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TRATAMENTO BIOLÓGICO

DE EFLUENTES SANITÁRIOS
A EVOLUÇÃO DA TECNOLOGIA

EDUARDO PACHECO JORDÃO, DR. ENG.


Escola de Engenharia – Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2021

EVOLUÇÃO DOS PROCESSOS NO SANEAMENTO

ETE_2.0_UCCW_Jordão
O início – sistemas simples de
privadas sanitárias

• Privadas de buraco
• Privadas higiênicas
• Privadas sanitárias
• Fossas secas
• Fossas e tanques sépticos
• Sumidouros
• Valas de filtração
• Valas de infiltração

Sistemas simplificados de privadas


sanitárias e disposição final

ETE_2.0_UCCW_Jordão
Sistemas simplificados
de banheiros coletivos

Sistemas simplificados de
banheiros coletivos e
disposição final
Sistemas de
disposição
final com
tratamento e
irrigação do
efluente

ETE_2.0_UCCW_Jordão
 Banheiro comunitário, Haiti
 Projeto OIA/Viva Rio

ESTAÇÕES DE TRATAMENTO

DECISÃO: COMO E QUANTO TRATAR

ESGOTO BRUTO + POLUENTES

 DEFINIR GRAU DE TRATAMENTO


 DEFINIR PROCESSO DE TRATAM
 ELABORAR PROJETO - ETE

ESTUDO DO CORPO RECEPTOR E


LEGISLAÇÃO AMBIENTAL

ETE_2.0_UCCW_Jordão
QUANTO TRATAR

1ª PERGUNTA:

QUAL O GRAU DE TRATAMENTO ?

Trat. Preliminar  grades, desarenador


Trat. Primário  decantadores, UASB
Trat. Secundário  Filtros Biológicos,
Lodos Ativados
Trat. Terciário  Remoção de N, P, CF

+
Tratamento do Lodo  Digestão, Secagem

GRAU %Remoção DBO e SST CF

Trat. Primário  ~ 25 % ~ 80%


Trat. Secundário  80 – 90 % ~ 90%
Trat. Terciário  90 – 95 % ~ 90%
Desinfecção  -- ~ 99%

Trat. Primário  Sedimentação, UASB


Trat. Secundário  Filtração Biológica,
Lodos Ativados, Lagoas
Trat. Terciário  Filtração, Desinfecção

ETE_2.0_UCCW_Jordão
Opções no
Tratamento Biológico Aeróbio

 Filtração Biológica – efic. ~ 80 – 90%


 Lodos Ativados – efic. ~ 85 – 95%
 Lagoas Facultativas – efic. 75 – 85 %
 Lagoas Aeradas*– efic. ~ 80 – 90%
* seguidas de lagoa de sedimentação

Filtro Biológico – meio suporte fixo


Os Filtros Biológicos foram a primeira opção para o tratamento
biológico nas ETEs de médio e grande porte.

• Meio Suporte  brita

- Primeiros Filtros Biológicos –


aspersores fixos para distribuição do
afluente em leito de pedras (brita c/
3 a 8 cm).

-- F.B. evoluiram para sistema com braços


rotativos de distribuição do afluente.
(brita com 3 a 8 cm).

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Filtro Biológico Percolador

Descrição do processo
Componentes do FBP

Dispositivo de
Distribuição

Meio Suporte

Sistema de
Efluente
Afluente drenagem

Fundamentos do Processo
• Alimentação e percolação contínua do esgoto
através do meio suporte.
• Crescimento e aderência de massa biológica
na superfície do meio suporte.
• A aderência é favorecida pela predominância
de colônias gelatinosas (“Zooglea”), mantendo
suficiente período de contato da biomassa
com o esgoto.

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Fundamentos do Processo
• A massa biológica agregada ao meio suporte
retém a matéria orgânica contida no esgoto,
através do fenômeno de adsorção.
• As substâncias coloidais e dissolvidas são
transformadas em sólidos estáveis em forma
de flocos facilmente sedimentáveis.
• A síntese de novas células promove o
aumento da biomassa.

