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A SUPREMACIA DAS ESCRITURAS A Inspirada, Inerrante e Infalível Palavra de Deus

Definição. O termo supremacia, de modo genérico, significa superioridade de autoridade,


influência e importância. Fazendo uso dessa palavra de modo especifico como um adjetivo
para à “Bíblia”, podemos afirmar que a Palavra de Deus revelada aos homens é
incomparável, extraordinária, inimitável e inigualável. A Bíblia é fonte de autoridade,
importância e influência suprema.

A importância dessa lição. Em nossos dias, infelizmente, multiplicaram-se as correntes


ideológicas que buscam desconstruir a autoridade da Bíblia Sagrada. A Igreja atual
enfrenta o avanço de ideologias anticristãs que buscam reconfigurar os valores
preconizados na Palavra de Deus. Portanto, se faz necessário reafirmar o nosso
compromisso inegociável com a revelação escrita de Deus.

1. “Relativismo cultural”, em que nenhum valor é absoluto, tudo é relativo e toda a


verdade depende da cultura em que se está inserida. Em vista disso, os valores morais e
éticos da Bíblia Sagrada são contestados e negados.

2. O racionalismo teológico, especialmente a teoria de desmitologização de Rudolf


Bultmann (1884- 1976) e a sua heresia de que o discurso bíblico é mitológico, e como tal
não pode ser proposto ao homem de hoje.

3. Ressignificar o sentido do texto focado no leitor em detrimento do Autor sagrado, e a


isso se soma a não aceitação da inerrância bíblica.

A Declaração de Fé das Assembleias de Deus no Brasil professa crer e ensinar que “a


Bíblia Sagrada é a Palavra de Deus, única revelação escrita de Deus dada pelo
Espírito Santo para a humanidade [...] nossa única regra de fé e prática, a inerrante,
completa e infalível Palavra de Deus”. (SOARES, Esequias (Org.). Declaração de fé das
assembleias de Deus. Rio Janeiro: CPAD, 2017, p. 25-26).

• TEXTO ÁUREO – “Como são felizes os que andam em caminhos irrepreensíveis, que
vivem conforme a lei do SENHOR!” (Sl 119.1 NVI). Felizes são aqueles que fazem da Lei
do Senhor o seu caminho e andam por ela sem se desviar. (Sl 119.1 VIVA). “Você é
abençoado quando se mantém na rota, caminho firme na estrada revelada pelo Eterno”. (Sl
119.1 MSG).

. A nossa alegria não pode está fundamenta naquilo que podemos perder, como bem
expressou o profeta Habacuque: Mesmo não florescendo a figueira, não havendo uvas
nas videiras; mesmo falhando a safra de azeitonas, não havendo produção de
alimento nas lavouras, nem ovelhas no curral nem bois nos estábulos, ainda assim
eu exultarei no Senhor e me alegrarei no Deus da minha salvação. (Hb 3.17,18 NVI).
A verdadeira alegria está em Deus, no ato de conhece-lo por meio de sua palavra e
corresponder o seu eterno amor por nós.
A BÍBLIA SAGRADA

1.1 Definição. Originário do grego, o termo bíblia significa “livros” ou “coleção de


pequenos livros”.

1.2 O seu alcance. A Bíblia foi o primeiro livro impresso no mundo, em 1452. A Escritura
Sagrada é o livro mais traduzido de todos os tempos. Em agosto de 2020, as Sociedades
Bíblicas Unidas (SBU) divulgaram que a tradução da Bíblia alcançou a marca de 700
idiomas. Isso significa que pouco mais de 5 bilhões de pessoas (mais ou menos 80% da
população do mundo) agora têm a Palavra de Deus completa na sua língua materna.

1.3 Sua origem. A Bíblia é o registro da revelação de Deus ao homem. A palavra revelação
significa “descobrimento, desvelamento, divulgação”. Nesse ponto, convém ressaltar que
se Deus não se revela-se, o homem jamais poderia conhece-lo. Deus se revela de muitas
maneiras: Por muito tempo Deus falou várias vezes e de diversas maneiras a nossos
antepassados por meio dos profetas. E agora, nestes últimos dias, ele falou por meio do
Filho, o qual ele designou como herdeiro de todas as coisas e por meio de quem criou o
universo. (Hb 1.1,2).

