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3ÍBUCAS

CPAD

Os Valores do
Reino de Deus
A Relevância do Sermão do Monte
para a Igreja de Cristo
PORQUE DEVEMOS
ESTUDAR O LIVRO DE
ATOS DOS APÓSTOLOS

U m d o s m aio res te ó lo g o s p en teco stais d a a tu alid ad e e resp ei­


ta d o e stu d io so d o N o v o T estam ento, C r a ig S. K e e n e r a firm a que
“ p ara o s h isto riad ores interessad os n o cristian ism o p rim itivo
d epois d e Jesus, A tos é a única fonte extensa e concreta disponível e,
n a m ed id a em q u e fornece in form ações precisas, tam bém oferece
a estru tu ra p ara o u tra s evid ên cias cristãs d o sécu lo I q u e nos
p erm item co n ectar Jesu s co m a igreja d o sécu lo II”.

Para o leitor d a B íblia que q ueira se aprofundar n o estudo exegético


d o liv ro d e A to s d o s A p ó sto lo s, c o m p ree n d e r o c o n texto social e
histórico dessa obra é essencial. A o fazer isso ele p oderá entender o
q u e o texto b íb lico sign ificava p ara o s e u p rim eiro p ú b lico leitor,
isto é, na p ersp ectiva d o leitor d o p rim eiro sécu lo d a e ra cristã.

U m a ferra m e n ta m u ito útil p a ra o leito r q u e q u e ira este tipo


d e p ro fu n d id a d e é o c o m e n tá rio exegético. P o r m eio d ele, u m
le ito r d o sécu lo X X I te rá c o n d içõ es d e e n te n d er m a is e m elh o r

c o m o A tos d os A póstolos foi p rim eiram ente escrito, lid o e o u vido


p e lo le ito r d o sé c u lo I d e n o ssa Era.

CPAD
JÇOES
3ÍBLICAS
Professor I 2o Trim estre de 2022
Com entarista: Osiel Gomes

SUMÁRIO
Os Valores do Reino de Deus:
A R e le v â n c ia d o S e rm ã o do M o n te p a ra a Ig re ja d e C risto

Lição 1 - 0 Serm ão do M onte: 0 Caráter do Reino de Deus 3

Lição 2 - Sal da Terra, Luz do M undo 10

Lição 3 - Jesus, 0 Discípulo e a Lei 17

Lição 4 - R esguardando-se d e Sentim entos Ruins 25

Lição 5 - 0 Casam ento É para Sem pre 33

Lição 6 - Expressando Palavras Honestas 41

Lição 7 - Não Retribua pelos Padrões Humanos 47

Lição 8 - Sendo Verdadeiros 54

Lição 9 - Orando e Jejuando como Jesus Ensinou 61

Lição 10 - Nossa Segurança Vem de Deus 69

Lição 11 - Sendo Cautelosos nas Opiniões 75

Lição 12 - A Bondade de Deus em nos Atender 82

Lição 13 - A Verdadeira Identidade do Cristão 89


CBO
P re sid e n te d a C o n ve n ç ã o G e r a l
d a s A s s e m b le ia s d e D eu s no B ra s il
Jo s é W e llin g to n C o sta Ju n io r
B íb l ic a s
P re s id e n te d o C o n se lh o A d m in is tr a tiv o P re z a d o (a ) P ro fe s s o r(a ),
Jo s é W e llin g to n B e z e rr a d a C osta
D ire to r E x e c u tiv o Neste trim estre estudarem os o tema
R o n ald o R o d rig u e s de So u za do Sermão do Monte. Nele, faremos um
G e re n te d e P u b lic a ç õ e s estudo a respeito dos valores eternos do
A le x a n d re C lau d in o Coelho Reino de Deus. Tais valores são inegociá­
C o n su lto r D o u tr in á rio e T e o ló g ic o veis para os que se denominam cristãos,
E lie n a i C ab ra l isto é, seguidores do Senhor Jesus.
G e re n te F in a n c e iro
Jo s a fá F r a n k lin S a n to s B o m fim Os valores do Reino de Deus, expressos
no Sermão do Monte, fazem oposição
G e re n te d e P ro d u ção
Ja r b a s R a m ir e s S ilv a aos valores deste mundo. Eles formam o
G e re n te C o m e rc ia l
caráter do cristão e, por isso, o seguidor
C ícero da Silva de Jesus apresenta um comportamento
G e re n te d a R ed e de L o ja s diferente dos que não conhecem a Deus.
Jo ão B a tis ta G u ilh e rm e d a S ilv a
Que neste trimestre, o Espírito Santo nos
G ere n te d e T I dê o privilégio de aprender e a viver os
R o d rig o S o b ra l F ern an d es
valores eternos do Reino de Deus. Que,
G e re n te de C o m u n ic aç ã o
em Cristo, possamos refletir o caráter de
L e a n d ro S o u z a da S ilv a
Cristo em nossa maneira de viver.
C h efe d o S e to r de E d u c a ç ão C ristã
M arc elo O liveira B o m t r im e s t r e !
C h e fe do S e to r d e A r t e & D esig n
W agn er d e A lm eid a
José W ellington B ezerra da Costa
E d ito r
M arc elo O liveira Presidente do Conselho
R e v is o r a Adm inistrativo
V erô n ica A raú jo Ronaldo R odrigues de Souza
P ro je to G ráfico Diretor Executivo
L e o n a rd o E n gel I M arlo n S o ares

D ia g r a m a ç à o e Capa
L e o n a rd o E n gel

A v. B ra sil, 34-401 - B an gu
R io de Ja n e iro - R J - Cep 2 18 5 2 - 0 0 2
T e L : (2 1) 2 4 0 6 - 7 3 7 3
C o n h e ç a m a is
w w w .cp a d .c o m .b r sobre o Novo Currículo
de Escola Dominical

0(D0®
3 de Abril de 2022

O SERMÃO DO MONTE: O
CARÁTER DO REINO DE DEUS
VERDADE PRÁTICA
TEXTO ÁUREO
O Serm ã o d o M on te rev ela a
“ B e m -a v en tu ra d o s sois vós
ética d o R ein o d e D eus que
q u an do vos in ju riarem , e
fo r m a 0 caráter d o cristão.
p ersegu irem , e, m entindo,
Para quem d eseja s e r ch am ad o
disserem todo o m al contra vós,
discípu lo d e Jesu s, n ão há
por m in h a causa.}} (Mt 5 .11)
a ltern a tiva sen ã o p ra ticá-lo .

LEITU RA DIÁRIA
S e g u n d a - M t 7.2 8 ; Lc 6.17 Q u inta - M t 5.3; 12 .2 8 ; M t 7 .2 1,2 2
Um serm ã o p ara q uem seg u e A sp ecto s p resen tes e fu tu ro s
Je su s com sincerid ad e do R eino de Deus

T e rç a - 2 Co 5 1 7 S e x ta - M t 3 .8 -10
Um serm ã o p ara quem É p re ciso v iv e r a s b eatitu d es
n asceu de novo esp iritu a is n a v id a c ristã
Q uarta - A p 1.3; 1 4 1 3 ; 2 2 .17 Sáb ad o - G1 2 .2 0 ; Fp 3.7,8; R m 12 .2
Um serm ã o q ue n os p erm ite É p re c iso re n u n cia r 0 “ eu c a rn a l” e
d e s fru ta r d a felicid ad e d ivin a acolh er 0 “ eu e sp iritu a l”

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L E IT U R A B ÍB L IC A E M C L A S S E

M a te u s 5 . 1 - 1 2
1 - Jesus, vendo a multidão, subiu a um 8 - bem -aven tu rados os limpos de co ­
monte, e, assentando-se, aproximaram-se ração, porque eles verão a Deus;
dele os seus discípulos; 9 - bem -aven tu rados os pacificadores,
2 - e , abrindo a boca, os ensinava, dizendo: porque eles serão chamados filhos de Deus;
3 - B em -aven tu rado s os pobres d e es­ 1 0 - b e m -a v e n tu ra d o s os q u e sofrem
pírito, porque deles é 0 Reino dos céus; perseguição por causa da justiça, porque
4 - b e m -a ven tu ra d o s os que choram , deles é 0 Reino dos céus;
porque eles serão consolados; 1 1 - b em -aven tu rados sois vós quando
5 - bem -aventurados os mansos, porque vos injuriarem , e perseguirem , e, m en­
eles herdarão a terra; tindo, disserem todo 0 m al contra vós,
6 - bem -aventurados os que têm fom e e por m inha causa.
sede d e justiça, porque eles serão fartos; 12 - Exultai e alegrai-vos, porque é grande 0
7 - bem -aventurados os misericordiosos, vosso galardão nos céus; porque assim per­
porque eles alcançarão misericórdia; seguiram os profetas queforam antes de vós.

# H inos Sugerid os: 1 2 6 , 1 3 1 , 2 3 2 da H arpa Cristã

PLANO DE AULA

1. INTRODUÇÃO B) M o tiv a ç ã o : Qual é a v is ã o de


V ivem o s u m a d egrad ação de v a ­ mundo que fundam enta a vid a do seu
lo res em n o ss a so cied ad e. Por isso, aluno? E le tom a d ecisõ es n o m undo
n e ste trim e stre , tem os o p riv ilé g io com b a s e em q u a l é tic a ? U m a ética
de e stu d a r o s v a lo r e s do R e in o de m aterialista, m undana? Ou com base
Deus revelad o s no S erm ão do Monte. na ética do R eino de Deus, conform e
0 p asto r Osiel G om es, escritor, c o n - revelad a n o S erm ã o do M onte?
feren c ista e líd er da AD em T iriric a l C) S u g e stã o d e M étod o : S u ge ri­
(São Luís/MA) é o com entarista deste m os que enriqueça a aula por m eio de
tr im e s tre . E le n o s a ju d a rá a c o m ­ ex em p lo s p o sitiv o s de c ris tã o s que
p r e e n d e r a r e le v â n c ia d o S e r m ã o bu scaram v iv er pelo m enos um a das
do M onte p ara a Ig re ja de C risto n os oito b e m -a v e n tu ra n ç a s d o S erm ã o
d ia s a tu ais. do M onte. O exem plo pode s e r dado
p o r m eio de u m a p e sso a d a p ró p ria
2 . APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO igreja local, ou de n otícias, livros etc.
A) O bjetivos da L ição: I) A n alisar
a e stru tu ra do S erm ão do M onte; II) 3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO
C o rrelacion ar a s b em -aven tu ran ças A) A p lica ç ã o : S u g e rim o s que ao
co m o c a rá te r cristã o ; III) A firm a r a fin a l da a u la, v o cê fa ç a u m m o m en ­
b e m -a ve n tu ran ça do c ristão. to d e m ed ita çã o e o ração . À lu z d as

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b e m - a v e n t u r a n ç a s e s t u d a d a s em B) A u x ílio s E sp e c ia is: Ao fin a l do
aula, leve os alunos a m ed itar sobre a tópico, você encon trará dois a u x ílio s
própria conduta e a su p licar a Deus a que d arão su p o rte n a p re p a ra çã o de
g ra ç a de v iv e r as b e m -a ve n tu ran ça s su a a u la : 1) O te x to “ O S e g r e d o da
do S erm ã o do M onte. Felicid ad e” é um a re fle x ã o am pliada
4 - SUBSÍDIO AO PROFESSOR p elo te ó lo g o M yer P e a rm a n a cerca
A) R evista Ensinador Cristão. Valedo c o n c e ito de B e m -A v e n tu ra n ç a ;
a pena conhecer e ssa re vista que traz 2) O te x to “ D ono d a M a n e ira com o
re p o rta g e n s, a rtig o s, e n tr e v is ta s e P e n s a m o s ” , d o p a s t o r S ta n T o ler,
su b síd io s de apoio à Lições Bíblicas. t r a z u m a p r o p o s ta d e a p lic a ç ã o a
Na edição 89, p.36, vo cê e n co n trará resp eito do im pacto q ue o e n sin o de
um subsídio e sp ecial p ara e sta lição. Je su s p ode tra z e r p ara a v id a c ristã .

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO G eograficam ente, d iz -s e que ele estava


O tem a deste trim estre é 0 Serm ão do situado a 6,5 quilôm etros a oeste do M ar
Monte, ou Sermão da Montanha. Conside­ da G alileia e 13 quilôm etros a sudeste de
rado a alm a do Evangelho, 0 ensino C afarn au m . No m on te do serm ão,
que Jesu s transm itiu no monte n o sso S en h o r se asse n to u e
se destaca pela sua dimensão en sin ou a o s s e u s d iscípulos.
prática e revela a essência de 2. A estru tu ra do Serm ão
I P alavra-C have \
um verdadeiro seguidor de do M onte. Para alguns estu­
Cristo. Ao longo do trimestre, , Beatitude . d io so s, o S erm ão do M onte
v e re m o s que o S erm ã o do s e fu n d a m e n ta n a n a r r a ­
M onte traz um ensinam ento
que, em um prim eiro instante,
vo lta-se plenam ente para Deus; e,
r tiv a que c o m eça em M ateu s
1.4 -16 . O d e sd o b ra m e n to dela
e n v o lv e a g e n e a lo g ia d e Je s u s e
noutro, revela 0 lado ético do divino reino: os se te c u m p rim e n to s p ro fé tic o s que
a m a r o p róxim o. E s se s d ois m om entos
aparecem n e sse Evangelho: 1) Em anuel
p e rfa z e m o s p ila re s d a v id a c ris tã (Mt
(1.23); 2) N ascim ento em B elém (2.6); 3)
22.37,39). Assim , 0 Serm ão do Monte é um
O cham ado do Egito (2.15); 4) O choro de
convite para praticar 0 que Jesus ensinou.
Raquel (2.18); 5) C h am ado de N azareno
(2.23); 6) João Batista: um a voz no deserto
I - A ESTRUTURA DO (3 -3 ); 7 ) Uma gran de luz (4.14-16). Assim ,
SERMÃO DO MONTE to d a e s s a e s t r u t u r a p re c e d e os c in c o
1. P o r q ue S e rm ã o d o M on te? A in ­gran des discursos do Serm ão do Monte:
trodução do capítulo 5 de M ateus (os dois 1) A s B em -A ven tu ran ças (5.3-12); 2) Sal
prim eiros versículos) anuncia 0 título do e luz (5.13-16); 3) Je su s é 0 cum prim ento
Serm ão do Monte. De acordo com M ateus d a L ei (5 .17 -4 8 ); 4) Os a to s d e ju s tiç a
8.1,5 e L u cas 7.1 é a d m is s ív e l que e sse (6 .1-18 ); 5) D e c la r a ç õ e s d e sa b e d o ria
m on te e s tiv e s s e p e rto de C afarn au m . (6 .19-7.27). C om o u m d esd o b ram en to

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d a n a rrativa m essiâ n ic a do eva n ge lista piedosam ente em Cristo e desenvolva as
M a te u s, o S e rm ã o do M o n te d ev e s e r virtu d es p resentes no Serm ão do Monte.
com preend id o e v a lo riz a d o a p a r tir da A ssim , nas p alavras de nosso Senhor (Mt
a u to rid a d e m e s s iâ n ic a de Je s u s p ara 5.1-11), a s bem -aventuranças são 0 resul­
c h a m a r p e sso a s a v iv e r u m a vid a nova tado da fidelidade do crente a Deus que,
no R eino de Deus. em qualquer circunstância, p ersevera no
3. A q u em s e d e s tin a o S e rm ã o do caminho e, com isso, participa das bênçãos
M onte? Os en sin os do Serm ão do Monte divin as da salvação (Ap 1.3; 14 .13; 22.17).
p o d e m s e r c o n s id e r a d o s p r in c íp io s 2.0 R eino de D eus e se u c a rá te r. No
e sb o ç a d o s p o r C risto , q u e re v e la m a E va n g e lh o de M ateu s id e n tific a m o s a
ve rd a d eira c a ra c te rís tic a do seu reino chegada do Reino de Deus e a pregação de
m essiânico. A princípio, podem os d izer Je su s a re sp e ito do Evangelho do Reino
que 0 S erm ão do M onte foi direcionado (3 .2 ; 4.17,23). M a s o q u e s e r ia o R eino
ao s d iscíp u los (Lc 6.20), m as tam bém à de D eu s? Na B íb lia , o R e in o de D eus
boa p arte da m u ltid ão que o o u via (Mt é c o m p a r a d o a u m a s e m e n te , a q u al
7.2 8 ; Lc 6 .17). P o rta n to , o S e r m ã o do se d e se n v o lv e ao lo n g o do tem p o (Mc
M o n te é d e s tin a d o a to d o c re n te que 4.26 -29), de m odo que p od em o s fa la r a
n asceu de n ovo (2 Co 5.17). resp eito de um Reino p resen te (Mt 5.3;
12 .28 ; 19 .14) e de um fu tu ro (M t 7.21,22;
25.34). A exp ressão Reino de Deus declara
a soberan ia, rein ado e govern o de Deus
atuand o em tudo. Podem os a in d a d e s­
SINOPSE I ta c a r p elo m enos quatro con ceitos que
O S e r m ã o d o M o n te e s t á e s ­ se re fere m a e ssa e x p re ssã o n a B íblia:
tr u tu r a d o e m c in c o g r a n d e s a) 0 Reino no coração. Um reinado que
d is c u r s o s p r o f e r id o s p o r Je s u s ocorre dentro do coração da p essoa que
C r is to e te m c o m o p ú b lic o - a lv o se rende à so b e ra n ia de D eus (Lc 17.21).
to d o c r e n t e q u e n a s c e u d e n o vo . b) A chegada do Reino como salvação.
Quando a p essoa p assa p ela experiên cia
s a lv ífic a , d e s fr u t a de b ê n ç ã o s, ta n to
e sp iritu ais quanto m ateriais, reconhece
e obedece ao g ran d e R ei (Mc 10.25,26).
II - A S BEM -AVENTURANÇAS c) Igreja: a expressão do Reino de Deus.
E O CARÁTER DOS FILHOS C o n stitu íd a de p e s s o a s com o c o ração
DE DEUS regen erad o e tra n sfo rm a d o e que, por
1. O que s ã o a s b e m -a ve n tu ran ça s? isso, reconhecem Deus com o o s o b era­
A e x p re ssã o “ b e m -a ve n tu rad o s” é um no, a Igreja é v ista com o a e x p re ssã o do
adjetivo plural grego, makarioi, que sig ­ R eino de D eus (M t 16.17-19).
n ifica “ feliz e s”. E ssa expressão trata das d) Toda a Criação e a volta do Senhor.
q u a lid a d e s p re se n te s n a v id a d os que A im a g e m b íb lica do go vern o de n o sso
d ep en d em de D eus, que e stã o sob seu Senhor, em que 0 universo será redimido
domínio e soberania e seguem a Jesus com e, p o ste rio rm e n te , h a v e r á n o v o céu e
sinceridade. E la ain d a se refere tanto ao n ova te rra , tra z con sigo a d im en são do
presente quanto ao futuro. Nesse sentido, Reino de Deus (Rm 8.22,23; Ap 20.6; 21.1).
0 sa lv o e stá c on scien te d a s p ro m e ssa s 3. Os s ú d ito s d o R e in o d e D eu s. A
d ivin a s p ara o futuro, a fim de que viva p r im e ir a s e ç ã o d o S e rm ã o do M o n te

6 LIÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E SSO R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
(5 .1- 12 ) d estaca oito qualidades que fo r­
m am o c aráter d os súd itos do Reino de fe liz é o h om em forte, rico , popu lar
Deus: 1) o quebrantam ento; 2) 0 choro; e s a tisfe ito co n sig o m esm o. Quando
3) a m an sidão; 4) a retid ão (justiça); 5) a Je su s an u n cio u seu segredo , a qu elas
misericórdia; 6) a pureza; 7) a pacificação; p a la v ra s s o a ra m de fo rm a e stra n h a
8) a p ersegu ição p o r c a u sa d os v a lo res a m u ita s p e s s o a s , p o is d e sc re v ia m
do Reino. Logo, e sp e ra -s e que o s filh os u m m odo de v iv e r q ue lh e s p a re c ia
d e D eus m a n ife ste m e s s a s q u alidad es im p r a tic á v e l” (PE A R L M A N , M yer.
esp iritu ais na vida c ristã pois, sem elas, M a te u s: 0 Evangelho do Grande Rei.
n ão p o d erem o s p a rtic ip a r do rein ad o 5 .ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p.30).
d iv in o (Mt 3.8-10 ). P o rtan to , ao p ra ti­
c a r e ss a s qualidades do Reino, serem os
ch am ad os de “ b e m -a ve n tu rad o s”, isto
é, verd ad eiram ente felizes.
III - SOMOS
BEM-AVENTURADOS
1. A b e a titu d e n a v id a d o s s a lv o s .
Salvo em Cristo, o seguidor de Jesu s vive
SINOPSE II a b eatitud e (isto é, estad o p erm an en te
C ada b e m -a v e n tu ra n ça é um de perfeita satisfação e plenitude; estado
t r a ç o d o c a r á t e r d e q u e m v iv e de felicidade e serenidade) do Serm ão do
Monte de m aneira bem -aventurada. Isso
o s v a lo r e s d o R e in o d e D eu s.
ocorre porque 0 discípulo de Jesus desfruta
do favor de Deus e m anifesta atitudes que
m ostram coerência com a ética do Reino
de Deus: hum ildade, m an sidão, retidão,
m isericórdia, pureza, pacificação, dispo­
AUXILIO TEOLOGICO sição para o perdão (Mt 5.1-12). É possível
todo crente agir por meio dessas atitudes,
O S e g re d o d a F e licid a d e
p ois qu em p a sso u p e la e x p e riê n c ia da
“A e x p re s s ã o ‘b e m -a v e n tu ra d o ’
salvação é tran sfo rm ad o interiorm ente
o fe re c e a c h a v e p a r a a v e r d a d e ir a
p ela P alavra de Deus (Hb 4.12).
fe lic id a d e o fe re cid a p elo M estre . A
2. A p ro v a de que o c ristã o é b e m -a ­
p ala v ra, n o o rig in a l g rego , s ig n ifica
ven tu rad o. O c ristão que p ratica a s oito
a b ênção d ivin a em c o n tra ste com a
beatitudes do Serm ão do M onte dom ina
felicid ad e hum ana. E sta b e m -a v e n ­
0 “ eu carnal”, vive em Cristo, entra numa
turança descreve 0 estado de vidas em
n ova d im en são e sp iritu al e v iv e a b on­
retid ão : aq u eles h u m ild es, m an so s,
dade de Deus (G1 2.20; Fp 3 -7 , 8 ; Rm 12.2).
m iserico rd io so s, p u ro s de c o ração e
A ssim , no Serm ão do Monte, Jesu s Cristo
pacíficos. Je su s e n sin a não depender
en sin a que a verd ad eira felicidad e nada
a felicid ad e p o r Ele o ferecid a do que
tem a v e r com o que o hom em m oderno
tem os ou fazem os, m as do que som os;
d e se ja : d in h e iro , a m b iç ã o e p o d er. A
e não pode ser im portada, m as precisa
felicidade bíblica se revela em quem ama
n a sc e r d a alm a.
o seu in im igo, b en d iz 0 que m ald iz, faz
O m undo tem o seu p ró p rio co n ­
o b e m ao q ue o o d e ia e o ra p elo s que o
c e ito d e b e m - a v e n t u r a n ç a , o n d e
m altratam e p ersegu em (Mt 5 4 4 )-

A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E S S O R 7
ou m e stre . S ig n ific a c o n fia r n a su a
SINOPSE III
s a b e d o r ia c o m o g u ia p a r a a v id a .
O S e r m ã o d o M o n te e s c la r e c e Significa confiar que o modo como Ele
que a s b e m -a v e n tu ra n ç a s sã o entende e torna entendível o mundo é
a v e r d a d e ir a fe lic id a d e p a r a verdade, p reciso e suficiente. Se você
qu em n asceu d e novo. escolhe crer no que Jesu s crê, ordenar
a vida de acordo com os princípios que
E le e n sin a e o ferecer a vid a a serviço
dEle, vo cê e stá en tregan d o a m ente
a C r is to ” (TO LER, S ta n . R e p e n s e a
AUXÍLIO V id a : Uma Dieta In co m parável para
VIDA CRISTÃ Renovar a M ente. í.ed. R io de Janeiro:
CPAD, 2 0 12 , p.26).
“ DONO DA M A N EIRA
COMO PENSAM OS
Como cristão s, tem os de entregar
a m ente de form a que Jesu s se torne o CONCLUSÃO
dono do m odo com o p en sam o s. M as 0 S e rm ã o do M o n te é a b a se é tic a
e n tre g a r a m en te n ão s ig n ific a que do R eino de Deus. N ele, c o n statam o s 0
p a ra m o s de p en sa r. N ad a d isso . Os lado d ivin o de u m a atitude a m o ro sa do
c ristã o s p od em e d evem e s ta r en tre c ris tã o p ara com D eus, b em com o p ara
as p e s s o a s m a is ló g ica s, ra c io n a is e co m 0 p róxim o . S e cad a c ren te fiz e s s e
intelectualm ente curiosas do mundo. do S erm ã o do M onte o seu no rte ético
Lem bre de que D eus criou a m ente, e de vid a , as p o lê m ica s não te ria m lu gar
ele e sp e ra que a u sem o s no m áx im o e n tr e n ó s , n ã o h a v e r ia e s p a ç o p a r a
d as n o ssa s h abilid ad es! m eras o p in iõ es in te le c tiv a s, v isto que
[...1 E n tre g a r a m ente p ara C risto o p ro p ó sito d e s s e s e r m ã o é q u e c ad a
sign ifica escolher Jesu s com o m entor crente seja com o Deus quer que ele seja.

Anotações do Professor
C liq u e a q u p a r a fa z e r s u a a n o t a ç ã o

8 LIÇ Õ E S B ÍB L IC A S •P R O F E S S O R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
REVISANDO O CONTEÚDO

1 . 0 que a in tro d u ção do capítu lo 5 de M ateu s anuncia?


A introd ução do capítulo 5 de M ateu s (os d ois p rim eiro s versícu lo s) a n u n cia
0 títu lo do S erm ão do M onte.
2. Com o pod em o s c o n sid e ra r o s e n sin o s do S erm ão do M onte?
Os en sin os do Serm ão do M onte podem ser considerados p rincípios esboçados
p o r C risto que re v e la m a v e rd a d eira c a ra c te rístic a do seu rein o m essiân ico .
3. Q ual o sig n ifica d o da e x p re ssã o “ B e m -a v e n tu ra d o s”?
A e x p re s s ã o “ b e m -a v e n tu ra d o s” é u m a d jetiv o p lu ra l g rego , m akarioi, que
s ig n ific a “ fe liz e s ” . E s s a e x p re s s ã o tr a ta d a s q u alid a d e s p re se n te s n a v id a
d os que d ep end em de D eus, e stã o sob seu d om ín io e so b e ra n ia e seg u em a
Je su s com sin cerid ad e.
4 . 0 que p od em os id e n tifica r no E van gelh o de M ateus?
No E van gelh o de M ateu s id e n tifica m o s a c h egad a do R eino de D eus e a p re ­
gação de Je su s a resp eito do E van gelh o do R eino (3.2; 4 17,2 3).
5. C om o q ue o R eino de D eus é com p arad o n a B íblia?
Na B íblia, o R eino de Deus é com parad o a um a sem ente, a qual se d esenvolve
ao lon go do tem po (Mc 4 .26 -2 9 ), d e m od o q ue p o d em o s f a la r a re sp e ito de
um R eino p resen te (M t 5.3; 12 .2 8 ; 19 .14 ) e de u m fu tu ro (Mt 7 -21 ,2 2 ; 25.34).

VO CABULÁRIO
In telectiva: relativo ao intelecto, à in teligên cia; in telectu al, m ental.

A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E S S O R 9
SAL DA TERRA,
LUZ DO MUNDO

TEXTO ÁUREO VERDADE PRÁTICA


A in flu ên cia dos cristãos na
“ Vos sois o sal d a terra; [...] Vós so cied a d e é in evitável. Do
sois a lu z do m u n d o ” pon to d e vista bíblico, 0 m undo
(Mt 5 .13, 1 4 ) n ão p o d e esta r in d iferen te aos
verd a d eiro s segu ido res d e Cristo.

__________________________________ y

LEITU RA DIÁRIA
S e g u n d a - Cl 4.6 Q u inta - Jo 15.8 ; 1 P e 2 .12
N o ssa s p a la v ra s d evem ser A lu z com o u m testem un h o
tem p erad as co m sa l v e rd a d eiro de b o a s obras

T e rç a - L c 1 4 -3 4 ,3 5 S e x ta - 2 C o 4 .7
N ão p o d em o s p erd er a relevân cia Um te so u ro em v a s o de b arro
Q uarta - T g 1.17 ; SI 10 4 .2 S áb ad o - E f 5.15
D eus, 0 P ai d a s luzes Andando com prudência e bom sen so

10 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S •P R O F E S S O R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
L E IT U R A B ÍB L IC A E M C L A S S E

M a te u s 5 . 1 3 - 1 6
13 - Vós sois 0 sal da terra; e, se 0 sal fo r 15 - nem se acende a candeia e se coloca
insípido, com que se há d e salgar? Para debaixo do alqueire, mas, no velador, e
nada m ais presta, senão para se lançar dá luz a todos que estão na casa.
fora e ser pisado pelos homens. 16 - Assim resplandeça a vossa luz diante
1 4 - Vos sois a luz do mundo; não se pode dos hom ens, para que vejam as vossas
esco n d er um a cid a d e e d ific a d a sobre boas obras e glorifiquem 0 vosso Pai, que
um monte; está nos céus.

# H inos Sugerid os: 9 , 1 1 , 1 6 da H arpa Cristã

PLANO DE AULA

1. INTRODUÇÃO da Igreja e to m ar e xem p lo s c ristã o s


A p ro p o sta d esta liç ã o é estu d ar que in flu e n c ia ra m a n o ssa h istó ria.
sobre a im portância de n ossa influên­ Su gerim os que vo cê pesqu ise nom es
c ia com o cristã o s n o m undo. A ssim , como W illiam Wilberforce, John Wes-
analisarem os esse assunto a partir das ley e outros. A p artir d esses exemplos,
m etáforas do sal e da luz p resentes no a lição p ode s e r m a is bem aplicada.
Serm ão do Monte. Deus conta conosco
para influenciar o m undo atu al e, por 3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO
isso, não p od em os d e ix a r de “ s a lg á - A) A p licação: S u gerim os que, ao
- lo ” , b e m com o de “ ilu m in á -lo ” . O fin a l da aula, e a p a rtir dos exem plos
Evan gelh o nos ch am a p ara isso. abordados na lição, você d esafie seus
a lu n o s a u m a re so lu ç ã o p e s s o a l de
2 . APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO to m ar com o p ro p ó sito de v id a o e n ­
A) O bjetivos d a Lição: I) Apontar a sin a m en to do S erm ã o d o M onte no
função do sal; II) D estacar a função da se n tid o de se re m “ s a l ” e “ lu z ” em
luz; III) Refletir a respeito da influência cada e sfe ra de atuação.
dos d iscíp ulos de Cristo n o mundo.
B) M otivação: Que tipo de influên­ 4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR
c ia v o c ê te m e x e rc id o n o s lu g a re s A) R evista Ensinador Cristão. Vale
em q u e m o ra , e stu d a ou tr a b a lh a ? a pena conhecer essa re vista que traz
P e rg u n ta s com o e s ta é im p o rta n te re p o rta g e n s, a rtig o s, e n tr e v is ta s e
p ara to rn a r m ais concreto o assunto su b síd io s de apoio à Lições Bíblicas.
em estu d o. O e n sin o do s a l e d a luz Na e d ição 89, p.37 » vo cê e n co n tra rá
requer de nós a adoção de um a postura um subsídio e sp e cia l p ara e sta lição.
influenciadora. B) A u x ílio s E s p e c ia is : Ao fin a l
C) Sugestão de M étodo: Você pode dos tó p ico s, v o c ê e n c o n tra rá a u x í­
pesquisar por meio de livros de história lio s q ue d a rã o s u p o rte n a p re p a ra ­

A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E S S O R 11
ç ã o d e su a a u la : 1) O te x to “A Luz te; 2) O te x to “ Cem A n o s d e p o is ” ,
do M u n d o ” , lo c a liz a d o a o fin a l do in serid o ao fin a l do terceiro tópico,
s e g u n d o tó p ico, é um a a b ord agem traz um a r e fle x ã o de Ju stin o M á rtir
b íb lic a a r e s p e it o d a im a g e m da a r e s p e ito do im p a c to do R e in o de
“ lu z ” no te x to do S erm ã o do M o n ­ D eus no m undo.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO a v id a m oderada, equilibrada, de m odo


N esta lição, e n fa tiz a re m o s o p apel que traz u m a ideia de boa in flu ên cia do
d e “ s a l e lu z " q u e o c r is t ã o d e v e ter crente sobre 0 m undo. Outra fu n ção do
n o m u n d o . N ão b a s t a d e n o ­ sa l é a de p re se rv a r o alim en to da
m in a r - s e c ris tã o , m a s sim deterioração. Quando não havia
fa z e r a d ife re n ç a no lu g a r te c n o lo g ia de re frig e ra ç ã o ,
o n d e v iv e m o s . P o r is s o , preservava-se a carne esfre­
tom arem os duas m etáforas gando-a no sal e deixando-a
p e la s q uais Je su s e nsinou na s a lm o u ra . E s s a fu n ção
a resp eito da relevân cia de tra z um a id eia de oposição
seus d iscípulos no mundo: o ao m undo, p o is o s c ristã o s,
sal e a luz. Como esta ilum ina o c o m o s a l, s ã o “ e s f r e g a d o s ”
lu g a r de trev a s, e aquela tem pera num m undo em p rocesso de apo­
e conserva o alim ento, som os cham ados drecim ento m oral e esp iritu al (1 Jo 5.19).
3.0 c ristã o com o sa l. Como cristãos,
a in flu e n c ia r o m und o atual.
devem os influenciar 0 m undo que se en­
contra em estado de podridão espiritual
I - O SAL TEM PERA (Lc 14.34,35). Nesse aspecto, 0 cristão deve
E CONSERVA expressar os valores m orais e espirituais
1 . D e fin iç ã o . Na B íb lia , a p a la v r a do E v a n g e lh o em s u a v id a , o p o n d o -se
“ s a l ” a p a re ce com o s u b stâ n cia b ran ca aos valores do mundo. Não esqueçam os,
u sa d a com o te m p e ro (Jó 6.6; M c 9 -5 0 ), portanto, de nossa identidade verdadeira
re m é d io e c o n s e r v a n t e (E z 16 .4 ). No na relação que tem os com este mundo, de
g r e g o b íb lic o , h á p e lo m e n o s q u a ­ acordo com as p alavras de nosso Senhor:
tro s ig n ific a d o s p a ra a p a la v r a halas, “ vó s s o is o s a l da te rra ” .
su b s ta n tiv o n e u tro p a ra s a l: 1) com o
te m p e r o ; 2) c o m o s u b s t â n c ia f e r t i ­
liz a n t e p a r a a te r r a a r á v e l; 3) co m o SINOPSE I
su b stâ n c ia que c o n s e rv a o s a lim en to s
O s a l te m a s fu n ç õ e s r e s p e c t i­
d a d e te rio ra ç ã o ; 4) com o sa b e d o ria e
v a s de d ar sa b o r e c o n s e rv a r o s
g ra ç a n o d isc u rso (Cl 4 -6 ).
a lim e n t o s . À lu z d e s s a im a g e m ,
2 . A im p o rtâ n c ia do s a l. P o d em os
s o m o s c h a m a d o s a in flu e n c ia r
dizer que 0 sal tem a função de dar sabor,
a s o c ie d a d e .
pois um alim ento na m edida certa de sal
é saboroso (Jó 6.6). Essa função sim boliza

12 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S •P R O F E S S O R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
I I - A L U Z IL U M IN A 3. A lu z em lu gares de trevas. Quando
LU GARES EM TREVAS d is s e q u e n ã o s e p o d e e sc o n d e r u m a
l. Conceito físic o e m etafó rico. A luz cid a d e e d ifica d a s o b re o m o n te, Je su s
procede dos corpos celestes (própria: e s­ re feria-se à im possibilidade de esconder
trelas; refletida: lua, planetas etc.) que traz o b rilho d a luz. No Reino de D eus, cada
claridade e, p o r isso, é capaz de ilum inar cren te é um a lu z que b rilh a no m undo 0
os objetos e to rn á-los v isíve is. A ssim , a tem po todo. N esse sen tid o , a n atu reza
lâm pada em ite luz, o fogo esp alh a a luz. de quem p asso u pelo N ovo N ascim ento
E n fim , a lu z ilu m in a tu do e, p ortan to , é e sp a lh a r a “ lu z do m un d o” p o r m eio
n ão d e ix a lu g a r p a ra tre v a s. Do ponto da p róp ria v id a . Por isso, o crente deve
de v ista bíblico, a lu z p ode ser aplicada e sta r no lu gar p ara o qual foi cham ado,
m etaforicamente a Deus (Sl 104.2; T g 1.17); fazen d o b rilh a r a luz p o r in term éd io da
a Je su s (Jo 1.4 -6 ); à P a lavra de D eus (Sl boa obra (Mc 4.21; Lc 8.16; cf. M t 5.14-16).
119.105); aos discípulos de Cristo (Mt 5.14). Entretanto, é p re ciso a te n tar p ara e sta
2.0 c ris tã o c o m o luz. Nas p a la v ra sverdade bíblica: 0 cristão não pode m an­
de Jesu s não há dubiedades. O bserve que ter s u a v id a com o lu z e iro p ela p róp ria
Ele n ã o d isse : vos eleveis ser a luz; m as força, m a s p o r in te rm é d io do E sp írito
sim : vo's sois a luz. No R eino d e D eus, o Santo que o fo rta lece (M t 25.4; A t 7.55).
que se esp era do c ristã o é que seja e viva
com o luz d este m undo. Ao r e fe rir-se ao
cre n te com o lu z, Je s u s fa z m en ção às SINOPSE II
b o a s ob ras p ro d u z id a s p o r cad a um de A lu z ilu m in a u m a m b ie n te e m
nó s. E s sa s o b ras se c a ra c te riz a m p elos t r e v a s . À lu z d e s s a im a g e m ,
a to s de a m o r e fé m a n ife s to s n a v id a
s o m o s c o n v id a d o s a f a z e r c o m
d o c ren te p o r m eio de u m testem u n h o
q u e, p o r m e io d e u m s in c e r o t e s ­
verdadeiro diante dos hom ens (Jo 15.8; 1
te m u n h o , a s n o s s a s b o a s o b ra s
Pe 2.12). Logo, a vontade de Deus é que as
s e ja m v i s t a s p e lo s h o m e n s e e s ­
n o ssa s b o a s ob ras resp lan d eçam com o
te s g lo r ifiq u e m a D eu s.
lu z e sejam v ista s p or tod os os h om ens
e e ste s g lo rifiq u e m a Deus (Mt 5.16).

A M P L IA N D O O C O N H EC IM EN T O

O S al
“ O e n sin o ra b ín ic o a s s o c ia v a a m e tá fo ra
do s a l c o m sa b e d o ria . E sta e ra a in te n ç ã o de
Je su s, visto que a p a la v ra g re g a trad u zid a p or
‘ n ad a m a is p re sta ’ tem ‘ to lo’ ou ‘ lou co’ com o
seu sign ificad o radicular. É tolice ou loucura os
discípulos perderem o caráter, já que a ssim eles
são im prestáveis p ara o Reino e a Igreja, e colhe
desprezo de a m b os”. Am plie m ais o seu con h e­
cimento lendo o Com entário Bíblico Pentecostal
Novo T estam en to, publicado p ela CPAD, p.43.

A B R IL •M A IO - JU N H O 2 0 2 2 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E S S O R 13
c a m in h o d e D eus é de lu z q u e re fle te
AUXILIO BIBLIOLOGICO sob s u a P a la v ra (SI 119.105).
3. A in flu ê n c ia c r is t ã . P au lo d is s e
“A luz do m undo (5.14-16). q u e te m o s u m te s o u r o e m v a s o s de
A s cidades antigas eram constru í­
barro (2 Co 4.7). E sse tesouro é a verdade
das com calcário branco, e desta form a
do E v a n g e lh o . Nós d e v e m o s p o r t á -la
relu ziam com a luz do sol. Lâm padas
c o m o b a n d e ir a n u m m u n d o q u e i n ­
eram m an tid as acesas n a s c a sa s du­
te ira m e n te ja z n o M a lig n o (1 Jo 5 -19 )-
rante toda a noite, dispostas em lugares
Com isso , in flu e n c ia r a so cied ad e n ão
altos. A s d uas im agen s n os lem bram
sign ifica que 0 crente seja excêntrico ou
de que a ‘luz’ não deve ficar escondida. o sten te a lg u m a c o isa . Pelo co n trário !
Cristo deixa clara sua analogia. Os atos A p o stu ra de quem é s a l e lu z é a de um
ju sto s d os cid ad ão s s ã o a s lu zes que e m b a ix a d o r de u m a p á tria (2 Co 5.20),
fazem 0 reino visível a todos. Uma vez cu ja s re ferê n cia s sã o a lon ganim id ade,
m ais, n ós vem os que 0 Reino dos Céus a m a n sid ã o e a m o d eração , b e m com o
é um reino interior, que pode ser visto
ou tras virtu d e s do Fruto do E spírito (G1
e deve ser procurado em todos os seus
5.22-24 ). P ortanto, 0 m odo de v iv e r por
cid ad ão s” (RICHARDS, L aw re n ce O.
m eio de u m a n o va v id a , e d a p rá tica de
C o m e n tário H is tó ric o -C u ltu ra l do
bo as o b ras, levará o s h om ens a g lo rifi­
N o vo T e s ta m e n t o . R io d e Ja n e iro :
c a r a D eus. O uçam os, p o is, o c o n se lh o
CPAD, 2 0 12, p.25).
de P au lo: “ v e ja p ru d en te m e n te com o
a n d a is ” (E f 5 -15).