Fundamentos do Processo

• As condições aeróbias necessárias à


reação bioquímica aeróbia são
garantidas por ventilação natural
através dos interstícios do meio
suporte, suficiente para manter o
suprimento de oxigênio.

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Evolução do meio suporte
Pedras (Brita) Meio Plástico

Filtro Biológico Percolador

Formação do biofilme

A massa biológica agregada ao meio


suporte se desprende, pelo próprio
peso, e pela formação de gases, e é
arrastada pelo fluxo de esgoto. Este
material constitui o lodo, removido
por sedimentação em decantadores
secundários. Este fenômeno de
"desprendimento" do filme biológico
é mais conhecido pela terminologia
inglesa de “sloughing”

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Opções do meio suporte plástico
Meio plástico randômico Bloco tipo “colméia”

Sistema econômico possível


- Uso de prétratamento com reator UASB para reduzir
a carga orgânica inicial afluente ao filtro.
- Recirculação do efluente final (do Decantador
Secundário) para a entrada do F.B.
- A recirculação é benéfica ao processo
e deve ser praticada.

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A Recirculação (1)

Do Filtro para o Decantador Primário

Recirculação (2)

Do Filtro para o Filtro

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Recirculação (3)

Do Decantador Secundário para o Filtro

Vantagens da Recirculação (1)

• a matéria orgânica recirculada é portadora de


material ativado no reator por mais de uma vez. Isto
aumenta o tempo de contato e semeia o FB
completamente ao longo de sua profundidade, com
uma variedade de organismos;
• quando a vazão recirculada passa através dos
decantadores primários, amortece as variações da
carga aplicada ao FB e tem um papel de diluente;

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Vantagens da Recirculação (2)
• a recirculação através do decantador primário
tende a tornar o esgoto mais fresco, reduzindo
a formação de escuma e odores;
• a recirculação melhora a distribuição de vazão
e carga no filtro durante as 24 horas do dia;
pode ser particularmente importante no
período noturno, quando as vazões afluentes
à ETE são baixas;

Vantagens da Recirculação (3)


• a recirculação diminui as
possibilidades de acúmulo de esgoto
e colmatação do meio suporte; e
• os problemas de odor desagradável e
moscas são minimizados

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Desvantagens da Recirculação

• Requer bombas de recirculação:


custos de instalação e de energia
maiores.
• Requer decantadores maiores.

Por que os filtros são menos usados hoje


em dia??????
• Max Lothar Hess descreveu esta dúvida da
seguinte forma: “O engenheiro consultor deve
colocar-se na defensiva diante da
agressividade, normal aliás, dos fornecedores
de equipamentos, em geral muito bem
preparados, procurando avaliar a sua
utilidade, eficiência, adequação, comodidade
e preço em confronto com as soluções triviais”.

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Experiências na ETE Penha (RJ) com e sem
recirculação

Parâmetro Caso (a) Caso (b) Caso (c)

Vazão média, l/s 185 191 423


DBO afluente, mg/l 355 336 326
DBO efluente, mg/l 49 61 65
Efic.global da ETE, % 86 82 80
Carga hidráulica, m3/m2.d 7,6 7,9 17,4
Carga orgânica, kg/m3.d 0,8 0,8 1,7

- Caso (a): sistema com recirculação


- Caso (b): sistema sem recirculação
- Caso (c): sistema com recirculação e o dobro da vazão (2,23 x)

Critérios de Projeto
• Critério empírico
• Critério do National Research Council (NRC /
USA);
• Critério dos “Ten States Standards” (USA);
• Critério de Velz;
• Critério de Galler e Gotaas;
• Critério de Schulze;
• Critério de Eckenfelder;
• Indicações da Norma Brasileira – ABNT 2009

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Critério do NRC
• E = 1/ [1+0,443 * (w/V.F)1/2 ]

• E=eficiência de redução da DBO


• w = carga orgânica aplicada em kg/d
• V = volume do meio suporte em m³
• F = fator de recirculação (relacionado à razão
de recirculação e ao número de passagens do
esgoto pelo filtro)

Decantador Secundário

• A indicação da Norma Brasileira (revisão de


2009) é dimensionar decantadores finais com
taxa de vazão superficial inferior a 24
m3/m2.d, com base na vazão média.