1.3.1 Revelação Geral. Chama-se “geral” a revelação que Deus faz de si mesmo a todos os
homens em toda a parte. É geral porque não assume uma característica pessoal. Vejamos
as subdivisões da Revelação Geral:

a. A história da humanidade. Deus se revelou através de sua direção providencial na


história da humanidade. Como Soberano do Universo, Ele atua na sua criação,
supervisionando-a e guiando-a. Ele muda o curso dos acontecimentos; remove reis de seus
tronos e põe outros no lugar. Dá sabedoria aos sábios e conhecimento aos eruditos. (Dn
2.21 NVT). Só eu posso lhes anunciar, desde já, o que acontecerá no futuro. Todos os meus
planos se cumprirão, pois faço tudo que desejo. (Is 46.10 NVT). O Senhor tira a vida e dá a
vida, faz descer à sepultura e de lá faz subir. O Senhor empobrece alguns e enriquece
outros, humilha e também exalta. Levanta o pobre do pó e do monte de cinzas tira o
necessitado. Coloca-os entre príncipes e os faz sentar em lugares de honra. Ao Senhor
pertencem os alicerces da terra, e sobre eles firmou o mundo. "Ele protegerá os fiéis, mas
os perversos desaparecerão nas trevas, pois ninguém vencerá só pela força. Os que lutam
contra o Senhor serão despedaçados. Do céu ele troveja contra eles; o Senhor julga em
toda a terra. Ele dá poder a seu rei, concede força a seu ungido". (1 Sm 2.6-10 NVT).

b. Na Criação. Deus também se revela através da natureza e do Universo. A criação, com


sua infinita variedade, beleza e ordem refletem um Deus infinitamente sábio e poderoso.
Os céus proclamam a glória de Deus; o firmamento demonstra a habilidade de suas mãos.
Dia após dia, eles continuam a falar; noite após noite, eles o tornam conhecido. Não há som
nem palavras, nunca se ouve o que eles dizem. Sua mensagem, porém, chegou a toda a
terra, e suas palavras, aos confins do mundo (Sl 19.1-4 NVT). "Amigos, por que vocês estão
fazendo isso? Somos homens como vocês! Viemos lhes anunciar as boas-novas, para que
abandonem estas coisas sem valor e se voltem para o Deus vivo, que fez os céus e a terra, o
mar e tudo que neles há. No passado, ele permitiu que as nações seguissem seus próprios
caminhos, mas nunca as deixou sem evidências de sua existência e de sua bondade. Ele
lhes concede chuvas e boas colheitas, e também alimento e um coração alegre". (At 14.15-
17 NVT). Assim, Deus mostra do céu sua ira contra todos que são pecadores e perversos,
que por sua maldade impedem que a verdade seja conhecida. Sabem a verdade a respeito
de Deus, pois ele a tornou evidente. Por meio de tudo que ele fez desde a criação do
mundo, podem perceber claramente seus atributos invisíveis: seu poder eterno e sua
natureza divina. Portanto, não têm desculpa alguma. (Rm 1.18-20 NVT).

c. A natureza humana. A revelação geral também inclui a autorrevelação de Deus através


da natureza humana. Depois da Queda, a imagem divina no homem foi desfigurada e
distorcida, mas não totalmente destruída. (Gn 9.6; Tg 3.9). Deus se revela por meio da
constituição humana, por meio da consciência e dos atributos humanos que refletem a sua
imagem, como livre-arbítrio, racionalidade e espiritualidade.

1.3.2 Relação Especial. A revelação especial é o desvendamento que Deus faz de si


mesmo de modo imediato e sobrenatural. Não podemos conhecer o plano divino da
redenção nem a vontade de Deus para as nossas vidas por meio da revelação geral. Desse
modo, necessitamos de uma revelação especial da parte de Deus. Por exemplo: normas,
mandamentos e proibições morais foram estabelecidos para Adão, no Éden, pela revelação
especial, e não geral.

a. A revelação especial é pessoal. Um Deus pessoal se apresenta a pessoas, e isso pode


ser visto de várias maneiras. Deus se revela no seu relacionamento com Adão (Gn 3.8);
Deus revela seu nome a Moisés (Êx 3.14); Deus se revela por meio das alianças pessoais
que fez com Noé, Abraão, o povo de Israel e Davi.

b. A revelação especial é compreensível. Deus se revelou segundo as características da


linguagem humana daqueles tempos e empregou categorias humanas de pensamento e de
ação.

c. A encarnação. A vida e as palavras de Jesus foram uma revelação especial de Deus.