III - DISCÍPULOS
QUE INFLUENCIAM
1 . S e n d o “ s a l ” . 0 s a l n ão a p a re c e ,
SINOPSE III
p ois atua de m aneira oculta e silenciosa.
E s s a re fe rê n c ia n o s e n sin a q ue, a n tes Os c r is t ã o s s ã o c h a m a d o s a i n ­
d e te s te m u n h a r m o s p u b lic a m e n te , é flu e n c ia r o m u n d o e m q u e v i v e ­
p re c is o re n o v a r o “ h o m em in t e r io r ” m o s , p o is s o m o s s a l e lu z.
(2 Co 4.16). Ou se ja , a n tes de p ro p a g a r
um a m en sagem pública, ela p recisa ser
verdadeira dentro de nós. N esse sentido,
0 nosso testem unho não será titubeante.
A ssim , 0 sal poderá e star fora do saleiro,
e sp a lh a n d o -s e p o r todo o m undo. AUXÍLIO
2. Sen d o “ lu z ” . Como luz, o c ristã o BIBLIOLOGICO
d eve " b rilh a r” n a fa m ília , n a e sco la ou
n a u n iversid ad e, no trab alh o e em toda “ Cem a n o s d ep ois
a sociedade. Os seg u id o res de Je su s não Ju s tin o M á rtir, n a s c id o em 10 0
p od em se esconder. E les são ch am ados d.C., e sc re v e u a su a A p o lo g ia , [...] a
a a n d ar n a luz com o n a lu z D eus e stá (1 respeito do im pacto do Reino de Deus
Jo 1.7). Logo, se o n o sso c a m in h o é luz, no c o m p ro m isso c ris tã o , e le tem a
n ão p ode h a ver tre v a s. N esse cam in ho d iz e r o seg u in te:
n ã o h á lu g a r p a r a e s c u r id ã o , p o is o

14 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E SSO R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
Ao ouvir que procuram os um reino, C o m e n tá rio H is tó ric o -C u ltu ra l do
v o c ê im a g in a , s e m fa z e r n e n h u m a N o vo T e s ta m e n t o . R io de Ja n e iro :
pergunta, que estam os falando de um CPAD, 2 0 12 , p.24).
reino humano; porém estam os falando
daquele reino que é de Deus, que tam ­
bém é m encionado na co n fissão de fé
feita p o r aqueles que sã o acu sad os de C O N C LU SÃ O
serem c ristã o s, em bora sa ib a m que N este m u n d o d om in ad o p e la s tr e ­
a m o rte é a p u n iç ã o d a q u e les que o v a s do p ecad o, só m esm o a in flu ê n cia
c o n fe ssa m . P o is s e p ro c u rá sse m o s d o s s e r v o s de C r is to p a r a p ro m o v e r
um reino hum ano, tam bém d evería­ v e rd a d e ira s m u d a n ç a s. É p re c iso que
m o s n e g a r o n o sso C risto , p ara que a lu z d iv in a b rilh e a p a r tir de n ó s p ara
não fô ssem o s m ortos; e ten taríam os que tod os vejam a s n o ssa s b o as o b ras e
e sc a p a r à d eten ção , p a ra ob term o s glorifiquem 0 Pai. M as tam bém é preciso
aquilo que e sp eram o s. M a s com o os lem brar de que sem um verd ad eiro te s­
nossos pensamentos não estão fixados tem u nh o o E van gelh o n ão s e rá levad o
no p re se n te, n ão nos p re o cu p a m o s a sério e n tre os h om en s. E ntretanto, se
quando o s h om en s n os m atam , um a o c ris tã o m o s tr a r u m a v id a v e rd a d e i­
v e z que a m o rte ta m b é m é u m a d í­ ram en te tra n sfo rm a d a , sin c e ra e sem
vid a que p re cisa , de qualquer m odo, a r t ific ia lis m o , e x e rc e re m o s o n o ss o
s e r p a g a ” (RICHARDS, L aw re n ce O. papel de s a l d a te rra e lu z do m undo.

Anotações do Professor
C liq u e a q u i p a r a fa z e r s u a a n o t a ç ã o

VOCABULÁRIO
E xcên trico : extravagan te, fora d os p ad rões n orm ais.
O stentar: exibir, alardear.
S alm ou ra: C onservação de a lim en tos em sal.
T itubean te: h esitan te, vacilante.

A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S •P R O F E S S O R 15
REVISANDO O CONTEÚDO

1. Qual a d efin ição de sal?


A p ala vra “ s a l” aparece com o substân cia bran ca usada com o tem pero (Jó 6.6;
M c 9.50), rem éd io e co n se rva n te (Ez 16.4).
2. Q uais a s d u as fu n çõ es do s a l, seg u n d o a lição?
D ar sa b o r e p re se rv a r os alim en tos.
3. 0 que se e sp e ra do c ris tã o no R eino de Deus?
No R eino de D eus, o q ue se esp e ra do c ristã o é que “ se ja ” e “ v iv a ” com o luz
d este m undo.
4. P ara qual verd ad e b íb lica o crente d eve atentar?
O c ristão n ão pode m an te r su a v id a com o lu zeiro p ela p ró p ria força, m a s por
in te rm é d io do E sp írito S anto que o fortalece.
5. De m an eira con creta, q u al o lu g a r em que o crente d eve b rilh a r com o luz?
Com o lu z, o c ristã o d eve b rilh a r na fa m ília , na esco la ou na u n iversid ad e, no
trab alh o e em toda a sociedade.

LE IT U R A S PARA APROFUNDAR

Ama 0 teu corpo Panorama do


E s s e li v r o é p a r a a ju d a r o c r is t ã o Pensamento Cristão
a s e p r e p a r a r p a r a m in i s t r a r M u ito s m o v im e n t o s h o je r e t r a t a m
a o s fe r id o s , c u ja s v i d a s fo r a m J e s u s n ã o c o m o o S e n h o r d a g ló r ia ,
d e s t r u í d a s p e la f a ls a p r o m e s s a de m a s c o m o o p r o m o t o r d a fe lic id a d e ,
lib e r d a d e e a u t o n o m ia . u m r e t r a t o d e C r is t o q u e p o d e m o s
c h a m a r d e “ J e s u s li g h t ” . S e r á que
r e a lm e n t e é t ã o f á c i l s e g u i r a Je s u s ?

16 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S •P R O F E S S O R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
JESUS,
O DISCÍPULO E A LEI
A
TEXTO ÁUREO VERDADE PRÁTICA
Os seguidores d e Jesu s são
" Porque vos digo que, se a
ch am ados a v iv e r a ju stiça do
vossa ju stiça n ão exced er a dos
R ein o d e Deus. Essa justiça,
escribas e fariseu s, d e m odo
basea d a na N ova A liança em
nenhum entrareis no R eino
Cristo, nasce na interior d o crente
dos céus.” (Mt 5 .2 o)
e reflete no exterior da vida.
V_____________________________ __________________________________ y

LEITU RA DIÁRIA
S e g u n d a - M t 5 -17 ; R m 3 3 1 Q u inta - 1 T m 1.5
Je su s n ão v e io re v o g a r a L ei nem O fim do m an d am en to: coração
c o n tra d iz e r os p ro fetas p uro, b o a con sciên cia e fé sin cera
T e rç a - Hb 1 .1- 3 S e x ta - R m 7 .12 ; R m 3 .31;
O S en h o r Je su s C risto cum priu A L ei é s a n ta e e stá e stab elecid a em
fielm en te a Lei C risto Je su s, o n o sso Senhor
Q uarta - G 1 3 24 S áb ad o - R m 1 3 .8 -10 ; G 1 5.6,25
A fu n ção da Lei é le v a r o h om em A Lei está cumprida no am or e
a C risto dinam izada em nós pelo Espírito Santo

A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S •P R O F E S S O R 17
L E IT U R A B ÍB L IC A E M C L A S S E

M a te u s 5 . 1 7 - 2 0
1 7 - Nâo cuideis que vim destru ir a lei m enores m andam entos e assim ensinar
ou os profetas; nâo vim a b-ro g ar, mas aos hom ens será cham ado 0 m enor no
cumprir. Reino dos céus; a q u ele, porém , q u e os
18 - Porque em verdade vos digo que, até cumprir e ensinar será cham ado grande
que 0 céu e a terra passem , nem um jota no Reino dos céus.
ou um til se omitirá da lei sem que tudo 20 - Porque vos digo que, se a vossa justiça
seja cumprido. não exceder a dos escribas e fariseus, de
19 - Qualquer, pois, que violar um destes modo nenhum entrareis no Reino dos céus.

H inos Sugerid os: 13 , 2 3, 25 da H arpa C ristã

PLANO DE AULA

1. INTRODUÇÃO C) S u gestão de M étodo: Ao iniciar


Qual é a relação entre Jesus e a Lei? 0 terceiro tópico, pergunte aos alunos
E o que E le d eseja q ue seu s d iscíp u ­ 0 que eles en ten d em p o r ju stiç a . Dê
los ap ren d am a c e rca d e ssa relação. um tem po p a ra que e le s e x p o n h a m
B a s ic a m e n te , e s ta liç ã o tem com o 0 que p ensam . O uça-os com atenção.
p ro p ó sito m o s tr a r q ue a re la ç ã o de Em seguida, exponha o tópico concei­
Je su s com a L ei a p e n a s n o s m o stra tuando a p ala vra ju stiça, destacando
que a n o ssa ju stiç a é elevad a. Logo, seu a sp e cto reto, ín te g ro e h onesto.
o o b je tiv o d e e stu d a r e s s a re la ç ã o
de Je s u s co m L e i é o de tr a z e r ao s 3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO
c ristã o s um c o m p rom isso profundo A ) A p lic a ç ã o : V iv e r a re tid ã o , a
co m a ju stiç a de Deus. integridade e honestidade são desafios
diante de u m m undo re la tiv ista . Por
2 . APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO is s o , m o s tr e a o s a lu n o s a s e s fe r a s
A) O bjetivos d a L ição : I) M ostrar con cretas em que serem o s p rovad os
que Jesu s cumpriu toda a Lei; II) Com­ em n o ss a ju s tiç a : fa m ília , e sc o la e
p arar a L etra da Lei com a Verdade do universidade, trabalho, am izades etc.
E sp írito; III) C onceituar a Ju stiça do
R eino de Deus. 4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR
B) M o tivação : O que é ju stiça? Na A) R evista Ensinador Cristão. Vale
p ersp ectiva bíblica, a p a la v ra ju stiça a pena conhecer essa re vista que traz
tem a v e r c o m retid ão, in tegrid ad e, re p o rta g e n s, a rtig o s, e n tr e v is ta s e
honestidade. O Serm ão do Monte nos su b síd io s de apoio à Lições Bíblicas.
co n vid a a c u ltiv a r a retid ão , a in te ­ Na e d ição 89, p.37, vo cê e n co n tra rá
grid ad e e a h on estid ad e p ara v iv e r a um subsídio e sp e cia l p ara e sta lição.
ju stiç a do rein o divino. B) A u xílio s E speciais: Ao fin al dos

18 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S •P R O F E S S O R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
tópicos, você encontrará a u x ílio s que O texto “ Sobre a Ju s tiç a ” , lo calizad o
d a rã o su p o rte n a p re p a ra çã o de su a a o fin a l d o te r c e ir o tó p ic o , á um a
aula: 1) O texto " 0 P rin cípio B ásic o ” , reflexão a respeito da com paração da
localizado ao fin al do segundo tópico, “ ju stiça” de Jesu s com a dos fariseu s,
é u m a r e fle x ã o a re s p e ito de com o bem com o o p ad rã o e levad o e x ig id o
n o sso S en h o r com p reen d ia a L ei; 2) de n ó s p elo n o sso Senhor.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO sim , a p ren d em o s, co m Je su s, que não


N esta lição e stu d arem o s a resp eito é p o ssív e l c o n s tru ir u m fu tu ro b o m se
d a re la ç ã o de Je s u s co m a L ei e o que n ão p re se rv a r m o s a s c o isa s b o a s que
E le d e s e ja d e s e u s d is c íp u lo s . __ os a n tig o s n o s le g a ra m .
V erem o s que o S e n h o r Je su s 2. J e s u s n ã o v e io d e s tru ir

k
cu m p riu to d a a L e i, d e s ta ­ a L e i. P a ra m u ito s o p o sito ­
ca re m o s a d iferen ça entre
I P alavra-C have \ re s , Je s u s era u m agitador,
a Letra da Lei e 0 Espírito e, re vo lu cio n á rio , d estru id o r
finalm ente, analisarem os a , Justiça , d a t r a d iç ã o r e c e b id a (Jo
justiça do Reino de Deus. No 5 .i 8 ). Por isso, n o sso Senhor
Serm ão do M onte, podem os
p e r c e b e r, c o m c la r e z a , que
0 n o s s o S e n h o r n ã o d e s t r u iu a
r fo i a lv o de f a ls a s a c u sa ç õ e s
p e lo s se u s c rític o s (M t 2 6 .5 9 -
6 1). E n t r e t a n t o , o s E v a n g e lh o s
Lei nem 0 en sin o d os p ro fe ta s, m as o s d e ix a m c la ro que Je su s en sin o u sobre
cum priu e o s aperfeiçoou. A ssim , com o a ju stiç a c o n fo rm e o que M o isé s, a Lei
s e u s se g u id o re s , a n o ss a ju stiç a d eve e os p r o fe ta s e n s in a ra m . No lu g a r de
tra n s c e n d e r a d o s e sc r ib a s e fa r is e u s en fra q u e c e r a L e i, E le d e v o lv ia o v e r ­
(Mt 5.20). d a d e iro s e n tid o d e la , já a b a n d o n a d o
pelos m estres judeus (Mt 8.4; Mc 7.10; Lc
1 - JESU S CUMPRIU TODA A LEI 16.31; Jo 5 -4 6 ). Je su s en fatizou 0 sentido
1. U m c o m p ro m is s o co m o p a s s a ­p erfeito da Lei (Mc 7 -5 _1 3 )- E\e m esm o, a
do. Q uando n o ss o S e n h o r c o m e ço u a con tin u ação d a revelação d ivin a, m o s­
e n s in a r, se u p ro p ó sito n u n ca fo i 0 de tra v a que e s s a re ve la çã o é p ro g re ssiv a
d e s c o n s tru ir tu d o ou n ã o v a lo r iz a r o p a r a a p e r fe iç ã o , n ã o r e tr ó g a d a n em
p a s s a d o re la tiv o ao s e n s in o s da L ei e e stá tic a . N esse sen tid o , a fé e o e n sin o
d o s P ro fe ta s . A e x p r e s s ã o “ n ão p e n ­ d a P a la v r a d e D eu s d e v e m n o s le v a r
s e m ” re v e la e x a ta m e n te is s o (M t 5.17 ao v e rd a d eiro c re scim e n to e sp iritu a l,
- NAA). O ra, Je su s s a b ia q ue o en sin o com o b em e n sin ou o s a lm is ta (SI 1.2 ,3 ;
da a n tiga d ispen sação e ra va lio so , v e r­ 119 .1 ,9 7 ).
d adeiro, b om e belo. E le ja m a is o u sara 3. J e s u s c u m p riu e a p e r fe iç o o u a
se r um revolucionário, portador de um L e i. 0 v e rb o “ c u m p r ir ” (M t 5 -17 ), do
e s p ír ito d e s tru tiv o , c o m o 0 a p ó sto lo g r e g o p/êroó, t r a z a id e ia d e to r n a r
P a u lo ta m b é m n ã o (cf. R m 3.31). A s ­ c h eio , c o m p le ta r, e n c h e r a té o m á x i­

A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S •P R O F E S S O R 19
m o, fa z e r abund ar, fo rn e c e r ou su p rir
liberalm ente. A ssim , a p ersp ectiva pela
q u a l Je su s cu m p riu a L ei é que E le lhe
IV
deu perfeição, conform e nos revela essa Em Cristo, o que era v is ­
ex p re ssão : “ [...] foi d ito ao s a n tigos: [...] to por meio do Decálogo
Eu, p o rém , v o s d ig o ” (Mt 5.21,22). Ora, e dos profetas, concreti-
em m om ento algum Jesu s conflitou com zo u -se fielm ente em J e ­
a s E s c r it u r a s do A n tig o T e sta m e n to ,
m a s a s h a rm o n iz o u p le n a m en te . Po r
sus, conform e nos reve­
is s o , d ife r e n t e m e n te d o s e s c r ib a s e la o escritor aos Hebreus
fariseu s, que usavam da Lei para abusar (Hb 1 .1 - 3 ) .”
d o p o vo (M t 2 3 .4 ; Lc 11.4 6 ), o S e n h o r
Je s u s a a p e r fe iç o o u (M t 5.19 ). O que
e ra v is t o c o m o so m b ra ced e u e sp a ç o
p ara a realid ade do pleno cum prim ento I I - A LETRA DA LEI,
p ro fé tic o (Lc 4 .16 -2 1). Em Je su s, o que A VERDADE DO ESPÍRITO
e ra v is t o p o r m eio d o D e cálo go e dos
1. O que a e x p re s s ã o “ le tra d a L e i”
p ro fe ta s, co n c retiz o u -se fielm en te em
s ig n ific a ? De aco rd o c o m a s c a r ta s de
em n o sso S enhor, c o n fo rm e n o s revela
P au lo, a e x p r e s s ã o “ le t r a d a L e i” d iz
o e sc rito r a o s H ebreus (Hb 1.1-3).
resp eito ao A n tigo Concerto. E ssa letra
e x p re ssa o s d esíg n io s de D eus em fo r­
m a de p roibições e sc rita s que revelam
o p ecad o e le v a m à c on d en ação , com o
SINOPSE I nos m o stra R o m an o s 7 -7 - 2 5 - Em sum a,
J e s u s a p r e s e n to u u m c o m p r o ­ dom inado p ela fraqu eza da carn e e sem
m is s o c o m o p a s s a d o , p o is E le fo rç a , o h o m em s e r ia le v a d o à m o rte
n ã o v e io d e s t r u ir a L e i, m a s d ian te d a letra d a Lei.
a p e r f e iç o á - la . A fu n ção da L ei é m o stra r a m a lig -
nidade do pecado e a im possibilidade do
hom em em s a lv a r-se . N esse sentido, ela

AMPLIANDO O CONHECIMENTO

A L ei
“A lei revelava a vontade de Deus quanto à conduta
do seu povo (19 -4 - 6 ; 2 0 .1-17 ; 2 1.1-2 4 .8 ) e p rescrevia os
sacrifícios de sangu e para a expiação pelos seus p eca­
d os (Lv 1.5; 16.33). A lei n ão foi d ada com o um m eio de
salvação com Deus (20.2). A ntes, pela lei Deus ensinou
ao seu povo com o an d ar em retidão diante dEle com o
seu Redentor, e igu alm en te d iante do seu p róxim o.”
A m plie m a is o seu conhecim en to, len d o a B íb lia de
E stu d o P e n teco stal, p ublicada pela CPAD, p.146.

2 0 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E S S O R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
se rv iu com o paidagôgos (do grego), isto re ve lo u -se n a p essoa de Jesu s, que gera
é, um pedagogo, um guia, que n os levou v id a , e não m a is n a le tra p esad a da Lei,
a Cristo (G13 -2 4 ). Um exem plo que revela que g e ra m o rte (R m 6.23). Ou s e ja , de
e s s a fu n ção é a relevân cia d os p ro fetas um cód igo e x te rio r de n o rm as p ara um
do A n tig o T e sta m e n to p a ra d e s p e rta r c ó d ig o in te rio r e d in a m iz a d o na v id a
o p ovo ao v e rd a d eiro a rrep en d im en to pelo Espírito; de palavras registradas em
d ian te de Deus. E ntretanto, o ju daísm o tábu as de p edra p ara p a la v ra s cravad as
tr a n s fo r m o u a “ le t r a d a L e i” e m um no coração . O E sp írito S an to tra z v id a
siste m a de n o rm as f ria s e sem vida. em C risto e grav a a vontade de Deus em
2. A perspectiva teológica da Lei. Para n o ssa con sciên cia e c oração (Rm 8.2; 1
os judeus, a Lei apresentava sua com ple- Co 1 5 4 5 ; í T m 1.5).
tude p o r m eio de u m a tríp lic e d ivisão : 4. Q ual é o p ro p ó sito d a L ei p ara os
m oral, cerim onial e judicial. A Lei M oral d is c íp u lo s de C risto ? V im o s que Je su s
envolve os Dez Mandamentos (Êx 20.1-17); cu m priu toda a Lei. N esse sentido, cabe
a cerim onial refere-se à adoração do povo p erg u n ta r: h á p rop ósito d a L e i p a ra os
de Deus no Tabernáculo e, posteriormente, c r is t ã o s ? O a p ó s to lo P a u lo re sp o n d e
no Templo (Êx 25.1-31.17); a judicial tem a a e s s a q u e stã o m o stra n d o q u e a L ei é
ver com diversas responsabilidades civis sa n ta (R m 7.12), e stá e sta b ele c id a (Rm
(individuais e sociais) (Êx 21.1-23.19). Pelo 3.31), se cu m p re n o a m o r (R m 13 .8 -10 ;
Gl 5 .14 ) e o p e ra a tu a lm e n te p o r m eio
s is te m a d a a n tig a L e i, h a v ia um fa ls o
do E sp írito S an to, que d in a m iz a a vida
entendim ento de que o hom em poderia
in terio r do c ristã o (Rm 8.2,9; Gl 5.6,25).
viver de m aneira justa segundo 0 seu pró­
Portanto, é Je su s C risto quem im pacta,
prio m érito e que, p o r isso, seria possível
a p e rfe iç o a e, p o r m eio do S an to E s p í­
sa lv a r-se . Ora, o apóstolo Paulo refutou
rito , im p la n ta n o in te rio r d o c re n te o
sabiam ente esse fa ls o entendim ento (G1
v e rd a d e iro sen tid o da L ei (Gl 4 .3-7).
2.16; T t 3.5). Em s u a s c a rta s, o apóstolo
deixou bem claro que 0 Senhor Jesus cum­
priu toda a Lei e que, p or isso, p ôs fim ao
Sistem a de L ei M osaico, de m odo que Ele
SINOPSE II
oferece um novo e v ivo cam in h o para se
ch egar a Deus (Jo 14.6; Hb 10.19,20), um a L e tr a d a L e i d iz r e s p e it o ao
n ova alian ça que concede ju stificação e A n t ig o C o n c e r to ; a v e r d a d e do
p az ao salvo (Rm 5.1). E s p ír it o d iz r e s p e it o a v i d a e m
3. A Lei e a verdade do Espírito. Nosso C r is to q u e g r a v a a v o n ta d e d e
S en h o r c u m p riu to d o 0 A n tig o T e s ta ­ D e u s n o c o ra ç ã o .
m ento, obedecendo perfeitam ente à Lei,
cum prindo os tipos, som bras, sím bolos
e profecias. A causa dessa realidade p er­
fe ita é a m o rte s u b stitu tiv a de Je su s e, AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO
por isso, hoje, os cristãos são declarados
ju stos pelo m érito da obra de Cristo (Rm “ O P rin c íp io B ásic o
3.21-26; 10.4). Em conformidade com esse Os oponentes de Jesus 0 criticavam
evento salvífico, 0 apóstolo Paulo diz que por n ão gu ard ar a s m in ú cias d as ob-
a le tra m ata , m a s o E sp írito v iv ific a (2 servân cias tradicionais da lei judaica.
Co 3.6). Isso m ostra que 0 Novo Concerto

A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2 LIÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E S S O R 21
Aqui Jesu s deixa claro que Ele não está VI
ausente p ara d estru ir a lei, m as p ara
c u m p ri-la e a té in t e n s ific á - la . E le
Jesus Cristo impacta,
fix a padrões m ais altos. Seu principal aperfeiçoa e, por m eio do
interesse é a razão de a lei e x istir; Ele Santo Espírito, implanta
in siste que gu ard ar a lei com eça com
a atitude do coração. Por este princípio
no interior do crente
Jesu s afirm a sim ultaneam ente o valor o verdadeiro sentido
d as p esso a s e da lei. Neste aspecto Ele da Lei.”
cum pre a lei antecipada por Jerem ias:
‘Porei a m in h a lei n o seu in terio r e a
escreve re i no seu coração; e eu serei
o seu D eus, e e les serã o o m eu p ovo’ se a ch am fié is e c u m p rid o res de toda a
(Jr 3133 b). Como su cessor de M oisés, lei d e C risto . C o n seq u en te m e n te, são
Jesus dá a palavra final na lei. Mas 0 que re b a ix a d o s à co n d içã o de m en o re s os
Ele quer dizer quando fala que cumpre que n eglig en ciam , rem ovem , sep aram ,
a lei? Não s ig n ifica que E le sim p le s­ v io la m o m en o r d os m an d a m en to s de
m ente a ob serva. Nem quer d izer que D eu s e n ã o a te n ta m p a r a a s u a i n s ­
Ele anulou o A ntigo T estam ento e a s t r u ç ã o , q u e r p o r o m is s ã o , q u e r p o r
leis (com o sugerido p o r M árcion e os tra n s g re ss ã o . A ssim , c o m o d iscíp u lo s
h ereg es gnósticos). A obra de Jesu s e de C risto e c id ad ão s do R eino de D eus,
sua Igreja e stá firm em en te a rra ig a ­ d evem os c u m p rir e e n sin a r a lei d ivin a
da n a h istó ria de salvação . E m certo a p a rtir do p o d er do E sp írito S anto que
sentido, Jesu s deu à lei um a expressão tra n s fo rm a , a p e rfeiço a e co n ce d e-n o s
m ais plena, e em outro, transcendeu a g ra ç a e v e rd a d e (Jo 1.16,17).
lei, v isto que Ele se tornou a corpori- 2. A j u s t i ç a d o R e in o d e D e u s. A
ficação do seu cum prim ento. M ateus com preen são da ju stiç a do A n tigo T e s­
v ê o c u m p rim e n to d a lei em Je s u s tam ento, b asead a no bin ôm io lei-o b ra,
sem elhantem ente ao cum primento da gerou o rg u lh o p e sso a l e co n fian ça n as
profecia do Antigo Testamento: O novo p róprias ações dos judeus p ara ju stifica­
é como 0 velho, m as 0 novo é m aior que rem a s i m esm os. No N ovo T estam ento,
0 velho. Não só 0 novo cumpre 0 velho, há exem plos a esse respeito: 0 jovem rico
m as 0 transcende. Jesu s e a lei do novo que a g iu a ssim p ara a tin g ir o su prem o
R eino são 0 in ten to , d estin o e m eta b e m (M t 19 .16 -2 6 ); o fa r is e u q u e, p o r
fin a l da lei” (ARRINGTON, French L; m eio de s u a ju stiç a p ró p ria, a c h a v a -se
STRONSTAD, Roger (Eds.) Com entário m elh o r que o p u b lican o (Lc 18 .9 -17 ); o
Bíblico Pentecostal Novo Testamento. sacerdote e 0 levita que, firm ado s numa
Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.4 4 ). ju s tiç a p ró p ria , n ã o a te n ta ra m p a ra a
a fliç ã o do p ró x im o (Lc 10 .2 5 -37 ). M as
Je su s e n sin a ao s s e u s d iscíp u lo s que a
I I I - A JU STIÇA DO nova ju stiça no Reino de Deus é interior,
REINO DE DEUS m o ra l e e sp iritu a l e n ão s e tr a ta m ais
1. Quem é gran d e no R eino de Deus? daquela velha justiça exterior, cerim onial
M ateus 5 18 ,19 m ostra que sã o con sid e­ e le g a lis ta . P o r is s o , a ju s tiç a e x ig id a
rados ‘‘ grande no Reino de Deus” o s que p elo S enh or Je su s a o s seu s d iscíp u lo s é

2 2 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E SSO R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
superior a dos escribas e fariseu s. É uma
ju stiça m ais sublim e, e levad a e interior. cidadãos do R eino de Je su s, você e eu
E ssa justiça só pode ser obtida m ediante som os cham ados para viver um a vida
a fé, nos p erm itin d o v iv e r de m an eira ju sta . M a s d evem os e v ita r o en gan o
ju sta e piedosa (Rm 3.21,22; Rm 8.2-5) e, dos fariseu s. Não devem os confundir
a s sim , e n tra r no R eino de Deus. a v e rd a d e ira ju s tiç a , ou su p o r que,
p o r fa z e rm o s d e te rm in a d a s c o isa s
e e vitarm o s ou tras, a lcan çam os e le ­
vad a e sp iritu alid ad e. O que fazem o s
SINOPSE III
é im p o rta n te , é ve rd a d e. M a s Deus
O S e r m ã o d o M o n te e s c la r e c e está m ais interessado no que so m os”
que a s b e m -a v e n tu ra n ç a s são (RICHARDS, Lawrence O. Com entário
a v e r d a d e ir a fe lic id a d e p a ra D e v o c io n a l d a B íb lia . 2 .e d . R io de
q u e m n a s c e u d e n o vo . Jan eiro : CPAD, 2 0 13, p.557).

AUXÍLIO CONCLUSÃO
BIBLIOLOGICO Je su s n ão v e io p a ra d e s fa z e r a L ei,
nem v iv e u com o um le g a lis ta . Porém ,
So b re a Ju stiç a so u b e c o n s e r v a r o q u e h a v ia d e bom
“ [...] Os fa rise u s e ram z e lo so s em na a n t ig a L e i, d a n d o - lh e u m a n o v a
g u a rd a r tan to a lei e sc rita q uan to a d in âm ica de vida. N osso S en h o r deseja
o ra l. Ao e x p lic a r o v e rd a d e iro s ig ­ que n o ssa s v id a s sejam eleva d a s e sp i­
n ificad o d a P a la v ra d e D eu s, C risto ritu a lm e n te , s e m e lh a n te s ao c a rá te r
e sta v a p restes a r e v e la r um a ju stiç a e c on d u ta d E le, d eix an d o de lad o toda
que ‘ u ltra p a s s a v a ’ q u alq u er ju stiç a frie z a e sp iritu a l e, aqu ecid os p elo E s ­
que os fariseu s im aginassem possuir, p írito S an to, abran çan d o o v e rd a d eiro
gu ard an d o o s m an dam en tos. Como E van gelh o do S en h o r Je su s C risto.

Anotações do Professor
C liq u e a q u i p a r a fa z e r s u a a n o t a ç ã o

VO CABULÁRIO
B in ô m io : que tem d ois n o m es ou d ois term os.
Estático: sem m ovim ento; p arado, im óvel.
R etró gad a: que anda p ara trá s, n ão avança.

A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E S S O R 23
REVISANDO O CONTEÚDO

1. Segu n d o a lição, Je su s tin h a o p ro p ó sito de d e stru ir a Lei?


Quando n o sso S en h o r com eçou a e n sin a r, s e u p ro p ó sito n unca fo i o de d e s-
c o n stru ir tudo ou n ão v a lo riz a r o p a ssa d o re la tiv o a o s e n sin o s da Lei e dos
Pro fetas.
2. Qual é a tríp lic e d ivisã o d a Lei?
P ara o s ju d e u s, a L ei a p re se n ta v a su a com pletu de p o r m eio de u m a tríp lice
d ivisã o : m o ral, c erim o n ial, ju dicial.

3. De acord o com a lição, o que a le tra da Lei e x p re ssa?


E s s a le tra e x p re s s a os d e síg n io s de D eus em fo rm a de p ro ib içõ es e sc r ita s
que re v e la o p ecado e le v a à cond enação, com o n o s m o stra R om anos 7.7-25.
4. C om o o Senh or Je su s cu m priu todo o A n tigo T estam en to?
N osso Senh or cum priu todo 0 A n tigo Testam ento, obedecendo p erfeitam ente
a L ei, cu m p rin d o o s tip o s, so m b ras, s ím b o lo s e p rofecias.
5. 0 que é a ju stiç a n o R ein o de Deus?
Je su s e n sin a a o s se u s d iscíp u lo s que a n o va ju stiç a n o R eino de Deus é in ­
terior, m o ra l e e sp iritu a l e n ão se tra ta m a is d aqu ela v e lh a ju stiç a e xterio r,
ce rim o n ia l e le g a lista .

LE IT U R A S PARA APROFUNDAR

ra

OSábado, a Lei e a Graça Um Mestre fora da Lei


Q u em n ã o g u a r d a o s á b a d o s e r á E le fo i a c u s a d o d e q u a s e tu d o -
s a lv o ? Q u al a fin a lid a d e d a le i? q u e b r a r a le i, t e r m á s c o m p a n h ia s ,
E x - s a b a t i s t a , o e s c r i t o r re s p o n d e s e e m b r ia g a r , e d e s e r o p r ó p rio
a e s ta s e o u tra s q u e stõ e s d ia b o . E le e r a t ã o a t r a t iv o e p e r i­
in q u ie ta n t e s . g o s o q u e t iv e r a m d e m a t á - lo .

24 LIÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E S S O R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
2 4 de Abril de 2022

RESGUARDANDO-SE
DE SENTIMENTOS RUINS
VERDADE PRÁTICA
TEXTO ÁUREO
A cólera e a ira n ão p od em
“ Eu, p orém , vos d ig o que
d o m in a r 0 coração d o crente.
q u a lq u e r qu e, sem m otivo, se
E las d e v e m ser e vita d a s e
en co leriz a r contra seu irm ão
ven cid a s com 0 en sin o do
será réu d e ju íz o (Mt 5 .22)
E van gelho.

LEITU RA DIÁRIA
S e g u n d a - M t 5 .2 1 Q uinta - 1 J 0 4 .2 0
Um m an dam en to que p re se rv a e Quem d iz a m a r a Deus, m as
s a c ra liz a a vida aborrece seu irm ão , é m en tiro so

T e rç a - M t 5 .22 S e x ta - SI 6 6 .13 -2 0
0 v erd ad eiro a lcan ce do sexto E n tregu e a su a o ferta
m an dam en to co m um c oração p uro
Q uarta - 1 Jo 3 .15 Sáb ad o - 1 C 0 6 .1,5
Quem ab orrece 0 seu irm ão Os c ristã o s d evem ter m aturidad e
é h om icida p a ra re so lve r a s d esaven ças

A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E S S O R 25
L E IT U R A B ÍB L IC A E M C L A S S E

M a te u s 5 .2 1 - 2 6
2 1 - Ouvistes que fo i dito aos antigos: 24 - deixa ali diante do altar a tua oferta, e
Não m atarás; m as qualquer que m atar vai reconciliar-te primeiro com teu irmão,
será réu d e juízo. e depois vem, e apresenta a tua oferta.
2 2 - Eu, porém , vos digo que qualquer 2 5 - C o n c ilia -te d ep ressa com 0 teu
que, sem m otivo, se encolerizar contra adversário, enquanto estás no caminho
seu irm ão será réu de juízo, e qualquer com ele, p ara que n ão aconteça q u e 0
que cham ar a seu irm ão de raca será réu adversário te en tregu e ao ju iz , e 0 ju iz
do Sinédrio; e qualquer que lhe chamar de te en tre g u e ao o fic ia l, e te en cerrem
louco será réu do fo g o do inferno. na prisão.
23 - Portanto, se trouxeres a tua oferta ao 26 - Em verdade te digo que, de maneira
altar e a í te lembrares d e que teu irmão n en h u m a , sairás d a li, en q u a n to não
tem algum a coisa contra ti, pagares 0 últim o ceitil.

# H inos Sugerid os: 35,4 .2 ,4 .6 da H arpa C ristã

PLANO DE AULA

1. INTRODUÇÃO h o u v esse um a p au sa, ou se d e sv ia sse


A p re se n te liç ã o m o s tr a r á que o o p en sam en to p o r a lg u n s in stan tes, o
E v a n g e lh o do S en h o r Je su s tem um a m al não ocorreria. A s conseqüências da
dim ensão m oral muito bem delimitada. cólera, da ira e stão por todos os lados:
N esse sen tid o , e s s a d im en sã o m oral trâ n sito , b anco, f ila s de e sp e ra etc.
não abre m argem para que sentimentos C) S u g e stã o d e M étod o: Selecione
h o s tis ao E v a n g e lh o fa ç a m p a rte da c e n a s de a g r e s s iv id a d e n o tr â n s ito
v id a in te rio r do cren te. V erem os que ou n u m a fila . A p rese n te e s s a s c en as
e v it a r a c ó le r a é u m a a titu d e s á b ia em c la ss e e s o lic ite os a lu n o s q u e a s
p ara e v ita r p eca d o s trá g ic o s com o o an alise. P e rg u n te -o s se va le m esm o a
do hom icídio. p en a d esp erd içar e n erg ia com c o isas
que, g e ra lm en te, u m a b o a e educada
2 . APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO conversa resolveria. Contraste sem pre
A) O bjetivos da Lição: I) E xp o r que e s s a s c e n a s co m os v a lo r e s o p o sto s
o E v a n g e lh o n ã o é A n tin o m is ta ; II) que a lição apresen ta.
Pontuar que a cólera é o prim eiro passo
p ara o hom icídio; III) C o rrelacio n ar o 3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO
ato de o fe rta r com a desavença. A) A p lic a ç ã o : A o f in a l d a a u la ,
B) M o t iv a ç ã o : M u it a s p e s s o a s so lic ite a o s alu n o s a re a liz a re m um a
praticam ações trá g ic a s p or cau sa dos autoanálise. Como tem sido o com por­
a to s p re c ip ita d o s e im p e n s a d o s . Se tam e n to no trâ n sito ? Q uan tas v e z es

26 LIÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E S S O R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
no d ia eles p erceb eram a p resen ça do um su b síd io e sp e cia l p a ra e sta lição.
sen tim e n to de ir a ou d a c ó lera? E les B) A u x ílio s E sp e c ia is: A o fin a l da
têm c o n sc iê n c ia de q ue e s s e s s e n ti­ dos tópicos, você en con trará a u xílio s
m entos fazem m al a saúde emocional? que darão suporte na preparação de sua
Por que no lu gar d essas em oções ruins aula: 1) O au xílio localizado ao fin al do
e p e sa d a s, n ão c u ltiv a r sen tim en to s segundo tópico traz um aprofundamento
no bres da P a la vra de Deus? da questão tratada no tópico a respeito
4 . SUBSÍDIO AO PROFESSOR do sentim ento da raiva; 2) O texto que
A) R e vista E n sin ad o r C ristão. Vale en con tra-se ao fin a l do terceiro tópico
a p ena con h ecer e ssa re v ista que traz é um a proposta que pode a u x ilia r você
re p o rta g e n s , a r t ig o s , e n tr e v is ta s e na aplicação da lição, p ois ele revela as
su b s íd io s d e a p o io à Lições Bíblicas. dim ensações práticas que 0 seguidor de
Na e d iç ã o 8 9, p.38, vo cê e n c o n tra rá Jesu s deve observar na cam inha cristã.