• Adotar profundidades >= 3,5 m

ETE_2.0_UCCW_Jordão
Carga necessária ao F.B.

• Entre 1,20 e 1,80 m (de acordo com o


equipamento, o diâmetro do filtro, o número
de braços, a vazão.
• Típico: > 1,50 m
• Terrenos em declive são favoráveis
• Terrenos planos são desfavoráveis

Geração de Lodo

• Geração de sólidos na faixa de 0,5 a 0,8 kg


SST/kg DBO removido, sem nitrificação

• Lodo retirado do decantador secundário: teor


de sólidos da ordem de 1 a 2%, com cerca de
70 a 80% de fração SV/ST.

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Outras variações

• Reator Biológico de Contacto


(Biodisco)
• Biofiltros Submersos
• Filtros Aerados Submersos
• Leito Flutuante

Reator Biológico de Contacto


RBC – Biodisco

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Biofiltro Aerado Submerso, BAS
• Com enchimento granulado: elevada superfície
específica, grânulos de 2 a 6 mm, poliestireno, argila
expandida, material inerte.
• Ar – difusores de bolhas grossas no fundo.
• Efeito de filtração propriamente dita (o filtro se
colmata) e formação de biofilme.
• Lavagem por contra-corrente para retirada da
biomassa em excesso.
• NÃO usa decantadores secundários.

BAS
Afluente Água suja – lodo em excesso

Meio Ar
filtrante

Efluente tratado Água de lavagem

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Filtro Aerado Submerso, FAS
• Meio estruturado, como os filtros biológicos
(percoladores) convencionais.
• Ar – difusores de bolhas grossas no fundo.
• Formação de biofilme aderido ao meio
estruturado (pedra, plástico).
• Decantadores secundários, substituindo a
lavagem contra-corrente.

Filtro Biológico Percolador - FAS

Outras variações

Filtro Aerado Submerso (biofiltro)

ETE_2.0_UCCW_Jordão
Situação atual

• BAS: grande desenvolvimento na Europa;


nitrificação e desnitrificação possíveis.
• FAS: em desenvolvimento no Brasil,
principalmente em ETEs préfabricadas, como
póstratamento de reatores UASB.

Dimensionamento
Carga orgânica volumétrica
– BAS, enchimento granulado < 4,0 kgDBO/m3.d
– FAS, enchimento estruturado < 1,8 kgDBO/m3.d

Carga orgânica superficial


 BAS ou FAS < 15 gDBO/m2.d

Taxa de aeração > 30 Nm3 ar/kg DBO


Produção de lodo 0,7 – 0,8 kg SS/kg DBO

ETE_2.0_UCCW_Jordão
Exemplo  FAS após UASB
• Q = 146 L/s = 12.614 m3/d
• DBO afluente = 120 mg/L =
= 0,12 kg/m3 x 12.614 m3/d = 1.514 kg DBO/d
• FAS meio estruturado plástico: 70 m2/m3
• Carga orgânica superficial = 12 g DBO/m2.d
• Carga orgânica volumétrica =
= 12 g DBO/m2 x 70 m2/m3 = 0,84 kg DBO/m3.d
• Volume do meio = 1.514 / 0,84 = 1.802 m3

