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UNIVERSIDADE EDUARDO MONDLANE

FACULDADE DE CIÊNCIAS

DEPARTAMENTO DE MATEMÁTICA E INFORMÁTICA

Correcção do Exame Recorrência de Análise matemática I

Data: 18-Set-2021 Duração: 120 minutos

Cursos: Física e Meteorologia Docente: Eisten Bomba

q
1. Determine o domínio de denição da função f (x) = ln (4 − x) 1 − x2 . (2.5)

Resolução. Df = x ∈ R : 4 − x > 0, 1 − x2 ≥ 0 .


Temos

4 − x > 0 ⇔ −x > −4 ⇔ x < 4 ⇒ D1 =] − ∞, 4[

2 x−2
1− ≥0⇔ ≥ 0 ⇔ x < 0 ou x ≥ 2 ⇒ D2 =] − ∞, 0[∪[2, +∞[
x x

Portanto, Df = D1 ∩ D2 =] − ∞, 0[∪[2, 4[.


ex − x − 1
2. A função f (x) = é indeterminada, quando x = 0. Determine f (0) de forma
x sin x
que f (x) seja contínua quando x = 0. (2.5)

Resolução. A função f (x) será contínua no ponto x = 0 se f (0) = lim f (x). Com efeito:
x→0
ex − x − 1
 
0
lim f (x) = lim = .
x→0 x→0 x sin x 0
Aplicando a regra de L'Hospital, vem:
ex − x − 1 (ex − x − 1)0 ex − 1
 
0
lim = lim 0
= lim =
x→0 x sin x x→0 (x sin x) x→0 sin x + x cos x 0

(ex − 1)0 ex 1
= lim = lim =
x→0 (sin x + x cos x)0 x→0 2 cos x − x sin x 2
1
A função f será contínua no ponto x = 0 se f (0) = .
2

1
dy   x2
3. Calcule , se ln xy + − y = C . (2.0)
dx 2
2
  x
Resolução. Derivando ambos os membros da equação ln x
y
+ − y = C em relação
2
a x, temos:
 0
x
y 2x y − xy 0 dy y + x2 y
x + − y0 = 0 ⇔ + x − y 0 = 0. De onde resulta que = y0 = .
y
2 xy dx x + xy

4. Seja f (x) uma função real que possui as seguintes propriedades:

1) Df = R \ {0}; 2) lim− f (x) = −∞ e lim+ f (x) = +∞;


x→0 x→0
3) lim f (x) = lim f (x) = 1
x→−∞ x→+∞
4) A variação do sinal das suas derivadas é dada pelas tabelas abaixo

x -1 0 1
f 0 (x) + 0 − N.D − 0 +
f (x) 3 N.D −1
x -1.5 0 1.5
f 00 (x) + 0 − N.D + 0 − .
f (x) 2.5 N.D −0.5

Com base nestas informações:

(a) Indique os intervalos de monotonia e os extremos de f . (1.0)

(b) Indique os intervalos de concavidade e os pontos de inexão de f . (1.0)

(c) Esboce o gráco da função. (1.5)

Resolução. 4a) f (x) é crescente se x ∈] − ∞, −1[∪]1, +∞[ e f (x) é decrescente se


x ∈] − 1, 0[∪]0, 1[.
(-1,3) é ponto de máximo local e (1,-0.5) é ponto de mínimo local.
4b) O gráco de f tem uma concavidade voltada para cima nos intervalos ] − ∞, −1.5[ e
]0, 1.5[. O gráco de f tem uma concavidade voltada para baixo nos intervalos ] − 1.5, 0[
e ]1.5, +∞[. Os pontos de inexão da função são (−1.5, 2.5) e (1.5, −0.5).