COMENTÁRIO

IN T R O D U Ç Ã O o rigem em D eus P ai e que, p o r isso , ela


N e sta liç ã o a p r e n d e re m o s co m o deve s e r rejeitada. Há o s que d izem que
M e stre D ivin o que o E v a n g e lh o n ã o é D eus h a v ia d ete rm in a d o p o r d ecreto a
a n t in o m is t a ( a p a r t ir d a e x p li- e x is t ê n c ia do p ec a d o , d e m od o
c a ç ã o d e s s e c o n c e ito ), q u e ^ que ja m a is se p o d e e v itá -lo ,
a c ó le r a é a a n t e s s a la do p o r isso , n ã o h á r a z ã o p ara
h o m icíd io e que p ara d e ­ a e xistên cia da Lei. P o r fim,
v o ta r a n o ssa v id a a Deus, outros ainda defendem sim ­
precisam os nos reconciliar plesm ente que a Lei é oposta
co m o p ró x im o . V erem os ao E van gelh o . E n tretan to ,
que 0 nosso S enhor colocou
em a lta conta o v a lo r da p e s­
so a h u m an a e, p o r isso , a seção
bíb lica de M ateus 5 .2 1-2 6 s e rá o objeto
de n o sso estudo.
r ve re m o s que e s s e s e n sin o s
v io la m a s E s c r it u r a s e q u e
0 A n tin o m is m o é u m d e s v io da
P a la v ra de D eus (R m 6.15,16).
2. A L e i e o E v a n g e lh o . C o n fo rm e
v isto em lição a nterior, Je su s não d e s­
I - O E V A N G E L H O N Ã O p re z o u a L e i. E m M a te u s 5 2 1 v e m o s
É A N T IN O M IS T A c la ra m e n te isso . A e x p re s s ã o “ O u vis-
1. te s o que fo i d ito ao s a n tig o s ” ap o n ta
O que é A n tin o m ism o ? A p ala vra
n o s fo rn ece a p róp ria d efin ição: c o n s­ p a r a u m a r e tr o s p e c tiv a de u m p onto
titu íd a do g r e g o A nti, q u e q u e r d iz e r da L ei de M o isé s. D ife re n te m e n te dos
“ c o n tra ” ; e nómos, “ le i” ; d iz resp eito a e sc rib a s e fa r is e u s , n o sso S en h o r deu
tudo c o n trário à lei, n o rm as e re gras. A ê n fa s e à au to rid ad e da L ei e re ve lo u a
p a la v r a tra z a id eia d e que os c ris tã o s r e a l in te n ç ã o de D eus p re se n te n e la .
n ão p re c isa m o b ed ecer à le i m o ra l do A tente p a ra o m an d am en to “ N ão m a -
A n tig o T e s ta m e n to . D e fe n s o r e s a n - ta r á s ” (Ê x 20.13). E nquanto o s e scrib as
tin o m is t a s d iz e m q u e a L ei n ão te ve e fa ris e u s in te rp reta va m e sse m an d a­

A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S •P R O F E S S O R 27
m ento de m an eira re strita ao ato literal
d e m a ta r u m a p e s s o a , n o sso S en h o r o VI
am p lio u e aprofun d ou, dem o n stran d o
que o h o m icíd io tem in ício no coração O cristão fiel à Bíblia
do s e r h u m an o a p a rtir da ira, do ódio,
tem cuidado tanto com o
d a cólera (cf. M t 5.22).
3. L e g a lis m o x A n tin o m ism o . O le ­
legalism o quanto com o
g a lism o é um a atitude que se concentra antinom ism o.”
na observância e prática rigorosa das leis
com o elem ento d eterm inante para uma
com un id ad e a lc a n ç a r o fa v o r de Deus.
Por outro lad o, o a n tin o m ism o rejeita
to d o tipo de n o rm as m o ra is, d eixan do
a p e sso a liv re p ara p ecar. A ssim , o le ­
g a lis m o fo i re fu ta d o d u ra m en te pelo
SINOPSE I
apóstolo Paulo (Fp 3 -3 ,4 ), e 0 antinom is­
O E v a n g e lh o n ã o é a n tin o m is ta ,
m o fere de m orte a vocação dos cristãos
is t o é, e le te m n o rm a s , r e g r a s
p a ra a s a n tid a d e (R m 1.7; 1 Pe 1.15,16 ).
e lim it e s c la r o s . O E v a n g e lh o
Como a m am os todo 0 conselh o de Deus
ta m b é m n ã o é l e g a lis t a , is t o é,
revelado n a s S agrad as E scritu ras, a fir­
n ã o e s t á p r e s o a o b s e r v â n c ia s
m am os que os princípios m orais divinos
r ig o r o s a s d e d a ta s , d ie ta s e o u ­
re velad o s n a B íblia, a P a la v ra de Deus,
sã o a te m p o ra is , v á lid o s em q u alq u e r t r a s p r á tic a s r e lig io s a s , e s p e ­
é p o ca e c u ltu ra . E , p o r is s o , o c ris tã o ra n d o a lg u m f a v o r d iv in o .
fie l à B íb lia tem c u id a d o ta n to co m o
le g a lism o quanto com 0 a n tin om ism o.

AMPLIANDO O CONHECIMENTO

O que o A n tin o m ism o a leg a?


“ A leg a m o s a n tin o m ista s que, salvos
p ela fé em C risto Je su s, já e sta m o s liv re s
d a tu te la de M o is é s . Ig n o r a m , p o ré m ,
s e r e m a s o rd e n a n ç a s m o ra is do A n tig o
T e sta m e n to p e rte n c e n te s a o e len c o do
d ire ito n a tu ra l q ue 0 C riado r in c ru sta ra
n a a lm a de A d ão. [...] T o d o c r e n te p ie ­
d o so o b se rv a [as o rd en a n ça s m o ra is da
Lei]; p ois C risto não veio re v o g á -la s; veio
c u m p ri-la s e s u b lim á -la s.” A m plie m ais
o seu con h ecim en to, len do 0 D icio n á rio
T e o ló g ico , ed itad o p ela CPAD, p.51.

28 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E S S O R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
II - A CÓLERA É 0 PRIMEIRO c a b eç a o ca e v a z ia , é u m a o fe n s a g r a ­
ATO PARA O HOMICÍDIO ve, ig u a la d a à b la sfê m ia . Ou c h a m a r 0
1. Je su s e o s e x to m an d am en to . ou tro de “ lo u co ” , do g re g o m óros, que
Je su s n ão anulou o s e x to m an dam en to s ig n ific a ím pio, in créd u lo , é u m a co n ­
d o D ecálogo (Ê x 20.13; Dt 5.17). C ontu ­ duta m o ralm en te d esp rezível. O bserve
d o, sua in te rp reta ç ão foi m a is elevad a q u e, p a r a q u em m a n if e s t a s s e e s s e s
e p ro fu n d a , p o is re v e lo u q u e a ir a ou tip o s de c o m p o rta m e n to s , o fim era
c ó le ra c o n tra u m ir m ã o é u m tip o de se to rn a r réu do S in é d r io e re c e b e r a
h om icíd io no coração , com o bem a fir ­ co n d en ação p a ra 0 fo g o do In fe rn o , do
m o u o a p ó s to lo Jo ã o : “ Q u alq u er que g re g o G eena, re sp e c tiv a m e n te . N esse
a b o r r e c e a se u ir m ã o é h o m ic id a . E sen tid o , n o sso S en h o r m o stra que não
v ó s s a b e is que n en h u m h o m icid a tem só p e c a q u em c o m e te u m h o m ic íd io ,
p e r m a n e n te n e le a v id a e te r n a ” (1 Jo m as igualm ente os que nutrem a cólera,
3.15). Não p o r a caso que o v erb o “ ir a r ” o ódio e o ra n c o r n o c oração .
n o g rego, em M ateu s 5.22, é orgizo, que A vida hum ana tem um valor sagrado.
s ig n ific a p ro v o ca r, in c ita r a ir a , e s ta r Por isso, o p atrão deve tra ta r bem o seu
zangado, e star enfurecido. A fú ria e a ira em p regad o e e ste, c on sequ en tem ente,
de Caim 0 levaram a com eter 0 prim eiro d ev e r e s p e it a r 0 p a trã o ; o ir m ã o n ão
h om icíd io co n tra o p ró p rio irm ã o (Gn pode fa z e r acepção de p essoas para com
4.5,8). P o rtan to , o s e x to m an d am en to o ou tro irm ão , q uer p o r ca u sa da c or da
n ão envolve a p e n a s u m a sa n ção p enal, p ele, quer p o r d ife re n ç a s e co n ô m icas,
m a s elem en to s m a is p ro fu n d o s com o p o is com o o apóstolo Pedro d isse: “ R e­
p a la v r a s , e m o ç õ e s, in s u lto s e o u tra s conheço, p o r verd ad e, q ue Deus não faz
açõ es que s e an tecip am ao h om icídio. a cep ção de p e s s o a s ” (At 10.34).
2. A cólera no con texto bíblico. T an ­
to o s a lm is ta q uan to o ap ó sto lo Paulo
escreve ra m que um servo de Deus pode
ir a r - s e , m as n ão d eve p e c a r (Sl 4 .4 ; E f
SINOPSE II
4.26). A ira é um a em oção h u m an a. Por A c ó le r a é o p r im e ir o p a s s o p a r a
is s o , na B íb lia , v e m o s p e s s o a s ju s ta s a p r á tic a d o h o m ic íd io .
se ir a n d o c o n tra o p e c a d o , c o n tra os
ato s d esum anos, contra 0 d esrespeito à
Palavra de Deus (Os 4 -1- 3 )- N osso Senhor
m an ifesto u ira contra o s que fa z ia m do
templo um “ covil de ladrões” (Jo 2.13-17)- AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO
Entretanto, a ira não pode nos controlar e
devem os e xam in ar se ela provém de um “ A ve rd a d e ira b a ta lh a p ela lei do
espírito reto, de um coração puro, ou se é Reino não e stá n a s sim ples ações ex­
um a obra da carne, do tipo p ecam inosa, tern as ou efetu ação de m ovim entos,
o rg u lh o sa , od iosa e v in g a tiv a (G1 5.20). pouco im p o rtan d o quão d etalh ad o s
O im perativo bíblico é que a ira não pode s e ja m ; an te s, a b a ta lh a é g a n h a ou
n o s d o m in a r (E f 4 26; Hb 12.15). p e rd id a n o c o ra ç ã o , o n d e r e s id e a
3 . O v a lo r d a p e s s o a h u m a n a . E m vo n tad e. [...] A m a io ria d os p ecad os
M ateu s 5 .2 1,2 2 Je su s e n fa tiz o u 0 v a lo r é p re m e d ita d a ; re q u e re m -s e açõ es
d a p e s s o a h u m a n a . Po r is s o , c h a m a r a n te rio re s e às v e z es d rá stic a s p ara
a lg u é m d e raca, q u e s ig n ific a in ú til,

A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S •P R O F E S S O R 2 9
co rreto com D eus sem relacion am en to
evitar que a sem ente dê raiz e produza ve rd a d eiro com o irm ão.
um a c o lh eita a m a rg a . A ssim , o s re ­ 2. Evitando a desavença. Os versículos
m édios de Je su s parecerão extrem os, 25 e 2 6 de M ateu s 5 têm relação com os
m as a m alignidade tem de ser isolada ve rsícu lo s 2 3 e 2 4, m as um a conotação
e rem ovida o quanto an tes, p a ra que d iferen te: os v e rs íc u lo s 23 e 2 4 d izem
haja a m elhor chance de recuperação. re sp e ito à ad o ra çã o ; os 25 e 2 6 dizem
A p reven ção é suprem a. respeito ao processo legal. Ambos, porém,
[..J A proibição no versículo 21 não é procuram advertir os discípulos quanto ao
a m atança em geral, m as assassinato, problema da desavença entre irm ãos. Nos
m ata n ça que é c o n trá ria à lei. Je su s versículos 25 e 26, nosso Senhor en fatiza
in t e n s ific a a le i in d o a o â m a g o da que é p reciso buscar um a solução p ara a
questão: a vontade humana. O assassi­ desavença entre irm ãos fora do tribunal.
nato com eça com a raiva; a pessoa tem Naquela época, quando a pessoa era sen­
de lid ar com a raiva a fim de e v ita r o tenciada, pagaria até o ú ltim o kodrantes
a ssa ssin a to " (ARRINGTON, French L; (de origem latina), que significa quadrante
STRONSTAD, Roger (Eds.) Com entário (a p ro x im a d a m e n te a q u a rta p a r te de
Bíblico Pentecostal Novo Testamento. u m “ a s s e ” ), a m e n o r m o e d a d e c ob re
Rio de Janeiro: CPAD, 2003, P-45 )- rom ana, valend o cerca de um quarto de
um centavo. Nosso Senhor, portanto, nos
convida a sanar as desavenças entre nós e,
assim , preservarm os 0 bom testemunho.
III - A “ OFERTA DO A L T A R ” A ten tem o s p a ra a r e fle x iv a in d agação
E A DESAVENÇA do apóstolo Paulo: “ Ousa a lgu m de vós,
1 . A o f e r t a d o a l t a r . E m M a te u stendo a lg u m n egó cio con tra o u tro, ir a
5.2 3 .2 4 , Je su s s e d irig e a o s d iscíp u lo s
ju ízo p eran te o s in ju sto s e n ão p eran te
e f a z co m q u e c a d a u m e x a m in e a si os santos? [...] Não h á, en tre vó s sábios,
m esm o , p o is um se rv o do S e n h o r não nem m esm o um , que p ossa ju lg ar entre
p od e o fe rta r n o a lta r c o m u m c oração seu s irm ãos?” (1 Co 6.1,5).
cheio de ira e rancor. A fin al, d izer am ar
a D eu s, m a s o d ia r o ir m ã o é c a ir n a
m en tira (1 Jo 4.20). P ara 0 judeu, o fertar
era um ato sagrad o e tal atitude fa z ia -o
SINOPSE III
reconhecer a bondade de Deus para com A n t e s d e o fe r t a r , o s e g u id o r de
e le (Gn 4 .3,5; Ê x 25.2; L v 1 .2 ; SI 66.13). C r is to d e v e r e p a r a r q u a lq u e r
N esse sentido, 0 S enh or Je su s v a lo riz a ­ tip o d e d e s a v e n ç a .
va e s s e ato. E n tretan to , n ão a d ia n ta va
re c o n h e c e r a b o n d a d e d e D eu s, m as
n ã o se re c o n c ilia r co m o irm ã o . Cabe
re ssalta r que 0 verbo grego para “ recon­ AUXÍLIO
c ilia r ", é diallassô, que s ig n ific a m u d ar VIDA CRISTÃ
a m ente de a lgu é m , re n o va r a a m izad e
com a lgu ém . E le é encontrad o no Novo
“ [M a te u s ] 5 * 2 3 ,2 4 - R e la ç õ e s
Testam ento apenas um a vez, em M ateus
ro m p id as p od em d ific u lta r o n o sso
5.24. Portanto, 0 ensin am en to de nosso
r e la c io n a m e n to c o m D e u s. Se t i ­
Senh or é c la ro : não h á relacion am en to

30 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S •P R O F E S S O R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
v e rm o s u m a m ág o a o u u m a q u eixa a p az co m os n o ss o s se m e lh a n te s,
contra um am igo, devem os solucionar a n tes que seja m o s o b rigad o s a a p re ­
o p ro b le m a o m a is b re v e p o ssíve l. s e n t a r - n o s p e ra n te D e u s” (B íb lia
[M ateu s] 5 .2 5 ,2 6 - Na é p o ca de d e E s tu d o A p lic a ç ã o P e s s o a l. Rio
Je su s, u m a p e sso a q u e n ão p u d esse Ja n e iro : CPAD, 2 0 0 4 , p.1225).
pagar sua dívida era lançada na prisão
até que 0 p ag am en to fo s s e efetuado.
A m enos que alguém p agasse a dívida
por ela, p rovavelm en te m o rreria ali.
É um c o n selh o p rático p ara so lu c io ­ CONCLUSÃO
n arm os a s d iferen ças com o s n o sso s Com o se rv o s de C risto q ue vivem o s
in im igos, antes que a ir a deles venha as verd ad es do E van gelh o , n ão d e ix e ­
a c a u s a r -n o s m a io re s d ific u ld a d e s m os que p ensam en tos, p a la v ra s e ações
(P v 2 5 .8 -10 ). V ocê p o d e n ã o e n tra r fira m o n o sso p ró xim o , nem d eixem os
e m u m a d is c o r d â n c ia q u e o le v e que a s d esaven ças to rn e m -se d ispu tas
ao s trib u n a is, m a s a té o s peq u en os e n tr e n ó s. E m c a s o d e d e s a v e n ç a s e
conflitos podem ser m a is facilm en te desentendim ento, à luz d as E scritu ras,
re so lv id o s s e a s p a z e s fo re m fe ita s d ev e-se re c o n c ilia r-se im ediatam ente,
lo g o . E m um s e n tid o m a is a m p lo , seg u ir em paz com todos (Hb 12.14), pois
e s s e s v e rs íc u lo s n o s a c o n s e lh a m a é is s o que o n o sso Deus d esejou quando
a g ir ra p id a m e n te , p ro c u ra n d o ter escreveu : “ Não m atarás!”

REVISANDO O CONTEÚDO

1. Que id eia a p a la v ra A n tin o m ism o traz?


A p a la v r a tra z a ideia de q ue os c ris tã o s n ão p re cisa m o b ed ecer à lei m oral
do A n tigo T estam en to.
2 . 0 que 0 A n tin o m ism o rejeita?
O a n tin o m ism o re je ita todo tipo de n o rm as m o ra is, d eix an d o a p esso a liv re
p ara p ecar.
3 . 0 S en h o r Je su s a nulou o s e x to m an dam en to?
Je su s n ão anulou o s e x to m an dam en to do D ecálogo (Ê x 2 0.13; Dt 5 17 )- C on­
tudo, sua in te rp reta ç ão foi m a is e le v a d a e p ro fu n d a , p o is revelou que a ira
ou c ó le ra co n tra u m irm ã o é u m tipo de h o m icíd io no coração.
4. Qual o im p erativo bíblico p ara a ira?
O im p erativo bíblico é que a ira não p ode n o s d o m in a r (E f 4 .26; Hb 12.15).
5. Q ual 0 e n sin a m e n to de n o sso S en h o r q u an to à d esaven ça?
Nos versículos 25 e 26, n osso Senhor en fatiza que é preciso buscar um a solução
p ara a d esavença entre irm ão s fora do tribunal. É p reciso sa n a r as d esavenças
e n tre n ós e, a s sim , p re se rv a rm o s o b om testem unho.

A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E S S O R 31
LIÇÃO 5
l de M aio de 2022

O CASAMENTO E
PARA SEMPRE

VERDADE PRÁTICA
TEXTO ÁUREO
A vo n ta d e d e Deus p ara 0
“A ssim n ão são m ais dois, m as
casam en to é q u e e le seja
um a só carne. Portanto, o que
vitalício. Na co n tin u idade
Deus ajuntou n ão sep are o
d o Serm ã o d o M onte, Jesu s
h om em .” (M t 19.6)
co n d en a 0 adultério.

LEITU RA DIÁRIA

S e g u n d a - Hb 13 .4 Q u inta - M c 7 .2 1-2 2 ; P v 4 .2 3
0 c a sa m en to d eve s e r h onrado G uarde 0 seu coração
T e rç a - M l 2 .15 ,16 S e x ta - P v 6.32
0 S en h o r o s fez u m só 0 a dúltero d estró i a s i m esm o

Q u a r t a - E f 5-33 Sáb ad o - G l 5 .16 -17


0 a m o r e 0 re sp e ito n o casam en to Não s a tis fa ç a 0 d esejo da c arn e

3 2 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E SSO R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
L E IT U R A B ÍB L IC A E M C L A S S E

M a te u s 5 .2 7 - 3 2

2 7 - Ouvistes q u e fo i dito aos antigos: corta-a e atira-a para longe de ti, porque
Não cometerás adultério. te é m elhor que um dos teus membros se
28 - Eu porém, vos digo que qualquer que perca do que todo 0 teu corpo seja lançado
atentar numa mulher para a cobiçarjá em no inferno.
seu coração cometeu adultério com ela. 3 1 - Também fo i dito: Qualquer que deixar
2 9 - Portanto, se 0 teu o lh o direito te sua mulher, que lhe dê carta de desquite.
escandalizar, arran ca -o e a tira -o para 3 2 - Eu, porém , vos d igo que qu alqu er
longe d e ti, pois te é m elhor que se perca que repudiar sua m ulher, a não ser por
um dos teus m em bros do que todo 0 teu causa de prostituição, fa z que ela cometa
corpo seja lançado no inferno. adultério; e q u a lq u er que casar com a
30 - E, se a tua mão direita te escandalizar, repudiada com ete adultério.

$ H inos Sugerid os: 1 5 0 , 1 9 5 , 2 0 1 da H arpa C ristã

PLANO DE AULA

1. INTRODUÇÃO isso, os v a lo re s da B íblia que regem o


N esta lição estud arem os a respeito c a sa m e n to sã o o p o sto s a o s que sã o
d o c a r á t e r v it a líc io do c a s a m e n to . p rop agad os no m undo atual.
V erem os que a B íblia cond ena o a d u l­ C) S u g e stã o de M étod o: O m odelo
tério e a firm a a in d isso lu b ilid a d e do tradicional de casam en to e stá em s is ­
c a sa m e n to . N um c o n te x to e m q u e a tem ático ataque secular. Por isso, antes
in s titu iç ã o d o c a sa m e n to é tã o a ta ­ de in ic ia r terceiro tópico, su gerim os a
c ad a, a p r e s e n ta m o s u m e stu d o que se g u in te in d a g a çã o : Qual é a origem
fortalecerá a institu ição do casam ento do ca sa m en to ? Ouça a s re sp o sta s dos
e ap resen tará seu c a rá te r divino, pois a lu n o s . E s t im u le - o s a p a r tic ip e m ,
foi Deus quem a instituiu. objetivando a ob ter as respostas. Após
o u v í-las atenciosam ente, dê um a re s ­
2 . APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO p o sta u n ificad a a p a r tir da e xp o sição
A) Objetivos da Lição: I) Apresentar do tópico, m o stran d o com c la re za os
a condenação do adultério; II) M ostrar valores que regem o casam ento cristão.
que 0 que rege o coração regerá o corpo
tam bém ; III) A firm a r a in d isso lu b ili­ 3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO
dade do casam en to . A) A p lic a ç ã o : O c a sa m e n to n ão é
B) M o t iv a ç ã o : T o d o s e g u id o r de c o n stitu íd o de p e s s o a s r iv a is . V iver
Je su s tem em a lta conta a in stitu içã o sob 0 m esm o teto requer disposição de
do casam ento. É um a institu ição vinda com un icar, a m a r e ajudar. O con vívio
de Deus para o hom em e a m ulher. Por no c asam en to d eb aixo d a p ersp ectiva

A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S •P R O F E S S O R 33
do a m o r c ris tã o é o a n tíd o to p a r a o que d a rã o s u p o rte n a p re p a ra ç ã o de
fr a c a s s o n o c a sa m e n to . É d e se jo de su a a u la: 1) O te x to “ Je su s e a d im en ­
Deus que o c a sa m en to dure até q ue a são prática do divórcio” , localizad o ao
m orte s e p a re o casal. fin al do prim eiro tópico, é um a análise
4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR d e c o m o n o s s o S e n h o r a b o r d a um
A) R e v ista E n sin a d o r C ristão. Vale d o s m a n d a m e n to s que fu n d a m e n ta
a p en a co n h ecer e ssa r e v ista que traz a p o s tu r a é tic a do c ris tã o d ia n te do
r e p o r t a g e n s , a r t ig o s , e n tr e v is ta s e casam ento; 2) O texto “ Para restrin gir
s u b s íd io s de a p o io à Lições B íblicas. a f a lt a g r a v e ” , lo c a liz a d o ao fin a l do
Na e d iç ã o 89, P-3 8 , v o c ê e n c o n tra rá seg u n d o tópico, tra z a a n á lis e d a r e ­
um su b síd io e sp e cia l p ara e sta lição. jeição de Deus ao divórcio, m ostran do
B) A u x ílio s E sp e c ia is: Ao fin a l dos a n atu reza in d isso lú vel da in stitu ição
tópicos, você en con trará dois a u x ílio s cria d a p o r D eus: o C asam ento.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO I - A CONDENAÇÃO
No S erm ã o do M onte, em que Je su s DO ADULTÉRIO
e v id e n c ia a ju s t iç a e 0 c a rá te r do d is ­ 1. D e fin iç ã o d e a d u lté rio . No g rego
cípulo acim a da p o stu ra d os e sc rib a s e tem os 0 verbo moichéuo, “ com eter adul­
fa r is e u s , a p re se rv a ç ã o do c a sa m en to té rio ” , “ s e r um a d ú lte ro ” , “ ter relação
fo i m u ito b e m d e sta c a d a . Ao e v o ­ ilícita com a m u lh e r de o u tro” ; da
c a r o s é t im o m a n d a m e n to , w m u lh e r: “ p e r m itir ad u lté rio ,
“ não adulterarás” (Êx 20.14), s e r d e v a s s a ” . B ib licam en te,
a in te n ção do M estre é c o - * o a d u ltério é d efin id o com o
lo c a r o c a s a m e n to n o seu
I P alavra-C have
um a relação s e x u a l que um
d e v id o l u g a r , c o m o fo i , Casamento homem casado tem com uma
d e s i g n a d o p e lo p r ó p r io m ulher que não é sua esposa

r
D eu s (Gn 2 .2 4 ). ou v ic e -v e rsa . A id o latria era
Na c o n t in u id a d e d o se u c h am a d a, fig u ra d a m e n te , de
e n sin o , Je su s e x p re s s a que tudo a d u ltério (Jr 3-8,9; E z 2 3 -37 )-
com eça no coração. A ssim , c ai p or terra Ja m a is se deve p en sa r que as ordens
a s te o ria s q u an to ao d ivó rcio , as e v a ­ d ivin a s em relação ao adultério fosse
s iv a s c ria d a s p o r a q u e le s que p en sa m p esa d as d em ais; n a verd ad e, p o r m e
em se sep arar de seu cônjuge, v isto que, d e s s a s p r e s c r i ç õ e s d a L e i, o q u e se
o s que realm en te são d om in ad os p elo s c o lim a v a e ra p re se rv a r o casam en to , a
valores ensinados por Cristo, procuram , fidelidade conjugal, a fam ília. O m an da­
e m tu do, a p re se rv a ç ã o da p u re z a , da m ento “ ndo adulterarás” tra ta -se de um
v id a co n ju gal (Hb 13.4) e do v erd ad eiro dique que p reserva a fidelidade conjugal
l a r c ris tã o . Em M a te u s 5 .2 7 -3 2 , Je su s e a fa m ília , a célu la m ater da sociedade.
e sc la re c e q ue n ão h á e sp a ç o p a ra um a 2. A posição de Je su s quanto ao adul­
m oral dupla, com o deseja um a sociedade tério. P ara Jesu s, a g ê n e se do adultério
d eg en erad a. e s tá no c o ra ç ã o , co m e ça n d o co m um

34 LIÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E SSO R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
VI A lém d isso, o s p reju ízo s e sp iritu ais
são ainda m aiores. Não havendo pureza
em se u s p e n s a m e n to s , n e m h a ven d o
O adultério deve ser evi­ le a ld a d e co m se u cô n ju ge , 0 r e la c io ­
tado a todo custo, pois n am en to e n tra e m p e rig o e d e tu rp a a
suas conseqüências são m en te do c r is t ã o q u e, ten d o a m en te
devastadoras, além de ser de C risto, só d eve p e n sa r c o isa s b o a s (1
Co 2.16). O a d u lté rio d eve s e r e v ita d o a
pecado, fere a santidade
todo custo, p ois su a s conseqüências são
de Deus.” d ev asta d o ra s; a lém de s e r p ecad o, fere
a sa n tid a d e de D eus (P v 5 -3 - 8 ).

o lh a r cobiçoso e p en sam en to s im pu ros


SINOPSE I
q u e le v a m à p r á tic a s e x u a l ilíc it a . O
O S en h o r Je su s co n d e n a c la r a ­
p osicio n am en to do M estre v a i a lém de
tudo o que, no A n tigo T estam en to, era m e n te a p r á tic a d o a d u lté rio .
perm itido ao homem: d ivorciar-se de sua
m u lh er (Dt 2 4.1)! C risto v a i ao c ern e da
questão, e fa la de um coração p ro fan o e
contam inado, c ap az de olh ar cob içosa­
m ente p ara u m a m u lh er e, sem m otivo,
conceder c a rta de d ivórcio à esposa. AUXÍLIO
No se u S e r m ã o , Je s u s e v id e n c ia a BIBLIOLÓGICO
im portância de hom ens e m ulheres abs-
terem -se de pensam entos impuros, tanto J e s u s e a d im e n s ã o p r á t ic a do
fo ra com o d en tro do casam en to , p o is é d ivó rcio
d essa fo rm a que se c o n se g u e m an te r a “ No su bsequente estado adúltero
p u reza em três n ív eis: s e x u a l, m o ra l e da m ulher que se casa com novo com ­
so c ia l. P re c isa m o s ter a co n sciê n cia de p an h e iro , a fa lta é colocad a ao s p és
que, p eran te D eus, com o b em e x p r e s ­ do p rim e iro h om em que, de acordo
so u C risto , u m a in te n ção erra d a é tão com Jesu s, obtém um divórcio frívolo.
p e c a m in o s a q u an to u m ato, p o r isso , E le p recip ita um estad o a d ú ltero da
d ev em o s s em p re b u sc a r p en sam en to s m u lh e r q u e se c a s a o u tra v e z (que
p u ro s e b o n s (Fp 4 -8 ). en tão p ode n ão ter tido v o z a tiv a no
3. Os m ale s do ad u ltério. O adultério segundo m atrim ônio, dado seu estado
se m p re é p re ju d ic ia l p a ra a e stru tu ra social). M a is tarde, q uando Je su s in ­
fa m ilia r , e q u a lq u e r in fid e lid a d e no sistiu n esta v isã o e strita do divórcio,
r e la c io n a m e n t o a d o is s e m p re s e r á os fariseu s p erguntaram : ‘Então, por
ru im , p o is g e ra d esc o n fia n ç a , fe rid a s que m andou M oisés d a r-lh e c a rta de
em ocionais, desvalorização, desrespeito, divórcio e repudiá-la?’ Ele respondeu
fraq u eza e queda na vid a esp iritu al. Por que M oisés tolerou esta p rá tica ‘por
isso, é im portante e v ita r tanto a prática c a u sa da d u re z a do v o s so c o ra ç ã o ’.
do ato com o os pen sam en tos indevidos.

A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S •P R O F E S S O R 35
seu corpo e são d eterm in an tes p ara sua
Je s u s m a n te v e a p o s iç ã o a n te rio r conduta. D esse m odo, 0 hom em colherá
e x arad a pela lei n atu ral quando in s ­ aquilo que sem ear (G1 6.7). 0 que sem eia
tru iu o p ovo q ue o C riado r d esignou o p e n s a m e n to d a c o b iç a , d e s e ja n d o
que o m arid o e a e sp o sa fo ssem um a ou tra m u lh er, n ão d em o ra rá p a ra que
só c a rn e e n un ca se s e p a ra sse m (Mt c o n c r e tiz e is s o na p rá tic a . A c o b iça é
19 .4 - 11). Na p assa g e m em foco, Jesu s algo que com eça no coração, é como uma
d iz q ue o h om em que se d ivo rcia da pequena sem ente plantada que v a i gerar
esposa por qualquer razão, exceto por 0 fru to do pecado. C ada um é engodado
in fid elid ad e m a trim o n ia l, e se c a sa
p o r su a p ró p ria cobiça, a q u al d a rá luz
com outra m ulher, com ete adultério.
ao p ecad o, que sen do con su m ado, leva
A vo n ta d e de D eus é a p erm an ên cia
à m o rte (Tg 1.14,15).
do m a trim ô n io n e s ta te rr a . A s sim
O S e n h o r J e s u s fa lo u q u e a q u ilo
M a laq u ia s e screve q ue D eus d iz que
que re g e o c o raç ã o s e e v id e n c ia r á no
o c a sa l é u m a c a rn e e que E le ‘a b o r­
v iv e r d iá rio d e u m a p e s s o a p o r m eio
rece o repúdio [ou od eia o d ivó rcio ]’,
de se u s a to s (M t 15.19 ; L c 6.45), o que
sobretudo por causa dos efeitos sobre
fo i m u ito b e m e x p lic a d o p o r P a u lo ,
os filh o s (M l 2 .14 - 16 ). (ARRINGTON,
qu an do c h a m o u de o b ra s d a c a rn e as
French L; STRONSTAD, R o ger (Eds.)
açõ es p ro d u z id a s p o r u m c o ra ç ã o p e ­
Com entário Bíblico Pentecostal Novo
c a m in o so (G 1 5.19 -21).
T e s ta m e n to . R io de Ja n e iro : CPAD,
N in gu ém e s tá ise n to d e te n taçõ es,
2003, pp. 4 6 - 4 7 ).
m as é preciso revestir-se do novo homem
interior produzido por Cristo para jam ais
co m eter os a to s p eca m in o so s p o r m eio
do corpo (Ef 4 .24 ; R m 6 .12,13). A sa íd a é
II - O Q UE R E G E O CORAÇÃO p ed ir para Jesu s faz e r a transform ação e
R E G E R Á O CO RPO nos d ar um novo coração (Ez 11.19 ; 18.31).
1. O q ue p ro c e d e d o c o ra ç ã o . O p e ­ 3. S u je ita n d o 0 c o rp o a o E s p írito
ca d o n ão e s tá re s tr ito a p e n a s a o ato, S a n to . O c a m in h o p a ra q u e o c ris tã o
m a s tam b ém a p en sa m e n to s im pu ros, p o ssa d o m in a r b em o c orp o é v iv e r n a
m a lig n o s , c u ja fo n te é o c o r a ç ã o (Mt dependência do E spírito Santo (G1 5.16).
15.19)- Do h e b ra ic o , “ c o r a ç ã o ” ; lebab, Je su s fez u so de fig u ra s de lin g u a g em e
fa la do hom em interior, m ente, vontade, de m odo hiperbólico para m o strar como
alm a, inteligência. T rata-se do lu gar dos se d eve fa z e r p ara v e n c e r o s in stin to s
d esejo s, d as e m o ções e p aix õ e s. No seu sex u a is.
asp e cto fig u rativo , o c o ração re fe re -se Ao s u g e rir “ S e o teu o lh o d ireito te
a o c a rá te r m o ra l. Um c ris tã o q u e tem escandalizar, arra n ca -o e atira fora para
0 co ração tra n sfo rm a d o tem um v iv e r longe de ti” (Mt 5 29a), C risto não tinha
to t a lm e n t e d ife r e n t e , v is t o q u e seu a in tenção de in c ita r a lg u é m a p ra tica r
co ração é regid o p ela P a la v ra (Cl 3.16). a m u tila ç ã o d o s m e m b ro s do co rp o .
2.0 h o m em é o q u e p en sa . É sabido O u s o a q u i é to ta lm e n te m e ta fó ric o ,
por todos que 0 hom em é 0 que ele pensa dan do ê n fa s e de co m o o c ris tã o p ode
ou sen te. Os p en sa m e n to s e id e ia s que c ru c ific a r a c a rn e c o m s u a s p a ix õ e s e
e stã o no seu “ h om em in te rio r” s ã o os s u je it a r o se u c o rp o a o E s p ír it o p a ra
m o to re s que c o lo c am e m a ç ão to d o o que não seja in stru m en to do pecado (G 1

36 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E SSO R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
5.24; Tt 3 .3 - 5 )- Je su s n ão e sta v a faland o
de c o rta r algu m m em bro do corpo, pois
nad a d isso v a le ria e n quanto 0 coração
VI
a in d a e s t iv e s s e c h e io d e p ecad o . Um Paulo via essa união de
c o ra ç ã o tr a n s fo rm a d o p elo p o d e r de m aneira tão cândida que
C risto m o s tra rá a titu d e s de s a c rifíc io com parou o am or de
qu e v is a m g lo r ific a r a D eus (R m 12 .1;
1 Co 6.20).
Cristo, que se sacrificou
pela Igreja, ao am or do
m arido para com a sua
esposa.”
SINOPSE II
O q u e p ro c e d e d o c o r a ç ã o e p e r ­
m e ia o p e n s a m e n t o d o h o m e m
d e t e r m in a r ã o s e u c o m p o r t a ­ 2 .0 que fa z e r p ara que o casam en to
m en to s e ja p a ra s e m p re ? Um c a sa l q ue v iv e a
v id a a d o is, e m a m o r, ir á c o n s t r u ir a
m a is b e la e p e r fe ita u n ião , a in d a que
e n fre n te lu tas e re v e s e s n e sta v id a . O
casam ento deve ser construído com base
em respeito, am izade, bom tratam ento,
III - AINDISSO LUBILIDADE
carin h o , d ignidade, e n tre ou tros. Como
DO CASAMENTO bem d isse 0 apóstolo P edro (1 Pe 3.7), se
1.0 casam en to n a p ersp ectiva bíbli­
tudo isso estiver presente no casam ento
ca . Sab em os que 0 c a sa m en to é a m ais e le s e r á p a r a s e m p re . O c a s a l c ris tã o
fu n d a m e n ta l d e to d as a s in stitu iç õ e s tem c o n h e c im e n to de que n o a sp e c to
s o c ia is (Gn 1.2 8 ; 2.24). Na p e rsp e c tiv a e s p ir itu a l a m b o s sã o ig u a is (Gn 1.2 7 ;
d ivin a, 0 casam ento deve ser um a união Gl 3 .2 8 ; Cl 3 1 0 ,1 1 ) , e n a v id a a d o is h á
p erm an en te, em que h om em e m u lh er o b r ig a ç õ e s d is t in t a s e e s p e c ífic a s a
en tram em um a a lia n ça a fim de c o n s­ serem cu m p rid a s (1 Co 7.3).
tru ir um a u n ião única n a m ais p erfeita A u n iã o s e x u a l é o u tro fa t o r p r e ­
intim idade. p o n d e ra n te q u e d e v e s e r le v a d o em
Não querendo jam ais que os votos do c o n sid e ra ç ã o no c a sa m e n to . E le d eve
casam en to fossem quebrados, Deus deu s e r d esfru tad o p elo hom em e p ela m u ­
a ordem : “ Não adulterarás” (Êx 20.14). A lher, c asad os, em um a intim id ad e m ais
sin gu larid ad e d essa m ara vilh o sa união p ro fu n d a . O v e rb o (<c o a b ita r,> f a la de
foi destacada por Cristo quando falou do r e la ç ã o s e x u a l d e n tro do c a s a m e n to
vín cu lo conjugal, e x p re ssan d o que não (Gn 4 25), tratad a pela B íblia com o algo
sã o m a is d o is, m a s u m a só c a rn e (Mt digno (Hb 13.4).
19.6). P a u lo v ia e s s a u n ião de m an eira O c a sa l c ris tã o é con scien te de que
tã o c â n d id a q u e c o m p a ro u o a m o r de ja m a is d eve u sa r 0 sex o com o faz e m os
C risto, que se s a crific o u p ela Igreja, ao ím pios, sem amor, carinho, respeito, tão
am o r do m arid o p ara com a sua e sp osa som ente p ara dar vazão à s suas lascívias
(E f 5 -25 ). (1 T s 4 -3 - 7 )- Portanto, o ca sa l que deseja

A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E S S O R 37
que seu c a sa m en to dure p ara sem p re,
d ev e e s t a r em co m u n h ão com D eus, e SINOPSE III
ter um a união m arcada pelo am or e uma Na p e r s p e c t iv a b íb lic a , o c a s a ­
vid a s e x u a l re grad a e sadia.
m en to é u m a u n iã o in d iss o lú v e l.
3. C a s a m e n to : u m a u n iã o in d i s ­
so lú v e l. Na d is c u s sã o de Je su s com os
líd eres religiosos, Ele destacou os ideais
d ivin os sobre 0 casam ento, isto é, como AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO
Deus 0 havia projetado a fim de que fosse
p erm a n e n te (Mc 10.9). P a ra r e s t r in g ir a fa lt a g ra v e
Há e x e g e t a s q u e g a s t a m te m p o e “ Jesu s aborda novam ente um dos
m u ita s le tra s p a ra p ro v ar q ue o d iv ó r­ Dez M andam entos e afirm a sua m aior
c io era p e rm itid o ; b u sc a m e lem en to s autoridade p ara in terpretá-lo . Como
históricos n as duas e sco las rabínicas de a lg u n s dos seu s contem porâneos Ele
Sh am m ai e H illel, sen do que a prim eira v a i à s m in ú cia s p ara re s tr in g ir esta
d e s t a c a v a a q u e s tã o d a im p u re z a no falta grave. A lguns fariseus fechariam
asp e cto m o sa ic o a p a r tir do ad u ltério, o s o lh o s ou a n d a ria m com a cabeça
perm itindo a carta de divórcio. A segunda inclinada para não olhar um a mulher.
e ra m a is lib e ra l, e d iz ia que q u alq u e r M as Jesu s identifica o coração com o a
d esa g rad o da p a rte do m arid o p od eria principal parte ofendida do ser humano,
d isso lv e r 0 casam en to . Contudo, o m e ­ p ois o coração é a sede da vontade, da
lhor seria que tais estudiosos gastassem im agin ação e da intenção d a pessoa,
m a is o tem po p ara f a la r do casam en to em b o ra os o lh o s te n h a m s u a p arte.
conform e 0 propósito eterno, atentando Jesu s n ão e stá condenando a atração
p ara 0 princípio de tudo. sexual natural, m as a luxúria ou desejo
P ara Jesus, o casam ento é um a união lúbrico (v. 28). A m ensagem de Jesu s é
indissolúvel, e por isso deixou claro que, cla ra : Se a p esso a tra ta r d a intenção
quanto ao divórcio, n ão era u m m an d a­ do coração, então os olhos cuidarão de
mento de Moisés, m as sim um a concessão si m esm o s” (ARRINGTON, F ren ch L;
d ev id o à fra q u e z a h u m a n a , p o r causa STRONSTAD, Roger (Eds.) Com entário
do pecado (Mt 19 8), pelo p ad rão b a ix o e Bíblico Pentecostal Novo Testamento.
desm oralizante em que m uitos estavam R io de Janeiro: CPAD, 2003, p.46).
vivendo. Enquanto a Lei p erm itia o d i­
vórcio (Dt 24.1-3), Jesu s salienta que isso
sig n ifica v a le g a liz a r o adultério.
Sem pre é dolorido fa la r sobre d ivór­ CONCLUSÃO
cio, v isto que já se trata da d estruição de Pela Palavra de Deus, compreendemos
um casam en to . P orém , com o s e rv o s de que 0 casam ento é para sem pre, m as sua
Deus, p re cisa m o s d izer que a c o m u n i­ construção depende de uma vivência com
dade de s a lv o s que q u er v iv e r o p adrão Deus em um relacion am en to m arcad o
do R eino de Deus, com s u a s b em -a ve n - pelo amor. Frente aos problemas que p os­
tu ra n ç a s, p re c isa en ten d er que o ideal sam su rgir, 0 cam in h o não é o divórcio.
d iv in o é a in d iss o lu b ilid a d e d a v id a a Os cônjuges devem agir com boa vontade
dois, tanto física com o espiritualm en te, e sacrifício s, buscando sabedoria divina
se g u in d o o p ad rã o d iv in o do É d en: os p ara que se volte à verdadeira harm onia,
d o is serã o um a s ó c a rn e (Gn 2.23,24). com a p resen ça de Jesu s.