Exemplo  FAS após UASB


• Volume do meio = 1.514 / 0,84 = 1.802 m3
• H = 3,0 m
• S = 1.802 / 3 = 601 m2
• Número de unidades = 3
• Área unitária = 601/3 = 200 m2
• Dimensões = 14,1 x 14,1 x 3,0 m
• Ar: 35 Nm3 /kg DBO x 1.514 kg kg DBO/d =
2.207 Nm3 ar/h

ETE_2.0_UCCW_Jordão
Filtro Biológico após UASB
• Q = 146 L/s = 12.614 m3/d
• DBO afluente = 120 mg/L =
= 0,12 kg/m3 x 12.614 m3/d = 1.514 kg DBO/d
• FB com enchimento de brita 4
• Carga hidráulica superficial = 30 m3/m2.d
• Número de unidades = 3
• Recirculação = 50%
• Área total = [(12.614 m3/d) x 1,5] / [30 m3/m2.d] =
= 630 m2

Filtro Biológico após UASB


• Área unit. = 630/3 m2 = 210 m2
• D = 17 m  adotado D = 20 m
• Nova área unitária = 314 m2
• Nova área total = 3 x 314 = 942 m2
• Nova CHS = [(12.614 m3/d)x1,5]/[942m2] =
= 20 m3/m2d
• H = 2,20 m
• Volume total = 942 x 2,2 = 2.072 m3

ETE_2.0_UCCW_Jordão
Filtro Biológico após UASB
• Verificar Carga Orgânica Volumétrica =
= [1.514 kg DBO/d] / [2.072 m3] =
= 0,73 kg DBO/d.m3 - OK
• Decantadores Secundários  N = 3
– Taxa superficial = 24 m3 /m2.d
– Área unitária = [(12.614 m3/3)] / 24 m3/m2.d =
175,2 m2
– Diâmetro proposto = 15 m

ETE_2.0_UCCW_Jordão
ETE_2.0_UCCW_Jordão
Filtro Biológico Percolador
Exercício
Cada grupo deverá projetar um filtro biológico percolador, considerando o efluente de um reator UASB já
existente, com valores de concentração de DBO definidas na tabela abaixo. Deve ser realizado também o cálculo
da eficiência de remoção de DBO segundo a fórmula do NRC. Vale ressaltar que a tecnologia de filtração
biológica requer decantação secundária. TAS no DS = 20 a 24 m3/m2.d

Dados de entrada
DBO
Q méd. Q máx. efluente Tipo de Meio Nº Prof. Cv TAS
Grupos
(l/s) (l/s) UASB filtro suporte filtros (m) (kgDBO/m3.d) (m3/m2.d)
(mg/l)
Grupo 01 289 521 100 Alta Pedra 2 2,0 0,70 10-40
Grupo 02 142 255 88 Inter. Pedra 2 2,0 0,25 4-10
Grupo 03 114 206 92 Alta Plástico 1 4,0 0,50 10-75
Grupo 04 328 590 106 Alta Plástico 2 4,5 0,50 10-75
Grupo 05 146 263 96 Inter. Pedra 3 2,2 0,25 4-10

ETE_2.0_UCCW_Jordão
Filtro Biológico Percolador
Resumo de resultados
Dimensionamento

Q Carga DBO Área


Pop. Meio Prof. Cv Volume TAS
Grupo méd. efluente total
(hab) suporte (m) (kgDBO/m3.d) (m3) (m3/m2.d)
(m3/d) UASB (kg/d) (m2)

01 125000 25000 2500 Pedra 2,0 0,70 3630 25 1815


02 85000 12240 1077 Pedra 2,0 0,25 4299 10 2149
03 68500 9864 907 Plástico 4,0 0,50 1809 39 452
04 118000 28320 3002 Plástico 4,5 0,50 5942 39 1320
05 78800 12608 1210 Pedra 2,2 0,25 4979 10 2263

Eficiência de remoção de DBO


Grupo Eficiência DBO afluente (mg/l) DBO efluente (mg/l)
01 73 100 27
02 82 88 16
03 76 92 22
04 76 106 25
05 82 96 17