Proclamamos a vocês aquele que existia desde o princípio, aquele que ouvimos e vimos
com nossos próprios olhos e tocamos com nossas próprias mãos. Ele é a Palavra da vida.
Aquele que é a vida nos foi revelado, e nós o vimos. Agora, testemunhamos e lhes
proclamamos que ele é a vida eterna. Ele estava com o Pai e nos foi revelado. (1 Jo 1.1,2
NVT). Quem vê a mim, vê o Pai (Jo 14.9).

Conclusão. Chegamos a conclusão que a Bíblia é de origem divina, pois o seu conteúdo é o
registro da revelação de Deus aos homens. A Bíblia é um livro “humano”, pois o Senhor
capacitou, inspirou e usou homens para registrar a revelação em uma linguagem humana.

2.1 Unidade e consistência (evidência interna). A Bíblia é o único livro que foi: 1)
Escrito por um período de aproximadamente 1.600 anos. 2) Escrito por mais de 40
autores de todas condições de vida, entre eles, reis, líderes militares, camponeses,
pescadores, cobradores de impostos, poetas, músicos, estadistas, letrados, pastores de
ovelhas e boiadeiros. 3) Escrito em lugares diversos: no deserto, numa masmorra, num
palácio, dentro da prisão, em viagens, no exílio na ilha de Patmos. 4) Escrito em momentos
diferentes: Em tempos de guerra e sacrifício; em tempos de paz e prosperidade. 5) Escritos
em estados de espírito diferentes: alguns escreveram no auge da alegria; outros, das
profundezas da angustia e do desespero; alguns, em tempos de certeza e convicção;
outros, em dias de confusão e dúvida. 6) Escrito em três continentes: Ásia, África e Europa.
8) Escrito em três línguas: Hebraico, Aramaico e Grego. 7) Escrito numa grande variedade
de estilos literários, entre eles: poesia, narrativa histórica, cânticos, romance, tratado
didático, correspondência pessoal, memórias, sátiras, biografia, autobiografia, jurídico,
profecia, parábola e alegoria. Apesar desse número incrível de variantes, a Bíblia é
harmônica e não se contradiz.

No entanto, embora as evidências sejam conclusivas, o liberalismo teológico faz objeção


aos argumentos acima listados e desdenha da unidade bíblica. Os críticos argumentam que
os autores bíblicos conheciam o conteúdo deixado pelos escritores que o antecederam e,
por isso, se preocuparam em não os contradizer, e ainda sustentam que o cânon só foi
organizado pelas gerações futuras, em função disso, foram aceitos no cânon apenas os
livros que se harmonizavam com o todo.

Porém essas objeções são contraditórias e podem ser refutadas do seguinte modo: (i) nem
todos os autores tiveram acesso aos outros livros enquanto escreviam a revelação divina:
Ezequiel escreveu no exílio; Ester, em país estrangeiro; o escritor de Hebreus, no Oriente;
e João, na Ásia Menor; entre outros; (ii) nem todos os autores tinham consciência de que
seus escritos fariam parte do cânon, portanto, não os escreveram buscando harmonizar
sua obra com as demais; (iii) não é verdade que os livros foram aceitos centenas de anos
após serem escritos. Por exemplo, os livros de Moisés foram guardados próximo à Arca da
Aliança logo após serem escritos (Dt 31.26).

Os livros eram aceitos à medida que a autenticidade era confirmada por seus
destinatários; e (iv) mesmo que os autores tivessem tomado conhecimento prévio de
todos os livros, a Bíblia continuaria tendo uma unidade que ultrapassa a capacidade
humana.

2.2 A ação do Espírito Santo (evidência interna). O Espírito Santo não traz novas
revelações canônicas nos dias de hoje, Ele confirma, ilumina e autentica a mensagem
revelada na Bíblia.

Por meio da leitura da Bíblia, é possível ouvir a voz de Deus agindo como uma espada que
“penetra até à divisão da alma, e do espírito” (Hb 4.12). Como os discípulos no caminho de
Emaús, aquele que aceita a mensagem da Palavra experimenta a chama do Espírito arder
no coração e passa a compreender o plano da salvação (Lc 24.31,32).