3 8 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S •P R O F E S S O R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
Anotações do Professor
C liq u e a q u i p a r a fa z e r s u a a n o t a ç ã o

VOCABULÁRIO
Cândida: q ue a p resen ta p ureza e inocência.
C olim ava: tin h a em v ista ; v isa v a a; ob jetivava, p retendia.
H iperb ólico: ê n fase e x p ressiva resu ltan te do e xag ero da sign ificação
lin g ü ística; exagerado.

REVISANDO O CONTEÚDO

1. P ara Je su s, onde e stá a g ên ese do adultério?


P a ra Je su s, a g ên ese do a d u ltério e stá no coração, com eçan d o com u m olh ar
cobiçoso e p en sa m e n to s im p u ro s que le v a m à p rá tic a s e x u a l ilícita.
2. No se u S e rm ã o , Je s u s e v id e n c ia a im p o rtâ n c ia d e h o m en s e m u lh e re s
a b ste re m -se de quê?
Je su s evid encia a im po rtân cia de h om en s e m u lh eres a b ste re m -se de p en sa ­
m en tos im p u ros, tanto fora com o d en tro do casam en to , p o is é d essa fo rm a
que se c o n se g u e m an ter a p u re za em trê s n ív eis: s e x u a l, m o ra l e social.
3. C om o Je su s v ia o casam en to?
P ara Jesu s, 0 casam en to é um a u n ião in d issolú vel, e por isso deixou claro que,
quanto ao d ivórcio, não e ra um m an dam en to de M oisés, p o r cau sa do pecado
(Mt 19.8), pelo padrão baixo e desm oralizante em que m uitos estavam vivendo.
4. De fo rm a fig u rad a , a id o latria tam bém era c h am ad a de quê?
A id o latria era c h am ad a, fig u rad a m e n te, de a d u ltério (Jr 3.8; E z 23.37).
5. De aco rd o c o m a lição , p e ra n te D eus, co m o b e m e x p re sso u C risto , um a
in ten ção erra d a é tão p ec a m in o sa q u an to u m ato. O que f a z e r p a ra n ão c air
n este m al?
D evem os sem p re b u sc a r p en sa m e n to s p u ro s e b ons (Fp 4.8).

A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E S S O R 39
LIÇÃO 6
8 de M aio de 2022
W

EXPRESSANDO
PALAVRAS HONESTAS

VERDADE PRÁTICA
TEXTO ÁUREO
F azer um ju ra m en to ou um a
“ Seja, porém , o vosso fa la r: Sim ,
prom essa é alg o m uito sério. Por
sim ; nào, não, porqu e o que
isso, o cristão d e v e cu id ar para não
passa disso é de procedência
p ro m eter ou vo tar aq u ilo q u e não
m aligna.}} (Mt 5 -37 )
va i ter condições d e cumprir.

LEITU RA DIÁRIA

S e g u n d a - L v 5 .4 Q u inta - Ê x 2 0 .16
0 h om em é re sp o n sáv el Não d a rá s fa ls o testem un h o
pelo que p rom ete
S e x ta - P v 16 .13
T e rç a - SI 15 . 1-3 Quem fa la a ve rd a d e tem v a lo r
Fale a verd ad e de coração
Sáb ad o - E f 4 .25
Q uarta - F p 4.8 D eixe a m en tira e fa le s em p re a
Pen se n o que é v erd ad eiro verd ad e com 0 p róxim o

4 0 LIÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E SSO R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
L E IT U R A B ÍB L IC A E M C L A S S E

M a te u s 5 -3 3 - 3 7
3 3 - Outrossim, ouvistes que fo i dito aos de seus pés, nem por Jerusalém , porque
antigos: Não perjurarás, m as cumprirás é a cidade do grande Rei,
teus juram entos ao Senhor. 36 - nem jurarás pela tua cabeça, porque
3 4 - Eu, porém, vos digo que, de maneira não podes tornar um cabelo branco ou preto.
nenhum a, jureis nem pelo céu, porque é 37 - Seja, porém , 0 vosso falar: Sim , sim;
o trono d e Deus, não, não, porque 0 que passa disso é de
35 - nem pela terra, porque é o escabelo procedência maligna.

H inos Sugerid os: 38, 8 9 ,1 5 4 da H arpa Cristã

PLANO DE AULA

1. INTRODUÇÃO re su m o d o a s su n to , e n fa tiz a n d o as
Qual 0 valor de uma palavra? Houve p ala vras retidão, honestidade e verdade
um tem po em q ue o em p en ho d a p a­ n a s p a la v ra s. A ssim , d eix e c la ro p ara
la v ra b a sta v a p ara s e c o n c re tiz a r um a c la ss e q ue a p a la v r a d o c ris tã o não
negócio. A p resen te lição é um estudo pode s e r b a n alizad a.
a p artir do ensino do Serm ão do Monte
a resp eito da retid ão que d evem os ter 3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO
com a s p a la v ra s em p en h ad as. N osso A) A plicação: A presente lição deve
S en h o r e n sin o u a resp eito d essa v e r ­ levar o aluno a c o n scien tizar-se a re s ­
d a d e . O m e s m o c u id a d o q u e te m o s p eito da retid ão n o fala r. A s p a la v ra s
de te r co m o n o sso c o m p o rta m e n to revelam o que p ensam os e sen tim os e,
m oral, devem os ter com a e m issã o de portanto, elas revelam o que som os. Se
n o ssa s p a la v ra s. a nossa m ente estiver permeada com os
v a lo res do Reino, n o sso s sen tim entos
2 . APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO e, consequentem ente, n o ssas p alavras
A) O b je tiv o s d a L iç ã o : I) A firm a r e x p re s s a rã o o s v a lo re s do Reino.
que não devem os ju rar nem pelos Céus
nem pela Terra; II) Enfatizar que nossas 4 - SUBSÍDIO AO PROFESSOR
p alavras devem s e r “ sim ” e “ não” ; III) A) R e v ista E n sin a d o r C ristão. Vale
Pontuar a honestidade com as palavras. a p en a co n h ecer e s s a re v ista que traz
B) M o tiv a ç ã o : Q uando e x p o m o s r e p o r t a g e n s , a r t ig o s , e n t r e v is t a s e
pensam entos em p ala vras, revelam os s u b s íd io s d e a p o io à Lições B íblicas.
o que p en sa m o s e sen tim o s. A retidão N a e d iç ã o 8 9, p.39, v o c ê e n c o n tra rá
n a s p a la v r a s req u er retid ão no p e n ­ um s u b síd io e sp e cia l p ara e sta lição.
sam en to e no sen tim ento. B) A u x ílio s E sp e c ia is: Ao fin a l dos
C) S u g e stã o de M étodo: Ao te rm i­ tópicos, v o cê e n co n trará a u x ílio s que
n a r o ú ltim o tópico da lição, faç a um d a rã o su p o rte n a p re p a ra ç ã o de su a

A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S •P R O F E S S O R 41
aula: 1) 0 texto “ Ju ra m en to s” , lo c a li­ h on estid ad e” ’, lo c a liz a d o ao fin a l do
zado ao fin al do prim eiro tópico, é uma segu n d o tópico, tra z u m a r e fle x ã o a
e x p lic a ç ã o b ib lio ló gica a re sp e ito do re sp e ito da sim p lic id a d e que n o sso
que o S enhor Jesu s quis d izer com não S e n h o r e s p e r a de s e u s s e g u id o r e s :
fa z e r ju ra m e n to s; 2) O te x to “ A p ura h on estid ad e com a s p ala vras.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO ex igia um a o ferta pelo pecado (Lv 5.1-6;


Os juramentos sem pre estiveram pre­ 6 .2 -6 ). A lei e n fa tiz o u a s erie d a d e dos
sen tes na sociedade. Eles são o com pro­ ju ram en to s (Ê x 20.7; L v 19.2; Z c 8.16,17)
m isso que a pessoa assum e publicamente e proibiu o ju ram en to p o r d eu ses fa lso s
de que c u m p rirá realm en te aquilo (Js 23.7; Jr 12 .16 ; A m 8.14).
que prometeu. Nas Escrituras, os 2. 0 p ro p ó sito da L ei do Ju ­
juram entos são de dois tipos: ram en to. O p ropósito do ju ­
a q u e le s fe it o s p o r D eu s e ram ento antes era benéfico,
aqueles feitos pelos homens. 1 Palavra-Chave \ tinha 0 objetivo de descobrir
Quando Jesu s e n sin a que o 1
Palavra | a verdade. Tratava-se de um
n o sso fa la r seja “ Sim , sim ; apelo solene que 0 adorador
não, não, porque o que passa fazia a Deus, tendo consciên­

r
disso é de procedência m alig­ cia de que Ele era 0 grande juiz
n a ” (Mt 5 -37 ), Ele condena o uso onisciente e onipotente, dono de
in d iscrim in ado , levian o ou e vasivo tudo, que esquadrinhava os corações
do ju ra m e n to que p re v a le c ia e n tre o s de to d o s o s h o m en s (1 C r 28.9; J r 17.
ju d e u s. Po r is s o , n e s ta liç ã o , v e re m o s e que re v e la v a o ín tim o de cad a um
com o o M estre e nsinou que o s h om ens v e rd a d e e a sin c e rid a d e p re se n te s
deveriam ser tran sp aren tes e h onestos esp írito do h om em . Os ju ram en to s n as
em seu falar, para que os juramentos entre Escrituras são de dois tipos, aqueles feitos
eles se tornassem desnecessários. Em seu p o r Deus e aqu eles feito s pelos hom ens.
Reino, a h onestidad e de seu s m em bros 3. Não ju reis n em pelo Céu n em pela
e lim in a o u so d os ju ram en to s (Tg 5.12). T e r r a . O e s t r a t a g e m a d o s e s c r ib a s e
fa ris e u s q u an to ao ju ram en to p ode ser
I - NÃO DEVEMOS JURAR NEM notado quando eles diziam que qualquer
PELOS CÉUS N EM PELA TERRA vo to que o a d o ra d o r f iz e s s e u sa n d o o
1. A Lei do Juram ento. De acordo comnom e de Deus e sta ria vin cu lad o àquele
0 Dicionário Bíblico Wycliffe, a lei m osaica ju ram en to , m a s um vo to feito sem que
enfatizou a n atu reza obrigatória dos ju ­ fosse pronunciado 0 nome de Deus era de
ram entos (Nm 30.2) e decretou 0 castigo m enor valor, e n esse caso não p recisava
p a ra 0 p erju ra d o r, aq u e le que fa z um s e r cum prido.
juram ento falso (Dt 19.16-19; 1 Tm 1.10). O Foi c o n tra e s s e p ro ced im en to d is ­
falso ju ram en to de um a testem unha ou sim u lad o e h ip ó crita que Je su s o s con­
um a fa ls a afirm ação com relação a um a fro n to u (M t 2 3 .16 -18 ). E s s a ten u id ad e
prom essa ou a algum a coisa encontrada, de c la ss ific a ç õ e s fe ita s p e lo s e sc rib a s

4 2 LIÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E SSO R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
e f a r is e u s , e n tre o s v o to s o b rig ató rio s
vín cu lo. A ssim , os iten s a cim a eram
e não o b rig ató rio s, n ão tin h a q u alquer
substituídos com o um a form a de sub­
base. P ara Je su s, quem ju ra sse pelo céu
terfúgio, p ara não se d izer a verdade.
teria de cum prir seu juram ento, pois eles
Bengel cita o ditado rabínico: ‘Como o
fo ra m feito s p o r D eus (Gn 1.1), e a terra
céu e a terra passarão, assim também 0
e ra o e stra d o d o s se u s p é s (Is 66.1), e
juram ento passará, p ois os conclamou
Je ru sa lé m e ra a cidade do g ran d e Deus
com o testem unhas \36 Jesu s defendeu
(SI 48.3)- A c o n c lu s ã o é q u e q u a lq u e r
que Deus está sem pre presente quando
ju ram en to feito, u san d o a lg u n s d esses
os homens falam ; por esta razão, todos
elem en to s, te ria de s e r cu m prido, p ois
devem falar honestamente (CHILDERS,
n e les 0 nom e de D eus e sta v a envolvido.
C h arles L.; EARLE, R alph ; SANNER,
U m c r is t ã o v e r d a d e ir o e s in c e ro ,
A. Elwood (Eds.) C o m en tário B íblico
qu e tem o c o ra ç ã o tra n sfo rm a d o pelo
Beacon: M ateus a Lucas. Vol.6. Rio de
Evangelho, não p recisa invocar qualquer
Janeiro: CPAD, 2006, p.60).
elem ento com o céu e terra p ara afirm ar
que 0 que está dizendo é a verdade, posto
que na essência a verdade está no íntimo
do seu coração, no qual não há m entira, II - N O SSA S PALAVRAS D EV EM
en go d o ou e n ga n o (Sl 15.2 ; 2 4 .4 ; P v 8.7; S E R “ S I M ” E “ NÃO”
M l 2.6; M q 6.8). 1. Com o d ev e s e r o n o ss o fa la r. T o ­
m a r cuidado com o que s e fa la é valio so
dem ais. E sta atitude declara que tipo de
pessoa nós som os. Um cristão verdadeiro
SINOPSE I se m p re p ro c u r a f a l a r c o m v e rd a d e e
O seguidor de Jesu s não ju ra pelo sa b e d o ria . Com m u ita p ro p rie d a d e , o
Céu nem pela Terra. Suas pala­ sáb io re i S alo m ão falo u que a m o rte e a
vras têm o peso da verdade. vid a estão no pod er da lín g u a (Pv 18.21).
Jesu s foi bem categórico quando afirm ou
que p elas p alavras alguém pode ser ju s­
tificad o ou condenado (M t 12.37), o que
AUXÍLIO nos im pele a ter cuidado no n osso falar.
BIBLIOLÓGICO Um c ris tã o cheio d as v erd ad es d ivin as
terá um fa la r verdadeiro e reagirá contra
todo tipo de fa lsid a d e e m en tira . Jesu s
"Juram entos (5.33-37). A lei mosaica
ex ig e h onestidad e 0 tem po todo, esteja
dizia: Não perjurarás (33; Lv 19 12 ; Nm
um h om em sob ju ram en to ou não. Não
30.2; Dt 23.21), isto é, ‘jurar falsamente*
há p ad rão duplo p ara o c ristão.
- no Novo Testam ento, este verbo só
2.0 s im e o n ão na v id a de P aulo.
é encontrad o aqui. M a s Je su s d isse:
H á s it u a ç õ e s e m q u e e m p re g a m o s a
De m an eira n enhum a ju reis (34). Ele
n o ssa p ala vra e, p or algu m m otivo, não
p roibiu e sp e c ific a m e n te ju ra r pelo
c o n se g u im o s re a liz a r o que d issem o s
céu, pela terra, p or Jerusalém , ou pela
ou p lan ejam o s. Em 2 C o rín tio s 1.12 -2 4 ,
nossa própria cabeça (34- 36). Os judeus
h á o re la to de um e p isó d io que ocorreu
defendiam que jurar pelo nome de Deus
co m o apóstolo Paulo. E le fe z p lan o s de
vinculava aquele que fazia 0 juramento,
v is ita r os irm ã o s d a Ig re ja de C orinto,
m as jurar pelo céu não trazia nenhum
porém , p or d iversas vezes, foi impedido

A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E S S O R 43
e a s c o isa s n ão sa íra m com o h a v ia p la ­
nejado (2 Co 1.6; Rm 1.10; 15.22; l T s 2.18). AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO
Po r is s o , s e u s a c u sa d o re s s e v a le ra m
d a situ aç ã o p ara fa z e r g ra v e s e sé ria s A p u ra h o n e s tid a d e
“ M a ld iz e r n ão é o a ssu n to aqui.
a c u sa ç õ e s c o n tra P au lo, d iz e n d o que
A o c on trário, Je su s com enta sobre a
e le não e ra confiável.
p rá tica de o b rig a r-s e a m an te r um a
Paulo refuta seus opositores dizendo
p rom essa ao fa z e r um juram ento. No
qu e n ão e ra 0 tip o de p e sso a que d iria
sé c u lo I, todo u m sis te m a h a v ia se
" s im ” quando n a realidade queria d izer
desen volvid o p ara d iferen ciar entre
“ não”. O apóstolo toma Deus como sua fiel
os juram entos que com prom etem e os
testem unha e explica o m otivo pelo qual
não tinha ido logo fazer essa visita, que era que não com prom etem . A ssim , um a
para poupar os irmãos (2 Co 1.23). Deus, que p essoa ficava com prom etida ao ju rar
conhecia o seu coração, d isse o apóstolo, “ em relação a Jeru salém ” , m as não se
sab ia do seu verdadeiro sentim ento e da ju ra sse “ por Jeru salém ”. Uma pessoa
ficav a com prom etid a ao ju ra r “ pelo
grande vontade de ir visitá-los, e declarou
o u ro do a lt a r ” , m a s n ã o s e ju r a s s e
a todos que sua vida era de sim plicidade e
“ pelo a lta r” p ropriam ente dito. Jesus
sinceridade, tanto diante da Igreja como
descarta isso como sendo um sofism a.
do m undo (2 Co 1.12).
Um a p esso a p o d eria s e r tão h on esta
Da m esm a m an eira que os coríntios
que 0 seu sim sig n ifica sse sim e o seu
podiam con fiar que Deus m an teria suas
não significasse sem pre não. O próprio
p r o m e s s a s , ta m b é m p o d ia m c o n fia r
que Paulo, com o representante de Deus, h ábito de f a z e r ju ra m e n to s fo rn ece
m an teria a s suas. Ele a in d a os visita ria, um a p rova de que a p esso a que ju ra é
m a s e m u m a o ca siã o m elhor. desonesta e não se poderia confiar que
3 .0 que p a s s a r d isso é p ro ced ên cia ela iria m anter a sua palavra! Deus não
fica s atisfeito com a d iscu ssão sobre
m a lig n a . C om o o c a so que aco n teceu
ju ra m e n to s q u e co m p ro m e te m ou
em C o rin to , e m que P a u lo c o n h e c ia a
não. Deus fica sa tisfe ito c o m a p u ra
im portância da h onestidade e da sin ce­
h on estidad e” (RICHARDS, L aw rence
rid ad e n a s p a la v r a s e a çõ e s, Deus q uer
O. C o m e n tá rio H is tó ric o -C u ltu ra l
que sejam os verdadeiros e transparentes
do N ovo T estam en to. Rio de Janeiro:
em to d o s os n o ss o s re la c io n a m en to s.
CPAD, 2 0 12 , p.26).
Se n ã o fo r a s s im , p o d e re m o s n o s r e ­
b a ix a r, p a ssa n d o a d iv u lg a r ru m o res,
fo f o c a s e a t e r s e g u n d a s in t e n ç õ e s ,
ou se ja , d a re m o s lu g a r a situ a ç õ e s de
p ro ce d ên cia m alig n a . I I I - H O N E S T ID A D E C O M
N O SSA S PA LA VRA S
1. A p alavra honestidade. Honestidade
é um a v irtu d e de a lgu ém que é correto,
SINOPSE II sin cero. Do hebraico, tem os o ad jetivo
yashar, “ reto, honesto, c orreto , d ireito,
A s p a la v r a s d o s s e g u id o r e s de
plano, certo, ju sto ” . Jó foi d escrito como
Je s u s d e v e m s e r p r e c is a s e a s ­
um h om em h o n e sto (Jó 1.8). E m A tos,
s e r t iv a s .
tem o s a d escrição de C ornélio com o um
h om em reto, h onesto (At 10.22). A quele

44 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S •P R O F E S S O R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
que tem u m v iv e r reto, h onesto, ja m a is 3. D ando te ste m u n h o . U m a p e sso a
perm itirá que saiam de sua boca palavras h o n e sta re v e la d ig n id a d e d e c a rá te r,
fa ls a s , m en tiro sa s, en gan ad oras. é h o n ra d a , d ig n a , p ro c e d e r ig o r o s a ­
2. É p o ssíve l ser honesto com n o ssasm ente d en tro da re g ra. S alo m ã o d isse
p a la v ra s n este m undo? Na vid a daquele que to rtu o s o é o c a m in h o d o h om em
que o Evangelho já entrou, houve tra n s­ ch eio de culpa, m a s re to o p ro ced er do
form ação plena, pois o m esm o busca não hom em h onesto (P v 21.8). O verd ad eiro
ap e n a s cu ra r os sin to m a s da d oença do cristão p rocura s e r honesto n o que fala,
pecado, m a s tam b ém p reven ir. Não há m a n te n d o -se lo n g e d a fa ls id a d e e da
com o n egar, que n e sse m undo, m uitos m e n t ir a , c o n s e r v a n d o a v e r d a d e n o
já ad otaram a m en tira com o um hábito. co ração e n a cond uta, p o is e s s e é o seu
É n o rm a l p a ra aquele q u e n ã o v iv e as ob jetivo m aio r (3 Jo 4 ).
b e m -a ve n tu ran ça s de C risto d izer um a Você é con h ecido p o r s e r u m a p e s ­
m entira, com a desculpa de m entir para so a de p alavra? Se d isserm o s a verdade
apo iar um a causa nobre. Quem sustenta durante todo 0 tem po, vam os nos sentir
is s o e s t á c o m p r o m e te n d o o c a r á t e r m e n o s p r e s s io n a d o s a a p o ia r n o s s a
h u m an o e um v a lo r im p o rta n te , que é p a la v r a em ju ram en to s ou p ro m essas.
o resp eito p ela verdade.
O verdadeiro discípulo de Cristo, que
faz parte do seu Reino, é honesto em suas
palavras, íntegro no seu caráter, e jam ais
usa de m eias-verdades, através das quais SINOPSE III
gran d es m en tiras têm sid o d itas, sendo A s p a la v r a s d o s s e g u id o r e s de
influenciados pelo pai da mentira, o Diabo. J e s u s d e v e m a p r e s e n t a r r e tid ã o
Jesu s é a verdade em e ssência (Jo 14.6), e e h o n e s tid a d e .
os que vivem nEle são honestos em tudo,
e seu fa la r é sim , sim ; não, não.

AMPLIANDO O CONHECIMENTO

“ Ju ra m en to

a
[...] Os ju ra m e n to s e ra m co m u m en te
fe it o s le v a n t a n d o - s e a m ã o a D eu s (Gn
14 .2 2 ; E z 2 0 .5 SS, Hb 3 1 8 ; 6.13; 7-21; Ap 10.5)
e e m c a s o s e x c e p c io n a is c o lo c a n d o -s e a
m ão debaixo da ‘coxa’ [...] daquele a quem o
ju ram ento era prestado (Gm 24.2SS.; 47 -2 9 ).
E ste era o m odo solene de sig n ifica r que, se
0 ju ram en to fo sse violado, a descendência
d a p e sso a v in g a ria o a to de d esleald ad e.”
Am plie m a is o seu conhecim ento, lendo o
D ic io n á rio B íb lico W y c liffe , ed itad o p ela
CPAD, p p.1119.

A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E S S O R 45
CONCLUSÃO a ju ra m e n to s h ip ó c r ita s , p ro fa n o s e
D evem os v iv e r n este m u nd o com o d e s n e c e s s á r io s , q u e b u s c a m fu n d a ­
v e r d a d e i r o s s e g u id o r e s d e C r is t o , m entar as conversas do dia a dia. Antes,
sen d o h o n e sto s em tudo, e m e sp e cia l p ro c u r e m o s s e r s im p le s e o b je tiv o s
em n o ssa s p a la v ra s , sem recorrerm os d izen d o sim , s im ; não, não.

REVISANDO O CONTEÚDO
1. Q uais são o s d o is tip o s de ju ram en to s c itad o s n a lição?
1. Os ju ram en to s n a s E scritu ra s são de d o is tip o s, aqu eles fe ito s p o r D eus e
aqu eles feito s p elo s h om ens.
2. No R eino de C risto, o q ue e lim in a a n ecessid ad e de ju ram en to s?
2 . Um c ris tã o v e rd a d e iro e s in c e ro q u e tem o co ra ç ã o tr a n s fo rm a d o p elo
E v a n g e lh o n ão p r e c is a in v o c a r q u a lq u e r e lem en to c o m o céu e te rr a p ara
a firm a r que o q ue e stá d izendo é a verd ad e, p osto q ue n a essê n c ia a verdade
e stá n o ín tim o do seu coração, no qual n ão h á m en tira, engodo ou en gano.
3. De acord o com P ro vérb ios 18 .2 1, o q ue e stá n o p o d er da lín g u a?
3 .Com m u ita propriedade, 0 sábio re i Salom ão falou que a m orte e a v id a estão
no p o d er da lín g u a (P v 18.21).
4 . 0 que é h onestidad e?
4. H onestidade fa la de a lgu ém que é correto, que tem seried ad e, do h ebraico
tem os o a d je tiv o yashar, “ reto, honesto, correto , d ireito, p lano, certo, ju sto ” .
5. C om o d evem os v iv e r n este m undo?
5. D evem o s v iv e r n este m undo com o ve rd a d eiro s seg u id o res de C risto, sen ­
do h o n esto s em tudo, em e sp e c ia l em n o ssa s p a la v ra s , s e m re c o rre rm o s a
ju ram en to s h ip ócritas, p ro fan o s e d esn e cessá rio s, que b uscam condim entar
a s c o n v ersa s do d ia a dia.

LE IT U R A S PARA APROFUNDAR

OS
ESCOLHIDOS

U m d e v o o o n a i <to 4 0
twKOodo r o im pactarüe s« n e
THfC HO SÍ N

4 6 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E S S O R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
NÃO RETRIBUA PELOS
PADRÕES HUMANOS

VERDADE PRÁTICA
TEXTO ÁUREO
O cristão n ão d e v e gu a rd a r
“ N ão te vin garás, nem
ran co r e nem bu scar a vingança.
gu a rd a rá s ira contra os filh o s
A ntes, d e v e ven cer 0 m al
do teu p ovo; m as am arás
com 0 bem . Dessa fo rm a , ele
o teu p róxim o com o a ti
d em onstra que v e rd a d eira m en te
m esm o. Eu sou o Sen h o r.”
tev e 0 seu ca ráter transform ado
(Lv 19.18)
p o r Cristo.
^_____________________________ __________________________________/

LEITU RA DIÁRIA
S e g u n d a - R m 12 .19 - 2 1 Q u inta - Dt 32.35
V ença 0 m al com 0 bem A v in g a n ç a p erten ce ao Senhor
T e rç a - P v 2 0 .22 S e x ta - Jr 15 .15
E sp e re a v itó ria p elo Senhor O rando p elo a u x ílio de Deus

Q uarta - Is 35 -3 ,4 Sáb ad o - R m 2 .6 - 8
0 S en h o r v ir á com v in g a n ça Deus re trib u irá a cad a um

A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2 LIÇÕES BÍBLICAS •PROFESSOR 4 7


LE ITU R A BÍBLICA E M CLASSE

M a te u s 5 .3 8 - 4 8

38 - Ouvistes que fo i dito: Olho por olho inimigos, bendizei os que vos maldizem,
e dente por dente. fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos
39 - Eu, porém, vos digo que não resistais que vos maltratam e vos perseguem ,
ao mal; mas, se qualquer te bater na face 4 5 - p ara que seja is filh o s do Pai que
direita, o ferece-lh e tam bém a outra; está nos céus; porqu e fa z que 0 seu sol
4 0 - e ao que quiser p leitear contigo e se levante sobre m aus e bons e a chuva
tirar-te a vestimenta, larga-lhe também desça sobre justos e injustos.
a capa; 4 6 - Pois, se am ardes os que vos amam,
4 1 - e, se qualquer te obrigar a caminhar que galardão tereis? N ão fazem os p u -
um a m ilha, vai com ele duas. blicanos tam bém 0 m esm o?
4 2 - Dá a quem te p edir e nâo te desvies 47 - E, se saudardes unicamente os vossos
daquele que quiser que lhe emprestes. irm ãos, que fazeis de m ais? Não fazem
43 - Ouvistes que fo i dito: Am arás 0 teu os publicanos tam bém assim?
próxim o e aborrecerás 0 teu inimigo. 4 8 - Sed e vós, p ois, p erfeito s, com o é
4 4 - Eu, porém , vos digo: A m ai a vossos perfeito 0 vosso Pai, que está nos céus.

Hinos Sugeridos: 324,4.32,438 da Harpa Cristã


PLANO DE AULA

1 . INTRODUÇÃO b u sca p e la p e rfe iç ã o na p e rsp e c tiv a


Q uando s e re c e b e u m a o fe n s a , a do R ein o de Deus.
reação n atu ral é d evolvê-la com outra. B) M o tivação : R etribu ir o m al com
Entretanto, o Senhor Jesu s nos convida o bem é tra n sce n d e r o s e n so com um
a a g ir de m an e ira m a is e levad a, p on­ de q u e te m o s que p a g a r a o fe n s a na
do em p rá tic a a in s tru ç ã o d iv in a de m esm a moeda. Fazer o bem é o melhor
acordo com o Serm ão do M onte. N esse a n tíd o to p a r a d e t e r o m a l: “ N ão te
sen tid o, re trib u ir o m al com o b em é d e ix e s ven cer o m al, m a s ven ce o m al
u m a a ç ã o q u e v e m do Céu. O c re n te com o b e m ” (R m 12.21).
cheio do Espírito Santo é capaz de viver C) Sugestão de M étodo: A perfeição
e sse en sin o do Serm ão p roferido pelo c ris tã e stá fu n d am e n ta d a na p rática
n o sso Senhor. do amor, com o bem form ula 0 terceiro
tópico. Po r isso , e n fa tiz e ao lon go da
2 . APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO e x p o s iç ã o em c la s s e a s e x p re s s õ e s:
A) Objetivos d a Lição: I) A valiar que“ o fe re c e r a o u tra f a c e ” ; “ c a m in h a r
a vingança não é de natureza do Reino; d u as m ilh a s ” ; “ n ão d e s v ia r de quem
II) V a lid a r q u e o a m o r é a e x p re s s ã o pede e m prestado” ; “ a m a r 0 in im ig o ” ;
n a t u r a l do R e in o ” ; III) V a lo r iz a r a “ s a u d a r q u em n ã o é ir m ã o ” . T o d a s

48 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E SSO R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
e s s a s e x p r e s s õ e s e stã o n o c ern e do re p o r t a g e n s , a r t ig o s , e n t r e v is t a s e
d ese n vo lvim en to d a p e rfe iç ã o c ristã s u b s íd io s d e a p o io à Lições B íblicas.
(Mt5-48). Na e d iç ã o 8 9, p.39, v o c ê e n c o n tra rá
um s u b síd io e sp e cia l p ara e sta lição.
3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO B) A u x ílio s E sp e c ia is: Ao fin a l dos
A) A plicação: A presente lição devetópicos, v o cê e n co n trará a u x ílio s que
le v a r o a lu n o a c o n s c ie n t iz a r - s e a d a rã o su p o rte n a p re p a ra ç ã o de su a
re sp e ito d a in c o e rê n c ia da v in g a n ç a au la : 1) O te x to “A m a r os In im ig o s ” ,
com a p rática cristã. “ Pagar n a m esm a lo c a liz a d o a p ó s o s e g u n d o tó p ico ,
m o e d a ” n a d a tem a v e r c o m o e stilo a m p lia o e n sin a m e n to a re sp e ito do
de v id a c ris tã o . Por is s o , o s e g u id o r am o r a o s in im ig o s; 2) O te x to “ Sobre
de Je su s é estim u lad o a d esen vo lver o a P e rfe iç ã o ” , lo c a liz a d o ao fin a l do
fru to do E sp írito n a v id a cristã . te rc e ir o tó p ico, tra z u m a r e fle x ã o a
4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR r e s p e it o d a p e r fe iç ã o c r is t ã , c o m o
A) R e v ista E n sin a d o r C ristão. Valeque o te x to do S erm ã o do M onte n os
a p en a co n h ecer e ssa r e v ista que traz e stim u la a b u sc a r e sse ideal bíblico.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO Senhor, que não intencionava acirrar os


Q uando a s p e s s o a s n o s o fe n d em , h o m en s a re trib u ir a a g re ssã o de q u al­
m u itas ve z es a n o ssa p rim e ira reação é qu er m a n e ira , e sim c o lo c a r um certo
d e se ja r a v in g a n ç a . M as Je su s, ao co n ­ lim ite, n ão d eix an d o que o v in ga d o r
trário, d isse que d evem os faz e r 0 fiz esse um a execução m aior que
bem àqueles que nos ofendem! 0 crim e . Na verd ad e, e s s a lei
Ao in v és de n o s v in g a r, d e ­ p ro cu rava a ju star o castigo
vem os am ar e perdoar. Isso P alavra-C have 1 ao crim e.
n ão é u m a c o isa n a tu ra l, é 1 Retribuição 1 A L e i d o T a liã o s e t r
sobrenatural. Som ente Deus ta v a d e u m a n o rm a p a ra
pode nos d ar fo rças para que o s t r ib u n a is c iv is , q u e no
am e m o s com o E le am a. s e u p ro p ó s ito d e s e ja v a que
em p a r t ic u la r a p e s s o a ja m a is
I - A VINGANÇA NAO p ra tic a sse a vin g a n ç a . N ão h á n e ssa lei
É NATUREZA DO REINO qualquer incentivo à v in g a n ç a p essoal,
1. A L e i de T a liã o . A L ei de T a liã o pelo
, con trário, quando um a p esso a s o ­
olho por olho, dente p or dente (Mt 5.38), fr e s s e a lgu m d ano, era com u m que ela
pode ser definida com o 0 castigo dado ao d ese ja sse que a ju stiç a fo sse feita e que
culpado, fazen d o -o sofrer 0 m esm o m al os trib u n a is a d m in istra sse m a d evida
ou dano que causou à vítim a (Êx 21.24; Lv p u n ição (Lv 2 4 .14 ; Dt 19 .15-21).
2 4 20; Dt 19.21). E sse era o p rin cíp io de Os f a r i s e u s f iz e r a m u m a m á i n ­
ju stiça v isto na Lei de M oisés. É p reciso terp re ta çã o d esta lei, u sa n d o -a com o
com preender a natureza dessa ordem do p ro p ó sito d e ju s t if ic a r a v in g a n ç a ou

A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E S S O R 49
re trib u içã o p e sso a l, d e s c a ra c te riz a n ­ tudo (At 17.31; A t 10 .4 2 ; R m 2.16; 14.10).
d o - a do s e u re a l ob jetivo, is s o porque A ssim com preend em os que a vin g a n ça
em m o m e n to a lg u m a L e i de M o isé s pertence ao Senhor, não a nós (Hb 10.30;
d e fe n d ia a b u sc a p e la v in g a n ç a , m as Dt 32.35,36; R m 12.19).
e le s a c itav am b u scan d o d e stru ir o seu
significado real (Mt 15-3 ,6 ). A Bíblia proíbe
te rm in a n te m e n te a v in g a n ç a p e sso a l
(Lv 19 .18 ; Pv 2 0.22; 24.29). SINOPSE I
2.0 c ris tã o e a v in g a n ç a . Não pode
O c r is t ã o n ã o r e v id a o m a l d e
h aver no coração de um salv o por Cristo
a c o rd o c o m a L e i d e T a liã o . E le
q u alq u er sen tim e n to de v in g a n ç a nem
n ã o s e d e ix a d o m in a r p e la v i n ­
que seja p a ra com o p io r in im igo , p ois
gança.
ele e stá consciente de que a vin gan ça de
tudo p erten ce a D eus (Rm 12.19).
De acord o com o Com entário D evo-
cional da Bíblia, "0 princípio de ‘olho por
II - O AMOR É A EXPRESSÃO
o lh o’ n o A ntigo T estam ento estabelecia
lim ite s da retrib u ição q ue u m a p essoa
NATURAL DO REINO
P a ra f a l a r d a le i d o a m o r d e s e n ­
p o d ia e x ig ir . Se a lg u é m 0 o fe n d e sse e
v o lv id a p o r a q u e le s q u e fa z e m p a r te
lh e c u s ta s s e a v is ã o de um o lh o , você
do se u R e in o , Je s u s fe z u so de q u atro
n ã o p o d e ria , p o r exem p lo , t ir a r - lh e a
vid a de m an eira ju stificável. Tudo 0 que ilu stra çõ e s que estão p resen tes na vida
você p od eria reivin d icar se ria tira r-lh e c o tid ia n a p a ra m o s tr a r com o s e d eve
a v isã o de um olho. A go ra Je su s e n sin a r e s is tir ao m a l. V ejam os:
a que n ão g o vern em o s n o ssa s relações 1. V i r a r a o u t r a fa c e . A p r im e ir a
com os outros segundo 0 "olh o por olho” , v a i m o s tr a r um in s u lto re c e b id o p o r
de m an eira nenhum a! Em vez de tentar a lg u é m que foi ferid o n a face. Quando
vin gar-se dos outros que 0 prejudicaram, som os esbofeteados, ou quando alguém
faç a 0 b em a eles! atinge n o ssa h onra, a p rim eira reação é
A p a ssa g e m tem aplicação d ire ta ao a g ir com a s m esm as a rm a s do o fensor,
d e sa fio de Je su s a resp eito de v a lo r e s e e, à s vezes, até m esm o de m an eira m ais
atitudes, e descreve a “ justiça excelente” in te n s a . No e n ta n to , t a l a titu d e n ã o
e a b u n d an te que s e e sp e ra de n ó s, no re so lve n ada, pelo con trário, com plica
R e in o de Je s u s C risto . N ós n ã o e x ig i­ ainda m ais a situação. Jesus esclarece que
m o s re trib u iç ã o . N ós fa z e m o s o b em é im p o ssív e l um c ristã o , que fa z p arte
até m esm o àqueles que nos prejudicam . do seu R ein o e tem o co ração c h eio de
A p e s s o a q u e a p re n d e a a m a r até amor, tenha em seu ser atitudes de ódio,
m esm o a se u s in im ig o s é um a p esso a d esam o r e v in g a n ç a . Q uem tem am or,
que viveu 0 suficiente no Reino de Cristo tem perdão, brandura e tolerância. P ara
e um a p esso a que conheceu o seu toque m uitos, a v in g a n ç a é s in a l de coragem ,
tran sfo rm ad o r. atitu d e de quem é fo rte , p orém , p elo s
O s a lv o e m C r is to p r e g a e v iv e o ensinos de Jesu s, a vin gan ça é atitude de
a m o r, n ão o ó d io , e te m c o n s c iê n c ia quem é fraco. T odavia, aquele que v ira a
p le n a de que D eu s tem re s e r v a d o um outra face, e sse sim é forte, desarm ando
dia em que h á de ju lg ar todos os pecados o s e u o fe n so r com o s e u h eroísm o, em
d a h um anidad e, tom and o v in g a n ç a de e sp e cia l p ela p osição de p erdoar.