Vantagens e Desvantagens
Sistemas Aeróbios com Biofilmes
Sistema Vantagens Desvantagens
- Menor flexibilidade operacional que lodos
ativados
- Elevada eficiência na remoção e DBO - Elevados custos de implantação
- Nitrificação freqüente - Requisitos de área mais elevados do que os
Filtro - Requisitos de área relativamente baixos filtros biológicos de alta carga
biológico - Mais simples conceitualmento do que lodos - Relativa dependência da temperatura do ar
de baixa ativados - Relativamente sensível a descargas tóxicas
carga - Índice de mecanização relativamente baixo - Necessidade de remoção da umidade do lodo e
- Equipamentos mecânicos simples da sua disposição final (embora mais simples que
- Estabilização do lodo no próprio filtro filtros biológicos de alta carga)
- Possíveis problemas ambientais com moscas
- Elevada perda de carga
- Boa eficiência na remoção de DBO
- (embora ligeiramente inferior aos filtros de
- Operação ligeiramente mais sofisticada
baixa carga)
do que os filtros de baixa carga
Filtro - Mais simples conceitualmente do que
- Elevados custos de implantação
biológico lodos ativados
- Relativa dependência da temperatura do ar
de alta - Maior flexibilidade operacional que os filtros
- Necessidade do tratamento completo do
carga de baixa carga
lodo e da sua disposição final
- Melhor resistência a variações de carga
- Elevada perda de carga
que filtros de carga baixa
- Reduzidas possibilidades de maus odores

ETE_2.0_UCCW_Jordão
LODOS ATIVADOS
Eduardo Pacheco Jordão, Dr.Eng.T

Curso de Tratamento de Esgotos - 2021

E.P.JORDÃO

Lodos Ativados
Floco produzido no esgoto bruto ou decantado pelo
crescimento de microorganismos,
Na presença de oxigênio dissolvido, e
Acumulado em concentração suficiente,
Graças ao retorno de outros flocos anteriormente
formados.

E.P.JORDÃO

ETE_2.0_UCCW_Jordão
Simbologia
Q - vazão afluente
So - DBO ou DQO afluente
Se - DBO ou DQO efluente solúvel
Xa - concentração de SSTA
Xav - concentração de SSVTA
Q’ - vazão efluente = (Q – q)
q, Q” - vazão de lodo em excesso
Qr - vazão de lodo recirculado

E.P.JORDÃO

O processo dos lodos a tivados é biológico. N e le o e sgoto


a f luente e o lodo a tivado sã o intimamente m isturados,
a gitados e a e rados ( em unidades chamadas ta nques de
a e ração), pa ra logo a pós se se parar os lodos a tivados do
e sgoto ( por se dimentação e m “decantadores se cundários”).

E.P.JORDÃO

ETE_2.0_UCCW_Jordão
A maior parte do lodo ativado assim
separado retorna para o processo,
enquanto uma parcela menor é retirada
como um lodo em excesso.
E.P.JORDÃO

O esgoto tratado verte pela canaleta vertedora do


decantador no qual ocorreu a separação,
caracterizando o efluente final.

E.P.JORDÃO

ETE_2.0_UCCW_Jordão
Lodos Ativados
Floco produzido no esgoto bruto ou decantado pelo
crescimento de microorganismos,
Na presença de oxigênio dissolvido, e
Acumulado em concentração suficiente,
Graças ao retorno de outros flocos anteriormente
formados.

E.P.JORDÃO

Eficiências Típicas do Processo de Lodos Ativados

Característica DBO e SST DBOsol

Efluente, mg/l 20 – 30 7 – 15
Remoção, % 85 – 95 90 – 97

E.P.JORDÃO

ETE_2.0_UCCW_Jordão
Após a aeração, o lodo ativado flui para o decantador
secundário, onde a parte sólida é separada do esgoto por
sedimentação. O efluente do DS escoa pelos vertedores.
Uma parcela do lodo sedimentado retorna para o início do
processo, e a outra é enviada aos digestores para
estabilização do lodo (pode ser retirada do tanque de
aeração ou da linha de retorno de lodo): é o “excesso de
lodo”.