2
4c) O gráco de f
y
4
3
2
1
0
−6 −5 −4 −3 −2 −1 0 1 2 3 4 5x
−1
−2

Figura 1: gráco de f

5. Seja n um número inteiro não negativo. Demonstre que, se In = xn e−x dx, então
R

In = −xn e−x + nIn−1 (1)


Z
Utilize a fórmula (1) para calcular o integral x5 e−x dx. (3.5)
Resolução. Seja u = xn e dv = e−x dx. Então du = nxn−1 e v = −e−x . Logo, aplicando
a fórmula de integração por partes, temos:
Z Z
n −x n −x
x e dx = −x e +n xn−1 e−x dx = −xn e−x + nIn−1
Z Z
Notemos que I0 = −x
e dx = −e−x
+ C . Temos x5 e−x dx = I5 . Logo, aplicando a
fórmula (1) teremos:

I5 = −x5 e−x + 5I4

= −x5 e−x + 5(−x4 e−x + 4I3 )

= −x5 e−x − 5x4 e−x + 20(−x3 e−x + 3I2 )

= −x5 e−x − 5x4 e−x − 20x3 e−x + 60(−x2 e−x + 2I1 )

= −x5 e−x − 5x4 e−x − 20x3 e−x − 60x2 e−x + 120(−xe−x + I0 )

= −x5 e−x − 5x4 e−x − 20x3 e−x − 60x2 e−x − 120xe−x − 120e−x + C

3

6. A velocidade de uma partícula que se move em linha recta é dada por v(t) = t 1 + t2
(medida em metros por segundo). Calcule a distância percorrida pela partícula desde o
√ √
instante t = 3 até t = 8. (3.5)
√ √
Resolução. A distância percorrida desde o instante t = 3 até t = 8 é dada por

Z 8
d= √
|v(t)|dt
3
√ √

Z 8 Z 8 √
Como v(t) = t 1 + t2 ≥ 0, então d = √
v(t)dt = √
t 1 + t2 dt. Seja 1 + t2 = u.
3 3
du
Então tdt = . Logo,
2
Z √ √ p
√ 3 (1 + t2 )3
Z
du u
t 1 + t2 dt = u = +C = +C
2 3 3

Portanto, p √ √ √
(1 + t2 )3 8 93 43 19
d= √ = − =
3 3 3 3 3
Z 0.5
dx
7. Utlizando séries calcule o valor do integral com precisão de 3 casas decimais.
0 1 + x4
(3.0)

1
Resolução. Temos (−1)n xn para |x| < 1. Então:
X
=
1 + x n=0


1 X
= (−1)n x4n , |x4 | < 1 ⇒ |x| < 1
1 + x4 n=0

Logo,
Z 0.5 Z ∞
0.5 X
dx
= (−1)n x4n dx
0 1 + x4 0 n=0

∞ Z
X 0.5
= (−1)n x4n dx
n=0 0


X x4n+1 0.5 n
= (−1)
4n + 1 0

n=0


X (−1)n
=
n=0
(4n + 1)24n+1

Assim, o valor do integral dado é igual a soma da série numérica



(−1)n 1 1 1 1
(2)
X
4n+1
= − 5
+ 9
− + ...
n=0
(4n + 1)2 2 4.2 9.2 13.213

4
1
Notemos que un = tem termos positivos, é decrescente e é um innitésimo.
(4n + 1)24n+1
Então podemos aplicar o teorema da estimativa de uma série alternada para calcular a
soma da série (2) com precisão de 3 casas decimais ou seja com o erro menor que 0.0001.
1 1 1 1 1
u0 = , u1 = 5
= = 0.00625, u2 = 9
= = 0.000217
2 5.2 160 9.2 4608
1 1
u3 = 13
= = 0.00000939 < 0.0001 ⇒ u3 é o primeiro termo a ser desprezado.
13.2 106496
Portanto,
0.5 2
(−1)n
Z
dx X 1 1 1
4
≈ 4n+1
= − + = 0.4937 
0 1+x n=0
(4n + 1)2 2 160 4608

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