50 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E SSO R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
2. A r r a s t a r p a r a o tr ib u n a l. N esse E s s e p ro c e d im e n to s ó a c o n te c e p a ra
tóp ico a q u estão é ju d icia l, quando a l­ q uem re a lm e n te tem o a m o r de Je su s
gu ém am eaça u m a p e sso a que e stá lhe no c oração , p o r is s o m a n ife s ta ato s de
d e v e n d o e b u s c a t ir a r d e la u m a p eça bondade (Dt 15.8,10; P v 19.17; Lc 6.30,35).
im portante do seu ve stu á rio p ara p ag ar
um a d ívid a co n traíd a que n ão foi p aga.
Je s u s e n s in a ao q u e e s tá s o fre n d o as
açõ es por p arte do litigante, que ele não SINOPSE II
d ev eria re sp o n d er com ressen tim en to , O q u e p ro c e d e d o c o r a ç ã o e p e r ­
m as deveria d eix ar que ele ficasse com a m e ia o p e n s a m e n t o d o h o m e m
túnica, a qual era por dem ais importante, d e t e r m in a r ã o s e u c o m p o r t a ­
p o is s e r v ia com o ca m a (Êx 2 2.26 ,27; Dt m e n to .
24.12 ,13; A m 2.8). É sem pre m elhor faz e r
c o n c e s s õ e s do q u e p e r s i s t ir em um a
batalh a ju d icial ou em com petições que
le v a rã o a d ive rso s d esagrad o s.
3. O b rig ar a fa z e r a lg o . M ateus 5.41 AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO
tra ta de u m a con vocação feita p o r um a
autoridade, que força alguém ao serviço. “A m a r os In im ig o s (5.4 3-4 8 ). [...]
Um exem plo bíblico é 0 de Sim ão Cirineu, P ara 0 m an dam ento bíblico, A m arás
que foi obrigado a carregar a cruz de Jesus o teu p ró x im o (43; L v 19.18), [Jesus]
(Mt 27.32). O que é m ais forte, por força da Ele in seriu um a créscim o feito pelos
h ierarq u ia, p ode o b rig ar s em re sp e ita r m e stre s ju d e u s, e a b o rre c erás o teu
a vontade alheia. A ssim , quando alguém in im ig o . E sta se g u n d a p a r te n ã o é
an d a a p rim e ira m ilh a , g e ra lm e n te o en con trad a em n enh um a p assagem
fa z com o o b rig ação . E n treta n to , p ara nas E scrituras Sagradas. H enry expôs
ca m in h a r vo lu n ta ria m e n te a seg u n d a, bem a su a opinião: ‘Deus d isse: A m a­
só o f a z quem tem u m n o v o e sp írito , rá s 0 teu próxim o; e por próxim o eles
u m a n o v a v id a e o s e n s in o s d iv in o s en ten d eram som en te aqueles de seu
g rav ad o s em seu coração. Tudo n a vida próprio p aís, n ação e religião...; deste
é u m a nova jo rn a d a porque se fa z com m andam ento... e les q u iseram in fe rir
Cristo; d essa m an eira a cam inhada será 0 que Deus nunca disse: O diarás 0 teu
gloriosa e abençoada, quer seja a jornada in im ig o ”.39
do casam ento, quer seja a do trabalh o ou Je su s se op ô s a e ste fa ls o ensino
a de q ualquer o u tra (M t 28.20). a t r a v é s d o in c is iv o m a n d a m e n to :
Amai a vossos inim igos (44). É natural
4 . F a z e r a lg u m a c o is a p o r a lg u é m .
a m a r os a m ig o s; a m a r os in im ig o s é
Jesus m ostra que 0 cristão que realmente
sobrenatural. M as aqueles que assim 0
tem am or no coração, quando se depara
faz e m dem onstram que são filh o s do
co m a lg u é m que e stá s o fre n d o p o r a l­
Pai que está nos céus (45)” (CHILDERS,
gu m tipo de n e c e ssid a d e , que e s tá em
C h arles L.; E A R LE, R alph ; SANNER,
a p u ro s, p ed in d o a u x ílio , ja m a is a g irá
A. E lw ood (Eds.) C o m en tário B íblico
com in d iferen ça, antes atend erá ao so -
B eacon : Mateus a Lucas. Vol.6. R io de
licitan te sem qualquer m u rm u ração ou
Jan eiro : CPAD, 2 0 0 6 , p.61).
m á vontade. Com um a atitude generosa,
e m p re s ta rá s e m q u e re r a lg o de vo lta.

A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2 LIÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E S S O R 51
III - BUSCANDO A PERFEIÇÃO n a d a m u d a r á , e p r o c e d e r á c o m o os
DE CRISTO publicanos. D esprezados, e ssse s cobra­
1. U m a ju s tiç a m a is e le v a d a . A e x i­ d ores de im p o sto s e ra m con sid erad os
g ê n c ia d e M a te u s 5 -4 3 - 4 8 re v e la um a com o estan d o em um a p osição do m ais
ju s t iç a m u ito e le v a d a , in c o m p a tív e l b a ix o n ível de iniqüidade. A ssim com o
co m a n a tu re z a h u m a n a c a íd a . O S e ­ D eus a m a a to d o s, o c r is t ã o ta m b é m
n h o r Je su s d is s e que d ev em o s fa z e r o deve am ar, ou seja, to m ar com o m edida
bem àq u eles que n o s faz e m m al! Nosso a p erfe içã o p ad rão e a bsolu ta de D eus,
d ese jo n ão d ev e s e r o d e m an te r ou de na q u a l s e b a s e ia p a r a v i v e r o a m o r
vin gar a dívida, m as o de am ar e perdoar. n e s s a v id a em re la ção ao s e u p ró x im o
É um e n sin am en to d ivin o, c e le stia l. O (1 Jo 2.5; 4 12 ).
B uscar a perfeição, con form e ensin a
Serm ão do M onte é ta x a tivo : Em vez de
as E sc ritu ra s, é b u sc a r u m a v id a m a is
p lan ejar v in g a r-s e , ore por aqu eles que
p arecid a com a de Jesu s Cristo, em que a
o m agoam .
natu reza h u m an a é m o rtificad a, n o sso
2 . O a m o r m a is p e r fe it o . O v e rb o
interior é fortalecido e, a ssim , p odem os
a m a r , q u e a p a re c e e m M a te u s 5 -4 3 , é
v i v e r s e m a s a m a r r a s d a p r is ã o d a s
agapáo, é o a m o r que sab e receb er com
ob ras da carne.
a le g ria , acolh er, a m a r tern am en te; é o
E m C r is to , p o d e m o s d iz e r “ s im ”
am o r que e stá satisfeito , e sta r contente
para 0 fruto do Espírito, que inicia com 0
sobre ou com as coisas; esse am or só está
"a m o r” , e "n ã o ” p ara a s ob ras da carne.
no crente porque foi derram ado por Deus
No p o d e r d o E s p írito San to, p od em os
no seu coração (Rm 5.5). Enquanto a ad i­
a tra v e s s a r a b a rre ira da carne.
ção feita p elos m estres judeus d esviava
da re a l lei do am or, Je su s falou do am or
agápe, 0 qual é inteligente, com preende
as dificuldades e se esforça p ara libertar
o in im ig o do seu ódio. E sse a m o r pode
SINOPSE III
se r v isto n a g ran d io sa atitude de Deus
p ara com tod os o s p ecad o res (Jo 3 16 ). A ju s t iç a c r is t ã é u m a v ir t u d e
3. P e rfeito s com o o P ai. P arece in a ­ e le v a d a p o r m e io d a p r á tic a do
tingível 0 que Je su s elucidou: “ Sede vós, a m o r.
p ois, p erfeito s, com o é p erfeito o vo sso
P ai, q ue e stá no c é u " (Mt 5.48). Será que
tem os realm ente a p erfeição plena e d i­
vin a ? Pelos ve rsícu lo s 45 e 46 p odem os
n o ta r que é p o ssív e l s e r p erfe ito com o AUXÍLIO
0 P ai. P ela e x p r e s s ã o sede perfeitos, o BIBLIOLÓGICO
qu e se e n te n d e é que Je s u s a lim ito u
den tro do p róp rio c o n texto em relação So b re a P e rfeiçã o
a o am o r: 0 a m o r de D eus é c o m p leto , "D eu s g racio sa m e n te concede, a
Ele não exclu i nenhum grupo, todos são tod os aqu eles que buscam , um am o r
ob jeto s do seu amor. p e rfe ito p o r E le e p o r su a vo n tad e.
O c r is t ã o ja m a is p o d e a m a r u n s e D e p o is d is s o , o c r is t ã o b u s c a um a
a b o r re c e r o u tr o s , p o is s e e v id e n c ia r m a n ife s ta ç ã o a in d a m a is p e r fe ita
bo n d ad e a p e n a s p a ra o s s e u s a m ig o s,

5 2 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S •P R O F E S S O R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
d e sse a m o r e m su a v id a e conduta. p u reza (27-30); 3) h a rm o n ia (31-32);
P o r s e r m o s f in it o s , e s s a p e r fe it a 4 ) h o n e stid a d e ( 3 3 - 37 ); 5 ) bondade
m an ife sta çã o n unca será com pleta­ (38-42); 6) am or (4 3 - 4 8 )” (CHILDERS,
m ente a lcan çad a n este m undo, m as C h arles L.; EARLE, R alph ; SANNER,
cada seg u id o r c o n sa g rad o d e C risto A. Elwood (Eds.) C o m en tário B íblico
d eve, c o n sta n te m e n te , se e sfo rç a r B eaco n : M ateus a Lucas. Vol.6. Rio de
p a ra a lc a n ç á - la (cf. F p 3 .1 2 - 1 4 ) . O Jan eiro : CPAD, 2006, p.62).
contexto im ediato d os versícu lo s 17 -
47 é im portante, m as isso não é tudo.
A p e rfe iç ã o a qu i d eve s e r e x p lica d a
em te rm o s de u m c o n texto m aio r - CONCLUSÃO
todo o cap ítu lo cinco. O com en tário A p re n d e m o s co m e s s a p a s s a g e m
de Jo h n W esley sob re e ste v e rsícu lo bíb lica que Je su s n o s c h am a p ara v iv er
é: “ R e fe rin d o -s e a to d a e s ta s a n ti­ nesse mundo como seus discípulos em um
d ad e q u e é d e s c rita n o s v e rs íc u lo s novo estilo de vida, com o tam bém novos
a n te rio r e s , q u e o n o ss o S e n h o r no recursos espirituais para vencer qualquer
in íc io d o cap ítu lo recom en da com o in im igo p essoal. A b ase firm e para tudo
felicidade, e, na conclusão dele, como isso é o am or, p ois som ente através dele
p e rfe iç ã o ” 4 i E ste s s e is ú ltim o s p a­ é que se pode e x p u lsa r o ódio e qualquer
r á g r a fo s d o c a p ítu lo s u g e re m s e is ação b elico sa. Os que v iv em e sse a m o r
“ C a ra c te rís tic a s da P e rfe içã o C ris­ n a v id a p rá tica e stão se a ssem elh an d o
tã ”. E las são: 1) p acifism o (21-2 6 ); 2) ao verdadeiro caráter de Deus.

REVISANDO O CONTEÚDO

1. Do que se tra ta v a a L ei de T alião?


A L ei do T a liã o s e tra ta v a de um a n o rm a p a ra o s trib u n a is c ivis, que no seu
p rop ósito d esejava que em p a rtic u la r a p esso a ja m a is p ra tica sse a vin gan ça.
2. Cite um ve rsíc u lo em que a B íblia p roíbe a v in g a n ç a p esso al.
Rom anos 12.19.
3. A quem pertence a vingan ça? Cite um versículo p ara em basar a sua resposta.
A v in g a n ç a p erten ce ao S en h o r (Rm 12.9).
4. De a co rd o com a lição , q u an ta s ilu s tra ç õ e s fo ra m u sa d a s p o r Je su s p ara
ilu s tra r 0 am or?
Q uatro ilu stra çõ e s: V ira r o u tra face, a rra s ta r p ara 0 trib u n a l, o b rig a r a faz e r
a lg o e fa z e r a lg u m a c o isa p o r alguém .
5 . 0 c ris tã o ja m a is p o d e a m a r u n s e a b o rre cer ou tros. Por quê?
O cristão ja m a is pode am ar uns e aborrecer ou tros, p ois se evidenciar bondade
a p e n a s p ara o s seu s a m igo s, n ad a m u d ará, e p ro ced erá com o o s publicanos.

A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E S S O R 53
2 de M aio de 20 2

SENDO
VERDADEIROS

VERDADE PRÁTICA
TEXTO ÁUREO
Jesu s ch am o u d e hipócritas as
“ B e m -a v en tu ra d o o h om em
pessoas que praticam boas ações,
a qu em o S en h o r n ão im puta
não p or com p aixão ou outros bons
m aldade, e em cujo espírito não
m otivos, m as p ara obter glória
há en gan o.}> (SI 32.2)
d ia n te dos hom ens.
_____________________________________ /

L E IT U R A D IÁ RIA

S e g u n d a - 1 Pe 2 .1-3 Q uinta - 1 Jo 1.6


A band onem a h ip o crisia Quem a n d a n a s tre v a s não
p ra tica a verdade
T e r ç a - E f 4 25
F a la i a verdade S e x ta - M t 23.2 7,2 8
Je su s cond ena a h ip o crisia
Q uarta - P v 2 6 .2 3-2 8
Os lábio s a m isto so s p odem Sáb ad o - T g 3 1 3 - 1 8
ocu ltar um c o ração m al A sabedoria do alto não tem hipocrisia

5 4 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E S S O R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
LE ITU R A BÍBLICA E M CLASSE

M a te u s 6 . 1 - 4
1 - G uardai-vos de faz er a vossa esmola Em verd ad e vos digo que já receberam
diante dos hom ens, p ara serdes vistos 0 seu galardão.
p or eles; aliás, não tereis galardão junto 3 - M as, qu ando tu deres esm ola, não
de vosso Pai, que está nos céus. sa ib a a tua m ão esq u erd a 0 que fa z a
2 - Quando, pois, deres esmola, não faças tua direita,
tocar trombeta diante de ti, como fazem 4 - p a ra q u e a tua esm o la s e ja d a d a
os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, ocultamente, e teu Pai, que vê em secreto,
p ara serem glorificados pelos hom ens. te recom pensará publicam ente.

Hinos Sugeridos: 162,167,169 da Harpa Cristã

PLANO DE AULA

1. INTRODUÇÃO Ouças os alunos com atenção. Deixe que


O que está por trás dos nossos atos?e x p re sse m su a s o p in iõ es livrem en te
Qual é a verdadeira m otivação do nosso por cerca de cinco m inutos. Em seguida,
coração ? E s s a s sã o a s p e rg u n ta s que explique a palavra hipocrisia de acordo
a p re se n te liç ã o b u s c a re sp o n d e r. O com o tóp ico da lição , e n fa tiz a n d o o
co ração do s e g u id o r de Je su s tem de contexto que Jesus apresenta no Sermão
e s ta r sem p re com a verd ad e. A n o ssa do M onte. A ideia é que a exp o sição do
m otivação tem de ser sem pre a melhor, te m a u n ifiq u e b e m a s in fo rm a ç õ e s e
nobre e sin cera no Reino de Deus. E ssa o s alu n o s ten h am u m e nten d im ento
con sciên cia de R eino p ro te g e -n o s da s a tisfa tó rio do assu n to.
h ip o crisia.
3 - CONCLUSÃO DA LIÇÃO
2 . APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO A) Aplicação: Você pode sugerir uma
A) O bjetivos da Lição: I) Contrastar cam panha de ajuda assistencial a partir
o ato de d a r e sm o la com a h ip o crisia; da a ssim ila çã o do conteúdo estudado.
II) C o la b o ra r n o a u x ílio ao p ró x im o In ic ia r um p ro jeto d e sse s com plena
s e m a la r d e ; III) C o n c lu ir q u e D eus consciência a respeito do que o Serm ão
contem pla o b em que re alizam o s. do M onte e n sin a sobre o assun to, sem
B) Motivação: Sem pre é im portante dúvida, é um a excelente oportunidade
sondar o coração para ter a consciência de a p lica r o e n sin o a ssim ilad o .
de sua verdadeira m otivação. Pergunte:
Por que em prego en ergia em d eterm i­ 4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR
nado objeto? É preciso procurar saber a A) R e v ista E n sin a d o r C ristão. Vale
razão de fa z e r o que estam o s fazendo. a p en a co n h ecer e ssa r e v ista que traz
C) S u g e s t ã o d e M é to d o : In ic ie a r e p o r t a g e n s , a r t ig o s , e n t r e v is t a s e
au la p ergu n tan d o o que é h ip o crisia. s u b s íd io s d e a p o io à L ições B íblicas.

A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2 L IÇ Õ E S B Í B L IC A S • P R O F E S S O R 55
Na ed ição 89, p.40, vo cê e n c o n tra rá fin a l do p rim e iro tópico a p ro fu n d a a
um su b síd io e sp e cia l p ara e sta lição. reflexão a respeito do p erigo da h ip o ­
B) A u x ílio s E sp e cia is: Ao fin a l dos c ris ia ; 2) O te x to lo c a liz a d o ao fin a l
tópicos, você encontrará dois au xílio s do seg u n d o tópico tra z um a re fle x ã o
que d a rã o su p o rte na p re p a ra ç ã o de a resp eito de p ra tic a r a ju stiç a d iante
s u a a u la : 1) O t e x t o lo c a liz a d o ao d os h om en s.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO problema é que 0 lado interno, sua verda­


0 e n sin am en to de Je su s no Serm ão deira natureza, não é revelado. Ninguém
d o M onte tem 0 o b je tiv o de f a z e r com sabe 0 que h á n o íntim o do s e r humano;
que sejam o s seguid ores de Cristo com ­ som ente Cristo, que conhece a natureza
prom etidos com os valores do Reino humana (Jo 2.25). O cristão que deseja
de Deus. U m a conseqüência de v e n c e r a h ip o c risia tem de ter
quem vive esses valores é bu s- jA seu coração preenchido pelo
car ser aprovado por Deus, e a m o r de C risto . Com e s s e
não aplaudido pelos homens, l a m o r re a l n o coração, não
além de v ig ia r contra a h i- 1 I h á com o o c ristã o p raticar
pocrisia (Lc 12.1). Nesta lição, u m a coisa e interiorm ente
verem os que Deus condena ser de outra form a (Mt 5.48).
a h ip o c risia de p e s s o a s que 2. A ju s t iç a p e s s o
praticavam boas ações, n ão por intermédio da “ justiça pessoal”,
com paixão ou ou tros bons m otivos, os discípulos de Jesus deveriam viver
m as para obter glória diante dos homens. d iferen tem e n te d os fa r is e u s , os q u ais
p ro jeta va m , em s u a s p rá tic a s re lig io ­
1 - O ATO DE DAR ESMOLAS sa s, m o s tr a r ao pú blico su a “ g ra n d e ”
e sp ir itu a lid a d e . F o i n e s s e p a r tic u la r
E A HIPOCRISIA
1. D efinição de h ip ócrita. No grego, aque Je su s d isse: “ G u a rd a i-v o s de faz e r
palavra para “ hipócrita” significa “ alguém a vo ssa esm ola diante dos hom ens, para
que interpreta um papel”, um personagem serd es v isto s p o r eles; a liá s, n ão tereis
em um a obra teatral. O uso desta palavra g a la rd ã o ju n to de v o s s o P ai, que e stá
no E van gelh o d e M ateu s c a ra c te riz a o nos c é u s” (Mt 6.1).
h ip ó c rita com o um a p esso a c u jo s ato s Os d isc íp u lo s de C risto , que v iv em
pretendem im pressionar os observadores s e u s e n s in o s , s ã o c o n s c ie n te s d e que
(6.1-3,16-18); cujo foco está n os enfeites, n e n h u m a to d e ju s t iç a p o d e s e r p r a ­
e n ão n a s q uestões c en trais da fé; e cuja ticad o com a in te n ç ã o d e g lo rific a ç ã o
c o n v e rsa e s p ir itu a l e sc o n d e m o tiv o s p e s s o a l. T ud o 0 que fiz e rm o s d eve ser
corruptos. Em M ateus 6 ,0 hipócrita está p a ra a g ló ria de D eus (1 Co 10.31; Cl 3 17 ;
em c o n tra ste com a p e s s o a de fé, cujo 1 Pe 4.11). T om em os todo 0 cuidado, pois
relacionam ento com Deus é “secreto”. a te n ta ç ã o de e x ib ir a ju s tiç a p e s s o a l
O gran de desejo do h ipócrita é s e m ­p od erá s u rg ir em n o sso s a to s p iedosos
p re o de ap arecer exterio rm en te, m as 0 de o ra çã o , je ju m e o fe rta .

56 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E S S O R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
3. A s t r ê s p r á tic a s d a é tic a c r is t ã .
0 a p ó sto lo T ia g o fa lo u q u e a r e lig iã o p a r a fa z e r c a rid a d e s e m s e r v isto ,
ve rd a d eira tem com o m arca o serviç o é que g e n e ro s id a d e o s te n to s a n ão
ao p ró x im o , que tam bém é u m cu lto a r e s u lta em re c o m p e n s a “ do v o s so
Deus (Tg 1.27). Jesus deixa claro que nesse P a i, que e s tá n o s c é u s ” .
serviço cristão não podem falta r a oferta, Je su s c h am a ‘ h ip ó c rita s ’ (h ypo-
a oração e 0 jejum . Porém , no seu ensino, c r ite s ) o s q u e d ã o p e lo s m o t iv o s
0 propósito desses serviço s piedosos não e rra d o s. E ste é lin g u a ja r fo rte p ara
poderia ser deturpado, com o fiz eram os d e s c r e v e r a s a t iv id a d e s d o s s e u s
escribas e fariseus. Interessante observar in im ig o s , a in d a que a n terio rm en te
que a s três p rá tic a s da é tica do serviço E le t i v e s s e a d v e r t id o c o n t r a ta is
c ris tã o en vo lvem n o sso s b en s (oferta), ep íteto s in d isc rim in a d o s (Mt 5*22).
n o ss o e sp írito (oração) e n o ss o c orp o A tiv id a d e s a u t o - ilu s ó r ia s a tr a e m
(jejum ), e s ã o d ire c io n a d a s a D eu s, ao acentuada crítica de Jesu s, e Ele acha
p ró x im o e a n ós m esm os. n e c e s s á r io c h a m a r a a te n ç ã o d a s
A oração, o je ju m e a o ferta são atos p essoas p ara 0 p erigo ” (ARRINGTON,
p ied o so s que, q uan do p ra tic a d o s com F ren ch L; STRONSTAD, R o ger (Eds.)
sin cerid ad e e verd ad e, têm o reco n h e­ Com entário Bíblico Pentecostal Novo
cim ento do Senhor. Por outro lado, Jesus T e s ta m e n to . R io de Ja n e iro : CPAD,
nos ensina que a religião sensacionalista 2 0 0 3, pp. 5 9 , 6 o).
e e sp e ta c u la r do d issim u lad o religioso
p erverte a piedade, a fin a l, sua intenção
é som ente en g a n a r e b u scar os aplausos
h u m a n o s. T a l p ro c e d im e n to ja m a is é
II - AUXILIANDO O PRÓXIMO
ad otad o p o r u m seg u id o r de Je su s, pois
SEM ALARDE
sabe que a prática de atos justos é somente
1. Qual é a m otivação do teu coração?
com a fin a lid a d e de g lo rific a r a Deus.
A p rá tic a d a g e n e ro s id a d e p a r a com
a lg u é m é b íb lic a e h á te m p o s e s t a v a
p re s e n te na L e i d e D eu s (Lv 2 3 .10 ,11;
19 .10 ; Dt 1 5 .7 - n ; Jr 2 2.16 ; A m 2.6,7; Dn
SINOPSE I 4 .27 ), c o m o ta m b é m n o s e n s in o s de
Os a to s d e o fe rta r , je ju a r e o r a r Je su s (Lc 6.36,38; Lc 2 1.1- 4 ; Jo 13 29; Gl
tê m n a p rá tic a d a d is c riç ã o a b oa 6.2). O v e rb o h e b ra ic o p a ra g e n e ro s i­
re c o m e n d a ç ã o d e Je s u s C risto . d ad e é gam ai, que s ig n ific a “ re s o lv e r
com pletam ente, recom pensar, repartir,
fa z e r a lg o p a r a a lg u é m , a g ir g e n e ro ­
s a m e n te ” . T e o lo g ic a m e n te, a g e n e ro ­
s id a d e e x p r e s s a g r a t id ã o p o r a lg u m
b e n e fíc io receb id o . É p re c iso , p o rém ,
AUXILIO BIBLIOLOGICO entender que, às v e z e s, aparentem ente
um a p e s s o a p o d e d e m o n stra r u m ato
Sua a d m o e s ta ç ã o a q u i é c o n tra de g e n ero sid ad e com m otivo s e rrad os,
d a r a o s p o b re s p e lo s m o tiv o s e r ­ p o is a m ã o p o d e d a r u m a o fe rta , um
ra d o s. A r a z ã o q u e Je su s a p re se n ta p re se n te , m a s a m o tiv a ç ã o o c u lta do
co ra ç ã o p o d e s e r o u tra.

A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E S S O R 57
0 c ren te deve b u sc a r s e r sin cero na o fe rta r , Je s u s d is s e q u e is s o d ev e s e r
sua contribuição, fazendo isso na íntim a feito de d u as m an eira s: p rim e iro , sem
sa tisfaçã o de sua m ente e no E spírito de a la rd e p ú b lico ; se g u n d o , e s s a d o ação
Cristo, p o is Ele sabe a m otivação do seu deve s e r v o lu n tá ria e d iscreta.
co ração quando e sten d e as m ão s para
d a r (Mt 9 4 ; 12 .2 5 ; 2 2.18 ; Jo 16.19).
2 .0 que b u sc a m o s q uan do a u x ilia ­
m o s o p ró x im o ? O d iscíp u lo de C risto SINOPSE II
não busca se prom over quando se dispõe
O S e r m ã o d o M o n te n o s e s t im u la
a ser generoso p ara com 0 próxim o, não
a e s t a r p le n a m e n te c o n s c ie n te s
tem in te re sse em c h am a r a a ten ção de
a r e s p e ito d a m o tiv a ç ã o d o c o r a ­
n in g u é m . T o d a v ia , a su a b e n e fic ê n ­
c ia e g e n e ro s id a d e s ã o a to s p ied o so s ç ã o n o a to d e a ju d a r o p ró x im o .
p ra tic a d o s com o p a r te s e s s e n c ia is da
re lig iã o p ura p ara com Deus, que é cu i­
d a r d os ó rfã o s e d as v iú v a s (T g 1.27; Mt
25.36; 1 T m 5.2), tom and o C risto com o
exem plo m aior, 0 qual andou p o r todas AUXÍLIO
a s p a rte s faz e n d o 0 b em (At 10.38). A g ir BIBLIOLÓGICO
d essa m an eira é sin a l de que realm en te
0 E v a n g e lh o de C risto tem in flu ê n c ia “ Jo h n W esley, q u e e ra u m c u i­
em su a vida. d a d o s o e s t u d a n te do t e x t o g r e g o
Je su s ad verte a respeito de qualquer e s u r p r e e n d e n t e m e n t e c ie n te da
um que aja em busca de receb er os lou ­ im p o rtâ n c ia d a c r ít ic a t e x t u a l ,43
v o re s dos o u tro s, ou tr a n s fo rm e ato s traduziu a prim eira parte deste versí­
p ied o so s em a to s p ro fa n o s. Q uem age culo [Mt 6.1] com o se segue: ‘Atentem
d e s s a m a n e ir a se m p re s e r á v is t o p o r p a ra n ão p ra tic a re m a v o s s a ju stiç a
Je su s c o m o um h ip ó c rita . N o ssa r e li­ perante os hom ens, para serem vistos
gio sid ad e n un ca d eve s e r p ara o rgu lh o p o r e le s \ T ra d u ç õ e s m a is re c en te s
p e s s o a l e d e s p re z o d o s o u tro s , p o is , ap rese n ta m : ‘ T en h am cuidado p ara
proced end o d essa m an eira , e starem o s n ão fa z e re m a s su a s b o as o b ras
no m e sm o n ív e l d o s f a r is e u s . N o sso p u b lic a m e n te p a r a s e r e m n o tad o s
S en h o r d eixo u c la ro q u e n o ssa ju stiç a p elo p o v o ’ (B erk eley); ‘ C u id ad o ao
deve u ltra p a ssa r a d eles; c a so n ão seja fazerem as suas boas ações à vista dos
a s sim , n ão terem o s p arte n o se u Reino hom ens, p ara atraírem seu s o lh a re s’
(Mt 5.20). (W eymouth); ‘T en h am cuidado para
3. A m a n e ir a d e o f e r t a r s e g u n d on ã o fa z e r e m u m a e x ib iç ã o de sua
Je s u s . No a to de o fe rta r , d e v e m o s ter re lig iã o d ia n te d o s h o m e n s’ (NEB);
to d o o c u id a d o n e c e s s á r io p a r a n ão ‘Tenham 0 cuidado de não praticarem
b u s c a r lo u v o r e s ou n ã o lo u v a r m o s a os seu s d everes religioso s em público
n ó s m esm o s. Q uando o fe rta m o s , não a fim d e s e re m v is t o s p e lo s o u tro s ’
devem os “ to car trom betas” . É claro que (NTLH). A trad u ção m a is s im p le s é:
a re fe rê n c ia que Je su s fe z a e s s e toque ‘ N ão o sten tem a s u a p ied a d e ’. Je su s
fo i m e ta fó ric a , q u e q u er d iz e r to rn a r não d isse que não d everíam os d eixar
p ú blico. Q uanto à fo rm a c o rre ta de se

5 8 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E SSO R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
os im peliu a tal ação, pois veem som ente
q u e a lg u é m v i s s e a s n o s s a s b o a s aq u ilo que lh e s fo i m a n ife sta d o e x te ­
o b ra s. E le já h a v ia a d m o e s ta d o os riorm ente. O Senhor, p elo contrário, vê
seu s d iscíp u lo s: ‘A ssim resplan d eça o que e stá no coração (1 Sm 17), n ão n e ­
a v o ssa lu z d ian te d os h om en s, para cessitando de qualquer am ostra exterior
q u e v e ja m a s v o s s a s b o a s o b r a s e p ara ch am ar a su a atenção (Mt 6.4,6,18).
g lo r ifiq u e m o v o s s o P a i, q u e e s tá Quando um crente procura fazer algo
n o s céus* (5 16 ). É com o m o tivo que a p en as p ara que o u tra s p e sso a s vejam ,
Ele e stá lid an d o aqui. A fr a s e s ig n i­ está desprezando os ensinos verdadeiros
ficativa é: p ara serdes v isto s por eles. de Cristo, que esp ecificam en te afirm ou
D e ve m o s b u s c a r a g ló r ia d e D eu s, q u e n a d a d ev e s e r fe ito p a r a re c e b e r
n ã o a n o s s a p r ó p r ia ” (CH ILD ERS, a p lau so s d os h om en s. A d em ais, ain d a
C h arles L.; EA R LE, R alph ; SANNER, age com o se Deus não e stivesse atento a
A. Elw ood (Eds.) C o m en tário B íblico tudo 0 que ele faz. Os verdadeiros servos
B eaco n : Mateus a Lucas. Vol.6. Rio de do S en h or sã o conscientes de que quem
Ja n e iro : CPAD, 2 0 0 6 , p.63). recom p en sa é Deus, p o r is s o p raticam
s u a s o b ra s n o a n o n im a to , em secreto ,
por am o r ao Pai e p o r sem p re quererem
a g ra d á -lo em tudo.
O sa lv o em C risto d eve le m b ra r de
que D eus irá re co m p e n sa r cada um s e ­
III - DEUS CONTEMPLA O BEM
gundo de seu p roced im en to. Portanto,
QUE REALIZAMOS é sem pre bom fa z e r 0 b em (Pv 3.27; Rm
1. 0 D eus que tu d o v ê . Um d os a tr i­
2.7), lem bran do de que aquele que sabe
b u to s d iv in o s é a o n is c iê n c ia . D eu s
fa z e r 0 b e m e n ão o fa z , e s tá p ecan d o
é d e s c rito n a s p á g in a s d a s S a g ra d a s
(Tg4-17).
E s c r it u r a s co m o a q u E le que tu d o vê.
P a ra E le n ã o e x is t e s u r p r e s a n e m o
desconhecido (Gn 14). Nada pode escapar
d a o n isc iê n cia d iv in a (Gn 16 ,13 ; SI 139;
M t 10.30; Hb 4 .13; Jo 21.17). S e ria triste SINOPSE III
d em a is p ara n ó s se rv irm o s a um Deus
A s p a l a v r a s d o s s e g u id o r e s d e
que n ão tem 0 con trole d a s c o isa s nem
J e s u s d e v e m a p r e s e n t a r r e tid ã o
sa b e o que v a i acontecer. O que n o s dá
s e g u ra n ç a é que a té aq u ilo que v a m o s e h o n e s tid a d e .
p ed ir E le já sab e (M t 6.8).
2. O D eus que reco m p en sa. O nosso
D eus c o n te m p la tu d o , em e s p e c ia l o
b e m q u e fa z e m o s . O e sc rito r da C arta
a o s H ebreus d iz que n o sso D eus “ não é CONCLUSÃO
injusto p ara se esquecer da n o ssa obra e Po r m eio d e Je su s, fic a m o s c ien tes
do trabalho da caridade que foi mostrado de que Ele d ese ja que a n d em os na v e r­
p ara com 0 seu nome” (Hb 6.10; Mt 10.42; d ade, s e ja m o s h o n e sto s e q u e a n o ssa
Jo 13.20). Já quando os hom en s aplaudem ju stiç a u ltra p a s se a d e le s (M t 5.20) em
q ualquer ação feita p o r ou tros hom en s, to d o s o s a s p e c to s, sem ja m a is b u sc a r
eles não conhecem a causa, 0 m otivo que a e x ib içã o .

A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S •P R O F E S S O R 59
REVISANDO O CONTEÚDO
1.0 que c a ra c te riz a a p a la v ra “ h ip ó c rita ” no E van gelh o d e M ateus?
Uma p essoa cujos ato s pretendem im p ressio n ar os o b servad ores (6 .1-3,16 -18);
cujo foco e stá n os e n feites, e n ão n a s q u estões c en tra is da fé; e cuja con versa
e sp iritu a l e scond e m otivo s corruptos.
2. Q uais sã o o s três g ran d e s d everes c ristã o s?
Je su s d eix a claro que n esse serviço cristão não podem fa lta r a o ferta, a oração
e o jeju m .
3. De acord o com o e n sin o de Je su s, qual é a n o ssa fo rm a co rreta de ofertar?
Q uanto à fo rm a c o rre ta de se o fe rta r, Je su s d isse que is s o d eve s e r de d uas
m an eira s: p rim eiro , sem a la rd e p úblico; segu nd o, e ssa doação d eve s e r v o ­
lu n tária e d iscreta.
4. Q uais s ã o a s p a rte s e sse n c ia is da re lig iã o p u ra p ara c o m Deus?
A b en eficên cia e gen erosid ad e sã o ato s p ied o so s p raticad o s com o p arte s e s ­
se n cia is da religião p u ra p ara com Deus, que é cu id ar d os ó rfã o s e d a s viú v a s
(T g l.2 7 ; M t 25.36; í T m 5.2).
5. Q ual atributo d ivin o fo i d estacad o n a lição?
O nisciência.

T e o lo g ia S istem ática Em C on tato com Deus


- Eurico B é rg sten - C h arles S ta n le y
O au to r e x p re ss a seu s E sta o b ra p o ssu i p eq u en as
c o n h e c im e n t o s a t r a v é s d e m e n s a g e n s , c h e ia s de
u m v a l i o s o e n s in o b íb lic o q u e s a b e d o r ia e g r a ç a , s e m p r e
f a z - n o s c o n h e c e r a p e s s o a de a c o m p a n h a d a s d e v e r s íc u lo s
D eu s e su a v o n ta d e p a ra com b íb lic o s e o r a ç õ e s s o b r e o s
o s h o m en s. m a is v a r ia d o s tem as.
w

60 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E S S O R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
LIÇÃO 9
29 de M aio de 20 22

ORANDO E JEJUANDO
COMO JESUS ENSINOU
TEXTO ÁUREO
“[...] Disse o Espírito Santo: VERDADE PRÁTICA
Apartai-me a Barnabé e a Saulo A oração e 0 jejum são
para a obra a que os tenho disciplinas espirituais que
chamado. Então, jejuando, e potencializam sensivelmente a
orando, e pondo sobre eles as vida piedosa do crente.
mãos, os despediram ” (At 13.2,3)
V y

L E IT U R A D IÁ RIA

S egu n d a - l R s 8.47; N e 1.6 ; Dn 9.3-15 Q u inta - M t 6.5,6


A o ração em fo rm a de verd ad eira A o ração do c ristã o d eve ser
co n fissão h u m ild e e d iscreta

T e rç a - Sl 4 5 -1 -8 ; M t 1 4 -33 ; Ap 4 1 1 S e x ta - L c 2 .37; A t 13 .2 ,3
A o ração em fo rm a de verd ad eira O ração e Jeju m : um a com binação
adoração d ivina
Q uarta - Ê x 15 .2 0 ,2 1; 2 S m 2 3 .1-7 S áb ad o - 2 C o 6.5; 11.2 7
A o ração em fo rm a de v erd ad eiras O je ju m com o u m a to d elib erado e
açõ es de g raça s vo lu n tário

A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S •P R O F E S S O R 6l
LE ITU R A BÍBLICA E M CLASSE

M a te u s 6 . 5 - 1 8
5 - £ , quando orares, não sejas como os como nós perdoamos aos nossos devedores.
hipócritas, pois se comprazem em orar em 13 - £ não nos induzas à tentação, mas
pé nas sinagogas e às esquinas das ruas, livra-nos do mal; porque teu é 0 Reino, e
para serem vistos pelos homens. Em verdade 0 poder, e a glória, para sempre. Amém!
vos digo que já receberam 0 seu galardão. 1 4 - Porque, se perdoardes aos homens as
6 - M a s tu, quando orares, entra no teu suas ofensas, também vosso Pai celestial
aposento e, fechando a tua porta, ora a vos perdoará a vós.
teu Pai, que vê 0 que está oculto; e teu Pai, 1 5 - Se, p o ré m , n ão p e rd o a rd e s aos
que vê 0 que está oculto, te recompensará. hom ens as suas ofensas, tam bém vosso
7 - E, orando, não useis de vãs repetições, Pai vos não perdoará as vossas ofensas.
como os gentios, que pensam que, por 16 - E, quando jejuardes, não vos mostreis
muito falarem , serão ouvidos. contristados como os hipócritas, porque
8 - N ão vos assem elh eis, pois, a eles, desfiguram 0 rosto, para que aos homens
porque vosso Pai sabe 0 que vos é neces­ pareça que jejuam . Em verdade vos digo
sário antes d e vós lho pedirdes. que já receberam 0 seu galardão.
9 - P o rtan to, v ó s o ra reis a ssim : Pai 17 - Porém tu, quando jejuares, unge a
nosso, que estás nos céus, santificado cabeça e lava 0 rosto,
seja 0 teu nome. 18 - para não pareceres aos homens que
10 - Venha 0 teu Reino. Seja feita a tua jejuas, mas sim a teu Pai, que está oculto;
vontade, tanto na terra como no céu. e teu P ai, q u e vê 0 que está oculto, te
u - 0 pão nosso de cada dia dá-nos hoje. recompensará.
12 - Perdoa-nos as nossas dívidas, assim

Hinos Sugeridos: 33,77, 577 da Harpa Cristã


#
PLANO DE AULA

1 . INTRODUÇÃO 2 . APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO


O S e n h o r Je s u s e n s in o u l a r g a ­ A) O bjetivos da Lição: I) Conceituar
m en te a re s p e ito d a o ra ç ã o e je ju m . a o ra çã o com o um d iálog o com o Pai;
N esse sen tid o , a P a la v ra de D eus tem II) E xplicar a oração que Jesus ensinou;
orientação de com o orar e jejuar, o que III) R e lac io n a r oração e jejum .
significa que quando executam os essas B) M otivação: A lém de ser um in s ­
duas p ráticas p ied osas, de acordo com trum ento de relacionam ento com Deus,
o que Je su s e n sin o u , tem o s a c erteza a oração também nos dá a oportunidade
de que D eus n ão e sta rá in d iferen te às de a ju d ar o u tra s p e s s o a s p o r m eio da
a sp ira ç õ e s d a a lm a , is to é, à s n o ssa s in tercessão. O jeju m , a lém de s e r um a
o ra ç õ e s. P e rs e v e r e m o s n a o ra ç ã o e fe rra m e n ta em te m p o s de b a ta lh a s,
no jeju m ! n o s e n sin a a a u to d isciplin a.