E.P.JORDÃO

Lodos Ativados

Decantador
O2
Secundário
A
Q;So S (Q+Qr);S;X;Xv
X (Q-q);S
V Xv Efluente final
Alternativa para
retorno do lodo – Tanque de
entrada no Aeração
afluente do
decantador Qr;S;Xu;Xuv
primário
q;S;X;Xv
Retorno de lodo ativado Excesso de lodo;
Vai para digestão

E.P.JORDÃO

ETE_2.0_UCCW_Jordão
Lodos Ativados
Lodo ativado é o floco produzido num esgoto bruto ou decantado pelo crescimento de bactérias
zoogléias ou outros organismos, na presença de oxigênio dissolvido (no tanque de aeração), e
acumulado em concentração suficiente graças ao retorno de outros flocos previamente formados.

Tanque de aeração
Decantador primário Decantador secundário

Retorno de lodo

Tanque de aeração
Decantador primário Decantador secundário

Retorno de lodo

Lodos Ativados

Tanque de aeração
Decantador primário Decantador secundário

Efic.(DBO) = 30%
Efic.(SST) = 50% Efic.(DBO) = 95%
Retorno de lodo Efic.(SST) = 90%

Floco

ETE_2.0_UCCW_Jordão
Composição do Lodo Ativado

O lodo ativado é formado principalmente de bactérias,


fungos e protozoários, sendo as bactérias os
microorganismos de maior importância, uma vez que são
responsáveis pela degradação da matéria orgânica e pela
formação dos flocos;
Fungos e algas são, muitas vezes, indesejáveis ao tratamento,
pois dificultam a formação do floco tendo em geral forma
filamentosa;
Os protozoários contribuem diretamente na estabilização da
matéria orgânica, sendo alguns deles indicadores de boa
qualidade de operação.

E.P.JORDÃO

Composição do Lodo Ativado

Microorganismos:
Protozoários
Algas
Fungos
Bactérias
Vírus
Principalmente Bactérias: reproduzem no Tanque de
Aeração (Reator Biológico) em algumas horas, o longo
“ciclo da vida” da natureza.

E.P.JORDÃO

ETE_2.0_UCCW_Jordão
Lodos Ativados

Funções executadas pelos microorganismos

 Proteger-se do ambiente (limite com o meio exterior);


 Capturar nutrientes;
 Produzir energia de forma biologicamente utilizável;
 Converter alimento em material celular;
 Excretar produtos utilizados (“restos”);
 Preservar e reproduzir informações genéticas

E.P.JORDÃO

Lodos Ativados
Principais ações microbiológicas

Produzir energia de forma


biologicamente utilizável;
 Converter alimento em material
celular; (em presença de oxigênio
dissolvido).

E.P.JORDÃO

ETE_2.0_UCCW_Jordão
Nossos flocos de lodos ativados.
Nossos “bichinhos” (“bugs”).
O lodo biológico em sua maior parte é formado por
por uma população mista de bactérias agregadas sob
a forma de flocos biologicamente ativos (de onde
vem o nome “lodos ativados”); fornecimento de
oxigênio no Tanque de Aeração.

E.P.JORDÃO

Bactérias
Principais responsáveis pela massa gelatinosa: Zoogléia;
Responsáveis pela floculação do material em suspensão;
Principais responsáveis pela estabilização da matéria orgânica e pela formação dos flocos;
Principais bactérias formadoras de floco: Pseudomonas sp., Zooglea Ramigera,
Achromobacter sp., Mycobacterium sp.
Bactérias nitrificantes: Nitrosomonas sp.; Nitrobacter sp.

