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EXCELENTÍSSIMO JUÍZO DE DIREITO DA 1ªVARA CRIMINAL DA COMARCA DE ARACAJU/SE.

Nº DO PROCESSO

Wilson, já qualificado nos autos do processo em epigrafe, vem por intermédio de seu
advogado, este que o subscreve, respeitosamente perante a presença de Vossa Excelência,
apresentar as Alegações Finais por Memoriais, com fundamentos no art. 403, § 3, do CPP,
diante dos motivos de fato e de direito a seguir expostos:

DOS FATOS

Wilson, conheceu Maria, em uma festa rave que ocorreu na cidade de Aracaju/SE, a qual
somente permitia a entrada de maiores de 18 anos, contando com rigorosa fiscalização. Após
curtirem parte da festa, decidiram ir para um local reservado, tendo havido a prática de atos
libidinosos consentidos.

Dias após o fato, combinaram de se encontrarem novamente, tendo Maria informado que
sairia da escola e iria direto encontrar Wilson. Questionada por Wilson, Maria informou que
estudava a 7ª série e que tinha 13 anos de idade, mas que era normal as pessoas não
acreditarem na sua idade em razão do seu porte físico. Após tal informação, Wilson deixou
Maria em casa e pediu que ela não o procurasse mais, pois apenas neste momento, Wilson
tomou ciência de que se tratava de uma menor de idade. Ao chegar à sua residência e narrar
os fatos aos seus pais, Maria foi orientada a realizar registro de ocorrência policial, e assim o
fizeram.

Após a conclusão do inquérito policial, o Ministério Público ofereceu denúncia contra Wilson,
imputando-lhe o crime de estupro de vulnerável, previsto no artigo 217-A, “caput”, do Código
Penal. Maria foi ouvida, e confirmou todas as declarações ditas no seu depoimento na sede
policial. Após regular andamento do feito, o Magistrado designou audiência de instrução e
julgamento.

Durante a audiência de instrução e julgamento, sem a presença de Wilson, que não havia sido
intimado para a solenidade, apesar da irresignação da defesa, a vítima se limitou a dizer que
ambos se conheceram na festa, e que falsificou um documento para ter acesso à festa. Após o
encerramento da instrução, encaminhados os autos para o Ministério Público, foi apresentada
manifestação requerendo condenação nos termos da denúncia, bem como o reconhecimento
dos maus antecedentes, em face da anotação que consta na folha de antecedentes criminais
no sentido de que o réu responde a outra ação penal instaurada para apurar a prática de crime
de roubo, e a fixação obrigatória do regime inicial fechado, já que se trata de crime hediondo,
conforme dispõe a Lei 8.072/90.
DO DIREITO

2.1-DAS PRELIMINARES

Ante o mencionado, como foi demonstrado que o magistrado na ausência do réu, que não
compareceu a audiência de instrução por falta de intimação, realizou mesmo assim a instrução
processual. Portanto, como é mencionado, é demonstrado que ocorreu a violação do direito
constitucional ao contraditório e à ampla defesa, e sendo assim, requer que seja decretado a
nulidade absoluta, e assim a audiência seja também decretada como nula, bem como todas as
provas que desta derivaram, diante do exposto no art. 564, Inciso IV, do CPP, e art. 5, do LV, da
CF.

2.2- DO MÉRITO

Como já mencionado, ocorrer que Wilson desconhecia a real idade de Maria e nem tinha
obrigação de interpela-la, pois estavam em um ambiente onde apena seria permitido maiores
de idade, e a mesma adentrou burlando a fiscalização, utilizando-se de documentação falsa,
incorrendo Wilson, em erro de tipo, não cabendo punição para o presente acusado, portanto é
requerido a vossa excelência que este seja absolvido por disposição do art. 20, § 1º, do CP.

DO PEDIDO

Ante o exposto, requer assim a Vossa Excelência, que seja reconhecida:

A nulidade da audiência de instrução, e de todas as demais provas derivadas desta, por violar o
direito constitucional do contraditório e da ampla defesa, assim como disposto no art. 5, inciso
LV, da CF, e art. 564, inciso IV, do CPP.

Caso não acatado o mencionado, que vossa excelência, reconheça a aplicação do art 20, § 1º
CP, absolvendo o réu, pois o mesmo desconhecia a idade da vitima, incorrendo assim em erro
de tipo.

Caso não seja acatada a presente argumentação mencionada, requer que vossa excelência
conceba a pena base, como o mínimo legal disposto no artigo 59, do CP, pelo o delito constado
na denuncia, sendo conjuntamente fixado o cumprimento inicial da pena, no regime
semiaberto, por força do art. 33, § 2, alínea b, do CP.

Termos que pede

Deferimento.
Aracaju-SE, 10 de setembro de 2018

OAB-SE, Advogado

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