62 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E SSO R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
C) Sugestão de M étodo: E stam os na 4 - SUBSÍDIO AO PROFESSOR
lição 9. Sugerimos uma revisão dos temas A) R e v ista E n sin a d o r C ristão. Vale
que estudam os até aqui antes de iniciar a p en a co n h ecer e s s a re v is ta que traz
o presente estudo. Passam os por muitos r e p o r t a g e n s , a r t ig o s , e n t r e v is t a s e
tem as até aqui: conceito do Serm ão do s u b s íd io s d e a p o io à L ições B íblicas.
M onte; in flu ê n cia c ristã ; a relação de Na e d iç ã o 8 9, p .4 0 , vo cê e n c o n tra rá
Jesus e a Lei; 0 Casamento; a Retribuição; um su b síd io e sp e cia l p a ra e sta lição.
a virtude de ser verdadeiro. M ostre que 0 B) A u x ílio s E s p e c ia is : Ao fin a l da
Serm ão do Monte form a o nosso caráter. dos tó p icos, você e n co n trará d o is a u ­
xílio s que d arão suporte na preparação
3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO d e s u a a u la : 1) O te x to “ E , o r a n d o ” ,
A) Aplicação: Após estudar a presen­ lo c a liz a d o ao fin a l d o seg u n d o tópico
te lição, d esa fie a c la sse p ara a p rática é um a re fle x ã o a m p liad a a resp eito da
da o ra çã o e do jeju m . P ro p o n h a um a oração; 2) O texto “ Quando Jejuardes...”
su g e stã o de te m a s d e o ra çã o p ara os a o fin a l do te rc e iro tópico, tra z um a
alu n o s o rarem . Se h ou ver a lgo d ifíc il p ro p o s ta de a p lic a ç ã o a r e s p e ito da
que e steja acontecendo n a v id a d e um im portância do p erfeito entendim ento
aluno, p rop on h a um d ia d e je ju m p or d a p rá tic a do Je ju m s e g u n d o o e n s i­
aquela v id a ou p ela c la sse , se e sse for n am en to re ve la d o p elo S en h o r Je su s
o caso. O rem os e jeju em os! C risto n o te x to do S erm ão do M onte.

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO com D eus, a q u al a p arece n a B íblia
N esta liç ã o , a p ren d e re m o s S a g r a d a e m d iv e r s a s fo rm a s
a c e r c a d a o r a ç ã o c o n fo rm e com o con fissão (1 R s 8.47; Ne

k
e n s in a d a p o r Je su s C risto , 1.6 ; Dn 9 -3 - 15 ), ad oração (SI
b e m co m o a s liç õ e s e s p i­ I P alavra-C have \ 45-1,8; M t 14.33; Ap 4.11), co­
r itu a is do je ju m . O D ivino , Oração .
m unhão (Gn 18.33; Ê x 25.22;
S alvad o r n os a sse g u ra que, 31.18), açõ es de graças, feito

r
orando e jeju an do ao P ai em de m od o b elo p o r M iriã (Ê x
sec reto , Ele n ão e sta rá in d i­ 15.20,21), Débora (Jz 5) e Davi (2
fe re n te à s a s p ira ç õ e s d a alm a, Sm 23.1-7). No Novo Testam ento,
is to é, às n o ssa s o ra çõ e s. Contudo, é P a u lo e x o rto u os c r is t ã o s a fa z e re
im p resc in d ível que a o ra çã o e o jeju m sem p re e sse tip o de o ra çã o (Fp 4.6;
seja m re a liz a d o s da m an eira que Je su s 4.2; E f 5.20).
ensinou. Por isso, estudarem os 0 modelo Pelo e x p o sto , e em p rim e iro lugar,
v e rd a d eiro de o ra çã o e je ju m en sin ad o o q u e d ev e m a r c a r p r io r it a r ia m e n t e
p elo S enhor Je su s no S erm ão do Monte. n o s s a s o r a ç õ e s é a b u s c a d a g l o r i f i ­
c a ç ã o do P a i (M t 6.9). M a s ta m b é m
I - A ORAÇÃO É UM d e v e m o s p e d ir, s u p lic a r e p e r se v e ra r
DIÁLOGO COM O PAI em n o s s o p e d id o , c o m o D a n ie l (Dn
1. A n a tu re z a d a o ra ç ã o . P o d em os6.10) e a m u lh e r s ir o - fe n íc ia fiz e r a m
d iz e r que a o ração é o d iálog o da alm a (Mt 15.21-28). Há respo sta de D eus p ara

A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S •P R O F E S S O R 63
q u e m o b u s c a in c e s s a n t e m e n t e (Lc bom (SI 55 -17; Dn 6.10; At 3.1), m as a Bíblia
18 .1-8 ), c o n fo rm e o a p ó sto lo P au lo nos tam b ém d iz que d evem os o ra r sem p re
in c e n tiv a a f a z e r (E f 6 .18 ; 1 T m 2.1,2). (Lc 18 .1; E f 6.18).
F in a lm e n te , p o d e m o s a in d a p o n tu a r d) 0 lugar da oração. Je su s d isse que
a o ra çã o in te rc e s s ó r ia co m o e xem p lo p od em os o ra r s ecretam en te em n o sso
de S am u el (1 Sm 12 .23), b em com o o da aposen to (M t 6 .6 ) ou n outro lu gar s o li­
Ig re ja P rim itiv a (At 12.5). tá rio (Mc 1.35). A ideia é de intim idade,
2 . C om o o s h o m en s de D eus v ia m a de m om entos a sós com Deus. O apóstolo
oração? A Bíblia nos incentiva a orar por­ P a u lo d iz q u e p o d em o s o r a r em to d o
que h á poder n esse m aravilh oso recurso lu g a r ( íT m 2.8).
espiritual, 0 qual não podemos desprezar. e) 0 decoro na oração. O d eco ro d iz
Logo que lem os a Bíblia, percebem os que re sp e ito à sin ce rid a d e, d ecên cia e r e ­
a oração é apresentada com o um a ordem ve rê n c ia n o ato de o ra r (At 2.1,2).
(Lc 18 .1; l T s 5.17 ; l T m 2 .8 ). No A n tigo f) O estado do coração na oração. S e o
T estam en to, p o r exem plo, E sd ra s v ia a co ra ç ã o e s tiv e r tra n s fo rm a d o e ch eio
o ração com o um recu rso m a is p o d ero ­ da P a la v ra de D eus, n o ssa o ração será
s o que o e xército do re i A rta x e rx e s (Ed ou vida (Jo 15.7).
8.21-23). No Novo T estam ento, 0 S enhor
Jesu s tinha a oração com o tão necessária
q uan to 0 son o e o alim en to (Mt 4 .2; Lc
6 .12 ; M c 1.35); e os a p ó sto lo s tam b ém SINOPSE I
p erseveravam em oração (At 6.4).
N a o r a ç ã o d e v e m o s g lo r if ic a r a
3. A m a n e ir a d e o ra r. A B íb lia nos
D e u s e s u p lic a r a o S e n h o r a r e s ­
ensina que a oração tem um interlocutor
p e it o d e n o s s a s d ific u ld a d e s .
direto: “ Portanto, vós orareis assim : Pai
n o sso , que e stá s n o s c éu s, sa n tifica d o
seja o teu n o m e” (M t 6.9). Po r isso, não
p od em o s o ra r de q u alq u er m an eira . É
p re c iso te r a m e sm a a titu d e d os d is ­ II - A ORAÇÃO QUE
c íp u lo s a r e s p e ito d a fo r m a d e o ra r: JESU S ENSINOU
“ Senhor, e n sin a -n o s a o ra r” (Lc 11.1). E 1. Je s u s n ão c on d en ou a o ra çã o em
a P a la vra de D eus n o s e n sin a a respeito p ú blico. No te x to bíb lico em estu d o, 0
da m an eira de orar: Senhor Jesu s não condenou a oração pú­
a) A quem a oração dever ser dirigida? blica, visto que pelo aspecto bíblico ela é
A oração deve ser d irigid a a Deus P ai em aceitável e recom endada (2 Cr 6 .12-4 2; At
nom e de seu Filh o , Je su s C risto (Ne 4.9; 4.24-31). O que Jesu s condena é a oração,
Io 16.23,24). quer individual, quer coletiva, dom inada
b) A postura do corpo na oração. Não pelo espírito de exibição, ostentação, cuja
há u m a e x ig ê n cia e sp ecífica n a B íblia a intenção do “ orador” é ser visto e louvado
respeito da p o stu ra do crente n o ato da pelos homens, 0 que os hipócritas fariseus
oração, pois as Escrituras revelam form as b u scavam (Mt 6.5; Lc 18.9-14).
diversas de orar: em pé, deitado, prostrado, Um c ristã o tra n sfo rm a d o p o r Jesu s
assentado, andando, de jo elh o s, com as a n d a em sin c e rid a d e co m C risto , n ão
m ãos estendidas etc (Is 38.2; 1 R s 8 .5 4 ). busca glória para si e age com humildade.
c) 0 horário da oração. T e r um horário 2. Je su s quer que seja m o s d iscretos.
re g u la r p ara f a la r com D eus é bíb lico e A s e x p re ssõ e s “ e n tra n o teu a p o sen to ”

64 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E SSO R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
e “ fe c h a n d o a tu a p o rta ” (Mt 6 .6 ) não
sig n ific a m que d evem os ter u m quarto SINOPSE II
só p ara a oração. É c la ro que p od em os
O Senhor Jesus não condena a
fa z e r de a lg u m côm odo de n o ssa casa
um lo c a l p a rtic u la r p a ra fa la rm o s com
oração pública. Entretanto, a
o Pai. Contudo, n o e n sin o de C risto em
oração deve apresentar discrição
M ateu s 6.5,6, su a ê n fa s e n ão é 0 lugar, em sua prática, bem com o não
m a s a atitu d e d e q uem ora. E sse lu g a r ser conduzida por vãs repetições.
secreto tra z 0 sen tido de que qu em tem
a m ente e coração tra n sfo rm a d o s orará
a Deus de m odo h um ilde e sincero, sem
b u s c a r o a p la u so dos h o m en s. P a ra o AUXÍLIO TEOLÓGICO
c r is t ã o , o lu g a r s e c r e t o é v is t o com o
e sp e c ia l a fim de se a fa s t a r do m undo “E, orando (Mt 6.7-13). Je su s não
e e sta r so z in h o co m Deus. E le sab e que d eu ao s s e u s d isc íp u lo s o que c h a ­
a su a reco m p en sa não vem de hom en s, m am os de Oração do Senhor p ara que
m a s do P ai que e stá n os céus. nós a repetíssem os ju ntos quando nos
3. Não u seis de vãs repetições nas reu n íssem o s na igreja. Ele a ensinou
orações. Quando a oração é balbuciada com o u m m odelo, m o stran d o com o
ap en as em p a la v ra s v a z ia s perde 0 foco, cada um de nós deve orar ‘em segredo’.
que é Deus, e se firm a nas vãs repetições. Isso n ão q uer d izer, é claro, que não
Sobre e s s e a ssu n to , C risto novam en te d evam o s u s á -la n a igreja. O que isso
co m b ate o s e sc r ib a s , o s q u ais fa z ia m sig n ific a é que p re cisa m o s e x p lo ra r
lo n g a s o r a ç õ e s (M c 1 2 .4 0 ; L c 20.47)- a oração p ad rão p ara d isc e rn ir o que
N ão é verd ad e que o S en h o r d e sp re z a ­ e la e n s in a , a v o c ê e a m im , so b re o
va lo n g o s p erío d o s d e o ra çã o , p o is na d ese n v o lv im en to d e u m re la c io n a ­
B íblia en co n tram o s e sse tipo de oração m ento “ secreto” m ais p rofundo com
(2 Cr 6 .14 -4 2 ; Ne 9; Sl 18); m as o que Ele 0 n osso Deus. O d esafio para explorar
c o n t r a r ia a q u i é a a titu d e de a lg u é m o s ign ifica d o é c la ro n a com paração
a c h a r que q u an to m a is fiz e r b a ru lh o , de Cristo com os pagãos, ‘que pensam
D eu s lh e o u v ir á . E s s e p ro c e d im e n to que, p o r m uito fala re m , serã o o u vi-
e ra p e c u lia r d o s p a g ã o s, com o b em se que p en sa m que, p o r m uito falarem ,
o b se rv a no c a so d os p ro fe ta s de B a a l (1 s e r ã o o u v id o s ” p o r c a u s a de s u a s
“ v ã s re p e tiç õ e s ’ (v. 7). Deus d ese ja
Rs 18.25-29). Ora, na Bíblia encontram os
q u e co m p ree n d a m o s a n a tu re z a da
o ra çõ e s c u rta s f e ita s p elo s h o m en s de
oração, e que dotem os a n o ssa oração
D eus, co m v e r d a d e ir o s e n tim e n to , e
de significado” (RICHARDS, Lawrence
qu e fo ra m re sp o n d id a s p ro n tam en te,
0. Comentário Devocional da Bíblia.
com o p o r e xem plo : S alo m ã o (1 R s 3 -6 -
2 .ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2013, p.560).
12); E zequias (2 Rs 19.14-20). O ração que
te m re p e tiç ã o , m a s q u e n ã o e n v o lv e
fu tilid ad e, m ecan icism o, tem seu va lo r
e é aceitável, p o is a ssim Je su s orou (Mt I I I -O R A Ç Ã O E JE JU M
2 6 .3 6 -4 6 ). Q u an d o e n tr e g a m o s tu do l. Oração e jejum : uma combinação
n a s m ão s de D eus em o ração sin c e ra e perfeita. Em inúm eras passagens bíblicas
h um ilde, Ele cuida de nós. podemos notar que a oração e o jejum estão

A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S •P R O F E S S O R 65
bem com binados (1 Sm 7.5,6; 2 Cr 20.3,5; nascer do desejo genuíno da alm a com m o­
Ed 8 .21-23; Ne 1.4 ; 9 .1 ; Lc 2.37; A t 13.2,3). tivos especiais, quer seja diante do perigo,
Por m eio d as E scrituras, p odem os dizer quer seja diante da tristeza ou da tentação
que a o ração e o jeju m são v isto s com o (Mt 9 -14 ,15)- No texto de M ateus 6 .16-18 ,0
atos que revelam disciplina, autonegação ensino do jejum tam bém é a respeito da
e humilhação, e m ostram também depen­ h um ildade e d escrição n a p rática. Para
dência total de Deus em m om entos m ais je ju a r n ão é p re ciso d e s fig u ra r o rosto
extrem os, quando p recisam os buscá-lo e o ste n ta r e sp iritu a lid a d e , p o is n o sso
p ara resolver um problem a específico ou Senh or e n sina: “ unge a cabeça e la v a o
receber um a determ inada orientação. rosto” (Mt 6.17). A ssim com o a o ferta e a
2 . O a s p e c to b íb lic o s o b re o je ju m . oração, o jejum não pode ser usado para
Na B íblia, h á tr ê s e ven to s que c a ra c te ­ atrair os olh ares hum anos, pois tra ta -se
riz a m a n ecessid ad e do jeju m : o ato de de um a prática piedosa diante do Pai. Toda
h um ilhar-se, que, por meio da confissão, prática verdadeiram ente piedosa busca a
acontecia por causa da tristeza do pecado glória de Deus.
(Dt 9 .18; Jn 3.5); 0 da lam en tação, fo sse
p o r ca u sa de u m m al so frid o , fo sse p or
a lg u m a p ra g a , um a d erro ta so frid a em
u m a b a ta lh a ou u m a a m eaça (Jz 20.26; SINOPSE III
Ne 1.4 ; Et 4.3); e 0 even to e sp iritu a l de A o r a ç ã o e je ju m s ã o d u a s d is ­
g ran d e con cen tração de fié is, com o no c ip lin a s q u e s e c o m b in a m p e r ­
caso do envio de m issionários e a escolha fe it a m e n t e .
de h o m en s p ara o bra (At 13.2,3; 14.23).
P e la L ei M o sa ic a h a v ia u m je ju m
an u al, no d ia d a e xp iação (Lv 16 .29 -34 ;
Nm 29.7-11; At 27.9). E ssa prática se m ul­
tiplicou em d ive rsa s fo rm as: do n a scer
AUXÍLIO
a o p ô r do so l (Jz 20.26 ); je ju m de sete
d ia s (1 Sm 3 1.13); d e três s e m a n a s (Dn
BIBLIOLÓGICO
10.3); de q uaren ta d ia s (Ê x 3 4 -2 ,2 8 ; 1 Rs
“ Quando jeju ard es, n ão v o s m o s­
19.8); n os m eses quinto e sétim o (Zc 7.5).
treis contristados (6.16). Somente um
D iante d isso, o s judeus decidiram jeju ar
d ia de je ju m é o rd en a d o no A n tig o
d u as v e z e s p o r sem a n a , que se tornou
T e sta m e n to , o Dia d a E x p ia ç ã o (Lv
u m a p rá tic a d eg en e ra d a p o r c a u sa do
1 6 .2 9 - 3 1 ; 2 3 .2 7 - 3 2 ) . A in d a a s s im ,
o rgu lh o, com o n o c a so dos fa rise u s (Lc
o je ju m fa z ia p a rte d a v id a s o c ia l e
18 .12). E n treta n to , o S en h o r Je su s não
re lig io s a de Is ra e l. Os in d iv íd u o s e
estabeleceu d ias fix o s sobre 0 jejum . Ele
g ru p o s je ju a v a m com o u m s in a l de
jejuou de m odo espontâneo, tendo como
humildade e confissão (SI 35 -13; Is 58.3,
objetivo principal estar m ais preparado e 5; Dn 9-2-19; Jn 3.5), ou com o indicação
sensível à m issão para a qual fora enviado de desespero n a oração (2 Sm 1.12 ; Ed
pelo Pai (Mt 4.2), jam ais por mera tradição. 8 .21-23; Et 4.16). D epois do e x ílio na
3. O e n sin o de Je s u s s o b re o jeju m . Babilônia, fo ram introduzidos jejuns
Segundo o S erm ão do M onte, e ntend e­ c o m e m o ra tiv o s (Zc 7 -3 ~ 5 ; 8 -19 )- Na
m os que a prática do jejum é livre, um ato época de Je su s, os fa ris e u s jeju avam
voluntário, espontâneo, isso porque deve

66 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S •P R O F E S S O R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
voluntariamente duas vezes por sem a­ p o r u m d e se jo d e a g ra d a r a D eu s e
na (Lc 18.12), todas as segu nd as-feiras n ão p ela p reocu p ação com o que os
e q u in tas-fe ira s. No entanto, m uitos outros pen sarão de n ó s" (RICHARDS,
d os q u e je ju a v a m a s s e g u r a v a m - s e L aw ren ce O. C o m en tário H istó rico -
de que os d em ais soubessem que eles -C u ltu ra l do N ovo T e sta m e n to . Rio
e sta v a m re a liz a n d o e ste a to d e v o ­ de Janeiro: CPAD, 2 0 12 , p.32).
to, assu m in d o u m a atitu d e abatida,
p u lv e riz a n d o c in z a s so b re a s s u a s
c a b e ç a s ou d e ix a n d o d e la v a r e de
u n g ir o s cabelos. [...] M a s tu do isto é CONCLUSÃO
in ú til. [...] [Jesu s] Ele sim p lesm en te Ocristão que conhece a Palavra de Deus
e stá n o s le m b ran d o de que quando sabe da im portância da oração e do jejum
um a p esso a jejua, e la d eve fa z e r isso como exercícios espirituais (1 Tm 4 -8 ). Pela
com o um ato de ad oração e não p ara p rática de am b os, o crente e sta rá m ais
a sua auto-prom oção. Este é um bom sensível ao Espírito Santo, de modo que sua
p rin c íp io p a ra a p lic a r em to d a s as realização traz constantes benefícios para a
n o ssa s ativid ad es ‘re lig io s a s ’. O que nossa vida espiritual, especialmente diante
quer que façam o s, deve ser m otivado de um mundo m aterialista e utilitarista.

REVISANDO O CONTEÚDO

1. Segu n d o a lição , o q ue é oração?


A o ração é o d iá lo g o da a lm a com Deus.
2. Po r que a B íblia n o s in ce n tiva a orar?
A B íb lia n o s in c e n tiv a a o r a r p orq u e h á p o d e r n e s s e m a r a v ilh o s o re c u rso
e sp iritu a l, o q u al não p od em o s d esp rezar.
3. E m re la ção à o ração, o que Je su s condena?
O q ue Je su s cond ena é a o ração, q u er in d ivid u al, no tem plo ou n a ru a , d o m i­
n ad a pelo e sp írito de exibição, o sten tação, cuja intenção é ser visto e louvado
p elo s hom ens.
4 . 0 Senh or Je su s condenou p eríod o s lo n go s de o ração ? Justifiqu e.
Não é verd ad e que o S en h o r d esp re za v a lo n go s p erío d o s de oração, p o is n a
B íblia e n con tram o s e sse tipo de o ração (2 C r 6 .14 -4 2 ; Ne 9; SI 18); m a s o que
Ele co n traria aqu i é a atitude de algu ém a c h a r que quanto m ais fiz e r barulh o,
Deus lh e ouvirá.
5. C ite o s três e ve n to s que ju stific a m o je ju m segu n d o a lição.
Na Bíblia, h á trê s eventos que caracterizam a necessidade do jejum: 0 ato de hu-
m ilh ar-se , que, por m eio da confissão, acontecia por causa da tristeza do pecado
(Dt 9.18; Jn 3.5); 0 da lam entação, fo sse por causa de um m al sofrido ou de algum a
p raga que viria , um a d errota sofrid a em um a batalh a ou um a am eaça (Jz 20.26;
Ne 1.4 ; E t 4.3); e o evento e sp iritu al de g ran de concentração de fiéis, com o no
caso do envio de m ission ários e a escolha de hom ens para obra (At 13.2,3; 1 4 23).

A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2 LIÇ Õ E S B ÍB L IC A S •P R O F E S S O R 67
LIÇAO10
5 d e Ju n h o de 2 0 2 2

-— — ■

NOSSA SEGURANÇA
VEM DE DEUS
A

TEXTO ÁUREO
“ E d isse-lh es: A ca u tela i-vo s e VERDADE PRÁTICA
g u a rd a i-vo s d a avareza, porque N ão p o d em o s colocar a nossa
a vida d e qu alqu er não consiste esperança nas riquezas deste
na abu n dância do que possui.” m undo, m as sim em Deus.
(Lc 12 .15 )

K_____________________________

L E IT U R A D IÁ RIA

S e g u n d a - M t 6 .21 Q uinta - SI 6 2.10


Onde e stá 0 v o s so coração? N ão coloque 0 coração
n a s riqu ezas
T e rç a - F p 4 .12 ,13
Contente em toda situ ação S e x t a - Lc 1 2 .16 - 18
Rico, m a s in sen sato
Q uarta - M t 6 .24
Não s e p o d e s e r v ir a Deus Sáb ad o - E c 5 .10
e ao d in h eiro Quem a m a 0 d in h e iro n unca se farta

68 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E SSO R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
LE ITU R A BÍBLICA E M CLASSE

M a te u s 6.19-27
19 - Não ajunteis tesouros na terra, onde ou se dedicará a u m e desprezará 0 outro.
a traça e a ferru gem tudo consom em , e Não podeis servir a Deus e a M am om .
onde os ladrões m inam e roubam. 2 5 - Por isso, vos digo: não andeis cu i­
2 0 - M as ajuntai tesouros no céu, onde dadosos quanto à vossa vida, p elo que
nem a traça nem a ferrugem consomem, e h aveis d e com er ou p elo q u e haveis de
onde os ladrões nào minam, nem roubam. beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo
2 1 - Porque onde estiver 0 vosso tesouro, que h aveis d e vestir. Não é a vid a mais
a í estará tam bém 0 vosso coração. do que 0 mantimento, e 0 corpo, mais do
2 2 - A candeia do corpo são os olhos; de que a vestim enta?
sorte que, se os teus olhos fo rem bons, 2 6 - Olhai para as aves do céu, que não
todo 0 teu corpo terá luz. sem eiam , nem segam, nem ajuntam em
23 - Se, porém, os teus olhos forem maus, celeiros; e vosso Pai celestial as alim en­
0 teu corpo será tenebroso. Se, portanto, ta. Não tendes vós muito m ais valo r do
a luz que em ti há são trevas, quão gran­ que elas?
des serão tais trevas! 2 7 - E qual de vós poderá, com todos os
2 4 - Ninguém pode servir a dois senhores, seus cuidados, acrescentar um côvado à
porque ou há de odiar um e am ar 0 outro sua estatura?

Hinos Sugeridos: 420 da Harpa Cristã


*
PLANO DE AULA

1. INTRODUÇÃO in q u ietu de e stá p resen te em to d a s as


Não podem os colocar a n ossa co n ­ e sfe ra s do ser hum ano. N esse sentido,
fia n ç a n o s b e n s m a t e r ia is . A n o ss a com preender a riqueza do Céu frente a
con fian ça deve e sta r em D eus. O Deus da T erra é a base p ara v iv er a quietude
T o d o - P o d e r o s o n ã o c o n c o rre co m e sp iritu al.
n enh um a o u tra divindade. Portanto, C) S u g e stã o d e M étod o : P a ra in ­
Ele d eve s e r o único Senh or do n o sso tro d u z ir a lição de h oje, u se im a ge n s
coração. de re vista s, ou de internet, que m ostre
u m a p e sso a e s t r e s s a d a ou in q u ieta,
2 . APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO ou a in d a asso berbad a com a s ta refa s;
A) O b jetivo s da L ição : I) C o n tras­ m o s t r e ta m b é m u m a im a g e m em
t a r a R iq u e za do Céu co m a R iq u e za q u e a p e s s o a e s t e ja n u m a m b ie n te
d a T e rra ; II) D e screv er a Id o latria ao de ord em e, p o r isso , m a is tra n q ü ila
D inheiro; III) D em o n strar a Q uietude e quieta. A ssim , in tro d u za o assu n to
E sp iritu a l em Deus. da p resen te lição, dizendo que quanto
B ) M o t iv a ç ã o : U m a d a s m a r c a s m a is apegad o à s c o isa s da terra, m ais
d o s te m p o s a t u a is é a a n s ie d a d e . A in q u ieta e a n sio sa a a lm a e stará.

A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E S S O R 69
3 . CONCLUSÃO DA LIÇÃO su b s íd io s de a p o io à Lições B íblicas.
A) A p lica çã o : In cen tive o s alu nos Na ed ição 89, p .4 1 , vo cê e n c o n tra rá
a te re m e q u ilíb rio na v id a . O en sin o um su b síd io e sp e cia l p a ra e sta lição.
de h o je n a d a tem a v e r co m n ão ter B) A u x ílio s E sp e c ia is: Ao fin al dos
responsab ilid ade com n o ssa s tarefas. tópicos, você encontrará dois au xílio s
P elo c o n trá rio , v iv e r a q u ietu d e em que d a rã o su p o rte n a p re p a ra ç ã o de
C risto s ig n ific a se to rn a r m a is sábio sua aula: 1) O texto “ Não perca 0 Foco”,
p ara so lu c io n a r as q u estõ e s d ifíc e is localizado ao fin a l do prim eiro tópico,
que se c olocam d ian te d e nós. é é um a r e fle x ã o sobre m an te r o foco
em D eu s; 2) O te x to “ P a ra o n o ss o
4 - SUBSÍDIO AO PROFESSOR B em ” , lo calizad o ao fin a l do segun d o
A) R e vista E n sin ad o r C ristão. Vale tópico, tra z é u m a re fle x ã o a respeito
a p ena con h ecer e ssa re v ista que traz do c u id a d o q u e D eu s te m c o n o s c o
re p o rta g e n s , a r t ig o s , e n tr e v is ta s e m esm o n os m om en tos d ifíceis.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO so m os n o va s c ria tu ra s e n ão d evem os,


Na liç ã o d e ste d o m in g o , v e re m o s n o vam en te, s e r d o m in ad o s p ela c o n -
qu e ja m a is d e v e m o s c o lo c a r a n o ss a cu p iscên cia d os n o sso s o lh os n em pela
e sp e ra n ç a n o s b e n s m a te ria is , m as soberb a d este m un d o (1 Jo 2.16).
sim em Deus (1 Tm 6.17). No S er­ U m as d a s te n ta ç õ e s de S a ­
m ão do M onte, Je su s ensinou ta n á s, quando 0 S enh or Jesu s
a re s p e ito do d in h e iro , de p a s s o u p e lo p r o c e s s o de
aju n tarm os tesouros neste te n ta ç ã o (M t 4 . 1 - u ) , fo i o
m undo, e sobre ansiedade. I o fe re c im e n to d o s re in o s
T a l e n sin a m e n to n ão s ig ­ d este m u n d o (Mt 4.9). Je -
su s rejeitou ta l p rop osta de

r
n ifica que não p od em os ter
b en s m ate ria is, m a s m ostra im e d iato , p o is seu co ração
que d evem os te r cuid ad o com n ão e s t a v a n a s c o is a s d este
a a v a re z a, p ois o a m o r do d in h eiro m u n d o e E le s a b ia a qu em d ev ia
é a r a iz de tod os o s m ale s (1 T m 6.10). a adoração verd ad eira. O crente p recisa
P r e c is a m o s s e r v ig ila n t e s , p o is o e sta r c on scien te de que n ão é p o ssíve l
ap e g o a o s b e n s te rre n o s n o s e scrav iz a a g ra d a r a Deus e a o s h om en s, s e r v ir a
to rn a n d o -n o s d ep e n d en te d a s c o isa s Deus e a Mamom (p alavra aram aica que
m a t e r ia is e n ã o m a is do S en h o r, que d e sig n a d in h e iro e cobiça). Se n o sso s
provê a s n o ssa s n ecessid ades. c o r a ç õ e s n ã o e s t iv e r e m p u r ific a d o s
p e lo s a n g u e do C o rd eiro , a n d a re m o s
em d ireção oposta a Deus e p assarem o s
I - RIQUEZA DO CÉU a s e r v ir ao d inheiro.
E RIQUEZA DA TERRA 2. T e s o u ro s da te rr a e te so u ro s
1 . U m a c o n c ilia ç ã o im p o s s ív e l. Já do c é u . J e s u s n ã o a p ro v o u a p o s iç ã o
e x p e rim e n ta m o s o N ovo N ascim en to, d os e sc r ib a s e f a r is e u s em re la ç ã o ao

7 0 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E SSO R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
d in h eiro . E les d a va m m u ita ê n fa se aos s e r a v a re n to ou a c u m u la d o r e g o ísta .
bens m ateriais e viam as riquezas como P r e c is a m o s s e r c o m o os c r e n t e s do
um a am o stra da aprovação d ivina. Jesus p rim eiro sécu lo , cujo c o ração e a a lm a
c o n fro n to u t a l p e n s a m e n to fa z e n d o e ra m u m e to d a s a s c o is a s lh e s e ra m
u m a d istin ç ão c la ra e n tre o s teso u ro s com u n s (At 4.32).
do céu e os d a terra. O M estre m ostrou
que o s b en s m ate ria is não são um sin al
de que Deus e stá aprovando n o ssa s a ti­
tudes e conduta. E les sã o tra n sitó rio s e SINOPSE I
pod em s e r d estru íd o s p ela tra ça , pela
A R iq u e z a d o C éu e a R iq u e za d a
ferru gem e levados p o r ladrões. M uitos,
T e rra n ã o têm c o n cilia çã o .
infelizm ente, já perderam tod as as suas
econom ias devido a um a quebra na bolsa
d e v a lo re s, u m só c io d eso n esto ou p o r
m eio de golpes. Segundo Jesu s, o crente
deve ajuntar tesouros n o céu “ onde nem
II - A IDOLATRIA AO DINHEIRO
a tr a ç a n e m a fe r r u g e m c o n so m e m ,
1.0 co ra ç ã o n o lu g a r c e rto . N ossos
e o n d e o s la d r õ e s n ã o m in a m e n em
co raçõ es n ão p odem e sta r apegad o s às
ro ubam ” (v. 20). Je su s e sta v a dizendo
c o isa s d este m undo. N o ssa e sp e ra n ça
qu e os n o ss o s e sfo rç o s d ev em s e r em
e c o n fia n ça d evem e s ta r em Je su s. Em
p rol do R eino de Deus e d a s u a ju stiç a ,
b re v e C risto v o lta rá p a ra a r r e b a t a r a
pois nin guém levará nada deste mundo,
su a Ig re ja e n ão le v a re m o s n a d a d este
com o a firm ou o p atria rca Jó: “ Nu sa i do
m undo, p orém , a s n o ssa s o b ra s serã o
ven tre de m inh a m ãe e nu torn arei para
p ro v ad a s p elo fogo (1 Co 3 -15)- T erem o s
lá (Jó 1.21).
de p r e s t a r c o n ta s , co m o u m m o rd o ­
3 .0 que o cristão p recisa sab er sobrem o, d e tudo que fiz e m o s co m n o sso s
o s b e n s m a t e r ia is ? Je s u s n ão e sta v a bens e talen to s, segu n d o a p aráb o la do
co n d e n a n d o a d q u ir ir b e n s m a té ria s , m ordom o in fie l (Lc 16 .1-13). S egu n d o a
p o is m uitos h om en s de Deus p ossu íam Bíblia de Estudo Pentecostal, “ a injustiça,
riq u e z a s , c o m o p o r e x e m p lo : A braão a c o b iç a e 0 p o d e r e stã o c o m u m e n te
(Gn 14 .18 -2 0 ; 2 4.1), Isaqu e (Gn 26.12,13), e n v o lv id o s na acu m u la çã o e em p rego
Jacó (Gn 3 0 .4 3 ) e Salo m ão (2 C r 1.12 ). É d a s riq u e z a s d este m undo.”
im p o rta n te ta m b é m d e s ta c a r que J e ­ 2. Idolatrando a M am om . Cristo nos
su s e n sin ou ao povo a n ão d esp erd içar c h a m a p a ra u m a to m a d a d e d ecisã o :
nad a, p o is d ep ois d a m u ltip licação dos A ju n ta r te so u ro na te rr a ou n o s céu s?
p ães e p eix e s, Ele ordenou: “ Recolhei os S e rv ir a Deus ou a M am om ? L em b re-se
ped aços que so b ejaram , p ara que nada de que a dedicação a um d estes v a i gerar
se p e rca (Mt 6.12). a exclusão do outro, pois não há qualquer
O c re n te q u e c o n h e ce a s S a g ra d a s p o ssib ilid ad e de h a rm o n iz á -lo s; nosso
E s c r itu ra s sab e que tudo 0 q u e tem os coração n ão pode e sta r d ividid o en tre 0
p erten ce a Deus e que toda b ênção vem que é terren o e o q ue é e sp iritu a l. Deus
dEle. C om o criou to d a s a s c o isa s, E le é d eseja leald ad e do seu povo.
0 p ro p rietário e p o ssu id o r de tudo, e o No m o m en to em q u e o c re n te e s ­
hom em n ão é dono de nada. Em relação colh e o d in h eiro , o co n fo rto e b en s que
ao s bens m ate ria is, o c ristã o n ão pode M a m o m p o d e o fe r e c e r , c e r ta m e n t e

A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2 LIÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E S S O R 71
su a e sp iritu a lid a d e e com u n h ão com o
Senh or e sta rã o c om prom etid as. Quem SINOPSE II
conhece a Deus de m odo p esso a l jam ais
A id o la t r ia s e c a r a c te r iz a q u a n ­
fa r á a esco lh a e rrad a, p ois sab e que Ele
d o o d in h e ir o t o r n a - s e o lu g a r
ab o m in a a id olatria: “ Não te rá s outros
d e u se s d ian te de m im ” (Ê x 20.3). Id o­ do coração do se r h um ano.
la tria é tudo que ocupa o lu g a r de Deus
em n o sso s coraçõ es.
3. A riq u e z a c o n d e n a d a p o r C risto .
Na parábola do rico in sen sato (Lc 12 .13 - AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO
21), Je su s a p o n ta tr ê s e rro s com etid o s
p elo h o m em : o p rim e iro e rro e s tá no N ão p e r c a o Foco
fa to de que e le a c h a v a q u e tu do o que “ Se n ã o tiv e rm o s cu id a d o , p o ­
su a a lm a p re c isa v a era de b en s m a te ­ dem os a cab ar nos preocu pand o com
ria is ; em seg u n d o lu gar, e n te n d ia que problem as m undanos e perder 0 foco
a e ss ê n c ia d a v id a c o n s is t ia n o s bens em Deus. Jesus sabia 0 quanto isso nos
m ate ria is, de m odo que isso g e ra v a em seria tentador, por isso, em seu m aior
se u c o ração u m sen tim e n to de p re p o ­ serm ã o re g istra d o , ele se a ssegu ro u
tê n c ia ; e 0 te rc e ir o e rro era a c re d ita r de que seu s seguidores soubessem que
que p oderia v iv er tem po su ficien te para d everiam d ete rm in a r a s priorid ad es
d e s fr u ta r de tudo, s e e sq u e ce n d o que apropriadas. A vid a é m uito atarefada
lo g o s e r ia in tim a d o p a ra c o m p a re c e r para a m aioria de nós! S e você tem as
p e ra n te D eus. p re o c u p a ç õ e s a d ic io n a is de cu id ar
Je su s condena tanto o e go ísm o a d ­ de o u tra p e sso a com um a d oença ou
vin d o d a s riq u e z a s q u an to ta m b é m a d eficiên cia p erm an en te, a v id a pode
con fian ça n ela, m as in felizm en te v iv e ­ s e to rn a r q u ase um bo rrão . M u ita s
m o s em um a socied ad e d o m in ad a pelo vezes, é d ifíc il m an ter a p ersp ectiva,
m ate ria lism o , onde m uitos só p en sam m anter as prioridades e m anter 0 foco
em lucros e b en efício s m ateriais. n a s c o isa s que realm en te im portam .

AMPLIANDO O CONHECIMENTO

N ão a n d e is c u id a d o so s
‘ “A ndar cuidadoso’ [Mt 6.25] é merimnao, estar an­
sioso, d istraído pelos m edos. Em um segundo sentido
pode sig n ifica r sim plesm ente p reocu p ar-se. A vida é
psuche, um a palavra que reflete 0 significado da hebraica
nephish e ch am a a atenção para n ossa n atu reza como
seres que vivem no m undo m aterial. Como existim os
em c orp o s, p re cisa m o s de com id a, bebida e abrigo,
para m an term os a vid a biológica.” A m plie m ais o seu
conhecimento, lendo 0 Com entário H istórico-Cultural
do Novo T estam en to , publicado p ela CPAD, pp.33).

7 2 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S •P R O F E S S O R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
ro u bam a n o ssa c o m u n h ão c o m Deus.
Je su s q uer que seu s d iscíp ulos de
Precisam os trabalhar e servir ao Senhor,
en tão e de ag o ra sa ib a m que tem os
m as ja m a is p o d em o s n o s e sq u e ce r de
um a van tag em sobre n o sso s am igo s
que a n o ssa ta re fa m a is im p o rtan te é a
e conh ecidos que não têm v id a e sp i­
n o ssa d evoção e a d oração a Ele.
ritual: um relacionam en to com Deus
2. V ive n d o sem in q u ietação . O m a -
através de Jesus. Ele quer que saibamos
t e r ia lis m o a fa s t o u o h o m e m d e su a
q u e p o d e m o s m a n te r o fo c o on de
q u ietu d e, d a s im p licid a d e , do c on tato
d ev e e s t a r - em D eus. A v a n ta g e m
com a n atu reza, da qual poderia e x tra ir
que tem os é que n o sso Pai c ele stial já
grandes e preciosas lições para sua vida.
conhece nossas necessidades (6.32). Por
causa d isso, os seg u id o res de C risto P a ra m o s tr a r q u e n ão d e v e m o s e sta r
p o d em t r a n s fe r ir s e u s fa rd o s p ara in q u ie to s, Je s u s u s a com o re fe rê n c ia
o Pai c e le stia l, que já e s tá c ien te de as a ves: elas não s em eiam , n ão colhem
tudo e pronto para ajudar. Sim , roupa, e n em a ju n ta m em c e le iro , m a s o Pai
abrigo e com ida são n ecessid ad es da c e le s tia l a s su sten ta.
v id a , m as e ssa s co isas n ão p recisam S ó p od em os v iv e r sem in q u ietação
ser nosso foco principal, porque temos q u an d o to m a m o s c o n s c iê n c ia de que
um Pai c ele stial que nos ajudará com so m os filh o s de D eus e que seu cuidado
isso ” (Bíblia Além do Sofrim ento. Rio é e sp e cia l p ara conosco. Os que v iv em
de Janeiro: CPAD, 2020, p.1415). com m aus pressen tim en to s, em aflição,
a n g ú s tia , p re o c u p a n d o -s e in d e v id a ­
m en te p e lo q u e v a i a c o n te c e r no d ia
seguinte, estão ignorando as p rom essas
I I I - V IV E N D O A Q U IE T U D E d iv in a s . Que v e n h a m o s a la n ç a r toda
E S P IR IT U A L E M D EU S n o ss a a n sie d a d e so b re D eus, p o is E le
1. Os m a le s a d v in d o s d a s p r e o c u ­é q uem cuida d e n ó s (Fp 4.6,7; 1 Pe 5.7).
p a ç õ e s. D evem os e sta r s em p re a lerta , 3. Vivendo sosseg ad o s em Deus. Não
p o is n ão é som en te M am om que pode v iv a inquieto, p reocupado, em a flição ,
n o s le v a r à queda, m as a s preocupações g a s ta n d o s u a s e n e r g ia s n a q u ilo que
d em asiad as com o futuro e com a nossa p o d e p re ju d ic a r su a sa ú d e . D evem o s
s u b s is t ê n c ia p o d e m c o m p r o m e te r a v iv e r s o s s e g a d o s e q u ie to s co n fian d o
n o ss a v id a e sp ir itu a l e a n o ss a saú de no T o d o -P o d ero so , p o is não podem os
m ental. A p reocupação d em asiada com m o d ific a r ou a c re sc e n ta r n ad a c o m as
o fu tu ro re v e la fa lt a de c o n fia n ç a em n o ssa s p reocupações.
D eus. M esm o em tem p o s d ifíc e is, não Je su s n o s e n sin a que Deus cuida das
podem os v iv er preocupados e an siosos, aves e d os lírio s do cam po, de m odo que
pois tem os um Deus que tem cuidado de nem m esm o Salo m ão , co m to d a a sua
n ó s, su p rin d o a s n o ssa s n e cessid a d e s riq u e z a , s e v e s tiu c o m o q u a lq u e r um
(SI 23.1). Ele já n o s concedeu a s alv ação deles. A s lin d a s flo re s sã o tra n sitó ria s,
e p ro v erá tudo d e que p recisam o s. efêm eras, logo se tornam in existen tes,
Não podem os v iver com o M arta, que m as se 0 cuidado divino está direcionado
poderia estar aos pés de Jesus, m as optou p ara e ssa s pequenas coisas, não cuidará
an d a r d istraíd a em m uitos s e rv iç o s (Lc Ele dos seus filhos? Para viver a quietude,
10.38-41). Quando não tem os equilíbrio, 0 crente p re cisa b u scar 0 R eino de Deus
a p reocu p ação e o se rv iç o em e x ce sso e su a Ju stiça (M t 6.33).