Pseudomonas sp. Zooglea ramigera Achromobacter sp. Mycobacterium sp.

E.P.JORDÃO

ETE_2.0_UCCW_Jordão
Bactérias Nitrificantes
(transformam a amônia em nitrito e em nitrato)

Nitrosomonas sp. Nitrobacter sp.

E.P.JORDÃO

Lodos Ativados
As bactérias requerem oxigênio – o Tanque de Aeração

ETE_2.0_UCCW_Jordão
Bactérias Filamentosas, o pavor dos operadores!
(“intumescimento do lodo” – “bulking”)

Leucothrix sp. Beggiatoa sp. Nostocoida limicola

Microthrix parvicella Thiothrix sp. Nocardia sp. Sphaerotilus natans

E.P.JORDÃO

Índice Volumétrico de Lodo, IVL


IVL = volume em mililitros ocupado por 1 grama
de lodo, após uma sedimentação de 30 minutos
Valores do IVL entre 40 e 150 mℓ/g indicam
geralmente uma boa qualidade do lodo formado:
um lodo que sedimenta bem
Valores acima de 200 são normalmente indicativos
de um lodo de qualidade inferior, leve, que
sedimenta mal
E.P.JORDÃO

ETE_2.0_UCCW_Jordão
350

IVL 300

250
SVI [ml/g]

200

150

100

50

0
bulking
I-93 I-94 I-95 I-96 I-97 I-98 I-99 I-00 I-01 I-02

Nocardia

E. P. Jordão

E.P.JORDÃO

ETE_2.0_UCCW_Jordão
Nocardia no DS ?

E. P. Jordão

E.P.JORDÃO

Lodos Ativados

O Festim Canibalístico e a Remoção da DBO


Agradecemos às bactérias por sua boa contribuição!

E.P.JORDÃO

ETE_2.0_UCCW_Jordão
Lodos Ativados

Q`, Se ,
Q+Qr, Se, Xe
Q, S0 XAV
V
XA
XAV Tanque de aeração

Q” Qr
Q”

• Q - vazão afluente
• So - DBO ou DQO afluente
• Se - DBO ou DQO efluente solúvel
• Xa - concentração de SSTA
• Xav - concentração de SSVTA
• Q’ - vazão efluente
• Q” - vazão de lodo em excesso
• Qr - vazão de lodo recirculado

Lodos Ativados

A sucessão de espécies Crescimento bacteriano


x
consumo de substrato

ETE_2.0_UCCW_Jordão
A sucessão das espécies

E.P.JORDÃO

Crescimento de Microorganismos

Fase de Aclimatação

Fase Exponencial

Fase Estacionária

Fase de Declínio

E.P.JORDÃO

ETE_2.0_UCCW_Jordão
Crescimento dos Microrganismos
4 etapas

◦ Fase A – Lag ou de Aclimatação: não ocorre aumento do número de microrganismos,


nesta etapa eles elaboram o arsenal enzimático necessário ao consumo de
substratos. Velocidade nula;
◦ Fase B – Log, ou Exponencial: verifica-se um excesso de alimento em torno dos
microorganismos propiciando um crescimento com velocidade máxima;
◦ Fase C – Estacionária: a velocidade volta a ser nula, devido ao esgotamento dos
substratos ou ao acúmulo de substâncias tóxicas em níveis incompatíveis com o
desenvolvimento microbiano;
◦ Fase D – de Declínio ou Endógena: os microrganismos são forçados a metabolizar
seu próprio protoplasma porque a concentração de substrato disponível é mínima,
causando a diminuição do número de microrganismos. Durante esta etapa ocorre o
fenômeno conhecido como ‘lise’ no qual os nutrientes remanescentes nas células
mortas ficam disponível para as células vivas.