Nossa Declaração de Fé ensina “que o Espírito Santo possui o papel de regenerar, purificar
e santificar o homem e a mulher e que é Ele quem convence o mundo do pecado, da justiça
e do juízo (Jo 16.7,8)”. O apóstolo João disse que escreveu para que seus leitores cressem
no Filho de Deus e recebessem a vida eterna (Jo 20.31; 1 Jo 5.13). João também registrou
que o Consolador, o Espírito de verdade, que procede do Pai, é Ele quem testifica de Cristo,
o Filho de Deus (Jo 15.26). Desse modo, o Espírito Santo dá testemunho da Bíblia como
Palavra de Deus, e de que o Cristo nela revelado é o Filho de Deus.

c) Profecias de eventos futuros. A exatidão no cumprimento das profecias comprova a


veracidade das Escrituras. As suas profecias foram anunciadas muito séculos antes de os
eventos acontecerem com clareza e precisão. Por exemplo, a Bíblia cita o nome do rei Ciro
e o que ele iria fazer cento e cinquenta anos antes de ele nascer (Is 45.1), registra cerca de
trezentas profecias acerca de Cristo, centenas de anos antes do seu nascimento, e cada
uma delas se cumpriu com exatidão.
Os críticos e incrédulos sugerem que por conhecer as profecias, Jesus agiu
deliberadamente para cumprir o que estava predito. Porém, isso é humanamente
impossível. Seria necessário a cumplicidade de um número considerável de personagens
(reis, astrólogos, governadores, sacerdotes, militares) dispostos a manipular os eventos e
manter esses arranjos sob sigilo. E isso sem falar em todas as pessoas envolvidas nos
inúmeros milagres operados. A única explicação possível para o cumprimento específico
dessas predições é de que o Eterno, onisciente, onipotente e soberano, revelou aos seus
servos as coisas que haveriam de acontecer (Am 3.7) (BAPTISTA, Douglas. A Supremacia
das Escrituras: A Inspirada, Inerrante e Infalível Palavra de Deus. 1.ed. Rio de Janeiro:
CPAD, 2021, pp.17,18).

2.4 Evidências externas. A História, os pressupostos científicos e a arqueologia dão


testemunho da autenticidade da Bíblia. O célebre deísta francês Voltare, expressando
desprezo pela Bíblia, predisse que dentro de cem anos, o Cristianismo desapareceria.
Cinquenta anos depois da sua morta, ocorrida em 1778, a Sociedade Bíblica de Genebra
estava usando o seu prelo e sua casa para produzir grandes pilhas de Bíblias.

III – A MENSAGEM DA BÍBLIA

3.1 O tema central da Bíblia. O teólogo pentecostal Antônio Gilberto escreve que: Tudo
que Deus tem para o homem e requer do homem, e tudo o que o homem precisa
saber espiritualmente da parte de Deus, quanto à sua redenção, conduta cristã e
felicidade eterna, está revelado na Bíblia. Tudo o que o homem tem a fazer é tomar
o livro e apropriar-se dele pela fé. O autor da Bíblia é Deus, seu real intérprete é o
Espírito Santo, e seu tema central é o Senhor Jesus Cristo.

3.2 Sola Scriptura (Um dos pilares da Reforma Protestante). Somente a Escritura é
uma refutação contra a igreja romana, pois ela fazia uso e ensinava com igual peso da
Bíblia Sagrada, a tradição, as bulas papais, as encíclicas. Havia também, nessa mesma
época, a herética doutrina da infabilidade do papa, isto é, o que ele falava e decretava tinha
o mesmo peso da Escritura. Hoje, nós precisamos também olhar para essa verdade, pois
vemos novas visões, revelações e profecias, se colocando em pé de igualdade com a Bíblia
e até a cima dela. 3.3 O lema pentecostal. Nós Pentecostais, cremos na continuidade dos
dons espirituais, no Batismo no Espírito Santo e em sua ação poderosa no meio da Igreja.
No entanto, é falsa a acusação de que colocamos a experiência acima da Palavra Revelada.
Não somos guiados por sonhos e revelações, somos dirigidos pela Bíblia. O slogan
pentecostal que se perpetua até hoje é: Jesus perdoa pecados, Jesus salva, Jesus cura, Jesus
breve voltará.

Rm 16.25-27 – Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar, segundo o meu evangelho
e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério guardado em silêncio desde
os tempos eternos, mas agora manifesto e, por meio das Escrituras proféticas, segundo o
mandamento do Deus, eterno, dado a conhecer a todas as nações para obediência da fé; ao
único Deus sábio seja dada glória por Jesus Cristo para todo o sempre. Amém.

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