A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E S S O R 73
N este tem po m arcad o p elo im ed ia-
tism o e ansiedade, p recisam os valorizar as suas ocupações pode ser vivida para
m ais a quietude, a calm a que vem de Deus. a glória de Deus, o que resulta em nosso
Nele, en con tram o s descanso! bem . Q uando a v id a fi c a d ifícil e até
dolorosa, roupas e alim en tos não são
su fi cientes, m as o n o sso Pai celestial
e stá se m p re p ron to p ara a ju d a r em
SINOPSE III
nosso tem po de necessidade (Sl 46.1)”
A s p r e o c u p a ç õ e s c o m a s c o is a s (B íb lia A lém do S o frim e n to . R io de
d a T e r r a t r a z e m d iv e r s o s m a le s Janeiro: CPAD, 2020, p.1415)
e c a u s a m in q u ie tu d e n a a lm a .

CONCLUSÃO
Os filh o s de Deus devem e sta r con s­
AUXÍLIO c ie n te s de que “ to d a b o a d ád iva e todo
VIDA CRISTÃ d o m p e r fe ito v ê m do a lto , d e sc e n d o
do P a i” (T g 1.17 ). S o m o s a b e n ç o a d o s
P a ra o n o sso Bem p elo S e n h o r com os n o sso s b e n s, m as
“ Nosso foco principal como crentes n o sso s corações não estão n a s riqu ezas
é viver p ara Cristo e tornar sua priori­ deste m undo. N ão a m em os 0 d inh eiro e
dade (o Reino de Deus) a nossa também. u sem o s tod os o s n o sso s re c u rso s p ara
Quando assim fazemos, a vida em todas a e x p a n sã o do R eino de Deus.

REVISANDO O CONTEÚDO

1 . 0 que s ig n ific a a p a la v ra “M a m o m ”?
M am o m d esig n a d in h e iro e cobiça.
2 . 0 que S ata n á s ofereceu a Je su s q uando o tentou?
U m as d a s ten taçõ es de S ata n á s, quando o S enh or Je su s p asso u p elo p rocesso
de ten tação (Mt 4 .1 - 1 1 ) , foi o o ferecim en to d os re in o s d este m undo (M t 4.9).
3. S eg u n d o a lição, o que o c o rre s e n o sso s co raç õ es n ão fo rem p u rific a d o s
p elo sa n g u e d e Jesu s?
N ossos co raçõ es não p od em e s ta r a p e g a d o s à s c o isa s d este m undo.
4. C om o o s e sc rib a s e fa ris e u s v ia m a s riqu ezas?
E les d avam m u ita ê n fa se a o s b en s m a te ria is e v ia m a s riq u e z a s com o um a
a m o stra d a ap ro vação d ivina.
5. Onde o c ren te d eve a ju n ta r tesouros?
Segundo Jesu s, 0 crente d eve a ju n tar tesouros no céu “ onde nem a traça nem
a fe rru g e m con so m em , e onde o s la d rõ e s não m in a m e n em ro ub am ” (v. 20).

VO CABULÁRIO
E fêm ero : que é p assageiro , tem po rário, transitório.

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LIÇAO11
1 2 de Ju n h o de 2 0 2 2
D ia do P asto r

f f
SENDO CAUTELOSOS
NAS OPINIÕES

VERDADE PRÁTICA
TEXTO ÁUREO
Quando julgamos as pessoas,
“Sede, pois, misericordiosos,
nos colocamos em uma posição
como também vosso Pai é
que não compete a nós, seres
m isericordioso(L c 6.36)
imperfeitos e falhos.

L E IT U R A D IÁ RIA

S e g u n d a - M c 4 .2 4 Q u inta - Lc 6 .4 1
Cuidado co m a m ed id a q ue você Não a ten tes n o a rg u e iro que está
ju lg a 0 outro no o lh o do seu irm ão

T e rç a - L c 6.37 S e x ta - L c 6 .4 2
N ão ju lgue T ire p rim eiro a tra ve do seu olho
Q uarta - Lc 6.38 Sáb ad o - R m 2.1
“ Com a m esm a m ed id a com que Você é im perd o ável
m ed ird es tam bém v o s m ed irão ” quando ju lg a a lgu ém

A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E S S O R 7 5
LE ITU R A BÍBLICA E M CLASSE

M a te u s 7 . 1 - 6

1 - N ão ju lg u e is , p ara q u e n ão sejais tirar 0 argueiro do teu olho, estando uma


julgados, trave no teu?
2 - porque com 0 juízo com que julgardes 5 - Hipócrita, tira primeiro a trave do teu
sereis julgados, e com a m edida com que olho e, então, cuidarás em tirar 0 argueiro
tiverdes m edido vos hão d e m edir a vós. do olho do teu irmão.
3 - £ p or que reparas tu no argueiro que 6 - Não deis aos cães as coisas santas,
está no olho do teu irm ão e n ão vês a nem deiteis aos porcos as vossas pérolas;
trave que está no teu olho? p ara que não as pisem e, vo lta n d o -se,
4 - Ou como dirás a teu irmão: D eixa-m e vos despedacem .

Hinos Sugeridos: 134, 334, 568 da Harpa Cristã


PLANO DE AULA

1. INTRODUÇÃO s e re c o n h e c e u m p ec a d o r? C om pete
A s E s c r it u r a s S a g r a d a s re v e la m a n ó s, s e r e s im p e r f e it o s e f a lh o s ,
que devem os ter cuidado com a medida n o s c o lo c a rm o s em u m a p o s iç ã o de
com que ju lg a m o s o ou tro. N ão cabe ju lg am e n to ? Você tem feito u m a a u ­
a n ó s n e n h u m tip o d e ju lg a m e n to , to a v a lia ç ã o d iariam en te?
p ois q uando ju lg a m o s a s p e s s o a s nos C) S u g e s tã o d e M éto d o : S u g e r i­
co lo cam o s em u m a p o siç ã o que n ão m o s que en riq u eça a a u la p o r m eio de
c o m p e te a n ó s, s e r e s im p e r fe ito s e p erg u n ta s que con trib u am p ara um a
falh os. A ntes de fazer qualquer tipo de reflexão a respeito de serm o s cautelo­
ju lg am en to , fa ç a u m a au to avaliação . so s n a s n o ssa s opiniões. E xplique que
O bserve se não e x is te n enh u m a trave s o m e n te D eu s c o n h e ce o s c o ra ç õ e s,
em s e u s o lh o s. Q uando ju lg a m o s a l ­ por isso som ente Ele tem condições de
guém n os to rn am os im perdoável, por fa z e r u m ju lg am e n to de fo rm a ju sta.
is s o e steja aten to (Rm 2.1).
3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO
2 . APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO A) A p lic a ç ã o : S u g e rim o s q u e ao
A) Objetivos da Lição: I) Compreen­ fin a l da a u la , v o cê faç a u m m om ento
d er que n ã o d ev em o s ju lg a r p re cip i­ de reflexão a respeito da m aneira como
tad am en te 0 outro; II) C o n scien tizar tem o s cond u zid o a s n o ssa s atitu d es.
de que d evem os p rim eiram en te olhar Ore com o s a lu n o s e p eça a D eus que
p a ra n ó s m e s m o s ; III) A fir m a r que ao in v és de ju lg a rm o s o n o sso p ró x i­
n ão so m o s ju lg a d o s p elo sev erid a d e m o v e n h a m o s p rim e iro a e x a m in a r
de Deus. a s n o s s a s a titu d e s e p a la v r a s . À luz
B) M o tiv a ç ã o : C om o v o cê en cara do te x to bíb lico estu d ad o em c la sse ,
a s f a lh a s d o s o u tro s? Você ta m b é m leve os alunos m editarem a respeito de

76 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E SSO R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
p rim eiro ju lg a r a si m esm o e só então, q u e d a rã o su p o rte na p re p a ra ç ã o de
depois, am orosam ente perdoar e ajudar su a a u la: 1) 0 te x to “ N ão ju lg a r ou ser
aqueles estão p ró x im o s de nós. ju lg a d o ” , lo c a liz a d o a o fin a l do p r i­
m eiro tópico, é um a r e fle x ã o e x traíd a
4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR do Comentário Bíblico Pentecostal Novo
A) R e v ista E n sin a d o r C ristão . Vale Testam ento a re sp e ito de ju lg a r e s e r
a p en a co n h ecer e s s a re v ista que tra z ju lg ad o ; 2) O te x to “ Não Ju lg u e is” , do
r e p o r t a g e n s , a r t ig o s , e n t r e v is t a s e teólogo L aw ren ce O. R ich ard s, lo c a li­
s u b s íd io s de a p o io à L ições B íblicas. zado ao fin a l do segu n d o tópico, traz
Na e d iç ã o 89, p.41» v o c ê e n c o n tra rá u m a p ro p o sta de a p licação a respeito
um su b síd io e sp e cia l p ara e sta lição. do im pacto que o en sin o de Jesu s pode
B) A u x í l i o s E s p e c ia is : Ao f in a l tra z e r p ara a v id a cristã.
d os tó p icos, você e n c o n tra rá a u x ílio s

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO Contudo, Ele exige que os súditos do seu


N esta lição, verem o s que no Serm ão R ein o s e ja m é tic o s e m ise ric o rd io so s:
do M onte, Je su s e n sin o u a re sp e ito do “ S e d e , p o is , m is e r ic o r d io s o s , c o m o
julgam ento do próxim o. O M estre foi ta m b é m v o s s o P a i é m is e r ic o r -
bem en fático ao d eclarar: “ Não d io so ” (Lc 6.36). O S erm ã o do
julgueis, e não sereis julgados Monte é 0 código de ética dos
(Lc 6.37).” Som ente 0 Senhor, se rv o s de D eus, m ostran do
que é conhecedor de todas as II P alavra -C h ave \ com o d evem os a g ir ou n os
coisas, tem autoridade p ara l Cautela c o m p o rta r d ia n te de um a
ju lg ar suas criaturas. Deus é ação errada do nosso irm ão.

r
o ju sto ju iz e to d a avaliação 2. N in g u é m d e
perten ce som en te a Ele (2 Tm
ju lg a d o ? S e r á q u e o c re n te
4.8). P o r isso , o c ren te c h eio do
n ão p o d e e m itir n e n h u m tipo de
Espírito Santo é misericordioso, não julga
ju lg a m e n to , p a r e c e r o u o p in iã o ? Se
o s o u tro s p re cip ita d am e n te e p ro cu ra
fosse assim , n o sso S enh or c o n trariaria
v iv e r com o “ s a l” e “ lu z ” do m undo.
seu p ró p rio e n sin o p re se n te n o texto,
p o is n o s a lerto u que d evem os ate n tar
I - NÃO DEVEMOS p a ra a lg u m a s p e s s o a s q u e p ro ced em
JULGAR O OUTRO com o cães e porcos (Mt 7.6), além de Ele
1. A p ren d en d o a s e r e la c io n a r comm esm o ju lg ar 0 procedim ento h ipócrita
o s o u tro s. A Ig re ja é o C o rp o de C risto, de e scrib as e fa ris e u s (Mt 5 -2 0 ;6 2.5,16),
fo rm a d a p o r s a n to s, p orém h u m an o s, e P a u lo f a z e r ju lg am e n to d os c ristã o s
im p e rfe ito s e com d ificu ld ad es n o s re ­ de C orinto e de o u tras ig re ja s (1 Co 5.12;
la c io n a m e n to s, p o r is s o e sta m o s s u ­ 1 T s 2 .14 ,15 ; 1 Jo 4 .1). E s s a s p a s s a g e n s
je ito s a e n fre n ta r con ten das e d isputas b íb lic a s m o s tr a m q u e o ju lg a m e n to
(1 Co 1.11,12 ). T a l v e rd a d e n o s m o stra en vo lven d o u m a p e s s o a n ão p od e ser
que Jesus não espera do crente perfeição. d e sp re z a d o , p o ré m , é p re c iso te r em

A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S •P R O F E S S O R 77
m e n te q u e n ã o s o m o s J e s u s , o q u a l
tin h a conh ecim ento pleno da n atu reza q u e o c e rto e o e rra d o s e ja m id e n ­
h u m a n a (Jo 2.24,25). tific a d o s e q u e 0 d ig n o e 0 in d ig n o
3. 0 ju lgam ento defendido p or Jesu s. seja m d iscern id o s, com o ve m o s nos
Quando Je su s d isse: “ Não ju lg u e is ” , Ele versículos seguintes (v.6). O discípulo
usou 0 verbo krinô, que no grego sig n ifi­ d ev e p o d e r v e r a fa lt a d o ir m ã o de
ca d ecid ir, e sco lh e r, a p ro v a r, e stim a r fo rm a que ta l p e sso a s e ja tr a z id a a
e p re fe rir . Ele q u e ria e n s in a r que não u m a c o rre çã o g e n til, m a s firm e (cf.
p o d e m o s ju lg a r a lg u é m tã o so m en te M t 18 .15 -17 ). Je s u s n u n c a d is s e que
baseado em n o ssa s ob servaçõ es ou pela o b e m e o m a l s ã o id e ia s r e la tiv a s
a p a rê n c ia p e s s o a l. O p ró p rio S e n h o r d e t e r m in a d a s p o r c a d a p e s s o a . A
Je su s fo i ju lg ad o p elo s e sc rib a s e f a r i­ tr a d iç ã o p r o fé t ic a p e d e d is c e r n i­
seu s por com er com pecadores (Lc 5.30). m en to e co rre çã o . A o fe rta de Deus
E les e sta v a m e rrad o s porque a m issã o de p erdão n ão envolve lib ertin agem
d e Je s u s e ra c h a m a r o s p e c a d o re s ao im p e n ite n te ” (ARRINGTON, French
a rrep en d im en to (Lc 5.32). L ; ST R O N STA D , R o g e r (E d s.) C o ­
As Escrituras Sagradas nos ensinam a m e n tá rio B íb lico P e n te c o sta l N ovo
não julgarm os como também não adm itir T e s ta m e n to . R io de Ja n e iro : CPAD,
falso rum or e a testem unhar falsam ente 2 0 0 3, pp. 5 9 , 6 o).
c o n tra algu ém (Êx 23.1).

II - D EV EM O S P R IM E IR A M E N ­
SINOPSE I T E O LH AR PA RA NÓ S M ESM O S
No S e r m ã o d o M o n te J e s u s d e i­ 1. C u id ad o c o m o ju íz o e x a g e ra d o
x a c la r o q u e n ã o d e v e m o s ju l ­ s o b re o s o u tr o s . P e sso a s que e m ite m
g a r o o u tro . ju í z o s im p e n s a d o s e in f u n d a d o s a
respeito de outros, podem estar tentando
esco n d er seu s p róp rios erro s. Podem os
ver que tal fato na vida do rei Davi quando
com eteu um a d u ltério e um h om icídio.
AUXILIO BIBLIOLOGICO Para m ostrar a Davi as suas iniquidades,
o p rofeta N atã contou a h istó ria de um
Não Julgar ou Ser Julgado (Mt 7.1-5) viajante que m atou a única ovelha de um
“ E s ta p a s s a g e m é u m a d a s d e ­ h om em p obre (2 Sm 12 .1-7 ). S em a n a l­
clarações de Je su s m a is equ ivocad a- is a r b em a h istó ria e e sta n d o com su a
m ente interpretadas e erroneam ente c o n s c iê n c ia c a u te riz a d a p elo p ecad o,
c ita d a s . S e m p re que a p e s s o a quer D avi p ron tam en te declarou a su a s e n ­
c r it ic a r s o b r e a t it u d e s , a ç õ e s ou tença: “ [...] d ign o d e m orte é o h om em
e s tilo de v id a d e a lg u é m , o b je ç õ e s que fe z is s o ” (2 S m 12.5). Foi f á c il p ara
s ã o e n c o n t r a d a s n a o r d e m : ‘ N ão D avi e n x e rg a r o p ecado do outro e con­
ju lg u e is ’. O b v ia m e n te n ã o é o que s id e rá -lo h o rrível, m as e le n ão pensou
Je su s p reten d ia aqui. E le e sp e ra que no seu, ou seja, não rep arou a tra ve que
ju lg a m e n to s d e v a lo r se ja m feito s, e sta v a n o s se u s o lh o s (M t 7.3). M u itas
v e z e s , de m od o e rrô n e o , p ro c u ram o s

7 8 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E SSO R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
nham os m ais prazer no erro. Em segundo
lugar, p recisam os nos relacionar com as
VI p e sso a s com 0 m esm o am o r que um dia
Je su s C risto teve p ara conosco (Jo 3.16),
pois “ o a m o r n ão fa z m al ao p ró x im o ”
A queles que p ossu em
(R m 13.10). T erceiro , n ão p od em os nos
o esp írito m órbido da esqu ecer de que fom os a lcan çad os p ela
crítica irão in correr em graça e p recisam os tra ta r a tod os com 0
m esm o fa v o r im erecido que recebem os
g ra v e s con seq ü ên cias.”
(E f 2.8,9). E ntão, ao in v és de ju lg ar, que
venham os orar por aqueles que pecaram ,
pedindo ao Senhor que lh es conceda um
novo recom eço, p ois tem os um Deus que
é b om e m isericordioso.

f a lh a s n o s o u tro s e os se n te n c ia m o s,
m as ignoram os ou fazem os vista grossa
e m re la ç ã o às n o s s a s p ró p ria s f a lh a s , SINOPSE II
que, p o r v e z e s, são m a is g ra v e s do que A n t e s d e e m i t ir q u a lq u e r ju íz o
a s q ue o u tra p esso a e stá com etendo. d e v a lo r a r e s p e it o d o p r ó x i­
2. A in c o n s is t ê n c ia d o s q u e p o s ­ m o , d e v e m o s , p r im e ir a m e n t e ,
su e m e s p ír ito d e c rític a . A q u ele s que o lh a r p a r a n ó s m e s m o .
p o ssu e m o e sp írito m órb id o d a crítica
irão in co rrer em g ra v e s conseqüências,
é o que Jesu s ensina em M ateus 7.2. Para
o s c rític o s que n ão c o n se g u e m v e r a s
m a n c h a s c o r r o s iv a s e m s u a s v id a s ,
Je su s d isse: “Aquele que dentre v ó s está
AUXÍLIO
se m p ec a d o s e ja o p rim e iro que a tire VIDA CRISTÃ
p e d ra co n tra e la ” (Jo 8.7). Os e sc rib a s
e f a r is e u s e ra m p e r ito s em ju lg a r o s “ N ão ju lg u e is
o u tro s, e ra m a u to c o n fia n te s e ju sto s Com o o re la c io n a m en to de cada
a o s s e u s p ró p rio s o lh o s (L c 18.9). Po r c r is t ã o co m D eu s é ‘ s e c r e t o ’, n ão
is s o , fo ra m d u ra m e n te re p re e n d id o s tem os n en h u m a b ase p ara ju lg a r os
p e lo S e n h o r Je su s. S o m en te o E s p ír i­ m otivos ou a s convicções d os outros,
to S a n t o p o d e t r a n s f o r m a r o n o ss o n em m esm o se u s fr a c a s s o s e s u a s
hom em interior, a fa sta n d o de n ó s todo fraquezas. Se d esejarm os ser críticos,
desejo de ju lg am en to ou crítica. P recis­ d evem os ser crítico s de n ós m esm os.
am o s s e g u ir a recom en d ação de Paulo: E x is te um a d iferen ça e n tre e ssa
“ E xam in e-se, pois 0 hom em a si m esm o a d v e rtê n c ia , e o c h am a d o d e Paulo
[...]” (1 Co 11.28). para a igreja d iscip lin ar os pecadores
3. O q u e f a z e r p a r a n ão ju lg a r m o s (1 Co 5.1-12). Quando um crente insiste
p re cip ita d am e n te o s o u tro s? Prim eiro em u m com p o rtam en to que a Bíblia
é p re ciso te r co n sciê n cia de que tem os c la ra m e n te id e n tific a com o sen d o
fa lh a s e im p e rfe içõ e s, em b o ra n ão t e ­

A B R IL •M A IO - JU N H O 2 0 2 2 LIÇ Õ E S B ÍB L IC A S - P R O F E S S O R 7 9
3. 0 e x em p lo d a ju s tiç a de D eus na
pecado, d evem os c o n co rd ar c o m a s vid a de Davi. Davi era um homem segun­
Escrituras e punir. Neste caso, nós não do 0 c o ração de D eus (At 13.22), p orém ,
ju lg a m o s, m a s co n co rd am o s com o ao pecar contra 0 Senhor e 0 próxim o, ele
ju lg am e n to d a P a la v ra de Deus. experim entou a ju stiça d ivin a. Embora
Je su s e sta v a fala n d o , n o te x to de a m a s s e s e u s e r v o , o T o d o -P o d e r o s o
M ateus, sobre um e sp írito de crítica, n ão o ise n to u da p u n iç ã o . D eus é um
ou u m a a r r o g â n c ia q u e n o s le v a a P a i a m o ro s o , m a s ta m b é m é ju s t o e
su p o r q ue te m o s o d ire ito de ju lg a r não tem p o r in o cen te o p ecad or: “ Que
o co ra ç ã o d o s o u tro s ” (RICHARDS, guarda a beneficência em m ilh ares; que
Law rence O. C om entário D evocional p erdoa a in iqü idad e, e a tra n sg re ssã o ,
da B íb lia. 2.ed. Rio de Jan eiro : CPAD, e 0 p ecado; que ao culpado n ão tem por
2 0 13, P-560). inocen te [...]” (Ê x 3 4 7 ).
A s ev erid a d e d iv in a é p a ra a qu eles
que n ão v iv e m segu n d o a su a P a la vra ,
que e sco n d em os seu s p ecad os, m as a
sua bondade e cuidado alcançam àqueles
III - E SE FÔSSEMOS JULGADOS
que c o n fe ssa m e d eix am seu s p ecad os,
PELA SEVERIDADE DE DEUS
p ro c u r a n d o e x p r e s s a r a v e r d a d e ir a
1. D eu s é s e v e ro ? 0 a p ó sto lo Paulo ju stiç a de C risto. P ortanto, “ considera,
d iz que d evem os co n sid e ra r a bondade p ois, a bondade e a severid ad e de D eus”
e a sev erid a d e do S en h o r (R m 11.2 2 ). A (R m 11.22).
bondade de Deus é re ve la d a p o r in te r­
m éd io da sa lv a çã o em Je su s C risto. No
qu e ta n g e à su a sev erid a d e , e la é e m ­
p re g a d a p a ra com a q u e le s que p ecam
SINOPSE III
d elib erad am en te e n ão s e arrep end em
D eu s ju lg a o s s e u s f ilh o s co m
dos s e u s p ecad os (Rm 3.23).
2 . C o m o D eus n o s ju lg a ? O T o d o - b o n d a d e e g r a ç a . O q u e s e r ia de
-P o d e ro s o n ão é u m s e r q u e e stá lá no n ó s s e o T o d o -P o d e r o s o n o s ju l ­
céu d e se ja n d o a g ir b ru ta lm e n te , que g a s s e s e g u n d o a s u a s e v e r id a d e .
d e s c a r r e g a su a ir a a le a to ria m e n te . É
p re c iso c o m p ree n d e r q u e n o re la c io ­
nam ento com a s su a s cria tu ra s, Ele age
co m re tid ã o e ju s t iç a (Is 4 5 -2 1; 2 Tm
4.8). 0 crente deve ser consciente de que CONCLUSÃO
Deus é ju sto , e sta b ele c e u u m g o vern o D e ve m o s s e g u ir a re c o m e n d a ç ã o
m o ra l no m undo e d isp o n ib iliz o u su as do M estre p ara n ão ju lg a r p recip itad a­
le is p a ra serem p ra tic a d a s. Q uando a s m ente 0 próxim o. Não devem os tom ar a
le is d iv in a s são o b se rv a d a s p elo s seu s p osição de ju iz contra n in gu ém e m uito
filhos, Deus os recom pensa, m as quando m en o s ju lg a r u m a p e sso a a p e n a s p o r
e la s s ã o q u eb rad as, h á c o n se q ü ê n c ia s su a a p arên cia exterio r. Quando form os
e s a n ç õ e s (Dt 7 -9 »12 )- 0 ju lg a m e n to do fa z e r a lg u m a a v a lia ç ã o a re sp e ito das
S e n h o r n ão é fe ito p e la a p a rê n c ia dos a titu d e s d e a lg u é m , d e v e m o s fa z ê - lo
fato s, p ois Ele conhece 0 m ais profundo de m o d o c rite rio s o , s e n sa to e lú cid o,
do n o sso co ração e in ten ções. e vitan d o toda fo rm a de p recipitação.

80 LIÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E SSO R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
REVISANDO O CONTEÚDO

1. De acord o com a lição, o que Je su s e x ig e de seu s súditos?


Jesu s exige que os súditos do seu Reino sejam éticos e m isericordiosos (Lc 6.36).
2. Qual o s ign ifica d o do v e rb o k rinô?
S ig n ifica d ecidir, esco lh er, a p ro var, e stim a r e p referir.
3. Q uem ju lg o u ao S en h o r Je su s p o r co m e r com p ecadores?
Os e sc rib a s e o s fariseu s.
4. A quem a severid ad e de D eus é em pregada?
E la é e m p re g a d a p a ra co m a q u e le s que p e c a m d e lib e ra d a m e n te e n ão se
a rrep en d em d os seu s p ecados.
5. Segu ndo a lição, a re sp e ito de quê o c ren te d eve ser con sciente?
O c ren te d eve s e r c o n scie n te de que Deus é ju sto , esta b ele ce u u m g o vern o
m o ra l no m undo e d isp o n ib ilizo u s u a s le is p ara serem p raticad as.

LE IT U R A S PARA APROFUNDAR

COM ENTÁRIO
DEVOCIONAL GUIA DIDÁTICO
D O I .F .I T O R D A Hl B . . A

Lawrence Ridiards Ldwrence Ridwds

C om en tário G uia D idático do


D evo cion al da B íb lia L eito r da B íb lia
(Brochura) U m li v r o q u e a u x i l i a r á ta n to
N e le v o c ê e n c o n t r a r á ín d ic e s d e in ic ia n t e s c o m o v e t e r a n o s e
a s s u n t o s , e s b o ç o d o c o n te ú d o e s t u d io s o s d a B íb lia a e n c o n t r a r
d e c a d a li v r o d a B íb lia , g u ia o s t e s o u r o s m a i s r ic o s d a s
p a r a le it u r a , p a n o r a m a g e r a l do E s c r i t u r a s S a g r a d a s . U m g u ia
c a p ít u lo , c o m p r e e n s ã o d o t e x t o , c o m in f o r m a ç õ e s e a n á l i s e de
d e v o c i o n a l e a p lic a ç ã o p e s s o a l. c a d a c a p ít u lo d a B íb lia .

A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S •P R O F E S S O R 8l
LIÇAO12
19 de Ju n h o de 2 0 2 1

A BONDADE DE DEUS
EM NOS ATENDER

TEXTO ÁUREO
VERDADE PRÁTICA
“Se, vós, p ois, sendo m aus,
D eus é um P a i am oroso que
sabeis d a r bo as coisas aos vossos
co n ced e aos seus filh o s aq u ilo
filh o s, quanto m ais vosso Pai,
q u e rea lm en te é bo m p a ra eles.
q u e está nos céus, dará bens aos
que lh e p ed ire m ?” (Mt 7.11)
K_____________________________

L E IT U R A D IÁ RIA
S e g u n d a - Lc 11.9 Q u inta - M t 22.37,38
A bondade do P a i e m atender A m e a Deus com to d o 0 teu coração,
seu s filh o s a lm a e p en sam en to
T e rç a - L c 11.9 ,10 S e x ta - M t 22.39
0 P a i bo n d oso n os concede 0 A m e ao p ró x im o n a m esm a
E sp írito Santo d im en são de si m esm o
Q uarta - L c 1 1 .1 1 - 1 3 Sáb ad o - SI 14 5 .13
So m o s m au s, m a s su p rim o s a s Deus é b o n d oso em
n ecessid ad es de n o sso s filh o s tudo q ue faz

82 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E SSO R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
LE ITU R A BÍBLICA E M CLASSE

M a te u s 7 .7 - 2 0
7 - Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e encon- 1 4 - E porque estreita é a porta, e ap er­
trareis; batei, e a b rir-se-vo s-á . tado, 0 caminho que leva à vida, e poucos
8 - Porque aquele que pede recebe; e 0 que há que a encontrem.
busca encontra; e, ao que bate, se abre. 1 5 - A ca u tela i-vo s, p orém , dos fa lso s
9 - E qual dentre vós é 0 homem que, pedin­ profetas, que vêm até vós vestidos como
do-lhe pão 0 seu filho, lhe dará uma pedra? o velh as, m as interiorm ente são lobos
10 - E, p ed in d o -lh e peixe, lhe dará uma devoradores.
serpente? 16 - Por seus frutos os conhecereis. Por­
1 1 - Se, vós, pois, sendo maus, sabeis dar ventura, colhem -se uvas dos espinheiros
boas coisas aos vossos filhos, quanto mais ou figo s dos abrolhos?
vosso Pai, que está nos céus, dará bens 17 - Assim, toda árvore boa produz bons
aos que lhe pedirem ? frutos, e toda árvore má produzfrutos maus.
1 2 - Portanto, tudo 0 que vós quereis que 18 - Não p o d e a á rvo re boa d a r m aus
os homens vos façam , fa z ei-lh o também frutos, nem a árvore m á dar frutos bons.
vós, porque esta é a lei e os profetas. 19 - Toda árvore que não dá bom fruto
13 - Entrai pela porta estreita, porque larga é corta-se e lan ça-se no fogo.
a porta, e espaçoso, 0 caminho que conduz à 2 0 - Portanto, pelos seus fru tos os co ­
perdição, e muitos são os que entram por ela; nhecereis.

Hinos Sugeridos: 126,131,232 da Harpa Cristã


#
PLANO DE AULA

1. INTRODUÇÃO 2 . APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO


Na lição deste domingo, verem os um A) Objetivos da Lição: I) Compreen­
dos atributos de Deus re ssalta d o s por d er o sign ifica d o da bondade de Deus;
Jesu s no Serm ão Monte: a bondade. Ele II) C o n s c ie n tiz a r de q u e só e x is te m
é um Pai am oroso que concede aos seus d ois cam in h o s; III) A d vertir c o n tra a
filh o s aquilo que é e sse n c ia l p ara sua m en tira d os fa ls o s p rofetas.
subsistência. A bondade do Pai também B) M o tiv a ç ã o : Você re c o n h e c e a
é revelada a nós mediante o sacrifício de b o n d ad e de D eus em s u a v id a ? T em
Jesus Cristo na cruz do Calvário. Quando procurado andar pelo cam inho estreito,
0 buscam os em oração, Ele nos atende, sem p re bu scan d o a g ra d a r ao Senhor?
ajuda e socorre p ela sua bondade. Pela D eus n ã o fo rç a a p e s s o a a a n d a r em
sua bondade som o s in stad o s a e n trar s e u s c a m in h o s , p o is é u m a e sc o lh a
pela p orta e stre ita e e sta r cuidadosos p e s s o a l. Você tem to m a d o c u id a d o
a resp eito d os fa lso s profetas. com a s m en tira s d os fa ls o s p rofetas?
O q u e s e r ia d e n ó s s e D e u s n ão C) S u gestão de M étodo: Sugerim os
o lh a sse -n o s com bondade, m isericór­ que para a introdução da lição, você faça
d ia e am or, p e s s o a s tão im p erfeitas? a se g u in te p erg u n ta : Qual o cam in h o

A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S •P R O F E S S O R 83
que le v a ao céu, o estre ito ou o largo? O c a m in h o q u e c o n d u z a o céu é s o ­
E xp liq u e que o cam in h o que conduz m ente um : Je su s C risto. E le é o único
ao céu é bem estreito, p o r isso m uitos ca m in h o , a ú n ica v e rd a d e e sem Ele
desistem e outros p referem os atalhos esta m o s p erdido s (Jo 14.6).
ou c am inhos m ais largos. Vam os para
o céu m ed ian te a g ra ç a de Je su s, m as 4 . SUBSÍDIO AO PROFESSOR
tal verdade não significa que não temos A) R e v ista E n sin ad o r C ristão. Vale
que nos e sforçar para ch egar ao nosso a apena conhecer e ssa revista que traz
d estin o fin al. r e p o rta g e n s, a r t ig o s , e n tr e v is ta s e
su b s íd io s de a p o io à Lições B íblicas.
3 . CONCLUSÃO DA LIÇÃO Na e d iç ã o 89, p .4 2 , vo cê en c o n tra rá
A) A p lica ç ã o : O c a m in h o que nos um su b síd io e sp e cia l p a ra e sta lição.
le v a ao céu é e stre ito , d ifíc il e e x ig e B) A u x ílio s E sp e c ia is: Ao fin a l dos
ren ú n cia e sa crifíc io . Quem g o sta de tópicos, você e n con trará a u x ílio s que
p re g a r fac ilid a d e s sã o o s fa ls o s p ro ­ d a rã o su p o rte n a p re p a ra ç ã o d e su a
fe ta s . P r e c is a m o s e s t a r v ig ila n te s . au la : 1) O p r im e ir o te x to “ D o is C a ­
N e s te m u n d o e n fr e n t a m o s d o re s , m in h o s” trata do cam in h o largo e do
te n ta ç õ e s e d ific u ld a d e s . C o n tud o , estreito, c itad o s p or Je su s n o Serm ão
há u m a recom pen sa p ara n ó s: um dia do M o n te; 2) O s e g u n d o te x to , “ Os
e sta re m o s p ara todo o sem p re jun to Verdadeiros P rofetas e os F a lso s” tem
do Pai. Por isso, não podem os desistir. com o objetivo m o stra r a a d vertência
T am bém não p odem os p ega r atalhos. de Jesu s a respeito dos fa lso s profetas.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO I - A BONDADE
N esta liç ã o , a p re n d e re m o s que DE DEUS
D eu s é b o m e q u e Ele ou ve as
w 1. D efin ição de b ondade. A
n o s s a s p e t iç õ e s , s u p r in d o Á
palavra “ bondade" é definida
to d a s as n o ssa s n e cessid a ­
como qualidade ou caráter de
des: “ Pedi, e d a r-se -v ó s-á ; P a la vra -C h a ve '
bom ; b o a ín d o le, b e n e v o ­
bu scai e e n co n trareis; b a ­
tei, e a b r ir - s e - v o s - á ” (Mt
Bondade ,
lência, brandura e boa ação.
Filosoficam ente, a bondade

r
7.7). V erem os tam bém que
é descrita como sendo 0 prin­
a q u e le s q u e e n tra ra m p ela
porta estreita conseguem viver c íp io m a is e leva d o d a m oral.
segu n d o os p receitos de Deus p ro ­ N a v is ã o g r e g a , a b e n ig n id a d e
po sto s p o r C risto no S erm ão do M onte. era v is t a com o o m a is su blim e atribu
O S en h o r é bom e a queles que têm um a A ssim , a bondade no a specto filosó f
vid a de com u n h ão com Ele e p rocu ram é v ista com o um va lo r que é atribuíd
v iv e r ch eio s do E sp írito S anto (E f 5.18), ação de u m a pessoa.
exam inando a Palavra, não serão jam ais A bondade é um dos atributos de Deus,
enganados pelos falsos profetas (Mt 7.15). m as n ão do h om em . O ap ó sto lo Paulo

84 LIÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E SSO R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
declarou: "Porque eu sei que em m im , isto forem acom panhadas pela fé e pelo am or
é, na m inha carne, não habita bem algum; a D eus” . A fé e o a m o r sã o im plantados
e, com efeito, o querer está em m im , m as em n o sso s corações m ediante a ação do
não consigo realizar o bem ” (Rm 7.18). Espírito Santo.
Ao pecar, o hom em se tornou um ser 3. A b o n d a d e d e D e u s n o a s p e c to
desprovido da justiça original e sem estima t e o ló g ic o . T e o lo g ic a m e n t e o te rm o
para as coisas santas relacionadas a Deus, bondade é a m p lo e e n vo lv e san tid ad e,
p assand o a ter a tendência p ara o m al e retid ão , v e rd a d e, am or, ben evo lên cia,
p ara a s p ráticas im orais, d aí a razão da graça e m isericórdia. Logo, fica evidente
ên fase de Je su s para o Novo N ascim ento que apenas 0 Deus da Bíblia é verdadeira­
(Jo 3.3). Som ente entrando pela porta e s ­ m ente bom . Podem os v e r a bondade dEle
treita e pelo cam inho apertado (Mt 7.14), no seu am or para conosco (Jo 3 16 ). Amor
poderem os desfrutar da graça divina e ter que re v e la a p erfeição d ivin a. T am bém
a nossa n atu reza tran sfo rm ad a para, de podemos ver a benignidade do Senhor no
fato, fazerm os 0 que é bom. seu cuidado p ara conosco, atendendo às
2. A bondade de D eus n o aspecto b í­n o ssa s n ecessid ad es (SI 23.1; M t 7.11). O
blico. Nas Escrituras Sagradas, a bondade Senhor é bom e a su a graça é dispensada
é definida como a qualidade do que é bom até p ara o s que não m erecem nada.
(Êx 33 -19 )- Deus é bom por n atureza, p or M esm o sen d o im p e rfe ito s, ja m a is
isso João d isse que Ele é am o r (1 Jo 4.8) e d a ría m o s a o s n o sso s filh o s um a pedra
fonte de toda a benignidade, de m odo que p o r p ã o o u u m a s e r p e n t e p o r p e ix e .
podemos expressar que 0 real e verdadeiro E n tão, 0 que o D eus b o n d o so n ão fa rá
bem é transcendente e e stá em Deus (SI em n o ss o fa v o r se p e d irm o s tu d o em
3 4 -8 ). O texto de M ateus 19.16-26 m ostra a oração, segundo a su a p erfeita vontade?
pergunta do jovem rico a respeito da vida
eterna: "Bom M estre, que bem farei, para
co n se g u ir a v id a e te rn a ?” En tão Je su s SINOPSE I
p ergu n ta: “ Po r que m e c h am a s b om ?”
D e u s é b o m e a te n d e a o s s e u s f i ­
Segundo a Bíblia de Aplicação Pessoal, Jesus
lh o s q u e 0 in v o c a m e m o ra ç ã o .
d eixa claro ao jovem “ que a salvação não
vem por m eio de boas obras, se e sta s não

AMPLIANDO O CONHECIMENTO

“ Pedir, B uscar, B ater: Je su s fa la da oração (7.7-12)

B
O relacion am en to c o m D eus é v e rd ad eiram en te

I um a coisa ‘em secreto’. Os incrédulos não podem ver,


I to c a r n em se n tir ‘ D eus’. N em nós! Quando oram os,
A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2 | dam os um salto de fé, confiando L IÇ Õ Eem
S B ÍBum
L IC ASS er
•PRinO FvEisível
SSO R 8 5