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Formação do Floco
O floco é formado principalmente por bactérias, que têm como principal função degradar a
matéria orgânica dos efluentes;
Os flocos são formados devido a alguns fatores:
◦ Baixa quantidade de energia do meio, pouco substrato;
◦ Decomposição da membrana celular, formando a matriz gelatinosa denominada de zoogléia;
◦ Forças atrativas entre as partículas (forças de Van der Waals) superior às forças de repulsão de natureza
elétrica.
O floco biológico é dividido em dois níveis:
◦ Macroestrutura: microorganismos filamentosos que servirão como espinha dorsal;
◦ Microestrutura: base do floco, agregado de células e compostos polissacarídeos.

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Formação do Floco

O floco ideal é formado por uma distribuição equilibrada de microorganismos


formadores de floco e microorganismos filamentosos;
As bactérias filamentosas são importantes ao sistema, pois formam a estrutura do
floco, porém seu crescimento deve ser controlado, pois poderá ocorrer:
◦ - um excesso de filamentos nos flocos causando o Bulking;
◦ - uma falta de filamentos, ou quando estes não adquirem o tamanho ideal, causando o
chamado Pin-Point.

Floco ideal Bulking Pin-point

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Tipos de Flocos
a) Flocos ideais

b) Flocos pin-point

c) Flocos com bulking

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O Lodo Ideal
Composto por microorganismos formadores de floco e filamentosos em proporções
adequadas;
Os Flocos são fortes e grandes;
Os Filamentos não interferem;
O Sobrenadante é claro.

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Bulking (Intumescimento do lodo)


Microorganismos filamentosos crescem acima do desejado, interna e externamente ao floco;
O Bulking pode ser desenvolvido basicamente por três causas :
Bulking Polissacarídico: excesso de açúcares nos flocos de lodo.
Bulking Filamentoso: presença excessiva de bactérias filamentosas, devido a eventual:
◦ Baixa concentração de oxigênio dissolvido no tanque de aeração;
◦ Nutrientes em dosagem insuficiente (principalmente nitrogênio);
◦ pH fora da faixa operacional;
◦ Variação excessiva de carga;
◦ Fator de Carga muito baixo (< 0,05 d-1). Sphaerotilus natans

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Bulking (Intumescimento do lodo)
Bulking disperso: Ocorre devido à ausência completa de bactérias filamentosas

◦ Carga orgânica elevada;


◦ Aeração excessiva;
◦ Presença de substâncias tóxicas no lodo.

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Consequências do Bulking
O lodo sedimenta e compacta de forma não ideal;
Más características de desidratação do lodo;
Excesso de água na fase sólida;
Pode haver perda de sólidos;
Dificuldade em manter a concentração de lodo
desejada nos reatores.

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Pin-Point

São os flocos dispersos;


Restritos às bactérias formadoras, sendo flocos
pequenos, fracos, e podem ser facilmente quebrados;
O efluente costuma apresentar turbidez e sólidos em
suspensão em maior concentração.

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Microorganismos x Lodo
Microorganismos Características do Processo

Predominância de Flagelados e Rizópodes Lodo jovem, característico de início de


operação, ou idade de lodo baixa.
Predominância de Flagelados Deficiência de aeração, má depuração e
sobrecarga orgânica
Predominância de Ciliados Boas condições de depuração

Pedunculados e Livres; presença de Arcella Boa depuração


(rizópode com teca)
Presença de Aspidisca costata (ciliado livre) Nitrificação

Presença de Trachelophyllum (ciliado livre) Idade do lodo alta

Presença de Vorticella microstoma (ciliado Efluente de má qualidade


pedunculado) e baixa concentração de
ciliados livres
Predominância de anelídeos do gênero Excesso de oxigênio dissolvido
Aelosoma
Predominância de filamentos Entumescimento do lodo

Fonte: Jordão e Pessoa, (2017)

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Lodos Ativados

Sonhe com nossos “bichinhos” e você dormirá bem !...

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Obrigado! jordao@poli.ufrj.br

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