço.

Dimensionamento do poço de sucção


 O dimensionamento do poço de
sucção deve considerar:
 Aspectos hidráulicos para
evitar a formação de
vórtices. Estes podem ser
resultado de submergência
muito pequena sucção, Vel
alta na sucção, má
distribuição do fluxo;
 Volume de reserva para
absorver aumentos de
vazões e eventuais paradas
das bombas;
 Volume menor possível
para que a água não fique
parada por muito tempo.
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Dimensões recomendadas
 Dimensões do poço de sucção:
 Comprimento e largura: definidos em função dos conjuntos motor-bomba
selecionados, respeitando as folgas para montagem, manutenção, etc.

D = diâmetro de entrada
na tubulação de sucção

Dimensões recomendadas

Dimensões mínimas recomendadas

𝑉
ℎ≥ + 0,20𝑚
2𝑔

Em que
- V é a velocidade na tubulação de sucção
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Volume do poço de sucção


 Entende-se por volume útil o volume líquido entre
o nível máximo e o nível mínimo de operação do
poço (faixa de operação das bombas);

 O volume efetivo, para cálculo do tempo de


retenção do líquido, é aquele compreendido entre
o fundo do poço e o nível médio de operação das
bombas.

 O volume do poço de sucção deve ser calculado


determinando-se o volume útil

Volume útil do poço de sucção


 Volume útil considera o intervalo de tempo entre partidas sucessivas do motor da
bomba, chamado de tempo de ciclo (T) e a vazão de bombeamento.

 O tempo de ciclo deve ser verificado com os fabricantes dos motores, ele visa evitar
que os equipamentos esquentem por conta de partidas sucessivas muito próximas,
podendo prejudicar o motor.

𝑄. 𝑇 Em que
𝑉𝑢 (𝐿) =
4 - Vu é o volume útil do poço de sucção em L
- Tc é o tempo de ciclo em s (ou min)
- Q é a vazão máxima de uma bomba (L/s ou L/min)
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Exemplo de cálculo
 Determine o volume útil de um poço para uma EEA, a profundidade total do poço,
além dos diâmetros das tubulações de sucção e recalque.

 Sabe-se que a vazão máxima da bomba é de 132 L/s, o tempo de ciclo da mesma é de
10 min, e que a vazão afluente no poço, no início do plano, é de 76 L/s.

 Por questões referentes ao terreno, a elevatória deve ter raio de 2,2 metros; o nível
mínimo da bomba fica a 0,40 m do fundo do poço, enquanto o nível máximo deve ficar
0,10 m abaixo da geratriz inferior da tubulação de chegada.

 A geratriz superior da rede coletora que chega no poço está a 2,30m de profundidade
do terreno e possui diâmetro de 400 mm.

 Para a tubulação de recalque a velocidade de escoamento deve ser de 1,5 m/s.

Solução
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Solução

Bibliografia básica
• AZEVEDO NETTO, J.M. (1998). Manual de Hidráulica. São Paulo: Blucher CETESB.
• BARROS, R. T. V.; CHERNICHARO, C. A. L.; HELLER, L.; VON SPERLING, M. Manual de Saneamento e
Proteção Ambiental para os Municípios: Vol 2 - Saneamento. Belo Horizonte: DESA-UFMG., 1995, 221
p.
• BRASIL. Ministério da Saúde. Gabinete do Ministro. Portaria de Consolidação nº 5, de 28 de setembro
de 2017. Brasília, 2017.
• Dl BERNARDO, L.; DANTAS, A. D. Métodos e Técnicas de Tratamento de Água. Rima Ed, 2005, 1566
p.
• LIBÂNIO, M. Fundamentos de qualidade e tratamento de água. Campinas: Ed. Átomo, 2005, 444 p.
• TSUTIYA, M. T. Abastecimento de água. Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária da Escola
Politécnica da Universidade de São Paulo, 3ª Ed. São Paulo: USP, 2006, 643 p.

OBSERVAÇÕES:
Estas notas de aula não substituem os livros sobre o tema. O aluno pode se basear nas notas de aulas para estudo
mas deve utilizar as fontes bibliográficas e material complementar original para aprofundar sobre o tema e melhorar
seu aprendizado. As notas de aula foram elaboradas com base em material da literatura, não se trata de material
original. Dessa forma, as notas de aula não devem ser citadas / referenciadas em artigos, dissertações, teses,
monografias, trabalhos ou relatórios.

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