£ p ara a tu a r em n o sso n om e n o u n iv e rso m ate ria l. À


II - HÁ DOIS CAMINHOS não p oderão” (Lc 13.24). O verbo p orfiar
PARA ESCOLHER no grego sign ifica “ esfo rçar-se com zelo
1. extrem o, e m p en h a r-se em obter a lgo ” ;
A p o rta e o c a m in h o n o a sp e c to
bíblico. Ao apresentar as figu ras da porta isso fa la do desejo daqueles que querem
e do cam inho no Serm ão do Monte, Cristo andar no caminho estreito, que anelam ter
e sta v a dando ê n fase à ação de se in iciar um novo caráter e a vida eterna com Deus.
algo novo, u m a nova com unhão. A porta 3. A esco lh a en tre o s dois cam inhos.
fa la de a cesso a u m a nova e v iv a e x p e ­ Neste mundo só há dois cam inhos a serem
riência com Jesu s (Jo 10.9); e o cam inho é percorridos: 0 da vida e o da m orte, como
a nova conduta adotada p o r aqu eles que b e m fa lo u o p ro fe ta Je re m ia s (Jr 21.8).
abandonaram a trilh a do pecado, e agora Infelizm ente, a escolha de m uitos é pelo
seg u em o m elh o r e ú n ico c a m in h o (Jo cam inho amplo, p ois nele não h á restri­
14.6). É im portante atentar para os costu­ ções, tudo é perm itido. Contudo, m uitos
m es da época em que Cristo fez m enção à hom ens e m ulheres escolheram trilh ar o
porta e ao cam inho. É bem p ossível que, cam inho estreito, onde todas as coisas são
ao m encionar estes term os, Ele estivesse lícitas, m as nem tudo convêm (1 Co 10.23).
pensando na cidade de Jerusalém , pois as Pela porta la rga é p ossível p a ssa r as
cidades, em sua m aioria, eram m uradas obras da carn e (G1 5 19 -2 1): prostituição,
e tinham algu m as portas largas e outras im pureza, in im izad es, p orfias, p elejas e
estre itas. No p eríod o noturno a s p ortas todo tipo de pecado. Contudo, o destino
g r a n d e s e ra m fe c h a d a s , p e rm itin d o da p orta la rga e do cam in ho espaçoso é
ap e n a s que fic a sse m a b e rta s as p ortas a e tern id ad e s e m D eus. Porém , os que
estreitas. E ssa portinhola era chamada de escolhem 0 cam inho apertado, um dia vão
fundo de agulha e quem desejasse p assar m orar no céu e serão como a luz da aurora
por ela teria de faz e r m uito sacrifício. Às e com o luzeiros no firm am ento (Pv 4.18).
v e z e s , a p a s s a g e m d e u m c a m e lo com
m ercadoria por m eio dela era im possível,
sendo necessária a retirada da bagagem ,
SINOPSE II
e, ain d a assim , a p essoa teria que p assa r
ajoelh ad a. Foi n e ssa condição que Jesu s J e s u s m o s tr o u q u e e x is t e m a p e ­
afirm o u que “ estre ita é a p orta, e a p e r­ n a s d o is c a m in h o s : o la r g o e o
tado, 0 cam inho que leva à vida, e poucos e stre ito .
há que a en con trem ” (Mt 7.14).
2.0 que as duas portas e os dois cam i­
n h os ilustram p ara nós? A porta estreita
é a q ue conduz à v id a eterna (Jo 10.7-9). AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO
Jesu s estava m ostrando que h á um único
C am inho que pode conduzir 0 pecador à
vida eterna com Deus. Os atos religiosos e “ D ois c a m in h o s (M t 7 -13 , 14 )
as boas obras não podem levar 0 homem ao O ca m in h o d a m o rte e o d a v id a
céu; som ente a fé em Jesu s Cristo poderá a p a re ce n o A n tigo T e sta m e n to e na
conduzi-lo à vida eterna com Deus. literatura cristã prim itiva (Dt 11.26-28;
C e rta v e z , Je s u s d ec la ro u : “ P o rfia i 30.15-20). Jesu s, de form a típica, apre­
p o r en trar pela porta estreita, porque eu senta as opções diante da audiência em
vo s digo que m uitos p rocurarão en trar e paralelism o antiético: um a porta para

86 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E SSO R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
Pessoal, “ podem os facilm en te id en tifi­
a v id a ou u m a p o rta p a ra a m orte. A c á -lo s, porque, em seu s en sin am en tos,
m aioria d as p esso a s tom a o cam inho m in im iz a m a C risto e g lo rific a m a si
fácil, desastroso. A porta para a vid a é m esm o s”. T am b ém p od em os id e n tifi­
fácil e re stritiva ; os verd ad eiros d is­ c á -lo s p o r seu s fru to s (Mt 7.16). A árvore
cípulos são m in o ria. Dado o contexto pode estar frondosa, com m uitas folhas e
de M ateus, a dificuldade da p orta e s­ oferecendo um a boa som bra, m as se ela
treita é o cam in h o da ju stiça, n a qual não der bom fruto, será cortada (Mt 7.19).
Je su s h á p ouco in stru iu a s p e s s o a s ” A im agem do fru to, u sada p o r Cristo, se
(ARRINGTON, French L; STRONSTAD, refere ao c a rá te r e à conduta do profeta.
Roger (Eds.) Comentário Bíblico Pen- A in d a p o d em o s a c re sc e n ta r m a is um
tecostal - Novo Testam ento. R io de elem en to s ig n ific a tiv o p a ra d ete cta r 0
Janeiro: CPAD, 2 003, p.61). falso profeta: 0 seu ensino. Se ele ensinar
“ algum a ou tra doutrina e se não confor­
m a com as sã s p ala vras de n osso Senhor
Je su s C risto” (1 T m 6.3), é soberbo, nada
I I I - A M E N T IR A DOS
sab e e n ão d eve s e r recon h ecid o com o
FA L SO S P R O FE T A S p rofeta do Senhor.
1. Cuidado com as f a ls a s aparên cias. 3. Uma análise criteriosa. T an to no
Na a d vertên cia de C risto contra o s f a l ­ Antigo quanto no Novo Testamento vam os
s o s p ro fe ta s, o M estre a le rta a respeito encontrar m uitos fa lso s p rofetas que se
d a im p o rtâ n c ia d e e s t a r m o s se m p re levantaram p ara tentar e n gan ar os s e r­
v ig ila n t e s , p o is , a lé m de p e r ig o s o s e vo s de Deus. Em geral, eles profetizavam
d e s ed u z irem o u tro s a o e rro , os fa ls o s somente aquilo que as pessoas desejavam
profetas são lobos disfarçados de ovelhas. ou vir e não se can savam de d izer que foi
S ab em o s q u e 0 lo b o é 0 p re d a d o r d as 0 Senhor que disse. Ao en sin ar a respeito
ovelh as e que elas têm pouca capacidade do fu turo, Je su s a firm o u que “ su rgirã o
p ara f a z e r sua d efesa. m u ito s fa ls o s p ro fe ta s e e n g a n a rã o a
Je su s fez m enção aos fa lso s profetas m uitos” (Mt 24.11). Por isso, p recisam os
logo depois do ensino a respeito dos dois v ig ia r para não s e r enganados.
cam in h o s, p ois e stes, com su a s m en ti­
ra s , acabam levand o as p e s s o a s p ara o
cam inho espaçoso que conduz à perdição.
O crente p re cisa ter todo o cuidado e S IN O P S E III
e sta r con stan tem en te em o ração, b u s­ Jesu s advertiu q u an to à s m e n ­
cando discernim ento espiritual p ara não tir a s dos fa ls o s p ro fetas.
ser iludido pela boa oratória e as palavras
bo n itas dos que se dizem p rofetas, m as
n ão são. Os fa ls o s p ro fe ta s p o d em até
parecer dóceis, m ansos, se vestirem como AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO
ovelhas, m as por dentro são lobos vorazes
(At 20.29). Esses dem onstram ter piedade,
faz e m lo n gas oraçõ es, p rofetizam , m as “ Os Verdadeiros P rofetas e os Fal­
é tudo a parên cia (2 T m 3.5). so s Profetas (7.15-23). A advertência de
2. Como d etectar o s fa ls o s profetas? Jesu s sobre os falsos profetas tem uma
De acordo com a Bíblia de Estudo Aplicação

A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E S S O R 87
lição oportuna p ara a igreja atual. Só p ro d u z ir ju stiç a o com pele a rep etir
M ateus registra a advertência sobre os 0 tem a. [...] E m M ateu s 12.33,35 Jesu s
falso s profetas que são lobos vestidos une a acusação dos fariseus (de que Ele
(endym a) com o o v elh a s (probaton). faz 0 bem pelo poder do m al) com dar
E s ta s d u as p a la v ra s faz e m p arte do m au s fru to s e a c h am a de b la sfê m ia
vo cab u lário p referid o de M ateus: Ele contra 0 Espírito Santo” (ARRINGTON,
u sa o term o e n d ym a p a ra d iz e r que Fren ch L.; STRONSTAD, R oger (Eds.).
as roupas são necessidade básica (Mt Com entário Bíblico Pentecostal Novo
6.25,28) e p ara id en tificar esp ecifica­ T e s ta m e n t o . 2 .e d . R io d e Ja n e iro :
m ente a s p essoas que usam vestuário CPAD, 2004, p.6l).
e x c lu s iv o c o m o p a r te do R e in o de
Deus (M t 3 -4 ; 2 2 .11,12 ; v e ja tam bém
M t 28.2,3); ele u sa o term o probaton
p ara d esc re v e r os e leito s ou o p ovo CONCLUSÃO
de Israel (e.g., M t 10.6; 15.24 ; 25.32,33). A B íblia revela que Deus é bom e que
Neste ponto Jesu s e n fatiza que às v e ­ E le p a r t ilh a d a su a b e n ig n id a d e com
z es os fa lso s p ro fetas n ão podem ser s u a s c r ia t u r a s , cu id a n d o d e la s , q u er
d iscernidos só p o r p a la v ra s ou ações. seja m b o as, q u er s eja m m ás (M t 5 -4 5 )-
Em bora façam g ran d io so s m ila g re s E le não som en te p rovid en cia as c o isas
(Mt 7.22), p odem ser falsificações. m ate ria is p ara n ó s, m as, e m e sp e cia l a
O E v a n g e lh o d e M a te u s to rn a n o ssa sa lv a çã o . A s a lv a ç ã o é resu ltad o
0 fr u to d o s p r o fe t a s a v e r d a d e ir a da g ra ç a e do a m o r do Pai (Jo 3.16).
p ro v a de ta is m in isté rio s. O c aráter E ste ja m o s se m p re e m a le r ta , p ois
é e sse n c ia l. O e v a n g e lis ta c om en ta e x iste m a qu eles que q uerem m ac u la r e
m uitas ve z es o tem a de á rv o re s boas ad u lterar os e n sin o s de n o sso S alvad o r
e ruin s e seus frutos; seu interesse em Je su s Cristo.

REVISANDO O CONTEÚDO
1. De acord o com a lição, d e fin a a p a la v ra “ bo n d ad e” .
A p alavra “ bondade” é definida com o qualidade ou caráter de bom ; b oa índole,
b en evolên cia, b ran d ura e boa ação.
2. Como a bondade é d escrita filo so ficam en te?
F ilo soficam en te, a b ondade é d esc rita com o s en d o o p rin cíp io m a is e levad o
d a m oral.
3. Q uais são o s d o is c a m in h o s segu n d o M ateu s 7.13,14 ?
0 c am in h o estre ito e 0 c am in h o largo .
4. Qual a p orta que conduz à v id a eterna?
É a p o rta e streita.
5. C om o d ete cta r o s fa ls o s p ro fetas?
Podem os fa c ilm e n te id e n tific á -lo s , p o rq u e em se u s e n sin a m e n to s, m in i­
m iz a m a C risto e g lo rific a m a s i m e sm o s”. T am b ém p od em os id e n tificá -lo s
p o r seu s fru to s (M t 7 16 ).

8 8 LIÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E SSO R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
LIÇÃO 13
2 6 de Ju n h o d e 2 0 2 2

A VERDADEIRA
IDENTIDADE DO CRISTÃO

TEXTO ÁUREO
VERDADE PRÁTICA
“ N em todo o q u e m e diz:
No R ein o d e D eus, n ão basta
Senhor, S en h o r! en trará no
o u v ir p ara se iden tifica r com
R ein o dos céus, m as a q u ele que
0 Salvador, é p reciso praticar
fa z a v o n ta d e d e m eu P ai, que
0 q u e se aprendeu.
está nos cé u s." (Mt 7.21)
V_____________________________

L E IT U R A D IÁ RIA
S e g u n d a - 1 Co 4 20 Q u inta - l Co 3 1 0
0 R ein o de D eus n ão c o n siste só A co n sciê n cia de com o e stam o s
em p a la v ra s, m as em v irtu d e edifican d o 0 n o sso alicerce
T e rç a - 1 Jo 3.18 S e x ta - 1 Co 1 1 .1 ; E f 5 .1; 1 T s 1.6
Não d evem os am ar só de p alavras, Im itan do 0 d ivin o m estre
m as por obra e em verdade n a a rte de v iv e r
Q uarta - SI 12 7 .1 S áb ad o - 1 Jo 3 2
0 a lic e rc e de toda a n o ssa P ara s e r s em elh an te ao n osso
e d ificação e sp iritu a l S en h o r Jesu s

A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E S S O R 89
LE ITU R A BÍBLICA E M CLASSE

M a te u s 7 . 2 1 - 2 7
2 1 - Nem todo 0 que me diz: Senhor, Senhor! - lo - e i ao hom em prudente, que edificou
entrará no Reino dos céus, mas aquele que a sua casa sobre a rocha.
faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. 25 - £ desceu a chuva, e correram rios, e
2 2 - Muitos me dirão naquele Dia: Senhor, assopraram ventos, e combateram aquela
Senhor, não p ro fetizam os nós em teu casa, e não caiu, porque estava edificada
nom e? E, em teu nom e, não expulsamos sobre a rocha.
dem ônios? E, em teu nome, não fizem os 2 6 - E a q u e le q u e o u ve estas m inhas
muitas m aravilhas? palavras e as não cumpre, com pará-lo-ei
2 3 - E, então, lhes d irei abertam ente: ao hom em insensato, que edificou a sua
Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, casa sobre a areia.
vós que praticais a iniqüidade. 2 7 - E desceu a chuva, e correram rios, e
2 4 - Todo aquele, pois, que escuta estas assopraram ventos, e combateram aquela
minhas palavras e as pratica, assemelhá- casa, e caiu, e fo i grande a sua queda.

Hinos Sugeridos: 3 3 , 77, 577 da Harpa Cristã

PLANO DE AULA

1 . INTRODUÇÃO B) M o tiv a ç ã o : A n o ssa fé p ode ser


M ed ian te a g ra ç a e a m isericó rd ia d em o n stra d a som en te p o r p a la v ra s?
do Pai, hoje som os súditos do Reino de Os m ila g r e s t r a n s fo r m a m o c a r á ­
Deus e, com o tal, p re cisa m o s fa z e r a ter? E m quem e sta m o s a lic e rç a d o s?
d iferença, viven do com o “ s a l” e “ lu z” J e s u s C r is t o é a n o s s a v e r d a d e ir a
n e s te m u n d o te n e b ro so . N ão b a s ta id en tid ad e?
d izer que é crente, p ro fe rir o nom e de C) S ugestão de M étodo: Sugerim os
Jesu s e ouvir as suas p alavras: é preciso que p a ra a in tro d u ção d a lição , você
m a is — p ra tic a r o que a prendeu com faç a a seg u in te p ergu n ta: A pregação,
o M e s tre . N ão p o d e m o s s e r a p e n a s os m ila g re s e m a r a v ilh a s re a liz a d o s
o u v in t e s , m a s p r a t ic a n t e s , p o is o em nom e de Je s u s s ã o p ro v a s c a b a is
R eino de Deus n ão c o n siste som en te de um verd ad eiro d iscíp u lo de Cristo?
de p a la v ra s, m as em v irtu d e. In cen tive a p articip a çã o d os a lu n o s e
ouça as respostas com atenção, fazendo
2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO a s o b se rv aç õ es n e c e ssá ria s. Explique
A) O b jetivo s d a L ição : I) E x p lica r que D eus n ão se im p ressio n a com a s
com o s e d a rá a condenação d os fa lso s lis o n ja s h u m a n a s e a fa ls a p ied ad e.
seg u id o res de Je su s; II) C on scien tizar N em todo que d iz “ Sen h o r, S e n h o r”
so b re em quem e sta m o s alicerçad os; (M t 7.1) e n t r a r á n o R e in o d e D eu s.
III) C om preen der q ue Je su s é a n o ssa E n fa tiz e que h a verá con denação p ara
v e rd a d eira identidade. os fa ls o s segu id ores.

9 0 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E S S O R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
3 . CONCLUSÃO DA LIÇÃO B) A u xílio s E speciais: Ao fin al da li­
A) A plicação: O Serm ão do M onte é ção, você encontrará a uxílios que darão
o cód igo de é tica dos s ú d ito s do R eino suporte n a preparação de su a aula: 1) O
de D eus. P r e c is a m o s c o n h e c e r e s s e prim eiro texto, "O Julgam ento d ivino”,
código de ética e v iver tudo o que Jesu s tra ta sobre o s fa ls o s d iscípulos. E sta é
Cristo ensinou no seu m ais im portante um a re fle x ã o e x tra íd a do Comentário
serm ão. Que seja m o s m ais bondosos e Bíblico Pentecostal Novo Testam ento a
ético s em n o ssa s p a la v ra s e a titu d es, re sp e ito de M ateu s 7.21,22; 2) O texto
m o s tra n d o a o m un d o a lu z d e Je s u s “ A Conclusão do S erm ã o ” fo i e x traíd o
Cristo. Você foi cham ado(a) p ara faz e r a d o Com entário B íblico B eacon e tr a ta
diferença. Então com o você tem vivido? d a p a r á b o la de J e s u s a r e s p e ito d os
4 - SUBSÍDIO AO PROFESSOR co n stru to re s sá b io s e os con stru to res
A) R e v ista E n sin a d o r C ristão . Valeto lo s; 3) O te rc e iro te x to , " 0 E pílogo
a p en a co n h ecer e s s a re v ista que traz d o S e rm ã o ” , tam b ém foi e x tra íd o do
r e p o r t a g e n s , a r t ig o s , e n t r e v is t a s e C o m en tário B íblico P en teco stal Novo
s u b s íd io s de a p o io à L ições B íblicas. Testamento e tem como objetivo analisar
Na e d iç ã o 8 9, p .4 2 , v o c ê e n c o n tra rá a conclu são de Je su s C risto no Serm ão
um su b síd io e sp e cia l p ara e sta lição. do M onte.

COMENTÁRIO

IN T R O D U Ç Ã O p re ciso colo car em p rática o que se diz.


C h egam o s à ú ltim a liç ã o a resp eito Por isso, o apóstolo Paulo e screve que o
do Serm ão do Monte. Em sua m ensagem Reino de Deus não consiste só em palavras,
conclusiva, N osso Senhor m ostra m as principalmente em virtude (1
ao s d iscíp ulos que eles devem ^ Co 4.20). 0 apóstolo João ensina
fa z e r a d iferença no m undo. que n ão devem os am ar só de
N e s ta liç ã o , v e re m o s que P alavra -C h ave X palavras, m as p or obra e em
e ssa d iferença não pode ser
só de p ala vras, m as p rin ci­
Identidade f verdade (1 Jo 3.18). É claro que

r
o S enh or Jesu s não rejeita a
palmente no modo de viver. É c o n fis s ã o v e rb a l e sin ce ra ,
p reciso o u vir e p raticar 0 que quando esta resulta de um co­
Je su s ensinou . N isto co n siste a ração transform ado (Rm 10.9,10).
verdadeira identidade dos discípulos Sim , a fé c ris tã tam bém é c o n fissã o .
de Jesus. Entretanto, p ara que e ssa co n fissão seja
autenticamente crista tem de ser genuína
I - A CO NDENAÇÃO DO S FA LSO S e sincera, provada pelas verdadeiras ações
S E G U ID O R E S D E J E S U S submetidas ao senhorio do nosso Salvador.
1. Um a fé s ó de p ala vras? Em M ateus 2. Os m ila g re s n ã o tra n s fo rm a m o
7.1, o texto diz: “ Nem todo 0 que m e diz: caráter. 0 versículo 23 do capítulo 7 revela
S e n h o r, S e n h o r!” . E s s e te x to m o s tr a a justificativa dos impenitentes a respeito
que, no Reino de Deus, apenas expressar dos m ila g re s que fiz e ra m em nom e de
p ala vras em seu nom e não basta, m as é Jesus. Infelizm ente, m uitos p en sam que

A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2 LIÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E S S O R 9 1
realizar grandes m ilagres, ou desenvolver
grandes m inistérios em nome de Cristo é
a prova de fazer a vontade de Deus. Nosso SINOPSE I
Senhor, quando do seu m inistério terreno, O s f a l s o s s e g u id o r e s d e Je s u s
nun ca se im pressionou com a s lison jas C r is to s e r ã o c o n d e n a d o s .
hum anas (Lc 11.27,28). A Bíblia rechaça a
fa ls a piedade (Tg 2.18-20). Aqui, o ensino
do S enh or Je su s m o stra que a pregação,
os m ilagres e m aravilh as realizad o s em
seu nom e n ão sã o p ro v a s cab ais de um AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO
ve rd a d e iro d isc íp u lo de C risto . N osso
Senh or m o stra que h a verá condenação O Ju lg a m e n to D ivino
p ara o s fa lso s segu id ores de Jesu s, pois “ Os d iscípulos não serão ju lgados
eles serão desm ascarados e não entrarão pelo que d izem ou p e la s m a ra v ilh a s
no Reino de Deus (Mt 25.31-46). Sejam os, que faz e m , m a s p elo c a rá te r v iv e n -
p ois, cuid ad osos quanto a m ovim entos ciado neste mundo. Jesu s sustenta que
qu e dão ê n fa s e a p e n a s em m ila g re s e m isericórd ia dada será recebida com
m ara v ilh a s, m as não cuidam do d esen­ m isericórdia (Mt 5.7; 6.14). Isto nunca
volvim ento do caráter cristão (G1 5.22-24). p o d e s e r s im p le s o b ra s d e ju stiç a ,
3. F a z en d o a v o n ta d e do P ai. O v e r ­ um a v e z que os v erd ad eiro s crentes
d ad eiro d iscíp u lo de C risto é o que vive sabem 0 quão desesperadam ente eles
em to ta l o b e d iê n c ia a D eu s, fa z e n d o carecem de m ise ric ó rd ia , a m is e r i­
su a vontade: “ [...] M a s aqu ele que fa z a córd ia de Deus (Mt 5 -7 ; 6.12). M ateu s
vontade do m eu Pai, que e stá n o s c é u s” q u e r q u e o títu lo ‘ S e n h o r’ (k y rio s)
(Mt 7.21). Do g r e g o thelêm a, a p a la v ra seja m ais que m ero título de respeito,
vo n ta d e s ig n ific a um a d ete rm in a ç ão , v isto que e le e stá escreve n d o depois
e s c o lh a a tiv a , ou p a s s iv a , in c lin a ç ã o d a re ssu rre iç ã o de Je su s e que Je su s
(desejo, prazer, vontade). Fazer a vontade assu m e a p rerro gativa d ivin a do juiz
do Pai é obedecer com determ inação aos do tempo do fim (Mt 7.23). A expressão
se u s p receitos, a sua P a la vra . Je su s é o ‘ naqu ele D ia’ (v. 22) r e fe r e - s e ao dia
nosso grande m odelo de faz e r a vontade do ju lgam ento (cf. M t 24.36; L c 10.12).
d e D eus, Ele fe z is s o em tudo, sem p re R epare tam bém na c a ra c te rístic a de
obediente. E ssa é tam bém um a condição M ateu s: ‘R e in o dos C é u s’ (M t 7 -21 )-
que D eus n o s e x ig e p ara e n trar em seu E ste ‘g o v e rn o d e D e u s’ re q u e r a to s
Reino. Nesse sentido, todos quantos que­ d e m is e ric ó rd ia c o m o s in a l d e que
a m ise ric ó rd ia de Deus fo i receb id a
rem f a z e r a v o n tad e de D eus p rocuram
no coração , p o is o s e u R ein o d e m i­
fu g ir do pecado. P o r is s o d evem os o ra r
se ric ó rd ia v is a d ar p erd ã o ju ríd ico ,
a Deus assim : "S e ja feita a tua vo n tad e”
bem com o tra n s fo rm a r a n atu reza,
(M t 6 .10 c f. 2 6 .3 9 -4 2 ; SI 10 3.2 0 ,2 1). É a
d isp o siç ã o e c a rá te r d o re c ip ie n te ”
vontade do Pai que 0 Espírito Santo p ro ­
(ARRINGTON, French L; STRONSTAD,
d u za o v e rd a d eiro c a rá te r de C risto em
R o g e r (E d s.) C o m e n t á r io B íb lic o
nós. Portanto, orem os com o 0 salm ista:
P e n te c o s ta l N ovo T e sta m e n to . Rio
“ E n sin a -m e a fa z e r a tu a vo ntad e, pois
de Jan eiro : CPAD, 2003, p.62).
tu és 0 m eu D eus; g u ie -m e o teu bom
E sp írito p o r terren o p la n o ” (Sl 143.10).

9 2 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E S S O R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
II - EM QUEM ESTAMOS estabilizado; m as quem constrói sobre a
ALICERÇADOS? areia está fragilizad o, instável.
1 .0 alicerce com eça pelo ouvir. Para Quem ed ifica n a ro ch a e stá firm ado
s e r um verd ad eiro d iscípulo de C risto é p ara s u p o rtar o s re v e z e s da v id a ; a in d a
preciso ouvir a sua Palavra (Mt 7.24). Suas que os ventos enfurecidos soprem , vindo
p a la v ra s sã o e ternas, esp írito e vid a (Jo de todas as d ireções, nada a abalará a fé.
6.33,68). Por m eio delas, o interior do ser T o d avia, p ara a c a sa ed ificad a na areia,
humano é transformado verdadeiramente. que expressa indecisão, dúvida, negação,
a q ueda é c erta. S igam os o c o n se lh o de
Atente p ara a e x p re ssão “ m in h as p a la ­
Paulo: “ [...] v e ja cad a um com o e d ifica
v ras” (Mt 7 -24 )- No grego, a palavra é logos,
sobre e le [o fu n d am en to ]” (1 Co 3.10).
m as, no texto, ela se encontra no genitivo
3. A re le v â n c ia do p ra tic a r. E scu tar
(um m odo da gram ática grega) cuja ideia
e p ra tic a r a s p a la v r a s de C risto sã o as
central é de posse. Não é qualquer palavra
p ro v a s d e q u e 0 d isc íp u lo e stá p ron to
que devem os ouvir, m as a de Jesu s. E ssa
para viver em plena obediência a Deus. Ao
p ala vra é p oderosa, é o logos, conform e
que ouve e pratica (Mt 7.24,26), 0 Senhor
a lin g u a g e m de Jo ã o , Je s u s C risto é a
Je su s 0 cham ou de con strutor prudente,
e sse n c ia l P a la v ra de D eus, a sab ed o ria
do g rego, phronim os, que aparece com o
p e rfe ita u nida ao P ai (Jo 1.1; Cl 1.17 ; 1 Jo
ad jetivo e quer d izer in teligen te, sábio;
1.1). Assim , os que querem construir a sua
p o is a p esso a pruden te n ão fu n d am en ­
casa espiritual precisam com eçar a ouvir
tou a su a vid a n o s e fêm ero s p ostu lad os
0 que 0 grande engenheiro da eternidade
hum anos, m as na grande rocha eterna, 0
disse. Ele é 0 alicerce de nossa edificação
S enh or Jesu s. Já 0 segundo c on stru tor é
esp iritu al (Sl 127.1).
descrito com o insensato, p ois ouve, m as
2. A im p o rtân cia do bom alicerce. Os
não p ra tica os e n sin o s do M estre. Aqui,
que lidam com a construção civil sabem
do g re g o môros, a p arece com o a d jetivo
0 quanto é im portante a construção dos
tolo, ím pio, incrédulo, m otivo pelo qual
alicerces. Quando se ergue um edifício com
os q ue s ã o a ssim , n ão a ten tam p ara as
os a licerces m al e struturad os, a ru ína é
p a la v r a s de Je su s. A ssim , p ercebem o s
certa. De início, todo investimento pesado dois tipos de p essoas n esta seção bíblica
deve ser nas bases. Por isso, pedagogica- em estudo: o p ru d en te e o in se n sa to . O
m ente, ao concluir o S erm ão do M onte, prudente p rocu ra a g ir corretam en te de
Jesus toma as figuras dos dois construtores a c o rd o c o m o q u e ou viu . O in s e n s a to
e dois alicerces: um prudente, que edifica ouve, m a s d esp reza o e n sin o de C risto,
n a ro ch a; outro in se n sa to , que ed ifica n ão o p õ e em p rá tic a . C om q ue tipo de
na areia (M t 7.24-27). A s d uas p a la v ra s p e sso a do S erm ão d o M onte você m ais
gre g a s, am b as su bstantivos fem ininos, se id e n tifica ? S o b re q u al fu n d am e n to
que aparecem no texto, é petra e amnos. você tem edificado? Na rocha ou na areia?
Petra s ig n ifica p enh asco ou cordilheira
de pedra, rocha projetada, solo rochoso,
gran de pedra, traz o aspecto m etafórico
d e firm e z a , fo rta le z a ; am nos significa SINOPSE II
a re ia , te rr a a re n o s a , a r e ia m o v e d iç a ,
D e v e m o s e s t a r a lic e r ç a d o s s o ­
que m etafo ricam en te quer d izer fraco,
b r e a R o c h a q u e é J e s u s C risto .
sem estabilid ad e. L ogo, q uem constrói
seu s a licerces sobre a ro ch a e stá firm e,

A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E S S O R 9 3
Os não religiosos veem Jesus como um ser
AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO ilum in ad o, u m g ran d e m e stre que não
p rega d o g m a s, n ão e x ig e m o ra lism o s
“A Conclusão do Serm ão (7.24-29) dos seres h um anos, m as a p en as ensin a
a) Ilustração Final (7.24-27). Aquele o am or, as boas v irtu d es, a m oral. Para
que ouve e pratica é com o um homem eles, esse seria 0 Jesu s de Nazaré original.
que con stru iu a sua c a sa so b re a r o ­ A p e sa r de b e líssim a s as m en sagen s de
ch a. Q uando a s te m p e sta d es batem Je su s e n sin a d a s n o S erm ã o do M onte,
c o n tra a c a s a c o m to d a a su a fú ria , não pod em o s is o lá - la s de todo o Novo
ela a in d a p erm an ece firm e. O term o Testam ento. Os E vangelhos apresentam
e n c h e n te , u t iliz a d o p o r a lg u m a s o Senh or Je su s com o um p re g a d o r que
versões, sig n ifica , literalm en te, rios. ch am a p ecad ores ao a rrep en d im en to e
O c lim a da P a le stin a é com o o do sul para n ascer de novo a fim de e n trar en­
da Califórnia, sob m uitos aspectos. Os trar n o seu Reino (Mt 4.17; Jo 3.3). A ssim ,
le ito s dos rio s fic a m seco s d urante a o S erm ão do M onte n ão a p re se n ta um
m aio r p a r te do ano. M a s q u an do a s m estre m eram ente humano, m as o Filho
c h u v a s do in v e rn o e d a p rim a v e r a de Deus que nos tro u xe salvação, o qual
chegam , surgem as inundações. Jesus devem os im itá -lo em toda a n o ssa vida
retrato u o o u vinte d escu id ad o com o (1 Co l l .l ; E f 5.1; 1 T s 1.6).
u m h om em q ue de fo rm a in se n sa ta 2. A au to rid ad e do e n sin o d e Cristo.
co n stru iu a sua c a sa so b re a areia, e Quando 0 Senhor concluiu 0 ensinamento
então a perdeu. A s c a sa s na Palestina do S erm ão do M onte, a m ultidão estava
são em sua m aioria c o n stru íd as com a d m ira d a , a sso m b ra d a , m a ra v ilh a d a
p e d ra s ou com tijo lo s se c o s a o so l. com 0 que acabara de ouvir. E la v ia que 0
Quando as tem p estad es d isso lve m a n o sso Senh or en sin ava com autoridade.
arg a m a ssa , a s paredes tendem a cair. E ssa a u to rid ad e v in h a d ire tam e n te do
b) A R eação da M ultidão (7.28-29). P a i (Jo 10 .18 ; 1 7 2). A p ó s re s s u sc ita r, 0
Quando Je su s concluiu 0 seu serm ão, S e n h o r Je su s d isse : “ T o d a au to rid ad e
0 povo se adm irou da sua doutrina ou m e fo i d a d a ” (M t 2 8 .18 - N AA). Is s o
m elhor, do seu ‘ e n sin o ’. E le e n sin a ­ d e ix a c la ro q u e o e n sin o de Je su s n ão
v a com a u to rid ad e (29). A s p e s s o a s é h u m an o , m a s d iv in o e p od ero so (Mt
co m u n s s e n tir a m a su a au to rid ad e 5.18,20,22). A ssim , som os cham ados pela
d ivin a , que fa lta v a a o s e sc rib a s, e a Palavra de Deus a reconhecer que a nossa
reverenciaram .” (CHILDERS, Charles a u to rid ad e p a ra p re g a r, e v a n g e liz a r e
L.; EARLE, Ralph; SANNER, A. Elwood e n sin a r v e m do S en h or Je su s, p o is su a
(Eds.) C o m e n tá rio B íb lic o B eaco n : P a la v ra é v iv a e e fic a z (Hb 4.12).
M ateus a Lucas. Vol.6. R io de Janeiro: 3. Jesu s com o nossa identidade. Numa
CPAD, 2006, p.69). p ersp ec tiva a resp eito da d ou trin a das
Últimas Coisas, 0 apóstolo João disse que
quando o S enh or Je su s se m an ifestar, o
verem os e serem os sem elhantes a Ele (1 Jo
I I I - J E S U S : A NOSSA 3.2). Entretanto, para chegarm os lá, é pre­
VERDADEIRA IDENTIDADE c iso andar com o “ filh os de Deus” agora,
1. Jesus, nosso m aior pregador. Muitos desenvolvendo a s beatitudes ensinadas
filósofos, cientistas e p essoas esotéricas p o r Jesu s, sendo sa l e luz n este m undo,
gostam do pregador do Serm ão do Monte. priorizando a ju stiça de Deus, viven do 0

94 LIÇ Õ E S B ÍB L IC A S • P R O F E SSO R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
am or de Cristo, orando, jejuando, ofertan­
do de m aneira sincera. A ssim , vam os nos q u e M o isé s te ve c in c o liv r o s d a lei
identificando cada vez m ais com Je su s e no P en tateu co [...].
form ando a nossa verdadeira identidade. O que se segu e é u m a ob servação
Portanto, som os cham ados a entrar pela da resposta das m ultidões aos ensinos
porta estreita, produzir frutos verdadeiros, de Je su s, os q u a is e la s recon h ecem
rejeitar o form alism o e p rocu rar faz e r a q u e s ã o a u to riz a d o s , ao c o n trá rio
vontade de Deus com verdade. E ssa tem dos e n sin o s d os m e stre s da lei (veja
sido a sua identidade? tam bém M c 1.2 1-2 7 ; Lc 4 -31 - 37 )- M a ­
teus e stá d irecionando 0 espanto das
p esso a s p ara as a firm açõ es de Jesu s,
a fim de que Ele seja o In térprete da
SINOPSE III n o va lei, c u ja s p a la v ra s serã o a base
J e s u s é a n o s s a v e r d a d e ir a de ju lgam ento no ajuste de contas do
id e n tid a d e . tem po do fim ” (ARRINGTON, French
L.; STRONSTAD, R o g e r (E d s.). C o ­
m e n tá rio B íb lico P e n te c o sta l N ovo
T e s ta m e n t o . 2 .ed. R io d e Ja n e iro :
CPAD, 2004, p.62).
AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

“ 0 E p ílo g o do S erm ã o (7.28,29)


É e v id e n te que M a te u s q u e r que CONCLUSÃO
e s t a s e ja a c o n c lu s ã o d a p rim e ir a 0 ensinam ento do Serm ão do Monte é
seção p rin cip al dos e n sin os de Jesu s, para ser posto em prática, não apenas para
porque ele e n c erra com a s p a la v ra s: ser adm irado ou debatido. A sua preciosi­
‘C o n clu in d o Je s u s e ste d is c u rs o ’ (v. dade só pode ser provada verdadeiramente
28). C ad a um a d a s c in c o p rin c ip a is quando p raticam os o que o serm ão nos
u n id a d e s p e d a g ó g ic a s q u e M a te u s ensina. Então verem os 0 quanto a virtude
apresenta tem um desfecho narrativo do Reino de Deus tem um padrão elevado
sem elh an te (Mt 7 -2 8 ; l l . l ; 13-53 ; 19 -1; e celestial. Sua ética não é d este mundo,
26.1). Je su s é 0 n ovo M o isé s que tem m as do céu. P ara v iv ê - la é p re ciso ter 0
c in c o a p r e s e n ta ç õ e s p r in c ip a is da caráter transform ado a fim de que, com 0
lei n o va ou T orá, da m esm a m an eira nosso viver, glorifiquem os a Deus.

A n otaçõ es do P ro fe sso r
C liq u e a q u i p a r a fa z e r s u a a n o t a ç ã o

A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2 LIÇ Õ E S B ÍB L IC A S •P R O F E S S O R 9 5
REVISANDO O CONTEÚDO

1. Segu n d o a lição, o que a e x p re s s ã o “ Nem to d o o que m e d iz: Sen h o r, S e­


n h o r!” que dizer?
E sse te x to m o stra que, n o R eino de D eus, a p e n a s e x p re s s a r p a la v ra s em seu
nom e n ão b a sta , m as é p re ciso colo car em p rá tica o que se diz.
2 . Q uem é o v e rd a d eiro d iscíp u lo de C risto?
2. 0 ve rd a d eiro d iscíp u lo de C risto é o que v iv e em total ob ed iên cia a Deus,
faz e n d o s u a vo n tad e (M t 7.21).
3. Que fig u r a s o S en h o r Je su s tom a p a ra co n clu ir o serm ão?
A fig u ra do sáb io c o n stru to r e do tolo.
4. C om o o s E va n ge lh o s a presen tam a Jesu s?
Os E v a n g e lh o s a p re se n ta m o S e n h o r Je su s com o u m p re g a d o r que c h am a
p ecad ores ao a rrep en d im en to a n a scer de n ovo p ara e n tra r n o seu Reino.
5. Você tem se id en tificad o com o s e n sin a m e n to s do S erm ã o do M onte?
R esp o sta de cun h o p essoal.

LEIT U R A S PA R A APROFUNDAR

Igreja - Identidade Novo Manual dos


e Símbolos Usos e Costumes dos
A o a t r a v e s s a r e m e r a s e c u lt u r a s , Tempos Bíblicos
m u it a s p a l a v r a s m u d a m d e E s s a n o v a e d iç ã o e s t á r e p le t a de
s ig n ific a d o . É o c a s o d e u m a d a s fo t o s , m a p a s e g r á f i c o s , q u e a b r ir ã o
m a i s im p o r t a n t e s p a l a v r a s d a B íb lia : s e u s o lh o s p a r a o s e s t i lo s d e v i d a e
e k k l e s ia , Ig r e ja . h á b it o s d o s p e r s o n a g e n s b íb lic o s .

96 L IÇ Õ E S B ÍB L IC A S •P R O F E S S O R A B R IL •M A IO • JU N H O 2 0 2 2
MAIS QUE UMA
BÍBLIA DE ESTUDOS,
UMA COMPANHEIRA
DE TODAS AS HORAS
Em niais de 25 anos de ex istên cia , a B íb lia de E stud o Pentecostal
(B EP ) se tornou uma com panheira presente nos cultos, nos devocionais
e na leitu ra d iá ria d e cen ten as de m ilh ares de b ra sile iro s, indo m uito
além de sua fun ção p rim ária de se r um a B íb lia para estu d o s segun do
a dou trin a p en tecostal.

Ao lon go d e todo e sse tem p o , o p ro jeto da B E P am p lio u -se, passando


a in clu ir as im p ressõ es em várias c o re s d e cap a e form atos, a edição
com a H arpa C ristã e as v e rs õ e s com con teúdo p ró p rio e exclu sivo
para crian ças e jo v en s.

N este an o d e 2022 , ela p assa p o r uma g ra n d e refo rm u lação , com a


revisão d o s m ateriais de estu d o , reo rgan ização das notas e adequação
do texto con form e o N ovo A co rd o O rto g rá fic o da L ín gu a Portugu esa.

A B íb lia de E stud o Pen tecostal se ap erfeiço a para con tin u ar sen do o


que sem p re foi: a B íb lia núm ero 1 no coração dos cristão s b ra sileiro s.
CELEBRANDO
100 ANOS
DE LOUVOR A DEUS!
Um v e r d a d e ir o c o m p ê n d io m u s ic a l, h is tó r ic o e d o u tr in á r io q u e n o s
e le v a p a ra a in d a m a is p e rto do S e n h o r J e s u s . E x p e r im e n te o lo u v o r
a D e u s a t r a v é s d a H a rp a C r is t ã , o H i n á r i o P e n t e c o s t a l d o B r a s i l .

A c e s s e n o s s o s it e .
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